contos sol e lua

contos sol e lua

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Perdido Em Sonhos Gélidos.


A solidão me rodeia e meus pensamentos
Eu submeto ao destino
nos meus olhos vazios
meus sonhos perdidos são espelhados para trás
meus pensamentos me levam a caminhos nunca entrou
mas onde os caminhos final?
Eu só vejo escuridão sombria
mas eu nunca posso voltar novamente
meus pés não me quer mais tempo para tomar
a vida faz-me cansado
Eu só quero dormir, finalmente dormir
e esquecer os meus sonhos perdidos
Eu sonho o sonho da eternidade
Eu faria com prazer se tornam reais
e eu não será mais levado em
pela ilusão da vida
a vida parece esquecido
o dia, à noite,
as memórias sem sentido
espelhos volta nos meus sonhos perdidos
uma vida em um mundo sem luz
controlada pela frieza dos meus pensamentos
que me leva lentamente em abismo
até o eterna escuridão me rodeia
as algemas, que me acorrentar a vida
tornam-se cada vez mais fraca
feito com a vida, pronto para enfrentar a morte
esquecer os meus sonhos perdidos para sempre.
Dark Centuries.

Sinos de Notre Dame.


Nascido em um pesaroso berço, deixado nas pedras frias da escada
Condenado a ser desprezado, na escuridão
Condenado a permanecer só
Levado pelas pessoas da igreja, sua alma será escrava de Deus
No belo campário sua imagem é algo impar(de contraste)

Nós vimos um corcunda em Notre Dame
Dançando na mais alta das torres

Arcos e espirais, enchendo seu coração
Profundo como um coro, bom como arte
É minha cela, não é?
Será o repouso de Deus meu inferno?
Oh, meu corpo aprisionado,
Minha pobre alma, eu continuo a portar

Eu sou desagradável, cheio de tristezas
Em meu túmulo gótico não ofiscante
Mas os sinos em meu coração repicarão para sempre
Com o "ding" que pertence ao rei de suas canções
Eu sou o som de Notre Dame

Na roda da vida ele é um horror para a multidão
Quando for a hora ele conseguirá ver o sol entre as nuvens?
olhando para os sinos ele pensa sobre o trágico fato
Quer ser uma rocha ou um metal como sua miserável e companheira alma

Nós ouvimos o corcunda de Notre Dame
Chorando na torre mais alta

Gárgulas e colunas, sua realidade
Cantos solenes, agonia dele
É minha cela, não é?
Será o repouso de Deus meu inferno?
Oh, meu corpo aprisionado,
Minha pobre alma, eu continuo a portar

Eu sou desagradável, cheio de tristezas
Em meu túmulo gótico não ofiscante
Mas os sinos em meu coração repicarão para sempre
Com o "ding" que pertence ao rei de suas canções
Eu sou o som de Notre Dame.Dark Moor.

TERRA MÁGICA.


Na floresta enquanto elfos tocam seus instrumentos Cantando sobre um lugar distante Na colina negra quando os anões cavam a pedra Falam sobre a casa do mago Além das colinas brancas Dobrando o mar dourado Você verá (o) caminho começar (Se) você quer ver (o) sinal Você deve usar sua mente E seguir o vento Corra para a terra mágica onde tudo começou Corra para a terra mágica Mágica está aguardando por você Os acólitos direcionam seus passos para lá Mas eles devem sempre cuidar-se Porque somente o melhor pode sobreviver Onde outros perderão suas vidas Isso pode ser irreal, ou isso pode ser real Procure na sua mente (se) você seguir o indicio Você saberá que isto é verdade E as portas brilharão Mãe dos magos ajude me a entender (Os) segredos da lua e do sol Ensine-me a força e a essência do feitiço Poderes do céu e inferno Se você coloca sua mão Sobre a areia marcada Iremos começar o ritual Terra, agua e fogo E ar nós desejamos Mágica seja certa.Dark Moor.

Um lamento de miséria.

Eu sou o mais sozinho
o dono da melancolia nebulosa
Eu sou o marinheiro
num mar de gritos
esperando na areia
o retorno dos seus encantadores olhos brilhantes
mas eu estou chorando e morrendo
eternamente mentiroso
Debaixo de um temporal
uma sepultura de flores negras
Buraco...
na minha alma

As lágrimas em meu rosto
a chuva num lugar triste
minha alma está se ajoelhando
a maré traz os sentimentos
Eu poderia viver um sonho
onde seu espírito chama nos mares altos
Oh! Minha amada, eu estou sozinho
O tempo passa tão devagar
Eu carrego meu coração
com a dor do desespero
Tristeza...
na costa

Vem da briza
dos mares
as ondas cantam
a doce música em sua memória
nas profundezas
da minha alma
onde as sereias
do oceano
trazem o silêncio
Eu choro

Em meus olhos
há um lamento de miséria
Em meu suspiro
uma escura miséria
Então eu morro
Oh! meu amor

Eu estou sonhando, escuridão envolta
Eu estou velejando na ferida do barco
Anjos gritando
na neblina junto ao mar

(Silencioso, obscuro, loucura das sereias
amando, felicidade, tristeza morrendo
sonhando profundo, sentindo, tristeza
esperando, sombras, olhando, medo
Os anjos estão chorando por mim)

Oh! espelho prateado
seu custo foi um erro
Eu morro arruinado
minha sentença foi dita
Mas na fria espuma
ficam esperanças da minha alma imortal
No crepúsculo o céu queima
e não há retorno
somente minha razão
para viver nesta prisão
Esperando...
na costa.
Dark Moor.

