contos sol e lua

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

A tempestade.


Uma história de dor e reconciliação - Última peça escrita por Shakespeare, A tempestade é Uma história de vingança, é uma história de amor, é uma história de conspirações oportunistas, e é uma história que contrapõe a figura disforme, selvagem, pesada dos instintos animais que habitam o homem à figura etérea, incorpórea, espiritualizada de altas aspirações humanas, como o desejo de liberdade e a lealdade grata e servil.


Uma Ilha é habitada por Próspero, Duque de Milão, mago de amplos poderes, e sua filha Miranda, que para lá foram levados à força, num ato de traição política. Próspero tem a seu serviço Caliban, Um escravo EM terra, homem adulto e disforme, e Ariel, o espírito servil e assexuado que pode se metamorfosear em ar, água ou fogo.

Os poderes eruditos e mágicos de Próspero e Ariel combinam-se e, depois de criar um naufrágio, Próspero coloca na Ilha seus desafetos (no intuito de levá-los à insanidade mental) e um príncipe, noivo em potencial para a filha. Se o amor acontece entre os dois jovens, se a vingança de Próspero é bem-sucedida, se Caliban modifica-se quando conhece os poderes inebriantes do vinho numa cena cômica com outros dois bêbados, tudo isso Shakespeare nos revela no enredo desta que por muitos é considerada sua obra-prima . Shakespeare.

sábado, 23 de abril de 2011

A Páscoa no mundo.


Bélgica e França.
Nesses países, os sinos das igrejas não tocam entre a Sexta-Feira da Paixão e o Domingo de Páscoa. Diz a lenda que os sinos voam para Roma até a Páscoa e, no caminho de volta, deixam cair ovos, que as crianças devem encontrar. As crianças belgas fazem ninhos de palha e os escondem na grama, esperando que o coelho da Páscoa os encha de ovos.

Bulgária.
Os búlgaros colorem ovos cozidos na Quinta-Feira Santa, após a missa. Os pães pascais também são uma tradição muito forte: podem ser pequenos ou grandes, mas sempre decorados. O pão é chamado "kolache" ou "kozunak". Seu sabor é semelhante ao do panetone brasileiro. Um desses desses pães é especialmente decorado incrustando-se ovos vermelhos nele (sempre em números ímpares) e levado à igreja na madrugada de sábado, para uma sequência de liturgias. Após esses eventos, os pães e ovos são abençoados e levados de volta para casa. Com esses alimentos presenteiam-se amigos turcos da família (que se sentem muito honrados e retribuem com dinheiro), os chamados pais espirituais (padrinho e madrinha), pais biológicos e todos os outros parentes e amigos.

Os ovos são quebrados após a missa da meia-noite e durante os próximos dias. Um dos ovos é quebrado na parede da igreja (e esse é o primeiro ovo a ser comido após o jejum de Quaresma). Outro ritual, o da quebra de ovos, acontece após o almoço de Páscoa. Cada pessoa escolhe um ovo e, então, cada um a sua vez, bate seu ovo contra o dos outros. Aquele que ficar com o seu ovo inteiro por último terá um ano de sorte.

Estados Unidos.
A atividade mais comum nos Estados Unidos é a caça ao ovo de Páscoa. Os ovos cozidos, decorados com tintas, são escondidos e as crianças devem encontrá-los. Em comunidades menores, as crianças da cidade se reúnem em praças para encontrar os ovos, escondidos por todo lugar.

A Páscoa na Casa Branca, sede do governo norte-americano, reúne pessoas de todo o país. A tradição vêm do início da década de 1870, quando crianças brincavam, durante a Páscoa, no gramado do Capitólio, em Washington D.C. Elas levavam seus ovos cozidos e os rolavam na grama para ver quem conseguia mandar o ovo mais longe. Em 1877, uma lei proibiu a atividade, mas o presidente Rutherford Hayes, em 1878, liberou o gramado sul da Casa Branca para a rolagem de ovos.

Hoje, o evento (gratuito) tem ingressos colocados à disposição de crianças entre 3 e 6 anos, acompanhadas dos pais, que participam de diversas brincadeiras em volta da Casa Branca, até seu momento de rolar ovos no gramado.

