Meu maior medo e limitação, até onde posso checar, é o medo de ser abandonada, de ser deixada só. Eu sinto que isso sempre teve e ainda tem uma influência forte em minha vida e em meus relacionamentos. Existe outra maneira de livrar-me desse medo, além de senti-lo e permitir que ele esteja ali – o que obviamente eu não fiz o bastante? Querido mestre, você poderia falar a respeito desse medo de ser abandonada e ficar só?
Sadhan, o medo de ser deixada só é algo natural, porque todo mundo nasceu em uma família. Assim, desde o início estamos sempre dentro de um certo grupo, dentro de um certo aglomerado, de uma certa religião. Sempre existem pessoas ao nosso redor. Assim, estar entre pessoas tornou-se quase natural para nós, embora isto seja apenas um costume.
Isso não é natural. No que diz respeito ao que é natural, todo mundo nasce só. Não importa se a pessoa nasce numa família. Por nove meses, no útero de sua mãe, você esteve só. Depois que você nasceu, sempre que fechar os seus olhos, você se encontrará só. Mesmo numa praça de mercado, simplesmente feche seus olhos e você se encontrará só.
Estar só é a sua verdadeira natureza, e a aglomeração é apenas um costume. Mas o costume se tornou tão forte e você se tornou tão inconsciente de sua natureza que existe sempre o medo de que se todo mundo abandoná-la, o que você irá fazer? Na verdade você não saberá quem você é se todo mundo abandoná-la. A opinião das pessoas é que cria uma identidade para você.
Alguém lhe diz, ‘Sadhan, você é muito bonita.’ Ele está lhe dando uma certa identidade. Alguém lhe diz, ‘Você é muito inteligente,’ outro lhe diz, ‘Você é muito alegre,’ e mais um outro lhe diz, ‘Você é tão amorosa’. Tudo isso são opiniões. Elas podem ter sido expressadas apenas como uma forma de etiqueta, elas podem não significar coisa alguma, mas você capta essas opiniões. E a sua personalidade é isso.
A sua personalidade depende do que as pessoas dizem a seu respeito. É por isso que todo mundo está tão preocupado com sua reputação, com seu nome, com seu prestígio. E a sociedade explora essa situação muito espertamente. Ela mantém todo mundo tremendo, com medo, porque ela tem o poder de lhe tirar a respeitabilidade e a honra. Sem perceber, você é uma escrava, pois depende da sociedade para a sua identidade. Sem essa identidade, você não sabe quem você é. Esse é o medo maior de ser deixado só, é o de não saber quem você é.
Eu lhes contei uma história Sufi... Um místico Sufi foi a Meca. Era uma época de festival, quando os muçulmanos de todo o mundo vão a Meca. Faz parte da religião deles que todo muçulmano, pelo menos uma vez na vida, deve ir a Meca. (...)
E esse místico Sufi, um pobre muçulmano, foi a Meca. Todos os hotéis estavam cheios, todos os caravanserai (grandes pousadas) estavam cheios. E ele não era um homem rico. Ele bateu em muitas portas, mas em todos os lugares ele foi recusado – milhões de pessoas estavam reunidas ali. E no meio do deserto, numa noite fria, com fome e sede, como ele iria sobreviver? Por fim, ele disse a um gerente de hotel, ‘Eu deitarei em qualquer lugar – nas escadas, no porão. Mas, pelo menos por esta noite... Eu estou cansado, eu caminhei milhas e milhas até chegar aqui.’
O gerente disse, ‘Eu posso ver que você está cansado, e parece que você é um homem muito simples e humilde. Eu não posso recusá-lo. Mas o problema é o seguinte: nós não temos quarto algum, lugar algum. Somente uma coisa é possível. Eu dei um quarto para um homem – ele é rico. É um quarto de casal e ele está só, mas ele pagou pelo quarto. Eu posso perguntar a ele. Talvez ele sinta alguma compaixão por você. Venha comigo.’
O gerente pensou, ‘Não haverá problema, pois uma cama está vazia. Por que mandar esse pobre homem embora...? Ele pode dormir.’ Assim, o gerente deixou-o no quarto, e o místico foi para a cama com seu turbante, com sapatos, com o casaco – nem mesmo tirou os sapatos. Ele estava todo vestido, e naturalmente estava difícil dormir. Ele ficou tossindo e se virando na cama, e por causa disso o homem a quem pertencia o quarto não conseguia dormir.
Por fim, o homem disse, ‘Escute, eu permiti que você dormisse aqui, mas você não dorme, você simplesmente tosse e se vira na cama. E eu posso ver que em tal situação ninguém vai conseguir dormir: você nem mesmo tirou os sapatos, ainda está com seu turbante e está dormindo com um casaco apertado. Isso é impossível. E você também não está me deixando dormir.’
O místico disse, ‘Isso é um grande problema.’
O homem disse, “Qual é o grande problema?’
Ele disse, “Você está dormindo nu; eu também tenho o costume de dormir nu.’
O homem disse, “Então qual é o problema? Simplesmente fique nu e vá dormir!’
O místico disse, ‘Isso não é tão fácil. O problema é: se eu dormir nu, de manhã como eu vou descobrir quem sou eu – você ou eu? Porque minha única identidade são minhas roupas: meu turbante, meus sapatos. Nu, eu não tenho identidade alguma. Assim, de manhã, quem dirá quem eu sou?’
O homem riu de tal estupidez. E disse, ‘Eu vou lhe sugerir uma coisa. Dê uma olhada naquele canto – um brinquedo – talvez seja das pessoas que estiveram aqui antes no quarto, seus filhos devem tê-lo deixado.’ Assim, ele disse, ‘Faça uma coisa, pegue aquele brinquedo, amarre-o em seu pé e vá dormir. De manhã você poderá ver que o brinquedo está ali, assim, esse certamente é você.’
O místico disse, ‘Isso me soa absolutamente correto.’ Ele tirou as roupas e ficou nu. O outro homem ajudou-o a amarrar o brinquedo em seu pé e ele caiu no sono, começando a roncar imediatamente. De fato, ele estava cansado.
O outro homem teve uma idéia. Ele desamarrou o brinquedo, amarrou-o em seu pé e foi dormir. De manhã, o místico acordou, olhou para seu pé e para o pé do outro homem e disse, ‘Meu Deus, eu sei que você é eu, mas quem sou eu? É absolutamente certo que você é eu, porque o brinquedo está ali no seu pé. Mas agora surgiu o problema, quem sou eu?’
Os místicos têm usado essa história por séculos, para lhe dizer que toda a sua identidade consiste em coisas não essenciais, que são as opiniões que lhe são dadas pelos outros. Eles podem voltar atrás em suas opiniões, por isso as pessoas estão sempre com medo de fazer algo que vá contra a tradição, a religião, a ideologia política, as atitudes nacionalistas. Ainda que elas pareçam ser totalmente erradas, as pessoas continuam apoiando-as pela simples razão de terem medo de que se elas levantarem suas vozes contra alguma coisa tradicional, a sociedade poderá retirar a identidade que ela lhes deu. Então você não saberá quem você é.
Este é o medo, Sadhan, de que se você for deixada só, como saberá quem você é? Todas aquelas pessoas que fizeram de você alguma coisa, um alguém, todos elas já se foram. E o medo permanecerá até que você venha a conhecer a si mesma diretamente, não através dos outros.
Estas são as duas coisas a serem lembradas. Quando você conhece a si mesma através dos outros, essa é a sua personalidade, apenas uma camada fina de opiniões. Quando você conhece a si mesma diretamente, você conhece a sua individualidade. E uma vez que você conhece a sua individualidade, o medo de ser deixada só desaparece. Não existe outra maneira.
Você está perguntando, ‘Meu maior medo e limitação, até onde posso checar, é o medo de ser abandonada, de ser deixada só’ Este não é somente seu medo, este é o medo de que sofre todo ser humano. E é bom que você tenha ficado consciente dele, porque esse é o primeiro passo para se livrar dele.
‘Eu sinto que isso sempre teve e ainda tem uma influência forte em minha vida e em meus relacionamentos’ Se o medo existe, é provável que ele tenha influência em sua vida, porque você sempre agirá de uma maneira para que não fique só, seja qual for o preço que tenha que pagar, mesmo que você tenha que permanecer uma escrava por toda a sua vida. Se você tiver que vender a sua alma, você venderá, mas você permanecerá cercada pela multidão. Isso parecerá aconchegante, seguro, protegido. Você saberá quem é você.
Isso destruirá toda a sua beleza espiritual, sua glória espiritual. Isso destruirá todas as possibilidades de seu crescimento interior. E isso vai influenciar seus relacionamentos. Milhões de pessoas continuam em relacionamentos que são simplesmente infernos; mas devido ao medo de que possam ser deixadas sós, elas continuam agarradas. Isso é miserável, é um grande sofrimento, é uma tortura, mas pelo menos alguém está com você.
Fazendo a comparação, é melhor ser miserável estando com alguém do que ser deixado só. Esta é uma das razões porque milhões de pessoas continuam sofrendo e continuam agarradas aos mesmos relacionamentos que não estão lhes dando qualquer alimento e simplesmente são destrutivos e suicidas.