Os Filtros e as Sortes.


JUSTITIA – MYSTERIUM - CANES
A tacamos, agora, o abuso mais criminoso que se pode trazer das ciências mágicas: é a magia, ou antes a feitiçaria envenenadora. Aqui devem compreender que escrevemos, não para ensinar, mas para prevenir.
Se a justiça humana, usando de rigor contra os adeptos, só tivesse atingido os necromantes e feiticeiros envenenadores, é certo, como já o fizemos notar, que os seus rigores teriam sido justos e que as mais severas intimidações nunca podiam ser excessivas contra semelhantes celerados.
T odavia, não se deve crer que o poder de vida e morte que pertence secretamente ao mago sempre tenha sido exercido para satisfazer alguma covarde vingança, ou uma cupidez mais covarde ainda na Idade Média, como no mundo antigo, as associações mágicas muitas vezes fulminaram ou fizeram perecer lentamente os reveladores ou profanadores de mistérios, e, quando o punhal mágico devia abster - se de ferir, quando a efusão de sangue era para temer, a água Toffana, os ramalhetes aromáticos, as túnicas de Nessus e outros instrumentos de morte mais desconhecidos e mais estranhos, serviam para executar, cedo ou tarde, a terrível sentença dos franco - juízes.
Dissemos que existe na magia um grande e indizível arcano, que nunca é comunicado entre os adeptos e que, principalmente, é preciso impedir que os profanos adivinhem; qualquer que outrora revelasse ou fizesse, por imprudentes revelações, os outros acharem a chave deste arcano supremo, era imediatamente condenado à morte e, muitas vezes, forçado a ser o próprio executor da sentença.
O famoso jantar profético célebre de Cazotte, escrito por La Harpe, ainda não foi entendido; e La Harpe, contando - o, cedeu ao desejo tão natural de deixar admirados os seus leitores, amplificando os detalhes. Todos os homens presentes a esse jantar, à exceção de La Harpe, eram iniciados e reveladores, ou ao menos profanadores dos mistérios. Cazotte, mais elevado do que todos eles na escada da iniciação, lhes pronunciou a sua sentença de morte em nome do iluminismo, e esta sentença foi diversamente, mas rigorosamente executada, como outras sentenças semelhantes o tinham sido, vários anos e vários séculos antes, contra o abade de Villars, Urbano Grandier e tantos outros, e os filósofos revolucionários pereceram, como deviam perecer também Cagliostro abandonado nas prisões da inquisição, o bando místico de Catarina Theos, o imprudente Schroepffer, forçado a matar- se no meio dos seus triunfos mágicos e da admiração universal, o desertor Kotzebüe, apunhalado por Carl Sand, e tantos outros, cujos cadáveres são achados sem que se saiba a causa da sua morte súbita e sangrenta.
Lembramo - nos da estranha alocução que dirigiu ao próprio Cazotte, condenando - o à morte, o presidente do tribunal revolucionário, seu confrade e co - iniciado. O enredo do drama de 93 ainda está escondido no santuário mais obscuro das sociedades secretas; aos adeptos de boa fé, que queriam emancipar o povo, outros adeptos, de uma seita oposta, e que estavam ligados a tradições mais antigas, fizeram uma oposição terrível por meios análogos aos dos seus adversários: tornaram impossível a prática do grande arcano, desmascarando a teoria. A multidão nada entendeu, mas desconfiou de todos, e caiu, por falta de ânimo, mais baixo do que estava. O grande arcano ficou mais desconhecido do que nunca: somente os adeptos, neutralizados uns pelos outros, não puderam exercer o seu poder, nem para dominarem os outros, nem para se libertarem a si próprios; eles se condenaram, pois, mutuamente como traidores e votaram uns aos outros ao exílio, ao suicídio, ao punhal e ao cadafalso.
Perguntar -me -ão, talvez, se perigos tão horríveis ameaçam ainda, nos nossos dias, quer o intruso do santuário, quer os reveladores do arcano. Para que hei de responder à incredulidade dos curiosos? Se me exponho a uma morte violenta para os instruir, certamente não me salvarão; se tiverem medo para si mesmos, que se abstenham de investigações imprudente: eis tudo o que lhes posso dizer.
Magia envenenadora.
Alexandre Dumas, no seu romance de Monte Cristo , revelou algumas das práticas desta ciência funesta. Não repetiremos, depois dele, as tristes teorias do crime, como se envenenam as plantas, como os animais alimentados com plantas envenenadas adquirem uma carne doentia, e pode, quando servem, por sua vez, de alimento aos homens, lhes causar a morte, sem que o veneno deixe sinal; não diremos como, por unções venenosas, se envenenam as paredes das casas e o ar respirável por fumigações, que exigem do operador o uso da máscara de vidro de Santa Cruz; deixaremos à antiga Canidia os seus abomináveis mistérios, e não procuraremos até que ponto os ritos infernais de Sagana aperfeiçoaram a arte de Locusta. Seja -nos suficiente dizer que estes malfeitores da pior espécie distilavam junto o vírus das doenças contagiosas, o veneno