contos sol e lua
terça-feira, 4 de fevereiro de 2025
O Manto dos Três Fios.
Desde tempos antigos que a Ciência Sagrada foi dividida em três áreas – Religião, Arte e Ciência – para que o Homem se tornasse mais sábio e pudesse finalmente compreender a Deus. O Conhecimento espartilhado permitiria uma assimilação lenta, mas efectiva do mesmo, bem como uma maior profundidade nas áreas acima mencionadas.
Os Senhores da Forma, pertencentes à Hierarquia de Escorpião, ajudam-nos nesta fase; porém esta assimilação faseada esconde os seus perigos, sendo o mais evidente a visão espartilhada e, portanto, parcial, que temos do que nos rodeia. Desde cedo, somos ensinados a conhecer um objecto não só através dos sentidos físicos, mas medindo, comparando, criticando, avaliando, tendo no final uma visão parcial, mais ou menos completa do mesmo, ou seja, adquirimos uma ideia ou várias sobre o nosso alvo, mas não conhecemos o nosso alvo em si mesmo, na totalidade.
No entanto, de retalho em retalho, cada um vai tecendo o seu próprio manto com três fios (Religião, Arte e Ciência), até que no final de tal lenta e laboriosa tarefa, o mesmo nos possa envolver na viagem de regresso a Casa, libertando-nos, por fim, do ciclo do renascimento.
Neste momento, o nosso tear move-se lentamente, com paragens e recomeços perturbados; os fios emaranhados impedem o tear de trabalhar de forma serena e equilibrada. Porque escolhemos habitar um tempo de rápidas mudanças, com as quais temos bastante dificuldade em lidar, o que nos causa sofrimento e angústia.
Cabe a cada um procurar desembaraçar os novelos; cultivar em sua própria vida o seu lado espiritual, descobrir o seu talento e tornar-se mais conhecedor do mundo que nos rodeia. De nada nos servirá pedir para Deus nos mostrar o nosso talento pois só obteremos silêncio; no entanto, Deus dar-nos-á a oportunidade de descobri-lo. De nada servirá pedir a Deus para nos ajudar a desenvolver o nosso lado espiritual; porém, dar-nos-á a oportunidade de o fazer. E assim sucessivamente...
Esta atitude torna-nos atentos às oportunidades diárias, aos acontecimentos mais comezinhos que somos convidados a viver, a descobrir-lhes o sentido; torna-nos activos e responsáveis pelas nossas escolhas, pois só pela experiência nos tornaremos sábios, em suma, transformamo-nos em seres cada vez mais conscientes. Dito de uma outra forma, viver de forma responsável, activa e atenta potencia a expansão da nossa consciência.
Neste ano novo que se aproxima, Deus não construirá o nosso manto, mas dar-nos-á oportunidade de recomeçar o lento caminhar do nosso tear, nas diversas áreas da nossa vida. Saiba cada um tecer o seu com suavidade, deixando que os dedos sintam os três fios dos novelos: amor, criatividade e sabedoria.
Maria Coriel..
A Provação do Peregrino.
Todos vivemos várias provações ao longo da nossa existência terrena, períodos mais ou menos longos, em que somos assolados por diversas experiências bastante dolorosas; podemos citar a título de exemplo a perda de um ente querido, a falência de uma empresa, uma separação conjugal, algo intenso que provoca no indivíduo tristeza, instabilidade, insegurança, incerteza, lançando o ser numa crise profunda que atinge todas as áreas do seu ser, incluindo o seu lado espiritual.
Os estudantes das várias correntes espirituais sabem que nada funciona por acaso e que tudo o que nos é dado viver tem um sentido oculto. Vários são os caminhos tomados face a estes períodos. Surge na maioria uma desorientação que, progressivamente, origina uma desconexão com o seu lado espiritual, até se perderem no nevoeiro e tempestades da vida. Podem deambular durante uma vida, desperdiçando oportunidades evolutivas, desmotivados, descrentes, longe do Sentido que inicialmente buscavam.
