contos sol e lua

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quinta-feira, 17 de março de 2011

O Valor da Disciplina no Percurso Espiritual.


Desde as antigas escolas de mistérios, passando pelas religiões populares, até às escolas que divulgam diversas filosofias de pensamento, todas consideram a disciplina como um dos pilares principais e necessários ao desenvolvimento harmonioso do ser humano, em geral, e que não há evolução espiritual consciente e consistente sem ela.

Entendemos por disciplina uma acção continuada, executada por forma a atingir um determinado objectivo, em função de um contexto individual único e integrada num percurso espiritual consciente e previamente delineado.
Deste modo, a disciplina permite um trabalho dinâmico de acção construtiva sobre uma atitude que se pretende transformar ou adquirir. Saber o que se vai fazer, sobre aquilo que vai incidir e com que objectivo. Dito de uma outra forma, semeamos de forma consciente e continuada para colhermos algo que acrescente o nosso ser, o torne mais maduro e hábil no caminho do serviço.
Mas por que razão as diversas religiões e filosofias de pensamento aconselham a disciplina? Qual o seu valor?
A disciplina está directamente relacionada com o corpo vital, corpo do hábito e da memória, ainda que os seus efeitos não se restrinjam apenas a este corpo. Max Heindel afirmava que o desenvolvimento espiritual começa no corpo vital. Assim, a disciplina permite:

– transformar hábitos desadequados em atitudes benéficas a todo o nosso ser, potenciando, paulatinamente, a separação dos dois éteres superiores e formar de modo seguro o corpo-alma;
– reeducar o corpo vital, através do hábito, incutindo na memória pensamentos positivos e construtivos;
– aprender a semear de forma continuada e consciente para que possamos colher a curto e longo prazo os resultados do esforço;
– favorecer a concentração;
– obter melhores resultados na meditação porque dinamiza continuadamente o processo de visualização e desenvolve a nossa capacidade criativa.

Por vezes, desanimamos porque aquilo a que nos propomos é demasiado exigente ou desadequado ao nosso momento evolutivo.
Não devemos esquecer que ser disciplinado constitui um processo lento e faseado que deve ser construído depois de examinado o nosso percurso terreno bem como as nossas limitações e capacidades; é precisamente com base nestas últimas que planificamos pequenos objectivos, pois pequenos passos constróem grandes caminhadas.
Se, por um lado, é verdade que a disciplina potencia a transformação em determinadas áreas da vida, por outro, é igualmente verdade que nos salva do ardiloso e instável corpo emocional por constituir o farol seguro que nos lembra, como uma mãe sábia, o sentido maior das nossas atitudes e da nossa existência.
Tem, ainda, o poder salvífico de nos afastar das distracções nas quais somos tentados a mergulhar quando não temos coragem para olhar o nosso interior e efectuar mudanças necessárias.
A disciplina devolve-nos o tempo que o agastador quotidiano nos insiste em roubar. Mais do que isso: oferece-nos um tempo com sentido. Conduz-nos à nossa essência amorosa tecida de silêncio e de quietude. Fazer e refazer pelas mãos da disciplina o nosso ser não se esgota numa vida, mas em cada um podemos aprender a fiar e a tecer o longo manto do corpo-alma no tear contínuo do tempo.
Maria Coriel.

As Mouras Encantadas.


A tradição popular refere, amiúde, a existência de mouras, em menções de várias lendas. Os fatos são complexos e baralhados. Vamos dividi-los em dois grupos, para melhor os estudar. Assim, temos:

1 — Mouras encantadas. São seres, diz Leite de Vasconcelos, dotados de força sobrenatural, que vivem em certos locais, como se estivessem adormecidos, enquanto certas circunstancias não lhes quebrar o encanto. Estes locais são, normalmente, poços, fontes, cisternas, montanhas e ruínas. Por vezes têm um aspecto sedutor e apresentam-se aos viajantes que passam pelos seus domínios, convidando-os a passarem no dia seguinte, com alusões a objetos preciosos que guardam e propostas diversas. A crença popular acredita na possibilidade de se transformarem em serpentes. Martinho de Dume, o evangelizador do Minho (Séc. VI), designava as mouras da época (lamias) como mulheres-demónios expulsos do céu!

Diz ainda a opinião popular que estas mouras se encontram nesses locais a guardar tesouros deixados pelos mouros, até que alguém os possa descobrir.