dos répteis e o suco nocivo das plantas; que tiravam do cogumelo o seu humor viscoso e narcótico, do datura stramonium seus princípios asfixiantes, do pessegueiro e do loureiro -amêndoa o veneno de que uma só gota na língua ou no ouvido, como um raio, faz cair e mata o ser vivo mais bem constituído e mais forte. Faziam ferver o suco branco do timalo o leite em que tinham afogado víboras e áspides; colhiam com cuidado e traziam das suas viagens, ou faziam vir, por altos preços, a seiva de uma árvore venenosa das Antilhas e os frutos de Java, o suco da mandioca e de outros venenos; pulverizavam o sílex, misturavam com cinzas impuras a baba seca dos répteis: compunham filtros horrendos com o vírus dos jumentos enraivecidos e as secreções das cadelas com cio. O sangue humano se misturava com drogas infames, e disso compunham um óleo que matava só pelo mau cheiro: isto lembra a torta burbônica de Panurgo. Até escreviam receitas de envenenamentos, disfarçando - as sob os termos técnicos da alquimia, e, em mais de um velho livro considerado hermético, o segredo do pó de projeção não é outro senão o pó de sucessão. No grande Grimório , ainda se acha uma dessas receitas menos disfarçadas do que as outras, mas somente intitulada Meio de fazer ouro : é uma horrível decocção de verdete, vitríolo, arsênico e serragem de madeira, que deve, para ser boa, consumir imediatamente um ramo que nela for molhado e roer rapidamente um prego. João Batista Porta, na sua Magia Natural , dá uma receita do veneno dos Bórgias; mas, como me se pensa, ele zomba do público e não divulga a verdade, muito perigosa em tal matéria. Podemos, pois, dar aqui a receita de Porta, somente para satisfazer a curiosidade dos nossos leitores.
O sapo, por si mesmo, não é venenoso, mas é uma esponja de venenos: é o cogumelo do reino animal. Tomai, pois, um grande sapo, diz Porta, e prendei - o numa garrafa com víboras e áspides; dai - lhes para alimento, durante vários dias, cogumelos venenosos, a digital a cicuta, depois irritai - os, batendo - lhes, queimando - os e atormentando - os de todas as maneiras, até que morram de raiva e de fome; salpicai - os, então, de escuma de cristal pulverizado e eufórbio, depois, pô - los - eis numa redoma bem fechada e fareis secar lentamente toda sua umidade pelo fogo; em seguida, deixareis esfriar e separareis a cinza dos cadáveres do pó incombustível que tiver ficado no fundo da redoma: tereis, então, dois venenos, um líquido e outro em pó. O líquido será tão eficaz, como a água Toffana, o pó fará dessecar ou envelhecer em alguns dias, depois morrer no meio de horríveis sofrimentos, ou uma atonia geral, aquele que dele tiver tomado uma pitada misturada com a sua bebida. É preciso convir que esta receita tem uma fisionomia mágica das mais feias e mais negras, e que lembra, indignando o coração, as abomináveis cozinhas de Canidia e Medéia.
Eram semelhantes pós que os feiticeiros da Idade Média pretendiam receber no Sabbat , e que vendiam a elevado preço à ignorância e ao ódio: é pela tradição de semelhantes mistérios que espalhavam o espanto nos campos e chegavam a lançar sortes. Uma vez ferida a imaginação, uma vez atacado o sistema nervoso, a vítima perecia rapidamente, e até o terror de seus pais e amigos acabava a sua perda. O feiticeiro e a feiticeira eram quase sempre uma espécie de sapo humano, inchado de velhos rancores: eram pobres, repelidos de todos, e, por conseguinte, odiosos. O temor que inspiravam era a sua consolação e vingança; envenenados também por uma sociedade de que só tinham conhecido as escórias e os vícios, envenenavam por sua vez os que eram tão fracos para os temer, e vingavam - se na beleza e na juventude a sua velhice maldita e sua imperdoável fealdade.
Só a operação destas más obras e a realização destes horrendos mistérios constituíam e confirmavam o que então era chamado o pacto com o mau espírito. É certo que o operador devia pertencer ao mal em corpo e alma, e que merecia justamente a reprovação universal e irrevogável expressa pela alegoria do inferno. Que almas humanas tenham descido a este grau de malvadez e demência, isto deve nos espantar e afligir, sem dúvida; mas não é preciso uma profundidade para base da altura das mais sublimes virtudes, e o abismo dos infernos não mostra, por antítese, a elevação e grandeza infinita do céu?
No Norte, onde os instintos são mais reprimidos e mais vivazes; na Itália, onde as paixões são mais expansivas e mais ardentes, ainda são temidas as sortes e o mau olhado; em Nápoles, não é desafiada impunemente a jettatura , e até reconhecemos, por certos sinais exteriores, os seres desgraçadamente dotados desse poder.
