contos sol e lua

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domingo, 9 de setembro de 2012

As pedras que rolam pelo rio.


Se observarmos as pedras que rolam pelo rio, poderemos ver o quanto são redondas e brilhantes. Nessa longa viagem rio abaixo as pedras rolam anos e anos em atrito com as outras. Dessa maneira passam a ser quase que perfeitas: redondas e brilhantes. Diferente das outras pedras que ficam a margem do rio. Sempre nos dando a impressão de observarem tudo. Essas pedras são pontudas, sem forma definida, estáticas como pedras que são. Na verdade, as pedras que rolam pelo rio se tornam redondas e brilhantes porque o atrito com outras pedras ao longo dos anos permite que sejam transformadas.

Da mesma maneira, começamos nossas vidas como pedras pontiagudas, cheia de excessos, mas o contato com as pessoas nos permite ser como somos. Os seres de grande valor percebem o quanto perdem seus excessos no decorrer de sua jornada, se aproximando cada vez mais de sua própria essência. Assim, agem nossos contatos humanos. Sem eles, sem os atritos, sem essa jornada trabalhosa e às vezes árdua, seríamos como pedras de margem de rio. A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, sem o devido contato.

Passar pela vida sem se permitir um relacionamento com o outro, próximo ou não, diário ou apenas único, é não crescer, não evoluir, não se transformar.

Passamos pelo mundo para evoluir e essa caminhada faz parte desse processo. Evoluímos quando estudamos, quando trabalhamos, quando amamos ou mesmo quando sofremos por amor. Se permitir renovar, aprender e reaprender, viver e conviver, criar e realizar sonhos são momentos únicos de evolução. Como na história das pedras, o contato humano nos permite modelar, aproximando-se de nossa própria essência.

Nessa jornada somos como as pedras, mas ao contrário delas, podemos escolher estar dentro ou fora do rio...
William Sanches.

ORAÇÃO DA SAUDADE.


Senhor Meu Pai de Misericórdia e Amor, ouvi-me!
Bem sei que esta vida é passageira e que aqui estamos para evoluir e alcançar bençãos no aprendizado espiritual.
Mas Pai, quando me lembro deste ente querido que se foi, meus olhos
se enchem de lágrimas, meu peito se enche de dor e saudade!
A cada momento, recordo-me deste companheiro de jornada que muito significou para mim nesta vida.
Perdoai-me Pai, minha fraqueza.
Ainda muito me falta para vencer o vazio que sinto na alma com esta separação. Tento, Senhor, lembrar-me de Tua Santíssima Mãe aos pés da cruz banhada em lágrimas e tristeza, vendo Seu Amado Filho partir, deixando a encarnação!
Lembro-me Senhor de Ti, que nos ensinou com Teu sacrifício na cruz, quão passageiras são as desventuras e dores humanas diante da vida eterna que Deus Pai nos oferece!
Senhor, fortalece em mim a vontade de vencer, enche-me de Tua esperança, ensina-me a ter resignação e desprendimento necessários para minha elevação espiritual. Faz-me Senhor compreender que o encontro final na nossa morada espiritual é a verdadeira vida! Creio Senhor, que ouves minha prece!
Perdoa minha revolta, sei que compreendes.
Espero em Ti encontrar o exemplo para vencer esta fase.
Que Tua Benção e Tua Luz encham minha alma neste momento.
Assim seja!

sábado, 8 de setembro de 2012

A dor da perda de ente querido.


As dores causadas pela morte de pessoas queridas vestem-se de infinitas maneiras. Cada um tem história a contar. Crianças que perdem os pais, pais que sepultam filhos, esposos amados que se separam pela espada da morte. Amigos que sentem o silêncio da ausência de alguém com quem partilhavam vida e afeto. Mas há cenas que ultrapassam a dor cotidiana das mortes anunciadas e esperadas, ou mesmo inesperadas, pela crucial violência. Recordo dois exemplos, um arrancado da memória bem passada e outro recente. Lá pelos idos da Segunda Mundial a insânia perversa do nazismo arrancou com violência uma multidão de crianças pequenas dos braços amorosos das mães, amontoando-as num vagão que as conduziu à morte no Campo de Concentração. O grito lancinante de dor das mães era somente abafado pelo vozerio estúpido dos brutais soldados e pelo choro desesperado das crianças. Cena lancinante! Crianças não foram feitas para morrer!

Talvez o leitor tenha visto e se lembre da tocante imagem daquela mulher com o rosto transtornado de dor e com os braços estendidos em direção aos quatro caixões dos três filhos assassinados pelo pai que depois se suicidara. Ali estava o fim de seus amores da terra. E diante de tanto sofrimento, que palavra humana temos? Somente o silêncio.

A primeira pergunta, que nos vem à mente, é a que o Papa Bento XVI, na visita ao campo de concentração de Auschwitz na Polônia, se fez: “Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele se calou então? Como pôde tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal?” Ousaria responder: misturando suas lágrimas divinas com as das mães.

Nenhuma cultura encontrou outra resposta para a morte a não ser sepultar com amor, cuidado e reverência os mortos. Antropólogos reconhecem no sepultamento os primeiros sinais de humanidade, separando-nos do mundo animal. O animal cai morto e aí fica. O ser humano é enterrado com ritos, símbolos e com orações fúnebres. Tudo pode terminar aí, mas mesmo assim o ser humano faz questão de sepultar seus semelhantes.