Índia.
Os hindus têm um festival chamado Holi. É o momento em que toda a população de religião hindu reúne-se para lembrar, dançando e tocando flautas, como o deus Krishna apareceu. Comidas especiais são feitas para a ocasião e todos visitam seus amigos, experimentando as comidas de cada um. É costume também que o dono da casa marque a testa de seus convidados com um pó colorido.

México.
Nesse país é popular a "malhação de Judas", o apóstolo que traiu Jesus. Ao meio-dia do Domingo de Páscoa, bonecos representando Judas são socados, enforcados e queimados. Em algumas cidades, Judas também é representado por uma piñata, um jarro cheio de doces que as crianças devem tentar quebrar, espalhando doces para todos os presentes.

Oriente Médio.
A cerimônia do lava-pés é um dos pontos altos da comemoração. Na Quinta-Feira Santa, os padres convidam mendigos a entrar e lavam seus pés e lhes dão presentes, para lembrar o ato de Jesus Cristo.

Suécia.
OS casamentos e batizados nessa época é considerado inapropriado. Mas esse quadro, aos poucos, vem mudando: já há alguns anos os cinemas estão abrindo na Sexta-Feira da Paixão. Devido ao clima do país, as palmas do Domingo de Ramos costumam ser substituídas por ramos de salgueiro. De tão ligada a essa liturgia, a folha de salgueiro ficou conhecida como "palma" pelos suecos.

As tradições pascais da Suécia e de outros países escandinavos lembram muito o Halloween norte-americano. Na Quinta-Feira Santa ou na véspera da Páscoa, as crianças suecas vestem-se como bruxos e visitam seus vizinhos, deixando um cartão decorado (a "carta de Páscoa") e esperando receber um doce ou dinheiro em troca.

Esse costume tem origem numa lenda local, que dizia que durante a Páscoa, a atividade de bruxas e bruxos crescia muito. A tradição das "cartas" é especialmente difundida no oeste da Suécia, onde também é costume colocar essas cartas nas caixas de correios ou por debaixo das portas sem ser visto. A identidade de quem enviou o cartão é sempre secreta. Os suecos também entregam ovos cozidos decorados durante a Páscoa, mas nem de longe tão elaborados como em outros países da Europa.

domingo, 17 de abril de 2011

A PÁSCOA E SEUS SÍMBOLOS.


O nome páscoa surgiu a partir da palavra hebraica "pessach" ("passagem"), que para os hebreus significava o fim da escravidão e o início da libertação do povo judeu (marcado pela travessia do Mar Vermelho, que se tinha aberto para "abrir passagem" aos filhos de Israel que Moisés ia conduzir para a Terra Prometida).
Ainda hoje a família judaica se reúne para o "Seder", um jantar especial que é feito em família e dura oito dias. Além do jantar há leituras nas sinagogas.

Para os cristãos, a Páscoa é a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida: a Ressurreição. A passagem de Deus entre nós e a nossa passagem para Deus. É considerada a festa das festas, a solenidade das solenidades, e não se celebra dignamente senão na alegria.
Em tempos antigos, no hemisfério norte, a celebração da páscoa era marcada com o fim do inverno e o início da primavera. Tempo em que animais e plantas aparecem novamente. Os pastores e camponeses presenteavam-se uns aos outros com ovos.
OVOS DE PÁSCOA.

De todos os símbolos, o ovo de páscoa é o mais esperado pelas crianças.
Nas culturas pagãs, o ovo trazia a idéia de começo de vida. Os povos costumavam presentear os amigos com ovos, desejando-lhes boa sorte. Os chineses já costumavam distribuir ovos coloridos entre amigos, na primavera, como referência à renovação da vida.
Existem muitas lendas sobre os ovos. A mais conhecida é a dos persas: eles acreditavam que a terra havia caído de um ovo gigante e, por este motivo, os ovos tornaram-se sagrados.

Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida. Nos países da Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em outros, como na Alemanha, o costume era presentear as crianças. Na Armênia decoravam ovos ocos com figuras de Jesus, Nossa Senhora e outras figuras religiosas.
Pintar ovos com cores da primavera, para celebrar a páscoa, foi adotado pelos cristãos, nos século XVIII. A igreja doava aos fiéis os ovos bentos.

