contos sol e lua

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

A Páscoa e o Homem do Cântaro.


“Um Novo Mandamento vos dou, que ameis uns aos outros como eu vos amo”.

Somente poderia vir-nos esta Mensagem Universal de Amor d´Aquele que se converteu em Rei e Senhor da humanidade. Nosso desejo, pensamento e oração há de ser sempre que Ele, como Rei e Senhor do reino humano, estenda sobre nós Suas Divinas e Sacras Mãos e nossas ânsias permanentes de que Ele, e somente Ele, reine em nosso coração. Se Ele reina em nosso coração, podemos viver plenamente o mandamento de “ amar-nos uns aos outros como Ele nos ama”.

Dois mil anos de prédicas de Amor, dois mil anos em que os arautos humanos vibram pela Terra toda, sempre com uma finalidade: a união fraternal dos Espíritos de DEUS e o Amor. É algo tão simples e natural quando o Espírito conseguiu dominar toda a imperfeição do seu ser! Só tem perante Ele um único e eterno caminho - o Caminho do Amor para DEUS.

Amigo, Cristo Jesus, sem dúvida alguma, pregou, ensinou-nos e mostrou-nos por todo o tempo a Evolução. Há algo mais magnífico que ter partido d´Ele mesmo o pregar e o anunciar a Idade de Aquário? Dois mil anos transcorreram, e ainda há séculos a transcorrer, permanecendo uma verdade eterna, como eterno é o Senhor Cristo como manifestação de DEUS.

Disse Ele aos apóstolos, vendo que se aproximava a Páscoa: “ Ide prepará-la”. E eles perguntaram: “ Aonde iremos, Senhor?” Disse Ele: “Onde encontrardes um homem com um cântaro, ali encontrareis a Páscoa”.

A verdade está onde o Senhor Cristo está, porque, há dois mil anos Ele a pregou e a ensinou, e ainda hoje somos incapazes de vivê-la. Ele a deu velada, oculta, para que, ao chegar o tempo, pudéssemos usá-la claramente, porque claramente já terá se desenvolvido nossa inteligência e uma ânsia de compreensão. Sim, amigo, assim como Isaías pregou seiscentos anos antes a vinda do Salvador, assim agora, seiscentos anos faltam para que chegue para nós uma nova Idade. Uma Idade denominada Idade de Aquário.

Para a chegada da Idade de Aquário tão pregada e anunciada, é preciso que a humanidade adquira outro estado – o estado de aquisição não somente de um corpo-alma senão de um profundo Amor Cristão. Porque a Idade de Aquário, como Ele diz, virá por todos nós, por todos os que se preparam e se esforçam pela senda do amor no Serviço, na Caridade, na União, na Bondade, em tudo o que é Belo e Justo como nos disse Paulo.

É verdade que, ao se aproximar a Idade de Aquário, a humanidade deve passar por uma grande transformação. Parece que seiscentos anos não sejam o suficiente para a humanidade transformar-se. Isto é somente uma análise ligeira, porque se pensarmos que o homem, através da sua condição de investigador, através da busca para descobrir os mistérios do próprio mundo, em cinqüenta anos ou meio século, fez descobertas maravilhosas, chegando verdadeiramente a declarar-se como um filho de Caim, se nos últimos cinqüenta anos, o homem, investigando através de seu cérebro físico, buscando desentranhar verdades fundamentais do mundo, conseguiu dominá-lo, é natural que ele consiga alcançar o que ainda não conseguiu através de seu cérebro físico.

Eis aqui, amigo, um ponto interessantíssimo para meditar: quando dizemos que um Espírito desencarnou porque deixou o seu corpo, separou-se dele e este está inerte, ele leva a cadeia de seus veículos sutis. Com estes veículos sutis, ele penetra a região etérea de nossa própria Terra. E, desde essa região etérea, ele vai ascendendo no sentido de elevar-se a lugares mais diáfanos e espirituais. Assim, o Espírito, com o passar dos séculos, está em condições de retornar ao Mundo Físico, segundo seu estado evolutivo, se é um Espírito comum. Se é um Espírito apenas de reluzente intelecto, mas que desconhece as leis que regem o mundo, desconhecendo que ele é imortal, que é um Espírito de luz, antes que possa mudar sua maneira de pensar, sua maneira de sentir, passará muito tempo como Espírito. Às vezes, passam-se séculos antes que um Espírito possa de verdade compreender a vida supra-física e, muito mais, possa entendê-la e analisá-la para poder projetar suas ânsias de busca.

