contos sol e lua

contos sol e lua

terça-feira, 8 de março de 2011

"IMAGINAÇÃO"


Pensei em voar mas senti a falta das asas...
Pensei em cantar mas senti a falta da voz...
Refletindo, vi que a Natureza havia
esquecido de me completar...
Pensei, então!
Por que querer tanto se o que tenho já me basta?
E aí, saí voando e cantando, em pensamento.
Que belo! Senti-me como um privilegiado, nesse
vasto universo de belezas.
Mais vale um belo sonho,
do que uma realidade frustrada.

O Amanhecer.

Olhe o dia amanhecendo
e você vai sentir que, em quase tudo, há anjos tecendo o alvorecer.

Uns são raios de sol
que vêm descendo,para iluminar o que de bom a gente sonha fazer.

Outros são canções suaves
que quando em silêncio, a gente ouve em toda fonte que jorra,
em cada onda que bate,
em cada sopro de vento,
em cada silvo selvagem,
em cada bicho que corre,
em cada flor ao nascer.

Eles são fontes de energia e proteção, presentes em seus planos, desejos, vontades,
em tudo o que o amanhecer inspira.

Só que é preciso fechar os olhos para ver, e ouvir o coração dizendo que a gente é como gota d'água, nesse mar imenso do universo, com o poder infinito de transformar o que é invisível em cores do arco-íris.

Acredite.
Cada manhã dá luz a um novo dia, mas é você quem faz nascer a alegria.

A grandeza do Silêncio.


O silêncio é doçura:
Quando não respondes às ofensas,
Quando não reclamas os teus direitos,
Quando deixas à Deus a defesa da tua honra.

O silêncio é misericórdia:
Quando te calas diante das faltas de teus irmãos,
Quando perdoas sem remoer o passado,
Quando não condenas, mas intercedes em segredo.

O silêncio é paciência:
Quando sofres sem te lamentares,
Quando não procuras consolação junto aos homens,
Quando não intervéns, esperando que a semente germine lentamente.

O silêncio é humildade:
Quando te apagas para deixar aparecer teu irmão,
Quando, na discrição, revelas dons de Deus,
Quando suportas que tuas ações sejam mal interpretadas,
Quando deixas os outros a glória da obra inacabada.

O silêncio é fé:
Quando te apagas, sabendo que é Ele quem age...
Quando renuncias às vozes do mundo para permanecer na Sua presença...
Quando te basta que só Ele te compreenda.

domingo, 6 de março de 2011

Eu sou a Deusa, eu sou a bruxa.


Eu sou aquela que ilumina e protege
O poder da Grande Mãe está dentro de mim.

Que a Grande Mãe
A Senhora do Norte
Encha de frutos a árvore da minha vida.

Grande Deusa que habita dentro de mim
Santifica cada palavra minha e cada ato meu
Afasta cada sombra de minha vida
Ilumina todas as minhas estações
Torna-me forte na dor
Torna-me bela no amor.
Que teu nome e teu poder
Sejam o meu nome e o meu poder.
Assim sempre foi, assim sempre será.

A mitologia dos duendes.


Quem nunca perdeu algo dentro de casa e nunca mais achou? A primeira alternativa - e a mais racional -, é pensar que alguém ou você mesmo mudou de lugar e não se recorda. Mas já pensou na possibilidade de um duende brincalhão ter escondido o objeto? Há quem se agarre no ceticismo e duvide da existência desses seres.

Mas tem muita gente que acredita e defende fervorosamente a existência dessas pequenas criaturinhas mágicas. Reais ou não, os duendes tem nome, endereço e são sujeitos de muitas histórias.

“Os duendes são os seres mais populares das mitologias celtas e nórdicas, fazendo parte de uma raça ‘elemental’ junto com as fadas, elfos e gnomos”, explica a terapeuta holística Rosane Volpatto, vidrada em assuntos sobrenaturais e autora de vários textos sobre o tema. Ela afirma que duendes são parentes muito próximos das fadas e estão estreitamente relacionados ao lar e a vida familiar.

Segundo Rosane, a imagem mais comum dos duendes é a de um ser pequeno de aspecto mais ou menos humano, apresentando alguns traços exagerados. Mas, como são dotados de poderes mágicos, podem trocar de tamanho e de forma e, até mesmo, ficar invisíveis. Ela diz ainda que são considerados criaturas semi-divinas, porém mortais.

A lenda diz que eles passam grande parte do tempo mudando as coisas de lugar ou escondendo-as, mas também gostam de dar sustos nos moradores das casas em que habitam. E podem até se vingar daqueles que os tratam mal.