A substituição dos ovos cozidos e pintados por ovos de chocolate, pode ser justificada pela proibição do consumo de carne animal, por alguns cristãos, no período da quaresma.
A versão mais aceita é a de que o surgimento da indústria do chocolate, em 1830, na Inglaterra, fez o consumo de ovos de chocolate aumentar.
COELHO.
O coelho é um mamífero roedor que passa boa parte do tempo comendo. Ele tem pêlo bem fofinho e se alimenta de cenouras e vegetais. O coelho precisa mastigar bem os alimentos, para evitar que seus dentes cresçam sem parar.
Por sua grande fecundidade, o coelho tornou-se o símbolo mais popular da Páscoa. É que ele simboliza a Igreja que, pelo poder de cristo, é fecunda em sua missão de propagar a palavra de Deus a todos os povos.
CORDEIRO.

O cordeiro é o símbolo mais antigo da Páscoa, é o símbolo da aliança feita entre deus e o povo judeu na páscoa da antiga lei. No Antigo Testamento, a Páscoa era celebrada com os pães ázimos (sem fermento) e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus em prol de seu povo: a libertação da escravidão do Egito. Assim o povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo.
Moisés, escolhido por Deus para libertar o povo judeu da escravidão dos faraós, comemorou a passagem para a liberdade, imolando um cordeiro.
Para os cristãos, o cordeiro é o próprio Jesus, Cordeiro de Deus, que foi sacrificado na cruz pelos nossos pecados, e cujo sangue nos redimiu: "morrendo, destruiu nossa morte, e ressuscitando, restituiu-nos a vida". É a nova Aliança de Deus realizada por Seu Filho, agora não só com um povo, mas com todos os povos.

CÍRIO PASCAL.
É uma grande vela que se acende na igreja, no sábado de aleluia. Significa que "Cristo é a luz dos povos".
Nesta vela, estão gravadas as letras do alfabeto grego"alfa" e "ômega", que quer dizer: Deus é princípio e fim. Os algarismos do ano também são gravados no Círio Pascal.
O Círio Pascal simboliza o Cristo que ressurgiu das trevas para iluminar o nosso caminho.
GIRASSOL.
O girassol é uma flor de cor amarela, formada por muitas pétalas, de tamanho geralmente grande. Tem esse nome porque está sempre voltado para o sol.
O girassol, como símbolo da páscoa, representa a busca da luz que é Cristo Jesus e, assim como ele segue o astrorei, os cristãos buscam em Cristo o caminho, a verdade e a vida.


PÃO E VINHO.
O pão e o vinho, sobretudo na antiguidade, foram a comida e bebida mais comum para muitos povos. Cristo ao instituir a Eucaristia se serviu dos alimentos mais comuns para simbolizar sua presença constante entre e nas pessoas de boa vontade. Assim, o pão e o vinho simbolizam essa aliança eterna do Criador com a sua criatura e sua presença no meio de nós.
Jesus já sabia que seria perseguido, preso e pregado numa cruz. Então, combinou com dois de seus amigos (discípulos), para prepararem a festa da páscoa num lugar seguro.
Quando tudo estava pronto, Jesus e os outros discípulos chegaram para juntos celebrarem a ceia da páscoa. Esta foi a Última Ceia de Jesus.
A instituição da Eucaristia foi feita por Jesus na Última Ceia, quando ofereceu o pão e o vinho aos seus discípulos dizendo: "Tomai e comei, este é o meu corpo... Este é o meu sangue...". O Senhor "instituiu o sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar assim o Sacrifício da Cruz ao longo dos séculos, até que volte, confiando deste modo à sua amada Esposa, a Igreja, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que se come Cristo, em que a alma se cumula de graça e nos é dado um penhor da glória futura".
A páscoa judaica lembra a passagem dos judeus pelo mar vermelho, em busca da liberdade.
Hoje, comemoramos a páscoa lembrando a jornada de Jesus: vida, morte e ressurreição.

Colomba Pascal.
O bolo em forma de "pomba da paz" significa a vinda do Espírito Santo. Diz a lenda que a tradição surgiu na vila de Pavia (norte da Itália), onde um confeiteiro teria presenteado o rei lombardo Albuíno com a guloseima. O soberano, por sua vez, teria poupado a cidade de uma cruel invasão graças ao agrado.


