contos sol e lua

contos sol e lua

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Música, o Medicamento Divino.

“No principio era o Verbo”. Assim o Cosmos emergiu do Caos; assim começou nosso Universo. As estrelas são dirigidas pelo Verbo; por Ele é ordenado o majestoso deslocamento dos estelares em torno do Sol. Há muito tempo Pitágoras falou da “música das esferas”, dizendo ser isso um fato real, pois cada estelar emite sua nota particular. A cada estelar Pitágoras atribui uma nota da escala e comparando a distancia entre eles, tons e semitons, formou as sete notas da escala musical. Todo esquema evolutivo do nosso sistema solar pode ser relacionado às sete oitavas e um terço do teclado do piano, sendo até esse 1/3 de vital significação. O arquétipo de cada ser humano é construído por esses maravilhosos sons celestiais. O Ego, ao iniciar um novo ciclo de vida, desce do Terceiro Céu à Região do Pensamento Concreto, onde a música das esferas põe em vibração os átomos-semente dos seus futuros veículos. Os sons dessa música formam linhas de força vibratórias que mais tarde atrairão e arrumarão as partículas físicas de maneira idêntica às quais grãos de areia tomam formas geométricas definidas quando se passa um arco de violino pela borda de um prato que os contenha. Todos os estelares ajudam nossa obra de construção do arquétipo, mas somente aquele que vibra em harmonia particular com o átomo-semente físico é que se torna o regente da vida e os sons de todos os outros estelares são modificados por esse Astro Pai. Durante a construção do arquétipo, nem todos os sons emitidos pelos estelares em seus vários aspectos podem ser usados pelo átomo-semente. Somente aqueles aos quais o Ego aprendeu a responder são utilizados. Por isso, a nota chave de cada pessoa é individual. Vemos daí porque a música, a mais elevada das artes, tem tanto poder curativo. (Revista Serviço Rosacruz – 06/60)

Inspirados pelo Amor.

Uma atitude corajosa e otimista é essencial para manter a nossa saúde, bem como para ajudarmos outros que estejam doentes. Há uma razão científica para isso, mas só será revelada plenamente pela filosofia oculta. A energia do Sol flui constantemente em nosso corpo por meio do baço, um órgão especialmente adaptado para a atração e assimilação desse éter universal. No plexo solar esse éter é convertido em um fluido rosado que banha o sistema nervoso. Por meio desse fluido vital os músculos se movem e os órgãos desempenham suas funções vitais. Quanto melhor for a saúde, maior será a quantidade deste fluido solar que poderemos absorver, mas dele só utilizamos uma parte; o excesso é irradiado do corpo em linhas retas. Os germens das doenças não poderão entrar do exterior devido a essas invisíveis torrentes de força e os microrganismos que entram no corpo com o alimento são rapidamente expelidos. Não obstante, toda a vez que tivermos pensamentos de medo ou de ódio, o baço funcionará mal e deixará de especializar o fluido vital em quantidade suficiente. Tais pensamentos levam as linhas de força se curvar permitindo assim o acesso fácil aos organismos deletérios que pode então se alimentar nos nossos tecidos, sem nenhuma oposição, causando as doenças. Além disso, os pensamentos de medo e de ódio tomam forma e, com o decorrer do tempo, se cristalizam naquilo que nós conhecemos como micróbios das doenças infecciosas são, particularmente, a incorporação do medo e do ódio e por isso, só poderão ser vencidos pela força contrária – coragem e amor. Se estivermos perto de uma pessoa infectada por doença contagiosa, temendo o contágio, é quase certo atrairmos para nós os micróbios venenosos, mas se pelo contrário, nos aproximarmos de tal pessoa em atitude mental não temerosa, escaparemos à infecção, particularmente se o fizermos inspirados pelo amor. (Revista: Serviço Rosacruz – Dez\58)

domingo, 5 de julho de 2015

O Místico.

