contos sol e lua

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

PACIÊNCIA.

Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia. Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo? O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar... Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice. O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela. Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado... Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais. Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus. A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta. Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar? Qual é a finalidade de sua vida? Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta. E você? Onde você quer chegar? Está correndo tanto para quê? Por quem? Seu coração vai agüentar? Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar? A empresa que você trabalha vai acabar? As pessoas que você ama vão parar? Será que você conseguiu ler até aqui? Respire... Acalme-se... O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência... NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL... SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA... Paulo Roberto Gaefke.

Anjo sem asas.

Sou anjo caído na estrada Ajoelhado, com as asas quebradas Nos olhos a amargura da solidão Uma flecha pontiaguda atravessou o meu coração! Meus dias estão incertos Eu danifiquei a máscara Meu rosto está descoberto Como voltar para casa? Eu sou um vento frio! Um pote vazio Chuva gelada Caminhos tortuosos na estrada Quem passa não me vê E quem me vê só quer me esquecer Eu sou predestinado à solidão Guardo os meus segredos no coração Eu sou a canção que ninguém cantou Restos do amor que se acabou Eu sou a lágrima do humilhado Um espírito cansado Eu sou como a porta do cemitério Todos os que entram nela, temem ir para o inferno Eu sou o mistério que lhe tira o sono Sou a angústia do abandono! Anjo que não consegue e não quer voar Sem as asas onde estão os motivos para sonhar? A noite cai e as estrelas sumiram do céu, escureceu! Esqueceram de mim e este destino é só meu! janete sales.

Saudades. Clarice Lispector.

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades. Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei... Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser... Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro... Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser... Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei! De quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito! Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre! Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter! Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram. Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências... Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer! Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar! Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade. Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que... não sei onde... para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi... Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades Em japonês, em russo, em italiano, em inglês... mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota. Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando estamos desesperados... para contar dinheiro... fazer amor... declarar sentimentos fortes... seja lá em que lugar do mundo estejamos. Eu acredito que um simples "I miss you" ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades... Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos. Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis! De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...

O PRIMEIRO BEIJO.

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme. - Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples: - Sim, já beijei antes uma mulher. - Quem era ela? perguntou com dor. Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer. O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros. E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca. E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo. A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava. E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos. Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando. O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos. De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos. Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água. E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra. Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua. Ele a havia beijado. Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido. Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil. Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele... Ele se tornara homem. Clarice Lispector.

domingo, 17 de maio de 2015

O Corpo de Pecado – A Autopossessão.

Há uma região (a inferior do Mundo do Desejo) que é o ambiente em que se movem os espíritos errantes. Neste plano eles estabelecem uma íntima ligação com as pessoas "vivas" que sejam mais facilmente influenciáveis. Geralmente, permanecem nestas condições durante cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos. Já observámos casos em que tais infelizes permaneceram séculos no ambiente físico. Tanto quanto foi possível investigar, parece não haver limite para o que possam fazer. Nem se pode prever, com segurança, quando possam deixar de actuar, por obsessão ou sugestão. Deste comportamento resulta uma tremenda responsabilidade da qual não poderão fugir, uma vez que o corpo vital reflecte e grava profundamente, no corpo de desejos, o registo de todas as acções. Quando, finalmente, abandonarem a vida errante, é que iniciam a existência purgatorial. E aí encontrarão o merecido castigo. O sofrimento destas pessoas é, naturalmente, proporcional ao tempo em que estiveram nestas condições, depois da morte do corpo físico. O corpo-de-pecado é o veículo formado pelos corpos vital e desejos amalgamados. Não se desintegra tão facilmente como os outros, quando é abandonado pelo espírito. Quando este espírito renasce, atrai naturalmente o seu corpo-de-pecado. Vive com ele, geralmente, durante toda a vida, como um demónio. As investigações efectuadas revelam que este tipo de criaturas sem alma, eram abundantes nos tempos bíblicos. O Salvador referia-se-lhes chamando-lhes "demónios". São a causa de diversas obsessões e doenças físicas (erradamente atribuídas por vezes a outros espíritos). Ainda hoje, uma boa parte do Sul da Europa e Oriente é prejudicada pela sua influência. Em África, há tribos inteiras que, por causa das suas práticas de magia negra, arrastam consigo estes tenebrosos espectros. O mesmo se pode dizer dos indígenas da América do Sul. No entanto, o mal não é um exclusivo dos povos menos desenvolvidos. Encontramos esses demónios mesmo entre os habitantes dos países ditos civilizados, no Norte da Europa e na América tanto do Norte como do Sul. A sua forma é, porém, menos repugnante do que nos casos atrás citados, frequentemente associados a práticas abomináveis. A possibilidade de a guerra contribuir para que os corpos vital e de desejos se pudessem unir fortemente entre si preocupou-nos imenso tempos atrás. Poderia originar o nascimento de legiões de monstros que afligissem as gerações futuras. Concluímos, todavia, com satisfação, que esse receio era infundado. A cristalização do corpo vital e a sua forte ligação ao corpo de desejos só acontece como resultado da perversidade, da vingança premeditada e quando se alimentam estes sentimentos por muito tempo. Os arquivos da Grande Guerra informam-nos até que, em alguns casos, os combatentes de ambos os lados, uma vez cessadas as hostilidades ou impedidos de permanecer em combate, se relacionavam normalmente sempre que para tal havia oportunidade. Por isso, ainda que a guerra seja causadora de enorme mortalidade, mesmo infantil, não pode ser acusada, no entanto, das penosas consequências da obsessão nem dos crimes induzidos por esses tenebrosos corpos-de-pecado. Os corpos-de-pecado abandonados permanecem normal e preferencialmente nas regiões etéreas inferiores. A sua densidade coloca-os no limiar da visão física. Algumas vezes materializam-se, atraindo alguns constituintes do ar, até se tornarem perfeitamente visíveis às suas vítimas. Max Heindel.