Sim, na vida post-mortem, ele pode somente pensar e, através do pensamento, projetar. Mas também pode estudar. Sim, o Espírito pode estudar nas Grandes e Eternas Bibliotecas do Mundo Supra-físico na Memória da Natureza. Ali, tão perto da Luz de DEUS, livre de todas as ataduras que o prendiam à vida física, ele consegue ordenar seu pensamento. Consegue compreender a imortalidade e consegue, então, se aproximar da fonte central de toda Sabedoria. Nestas Memórias da Natureza, ele lê o passado, se é um Espírito evoluído e tem o direito por já haver alcançado um grau de desenvolvimento e uma determinada experiência espiritual. Nestas Memórias da Natureza, está guardado tudo o que se relaciona com a Evolução do Espírito e do Mundo.

Assim, o Espírito pode ver porque ele esteve em tal ou qual situação e porque não pôde chegar a tal ou qual outra. Mas, às vezes, o Espírito que compreendeu e busca instruir-se naturalmente no convívio com Espíritos evoluídos em plena luz, tendo sido honrado na Terra, foi um Espírito altruísta, que viveu uma vida dedicada ao bem, buscando, investigando e querendo dar mais progresso à humanidade, quando quis ajudar, quando quis libertar a humanidade, quando quis descobrir mesmo os mistérios da vida física, ali encontra-se com sábios, no sentido verdadeiro da Sabedoria, que lhe mostrarão os planos para novas manifestações na Terra. Se é um Espírito de alta capacidade, ser-lhe-ão dadas incumbências de conviver com outros Espíritos de mesma capacidade para que possa aprender de verdade e chegar à Terra para ser um real construtor, um construtor no verdadeiro sentido da palavra, para fazer na Terra algo mais que um homem de grandes negócios ou de grandes fortunas, para que venha à Terra, seja em sexo masculino ou feminino, realizar conscientemente o Plano de DEUS.

Isto, de alguma maneira, destina-se àqueles que cumprem a mensagem de DEUS, àqueles que, em realidade, ainda que envolvidos num corpo físico, não perderam, de sua consciência, a mensagem de DEUS a cumprir. E, mais tarde ou mais cedo, esta há de falar-lhes com uma voz sem som, mas com vida de movimentos dinâmicos e poderosos em seus corações e em suas mentes, para que dêem um impulso nas criaturas de DEUS que, já “revestidas” na vida física, cumpram a mensagem de DEUS.

Amigo, voltemos ao capítulo 22 de São Lucas que diz: “Ide e buscai um homem que leva um cântaro e ali vais preparar a Páscoa”. Para se entender a Bíblia, há que se compreender as chaves ocultas daquilo que ela contém. O Novo Testamento traz conforto e impulso para as almas superiores realizarem as obras de Caridade, de Bem e sobretudo religiosas, mas, quem conhece mais que o molde da forma literária da Bíblia, descobre que o Velho Testamento e o Novo Testamento são Mistérios Poderosos das Grandes Hierarquias.

A Bíblia, de verdade, é um livro imortal. Hoje, quiçá, ele esteja esquecido pelos cantos dos lares. Sabe-se que os homens responsáveis que ocupam os lugares diretivos das Nações juram sobre a Bíblia. Juram sobre ela porque ela é uma mensagem aberta e fechada da voz de DEUS.

Voltando ao capítulo 22 de São Lucas, ao dizer “ ide buscar o cântaro”, Ele se refere à Idade de Aquário; está nos falando de um Signo do Zodíaco, o único que, pode dizer-se, é representado pela figura integral de um homem, levando um cântaro do qual despeja o líquido de seu interior. É verdade que Cristo Jesus, o Mensageiro Divino de DEUS, não poderia vir somente para curar os doentes e para convidar a humanidade a ser humilde e mansa se Ele, como filho de DEUS, Divino, não trouxesse uma missão mais alta, mais imortal para ela. Sim, porque o Espírito Santo, o Senhor Jeová, que, até então, havia dirigido todas as raças, estava impossibilitado de penetrar a Terra. O Senhor Cristo é quem convida a humanidade para a Páscoa, a Divina Páscoa porque Ele é a Páscoa e não precisa realizar a Páscoa. Ele é a Segunda Manifestação de DEUS. Mas nós, os humanos, necessitamos um dia estar em Páscoa com DEUS, estar em Páscoa com o Rei e Senhor da humanidade.

E então, a Idade de Aquário, que chegará para nós, daqui a uns quinhentos e poucos anos, faz com que a humanidade que é consciente busque compreender, busque ter domínio de si e de todas as coisas A humanidade se transforma, a humanidade se faz devocional, busca entender e viver o Divino Cristianismo de Cristo. É aquela que vive esquecida de si, buscando nada mais que levar adiante os Santos Evangelhos, levando adiante a saúde da alma porque, se existe a saúde da alma, o corpo a possui.

