contos sol e lua

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terça-feira, 5 de abril de 2011

A Lei de Causa e Consequência.


A hereditariedade física produz certos tipos de fisionomias e serve para fazer evoluir algumas combinações materiais especiais, nomeadamente o desenvolvimento de certas faculdades ou de doenças hereditárias.

Assim, um Ego, dotado de faculdades artísticas musicais, será levado a encarnar-se numa família de músicos. Um Ego que se deixou arrastar pelos excessos do seu corpo de desejos e de pensamento inferior, que se abandonou à embriaguez, será conduzido a encarnar-se numa família onde o sistema nervoso esteja enfraquecido pelos excessos; por exemplo, pais alcoólicos irão fornecer-lhe para invólucro físico materiais pouco saudáveis.

A Eliminação do Destino.

A acção é movida pelo desejo. Uma acção é executada com o fim de obter por meio dela o objecto desejado.

O elemento que nos prende no destino é o desejo, e quando o Ego nada mais deseja sobre a terra ou nos mundos superiores, rompe os laços que o prendem à roda das reencarnações. Então a acção não tem mais nenhum poder sobre o Ego.

Quando o Homem começa a aspirar à libertação, é-lhe ensinada a prática de "renúncia aos frutos da acção", aprende a suprimir gradualmente em si mesmo o desejo de posse do inútil. Primeiro priva-se deliberada e voluntariamente de um certo objecto, adquire o hábito de passar sem ele, sem sentir descontentamento. Depois de certo tempo, o objecto já não lhes faz mais falta. Percebe então, que o próprio desejo se desvaneceu.

Uma vez atingida esta perfeição, não tendo mais desejos nem antipatias por nenhum objecto, o Homem não criará mais destino, nem será mais atraído para estes mundos. É a cessação do destino individual, na produção de novo destino.

Outra maneira de cessar o destino criado no passado é por meio do conhecimento das vidas passadas, contrariando os maus pensamentos, opondo-lhes forças iguais e contrárias.

Os que não possuem os conhecimentos necessários para passar em revista as suas vidas anteriores, podem também anular as numerosas causas que puseram em actividade na sua actual existência. Podem examinar toda esta existência e avaliar todas as circunstâncias em que produziram ou sofreram danos. Neutralizarão as causas de primeira categoria, prodigalizando pensamentos de amor e protecção e ao mesmo tempo executando no Mundo Físico, actos de dedicação à pessoa lesada, sempre que tiver ocasião. As de segunda categoria serão neutralizadas por pensamentos de perdão e boa vontade.

Também todos, que ao mal respondam com o bem, esgotam inconscientemente o destino, produzido no presente e destinado a produzir os seus efeitos no futuro.

O Destino e os Astros.

A necessidade de obter organismos de natureza específica para o Ego esgotar o seu destino, faz com que as leis do renascimento e de causa e consequência estejam relacionadas com o movimento dos astros, do Sol, dos planetas e das constelações zodiacais. Todos se movem nas suas órbitas, em harmonia com estas leis, guiados pelas suas inteligências espirituais internas – os Espíritos Planetários.

Todos os habitantes e acontecimentos da Terra estão relacionados com os corpos e movimentos siderais. Acontece o mesmo com as leis do renascimento e da causa e consequência. O clima e outras mudanças que resultam da passagem do Sol pelos diferentes signos, ao longo do ano, afectam a Terra, o homem e as suas actividades de várias maneiras. O Homem nasce quando a posição dos corpos do sistema solar proporciona condições necessárias para a sua experiência e desenvolvimento nessa encarnação. Podemos considerar os astros como um relógio do destino. Os doze signos do zodíaco correspondem ao mostrador, o Sol e os planetas ao ponteiro das horas, que indica o ano; a Lua, corresponde ao ponteiro dos minutos, que indica os meses em que os diversos acontecimentos do destino maduro se devem cumprir. Os astrólogos podem saber a ocasião exacta da vida de um Homem, determinada pelos Senhores do Destino, em que uma dívida (do destino maduro) deve ser paga. Nestes casos, o Homem não tem poder para alterar esta situação.

Bibliografia.
Annie Besant, Um estudo sobre o Karma, Editora Pensamento, S. Paulo, 1997.
Annie Besant, A Sabedoria Antiga, Livraria Freítas Bastos, Rio de Janeiro.
Cinira Riedel de Figueiredo, Leis Ocultas para uma Vida Melhor, Editora Pensamento, Lª, S. Paulo.
Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmo, Fraternidade Rosacruz de Portugal, Lisboa, 1989.
Max Heindel, Renascimento e Consequência, Lição nº 10 do Curso Suplementar de Filosofia, Fraternidade Rosacruz de Portugal.

Hatshepsut ou Serenidade.


