contos sol e lua

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Esvazie a mala.


Pessoas que não conseguem desapegar-se das coisas que acumulam na vida deixam de aproveita-la porque não conseguem livrar-se de suas pesadas bagagens.
Em minhas viagens, costumo encontrar muitas pessoas que não curtem a jornada porque estão preocupadas demais com sua imensa bagagem.
O mesmo acontece com as pessoas que não conseguem desapegar-se das coisas que acumulam na vida: bens, cargos, posições e até mesmo relacionamentos.
Elas, com freqüência, deixam de aproveitar a vida porque não conseguem livrar-se de suas pesadas bagagens.
A ruptura de um relacionamento, por exemplo, não é nada fácil, embora em geral, no começo da relação, tudo seja muito simples e gostoso. Estamos, normalmente, tomados pelo delicioso anestésico da paixão. Lidar com o fim de uma relação, porém, é coisa que poucos sabem – embora todos nós possamos aprender.
A melhor história de desapego que conheço aconteceu com um casal de amigos meus. Certo dia, eles me convidaram para uma festa. Ao chegar, vi que se
tratava de uma ocasião especial: decoração caprichada, banda de música, todos os amigos e familiares presentes. Lá pelas tantas, para surpresa geral, o casal anunciou que a festa era em comemoração de sua despedida.
Estavam celebrando o fim de um ciclo de sua vida após dezessete anos de união. Em um discurso, explicaram:
– Para que a planta nasça, é preciso matar a semente. Para que o fruto exista, é preciso morrer a florada. A borboleta só surge com o desaparecimento da lagarta. O ser humano não existe sem o embrião e só vinga
com a transformação do óvulo. Estamos morrendo para esse relacionamento, porém sinceramente preocupados e comprometidos em nascer para outros muito
melhores, em que possamos doar o máximo de cada um de nós! Por favor, não fiquem tristes com nossa separação porque os amigos do coração nunca se separam.
Eles decidiram separar-se quando perceberam que estavam mais preocupados em anular a alegria um do outro do que em ser felizes. Se, para serem felizes, era importante transformar essa relação, eles dariam esse passo. Até mesmo para manter a amizade.
Que coragem, não?
É muito raro que alguém admita diante do parceiro que está casado por causa do conforto e não tem mais coragem de enfrentar a própria vida.
Se meu casal de amigos insistisse em seu relacionamento, provavelmente acumularia infelicidades e não poderia aproveitar os diversos passarinhos do amor que ainda surgiriam.
Por isso, não tema deixar para trás as coisas que já morreram. Elas são como uma bagagem que não é mais necessária. Somente nossa experiência de vida e nosso desejo de criar uma existência cheia de significado são tesouros leves para carregar.
Roberto Shinyashiki.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O mercador de Veneza.


Trata-se de uma das obras mais polêmicas
do célebre dramaturgo inglês. Escrito no findar dos anos 1500, época em
que os judeus estiveram ausentes da Inglaterra (foram expulsos em 1290,
e só seriam novamente aceitos em 1655), capta as chocantes caricaturas
feitas pelos ingleses.
Em O Mercador de Veneza, o personagem que mais chama a atenção
não é o mocinho, e sim o vilão, criado para dar um tom cômico à peça.
Trata-se do agiota e judeu _ daí a polêmica _ Shylock, retratado como
indivíduo desprezível. A vítima, o cristão Antônio, cidadão bem
sucedido de Veneza, faz um contrato atípico com o agiota, penhorando
453 gramas de sua própria carne. Agora, o vilão faz questão de tal
medonha extração, o que levaria Antônio a morte. O que se observa é a
velha e infeliz máxima anti-semita. O judeu ?do mal?, quer sangue do
?bom cristão?.
Durante anos, tal peça foi encenada, sempre ascendendo
discussões, ou mesmo pregando o anti-semitismo. Nos territórios
nazistas, por exemplo, essa se tornou a peça mais popular de
Shakespeare nos anos 30 e 40. Após a Segunda Guerra Mundial, a história
tornou-se constrangedora e passou a ser exibida somente com
interpretações mastigadas, tentando expor inclusive as mazelas do
preconceito sofrido pelo próprio Shylock.
O autor, em seu original, também busca trabalhar com o
emocional do vilão, o mostrando como humano em suas características
sentimentais. O fato é que o dramaturgo inglês foi certamente
influenciado pela onda deletéria aos judeus, presente em sua época.
Todavia, é a índole e as convicções ideológicas do leitor ou do
expectador de O mercador de Veneza, que vai relativizar ou aceitar a
pilhagem anti-semita integralmente.Shakespeare.

Profecias do Arco Íris.


"O Olho do Sol" pequeno Lobo
Grande Mistério.
"Deus" não é uma unidade.
Há milhares de anos o homem vem tentando separar "Deus" de tudo o que existe, fazendo com que ele seja considerado uma unidade separada. Isto não é verdade. "Deus" está em todas as coisas, nas pessoas (boas ou más), nos objetos, nas plantas, nos animais (até nos microorganismos), na Terra (nos minerais), no ar, na água, nas estrelas, no espaço (aparentemente vazio), enfim, em tudo o que é visível e o que não é visível. Deus é uma totalidade que permeia todo o Universo, "Deus" está em você em mim e em tudo que existe, que existiu e que existirá. Ele existe antes de tudo e depois de tudo, ele é o começo, o meio e o fim. O título "Deus" é apenas um nome para definir o que não podemos definir.
Nós homens queremos sempre explicar tudo, até "Deus", colocando um nome nele, mas ele não pode ser explicado nem definido só por uma pequena e limitada parte do Todo ao qual pertencemos. Seu tamanho é infinito demais para que nossa razão possa explicá-lo. Para mim ele é um Mistério maravilhoso e assustador diante da minha pequenez, não tem cor, não tem raça, não tem forma.
Desse Mistério que tentamos definir como "Deus", tudo emana, tudo respira, tudo se transforma. Cada comunidade, cada tribo, cada povo, tenta dar nome em vão a esse Mistério, e cada qual achando que seu "Deus" é o verdadeiro. Isso cria uma separação entre os homens, fazendo com que a paz e a harmonia, infinita e incessante, que flui desse Mistério seja bloqueada em nossas mentes, causando uma ruptura no equilíbrio em nossas vidas, pois desligados do Todo, nos achamos fora do contexto do nosso Planeta e das outras formas de vida.
Então promovemos uma destruição da vida que o Mistério nos deu, destruição esta que está atingindo o Planeta todo, inclusive os próprios homens. Todas as outras formas de vida também fazem parte do Mistério ao qual pertencemos. Essa separação só existe em nossas mentes. O Mistério continua permeando tudo infinitamente, o tempo passará, os homens passarão, mas o Mistério sempre existirá. "Deus" é a união de tudo que existe. Não se pode "ver Deus" sem que o todo seja observado, mesmo assim ele jamais poderá ser explicado, apenas sentido.
Vivemos um sonho (ou pesadelo) que nós mesmos criamos. Precisamos acordar a tempo, para que nossos filhos também possam partilhar desse Mistério junto com as outras formas de vida, para que possamos honrar o Mistério que nos criou do qual nós dependemos.
Desejo que a Paz e a Luz desse Mistério volte a habitar no coração dos homens, para que nosso Planeta Mãe volte a respirar aliviado, e paire tranqüilo no berço do Mistério.F.Grupos: Yahoo.