E, na Idade de Aquário, quando a humanidade esforçada desenvolver o Corpo-Alma, teremos a Páscoa com Cristo Jesus. Mas Ele diz que nos arrebatará nos ares, porque Ele jamais virá à Terra num corpo físico. Ele virá num corpo vital, num corpo em que possa andar pelos ares, sem medida de tempo e de espaço. Assim, a humanidade que ele indicou no “ homem do cântaro” é a humanidade que na, Idade de Aquário, culmine com seu Corpo-Alma e, de verdade, possa obter a Páscoa com o Senhor, a Divina Páscoa nos Ares, porque estará pronta para viver o Santo e Sublime Cristianismo.

Aqueles que constroem o Corpo-Alma, alcançam a Iniciação consciente, porque a Iniciação Real, no sentido verdadeiro, nunca se alcança por fórmulas nem por aparências físicas, nem por conhecimentos físicos. Ela se alcança no Espírito Imortal. Para encontrar-se com o Senhor, o Espírito precisa de uma vestimenta que o faça à imagem d´Ele. E, então, serão abertas mais amplamente a Lei do Renascimento e os Poderes da Alma Imortal.

E o Senhor Jesus Cristo quando indica: “Ide buscar um que leva um cântaro e ali preparai a Páscoa”, está ensinando que, na Idade de Aquário, a Ciência se fará religiosa e a Religião se fará científica.Irene Gomez Ruggiero.

sábado, 31 de março de 2012

Os Espíritos Lucíferos e os Filhos da Neblina.

Agora, chegamos à parte do grande filme de Deus, que retrata a Terra na última fase da Época Lemúrica. O homem adquiria, gradualmente, uma posição ereta. A coluna vertebral começava a endurecer e o sangue estava conseguindo absorver o ferro, fornecido pela influência marciana. O ego, que até aquela época tinha trabalhado sobre seus veículos de fora, foi, aos poucos, atraído para dentro, e o homem começou a sentir as coisas fora dele. Neste período, ele era totalmente inconsciente de seu corpo físico. No entanto, estava desperto no Mundo do Desejo e podia, naquele estágio, comunicar-se diretamente com os deuses.

O som do ruído dos ventos, as tempestades, o ímpeto das águas, eram para ele as vozes de seus deuses. Ele estava, pelo sacrifício de parte de sua faculdade criadora, desenvolvendo uma laringe, que permitia-lhe produzir sons. Aprendia o uso deste órgão, imitando o farfalhar das folhas e o barulho dos ventos. A mesma faculdade criadora ia também construindo um cérebro, embora ele tivesse somente uma imperfeita faculdade de observação. Este homem Lemuriano não tinha olhos, mas dois pontos sensíveis, previamente mencionados, estavam se desenvolvendo. Como a luz do Sol que aparecia muito fracamente através da neblina tornou-se mais forte, estes pontos sensíveis, com a ajuda da luz solar, desenvolveram-se em olhos.

Neste período da involução do homem, uma classe de seres entrou no quadro, seres que deveriam desempenhar uma parte muito proeminente na modelagem do futuro do homem, a classe dos espíritos Lucíferos, que eram anjos caídos, uma classe de atrasados do Período Lunar. Estes espíritos estavam a meio caminho em sua evolução entre o homem e os anjos, e precisavam encontrar uma forma pela qual pudessem obter conhecimento. Sua evolução dependia do que obtivessem através de uma onda de vida inferior, e, como eles não sabiam como construir um corpo físico, não podiam funcionar tão baixo quanto o homem que tinha um corpo físico. No entanto, estes espíritos Lucíferos, ajudando o homem a desenvolver um cérebro, sabiam que criariam um caminho para ajudá-lo em sua evolução e, assim fazendo, eles também obteriam maior experiência e crescimento para si próprios.

Sempre foi e ainda é uma lei na natureza que todos os seres, não importa em que onda de vida se encontrem - sejam eles os grandes senhores da criação, os arcanjos, anjos, espíritos Lucíferos, espíritos-grupo ou espíritos virginais - ao descerem para auxiliar ou guiar os seres inferiores ou ondas de vida, ajudando-os em seu desenvolvimento e crescimento, adquirem maior experiência e crescem na proporção da ajuda prestada. Podemos seguir esta lei até ao reino mais inferior - todas as classes estão sob ela. Os espíritos Lucíferos viram uma oportunidade de ajudar a humanidade e, não obstante, fizeram com que o homem caísse no ato da geração, o que tem causado muito sofrimento. Mostraram o caminho através do qual ambos, tanto eles como o homem, poderiam obter uma grande experiência. Experiência é o caminho do conhecimento, ainda que possa trazer sofrimento. Na verdade, para o homem, esta queda no pecado foi a abertura para maiores perspectivas e novos valores. Estes espíritos Lucíferos, aparentemente malignos, foram portadores da luz.

