A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas possui um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel do Egito, no Cristianismo a Páscoa é a festa maior que celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Segundo Helena Blavatsky, “cada atitude do Jesus do Novo Testamento, cada palavra atribuída a Ele e cada evento relacionado a Ele estão baseados no Ciclo da Iniciação”. O Ciclo da Iniciação foi mencionado por Jesus como “o caminho estreito e apertado que só uns poucos encontram” (Mateus, 7:13-14).O caminho da Paixão, Morte e Ressurreição acontece no interior de todo Discípulo. Páscoa é a estação espiritual da purificação e da libertação.
O Caminho Crístico da Iniciação foram representados no curso de vida do Cristo Jesus. O Caminho Iniciático dos Mistérios de Cristo é delineado durante a Páscoa. A Páscoa é o o único dia santo determinado pelas estrelas. Ela sempre cai no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia da primavera (no hemisfério norte), após o equinócio. A tradição esotérica conta-nos que somente os iniciados mais elevados eram capazes de participar dos Mistérios e das energias que ocorrem neste equinócio. Para a maioria das pessoas, incluindo os aprendizes dos Mistérios e os discípulos, as energias celestiais do equinócio eram festejadas por "reflexo" no dia da Lua Cheia. Vivemos novos tempos onde toda essas energias estão disponíveis para quem quiser recebê-las.
A Páscoa é a época ideal para se entrar em contato com energias que transfiguram a nossa vida. É um período supervisionado pelo Arcanjo Raphael, o guardião do Santo Graal. Nesta época do ano, é missão de Raphael ajudar a aguçar nossos sentidos para que a alma possa realmente ver e conhecer o que no seu caminho ainda é preciso ser feito.
A Páscoa é uma celebração que pode nos ajudar na nossa espiral sempre ascendente. É um tempo de grande celebração angélica, um tempo em que podemos nos ligar mais plenamente com os mensageiros angélicos para ressuscitar nossa vida. Nessa época há um chamado para que os Mestres encarnados despertem para suas tarefas e propósitos. É um tempo em que a energia da música e das fores pode ser descoberta pelas pessoas que são sensíveis a ela. É uma época para grande celebração e não de lamentações!
SEMANA SANTA
Quarta-feira
Este é o dia da traição e da autodestruição de Judas. As meditações giram em torno da morte dos desejos inferiores e da purificação do caminho para alcançar maior Luz.
Quinta-feira
Última Ceia
Este dia envolve o Mistério da Eucaristia - o mais elevado ensinamento sobre o processo alquímico. É tempo de meditar sobre a transmutação da matéria para expressá-la de forma mais elevada.
Jardim do Getsemani
"Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentái-vos aqui, enquanto vou além orar... E, indo um pouco mais para adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice"(Mateus 26:36-39)
Momento de completa rendição a Vontade de Deus que podemos experimentar se entrarmos profundamente neste Mistério por meio da oração, a vigília e da meditação.
Sexta feira - Crucificação
O tempo que representa o último estágio da iniciação. Aqui aprendemos a carregar a nossa cruz, pois somos responsáveis pela nossa vida. Renunciamos ao inferior em favor do superior. O exercício recomendado é o silêncio, o jejum e a oração.
Sábado
Nos sistemas mais tradicionais de mistério, este foi o dia destinado ao Batismo, um ato que liberou e iluminou a estrutura energética das pessoas que levaram a visão consciente plena para os planos espirituais interiores da Natureza. Os véus entre a vida e a morte, entre o plano físico e o espiritual foram rompidos para sempre.
Domingo
Das trevas para a Luz
A cerimônia mais exaltada é um tempo de celebração angélica dedicada aquele que se elevou acima do eu inferior e deu plena expressão à verdadeira energia de Cristo. É tempo de comunhão plena e verdadeira com a Hierarquia Angélica.
Helena Gerenstadt.
FELIZ PÁSCOA!!!!
contos sol e lua
quinta-feira, 17 de abril de 2014
O SIGNIFICADO MÍSTICO DA PÁSCOA.
A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas possui um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel do Egito, no Cristianismo a Páscoa é a festa maior que celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Segundo Helena Blavatsky, “cada atitude do Jesus do Novo Testamento, cada palavra atribuída a Ele e cada evento relacionado a Ele estão baseados no Ciclo da Iniciação”. O Ciclo da Iniciação foi mencionado por Jesus como “o caminho estreito e apertado que só uns poucos encontram” (Mateus, 7:13-14).O caminho da Paixão, Morte e Ressurreição acontece no interior de todo Discípulo. Páscoa é a estação espiritual da purificação e da libertação.
