contos sol e lua

contos sol e lua

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

SOU O ESCRAVO QUE LIBERTOU O AMO.


O discípulo que instruiu o mestre.
Sou a alma que ontem nasceu no mundo
e no mesmo instante criou este mundo vetusto.

Sou a cera orgulhosa que fez o ferro virar aço.
Passei ungüento nos olhos dos cegos
e ensinei homens de curto entendimento.

Sou a nuvem negra que trouxe alegria
da noite de dor ao dia de festa.

Sou a terra milagrosa
que pelo fogo do amo se elevou
e tocou a mente do céu.

Noite passada, o rei não dormiu,
contente de saber que eu, o escravo, dele me lembrei.

Não me culpes se sou escandaloso e lavrei justiça,
foste tu que me embriagaste.

Silêncio, que o espelho se desgasta;
quando soprei sobre ele,
protestou contra mim." (Rumi)

O CAMINHO SUFI"


A brisa da manhã tem segredos para lhe contar,
não durma.
É tempo de perguntar e rezar,
não durma.
Oh pessoas desse mundo,
Deste momento até a eternidade
Aquela porta sem fechadura permanece aberta,
não durma

A vida sem um mestre
é ao mesmo tempo um sono profundo
ou a morte disfarçada.
Fique atento! Trilhar esse caminho
sozinho não é seguro
a água é mortal,
o veneno é doce.

Esta irmandade
não tem nada a ver com ser elevado ou baixo,
esperto ou ignorante.
Não existe uma assembléia especial, nem um grande discurso,
nem se requer nenhum curso anterior.
Esta irmandade se parece mais com uma festa de bêbados
cheia de trapaceiros, tolos, charlatões e loucos.

Oh alma, é tempo de guerra
Coloque sua armadura
Afaste seu medo
Corte a aparência desse mundo.
Oh alma não se descuide agora
isto será apenas mais uma história de gato e rato.

Tomara que você não me diga -
"Os sufis estão perdidos"
nem me diga -
"Os cristãos estão perdidos
Os infiéis estão perdidos"
Porque talvez, meu irmão, você esteja perdido!

Este é o porque de todos parecerem estar perdidos!
Como pode a tristeza se enraizar em nós
que estamos repletos de alegria?
A terra carrega o peso de toda a miséria,
Mantendo-a em seu seio
Como uma semente plantada.
Mas nós deixamos essa terra
e todo o seu sofrimento.
Tudo o que vemos é o teto do paraíso.

A lua se ergue e nós nos erguemos com ela.
Aqueles que não têm nada
não têm nada que os mantenham presos aqui embaixo.
O dervixe que gira pergunta,
"Por que os sábios são tão sombrios?"
Os sábios perguntam,
"Por que os dervixes são tão loucos?"

Queimamos todos os traços do trabalho e da profissão;
Agora, não temos nada além de poesia e canções de amor.
Nós cantamos sobre o coração, a alma e o Amado -
Apenas para queimar todos os traços do
coração, alma e Amado.

Você reivindica habilidade em cada arte
e conhecimento em toda a ciência.
Mas você não consegue ouvir o que seu próprio coração está lhe dizendo.
Até que você ouça essa simples voz
Como você poderá ser um repositório dos segredos?
Como você poderá ser um viajante neste caminho?

Como pode a tristeza se aproximar do coração
de um verdadeiro amante?
A tristeza pertence àqueles
que são enfadonhos e solitários.
O coração do amante
está preenchido de um oceano,
E nas suas ondas enoveladas
o cosmos gentilmente se dobra.

Eu rio e rio e não sei porque
Apenas Deus sabe porque a haste de uma flor
treme na brisa da manhã.

Como pode a tristeza permanecer junto ao verdadeiro amante
quando ele tem o rubah em seu coração?
Você diz que ele parece louco -
É apenas porque a música
na qual ele dança
não é captada pelo seu ouvido.

Por que cobrir a si mesmo com roupas de falsos profetas
quando a alegria de um verdadeiro mestre preenche o mundo?
Por que tomar remédios amargos para as doenças de seu coração
quando a doce água do amor preenche o mundo?

Se você deseja uma pérola,
Não a procure em uma poça de água.
Aqueles que buscam pérolas
Devem mergulhar no mais profundo oceano.
E quem irá encontrar a pérola? -
Aqueles que emergirem
Das águas da vida
Ainda sedentos.

Apenas o dervixe conhece o segredo da adoração.
Penetrando nos céus infinitos,
ele vê Deus e o Mestre como sendo um.
Se você deseja transformar sua alma ferruginosa em ouro
Fique junto do Mestre -
Ele é o Alquimista.

Secretamente conversamos,
aquele sábio e eu.
Eu disse, "Diga-me os segredos do mundo".
Ele disse, "Sh… Fique quieto
Diga você os segredos do mundo".
Rumi.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

CAMINHOS DO CORAÇÃO.


Joanna de Ângelis.