Hatshepsut, ou amuleto egípcio da serenidade, é um talismã de raro uso mas que segundo os crentes possui poderosíssimas influências na serenidade e controlo de estados de ansiedade.

Este amuleto ou talismã é pouco usado como pingente mas é frequentemente visto como talismã de lar em forma de busto.
O talismã da deusa da serenidade dá uma sensação de paz e de tranquilidade que é no mundo de hoje bastante esquiva. Está inspirado na rainha faraó. Durante mais de vinte anos, uma mulher, Hatshepsut, reinou no Egipto. Hatshepsut, era chefe de um Egipto rico e poderoso, inteligente, hábil, dotada de capacidades administrativas provavelmente excepcionais, chefe político, Hatshepsut era uma das filhas de um grande monarca, Tutmés I. Este preparou a sua filha para exercer o poder. Ela proferia-lhe um profundo afecto, tomando-o como exemplo.
Hatshepsut Hatshepsut herdou o carácter enérgico do seu pai. Casou-se com um filho deste, nascido de uma concubina, Tutmés II, cujo reinado foi breve. O jovem rei, cuja carreira parecia prometedora, morreu prematuramente. Este falecimento colocou o Egipto numa situação difícil. Tutmés II tinha tido duas filhas e um filho, o futuro Tutmés III. Mas este último era só uma criança, incapaz de desempenhar a pesada função a que estava destinado. Hatshepsut assegurou a regência. Filha de rei, irmã do rei, esposa do grande deus, grande esposa real, dirigiria o país segundo a vontade de seu sobrinho, afirmava ela.
Mas este tipo de governo não correspondia à mentalidade egípcia. Por esse motivo, Hatshepsut decidiu ser rei e não rainha porque adoptou as características masculinas que fizeram dela um faraó como os outros.
O túmulo de Hatshepsut foi encontrado. Foi o primeiro a ser escavado no Vale das Rainhas. Chega até mais de cem. metros debaixo da terra e não tem nem textos nem representações. Continha os sarcófagos de Hatshepsut e de seu pai, Tutmés I. Mas Hatshepsut, quando chegou a faraó mandou construir outro túmulo no Vale dos Reis. O eixo principal desta morada de eternidade está situado em direcção ao templo de Dayr el-Bahari, unindo assim de forma abstracta os monumentos essenciais da rainha-faraó. Reinado feliz, anos de paz e de serenidade, beleza de uma civilização que se reflecte no templo de Dayr el-Bahari.

domingo, 3 de abril de 2011

O Calendário Maia: O Apocalipse na Ciência e na Religião


Durante os últimos 3000 anos não faltaram profecias sobre o fim do mundo. Desde muito cedo que se formou em alguns espíritos religiosos a ideia da destruição total da Criação. Entre os Germanos desenvolveu-se a ideia de um cataclismo tremendo e simultaneamente grandioso. A esta grandiosa catástrofe deram o nome de Ragna Rok, que significa “destino fatal”1. O Apocalipse de S. João também descreve, por seu lado, a luta e a vitória contra o mal, o Anti-Cristo. A linguagem, com visões medonhas e imagens cifradas, fazem deste livro um texto crítico cheio de metáforas, alegorias e símbolos.

O receio do fim próximo do mundo está em consonância com o esquema agostiniano da História, elaborado segundo doutrinas criadas ao sabor das controvérsias do tempo. Santo Agostinho (354-430), em A Cidade de Deus, obra que teve imensa influência na Idade Média, dedica um livro inteiro ao Juízo Final. O autor mostra verdadeira simpatia por Platão e coloca-o acima de todos os outros2. Não admira: a Igreja católica histórica começou por ser platónica. Os Padres cristãos eram muito mais neo-platónicos do que os sábios do Renascimento. Todavia, a escatologia agostiniana tem profundas raízes judaicas. Mas a interpretação que faz do Antigo Testamento não está articulada com o pensamento judeu. O padrão judaico da História, passada e futura, que Santo Agostinho adaptou como apelo aos oprimidos e infelizes, está longe da melhor linha da tradição hebraica. Parece até desconhecê-la. Tem uma visão a curto prazo da história humana que reduz a seis períodos históricos antes do derradeiro, o “sábado perpétuo”3. Defende a explicação unilateral da realidade a partir de uma forma de saber que elege como hegemónica. E rejeita as virtudes pagãs, “prostituídas pela influência de demónios obscenos e asquerosos”4. Limita assim, irremediavelmente, o conhecimento e o espaço salvífico ao interior de uma religião, como se a salvação consistisse numa docilidade servil a doutrinas e ritos.

