contos sol e lua

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sábado, 16 de junho de 2012

A ética e o místico.


"Somos todos iguais, sejam quais forem nossas diferenças na cor da pele, na nossa aparência exterior e na nossa constituição física."

Tenzin Gyatso, o 14° Dalai Lama, é um dos mais respeitados líderes religiosos do mundo. Há muitos anos prega a necessidade de uma revolução espiritual no planeta, que está cheio de sofrimento e dor. Nascido no nordeste do Tibete em 6 de julho de 1935, foi reconhecido aos dois anos como a reencarnação de seu predecessor - o 13° Dalai Lama - e, portanto, a encarnação de Avalokiteshvara ou Chenrezig, o Bodhisattva da Compaixão. Os Bodhisattvas são seres iluminados que postergaram seu próprio nirvana, preferindo renascer para servir a humanidade.

Em 1950, quando tinha 15 anos, o exército chinês invadiu o Tibete, que foi obrigado a aceitar aquele poder político. Durante nove anos, tentou negociar a paz com Mao Tse-tung e outros líderes até que um levante no Tibete resultou na ameaça chinesa de bombardear seu palácio de verão. Para salvar o edifício tradicional e seus habitantes, foi forçado a fugir atravessando o Himalaia e indo para a índia, onde lhe foi garantido asilo político.

Estabelecendo seu quartel-general em Dharamsala, no estado de Himachal Pradesh, ao norte da índia, procurou lá, por meio de ensinamentos e instruções, preservar as tradições e a cultura do Tibete. Membros de seu governo no exílio continuaram a trabalhar de uma forma não violenta pelo futuro de sua terra natal.

"Seus ensinamentos são de interesse dos rosacruzes,
pois refletem muitos dos princípios que estes incorporam no seu dia-a-dia."

As atitudes positivas e negativas
Treinado como monge budista, seus ensinamentos, baseados no amor, na compaixão e na consideração pelos outros, são do interesse dos rosacruzes, pois refletem muitos dos princípios que estes incorporam no seu dia-a-dia. Inspirando uma revolução espiritual, o Dalai Lama tenta persuadir os povos do mundo a abandonarem os pensamentos negativos que causam infelicidade e dor e tentar treinar suas mentes a pensar positivamente.

Reconhece que muitos dos males presentes no mundo são produzidos pelo homem. Diariamente em nossas tevês ou em nossos jornais podemos ver exemplos deles nas guerras e conflitos. O Dalai Lama defende que problemas deveriam ser solucionados através do diálogo e da discussão e não pela violência e pela destruição. Deplora a existência de fronteiras nacionais e do nacionalismo, pois criam divisões entre "eles" e "nós". Em vez do uso da força, acredita que os problemas devem ser analisados e discutidos de todos os ângulos de tal forma que, através de diálogo e de um comprometimento com a não-violência, alguma forma de acordo possa ser alcançada.

De forma semelhante, assassinatos, violência, estupros e a dissolução de casamentos e a vida familiar também são causa­dos por atitudes negativas. O resultado é medo, desconfiança, sensação de abandono e auto-rejeição. Se dedicássemos nossas vidas a desenvolver pensamentos positivos, conseguiríamos expandir virtudes éticas como o amor, a compaixão, a tolerância e a prática da não-violência. Não deveríamos apenas acabar com os danos produzidos pelas atitudes negativas, mas deveríamos também tentar difundir valores éticos.

Apenas focalizar pensamentos positivos não basta; deveríamos também assumir a responsabilidade por nossas ações. Se redirecionássemos nossos pensamentos e emoções, não só seríamos capazes de lidar mais facilmente com o sofrimento, mas talvez pudéssemos evitar, antes de tudo, que este manifestasse. Já se sabe que, geralmente, aqueles que têm uma conduta eticamente positiva são mais felizes e mais satisfeitos à que aqueles que ignoram a ética.

A ética
Em que consiste a ética? Em sua essência, baseia-se no respeito pelos outros. Nossas vidas estão tão entrelaçadas que nossa própria existência depende dos outros e de sua cooperação, assim como daqueles muitos milhares que provêm tudo o que precisamos em nossa vida diária. De fato, quando nossos pensamentos e atos não prejudicam os outros, eles são éticos; quando prejudicam os outros, são anti-éticos.

Num certo sentido, nossas vidas são sustentadas pela grande busca da felicidade, pela esperança e no aguardo de que certos atos nos vão trazê-la. Não existem limites para o desejo de ser feliz e de evitar o sofrimento. Psicologicamente e emocionalmente, somos todos iguais, sejam quais forem nossas diferenças na cor da pele, na nossa aparência exterior e na nossa constituição física. Podemos todos partilhar essas emoções positivas que nos trazem paz, tranqüilidade, assim como as incômodas emoções negativas.

Para atingirmos esses objetivos unificadores, precisamos estabelecer um código de padrões éticos que seja aceito internacionalmente. Para isso, deveríamos tentar desenvolver um sentimento de empatia com relação aos outros, tentando compreender suas tristezas e partilhar seu sofrimento. Apreciar o bem-estar dos outros nos traz felicidade interior e paz mental e, desde que nossas mentes estejam suficientemente fortes, podemos nos manter calmos e serenos, mesmo quando envolvidos em circunstâncias difíceis.

"Tanto os problemas grandes quanto os pequenos precisam
ser solucionados por meio de diálogo e discussão."

No nosso mundo existem países pobres e países ricos. Mas o que é estranho é que muitas vezes aqueles que vivem em nações materialmente desenvolvidas, apesar da indústria e da ciência avançadas que têm, sofrem mais, pois muitas vezes não estão tão satisfeitos e felizes quanto aqueles que vivem em países menos desenvolvidos, onde as expectativas não são tão elevadas. Uma abundância de bens materiais significa que seus possuidores continuam a exigir cada vez mais, gerando as emoções destrutivas da ganância, da inveja e da maldade.