Enquanto o homem estava inconsciente do mundo externo, podia comunicar-se com estes espíritos Lucíferos no mundo etérico. Através deles foi-lhe ensinada a diferença entre o bem e o mal. Por meio deles, o homem foi tentado e levado ao ato da geração. Enquanto estava inconsciente da Terra e de seu ambiente físico, ele percebia, espiritualmente, a presença de seus irmãos, assim como o homem de hoje que, possuindo apenas um leve desenvolvimento do sexto sentido, pode sentir e perceber uma presença invisível quando, às vezes, algum ser desencarnado está próximo dele, e que é incapaz de ver com seus olhos físicos. Da mesma maneira, o Lemúrico era consciente de seu irmão. As condições, naquela época, eram opostas às de agora. O homem podia ver e comunicar-se com seu irmão, assim como com os seres superiores no Mundo do Desejo, mas no Mundo Físico estava em um estado de sonho, pois seus olhos físicos ainda não haviam sido abertos. Por outro lado, o homem de hoje tem seus olhos físicos abertos e pode ver seus irmãos no corpo físico, mas seus olhos espirituais estão cegos - ele perdeu a faculdade de ver no Mundo do Desejo.

Agora, voltemos nossos olhos para o lugar de nosso quadro que abrange a primeira e segunda partes da Época Atlante. Ainda encontramos a atmosfera cheia de uma neblina espessa; era possível ver, mas só a alguns metros de distância. O corpo do homem, que já estava ereto, era maciço; a parte de cima era muito grande, com enormes ombros e braços compridos; sua cabeça era pequena em proporção ao seu corpo, a testa inclinada para trás, um nariz muito achatado; a mandíbula era sólida e o pescoço grosso. Este primitivo homem Atlante, ainda não havia adquirido o uso de seus pés para andar, como o homem o faz hoje, mas ele se movia saltando, semelhante à marcha do canguru.

No começo do Período Atlante, a Terra era freqüentemente assolada por inundações que faziam com que homens e animais abandonassem as terras baixas. Gradualmente, à medida que a neblina se condensava, as terras baixas ficavam cobertas de água, impelindo todas as coisas viventes a procurarem segurança subindo para pontos mais altos. Esta migração para terras mais altas e a condensação da neblina, capacitaram o homem para ver o Sol brilhar através das nuvens e, mais tarde, a desenvolver seus olhos. Então, Adão percebeu sua companheira, Eva.

Neste estágio do desenvolvimento do homem, ele podia ver tanto no mundo espiritual quanto no físico. Isto era necessário neste período, pois ele tinha apenas o germe do corpo mental. Possuía, então, um corpo tríplice; um corpo físico, um de desejos e um vital, mas somente os rudimentos de um cérebro; portanto, ele ainda tinha que ser guiado pelos líderes divinos, com os quais podia comunicar-se no Mundo do Desejo. Quando um Atlante olhava para seu irmão, imediatamente reconhecia sua alma e seus atributos. À medida que a neblina recuava para as terras baixas, causava grandes inundações. O mais avançado ser da humanidade de então, que simbolicamente lemos na Bíblia como sendo Noé, líder dos Semitas, e sua família, haviam desenvolvido pulmões, com os quais respiravam o ar puro acima da atmosfera carregada de neblina, e eles foram os primeiros a ver o arco-íris. O homem não era mais um membro infantil da família de Deus, pois, à medida que desenvolvia a memória, tornava-se ambicioso, e o egoísmo começou a aparecer, o que dividiu a humanidade em raças.

Ao alcançarmos o terceiro período dos Atlantes, encontramos a humanidade dividida em nações; os reis eram adorados, não por sua bondade e amor, mas por sua altivez e poder, que alguns usavam de uma maneira muito depravada e egoísta. Templos foram erguidos para a prática da magia negra, que os sacerdotes exerciam sobre o povo a fim de mantê-los submissos. Arrogância e brutalidade reinavam, pois o ego do homem ainda era fraco. A natureza animal, o corpo de desejos, regia a mente infantil das pessoas daquela época. Isto fez com que os Atlantes desenvolvessem a faculdade da astúcia, o que os levou a grandes perversidades. A mais brutal de todas as sete raças Atlantes foi a dos Turianos, a quarta raça Atlante. A magia negra era praticada por esta raça da maneira mais revoltante. As classes mais baixas eram oprimidas cruelmente por aqueles que julgavam-se líderes. Vaidade e ostentação exterior eram a moda reinante.