Alguns costumam ficar obcecados com o passado longínquo e detêm-se em procurar ligações cármicas, buscando o fio antigo de sentidos; normalmente, tal é a obstinação por este trilho que rapidamente se perdem em mistificações ou deambulam em teias de fértil imaginação; outros refugiam-se numa atitude triste e submissa, aceitando o pesado destino com resignação.
Entre o nevoeiro e a luz outros há que, após fases sucessivas de quedas e de recomeços, vão perdendo e reencontrando o caminho que procuravam, num balanço entre o afastamento e o retorno.
Poucos são os que nunca perdem de vista o farol interior que os ilumina, ainda que se percam nos caminhos e atalhos da vida. Para todos a provação pode ser vista sob várias faces ou todas numa só:
— funciona como uma prova às capacidades do peregrino, no fundo, um teste a aprendizagens anteriores;
— necessidade de mudar de rumo, fazer novas escolhas difíceis, porém adequadas ao novo momento evolutivo;
— necessidade de redefinir os sonhos, os objectivos de vida; novas aprendizagens estão na forja.
Todos sentem que nesses momentos há determinadas aprendizagens – vontade, discernimento, pensamento positivo – que se afinam ou comportamentos que se adoptam, a disciplina, por exemplo; sentem também que há capacidades novas que emergem. Todas estas capacidades e atitudes podem tornar-se as nossas âncoras, mas só uma se afigura na provação como o nosso refúgio e salvação: a oração, esse fio de luz que nos liga à nossa Casa, nos devolve aos braços do Criador num breve alento para novas batalhas.
Qualquer situação, por mais distorcida que se afigure, não tem mais força do que o poder de uma oração sincera e a nossa persistência nesse acto ajudará a ultrapassar qualquer provação, visível ou invisível, a seu tempo.
Maria Coriel..
O Corpo de Pecado – A Autopossessão..
Há uma região (a inferior do Mundo do Desejo) que é o ambiente em que se movem os espíritos errantes. Neste plano eles estabelecem uma íntima ligação com as pessoas "vivas" que sejam mais facilmente influenciáveis. Geralmente, permanecem nestas condições durante cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos. Já observámos casos em que tais infelizes permaneceram séculos no ambiente físico. Tanto quanto foi possível investigar, parece não haver limite para o que possam fazer. Nem se pode prever, com segurança, quando possam deixar de actuar, por obsessão ou sugestão. Deste comportamento resulta uma tremenda responsabilidade da qual não poderão fugir, uma vez que o corpo vital reflecte e grava profundamente, no corpo de desejos, o registo de todas as acções. Quando, finalmente, abandonarem a vida errante, é que iniciam a existência purgatorial. E aí encontrarão o merecido castigo.
O sofrimento destas pessoas é, naturalmente, proporcional ao tempo em que estiveram nestas condições, depois da morte do corpo físico.
O corpo-de-pecado é o veículo formado pelos corpos vital e desejos amalgamados. Não se desintegra tão facilmente como os outros, quando é abandonado pelo espírito.
Quando este espírito renasce, atrai naturalmente o seu corpo-de-pecado. Vive com ele, geralmente, durante toda a vida, como um demónio. As investigações efectuadas revelam que este tipo de criaturas sem alma, eram abundantes nos tempos bíblicos. O Salvador referia-se-lhes chamando-lhes "demónios". São a causa de diversas obsessões e doenças físicas (erradamente atribuídas por vezes a outros espíritos). Ainda hoje, uma boa parte do Sul da Europa e Oriente é prejudicada pela sua influência. Em África, há tribos inteiras que, por causa das suas práticas de magia negra, arrastam consigo estes tenebrosos espectros. O mesmo se pode dizer dos indígenas da América do Sul.
No entanto, o mal não é um exclusivo dos povos menos desenvolvidos. Encontramos esses demónios mesmo entre os habitantes dos países ditos civilizados, no Norte da Europa e na América tanto do Norte como do Sul. A sua forma é, porém, menos repugnante do que nos casos atrás citados, frequentemente associados a práticas abomináveis.
A possibilidade de a guerra contribuir para que os corpos vital e de desejos se pudessem unir fortemente entre si preocupou-nos imenso tempos atrás. Poderia originar o nascimento de legiões de monstros que afligissem as gerações futuras. Concluímos, todavia, com satisfação, que esse receio era infundado. A cristalização do corpo vital e a sua forte ligação ao corpo de desejos só acontece como resultado da perversidade, da vingança premeditada e quando se alimentam estes sentimentos por muito tempo.
