contos sol e lua

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Rosa e o Seu Simbolismo.


Todas as flores nos trazem uma sublime mensagem de pureza e de amor, mas nós, absorvidos na ânsia de experiência terrena, não lhes prestamos a devida atenção. E nada lucramos procedendo assim!
No Oriente há uma planta estranha, – que também existe em Portugal – que desenvolve poderosas raízes no lodo repugnante dos pântanos, mas eleva para o Sol as suas folhas e flores. É o nenúfar, ou lótus. Liga-se a esta planta uma importância transcendente, porque ela tem qualquer analogia com o ser humano, pois finca no lodo as suas raízes, em busca de sustento, e lança os seus pecíolos através da água em busca do ar e da luz fecundante do Sol.
Nós temos corpo um terreno, feito de um lodo vivo, alma que nos garante as viagens entre os estados espirituais e terrenos, e um ego, eu, ou espírito, a parte divina, eterna. Daí os orientais ligarem ao lótus tão grande importância, vendo nesta planta dos pântanos um simbolismo divino, Deus manifestado nos seus três aspectos: físico – lodo –, emocional ou de desejos – água –, mental – ar. É o triângulo Pai, Filho, Espírito Santo.
Para tornar o lótus mais estranho, a sua flor abre todos os dias ao “nascer” do Sol, para receber o seu longo beijo, e quando a Estrela do dia se aproxima do ocaso, cerra as suas pétalas e recolhe novamente ao seio da água, para na manhã seguinte emergir de novo e reabrir gloriosamente as suas branquíssimas pétalas, para que o Sol beije de novo a sua amarela corola, os seus órgãos geradores, instalados nela, dando-lhe em pleno a vida que há de fecundar as suas sementes. E esta estranha operação vai repetir-se durante vários dias, até que o mistério da fecundação se consume. Porém, quando as sementes estão fecundadas, a maravilhosa flor do lótus não volta ao seio das águas lodacentas do pântano, mas abandona-se a si mesma na superfície! As suas belas pétalas começam logo a murchar e vão apodrecer, enquanto no gineceu a vida acumulada nas sementes, se prepara para uma nova e triunfante reprodução ninfeácea.
Também o Homem vem para a Terra por vias impuras, para que evolua, seja cada vez mais perfeito como o seu Criador, que está nos Céus. Mas a sua falta de educação moral profunda, realista, sem fantasias hipócritas, não o deixa conhecer o sagrado dever da reprodução, que a mensagem das flores nos patenteia e ensina com o mais profundo realismo e pureza.
Por força da ignorância o elemento masculino olha o feminino como se fora um objecto de satisfação instintiva, viciosa, lodacenta, simbolizada pelo repugnante lodo em que o golfão branco estende as suas poderosas raízes em busca de alimento!
Ele desconhece o tesouro que ela tem na sua alma e por isso não sabe como encontrá-lo. E ela vem nas mesmas condições para, como o lótus, através do lodo fazer a sua busca da beleza que leva à Perfeição. Criada na mais profunda ignorância do que no ser humano há de mais puro e sagrado, ela consente em ser vitima dos lodacentos instintos sexuais masculinos e assim vai, do berço ao túmulo. Perde uma oportunidade maravilhosa de viver alegre e feliz no conhecimento perfeito do que em nós temos de divino.
Criador não nos deu órgãos reprodutores para nos perder, mas para nos permitir uma evolução mais fácil e harmoniosa. Porém, nós é que, ignorando a realidade nos desviamos do caminho do dever para o da transgressão. Por isso temos a inteira responsabilidade das nossas acções e havemos de lhes sofrer as consequências. Vivemos iludidos e somos constantemente surpreendidos pela dor e a amargura que, desfazendo as nossas ilusões, procuram despertar-nos para uma conduta correcta.
Temos órgãos para reproduzirmos a forma e ao usá-los sentirmos alegria sã, encorajante para esta série de lutas que se chama vida. Por isso é necessário conhecer o mistério do sexo, diluir a ignorância que nos leva por vias lodacentas como faz a ninfeia na sua luta pela existência, encaminhando as suas raízes fortes como são os nossos instintos vis, através do lodo pestilento, mas como ela buscando o ar e a luz puríssimos que nos fortalecerão com sabedoria.
Na medida em que o homem e a mulher buscarem um no outro o que lhes falta, saberão que, dentro dos seus corpos, feitos de lodo, há uma flor radiosa de perfume e beleza, como no lótus. Ambos, assim unidos pelo amor, poderão ser imensamente felizes, não voltarão a ser carrascos um do outro. Uma sociedade formada com tal cultura será finalmente perfeita, em corpo e alma.
Na medida em que o homem ver na mulher o que lhe falta para ser completo, ele não olhará mais a mulher como um artigo que se adquire pela escritura do casamento. Verá nela aquele ser que o recebe, que se lhe dá para o ter no seu próprio sangue e alma, e tudo fará para tê-la contente e satisfeita. E ela fará também os esforços necessários para se desviar do lodo das paixões e na maior pureza viver para o seu companheiro e ambos se voltarem para o Criador num movimento de límpida gratidão por os ter trazido para a Terra com tão excelentes meios de viver e de progredir na sua direcção divina.
O prazer puro nunca virá do que é torpe, sujo, grosseiro, mas do que é cristalino, para que dure e contribua para uma felicidade perfeita.
No Ocidente é a rosa quem nos fala do poder criador que vem de Deus e para Deus nos desperta, pois somos seus filhos e andamos na Terra em busca de graduação para experiência nos domínios do terreno. Só estaremos graduados como Deuses quando tivermos aprendido as lições que a Terra nos reserva.
O lodo em que o golfão vive fala-nos da queda do Homem, os Espíritos Virginais, sem experiência, inocentes, no pântano dos desejos que nos amarraram à Terra. A terra em que a roseira encaminha as suas raízes não tem o aspecto repugnante do lodo, nem o seu nauseante e doentio cheiro; e não se eleva na água estagnada mas no ar impregnado de oxigénio, o que alimenta o fogo. Todavia o seu corpo está eriçado de espinhos ameaçadores! Assim a roseira nos fala do Homem, dominado pelos instintos e levado por eles cria responsabilidades que não o deixam ser feliz, pois tem de esperar sempre pelo resultado das suas acções. E como a maior parte delas é má, porque feriram os outros, os seus frutos estão simbolizados nos espinhos da roseira, prontos para ferirem. Porém quando chega a altura de se reproduzir, a roseira dá-nos a sua flor, bela na forma, na cor e no perfume; e na sua corola mostra-nos como o acto da reprodução deve ser praticado com simplicidade e pureza, pois vemos como os estames elaboram o pólen, elemento fecundante masculino, e como os pistilos se erguem e aprontam para receber e conduzir ao gineceu o elemento fecundante. Tudo no meio de grande alegria e felicidade que emergem da beleza das formas, das suas cores e perfumes!
Por esta razão, inconscientemente, as rosas são levadas ao matrimónio dos seres humanos. E quando a cerimónia termina cobrem-se os noivos com pétalas de rosas, para lhes recordar a lição da roseira e do lótus, que após o acto reprodutor deixam murchar as suas pétalas, que caiem, para que toda a vitalidade se concentre nos órgãos genitais com o fim de produzirem a sua reprodução.
Mas todos gostam das flores e as usam no casamento, sem saberem ler a sua mensagem de ternura e amor imaculados!
A ignorância só enfraquece; a sabedoria fortifica, prepara-nos para a vida.
Falta aos seres humanos uma preparação para o casamento! Por isso a maioria esmagadora dos casais são infelizes, muitos adoecem e morrem, ou se desfazem, pois foram mal organizados.
Só deve falar do casamento quem sabe, pelo que estudou e pelo que viveu, para com maior segurança encaminhar outros.
São muitos os livros sobre a vida sexual, mas poucos os que são dignos de confiança, porque aos seus autores nem sempre a ciência e a moral lhes deram apoio, mas apenas a morbidez contagiosa e o desejo de dinheiro os moveram a produzir tais obras, que fazem maior mal que bem.
É necessário que as pessoas que falem do problema sexual não corem ao abordá-lo, pois se o sangue lhes aflora ao rosto é sinal inequívoco de que as suas consciências os acusam de mal usar o poder criador, e tais condições não são as necessárias a quem há-de falar do mistério do sexo.
A rosa fala-nos do desenvolvimento espiritual, e este sempre nos dá um coração puro e mente sã.
Os cristãos viram sempre na rosa o símbolo do amor, da virtude e da compaixão.
A rosa simboliza o estado de perfeição que o ser humano há-de alcançar quando tiver o seu próprio sangue liberto de todo o desejo impuro, for casto, análogo a Cristo.
Por este motivo a Rosa e a Cruz são o símbolo da mais elevada Iniciação.
Nos antigos mistérios do Egipto a rosa era consagrada a Isis, a Lua, que é a condutora dos processos de reprodução, tanto através do sexo como do intelecto, e por isso a rosa foi um emblema importantíssimo naqueles mistérios cheios de sabedoria, tanto sob o ponto de vista místico-hermético, como na tradição Rosacruz.
Francisco Marques Rodrigues.
Revista "Rosacruz", Fraternidade Rosacruz de Portugal.

domingo, 4 de julho de 2010

Vendendo sua Alma a Satanás.