Quando a satisfação depende de questões materiais em vez da felicidade, há sempre a prevalência da ansiedade, do estresse, da confusão, da incerteza e da depressão, muitas vezes exigindo o uso diário de tranqüilizantes, de medicamentos e de comprimidos para dormir, na tentativa de remediar tudo isso.

A influência das religiões
Religiões como o Budismo, o Cristianismo, o Islamismo, o Hinduísmo, o judaísmo, o Siquismo e o Zoroastrismo estão alicerçadas no amor, na compaixão e no perdão; a maioria das religiões tem essas características. Com tanta variedade de países e comunidades que existem pelo mundo, existe uma diversidade inevitável de confissões religiosas, algumas das quais servem para determinadas pessoas e não para outras, dependendo em grande parte da cultura na qual o indivíduo foi criado. Nessa multiplicidade de confissões, no entanto, todos devem aprender a viver juntos em harmonia e tolerar as crenças dos outros.

À medida que a influência da religião declina há um aumento de confusão com relação a como conduzir nossas vidas de forma mais efetiva. Antigamente, a religião e a ética estavam fortemente entrelaçadas. Atualmente muitos acreditam que a ciência já provou que a religião estava errada. Quando não existe qualquer evidência final apresentada por qualquer autoridade espiritual, a própria moralidade se torna assunto de preferência pessoal. No passado, cientistas e filósofos sentiam uma forte necessidade de alicerces sólidos nos quais pudessem estabelecer leis imutáveis e verdades absolutas. Atualmente, esse tipo de pesquisa é considerado fútil. Quando, enfim, nada mais existe e a própria realidade é questionada, o resultado é o caos.

A revolução espiritual
Dada a ausência de base essencial da fé que tem levado a muita ansiedade, estresse, confusão, incerteza e depressão, o Dalai Lama, por meio de seus ensinamentos, enfatiza a necessidade de uma revolução espiritual. Defende que ela deva se basear em princípios éticos universalmente aceitos, em que pensamentos e atos estejam orientados para o bem dos outros através do desen­volvimento de compreensão e empatia.

Precisamos transformar nossos hábitos para nos tornamos compassivos e criarmos uma ética a partir da virtude. Precisamos praticar a não-violência com tolerância e firmeza. A tolerância paciente inibe o pensamento negativo. O desenvolvimento da paciência é um antídoto para a raiva, que é a maior ameaça para a paz interior e, conseqüentemente, para a felicidade. Com a disciplina ética aprendemos a compaixão, que quer dizer: preocupar-se com os outros e partilhar do sofrimento deles.

E, acima de tudo, devemos trabalhar no sentido de salvaguardar nosso meio ambiente. Até agora a Terra é nosso único lar. Os astronautas, em suas viagens à Lua e à estação espacial internacional, conseguem ver nosso planeta azul e percebê-lo como algo belo e frágil. Somos culpados pela poluição que o está destruindo e a incidência de inundações, terremotos, erupções vulcânicas e outros fenômenos naturais que temos atualmente por todo o mundo; são sinais de que á Terra está protestando contra a forma como a tratamos.

O Dalai Lama tem viajado por muitos lugares, se encontrado com os líderes mundiais: presidentes, papas, líderes políticos e religiosos, assim como pessoas pobres e humildes, com as quais partilha sua vida. Já falou em parlamentos, assembléias e encontros de todos os tipos, promovendo a paz através de sua doutrina de não-violência e enfatizando que tanto os problemas grandes quanto os pequenos precisam ser solucionados por meio de diálogo e discussão. Para ele, a guerra é uma modalidade antiquada de atividade humana.

O anseio pela paz
Nos últimos 40 anos tem havido uma mudança na opinião pública e um aumento no anseio por uma paz genuína. Com o firme entrelaçamento das economias nacionais, tem havido o surgimento de grupos de segurança, de tal forma que nos acostumamos a ver as tropas das Nações Unidas prontas para agirem como mantenedoras da paz em países distantes.

É um objetivo do Dalai Lama que, um dia, o mundo testemunhe o estabelecimento de um Conselho Mundial de Povos que transcenda em muito as atividades das atuais Nações Unidas. Tal instituição consistiria em grupos de indivíduos vindos de uma grande variedade de mundos: acadêmicos, artistas, bancários, ambientalistas, advogados, poetas, pensadores religiosos e escritores, assim como homens e mulheres comuns. Todos terão sua reputação baseada em sua integridade e dedicação a valores éticos e humanos fundamentais. Pelo fato de não ser investido de poder político, os pronunciamentos desse Conselho não teriam força legal, independência, suas deliberações simbolizariam a consciência do mundo. Esse Conselho representaria, portanto, uma autoridade moral suprema.

Muitos podem dizer que isso é impossível. No entanto, enquanto as pessoas mantiverem a tendência de criticarem e de culparem os outros por tudo o que acontece de errado, é claro que vale a pena apresentar idéias construtivas como esta. Dado o respeito que os seres humanos geralmente têm pela verdade, pela justiça, pela paz e pela liberdade, existe uma genuína possibilidade de se criar um mundo melhor e mais compassivo. O potencial existe.

Se, através do uso adequado da educação e da mídia, fosse possível implementar algumas sugestões apresentadas pelo Dalai Lama, poder-se-iam estabelecer condições para ajudar a promover seu sonho de paz duradoura no mundo.

"Com a disciplina ética, aprendemos a compaixão, que quer dizer.­
preocupar-se com os outros e partilhar do sofrimento deles ".

Dalai Lama citações

"Precisamos manter a nossa mente sob controle para mais tarde não nos
arrependermos de nossos erros, mesmo que os outros nada saibam a respeito".

