contos sol e lua

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Astrologia e os Imperadores Romanos.

Octávio (63 a.C.-14 d.C.), que mais tarde seria Augusto, o primeiro imperador romano, estava certa vez em sua vila Apolónia; sentia-se aborrecido porque não tinha inimigos a vencer e então resolveu consultar um astrólogo para se distrair bem como ao seu amigo Agripa.

Em obediência às ordens do grande imperador apresentou-se o celebre astrólogo Theagenes, o favorito das damas romanas. O astrólogo principiou por se referir a Agripa. Revelou-lhe um futuro cheio de maravilhas, felicidades, riquezas e triunfos.

"Então, nada sobra para mim – observou Octávio –, é inútil dar-vos a data do meu nascimento. Jamais poderei ser tão feliz como meu amigo".

O astrólogo insistiu com tal habilidade que o César, intrigado, resolveu dar-lhe a data do nascimento. Depois de alguma reflexão o astrólogo precipitou-se aos seus pés e adorou-o como o futuro senhor do universo e do Império. Octávio, cheio de alegria, espalhou por toda parte a boa nova do astrólogo e, quando a profecia se realizou e ele assumiu o poder supremo, ordenou que gravassem medalhas com os signos zodiacais e as figuras planetárias sob as quais ele havia nascido e que tanto o favoreceram para conquistar a glória.

Tibério foi a Rodes para aprender astrologia com um sábio famoso e nomeou astrólogo oficial o celebre Trasilo, de renome universal. Esse desconfiado imperador lançava mão da astúcia e dos conhecimentos da astrologia para conhecer o futuro alheio. Temendo os rivais e os traidores, mandava levantar o horóscopo dos personagens mais célebres, para ver o que neles havia de perigoso.

Assim, a astrologia era um dos seus meios de governar o Império e de conservar sua posição. Nero quis aprender a levantar horóscopos, mas desistiu por achar muito difícil; não conseguindo resultados pessoais, servia-se frequentemente do astrólogo Babilus. Sua mulher, a bela e encantadora Pompeia, vivia com o palácio cheio de astrólogos que consultava noite e dia.

Seguindo o seu exemplo as damas romanas consultavam os astrólogos a respeito dos seus amigos, suas doenças, suas frivolidades. Os satíricos da época ridicularizavam essa mania e consideravam perigosas as mulheres que consultavam a astrologia para desvendar os segredos alheios.

Certas patrícias, sob o aspecto dos astros, recusavam acompanhar seus maridos à guerra ou nas viagens; outras, doentes, não se alimentavam nem tornavam remédios senão nas horas governadas pela Lua. Outras ainda procuravam encontros amorosos, somente na hora em que Vénus se encontrasse em bom aspecto com o planeta que favorecesse o marido.

Os astrólogos da época, os mais reputados, vinham da Ásia e gozavam, junto das senhoras ricas romanas, da fama de Magos do Oriente. Eram chamados "Caldeus". As patrícias ricas tinham astrólogos particulares e consultavam-nos para tudo, mesmo nas circunstâncias mais fúteis da vida. Um romano daqueles tempos não faria uma viagem, mesmo para almoçar fora da cidade, sem saber, por intermédio do seu astrólogo, qual a hora favorável para a partida, se o almoço seria bom, se as lampreias estariam saborosas ou não, e se o vinho de Falerno seria abundante, delicioso e fresco. As damas romanas usavam e abusavam do astrólogo: era uma espécie de móvel favorito, o complemento do vestiário, o objecto de adorno, a avis rara, o porta-felicidade, enfim, um deus mais forte e venerado do que Júpiter Olímpico.

Os sucessores de Augusto também consultavam os astrólogos, mas estes não tiveram o mesmo espírito e habilidade que o famoso Theagenes soube demonstrar perante Octávio; limitaram-se a dizer toda a verdade, embora nua e crua, revelada pelos astros. Isto custou-lhes a liberdade e até a vida. Segundo Juvenal, há um meio de se fazer conhecido e aumentar o renome. Não há nada de novo sob o sol, "nil novi sub sole": é o que se dá ainda com os políticos e a maior parte dos astrólogos.

