contos sol e lua

contos sol e lua

sábado, 13 de junho de 2015

"INTOXICAÇÃO DIVINA".

Nós bebemos o vinho do nosso próprio sangue, envelhecido nos barris de nossas próprias almas. Nós daríamos nossa vida por um pequeno gole daquele néctar, nossas cabeças em troca de uma só gota. Outra manhã! Sirva o vinho! A vida sem seu amor não é nada senão morte lenta. A decisão é sua - Aceite o choro do silencioso rubah Ou suporte este coração que queima repleto de pesar. Oh irmão, Tome um gole desta taça dourada - Seu néctar irá transformar este mundo em um paraíso. Beba, beba e ria da nuvem que os outros chamam de desespero. Estou tão embriagado Que perdi a entrada e a saída. Perdi a terra, a lua e o céu! Não coloque outro copo de vinho na minha mão, Coloque-o em minha boca - Porque perdi o caminho da minha própria boca! Nossa embriagues não vem do vinho. A alegria do compartilhar Não vem da corda do rubah. Sem a beleza celestial para preencher nossos copos, sem amigos, sem canto, sem vinho, Nós queimamos como loucos e rolamos embriagados sobre o chão. Dizem que o paraíso será sublime Com um precioso vinho que jorra sem parar e com donzelas para encher nosso copo. Por que não beber desse vinho agora? Por que não nos juntarmos à dança agora? Porque é assim que será de qualquer maneira. "Oh irmão, traga o vinho puro do amor e da liberdade." "Mas mestre, um furacão está chegando." "Mais vinho - nós iremos ensinar a essa tempestade uma coisa ou duas sobre giro!" Sua dança me tomou hoje e subitamente comecei a girar. Todos os reinos giraram ao meu redor em uma celebração infinita. Minha alma perdeu seu controle Meu corpo derrama sua fadiga Ouvindo suas mãos batendo e o som de seu tambor ressoando Eu flutuo em direção aos céus! Uma centena de ondas quebra sobre as águas do coração Levadas pelo vento do Samá Qualquer coração que se junta às águas de todos os corações irá ser destroçado neste vento e gritará Samá! O sufi está dançando como os raios de sol quando brilham. Dança do crepúsculo até a madrugada, Eles dizem, "Isto é trabalho do demônio". Certamente então, o Demônio com quem dançamos é doce e alegre e ele mesmo é um girador em êxtase! O mundo dança em volta do sol. A luz da manhã surge Girando com delícia. Como pode alguém Tocado por seu amor Não dançar como um salgueiro? O Amado, como o sol, irá brilhar. O amante, como os átomos, irá girar. Como a brisa da primavera O amor balança a terra gentilmente - Cada ramo, que não está morto, irá dançar. rumi.

"UMA BRINCADEIRA DE CRIANÇA".

Ouça o poeta Sanai, que vivia recluso: "Não erra pelas estradas em teu êxtase. Dorme na taverna." Quando um bêbado cai na rua, as crianças riem dele. Se cai na lama. Ele segue qualquer e todas as estradas. As crianças seguem, sem conhecer o gosto do vinho, ou como sente sua bebedeira. Todas as pessoas no planeta sã crianças, exceto uns poucos. Ninguém é adulto exceto aqueles livres do desejo. Deus disse, "O mundo é um jogo, um jogo de crianças, e vós sois as crianças." Deus fala a verdade. Se tu não deixastes a brincadeira de criança, como podes ser um adulto? Sem pureza de espírito, se ainda estás em meio à luxúria e à ganância e outros quereres, és como crianças brincando de sexo. Elas lutam e se esfregam, mas não é sexo! O mesmo com as lutas da humanidade. É uma disputinha de espadas de brinquedo. Sem finalidade, totalmente fútil. Como crianças em cavalinhos-de-pau, os soldados afirmam cavalgar Boraq, o cavalo-da-noite de Maomé, ou Duldul, sua mula. Tuas ações não significam nada, o sexo e a guerra de que participas. Estás segurando as calças e dançando, Dun-da-dun, dun-da-dun. Não espere a morte para descobrir isto. Reconheça que a tua imaginação, o teu pensamento e os teus sentidos são bambus que as crianças cortam e fingem que são cavalinhos. O conhecimento dos amantes místicos é diferente. As ciências empíricas, sensoriais, são como um asno carregado de livros, ou como a maquiagem da mulher. Sai com água. Mas se tu carregas a bagagem corretamente, te dará alegria. Não carrega a tua carga de conhecimentos por alguma razão egoísta. Nega teus desejos e vontades, e uma montaria verdadeira surgira sob você. Não fique satisfeito com o nome de HU, com apenas palavras a respeito. Experimente aquela respiração. dos livros e das palavras surge a fantasia, e as vezes, da fantasia vêm a união. rumi.

de Poemas - RUMI.