"Quando morremos nada pode ser levado conosco, com exceção das sementes
lançadas por nosso trabalho e nosso conhecimento espiritual".

"As lições ensinadas por um professor com uma motivação positiva, cujas palavras
correspondem ao seu modo de agir, penetram mais fundo na alma do aluno".

"Quanto mais nos importamos com a felicidade de nossos semelhantes,
maior será o nosso próprio bem-estar".

"Eu tento tratar qualquer pessoa que conheço como um velho amigo.
Isto me traz uma experiência genuína de felicidade. É a pratica da compaixão".

"Uma conduta verdadeiramente misericordiosa para com os outros não se altera nem mesmo quando os outros se comportam mal. É praticando a compaixão sem limites que uma pessoa desenvolve o sentimento de responsabilidade pelos semelhantes, o desejo de ajudá-los a superar de forma eficaz seus sofrimentos".

"Se o seu coração é aberto e sincero, você naturalmente se sente satisfeito e confiante,
e não tem nenhuma razão para sentir medo dos outros".

"Quando somos capazes de reconhecer e perdoar atitudes impensadas que tivemos em nosso passado, nós nos fortalecemos e ficamos mais preparados para dar soluções construtivas aos problemas do presente".
"A preguiça interrompe o progresso de nossa prática espiritual. Podemos ser ludibriados por três formas de preguiça: a indolência, o desejo de adiar e a que se manifesta como sentimento de inferioridade, que é duvidar de nossa própria capacidade...".

"Fale de sua verdade, seja ela qual for, clara e objetivamente,
usando um tom de voz tranqüilo e agradável, liberto de qualquer preconceito ou hostilidade".

"Quer estejamos vivenciando um grande sofrimento, ou já o tenhamos experimentado,
não há razão para alimentarmos o sentimento de infelicidade".

"É quando padecemos os piores infortúnios que surgem as grandes oportunidades
de se fazer o bem a si e aos outros".
Autor: Dalai Lama.
Revista – Rosacruz, 4º trimestre 2007.

Procustes: o Ladrão de Almas.


Este mito conta a história dos caminhantes que viajavam para Atenas e eram atraídos por Procustes que lhes oferecia abrigo e comida. Uma vez deitados, Procustes amarrava-os e verificava se cabiam na cama, cortando-lhes as partes sobrantes, se fossem demasiado grandes, ou esticando-os dolorosamente, se fossem muito pequenos.

Esta narrativa constitui uma metáfora de uma parte da nossa vida. Atenas simboliza o centro dos nossos objectivos, o sucesso a atingir, o êxito que delineámos. Mas nós não somos os únicos autores desta construção mental, do que idealizámos para nós. Os nossos pais começaram desde cedo, estabelecendo patamares que gostariam de ver realizados, depositando em nós muitas expectativas. No entanto, na maior parte das vezes, o seu sonho ainda menino não tem em conta a nossa singularidade, as nossas possibilidades e tendências, traços que a Astrologia ensina a identificar. O bebé que recebem é uma projecção do ser ideal, distante do ser real.

Deste modo, Atenas é a metáfora de felicidade que varia consoante a cultura em que nascemos, o grupo social, a educação que recebemos, o sexo e a religião em que nos encontramos integrados. Atenas resulta, assim, de um triângulo nem sempre em equilíbrio: do meio envolvente, do que desejamos e do que os outros esperam de nós, aos níveis familiar, afectivo, profissional e social.

Desde que nascemos que nos empurram para Atenas, ensinando-nos, moldando-nos, castigando-nos ou premiando-nos, durante as sucessivas etapas da infância e da juventude. Primeiro a família, depois a escola, o grupo de amigos, vamo-nos moldando, sempre em função de padrões comportamentais, em busca de sucesso, de reconhecimento, de aprovação, de afecto.

Este processo de automutilação psíquica e de sacrifício desmedido acontece-nos amiúde e de forma inconsciente, muitas das vezes: quando a família nos crítica por determinadas atitudes ou devido a traços da nossa personalidade, quando o grupo nos rejeita por algum aspecto do nosso carácter, quando somos humilhados pela imagem física, quando sentimos que podemos ser abandonados por uma determinada atitude e tememos actuar, quando as memórias nos magoam e as amachucamos no fundo de nós, quando adoptamos posturas para não perdermos o emprego ou para subirmos na escala social. Desmembrando-nos ou esticando-nos, lá vamos a caminho de Atenas, aquela que projectámos, a terra prometida.

O processo de moldagem – através do castigo, do prémio, da humilhação, do medo, da culpa, do julgamento social, da dor – de adaptação à cama de Procustes é dolorosa porque vamos abdicando de partes de nós, esquecendo outras, adormecidas e jogadas para o fundo do nosso íntimo, sacrificando-nos até não podermos mais. Aprendemos, ainda que distorcidamente, que devemos tudo isso para não sermos abandonados, rejeitados, humilhados, para não deixarmos escapar a felicidade, o sucesso profissional, o amor.

Com o tempo, vamos perdendo a autenticidade, afastamo-nos da nossa natureza divina, amorosa e livre. Ficamos presos à cama de Procustes. Corremos sérios riscos de nos tornarmos inseguros, medrosos, ansiosos, amargos, intolerantes, perdendo pouco a pouco a autoestima. Vamo-nos isolando em terrenos íntimos, descrentes de que alguma vez atinjamos Atenas, mas, ainda assim, ela permanece como a terra prometida, até se tornar uma imagem distante, embaciada, difusa. Quando somos lançados em ciclos de crise profunda, somos convidados a descer ao mais íntimo de nós. Aí, olhamo-nos e vemo-nos a caminhar coxeando, porque mutilados; perdemos o equilíbrio, a segurança no andar. O sacrifício trouxe-nos um cansaço que secou a alma. Ao que sobrou de nós, juntam-se anos de medos, de culpas, de cansaços, de humilhações, de dor, de ressentimentos, de mágoas. Olhamos pedaços de nós que foram esquecidos, adiados, cortados e jogados fora.

