contos sol e lua
sábado, 4 de abril de 2015
À procura da felicidade.
Procustes: o ladrão de almas.
Este mito conta a história dos caminhantes que viajavam para Atenas e eram atraídos por Procustes que lhes oferecia abrigo e comida. Uma vez deitados, Procustes amarrava-os e verificava se cabiam na cama, cortando-lhes as partes sobrantes, se fossem demasiado grandes, ou esticando-os dolorosamente, se fossem muito pequenos.
Esta narrativa constitui uma metáfora de uma parte da nossa vida. Atenas simboliza o centro dos nossos objectivos, o sucesso a atingir, o êxito que delineámos. Mas nós não somos os únicos autores desta construção mental, do que idealizámos para nós. Os nossos pais começaram desde cedo, estabelecendo patamares que gostariam de ver realizados, depositando em nós muitas expectativas. No entanto, na maior parte das vezes, o seu sonho ainda menino não tem em conta a nossa singularidade, as nossas possibilidades e tendências, traços que a Astrologia ensina a identificar. O bebé que recebem é uma projecção do ser ideal, distante do ser real.
Deste modo, Atenas é a metáfora de felicidade que varia consoante a cultura em que nascemos, o grupo social, a educação que recebemos, o sexo e a religião em que nos encontramos integrados. Atenas resulta, assim, de um triângulo nem sempre em equilíbrio: do meio envolvente, do que desejamos e do que os outros esperam de nós, aos níveis familiar, afectivo, profissional e social.
Desde que nascemos que nos empurram para Atenas, ensinando-nos, moldando-nos, castigando-nos ou premiando-nos, durante as sucessivas etapas da infância e da juventude. Primeiro a família, depois a escola, o grupo de amigos, vamo-nos moldando, sempre em função de padrões comportamentais, em busca de sucesso, de reconhecimento, de aprovação, de afecto.
Este processo de automutilação psíquica e de sacríficio desmedido acontece-nos amiúde e de forma inconsciente, muitas das vezes: quando a família nos crítica por determinadas atitudes ou devido a traços da nossa personalidade, quando o grupo nos rejeita por algum aspecto do nosso carácter, quando somos humilhados pela imagem física, quando sentimos que podemos ser abandonados por uma determinada atitude e tememos actuar, quando as memórias nos magoam e as amachucamos no fundo de nós, quando adoptamos posturas para não perdermos o emprego ou para subirmos na escala social. Desmembrando-nos ou esticando-nos, lá vamos a caminho de Atenas, aquela que projectámos, a terra prometida.
O processo de moldagem – através do castigo, do prémio, da humilhação, do medo, da culpa, do julgamento social, da dor - de adaptação à cama de Procustes é dolorosa porque vamos abdicando de partes de nós, esquecendo outras, adormecidas e jogadas para o fundo do nosso íntimo, sacrificando-nos até não podermos mais. Aprendemos, ainda que distorcidamente, que devemos tudo isso para não sermos abandonados, rejeitados, humilhados, para não deixarmos escapar a felicidade, o sucesso profissional, o amor.
Com o tempo, vamos perdendo a autenticidade, afastamo-nos da nossa natureza divina, amorosa e livre. Ficamos presos à cama de Procustes. Corremos sérios riscos de nos tornarmos inseguros, medrosos, ansiosos, amargos, intolerantes, perdendo pouco a pouco a autoestima. Vamo-nos isolando em terrenos íntimos, descrentes de que alguma vez atinjamos Atenas, mas, ainda assim, ela permanece como a terra prometida, até se tornar uma imagem distante, embaciada, difusa.
Quando somos lançados em ciclos de crise profunda, somos convidados a descer ao mais íntimo de nós. Aí, olhamo-nos e vemo-nos a caminhar coxeando, porque mutilados; perdemos o equilíbrio, a segurança no andar. O sacrifício trouxe-nos um cansaço que secou a alma. Ao que sobrou de nós, juntam-se anos de medos, de culpas, de cansaços, de humilhações, de dor, de ressentimentos, de mágoas. Olhamos pedaços de nós que foram esquecidos, adiados, cortados e jogados fora.
As crises podem ser processos de recuperação do nosso ser, de retorno à nossa autenticidade, de (re)decoberta da nossa natureza divina. Só nós podemos iniciar a mudança, só nós podemos resgatar-nos do processo de mutilação e de sacríficio desmesurado a que concordámos em nos submeter. Só nós podemos libertar-nos do que nos oprime e restringe. Só nós podemos sonhar Atenas, de novo, em função do que somos, do que queremos, do que valorizamos, do que é autêntico e verdadeiro para nós, do que amamos. Só nós podemos devolver a nós próprios a inteireza perdida.
Maria Coriel
O tempo da Serpente.
Escolhemos habitar um tempo de transição para o qual julgamos não estar preparados. A mudança traz múltiplas transformações dentro e fora de nós que, pela sua rapidez, nos convocam a responder de forma igualmente rápida e decidida.