O Caminho Crístico da Iniciação foram representados no curso de vida do Cristo Jesus. O Caminho Iniciático dos Mistérios de Cristo é delineado durante a Páscoa. A Páscoa é o o único dia santo determinado pelas estrelas. Ela sempre cai no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia da primavera (no hemisfério norte), após o equinócio. A tradição esotérica conta-nos que somente os iniciados mais elevados eram capazes de participar dos Mistérios e das energias que ocorrem neste equinócio. Para a maioria das pessoas, incluindo os aprendizes dos Mistérios e os discípulos, as energias celestiais do equinócio eram festejadas por "reflexo" no dia da Lua Cheia. Vivemos novos tempos onde toda essas energias estão disponíveis para quem quiser recebê-las.
A Páscoa é a época ideal para se entrar em contato com energias que transfiguram a nossa vida. É um período supervisionado pelo Arcanjo Raphael, o guardião do Santo Graal. Nesta época do ano, é missão de Raphael ajudar a aguçar nossos sentidos para que a alma possa realmente ver e conhecer o que no seu caminho ainda é preciso ser feito.
A Páscoa é uma celebração que pode nos ajudar na nossa espiral sempre ascendente. É um tempo de grande celebração angélica, um tempo em que podemos nos ligar mais plenamente com os mensageiros angélicos para ressuscitar nossa vida. Nessa época há um chamado para que os Mestres encarnados despertem para suas tarefas e propósitos. É um tempo em que a energia da música e das fores pode ser descoberta pelas pessoas que são sensíveis a ela. É uma época para grande celebração e não de lamentações!
SEMANA SANTA
Quarta-feira
Este é o dia da traição e da autodestruição de Judas. As meditações giram em torno da morte dos desejos inferiores e da purificação do caminho para alcançar maior Luz.
Quinta-feira
Última Ceia
Este dia envolve o Mistério da Eucaristia - o mais elevado ensinamento sobre o processo alquímico. É tempo de meditar sobre a transmutação da matéria para expressá-la de forma mais elevada.
Jardim do Getsemani
"Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentái-vos aqui, enquanto vou além orar... E, indo um pouco mais para adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice"(Mateus 26:36-39)
Momento de completa rendição a Vontade de Deus que podemos experimentar se entrarmos profundamente neste Mistério por meio da oração, a vigília e da meditação.
Sexta feira - Crucificação
O tempo que representa o último estágio da iniciação. Aqui aprendemos a carregar a nossa cruz, pois somos responsáveis pela nossa vida. Renunciamos ao inferior em favor do superior. O exercício recomendado é o silêncio, o jejum e a oração.
Sábado
Nos sistemas mais tradicionais de mistério, este foi o dia destinado ao Batismo, um ato que liberou e iluminou a estrutura energética das pessoas que levaram a visão consciente plena para os planos espirituais interiores da Natureza. Os véus entre a vida e a morte, entre o plano físico e o espiritual foram rompidos para sempre.
Domingo
Das trevas para a Luz
A cerimônia mais exaltada é um tempo de celebração angélica dedicada aquele que se elevou acima do eu inferior e deu plena expressão à verdadeira energia de Cristo. É tempo de comunhão plena e verdadeira com a Hierarquia Angélica.
Helena Gerenstadt.
FELIZ PÁSCOA!!!!
Almas Perdidas.
DEUS é LUZ e VERDADE! Por este motivo dizemos que não há religião superior à verdade; e tantas vezes se diz, também, que “a voz do povo é a voz de Deus”, querendo com isto significar, exactamente, que na voz do povo anda a verdade. E a verdade é que dentro de cada um de nós há um deus, que chamamos EGO, ESPÍRITO, EU.
Temos dentro de nós mesmos um deus e um demónio! O deus chama-se EU SUPERIOR ou EGO, ou ESPÍRITO, a parte de nós mesmos que pertence à eternidade e por isso não morre com o corpo, mas volta a renascer para se libertar inteiramente das suas condições mesquinhas de luz obscurecida pela carne e pelos seus instintos; o demónio chama-se EU INFERIOR e é a sombra do EU SUPERIOR, tendo sido criado nas relações deste com a Terra e as suas leis, que sempre conspiram contra o Céu.
As condições terrenas buscam as celestes, e estas, por meio da Luz e da Verdade, procuram elevar as terrenas a mais altas possibilidades. Portanto, a nossa existência terrena traz consigo mesma altíssima finalidade.
