contos sol e lua

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sábado, 27 de novembro de 2010

PRIMEIRO BARDO: O PERÍODO DA EGO-PERDA OU DO ÊXTASE DE NÃO-JOGOS.


Todos os indivíduos que tenham recebido os ensinamentos práticos deste manual serão postos, se o texto for lembrado, face a face com a irradiação extática e receberão a iluminação instantaneamente, sem entrar em lutas alucinógenas e sem mais sofrer na antiga trilha da evolução normal que atravessa os vários mundos do jogo existência.
Esta doutrina é a base de todo o modelo tibetano. Fé é o primeiro passo na “Trilha Secreta”. Então vem a iluminação e com ela a certeza; é quando o objetivo é alcançado. O sucesso implica uma preparação muito incomum na expansão da consciência, e do mesmo modo muita calma, e o jogar o jogo compassivo (bom carma) da parte do participante. Se pode-se fazer o participante ver e apreender a idéia da mente vazio tão logo o guia a revela – isto é, se ele tem o poder para morrer conscientemente – e, se no supremo instante de perder o ego, puder reconhecer o êxtase que o tomará, então, e se tornar uno com ele, todos os vínculos ilusórios de jogos se quebrarão imediatamente: o sonhador acorda para a realidade simultaneamente com a poderosa conquista do reconhecimento.
É melhor se o guru (professor espiritual), de quem o participante recebe as instruções, estiver presente, mas se o guru não puder estar presente, deve haver outra pessoa experiente; se o último caos também não for possível, então uma pessoa em quem o participante confie deve ser capaz de ler este manual sem impor quaisquer se seus próprios jogos. Assim, o participante trará à mente o que ele ouviu precisamente a respeito da experiência e virá a reconhecer pela primeira vez a Luz fundamental e indubitavelmente obterá a libertação.
Libertação é o sistema nervoso destituído de atividade mental-conceitual. [Realização do Vazio, do Não-Tornado, do Não-Nascido, do Não-Formado, implica o estado do Buda, o Perfeito Esclarecimento – o estado da mente divina do Buda. Pode ser de ajuda lembrar-se de que esta antiga doutrina não está em conflito com a física moderna. O teórico físico e cosmologista George Gamow apresentou em 1950 um ponto de vista próximo da experiência fenomenológica descrita pelos lamas tibetanos.
Se imaginamos a história correndo de volta no tempo, inevitavelmente chegamos à época do ‘big squeeze’ com todas as galáxias, estrelas, átomos e núcleos atômicos espremidos, por assim dizer, ao tamanho de um caroço. Durante este estágio primitivo da evolução, a matéria deve Ter estado dissociada em seus componentes elementares Chamamos esta mistura primordial de ‘ylem’.
Neste primeiro ponto na evolução do ciclo atual, de acordo com este físico de primeira linha, existia apenas o Não-Tornado, o Não-Nascido, o Não-Formado. E este, de acordo com os astrofísicos, é o modo como a coisa acaba; a unidade silenciosa do Não-Formado. Os budistas tibetanos sugerem que o intelecto ordenado pode experimentar o que os astrofísicos confirmam. O Buda Vainochana, o Dhyani Buda do Centro, Manifestador de Fenômenos, é a mais alta forma de chegar ao esclarecimento. Como fonte de toda a vida orgânica, nele todas as coisas visíveis e invisíveis têm sua consumação e absorção. Ele é associado ao Reino Central do Densamente-Condensado, isto é, a semente de todas as forças universais e as coisas estão condensadas juntas, densamente. Esta notável convergência da astrofísica moderna e do antigo lamaísmo não requer nenhuma explicação complicada. A consciência cosmológica – e consciência de todo processo natural – está lá no córtex. Você pode confirmar este conhecimento místico pré-conceitual através da observação empírica e meditação, mas está tudo lá no seu crânio. Seus neurônios “sabem” porque estão ligados diretamente ao processo, são parte dele.] a mente em seu estado condicionado, isto é, quando limitada a palavras e jogos do ego, está continuamente em atividade de formação de pensamento. O sistema nervoso em estado de quietude, alerta, acordado mas não ativo, é comparável ao que os budistas chamam de o mais elevado estado de dhyana (meditação profunda) quando ainda unida ao corpo humano. O reconhecimento consciente da serena Luz induz a uma condição consciência extática como o que os místicos e santos do Ocidente chamavam de iluminação.
O primeiro sinal é o vislumbre da “Serena Luz da Realidade”, “a mente infalível do estado místico puro”. Isto é a consciência das transformações energéticas sem a imposição de categorias mentais.
A duração deste estado varia para cada indivíduo. Depende da experiência, da segurança, confiança, preparação e dos elementos exteriores em torno do participante. Naqueles que já tenham tido uma pequena experiência prática do tranqüilo estado de consciência de não-jogos, e naqueles que tenham scripts felizes, este estado pode durar de trinta minutos até várias horas.
Neste estado, a realização do que os místicos chamam de “Verdade Final” é possível, desde que tenham sido providenciada anteriormente a preparação necessária pela pessoa, de outro modo, ela não poderá se beneficiar agora, e deverá vagar por estados alucinatórios cada vez mais profundos, determinados pelos seus jogos passados, até voltar à realidade rotineira.
É importante lembrar que o processo de expansão da consciência é o reverso do processo do nascimento, sendo o nascimento o início da vida de scripts e a experiência de ego-perda sendo uma cessação temporária da vida de scripts. Mas em ambos há uma passagem de um estado de consciência para outro. E assim como uma criança precisa acordar e apreendera experência da natureza deste mundo, da mesma forma uma pessoas no momento da expansão da consciência precisa acordar para este novo mundo brilhante e tornar familiares suas tão peculiares condições.
Naqueles grandemente dependentes de seus jogos do ego[6], e que temem abandonar o controle, o estado iluminado dura tão somente o tempo de estalar um dedo. Em alguns, ele pode durar o tempo de tomar um lanche ou almoçar ou coisa que o valha.
Se o indivíduo estiver preparado para diagnosticar os sintomas da ego-perda, ele não precisará de nenhuma ajuda externa neste ponto. A pessoa prestes a abandonar o ego deve ser capaz não apenas de diagnosticar os sintomas assim que eles vierem como também de reconhecer a Serena Luz sem que outra pessoa ajude a identificá-la. Se a pessoa falhar em reconhecer e aceitar o início da ego-perda, ela pode queixar-se de estranhos sintomas corporais. Isto indica que ela não alcançou o estado de libertação. Então o guia ou amigo deve explicar os sintomas como indicadores do início da ego-perda.
Eis uma lista das sensações físicas comumente relatadas: 1. Pressão corporal, que os tibetanos chamam de terra-se-desfazendo-em-água; 2. Frio úmido, seguido por calor febril, o que os tibetanos chamam de água-se-desfazendo-em-fogo; 3. Desintegração do corpo ou a sua dispersão em átomos, chamada fogo-se-desfazendo-em-ar; 4. Pressão na cabeça e nos ouvidos, que os americanos chamam de foguete-sendo-lançado-ao-espaço; 5. Formigamento nas extremidades; 6. Sensação de como se o corpo estivesse derretendo ou escorrendo como cera; 7. Náusea; 8. Tremor, começando na região pélvica e se espalhando para o tronco.
As reações físicas devem ser reconhecidas como sinais indicativos da transcendência. Evite tratá-las como sintomas de doença, aceite-as, una-se a elas, aproveite-as.