. Horácio, o poeta latino, acreditou que atravessaria o esquecimento da morte pela beleza dos versos. Sem modéstia, dizia que erguera com eles um “monumento mais perene que o bronze”. Assim lutam as culturas contra a morte, tão terrível ela parece ser. E os humanos do lado de cá tecem loas aos mortos, erguem-lhes mausoléus, dão-lhes os nomes a praças e ruas, enfim inventam mil artifícios para os reterem entre nós. Mas sabem que tudo isso não dá vida a ninguém além da morte. Atenua-se a dor imediata, fica a latente e profunda.

A fé judaica debateu-se durante séculos com tal problema. E a palavra revelada foi fazendo caminho pela história de um silêncio quebrado pela posteridade até chegar a luz luminosa da ressurreição, passando pela escuridão muda do sheol – lugar dos mortos. Viemos, nós cristãos, depois e na esteira de Israel. Nela nasceu Jesus e com a linguagem da ressurreição exprimiu com clareza o próprio destino depois da morte. “

Ressuscitou. Não está aqui, disse o anjo às mulheres. Essa mensagem ecoa no coração da fé cristã até o dia de hoje. Temos na fé somente duas palavras a dizer aos que sofrem com a ausência triste do morto querido. Deus é o primeiro a pôr-se ao lado do golpeado pela dor. E em gesto de solidariedade mostra-nos o Filho que lhe foi arrancado pela violência da maldade humana. É a solidariedade no sofrimento. E depois em gesto ulterior mostra o túmulo vazio. Já não se encontra lá, perdido na pura corrupção, no nada abissal. Vive e de vida em plenitude. Assim os mortos em Cristo – e esperamos que todos os nossos mortos o sejam – participam de igual vida. Todos que morremos em Adão ressuscitaremos em Cristo. Que a fé na ressurreição, se não consegue secar todas as lágrimas da terra, rasga, porém, horizonte de esperança e anuncia encontro na luz da eternidade.

domingo, 2 de setembro de 2012

Uma Reflexão Sobre o Carma - As Bases dessa Lei.


Uma semente decerto nunca germinará diante de condições adversas ao desenvolvimento do seu ciclo, isto é uma lei muito simples. A principal razão do seu existir, é a manutenção de sua espécie e biológicamente, pela própria natureza, ela foi programada para isso. Assim, como a semente não tem inteligência, como conhecemos, a mente da natureza é sua mente, o seu existir é verdadeiro por não depender de vontades, seu existir é apenas uma lei que se cumpre ou não, o que também é a lei.

Mas, o ser humano, como indivíduo Ego-personificado, criou seu próprio mundo, mundo esse paralelo ao mundo real. A linguagem da Natureza como mãe de todas as coisas, é muito simples, e os mais simples, dotados de inocência a entendem bem, assim são os animais sem razão, sem Ego-personalidade. É curiosa a sintonia que há entre os reinos dos elementos e os seres mentalmente a eles ligados. Assim, são os insetos, de desprezível razão, mas que dominam a arte da previsão do tempo, conhecem todos os ciclos da natureza, deles não estão separados, eles são estes ciclos.

"Para todo Efeito haverá sempre uma Causa inicial" ou "Tudo teve como princípio uma Causa inicial", dizem aqueles dotados de razão. Mas, não seria a própria Causa seu Efeito, poderia um existir sem o outro? Poderia existir alguma coisa sem o seu oposto, sem o conflito que a mantém viva? Haveria possibilidade de haver uma Ação sem nenhum tipo de Reação?

Ao criar seu próprio mundo, que é o condicionamento que criou toda personalidade humana existente na terra, o homem também criou a lei do mérito, lei essa que é a principal fonte de alimentação da Entidade humana como Ego-ser, individual, subjetivo, separado dos demais seres e da Mãe-natureza. Assim, surgiu dentro do mundo real, o mundo do Ego, que é artificial, feito à imagem e conveniência dos desejos e medos humanos, para que o homem como ser oposto à natureza pudesse existir. Então, da ilusão que é seu mundo artificial, feito real, surgiu o homem como ser pensante, cuja memória representa a totalidade do pensamento da humanidade.

Com a criação da Lei do Mérito, natureza essencial de um Ego sempre em busca do vir-a-ser algo, acumulador biológico inconsciente de conhecimentos, fato que lhe cria a ilusão da perpetuação e o mantém vivo, criou ele também a Lei do Demérito ou da Culpa com punição. Para aquele que acumula, nada mais justo que recompensas para sua satisfação, isso dá lastro e solidez ao vir-a-ser, e punição para condicionar e justificar um comportamento sempre meritório, deformador das coisas, hipócrita e egoísta como o é a natureza essencial desse Ego.

Nos ciclos da natureza, essência real do ser humano, não existem méritos ou punições, lógica ou abstração, motivos ou vontades, querer ou negação. Mas, ao ignorar estes ciclos, o ser humano, criou o mundo da Ego-personalidade, dando identidade à sua individualidade, criando todos os conceitos que o criariam como o ser psicológico dos tempos vindouros. Nasce assim, o mundo antagônico, irreal, ilusório dos seres humanos, mundo este que logo iria se transformar em realidade para seus autores. Desse modo, apoiado no tempo, estabelece ele todas as diretrizes do condicionamento que todos deveriam seguir, irrefletidamente, incondicionalmente, inconscientemente, de forma definitva por ter se tornado sua única verdade.