Para se atingir o brilhante sol da glória é necessário que se fique na sombra. O grande satírico latino dí-lo com inimitável malícia: "Um astrólogo, nos nossos tempos, não terá fama enquanto não for acorrentado e não tiver dormido nas palhas das prisões... Se tu não tiveres sofrido condenação, ó caldeu, ó adivinho, ó astrólogo, ó feiticeiro, não passarás de um homem vulgar; mas se já escapaste da pena de morte, ou se, por um favor insigne, o édito de César te condenou ao exílio nas ilhas Cíclades (...) as damas romanas e as patrícias ficarão loucas por ti; haverá brigas e, onde fores, oferecer-te-ão refeições e bebidas que te arredondarão a pança." (Juvenal – Sátira VI).

Examinemos os outros césares. O guloso Vitélio (15-69 d.C.) detestava os astrólogos; chegou a publicar um édito para os expulsar de Roma. Os astrólogos, então, predisseram que o César sairia deste mundo antes que eles saíssem da cidade; isto aconteceu, de facto, pois, antes do fim do ano, César foi assassinado.

Vespasiano também os perseguia; entretanto, não desprezava as predições do celebre Babilus e recorria sempre aos horóscopos.

O amor às ciências ocultas e, em particular, à astrologia, custou caro a Septímio Severo. Tinha perdido a esposa e, desejando casar-se novamente, mandou levantar os horóscopos das jovens mais dotadas de beleza e, sobretudo, das mais ricas. Os temas natais indicaram-lhe que nenhuma das raparigas em questão possuía a fortuna que desejava. Todavia, um astrólogo informou-o que havia, na Síria, uma linda jovem a quem os astros lhe reservavam um rei como esposo. Severo ainda era um simples general, mas apressou-se em pedir a mão da jovem, tão favorecida pela sorte. O pedido foi aceite. Mas, uma duvida surgiu no espírito do general. Se a jovem fosse um dia coroada, participaria ele, Severo, dessa coroação, teria ele sucesso? Cruel angústia! Somente um astrólogo poderia solucionar a dúvida e Septímio, sabendo que na Sicília havia um sábio de renome, para lá se dirigiu. Mas o império romano estava a ser governado pelo louco e feroz Cómodo (161-192 d.C.). Este, sabendo que o seu general seria um dia o seu sucessor, resolveu mandar cortar-lhe a cabeça. Felizmente, Cómodo foi estrangulado antes disso. Um astrólogo já havia prevenido Septímio Severo e dito que ele e Júlia, sua esposa, ocupariam o seu lugar no trono dos Césares.

Como se vê, a astrologia não é uma ciência vaga e exige muito cuidado, trabalho e intuição para que se possa ler e dizer exactamente o que se acha anunciado pelos astros.
M. L.Rev Rosacrus. nº 368 - Jun / 2003.

A Aparência e a Essência.


Em situações de crise há duas saídas que se oferecem ao nosso caminho: a porta de emergência e o alçapão.

Saídos de um ciclo de sofrimento, somos dominados pela ansiedade, pela fome de envolvimento emocional profundo, pela necessidade de protecção e de compreensão, pelo desejo de viver novas experiências, por isso, optamos quase sempre pela primeira que nos devolve rapidamente ao mundo concreto com novos desafios que nos mantêm à tona das coisas, embora anestesiados e confusos.

O alçapão é pesado e difícil de levantar. Abre-se lentamente para o mundo subterrâneo, activo, fértil, porém, desconhecido; é o território da psique e do sagrado que em nós habita. Escada íngreme e solitária que se vai iluminando à medida que empreendemos a lenta tarefa de restaurar o que em nós está esquecido, mutilado, perdido. Convida-nos a resgatar a nossa essência, ao auto-conhecimento, a viver o que valorizamos, a rejeitar o que está desadequado ao novo tempo, à cura, ao perdão, à expansão da consciência, enfim, conduz-nos ao ciclo da maturidade.

A primeira porta devolve-nos à aparência, a segunda conduz-nos à essência. A primeira mascara e confunde com a energia breve e intensa das novas emoções, que nos mantém activos e expectantes, as reais necessidades do nosso ser. A essência permite o reencontro com a nossa verdadeira natureza íntima e sagrada que nos devolve um sentido à nossa existência.