E quando tivermos atingido este glorioso estado – glorioso porque foi conquistado pelo nosso esforço pessoal e persistente –, seremos DEUSES de facto, e não podemos voltar às condições dolorosas da Terra, porque despimos inteiramente as nossas vestes materiais, terrenas e vestimos a nossa própria luz criadora, que atrairá outros seres ao mesmo estado em que existimos.
Nos esforços para atingir a craveira divina vamos pondo em vibração certas camadas de matéria. Os espíritos que vivem nela estão infinitamente abaixo de nós. Por isso dizemos que pertencem ao reino sub-humano. Estes Espíritos da Natureza, que se movem e vivem nesses estados de matéria, ajudam-nos a graduar para mais altos destinos. Mas fazem-no criando-nos dificuldades, aumentando as nossas debilidades! Por isso dizemos que as leis que regem a matéria nos limitam os movimentos e nos prendem às condições terrenas, utilizando para esse fim as ilusórias satisfações que se nos deparam no atrito com o mundo material. E como não conhecemos outras de maior transcendência, vamo-nos deixando vencer por estes efémeros prazeres, que sempre se esvaiem como fumo.
E tal como este deixa um resíduo que chamamos fuligem, assim também o poder vibratório da matéria posta em acção pelo espírito que demanda o prazer terreno deixa resíduo a que chamamos EU INFERIOR. Será depois o SACRIFICADOR de que tanto falam as religiões, o TENTADOR, o nosso CARRASCO IMPLACÁVEL! Porém, desta mesma substância terrena, o EU SUPERIOR vai extraindo uma essência, subtilizando muito mais a já subtil matéria que nos dá sensações gratas mas ilusórias; e com ela forma aquilo que chamamos ALMA. É ela que nos permite entrar, de vida em vida, em novos corpos, umas vezes masculinos, outras femininos, para irmos provando bem e profundamente as ilusões terrenas e sentindo a necessidade pungente de mais elevadas condições.
Desde que o homem pôde ter apurado na matéria com que formou a ALMA, ele pôde também entrar em corpos terrenos e usá-los, estando dentro deles, em plena posse de todas as suas células!
Sem ALMA os seres humanos ficam totalmente impedidos de RENASCER, de continuar as suas experiências em corpos terrenos até se graduarem como deuses. E a ALMA, que representa um penosíssimo esforço do EGO para preparar um meio de poder entrar em corpos de matéria para com eles acelerar a sua evolução, pode perder-se também, exactamente como sucede com todas as nossas aquisições que, assim como vieram, se podem perder!
E muitas vezes, em vez de chamar ao criminoso “alma perdida”, exclama dum modo simples: “Que desalmado!” Nestas duas expressões o povo afirma que podemos perder a ALMA, essa aquisição admirável que nos permitiu iniciar a ascese a mais altas esferas, que nos capacitou para evoluir, para ascender gradualmente a melhores condições! Mas o povo não diz – porque não sabe: as tais verdades que emergem da voz do povo são sempre veladas, limitadas, não permitindo um exame profundo de cada problema posto à nossa resolução – é como se perde a ALMA. Nem vislumbram como poderá o criminoso perder uma tão importante conquista! Mas, como a ALMA foi criada gradualmente, ao longo de muitas vidas e de penosíssimos esforços, assim também a podemos perder, ao longo de vidas mal vividas, criminosamente vividas.
Todo aquele que vive contrariando as leis da Natureza, desprezando a virtude e dando largas aos seus instintos viciosos, vai negando à sua alma o alimento predilecto, que se resume na prática de boas obras, em viver virtuosamente, em seguir a doutrina pregada por CRISTO para nossa redenção. E assim definha as energias psíquicas, tornando a sua alma cada vez mais débil até que se perde! Praticando a caridade, o amor puro, a virtude, e buscando constantemente a luz da sabedoria, a alma vai sendo ampliada. Torna-se cada vez mais forte! Vivendo a vida pelo seu lado mais grotesco e grosseiro, contrariando a virtude que sempre pode elevar-nos, recusando a prática da bondade, da caridade, dando largas aos instintos é como vamos debilitando a ALMA. E quando esta debilidade atinge certo grau perde-se o que restava! É a morte da ALMA! Por isso os grandes clarividentes, que puderam sondar estas coisas, nos dizem como tais desgraçados seres estão inteiramente despidos, nus, sem possibilidade alguma de voltarem a RENASCER para continuarem a sua evolução!