As correntes escatológicas cristãs, uma das maiores formas da espiritualidade medieval, fizeram uma leitura literal do Apocalipse de João 20, 1-15. Alguns crentes de espírito estreito, como os Agostinianos rígidos, que não queriam a ciência, nem a razão, nem o uso racional das coisas seculares, continuaram a apoiar-se febrilmente sobre cada texto que parecia mais pessimista e desenvolveram ideias estéreis sobre o futuro5. Deram origem a uma utopia social e religiosa denominada “Milenarismo”. O Milenarismo defende a existência de um tempo de prosperidade e de beatitude de mil anos antes do Julgamento Final.

A tradição catastrofista ainda encontra acolhimento em algumas confissões religiosas actuais – e na ingenuidade que caracteriza uma boa parte do actual espírito europeu.

Este contexto ajuda a compreender a curiosidade actual pelas especulações associadas ao ano de 2012, o último do actual ciclo do calendário maia. E tudo isto porque nesse ano ocorrem certos fenómenos astronómicos que os mais crédulos temem ser o prenúncio de acontecimentos ligados ao Juízo Final.

ACivilização Maia.

Os Maias formaram a civilização mais complexa do Novo Mundo. Ocuparam um território que se estendia do sul do México à Guatemala. São herdeiros culturais dos Olmecas, cuja civilização havia surgido em 1200 a.C. Depois de 800 d.C. a cultura maia concentrou-se na península do Iucatão.

Por isso, embora alguns estudiosos da cultura Maia tenham concluído, apressadamente, que as inscrições hieroglíficas se referem apenas a factos históricos e concretos da vida dos senhores ou reis das cidades, a verdade parece diferente. O livro ritual Popul Vuh, o Livro do Conselho, relata a história da criação do mundo e uma contenda entre os deuses, genealogias dos chefes, etc.6 E no famoso “calendário” cosmogónico, que viria a influenciar o asteca, os Maias registaram os conhecimentos de astronomia e astrologia que estão no Livro do Conselho.

Quando falamos no “calendário” maia referimo-nos a um conjunto de 3 calendários de escala circular que se baseiam em três períodos de tempo distintos: o ano sagrado, o ano solar e o ano de Vénus.

O que regula eventos civis e actividades agrícolas, chamado Haab, tem 365 dias, de acordo como o nosso ano solar. É dividido em 18 meses de 20 dias, acrescido de um mês de 5 dias funestos. Estes dois calendários associados incluem o ano de Vénus, que é de 584 dias terrestres8. O interesse dos Maias pelas revoluções do planeta Vénus parece estar ligado à astrologia. Tudo indica que tenham identificado perfeitamente as cinco posições fundamentais que este planeta ocupa, no período de 8 anos, na sua trajectória aparente, formando uma figura de cinco braços. Este pentagrama só pode ser visto por um observador fora da órbita terrestre – o que parece dar razão ao Prof. Landon do Código da Vinci9.

No fim de cada ciclo de 73 anos sagrados, ou de 52 anos solares, os dois voltavam a coincidir no mesmo ponto inicial. No início de cada ciclo de 52 anos, que este povo considerava a duração ideal de vida, celebravam-se determinados ritos: acendia-se o “Lume Novo”, quebram-se as louças, queimavam-se roupas velhas, faziam-se oferendas e diversos sacrifícios.
Calendário Maia.

O terceiro calendário, chamado de “Contagem Longa”, serve para registar acontecimentos ao longo de um Grande Ciclo, que tem cerca de 5130 anos. O presente Grande Ciclo abrange o tempo decorrido entre 13 de Agosto de 3114 a.C. e 21 de Dezembro de 2012 d.C. É provável que o ano de 3114 a.C. represente qualquer acontecimento importante da mitologia maia.

Estes três calendários funcionam sincronizados como peças de uma engrenagem perfeitamente ajustada.

Os especialistas conseguiram, já no século XIX, esclarecer o sistema de contagem do tempo e das datações clássicas dos Maias. Mas nada de semelhante aconteceu quanto à escrita. Como nunca se encontrou nenhum documento que servisse de “Pedra de Roseta”, a descodificação da língua maia tem-se arrastado apesar dos esforços realizados.

A escrita não-alfabética dos Maias utiliza um complicado sistema com mais de 800 signos básicos ou glifos. Para complicar ainda mais o estudo, os Maias deixaram de usar o calendário de “Contagem Longa” antes da chegada dos Espanhóis. Por isso, a transcrição das datas dos mais e dos calendários pode não estabelecer com rigor uma correlação exacta com o nosso calendário.

O ano de 3114 é, portanto, uma simples hipótese. A escrita maia permite outras leituras: 3014 a.C., 2914 a.C..

A Relação Espaço/Tempo.

O Ocidente incorporou a ideia do tempo linear dos hebreus e persas. Todavia, os Maias pensavam doutra maneira. Para eles, terminado um ciclo, iniciava-se outro. O mito dos “Quatro Sóis”, ou quatro idades sucessivas do mundo, revela que acreditavam ter havido quatro períodos evolutivos distintos antes do actual, que é o quinto.