Uma Viagem Fora do Corpo Seguindo a via iniciática rosacruciana, Francisco Marques Rodrigues alcançou o apuro das faculdades mentais e físicas em grau que lhe permitiu o despojamento, a imaculação das deficiências que subjugam o Eu às eventualidades do espaço e do tempo pelas limitações que decorrem do uso do corpo físico. Realizando os seus exercícios espirituais, que têm como premissa última o desenvolvimento das energias e capacidades na plenitude do que genuinamente somos, mobilizou capacidades que lhe permitiram contrariar essa limitação, atingindo um estádio de consciência que permitia transpor os condicionamentos corporais: podia delivrar à vontade o corpo físico e, nessa serena e inteira desvinculação do veículo denso, manter mobilizadas as suas faculdades psíquicas, capaz de adquirir uma consciência holoística abstida das aparências enganadoras impostas pela limitação do espaço. Na vida de Marques Rodrigues aconteceram pelo menos duas destas viagens do espírito, que ocorreram em tempos muito diferentes. Eis um dos relatos, notável pela distância geográfica entre as localidades, Lisboa e Maputo, ex-Lourenço Marques, em Moçambique. Aurora da Liberdade Figueiredo residia, desde Setembro de 1976, em Maputo. Vivia no Bairro do Alto Maé. Espírito metódico, muito pragmático, anotava tudo pormenorizadamente no seu diário. Aurora de Figueiredo sofria atrozmente de um problema circulatório de um membro inferior que lhe provocava dores lancinantes. Depois da independência daquela colónia as dificuldades agravaram-se. Tudo escasseava e, naturalmente, a assistência médica digna desse nome estava reduzida ao mínimo. Para agravar a situação Aurora de Figueiredo residia num andar de um prédio em que há muito os elevadores tinham deixado de funcionar, obrigando-a a um retiro tão indesejado quando doloroso e prolongado. Em 1987, no auge de uma das suas habituais crises, quase em desespero, Aurora de Figueiredo lembrou-se insistentemente de Francisco Marques Rodrigues. Pensou telefonar-lhe. A sua ajuda seria inestimável. Se ao menos estivesse em Lisboa, onde os recursos eram diferentes... Algum tempo depois, ocupada em resolver assuntos relacionados com a sua vida profissional, arrastava-se com dores no seu flat, de uma assoalhada para outra. Exausta, e quase em desespero, senta-se na esperança de a crise diminuir. Momentos depois Cocky, o cão de raça Cocker, agita-se. Reage, inquieto, como se ali estivesse alguém estranho. O seu nervosismo incomoda Aurora de Figueiredo que olha em redor, intrigada com a inquietação do animal e vê, claramente, Francisco Marques Rodrigues. Reconhece-lhe os traços fisionómicos e até pormenores do vestuário. Levanta-se na ânsia de cumprimentar o visitante. Ouviu um familiar "Viva". Surpresa, tenta acalmar Cocky, que permanece inquieto perante aquela presença estranha ao ambiente familiar. O sentimento inicial de Aurora de Figueiredo, de satisfação, deu lugar a um certo embaraço quando se lembrou de estar longe de Lisboa. E nem sequer havia aberto a porta. Perplexa, recostou-se novamente e fechou os olhos em recolhimento. Teve uma estranha, intensa e agradável sensação de frescura na sua perna e, pouco depois, desapareceram todas as dores. Retomou logo a sua actividade normal. No dia seguinte, a 17 de Agosto, expede uma carta para Lisboa pormenorizando o sucedido. No dia imediato Francisco Marques Rodrigues tem idêntica iniciativa. Envia-lhe algumas palavras de conforto e aconselha o seu regresso urgente a Lisboa. Aurora de Figueiredo regressaria, efectivamente, em 22 de Junho 1988. Ficou acamada desde fins de Abril de 1991, vindo a falecer em 4 de Novembro desse ano. Aurora de Figueiredo vivia nesse tempo com a filha, Maria Laura Sampaio que leccionava no Liceu Salazar. Acumulava as funções lectivas com as de Directora Administrativa, mas conseguia arranjar tempo para acompanhar a mãe nos momentos mais difíceis. Esclareceu-nos alguns pormenores interessantes: o cão, o local da residência, etc. As fotografias da época pertencem ao seu arquivo pessoal.Francisco Marques Rodrigues.[ Revista rosacrus. nº 368 - Jun / 2003 ]

Moisés.

