contos sol e lua

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sábado, 9 de abril de 2011

VIVEMOS APENAS UMA VEZ?


A reencarnação é um tema polêmico e que apareceu no ocidente recentemente em comparação com a antiguidade dessa doutrina. Ela é aceita por inúmeras religiões do globo, entre elas o hinduismo, o budismo, o judaísmo e algumas linhas do islamismo. O Cristianismo está entre as poucas religiões que não a aceitam.

Muitos pontos de vista foram apresentados para se justificar tanto a veracidade como a falsidade da reencarnação. Contudo, se concordarmos que existe um procedimento analógico que permite situar os fenômenos universais em concordância entre si, podemos ter uma nova luz sobre a reencarnação.

Observando a natureza, verificamos que morte e renascimento são uma constante, e que não parece haver um cessar repentino nesse movimento. Desde o exemplo da lagarta que se transforma em borboleta, até a da semente que origina uma árvore, a reincorporarão de um princípio em outro parece lógica. As próprias células humanas são substituídas, ou renascem, a cada período e no decorrer de sete anos há como que uma renovação total do organismo.

Da mesma forma, pode-se concluir que o homem não seria exceção a esse fenômeno universal. Seu corpo, após a morte, decompõem-se em elementos que entrarão na fabricação de outros corpos. Pode-se inferir daí que sua consciência também se reincorpora, de alguma forma, em uma nova roupagem, não necessariamente igual à antiga.

Relatos de pessoas que recordam vida passadas estão se tornando cada vez mais abundantes e começam a chamar a atenção da ciência. Os Rosacruzes sempre consideraram a reencarnação um fato, pois apenas uma vida humana não seria suficiente o aprendizado que o homem tem precisa em seu próprio benefício. Reencarnar significa ter outra chance de se aperfeiçoar, bem como colher os frutos, positivos e negativos, de condutas anteriores.Richard Shimoda, F.R.C.

O APÓS VIDA.


A morte ocorre no momento da separação do corpo psíquico do corpo físico. Também aprendemos que durante alguns dias o falecido ainda continua preso aqui, no corpo psíquico e, posteriormente, haverá aquilo que podemos chamar de “segunda morte”, quando a consciência abandona o corpo psíquico e vai ocupar o plano de consciência correspondente ao seu nível de evolução.Assim como o corpo físico do falecido fica sem vitalidade, sem consciência, ocorre o mesmo com o corpo psíquico que também não possui consciência, já que esta é um atributo da alma

Se a vida é movimento e ação é óbvio supor que a vida espiritual seja exatamente o oposto, de quietude e contemplação. Assim, a nossa consciência, nos planos espirituais em que ocupamos (o nível em que nos encontramos antes de nos iluminarmos ao atingir a consciência cósmica), não é agitada pelos fenômenos e acontecimentos (fatos) como ocorre no contato com a matéria.

Estamos vencendo nossa condição animal para, assim, nos humanizarmos. E, temos esta oportunidade toda vez que encarnamos e nos deparamos com situações criadas pelo ego que nos obrigam a profundas reflexões para vencê-las, através do sofrimento dos erros causados por ele mesmo. Certamente que estamos ainda no processo de humanização e, para tanto, precisamos vencer e superar nossa condição e tendência animal.

A conclusão lógica deste raciocínio é que quanto mais vezes uma personalidade-alma tenha se encarnado, mais o domínio do ego sobre esta é menos acentuado, da mesma forma que uma personalidade que esteja apenas em suas primeiras encarnações estará completamente dominada por ele.

A idéia que concebemos em relação ao após-vida determina o nosso modo de viver. Certamente são as nossas crenças que têm nos impedido de apreendermos a bela simplicidade das leis que envolvem o nascimento e a morte.Hideraldo Montenegro F.R.C.

AS TRIBULAÇÕES DA VIDA.