No entanto, escolher num período caracterizado pela dispersão, pela mudança, pela incerteza, pelas dificuldades torna-se um desafio às nossas capacidades, ensonadas por alguns anos de facilitismo e alguma apatia. De todas as faculdades há uma que, neste tempo, precisamos de desenvolver: o poder de regeneração aos níveis interior e exterior. Somos, assim, semelhantes à serpente que despe a pele velha e cujo o próprio corpo tem a capacidade de se regenerar.
Empurrados pelo instinto de sobrevivência, não podemos ser levados pela emoção numa corrente desabrida. É preciso parar, renascer, equilibrando o lado mental e afectivo, seguir uma orientação, ter um objectivo a cumprir de cada vez; saber também visualizar o resultado esperado.
Para que aflore em nós o novo, há uma casca velha e pesada que precisamos de abandonar: a lamentação, a autocomiseração, a vitimização que faz de nós presas fáceis da indolência e da insegurança.
No entanto, antes de renascer muitas questões necessitam de ser equacionadas: faremos nós aquilo de que realmente gostamos?Gostamos do que fazemos, mas necessitamos de renovar o modo como o fazemos? Deitamo-nos agradavelmente cansados ou frustrados por não termos feito aquilo de que gostaríamos? Gerimos bem o nosso tempo? Somos suficientemente disciplinados para cumprirmos o que estipulámos? Fomos generosos connosco e com os outros? Sentimo-nos conectados conscientemente com o nosso interior e com o divino?
Estas e outras perguntas podem ser aclaradas durante o processo de regeneração que acontece muitas vezes durante a vida e se processa por ciclos mais ou menos lentos. Vagarosamente, umas vezes por nossa iniciativa, outras por imposição da vida, vamos abandonando as cascas grossas que pesam, magoam e atrasam o nosso processo evolutivo.
Se escolhemos viver na transição entre dois tempos, devemos consciencializarmo-nos de que chegou o tempo de arrumar o quarto interior e de participar também na reorganização exterior em marcha, numa grande parte dos países. Chegámos ao final de uma estação; é tempo de colocar de lado o que nos faz dispender energia desnecessária, abandonar hábitos nocivos, deixar para trás padrões de pensamentos negativos, revitalizar a fé, reencontrar quem somos; observar se quem somos coincide ou não com quem nos tornámos. As fissuras que abundam no exterior quer sejam em forma de guerras, divisões entre famílias, atritos entre países, entre outros, espelham a divisão existente em cada um de nós.
Renascer é um exercício semelhante ao arrumar o roupeiro em fim de estação; pomos de lado o que está desadequado ao tempo presente, usamos apenas o necessário e adequado ao novo tempo. É preciso ter coragem e sentido prático para deitar fora o que já não serve o nosso momento evolutivo.
Do poder de regenerar não só faz parte aprender a reutilizar, reciclar mas também aprender a lidar com o corte, com as separações, com as fissuras. Regenerar é sinónimo de mudança, delineando com segurança o que já não queremos voltar a viver e a ser. Regenerar é sinónimo de transformação criativa; renascer deverá ser um acto con(sentido).
Maria Coriel
quinta-feira, 2 de abril de 2015
O SIGNIFICADO MÍSTICO DA PÁSCOA.
A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas possui um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel do Egito, no Cristianismo a Páscoa é a festa maior que celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Segundo Helena Blavatsky, “cada atitude do Jesus do Novo Testamento, cada palavra atribuída a Ele e cada evento relacionado a Ele estão baseados no Ciclo da Iniciação”. O Ciclo da Iniciação foi mencionado por Jesus como “o caminho estreito e apertado que só uns poucos encontram” (Mateus, 7:13-14).O caminho da Paixão, Morte e Ressurreição acontece no interior de todo Discípulo. Páscoa é a estação espiritual da purificação e da libertação.
O Caminho Crístico da Iniciação foram representados no curso de vida do Cristo Jesus. O Caminho Iniciático dos Mistérios de Cristo é delineado durante a Páscoa. A Páscoa é o o único dia santo determinado pelas estrelas. Ela sempre cai no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia da primavera (no hemisfério norte), após o equinócio. A tradição esotérica conta-nos que somente os iniciados mais elevados eram capazes de participar dos Mistérios e das energias que ocorrem neste equinócio. Para a maioria das pessoas, incluindo os aprendizes dos Mistérios e os discípulos, as energias celestiais do equinócio eram festejadas por "reflexo" no dia da Lua Cheia. Vivemos novos tempos onde toda essas energias estão disponíveis para quem quiser recebê-las.
A Páscoa é a época ideal para se entrar em contato com energias que transfiguram a nossa vida. É um período supervisionado pelo Arcanjo Raphael, o guardião do Santo Graal. Nesta época do ano, é missão de Raphael ajudar a aguçar nossos sentidos para que a alma possa realmente ver e conhecer o que no seu caminho ainda é preciso ser feito.