SINO.
Muitas igrejas possuem sinos que ficam suspensos em torres e tocam para anunciar as celebrações.
O sino é um símbolo da páscoa. No domingo de páscoa, tocando festivo, os sinos anunciam com alegria a celebração da ressurreição de cristo.
Quaresma.
Os 40 dias que precedem a Semana Santa são dedicados à preparação para a celebração. Na tradição judaica, havia 40 dias de resguardo do corpo em relação aos excessos, para rememorar os 40 anos passados no deserto.
Óleos Santos.
Na antiguidade os lutadores e guerreiros se untavam com óleos, pois acreditavam que essas substâncias lhes davam forças. Para nós cristãos, os óleos simbolizam o Espírito Santo, aquele que nos dá força e energia para vivermos o evangelho de Jesus Cristo. F.P.A vitória da Páscoa, Georges Chevrot, Editora Quadrante, São Paulo, 2002

quinta-feira, 14 de abril de 2011

As Tribos Urbanas.

A tribo é uma forma de organização da sociedade primitiva. A expressão "tribos urbanas" refere-se a grupos de juvenis, que se identificam por motivos diversos, e que assumem características que os tornam fáceis de identificar: o modo de vestir, os adornos, os gostos musicais, etc. Andam em grupo, assumem por vezes comportamentos de risco e conduta violenta, mesmo associada ao consumo de drogas. O seu comportamento reproduz muitos traços comparáveis com os da infância da humanidade, como seja a incapacidade para o domínio dos impulsos instintivos – agressivos e libidinais – e certas práticas rituais. Vamos ver algumas das últimas.

Rito – Cerimonial.

Um rito, ou um ritual, é um conjunto de gestos e actos, individuais ou colectivos, realizados em tempo e lugar próprio. Incluem certas fórmulas que possuem uma eficácia de ordem simbólica ou real. Todos os ritos têm uma componente física e verbal.

Os baptizados e os casamentos, por exemplo, são momentos ritualistas muito conhecidos. Segundo as nossas tradições, devem realizar-se em determinados momentos para assinalar acontecimentos de relevo e de acrescida responsabilidade. O baptismo é o protótipo da iniciação cristã. Parece ter origem no baptismo dos prosélitos judeus e estava dividido em três partes. Na primeira, fazia-se interrogatório preliminar, em que se apelava para as dificuldades que ia sofrer. Se, depois disso, ainda queria entrar no judaísmo, passava pelo rito da circuncisão, mesmo que já tivesse sido circuncidado noutra religião, e depois pelo do baptismo.

O rito do casamento desenvolve-se de modo verdadeiramente interessante. Convém recordar alguns termos que ampliarão o seu entendimento. Tudo quanto se diga sobre a busca nupcial na humanidade primitiva ou, melhor, como foi a procura da mulher, fora do clã ou da tribo, não passa de conjectura mais ou menos fantasiosa. Tirados os casos, aliás frequentes, do rapto e de "presas de guerra", as formas mais pacíficas de obtenção de mulher podiam ser várias: a compra ou troca (coemptio), e a convenção festiva celebrada num repasto (conferreatio), que é a origem das bodas actuais. E não falaremos do usus dos Romanos, que nos nossos tempos medievais era designado por "pública fama", por não ser forma de conseguir mulher, mas a de consagrar uma situação já criada.

A "família" constitui-se a partir do casamento (de casa). A casa forma-se com o matrimónio, de matrimonium + patrimonium: a mulher-mãe mais os bens do marido. O casamento celebra-se por meio das núpcias, que é a cerimónia ritual do matrimónio. O noivo e a noiva são os "nubentes", aqueles que celebram as núpcias e, segundo o uso, o noivado começa a contar-se a partir do acto do pedido de casamento. Em linguagem mais correcta deverão designar-se, antes, por "esposos" – sponsus, sponsa: os prometidos em casamento. O pedido de casamento é o "desposório", a sponsalia dos Romanos. Muitas vezes estipulava-se neles o dote, ou "arras", para garantia de sobrevivência da mulher em caso de viuvez.

Consumado o casamento, os noivos transformam-se em marido e mulher, o maritus e a marita ou mulier (mulher maridada) em latim, que é o oposto a virgo, a virgem, e preparam-se para ascender ao grau superior de paterfamilias e de mater: de pai e de mãe. Considera-se hoje o casamento um contrato e ao mesmo tempo um sacramento, mas na forma externa, os seus ritos variavam conforme os locais e neles descobrem-se ressaibos simbólicos do rapto primitivo ou da transacção entre o pretendente e o chefe da família.