A Lei da Causa e Consequência Introdução .

Há três leis básicas que regem os destinos do Homem e do Universo – evolução, reincarnação e consequência. A lei da consequência é a reguladora das outras duas. É a lei da causa e consequência – "quem semeia ventos colhe tempestades" – isto é, determinadas causas trazem determinados resultados. As desigualdades da vida podem ser explicadas pelas leis do renascimento e consequência. Harmonizam-se perfeitamente com a concepção de um Deus justo e bom. Essas leis podem ajudar-nos a evoluir, emancipando-nos das condições actuais e a adquirirmos um grau mais evoluído de desenvolvimento. O que somos, o que temos, todas as boas qualidades, são o resultado das acções passadas. Estamos agora a preparar o nosso futuro. Em vez de nos lamentar por falta de uma determinada faculdade que gostaríamos de ter, devemos trabalhar para a adquirir no futuro. A lei da causa e consequência preside aos renascimentos. Nenhuma existência está isolada. Cada vida é o fruto de todas as vidas que a precederam, o gérmen de todas as que vão seguir-se, no conjunto total das vidas de que se compõe a existência contínua da individualidade humana. Não existe nem "acaso" nem "acidente". Cada acontecimento está ligado às causas antecedentes e aos efeitos subsequentes. Pensamentos, acções, circunstâncias, procedem do passado e influem no futuro. Esta lei explica como o homem se pode tomar dono do seu destino, já que este destino se rege por leis. Assim, a inteligência pode colocar na mão do homem o poder de reger o seu futuro, determinando igualmente o seu futuro carácter e as suas circunstâncias futuras. 1. A Lei de Causa e Consequência. O conhecimento da lei da consequência pode parecer conduzir a uma paralisia onde se encara o destino como uma fatalidade; mas, na realidade, torna-se uma força inspiradora, uma alavanca, com o auxílio da qual o homem consegue elevar-se e evoluir. O essencial é que o Homem gera o seu próprio destino, formando paralelamente as suas faculdades e limitações. Trabalhando constantemente, por meio das faculdades por ele criadas, e sob o peso das limitações que a si próprio impôs, permanece sempre um único indivíduo, dotado do poder de aumentar as suas faculdades ou de diminuí-las, de ampliar as suas limitações ou restringi-las. Ele mesmo forjou as cadeias que o prendem; mas pode limá-las ou fazê-las cair, ou fortalecê-las cada vez mais. Somos todos senhores do nosso futuro, por mais obstáculos que encontremos no presente, fruto do passado. A lei da consequência foi inicialmente formalizada por S. Paulo "Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o Homem semear, colherá – Epístola aos Gálatas V1,7. O Homem emite continuamente forças em todos os planos em que actua e estas forças são por si mesmas efeitos da sua actividade passada, sendo ao mesmo tempo, causas que ele põe em acção em cada um dos mundos que habita. Produzem efeitos determinados quer sobre o próprio Homem, quer sobre os outros. À medida que estas causas, que nascem do Homem como centro, irradiam sobre todo o campo da sua actividade, ela não deixa de ser responsável pelos resultados por elas gerados. Assim como um íman possui um campo magnético – espaço no qual todas as forças entram em acção, grandes ou pequenas, conforme a própria potência, assim também cada Homem possui um campo de influência, onde agem as forças por ele emitidas. Estas forças transmitem-se em linhas curvas, que se voltam para aquele que as emite, atingindo o centro de onde emanaram. A lei de causa e efeito opera constantemente, determinando o nosso destino. Mª Fátima Capela

