contos sol e lua

contos sol e lua

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O destino do coração.


Os olhos foram feitos para ver coisas insólitas,
fez-se a alma para gozar da alegria e do prazer.
O coração foi destinado a embriagar-se
na beleza do amigo ou na aflição da ausência.
A meta do amor é voar até o firmamento,

a do intelecto, desvendar as leis e o mundo.
Para além das causas estão os mistérios, as maravilhas.
Os olhos ficarão cegos
quando virem que todas as coisas
são apenas meios para o saber.

O amante, difamado neste mundo
por uma centena de acusações,
receberá, no momento da união,
cem títulos e nomes.

Peregrinar nas areias do deserto
nos exige suportar
beber leite de camelo,
ser pilhados por beduínos.

Apaixonado, o peregrino beija a Pedra Negra
ansioso por sentir mais uma vez
o toque dos lábios do amigo
e degustar como antes o seu beijo.

Ó alma, não cunhes moedas com o ouro das palavras:
o buscador é aquele que vai
à própria mina de ouro.
-- Rumi --

NO MEU FUNERAL.


No dia em que levarem meu corpo morto
não penses que meu coração ficará neste mundo.
Não chores por mim, nada de gritos e lamentações
- lembra que a tristeza é mais uma cilada do demônio.

Ao ver o cortejo passar, não grites: "ele se foi!"
Para mim, será esse o momento do reencontro.
E quando me descerem ao túmulo, não digas adeus!
A sepultura é o véu diante da reunião no paraíso.

Ante a visão do corpo que desce
pensa em minha ascensão.
Que há de errado com o declínio do sol e da lua?
O que te parece declínio, é tão somente alvorada.

E ainda que o túmulo te pareça uma prisão,
e é ele que liberta a alma:
toda semente que penetra na terra germina.
Assim também há de crescer a semente do homem.

O balde só se enche de água
se desce ao fundo do poço.
Por que deveria o José do espírito
reclamar do poço em que foi atirado?

Fecha a tua boca deste lado
e abre-a mais além.
Tua canção triunfará
no alento do não-lugar.
-- Rumi –-
(Texto extraído do inspirado livro "Poemas Místico

HISTÓRIA II .


O AZEITEIRO E SEU PAPAGAIO.
Um azeiteiro tinha um papagaio que costumava diverti-lo com sua
tagarelice e que vigiava a loja quando ele saía. Certo dia, quando o
papagaio estava sozinho na loja, um gato derrubou uma das talhas de azeite. Quando o azeiteiro voltou, pensou que o papagaio é que tivesse feito o estrago e, em sua fúria, desferiu tal golpe na cabeça do papagaio que todas as suas penas caíram, deixando-o tão atordoado que perdeu a fala por vários dias.

Um dia, porém, o papagaio viu passar pela loja um homem careca e, recobrando a fala, gritou: "Por favor, de quem era a talha de azeite que derrubaste?" Os passantes riram do engano do papagaio, que confundira a calvície provocada pela idade com a perda de suas próprias penas devido a um safanão.
CONFUSÃO DE SANTOS COM HIPÓCRITAS
Os sentidos mundanos são a escada da terra,
Os sentidos espirituais são a escada do céu.A saúde daqueles busca-se junto ao médico,
A saúde destes, junto ao Amigo.
A saúde daqueles se obtém cuidando do corpo,
A destes, mortificando a carne.
A alma nobre arruina o corpo
E, depois de sua destruição, o constrói de novo.
Feliz a alma que por amor a Deus
Abandonou família, riqueza e bens!
Destruiu sua casa para encontrar o tesouro escondido,
E com esse tesouro reconstruiu-a mais bela;
Represou as águas e limpou o canal,
Depois desviou novas águas para dentro do canal;
Cortou sua carne para extrair a ponta de uma lança,
Fazendo uma nova pele crescer sobre a ferida;
Arrasou a fortaleza para expulsar o infiel que a guardava,
E depois reconstruiu-a com cem torres e baluartes.
Quem pode descrever o trabalho singular da Graça?
Fui forçado a ilustrá-lo por estas metáforas
Ora sob uma aparência, ora sob outra.
Sim, as coisas da religião são só perplexidade;
Não como ocorre quando se dá as costas a Deus,
E sim como afogar-se e ser absorvido n'Ele.
O que assim o faz tem o rosto sempre voltado a Deus,
Enquanto o do outro mostra sua indisciplinada obstinação.
Observa o rosto de cada um, olha-os bem.
Pode ser que, como servo, reconheças o rosto da Verdade.
Já que existem muitos demônios com rosto de homens,
É um erro dar a mão a todo mundo.
Quando o passarinheiro faz soar seu pio traiçoeiro,
Para com esse ardil seduzir os pássaros,
Eles ouvem esse chamado, que seu próprio canto simula
E, baixando à terra, encontram rede e punhal.
Assim os vis hipócritas roubam a linguagem dos dervixes.
Para enganar a gente simples com seus truques.
As obras dos justos são luz e calor,
As obras dos maus, traição e impudor.
Fazem leões empalhados para assustar os simples,
Dão título de Mohammed ao falso Musailima.
Mas Musailima guardou o nome de "Mentiroso",
E Mohammed o de "Mais sublime dos seres".
O vinho de Deus exala perfume de almíscar,
Outro vinho está reservado para punição e penas.Rumi.