Multiplicam-se os caminhos do processo evolutivo, especialmente durante a marcha que se faz no invólucro carnal.
Há caminhos atapetados de facilidades, que conduzem a profundos abismos do sentimento.
Apresentam-se caminhos ásperos, coalhadas de pedrouços que ferem, na forma de vícios e derrocadas morais escravizadores.
Abrem-se, atraentes, caminhos de vaidade, levando a situações vexatórias, cujo recuo se torna difícil.
Repontam caminhos de angústia, marcados por desencantos e aflições
desnecessárias, que se percorrem com loucura irrefreável.
Desdobram-se caminhos de volúpias culturais, que intoxicam a alma de soberba, exilando-a para as regiões da indiferença pelas dores alheias.
Aparecem caminhos de irresponsabilidade, repletos de soluções fáceis para os problemas gerados ao longo do tempo.
Caminhos e caminhantes!
Existem caminhos de boa aparência, que disfarçam dificuldades de acesso e encobrem feridas graves no percurso.
Caminhos curtos e longos, retos e curvos, de ascensão e descida, estão por toda parte, especialmente no campo moral, aguardando ser escolhidos.
Todos eles conduzem a algum lugar, ou se interrompem, ou não levam a parte alguma... São, apenas, caminhos: começados, interrompidos, concluídos...
Tens o direito de escolher o teu caminho, aquele que deves seguir.
Ao fazê-lo, repassa pela mente os objetivos que persegues, os recursos que se encontram à tua disposição íntima assinalando o estado evolutivo, a fim de teres condição de seguir.
Se possível, opta pelos caminhos do coração.
Eles, certamente, levarão os teus anseios e a tua vida ao ponto de luz que brilha à frente esperando por ti.
O homem estremunha-se entre os condicionamentos do medo, da ambição, da prepotência e da segurança que raramente discerne com correção.
O medo domina-lhe as paisagens íntimas, impedindo-lhe o crescimento, o avanço, retendo-o em situação lamentável, embora todas as possibilidades que lhe sorriem esperança.
A ambição alucina-o, impulsionando-o para assumir compromissos perturbadores que o intoxicam de vapores venenosos, decorrentes da exagerada ganância.
A prepotência anestesia-lhe os sentimentos, enquanto lhe exacerba as paixões inferiores, tornando-o infeliz, na desenfreada situação a que se entrega.
A liberdade a que aspira, propõe-lhe licenças que se permite sem respeito aos direitos alheios nem observância dos deveres para com o próximo e a vida; destruindo qualquer possibilidade de segurança, que, aliás, é sempre relativa enquanto se transita na este física.
Os caminhos do coração se encontram, porém, enriquecidos da coragem, que se vitaliza com a esperança do bem, da humildade, que reconhece a própria fragilidade, e satisfaz-se com os dons do espírito - ao invés do tresvariado desejo de amealhar coisas de secundário importância - os serviços
enobrecedores e a paz, que são a verdadeira segurança em relação às metas a conquistar.
Os caminhos do coração encontram-se iluminados pelo conhecimento da razão, que lhes clareia o leito, facilitando o percurso. Jesus escolheu os caminhos do coração para acercar-se das criaturas e chamá-las ao reino dos Céus.
Francisco de Assis seguiu-Lhe o exemplo e tornou-se o herói da humildade.
Vicente de Paulo optou pelos mesmos e fez-se o campeão da caridade.
Gandhi redescobriu-os e comoveu o mundo, revelando-se como o apóstolo da não-violência.
Incontáveis criaturas, nos mais diversos períodos da humanidade e mesmo hoje, identificaram esses caminhos do coração e avançam com alegria na direção da plenitude espiritual.
Diante dos variados caminhos que se desdobram convidativos, escolhe os caminhos do coração, qual ovelha mansa, e deixa que o Bom Pastor te conduza ao aprisco pelo qual anelas.

Trilha das fadas.Victor Anderson, Cora Anderson e Gwydion Pendderwen.


De acordo com Cora, no livro Fifty Years in the Feri Tradition, o nome original da Tradição das Fadas era Vicia (pronuncia-se Vee-chya), que era relativo ao termo italiano La Vecchia (A Velha).

A Tradição das fadas não é o que a maioria das pessoas esperam, ou pensam dela, quando escutam este nome pela primeira vez. Não pense que você seguirá um caminho entre seres lindos e encantados que derramam glitter pelas trilhas em que você passa...

A Tradição das Fadas conduz à experiência do caos, ao reino das sombras mais negras, ao lago escuro e nutritivo da Deusa, ao espelho da escuridão... o único caminho que pode verdadeiramente te conduzir a inspiração. Você passará pelo abandono dos conceitos sexuais que carrega e esta experiência te conduzirá a glória; você reencontrará os poderes profundos e primários que são comumente incompreendidos ou condenados pela política moral da nossa atual sociedade; Você terá que aprender a se ver como um novo ser que renasce a cada dia diferente, muito mais parecido com sua verdadeira essência de fada do que de humano...

O fato da Tradição ser apresentada como uma tradição de Caos, referindo-se em parte, talvez, a nossa particular relação com a Deusa Estelar - a roda cósmica grávida de possibilidades - nos mostra ela sendo um caminho a contra-mão, pois nós abraçamos todo o espectro das possibilidades; nós tomamos a luz do sol no nosso corpo e revelamos a escuridão da nossa alma. O estado natural onde nossa alma sem sofrer o condicionamento, as resistências e defesas é, algumas vezes, chamado de O Coração Negro da Inocência, e esta é uma frase que poeticamente evoca a matéria prima da pura experiência, formando a base do que nós chamamos de universo de perspectivas das fadas.