As crises podem ser processos de recuperação do nosso ser, de retorno à nossa autenticidade, de (re)descoberta da nossa natureza divina. Só nós podemos iniciar a mudança, só nós podemos resgatar-nos do processo de mutilação e de sacrifício desmesurado a que concordámos em nos submeter. Só nós podemos libertar-nos do que nos oprime e restringe. Só nós podemos sonhar Atenas, de novo, em função do que somos, do que queremos, do que valorizamos, do que é autêntico e verdadeiro para nós, do que amamos. Só nós podemos devolver a nós próprios a inteireza perdida.
Maria Coriel.

O Perdão.


O perdão é uma prática que não devemos esquecer. Perdoar é científico. O perdão põe em movimento as forças dos planos invisíveis que nos rodeiam. Dissolve as formas de pensamento de ódio, vingança e má vontade, e impede a sua materialização numa sorte adversa. O rancor, a inveja e a vingança convertem-se frequentemente em algumas das condições mais desditosas da vida, especialmente se se permite manter pensamentos habituais nesse sentido.

O ódio é a força mais destrutiva do Universo e o rancor e a vingança são fases do ódio. A vingança é a mais mortal das paixões; com toda a certeza ela impede o êxito. Aconteça o que acontecer, não se deve manter rancor nem ceder a pensamentos de vingança.

Todos podem ter a certeza de que se alguém vos tratou com injustiça, a lei invisível lhe dará a retribuição que merece. A Bíblia diz: “Meus caros Irmãos, não façam justiça por vossas mãos. Deixem que seja a lei a castigar”. Não tome, pois, a vingança em suas mãos porque a única coisa que poderá conseguir é pôr em acção forças psicológicas que, mais tarde ou mais cedo, reagirão sobre si mesmo com grande desvantagem. A regra diz: “perdoai sempre. Jamais se perderá seja o que for, como erradamente se pode pensar”.

Isto traz à mente um princípio de vital interesse sobre o êxito: “fazer a vontade de outro, é o ácido para provar o amor”. A Bíblia reafirma-o quando diz: “Faz a paz com o teu adversário sem demora”.

A vontade própria é o amor próprio, e o amor próprio é uma fase do ódio para com os demais. A aplicação deste princípio é particularmente valiosa quando desejamos evitar pleitos e terminar os que se começaram. Naturalmente, não devemos fazer a vontade de outra pessoa se ela pratica uma injustiça para connosco ou para com outrem. Mas fazer sempre a nossa vontade pode obstruir o êxito que a cooperação amistosa estabelece.

sábado, 9 de junho de 2012

Literatura Egípcia.


Literatura do antigo Egito, registrada em inscrições ou escrita em papiros.

A antiga literatura egípcia se caracteriza por sua ampla diversidade de tipos e assuntos tratados. Utiliza recursos literários como o símil, a metáfora, a aliteração e o equívoco.

A literatura religiosa do antigo Egito inclui hinos aos deuses, escritos mágicos e mitológicos, e uma extensa coleção de textos funerários. O campo da literatura secular inclui histórias, literatura instrutiva conhecida como "textos de instrução", poemas, escritos biográficos e históricos e tratados científicos. Destacam-se também numerosos textos legais, administrativos e econômicos, assim como documentos privados em forma de cartas.

Império antigo.

A literatura mais antiga que se conserva procede do Império Antigo. As inscrições funerárias das pirâmides são hinos aos deuses e revelam rituais de oferendas. Muitas inscrições autobiográficas de tumbas privadas recordam a participação do defunto em acontecimentos históricos.

Primeiro período intermediário.

Desenvolve-se entre os anos 2255 e 2035 a.C. Deste período datam várias lamentações, entre elas, O diálogo de um homem com sua Ba ("alma"), é um debate sobre o suicídio; e outra, o exemplo mais antigo das canções que cantavam os harpistas nos banquetes funerários, aconselha: "Coma, beba e seja feliz, antes que seja tarde!".

Império médio.

Além dos textos dos sarcófagos, a literatura religiosa do Império Médio compreende numerosos hinos ao rei e a várias divindades — incluindo um longo hino ao Nilo —, e textos rituais. A sátira dos ofícios sublinhando aspectos positivos da vida fácil do escriba. Entre a narrativa destacam-se: Aventuras de Sinuhe,O relato do camponês eloqüente,Relato de um náufrago e A história do rei Khufu e os magos.

Império novo.

Dos textos funerários do Império Novo destaca-se, especialmente, o Livro dos mortos. A escrita dos hinos e inscrições históricas reais incrementaram-se tanto que os textos autobiográficos evoluiram para religiosos. Existem muitas histórias de personagens mitológicos como A disputa de Óros e Seth,A destruição da humanidade,O relato dos dois irmãos e A viagem de Unamon. Neste período, também existem várias coleções de poemas de amor.

Da era greco-romana conhecem-se novas composições religiosas, relatos históricos privados e reais, instruções, histórias e tratados científicos. Além Dos ensinamentos de Anjsesongy e Os ensinamentos do papiro Insinger, sobressai a famosa pedra de Rosetta, cuja inscrição em caracteres hieroglíficos, demóticos e gregos foi a chave para decifrar a escrita egípcia e, portanto, para a fundação da moderna egiptologia.wikepédia.

Nefertiti.


As origens familiares de Nefertiti são pouco claras. O seu nome significa "a mais Bela chegou", o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria uma origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni (império que existiu no que é hoje a região oriental da Turquia), filha do rei Tushratta. Sabe-se que durante o reinado de Amen-hotep III chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitanni para integrar o harém do rei, num gesto de amizade daquele império para com o Egito; Nefertiti pode ter sido uma dessas mulheres, que adotou um nome egípcio e os costumes do país.