Na história da Humanidade, Moisés apresenta um dos mais notáveis e sugestivos exemplos do poder da fé indomável, coragem e força de vontade. Ele foi, incontestavelmente, um eleito de Deus, destinado a cumprir uma nobre missão no período mais grave da transição para um novo ciclo. As condições especiais que lhe rodearam a existência, após o seu nascimento, são prova daquela afirmativa. Devido a preconceitos raciais, os hebreus sofriam vexames sem conta, que iam desde a escravidão à morte dos seus próprios filhos, logo que as suas mães os davam à luz. Era este o fim reservado a Moisés, se sua mãe, Jacobed, não recebesse do Céu a inspiração destinada a salvá-lo. Sabendo que a princesa Themutis passava por determinado local junto ao rio Nilo, ela arranjou, por suas próprias mãos, no meio do maior segredo, uma cesta do feitio de um berço, que revestiu com pez e betume, de forma a poder manter-se sobre as águas. Neste cesto meteu ela o menino, incumbindo sua filha Maria, nascida antes do abominável édito, e vigiar atentamente o irmão. Não tardou que a princesa chegasse. Ouvindo o choro da criança, por ela se interessou, entregando-a a uma ama, que veio a ser a própria Jacobed. Hosarsiph foi o primeiro nome dado ao pequeno, depois transformado em Moisés, que significa “salvo das águas”. Foi com este nome que ele se perpetuou de século em século, constituindo um símbolo. Terminada a sua passagem pela Terra, ele aqui voltou – segundo nos instrui Max Heindel – incarnado na pessoa do profeta Elias, e depois na do apostolo S. João Baptista. Tomando a seu cargo a defesa dos pobres e dos oprimidos, Moisés conduziu o seu povo com grande tacto administrativo e a mais sábia justiça, quer como general, quer como condutor das multidões, aliando a estas qualidades a de legislador e a de profeta. A ele se deve o maior e mais elevado código moral conhecido até hoje. As suas Tábuas são outras tantas sentenças recebidas por ele de Deus. Para as obter, Moisés recolhia-se no Tabernáculo, e aí, sozinho, em adoração sincera e fervorosa ao Senhor, obtinha as inspirações necessárias para prosseguir na sua obra. Nada fazia de grande sem ouvir Aquele que o mandara à Terra. – Esperai que eu consulte o Senhor – respondia ele a quem lhe exigia resposta a um assunto grave. Não podia proceder de outra maneira quem, como Moisés, era um iniciado e Sacerdote de Osíris, conhecedor, portanto, dos mais elevados mistérios, com um fim determinado a realizar, sob a vigilância divina. O código proclamado por Moisés, permanece e permanecerá como Lei universal, e só por si constitui o resgate do Homem, quando ele souber ouvir, compreender e praticar esses maravilhosos ensinamentos. Subindo o Monte Sinai, aí passava dias e noites no doce convívio com Aquele de quem tudo depende e de quem há sempre a esperar as mais preciosas dádivas espirituais, e quando regressava, trazia consigo, inscritos nas Tábuas, os preceitos pelos quais o seu povo se regularia. Abarcavam esses mandamentos os mais diversos aspectos morais e sociais. Compêndio da mais elevado filosofia, esse suplanta tudo quanto os homens possam inventar, porque estão impregnados da Sabedoria Suprema: “Honra teu pai e tua mãe para teres uma dilatada vida sobre a Terra, que o Senhor Deus te há-de dar”. “Não matarás; não adulterarás; não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Por si só, estes conselhos, dados pelo Senhor a Moisés, seu filho dilecto, resumem uma enciclopédia moral. Mas eles valorizam-se ainda, com estes outros: “Não cobices a casa do teu próximo, nem desejes a sua mulher, nem o seu servo, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem outra coisa que lhe pertença” “Não faças mal algum à viúva ou ao órfão”. “Não te desvies da justiça para condenar o pobre”. “Não oprimas o pobre com usura”. “Ama os inimigos como se fosses tu próprio”. Os animais não são esquecidos. “Se vires o jumento do teu inimigo caído por terra, debaixo da carga, não passes adiante sem o ajudar a levantar-se”. “Se quando fores pelo caminho, encontrares uma árvore, ou por terra, o ninho duma ave, e a fêmea sobre os ovos, não os apanhes, e deixa-os em paz, a fim de que sejas bem sucedido e vivas muito tempo”. É que ninguém pode jamais ser feliz, fazendo mal seja a quem for, ainda que se trate de uma avezinha. Moisés foi, como se vê, um guia e um mestre da Humanidade, numa época em que a sua acção era bastante necessária. Deus mando-o à Terra com esse encargo e nele o acompanhou com o amor que sempre dispensa aos seus filhos. Afirmando a sua crença absoluta num Deus único, criador e Senhor de todas as coisas, o profeta foi, talvez, o primeiro monoteísta. Ao exalar o último suspiro, rodeado de muitos dos que o seguiam e o tinham como mestre, ele proclamou a mais surpreendente das revelações: – Voltai para Israel, quando os tempos forem chegados, o Eterno vos suscitará, de entre os vossos irmãos, um profeta como eu, e porá o Verbo na sua boca, e esse profeta vos dirá tudo o que o Eterno lhe tiver mandado. E acontecerá que aquele que não escutar as suas palavras, o eterno lhe pedirá contas. Cumpriu-se, como não podia deixar de ser, a profecia do grande iniciado, de quem a Bíblia diz “ter sido o mais manso de todos os homens que havia na Terra”. Jesus, o Cristo, surgiu na época própria, com a sua mensagem de paz e amor, dando aos homens a esperança dos seus pecados, e a certeza do regresso ao seio do Pai. Revista rosacrus. nº 404 - Jun / 2012