O mito de Fausto apresenta uma situação curiosa no encontro do herói, que é a alma que procura, com diferentes classes de Espíritos. O Espírito de Fausto, inerentemente bom, sente-se atraído para as ordens superiores; sente afinidade pelo benevolente Espírito da Terra, e deplora a incapacidade de retê-lo e aprender com ele. Face a face com o espírito de negação, ao qual está disposto a servir, ele se sente de um certo modo senhor da situação, porque esse espírito não pode sair pela parte superior do símbolo da estrela de cinco pontas na posição em que está colocada no chão. Mas, tanto sua incapacidade em reter o Espírito da Terra e obter instrução desse exaltado Ser, como seu domínio sobre o espírito de negação, decorrem do fato dele ter entrado em contato com eles por acaso e não através do poder da alma desenvolvido internamente.
Quando Parsifal, o herói de outro desses grandes mitos da alma, visitou pela primeira vez o Castelo do Graal, foi-lhe perguntado como havia chegado ali, e ele respondeu: "Eu não sei". Aconteceu que ele entrou no lugar sagrado da mesma forma que uma alma percebe, às vezes, um vislumbre dos reinos celestiais numa visão; mas ele não podia ficar no Monte Salvat. Foi forçado a sair novamente para o mundo e aí aprender suas lições. Muitos anos depois ele retornou ao Castelo do Graal, triste e cansado da busca e a mesma pergunta lhe foi feita: "Como chegaste aqui?" Mas, desta vez, sua resposta foi diferente, pois disse: "Através da procura e do sofrimento eu vim".
Este é o ponto fundamental que marca a grande diferença entre alguns que se põem em contato com Espíritos dos reinos suprafísicos por acaso e tropeçam no entendimento de uma lei da Natureza, ou aqueles que, por zelosos estudos e principalmente por viver a vida, obtêm a Iniciação, conscientes dos segredos da Natureza. Os primeiros não sabem como usar este poder inteligentemente e estão, portanto, desamparados. Os últimos são sempre senhores das forças que manejam, enquanto os outros são vítimas de quem quiser tirar vantagem deles.
Fausto é o símbolo do homem, e a humanidade foi, no princípio, dirigida pelos Espíritos de Lúcifer e pelos Anjos de Jeová. Agora estamos olhando para o Espírito Cristo na Terra como o Salvador, para emancipar-nos da influência egoísta e negativa dos lucíferos.
Paulo nos dá uma visão da evolução futura que nos está destinada, quando disse que, após Cristo estabelecer Seu reino, Ele o entregará ao Pai, e então será tudo em tudo.
No entanto, Fausto procura primeiro comunicar-se com o macrocosmo, que é o Pai. Como o centauro celeste, Sagitários, ele aponta seu arco para as estrelas mais altas. Não está satisfeito em começar por baixo e galgar o cimo gradativamente. Quando repelido por aquele sublime Ser, desce um degrau na escala e procura comunhão com o Espírito da Terra, que também o desdenha, pois ele não pode tornar-se o pupilo das elevadas forças enquanto não ajustar-se às suas regras, para assim poder entrar no caminho da Iniciação pela porta verdadeira. Portanto, quando percebe que o pentagrama junto da porta detém o Espírito do mal, entrevê uma oportunidade para fazer um acordo. Está pronto para vender sua alma a Satanás.
Mas, como foi dito antes, está totalmente despreparado para manter o domínio com êxito, e o poder do espírito rapidamente desobstrui o caminho e liberta Lúcifer. Mas este, embora saia do gabinete de Fausto, logo volta, pronto para negociar com a alma que procura. Ele descreve, diante dos olhos de Fausto, quadros brilhantes de como viver a vida, como poderá satisfazer suas paixões e desejos. Fausto, sabendo que Lúcifer não está desinteressado, pergunta que compensação ele quer. A isto, Lúcifer responde:
" Eu me comprometo a ser teu servo aqui, enfim,
E a todo o teu aceno e chamado, alerta vou estar;
Mas, quando na esfera além nos formos encontrar,
Então, tu farás o mesmo para mim".
O próprio Fausto acrescentou uma condição aparentemente singular com respeito à época em que o serviço de Lúcifer terminar, e quando sua própria vida terrestre tiver chegado ao fim.
Embora pareça estranho, nós temos na aquiescência de Lúcifer e na cláusula proposta por Fausto, leis básicas de evolução. Pela Lei de Atração somos postos em contato com Espíritos semelhantes, tanto aqui como na vida futura. Se servimos as forças superiores aqui e trabalhamos para elevar-nos, encontraremos companheiros com a mesma índole neste mundo e no próximo. Mas, se gostamos da escuridão mais do que da luz, estaremos ligados ao submundo aqui e no futuro também. Não há como escapar desta lei.
Além disso, somos todos "construtores do templo" trabalhando sob a direção de Deus e Seus ministros, as divinas Hierarquias. Se evitarmos a tarefa que nos foi imposta na vida, seremos colocados sob condições que nos forçarão a aprender. Não há descanso nem paz no caminho da evolução e se procurarmos prazer e alegria a ponto de excluir o trabalho da vida, o dobrar fúnebre dos sinos logo será ouvido. Se chegarmos, alguma vez, a um ponto em que estejamos inclinados a ordenar que as horas parem ou se estamos tão satisfeitos com a nossa vida que até cessamos nossos esforços para progredir, nossa existência estará rapidamente terminada. Observamos que as pessoas que se retiram dos negócios vivendo apenas para aproveitar o que acumularam, logo morrem; enquanto que o homem que troca sua profissão por uma outra ocupação, geralmente vive mais tempo. Nada é tão fácil para encerrar uma existência do que a inatividade. Como já foi dito, as Leis da Natureza são enunciadas no acordo de Lúcifer e na condição acrescentada por Fausto:
"Se eu me satisfizer com a indolência e o lazer,
Que seja essa, então, a última hora que eu possa ter.
Quando tu com lisonjas me fores adular.
Até que auto-complacente eu venha a ser;
Quando tu com prazeres me puderes enganar,
Seja esse o meu dia final.
Sempre que a hora for passando.
Eu digo: 'Oh! fica, és tão leal!'
Assim, a força a ti eu vou dando.
De levar-me ao mais profundo desespero.
M
Meu dobrar de sinos não o deixes prolongar,
De meu serviço, livre irás ficar;
E quando do relógio o ponteiro indicador tiver caído,
Esteja, então, o meu tempo concluído".
Lúcifer pede a Fausto que assine o contrato com uma gota de sangue. E quando perguntado por que, diz astuciosamente: "O sangue é uma essência muitíssimo peculiar". A Bíblia diz que é assento da alma.
Quando a Terra estava em processo de condensação a aura invisível que circundava Marte, Mercúrio e Vênus, penetrou na Terra e os Espíritos desses planetas estiveram em relacionamento especial e íntimo com a humanidade. O ferro é metal de Marte e pela mescla do ferro com o sangue, a oxidação torna-se possível; assim, o calor interno, necessário para a manifestação de um Espírito que habita internamente, foi obtido pela ação dos Espíritos Lucíferos de Marte. Eles são, portanto, responsáveis pelas condições sob as quais o Ego está enclausurado no corpo denso.
Quando o sangue é extraído do corpo humano e coagula, cada partícula tem uma forma especial, distinta das partículas de qualquer outro ser humano. Portanto, quem tiver sangue de uma certa pessoa, tem um elo de ligação com o Espírito que construiu as partículas do sangue. Ele tem poder sobre essa pessoa, se souber como usar esse conhecimento. Foi essa a razão porque Lúcifer exigiu a assinatura com o sangue de Fausto, pois com o nome de sua vítima escrito em sangue, poderia conservar a alma escravizada de acordo com as leis envolvidas.
Sim, de fato! O sangue é uma essência muitíssimo peculiar, importante tanto na magia branca como na negra. Todo conhecimento usado em qualquer direção, deve necessariamente alimentar-se da vida que é primariamente derivada dos extratos do corpo vital, isto é, a força do sexo e o sangue. Todo conhecimento que não seja assim alimentado e nutrido, é tão impotente como a filosofia que Fausto tirou de seus livros. Livros não são suficientes por si só. Somente na medida em que trazemos esses conhecimentos para nossas vidas, alimentando-os e vivenciando-os, é que eles têm real valor.
Existe, no entanto, uma importante diferença a considerar: enquanto o aspirante da Ciência Sagrada alimenta sua alma com sua própria força sexual, e as paixões inferiores com seu próprio sangue que, então, ele transmuta e depura, aqueles que aderem à magia negra vivem corno vampiros à custa da força sexual dos outros e do sangue impuro sugado das veias de suas vítimas. No Castelo do Graal vemos o sangue puro e depurador operando maravilhas sobre os cavaleiros virtuosos que aspiravam desempenhar elevadas ações. Porém, no Castelo de Herodes, a personificação da voluptuosidade - Salomé - fez com que o sangue da paixão corresse desenfreadamente pelas veias dos participantes, e o sangue que jorrou da cabeça do martirizado Batista serviu para dar-lhes o poder que eles não tinham, por serem muito covardes para adquiri-lo através do sofrimento e da própria depuração.
Fausto tenciona adquirir poder rapidamente com o auxílio de outros, tocando num ponto perigoso, do mesmo modo como fazem hoje aqueles que seguem os que se intitulam "adeptos" ou "mestres". Estes estão prontos para explorar os mais baixos apetites dos crédulos, da mesma forma que Lúcifer ofereceu-se para ajudar Fausto. Mas eles nunca poderão dar o poder da alma, não importa o que aleguem. Isto é conquistado internamente, pela paciente perseverança em fazer o bem, um fato que nunca será demasiado repetir.Max Heindel.