SUFISMO.


Sheikh Muzaffer Ozak

(palestra proferida aos derviches da Ordem Sufi Jerrahi nos Estados Unidos)

Bismillahir Rahmanir Rahim (Em nome de Deus, o Mais Clemente, o Mais Misericordioso)
O Sufismo não é diferente do misticismo de todas as religiões. O misticismo vem de Adão (que a Paz de Allah esteja com ele) e adotou diferentes formas ao longo dos séculos: por exemplo o misticismo de Jesus (que a Paz de Allah esteja com ele), dos monges eremitas e de Muhammad (que a Paz e as Bençãos de Allah estejam com ele)l). Um rio passa por muitos países e cada um deles o reivindica para si, mas só há apenas um rio.
A Verdade não muda: as pessoas mudam. As pessoas pretendem possuir a Verdade e guardá-la para si, mantendo-a fora do alcance dos outros, mas não se pode possuir a Verdade.
O Caminho do Sufismo é a eliminação de qualquer intermediário entre o indivíduo e Deus. A meta é atuar como uma extensão de Deus, não como uma barreira.
Ser um derviche (estudante do Sufismo) é sentir e ajudar aos outros, não somente sentar e rezar. Ser um verdadeiro derviche é levantar aqueles que caíram, enxugar as lágrimas dos que sofrem e confortar aos órfãos e aos que estão sós.
Pessoas diferentes possuem capacidades diferentes. Uns podem ajudar com suas mãos, outros com sua língua, outros com suas orações e outros com suas riquezas. Podes chegar a algum lugar por ti mesmo, mas esse é o caminho mais difícil.
Nossas metas pessoais conduzem todas ao mesmo fim: só há uma Verdade! Mas, por que negar os milhares de anos de experiência entesourados pela religião? Estes oferecem um caudal de verdadeira sabedoria destilada por tantos anos de busca, prova e erro.
Ter só meia religião é um gravíssimo equívico que te manterá alijado da verdadeira fé. Visitar a alguém que é somente meio médico é terrivelmente perigoso. Um meio governante é um tirano.
Muitos se debatem no labirinto da religião e as diferenças religiosas. São como cães pelejando por um osso, buscando seus próprios interesses egoístas. A solução é recordar que há um Só Criador que nos sustém a todos. Quanto mais recordermos d'Ele, menos lutaremos.
Um Sheikh Sufi é como um médico para o estudante cujo coração está enfermo. O estudante acode ao Sheikh para curar-se.
Um verdadeiro Sheikh prescreverá uma dieta e uma medicação determinadas para curar as enfermidades de cada pessoa. Se os estudantes seguem as prescrições de seu Sheikh se curarão. Se não, podem destruir-se a si mesmos. Os pacientes que empregam de forma errônea as receitas de seu médico estão chamando a sua própria ruína.
Em um nível mais elevado, a relação entre um Sheikh e seus estudantes é como a de um cacho de uvas e o ramo do qual este pende. O Sheikh conecta as uvas à árvore, a seiva à fonte da seiva.
É extremamente importante entender bem essa conexão. É como a que há entre uma lâmpada e a corrente elétrica. A energia é a mesma. Alguns Sheikhs tem 20 Volts e outros 100, mas todos transmitem a mesma eletricidade.
Os olhos são as janelas da alma, olhando aos estudantes o mestre os conecta. Pode haver uma grande força no olhar de um Sheikh.
A primeira etapa é ter fé. O primeiro passo nesta etapa é ter fé no próprio Sheikh, a qual se expressa no submetimento a sua pessoa. Através dessa submissão tua arrogância se transformará em humildade; tua ira e tua agressividade se transmutarão em bom caráter e suavidade. O primeiro passo é muito importante.
Nem todos os que levam um turbante e veste túnicas chamativas é um Sheikh. Mas uma vez que, por vontade de Allah, encontrou a um verdadeiro, o primeiro passo é a submissão.
O questionar e duvidar, como tanto se insiste no Ocidente hoje em dia, também pode levar à Verdade. De fato há algo cego em submeter-se sem pensar. Pode ser que seja melhor buscar, meditar primeiro e decidir seguir a um Sheikh só quando hajas resolvido todas as dúvidas e perguntas.
Em nossa tradição, geralmente se considera uma grande falta de educação questionar ou duvidar de teu Sheikh. No entanto, pode ser bom questionar-se e através das respostas tua fé se torna mais clara e firme.
Um dia o Profeta Abraão perguntou a Deus: "Como podes devolver a vida aos mortos?". Deus respondeu: "Abraão, não tens fé em Mim? Dúvidas de Mim?". Abraão respondeu: "Sim, tenho fé e Tu sabes o que há em meu coração. Mas só queria ver com meus próprios olhos".
Há quatro caminhos para a fé. O primeiro é o caminho do conhecimento. Alguém vem a ti e te fala de algo que nunca havia visto. Por exemplo, muitas pessoas falaram deste país, mas eu nunca o contemplei. Finalmente tomei um avião para vê-lo com meus próprios olhos do ar. Então minha fé se fez mais forte. Agora estou aqui e minha fé é ainda mais forte. O último nível seria chegar a fazer parte deste país.
Os quatro caminhos para a fé são:
- Conhecimento de algo;
- Visão de algo;
- Estar em algo;
- Tornar-se algo.