quarta-feira, 24 de junho de 2015

a tempestade.

Pássaro e o homem tem essências diferentes. O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas; o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos. Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra. Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos. Muitos levantam a cabeça acima dos montes; mas sua alma jaz nas trevas das cavernas. A civilização é uma arvore idosa e carcomida, cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas são a infelicidade e o desassossego. Deus criou os corpos para serem os templos das almas. Devemos cuidar desses templos para que sejam dignos da divindade que neles mora. Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis, de suas tradições e de seu barulho. Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos. Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira dourada e seus ouvidos com falsas promessas. Os sacerdotes aconselham os outros, mas não aconselham a si mesmos, e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos. Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão. As descobertas e invenções nada são senão brinquedos com a mente se diverte no seu tédio. Cortar as distâncias, nivelar as montanhas, vencer os mares, tudo isso não passa de aparências enganadoras, que não alimentam ocoração e nem elevam a alma. Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes, nada são senão cadeias douradas com os quais o homem se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar. São os fios da tela que o homem tece desde o inicio do tempo sem saber que, quando terminar sua obra, terá construído a prisão dentro da qual ficará preso. Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só... É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma. Quem o sente não o pode expressar em palavras. E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras. Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas. Gibran Khalil Gibran (1883-1931)

sábado, 13 de junho de 2015

Terra.