Vendendo sua Alma a Santanás (continuação)


Por estar aborrecido, Fausto responde com desdém à exigência de Lúcifer de assinar com sangue o pacto entre eles e, então, profere as seguintes palavras:
"Não temas que faltar à minha palavra eu vá.
O propósito de toda a minha energia
Em inteira concordância com meu juramento está.
Levianamente, muito alto tenho aspirado;
Estou no mesmo nível que tu;
Eu, o Grande Espírito escarnecido; desafiado.
A própria Natureza se escondeu de mim.
Rasgada está a teia do pensamento; minha mente
Abomina toda a classe de conhecimento.
Nas profundezas. de prazeres sensuais mergulhadas
Deixemos ficar nossas paixões incendiadas,
Envoltas nos abismos de mágicos véus formosos,
E que nossos sentidos vibrem em encantos assombrosos".
Tendo sido desdenhado pelas forças que conduzem ao bem e estando completamente dominado pelo desejo de obter conhecimento direto e de verdadeiro poder, está disposto a ir até as últimas conseqüências. Mas Deus está sempre presente, como foi dito no prólogo:
"Um homem bom em sua mais escura aberração,
Conhece ainda o caminho que o conduz à salvação".
Fausto é a alma aspirante, e a alma não pode ser permanentemente desviada do caminho da evolução.
A declaração de Fausto sobre seu objetivo corrobora,a afirmação de que ele tem um ideal elevado, mesmo quando chafurda na lama. Ele quer experiência:
"O fim que eu aspiro não é o prazer.
Agonizante bem-aventurança - eu anseio por realização.
Ódio enamorado, rápido aborrecimento.
Purgado do amor do saber, minha vocação.
De hoje em diante, o objetivo de todos os meus poderes vai ser
Livrar meu peito de toda angústia, conhecer
Todo o infortúnio e o bem estar humanos no âmago do meu coração.
O sublime e o profundo em pensamento abraçar,
Os vários destinos do homem em meu peito acumular".
Antes que alguém possa ser realmente compassivo, deve sentir, como Fausto também o deseja, tanto a profundidade das tristezas da alma humana como suas elevadas alegrias; pois, somente quando conhecemos estes extremos dos sentimentos humanos podemos sentir a compaixão necessária por aqueles que precisam ser ajudados, e assim colaborar na elevação da humanidade. Através de Lúcifer, Fausto é capaz de conhecer tanto a alegria como a tristeza. Lúcifer também admite isto quando diz:
"A força que mesmo o mal planejando
Para o bem está trabalhando".
Pela interferência dos Espíritos de Lúcifer no esquema da evolução, as paixões da humanidade foram despertadas, intensificadas e conduzidas para um canal que tem causado todas as tristezas e enfermidades no mundo. Não obstante, isso despertou a individualidade no homem e libertou-o das condições liderantes dos Anjos. Fausto, pela ajuda de Lúcifer, é afastado dos caminhos convencionais, tornando-se assim individualizado. Quando o pacto entre Fausto e Lúcifer foi concluído, tivemos a réplica dos Filhos de Caim, que são os descendentes e protegidos dos Espíritos de Lúcifer, como vimos em "Maçonaria e Catolicismo".
Na tragédia de Fausto, Margarida é a protegida dos Filhos de Seth, o clero, descrito na lenda Maçônica. No momento, as duas classes representadas por Fausto e Margarida devem defrontar-se, e entre elas será encenada a tragédia da vida. Em conseqüência das desgraças sofridas por elas, a alma criará asas que a elevarão novamente aos reinos das bem-aventuranças de onde veio. Nesse ínterim, Lúcifer leva Fausto à cozinha das bruxas onde ele vai receber o elixir da juventude, para que, rejuvenescido, possa tornar-se desejável aos olhos de Margarida.
Quando Fausto aparece no palco, a cozinha das bruxas está repleta de instrumentos que são usados em magia. Um fogo infernal queima sob uma chaleira onde são preparadas as poções de amor, e há aí muito mais coisas fantásticas. Observamos vários objetos inanimados, mas o que mais desperta a nossa atenção é uma família de macacos, a qual tem um grande significado porque representa uma fase da evolução humana.
A humanidade, satisfeita com a paixão instigada pelos Espíritos de Lúcifer ou Anjos caídos, libertou-se da hoste angelical liderada por Jeová. Como conseqüência desse obstinado desejo, foram logo envolvidos por "revestimentos de pele" e separados uns dos outros. O egoísmo suplantou o sentimento de fraternidade, atingindo o nadir do materialismo. Alguns foram mais passionais que outros. Por isso, seus corpos cristalizaram-se mais. Eles degeneraram e tornaram-se antropóides. Seu tamanho foi reduzido à medida que se aproximavam do limite onde a espécie devia ser extinta. Eles são, portanto, os pupilos especiais dos Espíritos lucíferos. Assim, o mito de Fausto mostra-nos uma fase da evolução humana não incluída na lenda Maçônica, e dá-nos uma visão mais completa e conjunta do que realmente aconteceu.
Houve uma época em que toda a humanidade passou pelo ponto onde os cientistas acreditam estar localizado o elo perdido. Os que agora são antropóides degeneraram a partir daquele ponto, enquanto a família humana evoluiu até o presente estágio de desenvolvimento. Sabemos como a indulgência para com as paixões embrutece aqueles que por elas se deixam levar. Podemos compreender prontamente que quando o homem estava ainda em formação, sem individualidade e sob controle direto das forças cósmicas, esta indulgência não era controlada pelo sentimento da individualidade que, de certo modo, nos protege hoje. Portanto, os resultados seriam naturalmente mais desastrosos e de maiores conseqüências.
Alguma vez, a alma aspirante deve entrar na cozinha das bruxas como o fez Fausto, e encarar o objetivo da lição que nos leva a considerar a conseqüência do mal, representada pelo macaco. A alma tem, então, permissão para encontrar-se com Margarida no jardim, para tentar e ser tentada, para escolher entre a pureza e a paixão, para cair como Fausto, ou permanecer firmemente na pureza, como fez Parsifal. Sob a Lei da Compensação receberá sua recompensa pelas ações praticadas no corpo. De fato, a sorte é irmã gêmea do merecimento, como Lúcifer mostra a Fausto, e a verdadeira sabedoria só se conquista com paciente perseverança na prática do bem.
"Quão ligada está a sorte ao merecimento,
Isso ao tolo jamais ocorreria.
Eu juro, tivesse ele a pedra do homem sábio,
A pedra do filósofo não seria".
Fiel a seu propósito de estudar a vida em vez de livros, Fausto pede a Lúcifer que consiga introduzi-lo na casa da Margarida. Tenta conquistar a afeição dela com um principesco presente de jóias, que Lúcifer introduziu às escondidas em seu armário. O irmão de Margarida está ausente, lutando por sua pátria. Sua mãe não é capaz de decidir o que fazer com o presente, e o leva ao seu guia espiritual na igreja. Este aprecia mais o brilho das gemas do que as preciosas almas a ele confiadas. Negligencia seu dever à vista de um colar de pérolas, mais ansioso em garantir as jóias para o adorno de um ídolo, do que defender uma filha da igreja contra o perigo moral que a cerca. Assim, Lúcifer vence e rapidamente recebe uma recompensa de sangue e, em seguida, de almas humanas. Para conseguir acesso aos aposentos de Margarida, Fausto a persuade a dar à sua mãe uma poção para dormir, o que causa a esta, a morte. Valentino, o irmão de Margarida, é morto por Fausto. Margarida é encarcerada e sentenciada a sofrer pena capital.
Quando uma semente adere à polpa de uma fruta ainda verde, é doloroso retirá-la de lá. Da mesma forma, o sangue, que é o assento da alma, está no corpo de uma pessoa e, quando esta encontra um fim súbito e prematuro, é fácil perceber o sofrimento de tal morte. Os Espíritos de Lúcifer deleitam-se com a intensidade do sentimento e evoluem através disso. Em relação ao objetivo, a natureza de uma emoção não é tão essencial quanto sua intensidade. Por isso, eles agitam as paixões humanas de natureza inferior, que são mais intensas em nosso presente estágio de evolução do que os sentimentos de alegria e amor. Como resultado, incitam à guerra e ao derramamento de sangue, e o que nos parece maligno agora, na realidade, são degraus para ideais mais nobres e elevados, pois, através da tristeza e do sofrimento, tais como foram gerados em Margarida, o Ego eleva-se cada vez mais na escala da evolução. Aprende o valor da virtude quando desliza na direção do vício.
Foi com verdadeira compreensão deste fato que Goethe escreveu:
"Quem nunca comeu seu pão em amargo afã,
Quem nunca, acordado, a meia-noite viu passar,
Chorando, esperando pelo amanhã,
Os Poderes celestiais não sabe ainda avaliar".
Max Heindel.

A Cadeia Mágica.