Os arquivos da Grande Guerra informam-nos até que, em alguns casos, os combatentes de ambos os lados, uma vez cessadas as hostilidades ou impedidos de permanecer em combate, se relacionavam normalmente sempre que para tal havia oportunidade.
Por isso, ainda que a guerra seja causadora de enorme mortalidade, mesmo infantil, não pode ser acusada, no entanto, das penosas consequências da obsessão nem dos crimes induzidos por esses tenebrosos corpos-de-pecado.
Os corpos-de-pecado abandonados permanecem normal e preferencialmente nas regiões etéreas inferiores. A sua densidade coloca-os no limiar da visão física. Algumas vezes materializam-se, atraindo alguns constituintes do ar, até se tornarem perfeitamente visíveis às suas vítimas.
Max Heindel..
segunda-feira, 20 de janeiro de 2025
O Tempo das Provas.
No último artigo1, vimos que nestes tempos assolados por crises individuais e colectivas, o ser sente-se perdido num mar cada vez mais abundante de desencanto e vazio de valores, com dificuldade em adaptar-se a um mundo cheio de mudanças rápidas e constantes.
As sombras que pairam no mundo visível ou invisível são desconhecidas da maioria das pessoas que habitam o plano físico, mas podem desencadear crises individuais e colectivas. Dito de uma outra forma, entidades doutros planos que não o físico podem estar no epicentro das nossas crises.
Essas forças exercidas sobre nós, muitas vezes, atribuímo-las aos outros, desde a elementos da nossa família, a colegas de trabalho, ao contexto social, ao local onde habitamos, entre outros.
Estes seres provêm, essencialmente, do Mundo do Desejo e dos seus respectivos planos. Tendo em conta que o ser não é composto apenas por matéria física, mas também é formado por substâncias de outros mundos, nomeadamente, do Mundo Mental e do Mundo do Desejo, estamos sempre em contacto com esses planos invisíveis e movemo-nos inconscientemente neles. Actuando neles, atraímos, desta forma, entidades que neles habitam e que estão em consonância com o nosso nível evolutivo e em sintonia com a nossa vibração base.
Esta influência estabelece-se, normalmente, pelas vias mental e emocional embora relativamente a esta última tal influência seja mais fácil e eficaz, através do estímulo do corpo de desejos.
Os nossos diversos estados de espírito atraem, por afinidade energética, vibratória e consequente nível evolutivo, em momentos igualmente diversos, diferentes tipos de entidades, por isso, devemos controlar e trabalhar sobre as nossas flutuações de humor e tentar mantermo-nos calmos e estáveis.
Também estamos mais sujeitos a essas influências nefastas em alguns momentos do que noutros, pois essas forças manifestam-se tendencialmente nos nossos tempos mais frágeis, quando estamos mais debilitados fisicamente e psiquicamente, doentes ou em fase de provação das nossas aprendizagens. É importante notar, ainda, que essas forças incidem sobre as fraquezas e debilidades que trazemos para evoluir.
Verificámos, deste modo, que as entidades que atraímos são sempre em função do nosso nível vibratório. Deste modo, quando temos pensamentos negativos, adaptamos práticas prejudiciais aos diversos corpos ou escolhemos circular em determinados meios de vibração baixa, estamos a enfraquecer a nossa vibração e, consequentemente, atraímos entidades que estão em sintonia com ela. Por vezes, a libertação desses estados não pode ser realizado individualmente, mas requer ajuda especializada.
Dificilmente, no nosso estado actual evolutivo, estamos completamente imunes a essas influências sombrias, mas podemos libertar-nos e construir uma “armadura espiritual”, através da purificação e fortalecimento dos nossos corpos. Isso poderá ser feito através de uma alimentação correcta, exercício físico, persistência em hábitos saudáveis (corpo físico e vital), escolha de pensamentos positivos (corpo mental), praticando boas acções, orando e meditando (corpo emocional). A reformulação de práticas e processos deve ter um carácter construtivo e não punitivo. É requerido um trabalho de introspecção constante, de atenção e de silêncio interior.