Contudo, nos últimos tempos tem vingado a hipótese de Nefertiti ser egípcia, filha de Ay, alto funcionário egípcio responsável pelo corpo de carros de guerra que chegaria a ser faraó após a morte de Tutankhamon. Aye era irmão da rainha Tié, esposa principal do rei Amen-hotep III, o pai de Akhenaton; esta hipótese faria do marido de Nefertiti o seu primo. Sabe-se que a família de Aye era oriunda de Akhmin e que este tinha tido uma esposa que faleceu (provavelmente a mãe de Nefertiti durante o parto), tendo casado com a dama Tié.

De igual forma o nome Nefertiti, embora não fosse comum no Egito, tinha um alusão teológica relacionada com a deusa Hathor, sendo aplicado à esposa real durante a celebração da festa Sed do rei (uma festa celebrada quando este completava trinta anos de reinado).
Akhenaton e Nefertiti.

Não se sabe que idade teria Nefertiti quando casou com Amen-hotep (o futuro Akhenaton). A idade média de casamento para as mulheres no Antigo Egipto eram os treze anos e para os homens os dezoito. É provável que tenha casado com Amen-hotep pouco tempo antes deste se tornar rei.

O seu marido não estava destinado a ser rei. Devido à morte do herdeiro, o filho mais velho de Amen-hotep III, Tutmés, Amen-hotep ocupou o lugar destinado ao irmão. Alguns autores defendem uma co-regência entre Amen-hotep III e Amen-hotep IV, mas a questão está longe de ser pacífica no meio egiptológico. A prática das co-regência era uma forma do rei preparar uma sucessão sem problemas, associando um filho ao poder alguns anos da sua morte.

Nos primeiros anos do reinado de Amen-hotep começaram a preparar-se as mudanças religiosas que culminariam na doutrina chamada de "atonismo" (dado ao facto do deus Aton ocupar nela uma posição central). Amen-hotep ordenou a construção de quatro templos dedicados a Aton junto ao templo de Amon em Karnak, o que seria talvez uma tentativa por parte do faraó de fundir os cultos dos dois deuses. Num desses templos, de nome Hutbenben (Casa da pedra Benben), Nefertiti aparece representada como a única oficiante do culto, acompanhada de uma filha, Meketaton. Esta cena pode ser datada do quarto ano do reinado, o que é revelador da importância religiosa desempenhada pela rainha desde o início do reinado do seu esposo.

No ano quinto do reinado, Amen-hotep IV decidiu mudar o seu nome para Akhenaton, tendo Nefertiti colocado diante do seu nome de nascimento o nome Nefernefernuaton, "perfeita é a perfeição de Aton". Nefertiti passou a partir de então a ser representada com a coroa azul, em vez do toucado constituído por duas plumas e um disco solar, habitual nas rainhas egípcias.

Durante algum tempo defendeu-se que Akhenaton teria introduzido pela primeira vez na história do mundo o conceito do monoteísmo, impondo às classes sacerdotais e populares o conceito de um só deus, o deus do sol, onde o disco solar representava o deus sol que regia sobre tudo na face da terra. Hoje em dia porém considera-se que seria um henoteísmo exacerbado. Os muitos templos que celebravam os deuses tradicionais do Egito foram todos rededicados pelo rei ao novo deus por ele imposto. Especula-se que esta pequena revolução, entre outros possíveis objetivos, possa ter servido para consolidar e engrandecer ainda mais o poder e importância do faraó. Após o reinado de Akhenaton, o Egito antigo voltaria às suas práticas religiosas politeístas.

Akhenaton decidiu, igualmente a construção de uma nova capital para o Egito dedicada a Aton, que recebeu o nome de Akhetaton ("O Horizonte de Aton"). A cidade situava-se a meio caminho entre Tebas e Mênfis, sendo o lugar onde se encontram hoje as suas ruínas conhecido como Amarna. A cidade foi inaugurada no oitavo reinado de Akhenaton. Demorando apenas 3 anos para ficar pronta!

Um talatat (bloco de pedra) de Hermópolis (perto de Amarna) mostra a rainha Nefertiti a destruir o inimigo do Egito, personificado por mulheres prisioneiras, numa cena que até então tinha sido reservada aos reis desde os tempos da Paleta de Narmer.
Vida familiar
Estela que representa a família real. Museu Egípcio do Cairo.

Nefertiti teve seis filhas com Akhenaton: Meritaton, Meketaton, Ankhesenpaaton, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré. Pensa-se que as três primeiras filhas nasceram em Tebas antes do sexto ano de reinado e as três últimas em Akhetaton entre o sexto e o nono ano de reinado.

A segunda filha do casal, Meketaton, faleceu pouco antes do décimo segundo ano de reinado, como mostra uma cena que representa Akhenaton e Nefertiti a chorar diante do leito de morte da filha, essa filha teria morrido afogada. Durante o reinado de Akhenaton espalhou-se por todo Egypto uma peste, além de um surto de malária, conhecido na época como "doença mágica" que matou 3 filhas do casal, além de quase ceifar a vida de Tuthankamon.

A família real é representada em várias estelas em cena de intimidade familiar, com Nefertiti a amamentar uma filha ou com o casal a brincar com estas enquanto recebe os raios de Aton, que terminam em mãos com o símbolo do ankh. Trata-se de representações até então não presentes na arte egípcia.
Duas filhas de Nefertiti. Fragmento de uma pintura mural de Amarna c. 1360 a.C.Ashmolean Museum.