Para garantir - se contra isso, é preciso trazer consigo chifres, dizem os práticos, e o povo, que toma tudo ao pé da letra, apressa - se em enfeitar - se com pequenos cornos, sem pensar mais no sentido desta alegoria. Os chifres, atributos de Júpiter, Ammon, Baco e Moisés, são símbolos da força moral ou do entusiasmo; e os magos querem dizer que, para desafiar a jettatura , é preciso dominar por uma grande ousadia, um grande entusiasmo ou um grande pensamento a corrente fatal dos instintos. È assim que quase todas as superstições populares são as interpretações profanas de algum grande axioma ou maravilhoso arcano da sabedoria oculta. Pitágoras, escrevendo os seus admiráveis símbolos, não legou aos sábios uma filosofia perfeita, e ao vulgo uma nova série de vãs observâncias e práticas ridículas? Assim, quando dizia: ”Não pises no que cai da mesa, não cortes as árvores do grande caminho, não mates a serpente que caiu no teu quintal ”, não dava ele, sob alegoria transparentes, os preceitos da caridade, quer social, quer particular? E quando dizia: “Não te olhes no espelho com a luz da vela ”, não é um modo engenhoso de ensinar o verdadeiro conhecimento de si mesmo, que não poderia existir com as luzes factícias e os preconceitos dos sistemas? O mesmo acontece com todos os outros preceitos de Pitágoras, que, como se sabe, foram seguidos ao pé da letra por uma multidão de discípulos imbecis, a ponto de, entre as observâncias supersticiosas das nossas províncias, existir um tão grande número delas, que, evidentemente, remontam à inteligência primitiva dos símbolos de Pitágoras.
Superstição vem de uma palavra latina que significa sobreviver. É o sinal que sobrevive ao pensamento; é o cadáver de uma prática religiosa. A superstição é, para a iniciação, o que a idéia do diabo é para a de Deus. É nesse sentido que o culto das imagens é proibido e que o dogma mais santo na sua concepção primitiva pode tornar- se supersticioso e ímpio, quando se perderam a sua inspiração e o seu espírito. É então que a religião, sempre única como a razão suprema, muda de vestimentas e abandona os antigos ritos à cupidez e embuste dos caídos, metamorfoseados, pela sua malícia e ignorância, em charlatões e pelotiqueiros.
Podemos comparar às superstições os emblemas e caracteres mágicos, cujo sentido não é mais entendido, e que são gravados casualmente nos amuletos e talismãs. As imagens mágicas dos antigos eram pantáculos, isto é, sínteses cabalísticas. A roda de Pitágoras é um pantáculo análogo ao das rodas de Ezequiel, e estas duas figuras são os mesmos segredos e a mesma filosofia; é a chave de todos os pantáculos, e já falamos dela. Os quatro animais, ou antes a esfinge de quatro cabeças do mesmo profeta, são idênticos a um admirável símbolo indiano, cuja figura damos aqui, e que se refere à ciência do grande arcano.
O querubim de quatro cabeças da profecia de Ezequiel, explicado pelo duplo triângulo de Salomão. Em baixo a roda de Ezequiel, chave de todos os pentaculos e o pentáculo de Pitágoras. O querubim de Ezequiel é representado aqui como o profeta descreve. As suas quatro cabeças são o quaternário de Mercavah; as suas seis asas são o senario de Berechit. A figura humana no centro representa a razão; a cabeça de águia, a crença, o boi a resignação e o trabalho ; o leão é a luta e conquista. Este símbolo é análogo ao da esfinge dos egípcios, mas é mais próprio para a Cabala dos Hebreus.
São João, no seu Apocalipse , copiou e amplificou Ezequiel, e todas as figuras monstruosas deste livro são tantos pantáculos mágicos de que os cabalistas facilmente acham a chave. Mas os cristãos, tendo rejeitado a ciência, no desejo de amplificar a fé, quiseram esconder por mais tempo a origem do seu dogma, e condenaram ao fogo os livros de Cabala e magia. Destruir os originais é dar uma espécie de originalidade as cópias, e São Paulo, sem dúvida, o sabia muito bem, quando, nas intenções louváveis, realizava o seu auto de fé científico de Éfeso. É assim que, seis séculos mais tarde, o crente Omar devia sacrificar à originalidade do Alcorão a biblioteca de Alexandria, e quem sabe, no porvir, um futuro apóstolo não quererá incendiar nossos museus literários e confiscar a imprensa em proveito de alguma predileção religiosa e de alguma lenda novamente acreditada?
O estudo dos talismãs e pantáculos é um dos mais curiosos da magia, e se refere à numismática histórica. Existem talismãs indianos, egípcios e gregos, medalhas cabalísticas provindas dos hebreus antigos e modernos, abraxas gnósticos, amuletos bizantinos, moedas ocultas, em uso entre as sociedades secretas e chamadas, às vezes, senhas do Sabbat , medalhas dos Templários e jóias de franco -maçons. Coglienus, no seu Tratado das Maravilhas da Natureza , descreve os talismãs de Salomão e do rabino Chael. As figuras de maior número de outros, e mais antigos, foram gravadas nos calendários mágicos de Tycho -Brahé e Duchenteau, e devem ser reproduzidos, na totalidade ou em parte, nos fastos iniciáticos do Sr. Ragon.Eliphas Levi - Dogma e Ritual da Alta Magia.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Renascimento e a Bebida Letal.