2 — Mouras fiandeiras. Estão associadas às construções dos antigos monumentos porque, acredita-se, enquanto acarretavam as pedras à cabeça iam a fiar com uma roca à cinta. E até se dizia em tempos, lá para os lados da Citânia de Briteiros, que se via de vez em quando uma moura a fiar enquanto pastoreava o gado.

A santificação e o culto das águas tinha para os antigos lusitanos uma grande importância. Não diminuiu na época lusitano-romana e em muitos casos mantém-se ainda.

Tudo indica, no entanto, que as histórias das mouras — encantadas ou fiandeiras — tenham origem muito anterior à presença dos mouros no país. Sabe-se que, no primeiro século da nossa era, tinham “sido vistos” à beira mar, perto de Lisboa, um tritão, com o seu búzio, e diversas nereides.

O tritão (sereia-macho) é um símbolo mitológico-cabalístico com origem na lenda de Perséfone e que significa que “alma sobrevive ao corpo” . Foi complexa a evolução da sua imagem. Entre os Gregos tem forma alada. Depois tomou a forma de mulher, com as pernas em forma de peixe.

É assim que aparece nas pinturas e esculturas nas igrejas. Com o tronco masculino e cara barbada surge nos documentos náuticos dos séc. XV e XVI e em alguns monumentos, como os de Conínbriga.

Não admira que em Lisboa se encontrem facilmente restos dessas crenças, sendo uma cidade tão antiga. Ainda hoje há um sítio, nesta cidade, chamado Cova da Moura.

De fato, na região existem muitas covas, lapas e grutas, que tiveram serventias diversas. Da cova da Moura não resta o menor vestígio, estando o sítio ocupado pelo casario.

A relação das mouras com o elemento líquido é evidente. E a água tem até uma grande importância em qualquer cerimónia religiosa. É um importante símbolo, que se relaciona com a vida, com as origens, com o renascimento e a regeneração.

Na crença popular há também, ainda hoje a convicção da existência de “águas mortas” (a que está fora de casa, à meia-noite) e de “águas vivas” (as que brotam da terra e têm prestígio sagrado.

As águas mortas podem ser vivificadas com uma fórmula que todas as crianças conheciam . Todavia, na manhã de S. João, todas as águas são consideradas sagradas, porque são fecundadas, nesse dia, pelo Sol. E daí a existência dos banhos santos no dia de S. João, como é hábito, por exemplo, na praia de S. Bartolomeu do Mar (Esposende) .

Ficámos a saber que as mouras são seres sobrenaturais, normalmente associadas às águas, e que a sua existência é assinalada muito antes das invasões dos árabes. E são, pelo menos em parte, as herdeiras das tradições culturais greco-latinas.

Na Idade Média, muitas pessoas ainda tinha restos de clarividência negativa e viam seres chamados elementais, cuja função estava associada às forças que designamos por leis da Natureza.

As ondinas e as ninfas eram os espíritos sub-humanos que habitavam nos rios e nas correntes de água. Além disso, as mouras também estão associadas às Parcas , que eram divindades que presidiam ao nascimento e depois ao casamento e à morte. Eram as “fiandeiras da vida e da morte”. Uma segura o fuso e puxa o fio da vida (o cordão prateado); a segunda enrola-o, registando o “filme” da vida e a base da existência futura e determina o momento da morte; e a terceira corta inflexivelmente esse fio. Na arte, as três parcas foram associadas às “três graças”.

Compreenderemos melhor, agora, este assunto, se nos lembrarmos que a palavra moura não deve ser considerada o feminino de mouro, mas um sinónimo de moira, palavra grega que significa “destino”, como se pode ver em Horácio .

O conceito popular de Moira atribui à fatalidade qualquer série de coincidências à primeira vista inexplicáveis e, sobretudo, as mais infelizes. Os mais conhecedores relacionam a Moira com a justiça e a providência, quer dizer, com a cadeia de causas ou série de causas, que determinam um efeito (lei de causa e efeito).

E falam, por isso, em moira maléfica e moira benéfica relacionando-as com divindades ctónicas, que são seres sobrenaturais que habitam as cavidades da terra.
Bibliografia.

Brandão, Junito — Dicionário Mítico-Etimológico, Petrópolis, 1993; Espírito-Santo, Moisés — A Religião Popular Portuguesa, Lisboa, s/d; Freire, António — O Conceito de Moira na Tragédia Grega, 1969; Heindel, Max — Os Espíritos e as Forças da Natureza, Lisboa, 1983; Vasconcelos, J. Leite de — Religiões da Lusitânia, vol III, Lisboa 1913; Opúsculos, vol. V, parte I, Lisboa 1938.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Os Anjos do Destino.