Um aspecto que gera alguma perplexidade nestas representações são os crânios alongados dos membros da família real. Akhenaton, por exemplo, surge em estátuas e relevos como um homem muito diferente da norma e representado fora dos padrões rígidos da cultura milenar da época, exibindo femininos e andróginos, com uma cintura fina, porém com quadris largos e coxas decididamente femininas. Além disso, em várias obras os seus seios são aparentes. A sua face também aparece alongada e com lábios carnudos, femininos e sensuais. Para alguns estas características indicariam que a família sofreria de síndrome de Marfan, enquanto que outros consideram tratar-se de uma mera tendência estética exagerada, que visava criar novos padrões estéticos à semelhança do que tinha acontecido no campo da religião, segundo historiadores, Akhenaton queria mostrar nessas esculturas que somos muito mais que imagens, e pedia para ser retratado dessas formas para escandalizar os co-cidadãos, e também pelo fato de querer mostrar que ele era o "Grande esposo real" de Nefertiti, que assumiu a direção do Egypto como co-regente, deixando Akhenaton livre para ser o sumo sacerdote de Aton, as únicas imagens reais de Akhenaton e Nefertiti foram esculpidas em suas tumbas mortuárias, onde mostram claramente que Nefertiti era a mulher mais bela da época e Akhenaton não tinha os traços dos egípcios conhecidos.

Com Kia, uma esposa secundária, Akhenaton teve dois filhos, Nebnefer, que morreu durante o surto de peste e Tutankhaton que depois que voltou á Tebas foi obrigado a mudar seu nome para Tuthankamon, pois depois da morte de Akhenaton, o Deus Aton, foi proscrito por alguns anos.Kia teria morrido no parto de Tutankhamon, e a mesma serviu apenas para dar a Akhenaton dois filhos homens para continuar o reinado, visto que Nefertiti não conseguia gerar filhos varões.
O desaparecimento da rainha
Busto inacabado de Nefertiti

Nefertiti acompanhou o seu marido lado a lado em seu reinado porém, a certa altura, no ano 12 do reinado de Amen-hotep ela esvanece e não é mais mencionada em qualquer obra comemorativa ou inscrições e parece ter sumido sem deixar quaisquer pistas.

Este desaparecimento foi interpretado inicialmente como uma queda da rainha, que teria deixado de ser a principal amada do faraó, preterida a favor de Kiya. Objectos da rainha encontrados num palácio situado no bairro norte de Amarna sustentam a visão de um afastamento. Hoje em dia considera-se que o mais provável foi o contrário: Kiya foi talvez afastada por uma Nefertiti ciumenta.

Uma hipótese que procura explicar o silêncio das fontes considera que Nefertiti mudou novamente de nome para Ankhetkheperuré Nefernefernuaton. Esta mudança estaria relacionada com a sua ascensão ao estatuto de co-regente. Ainda segundo a mesma hipótese quando Akhenaton faleceu Nefertiti mudou novamente de nome para Ankhetkheperuré Semenkharé e governou como faraó durante cerca de dois anos. Há ainda outra hipótese, como os sacerdotes de Amon não aceitavam o Deus Aton como único do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti pois a consideravam o braço direito de Akhenaton, sua morte teria desestabilizado o faraó que tinha em sua figura o apoio indiscutível para o Projeto do "Deus Único" representado por Aton, cerca de dois anos depois, Akhenaton veio a falecer de forma misteriosa, assim, sua filha primogênita com Nefertiti - Meritaton, foi elevada ao estatuto de "grande esposa real". O seu reinado foi curto, pois segundo historiadores, ela, seu marido e outros habitantes de Amarna na época foram assassinados e proscritos. Restando de sangue real apenas, Tuthankamon então com 9 anos e sua outra irmã Ankhesenamon com 11 anos.

Porém, muitos especialistas acreditam que esta pessoa foi um filho de Akhenaton. Já outros egiptólogos, como o professor David O'Oconnor da Universidade de Nova York (New York University), especulam: Poderia se tratar de amor entre iguais, entre dois homens, dadas as características singulares de Akhenaton?
O busto de Nefertiti


A 6 de Dezembro de 1912 foi encontrado em Amarna o famoso busto da rainha Nefertiti, por vezes também designado como o "busto de Berlim" em função de se encontrar na capital alemã. A descoberta foi da responsabilidade de uma equipe arqueológica da Sociedade Oriental Alemã (Deutsche Orient Gesellchaft) liderada por Ludwig Borchardt (1863-1938). A peça foi encontrada na zona residencial do bairro sul da cidade, na casa e oficina do escultor Tutmés.

O busto de Nefertiti mede 50 cm de altura, tratando-se de uma obra inacabada. A prova encontra-se no olho esquerdo da escultura, que não tem a córnea inscrustrada; Ludwig Borchardt julgou que esta se teria desprendido quando encontrou o busto, mas estudos posteriores revelaram que esta nunca foi colocada para não causar inveja as deusas.

Segundo o costume da época os achados de uma escavação eram partilhados entre o Egito e os detentores da licença de escavação. O busto de Nefertiti acabaria por ser enviado para a Alemanha, onde foi entregue a James Simon, uma dos patrocinadores da expedição. Contudo, a forma como saiu do Egito é pouco clara e alvo de disputas. Atualmente o Egito alega que Borchardt escondeu a peça, versão contraposta à que alega que os responsáveis pelas antiguidades egípcias não deram importantância ao busto, deixando-o partir. Em 1920 a obra foi doada ao Museu Egípcio de Berlim, onde passou a ser exibida a partir de 1923, tornando-se uma das atrações da instituição.

Até então, as representações conhecidas da rainha, mostravam-na com um crânio alongado, sendo a rainha vista como uma mulher que provavelmente sofria de tuberculose. O busto revelou-se determinante na alteração da percepção da rainha, que muitas mulheres dos anos 30 procurariam imitar em bailes de máscaras.