O fardo da vida freqüentemente nos oprime duramente, destruindo a harmonia e a paz de nossa mente ou consciência, trazendo ansiedade, preocupação e, às vezes, desespero. Essas tribulações, embora difíceis de suportar, são muitas vezes necessárias, visto que em nosso desejo de coisas importantes na vida, causamos uma reação interior. A tribulação parece um contratempo, mas na realidade constitui uma oportunidade de aprendermos uma lição importante e removermos um obstáculo à consecução que desejamos.

Estamos tão acostumados a culpar outras pessoas das nossas dificuldades, de nossos problemas, que não percebemos que o nosso Carma pessoal está nos ensinando uma valiosa lição, necessária no momento. Se conseguirmos enxergar para além de nossa frustração, veremos a sabedoria do Cósmico atuando em nosso favor, ainda que estejamos feridos.

Por conseguinte, provocamos os nossos próprios problemas com o nosso desejo de melhorar. Isso parece paradoxal, mas é exato. Entretanto, nossos pensamentos negativos durante os períodos de prova tornam a experiência mais difícil de suportar. Se, porém, permitíssemos que a nossa consciência se harmonizasse intimamente, de modo que o Eu Interior pudesse expressar-se, perceberíamos mais claramente a Sabedoria presente em nossas tribulações cotidianas.

Ao harmonizarmos nossa consciência todos os dias, por meio da meditação, com a Divina Consciência Universal em nosso âmago, permitirmos que as Forças Espirituais guiem nossa vida e nossas atividades. Então, o amor, a lei que torna todas as coisas possíveis, permitirá entendermos nossas ocasionais tribulações como um aspecto do divino desabrochar que está ocorrendo em nosso interior.Robert E. Daniels, F.R.C.

A Lei de Causa e Consequência.


Tipos de Destino Individual.
O destino maduro pode ser decifrado por um astrólogo. Sobre ele já não se tem opção. Nada mais resta senão pagar as dívidas. Há ainda outra espécie de destino maduro – o das acções inevitáveis. Toda a acção é a expressão final duma série de pensamentos.

Se repetirmos com perseverança pensamentos do mesmo género, por exemplo de vingança, acabaremos por atingir um ponto de saturação e o menor impulso fá-lo-á concretizar numa acção, que será provavelmente um crime. Se alimentarmos pensamentos de auxílio e protecção a alguém, até ao ponto de saturação, sob o impulso de uma ocasião favorável, cristalizar-se-ão em acções de heroísmo. Um Homem pode trazer consigo, ao nascer, algum destino maduro deste género. A menor vibração mental provoca a acção, independentemente da sua vontade.

Quando se tenta repetidas vezes realizar uma acção, a sua vontade acaba por fixar-se e tornar possível a sua concretização.

Podemos ser livres ao escolher os pensamentos, contrariando tendências antigas, pela renovação constante de pensamentos contrários. É aí que reside o livre arbítrio. O Homem, pelo exercício da sua vontade, pode destruir os hábitos maus por pensamentos de natureza oposta. Os maus hábitos são criados pela repetição de acções deliberadas e movidas pela vontade. O hábito torna-se uma limitação e a acção resultante é executada automaticamente.

As formas-pensamento de outrora persistem e limitam a nossa capacidade mental, apresentando-se sob a forma de preconceitos individuais ou nacionais. Outra forma de destino maduro apresenta-se quando os maus pensamentos do passado formam em torno do Homem uma couraça de maus hábitos, que o oprimem e forçam a ter uma vida perversa. Estas acções são consequências inevitáveis do passado e ficaram como que suspensas, aguardando o momento favorável da sua manifestação, independentemente de entretanto o Ego ter progredido e desenvolvido qualidades. Após certo tempo este destino esgota-se e acontece então uma "conversão" súbita.

Destino Acumulado.

O destino acumulado manifesta-se pelo carácter e está sujeito a modificações. Consiste em tendências, fortes ou fracas, conforme a força mental que contribuiu para a sua formação. Estas tendências podem ser reforçadas ou atenuadas por novas correntes de força mental dirigidas no mesmo sentido ou no sentido contrário.