Aceita a minha homenagem, Terra, enquanto faço a minha última vénia ao dia. Ajoelhado aos pés do altar do poente Tu és poderosa, e apenas reconhecível pelos poderosos; Tu equilibras o encanto e a severidade, Misturando o masculino com o feminino, Trazendo à vida humana o insuportável conflito. A taça que a tua mão direita enche com nétar É esmagada pela tua mão esquerda; O teu pátio ressoa com o teu riso trocista. Tornas o heroísmo difícil de alcançar; Toda a excelência custosa Não tens misericórdia com aqueles que merecem misericórdia. Um incessante combate oculta-se a teus pés: As tuas colheitas e frutos são coroas de vitória ganhas na batalha. Terra e mar são os teus cruéis campos de batalha – A vida proclama o seu triunfo no rosto da morte. A civilização finda os seus alicerces na tua crueldade: A ruína é a condenação exata para qualquer falta. No primeiro capitulo da tua história os Demónios eram supremos – Rudes, bárbaros, brutais Aos seus dedos toscos e grossos faltava arte; Com clavas e malhos nas mãos armaram motins do mar e nas montanhas. O seu fogo e o seu fumo agitaram violentamente o céu até ao pesadelo; Eles controlaram o mundo inerte; Eles cegaram o ódio da Vida. Os deuses vieram a seguir; com os seus feitiços e subjugaram os Demónios – Despedaçada foi a insolência da matéria A Terra-Mãe estendeu no seu manto verde: Nos picos do Este estava a Aurora; Nas costas Oeste caiu A Noite Derramando a Paz no seu cálice Os Demónios foram humilhados Mas a barbárie primordial manteve as suas garras na tua história. De repente podia invadir a ordem com a anarquia – Dos negros esconderijos do teu ser Pode surgir como uma serpente. A sua loucura está no seu sangue Os feitiços dos deuses ressoam no céu e no ar e na floresta, Cantando solenemente dia e noite; alto e baixo; Mas das regiões sob a tua superfície Às vezes os Demónios semidomesticados levantam os seus capelos – Eles ferem-te profundamente e às tuas criaturas Arruinando a tua própria criação. No teu assento sobre o bem e o mal, À tua vasta e terrível beleza, Ofereço hoje a minha homenagem de vida ferida. Toco o teu enorme e sepultado depósito da vida e da morte, Sinto-o através do meu corpo e do meu pensamento. Os cadáveres de inúmeras gerações de homens jazem amontoados no teu pó: Eu também acrescentarei alguns punhados, a medida à medida da final das minhas dores e alegrias, Acrescentando a esse enorme absorvente, a essa forma absorvente, a essa fama absorvente, A esse silencioso monte de pó. Terra, presa à pedra ou voando entre as nuvens; Absorta na medição silenciosa da cordilheira Ou ruidosamente como o bramido de insones ondas do mar; És a beleza e a fertilidade, o terror e a fome. Por um lado acres de searas, inclinando-se com a maturação, Limpas do orvalho de cada manhã por delicados raios de sol – Ao poente também, oferecendo na sua ondulante verdura a Alegria, a Alegria; Por outro lado, nos desertos insalubres, secos, estéreis, A dança de espetros entre ossos de animais espalhados. Contemplai as tuas tempestades Baisakh desceras velozmente como falcões negros Rasgando o horizonte com bicos de luz relampejante Com chicotada da cauda nas arvores Até estas caírem desesperadas no chão; Telhados de colmo soltam-se Fugindo do vento como condenados das suas correntes. Mas em Phalgun vi a quente brisa do Sul, Propagar todas as rapsódias e solilóquios do amor No seu perfume de flor e manga; Vi o vinho espumante do Céu transbordar da taça da lua; Ouvi sebes submeterem-se bruscamente à agitação do vento E estalarem em ofegantes murmúrios. Tu és gentil e feroz, antiga e renovada; Emergiste do fogo sacrificial da criação original há muito, muito tempo. A tua peregrinação cíclica está preparada com vestígios sem sentido da história; Abandonando as tuas criações sem remorsos, juntas umas sobre as outras, Esquecidas. Guardião da Vida, tu alimentas-nos Em pequenas gaiolas de tempo fragmentado, Fronteiras de todos os nosso jogos, limites reconhecidos. Hoje, estou à tua frente sem ilusões: Não te peço a imortalidade à tua porta Para os muitos dias e noites que passei a tecer as tuas grinaldas. Mas se eu tivesse dado real valor Ao teu pequeno assento um minúsculo segmento de uma das Eras Que se abrem e fecham como clarões nos milhões de anos Da tua órbita solar ; Se eu tivesse ganho nos tribunais da vida algum sucesso, Então marcaria a minha fronte com um sinal feito da tua argila – Para ser apagado a tempo pela noite Na qual todos os sinais desaparecem no desconhecido final. Ó longínqua, impiedosa Terra, Antes de eu ser completamente esquecido Deixa-me colocar a minha homenagem aos teus pés. Rabindranath Tagore.

SUFISMO.