Longe de ser uma construção mental, este caminho passa por uma espécie de relacionamento pessoal com o universo, um relacionamento em que não se pode tentar controlar e conter, ou mesmo tentar definir nossas experiências. Na nossa essência, em nosso centro, ele é simples. Nos abrimos e o poder flui por nós, assumindo a forma que quiser. Esta é a maneira pelo qual o xamânico realmente sente o mundo.

Pela sua natureza xamânica, seus praticantes absorvem a inspiração de muitas fontes. Sejam elas uma determinada liturgia, o aparecimento de uma certa planta ou animal, um ritual passado por um professor, ou uma canção sussurrada em um transe... Não adianta perguntar aos praticantes da tradição das fadas qual é o melhor caminho pois é a perspectiva da experiência da relação que é o fator unificador e é para vivenciar estas experiências que nós, seguidores da senda das fadas voltamos as nossas atenções.

Nós somos guiados por estes seres que são invocados em nossa tradição: os guardiões, os deuses e deusas das fadas, e nos unimos a eles em espírito, permitindo que eles se movam através de nós, modificando-nos sempre. Na nossa visão, esses seres são reais (não são vistos como forças psicológicas ou inconsciente coletivo) isso reflete nosso relacionamento com eles, que se mostra pessoal e dinâmico. Quando invocamos nossos deuses, e eles se movem dentro de nós, somos modificados e mexidos em todos os nossos níveis interiores (até mesmo os mais internos). Nós conhecemos, em nossos corpos, a alegria de Nimue no solstício de verão, ou o poder Negro de Arddu na morte escura e fria das noites de inverno.

E, infelizmente, diferente das demais tradições modernas de bruxaria, a Faery não é uma tradição sem perigos. Como neófitos nas sombras, carregamos apenas nossa coragem nesta trilha escura pelos territórios desconhecidos do espírito e, muitas vezes, nos encontramos sozinhos e vulneráveis em nossa busca. Percorrendo e procurando ruas de poder, curando a nós mesmos e a nossa terra, nós engatinhamos e escalamos nosso próprio caminho por dentro de nós, enfrentando nossos demônios, medos e desejos verdadeiros. Pela preparação, tanto psicológica quanto espiritual, nós somos ensinados a tocar a fonte do poder das fadas e a mantê-la conosco, uma vez que encontrada.

Outra característica que nos distingue é a senda de nossa iniciação que requer o enfrentamento e o uso da corrente de energia das fadas. Quando somos iniciados somos conectados com a corrente viva de energia que é única em nossa tradição. Nos tornamos canais abertos, permitindo que essa força flua por nós e pelo mundo que nos cerca. Esta é a verdadeira função de qualquer sacerdotisa ou sacerdote: ser um mediador do poder universal.

Uma fada escolhe sempre o topo do cogumelo para se acomodar, pois é assim que ela nos ensina a guardar os segredos que correm por dentro de sua pele psicodélica, sempre vendo o todo e o tudo, nunca deixando nada escondido... Provando o cálice negro da dor e as frutas mágicas do prazer; banqueteando-se na mesa cósmica da Deusa Estelar... E é assim que ela convida-nos a partilhar um pouco da loucura que é característica de seu reino...

E quando parados dizemos nossas poesias, nossas declarações sagradas de invocação aos deuses ancestrais, nesta hora devemos nos oferecer, entregar nossos corpos como vasos, permitindo sermos modificados para sempre com a Suas presenças.

Na estrada das fadas há tanto alegria quanto horror, mas ambos são essenciais para o verdadeiro crescimento que é inevitável com a utilização constante das ferramentas que esta tradição nos oferece.

E que essas oferendas que fazemos ,em perfeito amor e confiança, traga-nos muito mais
a tradição

Há um corpo específico de cantos e material litúrgico. Muito disto se originou de Victor Anderson e Gwydion Pendderwen que forneceram um arsenal para muitos Círculos em funcionamento e cuja criatividade poética é altamente estimada.

As práticas mágicas da Faery Wicca ou (ou Feri, como Victor chama) são altamente invocatórias e encorajam a manifestação direta dos Deuses através de práticas como "Puxar a Lua Para Baixo", que confere talentos psíquicos ou sensibilidade especial para algumas práticas específicas.

Há uma linhagem iniciatória, traçada desde Victor ou Cora Anderson ou Gwydion Pendderwen. Victor conta antecedentes da Tradição do coven no qual ele foi envolvido nos anos 20 e 30 no Oregon. As energias são trabalhadas entre os bruxos da Tradição das Fadas através da visualização do fogo azul, um corpo de material poético e litúrgico, Deuses e arquétipos específico à Tradição, a doutrina dos Três Self, um círculo de uma cor específica, um sentimento de "tribo" ou "clã" tribal para o Coven e veneram o Deus Cornudo. A Tradição das Fadas é aberta à todas as orientações sexuais.