Durante a Segunda Guerra Mundial a Alemanha retirou as peças dos museus de Berlim para colocá-las em abrigos. O busto de Nefertiti foi guardado num abrigo na Turíngia, onde permaneceu até ao fim da guerra até que o exército americano o levou para Wiesbaden. Em 1956 o busto regressou a Berlim Ocidental.
A alegada múmia de Nefertiti

Em Junho de 2003 a egiptóloga Joanne Fletcher da Universidade de York anunciou que ela e a sua equipe teriam identificado uma múmia como sendo a rainha Nefertiti.

Em 1898 o egiptólogo Victor Loret descobriu o túmulo do rei Amen-hotep II no Vale dos Reis. Como foi o trigésimo quinto túmulo a ser encontrado, este recebeu a designação de "KV35" na moderna egiptologia (King Valley´s 35). Para além da múmia deste rei, encontraram-se onze múmias numa câmara selada do túmulo. Três destas múmias foram deixadas no local, devido ao seu elevado estado de deterioração, tendo as restantes sido levadas para o Museu Egípcio. Duas múmias eram de mulheres e a terceira de um rapaz.

Uma peruca encontrada neste túmulo junto a uma das múmias chamou a atenção de Joanne Fletcher que a identificou com as perucas de estilo núbio utilizadas no tempo de Akhenaton. Para Fletcher, especialista em cabelos, esta peruca foi usada por Nefertiti. Para além disso, o lóbulo da orelha estava furado em dois pontos (uma marca da realeza), com impressões de uma tiara no crânio. A múmia não tinha cabelo o que corresponderia à necessidade de Nefertiti manter o cabelo raspado para poder utilizar a coroa azul e também para proteger-se contra piolhos e o calor do Egito na época retratada.

Contudo, a arcada dentária da múmia estava identificada como sendo de uma mulher de vinte e cinco anos, o que torna pouco provável tratar-se de Nefertiti. Mas, logo depois se reparou outro detalhe interessante, os ossos da múmia estavam juntos e sólidos, o que só pode significar que a múmia tinha entre trinta e trinta e cinco anos, o que de novo levanta a possibilidade desta ser a múmia de Nefertiti.

A misteriosa múmia foi teoricamente golpeada na boca destruindo boa parte de seu rosto. Os ferimentos mostravam que tal golpe foi realizado depois da mumificação, quando possíveis homens teriam entrado na tumba, mas não há uma pista do porque. A explicação para o golpe foi que, na tentativa de apagar Akhenaton da história egípcia, teriam golpeado a rainha na boca, impedindo que seu ka entrasse no pós-vida, como uma vingança.Todas as jóias que a ligavam com a realeza foram roubadas. Mas ainda assim através do raio-X foi possível identificar os famosos 'pinos de Nefer' usados pela rainha Neferititi e também usados na mumificação de membros da família real. O cérebro da múmia também foi preservado, uma característica da décima oitava dinastia(a dinastia em qual Akhenaton governou).

Baseados nos estudos da Dra. Joanne Fletcher, era bastante provável que a múmia fosse de Nefertiti. Com isso, ela conseguiu permissão do governo egípcio para performar um exame de DNA. Infelizmente, o exame mostrou que a múmia não era de Nefertiti, mas sim da irmã dela. As buscas pela múmia de Nefertiti continuam.
wikepédia.

Grande Hino a Aton.


O Grande Hino a Aton é um texto religioso do Antigo Egipto cuja autoria é atribuída ao faraó do Império Novo Amen-hotep IV, mais conhecido pelo nome de Akhenaton, que governou o Egipto entre 1351 e 1334 a.C. (segundo o egiptólogo alemão Jürgen von Beckerath).

Foi gravado no túmulo de Ai, um alto funcionário do soberano que chegou a ser rei, sucedendo a Tutankhamon. Este túmulo, situado numa montanha a oriente de Amarna, não foi utilizado por Ai que acabou por ser sepultado em Tebas (na necrópole do Vale dos Reis). Foi disposto em treze colunas verticais de hieróglifos, acompanhado por uma representação de Ai e da sua esposa, Tié. As inscrições encontram-se danificadas devido ao vandalismo exercido sobre estas em 1890.

Em cinco outros túmulos de Amarna existem composições dedicadas a Aton ou a Aton e ao rei que devido às suas semelhanças se acredita serem oriundas duma mesma fonte.

É o principal documento para o estudo das concepções religiosas desenvolvidas por Akhenaton, as quais são por vezes designadas sob o termo de "atonismo", dado o deus Aton ocupar nelas o papel principal. É provável que o hino fosse utilizado em celebrações religiosas.

A composição gira em torno de três figuras: Ré-Horakhti na sua manifestação de Aton, Akhenaton e Nefertiti. Aton é apresentado como o criador dos seres e das coisas, que protege, sendo Akhenaton o único ser humano que tem acesso ao deus.

Tem sido apontadas as semelhanças entre o hino e o Salmo 104 da Bíblia, o que para alguns sugere uma relação entre o "monoteísmo" de Akhenaton e o monoteísmo de Moisés, que viveu cerca de um século depois do faraó; Sigmund Freud assim o defendeu na sua obra Moisés e o Monoteísmo. Porém, hoje em dia sugere-se que as semelhanças são oriundas do mesmo substrato cultural do Médio Oriente. Muito mais do que um monoteísmo, as concepções religiosas de Akhenaton seriam um henoteísmo exacerbado.

Para além disso, o hino não é completamente original, dado que alguns elementos presentes já se encontram em composições anteriores, como nos Textos dos Sarcófagos e num hino a Amon que se encontra no Papiro Bulaq 17. No entanto, o hino é considerado como uma bela manifestação literária deste período.
f.p.wikepédia

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Grande Hino a Aton: escrito por Akhenaton:


Grande Hino a Aton:

"Tu surges belo na terra de luz do paraíso
Ó Aton vivo, que dá vida.
Quando nasces ergues no horizonte oriental
Enches todas as terras com a tua beleza
Tu és belo, grande resplandecente,
Sublime sobre todas as terras o país;
Os teus raios abraçam e iluminam as terras
Até o limite de tudo o que criastes.
Sendo Rá alcanças os seus limites e os subjugas para teu filho amado.
Tu estás longe, mas os teus raios encontram-se sobre a terra,
Apesar de vê-lo seu caminho é oculto
Tu estás diante de nós, mas as pessoas não vêem o teu caminho.