Somente um homem ou mulher que é capaz de estar só, será também capaz de estar num relacionamento sem ser destruído por ele – porque estar só já não será mais um medo. Se algum relacionamento está criando miséria, você pode simplesmente sair dele. Ninguém pode impedi-lo. É uma situação muito patética, a de milhões de pessoas que estão agarradas umas às outras apenas devido ao medo de que elas possam ser deixadas sós. E estar só é a nossa natureza. Não há nada para se temer, você apenas tem que experienciar isso. Uma vez que você tenha experienciado, nos profundos silêncios de seu coração, a beleza e o êxtase de sua solitude, todos os medos vão embora. E você irá rir de seu passado: quão estúpida você estava sendo! O que você esteve fazendo consigo mesma?
‘Existe outra maneira de livrar-me desse medo, além de senti-lo e permitir que ele esteja ali – o que obviamente eu não fiz o bastante?’ Só existe uma maneira e ela é: aprenda a entrar em sua solitude quantas vezes for possível. Sempre que tiver uma chance, não arrume uma ocupação desnecessária para evitar a solitude. Sempre que tiver uma chance, feche seus olhos, sente-se silenciosamente, relaxada, e olhe para dentro. Pouco a pouco o tumulto será colocado em ordem, a mente se tornará quieta, e um silêncio profundo predominará. E de repente você começará a sentir o seu centro mais profundo, o verdadeiro centro de sua vida, o qual está só. Ali não existe e nunca poderá existir mais alguém.
Ninguém consegue chegar ali, exceto você. Ali é seu território. É o único lugar que pertence a você. Ninguém consegue tirar de você, nem mesmo a morte. Isso acontecerá com o seu lado de fora, o corpo, a mente, mas não com o espaço mais interno, que por séculos temos chamado de alma, espírito, ou o deus interno em você – ou qualquer nome que você queira dar. Mas essa solitude, uma vez conhecida, simplesmente remove todos os medos. Na verdade ela traz uma nova dimensão de êxtase. Ao invés de sentir medo da solitude, você se tornará mais e mais intrigada com seu mistério. Você irá querer estar mais e mais só.
No meio da noite, você acordará, sentará na cama e simplesmente entrará em sua solitude. E isto é apenas uma questão de seguir repetindo. Na medida em que você vai se movendo para dentro e para fora, vai ficando mais fácil, o caminho se torna mais leve. Isso se torna tão fácil que a qualquer momento você simplesmente fecha os olhos e imediatamente alcança o centro, sem perder um átimo de segundo. Então, até na praça do mercado você pode estar só, no meio da multidão. E você sentirá uma certa alegria crescendo em você, uma certa canção surgindo em seu silêncio, uma certa fragrância que você nunca conheceu antes.
Sadhan, este não é um grande problema. É uma coisa muito simples. Apenas porque as pessoas esqueceram a idéia de ir para dentro, isso parece algo difícil. Mas eu lhe digo que é a coisa mais simples do mundo.
O medo de estar só ou de ser deixado só, não é um fenômeno simples; ele é muito complexo. Por causa disso muitas outras coisas acontecem a você: o ciúme é parte disso, a raiva é parte disso, a tristeza, o apego e a possessividade são partes disso. Você pode ver: por que você quer dominar, enquanto esposa, enquanto marido, enquanto pai? Por que você quer dominar? Apenas para se certificar de que o outro está absolutamente sob seu controle. Por isso todo mundo está tentando manter todo mundo sob controle. Mas no fundo é apenas o medo de ficar só. E isso não é apenas hoje; talvez desde o início dos tempos – se é que existe um início – o medo tem estado aí.
E, Sadhan, porque você é uma mulher, isso é ainda mais complexo, pois o homem tem retirado todas as possibilidades de sua independência. Na maior parte das vezes eles não tem permitido que vocês se eduquem, que aprendam qualquer arte, qualquer habilidade; eles não tem permitido que vocês sejam livres e independentes financeiramente. Essa foi a estratégia deles para mantê-las no cativeiro. Eles também têm medo de serem deixados sós. Devido ao seu medo, eles têm destruído a liberdade da mulher. E a mulher tem mais medo de ser deixada só, porque agora ela se tornou totalmente dependente. Ela não é capaz de ganhar seu dinheiro, de se levantar por si mesma. Assim, mesmo que seu marido seja um torturador, um sádico, ela terá que permanecer com ele. Pelo menos ele cuidará da alimentação dela, das suas roupas e de seu abrigo.
Numa noite em que chegou muito tarde em casa, Adão encontrou Eva à sua espera com muita raiva. ‘Atrasado de novo,’ ela gritou, ‘você deve ter visto alguma outra mulher.’
‘Eu considero essa acusação um absurdo sem motivo,’ disse o ultrajado Adão. ‘Você sabe muito bem que eu e você somos as únicas pessoas neste mundo.’ E foi logo pra a cama.
Ele acordou com uma sensação de cócegas em seu peito. Ao abrir os olhos, ele viu a Eva sobre ele, contando cuidadosamente as suas costelas.
Porque Deus criou a Eva tirando uma costela do Adão, ela estava contando. Talvez ele tivesse tirado outra costela e em algum lugar nas redondezas houvesse uma outra mulher atrás dos arbustos.
Este medo, embora seja natural, pode ser abandonado, porque você tem a possibilidade de crescer acima da natureza. A sua consciência pode ir mais alto, e das alturas, aquilo que era muito importante nos vales negros da vida, se torna absolutamente sem importância e ridículo. O dia em que você puder rir de todos os seus medos será um grande dia em sua vida – e eu estou preparando você para esse dia.
Eu estou preparando você para que um dia você possa rir de tudo o que tem sido medo, miséria, possessividade, dominação, e que você possa fazer piada com tudo o que as pessoas estão levando tão a sério.
A vida é muito hilariante. Por que você deve se preocupar desnecessariamente com o medo, a miséria, com a Latifa e o Om? Eu penso que a maioria de seus problemas parecem ser importantes porque eles são os problemas de milhões de pessoas. Assim, você pensa que certamente os seus problemas são sérios, grandes e difíceis. Mas essa não é a conclusão correta.
Hymie e Betty Goldenberg estavam passando o dia no campo. Betty viu um lugar bonito debaixo de uma árvore próximo a um lago e mostrou-o para o Humie.
‘Este é um belo local para um piquenique’, ela disse.
‘Deve ser, querida,’ disse duvidando Hymie. ‘Cinqüenta milhões de mosquitos não podem estar errados.’
Esse é o problema. Mas eu lhe digo, cinqüenta milhões de mosquitos podem não estar errados, mas cinqüenta milhões de seres humanos podem estar, porque eles estão simplesmente imitando uns aos outros. A história é a mesma. Eles estão jogando os mesmos jogos, os mesmos papéis, e só porque toda a multidão está sofrendo o mesmo problema, um problema pequeno se torna uma epidemia. Se você olhar para o problema e esquecer os cinqüenta milhões de mosquitos, verá que ele é um problema muito pequeno e que um método muito pequeno poderá trazer você para fora dele.osho
contos sol e lua
segunda-feira, 4 de março de 2013
O Medo de Estar Só.
Meu maior medo e limitação, até onde posso checar, é o medo de ser abandonada, de ser deixada só. Eu sinto que isso sempre teve e ainda tem uma influência forte em minha vida e em meus relacionamentos. Existe outra maneira de livrar-me desse medo, além de senti-lo e permitir que ele esteja ali – o que obviamente eu não fiz o bastante? Querido mestre, você poderia falar a respeito desse medo de ser abandonada e ficar só?
Sadhan, o medo de ser deixada só é algo natural, porque todo mundo nasceu em uma família. Assim, desde o início estamos sempre dentro de um certo grupo, dentro de um certo aglomerado, de uma certa religião. Sempre existem pessoas ao nosso redor. Assim, estar entre pessoas tornou-se quase natural para nós, embora isto seja apenas um costume.
Isso não é natural. No que diz respeito ao que é natural, todo mundo nasce só. Não importa se a pessoa nasce numa família. Por nove meses, no útero de sua mãe, você esteve só. Depois que você nasceu, sempre que fechar os seus olhos, você se encontrará só. Mesmo numa praça de mercado, simplesmente feche seus olhos e você se encontrará só.
Estar só é a sua verdadeira natureza, e a aglomeração é apenas um costume. Mas o costume se tornou tão forte e você se tornou tão inconsciente de sua natureza que existe sempre o medo de que se todo mundo abandoná-la, o que você irá fazer? Na verdade você não saberá quem você é se todo mundo abandoná-la. A opinião das pessoas é que cria uma identidade para você.
Alguém lhe diz, ‘Sadhan, você é muito bonita.’ Ele está lhe dando uma certa identidade. Alguém lhe diz, ‘Você é muito inteligente,’ outro lhe diz, ‘Você é muito alegre,’ e mais um outro lhe diz, ‘Você é tão amorosa’. Tudo isso são opiniões. Elas podem ter sido expressadas apenas como uma forma de etiqueta, elas podem não significar coisa alguma, mas você capta essas opiniões. E a sua personalidade é isso.