A Páscoa é uma celebração que pode nos ajudar na nossa espiral sempre ascendente. É um tempo de grande celebração angélica, um tempo em que podemos nos ligar mais plenamente com os mensageiros angélicos para ressuscitar nossa vida. Nessa época há um chamado para que os Mestres encarnados despertem para suas tarefas e propósitos. É um tempo em que a energia da música e das fores pode ser descoberta pelas pessoas que são sensíveis a ela. É uma época para grande celebração e não de lamentações!
SEMANA SANTA
Quarta-feira
Este é o dia da traição e da autodestruição de Judas. As meditações giram em torno da morte dos desejos inferiores e da purificação do caminho para alcançar maior Luz.
Quinta-feira
Última Ceia
Este dia envolve o Mistério da Eucaristia - o mais elevado ensinamento sobre o processo alquímico. É tempo de meditar sobre a transmutação da matéria para expressá-la de forma mais elevada.
Jardim do Getsemani
"Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentái-vos aqui, enquanto vou além orar... E, indo um pouco mais para adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice"(Mateus 26:36-39)
Momento de completa rendição a Vontade de Deus que podemos experimentar se entrarmos profundamente neste Mistério por meio da oração, a vigília e da meditação.
Sexta feira - Crucificação
O tempo que representa o último estágio da iniciação. Aqui aprendemos a carregar a nossa cruz, pois somos responsáveis pela nossa vida. Renunciamos ao inferior em favor do superior. O exercício recomendado é o silêncio, o jejum e a oração.
Sábado
Nos sistemas mais tradicionais de mistério, este foi o dia destinado ao Batismo, um ato que liberou e iluminou a estrutura energética das pessoas que levaram a visão consciente plena para os planos espirituais interiores da Natureza. Os véus entre a vida e a morte, entre o plano físico e o espiritual foram rompidos para sempre.
Domingo
Das trevas para a Luz
A cerimônia mais exaltada é um tempo de celebração angélica dedicada aquele que se elevou acima do eu inferior e deu plena expressão à verdadeira energia de Cristo. É tempo de comunhão plena e verdadeira com a Hierarquia Angélica.
FELIZ PÁSCOA!!!!
Helena Gerenstadt.
sábado, 7 de março de 2015
O Templo do Futuro.
Eliphas Levi.
1. O Futuro.
Os animais continuarão a se devorar mutuamente até o final. Só o homem é imortal.
E quando houver na humanidade mais seres humanos que animais, começará a associação dos homens livres.
E Deus bendirá o seu povo e lhe dirá: Cresça e se multiplique.
Mas antes desta época, os formigueiros do norte devem renovar a terra uma segunda vez; porque a forma da nossa sociedade já está ultrapassada, e sua alma deve passar a povos novos.
Então tudo se constituirá segundo a lei da unidade.
Foi dito aos pobres: “Destruam os ricos”. E aos escravos: “Degolem os tiranos, porque os ricos e os tiranos devem perecer”.
Mas os que roubam os ricos se tornam ricos por sua vez. Os escravos se tornam tiranos, e encontram a sua punição na sua vitória.
O espírito da liberdade salva os homens que têm inteligência e amor ao sacrificá-los, e prepara uma armadilha para os homens egoístas, dedicados à rapina.
Ladrões contra ladrões, assassinos contra assassinos; que eles ataquem uns aos outros, que batam, que degolem-se e se destrocem uns aos outros.
Os seres humanos do futuro estão no campo de batalha como os soldados de Gideão [3]; eles destroem suas vidas como cântaros de barro, e erguem em suas mãos tochas acesas, e fazem soar as trombetas.
Eles não usarão a espada. A sua palavra será suficiente, e os [inimigos] midianitas matarão uns aos outros.
Anjos da guerra e da morte, voem sobre os terrenos tomados pelo fogo e anunciem à terra a queda da grande Babilônia!
Aqui está a solução do problema dos nomes, e a demonstração eterna da unidade.
Um povo, um Deus, uma Lei, um rei.
E Deus será o povo, e a Lei será Deus, e o rei será a lei.
A justiça e a paz reinarão entre todos; e ambas terão por intérprete, ajudado por um conselho de sábios, um servidor do povo, guardião dos tesouros do Estado.
Os tesouros do Estado serão a sabedoria e o amor. O ouro será usado apenas para fazer estátuas em homenagem aos grandes homens.
O rei será um homem condenado a sofrer, que se sacrificará por todos. Ele desejará ser libertado deste peso, e não terá outra ambição além do amor dos seres humanos.
A palavra do rei será a palavra da lei; e ela será justa como a balança, e cortante como a espada.
Porque o rei será o representante do povo, e só povo será o monarca e o supremo pontífice. O homem viverá e reinará imortal; e este será o homem-deus, o povo-Cristo, o Verbo encarnado.
E o Cristo, transformado em povo, colocará o mundo nas mãos do seu pai, e sentará à direita de Deus.