sábado, 9 de julho de 2011

O PRÍNCIPE E A CRIADA.

Um príncipe estava em uma caçada, quando avistou ao longe uma linda moça e, com promessas de ouro, induziu-a a acompanhá-lo. Passado um tempo, a moça adoeceu e o príncipe convocou vários médicos para tratá-la. Como, porém, todos deixaram de dizer "se Deus quiser, iremos curá-la", o tratamento não teve efeito. Então o príncipe fez uma prece e,em resposta, o céu enviou-lhe um médico. Logo este condenou a opinião de seus colegas acerca do caso e, por meio de um diagnóstico muito hábil, descobriu que a verdadeira causa da doença da moça era seu amor por um certo ourives de Samarcanda. Seguindo o conselho de médico, o príncipe mandou buscar o ourives em Samarcanda e casou-o com a moça doente de amor; por seis meses o par viveu em grande harmonia e felicidade. No fim desse período, o médico, por ordem divina, deu ao ourives uma bebida venenosa, que fez decair sua força e beleza, e ele perdeu o favor da moça que, então, reconciliou-se com o príncipe.
Essa ordem divina foi exatamente igual ao comando de Deus a
Abraão para matar seu filho Ismael, e ao ato do anjo ao matar o servo de

Moisés,5 e está, portanto, acima da crítica dos homens.
DESCRIÇÃO DO AMOR
O amante se prova verdadeiro pela dor em seu coração;
Não há mal como o mal do coração.
A dor do amante é diferente de todas as dores;
O amor é o astrolábio dos mistérios de Deus.
Pode o amante suspirar por este ou aquele amor,
Mas no fim é atraído ao Rei do amor.
Por mais que se descreva ou se explique o amor,
Quando nos apaixonamos envergonhamo-nos de nossas palavras.
A explicação pela língua esclarece a maioria das coisas,
Mas o amor não explicado é mais claro.
Quando a pena se apressou em escrever,
Ao chegar no tema do amor, partiu-se em duas.
Quando o discurso tocou na questão do amor,
A pena partiu-se e o papel rasgou-se.
Ao explicá-lo, a razão logo empaca, como um asno no atoleiro;
Nada senão o próprio Amor pode explicar o amor e os amantes!m príncipe estava em uma caçada, quando avistou ao longe uma linda moça e, com promessas de ouro, induziu-a a acompanhá-lo. Passado um tempo, a moça adoeceu e o príncipe convocou vários médicos para tratá-la. Como, porém, todos deixaram de dizer "se Deus quiser, iremos curá-la", o tratamento não teve efeito. Então o príncipe fez uma prece e, Ninguém senão o Sol pode revelar o sol,
Se o vires revelado, não lhe dês as costasSombras, de fato, podem indicar a presença do sol,
Mas só o Sol revela a luz da vida.
Sombras trazem sonolência, como as conversas ao anoitecer,
Mas quando o sol se levanta, "a lua está fendida".6
No mundo, nada é tão prodigioso como o sol,
Mas o Sol da alma não se põe e não possui ontem.
Embora o sol material seja único e singular,
Podemos conceber sóis semelhantes a ele.
Mas ao Sol da alma, além deste firmamento,
Nada se iguala, seja concreto ou abstrato.
Onde haverá lugar na concepção para Sua essência,
Para que algo similar a Ele seja concebível.
SHAMSUDDIN7 DE TABRIZ ASSEDIA JALALUDDIN PARA QUE
COMPONHA O MASNAVI