A sua personalidade depende do que as pessoas dizem a seu respeito. É por isso que todo mundo está tão preocupado com sua reputação, com seu nome, com seu prestígio. E a sociedade explora essa situação muito espertamente. Ela mantém todo mundo tremendo, com medo, porque ela tem o poder de lhe tirar a respeitabilidade e a honra. Sem perceber, você é uma escrava, pois depende da sociedade para a sua identidade. Sem essa identidade, você não sabe quem você é. Esse é o medo maior de ser deixado só, é o de não saber quem você é.
Eu lhes contei uma história Sufi... Um místico Sufi foi a Meca. Era uma época de festival, quando os muçulmanos de todo o mundo vão a Meca. Faz parte da religião deles que todo muçulmano, pelo menos uma vez na vida, deve ir a Meca. (...)
E esse místico Sufi, um pobre muçulmano, foi a Meca. Todos os hotéis estavam cheios, todos os caravanserai (grandes pousadas) estavam cheios. E ele não era um homem rico. Ele bateu em muitas portas, mas em todos os lugares ele foi recusado – milhões de pessoas estavam reunidas ali. E no meio do deserto, numa noite fria, com fome e sede, como ele iria sobreviver? Por fim, ele disse a um gerente de hotel, ‘Eu deitarei em qualquer lugar – nas escadas, no porão. Mas, pelo menos por esta noite... Eu estou cansado, eu caminhei milhas e milhas até chegar aqui.’
O gerente disse, ‘Eu posso ver que você está cansado, e parece que você é um homem muito simples e humilde. Eu não posso recusá-lo. Mas o problema é o seguinte: nós não temos quarto algum, lugar algum. Somente uma coisa é possível. Eu dei um quarto para um homem – ele é rico. É um quarto de casal e ele está só, mas ele pagou pelo quarto. Eu posso perguntar a ele. Talvez ele sinta alguma compaixão por você. Venha comigo.’
O gerente pensou, ‘Não haverá problema, pois uma cama está vazia. Por que mandar esse pobre homem embora...? Ele pode dormir.’ Assim, o gerente deixou-o no quarto, e o místico foi para a cama com seu turbante, com sapatos, com o casaco – nem mesmo tirou os sapatos. Ele estava todo vestido, e naturalmente estava difícil dormir. Ele ficou tossindo e se virando na cama, e por causa disso o homem a quem pertencia o quarto não conseguia dormir.
Por fim, o homem disse, ‘Escute, eu permiti que você dormisse aqui, mas você não dorme, você simplesmente tosse e se vira na cama. E eu posso ver que em tal situação ninguém vai conseguir dormir: você nem mesmo tirou os sapatos, ainda está com seu turbante e está dormindo com um casaco apertado. Isso é impossível. E você também não está me deixando dormir.’
O místico disse, ‘Isso é um grande problema.’
O homem disse, “Qual é o grande problema?’
Ele disse, “Você está dormindo nu; eu também tenho o costume de dormir nu.’
O homem disse, “Então qual é o problema? Simplesmente fique nu e vá dormir!’
O místico disse, ‘Isso não é tão fácil. O problema é: se eu dormir nu, de manhã como eu vou descobrir quem sou eu – você ou eu? Porque minha única identidade são minhas roupas: meu turbante, meus sapatos. Nu, eu não tenho identidade alguma. Assim, de manhã, quem dirá quem eu sou?’
O homem riu de tal estupidez. E disse, ‘Eu vou lhe sugerir uma coisa. Dê uma olhada naquele canto – um brinquedo – talvez seja das pessoas que estiveram aqui antes no quarto, seus filhos devem tê-lo deixado.’ Assim, ele disse, ‘Faça uma coisa, pegue aquele brinquedo, amarre-o em seu pé e vá dormir. De manhã você poderá ver que o brinquedo está ali, assim, esse certamente é você.’
O místico disse, ‘Isso me soa absolutamente correto.’ Ele tirou as roupas e ficou nu. O outro homem ajudou-o a amarrar o brinquedo em seu pé e ele caiu no sono, começando a roncar imediatamente. De fato, ele estava cansado.
O outro homem teve uma idéia. Ele desamarrou o brinquedo, amarrou-o em seu pé e foi dormir. De manhã, o místico acordou, olhou para seu pé e para o pé do outro homem e disse, ‘Meu Deus, eu sei que você é eu, mas quem sou eu? É absolutamente certo que você é eu, porque o brinquedo está ali no seu pé. Mas agora surgiu o problema, quem sou eu?’
Os místicos têm usado essa história por séculos, para lhe dizer que toda a sua identidade consiste em coisas não essenciais, que são as opiniões que lhe são dadas pelos outros. Eles podem voltar atrás em suas opiniões, por isso as pessoas estão sempre com medo de fazer algo que vá contra a tradição, a religião, a ideologia política, as atitudes nacionalistas. Ainda que elas pareçam ser totalmente erradas, as pessoas continuam apoiando-as pela simples razão de terem medo de que se elas levantarem suas vozes contra alguma coisa tradicional, a sociedade poderá retirar a identidade que ela lhes deu. Então você não saberá quem você é.
Este é o medo, Sadhan, de que se você for deixada só, como saberá quem você é? Todas aquelas pessoas que fizeram de você alguma coisa, um alguém, todos elas já se foram. E o medo permanecerá até que você venha a conhecer a si mesma diretamente, não através dos outros.
Estas são as duas coisas a serem lembradas. Quando você conhece a si mesma através dos outros, essa é a sua personalidade, apenas uma camada fina de opiniões. Quando você conhece a si mesma diretamente, você conhece a sua individualidade. E uma vez que você conhece a sua individualidade, o medo de ser deixada só desaparece. Não existe outra maneira.
Você está perguntando, ‘Meu maior medo e limitação, até onde posso checar, é o medo de ser abandonada, de ser deixada só’ Este não é somente seu medo, este é o medo de que sofre todo ser humano. E é bom que você tenha ficado consciente dele, porque esse é o primeiro passo para se livrar dele.
‘Eu sinto que isso sempre teve e ainda tem uma influência forte em minha vida e em meus relacionamentos’ Se o medo existe, é provável que ele tenha influência em sua vida, porque você sempre agirá de uma maneira para que não fique só, seja qual for o preço que tenha que pagar, mesmo que você tenha que permanecer uma escrava por toda a sua vida. Se você tiver que vender a sua alma, você venderá, mas você permanecerá cercada pela multidão. Isso parecerá aconchegante, seguro, protegido. Você saberá quem é você.
Isso destruirá toda a sua beleza espiritual, sua glória espiritual. Isso destruirá todas as possibilidades de seu crescimento interior. E isso vai influenciar seus relacionamentos. Milhões de pessoas continuam em relacionamentos que são simplesmente infernos; mas devido ao medo de que possam ser deixadas sós, elas continuam agarradas. Isso é miserável, é um grande sofrimento, é uma tortura, mas pelo menos alguém está com você.
Fazendo a comparação, é melhor ser miserável estando com alguém do que ser deixado só. Esta é uma das razões porque milhões de pessoas continuam sofrendo e continuam agarradas aos mesmos relacionamentos que não estão lhes dando qualquer alimento e simplesmente são destrutivos e suicidas.
Somente um homem ou mulher que é capaz de estar só, será também capaz de estar num relacionamento sem ser destruído por ele – porque estar só já não será mais um medo. Se algum relacionamento está criando miséria, você pode simplesmente sair dele. Ninguém pode impedi-lo. É uma situação muito patética, a de milhões de pessoas que estão agarradas umas às outras apenas devido ao medo de que elas possam ser deixadas sós. E estar só é a nossa natureza. Não há nada para se temer, você apenas tem que experienciar isso. Uma vez que você tenha experienciado, nos profundos silêncios de seu coração, a beleza e o êxtase de sua solitude, todos os medos vão embora. E você irá rir de seu passado: quão estúpida você estava sendo! O que você esteve fazendo consigo mesma?
‘Existe outra maneira de livrar-me desse medo, além de senti-lo e permitir que ele esteja ali – o que obviamente eu não fiz o bastante?’ Só existe uma maneira e ela é: aprenda a entrar em sua solitude quantas vezes for possível. Sempre que tiver uma chance, não arrume uma ocupação desnecessária para evitar a solitude. Sempre que tiver uma chance, feche seus olhos, sente-se silenciosamente, relaxada, e olhe para dentro. Pouco a pouco o tumulto será colocado em ordem, a mente se tornará quieta, e um silêncio profundo predominará. E de repente você começará a sentir o seu centro mais profundo, o verdadeiro centro de sua vida, o qual está só. Ali não existe e nunca poderá existir mais alguém.
Ninguém consegue chegar ali, exceto você. Ali é seu território. É o único lugar que pertence a você. Ninguém consegue tirar de você, nem mesmo a morte. Isso acontecerá com o seu lado de fora, o corpo, a mente, mas não com o espaço mais interno, que por séculos temos chamado de alma, espírito, ou o deus interno em você – ou qualquer nome que você queira dar. Mas essa solitude, uma vez conhecida, simplesmente remove todos os medos. Na verdade ela traz uma nova dimensão de êxtase. Ao invés de sentir medo da solitude, você se tornará mais e mais intrigada com seu mistério. Você irá querer estar mais e mais só.