Muitas vezes, arrastados pelo desejo, somos impotentes para vencer a tentação, porém, quanto mais tempo conseguirmos resistir-lhe, embora pouco depois sejamos dominados, mais perto estamos de conseguir eliminar o desejo. A resistência que opusermos destroi parte das energias negativas e em consequência, diminui a soma da sua intensidade para o futuro.

Destino em Formação.

O destino em formação é o que se cria a todos os momentos, ao mesmo tempo que se colhem os frutos de boas acções passadas ou se sofre consequências de faltas cometidas.

O Homem, pelo conhecimento da lei da causa e consequência, pode fabricar o seu destino futuro e atenuar os efeitos de más acções passadas, pois uma boa acção, quer seja de ordem física, emocional ou mental; tem poderes para destruir centenas ou milhares de más acções da mesma categoria energética.

Por meio desta lei o Homem aprende a conhecer o grau de responsabilidade emergente de cada uma das suas acções e também como ela reagirá sobre si no futuro. É na escolha dos pensamentos, dos desejos e das acções que se pode manifestar o livre arbítrio do Homem, condicionando deste modo o seu destino.

O livre arbítrio existe devido à epigenésia, que é a qualidade que nos dá o poder de pôr em acção um número ilimitado de causas novas, que não estavam previstas nos nossos destinos, e que nos permitem ter o poder de escolher e de criar.

O Homem é feito à imagem do Criador. Tem por isso, também, a possibilidade de criar. Para isso é necessário que tenha na sua aprendizagem, ao longo das sucessivas reencarnações, suficiente campo de acção para o emprego da sua capacidade inovadora e criativa, que lhe é conferida pela faculdade espiritual da epigenésia, que o capacita, por acção da vontade, para a escolha do seu caminho. Mais proveitoso, se a sua escolha for orientada para o bem, ou mais desditoso, se for orientado para o mal.

Destino Colectivo.

As forças do destino que agem sobre cada indivíduo na sua qualidade de membro de um grupo, introduzem um factor novo no seu destino individual.

O destino de um grupo de homens é a resultante dos destinos dos indivíduos que fazem parte do grupo.

Um Ego é atraído pelo seu destino individual, para uma família em consequência de ligações contraídas em vidas passadas que o prendem estreitamente a outros Egos, que formam a família.

A raça, o país, os pais são escolhidos conforme as aptidões para fornecerem ao corpo Físico do Ego reencarnante, os materiais necessários e facilitar as circunstâncias mais propícias para resgatar as dívidas contraídas.

Mª de Fátima Capela.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Lei de Causa e Consequência.


A hereditariedade física produz certos tipos de fisionomias e serve para fazer evoluir algumas combinações materiais especiais, nomeadamente o desenvolvimento de certas faculdades ou de doenças hereditárias.

Assim, um Ego, dotado de faculdades artísticas musicais, será levado a encarnar-se numa família de músicos. Um Ego que se deixou arrastar pelos excessos do seu corpo de desejos e de pensamento inferior, que se abandonou à embriaguez, será conduzido a encarnar-se numa família onde o sistema nervoso esteja enfraquecido pelos excessos; por exemplo, pais alcoólicos irão fornecer-lhe para invólucro físico materiais pouco saudáveis.

A Eliminação do Destino.

A acção é movida pelo desejo. Uma acção é executada com o fim de obter por meio dela o objecto desejado.

O elemento que nos prende no destino é o desejo, e quando o Ego nada mais deseja sobre a terra ou nos mundos superiores, rompe os laços que o prendem à roda das reencarnações. Então a acção não tem mais nenhum poder sobre o Ego.

Quando o Homem começa a aspirar à libertação, é-lhe ensinada a prática de "renúncia aos frutos da acção", aprende a suprimir gradualmente em si mesmo o desejo de posse do inútil. Primeiro priva-se deliberada e voluntariamente de um certo objecto, adquire o hábito de passar sem ele, sem sentir descontentamento. Depois de certo tempo, o objecto já não lhes faz mais falta. Percebe então, que o próprio desejo se desvaneceu.