Os Semitas originais, a seguinte ou quinta raça, foram os primeiros a esforçar-se para desenvolverem o pensamento. Embora muito primitivos, mesmo assim procuraram regular seus desejos. Estas pessoas eram muito zelosas e, desejando manter a raça pura, casavam-se somente na mesma família. Isto acontecia com o propósito de manter seu contato espiritual com os mundos invisíveis. Eles ainda estavam em contato consciente com líderes espirituais no Mundo do Desejo. Mas, à medida que as faculdades mentais se desenvolveram, a glândula pineal, (descrita em nossos capítulos anteriores como o órgão de orientação que se projetava do corpo do homem em forma de saco, na Época Polar, e que, à medida que o corpo se desenvolveu e o homem começou a andar ereto, recuou para dentro da cabeça) através da qual o homem contata os reinos espirituais, retraiu-se para dentro da cabeça, enquanto a matéria cinzenta condensava-se e, desta forma, impedia o contato com os líderes espirituais.

Uma condição semelhante pode ser notada nos dias atuais: por exemplo, nas fases inferiores da evolução, em algumas das raças mais atrasadas que ainda não estão iluminadas, encontramos, até certo ponto, faculdades espirituais desenvolvidas, enquanto que no tipo puramente intelectual, o gigante mental do Ocidente, deparamos mais freqüentemente com o que escarnece das coisas espirituais, que não acredita no que não pode provar no plano material. Não somente a visão espiritual foi sacrificada pelo crescimento do cérebro, à semelhança de uma cúpula sobre a glândula pineal, mas os abusos da faculdade geradora fizeram com que esta minúscula glândula se atrofiasse e se tornasse muito menor.

Passemos, agora, para o quadro que é, talvez, o mais familiar para nós, aquele da quinta época ou Época Ariana. O homem que retratamos até o período atual, expressava-se através de um corpo quádruplo, isto é, um corpo físico, um vital, um de desejos e um corpo mental parcialmente desenvolvido. Mas, à medida que o homem se desenvolve, mudanças ocorrem, pois a necessidade exige isso. Ele está formando agora a matriz para um novo corpo, o corpo-alma, o traje brilhante com o qual encontrará Cristo no ar, e também seu Mestres Espirituais e se comunicará diretamente com Eles.

Muitos estão trabalhando para formar este corpo, purificando suas vidas, sentindo a necessidade de viver não somente para si mas também para os outros. À medida que o corpo de desejos é dominado e o corpo físico é purificado, os dois éteres superiores vão sendo desenvolvidos, e este novo corpo-alma é formado.
do livro.EVOLUÇÃO SOB O PONTO DE VISTA ROSACRUZ.Augusta Foss-Heindel.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Juízes do carma.