A Bíblia foi dada à Humanidade pelos Anjos do Destino, com o propósito de a preparar para um maior avanço moral e, consequentemente, espiritual.
Os Anjos do Destino são aqueles grandes seres que velam pela nossa evolução. E para melhor poderem cumprir o seu dever possuem a história de cada um de nós e utilizam-na para nos melhorar. Eles conduzem todos os esforços que temos de fazer para nos aperfeiçoarmos. Contudo, deixam-nos sempre à vontade para agirmos como for do nosso maior agrado, pois os grandes seres são magnânimos, sabem usar de piedade para com todos aqueles que seguem a via dolorosa da evolução. Todavia, a sua magnanimidade não é licença para que nos comportemos miseravelmente. Ela é exercida pacientemente. Deixa-nos à vontade para agirmos como quisermos, pois a responsabilidade ou os benefícios que resultarem das nossas acções revertem a nosso favor, caem sobre nós para nos tornar felizes ou infelizes!

Os Anjos do Destino são os nossos cronistas. Eles vão registando tudo quanto fazemos para ficar como padrão de glória ou de infortúnio porque, tudo quanto fazemos, de bom ou de mau, tecerá o nosso porvir. Os Anjos do Destino apenas conduzem os seres humanos ao longo de linhas que são mais propícias à modificação do carácter. E para esse nobre fim aproveitam as influências que, ao nascer, nos assinalam as fraquezas e as forças que trazemos connosco. Por isso, todos somos tão desiguais e temos destinos tão diversos.
Por esta razão existe a ROSACRUZ e nós lhe damos toda a nossa alma, certos de que ajudamos os nossos leitores, a Cristo e aos seus obreiros, que chamamos Anjos do Destino. Na medida em que os nossos leitores tomarem consciência do seu estado irão mudando os seus hábitos no sentido de os melhorar. E desta maneira, por se tornarem cada vez melhores, vencerão mais facilmente os seus destinos e preparam-se para serem muito mais felizes.
Como simples e modestíssimo discípulo do grande místico cristão que se chamou Max Heindel, seguimos a sua orientação inteiramente à vontade. E muitas vezes utilizaremos mesmo as suas lições, pois o seu grande poder de penetração nos mundos ocultos permitiu-lhe reunir materiais admiráveis que nos servem agora para orientar os nossos passos na senda do misticismo cristão.
A nossa intenção é desvelar as figuras bíblicas diante dos nossos prezados leitores, para que possam compreender com maior perfeição a mensagem que chamamos Novo Testamento. Por isso iremos escolhendo sempre os passos mais obscuros, para sobre eles derramarmos esclarecedora luz.
Francisco Marques Rodrigues.

O Corpo de Pecado – A Autopossessão.

Há uma região (a inferior do Mundo do Desejo) que é o ambiente em que se movem os espíritos errantes. Neste plano eles estabelecem uma íntima ligação com as pessoas "vivas" que sejam mais facilmente influenciáveis. Geralmente, permanecem nestas condições durante cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos. Já observámos casos em que tais infelizes permaneceram séculos no ambiente físico. Tanto quanto foi possível investigar, parece não haver limite para o que possam fazer. Nem se pode prever, com segurança, quando possam deixar de actuar, por obsessão ou sugestão. Deste comportamento resulta uma tremenda responsabilidade da qual não poderão fugir, uma vez que o corpo vital reflecte e grava profundamente, no corpo de desejos, o registo de todas as acções. Quando, finalmente, abandonarem a vida errante, é que iniciam a existência purgatorial. E aí encontrarão o merecido castigo.

O sofrimento destas pessoas é, naturalmente, proporcional ao tempo em que estiveram nestas condições, depois da morte do corpo físico.

O corpo-de-pecado é o veículo formado pelos corpos vital e desejos amalgamados. Não se desintegra tão facilmente como os outros, quando é abandonado pelo espírito.

Quando este espírito renasce, atrai naturalmente o seu corpo-de-pecado. Vive com ele, geralmente, durante toda a vida, como um demónio. As investigações efectuadas revelam que este tipo de criaturas sem alma, eram abundantes nos tempos bíblicos. O Salvador referia-se-lhes chamando-lhes "demónios". São a causa de diversas obsessões e doenças físicas (erradamente atribuídas por vezes a outros espíritos). Ainda hoje, uma boa parte do Sul da Europa e Oriente é prejudicada pela sua influência. Em África, há tribos inteiras que, por causa das suas práticas de magia negra, arrastam consigo estes tenebrosos espectros. O mesmo se pode dizer dos indígenas da América do Sul.