O aparelho mágico e religioso que tem envolvido o acto nupcial, a concepção e o nascimento, é o símbolo de que os homens se servem para atenuar a "violência" biológica da consumação que faz da donzela uma "mulher maridada", como diziam os antigos na sua extraordinária pureza vocabular.

Quer do ponto de vista da sociologia da família, como da antropologia do amor, o rito do casamento é um meio para desenvolver a reflexão sobre a espiritualidade do amor e da ética matrimonial.

Dito isto, voltemos ao nosso tema para analisar a origem dos ritos agora associados ao nosso calendário folclórico e religioso. Ao estudar os conteúdos latentes em todos estes festejos, pode ver-se claramente o fundo ritualístico anterior às medidas proibitivas dos primeiros tempos do cristianismo.

Estes ritos serviam para assinalar datas importantes associadas aos ciclos cósmicos e agrários, e contribuíam para a compreensão do mundo e das suas relações com as divindades protectoras da fertilidade, da Terra e dos homens.

Tinham nos solstícios do Inverno (Dezembro) e do Verão (Junho) e nos equinócios da Primavera (Março) e do Outono (Setembro), o seu ponto alto, quando se representava, de modo teatral, a vida quotidiana articulada com o mito, o rito e a exaltação colectiva.

Os ritos actuais mais conhecidos, que são restos de práticas das antigas hierofanias em homenagem ao Sol, que o cristianismo não conseguiu abolir, e que, por isso; os integraram na hagiografia, celebram-se no Natal (solstício de Inverno), na Páscoa (equinócios da Primavera) e no "mês dos santos", por ocasião do solstício de Verão: Santo António, S. João e S. Pedro. Esquecida a sua matriz original, permanece ainda a sua função de renovar a ordem social e refazer os laços sociais, e porque não as bases para o desenvolvimento de uma promissora indústria cultural. Vamos agora falar de um pouco dos ritos da puberdade, ou da adolescência, para rectificação de alguns conceitos e nova iluminação de alguns outros aspectos.

Ritos da Adolescência.

Ainda hoje a cultura juvenil assinala a entrada na idade adulta. A Festa dos Rapazes, que se realiza todos ao anos na região de Bragança, entre 24 de Dezembro e 6 de Janeiro, é um exemplo conhecido do cerimonial de admissão do jovem na vida comunitária dos adultos. Participam na festa rapazes com idade próxima dos 14 anos. É a idade da puberdade, quando desperta o corpo de desejos ou emocional, capacitando o jovem para a propagação e a assunção das suas responsabilidades na vida social. Diga-se de passagem que, no antigo direito, os esponsais celebravam-se a partir dos 7 anos, sendo possível reclamar-se atingida a puberdade. Sabemos bem como é importante a harmonia deste primeiro período septenário no desenvolvimento harmonioso da criança, em que o veículo vital intensifica a sua actividade para impulsionar o crescimento do corpo físico.

Na fase final da festa, depois da "ronda das boas-festas", que percorre a aldeia para recolha de presentes, chega o momento alto com a realização do baile, que tem implícito o consentimento social pela aproximação do sexo oposto.

O instituto humano do casamento é também um instituto iminentemente social. Por si mesmo é um paradigma da sociedade que existe e se desenvolve no âmbito de uma sociedade maior. A família faz-se gens; a gens, tribo; a tribo, Urbs – a Cidade, o Estado. A natureza social da família vem-lhe da sua essência "conjugal"; a política, das suas relações com outras famílias vizinhas. As consequências típicas e imediatas de uma sociedade de pai e mãe reflectem-se nos filhos.

Os pais, antes de entregarem os filhos já criados à sociedade – no baile – que é o rito final da Festa dos Rapazes, preparam-nos, educando-os e instruindo-os. O baile é o prenúncio do encontro conjugal, que é o acto primário relevante da sociabilidade, provocado pela força atractiva dos esposos que se unem para fazerem da sua oposição uma unidade. Na Antiguidade Clássica, os ritos de núpcias celebravam-se em três fases distintas. A primeira realizava-se junto do fogo sagrado do lar, para desligar a filha da religião doméstica dos antepassados. A noiva era coberta com um véu e usava uma coroa de flores. Na segunda fase, havia um cortejo acompanhado de um facho, com o fogo sagrado. Na terceira, às portas da casa do futuro marido, celebrava-se um ritual mímico, em que o fogo volta a desempenhar uma função importante. Viriato celebrou assim o seu casamento, à maneira grega, como nos contam os historiadores. Mas outros povos tinham diferentes usos, em que aflora o primitivo animismo para impetrar ajuda das forças ocultas. As tatuagens, excisões, incisões e mutilações eram – e ainda são – supostos meios para atingir esses fins.