Uma leve náusea ocorre freqüentemente com a ingestão de “morning glory” ou peiote, raramente com mescalina, e ainda com menor freqüência com LSD e pscilocibina. Se o sujeito experimentar sensações estomacais, elas devem ser saudadas como um sinal de que a consciência está se movendo pelo corpo. Os sintomas são mentais; a mente controla as sensações, e o indivíduo deve unir-se à sensação, experienciá-la totalmente, aproveitá-la e, tendo a aproveitado, deve deixar a consciência fluir para a próxima fase. É mais comum deixar que a consciência fique no corpo – a atenção do indivíduo pode mover-se do estômago para a respiração, as batidas do coração. Se isto não livrá-lo da náusea, o guia deve guiar a consciência para eventos externos – música, uma caminhada no jardim etc.
O aparecimento de sintomas físicos da ego-perda, reconhecida e entendida, deve resultar na conquista tranqüila da iluminação. Se a aceitação extática não ocorrer (ou quando o período de silêncio tranqüilo parecer estar terminando), as seções de instruções relevantes podem ser sussurradas ao ouvido. É freqüentemente útil repeti-las, claramente, incutindo-as à pessoa para evitar que sua mente fique vagando por aí. Um outro método de guiar a experiência com um mínimo de atividade é ter as instruções previamente gravadas na voz do próprio sujeito. Isto recordará ao viajante sua preparação prévia; fará com que a consciência nua seja reconhecida como a “Serena Luz do Início”; vai lembrar ao indivíduo sua união com o estado de perfeito esclarecimento e ajudá-lo a mantê-lo.
Quando, experimentada a ego-perda, se estiver familiarizado(a) com este estado, em virtude da experiência e preparação prévias, a Roda do renascimento (isto é, todos os jogos) parará, e a libertação será alcançada imediatamente. Mas tal eficiência espiritual é raríssima, e a condição mental normal da pessoa é inadequada à suprema façanha de manter-se no estado em que brilha a Serena Luz, e aí vai descendo progressivamente a estados cada vez mais baixos da existência Bardo, até o renascimento. A comparação com uma agulha equilibrada sobre uma linha é usada pelos lamas para explicar esta condição. Enquanto a agulha mantêm o equilíbrio, ela permanece sobre a linha. Mas por fim a lei da gravidade (o puxão do ego ou de uma simulação exterior) a afeta, e ela cai. No reino da Serena Luz, da mesma forma, a mentalidade de uma pessoa no estado de transcendência do ego momentaneamente desfruta da condição de estabilidade, de perfeito equilíbrio e de unidade. Sem estar familiarizada com este estado, que é um estado extático de não-ego, a consciência do ser humano médio carece da capacidade de funcionar nele. Propensões cármicas (isto é, propensões a jogos/scripts) envolvem o princípio-da-consciência com idéias de personalidade, do ser individualizado, do dualismo. Assim, perdendo o equilíbrio, a consciência cai para fora da Serena Luz. São os processos do pensamento que impedem a realização do Nirvana (que é a “extinção da chama” do desejo egoísta de jogos); e então a Roda da vida continua girando.
Todas ou algumas das passagens apropriadas nas instruções podem ser lidas ao viajante durante o período de espera até que a droga faça efeito, e quando os primeiros sinais da ego-perda aparecerem. Quando o viajante estiver claramente num êxtase de transcendência do ego, o guia sábio permanecerá em silêncio.
A Serena Luz Secundária Vista Imediatamente Após A Ego-perda.
A seção anterior descreve como a Serena Luz pode ser reconhecida e mantida a libertação. Mas se tornar-se aparente que a Serena Luz Primária não está sendo reconhecida, então pode-se assumir certamente que está principiando o que é chamado a fase da Serena Luz Secundária. O primeiro lampejo da experiência usualmente produz um estado de êxtase da maior intensidade. Toda célula do corpo é sentida como sendo envolta em criatividade orgástica.
Pode ser de ajuda descrever em maiores detalhes alguns dos fenômenos que geralmente acompanham o momento da ego-perda. Um deles pode ser chamado de “fluxo de ondas de energia”. O indivíduo torna-se consciente de que é parte de um campo de energia carregado, e de que está cercado por ele, que parece quase elétrico. Para prolongar o estado de ego-perda tanto quanto possível, a pessoa preparada relaxará e permitirá que as forças fluam através dela. Há dois perigos a evitar: a tentativa de controlar ou racionalizar esse fluxo. Ambas as reações são indicativas da atividade do ego e então a transcendência do bardo se perde.
O segundo fenômeno pode ser chamado de “fluxo vital biológico”. Aqui a pessoa torna-se consciente dos processos bioquímicos e fisiológicos, da atividade rítmica pulsante no interior do corpo. Freqüentemente isto pode ser sentido como poderosos motores ou geradores continuamente pulsando e irradiando energia. Um fluxo interminável de formas celulares e cores passa como raios. Os processos biológicos interiores podem também ser ouvidos com chiados e barulhos de crepitação e trituração característicos. Novamente a pessoa deve resistir à tentação de rotular e controlar esses processos. Nesse ponto você está ligado(a) a áreas do sistema nervoso que são inacessíveis à percepção rotineira. Você não pode arrastar seu ego para dentro dos processos moleculares da vida. Esses processos são um bilhão de anos mais velhos que a mente conceitual erudita.
Uma outra fase típica e mais compensadora do Primeiro bardo envolve o movimento de energia extática sentido na espinha. A base da espinha parece estar derretendo ou pegando fogo. Se a pessoa puder manter-se calma e concentrada, a energia será sentida como se fluísse para cima. Os adeptos do tantra devotam décadas de mediação concentrada para liberar essa energia extática que chamam de Kundalini, a Força da Serpente. Permite-se que as energias subam através de vários centros ganglionares (chakras) até o cérebro, onde são sentidas como um ardor no fundo do crânio. Essas sensações não são desagradáveis para a pessoa preparada mas, pelo contrário, são acompanhadas pelos mais intensos sentimentos de alegria e iluminação. Indivíduos mal-preparados podem interpretar a experiência em termos patológicos e tentar controlá-la, normalmente com resultados desagradáveis. [O professor R. C. Zaehner, que como estudante oriental e “expert” em misticismo deve saber mais sobre o assunto, publicou um relato sobre como esta experiência de primeira classe pode ser perdida e distorcida com queixumes hipocondríacos pelos não-educados.
Senti algo curioso no meu corpo, que me fez lembrar do que o Sr. Custance descreve como um ‘formigamento na base da espinha’, que, de acordo com ele, geralmente precede um ataque psicótico. Foi bem assim. Na Broad Walk esta sensação ocorreu de novo e de novo até que o clímax da experiência foi alcançado . Eu não gostei dela, absolutamente.” (R. C. Zaehner: Misticism, Sacred and Profane. Oxford University Press, 1957, p. 214).]
Se os indivíduos falham em reconhecer o fluxo corrente dos fenômenos do Primeiro Bardo, a libertação do ego é perdida. A pessoa se vê retornando às atividades mentais. Nesse ponto ela deveria tentar se lembrar das instruções ou ser lembrada delas, e um segundo contato com esses processos poderia ser feito.
