contos sol e lua

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Trilogia das Lanças de Christos.

A Trilogia das Lanças de Christos, também conhecida como Trilogia dos Anjos, é uma série de romances escritos por Antônio Augusto Shaftiel. Narra a história de uma falange angelical chamada Lanças de Christos que desce à Terra em nome de um Serafim para capturar um criminoso que ofendeu as leis celestiais. O mundo da Trilogia das Lanças de Christos é composto de muitos elementos mitológicos. As lendas são verdadeiras e o perigo que elas representam só pode ser evitado pela força de vontade de cada pessoa. A maioria não está ciente do mal que cerca o mundo, nem das batalhas entre os seres sobrenaturais e ordens secretas. O Mundo de Trevas não é maniqueísta. Até os anjos podem ser maus e os demônios nem sempre são a pura perversidade que aparentam. A procura por redenção e a ânsia pelas trevas pode ser encontrada em qualquer espírito. É a partir daí que começa a trama, quando um Serafim pretende uma vingança após um plano milenar, movimentando as hostes celestiais como há muito não era feito. Para iniciar os eventos, ele envia as Lanças de Christos para caçar o arquimago Adapa. Entre Anjos e Demônios. Laviniah, anjo líder das Lanças de Christos, sente-se feliz e orgulhosa quando o Serafim Laoviah lhe concede a honra de descer à Terra para caçar o arquimago Adapa. Ela avisa sua inusitada falange que é hora de uma das batalhas mais importantes que enfrentarão sem saber dos horrores e das verdades com que se depararão. Fatos cada vez mais assustadores deixam os anjos das Lanças de Christos desnorteados. Primeiro é a aparição da Irmandade Rubra, uma seita há muito desaparecida. De volta, esses anjos caídos que tingem seus mantos com o sangue celestial massacram a falange de Laviniah. Agora os anjos só podem contar com um estranho mago brasileiro chamado Francisco para poderem escapar das armadilhas que Adapa lhes prepara. Assassino de Almas. O mago Francisco vive atormentado após os eventos de Entre Anjos e Demônios. Marcado para o Inferno e convivendo com a maldição de sua amante, a anjo caída Gabriela, ele procura desesperadamente um meio de se livrar de todos esses males. Sempre com o pensamento pronto para se livrar de qualquer problema, Francisco consegue as pistas para se limpar da maldição e ainda salvar Gabriela. A única resposta do mago é um ritual baseado no assassinato de almas. Agora a questão é se ele conseguirá realizar essas ações, somando mais um tormento a sua alma. Enquanto parte para esses feitos, as Lanças de Christos dessem dos céus mais uma vez para procurar por almas de santos assassinados. Desconfiam logo de Af, o Anjo da Fúria campeão da Irmandade Rubra. Já tendo sofrido com os ataques desses, agora os anjos de Laviniah precisam enfrentar mais uma vez um de seus arquiinimigos. O Serafim Laoviah continua ativo em meio a todos esses problemas. Observa os movimentos de cada criatura, dedilhando suas almas como se lidasse com um tabuleiro de xadrez. Príncipe da Destruição. O romance Príncipe da Destruição, lançado em 2006, fecha a Trilogia das Lanças de Christos. É o maior volume da série e tem início com um prólogo sobre a Insurreição de Lúcifer, contando sobre a inimizade entre o Primeiro dos Anjos e Laoviah, o Príncipe da Destruição e do Castigo Final. Francisco, vivendo com sua amante e agora com um novo amigo, Liel, é quase assassinado por demônios e um mago. Ajudado por Laviniah e por Dumah, o anjo muçulmano do silêncio, precisa investigar quem estava por trás desses assassinos. Juntam-se a eles dois heróis inusitados, Elkalas, um anjo da morte que sempre quer parecer carismático para as almas que pretende levar para o Paraíso, e Zem´Yuriah, Anjo da Destruição que se irrita com freqüência com o pavor que o amigo Elkalas inspira nas pessoas com quem quer se dar bem. Os eventos da série se encaminham para o final com batalhas grandiosas e inimigos cada vez mais perversos, o que transparece em algumas partes de teor mais adulto no livro. Laviniah: anjo líder das Lanças de Christos. É famosa por caçar pecadores e demônios liderando seu grupo há mais de cem anos. Utiliza uma lança forjada no fogo da destruição de Sodoma e Gomorra, além de uma espada que se mancha quando utilizada com soberba. Dumah: um dos guerreiros mais poderosos das Lanças de Christos. É um anjo negro de asas cinzentas. Não emite palavra alguma. Convive com anjos cristãos em paz mesmo sendo um anjo muçulmano. Utiliza um machado de batalha e mesmo nas piores lutas combate no mais pleno silêncio. Azis: um dos anjos mais detestados das Lanças de Christos, conhecido por disputar o poder com Laviniah. Repleto de poderes mentais, é o responsável pelas ações sociais da falange. Gabriela: uma anjo guerreira que não perdeu seu ar de pureza. Tem asas de bem-te-vi e uma face bela que atraiu a paixão do mago Francisco. Batalha com uma lança e arremessando adagas. Liel: anjo mago conhecido por manipular poderes de luz. Após os eventos de Entre Anjos e Demônio, Liel passa a recuperar parte de suas memórias como mortal, fato proibido pelos anjos. Francisco: um mago brasileiro com mais de 200 anos. Esperto e cheio de recursos, é perito em magias espirituais. Mesmo sendo o mais frágil fisicamente ao lidar com os anjos, seu pensamento rápido e poderes mágicos o livra de muitos problemas. Af: Anjo da Fúria temido tanto no Céu quanto no Inferno. Caiu há muitos séculos e sua história é pouco conhecida. Reservado e taciturno, conversa apenas com sua amante, outra assassina da Irmandade Rubra. Batalha com uma lança que pertenceu ao Assassino de Almas e com duas espadas chamadas Assassina e Flagelo. Laoviah: o Serafim da Destruição e do Castigo Final é uma figura de influência. Criado por Demiurgo com a missão de destruir e castigar os pecadores, ainda se lembra que Lúcifer não foi punido devidamente e anseia pelo momento em que batalhará com o inimigo. Batalha com uma espada chamada Expurgo. Adapa: O arquimago milenar é conhecido por uma magia que pode destruir Serafins. Fugiu da prisão dos anjos e agora é perseguido para pagar por seus crimes. É a peça chave para os eventos desencadeados por laoviah. Outros personagens Lanças de Christos: A falange de Laviniah é composta de vários membros que aparecem mais ou menos no decorrer dos livros. Entre eles estão o mensageiro Aelus, o guerreiro das sombras Kiah, o mago Simão, a inquisidora Bianca e o fiel Ioulah. Irmandade Rubra: Outros assassinos da Irmandade Rubra são Patrícia, a amante de Af, e Natanael, o anjo jovem que prende suas tranças com nervos ópticos de suas vítimas. Outros personagens surgem durante os livros, mas revelar sobre eles também é contar sobre eventos especiais da trama como a aparição de Lúcifer, Gabriel, Azazel, Rafael e Miguel.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Livro da Vida.