Tatuagens e Mutilações.

A Festa dos Rapazes, como rito típico da adolescência que ficou assimilada à festa do santo padroeiro, S. Estêvão, realiza-se num ambiente de grande exuberância e exaltação festiva, liberta já, ao que parece, de práticas sádicas da horda primitiva. A relação entre a festa, o jogo, o sentimento religioso, o rito e os mistérios sagrados ficou demonstrada por Huizinga. Não é possível, na maior parte dos casos, traçar a fronteira ente o ambiente de divertimento e a emoção pelo mistério central. A festa constitui-se, assim, um componente do rito, um acto que se destina a facilitar a aceitação do seu conteúdo doloroso.

As sociedades civilizadas conservam costumes religiosos e normas éticas baseadas em prescrições associadas aos antigos mitos e respectivos rituais, ligados aos acontecimentos fundamentais da vida.

Na história da humanidade antiga, e em especial nas civilizações da Ásia Menor e do Mediterrâneo, encontram-se práticas com fundamentos religiosos ou sancionadas pelo costume, em que os pais se unem, como cúmplices, para impor ao filho um "sinal particular" característico, ou até para o sacrificar.

Em tais sociedades, não bastava alcançar a idade viril para se fazer parte da sociedade dos adultos. O direito a esta nova dignidade não se conferia sem participar em rituais adequados. Procedia-se então à cerimónia que promovia a esse estádio social. No contexto dos costumes religiosos destaca-se, pela sua universalidade, a prática das mutilações e das tatuagens.

A mutilação mais visível é a perfuração (piercing) das orelhas para colocação de brincos; mas também se perfuram os lábios, língua, sobrancelhas, septo nasal, etc. Das mutilações genitais1, a mais comum é a circuncisão. A prescrição religiosa de circuncidar os filhos varões alcançou uma importância tão grande que o Papa Gregório XIII inscreveu a celebração da "festa da circuncisão de Nosso Senhor Jesus Cristo" no dia 1 de Janeiro, que é o primeiro do seu calendário, adoptado universalmente.

Nos ritos mutilatórios femininos, que são quase tão difundidos quanto os rituais masculinos, os costumes tribais também submetem as jovens a excisões e incisões. A infibulação, tal como é praticada em África, é a mais cruel das mutilações genitais femininas. É uma tradição que tem o efeito imediato de despertar a repugnância e a rejeição de todas as pessoas medianamente desenvolvidas.

Os efeitos profiláticos destes ritos são nulos, segundo a maior parte dos autores, e revelam completa indiferença pelos danos psíquicos decorrentes. Todas estas mutilações são mais frequentes nas culturas orientais e africanas do que nas ocidentais. Em Portugal deixou de praticar-se a circuncisão por ser um corpus delicit muito grave aos olhos da Inquisição. Mas este preceito, que era necessário para entrar na aliança de Abraão, já não é observado, mesmo sem as antigas restrições. Nem mesmo em grande parte das comunidades israelitas da América, como se depreende da correspondência trocada entre o eminente cientista judeu Moisés Tractemberg e o antigo Primeiro-Ministro Israelita David ben Gurion.

Na tatuagem, abrem-se no corpo do jovem diversos golpes: na cabeça, braços ou barriga. O corpo do famoso Homem do Gelo, que foi encontrado quase intacto por alpinistas, nos Alpes italianos, em 1991, conservado pelas baixas temperaturas, é a múmia mais antiga e bem conservada descoberta até hoje: tem 5000 anos. Apresenta nitidamente diversas tatuagens nas costas, ao longo da coluna vertebral. Também se encontraram múmias do Antigo Egipto tatuadas.