O segundo estágio é menos intenso. Uma bola quicando alcança a maior altura no primeiro salto; o segundo quique é menor, e assim vai até que a bola volte ao repouso. A consciência na ego-perda é similar a isto. Seu primeiro salto espiritual, ao deixar o corpo-ego, é o mais alto; o próximo é mais baixo. Então a força do carma (isto é, dos jogos passados), se ergue e diferentes formas de realidades exteriores são experimentadas. Finalmente, a força do carma tendo se esgotado, a consciência retorna ao “normal”. As rotinas são retomadas e assim ocorre o renascimento.
O primeiro êxtase normalmente termina com um flashback momentâneo para a condição do ego. Este retorno pode ser feliz ou triste, cheio de amor ou de suspeitas, de medo ou de coragem, dependendo da personalidade, da preparação e do cenário.
Este flashback do ego-jogo é acompanhado por uma preocupação com a identidade. “Quem sou eu agora? Estou morto(a) ou não-morto(a)? O que está a acontecer?” Você não consegue determinar. Vê o que o cerca e a seus como costumava fazer antes. Há uma sensitividade penetrante. Mas você está em outro nível. A compreensão do seu ego não é mais tão segura quanto antes.
As alucinações e visões cármicas ainda não começaram. Nem as aparições atemorizantes nem as visões paradisíacas começaram ainda. Este é um período mais prenhe e sensitivo. O saldo da experiência pode ser levado para um lado ou para outro dependendo da preparação e do clima emocional.
Se você tem experiência na alteração da consciência ou se é uma pessoa naturalmente introvertida, lembre-se da situação e do plano. Fique calmo(a) e deixe que a experiência o(a) leve aonde ela quiser. Você provavelmente experienciará o êxtase da iluminação; ou pode derivar em esclarecimentos estéticos, filosóficos ou interpessoais. Não segure: deixe o rio levá-lo(a).
A pessoa experiente está normalmente além da dependência do cenário. Ela pode desligar-se da pressão exterior e retornar à iluminação. Uma pessoa extrovertida, dependente de jogos sociais e situações exteriores pode, no entanto, ficar prazerosamente distraída (cores, sons, pessoas). Se você antecipar a distração do extrovertido e quiser manter um estado de êxtase de não-jogos, então lembre-se de seguir as seguintes instruções: não se distraia, tente se concentrar numa personalidade contemplativa ideal, por exemplo o Buda, Cristo, Sócrates, Ramakrishna, Einstein, Hermann Hesse ou Lao Tsé: siga o seu modelo como se ele fosse um ser com um corpo físico esperando por você. Junte-se a ele.
Se não obtiver sucesso com isso, não se aflija nem pense nisso. Talvez você não tenha um ideal místico ou transcendental. Isto significa que seus limites conceituais estão dentro de jogos exteriores. Agora que você sabe o que é a experiência mística, pode se preparar para a próxima vez. Você perdeu o fluxo livre-de-conteúdo e agora deve estar pronto(a) para mergulhar na excitante confrontação com a realidade externa. No Segundo bardo você pode experienciar profundamente as revelações de jogos.
Acabamos de antecipar as reações do naturalmente misticamente introvertido, da pessoa experiente e do extrovertido. Agora vamos nos voltar para o novato que demonstra confusão no estágio inicial da seqüência. O melhor procedimento é sinalizar confiança e mais nada. Teremos lido este manual e teremos alguma orientação. Deixe-o(a) em paz e ele(a) provavelmente mergulhará em seu pânico e o dominará. Se ele(a) indicar que deseja orientação, repita as instruções. Diga a ele(a) o que está acontecendo. Lembre-o da fase do processo em que ele(a) está. Inste-o a relaxar a luta do seu ego e a voltar ao contato com a Serena Luz.
Preparação e orientação deste tipo permitirão a muitos alcançar o estado iluminado, que não seria de outra forma por eles reconhecido.
Neste ponto, é necessário dar uma palavra como um alerta benigno. Ler este manual é extremamente útil, mas nenhuma palavra é capaz de comunicar a experiência. Você ficará surpreendido(a), espantado(a) e deliciado(a). Uma pessoa pode Ter ouvido uma descrição detalhada da arte de nadar e ainda assim nunca Ter tido a oportunidade de nadar. Igualmente, há aqueles que tentaram aprender a teoria da experiência da ego-perda, e nunca a aplicaram. Eles não conseguem manter intacta a continuidade da consciência, ficam desnorteados com a mudança de condição; falham em manter o êxtase místico; falham em tirar vantagem da oportunidade a não ser com a ajuda e a direção de um guia. Mesmo com tudo o que um guia pode fazer, eles ordinariamente, devido ao carma ruim (heavy ego games), falham em reconhecer a libertação. Mas isto não é motivo para preocupações. Nas pior das hipóteses, eles flutuam de volta à praia. Ninguém se afogou, e a maioria dos que fizeram a viagem ficaram ansiosos para repeti-la.
Mesmo aqueles que já se familiarizaram com os mapas e já tiveram previamente uma experiência de iluminação podem se achar em cenários nos quais o comportamento marcado por jogos intensos (heavy games) da parte dos outros os forcem ao contato com a realidade externa. Se isso acontecer, lembre-se das instruções. A pessoa que domina esse princípio pode bloquear o exterior. Quem dominou o controle da consciência fica independente do cenário.
Novamente há aqueles que, embora tenham tido sucesso anteriormente, podem Ter trazido consigo à sessão ego-jogos. Podem querer fazer com que alguém mais tenha um tipo particular de experiência. Podem estar atrás de algum objetivo próprio. Podem estar nutrindo sentimentos negativos, competitivos em relação a alguém do grupo. Se isso acontecer, lembre-se das instruções. Lembre-se da unidade de todos os seres. Desfaça-se de sua programação egoísta e flutue de volta à radiante beatitude do em-unicidade.
Se você alcançar a Serena Luz imediatamente e mantê-la, chuchu beleza! Mas se não, se você flutuou de volta às preocupações da realidade, lembrando-se destas instruções você deve ser capaz de recuperar o que os tibetanos chamam de Serena Luz Secundária.
Enquanto neste nível secundário, um interessante diálogo ocorre entre a transcendência pura e a consciência que esta visão extática lhe produz. A primeira irradiação não conhece nenhum eu, nenhum conceito. A experiência secundária envolve um certo estado de lucidez conceitual. O self paira num terreno transcendente do qual é normalmente excluído. Se as instruções forem lembradas, a realidade exterior não se intrometerá. Mas o envio de mensagens entre a divindade livre-de-ego e a individualidade lúcida de não-jogos produz um êxtase intelectual que desafia a descrição. A leitura filosófica de antes vai subitamente tomar um significado vivo!
Assim, no estágio secundário do Primeiro Bardo, são possíveis ambas as experiências do não-eu místico e do eu místico.
Depois de Ter experimentado esses dois estágios, você pode querer fazer essa distinção intelectual. Somos confrontados aqui com um dos mais antigos debates da filosofia oriental: É melhor ser parte do açúcar ou provar do açúcar? Controvérsias teológicas e suas dualidades ficam longe da experiência. Uma vez que o misticismo experimental tenha se tornado possível por meio de drogas que expandem a consciência, você pode Ter tido a sorte de Ter experimentado o vai-e-vem entre os dois estados. Você pode ser sortudo o bastante para conhecer o que os monges acadêmicos podiam apenas conjeturar.
Termino o Primeiro Bardo, o Período da Ego-perda e do Êxtase de Não-Jogos.
O LIVRO TIBETANO DOS MORTOS.Tradução automática,via ferramentas de idiomas.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Meu Anjo da Morte.