No meio da noite, você acordará, sentará na cama e simplesmente entrará em sua solitude. E isto é apenas uma questão de seguir repetindo. Na medida em que você vai se movendo para dentro e para fora, vai ficando mais fácil, o caminho se torna mais leve. Isso se torna tão fácil que a qualquer momento você simplesmente fecha os olhos e imediatamente alcança o centro, sem perder um átimo de segundo. Então, até na praça do mercado você pode estar só, no meio da multidão. E você sentirá uma certa alegria crescendo em você, uma certa canção surgindo em seu silêncio, uma certa fragrância que você nunca conheceu antes.
Sadhan, este não é um grande problema. É uma coisa muito simples. Apenas porque as pessoas esqueceram a idéia de ir para dentro, isso parece algo difícil. Mas eu lhe digo que é a coisa mais simples do mundo.
O medo de estar só ou de ser deixado só, não é um fenômeno simples; ele é muito complexo. Por causa disso muitas outras coisas acontecem a você: o ciúme é parte disso, a raiva é parte disso, a tristeza, o apego e a possessividade são partes disso. Você pode ver: por que você quer dominar, enquanto esposa, enquanto marido, enquanto pai? Por que você quer dominar? Apenas para se certificar de que o outro está absolutamente sob seu controle. Por isso todo mundo está tentando manter todo mundo sob controle. Mas no fundo é apenas o medo de ficar só. E isso não é apenas hoje; talvez desde o início dos tempos – se é que existe um início – o medo tem estado aí.
E, Sadhan, porque você é uma mulher, isso é ainda mais complexo, pois o homem tem retirado todas as possibilidades de sua independência. Na maior parte das vezes eles não tem permitido que vocês se eduquem, que aprendam qualquer arte, qualquer habilidade; eles não tem permitido que vocês sejam livres e independentes financeiramente. Essa foi a estratégia deles para mantê-las no cativeiro. Eles também têm medo de serem deixados sós. Devido ao seu medo, eles têm destruído a liberdade da mulher. E a mulher tem mais medo de ser deixada só, porque agora ela se tornou totalmente dependente. Ela não é capaz de ganhar seu dinheiro, de se levantar por si mesma. Assim, mesmo que seu marido seja um torturador, um sádico, ela terá que permanecer com ele. Pelo menos ele cuidará da alimentação dela, das suas roupas e de seu abrigo.
Numa noite em que chegou muito tarde em casa, Adão encontrou Eva à sua espera com muita raiva. ‘Atrasado de novo,’ ela gritou, ‘você deve ter visto alguma outra mulher.’
‘Eu considero essa acusação um absurdo sem motivo,’ disse o ultrajado Adão. ‘Você sabe muito bem que eu e você somos as únicas pessoas neste mundo.’ E foi logo pra a cama.
Ele acordou com uma sensação de cócegas em seu peito. Ao abrir os olhos, ele viu a Eva sobre ele, contando cuidadosamente as suas costelas.
Porque Deus criou a Eva tirando uma costela do Adão, ela estava contando. Talvez ele tivesse tirado outra costela e em algum lugar nas redondezas houvesse uma outra mulher atrás dos arbustos.
Este medo, embora seja natural, pode ser abandonado, porque você tem a possibilidade de crescer acima da natureza. A sua consciência pode ir mais alto, e das alturas, aquilo que era muito importante nos vales negros da vida, se torna absolutamente sem importância e ridículo. O dia em que você puder rir de todos os seus medos será um grande dia em sua vida – e eu estou preparando você para esse dia.
Eu estou preparando você para que um dia você possa rir de tudo o que tem sido medo, miséria, possessividade, dominação, e que você possa fazer piada com tudo o que as pessoas estão levando tão a sério.
A vida é muito hilariante. Por que você deve se preocupar desnecessariamente com o medo, a miséria, com a Latifa e o Om? Eu penso que a maioria de seus problemas parecem ser importantes porque eles são os problemas de milhões de pessoas. Assim, você pensa que certamente os seus problemas são sérios, grandes e difíceis. Mas essa não é a conclusão correta.
Hymie e Betty Goldenberg estavam passando o dia no campo. Betty viu um lugar bonito debaixo de uma árvore próximo a um lago e mostrou-o para o Humie.
‘Este é um belo local para um piquenique’, ela disse.
‘Deve ser, querida,’ disse duvidando Hymie. ‘Cinqüenta milhões de mosquitos não podem estar errados.’
Esse é o problema. Mas eu lhe digo, cinqüenta milhões de mosquitos podem não estar errados, mas cinqüenta milhões de seres humanos podem estar, porque eles estão simplesmente imitando uns aos outros. A história é a mesma. Eles estão jogando os mesmos jogos, os mesmos papéis, e só porque toda a multidão está sofrendo o mesmo problema, um problema pequeno se torna uma epidemia. Se você olhar para o problema e esquecer os cinqüenta milhões de mosquitos, verá que ele é um problema muito pequeno e que um método muito pequeno poderá trazer você para fora dele.osho
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O mistério de "Quem sou Eu"? Osho.
Toda a nossa educação – seja através de nossos Pais, da própria sociedade, da escola e universidade - cria tensão em nós. E essa tensão persiste durante toda a sua vida.
Essa mente criada pelos outros e implantada em você nunca vai deixa-lo descansar; faça você o que fizer, ela estará sempre o condenando.
Desde a infância, a sociedade impõe certos padrões de pensamentos – competitividade, ambição, ganância, padrões em relação à sexualidade – e, como toda criança é pura, inocente, um quadro em branco você escreve o que quiser e, assim, uma falsa identidade é criada.
A criança não tem escolha. E todos nós somos tocados que nem um rebanho. Em algum momento você entra na escola, em outro momento faz o catecismo (País Cristão), e assim você é conduzido a vários grupos – porque você tem que ser o melhor, tem que ser rico, tem que ser inteligente...
Perceba... Você não escolhe nem a sua religião.
E assim vamos colhendo ansiedade, tensão, medo, raiva, angústia, tristeza, depressão.
Procure entender que essa falsa identidade que nos deram é um substituo. Mas esse substituto só é útil no mesmo grupo que deu essa identidade a você.
No momento em que você está sozinho, o falso começa a desmoronar, e o real reprimido começa a se expressar. Daí o medo de ficar sozinho.
Por isso a pessoa quer ser apoiada 24h por dia, porque o falso, sem apoio, não consegue se sustentar.
E, de repente, em um momento de solidão, você começa a sentir que não é aquilo. Isso gera medo: então, quem sou eu?
E essa lacuna, tem sido chamada pelos Místicos de “A noite escura da alma” – um momento onde você não é mais o falso e não é ainda o real.
Por isso, quando você está sozinho, surge um medo profundo porque de repente o falso começa a desaparecer. E o real surge durante um pequeno espaço de tempo. Você o perdeu há muitos anos atrás.
Então imediatamente começa a fazer alguma coisa apenas para que o falso permaneça ocupado e não comece a desaparecer.
Por isso os fins de semana são os mais difíceis para as pessoas. Durante cinco dias elas trabalham, esperando que no fim de semana possam relaxar. Mas o fim de semana é a pior ocasião em todo o mundo – o maior número de acidentes acontece nos fins de semana, mais pessoas cometem suicídio, há mais assassinatos, mais roubos, mais estupros.
É estranho... Essas pessoas estiveram ocupadas durante cinco dias e não houve problema. Mas o fim de semana, de repente, lhes proporciona uma escolha – estar ocupado em algo ou relaxar -, mas relaxar é apavorante; a falsa personalidade desaparece.
Então, mantenha-se ocupado, faça qualquer coisa idiota. As pessoas correm para as praias, enfrentando um trânsito pesado de centenas de quilômetros. Se vocês lhes perguntar para onde estão indo, elas estão “fugindo da multidão”. E toda a multidão está indo com elas! Estão todas indo em busca de um espaço silencioso, solitário – todas elas.
Na verdade, se elas permanecessem em casa teria sido mais solitário e silencioso.
E estão se apressando como loucos, correndo, porque dois dias vão terminar logo e eles têm de chegar – só não pergunte aonde! E nas praias, observe você mesmo... Elas estão abarrotadas. E, por mais estranho que pareça, as pessoas estão se sentindo muito à vontade, tomando um banho de sol. Dez mil pessoas em uma pequena praia tomando banho de sol, relaxando.
As mesmas pessoas estavam no escritório, as mesmas pessoas estavam nas ruas, as mesmas pessoas estavam no mercado, e agora as mesmas pessoas estão na praia.
Perceba... A multidão é essencial para a existência do falso eu. Se o momento é solitário, você começa a se angustiar.
No que diz respeito à meditação, o Ocidente não sabe nada. E a meditação é apenas um nome para estar sozinho, silencioso, esperando que o real se estabeleça.