No continente africano a tatuagem tem uma variante: como a pele negra dos indígenas não permite o uso de pigmentos para o desenho das figuras, recorre-se ao processo da escarificação epidérmica, que consiste, na maior parte dos casos, em friccionar as incisões com cinza, para deter o sangue; e depois com ervas amargas de certas espécies vegetais, para que a ferida deixe fortes cicatrizes ao sarar. Por vezes, os dentes incisivos médios são limados de modo que formem uma abertura triangular. Estes ritos consumavam a entrada do jovem na sociedade dos adultos. Acredita-se também que eles conferiam aptidões especiais, e até a sorte.

A experiência da dor parece ter exercido uma função importante na formação da identidade cultural dos povos. A serenidade com que os jovens suportavam o seu martírio mostra bem como o limiar da dor é variável para cada cultura, como assinala Max Heindel.

Conclusão.

A crescente globalização da sociedade deu origem a um movimento contrário de reacção, de contracultura, que é particularmente visível em diversos grupos juvenis, incluindo os que denominamos de "tribos urbanas". Este movimento de contracultura é particularmente evidente a partir dos anos 50, em pleno pós-guerra, e tem as suas raízes históricas na cidade de S. Francisco, nos Estados Unidos2. Quase todos estes grupos adoptam comportamentos típicos orientado para a exacerbação, experimentação ou superação de normas ou convenções, muitas vezes associados a comportamentos de risco.

Esta maneira de agir deve-se, por via de regra, à intensificação emocional provocada pela suspensão das inibições socialmente instauradas. O consumo de drogas, provenientes de um vasto arsenal de substâncias farmo-químicas, e o recurso a expressões musicais fortemente rítmicas, contribuem para levar o corpo aos limites da resistência física e sensorial. A efervescência colectiva assume aspectos semelhantes aos dos ritos orgiásticos das possessões tribais. A linguagem empobrece porque se privilegia a expressão física. Tudo se resume à procura da sensação hedonista do "sentir-se bem".

A negação da dor e o consequente abandono de práticas mutilatórias marcam, na história da humanidade antiga, o início da desagregação interna da sua cultura, incluindo a componente mágico-religiosa, por influência o impulso civilizador do progresso. Na Bíblia, a proibição do Dt 14, 1-2 e do Lev 19, 27-28, surge na tentativa de pôr termo ao vínculo com os deuses antigos das nações tribais. O recrudescimento de práticas mutilatórias e da tatuagem, associadas a ritos antigos, ocorre hoje em algumas culturas juvenis. A solidariedade grupal exigida aos seus elementos, ociosos, sem origem nem destino, sem terem sequer a velha espiritualidade da sociedade que rejeitam, torna instáveis estas colectividades em que a nota característica é a transitoriedade e o imediatismo das suas preocupações fundamentais e a inexistência de projectos racionais para o futuro. No seu universo de referências associam-se vários traços que os ligam ao passado, mas não há esforço algum para esclarecer os principais dinamismos que estão na sua origem. Aceitam-nos como simples compulsões inconscientes associadas a pontos de vista estéticos capazes de modificar a aparência física – ou por razões emblemáticas distintivas do grupo
Bibliografia

Baudrillard, C.; A Sociedade de Consumo; Edições 70; Lisboa, 1995.
Camphausen, Rufus C.; Return of the Tribal; Park Street Press; Vermont, 1997.
Guerreiro; Manuel Viegas; Bochimanes; Junta de Investigações do Ultramar; Lisboa, 1968.
Guinzburg, Carlo; Os Andarilhos do Bem: Feitiçaria e Cultos Agrários nos Séculos XVI e XVII; Companhia das Letras; S. Paulo, 1988.
Heindel, Max; Conceito Rosacruz do Cosmo; F.R.P., Lisboa, 1997, 3ª ed.
Huizinga, Johan; Homo Ludens, Ed. Perspectiva; S. Paulo, 1999.
Lazlo, M.D., Andras E.; Doctors, Drums and Dancers; Robert Hale, Ld.; Londres, 1956
Sokovieds, V. F.; Magia Negra e Magia Branca, Ed. Inova, Ldª, Porto, 1968.
Weber, Max; A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo; Ed. Presença; Lisboa 2001.

terça-feira, 12 de abril de 2011

TEMPO MÁGICO.


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos a limpo". Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pen.
Rubem Alves.

DIREÇÃO DO SOL.

Toma a tua vida em tuas mãos,e não entrega a direção dela a ninguém.
Por mais que te amem, por mais que desejem, o teu bem, só tu será capaz de sentir o que realmente sente, e aquilo que tu passas de impressão para os outros, nem sempre corresponde ao que vai na tua alma.