A palavra “Karma” significa a ação e a sua conseqüência; constitui ao mesmo tempo causa e efeito, porque toda a ação gera uma força de energia que nos é devolvida na mesma espécie. Não há nada de novo na Lei do Karma. Todos já ouvimos a expressão “Colherás aquilo que semeares”. Como é óbvio, se queremos criar felicidade nas nossas vidas, temos de aprender a semear as sementes da felicidade. Portanto, o karma implica a ação da escolha consciente. Nós somos acima de tudo sujeitos dotados da possibilidade infinita de escolher. Em todos os momentos da nossa existência, encontramo-nos naquele campo de todas as possibilidades que nos dá acesso a uma infinidade de escolhas. Algumas dessas escolhas são feitas conscientemente, outras fazem-se inconscientemente. Mas a melhor forma de compreender e aproveitar ao máximo a aplicação da Lei do Karma é adquirir o conhecimento consciente das escolhas que se fazem em cada momento. Quer isto lhe agrade ou não, todas as coisas que lhe acontecem no momento presente resultam das escolhas que fez no passado. infelizmente, muitos de nós fazemos escolhas das quais não temos consciência, por isso não as vemos como escolhas. No entanto, Se eu o insultasse, o mais provável seria você fazer a escolha de ficar ofendido. Se eu lhe fizesse um cumprimento, o mais provável seria você sentir-se satisfeito ou lisonjeado. Mas pense bem nisto: Não deixa de ser uma escolha. Eu poderia ofendê-lo e insultá-lo e você poderia escolher não ficar ofendido. Eu poderia fazer-lhe o cumprimento e você também poderia escolher não se lisonjear por isso. Por outras palavras, a maioria de nós apesar de sermos sujeitos dotados de uma infinita possibilidade de escolha tornamo-nos feixes de reflexos condicionados nos quais as pessoas e as circunstâncias desencadeiam efeitos de comportamento previsíveis. Esses reflexos condicionados funcionam como os reflexos de Pavlov. pavlov ficou conhecido por ter demonstrado que, se dermos a um cão qualquer coisa de comer sempre que tocarmos uma campainha, em breve o cão começará a salivar só de ouvir o som da campainha, porque faz a associação de um estímulo com o outro. A maioria de nós, como resultado do condicionamento, responde de formas repetitivas e previsíveis aos estímulos do ambiente. As nossas reações parecem ser automaticamente desencadeadas pelas pessoas e pelas circunstâncias e esquecemo-nos de que elas não deixam de ser escolhas que estamos sempre a fazer em cada momento da nossa existência. Apenas fazemos essas escolhas inconscientemente. Se olhar para trás por um instante e reparar nas escolhas que faz no momento em que as faz, só pelo simples ato de testemunhar as suas escolhas transporta todo o processo do âmbito do inconsciente para o âmbito do consciente. Este processo de escolha consciente e observada transmite-nos um grande poder. Sempre que fizer uma escolha, qualquer escolha pergunte duas coisas a si mesmo: em primeiro lugar, Quais são as conseqüências desta escolha que estou a fazer?” o seu coração logo lhe dará a resposta; em segundo lugar, “Esta escolha que estou a fazer trará alegria, a mim e aos que me rodeiam?” Se a resposta for sim, mantenha a escolha. Se a resposta for não, se a escolha trouxer angústia, a si ou aos que o rodeiam, diga não a essa escolha. É tão simples como isto. Só há uma escolha, entre toda a infinidade de escolhas que pode fazer em cada segundo, que trará ao mesmo tempo felicidade para si e para os que o rodeiam. E quando fizer essa escolha, daí resultar uma forma de comportamento que designaremos por ação correta espontânea. A ação correta espontânea consiste na ação correta praticada no momento certo. Constitui a resposta certa para todas as situações à medida que elas ocorrem. É a ação que lhe dá suporte, a si e a todos os que estiverem sob a influência dela. O universo possui um mecanismo muito interessante para nos ajudar a fazer espontaneamente as escolhas carretas. Esse mecanismo encontra-se ligado às sensações do corpo. O nosso corpo sofre dois tipos de sensações: sensação de conforto e sensação de desconforto, Sempre que fizer uma escolha consciente. Consulte o seu corpo e pergunte-lhe: “Se é isto, o que é que vai acontecer? Se o seu corpo der uma mensagem de conforto, encontra-se perante a escolha correta. Se o seu corpo emitir uma mensagem de desconforto, encontra-se perante a escolha errada. Para algumas pessoas, a mensagem de conforto e desconforto situa-se na área do plexo solar, mas para a maioria das pessoas situa-se na área do coração. Em consciência, volte a sua atenção para o coração e pergunte-lhe o que deve fazer. Depois espere pela resposta, uma resposta física sob a forma de sensação. Pode ser o mais leve grau do sentir - mas está lá, no seu corpo. Apenas o coração sabe a resposta correta. A maioria das pessoas pensa que o coração é piegas e sentimental. Mas não é. O coração é intuitivo, holístico, contextual e relacional. Não possui uma orientação de ganho-perda. Bate no computador cósmico - o campo da potencialidade pura, da sabedoria pura e do poder organizador infinito - e toma tudo em conta. Por vezes pode não parecer racional, mas o coração possui uma capacidade de computador que mostra muito mais exatidão e precisão do que tudo o que se pode encontrar dentro dos limites do pensamento racional. Pode utilizar a Lei do Karma para produzir dinheiro e Prosperidade, e para que todas as coisas boas fluam para si sempre que quiser. Mas primeiro tem de estar bem consciente de que o seu futuro é gerado pelas escolhas que fizer em cada momento da sua vida. Se fizer isto com regularidade, aproveitará ao máximo a Lei do Karma. Quanto mais trouxer as suas escolhas para o plano do conhecimento consciente, mais escolhas retas espontâneas fará - tanto para si como para aqueles que o rodeiam.