É aí que se deve entender um pouquinho de meditação.
Não fique preocupado, porque o que pode desaparecer merece desaparecer. Não tem sentido se agarrar a isso; isso não é seu, não é você. Você é você quando o falso se foi e o ser novo – inocente, despoluído – surge em seu lugar.
Procure entender... Você nasceu. Você veio ao mundo com vida, com consciência, com uma enorme sensibilidade. Pense em uma criança pequena, pense em seus olhos, no seu frescor. Tudo isso foi coberto por uma falsa identidade.
E não se sabe nada sobre o dia de amanhã. Não morra antes de realizar o seu ser autêntico.
Ninguém mais pode responder à essa pergunta “Quem sou eu?” – apenas você vai saber.
Apenas essas poucas pessoas que viveram com o ser autêntico e morreram com o ser autêntico são os afortunados – porque eles sabem que a vida é eterna e a morte uma ficção.
A voz do ego... A voz da alma.osho.
Todos nos buscamos a felicidade e nessa busca percorremos caminhos que nem sempre nos levam a ela e muitas vezes nos afastam cada vez mais do ponto onde a felicidade se encontra.
Aprendemos a querer coisas que na verdade não queremos numa total incoerência com a nossa natureza.
Desde criança somos levados a acreditar que a felicidade será encontrada em coisas fora de nós e nos são dadas ao longo dos tempos muitas possíveis fórmulas prontas e muitos caminhos que apontam para a tal busca da felicidade.
Acabamos acreditando que fora daqueles padrões e daqueles conceitos não existe a menor chance de ser feliz e vamos por aí conquistando coisas, cargos, status ,stress... Menos a felicidade.
Dá um sentimento de vazio quando constatamos que não era bem aquilo que esperávamos... Uma sensação de ter vencido a corrida e não ter levado o prêmio.
Mas a voz do ego nos chama de muitas formas, cada vez mais atrativas e mais convincentes e de novo embarcamos nessa busca que não tem conexão com a nossa vontade mais profunda.
E podemos ficar perdidos no meio de tantos chamados do ego ou podemos escolher escutar uma outra voz.
Uma voz que nos fala suavemente nos convidando a descobrir nosso próprio caminho sem receitas prontas e aonde cada um vai escrevendo a sua própria história. É a voz da Alma.
Para seguir esse chamado da alma é preciso coragem desapego além de muita Fé.
Coragem porque em alguns pontos precisamos abrir a nossa própria estrada, precisamos passar por onde ninguém passou buscando nos mergulhos profundos as pistas que indicam a direção do próximo passo.
Desapego dos conceitos, das regras e principalmente do ego é preciso deixar espaço para as coisas novas e que fazem sentido para a nossa história.
E fé para confiar nos caminhos que a Alma nos indica, sabendo que aqui não existem os limites da nossa mente racional e que o impossível pode se tornar possível quando menos esperamos.
Quando nos abrimos para seguir a voz da Alma, aos poucos vamos descobrindo que a felicidade não se encontra nos prometidos finais, mas em cada passo em que estamos conectados com o nosso propósito Divino.
Vamos percebendo que a felicidade é um atributo de cada um de nós que aparece na medida em que vamos nos conhecendo melhor e nos aproximando de quem realmente somos.
A felicidade se aproxima da gente na medida em que nos aproximamos de nós mesmos.
E chega um tempo onde não conseguimos mais fugir do chamado que vem da Alma, porque essa voz vai se fazendo tão presente e tão natural que entendemos que é a única voz que nos indica o caminho de volta pra casa.
Então, procure escutar a voz da sua alma e siga esses caminhos assim você vai perceber que muito além do conhecido existem muitas possibilidades... Até a de Ser feliz.
Vendendo sua Alma a Satanás.
O mito de Fausto apresenta uma situação curiosa no encontro do herói, que é a alma que procura, com diferentes classes de Espíritos. O Espírito de Fausto, inerentemente bom, sente-se atraído para as ordens superiores; sente afinidade pelo benevolente Espírito da Terra, e deplora a incapacidade de retê-lo e aprender com ele. Face a face com o espírito de negação, ao qual está disposto a servir, ele se sente de um certo modo senhor da situação, porque esse espírito não pode sair pela parte superior do símbolo da estrela de cinco pontas na posição em que está colocada no chão. Mas, tanto sua incapacidade em reter o Espírito da Terra e obter instrução desse exaltado Ser, como seu domínio sobre o espírito de negação, decorrem do fato dele ter entrado em contato com eles por acaso e não através do poder da alma desenvolvido internamente.
Quando Parsifal, o herói de outro desses grandes mitos da alma, visitou pela primeira vez o Castelo do Graal, foi-lhe perguntado como havia chegado ali, e ele respondeu: "Eu não sei". Aconteceu que ele entrou no lugar sagrado da mesma forma que uma alma percebe, às vezes, um vislumbre dos reinos celestiais numa visão; mas ele não podia ficar no Monte Salvat. Foi forçado a sair novamente para o mundo e aí aprender suas lições. Muitos anos depois ele retornou ao Castelo do Graal, triste e cansado da busca e a mesma pergunta lhe foi feita: "Como chegaste aqui?" Mas, desta vez, sua resposta foi diferente, pois disse: "Através da procura e do sofrimento eu vim".
Este é o ponto fundamental que marca a grande diferença entre alguns que se põem em contato com Espíritos dos reinos suprafísicos por acaso e tropeçam no entendimento de uma lei da Natureza, ou aqueles que, por zelosos estudos e principalmente por viver a vida, obtêm a Iniciação, conscientes dos segredos da Natureza. Os primeiros não sabem como usar este poder inteligentemente e estão, portanto, desamparados. Os últimos são sempre senhores das forças que manejam, enquanto os outros são vítimas de quem quiser tirar vantagem deles.
Fausto é o símbolo do homem, e a humanidade foi, no princípio, dirigida pelos Espíritos de Lúcifer e pelos Anjos de Jeová. Agora estamos olhando para o Espírito Cristo na Terra como o Salvador, para emancipar-nos da influência egoísta e negativa dos lucíferos.
Paulo nos dá uma visão da evolução futura que nos está destinada, quando disse que, após Cristo estabelecer Seu reino, Ele o entregará ao Pai, e então será tudo em tudo.
No entanto, Fausto procura primeiro comunicar-se com o macrocosmo, que é o Pai. Como o centauro celeste, Sagitários, ele aponta seu arco para as estrelas mais altas. Não está satisfeito em começar por baixo e galgar o cimo gradativamente. Quando repelido por aquele sublime Ser, desce um degrau na escala e procura comunhão com o Espírito da Terra, que também o desdenha, pois ele não pode tornar-se o pupilo das elevadas forças enquanto não ajustar-se às suas regras, para assim poder entrar no caminho da Iniciação pela porta verdadeira. Portanto, quando percebe que o pentagrama junto da porta detém o Espírito do mal, entrevê uma oportunidade para fazer um acordo. Está pronto para vender sua alma a Satanás.
Mas, como foi dito antes, está totalmente despreparado para manter o domínio com êxito, e o poder do espírito rapidamente desobstrui o caminho e liberta Lúcifer. Mas este, embora saia do gabinete de Fausto, logo volta, pronto para negociar com a alma que procura. Ele descreve, diante dos olhos de Fausto, quadros brilhantes de como viver a vida, como poderá satisfazer suas paixões e desejos. Fausto, sabendo que Lúcifer não está desinteressado, pergunta que compensação ele quer. A isto, Lúcifer responde:
" Eu me comprometo a ser teu servo aqui, enfim,
E a todo o teu aceno e chamado, alerta vou estar;
Mas, quando na esfera além nos formos encontrar,
Então, tu farás o mesmo para mim".
O próprio Fausto acrescentou uma condição aparentemente singular com respeito à época em que o serviço de Lúcifer terminar, e quando sua própria vida terrestre tiver chegado ao fim.
Embora pareça estranho, nós temos na aquiescência de Lúcifer e na cláusula proposta por Fausto, leis básicas de evolução. Pela Lei de Atração somos postos em contato com Espíritos semelhantes, tanto aqui como na vida futura. Se servimos as forças superiores aqui e trabalhamos para elevar-nos, encontraremos companheiros com a mesma índole neste mundo e no próximo. Mas, se gostamos da escuridão mais do que da luz, estaremos ligados ao submundo aqui e no futuro também. Não há como escapar desta lei.
Além disso, somos todos "construtores do templo" trabalhando sob a direção de Deus e Seus ministros, as divinas Hierarquias. Se evitarmos a tarefa que nos foi imposta na vida, seremos colocados sob condições que nos forçarão a aprender. Não há descanso nem paz no caminho da evolução e se procurarmos prazer e alegria a ponto de excluir o trabalho da vida, o dobrar fúnebre dos sinos logo será ouvido. Se chegarmos, alguma vez, a um ponto em que estejamos inclinados a ordenar que as horas parem ou se estamos tão satisfeitos com a nossa vida que até cessamos nossos esforços para progredir, nossa existência estará rapidamente terminada. Observamos que as pessoas que se retiram dos negócios vivendo apenas para aproveitar o que acumularam, logo morrem; enquanto que o homem que troca sua profissão por uma outra ocupação, geralmente vive mais tempo. Nada é tão fácil para encerrar uma existência do que a inatividade. Como já foi dito, as Leis da Natureza são enunciadas no acordo de Lúcifer e na condição acrescentada por Fausto:
"Se eu me satisfizer com a indolência e o lazer,
Que seja essa, então, a última hora que eu possa ter.