A criação vê a todos como iguais.
Uma criança muito pequena, pode viver na miséria mas não poderá saber o que é miséria. A semente do vir-a-ser, causadora do conflito humano, que é a mesma que o vir-a-desejar aquilo que não se tem, sem questionar necessidades, ainda não a induziu ao sofrimento causado pela doutrina do Ego-condicionamento instituído. É a Ego-doutrina da conduta humana, uma instituição criada desde o surgimento do primeiro homem sobre a terra, civilização após civilização aperfeiçoada, sempre à satisfazer seus anseios, apoiar sua bestialidade e desejo de dominação, sua vontade de tornar-se eterno, que logo lhe dará estes olhos, olhos que verão a miséria.
Onde há o desejo de vir-a-ser, sempre existirá a disputa, e aquele que explora e o explorado, o competidor àvido de vitória e toda angústia daqueles que perdem por força da instituição estabelecidada pelas diretrizes do Ego-mundo. Assim, dentro desse mundo virtual criado à deliberação do querer e vontade do homem, os dogmas e padrões por eles codificados, passaram a ser leis instituídas, verdades. Desse modo, o falso tornou-se verdadeiro e a condição de reconhecer a falsidade dessa verdade foi com o tempo, definitivamente negada e apagada do seu estado de Ego-personalidade.

Reconhecer as razões da existência de um Ego dissidente da realidade, pode não ser uma tarefa fácil. O Ego, que é memória baseada em conhecimento, também criou o pensamento que é a única ferramenta de que dispõe o homem para explorar a falsidade desse mesmo Ego. Como então, o próprio Ego iria reconhecer sua falsidade como Entidade válida se o tempo todo, ele trabalha com a intenção de se fortalecer e busca desesperadamente a própria imortalidade, e o pensamento que deveria negá-lo é ele mesmo?

Numa condição onde a realidade foi de forma brutal deformada, não poderiam os ciclos da natureza serem a verdade dominante. Eis o eterno conflito do Ego, de um lado seu mundo, uma deformação da realidade onde vive imerso sem se dar conta, do outro uma realidade que com o tempo ele esqueceu e a ignora completamente porque a nega. De um lado aquilo que é eterno e não sujeito a deformações, do outro o mundo ilusório, temporário, vulnerável e mortal do Ego. Sabendo disso, sua busca pela segurança que nunca encontrará tornou-se seu objetivo, e o acumular conhecimento sua fuga à realidade, sua distração mórbida. Criado a partir de uma ilusão que logo se tornaria realidade encontra-se o Ego finalmente sem saída visível, encurralado pelos seus próprios limites, limites que um dia foram criados para protegê-lo e hoje o aprisionam.

Num mundo deformado onde o vencedor criou o miserável para poder existir e servir de platéia para seu pódio, onde o austeridade criou o mendigo para lhe dar lastro, onde as leis criadas dão apenas uma forma institucionalizada à deformação desse modelo, verdades estabelecidas jamais poderiam ser reais. Assim, culpas causadas apenas para alimentar o desejo de mérito de um Ego faminto de recompensas, nunca poderiam ser verdadeiras.

Dharma - A Sabedoria.


Dharma significa sabedoria.

Os ensinamentos ou os conceitos do Budismo são normalmente chamados de Dharma, pois são sabedoria.

A sabedoria existe de duas maneiras: Uma é pela intuição, que é a voz do coração, que é o sentimento. Isso é por exemplo, quando lemos algo e sentimos que se trata de algo verdadeiro (eu senti isso quando li os textos do Carlos Antonio Fragoso Guimarães ) ou quando estamos preocupados com alguém e sentimos que essa pessoa está bem, ou quando sentimos que não está.

A intuição pode nos dar qualquer resposta que queremos, por isso é sabedoria, mas é preciso aprender acessá-la e é perigoso confundí-la com a emoção. Por exemplo: achar que uma pessoa é boa porque ela te agradou, mas ela pode ter feito por interesse e você confundido pelas suas emoções acha que ela é boa, acha que sentiu isso, mas na verdade são suas emoções.
É possível não apenas sentir se as respostas são verdadeiras, mas é possível que o coração da gente diga coisas para nós mesmos e elas são verdadeiras, pois vêm do coração, por isso é sabedoria. “O coração jamais mente” (S. L. P.)

As Quatro Nobres Verdades e o Caminho do Meio do Buda foram revelação que vieram pela voz do coração do Buda, pelos sentimentos ou pela intuição e ele passou a ensiná-los. As grandes revelações de diversos profetas, seres que atingiram o nirvana e Santos, vieram pelos sentimentos e pela intuição e eles passaram sua vida ensinando aquilo, que foram pilares e conceitos importantes de grandes religiões.

Tudo que existe está dentro de você e você pode acessar através dos seus sentimentos.

Para entender a outra forma de sabedoria é preciso entender que a sabedoria é a informação correta da realidade.