Uma vez atingida esta perfeição, não tendo mais desejos nem antipatias por nenhum objecto, o Homem não criará mais destino, nem será mais atraído para estes mundos. É a cessação do destino individual, na produção de novo destino.

Outra maneira de cessar o destino criado no passado é por meio do conhecimento das vidas passadas, contrariando os maus pensamentos, opondo-lhes forças iguais e contrárias.

Os que não possuem os conhecimentos necessários para passar em revista as suas vidas anteriores, podem também anular as numerosas causas que puseram em actividade na sua actual existência. Podem examinar toda esta existência e avaliar todas as circunstâncias em que produziram ou sofreram danos. Neutralizarão as causas de primeira categoria, prodigalizando pensamentos de amor e protecção e ao mesmo tempo executando no Mundo Físico, actos de dedicação à pessoa lesada, sempre que tiver ocasião. As de segunda categoria serão neutralizadas por pensamentos de perdão e boa vontade.

Também todos, que ao mal respondam com o bem, esgotam inconscientemente o destino, produzido no presente e destinado a produzir os seus efeitos no futuro.

O Destino e os Astros.

A necessidade de obter organismos de natureza específica para o Ego esgotar o seu destino, faz com que as leis do renascimento e de causa e consequência estejam relacionadas com o movimento dos astros, do Sol, dos planetas e das constelações zodiacais. Todos se movem nas suas órbitas, em harmonia com estas leis, guiados pelas suas inteligências espirituais internas – os Espíritos Planetários.

Todos os habitantes e acontecimentos da Terra estão relacionados com os corpos e movimentos siderais. Acontece o mesmo com as leis do renascimento e da causa e consequência. O clima e outras mudanças que resultam da passagem do Sol pelos diferentes signos, ao longo do ano, afectam a Terra, o homem e as suas actividades de várias maneiras. O Homem nasce quando a posição dos corpos do sistema solar proporciona condições necessárias para a sua experiência e desenvolvimento nessa encarnação. Podemos considerar os astros como um relógio do destino. Os doze signos do zodíaco correspondem ao mostrador, o Sol e os planetas ao ponteiro das horas, que indica o ano; a Lua, corresponde ao ponteiro dos minutos, que indica os meses em que os diversos acontecimentos do destino maduro se devem cumprir. Os astrólogos podem saber a ocasião exacta da vida de um Homem, determinada pelos Senhores do Destino, em que uma dívida (do destino maduro) deve ser paga. Nestes casos, o Homem não tem poder para alterar esta situação.

Bibliografia.
Annie Besant, Um estudo sobre o Karma, Editora Pensamento, S. Paulo, 1997.
Annie Besant, A Sabedoria Antiga, Livraria Freítas Bastos, Rio de Janeiro.
Cinira Riedel de Figueiredo, Leis Ocultas para uma Vida Melhor, Editora Pensamento, Lª, S. Paulo.
Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmo, Fraternidade Rosacruz de Portugal, Lisboa, 1989.
Max Heindel, Renascimento e Consequência, Lição nº 10 do Curso Suplementar de Filosofia, Fraternidade Rosacruz de Portugal.

Hatshepsut ou Serenidade.


Hatshepsut, ou amuleto egípcio da serenidade, é um talismã de raro uso mas que segundo os crentes possui poderosíssimas influências na serenidade e controlo de estados de ansiedade.