Quando tu com lisonjas me fores adular
Até que auto-complacente eu venha a ser;
Quando tu com prazeres me puderes enganar,
Seja esse o meu dia final.
Sempre que a hora for passando
Eu digo: 'Oh! fica, és tão leal!'
Assim, a força a ti eu vou dando
De levar-me ao mais profundo desespero.
Meu dobrar de sinos não o deixes prolongar,
De meu serviço, livre irás ficar;
E quando do relógio o ponteiro indicador tiver caído,
Esteja, então, o meu tempo concluído".
Lúcifer pede a Fausto que assine o contrato com uma gota de sangue. E quando perguntado por que, diz astuciosamente: "O sangue é uma essência muitíssimo peculiar". A Bíblia diz que é assento da alma.
Quando a Terra estava em processo de condensação a aura invisível que circundava Marte, Mercúrio e Vênus, penetrou na Terra e os Espíritos desses planetas estiveram em relacionamento especial e íntimo com a humanidade. O ferro é metal de Marte e pela mescla do ferro com o sangue, a oxidação torna-se possível; assim, o calor interno, necessário para a manifestação de um Espírito que habita internamente, foi obtido pela ação dos Espíritos Lucíferos de Marte. Eles são, portanto, responsáveis pelas condições sob as quais o Ego está enclausurado no corpo denso.
Quando o sangue é extraído do corpo humano e coagula, cada partícula tem uma forma especial, distinta das partículas de qualquer outro ser humano. Portanto, quem tiver sangue de uma certa pessoa, tem um elo de ligação com o Espírito que construiu as partículas do sangue. Ele tem poder sobre essa pessoa, se souber como usar esse conhecimento. Foi essa a razão porque Lúcifer exigiu a assinatura com o sangue de Fausto, pois com o nome de sua vítima escrito em sangue, poderia conservar a alma escravizada de acordo com as leis envolvidas.
Sim, de fato! O sangue é uma essência muitíssimo peculiar, importante tanto na magia branca como na negra. Todo conhecimento usado em qualquer direção, deve necessariamente alimentar-se da vida que é primariamente derivada dos extratos do corpo vital, isto é, a força do sexo e o sangue. Todo conhecimento que não seja assim alimentado e nutrido, é tão impotente como a filosofia que Fausto tirou de seus livros. Livros não são suficientes por si só. Somente na medida em que trazemos esses conhecimentos para nossas vidas, alimentando-os e vivenciando-os, é que eles têm real valor.
Existe, no entanto, uma importante diferença a considerar: enquanto o aspirante da Ciência Sagrada alimenta sua alma com sua própria força sexual, e as paixões inferiores com seu próprio sangue que, então, ele transmuta e depura, aqueles que aderem à magia negra vivem corno vampiros à custa da força sexual dos outros e do sangue impuro sugado das veias de suas vítimas. No Castelo do Graal vemos o sangue puro e depurador operando maravilhas sobre os cavaleiros virtuosos que aspiravam desempenhar elevadas ações. Porém, no Castelo de Herodes, a personificação da voluptuosidade - Salomé - fez com que o sangue da paixão corresse desenfreadamente pelas veias dos participantes, e o sangue que jorrou da cabeça do martirizado Batista serviu para dar-lhes o poder que eles não tinham, por serem muito covardes para adquiri-lo através do sofrimento e da própria depuração.
Fausto tenciona adquirir poder rapidamente com o auxílio de outros, tocando num ponto perigoso, do mesmo modo como fazem hoje aqueles que seguem os que se intitulam "adeptos" ou "mestres". Estes estão prontos para explorar os mais baixos apetites dos crédulos, da mesma forma que Lúcifer ofereceu-se para ajudar Fausto. Mas eles nunca poderão dar o poder da alma, não importa o que aleguem. Isto é conquistado internamente, pela paciente perseverança em fazer o bem, um fato que nunca será demasiado repetir.Max Heindel.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Vendendo sua Alma a Satanás.continuação.
O mito de
Por estar aborrecido, Fausto responde com desdém à exigência de Lúcifer de assinar com sangue o pacto entre eles e, então, profere as seguintes palavras:
"Não temas que faltar à minha palavra eu vá.
O propósito de toda a minha energia
Em inteira concordância com meu juramento está.
Levianamente, muito alto tenho aspirado;
Estou no mesmo nível que tu;
Eu, o Grande Espírito escarnecido; desafiado.
A própria Natureza se escondeu de mim.
Rasgada está a teia do pensamento; minha mente
Abomina toda a classe de conhecimento.
Nas profundezas. de prazeres sensuais mergulhadas
Deixemos ficar nossas paixões incendiadas,
Envoltas nos abismos de mágicos véus formosos,
E que nossos sentidos vibrem em encantos assombrosos".
Tendo sido desdenhado pelas forças que conduzem ao bem e estando completamente dominado pelo desejo de obter conhecimento direto e de verdadeiro poder, está disposto a ir até as últimas conseqüências. Mas Deus está sempre presente, como foi dito no prólogo:
"Um homem bom em sua mais escura aberração,
Conhece ainda o caminho que o conduz à salvação".
Fausto é a alma aspirante, e a alma não pode ser permanentemente desviada do caminho da evolução.
A declaração de Fausto sobre seu objetivo corrobora,a afirmação de que ele tem um ideal elevado, mesmo quando chafurda na lama. Ele quer experiência:
"O fim que eu aspiro não é o prazer.
Agonizante bem-aventurança - eu anseio por realização.
Ódio enamorado, rápido aborrecimento.
Purgado do amor do saber, minha vocação.
De hoje em diante, o objetivo de todos os meus poderes vai ser
Livrar meu peito de toda angústia, conhecer
Todo o infortúnio e o bem estar humanos no âmago do meu coração.
O sublime e o profundo em pensamento abraçar,
Os vários destinos do homem em meu peito acumular".
Antes que alguém possa ser realmente compassivo, deve sentir, como Fausto também o deseja, tanto a profundidade das tristezas da alma humana como suas elevadas alegrias; pois, somente quando conhecemos estes extremos dos sentimentos humanos podemos sentir a compaixão necessária por aqueles que precisam ser ajudados, e assim colaborar na elevação da humanidade. Através de Lúcifer, Fausto é capaz de conhecer tanto a alegria como a tristeza. Lúcifer também admite isto quando diz:
"A força que mesmo o mal planejando
Para o bem está trabalhando".
Pela interferência dos Espíritos de Lúcifer no esquema da evolução, as paixões da humanidade foram despertadas, intensificadas e conduzidas para um canal que tem causado todas as tristezas e enfermidades no mundo. Não obstante, isso despertou a individualidade no homem e libertou-o das condições liderantes dos Anjos. Fausto, pela ajuda de Lúcifer, é afastado dos caminhos convencionais, tornando-se assim individualizado. Quando o pacto entre Fausto e Lúcifer foi concluído, tivemos a réplica dos Filhos de Caim, que são os descendentes e protegidos dos Espíritos de Lúcifer, como vimos em "Maçonaria e Catolicismo".
Na tragédia de Fausto, Margarida é a protegida dos Filhos de Seth, o clero, descrito na lenda Maçônica. No momento, as duas classes representadas por Fausto e Margarida devem defrontar-se, e entre elas será encenada a tragédia da vida. Em conseqüência das desgraças sofridas por elas, a alma criará asas que a elevarão novamente aos reinos das bem-aventuranças de onde veio. Nesse ínterim, Lúcifer leva Fausto à cozinha das bruxas onde ele vai receber o elixir da juventude, para que, rejuvenescido, possa tornar-se desejável aos olhos de Margarida.
Quando Fausto aparece no palco, a cozinha das bruxas está repleta de instrumentos que são usados em magia. Um fogo infernal queima sob uma chaleira onde são preparadas as poções de amor, e há aí muito mais coisas fantásticas. Observamos vários objetos inanimados, mas o que mais desperta a nossa atenção é uma família de macacos, a qual tem um grande significado porque representa uma fase da evolução humana.
A humanidade, satisfeita com a paixão instigada pelos Espíritos de Lúcifer ou Anjos caídos, libertou-se da hoste angelical liderada por Jeová. Como conseqüência desse obstinado desejo, foram logo envolvidos por "revestimentos de pele" e separados uns dos outros. O egoísmo suplantou o sentimento de fraternidade, atingindo o nadir do materialismo. Alguns foram mais passionais que outros. Por isso, seus corpos cristalizaram-se mais. Eles degeneraram e tornaram-se antropóides. Seu tamanho foi reduzido à medida que se aproximavam do limite onde a espécie devia ser extinta. Eles são, portanto, os pupilos especiais dos Espíritos lucíferos. Assim, o mito de Fausto mostra-nos uma fase da evolução humana não incluída na lenda Maçônica, e dá-nos uma visão mais completa e conjunta do que realmente aconteceu.