Nós temos nossa visão de mundo, mas por interesse ou por alguma dificuldade emocional ou mental ou psicológica essa nossa visão não é correta, por isso não é sabedoria. Por exemplo: uma pessoa materialista, que tem dinheiro e que adoro o dinheiro, ela acredita que o dinheiro é o motivo da pessoa estar bem, ou pior, ser bem, por isso ela acredita que quem não tem muito dinheiro está mal, e muitas vezes que é inferior a ela e coisa e tal.

Esse é um exemplo de uma pessoa que por interesse no dinheiro, ela o tendo e o adorando, é conveniente pensar isso. São muitas pessoas no nosso mundo de hoje que tem essa visão, mas ela é uma ilusão, pois o dinheiro não é motivo para uma pessoa ser ou estar bem, pois o próprio Buda não tinha dinheiro e gozava de grande felicidade, pois tinha atingido o nirvana. E não só Buda, como grandes mestres da humanidade como Jesus e Gandhi e o que trás felicidade para as pessoas é a realização que vem do coração; e como vem do coração implica em auxiliar os outros e crescer espiritualmente.

Agora como você imagina que uma pessoa com interesse de dinheiro como citado em nosso exemplo, pode sair da sua ilusão de sua visão do dinheiro?

Ela tem que conhecer a si mesma, tem que reconhecer que é seus interesses e que é a sua visão defeituosa de mundo que a faz pensar assim. Só que pessoas materialistas assim geralmente demoram muito para se conhecer, pois não tem interesse em fazer uma coisa profunda como o auto-conhecimento, então ela demora muitas reencarnações para isto.

Uma ilusão é o contrário da sabedoria, uma vez que a ilusão é uma informação errada da realidade. O exemplo da pessoa que enxerga a importância com o dinheiro, se trata de uma ilusão.

Um exemplo da pessoa estar iludida pelo emocional é o de um pai ser uma pessoa ruim, mas finge ser uma pessoa boa; ele jogo suas frustrações em cima da filha, pois isso é o que pessoas ruins fazem e abusa dela, fazendo ela fazer o que ele quer, mas isso acontece de forma muito mascarada e a filha, por ser filha, não enxerga o pai, acha que ele é bom como finge ser e não percebe estar sendo usada. Ela está iludida pelo emocional, não enxergando a realidade, por isso não é sabedoria.

Esse caso citado acima é muito comum e é possível que a pessoa atinja a sabedoria, enxergando o pai dela, a realidade como ela é.

Também são comuns pessoas que tem amigos ruins e não os enxergam eles; lutam e defendem, sem saber quem eles são realmente.

Toda vez que você está aprendendo a enxergar o outro ela está se desenvolvendo nisso e aprende, uma vez que nas próximas vezes que ocorra um caso parecido com o que ela passou, ela já sabe enxergar e isso mesmo em suas próximas encarnações, pois isso é um desenvolvimento espiritual. Existem pessoas que já enxergam seus pais e amigos desde pequenos, pois isso já foi aprendido em vidas passadas.

É um conhecimento muito útil saber quem o outro é para não cair em golpes ou jogos emocionais, coisas que só tendem a fazer mal a gente.

Uma ilusão que a pessoa tenha por causa do ego, é uma ilusão que a pessoa tenta se engrandecer, se vendo muito grande.

Os exemplos dados são poucos perto das ilusões que existem, pois todos nós temos diversas ilusões por causa do emocional, e ou do mental, e ou do ego e ou de interesses.

Para você ter uma idéia de que também tem ilusões, vamos voltar ao caso do amigo falso, pense se você não cairia nas mentiras dele?

As ilusões vão sendo quebradas quando a pessoa ilumina a si mesma. Na escuridão, não se pode ter informações corretas da realidade, só com a luz podemos enxergar as coisas.

O caminho da sabedoria é portanto o caminho da iluminação.

O fato de Buda ter despertado quando ele atingiu o nirvana, significa ter despertado das ilusões, por isso a sabedoria.

Quando atingimos o nirvana nos iluminamos de tal maneira que enxergamos toda a realidade deste mundo material em que vivemos.

O Budismo visa despertar a sabedoria das pessoas, visa que elas atinjam o nirvana.

Buda dizia que só o conhecimento de si leva a iluminação. Um meio de se enxergar a realidade é o do conhecimento de nossos defeitos. Os nossos defeitos são grandes produtores de ilusões, como é o caso do materialismo, como é o caso da pessoa que distorce os valores por adorar o dinheiro, isso é um defeito. A vaidade por exemplo pode distorcer os valores como fez com o dinheiro, o orgulho, a cobiça e demais defeitos. O orgulho também pode criar uma falsa auto-imagem, o que não seria sabedoria. A soberba por si só é uma ilusão.

Quando a pessoa conhece seus defeitos ela vai pouco a pouco, quebrando as suas ilusões.

Mas não para por ai, o conhecimento das nossas qualidades também dissipam as ilusões, por exemplo da baixa auto-estima, de não achar que não é capaz de algo quando é, da ilusão de achar que não tem a beleza interna que realmente se tem e outras ilusões mais.

O conhecimento das nossas qualidades dá sentimentos muito bons para nós mesmos.

O conhecimento dos outros também quebram ilusões, como demonstrado nos exemplos acima.

Práticas como meditação, mantras, mandalas e outras ajudam à pessoa ter consciência sobre seus defeitos, qualidades e sobre os outros.