É bom ter dúvidas, mas não se deveria permanecer em dúvidas. A dúvida deveria levar-te à Verdade. Não pare nas perguntas. A mente também te pode enganar. O conhecimento e a ciência podem enganar-te. Existe um estado, que é parte do destino de algumas pessoas, no qual os olhos que vêem deixam de ver, os ouvidos que ouvem deixam de ouvir, e a mente que imagina e considera deixa de imaginar e considerar.
O povo do Profeta Abraão estava formado por adoradores de ídolos. Mas ele buscava a Deus. Um dia, contemplando a estrela mais brilhante do firmamento, disse: "Tu és meus Senhor". Então saiu a lua e voltou a dizer: "Tu és meu Senhor". Então saiu o sol e a lua e as estrelas desapareceram. Abraão disse: "Tu é meu maior, tu és meus Senhor". Mas com a chegada da noite o sol também desapareceu e Abraão disse: "Meu Senhor é Aquele que faz aparecer e desaparecer as coisas gerando todas as transformações. Meu Senhor é Aquele que está por trás de toda mudança".
Por meio deste processo, passo a passo, vê-se como o Profeta Abraão passou da adoração de ídolos à verdadeira adoração de Deus, salvando assim suas gentes da falsidade. Certamente se pode chegar à Unidade através da multiplicidade.
Os "nafs" - o Eu inferior - se acha sempre em batalha com a alma. Essa batalha continuará durante toda a vida. A questão é quem educará a quem? Quem dominará a quem? Se a alma chega a ser amo, te tornarás um crente, alguém que abraça a Verdade. Mas se o "Eu Inferior" é o que domina a alma, serás um dos que nega a Verdade.
Deus disse: "Eu, ao que todos os mundo são incapazes de abarcar, posso caber no coração de um crente".
(...)
Aí está a essência de Deus e de Seus Atributos. A essência é incompreensível para nós! Podemos começar por entender os Atributos. De fato, parte da educação Sufi é compreender esses atributos dentro de si mesmo.
Deus disse: "Meus servos Me encontrarão na forma em que me vêem". Isto não quer dizer que quando pensas em Deus com uma uma árvore ou montanha Deus será essa árvore ou essa montanha. Mas se pensas em Deus como Misericordioso ou Pleno de Amor, ou como colérico e vingativo, assim é como O encontrarás.
No Sufismo é lícito falar de todos os atributos de Deus.
Finalmente, o Sufi chega ao estado de submissão e, então, deixa de fazer perguntas.
Há eletricidade em todas as partes, mas se somente possui três lâmpadas, tudo o que verás são essas três lâmpadas. Tens que ser consciente de ti mesmo. Este é o atributo e a via. Somente através do conhecimento de ti mesmo, entenderás certos atributos.
A conexão com os atributos se obtém através do conhecimento de si mesmo. Exteriormente não encontrarás nada.
Toda a criação é a manifestação de Deus, mas como em certas partes da terra se recebe mais sol do que em outras, a algumas pessoas lhes é dada mais luz. Os Profetas de Deus receberam o máximo de Luz Divina. Ademais da quantidade, está a qualidade! Aí está a questão de que é aí que os Atributos se manifestam. Certas pessoas são manifestações de diferentes Atributos Divinos. Os Profetas manifestaram todos os Atributos Divinos. A lua reflete a luz do Sol. O Sol é a verdade e a Lua é cada um dos Profetas.

domingo, 5 de junho de 2011

As Portas do Paraíso.


Havia uma vez um bom homem que levou toda a sua vida cultivando as qualidades indicadas aos que deveriam alcançar o Paraíso. Ajudou bastante aos pobres, amou e serviu a seus semelhantes. Ciente da necessidade de ter paciência, suportou grandes e inesperadas privações, muitas vezes em benefício do próximo. Fez viagens em busca de conhecimentos. Sua humildade e seu comportamento modelar eram tão expressivos que sua reputação de homem sábio e bom cidadão ficou conhecida desde o Oriente ao Ocidente, e desde o Norte ao Sul.

Certamente que ele punha em prática todas aquelas qualidades, cada vez que delas se lembrava. Mas tinha um defeito, a negligência. Tal propensão não era acentuada nele, e achava que, comparada com as outras boas ações que praticava, podia ser encarada como uma pequena falha. Houve alguns pobres aos quais ele não ajudou, pois de quando em quando tornava-se insensível as suas necessidades. Algumas vezes, também, esquecia-se de estimar e atender aos outros, quando entravam em jogo o que encarava como necessidades pessoais, ou pelo menos desejos.

O sono lhe apetecia muito, e por vezes, quando se achava adormecido, perdia de modo irreparável oportunidades de alcançar conhecimentos, ou de entendê-los devidamente, ou ainda de exercitar a verdadeira humildade, e de aumentar o número de boas ações.

E assim como as boas qualidades tinham deixado impressa a sua marca em seu ser essencial, assim também aconteceu com o sinal deixado por sua negligência. E foi então que ele veio a morrer. Encontrando-se mais além desta vida e dirigindo-se para os portais do Jardim Amuralhado, o nosso homem parou um momento para um exame de consciência. E sentiu que sua oportunidade era única de penetrar nos umbrais do Paraíso.

Viu que as portas estavam fechadas e aí soou uma voz que lhe disse:

- Permaneça atento, pois as portas se abrirão somente uma vez em cada cem anos.