Mas os duendes podem ser bonzinhos e realizar os pedidos de quem os agrada e acredita no seu poder. Rosane dá a dica para quem quer fazer amizade com um deles. “O primeiro passo para atraí-los é chamá-los pelo nome ou através de uma oração específica”, conta. Outra possibilidade é colocar um pote de mel com água na janela de casa em uma noite de lua cheia.

Para evitar erros, ela recomenda adquirir uma imagem de duende e colocá-la dentro de casa ou no jardim. Em seguida, coloque três moedas douradas como oferta. Para terminar, escreva seus pedidos em um papel branco e coloque-os embaixo dele. Rosane alerta que é muito importante não se esquecer de alimentar o duende com um pouco de leite ou água com mel. “As oferendas podem ser colocadas na frente do duende ou ao lado direito. Além de alimentos, eles gostam de receber brinquedos como pás e picaretas.

Ter contato com a natureza também é uma forma de reforçar os laços com os duendes. “É nos reencontrando com a Terra que vemos o reflexo da nossa própria alma. Não podemos nos esquecer que, de modo igual aos duendes, somos parte da Terra e a Terra é parte de nós”, ressalta.

Quando questionada sobre a possibilidade de visualizá-los, a estudiosa responde que já os viu várias vezes, em casa ou “na natureza”. Ela diz que os paranormais a consideram ‘vidente’ e esse dom lhe possibilita ter todo tipo de visão. Mas segundo ela, qualquer pessoa pode manter contato com os duendes, desde que deseje. “Com certeza sua vida mudará quando esse momento acontecer, pois esses seres nos proporcionam muita paz interior e nos guiam até nossos tesouros interiores e verdadeiras riquezas”, afirma.

Muitas pessoas associam a possibilidade de ver duendes ao uso de entorpecentes e alucinógenos. Diante disso, Rosane diz que o uso dessas substâncias altera o estado de consciência, fazendo com que as pessoas possam ver muito além. “Eu prefiro a experiência sem usar nada e uso a meditação e a oração para alcançar meus objetivos”, afirma.


Sem se intimidar, Rosane cita os nomes dos duendes que mais gosta. Dentre eles, “Igor”, duende da abundância, “Gorgo”, que dedica toda sua existência para libertar a humanidade do mal, “Abaturc”, protetor do trabalho, “Truppty”, que ajuda e aconselha quando tiver qualquer problema sentimental e “Zimmo”, que concede muita alegria para a vida das pessoas.Rosane Valpatto.

Sou quem sou e sei quem sou.


Posso cuidar de mim mesma em qualquer circunstancia.
E posso deixar os outros cuidarem de mim.
Posso optar.
Não existe autoridade mais elevada do que a minha.
Meu poder de discernimento é finamente aguçado.
Tenho autonomia.
Estou livre da influencia da opiniao dos outros.
Sou capaz de separar o que precisa de separação.
Assim uma decisão lúcida pode ser alcançada.
Penso em mim mesma.
Ajusto a mira e
Aponto o arco.
Minhas setas atingem sempre o alvo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

As Faces das Deusas.

A característica mais saliente das heroínas femininas épicas apresentarem múltiplas aparências, múltiplos rostos, múltiplos semblantes, geralmente três, tendo em consideração o número simbólico sagrado dos Celtas, o qual tanto se apresenta com a forma de tríade como de triskel, a tripla espiral que, girando à volta de um ponto central, simboliza por excelência o universo em expansão.

As heroínas aparecem, por isto, com inúmeras aparências e nomes, em diferentes épocas e em encarnações sucessivas. Referindo-se em primeiro lugar à tríplice Deusa Brighid, que se diz filha de Dagda, e que vem a ser nem mais nem menos que a Minerva gaulesa de quem fala César, Deusa das técnicas, das ciências e das artes, que os cristãos recuperaram com o vocábulo de Santa Brígida, atribuindo-lhe a fundação do célebre mosteiro de Kildare, antigo lugar de extrema importância do culto druídico.

Ora, esta Brighid é também, com o nome de Boann, a mãe de Oengus, o Mac Oc, que concebeu e deu à luz durante o espaço temporal da noite de Samhain, ou seja, simbolicamente, durante a abolição do tempo, a eternidade. Brighid encama a vida eterna e, o seu nome, derivado de Bo Vinda, “vaca branca”, mostra bem até que ponto se encontra associada a um alimento inesgotável, o leite, elemento indispensável aos povos exclusivamente nómades e pastores, como era o caso dos celtas. A simbologia do seu nome dará os seus frutos e Boann toma-se o rio Boyne (grafia moderna) que fecunda com as suas águas doces um vale verdejante ao redor do qual se situam os grandes outeiros feéricos, que são domínios dos Deuses. E se o nome Brighid (que significa poderosa, alta, luminosa) é extremamente significativo, Boann, representando a riqueza avaliada em cabeças de gado entre os celtas, constitui a alma de uma sociedade onde predominam claramente as tendências ginecocráticas.