Buda e também outros mestres que não são budista dizem que o mal do mundo é a ignorância, mas eles não estão falando da ignorância dos livros, dos jornais, meios de comunicação, do que acontece no mundo e da história passada como algumas vezes se pensa e sim da ignorância de si mesmo e dos outros.

Pois a ignorância de si mesmo traz defeitos, uns deles tem a ver com os interesses e outros tem a ver com o egoísmo. O egoísmo somado aos interesses fazem as pessoas roubar, como fazem os políticos desonestos, os golpistas e os ladrões, fazem as pessoas passarem por cima dos sentimentos dos outros, por interesse em sexo por exemplo. Ao mesmo tempo em que você conhece os outros pode evitar que as pessoas se aproveitem de você.
Ricardo Chioro.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uma Dança Chamada Amor.


"Eu nunca disse que o amor é destruído pelo casamento. Como pode o casamento destruir o amor? Sim, ele é destruído no casamento, mas é destruído por você, não pelo casamento. Ele é destruído pelos parceiros. Como pode o casamento destruir o amor? É você que o destrói porque você não sabe o que é o amor. Você simplesmente finge que sabe, você simplesmente tem esperança de conhecê-lo, você sonha que o conhece, mas você não sabe o que é o amor. O amor deve ser aprendido, ele é a maior arte que existe.
Se as pessoas estão dançando e alguém o convida para vir e dançar, você diz, 'eu não sei.' Você não salta simplesmente e começa a dançar, achando que todo mundo vai pensar que você é um grande dançarino. Você só provará que é um bufão. Você não provará que é um grande dançarino. A dança precisa ser aprendida - a sua graça, os seus movimentos. Você precisa treinar o corpo para a dança.
Você não vai pintar só porque a tela, o pincel e a tinta estão ali disponíveis. Você não começa a pintar. Você poderá dizer, 'Tudo o que é preciso está aqui, então eu posso pintar.' Você pode pintar, mas nunca será um pintor dessa maneira.
Você encontra uma mulher – a tela está ali. Você imediatamente se torna um amante – você começa a pintar. E ela começa a pintar em você. Naturalmente ambos provam serem tolos – tolos pintados – e mais cedo ou mais tarde vocês compreenderão o que está acontecendo. Mas você nunca pensa que o amor é uma arte. Você não nasce com a arte, ela nada tem a ver com seu nascimento. Você tem que aprendê-la. O amor é a arte mais sutil.
Você nasce apenas com a capacidade. Naturalmente você nasce com um corpo; você pode ser um dançarino porque você tem um corpo. Você pode mover o seu corpo e pode ser um dançarino – mas a dança tem que ser aprendida. Muitos esforços são necessários para se aprender a dançar. E dançar não é tão difícil porque na dança você está envolvido sozinho.
O amor é muito mais difícil. É dançar com um outro alguém. O outro também precisa saber o que é dançar. Ajustar-se com alguém é uma grande arte. Criar uma harmonia entre duas pessoas... duas pessoas significam dois mundos diferentes. Quando dois mundos se aproximam, é provável que aconteçam choques caso você não saiba como harmonizar. Amor é harmonia. E a felicidade, a saúde, a harmonia, tudo acontece a partir do amor. Aprenda a amar. Não se apresse em se casar, aprenda a amar. Primeiro torne-se um grande amante.
E qual é o requisito? O requisito é que um grande amante está sempre pronto para dar amor e não se incomoda se ele retorna ou não. Ele sempre retorna, isso é da própria natureza das coisas. É exatamente como se você fosse às montanhas e cantasse uma canção, e o vale respondesse. Você já viu um eco nas montanhas, nas colinas? Você grita e o vale grita, ou você canta e o vale canta. Cada coração é um vale. Se você derramar amor nele, ele responderá.

A primeira lição do amor é não pedir amor, mas simplesmente dá-lo. Torne-se um doador. E as pessoas estão fazendo exatamente o contrário. Mesmo quando elas dão, elas dão somente com a idéia de que o amor deve vir de volta. É uma barganha. Elas não compartilham livremente. Elas compartilham com uma condição. Elas seguem observando pelo canto dos olhos se ele está vindo de volta ou não. Pessoas muito pobres... elas não conhecem o funcionamento natural do amor. Você simplesmente derrama, ele retornará.
E se ele não estiver retornando, não há nada com que se preocupar – porque o amante sabe que amar é ser feliz. Se ele retorna, é bom, então a felicidade se multiplica. Mas mesmo se ele nunca retornar, no próprio ato de amar você se torna tão feliz, tão extático... quem irá se preocupar se ele retorna ou não?
O amor tem sua própria felicidade intrínseca. Ela acontece quando você ama. Não há necessidade de esperar pelo