Embora Victor seja reconhecido universalmente como o professor fundador da tradição, é possível identificar influências que formaram a tradição antes de sua forma presente evoluir. Há uma influência de uma dispora africana forte, principalmente Dahomeana-haitiano, e a Teoria do 3 Selfs foi trazida da Magia Kahuna. O material de Victor não é a única fonte dentro da Tradição. Cada iniciado parece trazer a Tradição para uma direção nova e descobrir algo de novo... Alguns praticantes, como Gwydion e Eldri Littlewolf, enredaram profundamente em formas Xamânicas. Gwydion também trabalhou extensivamente com a religião Céltica.

Outras influências como a Arica, meditação Tibetana e Magia Cerimonial começaram a fazer parte da Tradição com Gabriel Caradoc. Victor, Gwydion, Caradoc, Brian Dragon e Paladin escreveram lindas poesias e litugias para rituais. Francesca De Grandis que compôs Sharon Knight, adicionou sua inspiração para o corpo de material. Starhawk usou conceitos desenvolvidos na Tradição fairy Wicca, expressando suas convicções e prática, e deu explicações mais claras sobre o conceito dos 3 selfs e do Pentáculo de ferro.

Como na Tradição das fadas um iniciado ensina o neófito, é comum que se adira algo de seu próprio interesse e costume na Tradição que ensinam. Além disso, alguém treinado por um professor em específico talvez aprenda algo que não é ensinado por um outro professor, mas isso não invalida a iniciação do neófito.

Victor Anderson, Cora Anderson e Gwydion Pendderwen.

Victor nasceu em 1917 e ficou cego aos dois anos de idade. Ele tinha trilhado caminhos anteriores pelo Kahuna Havaiano e pelo Voodu Africano. Victor foi iniciado no Harpy Coven em Bend, Oregon, quando era adolescente. Este grupo de pessoas trabalhou com energia durante as décadas de 20 e 30 e, claro, esse trabalho se tornou uma fonte e base para a Tradição das Fadas de Victor. A tradição das fadas, apesar de apresentar aspecto iniciático e mágico e, também, trabalhar as fases da Lua, se diferencia um pouco da tradição Gardeniana e da maioria das religiões wiccanianas neo-pagãs.

O Harpy Coven se separou na época da segunda Guerra mundial. Em 1944 Victor casou-se com Cora. Cora, como a maioria dos membros do coven, era do sul dos Estados Unidos. Ela trouxe o folclore desta região para as práticas do grupo e Victor as compartilhou, desenvolveu e integrou em seu trabalho. Quando o material Gardeniano e Alexandrino foram publicados em 1960 e 1970, Victor incorporou alguns aspectos deles em suas práticas.

Nos anos 60, a Família Anderson adotou um garoto que cresceria e se tornaria o conhecido Gwydion Pendderwen. Ele foi também chamado de o xamã das fadas, porque Gwydion se tornou um dos melhores e mais sábios iniciados de Victor. Ele espalhou os conhecimentos da Tradição das Fadas pela comunidade neo-pagã na década de 70. Gwydion faleceu em um acidente de carro em 1981. Gwydion aderiu bastante material céltico, principalmente galês, na tradição. De fato, a Tradição das Fadas não é necessariamente céltica, apesar de muitos de seus iniciados praticar e ensinar a orientação mitológica e mágica céltica.

Victor foi chamado pela Velha Deusa e regressou para a Terra das Fadas em 20 de setembro de 2001, quando faleceu.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Origem e Curiosidades sobre o Ano-Novo.


A primeira comemoração, chamada de "Festival de ano-novo" ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a. C. Na Babilônia, a festa começava na ocasião da lua nova indicando o equinócio da primavera, ou seja, um dos momentos em que o Sol se aproxima da linha do Equador onde os dias e noites tem a mesma duração.

No calendário atual, isto ocorre em meados de março (mais precisamente em 19 de março, data que os espiritualistas comemoram o ano-novo esotérico).

Os assírios, persas, fenícios e egípcios comemoravam o ano-novo no mês de setembro (dia 23). Já os gregos, celebravam o início de um novo ciclo entre os dias 21 ou 22 do mês de dezembro.

Os romanos foram os primeiros a estabelecerem um dia no calendário para a comemoração desta grande festa (753 a.C. - 476 d.C.) O ano começava em 1º de março, mas foi trocado em 153 a. C. para 1º de janeiro e mantido no calendário juliano, adotado em 46 a. C. Em 1582 a Igreja consolidou a comemoração, quando adotou o calendário gregoriano.

Alguns povos e países comemoram em datas diferentes. Ainda hoje, na China, a festa da passagem do ano começa em fins de janeiro ou princípio de fevereiro. Durante os festejos, os chineses realizam desfiles e shows pirotécnicos. No Japão, o ano-novo é comemorado do dia 1º de janeiro ao dia 3 de janeiro.

A comunidade judaica tem um calendário próprio e sua festa de ano-novo ou Rosh Hashaná, - "A festa das trombetas" -, dura dois dias do mês Tishrê, que ocorre em meados de setembro ao início de outubro do calendário gregoriano. Para os islâmicos, o ano-novo é celebrado em meados de maio, marcando um novo início. A contagem corresponde ao aniversário da Hégira (em árabe, emigração), cujo Ano Zero corresponde ao nosso ano de 622, pois nesta ocasião, o profeta Maomé, deixou a cidade de Meca estabelecendo-se em Medina.