Houve uma época em que toda a humanidade passou pelo ponto onde os cientistas acreditam estar localizado o elo perdido. Os que agora são antropóides degeneraram a partir daquele ponto, enquanto a família humana evoluiu até o presente estágio de desenvolvimento. Sabemos como a indulgência para com as paixões embrutece aqueles que por elas se deixam levar. Podemos compreender prontamente que quando o homem estava ainda em formação, sem individualidade e sob controle direto das forças cósmicas, esta indulgência não era controlada pelo sentimento da individualidade que, de certo modo, nos protege hoje. Portanto, os resultados seriam naturalmente mais desastrosos e de maiores conseqüências.
Alguma vez, a alma aspirante deve entrar na cozinha das bruxas como o fez Fausto, e encarar o objetivo da lição que nos leva a considerar a conseqüência do mal, representada pelo macaco. A alma tem, então, permissão para encontrar-se com Margarida no jardim, para tentar e ser tentada, para escolher entre a pureza e a paixão, para cair como Fausto, ou permanecer firmemente na pureza, como fez Parsifal. Sob a Lei da Compensação receberá sua recompensa pelas ações praticadas no corpo. De fato, a sorte é irmã gêmea do merecimento, como Lúcifer mostra a Fausto, e a verdadeira sabedoria só se conquista com paciente perseverança na prática do bem.
"Quão ligada está a sorte ao merecimento,
Isso ao tolo jamais ocorreria.
Eu juro, tivesse ele a pedra do homem sábio,
A pedra do filósofo não seria".
Fiel a seu propósito de estudar a vida em vez de livros, Fausto pede a Lúcifer que consiga introduzi-lo na casa da Margarida. Tenta conquistar a afeição dela com um principesco presente de jóias, que Lúcifer introduziu às escondidas em seu armário. O irmão de Margarida está ausente, lutando por sua pátria. Sua mãe não é capaz de decidir o que fazer com o presente, e o leva ao seu guia espiritual na igreja. Este aprecia mais o brilho das gemas do que as preciosas almas a ele confiadas. Negligencia seu dever à vista de um colar de pérolas, mais ansioso em garantir as jóias para o adorno de um ídolo, do que defender uma filha da igreja contra o perigo moral que a cerca. Assim, Lúcifer vence e rapidamente recebe uma recompensa de sangue e, em seguida, de almas humanas. Para conseguir acesso aos aposentos de Margarida, Fausto a persuade a dar à sua mãe uma poção para dormir, o que causa a esta, a morte. Valentino, o irmão de Margarida, é morto por Fausto. Margarida é encarcerada e sentenciada a sofrer pena capital.
Quando uma semente adere à polpa de uma fruta ainda verde, é doloroso retirá-la de lá. Da mesma forma, o sangue, que é o assento da alma, está no corpo de uma pessoa e, quando esta encontra um fim súbito e prematuro, é fácil perceber o sofrimento de tal morte. Os Espíritos de Lúcifer deleitam-se com a intensidade do sentimento e evoluem através disso. Em relação ao objetivo, a natureza de uma emoção não é tão essencial quanto sua intensidade. Por isso, eles agitam as paixões humanas de natureza inferior, que são mais intensas em nosso presente estágio de evolução do que os sentimentos de alegria e amor. Como resultado, incitam à guerra e ao derramamento de sangue, e o que nos parece maligno agora, na realidade, são degraus para ideais mais nobres e elevados, pois, através da tristeza e do sofrimento, tais como foram gerados em Margarida, o Ego eleva-se cada vez mais na escala da evolução. Aprende o valor da virtude quando desliza na direção do vício.
Foi com verdadeira compreensão deste fato que Goethe escreveu:
"Quem nunca comeu seu pão em amargo afã,
Quem nunca, acordado, a meia-noite viu passar,
Chorando, esperando pelo amanhã,
Os Poderes celestiais não sabe ainda avaliar".Max Heindel.
A importância da LUA em nossas vidas: Lilith - A Lua Negra.
No início das eras existia a Grande Deusa, e a Deusa era a própria Terra, Geia, e a Terra era a Deusa. As origens do culto à Grande Deusa são encontradas na penumbra do tempo pré-histórico. A Deusa governou por milhares e milhares de anos, anos em que a Terra vivia os ciclos lunares perfeitamente em harmonia com a vida orgânica da Mãe. Ao longo do tempo a Grande Mãe foi sendo arrasada e relegada à escuridão, e iniciou o triunfo do mais patriarcal dos arquétipos, aquele do Grande Deus Pai, Allah, IHVH, que foi completamente adotado com o crescimento do judaísmo, do cristianismo e da religião muçulmana. Foi somente na forma atenuada de Maria, Mãe de Deus, que alguns aspectos da Grande Deusa foram deixados subsistir. Várias Madonnas antigas ainda são resquícios do culto à Grande Deusa.
A figura de Lilith – A Lua Negra – representa um dos aspectos da Grande Deusa. Na antiga Babilônia ela era reverenciada como Lilitu, Ischar ou Lamschtu. A mitologia judia já a colocou nos reinos mais obscuros dos demônios da noite, reino de Satã, capaz de subjugar os homens e matar crianças. O cristianismo fez dela uma prostituta por causa do medo que ela despertava nos homens.
Representação de Lilith da época dos Sumérios: Terracotta. Aproximadamente 1950 Antes de Cristo.
A Lilith astronômica.
A Lua viaja ao longo de uma elíptica em volta da Terra. Uma elipse tem dois pontos focais e o outro ponto focal não ocupado pela Terra tem sido chamado de Lua Negra, ou Lilith. Essa é uma definição bastante simplificada pois, na realidade, a Lua e o Sol se movem, ambos, ao redor de seu centro de gravidade comum, e o caminho da Lua não possui uma elipse precisa mas um caminho bastante oscilante. Precisamos distinguir entre o ponto médio orbital da Lua, que possui uma elipse ligeiramente alongada, e a órbita real, que vacila em torno do caminho médio, devido a várias interferências. Assim como existe um Nó Lunar médio e um verdadeiro. Escrevi verdadeiro entre aspas porque o Nó lunar é verdadeiro somente duas vezes por mês, quando a Lua está realmente nele, no restante do tempo ele é tão não verdadeiro quando o Nó médio. De fato, quando trabalhamos com um ponto tão próximo à Terra, podemos somente tomar em consideração um grande eixo paralelo, ou seja, considerar, do ponto de vista da Terra, por onde estamos realmente olhando para um determinado ponto no espaço. Nesse caso a astrologia observa os planetas de forma geocêntrica, ou seja, tendo o centro da Terra como ponto de partida, e não topocentricamente, ou seja, do ponto preciso do observador.
A Lua Negra tem sido definida como o afélio da órbita lunar, ou o ponto em que a órbita é mais longe da Terra. Ambos esses pontos, o afélio e o segundo ponto focal se encontram ao longo do grande eixo da elipse orbital, a linha das apsides. Vistos da terra, esses pontos estão na mesma direção e portanto ocupam o mesmo lugar no Zodíaco. O segundo ponto focal se encontra numa distância de somente 36.000 km aproximadamente da Terra, e o afélio a aproximadamente 400.000 km. À parte isso, as duas definições podem ser vistas como equivalentes: como a órbita da Lua translada continuamente no espaço, a Lua Negra se move ao longo do zodíaco aproximadamente 40º por ano. Uma revolução completa leva 8 anos e 10 meses.
Lilith na Carta Astral
O símbolo usado para Lilith é uma Lua Negra, em oposição à Lua real que é desenhada como cheia. Lilith é encontrada nas Cartas Astrais e desenhada de acordo com a tábua das posições planetárias ou Ephemeris.
INTERPRETANTO LILITH.
Muitos livros de astrologia oferecem explicações sobre Lilith. Em astrologia sua influência não deve ser negligenciada. A Lua Negra descreve nosso relacionamento com o absoluto, como nos oferecemos em sacrifício para um desenho superior e de que forma abrimos mão de nosso controle para servir ao TODO. Na mulher ela pode expressar o poder da Grande Deusa que reside em todos os seres do gênero feminino, capaz de gerar a vida.
No trânsito, a Lua Negra indica alguns dos complexos de frustração e castração, freqüentemente na área do desejo, uma falta de poder da psique e uma espécie de inibição generalizada.
Por outro lado, seu lugar no nosso mapa pode mostrar onde nos questionamos mais, onde questionamos nossa existência e nossas vidas, nossas crenças e nossas filosofias. Considero importante sua ação já que ela nos dá a oportunidade de abrir mão de algo, de deixar de exercer o controle deixando a vida fluir através de nós, sem levantar muros para proteger nosso EGO. Ao mesmo tempo em que nos questiona, Lilith não indica passividade, pelo contrário, mas simboliza um firme propósito de estarmos abertos e confiantes, de deixar o TODO fluir através de nós, confiando inteiramente nas grandes leis que regem o universo e às quais não podemos nos subtrair.