resultado. Simplesmente comece a amar. Pouco a pouco você verá muito amor retornando para você. A pessoa ama e passa a saber o que é o amor apenas por amar. Assim como a pessoa aprende a nadar nadando, a pessoa aprende a amar amando.
E as pessoas são muito mesquinhas. Elas estão esperando que um grande amado apareça, então elas amarão. Elas se mantêm fechadas, afastadas. Elas simplesmente esperam. De algum lugar, alguma Cleópatra virá e então eles abrirão seus corações, mas com o passar do tempo eles esqueceram completamente como abri-los.
Não perca qualquer oportunidade de amor. Mesmo passando por uma rua, você pode estar amando. Mesmo com um pedinte você pode ser amoroso. Não há necessidade de você lhe dar alguma coisa; você pode pelo menos sorrir. Isso não custa nada – mas o seu próprio sorriso abre seu coração, faz o seu coração mais vivo. Segure a mão de alguém – um amigo ou um estranho. Não espere que você só amará quando a pessoa certa aparecer. Então, a pessoa certa nunca aparecerá. Continue amando. Quanto mais você amar, mais será a possibilidade da pessoa certa aparecer, porque o seu coração começará a florescer. E um coração em flor atrai muitas abelhas, muitos amantes.
Você foi treinado de uma maneira muito errada. Primeiro, todo mundo vive sob uma impressão errada de que já é um amante. Só por ter nascido, você pensa que é um amante. Isso não é tão fácil. Sim, existe uma potencialidade, mas a potencialidade tem que ser treinada, disciplinada. Uma semente existe, mas ela tem que se tornar uma flor.
Você pode continuar carregando sua semente; nenhuma abelha estará vindo. Você já viu abelhas vindo até as sementes? Elas não sabem que as sementes podem se tornar flores? Mas elas vêm somente quando as sementes se tornam flores. Torne-se uma flor, não permaneça uma semente.
Duas pessoas, separadamente infelizes, criam mais infelicidades um para o outro quando ficam juntas. Isso é matemático. Você era infeliz, sua esposa era infeliz e vocês estão esperando que estando juntos se tornarão felizes? Essa é a aritmética mais simples – como dois e dois são quatro. É simples assim. Não se trata de uma alta matemática; isso é muito comum, você pode contar nos dedos. Vocês ambos se tornarão infelizes.
Cortejar é uma coisa. Não dependa do cortejar. Na verdade, antes de se casar, livre-se do cortejar. Minha sugestão é que o casamento deve acontecer depois da lua-de-mel, nunca antes. Somente se tudo correr bem, somente então o casamento deve acontecer.
Lua-de-mel depois do casamento é muito perigosa. Pelo que eu sei, noventa e nove por cento dos casamentos se acabam quando acaba a lua-de-mel. Mas aí você já foi pego, você não tem como escapar. Então, toda a sociedade, a lei, os tribunais – todo mundo estará contra você se você deixar a esposa, ou se a esposa deixar você. Então, toda a moralidade, a religião, o sacerdote, todo mundo estará contra você. Na verdade a sociedade deveria criar todas as barreiras possíveis ao casamento e nenhuma barreira ao divórcio. A sociedade não deveria permitir que as pessoas se casassem tão facilmente. O tribunal deveria criar barreiras – viva com a mulher por dois anos pelo menos, depois o tribunal poderia permitir que você se casasse. Atualmente eles estão fazendo exatamente o oposto. Se você quiser casar-se, ninguém pergunta se você está pronto ou se é apenas um capricho, só porque você gostou do nariz da mulher. Quanta tolice! Ninguém consegue viver junto só por causa de um nariz alongado. Depois de dois dias o nariz será esquecido. Quem olha para o nariz da própria esposa?
A esposa nunca parece bonita, o marido nunca parece bonito. Uma vez que você se familiarizou, a beleza desaparece.
Devia-se permitir que duas pessoas vivessem juntas o tempo suficiente para que se tornassem familiarizadas, uma com a outra. E mesmo que elas quisessem se casar, não deveria ser permitido. Então os divórcios desapareceriam do mundo. Os divórcios existem porque os casamentos estão errados e forçados. Os divórcios existem porque os casamentos são feitos num clima romântico.
Um clima romântico é bom se você for um poeta – e poetas não são tidos como bons maridos ou boas esposas. Na verdade, os poetas são quase sempre solteiros. Eles se fazem de bobos mas nunca são pegos, e então o romance deles permanece vivo. Eles continuam escrevendo poesias, belas poesias.
Não se deveria casar com um homem ou com uma mulher num clima de poesia. Deixe que o clima da prosa venha e então se estabeleça. Porque a vida do dia-a-dia é mais como uma prosa do que como uma poesia. A pessoa deveria se tornar suficientemente madura.
Maturidade significa que a pessoa não é mais um tolo romântico. Ela compreende a vida. Compreende a responsabilidade da vida, compreende os problemas de estar junto com um outro alguém. Ela aceita todas as dificuldades e ainda assim decide viver com a outra pessoa. Ela não está esperando que exista apenas um caminho para o céu e que tudo sejam rosas. A pessoa não está esperando por tolices; ela sabe que a realidade é difícil. Ela é áspera. Existem rosas, mas entre elas existem muitos espinhos.
Quando você se tornou alerta quanto a todos esses problemas e ainda assim você decide que vale a pena se arriscar e estar com uma pessoa, mais do que estar só, então vá e case-se. Então o casamento nunca matará o amor, porque este amor é realístico. O casamento só consegue matar o amor romântico. E amor romântico é o que as pessoas chamam de ‘amor a um filhote de cãozinho’. Não se deve depender disso. Não se deve pensar nisso como alimento. Isso pode ser apenas como um sorvete. Você pode comê-lo algumas vezes, mas não dependa dele. A vida tem que ser mais realística, mais prosa.
E o casamento, ele mesmo nunca destrói nada. O casamento apenas coloca para fora tudo aquilo que está escondido em você – ele traz para fora. Se o amor está escondido atrás de você, dentro de você, o casamento o traz para fora. Se o amor era apenas um fingimento, era apenas uma isca, então, mais cedo ou mais tarde, ele irá desaparecer. E então a sua realidade, a sua personalidade feia irá emergir. O casamento é apenas uma oportunidade, assim o que quer que você tenha para colocar para fora, var ser externado.
Eu não estou dizendo que o amor é destruído pelo casamento. O amor é destruído pelas pessoas que não sabem como amar. O amor é destruído porque em primeiro lugar ali não havia amor. Você tem vivido num sonho. A realidade destrói aquele sonho. Se não for por isso, o amor é algo eterno, é parte da eternidade. Se você cresce, se você conhece a arte, e se você aceita as realidades do amor-vida, então ele continuará crescendo todos os dias. O casamento se torna uma oportunidade extraordinária para crescer no amor.
Nada consegue destruir o amor. Se ele existe ali, ele continua crescendo. Mas o meu sentimento é que, em primeiro lugar, ele não existe ali. Você compreendeu mal a si mesmo, alguma outra coisa estava ali. Talvez o sexo estivesse ali, a atração sexual estivesse ali. Então isso será destruído, porque uma vez que você tenha amado uma mulher, então a atração sexual desaparece – porque a atração sexual é apenas com o desconhecido. Uma vez que você tenha experimentado o corpo da mulher ou do homem, daí a atração sexual desaparece. Se o seu amor era apenas atração sexual, então é provável que ele desapareça.
Assim, nunca confunda o amor com alguma outra coisa. Se o amor é realmente amor... O que eu quero dizer quando digo ‘realmente amor’? Eu quero dizer que apenas por estar na presença do outro você de repente se sente feliz, só por estar junto você entra em êxtase, apenas a presença do outro preenche alguma coisa profunda em seu coração... algo começa a cantar em seu coração, você entra em harmonia. Apenas a exata presença do outro ajuda você a estar junto; você se torna mais individual, mais centrado, mais enraizado. Então isso é amor.
O amor não é uma paixão, amor não é uma emoção. O amor é uma compreensão profunda de que alguém, de alguma maneira completa você. Alguém torna você um círculo completo. A presença do outro aumenta a sua presença. O amor lhe dá liberdade para ser você mesmo; ele não é possessivo.
Assim, observe. Nunca pense em sexo como amor, senão você irá se iludir. Esteja alerta e quando você começar a sentir com alguém que a simples presença, a pura presença – nada mais, nada mais é preciso, não peça por nada mais – simplesmente a presença, simplesmente que outro esteja ali, é o bastante para fazer você feliz... alguma coisa começa a florescer dentro de você, mil e uma flores de lótus... então você está amando, então você consegue passar por todas as dificuldades que a realidade cria. Muitas angústias, muitas ansiedades – você será capaz de passar por todas elas, e o seu amor estará florescendo mais e mais, porque todas essas situações se tornarão desafios. E o seu amor superando esses desafios, se tornará mais e mais forte.
Amor é eternidade. Se ele estiver aí, então ele seguirá crescendo e crescendo. O amor conhece o começo, mas não conhece nenhum fim.
Osho.