Vem, Te direi em segredo Aonde leva esta dança. Vê como as partículas do ar E os grãos de areia do deserto Giram desnorteados. Cada átomo Feliz ou miserável, Gira apaixonado Em torno do sol. ***************** Ninguém fala para si mesmo em voz alta. Já que todos somos um, falemos desse outro modo. Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma Fechemos pois a boca e conversemos através da alma Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo. Vem, se te interessas, posso mostrar-te. ******************** Desde que chegaste ao mundo do ser, uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses. Primeiro, foste mineral; depois, te tornaste planta, e mais tarde, animal. Como pode isto ser segredo para ti? Finalmente, foste feito homem, com conhecimento, razão e fé. Contempla teu corpo - um punhado de pó - vê quão perfeito se tornou! Quando tiveres cumprido tua jornada, decerto hás de regressar como anjo; depois disso, terás terminado de vez com a terra, e tua estação há de ser o céu. ****************** Não durmas, senta com teus pares A escuridão oculta a água da vida. Não te apresses, vasculha o escuro. Os viajantes noturnos estão plenos de luz; não te afastes pois da companhia de teus pares. ************** Faltam-te pés para viajar? Viaja dentro de ti mesmo, e reflete, como a mina de rubis, os raios de sol para fora de ti. A viagem conduzirá a teu ser, transmutará teu pó em ouro puro. ***************** Sofreste em excesso por tua ignorância, carregaste teus trapos para um lado e para outro, agora fica aqui. ******* Na verdade, somos uma só alma, tu e eu. Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti. Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo, Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu. ****** Oh, dia, levanta! Os átomos dançam, As almas, loucas de êxtase dançam. A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança, Ao ouvido te direi aonde a leva sua dança. ****** Ontem à noite, confidencialmente, eu disse a um velho sábio: - Não me esconda nada dos segredos do mundo! Muito docemente, ele me disse ao ouvido: - Chut! Podemos compreender, mas não exprimir! ****** Quero fugir a cem léguas da razão, Quero da presença do bem e do mal me liberar. Detrás do véu existe tanta beleza: lá está meu ser. Quero me enamorar de mim mesmo, ó vós que não sabeis! ******* Eu soube enfim que o amor está ligado a mim. E eu agarro esta cabeleira de mil tranças. Embora ontem à noite eu estivesse bêbado da taça, Hoje, eu sou tal, que a taça se embebeda de mim. ***** Ele chegou... Chegou aquele que nunca partiu; Esta água nunca faltou a este riacho Ele é a substância do almíscar e nós o seu perfume, Alguma vez se viu o almíscar separado de seu cheiro? ****** Se busco meu coração, o encontro em teu quintal, Se busco minha alma, não a vejo a não ser nos cachos de teu cabelo. Se bebo água, quando estou sedento Vejo na água o reflexo do teu rosto. ****** Sou medido, ao medir teu amor. Sou levado, ao levar teu amor. Não posso comer de dia nem dormir de noite. Para ser teu amigo Tornei-me meu próprio inimigo. ******* Teu amor me tirou de mim. De ti, preciso de ti Noite e dia, eu queimo por ti. De ti, preciso de ti. ******* Não posso dormir quando estou contigo por causa de teu amor. Não posso dormir quando estou sem ti por causa de meu pranto e gemidos. Passo as duas noites acordado mas, que diferença entre uma e outra! ******** Não temos nada além do amor. Não temos antes, princípio nem fim. A alma grita e geme dentro de nós: - Louco, é assim o amor. Colhe-me, colhe-me, colhe-me! ******* À noite, pedi a um velho sábio que me contasse todos os segredos do universo. Ele murmurou lentamente em meu ouvido: - Isto não se pode dizer, isto se aprende. ******* A fé da religião do Amor é diferente. A embriaguez do vinho do Amor é diferente. Tudo que aprendes na escola é diferente. Tudo que aprendes do Amor é diferente. ****** - Vem ao jardim na primavera, disseste. - Aqui estão todas as belezas, o vinho e a luz. Que posso fazer com tudo isso sem ti? E, se estás aqui, para que preciso disso? Jalaluddin Rumi...***

MOISÉS E O PASTOR.