Os Maias chamavam “fim dos tempos” ao fim de cada ciclo.

Fenómenos Astronómicos.

O ano de 2012 vai estar associado a fenómenos astronómicos assinaláveis. Ocorrerá então o fim de três ciclos: o de 26000 anos e, segundo o calendário maia, o de 5130 anos e o de 13 anos.

Tudo isto leva a temer perigosas repercussões no nosso planeta. Mas sobre este assunto é preciso ter em conta que o fenómeno em causa não é um acontecimento repentino. Devido ao facto de o conjunto dos corpos celestes se deslocarem no espaço a velocidades diferentes, este alinhamento forma-se lentamente, ao longo de vários anos. Segundo os cálculos de Jean Meeus, especialista em Mecânica Celeste, teve início em 1980 e decorre até 2016. O seu ponto culminante já ocorreu em 199811.

É certo que os vários aspectos formados pelos corpos do nosso sistema Solar provocam induções capazes de influenciar os seres humanos, individual e colectivamente. Estimulam modificações emocionais e espirituais. E até podem causar perturbações de natureza sísmica no nosso planeta, ou na sua atmosfera.

Um cenário possível está associado a tempestades solares. No decorrer de Janeiro surgiram manchas solares no hemisfério norte do disco solar, o que pode indicar o início de um novo período de grande actividade da nossa estrela. Os previsíveis riscos incluem danos nas redes eléctricas e de comunicações, aparelhos de GPS, multibancos (ATM), etc. Podemos acrescentar perturbações na circulação aérea, ferroviária, e em diversas infra-estruturas modernas dependentes de tecnologias sofisticadas.

Mas associar estas ocorrências a um colapso do nosso planeta afigura-se um evidente exagero. Todas as modificações já estão em curso há vários anos e estes fenómenos astronómicos são processos e não momentos determinantes.

O que é certo é que o Juízo Final, segundo a interpretação à letra dos textos de Daniel, Esdras, Baruque e S. João, nunca chegará. É preciso não esquecer que os autores bíblicos fazem uso frequente de alegorias, símbolos, metáforas e parábolas, o que dificultam a interpretação dos seus escritos. E como a ciência parece estar de acordo com as escrituras, é certo que decorrerão muitos milhões de anos antes do “fim do mundo”.

Desde a Antiguidade que o homem vaticina e profetiza catástrofes e apocalipses. Mas os desastres vaticinados no passado eram, de um modo geral, prenúncio de uma grande felicidade, de um milénio feliz, ou de uma tranquila eternidade. A partir do século XI a Igreja definiu os critérios de profecia lícita e de profecia com heresia.

A novidade nas modernas “profecias” reside numa ausência de optimismo e de predições que, sejam tomadas a sério. Por isso, o resultado destas “profecias” pode ser comparado com o dos comediantes em palco: entretêm e divertem o público com as suas histórias.
Bibliografia.

Roy Willis, World Mythology, Duncan Publishers, London, 2006; Félix Guirand, Mythologie Générale, Larousse, Paris 1994; George Duby, Ano 1000 Ano 2000, No Rasto dos Nossos Medos; Teorema, 1997; Pierre Ivanof, Descobertas na Terra dos Maias, Bertrand Editora, 1999.

Destinos.


Os nossos destinos são obra inteiramente nossa, exclusivamente nossa; nós os talhámos e eles por nós esperam; nós os semeámos e os havemos de colher!

Tudo quanto fazemos prepara, edifica o nosso destino, o nosso porvir. Por isso, destino e carácter são duas coisas tão intimamente ligadas entre si, que não podem ser separadas!

Cristo, na sua linguagem simbólica, disse a seu respeito:

“O que tu semeias, isso mesmo hás-de colher”.

E nestas palavras tão simples, o Mestre revela uma grande verdade.

Ao entrar neste mundo por meio da forma física, feita do mais subtil pó da terra, em molde elaborado de éter, nós somos forçados a lutar contra as leis naturais, inteligentes, vivas e sempre prontas para nos dominarem. Pode parecer aos leitores que desconhecem a filosofia rosacruz que tais leis são impossíveis, pois não conhecem outras que não sejam as que o homem faz, escritas, impressas, inertes, servindo apenas e rigidamente para orientarem a nossa conduta na sociedade; as leis da Natureza são vivas, agem sobre nós, compelem-nos à acção e repelem-nos na sua actuação; arrastam-nos e podem elevar-nos às mais sublimes alturas.

Quem não as viu ainda operando num ciclone? Numa tempestade que tudo destroi na sua passagem? Num terramoto ou num maremoto que tudo arrasam? E todavia elas regulam o tempo, produzem tudo quanto é necessário à nossa existência terrena. Não podemos dispensar a sua colaboração connosco, tão preciosas elas são.