Pretende-se, no tempo em que vivemos, fomentar os prazeres materiais, numa total descrença dos poderes divinos. E isto é muito mau sintoma! E a culpa deste estado reside no materialismo que tudo subverte, inclusivamente o campo religioso, onde se despreza um princípio fundamental que é negado aos fiéis. Este princípio é o selo de santidade que deve ser impresso SEMPRE nos ensinamentos religiosos! Ao pregar, será bom que se pregue apenas o que de cristalino existe em nossos corações! Se assim não for, se pregarmos apenas com os lábios, as nossas palavras são ocas ou envenenadas. E, então, o que pregamos é mau, fomenta o materialismo, a descrença. Só pode afundar-nos, desarmar-nos! Atentem nisto os que ministram a religião! E sigam CRISTO, vivendo a sua doutrina de modo que, ao pregá-la, as suas palavras levem conteúdo bom e santo para contagiar os ouvintes. Não o façam como simples fariseus, dados apenas às cómodas aparências. Se assim não fizerem será grande a sua responsabilidade!
O EGO é de natureza divina. E tudo quanto é divino perdura, não pode perder-se irremediavelmente! Portanto, os EGOS caídos no caos ou Inferno não ficam para sempre perdidos. Mas terão de aguardar nessas tremendas condições uma oportunidade para voltarem à evolução. Essa oportunidade só virá quando a Humanidade a que pertencem tenha concluído a sua evolução, terminado o seu dia de manifestação, passado a noite cósmica que sempre vem após o fim de um ciclo evolutivo e cuja duração é sempre de muitos milhões de anos. Nessa altura ser-lhes-á dada a libertação das condições infernais e irão dirigir, como pioneiros, os novos seres que iniciam a sua evolução.
O Purgatório também não é um lugar onde crepitam fogueiras para envolverem as almas! É simplesmente um estado de espírito em que se faz o exame de todo o mal que fizemos enquanto vivemos neste mundo, com o sofrimento emergente de cada acção praticada. A permanência no estado purgatorial é limitada a cerca de um terço da vida que vivemos neste mundo; a permanência no estado infernal é muito longa, parece eternizar-se! Mas ao fim todos serão salvos!
As ALMAS PERDIDAS são como as folhas a que foi recusada a seiva e amareleceram e caíram, sendo depois arrastadas pelo vento, acabando por apodrecerem e se dissolverem na terra, donde tinham sido edificadas. Os seus materiais voltarão a ser utilizados em novas criações, porque tudo tem a sua utilidade, nada se perde irremediavelmente! Que nenhum de nós se deixe vencer pela maldade nem pelos vícios, para que não perca a sua alma! Cultivemos a virtude, pratiquemos a caridade, falemos sempre a VERDADE e só a VERDADE! Não aticemos, NUNCA, as chamas devoradoras do ódio, que sempre desgraça a ALMA! Vivamos sempre em AMOR PURO a todos os seres da Criação, dando-lhe todo o auxílio para que subam a melhores alturas! E desta maneira fortaleceremos as nossas almas, daremos maior brilho ao que CRISTO chamou dourado traje de bodas, que é o CORPO GLORIOSO com que havemos de entrar na vida eterna, na Glória Eterna!
Francisco Marques Rodrigues.
A Árvore da Vida.
A árvore da Vida, de que fala a Bíblia, é a mesma coisa que a pedra filosofal dos alquimistas? Em parte. Para compreender o assunto é necessário retroceder na História da Humanidade.
Houve tempo em que a Humanidade era bissexual e cada um dos seus membros podia gerar corpos sem ajuda de outro.
Porém, quando foi necessário formar um cérebro, para que o espírito pudesse criar por meio do pensamento, metade da força sexual foi retirada, para se construir com ela o órgão do pensamento. Tornou-se então necessário a cada ser humano, procurar a cooperação de outro que tivesse o polo contrário. Como antes da separação dos sexos, os seres humanos ainda não tinham cérebro e os seus olhos ainda não estavam abertos, viviam inconscientes no Mundo Físico e não se podiam guiar por si mesmos. Por isso, os Anjos juntavam-nos em certas épocas do ano, quando as forças planetárias eram propícias à realização do acto gerador, como um sacrifício religioso, no qual davam parte dos seus corpos para gerar veículos para outros espíritos. Nesse simples contacto o espírito atravessava por um momento o véu da carne e Adão conheceu a sua esposa.