Certa vez, Moisés ouviu um pastor rezando assim: "Ó Deus, mostra-me onde estás, para que eu possa tornar-me Teu servo. Limparei Teus sapatos e pentearei Teus cabelos, coserei Tuas roupas e irei buscar leite para Ti". Ao ouvi-lo rezar dessa maneira insensata, Moisés repreendeu-o, dizendo: "Ó tolo!, embora teu pai fosse religioso, tu te tornaste um infiel. Deus é um Espírito, e não precisa desses cuidados grosseiros, como tu, em tua ignorância, supões". Envergonhado com essa censura o pastor rasgou suas vestes e fugiu para o deserto. Então ouviu-se uma voz do céu dizendo: "Ó Moisés, por que fizeste partir meu servo? Teu ofício é reconciliar meu povo comigo, e não afastá-lo de mim. Dei a cada raça diferentes costumes e formas de louvar-me e adorar-me. Não tenho necessidade de seus louvores, estando acima de toda necessidade. Não considero as palavras, mas um coração ardente. São várias as formas de mostrar-me devoção, mas se a devoção for sincera, elas são aceitas". AS FORMAS RELIGIOSAS NÃO IMPORTAM Uma voz veio de Deus a Moisés: "Por que fizeste partir meu servo? Vieste para levar os homens a se unirem a Mim, E não para afastá-los de Mim. Na medida do possível, não te ocupes em dividir; 'A coisa que mais me desagrada é o divórcio'. A cada pessoa, destinei formas peculiares, A cada uma, dei costumes particulares, Aquilo que em ti é louvável, nele é repreensível, O que é veneno para ti, para ele é mel. O que é bom para ele, é mau para ti, O que é belo nele, em ti é repulsivo. Estou isento de toda pureza e impureza, Não preciso da preguiça ou do vigor do meu povo. Não criei os homens para tirar deles proveito, Mas para verter sobre eles minha beneficência. Nos homens da Índia, os hábitos da Índia são louváveis, Nos homens da China, os da China. Eu não sou purificado por seus louvores, São eles que se tornam puros e brilhantes com isso. Não considero o exterior e as palavras, Considero o interior e o estado do coração. Olho o coração, se ele é humilde, Embora as palavras possam ser o inverso da humildade. Porque o coração é substância, e as palavras, acidente. Acidentes são só um meio, a substância é a causa final". Rumi.

SHAMS É O SOL DE RUMI.

"Estivesse eu no Leste ou no Oeste, estivesse eu para ascender aos céus, eu não teria encontrado nenhum traço Teu, e nenhum traço da vida eterna. Eu estava entre os ascetas da terra, senhores do atril; até que um acidente do coração trouxe-me até um amor que nada pode diante de Ti mas que chega a acariciar Tuas mãos... Primeiro eu me apaixonei pelos livros. E elevei-me acima de outros eruditos e outros homens letrados. Mas ao ver que tuas mãos forneciam o vinho do amor divino, eu fiquei embriagado e quebrei minhas penas. Eu fiz minha ablução numa chuva de lágrimas. A qibla* da minha oração tornou-se a face do amado. Se houver algum obstáculo entre tu e eu que seja ele despedaçado. Melhor, se eu tiver que viver privado de ti, que a minha existência seja atirada ao fogo. 'És tu o meu amante, na Kaaba ou na igreja... As chamas do amor desprendem-se para além da face da terra e do trono de Deus. E nestas chamas eu não posso ocultar a face de Shamsuddin... Shams de Tabriz é o Sheikh da religião, o significado oceânico do senhor dos mundos. É ele o mar da alma. Ele é aquele que se precipita, espumando, fluindo e renovando o mar. Diante dele, a terra, os céus e todas as coisas existentes, são como nada... Como um astro iluminado, Mevlana se move na órbita de Shams. Ele foi atraído para a sua luz, absorvido na sua radiação. Quando o sol de Shams nasce, todas as sombras se esvanessem..." Rumi

A Linguagem dos Pássaros.