Também notamos a “olho nu” essa influência quando nos sentimos fatigados ao pé de alguém, com dor de cabeça ou entristecidos. Há seres mais sensíveis às influências alheias do que outros. O mesmo pode ser estendido aos ambientes que nos circundam.
Apesar deste breve artigo ter incidido sobre as influências nefastas nas nossas vidas de entidades do mundo supra-físico, também somos influenciados por via mental, positivamente, por entidades bondosas. Tanto num caso como noutro, notamos que nós atraímos seres em função do nosso nível evolutivo e não acima dele; isto de um modo geral e corrente, porém, nem sempre é assim. Note-se que o auxílio espiritual implica a aproximação de entidades de nível superior, ainda que não invocado por nós conscientemente. Também a oração tende, regra geral, a atrair seres de estatura, pelo menos moral, superior à do orante. Sabendo isto, estaremos libertos da ignorância, não tomando estas entidades por aquilo que elas não são.
Também existe uma ideia inexacta, por vezes, fantasiosa, acerca dos nossos guias pessoais (não nos referimos aqui aos “guias” da Humanidade, mencionados por Max Heindel). São seres que habitam no plano invisível, mas estes pertencem ao nosso nível evolutivo e não acima dele, pelo que também eles podem induzir-nos em erro, uma vez que o seu conhecimento é tão limitado quanto o nosso.
Também é necessário ainda referir que nem todos os seres que se encontram no plano invisível, mesmo ao nosso nível, são prejudiciais. Afinal de contas, Max Heindel afirma “que também os mortos nos ajudam a viver”, como diz o Conceito. Este assunto é igualmente abordado na carta ao estudante número 63, intitulada Mestres Espirituais, os Autênticos e os Falsos.
Por vezes, por desconhecimento, no dia-a-dia, ao acender velas, incensos e outros procedimentos semelhantes atraímos entidades que nos prejudicam. Estes produtos, devido à sua composição e características, atraem entidades que carecem de luz; pertencem normalmente ao plano inferior do Mundo do Desejo. Também a recitação repetitiva de determinados textos ou frases mais curtas pode afectar-nos, caso sejam diferentes do nosso nível vibratório. Persistindo em certas práticas nefastas, atraem-se entidades dos planos suprafísicos que se fazem passar por guias, santos e afins, afectando negativamente os corpos, a própria saúde e a evolução dos implicados.
Vive-se actualmente num contexto de desespero e de descrença propício à divulgação de conhecimentos distorcidos e à proliferação de falsos mestres, de rituais folclóricos, entre outros. Cegos uns, no plano físico, interagindo com outros cegos, no suprafísico, acabarão por voltar sempre mais enfraquecidos aos mesmos caminhos, por vezes, com danos irreversíveis na saúde, no caso do plano físico, com as expectativas goradas, representando um atraso evolutivo para todas as entidades envolvidas.
Não pensemos que as próprias instituições religiosas ou filosóficas estão imunes a estas influências. Se os seus membros adoptarem práticas contrárias ao nível vibratório em que essas instituições vibram, darão espaço a crises sérias pela falta de sintonia que geram. Não foi em vão que Max Heindel nos alertou para a importância e necessidade de disciplina nas instituições.
De tempos a tempos, também elas sofrem provações, circulando no seu seio ou querendo entrar nele seres ignorantes, ávidos de protagonismo, que põem à prova as capacidades e conhecimentos dos seus membros. Embora sabendo que a ignorância tem o seu tempo determinado, o facto é que podem prejudicar a evolução dos seus membros e o trabalho social das instituições2.
Os menos fortalecidos no plano espiritual e mais carentes de conhecimento deixar-se-ão iludir. Esta atitude fortalecerá, a longo prazo, a instituição porque afastará dela aqueles que não vibram na mesma sintonia ou ainda que vibrem, falta-lhes aperfeiçoar o discernimento e fortalecer a vontade, por isso, são elementos que, isoladamente, não prejudicam mas também não ajudam a fortalecer a égregora da instituição. Tal como os indivíduos, também as instituições necessitam de se limpar e purificar, a fim de se fortalecerem e continuarem a passar às gerações vindouras sabedoria espiritual sólida.