E o seu reino não terá fim. Amém.
2. O Templo.
Quando o espírito for revelado, toda a trindade se revelará em sua glória.
A humanidade terá a graça da infância, o vigor da juventude e a sabedoria da idade madura.
Todas as formas que revestiram sucessivamente o pensamento divino renascerão perfeitas e imortais.
Todos os esboços produzidos pela arte das nações ao longo do tempo se reunirão e formarão a imagem completa de Deus.
Jerusalém reconstruirá o templo de Jeová seguindo o modelo profetizado por Ezequiel; e o Cristo, novo e eterno Salomão, nele cantará - entre paredes de cedro e cipreste - as suas núpcias com a esposa do cântico.
Mas Jeová terá deixado a um lado o seu raio, para bendizer com as duas mãos o noivo e a noiva; ele aparecerá sorridente entre os dois esposos, e estará feliz por ser chamado de pai.
No entanto a poesia do Oriente, com suas lembranças mágicas, o chamará ainda de Brahma e de Júpiter. A Índia ensinará em nossos climas encantados as fábulas maravilhosas de Vishnu, e nos mostrará, diante do rosto ainda ensangüentado de nosso amado Cristo, a tríplice coroa de pérolas da Trimurti [4] mística. Vênus, purificada, sob o véu de Maria, já não chorará por Adônis; o Esposo ressuscitou para não mais morrer, e o javali infernal [5] encontrou a morte em sua vitória passageira.
Reergam-se, templos de Delfos e de Éfeso; o Deus da luz e das artes tornou-se o Deus do mundo, e o Verbo de Deus bem pode ser chamado pelo nome de Apolo! Diana [a lua ] já não reinará como viúva nos campos solitários da noite. A sua crescente prateada está agora aos pés do seu esposo.
Mas Diana não é vencida por Vênus. Seu Endimião acaba de se despertar, e a virgindade se orgulha porque em breve será mãe.
Sai da tua tumba, ó Fídias, e reconcilia-te com a destruição de teu Júpiter [6]; é agora que tu terás, como filho, um Deus.
Ó Roma! Que os teus templos se ergam ao lado de tuas basílicas; que sejas ainda a rainha do mundo e o panteão das nações; que Virgílio seja coroado no Capitólio pela mão de São Pedro, e que o Olimpo e o Carmelo unam as suas divindades sob o pincel da Rafael.
Transfigurem-se, antigas catedrais de nossos pais; lancem, até as nuvens, suas flechas buriladas e vivas, que a pedra revela em figuras animadas; as sombrias lendas do Norte tornaram-se alegres graças aos apólogos dourados e maravilhosos do Alcorão.
Que o Oriente adore Jesus Cristo em suas mesquitas, e que, sob os minaretes de uma nova Santa Sofia, a cruz se eleve em meio à crescente! [7]
Que Maomé liberte a mulher, para dar ao verdadeiro crente a mulher ideal com que ele tanto sonha; e que Cristo se liberte de sua longa solidão entre os anjos de Maomé.
Toda a terra, revestida dos ornamentos que as diversas artes produziram, será um templo magnífico, do qual o ser humano será o eterno sacerdote.
Tudo aquilo que foi verdadeiro, tudo aquilo que foi belo, tudo aquilo que foi agradável, nos séculos anteriores, reviverá gloriosamente nesta transfiguração do mundo. E a forma será inseparável da ideia, assim como o corpo será, um dia, inseparável da alma. Quando a alma tiver desenvolvido todo o seu poder, ela fará um corpo à sua imagem. [8]
Este será o reino do céu sobre a terra; e os corpos serão os templos das almas, assim como o universo, regenerado, será o templo de Deus.
E os corpos e as almas, e a forma e o pensamento, e o universo inteiro, serão Deus.
Amém, amém, amém.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
BREVE BIOGRAFIA DA MONJA SOUZA COEN.
Nascida em São Paulo, SP, Brasil, no ano de 1947.
Foi jornalista profissional em sua juventude, tendo sido repórter do Jornal da Tarde, vespertino da empresa S.A. O Estado de S.Paulo – uma das maiores empresas jornalísticas do Brasil.
Na década de 1970 foi morar em Los Angeles, na California, trabalhando como funcionaria local do Banco do Brasil S.A.
Nessa época iniciou práticas regulares de zazen no Zen Center of Los Angeles.
Tornou-se residente da comunidade de Los Angeles e fez os votos monásticos em 14 de janeiro de 1983.
No mesmo ano, em Outubro, entrou para o Mosteiro Feminino de Nagoya, Aichi Senmon Nisodo e Toku Betsu Nisodo, onde residiu por oito anos, tendo se graduado como monja especial (Tokuso), habilitada a ser professora do Darma Budista de monges, monjas, leigos e leigas.
Durante seu treinamento no Mosteiro de Nagoya foi a primeira Shusso na história do Mosteiro Feminino, sob orientação da Abadessa, Aoyama Shundo Docho Roshi.