O que podemos fazer acerca do karma do passado e como o influenciar a ele agora? Há três coisas que pode fazer acerca do karma do passado. Uma é pagar as suas dívidas de karma. A maioria das pessoas escolhe fazer isso inconscientemente, claro. Também pode fazer essa escolha. Muitas vezes, o pagamento dessas dívidas implica muito sofrimento, mas a Lei do Karma afirma que nenhuma dívida no universo fica por pagar. O sistema contabilístico do universo é perfeito e todas as coisas constituem uma constante troca de energia “para lá e para cá”. A segunda coisa que pode fazer é transformar o seu karma numa experiência melhor. Este constitui um Processo muito interessante, através do qual se interroga a si mesmo, enquanto paga a sua dívida de karma: “posso eu aprender com esta experiência? Porque está isto a acontecer-me? Que mensagem quer o universo transmitir-me? Como posso tornar esta experiência útil para os outros seres humanos?” Fazendo isto, procura a semente da oportunidade e depois liga-a ao seu dhanna, a sua finalidade na vida, de que falaremos na Sétima Lei Espiritual do Sucesso. Isto permite-lhe transmutar o karma para uma forma de expressão diferente. Por exemplo, se partir uma perna quando estiver a fazer desporto, pode perguntar a si próprio: “O que posso aprender com esta experiência? Que mensagem quer o universo dar-me?” Talvez a mensagem seja que você está a precisar de abrandar, e ser mais cuidadoso Ou atento ao seu corpo, para a próxima vez. E se o seu karma for ensinar aos outros aquilo que aprendeu, perguntando “Como posso eu tornar esta experiência útil para mim e para os outros seres humanos?”, talvez decida partilhar aquilo que aprendeu, escrevendo um livro sobre como praticar desportos com segurança. Ou Pode conceber uns sapatos especiais ou um apoio especial para a perna, de modo a prevenir o tipo de acidente que lhe ocorreu. Assim, ao mesmo tempo que paga a sua dívida de karma, também converte a adversidade num bem que lhe pode trazer riqueza e realização. Esta é a forma de transmutar o seu karma numa experiência positiva. Na verdade, não se libertou dele, mas conseguiu pegar num dos seus aspectos e transformá-lo num karma novo e positivo. A terceira forma de lidar com o karma é transcendê-lo.

Transcender o karma é tornar-se independente dele. A forma de transcender o karma consiste na experiência da abertura, do Eu, da Alma. É como lavar uma peça de roupa suja numa corrente de água. Cada vez que a lava, limpa-a de algumas nódoas. Se continuar a lavá-la repetidas vezes, de cada vez vai ficando um pouco mais limpa. Consegue lavar ou transcender as sementes do seu karma entrando na abertura e voltando a sair. Claro que isto se faz através da prática da meditação. Todas as acções consistem em aspectos do karma. Tomar uma xícara de café consiste num aspecto do karma. Essa ação gera memória e a memória possui a capacidade ou a potencialidade para gerar desejo. E O desejo gera de novo ação. O software operacional da nossa alma é constituído por karma, memória e desejo A nossa alma consiste num feixe de consciência que possui as sementes do karma, da memória e do desejo. Ganhando consciência destas sementes de manifestação, torna-se gerador de realidade consciente. se um sujeito consciente das escolhas que faz, começa a gerar acções que são evolucionárias para si e para aqueles que o rodeiam. Isso é tudo o que precisa de fazer. Se o karma for evolucionário - tanto para o Eu como para todos os que são afetados pelo Eu, o fruto do karma será de felicidade e sucesso.

Do livro As Sete Leis Espirituais do Sucesso, de Deepak Chopra.

domingo, 25 de março de 2012

A voz do silencio.


Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
“Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!”

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.{D>A>

Indiferença.


O que é indiferença? Seria um desvio de comportamento, um costume, uma forma de sobrevivência, um mecanismo de defesa, de resistência, ou conseqüência do egoísmo e do medo? O fato é que todos nós, uns mais outros menos, somos indiferentes, "passamos ao largo" de muitas coisas, realidades, fatos e pessoas, em algumas situações, até de nós mesmos.

A indiferença tem um poder devastador. Ela é a companheira doentia do dominador e opressor, também dos que preferem as desigualdades, a violência, o ódio e a morte. Os indiferentes, de uma forma ou de outra, ferem, rejeitam, excluem, matam. Está correta a conclusão: o contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença.

Esta poderosa doença está presente em toda história dos seres humanos, ela é milenar. Já nos relatos bíblicos a indiferença é apresentada como um comportamento que impede a vida, a salvação do outro, a cura, gestos de solidariedade. Cito somente duas cenas bíblicas. Primeiro a história de Jonas, ele foge da sua missão. No navio dormiu, ficou indiferente à tempestade que ameaçava a vida dos marinheiros. Enquanto fugiu da sua missão ficou indiferente a tudo e a Deus. Cito, ainda, a parábola do bom samaritano (Lc 10). O sacerdote e o levita passaram ao largo da vítima do assalto. Preferiram a indiferença e negaram-lhe socorro e cuidado. O samaritano, uma pessoa simples, atendeu aos gritos da vítima. Com facilidade verificamos que a indiferença das pessoas causou sofrimento e morte na história da humanidade.