O sol (Shams) de Tabriz é uma luz perfeita,
Sol, sim, um dos raios de Deus!
Quando se ouviu o louvor do "Sol de Tabriz",
O sol do quarto céu baixou a cabeça.
Agora que mencionei seu nome, é justo expor
Alguns sinais de sua beneficência.
Essa Alma preciosa segurou na borda de meu manto,
Exalando o perfume da roupa de Yussuf (José);

E disse: "Por amor a nossa antiga amizade, Fala um pouco daqueles doces estados de êxtase Para que a terra e o céu possam alegrar-se, E também a Razão e o Espírito, cem vezes".
Eu disse: "Ó tu que estás distante do Amigo,
Como um homem doente que se afastou de seu médico.SHAMSUDDIN: Mestre espiritual e companheiro de Rumi.Não me importunes, pois estou fora de mim;
Meu entendimento se foi, não posso cantar louvores.
O que quer que diga aquele cuja razão assim se perdeu,
Que não se vanglorie — seus esforços são inúteis.
O que quer que diga é inoportuno,
Seguramente inadequado e distante da verdade.
Que posso dizer quando já nenhum de meus nervos tem
sensibilidade? Posso eu explicar o Amigo a alguém de quem Ele não é

Amigo?
Ma verdade, cantar Seu louvor deslouvor seria,
Pois me provaria existente, e existência é erro.
Posso eu descrever minha separação e meu coração que sangra?
Não, adia esse assunto até outra estação do ano".
Ele disse: "Alimenta-me, pois estou faminto,
E depressa, pois "o tempo é uma espada afiada".
Ó companheiro, o sufi é "o filho do momento".8
Não é regra de seu cânone dizer "amanhã".
Será possível que não sejas um verdadeiro sufi?
Dinheiro vivo se perde ao se dar crédito".
Eu disse: "O melhor é velar os segredos do Amigo.
Por isso sê atento ao significado destas histórias,
É melhor que ter os segredos do Amigo
Divulgados na fala de estranhos".
Ele disse: "Sem véu nem coberta nem engano,
Fala e não me atormentes, ó homem de muitas palavras!
Arranca o véu e fala, pois não estou eu sob a mesma colcha que o Amado?O sufi é o "filho do presente", porque é um "possuído" ou um instrumento passivo movido pelo impulso divino do momento. "O presente é uma espada afiada; se não a cortas ela te corta". Isto porque o impulso divino do momento domina o "possuído", que executa seus decretos rigorosamente. Eu disse: "Se o Amado fosse exposto à visão exterior,
Não suportarias nem o abraço nem a forma.
Insiste em teu pedido, mas com moderação;
Uma folha de relva não pode perfurar uma montanha.
Se o sol que ilumina o mundo chegasse mais perto,
o mundo seria consumido.
Fecha tua boca e cerra os olhos a estas coisas,
Para que a vida do mundo não se torne um coração a sangrar.
Não busques mais este perigo, este derramamento de sangue;
Daqui em diante, impõe silêncio ao "Sol de Tabriz"".
Ele disse: "Tuas palavras não têm fim.
Agora conta toda a tua história desde o princípio".RUMI.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

LIVRO I.