Maria Coriel.
Tempo perdido.
Jeanne Guesdon.
Charles Darwin (1809-1882) foi um dos maiores cientistas do último século. Sua obra fundamental sobre a origem das espécies teve, desde sua publicação, uma repercussão universal e orientou a biologia em caminhos novos e fecundos. Darwin baseou seus trabalhos em milhares de observações.
Teve, portanto, um trabalho enorme. No entanto, sua saúde não era boa; ele era fisicamente incapaz de um trabalho de muitas horas seguidas e, em suas memórias, confessa: “Nunca pude trabalhar mais de duas horas por dia.”
Duas horas? É bem pouco. Mas quando esse lapso de tempo foi repetido todo dia, realmente todo dia, ele permitiu fazer obra digna de admiração, um verdadeiro monumento de saber humano.
Chamamos sua atenção para o bom uso que cada um de nós pode e deve fazer do mais valioso dos tesouros: o tempo.
Quantas vezes ouvimos confidências do tipo: “Sim, eu gostaria muito de fazer progressos maiores, mas não tenho tempo”. Ao que podemos quase sempre responder, sem medo de errar; “Bem, esse tempo necessário ao estudo, você o tem, mas não sabe usá-lo. Você o desperdiça, você o joga fora. Sem nem mesmo se dar conta disto…”.
Pois, assim como gotas de água, milhares de vezes repetidas e caindo sempre no mesmo lugar, acabam vencendo a resistência do granito, assim também os minutos de estudo ou meditação, repetidos diariamente, nem que seja a razão de dez ou quinze minutos cada vez, farão de você um autêntico buscador da verdade, logo um Rosacruz.
Faça um exame sincero de seu uso do tempo diário e veja se não há um só quarto de hora por dia que você desperdice com conversas fúteis, leitura de revistas sem cultura etc.
Economizando esses momentos de tempo perdido, encontramos facilmente, mesmo que sejamos “terrivelmente ocupados”, aquele quarto de hora necessário ao estudo. E com a condição expressa de continuarmos todos os dias, sem nenhuma interrupção, de perseverarmos, faça chuva ou faça sol, é certo e seguro que podemos realizar um trabalho considerável e atingir nossos objetivos. Há também um meio mais sutil de perder tempo: é usá-lo pela metade, isto é, não nos dedicarmos completamente à tarefa que executamos, sendo que devemos nos entregar a ela por inteiro, não nos deixarmos distrair por nada, entrarmos inteiros naquilo que fazemos. O importante é uma atenção absoluta, que tenha de certo modo um valor magnético.
Naturalmente, tal resultado não se obtém num só dia. Mas a Ordem Rosacruz, AMORC vai, justamente, ensiná-lo a obter esse estado de concentração, no mínimo de tempo e com o máximo de eficiência.
Também é importante escolhermos para nossos momentos de estudo um tema relacionado às nossas possibilidades, aos nossos gostos. Se quiséssemos atacar uma tarefa árdua demais, possivelmente os fracassos nos cansariam e nos desestimulariam, ao passo que, se o esforço estiver à altura dos nossos meios, ele ampliará o campo de nossa ação. O crescente interesse vai também nos abrir novos horizontes de busca; o esforço inicial se tornará um prazer e dará o sentimento e a satisfação do dever cumprido, o que em geral proporciona, acima de tudo, paz e muitas vezes felicidade também.
Lembremos também que o tempo foge com rapidez. Nós marcamos sua passagem com medidas humanas, mas não podemos detê-lo. O minuto presente nem bem existe e logo outro chega, e é substituído pelo seguinte.
Dentre os momentos perdidos, esta mensagem mencionou as conversas fúteis. Uma pessoa rumina várias vezes aquilo que já disse… E para quê? Para se repetir! Outra, quando você lhe conta uma experiência vivida, um acontecimento qualquer, vai imediatamente relatar algo parecido com o que você acabou de falar. Ora, lembre-se de que aquilo que tem interesse pessoal para você muitas vezes não interessa à pessoa que está ouvindo. Na hora de falar, seria bom também lembrar-se de uma das lições rosacruzes que fala do esquecimento de si mesmo e da supressão do pronome “eu”.