Eu o vejo de cócoras,

ouvindo com atenção suprema os meus soluços e passos,

pressentindo a minha presença com o seu poderoso olfato de serpente.

O cabelo longo, escorrido nos ombros, delineia-lhe o rosto caboclo,

deixando exposta suas sobrancelhas grandes e lisas.

Seus olhos, no entanto nada vêem, de nada lhes serve.

Apenas, com um negror melancólico,

adorna uma face enrijecida pela insensibilidade.

Vez por outra o seu odor de flores murchas, invade minhas narinas,

denunciando a sua vigilância que se oniscientiza à minha volta,

pelo farfalhar de suas hábeis asas.

Não o temo, apesar de saber que carrega no silêncio de seus lábios

o segredo da minha hora.

No entanto em certos momentos me revolto com a sua presença constante

refletida nos quadros presos da parede sem vida,

parecendo querer insinuar a perpetuação dos meus ideais.

Meu anjo é assim.

Às vezes cansa-me com as suas mudas mensagens,

e em momentos de profunda angústia, sabendo-se querido,

escapa-me com espetacular desenvoltura,

indo postar-se à minha frente com um sorriso irônico,

como a zombar da minha impaciência.
Isa Cavalcante.

Rosas.


Meu campo está cheio de rosas em botões.

E espinhos existem mais do que as pedras no chão.

Não tenho como colher as rosas,

Pois meus pés não agüentam

A dor das pontas das pedras.

E mesmo se suportasse,

Eu não poderia pegar as rosas.

Os espinhos são grandes, afiados

E estão por toda parte

Mesmo sem exitar aos espinhos em minha carne,

Colheria somente botões.

Não adiantaria deixá-las na roseira,

Pois a gelidade da noite de ventos tempestuosos

Quebrariam as rosas e nunca desabrochariam,

E ali morreriam

E vão secar com o sol tórrido

Do dia abafado.

E nunca mais existirão rosas de nenhuma cor,

Pois só ali, naquela parte do meu coração

Elas foram cultivadas.

Os sofrimentos e as angústias

Fizeram a vida

Querer se extinguir em mim.

Então, não preciso mais viver,

E nem as rosas dentro de mim.
Cláudia E. W. Rigo.

Sopro das Trevas.


A morte bate a porta dos meus sonhos todos os dias

Sinto seus dedos frios me tocar

E o sopro do seu chamado em meus ouvidos

Convidando-me para com ela partir

Os meus pesadelos eternos

Dizem-me sempre

Qual o caminho certo a seguir.



Minhas lágrimas sanguíneas

Minhas gotas divinas

De sangue derramado

Doce e desejado.

Minha vida morta

Minha vitória sem glória

Meus pensamentos que vivem

Em função da morte e do passado.



Espera constante

Por um pesadelo distante

Que nunca chega próximo da realidade

Que sempre negam as verdades

Escondidas na pedra de gelo

Que tenho no lugar do coração

Que nunca sonham por mim

Que deixam que eu chore assim

Que nunca me dão perdão.



Gritos abafados

No silêncio da noite

Na véspera da morte

Que vem do sul, do norte;

De um inferno em chamas

De uma glória infâmia

De viver e ao mesmo tempo morrer

Gritos que soam como suspiros

Que suspiram esperando e desejando

Um sopro que venha das trevas,

A morte digna pela qual se espera.
Daniely Melo.

Vampire: The Requiem.