Temos de nos acautelar com esses elementos para que não nos criem sérios obstáculos; e essa cautela resume-se em ordenar bem todos os nossos actos, fortalecer a nossa vontade para realizar os nossos planos, para que eles não lesem os direitos alheios e estejam dentro das nossas possibilidades, quer dizer, dentro do absolutamente justo. Porque, se os nossos pensamentos e actos preparam os nossos destinos, e todos desejamos somente o que é bom, somos forçadamente levados a só praticar acções justas.

E, assim, teremos melhores destinos, um porvir mais calmo e feliz. Se, pelo contrário, nos deixarmos arrastar pelo pendor terreno, o nosso carácter não melhora, as nossas condições são confusas e penosas, criaremos então destinos sombrios e dolorosos.

O destino colectivo abrange grandes grupos de pessoas, a aldeia, a cidade, a nação e muitas vezes grupos de nações, pois reúne todos aqueles egos que criaram pelos seus crimes, ao longo de vidas passadas, as mesmas condições de destino.

Nos destinos individuais achamos aqueles que vivem solitários, recusando a convivência com outros seres, ou tendo mesmo de suportar a sua recusa a ligarem-se com eles. O carácter destas pessoas está em perfeita harmonia com elas. Evitam, a seu modo, e de concordância com os seus desejos, as pessoas e as coisas, isolam-se, gozam ou sofrem sozinhos, o que lhes torna muito mais dura a existência. Todos os golpes do destino são suportados de qualquer modo, mas procurando sempre encobri-los no seu reduto espiritual, dispensando, sempre que possível, o auxílio de outras pessoas.

Nos destinos comuns tudo é diferente. Juntam-se dois indivíduos de sexo oposto e desta união resulta que automaticamente se ligam a eles todos os parentes de ambos, e os filhos, e os filhos destes, e os seus associados para o estabelecimento das famílias. Mas, ainda as coisas não ficam por aqui. A todos se unem os amigos, os inimigos, os vizinhos e os colegas de trabalho, queremos dizer, todas as pessoas que vivem tão perto que não podem deixar, de algum modo, de tomar parte nas suas alegrias e tristezas.

E então vêm marido e mulher, ou são pais e filhos, irmãos, tios, primos, cunhados, sogros, vizinhos ou colegas, pois de vida em vida são-nos facultados meios de redimir o mau passado, de vencer o mal, de curar o ódio e o transformar em amor, em bem. Por isso nós somos testemunhas tantas vezes de cenas desagradáveis entre cônjuges, entre irmãos, cunhados, tios, sogros, pais e filhos, vizinhos ou colegas de trabalho. E quantas vezes ao esboçar-se um matrimónio, logo surgem discordâncias familiares. E tudo se faz no sentido de evitar o casamento, chegando mesmo ao uso de meios condenáveis. Se buscamos justificações sérias, não as encontramos. Tudo quanto se alega não ultrapassa o domínio do disparate e da má vontade injustificável. Mas se buscamos as ocultas causas de tão grande má vontade vamos achá-las em vidas passadas. É ódio velho, mas não cansado ainda.

Muitas vezes o detestado matrimónio realiza-se, mesmo sem o acordo familiar, e a má vontade acaba por um apaziguamento do antigo ódio, agora já cansado. E então juntam-se e vão amar-se daí por diante. O ódio perdeu a sua cor rubra para tomar a rosada, e tudo terminou em bem. Venceram culpas do passado e puderam dar um passo em frente, para uma vida melhor, mais harmoniosa e perfeita.

O ódio e o amor ligam-nos para sempre. Não merece a pena odiar, já que temos de curar as feridas do ódio com o mais puro amor. Portanto, cultivemos as melhores relações de amizade, se queremos ser felizes.

O amor é aquela famosa alquimia que muda a natureza dos metais pobres em puro ouro de lei. Simplesmente os metais pobres são os nossos instintos, nossos maiores inimigos; e o ouro é a nobreza do nosso carácter.

São egos que em vidas passadas negaram aos seus genitores o respeito e o amor que lhes deviam. Em vez da gratidão por lhes terem dado o ser e os amparar na vida, para que triunfem, eles preferiram a ingratidão, a falta de respeito e de amor para com seus pais. Por isso agora nasceram sem o direito ao amor dos seus genitores e, para serem criados e educados, foi necessário recolhê-los em asilos. Assim, faltando-lhes a doce chama do amor dos pais, eles hão-de ansiar por ele. Hão-de desejá-lo, ardentemente, em vidas futuras.

O castigo dos nossos actos fica sempre connosco e surgem em qualquer altura das nossas vidas, mas certamente nas alturas próprias.