O homem se acomodou para esperar, ansioso com a perspectiva de ser aceito. Mas, perdidas agora as oportunidades de exercitar virtudes em benefício da humanidade, ele se deu conta de que sua capacidade de atenção não lhe era suficiente.
Após ter permanecido atento durante um intervalos de tempo que lhe pareceu um século, começou a cochilar. E no instante infinitesimal em que seus olhos se fecharam, as portas do Paraíso foram abertas de par em par. E antes que os olhos do homem se abrissem de novo, as portas se fecharam. Com um estrondo bastante forte para ressuscitar os mortos.
Extraído de 'Histórias dos Dervixes'
Idries Shah
Nova Fronteira 1976

terça-feira, 31 de maio de 2011

A LEI DIVINA E NOSSAS NECESSIDADES COTIDIANAS.


A LEI de conseqüência ou de Causa e Efeito é, sem dúvida alguma, a mais fundamental das leis no destino humano. Convém lembrar, todavia, que não é uma lei estática. Freqüentemente a utilizamos para acionar novas causas que irão criar novo destino para equilibrar e melhorar o antigo destino que trouxemos do passado. A Lei de Conseqüência está intimamente ligada à Lei do Renascimento, chamada também como de Lei da Reencarnação. Todos nós já vivemos, no passado, muitas outras vidas na Terra, e haveremos, no futuro, de viver muitas outras ainda. Em cada uma delas pusemos em ação diversas causas, algumas das quais só efeitos. Tais efeitos são denominados dívidas do destino. Assim é que estamos pagando débitos e colhendo prêmios do passado. É a isso que damos o nome de destino mau ou bom.

Cabe-nos compreender desde logo, que "caráter é destino". Destino é reflexo de caráter. Nosso meio ambiente é um espelho no qual vemos o nosso caráter refletido. Não obstante, existe uma exceção a essa regra geral. É que em nosso último renascimento pudemos certamente haver-nos reformado de tal sorte que agora possuímos o que se pode chamar de um bom caráter, embora possamos continuar tendo sofrimentos e dívidas na presente existência, apesar de havermos remodelado nossa índole. Isto se deve ao fato de termos trazido débitos anteriores, os quais estamos pagando, e, como é do conhecimento geral, quando alguém resgata o que deve, considera, geralmente, que tal processo é restritivo, limitado e desagradável. Tem, contudo, o consolo de saber que as dívidas, uma vez quitadas, não mais podem ser pagas outra vez, ficando, portanto, livre delas por todas as vidas futuras. As tendências de caráter que mais freqüentemente causam mau destino são: a cólera, o temor, o orgulho, o ódio, a vingança, a sensualidade, o egoísmo, a inveja e a intolerância. Por conseguinte, a primeira coisa a fazer é analisar nossos pensamentos habituais e ver se mostram algumas dessas tendências, ainda que seja em pequena escala. Se assim acontece, comecemos imediatamente a trabalhar para eliminá-las. Os dois meios principais para obtê-los são uma mudança de pensamentos e de ação, especialmente para com as demais pessoas. O "pensamento" é o primordial, e se corrigirmos veremos quase automaticamente que nosso modo de agir está de acordo com esse pensamento.

Isto nos leva a um fator mais importante da situação, ou seja, o PODER CRIADOR DO PENSAMENTO. Este poder é o fator mais potente e fundamental da vida humana. O ditado, segundo o qual "os pensamentos são coisas tangíveis" quase palpáveis, é uma verdade incontestável. Cada vez que pensamos em algo criamos uma forma de pensamento que se pode converter em uma força vivente. Flutuam em redor de nós, em nossa aura, e se torna parte de nossa atmosfera mental, por conseqüência, integrante de nossa própria vida.

O passo seguinte é a atividade do pensamento criador que se reveste da substância do desejo e da emoção. Isso apresenta dois efeitos: primeiro, que pode conduzir-nos à ação correspondente; segundo, as formas de pensamento que não são acionadas de imediato se armazenam na memória como normas para uso futuro. Temos-lhes acesso a qualquer tempo. Podem, portanto, surgir como realidades físicas em nosso meio ambiente, tornando-o bom ou mau, conforme o pensamento que as criou. Assim, se você deseja mudar a atmosfera em que vive e sua sorte, "mude seus pensamentos". Desse modo você estará elaborando para si mesmo um novo e melhor destino que oportunamente surgirá e se manifestará de forma melhor ou de meio abundante e capaz de suprir as necessidades de sua existência.

Os desejos destrutivos, como sejam, a cólera, a vingança, o ódio, o ressentimento, principalmente a cólera e o egoísmo, desfiguram e destróem as boas formas de pensamento que tenhamos formado previamente, retardando-se, dessarte, sua materialização. Quando nos deixamos arrastar pela cólera ou pela vingança, por exemplo, dissipando alguma edificante criação mental, a configuração da correspondente forma de pensamento deve esforçar-se no sentido de uma restauração para concretizar o bem que anelamos, cuja marcha fora interrompida. Isso demanda tempo e faz retardar o período em que possa ocorrer uma mudança favorável em nossa vida, em nossa situação e em nosso ambiente geral. Veja, então, a grande importância de vigiar nossos pensamentos e emoções. Alguns perguntarão: "Como possa evitar os maus pensamentos e desejos, mantendo-os distantes de minha mente?" De fato, às vezes parece impossível evitar que se infiltrem em nós, mas a resposta é "substituição de pensamentos".

Esta prática se funda no fato de que dois pensamentos não podem ocupar ao mesmo tempo a mente, à semelhança daquele princípio de física que diz que dois corpos não podem simultaneamente ocupar o mesmo espaço. Quando você se sentir perturbado por maus pensamentos de qualquer índole, "substitua-os" simplesmente "por outros" e concentre-se nestes tão positivamente que o pensamento ruim ali não possa penetrar. É muito simples e requer apenas prática para comprovar a singeleza do tratamento. Os maus desejos são excluídos da mente pelo mesmo processo.

O PODER INTERNO – A existência desse poder é o próximo e mais importante ponto a considerar. Isso é algo acerca do qual os homens em sua maioria não possuem o mínimo conhecimento, de cuja realidade sequer suspeitam. Não obstante, o PODER INTERNO é um estupendo fator na vida humana e sobre ele se apóia o êxito na vida. O PODER INTERNO é o Ego, o Espírito, o Eu Superior, a Vida que vem de Deus e o poder essencial que mantém o homem ativo. O PODER INTERNO é o Deus Interno, e o Deus Interno é parte do Deus Externo, o DEUS do Universo. O PODER INTERNO é o traço pessoal que nos une a Deus. Para tanto, reflita quão poderoso é este Eu Superior. É "Onipotente", porque é parte do DEUS do Universo. Esta onipotência, contudo, está mais ou menos, latente na humanidade de hoje. É função da evolução desenvolvê-la e convertê-la em uma positiva e dinâmica onipotência. Eis o que gradativamente estamos aprendendo a fazer em nossa vida diária e por meio de sucessivos renascimentos.