Absorto, o Sábio antigo, estranho a tudo, lia... — Lia o «Livro da Vida» — herança inesperada, Que ao nascer encontrou, quando os olhos abria Ao primeiro clarão da primeira alvorada. Perto dele caminha, em ruidoso tumulto, Todo o humano tropel num clamor ululando, Sem que de sobre o Livro erga o seu magro vulto, Lentamente, e uma a uma, as suas folhas voltando. Passa o Estio, a cantar; acumulam-se Invernos; E ele sempre, — inclinada a dorida cabeça,— A ler e a meditar postulados eternos, Sem um fanal que o seu espírito esclareça! Cada página abrange um estádio da Vida, Cujo eterno segredo e alcance transcendente Ele tenta arrancar da folha percorrida, Como de mina obscura a pedra refulgente. Mas o tempo caminha; os anos vão correndo; Passam as gerações; tudo é pó, tudo é vão... E ele sem descansar, sempre o seu Livro lendo! E sempre a mesma névoa, a mesma escuridão. Nesse eterno cismar, nada vê, nada escuta: Nem o tempo a dobrar os seus anos mais belos, Nem o humano sofrer, que outras almas enluta, Nem a neve do Inverno a pratear-lhe os cabelos! Só depois de voltada a folha derradeira, Já próximo do fim, sobre o livro, alquebrado, É que o Sábio entreviu, como numa clareira, A luz que iluminou todo o caminho andado.. Juventude, manhãs de Abril, bocas floridas, Amor, vozes do Lar, estos do Sentimento, — Tudo viu num relance em imagens perdidas, Muito longe, e a carpir, como em nocturno vento. Mas então, lamentando o seu estéril zelo, Quando viu, a essa luz que um instante brilhou, Como o Livro era bom, como era bom relê-lo, Sobre ele, para sempre, os seus olhos cerrou... António Feijó.