Os precursores da Humanidade dessa época notaram também que os corpos morriam; por isso, começaram a preocupar-se com a maneira de substitui-los. A solução deste problema foi dada por certa classe de espíritos, saídos dentre os Anjos, e que eram uma espécie de semi-deuses. Estes espíritos, também chamados lúciferes, ou dadores da luz, iluminaram a Humanidade nascente, mostrando-lhes que podia gerar corpos em qualquer altura. Desde então os corpos foram gerados sem terem em conta as condições planetárias e por isso o parto passou a ser acompanhado com dor, como profetizara o Anjo e daí por diante produziram-se corpos inferiores. Então, os Anjos ensinaram à Humanidade como deviam construir corpos de crescente e gradual perfeição entre a morte e o novo nascimento. Se o Homem nesse afastadíssimo passado tivesse aprendido a renovar o seu corpo vital, como se lhe ensinou a construir o seu corpo denso, a morte teria sido impossível e então seria imortal como os deuses; mas como era ainda um ser imperfeito, também seriam imortalizadas as suas imperfeições, e o progresso, a evolução, seria impossível.
Nesta peregrinação contínua entre a vida e a morte, chegará o tempo em que o Homem estará pronto para possuir os poderes da Vida. Só então o seu corpo se purificará e o tempo de Vida terrena será muito maior. Só então encontrará a pedra filosofal, ou elixir da Vida. Os alquimistas procuraram obter esse veículo puro e santo, mas não foi da maneira como supõe a maior parte dos ignorantes, segundo processos químicos, em laboratórios. A nomenclatura que deu essa impressão foi necessária porque viviam numa época em que uma igreja dominadora os arrastaria para a morte se conhecessem a verdade. Quando diziam que tratavam de transformar os metais pobres em ouro, diziam a verdade, não só no ponto de vista material como no espiritual. O ouro foi sempre o símbolo do espírito. E esses alquimistas tratavam de tratar os seus corpos, que eram de natureza inferior, e transmutá-los em corpos superiores e espiritualizados, pela sublimação dos instintos.
Sempre se empregaram os símbolos para designar o poder da pureza. No Antigo Testamento fala-se no templo de Salomão, que se construiu sem ruído de martelos. O mais formoso ornamento dele era o mar fundido, que Hirão Abiff, o construtor, conseguiu, pela transformação de todos os metais da terra, tornando-os tão transparentes como o cristal! Também no Oriente o Iniciado procura converter-se numa alma diamantina, pura e transparente. Aí, a Pedra Filosofal é o símbolo duma alma purificada, saída dos corpos que se foram transformando e espiritualizando, O corpo da alma que peca, morre, mas o da alma pura, será imortal mediante o elixir da vida, a “Árvore da Vida”, convertendo-se num corpo vital que durará milénios como veículo do espírito.
Quando abusa dele, isto é, quando o usa para satisfazer os sentidos, como um vício, com ou sem matrimónio legal, então peca contra o Espírito Santo. Esse pecado tem de ser expiado. A humanidade está actualmente sofrendo por causa desse pecado. Os corpos débeis, as enfermidades que nos assaltam, foram causados por centenas de abusos; e, enquanto não aprendamos a dominar as nossas paixões, não haverá saúde perfeita na raça humana.
Nascemos de pais que satisfizeram as suas paixões em qualquer momento e de qualquer modo, sem o devido respeito pelo seu semelhante. Por isto sofremos, e estamos lançando as mesmas enfermidades sobre os nossos filhos de geração em geração, seguidos de sofrimento e tristezas, até que compreendamos que a criança tem de nascer bem, porque tem esse direito, assim como tem de receber os cuidados devidos e ter as necessárias condições físicas durante o período subnatal.
Max Heindel.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Segue o Teu Destino.
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis
À procura da felicidade .
Este mito conta a história dos caminhantes que viajavam para Atenas e eram atraídos por Procustes que lhes oferecia abrigo e comida. Uma vez deitados, Procustes amarrava-os e verificava se cabiam na cama, cortando-lhes as partes sobrantes, se fossem demasiado grandes, ou esticando-os dolorosamente, se fossem muito pequenos.
Esta narrativa constitui uma metáfora de uma parte da nossa vida. Atenas simboliza o centro dos nossos objectivos, o sucesso a atingir, o êxito que delineámos. Mas nós não somos os únicos autores desta construção mental, do que idealizámos para nós. Os nossos pais começaram desde cedo, estabelecendo patamares que gostariam de ver realizados, depositando em nós muitas expectativas. No entanto, na maior parte das vezes, o seu sonho ainda menino não tem em conta a nossa singularidade, as nossas possibilidades e tendências, traços que a Astrologia ensina a identificar. O bebé que recebem é uma projecção do ser ideal, distante do ser real.