OSHO.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Os Doze Tons Cósmicos.


" Se alguém desejar saber se um reino é bem ou mal governado, se a sua moral é boa ou má, examine a qualidade da sua música, que lhe fornecerá a resposta ". Confúcio.

As mencionadas palavras de Confúcio correspondem aos preceitos da Sabedoria Antiga relativos aos sons que afirmava que todas as civilizações aperfeiçoam-se e moldam-se de acordo com o tipo de músicas que nelas são executadas. Diz que se a música de uma civilização é melancólica, romântica, o próprio povo é romântico; se é vigorosa e marcial, então os vizinhos dessa nação devem se acautelar.

A Sabedoria Antiga assegura que uma civilização permanece estável e inalterada enquanto a sua música também permanecer inalterada. Mudar o estilo da música ouvida pelo povo acarreta inevitavelmente uma mudança do próprio estilo de vida desse povo. Esse conceito fazia com que os sábios afirmassem que se a música de uma civilização estivesse nas mãos dos maus ou dos ignorantes, só poderia levá-la à inevitável ruína Por outro lado, nas mãos dos iluminados a música era um instrumento de beleza e de poder, capaz de conduzir toda uma nação à uma idade áurea de paz e prosperidade. Este era um dos pontos de intransigência demonstrada por Confúcio.
Por pensar como muitos filósofos antigos justifica-se o porquê da intransigência de Confúcio a respeito da vigilância que se deve ter sobre a música.

Os grandes místicos do passado sabiam que todas as coisas criadas tinham como base variações do Som Cósmico chamados pelos hindus de OM. Segundo eles esse som libera energia sob forma de vibração que diretamente, ou por ressonância, gera e modificada tudo quanto há. Esse conceito antes somente admitido pelos místicos e Iniciados atualmente vem sendo aceito pela própria ciência que já começa a afirmar que toda matéria é energia ( E=MC2 ), que as coisas existentes são composta de um algo fundamental, e que as freqüências desse algo determina a natureza específica de cada átomo. Assim é plenamente aceitável a concepção de que a música libera no mundo material uma energia fundamental, superfísica, que vem de fora do mundo da experiência cotidiana.