No terramoto que destruiu Agadir, em 1960, foram retiradas dos escombros muitas vítimas algumas dias depois de estarem debaixo dos mesmos. Em que ansiedade terão vivido aqueles dias e noites entre os mortos, e sem esperança de serem salvos? Ninguém que não tenha passado por tão dura prova poderá avaliar tão horrorosa situação.

Todos os que necessitam de passar por uma prova grave e colectiva, vão juntar-se no local onde o desastre ou cataclismo há-de produzir-se. E aí terão, no momento apropriado, a sua execução.

Os nossos pensamentos e atos esperam sempre por nós e tecem os nossos destinos, elaboram o nosso próprio carácter. Por isso, quem desejar melhor destino, terá de modificar o seu carácter, porque só na medida em que nos aperfeiçoamos moralmente podemos modificar as nossas condições sombrias e dolorosas.

Francisco Marques Rodrigues.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nós e a Lua.


Foi das fases e dos aspectos da Lua que veio outrora o costume de medir o tempo por meses e semanas de sete dias. Por isso, as fases da lua constituíram a primeira medida de tempo. Não havia no céu sinal algum cujas diferenças, alternativas e épocas fossem mais notáveis do que estas. As famílias reuniam-se no prazo convencionado por algumas das fases da Lua. Era ela que regulava as reuniões públicas, os sacrifícios e cerimónias. As Luas Novas que coincidiam com os começos das quatro estações deram origem às festas mais solenes. É esta a origem das “têmporas” da Igreja. Os Orientais também observavam estes uso, entre eles os Caldeus, os Egípcios, os Judeus, os Persas e os Gregos.

A influência da Lua não se resume apenas ao calendário dos actos públicos ou religiosos. É visível no comportamento dos seres vivos. Sabe-se que, em linhas gerais, as plantas que dão flores e frutos devem ser plantadas no quarto crescente. As que dão fruto debaixo da terra crescem melhor quando plantadas no quarto minguante. Lá diz o ditado “Lua Nova, muita rama e pouca abóbora”. Não é superstição. Frank Brown e Emma Terraci observaram a existência de ciclos lunares no consumo de oxigénio em batatas, cenouras, feijoeiros e nos “hamsters”. O desenvolvimento do plancton e das algas, durante a Lua Nova, é outra evidência da influência lunar nos organismos vivos.

A influência da Lua não se fica por aqui. Actua da mesma forma nos seres humanos. As descobertas da ciência moderna reforçam a ideia da existência de forças cósmicas que influenciam incessantemente o comportamento humano. E de todas essas forças a mais notável é a lunar. Os ritmos diários do organismo, como o adormecer e o acordar estão associados à Lua1. Num hospital norte-americano — conta um médico psiquiatra — era costume, até 1808, bater nos doentes mentais à aproximação das fases lunares. O objectivo era antecipar as crises. E quem não ouviu já falar de Jack, o Estripador, que atacava sinistramente em Londres, nas noites de Lua Cheia? E no “Estripador de Lisboa” que entre 31 de Julho de 1992 e 15 de Março de 1993 chocou a opinião pública com os assassínios em série, incluindo mutilação das vítimas do submundo da capital, atacava sempre durante o quarto crescente.2

Como é Em Cima é Em Baixo.

O organismo humano tem cerca de três quartos de água e um quarto de minerais, orgânicos e inorgânicos. Ora, a Lua age sobre os líquidos do corpo da mesma forma que provoca as marés no oceano e na atmosfera. O corpo funciona como um universo minúsculo. Estas mudanças do meio líquido que banha as células, dando origem a autênticas “marés” no organismo, podem ser causa de modificações do comportamento. Não é que as “marés” do organismo produzam por si só alterações. Mas, em pessoas já predispostas para actos violentos, a “maré alta” pode despoletar a tensão que dá origem a actos violentos irracionais, uma vez que o excesso de água no organismo provoca inchaços e irritabilidade. Um caso muito conhecido no mundo feminino é a “tensão pré-menstrual”. Caracteriza-se por irritabilidade, depressão, inchaço do abdómen, dores de cabeça, etc. A solução aconselhada é, naturalmente, beber menos líquidos e reduzir o sal, para evitar a sua acumulação. As hemorragias são mais abundantes durante a fase de Lua Cheia (ou Lua Nova). Os exemplos não faltam.

Nestas duas fases da Lua aumenta no sangue a quantidade de certas substâncias químicas que aceleram o ritmo do coração. Tudo isto cria condições para que surjam casos de sonambulismo ou perturbações do sono e dos sonhos. O resultado é sempre uma alteração no comportamento das pessoas mais sensíveis.

Ao ritmo biológico da agressividade deve juntar-se o ritmo da sexualidade, já que a agressividade e a sexualidade são impulsos básicos subjacentes à conduta humana e animal. Isto explica por que Jack, o assassino da cidade de Londres, actuava nas noites de Lua Cheia.