Também nesse caso, há uma disciplina a ser seguida e um treinamento a ser feito; e, em vez de “colher flores ao longo da estrada da vida”, essa disciplina e esse treinamento o ajudarão a subir a encosta, mais penosa, da senda da montanha que conduz à iluminação.
O Labirinto
Adilio Jorge Marques.
Um dos conhecimentos Druídicos e pagãos mais importantes incorporados por nossa cultura abrange o estudo do simbolismo dos Labirintos e sua utilização na vida psicológica e mística. Entre eles, o dos Labirintos era de conhecimento não só dos Iniciados, como, também naquela época, do povo, que respeitava e sabia algumas das finalidades daquelas construções e representações simbólicas até o advento do cristianismo em terras do norte da Europa. Com a “Nova Mensagem” cristã, muitos desses antigos costumes e conhecimentos foram propositadamente abandonados ou deixados de lado pela nova explicação espiritual.
A existência de canais ou veias telúricas, por onde flui a energia da Mãe Terra, era de conhecimento dos povos antigos de um modo geral. Encontramos vestígios disto em todas as partes do mundo, mais principalmente onde hoje é a Grã-Bretanha e a França. Além dos marcos bem conhecidos destes pontos telúricos, como dólmens, menires etc., temos os Labirintos de pedra e, nos lugares ditos pagãos onde Catedrais foram construídas por cima, vemos dentro delas, como em Chartres, desenhos de Labirintos, como a nos relembrar os antigos tempos. Eles seguiam muitas vezes estes canais de energia telúrica, dando, assim, forma ao seu complexo de passagens e corredores. Porém, este é um conhecimento que não é aceito como explicação em nossos dias atuais.
Os Labirintos são encontrados em quase todas as Catedrais, e como muitos de nós certamente já o sabem, também em outros lugares ou templos diversos. A que eram destinados é motivo de questionamentos até os dias atuais para a ciência oficial. Acredita-se que continham funções iniciáticas e, até mesmo, exotéricas. Quanto a sua origem precisa, pode ser ainda mais difícil de dizer, pois até no Antigo Egito foram encontrados vestígios de Labirintos. Na Grécia fazia parte da cultura e da mitologia de seu povo, onde indicava obstáculos a serem superados para que se conseguisse alcançar determinado objetivo. Várias passagens mitológicas mostram isso, como o fio de Ariadne e a do Minotauro. Na Holanda a lenda de São Jorge é atribuída pelos antigos a este antigo conhecimento das linhas telúricas benfazejas, pois dizia-se que sua lança era a representação de um menir, tais forças da terra o dragão e o Santo era o homem Iniciado nos mistérios, detentor do conhecimento, que domina as energias da Natureza e as suas energias internas.
O Labirinto simboliza as dificuldades da Iniciação daquele que a requer. É o símbolo do lento progresso de seu pensamento, de suas provas, de seu retorno a si mesmo, ao seu interior, a fim de encontrar o que chamaríamos “o bom caminho”. Ou, o verdadeiro caminho da Alma. No início, o candidato desconhece a trilha a ser seguida, e o medo o envolve. Muitas vezes o candidato tem que retornar a um determinado ponto para poder seguir adiante. Ele mostra também, assim, os revezes da vida, assim como sua volta para tornar a partir sobre novas bases, mais sãs e mais seguras, após períodos de reflexões aprofundadas. Tudo isto são aspectos do que é necessário ao requerente à Iniciação onde aparece o Labirinto.
Neste sentido, os Labirintos desenhados nas Catedrais, sob uma forma mais curta e simbólica, nos indicam a representação de todas as dificuldades do caminho Iniciático. Podem ser provas físicas, ou não. Ou, até, os perigos reais da vida.
Com isto, os Labirintos deixam na eternidade o fato de que seu simbolismo místico continua atual até os dias de hoje e assim permanecerá aos Iniciados do amanhã.