Este amuleto ou talismã é pouco usado como pingente mas é frequentemente visto como talismã de lar em forma de busto.
O talismã da deusa da serenidade dá uma sensação de paz e de tranquilidade que é no mundo de hoje bastante esquiva. Está inspirado na rainha faraó. Durante mais de vinte anos, uma mulher, Hatshepsut, reinou no Egipto. Hatshepsut, era chefe de um Egipto rico e poderoso, inteligente, hábil, dotada de capacidades administrativas provavelmente excepcionais, chefe político, Hatshepsut era uma das filhas de um grande monarca, Tutmés I. Este preparou a sua filha para exercer o poder. Ela proferia-lhe um profundo afecto, tomando-o como exemplo.
Hatshepsut Hatshepsut herdou o carácter enérgico do seu pai. Casou-se com um filho deste, nascido de uma concubina, Tutmés II, cujo reinado foi breve. O jovem rei, cuja carreira parecia prometedora, morreu prematuramente. Este falecimento colocou o Egipto numa situação difícil. Tutmés II tinha tido duas filhas e um filho, o futuro Tutmés III. Mas este último era só uma criança, incapaz de desempenhar a pesada função a que estava destinado. Hatshepsut assegurou a regência. Filha de rei, irmã do rei, esposa do grande deus, grande esposa real, dirigiria o país segundo a vontade de seu sobrinho, afirmava ela.
Mas este tipo de governo não correspondia à mentalidade egípcia. Por esse motivo, Hatshepsut decidiu ser rei e não rainha porque adoptou as características masculinas que fizeram dela um faraó como os outros.
O túmulo de Hatshepsut foi encontrado. Foi o primeiro a ser escavado no Vale das Rainhas. Chega até mais de cem. metros debaixo da terra e não tem nem textos nem representações. Continha os sarcófagos de Hatshepsut e de seu pai, Tutmés I. Mas Hatshepsut, quando chegou a faraó mandou construir outro túmulo no Vale dos Reis. O eixo principal desta morada de eternidade está situado em direcção ao templo de Dayr el-Bahari, unindo assim de forma abstracta os monumentos essenciais da rainha-faraó. Reinado feliz, anos de paz e de serenidade, beleza de uma civilização que se reflecte no templo de Dayr el-Bahari.

domingo, 3 de abril de 2011

O Calendário Maia: O Apocalipse na Ciência e na Religião


Durante os últimos 3000 anos não faltaram profecias sobre o fim do mundo. Desde muito cedo que se formou em alguns espíritos religiosos a ideia da destruição total da Criação. Entre os Germanos desenvolveu-se a ideia de um cataclismo tremendo e simultaneamente grandioso. A esta grandiosa catástrofe deram o nome de Ragna Rok, que significa “destino fatal”1. O Apocalipse de S. João também descreve, por seu lado, a luta e a vitória contra o mal, o Anti-Cristo. A linguagem, com visões medonhas e imagens cifradas, fazem deste livro um texto crítico cheio de metáforas, alegorias e símbolos.

O receio do fim próximo do mundo está em consonância com o esquema agostiniano da História, elaborado segundo doutrinas criadas ao sabor das controvérsias do tempo. Santo Agostinho (354-430), em A Cidade de Deus, obra que teve imensa influência na Idade Média, dedica um livro inteiro ao Juízo Final. O autor mostra verdadeira simpatia por Platão e coloca-o acima de todos os outros2. Não admira: a Igreja católica histórica começou por ser platónica. Os Padres cristãos eram muito mais neo-platónicos do que os sábios do Renascimento. Todavia, a escatologia agostiniana tem profundas raízes judaicas. Mas a interpretação que faz do Antigo Testamento não está articulada com o pensamento judeu. O padrão judaico da História, passada e futura, que Santo Agostinho adaptou como apelo aos oprimidos e infelizes, está longe da melhor linha da tradição hebraica. Parece até desconhecê-la. Tem uma visão a curto prazo da história humana que reduz a seis períodos históricos antes do derradeiro, o “sábado perpétuo”3. Defende a explicação unilateral da realidade a partir de uma forma de saber que elege como hegemónica. E rejeita as virtudes pagãs, “prostituídas pela influência de demónios obscenos e asquerosos”4. Limita assim, irremediavelmente, o conhecimento e o espaço salvífico ao interior de uma religião, como se a salvação consistisse numa docilidade servil a doutrinas e ritos.