Um grupo de pássaros desejava encontrar a seu rei; então pediram à poupa sábia (um pássaro com crista em forma de abano) que lhes ajudasse em sua busca. A poupa lhes disse que o rei que estão procurando se chama Simurgh (que significa em persa “Trinta Pássaros”) e que vive escondido na montanha de Kaf, porém é uma viajem muito difícil e perigosa. Os pássaros imploram à poupa que os guie. A poupa aceita e começa a ensinar a cada pássaro de acordo com seu nível e temperamento. Ela lhes diz que para alcançar o alto da montanha, necessitam atravessar cinco vales e dois desertos; quando tiverem passado o segundo deserto, entrarão no palácio do rei. Os de vontade débil, temerosos da viagem, começam a por desculpas. O louro, que é egocêntrico e egoísta, diz que no lugar de ir em busca do rei, buscará o Santo Gral. O pavão real, a ave legendária do paraíso, exclama que tem sonhado que voltará ao céu e que vai esperar pacientemente esse dia. A pata, se lamenta porque sua vida depende de estar próxima da água e morreria se si separasse dela. A garça tem uma desculpa similar; não lhe é possível viajar longe do mar, porque seu amor pela água é tão grande que, embora permaneça sentado durante anos à sua margem, não tem ousado beber nem uma gota, se não o mar acabaria sem água. A coruja declara que prefere ficar e buscar as ruínas com a esperança de encontrar um tesouro algum dia. O rouxinol diz que não necessita viajar, porque está enamorado da rosa e este amor é suficiente para ele. Possui os segredos do amor que nem outra criatura tem; e com uma voz maravilhosa canta ao amor: - Conheço os segredos do amor. Toda noite derramo meu canto de amor. A música mística da flauta se inspira em meu lamento, e sou eu quem faz desabrochar a rosa e comover os corações dos namorados. Ensino mistérios com minhas tristes notas, e quem me ouve se perde em êxtase. Ninguém conhece os meus segredos, unicamente a rosa. Tenho me esquecido de mim mesmo e só penso na rosa. Alcançar a Simurgh está acima de mim! O amor da rosa é suficiente para o rouxinol! A poupa que escutou pacientemente responde ao rouxinol: - Tu estás preocupado com a forma exterior das coisas, pelos prazeres de uma forma sedutora. O amor da rosa tem lançado espinhos a teu coração. Não importa quão grande seja a beleza da rosa, se desvanecerá em poucos dias; e o amor a algo tão passageiro só pode causar repulsa ao perfeito. Se a rosa te sorri é só para enxerte de dor, porque ela rir-se de ti a cada primavera. Abandona a rosa e seu quente calor. “O que quer dizer Attar com esta simples conversação? Nós humanos temos o desejo de buscar a perfeição, mas muitas vezes tendemos a parar o processo tão logo detectamos o mais ligeiro sinal de progresso. Isto é especialmente certo nos aspirantes ao caminho espiritual: muitos buscadores estão encantados com as primeiras etapas do despertar e o confundem com a completa iluminação. Attar nos adverte de tais perigos: não devemos confundir o amor do imaginário com o amor do Real. Por esta razão, o rouxinol tem que abandonar seu enganoso apego pela rosa para buscar ao eterno Amado.” A poupa deleita os pássaros com maravilhosas histórias daqueles que têm feito a perigosa viagem. Depois de ter ouvido as histórias da poupa, os pássaros estão inspirados para começar sua viajem até o primeiro vale. Entretanto, logo começam a ter problemas, e se dão conta de que o caminho vai ser mais difícil do que haviam imaginado. Alguns voltam a por desculpas. Um