Contagem decrescente os últimos minutos do dia 31 de Dezembro seja: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1. A passagem de Ano Novo é o fim de um ciclo, início de outro. É um momento sempre cheio de promessas. E os rituais alimentam os nossos sonhos e dão vida às nossas celebrações. Na passagem de Ano Novo, não podemos deixar de aproveitar a oportunidade para enchermos o coração de esperança e começar tudo de novo. E para que a festa corra muito bem, há algumas tradições e rituais que não podemos esquecer...

Fogos e barulho.

No mundo inteiro o Ano Novo começa entre fogos de artifício, buzinadas, apitos e gritos de alegria. A tradição é muito antiga e, dizem, serve para espantar os maus espíritos. As pessoas reúnem-se para celebrar a festa com muitos abraços.

Roupa nova.

Vestir uma peça de roupa que nunca tenha sido usada combina com o espírito de renovação do Ano Novo. O costume é universal e aparece em várias versões, como trocar os lençóis da cama e usar uma roupa de baixo nova.

Origem do Ano Novo.

As comemorações de Ano Novo variam de cultura a cultura, mas universalmente a entrada do ano é festejada mesmo em diferentes datas.

O nosso calendário é originário dos romanos com a contagem dos dias, meses e anos. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado em 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera.

As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de Abril. O Papa Gregório XIII instituiu o 1º de Janeiro como o primeiro dia do ano, mas alguns franceses resistiram à mudança e quiseram manter a tradição. Só que as pessoas passaram a pregar partidas e ridicularizar os conservadores, enviando presentes estranhos e convites para festas que não existiam. Assim, nasceu o Dia da Mentira, que é a falsa comemoração do Ano Novo.

Tradições de Ano Novo no mundo.

Itália.

O ano novo é a mais pagã das festas, sendo recebido com Fogos de artifícios, que deixam todas as pessoas acordadas. Dizem que os que dormem na virada do ano dormirão todo o ano e na noite de São Silvestre, santo cuja festa coincide com o último dia do ano. Em várias partes do país, dois pratos são considerados essenciais. O pé de porco e as lentilhas. Os italianos se reúnem na Piazza Navona, Fontana di Trevi, Trinitá dei Monit e Piazza del Popolo.

Estados Unidos.

A mais famosa passagem de Ano Novo nos EUA é em Nova Iorque, na Time Square, onde o povo se encontra para beber, dançar, correr e gritar. Há pessoas de todas as idades e níveis sociais. Durante a contagem regressiva, uma grande maçã vai descendo no meio da praça e explode exactamente à meia-noite, jogando balas e bombons para todos os lados.

Austrália.

Em Sydney, uma das mais importantes cidades australianas, três horas antes da meia-noite, há uma queima de fogos na frente da Opera House e da Golden Bridge, o principal cartão postal da cidade. Para assistir ao espectáculo, os australianos se juntam no porto. Depois, recolhem-se a suas casas para passar a virada do ano com a família e só retornam às ruas na madrugada, quando os principais destinos são os pubs e as praias.

França.

O principal ponto é a avenida Champs-Elysées, em Paris, próximo ao Arco do Triunfo. Os franceses assistem à queima de fogos, cada um com sua garrafa de champanhe (para as crianças sumos e refrigerantes). Outros vão ver a saída do Paris-Dacar, no Trocadéro, que é marcada para a meia-noite. Outros costumam ir às festas em hotéis.

Brasil.

No Rio de Janeiro, precisamente na praia de Copacabana, onde a passagem do Ano Novo reúne milhares de pessoas para verem os fogos de artifício. As tradições consistem em usar branco e jogar flores para Yemanjá , rainha do mar para os brasileiros.

Inglaterra.

Grande parte dos londrinos passa a meia-noite em suas casas, com a família e amigos. Outros vão à Trafalgar Square, umas das praças mais belas da cidade, à frente do National Gallery. Lá, assistem à queima de fogos. Depois, há festas em várias sítios da cidade.

Alemanha.

As pessoas reúnem-se no Portal de Brandemburgo, no centro, perto de onde ficava o Muro de Berlim. Tradicionalmente, não há fogos de artificio.

Curiosidade.

Em Macau, e para todos os chineses do mundo, o maior festival do ano é o Novo Ano Chinês. Ele é comemorado entre 15 de Janeiro e 15 de Fevereiro de acordo com a primeira lua nova depois do início do Inverno. Lá é habitual limparem as casas e fazerem muita comida (Bolinhos Chineses de Ano Novo - Yau Gwok, símbolo de prosperidade). Há muitos fogos de artifício e as ruas ficam cobertas de pequenos pedaços de papel vermelho.

Cada cultura comemora seu Ano Novo. Os muçulmanos têm seu próprio calendário que se chama Hégira , que começou no ano 632 d.C. do nosso calendário. A passagem do Ano Novo também tem data diferente 6 de Junho, foi quando o mensageiro Mohammad fez a sua peregrinação de despedida a Meca.