Nosso nascimento não é mais que um sonho e um esquecimento.
A alma que conosco se eleva, nossa Estrela da vida,
Teve seu pôr-do-sol em qualquer outro lugar
E vem de longe.
Não está em completo esquecimento,
Nem em total nudez parece estar.
-Wordsworth
Quando Siegfried deixa a rocha da Valquíria e chega à corte mundana de Gunther, dão-lhe uma bebida preparada para fazê-lo esquecer tudo sobre sua vida passada e sobre Brunilda, o Espírito da Verdade, a quem ele havia conquistado para si.
Supõe-se que a doutrina do renascimento foi ensinada apenas nas antigas religiões do Oriente, mas um estudo da mitologia escandinava logo desmentirá esse conceito errôneo. Na verdade, eles acreditavam tanto no renascimento como na Lei de Causa e Efeito aplicada à conduta moral, até que o Cristianismo obscureceu essas doutrinas por razões descritas no "Conceito Rosacruz do Cosmos". É curioso ler sobre a confusão causada quando a antiga religião de Wotan estava sendo suplantada pelo Cristianismo. Os homens acreditavam realmente no renascimento, mas o repudiavam externamente, como é mostrado na seguinte história sobre Santo Olaf, rei da Noruega, um dos primeiros e mais ardorosos convertidos ao Cristianismo. Quando Asta, a rainha do rei Harold, estava em trabalho de parto, mas não conseguia dar à luz, um homem chegou à corte trazendo algumas jóias, sobre as quais relatou o seguinte: O rei Olaf Geirstad, que havia reinado na Noruega há muitos anos e era o ancestral direto de Harold, havia-lhe aparecido num sonho e instruiu-o a abrir o grande outeiro em que jazia seu corpo e, depois de separá-lo da cabeça com uma espada, devia levar à rainha certas jóias que encontraria no caixão, e suas dores, então, cessariam. As jóias foram levadas ao aposento da rainha, e, logo em seguida, ela deu à luz uma criança do sexo masculino, ao qual deram o nome de Olaf. Era crença geral que o espírito de Olaf Geirstad tinha passado para o corpo da criança, que assim levou seu nome.
Muitos anos depois, quando Olaf se tornou Rei da Noruega e abraçou o Cristianismo, cavalgava um dia, como fazia com freqüência, pelo outeiro onde jazia seu ancestral, e um cortesão que o acompanhava perguntou:
- "É verdade, meu senhor, que vós em outra época jazíeis neste outeiro?"
- "Nunca meu espírito habitou dois corpos", respondeu o rei.
- "Contudo, conta-se que ouviram-vos dizer, ao passar por este outeiro: "Eu estava aqui. Aqui eu vivia".
- "Eu jamais disse isto", retorquiu o rei, "eu nunca direi tal coisa".
Estava muito embaraçado e cavalgou em outra direção, provavelmente para evitar discutir uma convicção íntima que todos os dogmas da nova fé não conseguiram erradicar.
A verdade é que todos os povos antigos, tanto no Leste como no Oeste, sabiam muito sobre nascimento e morte, o que foi esquecido nos tempos modernos porque a segunda visão era, então, mais predominante. Até hoje, muitos camponeses da Noruega asseguram ter capacidade de ver o Espírito saindo do corpo na ocasião da morte, como uma nuvem branca, comprida e estreita, que é certamente o corpo vital. Os Ensinamentos Rosacruzes - de que os mortos pairam em torno de suas moradas terrestres por algum tempo depois da morte, que assumem um corpo luminoso e que ficam extremamente afligidos pelo pesar de seus entes queridos - eram de conhecimento geral entre os antigos nórdicos. Quando o finado rei Helge da Dinamarca materializou-se para mitigar o pesar de sua viúva, e ela exclamou angustiada:
"O orvalho da morte banhou teu corpo de guerreiro", ele respondeu:
"És tu, Sigruna,
A causa única
De que Helge. seja banhado
Pelo orvalho da tristeza.
Não queres pôr fim a teu pesar,
Nem as amargas lágrimas secar.
Cada lágrima ensangüentada.
Cai em meu peito gelada.
Elas não me deixam descansar".
Quando os estudantes compreendem o renascimento, geralmente perguntam porque a memória de vidas passadas é apagada, e muitos sentem um desejo quase incontrolável de conhecer o passado. Eles não podem entender o benefício que decorre da bebida letal do esquecimento, e olham com inveja as pessoas que alegam conhecer suas vidas passadas - quando asseguram haver sido reis, rainhas, filósofos, padres, etc. Contudo, há um propósito altamente benéfico neste esquecimento, pois nenhuma experiência tem valor na vida, exceto pela impressão que ela deixa na vivência "post-mortem", no purgatório ou no céu. Esta impressão atua de tal maneira que, em determinado momento, dirige, adverte ou impele a uma certa linha de ação. Este aviso ou impulso, embora dissociado da experiência da, qual foi extraído, age com maior rapidez do que aquela do pensamento.
Para esclarecer este ponto, talvez possamos comparar este registro, gravado em nossos mais sutis veículos, a um disco, cujo movimento faz com que uma bateria de diapasões colocada perto dele vibre quando cada nota é tocada. Do ponto de vista externo, parece não haver razão por que um certo denteado num disco deva corresponder a um outro no diapasão e, quando a agulha cai nesse denteado, um determinado som deve ser produzido, o que fará o diapasão vibrar. Mas, entendamos ou não, a demonstração indica uma ligação de tonalidade entre esse pequeno denteado e o diapasão. E isto não depende de um conhecimento de como a impressão foi gravada no disco, ou o que fez o diapasão responder a essa vibração. Ela está lá, quer conheçamos ou não todos os fatos sobre isso.