Restaurar a União.

Um instrumento importante para restaurar a unidade entre o que está em baixo, e o que está lá em cima, é a oração. Além das têmporas do cristianismo, a que já nos referimos, também alguns místicos judeus3 instituíram a festa da véspera da Lua Nova, chamada Yon Kippur Katon, o pequeno dia da expiação.4

De facto, muitas pessoas admitem estar mais descontraídas e calmas nas fases de Lua Cheia ou Nova e, por isso, consideram-se estas fases excelentes para actividades passivas, como a oração e meditação. Verificou-se já, em laboratório, que durante a Lua Cheia as pessoas eram mais propensas a experimentar faculdades como a precognição ou telepatia.5

Outra arma importante para encontrar a harmonia é o jejum. É particularmente benéfico nesta fase lunar. Além dos benefícios que lhe são atribuídos, contribui para restaurar o equilíbrio quando as tensões começam a acumular-se, durante a Lua Cheia (ou Lua Nova).

É possível evitar-se a utilização de grandes doses de tranquilizantes restaurando simplesmente o equilíbrio dos líquidos do corpo!

E assim vemos que a cultura popular, com base nos ciclos lunares e com as suas tradições míticas e poéticas, nos dá profundas lições. Ainda que pouco agradáveis à mente racional, se estudasse a sua linguagem, enraizada nas estruturas emocionais e no inconsciente, encontrar-se-iam forças poderosas, misteriosas e, ao mesmo tempo, aterrorizadoras e formosas.

Bibliografia.

Brown, F. A.—Biological Clocks: Endogenous Cicles Synchronozied by Subtle Geographical Rhythms, in Biosysthems, nº 8, pág. 67-81, 1976; Gauquelin, Michel—A Cosmopsicologia, Lisboa, 1977; Le dossier des Influences Cosmiques, Ed. Denöel, 1973; Lieber, Dr. Arnold L. —El Influjo de La Luna, Madrid, 1980.

quarta-feira, 30 de março de 2011

A Lenda Maravilhosa.


A propósito do sentido da palavra "sacerdócio", vamos transcrever uma passagem do famoso poema de Longfellow A Lenda Maravilhosa.

"Ajoelhado nas lajes da cela, o monge rezava contrito. Acusava-se a si mesmo do pecado de indecisão. Pedia forças para resistir com mais altruísmo às provas e tentações. Era meio-dia e estava só.

De repente, como um relâmpago, um esplendor inusitado brilhou dentro e fora dele. Encheu de glória a sua estreita cela de pedra. Teve uma visão. Viu-se rodeado por uma luz celestial que o envolvia como se fosse uma veste, como um vasto manto que o rodeasse".

Não era decerto o Salvador dolorido, mas o Cristo dando de comer aos famintos e curando os enfermos.

"Em atitude implorante e com as mãos cruzadas sobre o peito, maravilhado, admirado e em adoração, estava o monge, prostrado e em êxtase profundo.

E, durante a exaltação, ouviu repentinamente a chamada do sino convento. Soou com uma violência que nunca tinha notado".

O sino chamava-o para cumprir a sua tarefa: alimentar os pobres. Era o esmoler da comunidade.

"Na sua adoração encheu-se de tristeza. Vacilou. Não sabia que fazer. Cumprir o seu dever ou deixar-se ficar ali? Deveria deixar os pobres famintos à espera, na porta do convento, até que a visão se desvanecesse? Ou seria melhor trocar o seu visitante celeste por aquela multidão esfarrapada de mendigos depravados que estava na portaria do convento? A visão esperaria por ele até regressar à cela? Voltaria mais tarde? Então, ouviu uma voz interior. Era tão clara e perceptível como se ressoasse nos ouvidos: ‘Cumpre o teu dever, que é o melhor, e deixa o resto nas mãos do Senhor’.

Levantou-se num instante. Dirigiu um suplicante olhar para a bendita visão, inclinou-se e, arrastando-se pela cela, saiu para cumprir a sua missão.

Os pobres esperavam na portaria. Tinham no olhar aquela expressão de terror própria que de quem se habituou a ouvir o som das portas que os indiferentes lhes fecham e se familiarizou com o desprezo e com o sabor do pão não comido. Mas hoje, sem saberem porquê, era como se as portas do convento fossem as do paraíso. O pão e o vinho sabiam-lhes a um divino sacramento. O monge fazia a sua oração do coração. E pensava no sofrimento dos pobres sem lar, dos que se vêem e dos que não se vêem. E a voz fez-se ouvir de novo: ‘Aquilo que fizeres ao mais pobre e miserável, é como se o fizesses a mim mesmo’.