afirma que a poupa não é suficientemente sábia para conduzi-los. Outro se queixa que satanás lhe tem possuído e lhe está pondo as coisas difíceis. E outro expressa seu desejo de ter dinheiro e a comodidade de uma vida de luxo. Finalmente, a poupa decide que a única forma para que os pássaros compreendam, é descrever-lhes os sete vales e desertos da viajem. O primeiro é o Vale da Busca. Aqui se busca a Verdade com inquietude, diz a poupa. Com constância, se busca um significado maior ao propósito da vida. Só um buscador com dedicação pode atravessar a salvo o primeiro vale e ir ao segundo, o Vale do Amor. Aqui se sente um desejo ilimitado de ver ao Rei Amado. Um fogo abrasador começa a crescer no coração e se faz devastador. O lugar é mais perigoso que o primeiro vale, porque há obstáculos no caminho para por a prova o amor. Entretanto esse mesmo amor impulsiona ao buscador sair do vale e ir até uma terra mais alta: o terceiro vale, o Vale do Conhecimento. Uma vez que se entra nesta terra, o coração se ilumina com a verdade. Se adquire aqui o conhecimento interior do Amado. Deste lugar o viajante continua a viajem ao Vale do Desapego, onde perde seus desejos de possessões mundanas. Não existe ataduras com o mundo material para o viajante que atravessa esse vale; liberado dos desejos agora o aspirante é completamente independente. Cada novo lugar que o buscador encontra é mais perigoso que o anterior e deve ser explorado passo à passo, porque cada um contém suas próprias provas e dificuldades. Assim, cada encontro com uma terra diferente é uma experiência nova. O quinto vale é o Vale da Unidade. O viajante experimenta nele que todos os seres são unos em essência, que toda variedade de idéias, experiências e criaturas da vida tem realmente uma só fonte. O viajante chega ao Deserto do Medo. Então se esquece da existência de si mesmo e de todos os demais. Vê a luz, não com os olhos da mente, sim com os olhos do coração. A porta do divino tesouro, o segredo dos segredos, se abre. Nesta terra, o intelecto já não funciona. Aqui se pergunta ao viajante quem é e o que és, responde: “Não sei nada.” Finalmente chega ao Deserto do Aniquilamento e da Morte. Neste ponto, o aspirante entende finalmente como uma gota se funde no oceano da unidade com o Amado. Tem encontrado o destino da viajem para encontrar ao rei. Depois de ouvir a descrição da poupa sobre o que lhes espera, os pássaros se animam tanto que imediatamente continuam sua viajem. No caminho alguns morrem pelo calor e se jogam no mar. Outros se cansam e não podem continuar; um grupo é caçado por animais selvagens e outros mais se distraem tanto pelo atrativo das terras que atravessam, que se perdem e ficam para trás. Só trinta alcançam seu destino: a montanha de Kaf. No palácio real, o guarda da entrada trata cruelmente os trinta pássaros. Mas os pássaros, que têm passado o pior, são tolerantes e não se permitem sentir-se molestados por sua dureza. Finalmente, o servidor pessoal do rei sai e conduz os pássaros ao salão real. Ao entrar, os pássaros olham tudo assustados. Não sabem o que ocorre, porque no lugar de ver a Simurgh, “Trinta Pássaros”, tudo o que vêm é... Trinta Pássaros. Finalmente compreendem que, olhando-se a si mesmos, têm encontrado ao rei, e que em sua busca do rei, têm encontrado a si mesmos. Os que atravessam as sete cidades do amor se purificam. Quando chegam ao palácio real, encontram ao rei que se revela a seus corações. "Fariduddin Attar"