M anus – A Força
O grande agente mágico, que denominamos luz astral, que outros chamam a alma da terra, que os antigos químicos designavam sob os nomes de Azoth e Magnésia, esta força oculta, única e incontestável é a chave de todos os impérios, o segredo de todos os poderes; é o dragão volante de Média, a serpente do mistério Edênico; é o espelho universal das visões, o laço das simpatias, a fonte dos amores, da profecia e da glória. Saber apoderar - se deste agente é ser depositário do próprio poder de Deus; toda magia real, efetiva, todo o verdadeiro poder oculto. Está aí, e todos os livros da verdadeira ciência só têm o fim de o demonstrar.
P ara apoderar- se do grande agente mágico, duas operações são necessárias: concentrar e projetar; em outros termos, fixar e mover. O autor de todas as coisas deu para base e garantia do movimento a fixidez; o mago deve agir da mesma forma.
O entusiasmo é contagioso, dizem. Por que? É que o entusiasmo não se produz sem crenças firmes. A fé produz a fé; crer é ter uma razão de querer; querer com razão é querer com ma força, não direi infinita, mas indefinida.
O que se opera no mundo intelectual e moral, com maior razão se realiza no mundo físico; e quando Arquimedes pedia um ponto de apoio para levantar o mundo, ele procurava simplesmente o grande arcano mágico.
Num dos braços do andrógino de Henri Khunrath lê - se esta palavra: Coagula, e no outro: Solve.
Reunir e espalhar são os dois verbos da natureza; mas como reunir, como espalhar a luz astral ou alma do mundo? Reúne - se pelo isolamento, e espalha- se por meio da cadeia mágica.
O isolamento consiste, para o pensamento, numa independência absoluta; para o coração, numa liberdade completa; para os sentidos, numa continência perfeita.
T odo homem que tem preconceitos e temores, todo indivíduo apaixonado e escravo das suas paixões é incapaz de reunir ou coagular, conforme a expressão de Khunrath, a luz astral ou a alma da terra.
Todos os verdadeiros adeptos foram independentes até o suplício, sóbrios e castos até a morte; e a razão desta anomalia é que, para dispor de uma força, não deveis ser dominado por esta força de modo que disponha de vós.
Mas então, vão exclamar os homens que procuram na magia um meio de contentar os desejos da natureza, para que serve um poder que não se pode usar para se satisfazer? As pérolas nada são, pois, porque não tem preço alguma para o rebanho de Epicuro? Cúrcio não achava mais bonito mandar nos que têm ouro do que possuí - lo?
Não é preciso ser um pouco mais do que um homem ordinário, quando se tem a pretensão de ser quase Deus? Aliás, sinto afligir-vos e desanimar-vos, mas não invento aqui as altas ciências; eu as ensino e constato as suas rigorosas necessidades, estabelecendo as suas primeiras e mais inexoráveis condições.
Pitágoras era um homem livre, sóbrio e casto; Apolônio de Thyana e Júlio César foram homens de uma espantosa austeridade; Paracelso fazia duvidar do seu sexo, tanto era estranho às fraquezas amorosas; Raimundo Lullo levava os rigores da vida até o ascetismo mais exaltado; Jerome Cardan exagerou a prática do jejum a ponto de morrer de fome, se dermos crédito à tradição; Agrippa, pobre e correndo de cidade em cidade, quase morreu de miséria, para não se sujeitar aos caprichos de uma princesa que insultava a liberdade da ciência. Qual foi, pois, a felicidade destes homens? A inteligência dos grandes segredos e a consciência do poder. Era bastante para estas grandes almas. É preciso ser como eles para saber o que souberam? Não, certamente, e este livro que escrevo é, talvez, a prova disso; mas para fazer o que fizeram é absolutamente necessário empregar os meios que usaram.
Mas que fizeram realmente eles? Admiraram e subjugaram o mundo, reinaram verdadeiramente mais do que os reis. A magia é um instrumento de bondade divina ou de orgulho diabólico, mas é a morte das alegrias da terra e dos prazeres da vida mortal.
- Então, para que estudar?
- Simplesmente para conhecer, e depois, talvez, também para aprender a desconfiar da incredulidade estúpida ou da credulidade pueril. Homens de prazer (e como metade destes homens conto por muitas mulheres), não é um prazer muito grande o da curiosidade satisfeita? Lede, pois, sem temor; não ficareis magos apesar da vossa curiosidade.
Aliás, estas disposições de renúncia absoluta só são necessárias para estabelecer correntes universais e mudar a face do mundo; há operações mágicas relativas e limitadas a um certo círculo, que não exigem tão heróicas virtudes. Pode - se agir sobre as paixões pelas paixões, determinar as simpatias e antipatias, até afligir e curar, sem ter a onipotência do mago; somente é preciso estar prevenido do risco que se corre de uma reação proporcional à ação e de que facilmente se poderia ser vítima.Tudo isto será explicado no Ritual .
Fazer a cadeia mágica é estabelecer uma corrente magnética, que se torna mais forte conforme a extensão da cadeia. Veremos no Ritual, como estas correntes podem ser produzidas e quais são as diferentes maneiras de formar a cadeia. A tina de Mesmer era uma cadeia mágica muito imperfeita; vários grandes círculos de iluminados, em diferentes países do Norte, têm cadeias mais poderosas. Até a sociedade de certos padres católicos, célebres pelo seu poder oculto e sua impopularidade, é estabelecida pelo plano e conforme as condições das cadeias mais poderosas, e é o segredo da sua força, que atribuem unicamente à graça ou à vontade de Deus, solução vulgar e fácil de todos os problemas de força em influência ou adestramento. Teremos de apreciar, em nosso Ritual, a série de cerimônias e evocações verdadeiramente mágicas que compõem a grande obra da vocação, sob o nome de exercícios de Santo Inácio.
Todo entusiasmo propagado numa sociedade, por uma continuidade de comunicações e práticas firmes, produz uma corrente magnética e se conserva ou aumenta pela corrente. A ação da corrente é arrastar e, muitas vezes, exaltar fora das medidas as pessoas impressionáveis e fracas, nervosas, os temperamentos dispostos ao histerismo ou às alucinações. Estas pessoas logo se tornam poderosos veículos da força mágica, e projetam com força a luz astral na própria direção da corrente; opor- se, então, às manifestações de força, seria, de algum modo, combater a fatalidade. Quando o jovem fariseu Saul, ou Schôl veio lançar - se, como todo fanatismo e toda teimosia de um sectário, através do cristianismo invasor, punha- se, contra sua vontade, à mercê da força que acreditava combater; por isso foi fulminado por um formidável raio magnético, que foi, sem dúvida, mais instantâneo pelo efeito combinado de uma congestão cerebral e de uma queimadura solar. A conversão do jovem israelita Afonso de Ratisbona, é um fato contemporâneo absolutamente da mesma natureza. Conhecemos uma seita de entusiastas da qual se ri a distância e na qual entram Contra vontade os que dela se aproximam, mesmo para combatê - la. Direi mais, os círculos mágicos e as correntes magnéticas se estabelecem por si mesmos e influem, conforme leis fatais, sobre os que são submetidos à sua ação. Cada um de nós é atraído para um círculo de relações que é seu mundo e cuja influência sofre. Jean Jacques Rousseau, este legislador da revolução francesa, este homem que a nação mais espiritual no mundo aceitou como a encarnação de razão humana, Jean Jacques Rousseau foi arrastado à mais triste ação da sua vida, o abandono de seus filhos, pela influência magnética de um círculo de libertinos, pela corrente mágica de uma mesa de hotel. Ele o conta simples e ingenuamente nas suas Confissões , e é um fato que ninguém notou. Muitas vezes, são os grandes círculos que fazem os grandes homens, e reciprocamente. Não há gênios incompreendidos; há homens excêntricos , e a palavra parece ter sido inventada por um adepto. O homem excêntrico em gênio é aquele que procurar formar para si um círculo, lutando contra a força de atração central das cadeias e correntes estabelecidas. O seu destino é de ser despedaçado ou ter sucesso. Qual é a dupla condição de sucesso em tal caso? Um ponto central de fixidez e uma ação circular perseverante de iniciativa. O homem de gênio é aquele que descobriu uma lei real, e que, por conseguinte, possui uma força invencível de ação e direção. Pode morrer na obra; mas o que o ele quis realizar se realiza, apesar da sua morte e, muitas vezes, mesmo por causa da sua morte: porque a morte é uma verdadeira assunção para o gênio. Quando me elevar da terra, dizia o maior dos iniciadores, arrastarei tudo após mim.