Vampire: The Requiem é um jogo da série Novo Mundo das Trevas da White Wolf, Inc., que inclui: Werewolf: The Forsaken, Mage: The Awakening e Promethean: The Created.
Nele, os jogadores interpretam pessoas transformadas em vampiros e sua interação com um mundo onde o sobrenatural é o elemento dominante. Os personagens (jogadores e NPC's) são divididos em clãs e coalizões. Os clãs são como espécies de famílias, enquanto as coalizões são facções semi-políticas e semi-religiosas às quais os personagens podem se filiar.
O livro em si é detalhado, porém com um visual limpo e impresso em três cores (branco, preto e vermelho-sangue). É dividido na maneira clássica da White Wolf, explicando o cenário, os covenants, clãs, disciplinas, narração e antagonistas. No final temos uma breve descrição de Nova Orleans, cidade-modelo para o jogo (a anterior era Chicago) e as fichas dos personagens mais importantes da cidade.
As regras estão praticamente todas no livro básico do Mundo das Trevas, apenas algumas para a conversão de personagens humanos são explicadas, o que deixa muito mais espaço para cenário. A idéia é criar um personagem humano primeiro e, após isso, adicionar o template de vampiro, que soma apenas 1 ponto de Atributo (relacionado ao Clã) e três pontos para comprar Disciplinas.
O lançamento de Vampire: The Requiem se deu ao mesmo tempo que o módulo básico, que é o suporte para as regras e dá a contextualização do Novo Mundo das Trevas. O livro, apesar de mostrar apenas como fazer personagens humanos e ser o suporte de regras para que ninguém acabe comprando vários livros básicos da linha sempre com páginas iguais ensinando o sistema, surpreende por ser carregado de cenário.
O novo cenário traz alguns elementos de velhos RPGs de horror como Kult, Chill e Call of Cthulhu, e para quem gosta de algo de horror com qualidade é muito bom e divertido ver que o foco do livro não é "A Política e a Sociedade Sobrenatural: As Relações Entre Criaturas do Outro Mundo", se opondo ao que aconteceu com o tempo na antiga linha do Mundo das Trevas. Embora seja um jogo completo, para jogar Vampire: The Requiem, é necessário o livro básico do Novo Mundo das Trevas.
Quando um personagem é "abraçado" (transformado em Vampiro), seu sangue adquire as mesmas características do sangue de quem o abraçou. Grupos de vampiros com as mesmas características de sangue são chamados de clãs. Cada clã caracteriza um dos arquétipos vampíricos.
Os Daeva são os predadores sexuais, evocando a imagem dos vampiros que permeam a sociedade mortal, assim com Lestat em Entrevista com o Vampiro de Anne Rice;
Os Gangrel são os caçadores solitários e brutais, assim como o Drácula dos filmes contemporâneos.
Os Mekhet são ocultistas, vampiros que se escondem nas sombras e reúnem lendas e conhecimentos ocultos, enquanto manipulam os outros à distância;
Os Nosferatu são os monstros desfigurados de algumas lendas (como o Conde Orlok, do filme Nosferatu de F. W. Murnau);
E os Ventrue representam os aristocratas, os Senhores da Noite, como Drácula de Bram Stoker.
Dentro desses clãs existem vários sub-clãs, chamados bloodlines (linhagens). Os cinco clãs são:
Emotivos e sensuais, os Devas cultivam tanto desejo entre suas presas e perfeição física entre si. Tanto predadores sexuais quanto hedonistas sensuais compreendem as posições do Clã.
Os Senhores Succubus procuram por uma certa combinação de charme, cultura, sedução, propósito, paixão e beleza física. Muitos Devas Abraçam mortais por quem eles tenham ficado ligados, mas esta ligação quase que invariavelmente prova-se falsa, um misto de luxúria e simples fome. Poucos relacionamentos são tão eufóricas quanto aquelas entre um Daeva e uma progênie recém Abraçada, e poucas tornam-se frias tão rapidamente.
Apelido: Succubi (Incubbi como termo masculino)
Disciplinas do Clã: Daevas são mestres da Majestade, a Disciplina vampírica da luxúria e do desejo. O sangue deles também favorece a graça inumana e o poder das Disciplinas Celeridade e Ímpeto.
Fraqueza: O sangue amaldiçoado dos Daeva os escravizam à paixões mais sombrias. Sempre que um Daeva tem uma oportunidade de indulgir-se em seu Vício mas não o faz, ele perde dois pontos de Força de Vontade.
Gangrel.
Primitivos e selvagens, os Gangrel caçam nas regiões remotas e não mostram misericórdia. Gangrel podem vir de quase qualquer vida anterior, mas todos os Selvagens possuem um forte instinto de sobrevivência. Os Gangrel abominam fraqueza pessoal e admiram aqueles cujas maiores qualidades são aquelas inerentes - conhecimento de si mesmo, autoconfiança e independência.
Apelido: Selvagens.
Disciplinas do Clã: Mestres da Disciplina vampírica da Metamorfose, os Gangrel permitem que suas naturezas bestiais afetem suas próprias formas, tornando-se lobos, morcegos ou a própria neblina do ar noturno. O sangue deles também fornece uma aptidão com seus irmãos bestiais na forma da Disciplina do Animalismo, e a rijeza sobrenatural da Resiliência.
Fraqueza: O sangue dos Gangrel os amaldiçoa com um poderoso instinto bestial que às vezes dificulta pensamentos claros. Com relação as paradas de dados baseadas nos atributos Inteligência e Raciocínio, não se aplica a regra da exlosão do 10 e todos os 1s obtidos no teste serão descontados dos sucessos.
Mekhet.
Reservados e sábios, os Mekhet são mestres em todas as coisas escondidas. Eles caçam a partir das sombras, rapinando secretamente vítimas e desvendando segredos que ninguém deveria saber. A única coisa em comum ligando os Mekhet é uma afinidade pela própria noite ou alguma escuridão metafórica, como uma alma em sofrimento ou uma sede por conhecimento.
Os Mekhet são ensinados intensivamente por seus Senhores de modo a compreender a natureza do Clã e os seus deveres. Alguns preferem deixar com que suas progênies descubram o mundo dos Membros sozinhos, mas nem mesmo esses Senhores se afastam tanto que eles não possam observar o progresso de um protegido.
Apelido: Sombras.
Disciplinas do Clã: Os Mekhet são mestres em Auspícios, a Disciplina da percepção sobrenatural, ganhando uma instrospecção que os tornam particularmente perigosos aos Membros. Enquanto que eles revelam os segredos alheios, os Mekhet mantém os seus próprios, e eles possuem uma afinidade pela Ofuscação, a Disciplina da ocultação. Finalmente, eles movem-se com a cegante velocidade da Celeridade, sendo tão rápidos quanto letais.
Fraqueza: Enquanto criaturas da escuridão, os Mekhet sofrem certas limitações da existência vampírica com mais intensidade que os demais Membros. Sempre que os Mekhet sofrem dano devido à luz solar ou fogo, eles recebem um ponto adicional de dano agravado daquela fonte.
Nosferatu.
Furtivos e perturbadores, os Nosferatu portam o próprio medo como a lâmina de um caçador. A sua própria presença enerva as pessoas, seja pela feiura física, fedor asqueroso ou por uma individual e nebulosa malícia. Os Nosferatu vêm dos excluídos da sociedade, como os sem-teto, os doentes mentais e os criminosos. As Assombrações tendem a ser indivíduos independentes que de fato lidam com suas novas condições.
Apelido: Assombrações.
Disciplinas do Clã: Os Nosferatu são mestres do Pesadelo, a Disciplina Vampírica do terror e fobia. A fraqueza deles faz com que eles tendem a contar com a Ofuscação para anular suas aparências quando necessário. Seus corpos são também capazes de utilizar Ímpeto, uma força sobrenatural fornecida pelo sangue.
Fraqueza: Os Nosferatu são amaldiçoados a serem párias sociais, e a própria presença deles é desconfortável para os demais. Isso se manifesta em uma grande gama de maneiras, indo da evidente deformidade física até uma indefinível aura de ameaça, passando por coisas como um odor de canil ou a postura inegável de um predador. No que diz respeito às paradas de dados baseadas nos Atributos Presença ou Manipulação em situações sociais, a regra do 10-de-novo não se aplica.