A Lei da Causa e Consequência II Parte 2. As Causas do Destino..

Na sua vida normal, o homem emite 3 géneros de energia, pertencentes aos três mundos que habita (consideraram-se apenas os três mundos inferiores: Físico, de Desejos e do Pensamento, onde presentemente tem lugar a evolução do homem). No Mundo do Pensamento as energias mentais dão origem às causas, que podemos chamar pensamentos. No Mundo dos Desejos, as energias emocionais, geram causas chamadas desejos. No Mundo Físico, as energias físicas são suscitadas pelas anteriores e designam-se acções. Estudando estas três classes de energias, podemos estabelecer a distinção entre os seus efeitos sobre os outros seres que se encontram na sua esfera de influência. Cada força age no seu próprio mundo e reage nos mundos inferiores proporcionalmente à sua intensidade. Estes três tipos de energias exercem os seus efeitos, por um lado sobre o seu criador e, por outro lado, sobre tudo o que sofre a sua influência. A primeira classe de energia, o pensamento, é o mais importante factor de criação de "destino humano", porque manifesta a operação das energias do Ego na matéria mental, matéria cujas mais subtis modalidades formam o próprio veículo da individualidade. As vibrações que podem designar-se por pensamentos, consequência directa da actividade pensante do ego, funcionam no seu veículo do Mundo do Pensamento, ou corpo mental, dando origem a formas de substância mental ou imagens mentais, que modelam e organizam o corpo mental do Ego. Nenhum poder de raciocínio, nenhuma faculdade mental existe, que não tenha sido criada pelo próprio Homem, com o auxílio de pensamentos pacientemente repetidos. Por outro lado, não há uma única das imagens mentais assim criadas que se perca. Todas contribuem para a formação das faculdades do ego. O conjunto de um grupo qualquer de imagens mentais serve para construir uma faculdade correspondente, que se desenvolve, cada vez que se cria uma imagem mental da mesma natureza. Conhecendo esta lei, o Homem pode gradualmente construir o carácter mental que deseje possuir. Esta faculdade mantém-se no homem, vida após vida. O homem traz consigo esta faculdade quando renasce no Mundo Físico. Uma grande parte do cérebro do seu novo corpo é organizada de modo a servir esta faculdade. Todas as faculdades adquiridas constituem o seu corpo de pensamento, que obtém um corpo físico conformado de modo a fornecer ao corpo de pensamento os meios de expressão de que tem necessidade no Mundo Físico. Assim, as imagens mentais, criadas numa vida, aparecem como tendências ou inclinações mentais nas vidas seguintes. Esta lei põe completamente na nossa mão a edificação do nosso carácter mental. Se o construirmos bem, as vantagens e o bem recairão sobre nós; se o construirmos mal, desgostos cairão sobre nós. O carácter mental é um exemplo do destino individual, na sua acção sobre o indivíduo que o criou. Este indivíduo age pelo seu pensamento, sobre outros seres, porque as imagens mentais construídas pelo seu corpo de pensamento, dão origem no espaço ambiente, a vibrações da mesma ordem. Os pensamentos, tendo na sua composição também matéria do Mundo de Desejos, tomam-se formas secundárias, que se destacam do ser que as criou, para terem uma existência mais ou menos independente, permanecendo, no entanto, em ligação com o ser por meio dum laço magnético. Entram em contacto com outros indivíduos, sobre que actuam, estabelecendo laços de destino entre si. Influem portanto, em larga escala, sobre o meio ambiente futuro, do indivíduo considerado. Criam-se assim laços, que em vidas posteriores, vão atrair ao mesmo grupo, certas pessoas, para o seu bem ou para o seu mal. São estes laços que formam os nossos parentescos, os