domingo, 24 de maio de 2015

Êxodo – Capítulo 12

1 O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito: 2 Este deverá ser o primeiro mês do ano para vocês. 3 Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa. 4 Se uma família for pequena demais para um animal inteiro, deve dividi-lo com seu vizinho mais próximo, conforme o número de pessoas e conforme o que cada um puder comer. 5 O animal escolhido será macho de um ano, sem defeito, e pode ser cordeiro ou cabrito. 6 Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol. 7 Passem, então, um pouco do sangue nas laterais e nas vigas superiores das portas das casas nas quais vocês comerão o animal. 8 Naquela mesma noite comerão a carne assada no fogo, com ervas amargas e pão sem fermento. 9 Não comam a carne crua, nem cozida em água, mas assada no fogo: cabeça, pernas e vísceras. 10 Não deixem sobrar nada até pela manhã; caso isso aconteça, queimem o que restar. 11 Ao comerem, estejam prontos para sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente. Esta é a Páscoa do Senhor. 12 Naquela mesma noite passarei pelo Egito e matarei todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais, e executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor! 13 O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês estiverem; quando eu vir o sangue, passarei adiante. A praga de destruição não os atingirá quando eu ferir o Egito. 14 Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor. Celebrem-no como decreto perpétuo. 15 Durante sete dias comam pão sem fermento. No primeiro dia tirem de casa o fermento, porque quem comer qualquer coisa fermentada, do primeiro ao sétimo dia, será eliminado de Israel. 16 Convoquem uma reunião santa no primeiro dia e outra no sétimo. Não façam nenhum trabalho nesses dias, exceto o da preparação da comida para todos. É só o que poderão fazer. 17 Celebrem a festa dos pães sem fermento, porque foi nesse mesmo dia que eu tirei os exércitos de vocês do Egito. Celebrem esse dia como decreto perpétuo por todas as suas gerações. 18 No primeiro mês comam pão sem fermento, desde o entardecer do décimo quarto dia até o entardecer do vigésimo primeiro. 19 Durante sete dias vocês não deverão ter fermento em casa. Quem comer qualquer coisa fermentada será eliminado da comunidade de Israel, seja estrangeiro, seja natural da terra. 20 Não comam nada fermentado. Onde quer que morarem, comam apenas pão sem fermento. 21 Então Moisés convocou todas as autoridades de Israel e lhes disse: Escolham um cordeiro ou um cabrito para cada família. Sacrifiquem-no para celebrar a Páscoa! 22 Molhem um feixe de hissopo no sangue que estiver na bacia e passem o sangue na viga superior e nas laterais das portas. Nenhum de vocês poderá sair de casa até o amanhecer. 23 Quando o Senhor passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta, e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los. 24 Obedeçam a estas instruções como decreto perpétuo para vocês e para os seus descendentes. 25 Quando entrarem na terra que o Senhor prometeu lhes dar, celebrem essa cerimônia. 26 Quando os seus filhos lhes perguntarem: “O que significa esta cerimônia?”, 27 respondam-lhes: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou sobre as casas dos israelitas no Egito e poupou nossas casas quando matou os egípcios. Então o povo curvou-se em adoração. 28 Depois os israelitas se retiraram e fizeram conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés e a Arão. 29 Então, à meia-noite, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho do prisioneiro que estava no calabouço, e também todas as primeiras crias do gado. 30 No meio da noite o faraó, todos os seus conselheiros e todos os egípcios se levantaram. E houve grande pranto no Egito, pois não havia casa que não tivesse um morto. 31 Naquela mesma noite o faraó mandou chamar Moisés e Arão e lhes disse: Saiam imediatamente do meio do meu povo, vocês e os israelitas! Vão prestar culto ao Senhor, como vocês pediram. 32 Levem os seus rebanhos, como tinham dito, e abençoem a mim também. 33 Os egípcios pressionavam o povo para que se apressasse em sair do país, dizendo: “Todos nós morreremos!” 34 Então o povo tomou a massa de pão ainda sem fermento e a carregou nos ombros, nas amassadeiras embrulhadas em suas roupas. 35 Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro, bem como roupas. 36 O Senhor concedeu ao povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios. 37 Os israelitas foram de Ramessés até Sucote. Havia cerca de seiscentos mil homens a pé, além de mulheres e crianças. 38 Grande multidão de estrangeiros de todo tipo seguiu com eles, além de grandes rebanhos, tanto de bois como de ovelhas e cabras. 39 Com a massa que haviam trazido do Egito, fizeram pães sem fermento. A massa não tinha fermentado, pois eles foram expulsos do Egito e não tiveram tempo de preparar comida. 40 Ora, o período que os israelitas viveram no Egito[20] foi de quatrocentos e trinta anos. 41 No dia em que se completaram os quatrocentos e trinta anos, todos os exércitos do Senhor saíram do Egito. 42 Assim como o Senhor pas­sou em vigília aquela noite para tirar do Egito os israelitas, estes também devem passar em vigília essa mesma noite, para honrar o Senhor, por todas as suas gerações. 43 Disse o Senhor a Moisés e a Arão: Estas são as leis da Páscoa: Nenhum estrangei­ro poderá comê-la. 44 O escravo comprado poderá comer da Páscoa, depois de circuncidado, 45 mas o residente temporário e o trabalhador contratado dela não comerão. 46 Vocês a comerão numa só casa; não levem nenhum pedaço de carne para fora da casa, nem quebrem nenhum dos ossos. 47 Toda a comunidade de Israel terá que celebrar a Páscoa. 48 Qualquer estrangeiro residente entre vocês que quiser celebrar a Páscoa do Senhor terá que circuncidar todos os do sexo masculino da sua família; então poderá participar como o natural da terra. Nenhum incircunciso poderá participar. 49 A mesma lei se aplicará ao natural da terra e ao estrangeiro residente. 50 Todos os israelitas fizeram como o Senhor tinha ordenado a Moisés e a Arão. 51 No mesmo dia o Senhor tirou os israelitas do Egito, organizados segundo as suas divisões.