De igual maneira, quando tivemos uma certa experiência na vida, tenha sido alegre ou não, ela é condensada na experiência "post-mortem", deixando uma determinada impressão na alma que serve para prevenir, se a experiência for purgatorial, e para estimular, se for celestial. Numa vida posterior, quando uma experiência surge semelhante à que causou a impressão, a vibração é sentida pela alma, despertando o tom da dor ou do prazer no registro da vida passada, de forma mais rápida e exata do que se a própria experiência fosse evocada perante nossa visão mental. Atualmente, ainda não somos capazes de ver a experiência na sua luz verdadeira, pois estamos impedidos pelo véu da carne. Mas o fruto da experiência colhido no céu ou no inferno diz-nos, sem perigo de errar, se devemos repetir ou evitar nosso passado. Além disso, se nós realmente conhecêssemos nossas vidas passadas e por nossos atuais esforços tivéssemos conquistado a faculdade de viver bem e dignamente, mesmo sabendo que pautamos nossas vidas pela devassidão, crueldade, crime e egoísmo; e agora, em conseqüência disso, as pessoas nos desprezassem, nós acharíamos que elas não deveriam julgar-nos pelo passado. e estariam erradas em condenar-nos ao ostracismo. Argüiríamos que o julgamento deveria ser baseado nos esforços meritórios de nossa vida presente, com exclusão de condições anteriores, e nisto estaríamos totalmente certos. Pela mesma razão, por que deveríamos exigir honras na vida presente, adulação ou admiração, só porque em vidas anteriores fomos reis e rainhas? Mesmo se fosse verdade que tivéssemos ocupado essas posições, por quê deveríamos expor-nos ao ridículo dos céticos contando essas histórias? Portanto, quer tenhamos ou não memória de nossas vidas passadas, é melhor concentrarmos nossos esforços sobre as possibilidades mais elevadas de hoje.
Não há dúvida de que a pessoa que for capaz de investigar a Memória da Natureza, e o fizer pela investigação ligada ao progresso e evolução do homem, cedo ou tarde entrará em contato com vislumbres de seu próprio passado. Mas, um verdadeiro servidor, que sente ser um trabalhador na vinha de Cristo, nunca se desviará do caminho do serviço para seguir a trilha da curiosidade. O discípulo que recebe os ensinamentos dos Irmãos Maiores é advertido, na primeira Iniciação, a nunca empregar seu poder para satisfazer a curiosidade, e, em todas as suas visitas subseqüentes ao Templo, esta idéia lhe é relembrada.
A diferença entre o uso legítimo e o ilegítimo dos poderes espirituais é tão tênue e sutil que, à medida que crescemos neste campo, as restrições pelas quais nos sentimos cercados multiplicam-se tanto, que se a narrativa fosse contada a outros, noventa entre cem diriam: "Então, qual é a vantagem de desenvolver a visão espiritual ou ser capaz de sair do corpo? Ao ficarmos tão limitados, quando a possibilidade de transgredir é tão multiplicada, não há vantagem em possuir essas faculdades". Respondemos que elas são realmente de grande valor e a responsabilidade é apenas o resultado natural de maior crescimento anímico.
Um animal toma livremente qualquer coisa que deseje, não comete nenhum pecado e não é considerado responsável por seus atos porque não tem consciência disso. Mas, desde que a idéia do "meu" e "teu" foi impressa na nossa consciência, surge, em decorrência, a responsabilidade. À medida que nosso conhecimento cresce, aumenta essa responsabilidade, e quanto mais refinadas forem as qualidades da alma, mais sutis serão as distinções entre o certo e o errado. Isto observamos em nossas vidas diárias, onde os critérios do que é permissível ou não, variam conforme o caráter de cada indivíduo.
E quando desejamos esse poder, pelo qual podemos conhecer o passado, descobrimos que não há razão para usá-lo para nosso engrandecimento, nem para obter riquezas e poderes mundanos. Assim, a vida ou vidas que tenhamos levado estão ocultas para nós por um propósito, isto é, até sabermos como abrir a porta, mas, quando tivermos a chave, provavelmente não vamos querer usá-la.
Por essa razão, é dada a Siegfried a bebida letal no momento em que entra na corte de Gunther. Imediatamente ele se esquece de sua vida passada com Mime, o anão, que alega ser ele seu filho. Esquece como forjou a espada mágica, "a coragem do desespero", que tanto o ajudou na luta com Fafner, o espírito da paixão e do desejo. Esquece que foi assim que conquistou o Anel do Niebelungo, o emblema do egoísmo, pelo qual adquiriu conhecimento de sua verdadeira identidade espiritual e matou Mime, a personalidade, que erradamente alegou ser seu progenitor. Esquece como, sendo um Espírito livre não dominado pelo medo, quebrou a lança de Wotan, a sentinela do credo, e seguiu o pássaro da intuição até a morada do adormecido Espírito da Verdade. Esquece seu casamento com ela e o voto de altruísmo subentendido quando lhe deu o Anel.
Mas, cada um destes importantes acontecimentos deixou impressões em sua alma e agora ele deve ser provado, isto é, verificar se aquela impressão foi profunda ou superficial. A tentação sobrevém-nos, vida após vida, até que o tesouro armazenado no prova pela tentação na Terra céu tenha sido posto à se agüentará ou não a traça da corrupção. Depois do Batismo, quando o Espírito de Cristo ocupou o corpo carnal de Jesus, este foi levado ao deserto da tentação para provar sua fraqueza ou sua força. Do mesmo modo e depois de cada experiência celeste, devemos esperar ser reconduzidos à Terra para que possamos aprender a resistir ou a cair na fornalha da aflição.Max Heindel.