As comemorações do Ano Novo judaico, chamado Rosh Hashanah . É uma festa móvel no mês de Setembro (este ano foi 6 de Setembro). As festividades são para a chegada do ano 5763 e são a oportunidade para se deliciar com as tradicionais receitas judaicas: o Chalah , uma espécie de pão e além do pão, é costume sempre se comer peixe porque ele nada sempre para frente.

O primeiro dia do ano é dedicado à confraternização. É o Dia da Fraternidade Universal. É hora de pagar as dívidas e devolver tudo que se pediu emprestado ao longo do ano. Esse gesto reflecte a nossa necessidade de fazer um balanço da vida e de começar o ano com as contas acertadas.

Tradições Portuguesas.

As pessoas valorizam muito a festa de Ano Novo, porque sentem o desejo de se renovar. Uma das nossas tradições é sair às janelas de casas batendo panelas para festejar a chegada do novo ano. Nos dias 25 de Dezembro e 1º de Janeiro, costumamos comer uma mistura feita com as sobras das ceias, que são levadas ao forno. O ingrediente principal da chamada Roupa Velha é o bacalhau cozido, com ovos, cebola e batatas, regados a azeite.

Para as superstições, comer 12 passas durante as 12 badaladas na virada do ano traz muita sorte, assim como subir numa cadeira com uma nota (dinheiro) em uma das mãos. Em várias zonas do litoral, há pessoas que mesmo no frio do Inverno conseguem entrar na água e saudar o Ano Novo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

PAPAI NOEL: PEÇO UMA CASINHA PARA OS MEUS PAIS Artigo do Grão Mestre Barbosa Nunes publicado no Jornal Diário da Manhã, no dia 17/12/2011.


Natal”, vocábulo natalis no latim, que tem sentido de nascer. Desdobrou-se para natale do italiano, noel do francês, natal do castelhano, nadal do catalão. Como festa religiosa é comemorado no dia 25 de dezembro desde o século IV pela igreja ocidental e desde o século V pela igreja oriental. Diversos historiadores afirmam que a primeira celebração foi em Roma no ano 336 d.C.

É rico em símbolos, marcando a grande festa de solidariedade universal, comemorado em todo o mundo, até mesmo onde a população cristã é minoria. Mês de dezembro é período carregado de uma grande expectativa, ternura e envolve a todos, cultivando nas pessoas sentimentos, muitas vezes esquecidos, como o amor ao próximo.

O nascimento de Jesus se deu por volta de 2 anos antes da morte do Rei Herodes. Considerando que Herodes morreu em 4 antes da era comum, Jesus deve ter nascido em 6 antes da era comum, pois Herodes mandou matar os meninos de Belém até os 2 anos de idade, com o desejo de se livrar de um possível novo “Rei dos Judeus”. José foi obrigado a viajar de Nazaré (Galiléia) até Belém (Judéia), afim de se recensearem como todos os habitantes, conforme decreto do Imperador Octávio Cesar Augusto.

A viagem de Nazaré a Belém, distância de aproximadamente 150 km, foi cansativa para Maria, em estado adiantado de gravidez, que, em Belém teve o seu filho primogênito. Não tendo local disponível em alojamento, envolveu o filho em faixas de panos e o deitou em uma manjedoura. Lucas diz que no dia do nascimento de Jesus, os pastores estavam no campo guardando seus rebanhos durante as vigílias da noite, rebanhos que saíam para os campos em março e recolhiam nos princípios de novembro.

Quando do nascimento de Jesus, em Belém, ainda governava a Judéia o Rei Herodes, e conforme a descrição do Evangelho segundo Mateus, uns magos guiados por uma estrela que anunciava o nascimento de Jesus, levou-os ao local onde este se encontrava. Os magos eram sacerdotes astrólogos, reconhecidos como “sábios”, conselheiros de reis.

Árvore de natal, Papai Noel, presépio e outros são símbolos e tradições natalinas, como decoração de casas, ruas, árvores, prédios e cidades, como ocorre em Goiânia, com a cidade decorada e embelezada, trazendo a todos uma mensagem de fé, de luz, de meditação e aperfeiçoamento dos nossos princípios cristãos.

No Brasil, a comemoração do natal, de um lado é expressão da fé poderosa nossa, mas de outro tem objetivos cada vez mais comerciais através de produção de músicas, presentes os mais variados e amigo secreto ou oculto, além de um excesso comemorativo em banquetes, com sobra de grande quantidade de comida que vai para o lixo e ilimitado consumo de bebidas alcoólicas, por grande parte da sociedade.

O natal é um dos grandes estímulos econômicos anual, com as vendas aumentando dramaticamente e lojas introduzindo novos produtos como brindes, decoração e suprimentos.

O momento é de milhares de crianças passando fome, jovens que estão sendo levados à dependência química, enquanto os detentores de poderes nas esferas públicas, desviam para o seu patrimônio pessoal, verbas da merenda escolar, da saúde, da educação, da segurança, trazendo-nos a conclusão de que precisamos reverter este quadro. Buscar no Menino Jesus, nossa modificação como ser humano, objetivando não termos ao nosso lado direito ou esquerdo, a fome, o desemprego, a decepção e a tristeza. Crianças que são o nosso futuro precisam de perspectiva como seres humanos, pois, boa parte da nossa sociedade pouco se importa com o futuro delas, muito se importando com o crescimento patrimonial dos seus bens, praticando desvios que vão se sucedendo e que de tantos, vamos todos nos esquecendo.