Ventrue.
Régios e aristocráticos, os Ventrue são os implacáveis senhores da Danse Macabre. Os Ventrue quase sempre vêm do mais próximo que o mundo moderno pode chegar à nobreza feudal: os postos de profissionais, a nata da alta sociedade, os herdeiros de fortunas tradicionais ou dinastias políticas. A medida que novas profissões e novas formas de poder surgem, os Ventrue os trazem para dentro do Clã. Por quaisquer meios necessários, os Ventrue erguem-se ao topo da pilha de mortos-vivos.
Apelido: Lordes (Ladys como termo feminino)
Disciplinas do Clã: Os Ventrue comandam a Dominação, a Disciplina de subjugação mental. A sua força não é diminuída em animais, uma vez que eles manifestam-se através do poder do Animalismo sobre criaturas inferiores. E da mesma forma que Lordes devem ser resistentes o suficiente para resisteir desafiantes, seus corpos mortos-vivos são abençoados com Resiliência.
Fraqueza: O poder corrompe, e entre os Ventrue, até mesmo a sede pelo poder pode corroer os padrões morais de um Membro ambicioso. Com o tempo, a mente de um Ventrue torna-se frágil. Assim sendo, personagens Ventrue são mais suscetíveis a ganhar perturbações quando eles sofrem uma perda de Humanidade.
Coalizões.
Coalizões são as facções político/religiosas dos Vampiros. As que os personagens podem adotar são as seguintes:
Ordo Dracul.
A Ordo Dracul alega seguir os ensinamentos de Vlad Tepes, o Drácula. Drácula alegava não ter senhor, sendo atingido diretamente com a maldição do vampirismo por Deus, devido a seu abuso da fé. Os Dragões, como são conhecidos, representam uma das mais jovens e maiores facções majoritárias da sociedade dos Amaldiçoados. Seu suposto fundador não é visto há mais de 100 anos, e a sua ausência é motivo para dúvidas e questionamentos de outros vampiros.
A Ordem ensina que nada é permanente, que mesmo o vampirismo pode ser superado. Os Dragões desenvolveram certos ritos sobrenaturais que amenizam o efeito da Maldição, chamados Espirais do Dragão. Apesar de não haver qualquer evidência de vampiros que escaparam à Maldição através dos ritos dos Dragões, as crenças da Ordem ainda atraem vampiros de todos os tipos e idades para as suas fileiras.
Todos são bem-vindos, de maneira que seu conhecimento e experiência da condição vampírica possam ser compartilhados. Essa reserva crescente de conhecimento é um dos objetivos dos Dragões - quanto mais eles conheceram a Maldição, melhor podem atuar contra ela.
Benefício: Membros da Ordo Dracul podem aprender as Espirais do Dragão. Espirais do Dragão são um conjunto de ritos que permitem aos vampiros superar certas partes da Maldição.
A Lancea Sanctum.
O Lancea Sanctum é espinha dorsal religiosa e moral dos Amaldiçoados, são os auto-intitulados padres e inquisidores dos condenados. Universalmente respeitados e temidos, esta convenção procura vigiar a existência religiosa dos Amaldiçoados. Acreditando que eles são o escolhidos de Deus, os Amaldiçoados do Lancea Sanctum seguem O Testamento de Longino, uma coleção de escritos feito pelo centurião que espetou Jesus Cristo com sua lança e foi transformado em vampiro. Os Santificados acreditam que sua transformação divina deu propósito para a existência vampírica. Existe uma tradução não-oficial desta bíblia vampiresca, que pode ser encontrada buscando o nome do livro traduzido, entre aspas.
O Lancea Sanctum procura converter aqueles que podem, e usam a conversão como uma alternativa para o conflito. Além disso , os Santificados, oferecem-se de guias espirituais como padres, Bispos ou Arcebispos que estão pertos dos Príncipes Invictus.
Benefício: Membros do Lancea Sanctum tem acesso a Disciplina especial: a Feitiçaria Tebana. Esta feitiçaria é um tipo de magia do sangue capaz de elevar as maldições Bíblicas para os Amaldiçoados.
O Invictus.
O Invictus é a coalizão da aristocracia dos Amaldiçoados. Uma organização elitista em sua essência, o Invictus prega que o poder é tudo e aqueles que o obtêm são os que mais o merecem: os mais hábeis, os mais ambiciosos e, sobretudo, os com maior capacidade de liderança.
O Invictus atrai mais anciões do que neófitos, e o covenant acredita que a idade e a experiência valem mais do que qualquer coisa que a juventude possa oferecer. O assim chamado Primeiro Estado afirma ter criado a maioria dos títulos e posições vigentes nas noites modernas, especialmente o título de Príncipe.
Eles claramente vêem as coisas nos termos da aristocracia e, como qualquer aristocracia, sofre com a desordem. Portanto, o Invictus claramente pensa em termos aristocráticos, e como qualquer outra aristocracia, sofre de desordem. Sendo assim, o Invictus se empenha em manter a ordem em meio aos Amaldiçoados e busca sustentar as leis dos vampiros em toda a sua extensão. O aspecto mais aterrador do Invictus é que o covenant pode estar certo: se eles não detiverem o poder da sociedade vampírica, quem o fará? Talvez a longa história de tirania do Invictus só exista porque é a única forma de governar os Amaldiçoados.
Benefício: Membros do Invictus tiram vantagem do seu grupo de amigos e dos recursos desse grupo como um todo. Isso permite aos jogadores de personagens do Invictus comprar os Méritos Rebanho, Mentor, Recursos e Lacaios por metade de experiência que jogadores de personagens de outros covenants.
Círculo da Anciã.
O Círculo é um reservado e místico grupo de amaldiçoados, defendem suas próprias convicções sobre a natureza vampírica e até mesmo sobre suas Disciplinas. Os chamados Acólitos acreditam que os vampiros fazem parte natural do mundo e podem aprender, crescer, e encontrar esclarecimentos em vez de regalar-se na angústia de culpa-opressiva dos outros grupos, que focam na penitência e contrição. Então, membros do Círculo da Anciã freqüentemente acham a si mesmo rejeitados como párias políticas e hereges das existência vampírica, especialmente pelos mais religiosos vampiros.
O Círculo acredita que criação é poder. Vampiros devem enfrentar sua condição estática e devem superar isto criando e cultivando tudo que eles podem. Acólitos também apreciam testar a si mesmos, acreditando que somente ao superar suas limitações físicas, mentais e espirituais eles podem se tornam algo mais que criaturas da noite. Esta convicção também pode levar a perseguição, como seus estranhos rituais de prova podem parecer selvagem e até mesmo profano para alguns amaldiçoados.
Benefícios: Membros do Círculo da Anciã podem aprender Cruác. Esta disciplina é uma forma de feitiçaria do sangue baseada em rituais pagãos e observâncias.
Movimento Carthiano.
O Movimento Carthiano é a mais moderna das coalizões vampíricos, que busca erradicar a tradição e criar um sistema mais igualitário de governo para os vampiros. Os Carthianos são repletos de idéias, inflamados e apaixonados por suas crenças de auto-governo para os vampiros. Poucos deles questionam o porquê do status quo atual durar tanto tempo. Ao invés disso, eles anseiam por desafiá-lo, tentando conseguir alguma mudança positiva no mundo sombrio dos vampiros.
O Movimento Carthiano é composto principalmente por neófitos que tendem a ver com desconfiança os anciões. Quanto mais velho um vampiro fica, mais ultrapassado e indiferente ele se torna a respeito do mundo ao seu redor. O Movimento tem tido sucesso em algumas áreas, entretanto, e tem tido apoio crescente ao ser paciente e fazer a politicagem necessária. A paixão e a unidade são as armas do Movimento Carthiano.
Benefício: Por serem uma rede de idealistas que compartilham recursos e informação, os Carthianos têm muito mais facilidade para obterem posições na sociedade mortal. Como resultado, os jogadores de personagens Carthianos podem adquirir os Méritos Aliados, Contatos, Refúgio e Rebanho gastando-se apenas metade pontos de experiência.