Praticou como Tokuso (monja especial) por três anos tanto no Mosteiro de Nagoya como num programa especial da tradição Soto Shu para professores de mosteiros.
Recebeu a Transmissão do Darma do Reverendo Yogo Suigan Roshi, então abade do Mosteiro Saijoji, em Daiyuzan, Odawara e vice abade superior do Mosteiro Sede de Sojiji, em Tsurumi, Yokohama.
Foi seu mestre de transmissão, Yogo Roshi, quem deu a ela o nome do templo a ser constituído no Brasil: Tenzui Zenji- Templo Zen Seguidor do Céu, da Imensidão.
Por isso, o Reverendo Yogo Roshi, Zengetsu Suigan Daiosho é considerado o Fundador do atual Templo Taikozan Tenzui Zenji, em São Paulo.
Juntamente com o Reverendo Koun Taizan Hakuyu Daiosho (Maezumi Roshi) e da Reverenda Kakuzen Shundo Daiosho ( Aoyama Roshi) – seus três mestres: de Transmissão, de Ordenação e de Treinamento Monástico.
Também são homenageados nas liturgias matinais o Reverendo Junnyu Kuroda Roshi e Koshin Shozan Osho (Murayama Sensei) que contribuíram para a constituição do templo no Brasil – com imagens, objetos litúrgicos e ensinamentos.
A Monja Coen também praticou no Templo Kirigaya-ji, em Shinagawa, Tokyo e no Templo Daishoji, em Sapporo, Hokkaido, atendendo as comunidades locais com serviços memoriais, enterros, preces nas residências, casamentos e práticas de zazen para crianças e adultos. Residiu no Japão por doze anos.
Casou-se com o monge Shozan Murayama, que foi eleito Presidente da Comunidade Soto Zenshu da América do Sul, no Templo Busshinji de São Paulo e foi um monge muito importante para o fortalecimento do Templo Busshinji, depois de sua reforma e do retorno do então Superintendente Geral, Daigyo Moriyama para o Japão. Reverendo Shozan Murayama incentivou os monges locais a perseverar em suas práticas monásticas, ajudou na formação de novo monges e monjas e nos cursos de Preceitos e Procedimentos, reorganizou a parte administrativa/financeira do Templo Busshinji, solicitou à sede administrativa no Japão – Shumucho – que enviasse professores de Baika para orientar novas praticantes e reorganizar os grupos de Baika espalhados pelo Brasil, criou Cursos para leigos e leigas sobre a tradição Soto Shu, organizou o primeiro encontro inter budista totalmente falado em Portugues, em São Paulo.
Reorganizou o Ihaido e Nokotsu Do do Templo Busshinji, construiu os altares para as imagens de Xaquiamuni Buda, mestre Dogen e Mestre Keizan, trouxe zafus do Japão para o Zazen, fez dedetização completa das imagens contaminadas por cupins, bem como do livro de Dai Hannya. Reativou relacionamentos de praticantes que haviam se afastado do Templo Busshinji, permitiu às mulheres que votassem nas eleições de Diretoria (eram proibidas de o fazer), bem como dos praticantes de Zazen (que também não eram permitidos nas eleições da Diretoria da Comunidade). Seu trabalho insistente contra qualquer tipo de discriminação preconceituosa acabou criando dificuldades de relacionamentos com alguns membros das antigas diretorias.
Retornou ao Japão, em 2001, depois de haver se divorciado da Monja Coen, e se tornou responsável por um templo em Yokohama. Faleceu em 3 de fevereiro do ano de 2005, deixando esposa e uma filha pequena, no Japão.
A Monja Coen e o Monge Shozan foram, em 1995, nomeados Missionários da tradição Soto Shu para o Brasil e serviram a comunidade do Templo Busshinji, na cidade de São Paulo até o ano de 2001.
Durante esse período o Templo Busshinji, cuja Sala de Buda (Hondo) acabara de ser reconstruída pelo Reverendo Daigyo Moriyama Sookan Roshi, teve um aumento considerável de atividades – tanto com descendentes da colônia japonesa no Brasil como com pessoas de outras etnias. Houve grande solicitação por parte dos primeiros imigrantes japoneses, sediados em São Paulo, para que a Monja Coen oficiasse as celebrações e falasse, também em Portugues, para seus netos e netas. Queriam essas pessoas que seus descendentes pudessem entender o Darma de Buda e seguir a tradição ancestral.
Foram realizados inúmeros serviços memoriais, enterros, práticas de Zazen, palestras, encontros inter religiosos, trabalho comunitário em parceria com outros templos, lojas maçônicas e com a Associação dos comerciantes do bairro da Liberdade, onde o templo está inserido, início de aulas de Baika com professores vindos do Japão e visitas regulares às cidades ligadas à Soto Shu, no Brasil. Foi reiniciado também, nessa gestão, o Bazar do templo, as aulas de caligrafia e Shakyo – cópia de sutras. Foram reativadas as aulas de Ikebana, suspensas desde o retorno da esposa do Reverendo Shingu Sookan para o Japão.