MorrighanO terceiro rosto de Brighid-Boann, o de Morrígane (genitivo de Morrigu ou Morrighan), filha de Ernmas, uma das personagens mais marcantes das tribos da Deusa Dana. O que nela melhor se evidência em particular na narrativa da Batalha de Mag-Tured, é o fato de se tratar de uma divindade guerreira temível para os seus inimigos durante os conflitos, enquanto exortava os guerreiros a combaterem com encabeçamento. O furor guerreiro de que ela dá provas abundantemente desdobra-se num furor sexual desabrido que a transforma senão numa divindade do amor, ao menos numa espécie de Deusa do erotismo. A fúria guerreira e a sexual andam assim a par e nos prolongamentos da epopéia celta encontram-se numerosas mulheres guerreiras que têm poderes mágicos e são especialistas na arte militar, ao mesmo tempo em que são iniciadoras dos futuros heróis, como é o caso, por exemplo, de CuChulainn ou de Finn Mae Cool.

O nome de Morrigane (Morrigu ou Morrighan) que significa grande rainha, evoca o da fada Morgana das lendas arturianas e do ciclo do Graal, tratando-se, em qualquer dos casos, do mesmo arquétipo, ao mesmo tempo guerreiro, sexual e mágico. A Morrigane da epopéia irlandesa toma muitas vezes o aspecto duma gralha, chamando-se então Bobdh.

A analogia com Morgana é evidente, pois ela e as suas companheiras da Ilha de Avalon possuem precisamente o mesmo dom de se metamorfosearem. Além disso, é de crer que a mulher feérica que leva um ramo de macieira de Afallach ao herói Bran, filho de Fébal, antes de levá-lo a empreender uma estranha navegação, seja a própria Morrigane, embora o seu nome não seja pronunciado neste episódio. “Porque não havia de reinar a grande rainha nesta terra bem aventurada de frutos maduros durante todo o ano e onde não existe a doença, a velhice e a morte?” Seja como for, a ilha misteriosa de Ynys Afallach é o equivalente, quer lingüístico quer mitológico, da ilha de Avalon, a fabulosa Insula Pornorum para a qual convergem todos os fantasmas da humanidade sofredora.

Na epopéia celta, no entanto, o amor não é um sentimento isolado, fazendo parte das grandes mutações que se operam no universo, tudo se dirige, por entre as diversas peripécias psicológicas, para uma dimensão cósmica à qual ninguém consegue escapar. O que é posto em relevo é muito menos a natureza fatal da paixão amorosa do que a sua necessidade metafísica. Acima de tudo, procura se transmitir a idéia de que, a existir um Deus, ele só pode ser o amor, pois este constrói o mundo e a mulher, que é iniciadora por essência, é capaz de dar, com o seu amor, um segundo nascimento, o nascimento na eternidade, àquele que escolheu amar.

Existe muito a idéia, formada ao longo dos tempos, de que a epopéia não deixa nenhum espaço para a vida afetiva, para o estudo do comportamento psicológico dos heróis, cuja descrição permanece demasiada, por vezes, ao nível do exterior, estereotipada segundo as normas do gênero. Naturalmente, as personagens das epopéias são arquétipos carregados de significação simbólica, mas não deixam, por isto, de serem dotadas de reações humanas e, por causa disto, de vida interior. Há um aumento das qualidades, aumento que é indispensável para se pôr em destaque as ações fora do comum. E verdade que existe também uma simplificação destinada a inserir as personagens e as ações num determinado quadro acessível a um público que não compreende a profundidade e as sutilezas da psicologia.

Apesar disso, não se deve esquecer que os heróis são humanos, mesmo quando são apresentados como sobre-humanos. E tanto nas narrativas épicas da antiga Irlanda como nas da antiga Bretanha, são seres humanos que descrevem outros seres humanos que, ao atravessarem a vida, tanto passam por situações de incerteza, de angústia e de grande sofrimento como, por outro lado, também são capazes de viver grandes alegrias e de desfrutar de momentos de grande felicidade.

Para que o objetivo se realize, toma-se necessário que se viaje para as estranhas fronteiras do real, aí onde o sonho e a realidade formam duas vertentes duma mesma e única montanha.
Jean Markale – A Grande Epopéia dos Celtas.