Deste modo, Atenas é a metáfora de felicidade que varia consoante a cultura em que nascemos, o grupo social, a educação que recebemos, o sexo e a religião em que nos encontramos integrados. Atenas resulta, assim, de um triângulo nem sempre em equilíbrio: do meio envolvente, do que desejamos e do que os outros esperam de nós, aos níveis familiar, afectivo, profissional e social.
Desde que nascemos que nos empurram para Atenas, ensinando-nos, moldando-nos, castigando-nos ou premiando-nos, durante as sucessivas etapas da infância e da juventude. Primeiro a família, depois a escola, o grupo de amigos, vamo-nos moldando, sempre em função de padrões comportamentais, em busca de sucesso, de reconhecimento, de aprovação, de afecto.
Este processo de automutilação psíquica e de sacríficio desmedido acontece-nos amiúde e de forma inconsciente, muitas das vezes: quando a família nos crítica por determinadas atitudes ou devido a traços da nossa personalidade, quando o grupo nos rejeita por algum aspecto do nosso carácter, quando somos humilhados pela imagem física, quando sentimos que podemos ser abandonados por uma determinada atitude e tememos actuar, quando as memórias nos magoam e as amachucamos no fundo de nós, quando adoptamos posturas para não perdermos o emprego ou para subirmos na escala social. Desmembrando-nos ou esticando-nos, lá vamos a caminho de Atenas, aquela que projectámos, a terra prometida.
O processo de moldagem – através do castigo, do prémio, da humilhação, do medo, da culpa, do julgamento social, da dor - de adaptação à cama de Procustes é dolorosa porque vamos abdicando de partes de nós, esquecendo outras, adormecidas e jogadas para o fundo do nosso íntimo, sacrificando-nos até não podermos mais. Aprendemos, ainda que distorcidamente, que devemos tudo isso para não sermos abandonados, rejeitados, humilhados, para não deixarmos escapar a felicidade, o sucesso profissional, o amor.
Com o tempo, vamos perdendo a autenticidade, afastamo-nos da nossa natureza divina, amorosa e livre. Ficamos presos à cama de Procustes. Corremos sérios riscos de nos tornarmos inseguros, medrosos, ansiosos, amargos, intolerantes, perdendo pouco a pouco a autoestima. Vamo-nos isolando em terrenos íntimos, descrentes de que alguma vez atinjamos Atenas, mas, ainda assim, ela permanece como a terra prometida, até se tornar uma imagem distante, embaciada, difusa.
Quando somos lançados em ciclos de crise profunda, somos convidados a descer ao mais íntimo de nós. Aí, olhamo-nos e vemo-nos a caminhar coxeando, porque mutilados; perdemos o equilíbrio, a segurança no andar. O sacrifício trouxe-nos um cansaço que secou a alma. Ao que sobrou de nós, juntam-se anos de medos, de culpas, de cansaços, de humilhações, de dor, de ressentimentos, de mágoas. Olhamos pedaços de nós que foram esquecidos, adiados, cortados e jogados fora.
As crises podem ser processos de recuperação do nosso ser, de retorno à nossa autenticidade, de (re)decoberta da nossa natureza divina. Só nós podemos iniciar a mudança, só nós podemos resgatar-nos do processo de mutilação e de sacríficio desmesurado a que concordámos em nos submeter. Só nós podemos libertar-nos do que nos oprime e restringe. Só nós podemos sonhar Atenas, de novo, em função do que somos, do que queremos, do que valorizamos, do que é autêntico e verdadeiro para nós, do que amamos. Só nós podemos devolver a nós próprios a inteireza perdida.
Maria Coriel.
O Tempo da Serpente.
Escolhemos habitar um tempo de transição para o qual julgamos não estar preparados. A mudança traz múltiplas transformações dentro e fora de nós que, pela sua rapidez, nos convocam a responder de forma igualmente rápida e decidida.
No entanto, escolher num período caracterizado pela dispersão, pela mudança, pela incerteza, pelas dificuldades torna-se um desafio às nossas capacidades, ensonadas por alguns anos de facilitismo e alguma apatia. De todas as faculdades há uma que, neste tempo, precisamos de desenvolver: o poder de regeneração aos níveis interior e exterior. Somos, assim, semelhantes à serpente que despe a pele velha e cujo o próprio corpo tem a capacidade de se regenerar.