Também houve grupos de práticas de Karate-Do, Ninjutsu-Do e Kenjutsu Do, em horários em que o templo não mantinha atividades religiosas regulares.
Em 1996, a Monja Coen foi nomeada Presidenta da Federação das Seitas Budistas do Brasil, por um ano.
Foi também nomeada Presidenta do Conselho Religioso do Templo Busshinji por cinco anos e eleita Presidente da Comunidade Budista Soto Zenshu da América do Sul, com sede no Templo Busshinji de SP.
Nessa ocasião, foi enviado do Japão para o Brasil, como Superintendente Geral para a América do Sul, o Reverendo Miyoshi.
Foi em 2001, quando a Monja Coen deixou o Templo Busshinji – este em plena atividade e crescimento – e iniciou um pequeno grupo de Zazen em casa de um praticante.
Em pouco tempo a sala ficou pequena.
O grupo se prontificou a alugar um local maior e foi criada oficialmente a Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, Templo Tenzui Zenji.
Nessa época também foram iniciadas caminhadas meditativas em parques públicos, com o intuito de levar o Zazen e o Kinhin (meditação caminhando) à população paulistana.
Depois de seis anos, o local, novamente se tornou pequeno e foi alugada a casa atual, onde está instalado o Templo desde 2006.
Anualmente há um Curso de Preceitos Budistas, que se reúne todas as segundas feiras à noite no templo e um Curso On-line de Budismo.
Há também um grupo de estudos budistas todos os domingos às 20h, além das programações regulares: Zazen para iniciantes, palestras, zazen e leitura de textos dos fundadores Mestre Dogen e Mestre Keizan, entrevistas individuais com praticantes.
Um sábado por mes é dedicado a um zazenkai chamado Zen da Paz.
Desde que chegou ao Brasil a monja Coen tem sido convidada a dar palestras para empresas, bancos, escolas, hospitais, universidades, órgãos públicos, incluindo e a Presidência da República do Brasil.
Também tem sido convidada a programas de televisão, rádio e entrevistas a jornais e revistas – tanto no Brasil quando nos Estados Unidos, Europa e Japão.
Iniciou há anos um trabalho voluntário no Hospital Emílio Ribas, para pacientes com doenças infecto contagiosas ( a maioria HIV positivo) – levando as práticas meditativas como terapia complementar no processo da recuperação ou da passagem dos e das pacientes. Também formou grupos de meditação entre médicos, médicas e a enfermagem do hospital.
Participou de uma pesquisa científica sobre os efeitos de um Sesshin (retiro) de cinco dias em vários grupos de pessoas com características diferentes, junto ao Hospital Einstein e a Universidade Federal do Estado de São Paulo. Esse trabalho incluía ressonância magnética antes e depois dos cinco dias de zazen e tem sido publicado nas principais revistas de neurosciência internacionais.
Tem oficiado inúmeros casamentos, bênçãos (gokito) para residências, empresas, escritórios e bênçãos (gokito) para crianças e recém-nascidos.
Em 12 de Outubro de 2007 foi celebrada a Cerimonia de Shinsan Shiki (Ascender à Montanha) da Monja Coen, com a presença do Reverendo Sookan Roshi Saikawa Docho, que deu ao templo o seu segundo nome: Montanha Luz da Paz (Taikozan). Também estiveram presentes o Reverendo Junyu Kuroda Roshi, do Templo Kirigaya de Tokyo e a Reverenda Egyoku Nakao do Zen Center of Los Angles – entre outros monges e monjas dos Estados Unidos, do Brasil e do Japão.
Entretanto, como o Templo está localizado em uma casa alugada, a Sede Administrativa do Japão, ainda faz restrições quanto a regularização e reconhecimento do Templo Tenzui Zenji.
Monja Coen já ordenou mais de trinta monásticos, entre homens e mulheres e mais de 250 pessoas laicas.
Há grupos orientados pela Monja Coen espalhados em vários estados brasileiros e um grupo em Zürich, na Suiça.
Em 2013 fez as duas primeiras Transmissões do Darma: Monja Zentchu Silva, que atualmente reside e pratica no Mosteiro Feminino de Nagoya e Monge Dengaku Bandeira, que é o orientando da Monja Coen responsável pelo grupo do Via Zen e Vila Zen, do Rio Grande do Sul, onde está sendo construído um templo, em um terreno rural, doado à comunidade há muitos anos.
Seus dois primeiros discípulos: Monge Enjo Stahel e Monja Isshin Heavens, foram transmitidos por monásticos japoneses e atualmente praticam no Brasil, independentes da Monja Coen.