A lei das correntes magnéticas é a do próprio movimento da luz astral. Este movimento é sempre duplo e se multiplica em sentido contrário. Uma grande ação prepara sempre uma reação igual, e o segredo dos grandes sucessos está inteiramente na presciência das reações. É assim que Chateaubriand, inspirado pelo desgosto das saturnais revolucionárias, pressentiu e preparou o imenso sucesso do seu Gênio do Cristianismo . Opor- se a uma corrente que começa seu círculo é querer ser despedaçado como o foi o grande e infeliz Juliano; opor- se à corrente que percorreu todo o círculo da sua ação é tomar a chefia da corrente contrária. O grande homem é aquele que chega a tempo e que sabe inovar o propósito. Voltaire, no tempo dos apóstolos, não teria achado eco para a sua palavra, e, talvez, teria sido simplesmente um parasita engenhoso dos festins de Trimalcyon. Na época em que vivemos, tudo está pronto para uma nova explosão do entusiasmo evangélico e do desinteresse cristão, precisamente por causa do desengano universal, do positivismo egoísta e do cinismo público do interesses mais grosseiros. O sucesso de certos livros e as tendências místicas dos espíritos são sintomas inequívocos desta disposição geral. Restauram - se as igrejas e constróem- se novas; quanto mais acham falta de crenças, mais esperam - nas; o mundo inteiro espera ainda uma vez o Messias, e não tardará a vir. Por exemplo, que haja um homem de posição elevada, pela sua classe ou por sua fortuna, um papa, um rei ou até um judeu milionário judeu, e que este homem sacrifique pública e solenemente todos os todos seus interesses materiais à salvação da humanidade, que se faça redentor dos pobres, propagador e até vítima das doutrinas de devotamento e caridade, e fará, ao redor de si, uma concorrência imensa, e dar- se-á uma transformação completa no mundo. Porém, a alta posição do personagem é, antes de tudo, necessária, porque nos nossos tempos de miséria e charlatanismo, todo Verbo proveniente de baixo é suspeito de ambição e velhacaria interessada. Vós, pois, que nada sois e que nada tendes, não espereis ser apóstolos ou messias. Tendes a fé e quereis agir na razão da vossa fé; chegai primeiramente aos meios de ação, que são a influência da posição e o prestígio da fortuna. Outrora se fazia ouro com a ciência; hoje é preciso refazer a ciência com o ouro. Fixaram o volátil, é preciso volatilizar o fixo; em outros termos, materializaram o espírito; é preciso, agora, espiritualizar a matéria. A palavra mais sublime não é ouvida nos nossos dias, se não for produzida sob a garantia de um nome, isto é, de um sucesso que representa um valor material. Quanto vale um manuscrito? O que vale, na livraria, a assinatura do autor. A razão social Alexandre Dumas & Cia., por exemplo, representa uma das garantias literárias da nossa época., mas a Casa Dumas só vale pelos seus produtos habituais: os romances. Que Dumas ache uma utopia magnífica ou uma solução admirável do problema religioso, considerado a sua descoberta como caprichos divertidos do romancista, e ninguém o tomará a sério, apensar da celebridade européia do Panurgo da literatura moderna. Estamos no século das posições conquistadas: cada qual na razão do que é social e comercialmente falando. Al liberdade ilimitada da palavra produziu um tal conflito de discursos, que hoje não se pergunta mais: “Que dizem? ”mas sim: “Quem disse isso? ”Se foi Rothschild, ou a sua santidade Pio IX, ou mesmo Monsenhor Dupanloup, é alguma coisa. Se foi Tartempion, muito embora este seja (o que, afinal de contas, é possível) um prodígio ainda ignorado de gênio, ciência e bom senso, nada é.
Àqueles, pois, que me disserem: “Se tens o segredo dos grandes sucessos e da força que pode mudar o mundo, por que não te serves dele? ”responderia: - Esta ciência me veio muito tarde para mim mesmo, e perdi, para adquiri - la, o tempo e os expedientes que, talvez, me teriam posto em condições de fazer uso dela; mas ofereço - a aos que estão em posição de servirem - se dela. Homens ilustres, ricos, grandes do mundo, que não estais satisfeitos do que tendes, e que sentis, no coração, uma ambição mais nobre e mais vasta, quereis ser os pais do mundo novo, os reis de uma civilização rejuvenescida? Um sábio, pobre e obscuro, achou a alavanca de Arquimedes, e vô - la oferece unicamente pelo bem da humanidade, e sem nada vos pedir em troca.
Os fenômenos que ultimamente agitaram a América e a Europa, a propósito das mesas falantes e das manifestações fluídicas, outra coisa não são senão correntes magnéticas que começam a formar- se, e solicitações da natureza que nos convida, para a salvação da humanidade, a reconstituir as grandes cadeias simpáticas e religiosas. Com efeito, a estagnação da luz astral seria a morte do gênero humano, e os entorpecimentos deste agente secreto já se manifestaram por espantosos fantasmas de decomposição e morte. O cólera- morbo, por exemplo, as doenças das batatas e uvas não têm outra causa, como viram, obscura e simbolicamente, em sonho, os dois pastorinhos de La Salette.
A fé inesperada que a sua narração provocou e a imensa concorrência de peregrinos, determinada por uma narração tão singular e tão vaga como a destas duas crianças sem instrução e quase sem moralidade, são provas da realidade magnética do fato e da tendência fluídica da própria terra em operar a cura dos seus habitantes.
A s superstições são instintivas, e tudo o que é instintivo tem uma razão de ser na própria natureza das coisas; é nisso que os céticos de todos os não refletiram bastante.
Atribuímos, pois, todos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magnético universal, que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes. É uma força cega por si mesma, mas que pode ser dirigida pela vontade dos homens e que é influída pelas opiniões correntes. Este fluido universal, se quiserdes que seja um fluido, sendo o meio comum de todos os organismos nervosos e o veículo de todas as vibrações sensitivas, estabelece, entre as pessoas impressionáveis, uma verdadeira solidariedade física, e transmite, de umas às outras, as impressões da imaginação e do pensamento. O movimento da coisa inerte, determinado pelas ondulações do agente universal, obedece, pois, à impressão dominante, e reproduz, nas suas revelações, ora toda a bizarria e toda a mentira dos sonhos mais incoerentes e mais vagos.
Os golpes dados nos móveis, a agitação ruidosa da louça, os instrumentos de música tocando por si mesmos, são ilusões produzidas pelas mesmas causas. Os milagres dos convulsionários de Saint-Medard eram da mesma ordem e pareciam, às vezes, interromper as leis da natureza. Exageração, de um lado, produzida pela fascinação, que é a o embevecimento especial ocasionado pelas congestões de luz astral; e, de outro, oscilações ou movimentos reais imprimidos à matéria inerte pelo agente universal e sutil do movimento e da vida: eis tudo o que há no fundo destas coisas tão maravilhosas, como se poderão convencer facilmente, reproduzindo à vontade, por meios indicados no Ritual , os mais admiráveis destes prestígios, e constatando nisso a ausência, facilmente apreciável, superstição, alucinação ou erro.
Muitas vezes me aconteceu, depois de experiências de cadeias magnéticas feitas com pessoas sem boa intenção e sem simpatia, ser acordado em sobressalto, à noite, por impressões e contatos verdadeiramente horríveis. Uma noite, entre outras senti realmente a pressão de uma mão que me estrangulava; levantei -me, acendi a luz, e pus - me tranqüilamente a trabalhar para utilizar a minha insônia e afastar os fantasmas do sono. Então, os livros se deslocavam perto de mim, com ruído, os papéis se agitavam e batiam uns contra os outros, a lenha estalava como se fosse partir - se, e golpes surdos eram dados no forro do quarto. Eu observava com curiosidade, mas também com tranqüilidade, todos estes fenômenos, que não eram menos maravilhosos se só a minha imaginação fosse a sua causa, tanta realidade havia nas suas aparências. Aliás, acabo de dizer que de modo algum estava atemorizado, e que me ocupava de outra coisa muito diversa das ciências ocultas, no momento, em que se produziam.
Eliphas Levi - Dogma e Ritual da Alta Magia.