Quando tu te pões na terra ocidental,
A terra fica na escuridão como morta.

Os que dormem encontram-se em suas casas,
As cabeças cobertas, um olho não vê o outro.
Se roubassem seus bens que se acham debaixo de suas cabeças,
Eles nem perceberiam.

Todos os leões saem de suas cavernas,
Todas as serpentes mordem.
A escuridão é uma tumba
Para eles claridade.
Jaz a terra em silêncio.
Seu criador repousa na sua terra de luz no horizonte.

Na aurora tu reapareces no horizonte.
E és irradiante como o disco solar do dia (Aton)
Tu eliminas as trevas e lanças teus raios.
As duas terras estão em festa.

As pessoas acordam e ficam de pé.
Tu as fizeste levantar.
Eles banham-se e vestem-se,
Os seus braços estão em adoração à sua feição.
A terra inteira se põe a trabalhar.

Todo animal goza de sua pastagem,
Árvores e relvas brotam e verdejam.
Os pássaros voam de seus ninhos,
Com as asas levantadas para teu ka
Todos os rebanhos ágeis estão sobre os seus pés,
Tudo que se levanta e voa, parte,
Tu nasces para eles.

Os barcos seguem para o norte, seguem para o sul também,
Todos os caminhos se abrem quando tu surges.
Os peixes no rio arrojam-se diante a ti movem-se deslizando em tua direção,
Os teus raios chegam ao meio do mar.

Tu fazes crescer a semente na mulher,
Tu fazes o semem nos homens,
Tu fazes viver o filho no ventre da mãe,
Tu o acalentas para que não chore,
Tu o alimentas no ventre!
Dás a respiração, para alimentar tudo o que ele faz.
Quando sai do ventre para respirar, no dia de seu nascimento, abre-lhe a boca e Provês as suas necessidades.
O pássaro fala dentro da casca do ovo;
Tu ali dentro lhe dás ar para viver.
Determinas um tempo para ele sair do ovo;
Quando ele sai do ovo, para piar, ao seu nascimento, já caminha em suas pernas.

Quão numerosas são as tuas obras!
Apesar de ocultas à vista, Ó Deus Único ao lado do qual não há outro!
Tu criaste a terra ao teu desejo, Quando tu estavas só,
Com os homens, as manadas, e as revoadas dos pássaros.
Tudo o que há sobre a terra e anda sobre seus pés,
Tudo aquilo que está no céu e que voa sobre suas asas.
Os países estrangeiros, da Síria, e Núbia, a Terra do Egito.
Tu colocaste todo homem em seu lugar,
Proveste as suas necessidades, cada um com o seu alimento,
É contada sua duração de vida .
Suas línguas diferem no falar, suas características também;
Suas peles são distintas, pois tu diferenciaste os povos.

Fizeste um Nilo no subterrâneo,
Tu o trazes quando queres, para dar sustento às pessoas,
Pois tu as criaste para ti.

Senhor de tudo, que trabalhas por eles,
Senhor de todas as terras, que brilha para eles,
Ó Aton do dia, grande em glória!

De todas as terras distantes, tu os mantêm vivos,
Fizeste um Nilo celestial, que desce para eles,
E que faz ondas nas montanhas como um mar,
E banha os seus campos com o que eles necessitam.
Quão perfeitos os teus planos, Ó senhor da eternidade!

Um Nilo do céu para os estrangeiros,
E para todas as criaturas no deserto que caminham sobre pernas,
Mas para o Egito, o Nilo que vem de Duat.

Os teus raios trazem a nutrição para todas as plantas;
Quando tu brilhas, elas vivem e prosperam para ti.
Tu fazes as estações para que se desenvolva tudo o que tu crias:
O inverno para refrescá-las, o ardor para que te degustem.

Tu fizeste o céu distante, para brilhar nele.
Para ver tudo que fazes, enquanto tu és Um,
Nascido em sua forma de Aton vivo,
Brilhante e radiante, próximo e distante.

Tu fazes milhões de formas de ti, sozinho,
Povoados, vila, campos, estrada e rio.
Todos os olhos o contemplam acima deles,
Quando tu estás acima da terra como, Aton.

Quando tu vais e não há olho cuja visão tu criaste,
não para olhar para ti como só mais uma de suas criaturas.

Tu estás ainda em meu coração.
Não há nenhum outro que te conheça
Exceto teu filho, Nefer-kheperu-Rá Ua-en-Rá Akhenaten,
A quem ensinastes.

A terra passa a existir por tua mão como tu a criaste,
Quando tu alvoreces, eles vivem, quando tu te pões eles morrem;
Tu mesmo és vida - se vive de ti.

Os olhos vêem beleza, enquanto tu não te pões.
Deixa-se todo o trabalho quando tu descansas no Ocidente;
O teu alvorecer é um fortalecimento para o Rei,
E todos movem-se desde que fundastes a terra.

Tu os levantas para o teu filho que saiu do teu corpo
O rei que vive pela verdade (Ma’at), o Senhor das duas terras,
O Senhor dos Dois Países Nefer-kheperu-Rá
O único de Rá, o filho de Rá que vive pela verdade (Ma’at),
O Senhor das duas coroas Akhenaton, Sublime em sua vida
E da Grande Rainha a quem ele ama,
A Senhora das Duas Terras Nefer-neferu-Aton Nefertite,
Que vive e rejuvenesce por toda a eternidade"