No entanto, o mal não é um exclusivo dos povos menos desenvolvidos. Encontramos esses demónios mesmo entre os habitantes dos países ditos civilizados, no Norte da Europa e na América tanto do Norte como do Sul. A sua forma é, porém, menos repugnante do que nos casos atrás citados, frequentemente associados a práticas abomináveis.

A possibilidade de a guerra contribuir para que os corpos vital e de desejos se pudessem unir fortemente entre si preocupou-nos imenso tempos atrás. Poderia originar o nascimento de legiões de monstros que afligissem as gerações futuras. Concluímos, todavia, com satisfação, que esse receio era infundado. A cristalização do corpo vital e a sua forte ligação ao corpo de desejos só acontece como resultado da perversidade, da vingança premeditada e quando se alimentam estes sentimentos por muito tempo.

Os arquivos da Grande Guerra informam-nos até que, em alguns casos, os combatentes de ambos os lados, uma vez cessadas as hostilidades ou impedidos de permanecer em combate, se relacionavam normalmente sempre que para tal havia oportunidade.

Por isso, ainda que a guerra seja causadora de enorme mortalidade, mesmo infantil, não pode ser acusada, no entanto, das penosas consequências da obsessão nem dos crimes induzidos por esses tenebrosos corpos-de-pecado.

Os corpos-de-pecado abandonados permanecem normal e preferencialmente nas regiões etéreas inferiores. A sua densidade coloca-os no limiar da visão física. Algumas vezes materializam-se, atraindo alguns constituintes do ar, até se tornarem perfeitamente visíveis às suas vítimas.
Max Heindel.

As Palavras sem Rosto.


Sinto que há certas coisas que nunca poderão ficar claras; não há palavras adequadas para elas; contudo, essas coisas existem.

Krishnamurti.

Há coisas que pertencem ao reino da alma, lá, onde moram as coisas indizíveis, as que sentimos como verdadeiras e eternas.

As palavras foram inventadas para nomear as coisas concretas; o visível torna-se dizível, portanto. Mas outras há para as quais as palavras ficam sempre aquém. Se os sentidos ao menos pudessem ver-lhes a substância, provavelmente torná-las-iam dizíveis, explicáveis, sossegando a alma inquieta. Também escapam à razão que não consegue capturá-las, esquadrinhá-las, estudá-las, dar-lhes uma identidade.

Depois de tentar infrutiferamente traduzir o indizível, aprendemos que nunca conseguiremos nomeá-lo com precisão. Ele não existe para ser pensado, mas para ser sentido.
Ana M. Martins

terça-feira, 15 de março de 2011

A Evolução da Forma.


Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.
As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.
Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos dois se detém?
A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.
Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral; depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?
Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
vê quão perfeito se tornou!
Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.
Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.
Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre "Um" com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.
Jalal Ud-Din Rumi.

domingo, 13 de março de 2011

Psicologia do arco-íris.


Laranja dá energia, azul relaxa, verde tranquiliza. O vermelho é excitante, mas pode elevar a pressão arterial. Quem pretende ser mais sensual veste negro. As cores exprimem nosso estado de ânimo e nossas emoções. Por que somos atraídos por algumas cores e por outras não?
Na escola aprendemos que as cores não existem. De fato, aquilo que vemos e interpretamos como cores são apenas diferentes vibrações da luz sobre os objetos. Basta apagar a luz e as cores desaparecem. Esse fato, no entanto, não diminui o poder efetivo que as cores exercem sobre nós. Nem o seu significado cultural, simbólico e psicológico.

As cores são associadas aos nossos sentimentos e estados de ânimo, aos rituais, às festas, às religiões, à arte e à saúde física e mental. Sabe-se também que as cores são energias, forças irradiantes que exercem influência sobre nós. As cores preferidas contam muito sobre nós, nossas aversões e emoções.

E a casa? Pintamos as paredes de seus ambientes interiores e, segundo as cores que escolhemos, eles nos relaxam, descontraem, estimulam, alegram e não nos deixam entristecer. Até os sonhos têm cores dominantes e, por meio delas, os psicanalistas conseguem interpretar o que se passa em nosso inconsciente. As cores têm história, características e vida.
Conhecê-las pode ajudar a nos conhecermos melhor.