Este Poder Interno afeta a personalidade e a vida cotidiana da seguinte maneira: O Deus Interno que é onipotente e possuidor ao mesmo tempo de toda sabedoria, está de contínuo enviando mensagem à mente consciente em forma de intuições, inspirações e idéias originais. Elas nos dizem o que nosso Eu Superior, em sua sabedora, deseja que façamos.

Se seguirmos essas sugestões e as praticarmos, os resultados em nossa vida serão construtivos. O fracasso se transformará em vitória, os obstáculos que se apresentam desaparecerão aos poucos e veremos que tudo começa a atuar conjuntamente para o bem e para o êxito em todas as coisas da vida. Se não fizermos caso das intuições do Poder Interno e seguirmos nossos desejos inferiores, bem como as extraviadas inclinações da personalidade, observaremos que nossas dificuldades aumentarão e nossa caminhada pela vida será mais árdua. Vemos quão importante é estar alerta para captar as idéias e intuições do Poder Interno e pô-las em execução.

Essas mensagens podem perceber-se de modo mais efetivo, quando a mente consciente se acalma e, muito em particular, quando estabelece momentos de quietude absoluta para a meditação, a fim de que, uma vez repousada a mente, o Poder Interno possa falar-nos e "nós ouvi-lo". Não obstante, esse Poder nos fala e envia-nos mensagens durante todo o tempo, apesar de estarmos ativos. A Consciência é outra das mensagens do Poder Interno que faríamos bem em obedecer. Se seguíssemos exclusivamente as direções desse Poder, cada vez se tornariam mais claros seus tons, reformando gradualmente nossas vidas e convertendo em sucessos nossos fracassos.

Devemos cultivar a crença na existência do Poder Interno e acreditar em sua habilidade para transformar nossas vidas. Esta crença é o cabo, o circuito elétrico que nos põe em contato com o referido Poder. Se estabelecemos nítida ligação entre esse Poder e nossa consciência (mente consciente) os resultados serão melhores porque então o Ego pode emitir suas mensagens com maior limpidez e efetividade. O descrer dessas coisas fundamentais impede a ligação e pode ainda chegar a destruí-la. Então isso nos deixa mais ou menos sem a orientação e a sabedoria do Deus Interno, ficando ao desamparo e expostos a todas as decepções. Veja como a crença nesse Poder é de grande importância. Alguns o chamam FÉ, fé em DEUS; porém, é a mesma coisa, ou seja, fé no Deus Interno e em seu poder, que é parte integrante do DEUS Externo e Sua Onipotência.

Se ouvirmos e obedecermos às sugestões e direções que emanam do Poder Interno, o temor e a ansiedade desaparecem por completo e obtemos equilíbrio, fator indispensável para um desfecho feliz. Perdemos todo temor à vida e mesmo à morte. Sabemos que tudo está determinado com sabedoria e que o resultado será BOM.

Por estar o Banco Universal amparado pelo Universo jamais poderá falir. Você nunca poderá perder ou ser iludido em algo que realmente lhe pertence. "Só se realizará a própria vontade". Não há, em hipótese alguma, erros no crédito cósmico, no qual esse Banco se desenvolve e opera. Se seu destino e seu progresso não são o que você gostaria que fossem é sem dúvida porque seu crédito no Banco Universal esgotou-se temporariamente. Neste caso, não há outro remédio senão apressar-se a fazer novos depósitos. Como já dissemos, os depósitos a seu favor se realizam por meio de um trabalho edificante, altruísta e autodisciplinado. Você pode estar certo de que seu empenho nesse sentido logo melhorará grandemente AS OPORTUNIDADES E AS CIRCUNSTÂNCIAS. Veja você como seu destino é criado "por você mesmo", que a sorte e a casualidade são apenas aparentes e que na realidade foram criadas por você no passado. Você está envolto na materialização de seus próprios atos e pensamentos. Vencer tendências indesejáveis e reconstruir e reformar seu caráter, eis o meio mais indicado para efetuar depósitos no BANCO UNIVERSAL.

O "provimento universal" do qual falam tão freqüentemente os estudantes de Metafísica é simplesmente outro dos nomes do BANCO UNIVERSAL. Muitos estudantes parecem acreditar que podem obter um provimento completo de tudo o que necessitam com o só repetir algumas afirmações. Enganam-se, todavia, quando julgam que podem sacar contra o BANCO sem fazer antes a cobertura necessária. Isto eqüivale a "procurar obter as coisas gratuitamente". Ninguém deve exigir a concretização de um desejo específico sem antes deixá-lo em mãos do Senhor, que pode atuar sabiamente. Nós não possuímos nem o direito nem a Sua Sabedoria. Porque, se exigirmos a realização de alguns de nosso pensamentos, expomo-nos a equivocar-nos e obter algo que "verdadeiramente" não desejamos.

Algumas pessoas não conseguem ter progresso espiritual e material, porque inconsciente ou ignorantemente violam a Lei de Causa e Efeito, a Suprema Lei de DAR E RECEBER. Há, sem dúvida, uma lei cósmica administrada por Forças Invisíveis, segundo a qual para receber é necessário primeiro dar. Compartindo o que possuímos, abrimos o canal que nos permite uma inundação de coisas almejáveis em nossas vidas. CRISTO, o Divino Mestre do gênero humano, ensina a existência desta lei no Evangelho de S. Lucas, quando diz "Dai e ser-vos-á dado; boa medida concentrada, sacudida e transbordante vos deitarão no vosso regaço, porque com a mesma com que medirdes também vos medirão" (6-38).

A compreensão, a aceitação desta lei e um esforço inteligente por obedecê-la trarão, a seu devido tempo, mudança favorável em nossas vidas.