As correntes escatológicas cristãs, uma das maiores formas da espiritualidade medieval, fizeram uma leitura literal do Apocalipse de João 20, 1-15. Alguns crentes de espírito estreito, como os Agostinianos rígidos, que não queriam a ciência, nem a razão, nem o uso racional das coisas seculares, continuaram a apoiar-se febrilmente sobre cada texto que parecia mais pessimista e desenvolveram ideias estéreis sobre o futuro5. Deram origem a uma utopia social e religiosa denominada “Milenarismo”. O Milenarismo defende a existência de um tempo de prosperidade e de beatitude de mil anos antes do Julgamento Final.

A tradição catastrofista ainda encontra acolhimento em algumas confissões religiosas actuais – e na ingenuidade que caracteriza uma boa parte do actual espírito europeu.

Este contexto ajuda a compreender a curiosidade actual pelas especulações associadas ao ano de 2012, o último do actual ciclo do calendário maia. E tudo isto porque nesse ano ocorrem certos fenómenos astronómicos que os mais crédulos temem ser o prenúncio de acontecimentos ligados ao Juízo Final.

ACivilização Maia.

Os Maias formaram a civilização mais complexa do Novo Mundo. Ocuparam um território que se estendia do sul do México à Guatemala. São herdeiros culturais dos Olmecas, cuja civilização havia surgido em 1200 a.C. Depois de 800 d.C. a cultura maia concentrou-se na península do Iucatão.

Por isso, embora alguns estudiosos da cultura Maia tenham concluído, apressadamente, que as inscrições hieroglíficas se referem apenas a factos históricos e concretos da vida dos senhores ou reis das cidades, a verdade parece diferente. O livro ritual Popul Vuh, o Livro do Conselho, relata a história da criação do mundo e uma contenda entre os deuses, genealogias dos chefes, etc.6 E no famoso “calendário” cosmogónico, que viria a influenciar o asteca, os Maias registaram os conhecimentos de astronomia e astrologia que estão no Livro do Conselho.

Quando falamos no “calendário” maia referimo-nos a um conjunto de 3 calendários de escala circular que se baseiam em três períodos de tempo distintos: o ano sagrado, o ano solar e o ano de Vénus.

O que regula eventos civis e actividades agrícolas, chamado Haab, tem 365 dias, de acordo como o nosso ano solar. É dividido em 18 meses de 20 dias, acrescido de um mês de 5 dias funestos. Estes dois calendários associados incluem o ano de Vénus, que é de 584 dias terrestres8. O interesse dos Maias pelas revoluções do planeta Vénus parece estar ligado à astrologia. Tudo indica que tenham identificado perfeitamente as cinco posições fundamentais que este planeta ocupa, no período de 8 anos, na sua trajectória aparente, formando uma figura de cinco braços. Este pentagrama só pode ser visto por um observador fora da órbita terrestre – o que parece dar razão ao Prof. Landon do Código da Vinci9.

No fim de cada ciclo de 73 anos sagrados, ou de 52 anos solares, os dois voltavam a coincidir no mesmo ponto inicial. No início de cada ciclo de 52 anos, que este povo considerava a duração ideal de vida, celebravam-se determinados ritos: acendia-se o “Lume Novo”, quebram-se as louças, queimavam-se roupas velhas, faziam-se oferendas e diversos sacrifícios.
Calendário Maia.

O terceiro calendário, chamado de “Contagem Longa”, serve para registar acontecimentos ao longo de um Grande Ciclo, que tem cerca de 5130 anos. O presente Grande Ciclo abrange o tempo decorrido entre 13 de Agosto de 3114 a.C. e 21 de Dezembro de 2012 d.C. É provável que o ano de 3114 a.C. represente qualquer acontecimento importante da mitologia maia.

Estes três calendários funcionam sincronizados como peças de uma engrenagem perfeitamente ajustada.

Os especialistas conseguiram, já no século XIX, esclarecer o sistema de contagem do tempo e das datações clássicas dos Maias. Mas nada de semelhante aconteceu quanto à escrita. Como nunca se encontrou nenhum documento que servisse de “Pedra de Roseta”, a descodificação da língua maia tem-se arrastado apesar dos esforços realizados.