A Cidade do Sonho.

Sofres e choras? Vem comigo! Vou mostrar-te O caminho que leva à Cidade do Sonho... De tão alta que está, vê-se de toda a parte, Mas o íngreme trajecto é florido e risonho. Vai por entre rosais, sinuoso e macio, Como o caminho chão duma aldeia ao luar, Todo branco a luzir numa noite de Estio, Sob o intenso clamor dos ralos a cantar. Se o teu ânimo sofre amarguras na vida, Deves empreender essa jornada louca; O Sonho é para nós a Terra Prometida: Em beijos o maná chove na nossa boca... Vistos dessa eminência, o mundo e as suas [sombras, Tingem-se no esplendor dum perpétuo arrebol; O mais estéril chão tapeta-se de alfombras, Não há nuvens no céu, nunca se põe o Sol. Nela mora encantada a Ventura perfeita Que no mundo jamais nos é dado sentir... E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita, A própria Dor começa a cantar e a sorrir! Que importa o despertar? Esse instante divino Como recordação indelével persiste; E neste amargo exílio, através do destino, Ventura sem pesar só na memória existe... António Feijó.

O Orgulho e a Vaidade.

O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência do nosso próprio mérito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser — pois tal é a natureza humana — vaidoso sem ser orgulhoso. É difícil à primeira vista compreender como podemos ter consciência da evidência do nosso mérito para os outros, sem a consciência do nosso próprio mérito. Se a natureza humana fosse racional, não haveria explicação alguma. Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a vaidade em acção. Fernando Pessoa.

Aprender a Ver.

Aprender a ver - habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo — tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir. — Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa «objectividade» moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence. Friedrich Nietzsche.

A Sabedoria do Sofrimento.

O sofrimento não tem menos sabedoria do que o prazer: tal como este, faz parte em elevado grau das forças que conservam a espécie. Porque se fosse de outra maneira há muito que esta teria desaparecido; o facto de ela fazer mal não é um argumento contra ela, é muito simplesmente a sua essência. Ouço nela a ordem do capitão: «Amainem as velas». O intrépido navegador homem deve treinar-se a dispor as suas de mil maneiras; de outro modo, não tardaria a desaparecer, o oceano havia de o engolir depressa. É preciso que saibamos viver também reduzindo a nossa energia; logo que o sofrimento dá o seu sinal, é chegado o momento; prepara-se um grande perigo, uma tempestade, e faremos bem em oferecer a menor «superfície» possível. Há homens, contudo, que, quando se aproxima o grande sofrimento, ouvem a ordem contrária e nunca têm ar mais altivo, mais belicoso, mais feliz do que quando a borrasca chega, que digo eu! E a própria tempestade que lhes dá os seus mais altos momentos! São os homens heróicos, os grandes «pescadores da dor», esses raros, esses excepcionais de que é necessário fazer a mesma apologia que se faz para a própria dor! Não lha podemos recusar! São conservadores da espécie, estimulantes de primeira qualidade, quando mais não seja porque resistem ao bem-estar e não escondem o seu desprezo por essa espécie de felicidade.Friedrich Nietzsche.

Não há Vida Boa sem Autodomínio.

O homem faz-se ou desfaz-se a si mesmo. O homem controla as suas paixões, as suas emoções, o seu futuro. Consegue-o canalizando os seus impulsos físicos para conseguir realizações espirituais. Qualquer animal pode esbanjar a sua força realizando os impulsos físicos sempre que os sente. Compete ao homem canalizá-los para fins mais produtivos que a satisfação dos impulsos. Ninguém se tornou ilustre por fazer o que lhe apetecia. Os homens insignificantes fazem o que querem - e tornam-se nuns Zés-Ninguém. Os grandes submetem-se às leis que regem o sector em que são grandes. O autodomínio é sempre recompensado com uma força que dá uma alegria interior inexprimível e silenciosa que se torna no tom dominante da vida. O autodomínio é a qualidade que distingue os mais aptos para sobreviverem. O mais importante atributo do homem como ser moral é a faculdade de autodomínio escreveu Herbert Spencer. Nunca houve, nem pode haver, uma vida boa sem autodomínio; sem ele a vida é inconcebível. A vitória mais importante e mais nobre do homem é a conquista de si mesmo. Alfred Montapert.