Se vives o tempo da encruzilhada, estás a ser convidado a escolher entre a aparência e a essência. Aconselha-te com o silêncio e na oração, mas não te demores. "O mestre abandona o discípulo que hesita".
Em situações de crise há duas saídas que se oferecem ao nosso caminho: a porta de emergência e o alçapão.

Saídos de um ciclo de sofrimento, somos dominados pela ansiedade, pela fome de envolvimento emocional profundo, pela necessidade de protecção e de compreensão, pelo desejo de viver novas experiências, por isso, optamos quase sempre pela primeira que nos devolve rapidamente ao mundo concreto com novos desafios que nos mantêm à tona das coisas, embora anestesiados e confusos.

O alçapão é pesado e difícil de levantar. Abre-se lentamente para o mundo subterrâneo, activo, fértil, porém, desconhecido; é o território da psique e do sagrado que em nós habita. Escada íngreme e solitária que se vai iluminando à medida que empreendemos a lenta tarefa de restaurar o que em nós está esquecido, mutilado, perdido. Convida-nos a resgatar a nossa essência, ao auto-conhecimento, a viver o que valorizamos, a rejeitar o que está desadequado ao novo tempo, à cura, ao perdão, à expansão da consciência, enfim, conduz-nos ao ciclo da maturidade.

A primeira porta devolve-nos à aparência, a segunda conduz-nos à essência. A primeira mascara e confunde com a energia breve e intensa das novas emoções, que nos mantém activos e expectantes, as reais necessidades do nosso ser. A essência permite o reencontro com a nossa verdadeira natureza íntima e sagrada que nos devolve um sentido à nossa existência.

Se vives o tempo da encruzilhada, estás a ser convidado a escolher entre a aparência e a essência. Aconselha-te com o silêncio e na oração, mas não te demores. "O mestre abandona o discípulo que hesita".Maria Coriel.

Escutando o Rio a Fluir...


Há tempos que são de espera. Nada nos pedem. Nada nos querem dizer. Nada acontece de novo. Desconcertante. Fomos educados para produzir. Fazer muitas coisas. Queremos mudar. Experimentar emoções diferentes.

A casa do silêncio é ampla. Sentimo-nos sós. Perdidos. Forçamos o tempo. Distraímo-nos. Ocupamo-nos. Apressamo-nos a ir para algum lado. O tempo responde-nos com o silêncio. Porque há tempos que são de escuta. De imobilidade. Voltamos, de novo, ao ponto de partida.

A cada um o tempo de espera ensina coisas diversas, mas a todos deixa os mesmos recados: aprender a estar imóvel; nem tudo depende inteiramente de nós.

Se estás nesse tempo, senta-te e escuta o rio que flui. Não para ouvir o que ele tem para te dizer, mas para escutares o que a tua alma tem para lhe contar.

Nesse momento, desenhar-se-á um novo tempo. Conciliador. Entre o que aprendeste sobre ti e o que o mundo te preparou.

No tempo fértil, serás, então, convidado a sair da casa do silêncio e a desenhar novos gestos no dia claro.
Maria Coriel.

As Palavras sem Rosto.


Sinto que há certas coisas que nunca poderão ficar claras;
não há palavras adequadas para elas; contudo, essas coisas existem.

Krishnamurti.

Há coisas que pertencem ao reino da alma, lá, onde moram as coisas indizíveis, as que sentimos como verdadeiras e eternas.

As palavras foram inventadas para nomear as coisas concretas; o visível torna-se dizível, portanto. Mas outras há para as quais as palavras ficam sempre aquém. Se os sentidos ao menos pudessem ver-lhes a substância, provavelmente torná-las-iam dizíveis, explicáveis, sossegando a alma inquieta. Também escapam à razão que não consegue capturá-las, esquadrinhá-las, estudá-las, dar-lhes uma identidade.

Depois de tentar infrutiferamente traduzir o indizível, aprendemos que nunca conseguiremos nomeá-lo com precisão. Ele não existe para ser pensado, mas para ser sentido.

Ana M. Martins

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

RÉQUIEM.