Empurrados pelo instinto de sobrevivência, não podemos ser levados pela emoção numa corrente desabrida. É preciso parar, renascer, equilibrando o lado mental e afectivo, seguir uma orientação, ter um objectivo a cumprir de cada vez; saber também visualizar o resultado esperado.
Para que aflore em nós o novo, há uma casca velha e pesada que precisamos de abandonar: a lamentação, a autocomiseração, a vitimização que faz de nós presas fáceis da indolência e da insegurança.
No entanto, antes de renascer muitas questões necessitam de ser equacionadas: faremos nós aquilo de que realmente gostamos?Gostamos do que fazemos, mas necessitamos de renovar o modo como o fazemos? Deitamo-nos agradavelmente cansados ou frustrados por não termos feito aquilo de que gostaríamos? Gerimos bem o nosso tempo? Somos suficientemente disciplinados para cumprirmos o que estipulámos? Fomos generosos connosco e com os outros? Sentimo-nos conectados conscientemente com o nosso interior e com o divino?
Estas e outras perguntas podem ser aclaradas durante o processo de regeneração que acontece muitas vezes durante a vida e se processa por ciclos mais ou menos lentos. Vagarosamente, umas vezes por nossa iniciativa, outras por imposição da vida, vamos abandonando as cascas grossas que pesam, magoam e atrasam o nosso processo evolutivo.
Se escolhemos viver na transição entre dois tempos, devemos consciencializarmo-nos de que chegou o tempo de arrumar o quarto interior e de participar também na reorganização exterior em marcha, numa grande parte dos países. Chegámos ao final de uma estação; é tempo de colocar de lado o que nos faz dispender energia desnecessária, abandonar hábitos nocivos, deixar para trás padrões de pensamentos negativos, revitalizar a fé, reencontrar quem somos; observar se quem somos coincide ou não com quem nos tornámos. As fissuras que abundam no exterior quer sejam em forma de guerras, divisões entre famílias, atritos entre países, entre outros, espelham a divisão existente em cada um de nós.
Renascer é um exercício semelhante ao arrumar o roupeiro em fim de estação; pomos de lado o que está desadequado ao tempo presente, usamos apenas o necessário e adequado ao novo tempo. É preciso ter coragem e sentido prático para deitar fora o que já não serve o nosso momento evolutivo.
Do poder de regenerar não só faz parte aprender a reutilizar, reciclar mas também aprender a lidar com o corte, com as separações, com as fissuras. Regenerar é sinónimo de mudança, delineando com segurança o que já não queremos voltar a viver e a ser. Regenerar é sinónimo de transformação criativa; renascer deverá ser um acto con(sentido).
Maria Coriel.
O Salmo 133.
Salmo é uma composição poética em que as palavras e as idéias têm ritmo. São mais conhecidas as composições religiosas, entoadas como hinos de exaltação à fé. Os antigos hebreus usavam cantá-los nas cerimônias, acompanhados de instrumentos musicais de cordas ou sopro.
O Antigo Testamento imortalizou 150 dessas composições, escritos por diversos autores, entre eles destacando-se o Rei Davi, que viveu, provavelmente entre 1015 a 975 a.C. O Saltério abriga Salmos de quatro categorias literárias: Salmos de Louvor, de Ação de Graças, de Lamentação e Súplica e Salmos Sapienciais. Entre esses últimos, encontra-se o Salmo 133, objeto deste trabalho. Há dois critérios para a distinção de um salmo sapiencial: o estilístico e o temático. É sapiencial o salmo que induz à reflexão, que traz preceitos, comparações e ilustrações tomadas da natureza, perguntas retóricas e advertências. Já os critérios temáticos caracterizam-se pelo estudo das Leis divinas como fonte de bênção e felicidade; a meditação dos mistérios da fé, a confiança pessoal em Deus, o valor da Justiça como sinônimo de vida espiritual e, sobretudo, o homem justo como modelo de imitação e a antítese entre justos e ímpios. A tradução dos salmos para o português e outros idiomas modernos apresenta muitas vezes divergências entre o texto original e, não raramente, divergências entre uma tradução e outra no mesmo idioma. Até mesmo a numeração dos salmos pode apresentar divergências entre as várias versões impressas da Bíblia. Todavia, o sentido almejado pelos autores é mantido em todas as versões e os Salmos mantém seu valor sugestivo e inspiratório, de fácil e profunda ressonância na alma humana e cristã, tão necessitada de converter em oração sua conturbada experiência no mundo atual. O Salmo 133 não escapou dessas divergências. Em algumas versões, ele nos é apresentado como 132. Suas palavras sofrem pequenas alterações semânticas, como “viver” e “habitar” em união e outras diferenças que não são o objeto deste estudo. Isto porque o Rito Escocês Antigo e Aceito, para colocar um fim na polêmica, adotou uma versão única, sob o número 133, e reproduziu suas palavras no Livro do Ritual do Aprendiz Maçom: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!”. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla de suas vestes; como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre.”.