A escrita não-alfabética dos Maias utiliza um complicado sistema com mais de 800 signos básicos ou glifos. Para complicar ainda mais o estudo, os Maias deixaram de usar o calendário de “Contagem Longa” antes da chegada dos Espanhóis. Por isso, a transcrição das datas dos mais e dos calendários pode não estabelecer com rigor uma correlação exacta com o nosso calendário.

O ano de 3114 é, portanto, uma simples hipótese. A escrita maia permite outras leituras: 3014 a.C., 2914 a.C..

A Relação Espaço/Tempo.

O Ocidente incorporou a ideia do tempo linear dos hebreus e persas. Todavia, os Maias pensavam doutra maneira. Para eles, terminado um ciclo, iniciava-se outro. O mito dos “Quatro Sóis”, ou quatro idades sucessivas do mundo, revela que acreditavam ter havido quatro períodos evolutivos distintos antes do actual, que é o quinto.

Os Maias chamavam “fim dos tempos” ao fim de cada ciclo.

Fenómenos Astronómicos.

O ano de 2012 vai estar associado a fenómenos astronómicos assinaláveis. Ocorrerá então o fim de três ciclos: o de 26000 anos e, segundo o calendário maia, o de 5130 anos e o de 13 anos.

Tudo isto leva a temer perigosas repercussões no nosso planeta. Mas sobre este assunto é preciso ter em conta que o fenómeno em causa não é um acontecimento repentino. Devido ao facto de o conjunto dos corpos celestes se deslocarem no espaço a velocidades diferentes, este alinhamento forma-se lentamente, ao longo de vários anos. Segundo os cálculos de Jean Meeus, especialista em Mecânica Celeste, teve início em 1980 e decorre até 2016. O seu ponto culminante já ocorreu em 199811.

É certo que os vários aspectos formados pelos corpos do nosso sistema Solar provocam induções capazes de influenciar os seres humanos, individual e colectivamente. Estimulam modificações emocionais e espirituais. E até podem causar perturbações de natureza sísmica no nosso planeta, ou na sua atmosfera.

Um cenário possível está associado a tempestades solares. No decorrer de Janeiro surgiram manchas solares no hemisfério norte do disco solar, o que pode indicar o início de um novo período de grande actividade da nossa estrela. Os previsíveis riscos incluem danos nas redes eléctricas e de comunicações, aparelhos de GPS, multibancos (ATM), etc. Podemos acrescentar perturbações na circulação aérea, ferroviária, e em diversas infra-estruturas modernas dependentes de tecnologias sofisticadas.

Mas associar estas ocorrências a um colapso do nosso planeta afigura-se um evidente exagero. Todas as modificações já estão em curso há vários anos e estes fenómenos astronómicos são processos e não momentos determinantes.

O que é certo é que o Juízo Final, segundo a interpretação à letra dos textos de Daniel, Esdras, Baruque e S. João, nunca chegará. É preciso não esquecer que os autores bíblicos fazem uso frequente de alegorias, símbolos, metáforas e parábolas, o que dificultam a interpretação dos seus escritos. E como a ciência parece estar de acordo com as escrituras, é certo que decorrerão muitos milhões de anos antes do “fim do mundo”.

Desde a Antiguidade que o homem vaticina e profetiza catástrofes e apocalipses. Mas os desastres vaticinados no passado eram, de um modo geral, prenúncio de uma grande felicidade, de um milénio feliz, ou de uma tranquila eternidade. A partir do século XI a Igreja definiu os critérios de profecia lícita e de profecia com heresia.

A novidade nas modernas “profecias” reside numa ausência de optimismo e de predições que, sejam tomadas a sério. Por isso, o resultado destas “profecias” pode ser comparado com o dos comediantes em palco: entretêm e divertem o público com as suas histórias.
Bibliografia.

Roy Willis, World Mythology, Duncan Publishers, London, 2006; Félix Guirand, Mythologie Générale, Larousse, Paris 1994; George Duby, Ano 1000 Ano 2000, No Rasto dos Nossos Medos; Teorema, 1997; Pierre Ivanof, Descobertas na Terra dos Maias, Bertrand Editora, 1999.