Uma das Teorias Dos vampiros.


Ela diz que Caim, ao matar seu irmão Abel, fora amaldiçoado por Deus, e condenado a caminhar eternamente por sobre a Terra, e disse também que Caim não poderia ser destruído por ninguém, e para isso carregaria um símbolo, o símbolo da imortalidade, revivido mais tarde pelo faraó egípcio Ankh que usava esse símbolo num cordão. Esse símbolo, depois de Ankh, passou a ser constantemente empregado na literatura egípcia. Pois então, Caim foi o primeiro Vampiro da humanidade, mas ele não precisava beber sangue, assim como nós, isso veio depois. Caim, em sua solidão, construiu uma cidade, batizada de "A Primeira Grande Cidade" e gerou três progênies, dando parte de seu sangue para eles. Estes vampiros de Segunda geração (Caim foi a primeira) tiveram que beber sangue mortal de tempos em tempos para manter vivo o poder do sangue de Caim. Esses três vampiros geraram mais sete vampiros, os de terceira geração, que precisaram beber sangue mortal com mais constância que os de segunda. Caim ordenou a todos que se parassem as procriações, pois realmente acreditava que isso era uma maldição. E assim foi, durante um grande tempo, até que um dia veio o Dilúvio que acabou com grande parte da "Primeira Grande Cidade" e, supõe-se, acabou também com os vampiros de segunda geração, já que não se tem nenhum registro histórico deles, a partir desse dia. Caim, acreditando que esse era um castigo de Deus, abandonou completamente a sociedade mortal, deixando os vampiros de terceira entregues a própria sorte. Estes, então, começaram a gerar outros vampiros, que consequentemente geraram outros, mas com mais dificuldade, uma vez que o sangue de Caim ia se afinando conforme as gerações iam passando, até que chegou a um ponto que o sangue vampírico não substituía mais o sangue mortal, e foi preciso retirar todo o sangue da pessoa que fosse pretendente a maldição, antes de dar-lhe o sangue Bestial. Hoje encontramos vampiros de até décima quinta geração, que por terem o sangue distante demais de Caim não podem passar a maldição adiante.
Outra teoria, com uma aceitação mínima, principalmente porque quase ninguém tem conhecimento dela, devido aos seus segredos terem se perdido no tempo. Eu só tive conhecimento dela através de um vampiro chamado Lestat, que imigrou certa vez para o Egito e adquiriu tais conhecimentos , não sei como.
Essa teoria conta que um rei e uma rainha egípcios, Einkil e Akasha, estudavam aparições de diabretes (Diabrete é o nome dado a almas más que permanecem na terra atentando-nos. No Egito, os egípcios acreditavam que as Diabretes eram almas de homens que foram enterrados sem o ritual de purificação.) em egípcios. Com os estudos, eles chegaram a conclusão que as diabretes entravam nos corpos de mortais apenas para poder fazer coisas que não podiam em seu estado místico, como por exemplo a sensação de tocar, de andar, de fazer sexo, etc... Até que certo dia, num desses estudos, membros da oposição ao rei entraram no quarto onde estavam Einkil, Akasha e algumas pessoas com as diabretes; e esfaquearam os reis, desejando-lhes a morte. As diabretes, aproveitando-se das feridas abertas, entraram nos corpos dos reis, fundindo-se com o sangue, experimentando assim um prazer nunca antes experimentado. As diabretes passaram a viver eternamente no sangue de Einkil e Akasha, concedendo-lhes a vida eterna. Mais tarde, descobrindo isso, a oposição resolveu tentar possuir a vida eterna e aprisionaram os reis para beber-lhes o sangue.
Com o tempo descobriram que precisavam retirar todo o sangue mortal de seus corpos antes, e foram Diabretizados também (a Diabrete passou para o seu sangue também). Essa hipótese foi encontrada nos pergaminhos de Tut-Ka-Mon, um sacerdote do faraó Mikerinus. O pergaminho foi encontrado e traduzido para grego por Platão e Herócredes. Daí, a versão em grego foi levada a França e traduzida para o francês por Frances Desailly Marché. Os vampiros egípcios tentaram destruir o segredo da imortalidade, e tiveram êxito. Os segredos morreriam junto com Marché, por volta de 1712, em Londres, quando o mesmo foi encontrado estripado (por causa de um ritual de purificação do sangue egípcio) e sem sangue nenhum no corpo. O crime, na época, fora atribuído a um homem conhecido por Jack, um famoso assassino conhecido pela polícia britânica.
Uma nota interessante que merece ser citada é que nas traduções Egípcio-Grego-Francês, o termo Diabretizar sofreu erros de tradução e foi Traduzido como Diablerizar, ato o qual ficou conhecido como o ato de beber sangue de outro vampiro, ou seja, passar o sangue com Diabrete, traduzido como Diablerie para outro.
Existem também teorias como a da Evolução, que diz que o vampiro é uma raça mutante, evolutiva do Homo Sapiens, classificada como Homo Sapiens Supremus; ou também a teoria de que o vampiro fora criado em laboratórios, em experiências envolvendo homens cobaias e morcegos, que acabou com a fusão de suas moléculas, este foi batizado de Homo Vampiricus.
Existem lendas de vampiros desde 125ac, quando ocoreu uma das principais estórias conhecidas de vampiros. Foi uma estória grega. Lendas sobre vampiros se originaram no oriente e viajaram para o ocidente através das rotas de seda para o Mediterrâneo. De lá, elas se espalharam por terras eslavas e pelas montanhas Capath. Os eslavos têm as lendas mais ricas sobre vampiros. Elas foram originariamente mais associadas com os iranianos e depois migraram para onde estão agora, por volta do oitavo século. Quase na mesma época em que chegaram, começou o processo de cristianização, e as lendas de vampiros sobreviveram como mitos.
Mais tarde, os ciganos migraram para o oeste pelo norte da Índia (onde também existem um certo número de lendas sobre vampiros), e seus mitos se confundiram com os mitos dos eslavos que já havia lá. Os ciganos chegaram na Transilvânia pouco tempo depois de Vlad Dracula nascer em 1431. O vampiro aqui era um fantasma de uma pessoa morta, que na maioria dos casos fora uma bruxa, um mago, ou um suicida.
Vampiros eram criaturas temidas, porque matavam pessoas ao mesmo tempo em que se pareciam com elas. A única diferença era que eles não possuíam sombra, nem se refletiam em espelhos. Além disso podiam mudar sua forma para a de um morcego, o que fazia deles difíceis de se pegar. Durante a luz do dia dormiam em seus caixões, para à noite beber sangue humano, já que os raios eram letais para eles. O método mais comum era, pela meia noite, voar por uma janela na forma de um morcego e morder a vítima no pescoço de forma que seu sangue fosse totalmente sugado.
Os vampiros não podiam entrar numa casa se não fossem convidados. Mas uma vez que eram poderiam retornar quando quisessem. Os vampiros eslavos não eram perigosos somente porque matavam pessoas, (muitos seres humanos também faziam isso) mas também porque suas vítimas, depois de morrerem, também se transformavam em vampiros. O lado mais forte do vampiro era que eles eram quase imortais. Apenas alguns ritos podiam matar um vampiro como: Transpassar seu coração com uma estaca, decaptá-lo ou queimar seu sangue. Esse tipo de vampiro também é o tipo mais conhecido, especialmente o Conde Drácula, de Bram Stoker."F.P.Wikepédia.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SALOMÃO E A RAINHA DE SABÁ.