sábado, 3 de julho de 2010

O Cavaleiro do Cisne.


Entre as óperas de Wagner, talvez nenhuma seja tão universalmente apreciada pela maioria das pessoas do que Lohengrin. Provavelmente porque a história, numa apreciação superficial, pareça muito simples e bonita. A música é de um caráter primoroso e incomum, agradando a todos de um modo não igualado pelas outras óperas do mesmo autor baseadas em mitos como Parsifal, o Anel do Niebelungo ou mesmo Tannhauser.
Apesar dessas obras afetarem poderosamente as pessoas que as ouvem pelo seu conteúdo espiritual (estejam conscientes ou não do fato), nem sempre são apreciadas, principalmente na América, onde o espírito de misticismo não é tão forte como na Europa.
É diferente com Lohengrin. Aqui há uma história do tempo em que a classe de cavaleiros florescia e, embora haja um encanto mágico na chegada de Lohengrin e do cisne em resposta às preces de Elsa, isto é apenas uma linda fantasia poética sem significado mais profundo. Neste mito é revelado um dos supremos requisitos da Iniciação - a fé.
Quem não possuir esta virtude não poderá obter a Iniciação, e quem a possuir verá atenuadas muitas de suas faltas.
O resumo do enredo é o seguinte: o herdeiro do Ducado de Brabant desapareceu. É apenas uma criança e irmão de Elsa, a heroína da peça, que no início da cena é acusada por seus inimigos, Ortrud e Telramund, de ter feito desaparecer esse irmão mais novo para que ela pudesse obter a posse do principado. Em conseqüência, foi intimada a comparecer perante a corte real para defender-se de seus acusadores. Na cena de abertura, nenhum cavaleiro havia ainda aparecido para defender sua causa e matar seus caluniadores. Então, aparece no rio um cisne com um cavaleiro que se aproxima do lugar onde está havendo o julgamento. Ele salta em terra e oferece-se para defender Elsa com a condição de que se casem. Ela logo concorda, pois ele não lhe é estranho; ela o tem visto freqüentemente em seus sonhos e aprendeu a amá-lo. No duelo entre o cavaleiro desconhecido e Telramund, este último é derrubado, mas sua vida é magnanimamente poupada pelo vencedor, que depois reivindica Elsa como sua noiva. Contudo, havia imposto outra condição, isto é, que ela nunca perguntasse quem ele era e de onde viera.
Bom e nobre, e como viera em resposta às suas preces, ela também não faz objeção a esta condição, e o casal se retira para os aposentos nupciais.
Embora temporariamente vencidos, Ortrud e Telramund não desistem da conspiração contra Elsa, e seu próximo passo é envenenar sua mente contra seu nobre protetor, para que ela o mande embora e fique novamente à mercê deles. Esperam, futuramente, ficar de posse do principado do qual Elsa e seu irmão são os legítimos herdeiros. Com este propósito em vista, ambos se apresentam à porta de Elsa e conseguem ser ouvidos por ela. Aparentam estar extremamente arrependidos pelo que fizeram e muito solícitos pelo seu bem-estar. Dizem sentir muito que ela tenha desposado alguém cujo nome nem mesmo sabe, e que tem tanto medo de que sua identidade seja conhecida, que a proibiu de perguntar seu nome, sob pena de ser abandonada por ele.
Argumentam que deve haver alguma coisa em sua vida da qual ele se envergonha, algo que não pode suportar a luz do dia, do contrário, por que desejaria negar a quem uniu-se por toda a vida, o conhecimento de sua identidade e antecedentes?
Por meio destes argumentos eles conseguem suscitar uma dúvida na alma de Elsa que, em seguida, dirige-se transformada para Lohengrin. Ele nota a diferença e pergunta-lhe a causa. Ela admite estar insegura em relação a ele e que gostaria de saber seu nome. Assim, quebrou a promessa feita, e ele lhe diz que agora havendo expressado uma dúvida a seu respeito, ser-lhe-á impossível ficar. Nem lágrimas nem protestos podem mudar esta resolução, e eles vão juntos para o rio onde Lohengrin chama seu fiel cisne. Quando este aparece, ele revela sua identidade dizendo: "Eu sou Lohengrin, o filho de Parsifal". Em seguida, o cisne transforma-se e aparece diante deles como o irmão de Elsa. Torna-se, portanto, seu protetor no lugar de Lohengrin, que se afasta.
Como foi dito, a história de Lohengrin contém uma das mais importantes lições a serem aprendidas no caminho da realização. Ninguém poderá jamais alcançar a Iniciação até que tenha aprendido isto. Para que possamos entender devidamente este ponto, olhemos primeiramente para o símbolo do cisne, vejamos o que ele representa e por que é usado. Os que assistiram a ópera Parsifal, ou que tenham lido atentamente a literatura sobre o Graal, já estão cientes do fato de que os cisnes estavam presentes nos emblemas usados por todos Cavaleiros do Graal.
Na própria ópera, são mencionados dois cisnes preparando um banho curativo para o sofredor Rei Amfortas Parsifal é mostrado matando um destes cisnes, e os Cavaleiros do Graal manifestam uma grande tristeza por esta crueldade não justificada.
O cisne é capaz de movimentar-se em vários elementos. Pode voar com grande ligeireza; também desliza majestosamente sobre a água; e, com seu longo pescoço, pode explorar profundidades e investigar o que pode ser encontrado no fundo de um lago não muito profundo. É o símbolo apropriado para o Iniciado que, em virtude do poder desenvolvido internamente, é capaz de elevar-se aos reinos superiores e movimentar-se em mundos diferentes. Assim como o cisne voa pelo espaço, da mesma forma alguém que tenha desenvolvido os poderes de seu corpo-alma, pode viajar por cima das montanhas e lagos; assim como o cisne mergulha abaixo da superfície da água, também o Iniciado pode ir abaixo da superfície do oceano, em seu corpo-alma, pois não está exposto aos perigos do fogo, da terra, do ar, ou da água. Na verdade, este é um dos primeiros ensinamentos mostrados aos Auxiliares Invisíveis e por isso quando se revestem com o Dourado Manto Nupcial, sobre o qual muito temos falado, estão imunes a qualquer perigo que possa atingi-los no corpo denso. Podem entrar num edifício em chamas para ajudar os que estão em perigo, algumas vezes de maneira miraculosa; ou podem estar a bordo de um navio que está naufragando para encorajar aqueles que estão próximos a enfrentar a grande mudança.
A antiga mitologia nórdica descreve como os nobres guerreiros de então entoavam seu canto de cisne quando, tendo guerreado, eram finalmente derrotados ou mortalmente feridos. Mas não pensemos que isto significava apenas a luta brutal travada no campo de batalha com espada e lança. Simbolizava, principalmente, a luta interna, o significado oculto, a luta de uma nobre alma na batalha da vida cantando seu canto de cisne, quando alcançava o que era possível nessa época, isto é, após ter feito seu juramento de Iniciação, tornar-se capaz de entrar em outro reino para lá ajudar outros como os havia ajudado aqui. Foi sempre o sagrado dever de um cavaleiro nobre socorrer os fracos e os oprimidos.
Elsa é filha de um rei. Portanto, é da mais alta e nobre linhagem. Ninguém que não seja tão bem-nascido pode exigir os serviços de um cavaleiro como Lohengrin. Isto quer dizer, naturalmente, que não há na humanidade nem superiores nem inferiores, a não ser na escala da evolução. Quando uma alma já passou por vários estágios da vida, quando já cursou a escola em muitos renascimentos, gradualmente adquire essa nobreza que se origina do aprendizado das lições e do trabalho executado, segundo as linhas estabelecidas pelos Mestres, nossos Irmãos Maiores, que estão agora a ensinar-nos as lições da vida. A nobreza conseguida pelo anseio de praticar boas ações em favor dos nossos companheiros menos desenvolvidos, é a chave para obtermos a sua preferência. Vimos que quando Elsa estava em perigo, foi-lhe enviada uma alma nobre para ensiná-la e guiá-la.
No Livro da Revelação lemos sobre o casamento místico da Noiva e do Cordeiro. Esse enlace existe na experiência de cada alma e sempre sob as mesmas circunstâncias. Um dos primeiros requisitos é que a alma tenha sido abandonada por todos os demais: deve estar sozinha, sem nenhum amigo no mundo. Quando este ponto for atingido, quando a alma não conta com nenhum socorro de origem terrena, quando se volta com todo seu coração para o céu e reza pela libertação, então, chega o libertador e também o pedido de casamento. Em outras palavras, o verdadeiro Mestre sempre vem em resposta às preces sinceras do aspirante, mas não antes que este tenha abandonado o mundo e tenha sido abandonado por ele. O Mestre se oferece para cuidar daquele que anseia por um guia e, imediatamente, vence a mentira com a espada da verdade, mas, tendo dado esta prova, exige doravante uma fé absoluta e inquestionável. Lembre-se por favor - deixe que isto fique gravado em sua mente, com letras de fogo e no mais íntimo do seu ser. Quando o Mestre vem, em resposta às orações do aspirante (que não devem ser apenas palavras mas uma vida de aspiração), é-lhe dada a prova indubitável e inquestionável do poder e habilidade do Mestre para ensiná-lo, guiá-lo e ajudá-lo. Daí para a frente, é exigido que haja fé absoluta nEle, do contrário, torna-se-Lhe impossível trabalhar com o aspirante.
Esta é a grande lição ensinada por Lohengrin e tem em si uma suprema importância. Há, atualmente, milhares de pessoas andando pelas ruas de muitas cidades, olhando para lá e para cá, procurando um Mestre. Alguns pretendem tê-lo encontrado ou iludem-se com essa crença: mas a exigência que é enunciada em Lohengrin é um requisito verdadeiro. O Mestre deve, quer e prova sua, capacidade. Ele é conhecido por seus frutos. Em troca, exige lealdade, e a não ser que esta fé, esta lealdade, esta prontidão em servir, esta disposição para fazer o que for exigido estejam disponíveis no aspirante, o relacionamento estará terminado. Não importa quão amargas sejam as lágrimas de arrependimento que possam ser vertidas no caso do aspirante falhar em sua lealdade para com o Mestre; não importa quão sincero seja seu arrependimento, a próxima oportunidade não virá na sua vida presente.
Portanto, é da máxima importância que aqueles que procuram a Iniciação compreendam que há algo que devem observar no pretenso Mestre, antes de aceitá-lo. Ele deve mostrar os frutos de seu trabalho, pois como Cristo disse "Vós os conhecereis por seus frutos". Isto o autêntico Mestre sempre apresenta sem lhe ser solicitado e sem parecer fazê-lo ou querer apresentar um sinal. Ele sempre apresenta alguma evidência à qual a mente do aspirante pode unir-se, como uma prova indubitável de seu superior conhecimento e habilidade. Quando isto for demonstrado, é absolutamente essencial que o passo seguinte seja a lealdade ao Mestre. Não importa quem diga isto, aquilo, ou qualquer outra coisa, o aspirante não deve se deixar perturbar, mas apegar-se firmemente ao fato provado, aferrar-se ao que acredita ser verdadeiro e apoiar-se fielmente naquele a quem recorre para ensiná-lo, pois, a não ser que essa fé exista, não há razão para continuar o relacionamento.
Entretanto, é muito significativo, como aprendemos na cena final, que o irmão de Elsa fosse o próprio cisne que levou Lohengrin até sua irmã, e que voltou à sua forma natural quando Lohengrin partiu. Havia passado pela Iniciação. Sem dúvida, ele sabia da situação angustiante de sua irmã, e como uma alma avançada e versada nestes assuntos, compreendia a luta dos outros. Mas, embora visse o dilema desta aspirante sincera ou alma irmã, não teve medo, pois, não foi ele o agente que trouxe o auxílio que ela poderia ter tido permanentemente, se tivesse sido tão fiel como ele o foi?
Max Heindel.

O Crepúsculo dos Deuses.