O Sufismo tem sido reconhecido há muito tempo como representantes da espiritualidade e detentores dos conhecimentos e práticas do caminho místico, no despertar da espiritualidade humana, e no resgate da relação do ser humano com o Divino, na busca do desenvolvimento pleno de sua consciência e suas infinitas potencialidades. O Sufismo contém elementos comuns de outras tradições e pode dar continuidade à elas incorporando-as dentro de seu processo. O Sufismo tem um caráter universal, mesmo estando ele ligado ao contexto do mundo Islâmico. Encontramos no Sufismo aspectos das tradições da antiga Pérsia, Egito, Grécia, e outras. Vemos dentro de seus conhecimentos e práticas um conhecimento mais amplo que praticamente sintetiza os elementos mais diversos. O Sufismo tem como objetivo o retorno do ser humano à sua dimensão mais perfeita aproximando-o ao Divino, como qualquer caminho místico verdadeiro. O Sufismo foi o grande responsável por introduzir no Islã um grau cultural que acabou por influenciar o próprio Ocidente durante a Idade Média. O Sufismo influenciou tanto Cristãos e Judeus como as escolas esotéricas. Também influenciou a filosofia, com a tradução dos textos dos filósofos gregos e em todo o desenvolvimento posterior, nas ciências, na medicina, na matemática, na astronomia e nas Artes através da influência moura. Os primeiros Sufis apareceram alguns anos após a morte do profeta Maomé. Eram indivíduos que se retiraram para o deserto ou para locais sem evidência, para preservar e dar continuidade aos conhecimentos que receberam. À eles Maomé teria confiado os aspectos mais esotéricos do conhecimento que possuía, a dimensão mais mística ou espiritual. Em contato com outras tradições, estes primeiros sufis foram os maiores responsáveis pelo desenvolvimento da dimensão mística do Islã, e aos poucos foram formando escolas e ganhando importância como os verdadeiros representantes da espiritualidade. Começaram a ser conhecidos como Sufis e inseriram suas escolas na comunidade. A melhor aproximação na definição de Sufismo reside em um de seus próprios atributos, o Caminho. Uma via que dá acesso ao "Ser Humano Desperto". O Sufismo considera o homem atual não plenamente no gozo das qualidades e atributos a que afirma ter direito e uso. O seu comportamento poderia ser qualificado de "Sono". Para despertar esse homem, o Sufismo dispõe de um arsenal de meios, métodos e processos. Existem princípios que permitem a escolha correta. O princípio do tempo correto, do lugar correto, de pessoas corretas, de situação social correta e a presença de um mestre preparado. Reais progressos, segundo os sufis, só podem ser realizados sob a orientação de um mestre vivo e atuante. A aproximação ao Sufismo feita através de livros, palestras e discussões é mera aproximação. O Sufismo é um processo vivencial e experimental que, sob as orientações de um mestre qualificado, dentro das condições de tempo, lugar e situação social e pessoal realiza a transformação do ser humano, de forma a levá-lo a um aperfeiçoamento, cujo produto final é conhecido como Sufi. Este processo não entra em conflito com as necessidades, disposições, realizações e realidades, do mundo exterior ao indivíduo. Um sufi pode existir em qualquer lugar. O Sufismo é a essência absoluta de todas as religiões. Sempre que uma religião se torna viva é por causa do Sufismo. Sufismo significa simplesmente um caso de amor com o supremo, um caso de amor com o todo. Sufismo é a arte de remover obstáculos entre você e você, entre o self e o self, entre a parte e o todo.Ele não conhece formalidade. Um sufi é um sufi. Não há como definí-lo. Através da mente e do intelecto não é possível conhecê-lo.Você pode apenas vivenciá-lo. A única maneira de saber o que é um sufi.