Azul.
É o céu, o mar, o gelo. Hipnótico e atraente, evoca o espaço sideral, o abismo infinito, sem fim. Azul é o medo e também a depressão. É a cor da introversão e da introspecção, do controle racional do instinto, da devoção, da religião e da meditação. Induz à calma e ao relaxamento. Por isso, é usado em salas operatórias, como alternativa à cor verde, e em centros cirúrgicos.

Quem aprecia o azul exprime uma personalidade equilibrada, fortemente ancorada em valores espirituais e morais. Esses mesmos valores são atribuídos à União Europeia pela própria cor de sua bandeira, que é adornada por um círculo de estrelas douradas, símbolo da comunidade entre os povos.

Laranja.
Pela sensação de calor e de prazer que dá, é a cor preferida das pessoas cheias de energia. Reunindo a luminosidade do amarelo e a vitalidade do vermelho, a força do laranja e o seu impacto visual são poderosos: basta ver que ele é usado na sinalização rodoviária (veja a cor das roupas usadas pelos trabalhadores que fazem a manutenção das estradas) e na sinalização de emergência (as lâmpadas que piscam nos veículos de primeiros socorros e nos da polícia). Símbolo de ardente passionalidade, é também a cor dos místicos e do êxtase. Os monges hindus e budistas vestem-se de laranja – neste caso, sinônimo de iluminação.

Amarelo.
Associado à luz do Sol, às flores e ao grão maduro, ao mel, ao âmbar, ao ouro, mas também à icterícia (conhecida mais popularmente como amarelão), à urina, ao pus, ao veneno de cobra.

É a cor preferida dos extrovertidos, mas também dos esquizofrênicos e dos coléricos. Amarelo é a cor da aura que os epiléticos acreditam ver quando sofrem um ataque. Quem o prefere às demais cores exprime a esperança de ficar rico e de abrir seus caminhos futuros, além de possuir uma sincera ânsia de liberdade. Já quem não aprecia a cor denuncia que as suas próprias esperanças foram desapontadas, convive com o sentimento de vazio e tem tendência ao isolamento.

Verde.
É associado à vegetação, por isso é também vinculado a um ciclo que nasce, cresce e morre. Para os povos do deserto, é sinônimo de vida. Para aqueles que vivem onde existe uma vegetação rica e exuberante, essa cor representa o emblema da grande mãe, aquela que fornece aos indivíduos fartura e abundância para suprimir as necessidades humanas. Simboliza o Islã, onde representa o paraíso – quase todas as bandeiras das nações islâmicas têm ao menos uma faixa na cor verde.

Para nós, ocidentais, o verde proporciona um efeito de harmonização, compensativo. Por isso, é usado nos hospitais e consultórios odontológicos. Exprime também a capacidade de introspecção, de autocontrole e de conter dentro de si as emoções, vontades e pensamentos. Para os psicólogos, é a cor da desconfiança, da inveja, do pensamento obsessivo e da rigidez de opinião. Daí ser usada pelas diferentes divisões militares.

Branco.
Representa negação, inacessibilidade, silêncio. Também a claridade e a luz. Nas religiões da Grécia Antiga, Apolo, o deus da luz (e posteriormente do Sol), montava cavalos brancos. No cristianismo, o branco é a luz de Deus, muitas vezes envolto em vestes cândidas, e a magnitude divina, a revelação.

Brancos são os paramentos dos altares nos dias da Páscoa e do Natal, da Epifania e Ascensão. Sempre no âmbito religioso, o branco é a cor do início e do fim. Por isso, na China, na Índia e no Japão é relacionada ao luto e aos rituais fúnebres. Roupas brancas são usadas em muitos sacramentos e ritos de iniciação e de passagem: por quem recebe o batismo, assim como pelas noivas e noviças. O branco também é atributo de poderes mágicos – por acreditarem nisso, os indígenas americanos acolheram os conquistadores espanhóis (de tez branca) como semideuses e ingenuamente os idolatraram.

Preto.

O termo deriva de negro, morto. Como o branco, o negro não é uma cor. É tido como a força que apaga todas as cores. É sempre associado à noite e à sombra que envolve a morte, ao luto, à desgraça. Corvos, gralhas e cães negros são sinônimos de mau agouro devido a sua cor. O mesmo acontece com os gatos pretos, que são considerados como portadores de azar no Brasil e na Itália, ao contrário da Inglaterra, onde anunciam o sucesso no amor. O preto é ainda usado nas roupas, pois é prático, elegante, fatal e contrastante. Salienta a sensualidade e também, por oposição, a renega: não é por acaso que é a cor das batinas dos padres, dos hábitos das freiras, das sóbrias mulheres que encobrem o rosto no Islã e dos juízes dos tribunais.