Quando Siegfried chega à corte de Gunther, Gutrune, a formosa irmã do rei oferece-lhe a taça mágica do esquecimento. Imediatamente ele perde a memória do passado e de Brunilda, o Espírito da Verdade, tornando-se uma alma nua, pronta para lutar a batalha da vida. Mas ele está armado com a sublime essência da experiência anterior. A espada de Nothung, a coragem do desespero, com a qual combateu a ganância e a crença simbolizadas por Fafner, o dragão, e Wotan, o deus, ainda está com ele; também está com Tarncap, ou o capacete da ilusão, que é um símbolo apropriado para o que nos tempos modernos chamamos de poder hipnótico, pois, aquele que colocasse este capacete mágico em sua cabeça apareceria aos outros em qualquer forma que desejasse. E possui ainda o cavalo de Brunilda, Grane, o discernimento, pelo qual ele próprio pode perceber a verdade e distingui-la do erro e da ilusão. Tem ainda poderes que pode usar para o bem ou para o mal, de acordo com a escolha que fizer.
Como já dissemos anteriormente, nossa idéia do que é a verdade muda à medida que progredimos. Gradativamente estamos galgando a trilha da evolução e, ao fazê-lo, fases da verdade antes nunca percebidas aparecem, e o que nos parecia correto num estágio, pode ser errado em outro. Contudo, toda vez que estamos na carne, vemos através do véu da ilusão simbolizado pela chama de Loge que circunda a rocha de Brunilda. Seu corcel Grane, o discernimento, também está conosco, e se lhe dermos rédea solta, a mente do cérebro material que está impregnada com a bebida letal do esquecimento, nunca poderá ganhar ascendência sobre o Espírito.
A primitiva Época Atlante, quando os homens viviam como inocentes "Filhos da Névoa" (Niebelungos) nas bacias nebulosas da Terra, está representada no Ouro do Reno. O último período Atlante é uma época de selvageria, onde a humanidade renega o amor, como fez Albérico, e forma o "Anel" do egoísmo, empregando suas energias para aquisições materiais simbolizadas pelo "tesouro" dos Niebelungos, pelo qual gigantes, deuses e homens lutam com brutalidade selvagem e vil astúcia, como é representado em "As Valquírias".
A primitiva Época Ária marca o nascimento do idealista, simbolizado pelos "Walsungs" (Siegmund, Sieglinda e Siegfried), uma nova raça que aspira, com sagrado ardor, algo novo e mais elevado - cavaleiros valorosos com coragem de manter suas convicções - estando sempre prontos para lutar pela verdade tal como eles a entendiam, e para dar suas vidas como penhor na defesa de suas sinceras convicções. Assim, a idade da selvageria realista deu lugar a uma era de bravura idealista.
Estamos agora na última fase da Época Ária. Os que procuravam a verdade do passado deixaram mais uma vez a rocha flamejante de Brunilda. Novamente assumimos o véu da carne e compartilhamos da bebida letal. Hoje estamos verdadeiramente participando da última parte do grande drama épico "O Crepúsculo dos Deuses", idêntico em importância ao nosso Apocalipse Cristão. "O Evangelho do Reino" nos tem sido pregado; "O Caminho, a Verdade e a Vida" nos foram abertos do mesmo modo que o foram para Siegfried. Estamos sendo provados agora, como ele o foi na corte de Gunther, para ver se viveremos como "casados com a verdade", ou se a tiraremos de seu refúgio e a prostituiremos, como fez Siegfried. Para ganhar a mão de Gutrune, ele arrebatou da mão de Brunilda o emblema do egoísmo, o Anel do Niebelungo, e colocou-o novamente em seu dedo; prendeu Gutrune e levou-a até Gunther para ser sua esposa. Ele a prostituiu e ele próprio cometeu adultério com Gutrune - pois, tendo uma vez desposado a verdade, é adultério espiritual ambicionar as honras do mundo.
Céu e Terra foram ultrajados por esta tremenda traição à verdade. O grande mundo "Ash", a árvore da vida e do ser, treme em suas raízes, onde Urd, Skuld e Verdende, o passado, o presente e o futuro tecem o fio do destino. Começa a escurecer na Terra; a lança de Hagen encontra o único ponto vulnerável do corpo de Siegfried - sua vida é o castigo, e como o mais alto ideal da época fracassou, não há razão para perpetuar a ordem das coisas existentes. Portanto, Heimdal, o guardião celestial, toca seu clarim e os deuses cavalgam pela última vez em procissão solene pela ponte do arco-íris para enfrentar os gigantes na batalha final, envolvendo a destruição do Céu e da Terra.
Este é um ponto muito significativo, pois na abertura do drama encontramos os Niebelungos "no fundo do rio". Mais tarde, Albérico molda o "Anel" em fogo, que só pode arder na atmosfera límpida como a da Época Ária. Nessa época, os deuses também celebraram suas reuniões sagradas na ponte do arco-íris, que é o reflexo do fogo celestial. Quando Noé conduziu os Semitas originais através do "Dilúvio", ele acendeu o primeiro fogo. "O arco" foi, então, colocado nas nuvens para permanecer por toda a época e, durante esse período, ficou convencionado que os ciclos alternantes, verão e inverno, dia e noite, etc., não cessariam. No Apocalipse (IV: 3), João recebeu instruções referentes às "coisas que virão", por "Alguém que tenha um arco-íris em redor de Si"; e mais tarde (X: 1) "um Anjo poderoso, com um arco-íris em sua cabeça proclamará solenemente o fim dos tempos". Está claro pelo mito nórdico e pelos ensinamentos Cristãos, que a época começou quando o arco foi colocado nas nuvens. Quando o arco for removido, a época terminará e novas condições físicas e espirituais surgirão.
O outro fenômeno acompanhando esta época conturbada é apresentado no antigo mito. Loge, o espírito da ilusão, tem três filhos: a serpente Midgaard - que rodeia a Terra mordendo sua própria cauda - é o elemento aquoso, o oceano que refrata e distorce todo objeto nele mergulhado. Os homens temem este elemento traiçoeiro; sempre empalidecem ao pensar no que pode acontecer quando revolto. O lobo Fenris - a atmosfera - também é filho da ilusão (óptica), e o pavoroso rugir da tempestade pode incutir medo no mais destemido coração. Hel - a morte - é a terceira filha de Loge e "a rainha dos terrores". Antes do homem entrar na existência concreta, como está descrito no começo do grande mito e no Gênesis, sua consciência estava focalizada nos mundos espirituais, onde os elementos ilusórios, Loge (fogo), Fenris (ar), e a Serpente (água) inexistem, portanto, a morte também era desconhecida. Mas, durante a presente época, quando a constituição do corpo humano está sujeita à ação dos elementos, a morte física é uma realidade.
Ao som da trombeta de Heimdal, todos os fatores de destruição atacam a planície de Bigrid, a contra-parte de Armageddon, onde os deuses da crença e seus defensores estavam reunidos para uma última pausa. Os filhos de Muspel (o fogo físico) vindos do sul, atacam demolindo a ponte do arco-íris. Os Gigantes de Gelo avançam vindos do norte. Com um grande rugido, Fenris, a atmosfera condutora da tempestade, lança-se sobre a Terra. Sua velocidade é tão terrível que a fricção gera fogo, pelo que se diz que sua mandíbula inferior está sobre a Terra, a superior alcança o Sol e que de suas narinas saem correntes de fogo. Engole Wotan, o deus que é responsável pela idade do ar, quando o arco estava nas nuvens. A serpente Midgaard, ou elemento aquoso, é vencida por Thor, o deus do raio e do trovão, mas quando as descargas elétricas finalmente acabarem com o elemento água, não poderá mais haver raio e trovão; daí o mito nórdico informar-nos que Thor morre pelos vapores que vêm da serpente. No nosso Apocalipse Cristão, também se fala em relâmpagos e trovões e nos é dito que, finalmente, "não haverá mais mar".
Mas, como a Fenix ressurge rejuvenescida e formosa de suas próprias cinzas, assim também uma nova Terra, visualizada pela antiga profetiza, ressurgirá da grande conflagração, mais bela e mais etérica, onde "os elementos derretem-se com o calor ardente". Ela chamou essa Terra de "Gimle", onde não faltaram habitantes, pois, enquanto a grande conflagração acontecia, um homem e uma mulher chamados Lif e Liftharaser (lif significa vida) foram salvos, e deles surge uma nova raça que vive em paz e perto de Deus.

"Um vestíbulo eu vejo,
mais brilhante que o Sol,
Com ouro revestido,
No cume de Gimle,
Lá viverá
Uma raça virtuosa e, na verdade,
Abençoada será
Até a eternidade.
"Dela vem o Onipotente - o Todo - o Pai,
Para a reunião dos deuses,
Na Sua força que do alto vem.
Ele, que por todos pensa bem,
Emite opiniões, sabe julgar;
Com as desavenças consegue acabar,
A paz estabelecer
E para sempre durar".
O antigo mito nórdico ensina, mas por um ângulo diferente, as mesmas verdades encontradas em maior plenitude nas Escrituras Cristãs, desde o Gênesis até o Apocalipse, e é importante que percebamos a verdade destes contos. Infelizmente, há muitos no grupo descrito por Pedro que dizem: "Onde está a promessa de Sua vinda? Desde que os antepassados adormeceram, todas as coisas continuam como eram no princípio". Há poucos que compreendem a importância da afirmação no segundo capítulo do Gênesis, de que "uma névoa elevou-se do solo e molhou a terra antes que chovesse", e que, portanto, os filhos da névoa devem ter sido fisiologicamente diferentes dos homens de hoje, que respiram ar desde "o dilúvio", quando a névoa condensou-se e tornou-se mar. Mas, com a mesma certeza de que ocorreram essas mudanças no passado, assim também estamos na iminência de novas mudanças. É verdade que poderá não acontecer em nossos tempos - "essa hora não a conhece o homem, nem os Anjos, nem o Filho" - e, repetidamente, o aviso de Noé é-nos apresentado nesta passagem. Naquele dia, eles comeram e beberam, casaram e foram dados em matrimônio, mas, subitamente, as águas os envolveram e todos os que não haviam desenvolvido os requisitos fisiológicos, pulmões, necessários para viver na nova condição, pereceram. A Arca conduziu os pioneiros em segurança através da catástrofe.
Para que a próxima transformação ocorra em segurança, é necessário tecer o Dourado Manto Nupcial, e é de suma importância que trabalhemos para isso. A mesma soma psuchicon ou "corpo-alma" mencionado por Paulo (I Cor. XV: 44), é um veículo etérico de primordial importância, pois, quando os elementos atuais forem dissolvidos na transformação iminente, como poderemos sobreviver se pudermos funcionar, como agora, apenas num corpo denso?
A raça Germano-Anglo-Saxônica será, com certeza, sucedida por mais duas outras, antes que a Sexta Época seja definitivamente introduzida, mas hoje, e proveniente da nossa estirpe, está sendo preparada a semente para a Nova Era. É exatamente a missão da Ordem Rosacruz, trabalhando através da Fraternidade Rosacruz, propagar um método científico de desenvolvimento, adequado especialmente para os povos ocidentais, pelo qual este Manto Nupcial poderá ser tecido, para que possamos apressar o dia do Senhor.Max Heindel.

MISTÉRIOS DAS GRANDES ÓPERAS.