Desta forma não há razão para se estranhar o lado melódico de algumas religiões e Ordens Iniciáticas. Sabe-se que a voz do sacerdote, da sacerdotisa ou vestal age no tempo e espaço e através do qual manifestam-se determinadas forças que podem ter poder energizante do Criador.

A música ritualística pode servir de canal entre Deus e o homem, é uma chave para a liberação das energias do Supremo no mundo material.

" Os demônios entoam em conjunto louvores a Deus. Eles perdem a maldade e a ira". Mistério da Primeira Hora - Nuctemeron - Apolônio de Tiana.

Entre outras referências podemos considerar o homem em seu aspecto negativo através dos sons modificando suas qualidades inferiores.

A história tem mostrado que uma inovação no estilo musical de um povo tem sido invariavelmente seguida de uma inovação política e moral, por isto é que os filósofos antigos, especialmente os chineses, davam muito atenção à música do seu país, desde que tinham certeza de que para que todos os cidadãos se mantivessem livres dos perigos do uso indevido da música e do seu poder, e para que todos aproveitassem o seu efeito benéfico, ela tinha que ser devidamente orientada. Toda música deveria transmitir verdades eternas e especialmente influir no caráter do homem visando torna-lo melhor.

Os mestres da antigüidade estavam certos de que toda música vulgar e sensual exercia uma influência imoral sobre o ouvinte, daí o porquê de toda música devia ser devidamente cuidada para que ela fosse dirigida ao lado espiritual e não para o lado da degradação. Qualquer música deveria ser direcionada de tal forma que o seu efeito se fizesse sentir no sentido do bem. Por isto justifica-se Confúcio haver condenado diversos estilos de música que supunha moralmente perigosos. Dizia: "A música de Cheng é lasciva e corruptora, a música de Sung é mole e efeminante, a música de Wei é repetitiva e tediosa, a música de Ch´i é dura e predispõe à arrogância." Também são palavras de Confúcio: " A música do homem de espirito nobre, suave e delicado, conserva um estado d´alma uniforme, anima e comove. Um homem assim não abriga o sofrimento nem o luto no coração; os movimentos violentos e temerários lhes são estranhos". " Se alguém desejar saber se um reino é bem ou mal governado, se a sua moral é boa ou má, examine-se a qualidade da sua música, que terá a resposta".

A cítara chinesa de 4 cordas tem uma razão espiritual de ser. As quatro cordas relacionam-se com as quatro estações e também a concepção dos quatro aspectos do homem: Mente abstrata, mente concreta, emoções, e corpo físico. Estas quatro qualidades mais tarde foram representados pelos alquimistas como os quatro elementos: Fogo, Ar, Água e Terra.

A música por ser uma manifestação vibratória está diretamente relacionada com os Princípios Herméticos em todos os seus aspectos. Na escala tonal, mantendo-se de lado 2 semitons, existem 7 tons maiores e 5 tons menores perfazendo um total de 12 tons que somados aos semitons perfazem o número 14. Pela música pode-se penetrar intimamente nos mistérios desses três números.

Os 12 tons estão associados às 12 casas do zodíaco, que na realidade refletem as vibrações dos 12 focos de irradiação cósmica [1] sobre os quais já falamos em palestras anteriores. Por isto dizem que a astrologia começou como o estudo do Tom Cósmico. Concebia-se a astrologia como originalmente baseada nesses 12 tons e nas influências que as suas freqüências vibratórias exerciam sobre a terra.

O tempo tem muito a ver com os 12 tons cósmico, não é sem razão que o tempo tem base 12 o dia tem doze horas, o ano tem doze meses.[2]
música.

Padrão de Vitral da Idade Média.
Os chineses, e outros povos da antigüidade, misticamente dividiam o ano em períodos de l2 meses e o dia em dois períodos de 12 horas. Tais divisões não eram arbitrárias, resultavam de um sábio reconhecimento, por parte do homem, de fatos objetivos de natureza cósmica, pois sabiam que os 12 tons musicais eram manifestações da ordem celestial no mundo terreno. À cada um dos períodos correspondia um determinado tom, ou seja, cada hora corresponderia a um tom e da mesma forma a cada mês do ano. Neste contexto reconheciam na música certa correspondência com a data - mês - e com o horário do dia, por isso numa determinada hora a música adequada normalmente era diferente daquela indicada para uma outra hora, e o mesmo com relação aos meses. Desta forma procurava-se a harmonia vibratória entre a música ao nível da terra com a vibração correspondente ao nível cósmico. Em outras palavras, eles concebiam os sons audíveis como sendo manifestações a nível físico das vibrações primordiais imediatas ao OM.
Assim como os Tons Cósmicos mantinham a harmonia e a ordem nos céus, da mesma forma a música mantinha a ordem e a harmonia na terra, bastando para isto que a sua composição e execução fosse estruturada como um reflexo adequado da ordem, da harmonia, e da melodia dos Tons Cósmicos.José Laércio do Egito - F.R.C.