A mim? Mas se a visão se lhe tivesse apresentado com o aspecto de um mendigo esfarrapado, tê-la-ia recebido de joelhos e em adoração, ou ter-se-ia afastado dela troçando?

Assim o interrogava subtilmente a consciência. Terminada a tarefa, regressou em passo rápido à cela. Reparou como o convento resplandecia, envolto numa luz sobrenatural. Parecia que uma nuvem luminosa se estendia do telhado ao solo.

À soleira da porta da cela quedou-se, imóvel de espanto. A visão ainda ali estava. Não tinha mudado. Era como se ali tivesse permanecido à sua espera durante todo aquele tempo.

Com o coração exultando de alegria, compreendeu então a mensagem daquela bendita visão:

"Se não tivesses cumprido o teu dever, eu já aqui não estaria".

A história repete-se agora uma vez mais, tal como naqueles tempos remotos. As pessoas insistem em correr de um lado para outro à procura da luz. Há mesmo quem chegue a viajar até aos confins do mundo, como fez o Cavaleiro Launfal, perdendo o precioso tempo da sua vida à procura do que julgam ser "espiritualidade", sem mais nada encontrar do que desenganos atrás de desenganos. O próprio Launfal, que passou toda a vida à procura do Graal fora de casa, encontrou-o finalmente, e sem dificuldade, na soleira da porta do seu castelo. E o mesmo acontece com todos os que honestamente procuram a espiritualidade: encontra-la-ão no seu próprio coração. O único perigo é o de a não reconhecerem, como acontecem àqueles que se deslocaram ao país da luz. Ninguém consegue reconhecer a verdadeira espiritualidade nos outros se não a tiver desenvolvido já, de alguma forma, em si próprio.

Parece, pois, conveniente definir desde já o que é a "espiritualidade", para termos uma orientação que nos permita identificar este atributo crístico. Para lá chegarmos sem risco de fracasso temos de pôr de lado eventuais preconceitos. A ideia corrente que está na base da noção de espiritualidade é que a sua essência é a oração e a meditação. Todavia, se prestarmos atenção à vida do Salvador, veremos que ele não foi um contemplativo. Jesus nunca se enclausurou; não fugiu nem se ocultou do mundo. Pelo contrário. Envolveu-se com as gentes e ajudou-as nas suas necessidades diárias, deu-lhes de comer quando foi necessário, curou os seus males sempre que teve oportunidade – e ainda lhes ministrou ensinamentos. Ele foi, desta forma, na verdadeira acepção do termo, um servidor da Humanidade.

O monge da história viu-O assim mesmo durante o êxtase espiritual. Foi nesse preciso momento que soaram as doze badaladas chamando-o para o cumprimento do seu dever – que era o de imitar Cristo: encarregar-se da alimentação dos pobres que o esperavam na portaria do convento. Terá sido grande, na verdade, a tentação de se deixar ficar na cela, de se banhar naquelas vibrações celestiais. De outro modo, a voz não se teria feito ouvir: "Cumpre o teu dever, que é o melhor que tens a fazer.". Como teria conseguido adorar Aquele que tinha alimentado os pobres e curado os enfermos se, ao mesmo tempo, os abandonasse, famintos como estavam, à sua espera, na portaria do convento? A sua permanência na cela teria sido um erro. E a visão confirmou-o dizendo-lhe ao regressar: "Se não tivesses cumprido o teu dever, eu já não estaria aqui".

O seu primeiro impulso, egoísta, teria sido absolutamente contrário ao fim a que se propunha alcançar. E se não fosse cumpridor nas pequenas coisas, relacionadas com os seus deveres terrenos, como se poderia imaginar fiel noutras, mais importantes, de natureza espiritual? Naturalmente, a menos que fosse capaz de sair vitorioso da prova, não lhe seriam dados maiores poderes.
Max Heindel.

Credo de Wagner.


Creio em Deus Pai, em Mozart e em Beethoven, assim como em seus discípulos e apóstolos. Creio no Espírito Santo e na verdade da arte, una e indivisível. Creio que esta tem origem em Deus e vive no coração de todos os homens iluminados pelo céu. Creio que, quem experimentou uma só vez as suas sublimes doçuras, se converte a ela e jamais será um renegado. Creio que todos podem alcançar a felicidade através dela. Creio que no juízo final serão afrontosamente condenados todos os que nesta terra se atreveram a comerciar com esta arte sublime, a qual desonram por maldade de coração e grosseira sensualidade. Creio, ao contrário, que os seus fiéis discípulos serão glorificados numa essência terrestre, radiante, com o brilho de todos os sóis, no meio dos perfumes e acordes mais perfeitos, e que estarão reunidos por toda a eternidade na divina fonte de toda a harmonia. Oxalá me seja outorgada tal graça! Ámen.
In A Mitologia dos Povos Germânicos.
Maria Lucília F. Meleiro.