Quantas vezes tu já sorriste para disfarçar uma lágrima teimosa?
Quantas vezes quiseste gritar e sufocou o pranto?
Quantas vezes quiseste sair correndo de algum lugar e ficaste por educação, respeito ou medo?
Quantas vezes desejaste apenas um beijo, e ficaste com a boca seca esperando o que não veio?
Quantas vezes tudo o que desejaste era apenas um abraço, um consolo, uma palavra amiga e só recebeste ingratidão?

Quantos passos foram necessários para chegar até onde chegaste?
Quantos sabem dar o valor que realmente mereces?
Criticar é fácil, mas usar o teu sapato ninguém quer, vestir as tuas dores ninguém quer,
saber dos teus problemas só se for por curiosidade,por isso, não entrega a tua vida nas mãos de ninguém, nada de acreditar que sem essa ou aquela pessoa, tu não vai viver...

Vais viver sim, o mundo continua girando, e se deixares, pode te trazer algo muito melhor.
Pega a direção da tua vida e aponta para outro rumo lá onde a placa diz
"CAMINHO DO SOL",
bem na curva da felicidade, que te espera sem pressa, para viver com amor e intensidade, a paz, a harmonia e a felicidade.

MIGALHAS.

Podes guardar o pão
para muitos dias,
ainda que o excesso de tua casa
signifique ausência do essencial
entre os próprios vizinhos;

Todavia, quanto puderes,
alonga a migalha de alimento
aos que fitam debalde
o fogão sem lume.

Podes conservar armários
repletos de veste inútil,
ainda que a traça
concorra contigo à posse
do pano devido
aos que se cobrem
de andrajos;

No entanto, sempre que possas,
cede a migalha de roupa
ao companheiro que sente frio.

Podes trazer bolsa farta,
ainda que o dinheiro supérfluo
te imponha problemas e inquietações;

Contudo, quanto puderes,
oferece a migalha de recurso
aos irmãos em necessidade.

Podes trazer bolsa farta,
ainda que o dinheiro supérfluo
te imponha problemas e inquietações;

Contudo,
quanto puderes, oferece a migalha de recurso aos irmãos em necessidade.

Podes alinhar perfumes e adornos
para uso à vontade, ainda que pagues caro
a hora do abuso;

Mas, sempre que possas,
estende a migalha de remédio
aos doentes em abandono.

Um dia,
que será certo em tua vida,
deixarás pratos cheios
e móveis abarrotados,
cofres e enfeites,
para a travessia
do novo caminho...

... Entretanto,
não caminharás perdido
na noite sem estrelas
porque as migalhas de amor
que tiveres distribuído
estarão multiplicadas
como bênçãos
e tochas de luz
em tuas mãos.





Podes guardar o pão
para muitos dias,
ainda que o excesso de tua casa
signifique ausência do essencial
entre os próprios vizinhos;

Todavia, quanto puderes,
alonga a migalha de alimento
aos que fitam debalde
o fogão sem lume.

Podes conservar armários
repletos de veste inútil,
ainda que a traça
concorra contigo à posse
do pano devido
aos que se cobrem
de andrajos;

No entanto, sempre que possas,
cede a migalha de roupa
ao companheiro que sente frio.

Podes trazer bolsa farta,
ainda que o dinheiro supérfluo
te imponha problemas e inquietações;

Contudo, quanto puderes,
oferece a migalha de recurso
aos irmãos em necessidade.

Podes trazer bolsa farta,
ainda que o dinheiro supérfluo
te imponha problemas e inquietações;

Contudo,
quanto puderes, oferece a migalha de recurso aos irmãos em necessidade.

Podes alinhar perfumes e adornos
para uso à vontade, ainda que pagues caro
a hora do abuso;

Mas, sempre que possas,
estende a migalha de remédio
aos doentes em abandono.

Um dia,
que será certo em tua vida,
deixarás pratos cheios
e móveis abarrotados,
cofres e enfeites,
para a travessia
do novo caminho...

... Entretanto,
não caminharás perdido
na noite sem estrelas
porque as migalhas de amor
que tiveres distribuído
estarão multiplicadas
como bênçãos
e tochas de luz
em tuas mãos.
[D.A]