A Regra de Ouro (Lucas 6-31) "E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma forma fazei-lhes vós" contém, igualmente, um importante princípio psicológico. Esta regra é inequívoca; ela nos diz em definitivo que façamos sempre o bem aos demais, sejam quais forem as circunstâncias, apesar do que eles nos façam a nós. A regra é impessoal; a conduta de outrem nada tem a ver com nosso caso. Se desrespeitarmos essa regra, obteremos infalivelmente maus resultados. Pondo-a em execução, à época oportuna ela nos trará um efetivo melhoramento em nosso ambiente e em nossas condições materiais e espirituais. Ela nos dá individualidade atrativa, magnética, o que nos torna atraentes para os demais e, ao mesmo tempo, não nos deixará faltar ajuda e a cooperação na realização de nossos projetos e anseios. Cria ainda uma força magnética que é o meio de aumentar o êxito sob todos os aspectos. Não permitamos nunca que o rancor por alguma desconsideração que tenhamos recebido nos impeça de fazer o que gostaríamos que outros nos fizessem. É realmente benéfico seguir a Regra de Ouro, que não é um simples ideal religioso.

Há outros dois ou três princípios metafísicos ou psicológicos que devemos conhecer e que aumentarão nosso progresso em matéria de trabalho, bem como no abastecimento de nossas necessidades de ordem material e espiritual. Procurar o BEM em todas as coisas e em todas as situações, apesar da adversidade das aparências é um deles. O simples fato de BUSCAR O BEM constrói uma forma de pensamento que com o tempo se converterá em um bem maior, mais sucesso e condições favoráveis. BUSCAR O BEM é como começar uma bola de neve que aumenta de tamanho à medida que desce de uma montanha. Essa é também a propriedade de toda forma pensamento. Todas as da mesma índole se combinam e crescem rapidamente. Isso se aplica na busca do bem, o qual pode ser aumentado, em nossa esfera social, de modo definido, com a prática desse princípio. O elogio ao Bem, é uma extensão do mesmo princípio e um raio de sol, a luz da alma. Ele propicia o bom augúrio e o êxito a tudo que é superior. Incentive tudo de bem que encontre nas demais pessoas, ainda que o motivo seja insignificante e, sobretudo, não se esqueça de louvar e agradecer ao PODER INTERNO, cada dia, por sua vida, sua orientação e pelo abastecimento de todas as necessidades espirituais e materiais. Tudo se origina desse PODER.

O PERDÃO é outra prática que não devemos esquecer. O perdão é científico. Ele traz consigo as forças dos planos invisíveis que nos cercam. Dissolve as formas de pensamento de ódio, vingança, egoísmo e má vontade, assim como impede que se materialize em adversidade. O rancor, a inveja, o egoísmo, a vindita freqüentemente se transmudam em alguma das condições mais infelizes da vida, especialmente se se continua habitualmente a emitir pensamentos nesse sentido.

O ódio é a força mais destrutiva do Universo, e o rancor e a vingança são fases do ódio. A vingança é a mais mortal das paixões, é absolutamente certo que impede o sucesso em todos os campos. Apesar do que possa acontecer, não se deve ter rancor nem ceder a pensamentos negativos. Você pode ter certeza de que se alguém lhe fez injustiça, a Lei invisível trará a ele merecida retribuição. Diz a Bíblia "Amados, não vos vingueis. Eu recompensarei a cada um, segundo o seu merecimento", disse o Senhor. Não tome a vingança por suas próprias mãos, porque a única coisa que você obterá é desencadear forças psicológicas que mais tarde ou mais cedo reagirão sobre você mesmo, com desvantagem. Diz a regra: "Perdoa tudo e mantém-te perdoando sempre, apesar de toda inclinação pessoal, e nada perderás, como erroneamente possas supor". Isso evoca à mente um princípio de vital importância e interesse sobre o êxito: "Fazer a vontade de outra é o ácido para provar o amor". A Bíblia o confirma ao ensinar: "Faze as pazes com teu adversário". A vontade própria é o amor próprio e o amor próprio é uma fase do ódio para com os outros. A aplicação deste princípio é particularmente valiosa quando queremos evitar desmandos e extinguir os que tenha começado. Naturalmente não devemos fazer a vontade a quem comete uma injustiça conosco ou em relação a terceiros. Devemos sacrificar as nossas inclinações e vantagens, ajustando-nos quanto possível às idéias de nosso adversário, satisfazendo-lhe o sentido de justiça. Por esse meio convertê-lo-emos em nosso amigo. Fazer com que predomine sempre a nossa vontade é obstruir o restabelecimento do êxito da cooperação amistosa.

Muito se tem falado sobre a CONFISSÃO. É provável que você não conceda a menor importância. Deve ter pensado, com certeza, que confessar as más ações a um sacerdote ou a um ministro não tem qualquer efeito. Não obstante, há notável princípio metafísico oculto na confissão, que é o seguinte: a confissão faz desaparecer a força emocional constituída por formas de pensamento sobre as nossas faltas do passado, liberando-as e ajudando-nos a restaurar o equilíbrio e a calma. Quando se comete uma falta que produz temor, vergonha, cólera, etc…, essa forma de pensamento penetra profundamente na subconsciência e ali fermenta. Especialmente se o mal não foi sanado na época oportuna. Formas de pensamento de tal natureza podem fermentar no subconsciente durante anos e com o tempo gerar o que se conhece por "complexos" e "neuroses". Se temos muitos desses complexos enterrados na subconsciência, perdemos gradativamente o equilíbrio e nos tornamos nervosos e neuróticos. Eis onde a confissão atua. Por seu intermédio liberta-se a energia emocional dos complexos que se dissolvem, não voltando a molestar-nos.

A confissão não precisa ser necessariamente feita a um sacerdote ou ministro de qualquer religião. Pode-se fazer diretamente à pessoa a quem se prejudicou ou ainda a alguém de absoluta confiança. Podemos também autoconfessar-nos ao EU SUPERIOR. Chamamos a esse confessório de "Retrospecção". Devemos realizá-lo toda as noites ao deitar-nos, começando por analisar os últimos acontecimentos do dia té chegar aos primeiros da manhã. Para que a Retrospecção surta efeito é indispensável o maior sentimento de contrição, uma vez que através dele nos purificamos, desfazendo a força emocional contida nos complexos ocultos. Grande número de pessoas têm encontrado na confissão, em qualquer da formas, alívio incrível, e sempre é seguida por singular aumento de êxito em todos os setores da vida.