Escreveu dois livros : Viva Zen e Sempre Zen, traduziu o livro de sua superiora e mestra do Darma, Aoyama Shundo Docho Roshi (Utsukushi hito ni – Para uma pessoa bonita), supervisionou a edição do livro Zazen, compilado pela Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, traduziu os Sutras usados nas liturgias diárias da Soto Shu e algumas outras obras relacionadas a ordem Soto Shu, bem como alguns capítulos do Shobogenzo, Denkoroku, Shinji Shobogenzo e
Eihei-genzenji-shingi.
As atividades da comunidade incluem zazen e cerimonia matinal todos os dias da semana. Seguindo todos os cerimoniais arregimentados pela Soto Shu.
Dois períodos de Treinamento Intensivo por ano.
Retiros (sesshin) principais: Hoon Sesshin e Rohatsu Sesshin, além de outros retiros e vivências Zen durante o ano.
Treinamento especial para noviças, noviços e monásticos, monásticas duas vezes ao ano.
Retiros regulares no VilaZen, no Rio Grande do Sul, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro e em Brasília, DF.
Atualmente a Monja Coen reside no templo Tenzui Zenji, em São Paulo, onde é presidenta do Conselho Religioso da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil e do ViaZen/VilaZen do Rio Grande do Sul.
RESPIRAÇÃO.
"Se quiser conhecer a si mesma, a respiração é a corda que leva ao fundo do poço" - ouvi essa frase repetidas vezes durante minhas aulas semanais de Yoga.
"Respirar é preencher espaços" insiste sempre minha professora Walkiria Leitão.
Ela foi aluna do professor Shimada, de dona Inês, do professor Garoti e de tantos outros mestres e mestras de Yoga, Filosofia, Espiritualidade, Fisiologia.
Para ser intrutor, instrutora de Yoga ou do Zen Budismo, é preciso conhecer corpo-memte-espírito com grande intimidade.
Estar em contato com a respiração é estar em contato com nossa maior intimidade, com a essência que nos faz ser. Interser.
MInha superiora no Japão, a Abadessa do Mosteiro Feminino de Nagóia, Aoyama Shundo Docho Roshi costumava dizer que são necessários dez anos para se formar uma monja, vinte anos para se formar uma professora monja e trinta anos para se formar uma mestra zen. Não é assim mesmo? Muitas vezes queremos transpor etapas, procuramos atalhos, mas essa ansiedade apenas nos afasta do próprio Caminho, que náo é curto nem longo. É apenas, assim como é.
Inspirar e expirar conscientemente. Pausa.
Inspiração. Pausa. Expiração longa, lenta, devagar.
Vai-se tornando sutil e profunda. Leve.
Não significa apenas que durante o Pranayama respiremos mais oxigênio. Pode ser o contrário. Mas criamos condições para que durante todo o dia possamos respirar melhor e oxigenar melhor as células de nosso corpo.
Vontade de respirar e não vontade de respirar.
Vontade de pensar e não vontade de pensar. Diferente de vontade de não pensar. Diferente de vontade de não respirar.
Depois de alguns exercícios de Pranayama, Marcos Rojo me surpreendeu com essas frases. Estávamos no encontro anual de Yoga e Budismo, em Ubatuba, nos feriados de Corpus Cristie.
Com que simplicidade profunda os ensinamentos sagrados eram transmitidos.
Suas palavras esclareciam aquilo que o fundador da minha ordem religiosa no Japão, Mestre Eihei Dogen (1200-1253) escreveu há tantos séculos:
"Existe o pensar, existe o não pensar e além do pensar e do não pensar."
Sempre achei difícil explicar em palavras o que isso significa. De repente, na aula de Yoga, lá estava, palpável, a experiência pura.
Inspirávamos, retínhamos o ar e expirávamos lentamente. E onde estavam os pensamentos? E a vontade de respirar ou de pensar?
O som da sala era o som das ondas do mar.
Muitas pessoas acreditam que meditar é silenciar a mente, evitar todo e qualquer pensamento, e assim se esforçam para não pensar. Quanto mais se esforçam mais difícil fica a meditação verdadeira, o samadhi profundo. Cria-se uma idéia, um conceito de samadhi. Há muitas pessoas que desistem de meditar porque não conseguem passar a barreira sem barreira, o portal sem portas do Zen.
Fiquei me lembrando de um retiro que fiz há cerca de trinta anos. Um dos meus primeiros sesshin (retiro zen silencioso). Eram muitas horas por dia sentada em zazen. O corpo reclamava da postura, a mente tentava romper a torrente de pensamentos, reclamações, resmungos. Estávamos já no terceiro ou quarto dia do sesshin. A dor nas pernas era insuportável. Resolvi seguir uma partícula de oxigênio. Estaria mesmo a seguindo? Respirei suavemente pelas narinas, percebi essa molécula entrando nos pulmões, passeando pelas artérias, chegando a meu pé direito, dobrado sobre a coxa esquerda. Depois fazendo a troca e o gas carbonico saindo, lenta, suavemente pelas narinas. Foi um momento mágico. Onde estava a dor? Onde ficaram os pensamentos?