O natal tem como figura simbólica querida e amada o Papai Noel, Pai Natal, Santa Claus, Peri Noel, São Nicolau e outros, difundido como portador de presentes, vestido de vermelho, com origem do nome em inglês Santa Claus, que significa São Nicolau.

São Nicolau foi Bispo de Mira, nasceu na Turquia em 280 d.C, homem de bom coração, que muito ajudava as pessoas pobres deixando saquinhos com moedas próximas as chaminés das casas. Entre outros atributos foi associado ao cuidado das crianças, à generosidade e doação de presentes. Aparecia tradicionalmente em traje de bispo, acompanhado por ajudantes, indagando as crianças sobre o seu comportamento durante o ano anterior, antes de decidir se elas mereciam um presente.

Por volta do século XIII, São Nicolau era bem conhecido nos Países Baixos e a prática de dar presentes em seu nome se espalhou para outras partes. Na Reforma Protestante nos séculos XVI e XVII na Europa, mudaram o personagem portador de presente para o Menino Jesus. A data de 6 de dezembro que era a Festa de São Nicolau para a troca de presentes, passou para a véspera de natal.

Papai Noel até o final do século XIX era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura. Em 1886 o cartunista alemão Thomaz Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho, com roupa nas cores vermelha e branca e cinto preto. Em 1931, uma campanha publicitária da Coca Cola mostrou um Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha fez um grande sucesso e espalhou pelo mundo a nova imagem do Papai Noel, que está presente na vida das crianças mundialmente. Na imagem infantil, ele vem do Polo Norte em seu trenó puxado por renas, trazendo alegria e presentes para elas.

Na infância, sempre coloquei o sapato na janela da minha casa em Itauçu, aguardando sua passagem. E você sempre passou, embora com meu esforço para ficar acordado, Papai Noel sempre me encontrou dormindo, mas nunca falhou com o presente. Concluo este artigo retirando textos da carta de um menino para Papai Noel.

“Papai Noel, há muito tempo queria lhe escrever, mas somente agora com 9 anos aprendi a escrever. Imaginava sua chegada aqui na minha casinha, mas até hoje não aconteceu. Pensei que se conseguisse lhe escrever uma carta o senhor viria, então aprendi a escrever e lhe faço alguns pedidos: Para meus pais eu gostaria que lhe dessem uma casinha porque a nossa é feita de papelão que meu pai recolheu nas lojas e de caixas da feira. É um tormento Papai Noel. Quando chove molha tudo e precisamos ficar escondidos embaixo da mesa. Falei para o meu pai, minha mãe e os 5 irmãos que iria lhe escrever e eles me disseram que eu estava louco e que Papai Noel não existe. Eu tenho certeza da sua existência. Sonho todos os anos com sua visita trazendo uma bola. Mas tudo é um sonho meu. Caso não possa vir, por favor me avise. Sei que é muito ocupado na noite de Natal. Talvez não dê tempo de chegar à minha casinha. Mais um favor, quando estiver com Deus, diga a ele que lhe agradeço muito por tudo que tenho, ele sabe que não posso andar e por isso não vou à igreja rezar, mas agradeço todos os dias que tenho para sonhar a cada dia que acordo. Se não puder trazer presentes não me importo. Não posso jogar bola e muito menos correr se não me trouxer uma cadeira de rodas. Essas histórias de que Papai Noel não existe é tudo mentira, sei que virá e trará os presentes que lhe pedi e então eu poderei andar pelas ruas, correr pelos parque, ver os amigos que riram da minha cara e mostrar-lhes minha cadeira de rodas. Não se esqueça também do presente para meus irmãos e de uma casinha para os meus pais, onde não precise me esconder da chuva debaixo da mesa e ver a felicidade na minha casa reinar. Um beijo Papai Noel.”

Aos queridos amigos que me distinguem com sua qualificada leitura, façamos crianças felizes no natal e em todos os momentos.

Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, delegado de polícia aposentado, professor e Grão Mestre da Maçonaria Grande Oriente do Estado de Goiás

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Um T.·.F.·.A.·.,


Ir.·. Bruno Leonardo Dapaz dos Santos - CIM: 263540


A.·.R.·.L.·.S.·.M.·. Olavo Bilac nº4027

G.·.O.·.E.·.G.·.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O Significado Cósmico do Natal.