Não pensem que dormito além dessas estrelas...
Tudo mudou de cor, de forma, já não sinto medo.
Continuo a viagem em busca de tantos mistérios...
Deixo pra trás a dor, a ansiedade e o degredo.
Vôo livremente agora pelo espaço; e o invólucro,
Que prendia minhalma, me mantendo encasulado,
Se rompe... me dá ciência de que valeu a pena,
Ter mantido a fé para que eu fosse libertado!

Todos os dogmas que se lavraram em mim,
Se afiançam agora, como verdade absoluta,
Quando me prostro aos pés do Pai Onipotente,
Que me acolhe, que me abriga, que me escuta.
Reencontro irmãos que me foram tão queridos...
Quem imagina que a morte é o fim, comete engano...

A vida nos lapida, nos prepara para essa partida,
Novos patamares nos elevam pra mudar de plano.
Pelas lições Divinas que sempre me guiaram,
Pra não errar o caminho em direção à luz,
Me dão a certeza de que fiz tudo certo,
E meu prêmio agora é o encontro com Jesus!
Mírian Warttusch.

O NASCER PARA O ALÉM...


Há quem morra todos os dias.
Morre no orgulho, na ignorância, na fraqueza.
Morre um dia, mas nasce outro.
Morre a semente, mas nasce a flor.
Morre o homem para o mundo, mas nasce para Deus.

Assim, em toda morte, deve haver uma nova vida.
Esta é a esperança do ser humano que crê em Deus.
Triste é ver gente morrendo por antecipação...
De desgosto, de tristeza, de solidão.
Pessoas fumando, bebendo, acabando com a vida.
Essa gente empurrando a vida.
Gritando, perdendo-se.
Gente que vai morrendo um pouco, a cada dia que passa.

E a lembrança de nossos mortos, despertando, em nós, o desejo de abraçá-los outra vez.
Essa vontade de rasgar o infinito para descobri-los.
De retroceder no tempo e segurar a vida.
Ausência: - porque não há formas para se tocar.
Presença: - porque se pode sentir.
Essa lágrima cristalizada, distante e intocável.
Essa saudade machucando o coração.
Esse infinito rolando sobre a nossa pequenez.
Esse céu azul e misterioso.

Ah! Aqueles que já partiram!
Aqueles que viveram entre nós.
Que encheram de sorrisos e de paz a nossa vida.
Foram para o além deixando este vazio inconsolável.
Que a gente, às vezes, disfarça para esquecer.
Deles guardamos até os mais simples gestos.

Sentimos, quando mergulhados em oração, o ruído de seus passos e o som de suas vozes.
A lembrança dos dias alegres.
Daquela mão nos amparando.
Daquela lágrima que vimos correr.
Da vontade de ficar quando era hora de partir.
Essa vontade de rever aquele rosto.
Esse arrependimento de não ter dado maiores alegrias.
Essa prece que diz tudo.
Esse soluço que morre na garganta...

E...
Há tanta gente morrendo a cada dia, sem partir.
Esta saudade do tamanho do infinito caindo sobre nós.
Esta lembrança dos que já foram para a eternidade.
Meu Deus!
Que ausência tão cheia de presença!
Que morte tão cheia de esperança e de vida!

Texto: Padre Juca ..

Há quem morra todos os dias.
Morre no orgulho, na ignorância, na fraqueza.
Morre um dia, mas nasce outro.
Morre a semente, mas nasce a flor.
Morre o homem para o mundo, mas nasce para Deus.

Assim, em toda morte, deve haver uma nova vida.
Esta é a esperança do ser humano que crê em Deus.
Triste é ver gente morrendo por antecipação...
De desgosto, de tristeza, de solidão.
Pessoas fumando, bebendo, acabando com a vida.
Essa gente empurrando a vida.
Gritando, perdendo-se.
Gente que vai morrendo um pouco, a cada dia que passa.

E a lembrança de nossos mortos, despertando, em nós, o desejo de abraçá-los outra vez.
Essa vontade de rasgar o infinito para descobri-los.
De retroceder no tempo e segurar a vida.
Ausência: - porque não há formas para se tocar.
Presença: - porque se pode sentir.
Essa lágrima cristalizada, distante e intocável.
Essa saudade machucando o coração.
Esse infinito rolando sobre a nossa pequenez.
Esse céu azul e misterioso.