ABíblia relata, em I Reis 10, o interesse da rainha em conhecer Salomão, pela sua fama de sábio, a fim de pô-lo à prova, por meio de enigmas, tendo chegado a Jerusalém com uma grande comitiva e uma cáfila carregada de mercadorias de valor, oriundas de seu país.
Quando ela ouviu sobre a sua sabedoria e viu o palácio, as iguarias, as vestes e os sacrifícios, no Templo, bendisse a Jeová, e deu ao rei cento e vinte talentos de ouro, muitas pedras preciosas e grande quantidade de especiarias, principalmente incenso.
Depois voltou para a sua terra de origem.
Salomão e a Rainha de Sabá
O Alcorão transmite-nos história semelhante, relatando, a visita e a sua submissão final a Alá, na sura A Formiga.
Sempre causou grande admiração, em todos os tempos, esta bela história, e talvez o bíblico Cântico dos Cânticos seja parcialmente a ela dedicado. Até São Tomás de Aquino dela falou, na Aurora Consurgens.
Qisas Al-arabiya.
A Abu Mohammed Ibn Abdallah Al Kisai, escritor egípcio do século XI, devemos grande parte da lenda da rainha, registrada nos Contos da Arábia.
O rei Amru deixou de cuidar da grande represa e dos canais que alimentavam a rede de irrigação do Jardim dos Dois Paraísos, os dois oásis plantados com milhares de tamareiras e outras árvores frutíferas, onde se situava a cidade de Kitor, significando incenso, também ali cultivado.
A represa desmoronou e Amru fugiu. O vizir Al Himiyari foi quem a reconstruiu, mas apaixonou-se pela djina Umaya, com quem teve uma filha chamada Belquis, criada pelos djins da areia e pelas gazelas do deserto.
Tornando-se adulta, Belquis voltou para Kitor, sendo desejada pelo novo rei Sharak ibn Sharaquil, o qual foi por ela decapitado, sendo coroada rainha.
Em Jerusalém
Em certa sexta feira, em Jerusalém, o anjo Gabriel deu um anel a Salomão, que controlava os quatro ventos, transformando-o em rei dos djins e todos eles. Guiados pelo arcanjo amigo, vieram para aquela cidade, onde o rei ordenou-lhes a construção de um palácio com mil colunas de mármore e lâmpadas de ouro, tendo salões de ônix, enfeitados com pérolas brancas e cintilantes pedras preciosas.
As djinas cuidavam da alimentação e dispunham os pratos ao longo de uma imensa mesa de um quilômetro e meio de comprimento. Elas haviam tecido, para rei-sábio, um tapete voador vermelho de um lado e verde do outro, com quarenta quilômetros de comprimento. Os pássaros acompanhavam-no, fazendo a sombra necessária, quando nele viajava.
O passáro falante
Em uma de suas viagens um raio de sol atingiu-o e ele sentiu a falta da poupa Hudhud, que ficara na cidade de Kitor, e que lhe daria a primeira notícia da existência de Belquis.
Salomão escreveu-lhe uma carta em que lhe pedia para render-se a ele, e a poupa Hudhud deixou-a cair sobre o colo da rainha, que a leu, mandando presentes. Se o rei fosse um falso profeta, seriam recebidos, se não, devolvidos.
Salomão continuou a exigir a sua submissão, mas resolveu ficar com um dos presentes, adivinhando o seu conteúdo, uma pérola furada por onde fez passar uma lagarta, arrastando um cordão de seda, que por isso ganhou uma amoreira, um indício de que já se sabia produzir o tecido, nesses recuados tempos.
Os três enigmas.
Mahram Belquis atravessou desertos e entrou em Jerusalém, pela porta de Benjamim, chegando a Salomão por um caminho ladeado de sinos de cristal.
No canto da sala do trono, ela viu atônita o trono que deixara, em Kitor, trancado pelas sete chaves de sete portas de ferro, trazido de lá por um túnel feito pelos djins.
O trono de Salomão tinha sete degraus, sendo de ouro, pedras preciosas, marfim e pérolas. Ao pisar o primeiro degrau, águias de bronze batiam as asas; o segundo, leões de latão, rugiam; o terceiro, touros dourados, bramiam e assim sucessivamente até o sétimo, onde pavões aspergiam perfumes sobre o rei. O trono era sustentado por quatro djins invisíveis, daí parecer flutuar.
Belquis propôs ao rei judeu três enigmas :
· Qual a água que não vem da terra, nem do céu? Ao que Salomão respondeu, o suor.
· Uma ventania corre através dos seus cimos. É agradável aos livres, vergonhoso para os pobres, honroso para os mortos, alegre aos pássaros e doloroso para os peixes. O que é? O linho, disse o rei.
· Uma mulher disse à sua filha: teu pai é meu pai, teu avô é meu pai, tu és minha filha e eu sou tua irmã. Quem sou? E mais uma vez veio a resposta: Uma das filhas de Lot.
Belquis sentiu-se vencida e baixou a cabeça. Salomão ofereceu-lhe hospitalidade e sua companhia.
As suas 300 esposas e 700 cocumbinas murmuraram, mas o duro olhar da rainha calou-as e as dispersou.
O piso de vidro.
Os djins não queriam o casamento dela com Salomão, pois perderiam definitivamente a sua liberdade, se nascesse um filho homem dessa união. O djin Zabwa, expressando este temor, informou a Salomão ser ela uma djina de pernas cabeludas e patas de asno.
Salomão então mandou fazer um piso de vidro em seus aposentos, sob o qual colocou água e peixes, e convidou Belquis para visitá-lo. Ao entrar, pensando ter de atravessar um riacho, ela levantou o vestido, aparecendo suas cabeludas pernas e seus pés, que embora mal conformados, não possuíam cascos. Os djins ficaram alegres, mas Salomão inventou um ungüento de cal e cinzas, para eliminar os indesejáveis pelos.
Ela acabou sendo convertida e se rendeu a Jeová, casando-se com Salomão, de quem teve um filho chamado Jeroboão de longos braços até os joelhos.
A sedução da Rainha
Dizem que Salomão aplicou o seguinte artifício para seduzir Belquis: convidou-a para um jantar, servindo-lhe pratos salgados e temperados e, fingindo suspeitas, pediu-lhe para jurar que nada tomaria de suas posses, pois se isto fizesse ele teria o direito de possuí-la.
Ao deitar colocou água em um recipiente em seu quarto. À noite Belquis teve sede e ao retirar a água, para saciá-la., foi interpelada por Salomão, que logo lhe alegou o trato.
O regresso
Belquis voltou para Kitor, no sul da Arábia, onde dizem que Salomão a visitava três vezes por mês, em seu tapete voador.
O verme e a estaca
Quando Salomão recebeu a visita do Anjo da Morte, o aniquilador Azrael, de milhares de olhos,este deixou o corpo do rei encostado a uma estaca, e um verme levou um ano para destruir a madeira, caindo o seu corpo ao chão e se transformando em pó. Por isso dizia-se que um pequeno verme havia destruído a opulência de Salomão.
Os djins ao saberem desta notícia abandonaram os trabalhos de Belquis e voltaram para os seus cantos escuros.
Belquis ainda viveu dezessete anos após a morte do rei.
O anel dos quatro ventos
Dado por Gabriel a Salomão, transformou-o no rei dos gênios. Dizem que em certo período de sua vida o rei teve este anel roubado, pelo djin Sakr, que ocupou o seu lugar, explicando-se, desta maneira, um período de politeísmo e de magia do seu reinado, quando perdeu o seu harém e os seus tesouros.
Salomão recuperaria o anel de dentro da barriga de um peixe, como em um velho conto de fadas.
A tradição copta.
Os coptas são cristãos que habitam a Etiópia e o Egito, desde os primeiros séculos do cristianismo. A tradição copta está no livro Kebra Nagast. Segundo ele, Belquis foi uma rainha de Aksum, chamada Makeda. Do casamento de Makeda com Salomão nasceu Menelik, que voltou a Jerusalém quando tinha vinte e dois anos, acompanhado pelo amigo Azirah.
Ali permaneceu por três anos, onde aprendeu a sabedoria, retornando para a Etiópia com a Arca da Aliança, obtida com a ajuda do Anjo do Senhor, talvez Gabriel.
Menelik iniciou uma dinastia que só terminou há poucos anos, com a derrubada do imperador Hailé Selassié, o Leão de Judá. Esta antiga tradição foi confirmada com a aceitação de milhares de judeus etíopes evacuados daquela região, para Israel.
O estado Sabeu
Grande império que um dia existiu, no sul da Arábia, abrangendo trechos do Hadramaut, Aden e Yemem. A rainha Mahram Belquis teria governado este reino, em alguma época.
Recentes descobertas arqueológicas mostram a existência da grande represa de Marib e do Jardim ou Oásis Norte e Sul, citados no Alcorão, que armazenavam as águas do Wadi Adana, irrigando, através de sua rede de canais, mais de 9.600 hectares de terras férteis plantadas de árvores frutíferas, tamareiras e árvores de incenso, um verdadeiro paraíso. Com a destruição da represa, os oásis foram cobertos por 30 metros de aluvião. Seria ele o local dos Jardins do Éden ou do Aden e do Dilúvio?.
O verdadeiro nome da Rainha de Sabá.
As histórias acima contadas, umas estão na Bíblia, outras, no Alcorão, algumas nos Contos Árabes, e muitas, no Kitab al Tijan (O Livro das Coroas) de Wahb ibn Munnabih, onde ele registrou o nome completo da rainha: Belquis bent Sharahil ibn Dhu Jadan ibn Ayli Sharh ibn al Haith ibn Qais ibn Sayfi ibn Saba ibn Yashjub ibn Yacub ibn Qahtan, a longa lista de seus ancestrais, que governaram Marib.
Sabá/Lilith
O Zoa considerou a rainha de Sabá uma djina, um demônio feminino do deserto, sendo ela por isso ligada a Lili. Na realidade Sabá seria o arquétipo feminino ligado às mulheres independentes e de comportamento totalmente inaceitável, no tempo do Velho Testamento.
As tradições judaicas sempre foram contrárias a ela, pois representava a mulher estrangeira, de outra cultura, em competição com a mulher nativa, capaz de transmitir aos filhos as tradições venerandas. Contudo Sabá foi atraída pelo seu arquétipo masculino similar de Samael, representado por Salomão.
Esta concorrência entre a mulher estrangeira e a nativa sempre foi uma constante nas tradições arcaicas, daí as crianças terem de ser protegidas contra os seus malefícios.
Sabá também pode corresponder a Istar, a deusa da fertilidade dos povos semitas do fértil crescente, amoritas, cananeus, babilônios, arameus, judeus e assírios, entre outros, com um panteon de deuses da natureza, em que as primícias e os primogênitos eram queimados, em seu louvor. Seria ainda uma forma de Isis, a pomba negra egípcia, cultuada com ritos da fertilidade em vários pontos do Oriente.
Hoje podemos melhor entender a figura da rainha de Sabá, personificando essa mulher estrangeira capaz de interferir, na sucessão israelita, através da sua beleza, a madrasta cruel eliminadora dos enteados, mandada de volta para a Arábia ou Abissínia, com o seu herdeiro, como um dia Agar também o foi.
Antônio José Souto Loureiro.