PRÓLOGO
Escuta a flauta de bambu, como se queixa,
Lamentando seu desterro:
"Desde que me separaram de minha raiz,
Minhas notas queixosas arrancam lágrimas de homens e
mulheres.
Meu peito se rompe, lutando para libertar meus
suspiros,
E expressar os acessos de saudade de meu lugar.
Aquele que mora longe de sua casa
Está sempre ansiando pelo dia em que há de voltar.
Ouve-se meu lamento por toda a gente,
Em harmonia com os que se alegram e os que choram.
Cada um interpreta minhas notas de acordo com seus
[sentimentos, Mas ninguém penetra os segredos de meu coração.
Meus segredos não destoam de minhas notas queixosas,
E, no entanto não se manifestam ao olho e ao ouvido sensual.
Nenhum véu esconde o corpo da alma, nem a alma do corpo,
E, no entanto homem algum jamais viu uma alma”
O lamento da flauta é fogo, e não puro ar.
Que aquele que carece desse fogo seja tido como morto!
É o fogo do amor que inspira a flauta,1
E o amor que fermenta o vinho.
A flauta é confidente dos amantes infelizes;
Sim, sua melodia desnuda meus segredos mais íntimos.
Quem viu veneno e antídoto como a flauta?
Quem viu consolador gentil como a flauta?
A flauta conta a história do caminho, manchado de sangue, do amor
Conta a história das penas de amor de Majnun.2
Ninguém sabe desses sentimentos senão aquele que está louco,
Como um ouvido que se inclina aos sussurros da língua.
De pena, meus dias são trabalho e dor,
Meus dias passam de mãos dadas com a angústia.
E, no entanto, se meus dias se esvaem assim, não importa,
Faz tua vontade, ó Puro Incomparável!
Mas quem não é peixe logo se cansa da água;
E àqueles a quem falta o pão de cada dia, o dia parece muito longo;
.Assim o "Verde" não compreende o estado do "Maduro";3
Portanto cabe a mim abreviar meu discurso.
Levanta-te, ó filho! Rompe tuas cadeias e se livre!
Quanto tempo serás cativo da prata e do ouro?
Embora despejes o oceano em teu cântaro,
Este não pode conter mais que a provisão de um dia.
O cântaro do desejo do ávido nunca se enche,
A ostra não se enche de pérolas até a saciedade;
Somente aquele cuja veste foi rasgada pela violência do amor
Está inteiramente puro, livre de avidez e de pecado.
A ti entoamos louvores, ó Amor, doce loucura!
Tu que curas todas as nossas enfermidades!
Que és médico de nosso orgulho e presunção!
Tu que és nosso Platão e nosso Galeno!
2 MAJNUN: o célebre "louco" de amor da literatura persa e árabe.
Impedido de ver sua amada Laila, ele abandona as riquezas e o mundo
para vagar sozinho no deserto, entre as feras.
MAJNUN: o célebre "louco" de amor da literatura persa e árabe.
Impedido de ver sua amada Laila, ele abandona as riquezas e o mundo
para vagar sozinho no deserto, entre as feras.
3 "Verde" e "Maduro" são termos para "Homens de externalidades" e
'"Homens de Coração” ou Místicos.
4 GALENO: um dos pilares da mediana, cuja doutrina foi difundida
pelos árabes na Idade Média.
O amor eleva aos céus nossos corpos terrenos,
E faz até os montes dançarem de alegria!
Ó amante, foi o amor que deu vida ao Monte Sinai,
Quando "o monte estremeceu e Moisés perdeu os sentidos".
Se meu Amado apenas me tocasse com seus lábios,
Também eu, como a flauta, romperia em melodias.
Mas aquele que se aparta dos que falam sua língua,
Ainda que tenha cem vozes, é forçosamente mudo.
Depois que a rosa perde a cor e o jardim fenece,
Não se ouve mais a canção do rouxinol.
O Amado é tudo em tudo, o amante, apenas seu véu;
Só o Amado é que vive, o amante é coisa morta.
Quando o amante não sente mais as esporas do Amor,
Ele é como um pássaro que perdeu as asas.
Ai! Como posso manter os sentidos,
Quando o Amado não mostra a luz de Seu semblante?
O Amor quer ver seu segredo revelado,
Pois se o espelho não reflete, de que servirá?
Sabes por que teu espelho não reflete?
Porque a ferrugem não foi retirada de sua face.
Fosse ele purificado de toda ferrugem e mácula,
Refletiria o brilho do Sol de Deus.
Ó amigos, ouvi agora esta narrativa,
Que expõe a própria essência de minha situação.Rumi.