Ah! Aqueles que já partiram!
Aqueles que viveram entre nós.
Que encheram de sorrisos e de paz a nossa vida.
Foram para o além deixando este vazio inconsolável.
Que a gente, às vezes, disfarça para esquecer.
Deles guardamos até os mais simples gestos.

Sentimos, quando mergulhados em oração, o ruído de seus passos e o som de suas vozes.
A lembrança dos dias alegres.
Daquela mão nos amparando.
Daquela lágrima que vimos correr.
Da vontade de ficar quando era hora de partir.
Essa vontade de rever aquele rosto.
Esse arrependimento de não ter dado maiores alegrias.
Essa prece que diz tudo.
Esse soluço que morre na garganta...

E...
Há tanta gente morrendo a cada dia, sem partir.
Esta saudade do tamanho do infinito caindo sobre nós.
Esta lembrança dos que já foram para a eternidade.
Meu Deus!
Que ausência tão cheia de presença!
Que morte tão cheia de esperança e de vida!
Padre Juca.

domingo, 30 de outubro de 2011

Dia das bruxas.


O Dia das Bruxas (Halloween é o nome original na língua inglesa) é um evento tradicional e cultural, que ocorre nos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações dos antigos povos (não existe referências de onde surgiram essas celebrações).

História.
A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcadas diferenças em relação às atuais abóboras ou da famosa frase "Gostosuras ou travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente "fim do verão").

A celebração do Halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando:

Origem Pagã.

A origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam ao ano novo celta. A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrava com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Origem Católica.

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar "Todos os Mártires". Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (Panteão) num templo cristão e o dedicou a "Todos os Santos", a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III († 741) mudou a data para 1º de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e "All Hallow Een" até chegar à palavra atual "Halloween".
Etimologia.

Posto que, entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e 1° de novembro, ocorria a noite sagrada (hallow evening, em inglês), acredita-se que assim se deu origem ao nome actual da festa: Hallow Evening → Hallowe'en → Halloween. Rapidamente se conclui que o termo "Dia das bruxas" não é utilizado pelos povos de língua inglesa, sendo essa uma designação apenas dos povos de língua (oficial) portuguesa.

Outra hipótese é que a Igreja Católica tenha tentado eliminar a festa pagã do Samhain instituindo restrições na véspera do Dia de Todos os Santos. Este dia seria conhecido nos países de língua inglesa como All Hallows' Eve.

A relação da comemoração desta data com as bruxas propriamente ditas teria começado na Idade Média no seguimento das perseguições incitadas por líderes políticos e religiosos, sendo conduzidos julgamentos pela Inquisição, com o intuito de condenar os homens ou mulheres que fossem considerados curandeiros e/ou pagãos. Todos os que fossem alvo de tal suspeita eram designados por bruxos ou bruxas, com elevado sentido negativo e pejorativo, devendo ser julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos-de-fé.

Essa designação se perpetuou e a comemoração do halloween, levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses (povo de etnia e cultura celta) no século XIX, ficou assim conhecida como "dia das bruxas", uma lenda histórica.
Atualmente

Se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um carácter completamente distinto do que tinha ao princípio. Além disso foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos.

Entre os elementos acrescidos, temos por exemplo o costume dos "disfarces", muito possivelmente nascido na França entre os séculos XIV e XV. Nessa época a Europa foi flagelada pela Peste Negra e a peste bubônica dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte. Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.