Violeta.
Aumenta a produção endógena de adrenalina e exprime uma inquietação criativa ou patológica. Pode-se defini-lo como a cor dos distúrbios: na maior parte das pessoas produz um efeito depressivo, inquietante, triste e nostálgico. A Igreja Católica associa o violeta à chegada da Quaresma, um tempo de meditação e jejum.

É também a cor dos mártires, das viúvas e dos velhos. Na moda, os primeiros a eleger o violeta como uma cor cult foram os costureiros e estilistas. Algumas mulheres e homens preferem o violeta às cores estressantes, pois ele é intermediário entre o vermelho e o azul. Pela mesma razão, é a cor preferida dos homossexuais. Em grego antigo, o termo amethysios (ametista) significava “non ebbro” (contra embriaguez). Por isso, na Antiguidade a pedra foi usada como antídoto contra o vício da bebida.

Vermelho.
Cor da vida, dos instintos, da paixão (Eros). Nas mulheres, ele é associado ao nascimento e ao ciclo menstrual, e também à sensualidade e à reprodução. Nos homens, remete à circuncisão e a feridas, além de estar relacionado às agressões da guerra.

De vermelho se trajavam os generais do Exército romano. O vermelho excita, aquece, acelera a pulsação, aumenta a pressão sanguínea e intensifica a frequência respiratória. Quem gosta dessa cor vive bem com seu corpo, ao contrário de quem a detesta, que está de mal e não se sente bem com ele. Não é por acaso que a tradição cristã relaciona essa cor às transgressões. A raiva é vermelha, a cor que geralmente tinge nossa face quando nos indignamos e defendemos um princípio em que acreditamos. Por isso, os grandes movimentos revolucionários do século 20 adotaram o vermelho para marcar a vontade e a solidariedade que precisava existir para com os oprimidos.

Cromoterapia.
São muitas as medicinas da Antiguidade (a greco-romana, a egípcia, a hindu e a chinesa, entre outras) que recorreram à exposição do corpo às cores, utilizando-as para tratar variadas patologias.

Hoje, baseados nesses mesmos princípios, temos a cromoterapia, que consiste na administração de cores ao paciente por meio de luz colorida aplicada diretamente sobre a epiderme, de água e de alimentos coloridos, do vestuário e de pigmentos. Nos centros especializados em cromoterapia existem equipamentos que emitem fachos de luz colorida, projetando-os no corpo do paciente enquanto ele permanece deitado num sofá. A luz rosa, por exemplo, é utilizada para tratar o reumatismo, as artrites e a depressão. O verde, para desintoxicar o organismo. O azul, para os distúrbios cardiocirculatórios. O amarelo, para patologias e problemas do aparelho digestivo.

Nos tratamentos, a irradiação da cor pode ser substituída e/ou alternada com banhos e com técnicas de meditação e visualização.

Rosa.
Evoca a sensação de delicadeza, afetividade, suavidade. Tira a violência, a agressividade, a raiva. Quando usado deliberadamente por um homem, revela a particular confiança que ele tem em si próprio, a ponto de demonstrar preferir a sensibilidade à força.

As mulheres mais românticas são totalmente apaixonadas pelo rosa. Já os mais pragmáticos abominam a cor: no tempo de Hitler, nos campos de concentração, os homossexuais tinham de usar triângulos cor-de-rosa (já os judeus usavam uma estrela de Davi amarela em seus uniformes; alguns prisioneiros eram obrigados a usar as duas insígnias). A obrigatoriedade do uso de um acessório dessa cor nos uniformes dos homossexuais era um meio de evidenciar o preconceito do nazismo contra essa condição sexual (mais tarde, a partir de 1943, os comandantes dos campos de concentração foram autorizados a castrar os prisioneiros homossexuais). Preconceitos à parte, rosa também é a cor de nossa pele e a do nosso corpo quando está saudável.

Quando estamos apaixonados, “vemos o mundo cor-derosa”. O rosa transmite ainda uma fresca leveza e feminilidade, afetiva e ao mesmo tempo sutilmente voluptuosa.
F.P.revista planeta.