O Preço do Pecado e os Caminhos da Salvação.


"O preço do pecado é a morte", diz a Bíblia e quando semeamos para a carne, por certo colheremos corrupção. Também não devemos ficar surpresos quando alguém de caráter negativo, como os Filhos de Seth representados por Margarida no mito de Fausto, torna-se vítima desta lei da Natureza, logo após ter cometido o pecado. A rápida prisão de Margarida pelo crime de matricídio é uma ilustração de como funciona a lei. O sagrado horror da igreja, que foi omissa não a protegendo enquanto ainda havia tempo, é um exemplo de como a sociedade procura encobrir sua negligência e ergue suas mãos chocada pelos crimes pelos quais, em grande parte, é a própria responsável.
Se o padre, em vez de cobiçar as jóias, tivesse ficado atento à confidência de Margarida, poderia tê-la ajudado em tão dura sina, e, embora ela pudesse ter sofrido por perder seu amado, teria conservado sua pureza. Contudo, é pela intensidade da dor que a alma sofredora encontra seu caminho de volta à fonte de seu ser, pois nós todos, como filhos pródigos, deixamos nosso Pai no Céu, afastamo-nos dos reinos do espírito e alimentamo-nos das escórias da matéria para adquirir experiência e ganhar individualidade.
Quando estamos no abismo do desespero, começamos a compreender nossa alta linhagem e exclamamos: "Vou erguer-me e ir ao encontro de meu Pai". Ser membro de uma igreja, ou estudar o misticismo do ponto de vista intelectual, não trazem a compreensão do até onde, que é necessário para podermos seguir o Caminho. Porém, quando estamos despojados de todo apoio mundano, quando estamos doentes ou na prisão, encontramo-nos mais próximos e somos mais queridos do Salvador do que em qualquer outro momento. Portanto, Margarida na prisão, proscrita pela sociedade, está mais próxima de Deus do que aquela inocente, bela e pura Margarida, que tinha o mundo diante de si quando encontrou Fausto no jardim.
O Cristo não tem mensagem para aqueles que estão satisfeitos e amam o mundo e seus costumes. Enquanto estiverem com essa mentalidade, Ele não lhes pode falar, nem eles podem ouvir Sua voz. Mas há uma infinita ternura nas palavras do Salvador: "Vinde a mim todos vós que labutais e estais oprimidos e eu vos darei descanso". A alma pecadora simbolizada por Margarida em sua cela na prisão, solitária, banida da sociedade como uma leprosa moral e social, é compelida a elevar seus olhos aos céus e suas preces não são em vão. Contudo, até o último momento, as tentações perseguem a alma que procura. As portas do céu e do inferno estão igualmente próximas à cela da prisão de Margarida, como vemos pela visita de Fausto e Lúcifer, que tentam arrastá-la da prisão e da morte iminente para uma vida de vergonha e servidão. Mas ela mantém-se firme. Prefere a prisão e a morte à vida e liberdade na companhia de Lúcifer. Dessa maneira resistiu à prova e qualificou-se para o Reino de Deus.
Salomão era servo de Jeová e como Filho de Seth estava ligado ao Deus que o criou e a seus ancestrais. Mas, numa vida posterior, como Jesus, ele deixou seu Primeiro Mestre no Batismo, e depois recebeu o Espírito do Cristo. Assim, todos os Filhos de Seth devem, algum dia, deixar seus protetores e escolher Cristo, sem se importarem com o sacrifício conseqüente, ainda que o preço seja a própria vida.
Margarida em sua cela da prisão toma essa importante decisão e qualifica-se para a cidadania no Novo Céu e na Nova Terra, pela fé em Cristo. Por outro lado, Fausto permanece com o Espírito de Lúcifer por um tempo considerável. Ele possui agora um caráter mais Positivo, é um verdadeiro Filho de Caim e, embora o preço do Pecado possa eventualmente levá-lo à morte, a salvação pode vir através de uma concepção mais pura do amor, e através de obras.
Na segunda parte de Fausto, encontramos o herói com o espírito alquebrado pela desgraça que, por sua causa, caiu sobre Margarida. Percebe sua culpa e começa a galgar o caminho da redenção. Usa o Espírito de Lúcifer, ligado a ele pelo pacto de sangue, como um meio de atingir sua finalidade. Torna-se um fator importante nos assuntos de estado do país por onde viaja, pois todos os Filhos de Caim deleitam-se com a arte de governar, assim como os Filhos de Seth gostam da política clerical.