Alguns fiéis, dotados de um espírito mais burlesco, costumavam adornar na véspera da festa de finados as paredes dos cemitérios com imagens do diabo puxando uma fila de pessoas para a tumba: papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc. (afinal, a morte não respeita ninguém). Também eram feitas representações cênicas, com pessoas disfarçadas de personalidades famosas e personificando inclusive a morte, à qual todos deveriam chegar. Possivelmente, a tradição de pedir um doce, sob ameaça de fazer uma travessura (trick or treat, "doce ou travessura"), teve origem na Inglaterra, no período da perseguição protestante contra os católicos (1500-1700). Nesse período, os católicos ingleses foram privados dos seus direitos legais e não podiam exercer nenhum cargo público. Além disso, foram lhes infligidas multas, altos impostos e até mesmo a prisão. Celebrar a missa era passível da pena capital e centenas de sacerdotes foram martirizados. Produto dessa perseguição foi a tentativa de atentado contra o rei protestante Jorge I. O plano, conhecido como Gunpowder Plot ("Conspiração da pólvora"), era fazer explodir o Parlamento, matando o rei, e assim dar início a um levante dos católicos oprimidos. A trama foi descoberta em 5 de novembro de 1605, quando um católico converso chamado Guy Fawkes foi apanhado guardando pólvora na sua casa, tendo sido enforcado logo em seguida. Em pouco tempo a data converteu se numa grande festa na Inglaterra (que perdura até hoje): muitos protestantes a celebravam usando máscaras e visitando as casas dos católicos para exigir deles cerveja e pastéis, dizendo lhes: trick or treat (doce ou travessuras). Mais tarde, a comemoração do dia de Guy Fawkes chegou à América trazida pelos primeiros colonos, que a transferiram para o dia 31 de outubro, unindo a com a festa do Halloween, que havia sido introduzida no país pelos imigrantes irlandeses. Vemos, portanto, que a atual festa do Halloween é produto da mescla de muitas tradições, trazidas pelos colonos no século XVIII para os Estados Unidos e ali integradas de modo peculiar na sua cultura. Muitas delas já foram esquecidas na Europa
Novos elementos do Halloween.

A celebração do 31 de Outubro, muito possivelmente em virtude da sua origem como festa dos druidas, vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos neo-pagãos, e em alguns casos assume o caráter de celebração ocultista. Hollywood fornece vários filmes, entre os quais se destaca a série Halloween, na qual a violência plástica e os assassinatos acabam por criar no espectador um estado de angústia e ansiedade. Muitos desses filmes, apesar das restrições de exibição, acabam sendo vistos por crianças, gerando nelas o medo e uma idéia errônea da realidade. Porém, não existe ligação dessa festa com o mal. Na celebração atual do Halloween, podemos notar a presença de muitos elementos ligados ao folclore em torno da bruxaria. As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião dessa festa estão repletos de bruxas, gatos pretos, vampiros, fantasmas e monstros, no entanto isso não reflete a realidade pagã.
Simbolos.

Caldeirão - Além de serem usados para preparar alimentos, as bruxas o utilizam para preparar suas poções, fazer feitiços e aquecer suas casas. Em quase todos os episódios de Madame Min e Maga Patalógica um caldeirão estava pronto para preparar um feitço e roubas a moedinha Número 1 do Tio Patinhas.

Vassoura - A grande sensação em matéria de vassouras mágicas é a Nimbus. No filme, Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry ganha uma Nimbus 2000 para participar de um jogo de bruxos. Além de serem úteis para as bruxas voarem, servem para varrer as maldades.


Abóbora - A lenda nasceu no folclore irlândes quando um homem foi obrigado a andar sozinho e nunca deixar sua vela se apagar. Esperto, colocou a velinha dentro de um nabo. Nos EUA, sem os nabos, as pessoas usaram as abóboras, que se tornou um símbolo mundialmente famoso. Jack-o-lantern é o nome em inglês da abóbora iluminada.

Gato Preto e Morcego - Uma bruxa que seja das boas tem de ter um gato preto, um corvo ou uma coruja. Existem lendas que dizem que os gatos que estavam sempre ao lado das bruxas eram bruxas disfarçadas. Os morcegos também estão sempre por perto. Eles servem para saber se as pessoas são boas ou más.

Doces - As crianças vão de casa em casa tocam a campainha e perguntam se as pessoas têm doces para encher seus saquinhos. Assim que a pessoa aparecer na porta, a meninada pergunta: "Doce ou travessura?". Sem doces, a gritaria e bagunça são certas.


Velas - Em todos os filmes, histórias e quadrinhos sobre bruxos sempre tem muitas velas espalhadas ou guiando os caminhos escuros. As cores preferidas são as roxas e pretas.