nossos amigos e inimigos, pondo no nosso caminho os que são destinados a ajudar-nos ou dificultar-nos, os nossos benfeitores ou os que procuram prejudicar-nos. Por isso há quem nos tenha amor nesta vida sem que nada tenhamos feito para isso, enquanto do mesmo modo, outros não gostam de nós. Em conclusão, pode dizer-se que, ao mesmo tempo que os nossos pensamentos, agindo sobre nós mesmos, geram o nosso carácter mental e moral, servem também para determinar, pela sua acção sobre os outros, os nossos futuros associados humanos. A segunda classe de energias, destina-se a despertar a atracção por objectos do mundo exterior: são os nossos desejos. Os desejos, agindo sobre aquele que lhes deu origem, constróem e organizam o seu corpo de desejos. São a causa dos sofrimentos do homem depois da morte, e determinam a natureza do seu corpo de desejos na próxima encarnação. Quando os desejos são brutais, imundos e cruéis, são causa de doenças congénitas, cérebros fracos e doentios. O Ego, cujo corpo de desejos tiver este tipo de desejos, pode ficar retido muito tempo no Mundo de Desejos e retardar assim a sua reencarnação e a sua evolução. Os desejos, forças de exteriorização que se prendem aos objectos externos, atraem sempre o Homem para um meio onde possam obter satisfação. O desejo de coisas terrestres prende o Ego ao mundo exterior, atraindo-a para o local em que estes objectos ambicionados sejam mais fáceis de obter. Os desejos são uma das causas determinantes do lugar de reencarnação. As imagens criadas pelos desejos, exercem sobre os nossos semelhantes uma acção análoga às imagens da mesma natureza, produzidas pelo nosso pensamento. Os desejos também nos ligam aos outros seres, por laços poderosos de amor e ódio. Num Homem vulgar, os desejos são geralmente mais fortes e mais firmes que os seus pensamentos. Representam por isso, um grande papel na determinação do meio familiar, nas vidas futuras e podem levar o Homem ao encontro de certas pessoas e influências, sem que possa suspeitar das relações que existem entre si mesmo e elas. Por exemplo: uma pessoa, ao emitir um desejo de vingança e ódio, pode contribuir para impulsionar outra a cometer um assassinato. O criador deste desejo, estará ligado, pelo seu destino, ao autor do crime, embora nunca se tenham encontrado no Mundo Físico. O mal feito a este homem, compelindo-o ao crime, resgatá-lo-á sob a forma de algum prejuízo, em que o criminoso terá o seu papel importante. Muitas vezes uma desgraça fulminante e inesperada, totalmente imerecida na aparência, é o efeito duma causa dessa natureza. Os nossos desejos, na sua acção sobre nós mesmos, formam a natureza do nosso corpo de desejos e influem poderosamente sobre o corpo fisíco da nossa próxima encarnação e representam um papel importante na determinação do nosso lugar de nascimento. Pela nossa acção sobre outros, concorrem para atrair em torno de nós, nalguma vida futura, seres humanos com os quais seremos associados. A terceira classe de energias manifesta-se no Mundo Físico sob a forma de acções, produzindo grande parte do destino, pelos seus efeitos sobre o meio circundante, mas afectando pouco o homem interior. As acções são efeitos dos pensamentos e dos desejos do passado, e o destino que elas representam fica na maior parte esgotado, à medida que se vão produzindo. Podem afectar o homem indirectamente, porque podem despeitar pensamentos novos, desejos e emoções mais vivos. As acções frequentemente repetidas, produzem no corpo físico um hábito cujo efeito é o de limitar a expressão do Ego no mundo exterior. Mas este hábito não sobrevive ao corpo e o destino de acção, quanto ao seu efeito sobre o Ego, fica restringido a uma única encarnação. Mª Fátima Capela