De sua simples leitura, destacamos suas características de salmo sapiencial. No estilo, destacam-se duas comparações: viver em união é comparável ao óleo precioso sobre a cabeça de Arão e é também comparável ao orvalho de Hermom. O próprio orvalho bíblico é comparado com a benção divina e a vida eterna. No aspecto temático, percebemos que o homem justo e fraterno receberá a retribuição divina, na forma de benção e vida para sempre. Dissemos no início deste trabalho que nos salmos as palavras e as idéias têm ritmo e, neste aspecto, o Salmo 133 se revela um salmo clássico. As idéias nele contidas dão voltas, fechando o círculo como uma idéia que valsa durante a leitura. O óleo precioso desce sobre a barba e desce à orla das vestes de Arão. O orvalho desce sobre os montes de Sião e tudo se compara à união entre irmãos e recebe, como retribuição, a benção divina e a vida para sempre. Apesar de breve, o Salmo 133 é riquíssimo em referências bíblicas. Apenas Arão, o irmão do patriarca Moisés, tinha acesso ao Senhor perante a Arca da Aliança. “Mandarás fazer vestes litúrgicas para teu irmão Arão, em sinal de honra e distinção”, diz o Senhor em Êxodo, 28. Para prostrar-se diante do Senhor, Arão deveria estar ungido por um óleo precioso. “O Senhor falou a Moisés, dizendo:” “Pega aromas de primeira qualidade: cinco quilos de mirra virgem, dois quilos e meio de cinamomo aromático, dois quilos de meio de cana aromática, cinco quilos de cássia, segundo o peso do santuário, e nove quilos de azeite de olivas. Farás disto um óleo para a unção sagrada.” Êxodo, 30.
Grande era a alegria de Arão de untar-se do óleo precioso, elaborado segundo receita prescrita pelo próprio Senhor. Diz o analista bíblico que Arão se ungia sem parcimônia, deixando que o óleo precioso escorresse pelas barbas e chegasse às orlas de suas vestes, transparecendo a alegria de comparecer diante do Senhor.
Outra referência histórica é o orvalho de Hermom. Os hebreus censuravam Moisés, diante da fome e agruras da caminhada no deserto. “Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor do Egito, quando sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Trouxestes-nos ao deserto para matar de fome toda esta gente”.Êxodo, 16. Eram dias críticos, em que os hebreus passavam por forte provação. Já haviam caminhado 75 dias, sem reservas suficientes para alimentar toda aquela massa de fiéis. Foi então que o Senhor falou a Moisés: “Eu ouvi as reclamações dos israelitas. Dizei-lhes: Ao anoitecer comereis carne, e amanhã cedo vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus”.Como haveria meios de prover pão a toda aquela gente? A ação divina cuidaria disso. “Pela manhã formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. Quando o orvalho evaporou, na superfície do deserto apareceram pequenos flocos, como cristais de gelo sobre a terra. Ao verem, os israelitas perguntavam-se uns aos outros:” “Que é isto?”, pois não sabiam o que era.”Êxodo, 16”. O orvalho de Hermom, de que nos fala o Salmo 133 era o maná divino, que alimentou os israelitas durante toda a caminhada descrita no Livro do Êxodo. Era a retribuição de Deus àqueles que lhe devotavam fé. Assim se fecham as idéias do Salmo 133, rico em comparações sapienciais. Não temos o desafio da caminhada no deserto rumo à terra prometida, como o tiveram os israelitas. Enfrentamos o desafio diário da violência, da ira, da descrença. Para vencê-los, precisamos tão somente da união, da vida em fraternidade entre irmãos. Praticar a fraternidade é como receber o maná divino em todas as manhãs, é como ungir-se do óleo precioso. A lição do Salmo 133 assim se resume: praticar a fraternidade é estar preparado para comparecer diante do Senhor e a retribuição será a benção de Deus e a vida eterna.Ir.’.Geraldo Macarenko.revista universo maçônico.
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