Fausto, contudo, não satisfeito em servir outros sob as condições existentes, invoca as forças diabólicas sob seu comando para criar uma região, emergi-la do mar e fazer uma Nova Terra. Ele sonha uma utopia, pretendendo que este lugar livre seja o lar de um povo livre que a habitará em paz e alegria, vivendo à altura dos mais elevados ideais da vida.
Estes ideais são originados em sua alma pelo amor de uma personagem chamada Helena, um amor da mais sublime e espiritual natureza, inteiramente separado do pensamento de sexo e paixão. Com o decorrer do tempo, ele vê esta terra elevar-se do mar, mas seus olhos estão ficando cegos, pois está substituindo sua contemplação de uma condição terrestre para uma celestial. Enquanto fica assim contemplando as forças dirigidas por Lúcifer, labutando em seu comando dia e noite, Fausto compreende que tornou real a predição de Lúcifer para ser:
"A força que mesmo o mal planejando.
Para o bem está trabalhando".
Ele percebe que seu trabalho com as forças inferiores está chegando ao término e que sua visão está diminuindo. Mas, com o desejo veemente que se apodera da sua alma para ver o fruto de suas obras, ele quer reter a visão até que tudo esteja completado e seu sonho utópico convertido em realidade. Porém, como a visão que tem diante de si - a terra surgindo do mar e o feliz povo que nela vive em fraternidade - se desvanece sob seus olhos quase cegos, ele profere as palavras fatídicas que disse quando de seu pacto como Lúcifer:
"Sempre que a hora for passando Eu digo: 'Oh! fica! és tão leal',
Assim, a força a ti eu vou dando
De levar-me ao mais profundo desespero.
Meu dobrar de sinos não o deixes prolongar,
De meu serviço, livre irás ficar;
E quando do relógio o ponteiro indicador tiver caído,
Esteja, então, o meu tempo concluído".
Pelos termos desse pacto, quando Fausto proferiu as palavras fatídicas, as forças do inferno soltaram-se da escravidão e foram para ele que, por sua vez, tornou-se vítima delas. Pelo menos assim parecia ser. Mas Fausto não desejou deter a marcha do tempo com o objetivo de desfrutar os prazeres sensuais, nem de satisfazer desejos egoístas, como foi projetado no pacto. Para a realização de um ideal altruístico e nobre, ele desejou deter a hora que passava. Por conseguinte, está realmente livre de Lúcifer, e uma batalha entre as forças angélicas e as hostes lucíferas termina finalmente com o triunfo das primeiras, que conduzem a alma que procura para o porto do descanso no reino de Cristo, enquanto proferem as seguintes palavras:
"A nobre alma está salva do mal,
Nosso espírito ressurge. Todo aquele
Que se esforça para adiante, com desejo de mudar,
Nós podemos libertá-lo.
E, se nele, o amor celestial tomou lugar,
Para encontrá-lo desçam os anjos do céu
Com afeto cordial, eles o vão saudar".
Assim, o Fausto do mito é uma personalidade inteiramente diferente do Fausto do palco; e o drama que começa no céu, onde foi dada permissão a Lúcifer para tentá-lo, como Job foi tentado na antiguidade, também acaba no céu quando a tentação foi vencida e a alma voltou para seu Pai.
Goethe, o grande místico, finaliza apropriadamente sua versão com o mais místico de todos os versos encontrados em qualquer literatura:
"Tudo que é perecível,
É somente uma ilusão.
O inatingível,
È aqui consumação.
O indescritível,
Aqui ele é ação.
O Eterno Feminino,
È para nós uma atração".
Esta estrofe confunde todos os que não são capazes de penetrar nos reinos onde ela é cantada, isto é, no céu.
Nela se diz que "tudo que é perecível é somente uma ilusão". Quer dizer, as formas materiais que estão sujeitas à morte e à transmutação são apenas uma ilusão do arquétipo visto no céu. "O inatingível é aqui consumação" - o que pareceu impossível na Terra é consumado no céu. Ninguém sabe disso melhor do que quem é capaz de agir nesse reino, pois aí toda aspiração elevada e sublime encontra satisfação. As indescritíveis aspirações, idéias e experiências da alma, que nem ela pode expressar para si própria, são claramente definidas no céu. O Eterno Feminino, a Grande Força Criadora na Natureza, a Mãe-Deus que nos conduz pelo caminho da evolução, torna-se lá uma realidade. Assim, o mito de Fausto conta a história do Templo do Mundo, que as duas classes de pessoas estão construindo e que serão, finalmente, o Novo Céu e a Nova Terra profetizados no Livro dos Livros.Max Heindel.