A visão de cada um de nós sobre esta festividade difere uma da outra. Para o religioso devoto é um período reverenciado, sagrado e repleto de mistério, não menos sublime por ser incompreendido. Para o ateu é uma tola superstição. Para o puramente intelectual é um enigma, pois está além da razão.
Nas igrejas narra-se a história de como na noite mais santa do ano, Nosso Senhor e Salvador, imaculadamente concebido, nasceu de uma virgem. Nenhuma outra explicação é dada; o assunto é deixado a critério do ouvinte que o aceita ou rejeita, de acordo com o seu temperamento. Se a mente e a razão levam-no a excluir a fé, se ele vê apenas o que pode ser demonstrado aos sentidos, então, é forçado a rejeitar a narrativa como absurda e desarmônica com as várias e imutáveis leis da natureza.
Interpretações diferentes têm sido dadas para satisfazerem a mente, principalmente as de natureza astronômica. Diz-se que na noite de 24 para 25 de dezembro, o Sol começa sua jornada do sul para o norte. Ele é a "Luz do Mundo". O frio e a fome exterminariam inevitavelmente a raça humana se o Sol permanecesse sempre no sul. Por isso, é motivo de grande regozijo quando ele começa sua jornada em direção ao norte, pelo que é então aclamado "Salvador", pois vem "salvar o mundo", vem para dar o "pão da vida" quando amadurece o grão e a uva. Assim, "Ele dá sua vida na cruz (cificação) do equador (no equinócio da primavera) e começa sua ascensão no céu (norte). Na noite em que começa sua jornada em direção ao norte, o signo Virgo, a Virgem Celestial, a "Rainha do Céu", está no horizonte astrologicamente, "seu signo Ascendente". Portanto Ele "nasce de uma virgem", sem intermediários, sendo daí "concebido imaculadamente".
Esta interpretação pode satisfazer a mente quanto à origem da suposta superstição, mas o lamentável vazio que existe no coração de todo cético, esteja ou não ciente do fato, deve permanecer até que a iluminação espiritual seja alcançada, a qual fornecerá uma explicação aceitável tanto ao coração como à mente. Derramar tal luz sobre este mistério sublime será nosso empenho neste livro. A concepção imaculada será o assunto da lição seguinte. Por enquanto, queremos mostrar como as forças materiais e espirituais fluem e refluem alternadamente no decurso do ano, e por que no Natal é realmente um "dia santo".
Digamos que concordamos com a interpretação astronômica, assim como é verdadeiro o que se segue quando contemplamos o nascimento místico sob outro ângulo. O Sol nasce, ano após ano, na noite mais escura. Os Cristos Salvadores do mundo nascem também quando as trevas espirituais da humanidade são maiores. Há um terceiro aspecto de suprema importância, isto é, não há nenhuma futilidade nas palavras de Paulo quando ele fala do Cristo sendo "formado em vós". É um fato sublime que todos somos Cristos-em-formação, de modo que quando compreendemos que temos de cultivar o Cristo interno antes que possamos perceber o Cristo externo, mais apressaremos o dia da nossa iluminação espiritual.
Citamos novamente nosso aforismo preferido, de Angelus Silesius, cuja sublime percepção espiritual fê-lo proferir:

"Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida.
Em vão olharás a Cruz do Gólgota
A menos que dentro de ti, ela seja
novamente erguida. "

No solstício de verão, em junho, a Terra está mais distante do Sol, mas o raio solar atinge-a quase em ângulo reto em relação ao seu eixo no Hemisfério Norte, resultando daí o alto grau de atividade física. Nessa ocasião, as irradiações espirituais do Sol são oblíquas a essa parte da Terra e são tão fracas como os raios físicos quando são oblíquos.
Porém, no solstício de inverno, a Terra está mais perto do Sol. Os raios espirituais caem em ângulos retos na superfície da Terra no Hemisfério Norte, estimulando a espiritualidade, enquanto as atividades físicas diminuem em razão do ângulo oblíquo em que o raio solar atinge a superfície de nosso planeta. Por este princípio, na noite entre 24 e 25 de dezembro, as atividades físicas estão no seu mais baixo nível e as forças espirituais no seu mais elevado fluxo, por isso, ela é chamada a "noite mais santa do ano". Por sua vez, o pleno verão é a época de divertimento para duendes e entidades semelhantes interessadas no desenvolvimento material do nosso planeta, conforme demonstrado por Shakespeare no seu "Sonho de Uma Noite de Verão".
Se nadarmos quando a maré está mais forte, alcançaremos uma distância maior com menos esforço do que em qualquer outra ocasião. É de grande importância para o estudante esotérico saber e compreender as condições especialmente favoráveis que prevalecem na época do Natal. Sigamos a exortação de Paulo, Cap. 12 aos Hebreus, atirando à distância toda carga embaraçante, como fazem os indivíduos que correm numa competição. Batamos no ferro enquanto ele está quente. Isso significa que devemos nessa época do ano concentrar todas as nossas energias em esforços espirituais para colher o que não conseguiríamos obter em nenhuma outra ocasião.
Lembremo-nos também que o aperfeiçoamento próprio não deve ser a nossa única consideração. Somos discípulos de Cristo. Se aspiramos ser distinguidos, lembremo-nos do que Ele disse: "Aquele que quiser ser o maior entre vós, seja o SERVO de todos". Existe muita aflição e sofrimento à nossa volta; há muitos corações solitários e doloridos em nosso círculo de conhecidos. Busquemo-los de maneira discreta. Em nenhuma outra época do ano serão mais sensíveis aos nossos desvelos. Espalhemos a luz do Sol em seus caminhos. Desse modo ganharemos suas bênçãos e também as dos nossos Irmãos Maiores. Por sua vez, as vibrações resultantes promoverão um crescimento espiritual impossível de ser atingido por qualquer outro modo.Max Heindel.