Noutro momento aconteceu algo também extraordinário: percebi que se inspirasse e retivesse o ar e depois o soltasse lentamente, o abdomen se contraia e havia momentos em que parecia não precisar respirar. Sem esforço.
Como se meu próprio corpo me ensinasse princípios do pranayama.
Naquela época eu não conhecia nada do Yoga.
Continuo conhecendo muito pouco.
Mas, desde a minha primeira aula senti que havia encontrado um caminho maravilhoso. Caminho que completa e se ajusta à vida monástica, aos ensinamentos de Buda, ao conhecimento de mim mesma.
Mestre Zen Eihei Dogen (1200-1253) também escreveu:
"Estudar o Caminho de Buda é estudar a Si mesmo. Estudar a Si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser iluminado(a) por tudo que existe. É abandonar corpo e mente- seu e dos outros. Nenhum traço de iluminação permanece e essa iluminação é colocada a serviço de todos os seres, de toda a existência"(do texto chamado Genjokoan- A realizaçao na vida diária)
Inspirando. Não inspirando.
Expirando. Não expirando.
Pensando. Não pensando.
Além, muito além, o yogui e o budista se encontram no topo da montanha mais alta, no mais profundo dos oceanos.
Parecem apenas pessoas simples, comuns. Mas, como são leves...
Mãos em prece
Monja Coen
ÀGUA.
Texto da Monja Coen publicado no jornal O Globo de 08/01/2014
Sua ausência nos faz doentes. E está faltando. Aqui e acolá. Culpa dos céus? Carma de uma área do país que falava mal de outra?
De chuva, de rua, de enchente, de poço, de fosso. De fossa, de bossa, de lágrima, de saliva, de sangue, de pleura. De fonte, de filtro, de beber, de banhar, de purificar, de lavar, de descarga, de piscina. De hospital, de clube, de presídio. De prédio, de casa, de fazenda, de convívio.
Em toda parte, presente. Sua ausência nos faz doentes. E está faltando. Aqui e acolá. Culpa dos céus? Vingança divina? Seria carma de uma área do país que falava mal de outra? Causas e condições. Boas e más administrações. Corretas e incorretas decisões.
Corrigindo o erro é que se aprende. Mais do que perder ou ganhar eleições é saber agir na hora certa para beneficiar o maior número de seres. Administração pública precisa administrar também as privadas. Ócio.
Uma vez perguntaram a um monge sobre Buda. Onde estaria, como se manifestaria? Estaria nos céus? Manifestar-se-ia em odores suaves, em pensamentos elevados, em filosofias e em preces? O monge, simples e direto, respondeu: no bastão de limpar fezes.
(Naquela época não havia papel higiênico, e usavam um pequeno bastão de madeira para limpar o ânus antes de o lavar com água e algumas vezes também com água e com cinzas. Cinzas eram e ainda são usadas como sabão).
Onde está Buda? O que é Buda? Um ser humano da antiguidade? Um estado mental? Uma deidade? Podemos também considerar como a capacidade de ver com clareza e tomar decisões corretas que beneficiem a todos. Decisões que beneficiem apenas um partido, um grupo, uma ideologia, uma forma de pensar não são consideradas decisões iluminadas. A palavra Buda quer dizer isso — o Iluminado, o Desperto.
Há tantos zumbis pela Terra. Como fazer com que despertem, com que acordem e concordem em unir inteligências, capacidades, interesses para o bem comum? Ganância, raiva e ignorância são os três venenos que desviam seres humanos do Caminho. Por isso há tiros, há terror, há assaltos, há facadas, há decepar, mutilar, matar e morrer.
Você pode imaginar um mundo onde não haja nada pelo qual matar ou morrer? Um mundo em que possamos viver em harmonia e respeito, nos interessando por culturas e pensamentos diferentes dos que nos ensinaram em casa, na escola, na rua, no bairro, na cidade, no estado, no país?
Abrir portais de percepção. Não pela droga, para o vício, para a farra e o desperdício. Abrir os portais da mente através da oxigenação das células — respiração correta — para nos percebermos humildes e simples criaturas, que necessitamos uns dos outros e cada um necessita de todos. Sobrevivência em humildade e respeito.
Procuremos o silêncio. Quando falta, há menos verde. Quando excede, há menos verde. Nos olhos do agricultor, a tristeza. Nas feiras, a pobreza. Nas pessoas, a fome. Crianças da África magérrimas. Que dor. Agora sabemos, um pouco, o que é sede, o que é cheiro de corpo sem banho, roupa sem lavar, pia suja — insetos, vermes se divertem.
Vamos cuidar? Sem ofender, sem xingar. Com gestos, palavras e pensamentos amorosos e gratos, inclusivos e castos. Vamos levar adiante a vida do DNA humano? Continue acreditando e criando causas e condições adequadas para que todos nós possamos despertar. E viver em harmonia, compartilhamento e paz.
É possível. Buda disse: "Minha Terra Pura jamais será destruída."
Mãos em prece.
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