Creio que podemos resistir, nos defender e sobreviver, resgatando e desenvolvendo outros valores e mecanismos de relações humanas que, por sua vez, passam ao largo da indiferença. A vida comunitária de fé associada ao exercício saudável da cidadania é um milagroso remédio contra o mal da indiferença. Quero dizer que uma espiritualidade participativa, fundamentada no evangelho, e o exercício de uma cidadania ativa tornam-nos atentos e ligados a tudo e uns aos outros, envolvem-nos com o sofrimento do outro e com a alegria de todos. É por isso que cremos na renovação da vida. O amor e a graça de Deus anunciam diariamente para nós a possibilidade de renascimento e desperta-nos para a ação pela vida, para o envolvimento comunitário e social. Quando não nos isolamos em nossos "mundinhos", quando evitamos pensar só em nós mesmos, quando abrimos nossos olhos e ouvidos, os sinais, a graça e o amor de Deus nos constrangem e denunciam a nossa indiferença, movendo-nos para caminhos novos que transpiram vida, justiça, esperança e paz.

Uma vida social ativa e a fé no Deus da justiça e da paz, vivo, nos levam a uma saudável e constante briga contra a indiferença, impedindo que ela crie raízes em nós, em nossa comunidade, em nossa sociedade.

Longe de nós a indiferença, esta doença crônica que causa sofrimento e mata. Que a paz e a voz de Deus abram sempre nossas algemas, descruzem nossos braços, desanuviem nossos olhos, despertem nossa paralisia e movam-nos para o companheirismo, para a alegria da partilha, do afeto, da solidariedade e da construção de esperanças.
Guilherme Lieven.

Julgar sem Ira


Não há paixão que tanto abale a integridade dos julgamentos quanto a cólera. Ninguém hesitaria em punir de morte o juiz que, por cólera, houvesse condenado o seu criminoso; por que será mais permitido aos pais e aos professores açoitar as crianças e castigá-las estando encolerizados? Isso já não é correcção: é vingança. O castigo faz papel de remédio para as crianças; e toleraríamos um médico que estivesse animado e encolerizado contra o seu paciente?

Nós mesmos, para agir bem, não deveríamos pôr a mão nos nossos serviçais enquanto nos perdurar a cólera. Enquanto o pulso nos bater e sentirmos emoção, adiemos o acerto; as coisas na verdade vão parecer-nos diferentes quando estivermos calmos e arrefecidos: agora é a paixão que comanda, é a paixão que fala, não somos nós. Através dela as faltas parecem-nos maiores, como os corpos no meio do nevoeiro. Quem tiver fome faça uso de alimento; mas quem quiser fazer uso do castigo não deve sentir fome nem sede dele. E, além disso, as punições que se fazem com ponderação e discernimento são muito mais bem aceites e com melhor proveito por quem as recebe. De outra forma, ele não considera que foi condenado justamente, por um homem movido por ira e fúria; e para jutificar-se alega os gestos anormais do seu senhor, o afogueamento do rosto, os insultos inusitados e essa sua agitação e precipitação temerária.

Michel de Montaigne.

Não Julgues Segundo a Soma


Não hás-de julgar segundo a soma. Vens-me dizer que não há nada a esperar daqueles acolá. São grosseria, gosto do lucro, egoísmo, ausência de coragem, fealdade. Mas se me podes falar assim das pedras, as quais são rudeza, peso morno e espessura, já o não podes daquilo que tiras das pedras: estátua ou templo. Quase nunca vi o ser comportar-se como o teriam feito prever as suas partes. Se pegares em vizinhos à parte, virás a concluir que cada um deles odeia a guerra e não está disposto a abandonar o lar, porque ama os filhos e a esposa e as refeições de aniversário; nem a derramar o sangue, porque é bom, dá de comer ao cão e faz carícias ao burro, nem a roubar outrem, pois tu bem vês que ele apenas preza a sua própria casa e puxa o lustro às suas madeiras e manda pintar as paredes e perfuma o jardim de flores.

E dir-me-ás: «Eles representam no mundo o amor à paz...» No entanto, o império deles não passa de uma grande terrina onde se vai cozendo a guerra. E a bondade deles e a doçura deles pelo animal ferido e a emoção deles à vista de flores não passam de ingrediente de uma magia que prepara o tilintar das armas, da mesma maneira que aquela mistura de neve, de madeira envernizada e de cera quente prepara as grandes palpitações do coração, embora a captura não seja, como nunca é, da essência do laço.

Antoine de Saint-Exupéry.