O Quarto Mago que não era Rei
,
Manuel O. S. Pina –
Há cerca de dois mil anos atrás houve um estranho acontecimento astronômico: uns dizem que eram os planetas todos alinhados num cortejo brilhante em relação ao sol; outros contam que havia uma estrela refulgente movimentando-se do oriente e indicando um caminho. Não se sabe bem como foi, sabe-se apenas que naqueles dias nascia uma criança destinada a revolucionar o mundo.
Uns senhores que eram magos e a quem chamavam reis sabiam o que estava para acontecer, como o sabem sempre os homens sábios deste mundo. Deitaram-se ao caminho e procuraram essa criança para a adorar e lhe fazer ofertas – dizem que de ouro, incenso e mirra.
Houve um quarto mago, que não era rei, que ouviu falar dessa criança e foi também procurá-la. Mas não a encontrou. Procurou por todos os caminhos, todas as estradas e não a conseguiu encontrar. Mais tarde ouviu também falar de um homem a quem chamavam de Nazareno, mas não foi escutar as “Bem Aventuranças” nem esteve no Calvário.
Não tendo encontrado a criança nem ouvido o Homem do Sermão da Montanha, nem por isso deixou de usar Seu nome durante os séculos da história do Mundo que ajudou a construir. Pelejou em todas as batalhas. Bateu-se em todas as guerras “santas”; conheceu vitórias e derrotas, teve oportunidade de perdoar os seus inimigos e ser perdoado por estes, mas nenhum deles sabia o que era o perdão. Embarcou em todas as naus que cruzaram o planeta levando nas velas impresso em vermelho sangue o símbolo daquela Criança e daquele Homem que não conseguira encontrar, e nem lhe viu sequer o rosto nas mil faces estranhas que encontrou em todos os fins de mundo.
Construiu fortalezas e cidades, inventou tudo quanto havia a inventar, perscrutou as estrelas e estabeleceu teorias, prescreveu dogmas, doutrinas e receitas de felicidade. No entanto, continuava muito longe de vislumbrar o rosto daquela criança.
Contudo, a semente um dia deitada à terra crescia, expandia-se em mil ramos, no meio de agonias e desespero, entre as muitas fomes e os muitos sofrimentos. Resistia às calúnias e à intolerância, escondia-se no coração de alguns aonde humildemente ia florescendo, no lugar mais íntimo daqueles que, não sendo magos sentiam dentro de si aquela pequena luz, aquela centelha a pulsar.
Entretanto… alguém chorava e orava. Pedia pelos desprotegidos, pelos injustiçados, pelos famintos, pelos perseguidos, e também pedia pelo quarto mago que tinha todo o poder da riqueza, pedia piedade para com o seu coração endurecido e para que ele um dia pudesse despertar.
Os tempos chegaram em que o quarto mago que não era rei, depois de tudo saber e tudo poder, começou a sentir que afinal… pouco ou nada sabia e que o poder de pouco lhe valia para a sua alma esquecida em tantas andanças em busca de nada. À sua volta acumulavam-se os destroços do seu egoísmo. Tudo lhe parecia estéril, até o arco-íris lhe parecia cinzento.
A dúvida instalou-se no seu coração e sentiu nascer em si todas as angústias. Foi em busca de outros magos, que também não eram reis, que procuravam curar-lhe as mazelas do corpo, que da alma nada sabiam. Percorreu todas as igrejas, fez oferendas, tentou comprar a paz que lhe faltava a outros magos da ciência que do espírito nada entendiam. Lembrou-se então daquela criança e vestiu-a de vermelho, deu-lhe um ar de patriarca e chamou-a de Pai Natal. Fê-la entrar pelas chaminés ou percorrer os céus num trenó puxado por renas. Não sabendo adorar, substituiu o presépio pela árvore de luzes cintilantes das mil prendas com que se contentam todos os magos que não são reis.
Pode ser, que um dia destes, os planetas se alinhem de novo no capricórnio crístico ou que uma estrela venha dançar por sobre a Terra, indicando que a Esperança e o Amor podem ser renovados.
Pode ser, que desta vez, o mago que nunca foi rei, encontre o caminho que o seu coração rejubile e que suas mãos se abram em oferta de ouro, incenso e mirra para Aquele que veio para se instalar em nosso coração, para todo o sempre.
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