Lilith nos prepara para abrir nosso entendimento para aquilo que é inevitável, como o nascimento de um novo ser, por exemplo, uma criação que vem através de nós mas não por nossa ação direta. Quando a vida abre caminho no ventre de uma mulher, o universo conspira para que essa vida flua através dela e não por causa dela. Daí a importância da locação de Lilith se desejarmos compreender, por exemplo, porque certas mulheres tem mais dificuldade que outras para engravidar. A confiança no desígnio superior do TODO é muito importante para deixar que a vida flua através de nossas entranhas, de nosso ventre fértil. Nada de controle, nada de vontade própria para interferir no plano divino.
Graziella Marraccini.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Os grandes faraós.
Faraó era o título atribuído aos reis (com estatuto de deuses) no Antigo Egito. O termo de origem egípcia que significava propriamente "casa elevada", indicando inicialmente o palácio real. Este termo, na realidade, não era muito utilizado pelos próprios egípcios. No entanto, devido à inclusão deste título na Bíblia, mais específicamente no livro do "Êxodo", os historiadores modernos adotaram o vocábulo e generalizaram-no.
Em cerca de três mil anos de tradição faraônica, passaram pelo trono do Egito homens (e algumas mulheres) com aspirações bem diferentes. Desde os misteriosos construtores das pirâmides de Gizé, ao poeta místico Akhenaton, passando pelo lendário Ramsés II, encontramos toda uma diversidade de indivíduos que, no seu conjunto, governaram uma das mais importantes civilizações humanas.
O poder dos faraós
Os faraós eram os reis do Egito Antigo. Possuíam poderes absolutos na sociedade, decidindo sobre a vida política, religiosa, econômica e militar. Como a transmissão de poder no Egito era hereditária, o faraó não era escolhido através de voto, mas sim por ter sido filho de outro faraó. Desta forma, muitas dinastias perduraram centenas de anos no poder.
Na civilização egípcia, os faraós eram considerados deuses vivos. Os egípcios acreditavam que estes governantes eram filhos diretos do deus Osíris, portanto agiam como intermediários entre os deuses e a população egípcia.
Os impostos arrecadados no Egito concentravam-se nas mãos do faraó, sendo que era ele quem decidia a forma que os tributos seriam utilizados. Grande parte deste valor arrecadado ficava com a própria família do faraó, sendo usado para a construção de palácios, monumentos, compra de jóias, etc. Outra parte era utilizada para pagar funcionários (escribas, militares, sacerdotes, administradores, etc.) e fazer a manutenção do reino.
Ainda em vida o faraó começava a construir sua pirâmide, pois esta deveria ser o túmulo para o seu corpo. Como os egípcios acreditavam na vida após a morte, a pirâmide servia para guardar, em segurança, o corpo mumificado do faraó e seus tesouros. No sarcófago era colocado também o livro dos mortos, contando todas as coisas boas que o faraó fez em vida. Esta espécie de biografia era importante, pois os egípcios acreditavam que Osíris (deus dos mortos) iria utilizá-la para julgar os mortos.
Alguns faraós famosos e suas realizações:
Tutmés I, faraó do Egito (1524-1518 a.C.) da XVIII dinastia, sucessor do seu cunhado Amenófis I (que reinou em 1551-1524 a.C.). Destacado militar, foi o primeiro faraó a ser enterrado no Vale dos Reis.
Tutmés II, faraó do Egito (1518-1504 a.C.), filho de Tutmés I e meio-irmão e marido da rainha Hatshepsut. Enviou uma expedição contra as tribos núbias rebeladas contra sua soberania e contra os beduínos, povo nômade dos desertos da Arábia e do Sinai.
Tutmés III, faraó do Egito (1504-1450 a.C.). Era filho de Tutmés II e genro de Hatshepsut. Durante seu reinado, Tutmés III realizou 17 campanhas militares bem sucedidas, conquistando a Núbia e o Ludão. Conseguiu que os mais importantes estados lhe rendessem tributo: Creta, Chipre, Mitani, Hatti (o reino dos hititas), Assíria e Babilônia. Tutmés III afirmou a hegemonia egípcia em todo o Oriente Médio.
Tutmés IV, faraó do Egito (1419-1386 a.C.) da XVIII dinastia, filho de Amenófis II e neto de Tutmés III. Comandou expedições militares contra a Núbia e a Síria, e negociou alianças com a Babilônia e o Mitanni.
Amenófis III, faraó do Egito (1386-1349 a.C.), da XVIII Dinastia, responsável por grandes trabalhos arquitetônicos, entre os quais parte do templo de Luxor e o colosso de Mêmnón. Seu reinado foi de paz e prosperidade.
Akhenaton ou Amenófis IV, faraó egípcio (1350-1334 a.C.), também chamado Neferkheperure, Aknaton ou Amenhotep IV. Akhenaton era filho de Amenófis III e da imperatriz Tiy e marido de Nefertiti, cuja beleza é conhecida através de esculturas da época. Akhenaton foi o último soberano da XVIII dinastia do Império Novo e se destacou por identificar-se com Aton, ou Aten, deus solar, aceitando-o como único criador do universo.
Alguns eruditos consideram-no o primeiro monoteísta. Depois de instituir a nova religião, mudou seu nome de Amenófis IV para Akhenaton, que significa "Aton está satisfeito". Mudou a capital de Tebas para Akhenaton, na atual localização de Tell al-Amama, dedicando-a a Aton, e ordenou a destruição de todos os resquícios da religião politeísta de seus ancestrais. Essa revolução religiosa determinou transformações no trabalho dos artistas egípcios e, também, no desenvolvimento de uma nova literatura religiosa. Entretanto, essas mudanças não continuaram após a morte de Akhenaton. Seu genro, Tutankhamen, restaurou a antiga religião politeísta e a arte egípcia uma vez mais foi sacralizada.
Tutankamon – o faraó menino, (1352-1325 a.C.), reinou de 1334 a1325 a.C., da XVIII Dinastia, genro de Akhenaton, a quem sucedeu. Tornou-se faraó com nove anos, morreu provavelmente assassinado. Durante seu reinado, restaurou o culto a Amon, o que contribuiu para a paz no Egito. A pirâmide deste faraó foi encontrada por arqueólogos em 1922. Dentro dela foram encontrados, além do sarcófago e da múmia, tesouros impressionantes.
Quéops, faraó egípcio (2638-2613 a.C.); o segundo rei da IV dinastia. A realização mais importante de seu reinado foi a construção da Grande Pirâmide de Gizé, perto do Cairo.
Ramsés II (reinou em 1301-1235 a.C.), faraó egípcio, terceiro governante da XIX Dinastia, filho de Seti I. Seus principais inimigos foram os hititas; com eles assinou um tratado, segundo o qual as terras em litígio se dividiam. Durante seu reinado construiu-se o templo de Abu Simbel e concluiu-se o grande vestíbulo hipostilo do templo de Amón, de Karnak.
Ramsés III (reinou de 1198 a 1176 a.C.), faraó egípcio da XX dinastia, grande líder militar que salvou o país de várias invasões. As vitórias de Ramsés III estão representadas nas paredes de seu templo mortuário em Madinat Habu, próximo à cidade de Luxor. O final de seu reinado foi marcado por revoltas e intrigas palacianas.
Quéfren, quarto faraó (2603-2578 a.C.) da IV Dinastia do Egito. Construiu uma das pirâmides de Gizé. Durante muito tempo, pensou-se que a Grande Esfinge próxima a ela era uma representação do rei. Quéfren foi sucedido por seu filho Miquerinos.
Seti I (reinou de 1312 a 1298 a.C.), faraó egípcio, segundo governante da XIX dinastia, filho e sucessor do faraó Ramsés I. Nos últimos anos de seu reinado, conquistou a Palestina, combateu os líbios na fronteira ocidental e lutou contra os hititas.
Curiosidades.
A maldição do faraó.
No começo do século XX, os arqueólogos descobriram várias pirâmides no Egito Antigo. Nelas, encontraram diversos textos, entre eles, um que dizia que: "morreria aquele que perturbasse o sono eterno do faraó". Alguns dias após a entrada nas pirâmides, alguns arqueólogos morreram de forma estranha e sem explicações. O medo espalhou-se entre muitas pessoas, pois os jornais divulgavam que a "maldição dos faraós" estava fazendo vítimas.
Porém, após alguns estudos, verificou-se que os arqueólogos morreram, pois inalaram, dentro das pirâmides, fungos mortais que atacavam os órgãos do corpo. A ciência conseguiu explicar e desmistificar a questão.
O período Ramsés.
Ramsés foi um dos maiores faraós que o Egito já teve. Governou por 70 anos, talvez nenhum faraó tenha governado tanto. Foi um grande construtor e um grande lutador. Ramsés morreu com aproximadamente 90 anos e gerou pelo menos 90 filhos. Quando estudaram a múmia de Ramsés, viram grandes problemas com seus dentes. Pode ser que tenha morrido por infecção. Sabe-se que nos seus últimos dias sofreu bastante.
Assinar:
Postagens (Atom)