é tornar-se um deles. O Sufismo só pode ser transferido de pessoa a pessoa e não a partir de um livro. É uma transmissão além das palavras. Os sufis tem uma palavra especial para isso que é Silsila. Silsila significa uma transferência de um coração a outro coração, de pessoa a pessoa. O Sufismo é muito pessoal. Um sufi tem de obter uma inocência primal. Ele tem de abandonar todos os tipos de cultura, condicionamento. Ele tem de se tornar novamente um animal. Sufi significa lã, na raiz da palavra alemã e árabe. Quando você escolhe que isto é bom e aquilo é mau, você permanece dividido. Um sufi não conhece escolha. Ele é consciente sem escolha. O que quer que aconteça, ele aceita como uma causa dada por Deus. Ele confia na mente universal. A palavra sufi pode ser derivada de sufa - pureza, limpeza, purificação. Quando você vive uma vida sem escolhas, surge uma pureza natural no sentido de ser divino. Para um sufi Deus não é uma idéia. É sua realidade vivida. Esta realidade não está em algum lugar no céu. Ela está aqui e em todos os lugares, agora. Deus é apenas um nome para a totalidade da existência. A palavra sufi pode ser derivada de outra palavra, sufia, que significa escolhido como amigo de Deus. A sabedoria surge através do seu próprio ser. Você é a luz de si mesmo. O Alcorão diz que três qualidades tem de estar no coração do buscador. A humildade, a caridade e a verdade (autenticidade). Estes são os três pilares do Sufismo. Humildade define o homem que entendeu todas as formas do ego, não do desejo. Caridade aparece quando você, a partir da sua abundância, compartilha a alegria de dar tal como a flôr dá o seu perfume. O sufi vive no momento e esse pequeno momento torna-se luminoso através da concentração de energia. O Sufismo é o caminho do amor e do sentimento. Sufismo é o despertar do coração. Os sufis são aqueles que tem coração. O coração é a faculdade de perceber o bem amado. Só atravéz do coração você realiza a vida. É como uma celebração. O Sufismo é uma grande celebração. Um sufi lhe dá métodos, não doutrina. Os sufis são chamados "O povo do caminho" e eles dizem: Trabalhem o método! Para seguir um método a pessoa precisa estar em busca. Um mestre vivo lhe dará apenas uma visão do que é possível. Então você começa a trabalhar por si mesmo. Cada um tem de encontrar sua própria disciplina. Existem três planos: corpo, mente e alma. O primeiro é sharia, que significa o corpo da religião. O ritual, o formal e mais social do que espiritual. Sharia é o núcleo superficial da religião. Sharia é a circunferência de um círculo. A segunda camada é hagiga. É o centro da circunferência, a alma da religião e a essência. O terceiro plano é a tarica que significa o caminho, o método, de fora para dentro. Só um raio pode ligar a circunferência ao centro e os raios são as pessoas do caminho, que transmitem muitas técnicas. Tárica é levar a pessoa até a verdade para que ela possa ver por si mesma. Cada degrau tem de ser celebrado. O sufi dá a você o conhecimento sobre tárica, sobre o método mas não dá a você conhecimento sobre princípios. Os sufis dizem que se um homem não tem consciência, nada pode ser ensinado. Sufi significa consciência na vida, conciência num plano mais elevado do qual normalmente vivemos. Um mestre não reajusta a sua mente, ele o ajuda a dissolvê-la livre de condicionamentos, leis, sociedade. Ele lhe dá liberdade. Quando a pessoa começa a se perguntar o que é a religião verdadeira, o que é o verdadeiro Deus, ela se transforma em um buscador sufi. Não há nenhum significado existindo na vida. Alguém tem de criá-lo. A verdade religiosa não é uma coisa. É um significado e um sentido. Cada pessoa ir atrás dela para descobrí-la e explorá-la. O conhecimento é uma teoria; o conhecer é uma experiência; conhecer quer dizer que você abre os olhos e você vê . Conhecimento significa que quem abriu os olhos viu e fala sobre isso e continua a acumular informações. Os sufis dizem que se uma pessoa quer renunciar a algo, deve renunciar ao conhecimento que acumulou na memória. Essa é a verdadeira barreira para se tornar como crianças, um inocente. Toda a existência é de cada pessoa. Ela deve explorá-la sem nenhum preconceito e filosofia mantendo a mente aberta. e assim ficará surpresa por descobrir que Deus existe. A existência é um mistério, o imprevisível está em todo lugar. O corpo é a alma visível e a alma é o corpo invisível. Contemplação Sufi significa pessoas sentadas em profunda recordação de Deus. Apenas sentadas silenciosamente observando a fonte fluindo energia. O que vier do mestre, a pessoa está pronta para recebê-la. Baraka, a graça, está sempre fluindo do mestre. Se você estiver aberto, você será preenchido por ela. Você pode beber da fonte do seu mestre, onde quer que você esteja. Meditação é um meio de ir para dentro de si mesmo, na profundidade onde os pensamentos não existem. Sufis, o povo do caminho - Livro de Osho.