Donde se conclui que será uma idéia excelente a de estender o princípio da confissão ou retrospecção aos anos anteriores de nossa existência, a fim de esclarecer os complexos que penetram em nosso subconsciente, impedindo-nos totalmente qualquer evento feliz. Tal processo pode chamar-se de retrospecção retardada, conforme ensina a Filosofia Rosacruz. A melhor forma de efetuá-la será por escrito. Sente-se e escreva em linhas gerais os acontecimentos do passado que lhe tenham causado temor, cólera, vergonha, etc, etc. Faça o máximo possível cada vez e assim continue até que haja revisado toda a sua vida. Aos poucos notará maravilhoso alívio mental e emocional, que oportunamente se refletirá em forma de melhoria da condições materiais e espirituais. Esses escritos devem fazer-se em segredo, omitindo os nomes de seus personagens. Terminada, essa autoconfissão escrita deve ser destruída.

Durante a vida não se pode obter êxito verdadeiro se não se possui razoável saúde, motivo por que devemos considerar a SAÚDE como fator de importância para a satisfação das necessidades de ordem material. Devemos ter sempre em mira a força vital emanada de nosso PODER INTERNO, o Ego. Se algo se interpõe entre a influência desta vida em nosso corpo e nossa personalidade, isso acarretará uma saúde precária. É possível aprisionar o Ego atrás de uma nuvem de errôneas formas de pensamento, falsas crenças, etc… de sorte que a corrente constitutiva da força, da vida do Ego, se reduz decididamente. Se emitirmos formas de pensamentos destrutivas, como temor, cólera, sensualidade, egoísmo, etc. que limitam e se acreditarmos no poder do mal sobre nós, tudo isso tende a encerrar o Ego, e "como crê" que está limitado na vida, realmente o estará.

Para a SAÚDE é necessário que a pessoa, a mente e a vontade cooperem com o Ego e se repilam toda forma de pensamento restritivo. Além disso, é possível construir um instrumento com o qual se perfure e destrua a atual nuvem de pensamentos. Tal instrumento são NOVAS formas mentais de fé, de fortaleza, de otimismo, de onipotência do PODER INTERNO, do êxito e de certeza de que todas as coisas boas são atingíveis. Construa novas formas de pensamentos nessa direção e elas se combinarão entre si, constituindo uma forma de grande potência e força. Eis o instrumento que perfurará essa nuvem mental e libertará o Ego. Fique certo de que apenas pensamentos errôneos podem bloquear esse poder. Mude, pois, seus pensamentos, e essa faculdade o livrará, operando milagres em sua vida. Restaurará sua saúde. Modificará suas condições mentais. Use a IMAGINAÇÃO para criar quadros de saúde abundante e de grande poder do Ego interno e esses quadros se confundirão com outras formas de pensamento de força e valor, convertendo-se em parte do instrumento de libertação. Então, verificará que terá deixado de ser um escravo da falta da saúde. Você verá que ela é complemento normal do repouso (calma) e de outras condições emocionais equilibradas. Juntamente com esse estado sadio virá maior disposição para o êxito no trabalho de ordem material e espiritual.

A FELICIDADE RESIDE APENAS NA MENTE - As condições externas têm uma influência na felicidade somente onde se lhes tenha permitido afetar as formas de pensamento. Essas formas têm a propriedade de cobrir-se com essa substância do plano invisível que conhecemos como Emoção. Se pensamos em otimismo e felicidade, substância emocional dessa natureza invade-nos a mente, e somos FELIZES, apesar de todas as condições materiais ou corporais. Se, ao contrário, elaboramos formas mentais de temor e de fracasso, elas constróem substância emocional de infelicidade e seremos infelizes, ainda que tenhamos todas as riquezas do mundo e uma saúde perfeita. Fica, portanto, demonstrado que a FELICIDADE só reside na mente e que pelo controle dos pensamentos e substituição deles temos sempre a chave da felicidade e do progresso. Em conclusão, dar-lhes-emos três pequenas fórmulas para ajuda própria que estão baseadas em sadios princípios metafísicos e que têm demonstrado sua valia.

PRIMEIRO, PENSAMENTO CONSTRUTIVO, POSITIVO – Mantenha sua mente sempre positiva e aberta, não imóvel e inerte. O pensamento construtivo fecha automaticamente a receptividade ao enxame de pensamentos que, impedidos de entrar, cessam de influir na vida, e as criações mentais melhoram consideravelmente através da decisão de concretizar as boas coisas.

SEGUNDO, A CHAVE DE OURO – Quando você se achar em dificuldades, quando tema perder algo valioso, não continue a construir formas mentais negativas, porque elas apenas contribuirão para que você se deprima. Ao contrário, inverta o processo e não faça senão PENSAR EM DEUS. Ele envolve todas as coisas desejáveis. Recusando-se a pensar na desgraça e pensando em Deus, você estará construindo pensamentos de força, bondade e sucesso, ainda que não perceba. Eles, a seu tempo, se concretizarão em forma de bem, e a calamidade que você temia se terá dissipado.

TERCEIRO, O PODER DO DEVER – O Dever cumprido um dia, e oportunamente, tem o poder de criar bem suficiente para acompanhá-lo durante o dia inteiro. E amanhã será outro dia no qual você pode repetir o processo. Os deveres cumpridos com amor são um caminho para a libertação. Esta é uma chave vital de êxito em todos os planos, material e espiritual, conforme prega a Filosofia Rosacruz, para qualquer outro período da vida. O sucesso que se obtém como resultado do dever cumprido não será sempre a classe do êxito que você mesmo teria escolhido, mas será o verdadeiro êxito sob o ponto de vista do Espírito, e isso é o que importa. Ainda mais, examinado a seu tempo, este êxito se converterá em uma forma tal que será facilmente reconhecida e admitida como a melhor. Entretanto, você estará livre do temor e da ansiedade porque saberá, finalmente, que "tudo" sairá BEM.