Masnavi de Maulana Jalaluddin.


Rumi nasceu em Khulm e, logo após seu nascimento, sua família mudou-se para Balkh, a 10 km de distância. Seu pai era Naqshband e encadernador por profissão. Rumi foi educado em ambas as coisas desde sua infância.
Quando completou quinze anos, seu pai o enviou a Gazorgah, província do Afeganistão Ocidental, acompanhado de um tio, que também era encadernador. Gazorgah ocupa um lugar importante dentro da Tradição, pois lá se encontra a tumba do Hodja Abdullah Ansari. Ansar era o nome dado àqueles que deixaram Meca para acompanhar o Profeta (Mohammed) a Medina. Hoje em dia, este nome é amplamente utilizado em outros países, porém o verdadeiro significado de Ansar é "Aquele que abandonou tudo".
A razão de sua viagem a Gazorgah era que ali havia uma imensa biblioteca e seu tio fora contratado para reencadernar os livros. Rumi ali viveu por nove anos. Depois foi a Qandahar para estudar Tafsil, isto é, a "compreensão do Alcorão", na mesquita onde está o manto do Profeta.
Naquele tempo, esta região ainda pertencia ao Khorassan, que se estendia por Herat, Hazarayat, Mashad, até o mar Cáspio. O Sheik Naqshband de toda essa região era o Sayed Zahir Shah, de quem Rumi tornou-se discípulo.
Zahir Shah ordenou que Rumi fizesse uma viagem de sete anos sem lhe dizer aonde deveria ir. O dia de seu regresso coincidiu com o funeral de seu Sheik. Pediram-lhe que fosse à casa de Zahir, dizendo-lhe que este lhe havia deixado algumas coisas. Estas eram um tasbih (rosário) e um manto - o manto de um Sheik Naqshband. Assim, Rumi tornou-se o sucessor de
Zahir Shah, e permaneceu em Gazorgah, Herat e Mazar-i-Sharif pelos sete
anos seguintes.
Ao final do Ramadan, Rumi regressou a Qandahar, onde, na Grande Mesquita, se encontra o manto do Profeta, guardado em uma caixa na parede, que não pode ser aberta senão na presença de quatro Sayeds. Naquele ano, quatro Sayeds estavam em Qandahar e decidiram abrir a caixa e tirar o Manto, e todas as pessoas reuniram-se na Mesquita para vê- lo. Rumi, que estava na Mesquita com as demais pessoas, dirigiu-se a alguém a seu lado, a quem não conhecia, e disse: "Amigo, podes levar-me a casa onde estou hospedado, pois fiquei cego?" — "Não," disse o homem que se vestia todo de verde, "mas vem comigo e iremos a Konya."
Dessa maneira, eles partiram, e, quando chegaram a Konya, o Homem Verde lhe disse: "Agora podes ver, e te proporcionei ainda a habilidade de ver qual é tua missão aqui", e desapareceu. Rumi então conseguiu uma pequena cabana, onde hoje é a cidade nova de Konya, e começou a falar às pessoas e a trabalhar e a dar conferências. Um ano depois, em vinte e um do Ramadan, Rumi dormia, quando foi despertado por alguém que o sacudia. Percebeu que o Homem Verde estava a seu lado, dizendo-lhe: "Jalaluddin, por que não estás escrevendo?" Rumi respondeu: "Khidr Elias, eu não sei escrever". Ao que o Homem Verde disse: "Não tenho tempo para ensinar-te; assim, escreve!" Rumi então se levantou e viu que diante dele havia papel, pena e tinta, e começou a escrever. E escreveu o Masnavi.