O Anel dos Deuses
Ao apropriar-se de uma parte do ouro do Reno, que representa o Espírito Universal, e transformando-o em um anel, simbolizando que o Espírito não tem princípio nem fim, o Ego veio à existência como uma entidade separada. Dentro dos limites deste anel áurico, ele é regente supremo, auto-suficiente, ressentindo-se de qualquer intromissão em seus domínios. Assim, ele se coloca além do âmbito da fraternidade. A parábola do filho pródigo diz-nos que ele vagueou para longe do Pai, mas, mesmo antes de perceber que estava se alimentando dos resíduos da matéria, a religião surgiu para guiá-lo de volta ao seu lar eterno, para libertá-lo da ilusão e da desilusão próprias da existência material, para redimi-lo da morte que ocorre nesta fase da incorporação densa, e mostrar-lhe o caminho para a verdade e para a vida eterna.
No mito teutônico, as sentinelas da religião são representadas como deuses. Seu chefe é Wotan, que é idêntico ao Mercúrio latino, e Wotansday (dia de Wotan), ou Wednesday (quarta-feira) é assim chamado em sua honra. Freya, a Vênus da Noruega, era a deusa da beleza, que alimentava os outros deuses com maçãs douradas que preservavam-lhes a juventude. Friday (sexta-feira) é seu dia. Thor, o Júpiter dos escandinavos, dirige seu carro pelos céus e o barulho que se ouve é o trovão, e o relâmpago são as faíscas que voam de seu martelo quando golpeia seus inimigos. Loge é o nome do deus de Sábado. (Lorday em escandinavo, um derivado de lue que é o nome escandinavo para chama) Ele não é propriamente um dos deuses, mas é relacionado com os gigantes ou forças da natureza. Sua chama não é apenas a chama física, mas é também o símbolo da ilusão, e ele próprio é o espírito da fraude, às vezes, conseguindo os favores dos deuses e traindo os gigantes, outras vezes, enganando os deuses e ajudando os gigantes para favorecer seus próprios planos. Como Lúcifer, o flamejante Espírito de Marte, ele também é um espírito de negação, e alegra-se em obstruir a vida como o frio Saturno.
Há na mitologia nórdica uma referência a um culto ainda mais antigo, no qual as divindades da água eram adoradas, mas os deuses que mencionamos as substituíram, e diz-se que cavalgavam para o lugar do julgamento, todos os dias, sobre uma ponte de arco-íris, Bifrost. Assim, vemos que esta religião data do alvorecer da época presente, quando a humanidade emergiu das águas de Atlântida para a clara atmosfera de Ariana - na qual estamos vivendo agora - e onde contemplou o arco-íris pela primeira vez.
Foi dito a Noé, quando ele guiou a humanidade primitiva afastando-a do dilúvio, que, enquanto o sinal do arco-íris permanecesse nas nuvens, os ciclos alternantes de verão e inverno, noite e dia, não cessariam. O mito nórdico também nos mostra os deuses reunidos na ponte do arco-íris no princípio desta era. Ele e os deuses permanecerão até o momento em que termine esta fase de nossa evolução, um acontecimento que será mostrado para ser idêntico à descrição dada no Apocalipse Cristão e que o mito escandinavo ajudará a explicar.
A verdade é universal e ilimitada. Não conhece fronteiras, mas, quando o Ego envolveu-se num anel de veículos separados que segregou, o dos outros, esta limitação tornou-o incapaz de compreender a verdade absoluta. Portanto, uma religião incorporando a plenitude da verdade pura teria sido incompreensível para a humanidade e inadequada para ajudá-la. Como uma criança que vai para a escola e aprende algumas lições elementares no primeiro ano, preparando-se para enfrentar problemas mais complicados no futuro, assim foram dadas à humanidade religiões da mais primitiva natureza, a fim de educá-la para algo mais elevado através de estágios gradualmente fáceis.
Desta maneira, os sentinelas da religião, os deuses, são representados como desejosos de construir uma fortaleza murada para que possam entrincheirar-se por detrás dessa barreira e concentrar seus poderes contra a outra fé. O Espírito não pode ser limitado sem enredar-se no materialismo; portanto, os deuses, aconselhados por Loge, o espírito da fraude e da desilusão, fazem um pacto com os gigantes, Fafner e Fasolt (representando o egoísmo) para construir a muralha da limitação. Quando essa muralha cerca os deuses, eles perdem a luz universal e o conhecimento; em conseqüência, o mito deseja que parte do pagamento para os construtores do Valhal, sejam o Sol e a Lua.
Além disso, quando a religião limitou-se a ficar por detrás da muralha da crença, o espírito do declínio é apresentado; envelhece como uma vestimenta. Diz-se que Wotan (sabedoria ou razão), concordou em dar Freya, a deusa da beleza, aos gigantes, pois ela alimentava os deuses com suas maçãs douradas para preservar-lhes a juventude. Seguindo o conselho de Loge, o espírito da fraude, os deuses sacrificaram sua luz e seu conhecimento pela esperança da vantagem de uma eterna juventude. Como já foi dito, este procedimento era de certo modo necessário, senão a humanidade não poderia ter alcançado a verdade em sua plenitude, embora nós não possamos entendê-la, nem mesmo agora.
O poder espiritual da religião é simbolizado pela vara mágica de Arão na Bíblia, pela lança de Parsifal. no mito do Graal, e pela lança de Wotan na história dos Niebelungos. Para firmar o pacto com os gigantes, caracteres mágicos foram talhados no cabo da lança, que assim ficou enfraquecida e, deste modo, fica demonstrado que a religião perde em poder espiritual o que ganha em aspecto material, quando faz um pacto com os governantes do mundo e estabelece intrigas satisfazendo os mais baixos anseios.
De acordo com os ensinamentos dos nórdicos, apenas os que morriam combatendo adquiriam o direito de serem conduzidos ao Valhal. Wotan nada deseja, a não ser guerreiros fortes e poderosos. Os que morriam de enfermidades ou em paz em seus leitos eram condenados ao reino do inferno, o submundo. Isto também encerra uma grande lição, pois ninguém, a não ser os persistentes e os destemidos, que passam seus dias lutando a batalha da vida até o último alento, são dignos de progresso. Os ociosos, que preferem a comodidade e a paz ao trabalho do mundo, não têm direito à promoção na escola da vida. Não importa onde trabalhemos ou qual seja a linha de nossa experiência, é imprescindível que batalhemos fielmente com os problemas da vida conforme eles se nos apresentam. Também não basta que o façamos por um ano ou dois e depois voltemos à inatividade; devemos continuar trabalhando e esforçando-nos até o fim da vida.
Assim, a velha religião nórdica ensina a mesma lição transmitida por Paulo quando aconselhou "paciente perseverança em fazer o bem". Mesmo que compreendamos que não possuímos toda a verdade, mesmo que estejamos limitados pela separatividade - o egoísmo simbolizado pelo Anel de Niebelungo e por credos e convenções representados pelo Anel dos deuses - ainda assim, se cumprirmos nossa tarefa específica com o melhor de nossa capacidade através de toda nossa vida, temos a certeza de. estarmos em direção ao progresso numa era futura. Veremos mais claramente quando eliminarmos o véu do egoísmo; quando, com boa vontade, vivermos a vida aonde fomos colocados, pois os Anjos do Destino não cometem erros. Eles colocaram-nos no lugar onde devemos receber as lições necessárias e assim preparar-nos para uma esfera mais elevada e útil.
É evidente que a condição limitada da crença ditada pelas várias igrejas - a insistência sobre dogmas e rituais - não é o mal maior, como deve ter parecido a muitos. Na realidade, a necessária conseqüência das limitações que incidem sobre a existência material, através da qual o Espírito humano está agora passando, é que deve ser devidamente cuidada. Que o Espírito adquira tanta verdade quanto possa compreender e que ela seja benéfica para seu presente desenvolvimento. Não há necessidade de uma maior preocupação, pois ninguém ficará perdido. "Como em Deus vivemos, nos movemos e temos nosso ser", se alguém ficasse perdido, uma parte do Divino Autor do nosso sistema estaria também perdida, e esta é uma proposição inconcebível.
Mas, enquanto a maioria da humanidade está sendo orientada pelas religiões ortodoxas, há sempre alguns pioneiros - alguns cuja faculdade intuitiva fala-lhes de maiores alturas ainda não escaladas - que enxergam a luz do sol da verdade além da muralha do credo. Suas almas estão enfraquecidas pelos dogmas, e anseiam ardentemente pelo amor e pelas maçãs da juventude vendidas pelos deuses aos gigantes. Mesmo os deuses estão envelhecendo rapidamente, pois nenhuma religião que seja destituída de amor pode esperar reter a humanidade por qualquer período de tempo. Em conseqüência, os deuses foram forçados a procurar novamente os conselhos de Loge, o espírito da fraude, esperando que sua astúcia os libertasse dos dilemas. Loge conta-lhes como Albérico, o Niebelungo, conseguiu acumular um imenso tesouro escravizando seus irmãos. Com o consentimento dos deuses, ele usa de meios fraudulentos para capturar Albérico e força-o a restituir todos seus tesouros. Depois, aproveita-se da natureza avarenta dos gigantes e finalmente consegue resgatar Freya.
Assim, a maldição do Anel (egocentrismo e egoísmo) maculou até mesmo os deuses. Por causa do Anel (poder), Albérico, o Niebelungo, rejeitou o amor. Oprimiu seus irmãos e governou-os com disciplina férrea. A religião, por seu lado, renegou o amor vendendo Freya e enganando, aviltou-se para forçar os governantes do mundo a pagar tributo. Quando o Anel dos Niebelungos passou às mãos dos gigantes, o mau destino o acompanhou, pois um irmão mata o outro para ser o único possuidor das riquezas do mundo.
Os deuses, na verdade, resgataram Freya, mas ela não é mais a pura deusa do amor. Foi prostituída; portanto, ela é apenas a imagem do que foi, e não consegue satisfazer aqueles cuja intuição vêem além da aparência.
Na mitologia escandinava estes são chamados Walsungs. A primeira sílaba é derivada da palavra alemã wahlen, escolher, ou da escandinava vaelge. A última sílaba significa filhos. Eles são filhos do desejo por livre vontade e escolha, e querem escolher seu próprio caminho procurando seguir sua intuição divina.Max Heindel.