Assim, por intermédio do poder do dever cumprido, você se capacitará para VIVER PELA FÉ NO PODER INTERNO, que é o segredo fundamental do êxito da vida, e no cumprimento das necessidades ordinárias da existência material e espiritual.
Augusta Foss Heindel.

A Gnose.


A gnose é um conhecimento esotérico que surgiu na Antiguidade. Desenvolveu-se no seio do cristianismo antigo, principalmente na Ásia Menor e no Egipto (Alexandria). A gnose contém elementos de antigas doutrinas provenientes da Grécia e da Babilónia, do judaísmo e do Egipto faraónico. Todas se orientaram para a exégese mística e esotérica dos mistérios cristãos. Na maior parte dos casos relacionam-se com ritos iniciáticos, capazes de provocar o êxtase.

Do ponto de vista da doutrina, a gnose revela uma surpreendente homogeneidade quando estuda os mistérios da "queda" e da "redenção" do homem. Pode-se dizer mesmo que a gnose vai mais longe do que a interpretação vulgar da revelação testamentária, uma vez que remonta às origens do acto criador e desenvolve uma tese que transcende os mitos bíblicos. Para esta doutrina, o problema do bem e do mal estão ligados ao conhecimento (gnose) e à ignorância.

Havia numerosas escolas gnósticas no passado. O cristianismo desse tempo via nelas uma espécie de heresia, mas, curiosamente, foi através dos escritos dos Padres da Igreja que a sua doutrina essencial chegou até nós.

Os Gnósticos

O termo "gnose" significa, em grego "conhecimento". Não se trata do conhecimento empírico do mundo físico, mas o conhecimento místico de Deus. Os gnósticos eram filósofos místicos. Diziam que o homem podia conhecer pela razão o segredo da divindade e a essência do mundo.

Alguns historiadores costumam considerar o gnosticismo como um ramo do cristianismo. Outros, porém, acham que o cristianismo cresceu com base no gnosticismo e que este é mais antigo que o cristianismo. Há, por certo, uma parcela de verdade tanto num como noutro ponto de vista.

Os Cristãos

No século I já existiam no seio das comunidades cristãs várias correntes em luta entre si. Na Revelação, de S. João, mencionam-se os herejes nicolaítas.

No século II acentuou-se a luta encarniçada entre seitas e correntes. As mais interessantes de todas foram os movimentos dos gnósticos, especialmente dos marcionitas, e o movimento dos montanistas. A Igreja desse tempo, que se apresentou como a Nova Profecia, tomou a defesa da pistis, a fé, e reagiu contra os "gnósticos", que eram partidários da salvação por meio do conhecimento (gnose). No entanto, o estudo da teologia gnóstica mostra até que ponto as teologias das várias confissões cristãs actuais lhes são devedoras de vários princípios dogmáticos.

A Influência dos Gnósticos

A doutrina gnóstica do Logos (o Verbo), passou para o cristianismo na figura de Cristo Salvador. Isto é visível, em especial, no quarto Evangelho (segundo S. João), impregnado de espírito gnóstico: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus...1".

Há um livro, chamado Tratado Tripartido, escrito por um gnóstico (Heraclião, discípulo de Valentim), que expõe a concepção trinitária de Deus, composto de Pai, Filho e Ekklésia, na acepção que lhe dá Hermes: "comunidade mística de fiéis". Quase um século antes do concílio de Niceia, Heraclião concebe a trindade tal como irá penetrar no dogma católico: o Pai, o Filho e o Pneuma/ Espírito Santo.

Outro livro, intitulado Pistis Sophia, é uma espécie de romance filosófico em que Jesus e Sofia (a Sabedoria) desvendam a complexidade do universo regido por uma coorte de entidades, no seio das quais a alma procura, em peregrinação iniciática, a luz da salvação. O Pistis Sophia, que se pode considerar o "Livro dos Mortos" cristão, revela a vontade de pôr em concordância a gnose (conhecimento intelectual) e a pistis (fé).

Na época, porém, a corrente cristã intelectual foi vencida pelo cristianismo popular, pouco inclinado a deixar-se arrastar para tais especulações.



Glossário

Dogma. Do grego, com sentido de "decreto", "mandato". Desde o século XVIII significa uma imposição doutrinal sem base crítica dos seus princípios, apenas fundamentada na autoridade.

Exégese. Do grego, "explicação" ou "interpretação". Ciência que estuda o sentido de um texto, uma palavra ou uma frase.

Heresia. Separação, eleição. A palavra deriva do grego airesis, que significa ruptura, separação. No âmbito religioso, é considerado como heresia o desvio, opção, opinião particular ou não, que se afasta ou separa da doutrina oficial da Igreja.

Marcião. Rico armador de Sínope, no Mar Negro. Em 144 funda um movimento, por estar em desacordo com os presbíteros acerca de diversas passagens do Antigo Testamento. O seu movimento durou séculos, florescendo na Idade Média.

Nicolaítas. Um dos numerosos grupos gnósticos que surgiram no século I. Havia outros, como os ofitas, cainitas, etc. Cf. Ap., 2, 6 e 15.

Valentim. Membro da principal escola gnóstica, a egípcia. Foi a escola que produziu o sistema de maior maturidade. Valentim viveu em Roma entre 160-170 d.C.

Padres da Igreja. São os autores que reúnem as quatro condições seguintes: 1. Ortodoxia na doutrina; 2. Santidade de vida; 3. Aprovação da Igreja; 4. Antiguidade. Há "Doutores da Igreja" que não foram considerados "Padres da Igreja".
Bibliografia.

Orbe, Antonio – La Teologia dei Secoli II e III, Il Confronto della Chiesa con lo Gnosticismo, Vol I: Temi Veterotestamentari, Pontificia Università Gregoriana, Roma, 1995; Tokarev, Sergei – História das Religiões, Edições Progresso, 1986; Vaneigem, Raoul – As Heresias, Edições Antígona, Lisboa, 1995; Visieux, Dominique – La Pistis Sophia et la Gnose, Pardès, 1988.