Algum tempo depois, porque as coisas que Rumi estava dizendo e fazendo se tornaram "muito fortes", apareceu em Konya um homem chamado Shams. Ele veio para que aquelas palavras e ações de Rumi que fossem demasiado poderosas pudessem ser absorvidas e diluídas através dele, tornando-se assim compreensíveis para as pessoas. Depois de alguns anos, Shams regressou a Bagdá, onde morreu e está sepultado. Sua tumba está à esquerda da de Al-Ghazzali, no mausoléu de Al-Ghazzali, e, embora a inscrição esteja ilegível, ainda pode ser identificada pelo número 613. De acordo com o sistema abjad, (ABJAD: Sistema alfanumérico da língua árabe, equivalente à Cabala hebraica.) 613 equivale alfabeticamente
A Shams. Por ser conhecido como Shams-i-Tabriz, acredita-se que ele seja proveniente de Tabriz, uma cidade da Pérsia. Porém, seu verdadeiro nome era Sayed Shamsuddin Shah, e era filho do Sayed Zahir Shah.
Rumi está sepultado exatamente no lugar que ele mesmo indicou, em Konya. Ali existem quatro criptas, e sua tumba está alguns metros abaixo da superfície.
Certos detalhes da vida de Rumi eram irrelevantes, mas certos pontos eram muito importantes. Tais pontos eram aqueles para onde fora enviado por seu Sheik. Sua vida se divide em períodos de diferentes durações, e cada movimento significava que se havia cumprido uma certa etapa e ele passava à seguinte. O próprio Rumi pode não ter sabido aonde ia e por quanto tempo, mas seu Sheik sim o sabia, pois fora ele que planejara a configuração total desde o princípio. O único fator desconhecido era a duração exata de cada etapa.
Pode acontecer que, em um momento do caminho, um Sheik diga a seu discípulo: "Agora volta para tua casa". Isto será muito difícil para esse homem, porém esta ordem é definitiva e não há possibilidade mediante a qual esse homem possa continuar.
O caminho, em sua totalidade, é muito difícil. Attar dizia que por vezes parecia-lhe que todos e cada um de seus nervos se crispavam e afloravam à superfície de seu corpo, de maneira que uma brisa, por mais suave que fosse, sobre sua pele, causava-lhe um enorme sofrimento. No entanto, apesar das dificuldades e dos sofrimentos, estima-se que apenas 4% são descartados, e este cálculo é feito através dos séculos, não somente dos anos. Esta cifra tão baixa deve-se ao fato de que as pessoas não são tomadas ao acaso, e sim escolhidas, e o Sheik conhece a quem está escolhendo.
Rumi criou a dança Mevlevi, que ele próprio designava uma criação estratégica. Entre Europa e Turquia havia uma necessidade de ajustamento, alinhamento e controle. A dança Mevlevi, o sarna, era este controle.
(Extrato de uma transcrição de duas falas de Omar Ali Shah, em
Konya, 1982.

MASNAVI.
LIVRO I
LIVRO II
LIVRO III
LIVRO IV
LIVRO V
LIVRO VI
APÓCRIFOS DO MASNAVI

terça-feira, 5 de julho de 2011

Um Amigo Cão.


As horas passam e eu não esqueço e sempre o vejo vivo e forte em seu andar e quando lembro você feliz por mim fecho os olhos e não entendo este fim.
Um amigo irmão vivendo a dor e o amor, entrelaçados e eternizados ao louvor. Um amigo cão, o mais sincero. Choro sua partida, mas sua paz é o que espero.
Nas fotos vejo e choro até cair, sozinho, sem ter aonde ir. É você eu sei, está com Deus agora, Ele o olhará e eu aguardo minha hora, com seu sofrer não o vi chorar, agüentou quieto, nós tentamos o salvar. Mas quando Deus escolhe ninguém pode impedir, pois Ele é o Pai e sabe onde seguir. Quando Deus escolhe ninguém pode impedir, pois Ele é o Pai, mas também sabe nos remir.
Onde nasceu foi enterrado, onde brincou a vida toda ao nosso lado. Atrás de pedras corria ao campo, são as lembranças que me derrubam e me balançam. Mas sua paz é o que quero.Diego Parma