contos sol e lua

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segunda-feira, 10 de junho de 2024

As quatro aptidões......Fonte: Revista “O Pantáculo”, ano I, nº 1 – edição 1993.

Podemos chamar as Quatro Aptidões de edifício base, fundamento e alicerce de todo místico na Senda para que possa se qualificar como “Iniciado”, mais precisamente “Discípulo”. Cada Discípulo, por suas aspirações, seu desejo sincero de se elevar e progredir, dirige-se para a senda da maestria que um dia alcançará. Mas antes de chegar ao que nós místicos denominamos “domínio do Eu” ou “domínio da vida”, é primordial ter as quatro aptidões: determinar, ouvir, ver e falar. DETERMINAR – é importante considerar esta expressão em seu sentido esotérico, ou seja, a faculdade de resolver todos os problemas encontrados na senda com o máximo de eficiência e com o melhor critério possível. Mas qual será a ferramenta que encontraremos em nossa vida que vai nos permitir adquirir essa faculdade? É a “Sabedoria”. A Sabedoria Divina, aquela que se encontra na Tradição Primordial. Nesse nível é que encontramos a verdadeira Sabedoria. Sem consciência dela o que dispomos é de um punhado de coisas, talvez nada, quando se trata de benefícios úteis para a humanidade. OUVIR – primeiramente é preciso saber escutar, mas um ser que só escuta não ouve necessariamente. Para o místico, o êxito em ouvir é escutar a voz do nosso Guardião, a voz do nosso “Eu Interior”, para atingirmos o domínio do Eu. VER – não apenas no sentido físico como o compreendemos e que está entre os cinco sentidos objetivos. Ver, usando os olhos como canais da Alma, “as janelas da alma” como dizia Leonardo da Vinci. Na Tradição o olho sempre esteve presente como um símbolo do conhecimento. O olho é a consciência que interpenetra o universo, a Divina visão que tudo abrange. Para o Místico, Ver, é aspirar à LUZ. FALAR – é o quarto aspecto que definimos na introdução como aptidão. A palavra é verdadeiramente uma força muito poderosa que se manifesta através das coisas e o místico nunca fica indiferente ao poder da palavra. Segundo São João: “No início era o Verbo, e o Verbo estava com DEUS, e o Verbo era DEUS”. Analisando esta frase de grande profundeza esotérica compreendemos que a criação do universo foi através de uma ideia, um pensamento expressado e articulado em forma de palavras. O homem deve considerar que a palavra tem, de fato, um poder criador e espiritual. É por isso que a escolha da palavra correta transmitida a outrem é fundamental. O Discípulo deve proclamar a verdade que está no seu interior. Foi isto que fizeram os grandes Avatares e Iniciados da humanidade. Devemos sempre emitir palavras convenientes e construtivas. Ao utilizar o poder da palavra, devemos nos manter íntegros e éticos. Trabalhando estas quatro aptidões estaremos nos preparando para um tempo de que ainda não temos não temos consciência…”

segunda-feira, 27 de maio de 2024

A Beleza Universal.Christian Bernard .

O adágio “Se você quer ser belo, detenha-se por um minuto diante do seu espelho, cinco diante da sua alma e quinze diante do seu Deus” resume bem um dos objetivos a que todo ser humano deveria buscar. Pagar tributo à Beleza divina deveria ser nosso objetivo prioritário, e ele não pode ser alcançado a menos que nós mesmos nos tornemos belos. Quando falo em Beleza, naturalmente não me refiro à estética corporal à qual alguns atribuem demasiada importância e que, infelizmente, tornou-se, em nossa época, um culto ridículo e mesmo perigoso. Penso sobretudo na beleza de nosso santuário interior, a qual, independentemente do aspecto exterior do templo no qual se encontre, pode irradiar-se a todo momento sob a forma de um magnetismo que nada nem ninguém pode alterar ou diminuir. Neste sentido, a feiúra não deve ser considerada como uma ausência de beleza física, mas como a expressão de uma grande falta de espiritualidade. O que confere beleza à garrafa, à parte a pureza de sua forma e a qualidade de seu vidro, é antes de tudo o grau de luminosidade que ela é capaz de refletir. O mesmo se aplica ao ser humano. Pelo tempo em que ele esconder sua luz interior, permanecerá prisioneiro de seu corpo e, no melhor dos casos, não poderá manifestar senão a aparência daquilo que lhe parece belo. Somente o misticismo pode nos dar o poder de desvelar nossa espiritualidade e de libertar plenamente as virtudes escondidas de nossa alma. Tomemos, por exemplo, a verdade. Não há erro mais grave do que a recusa em ver e ouvir a verdade. A verdade é una porque Deus é Uno, mas os erros são múltiplos porque a ignorância desconhece o número de seus adeptos. Ora, o que torna belo o indivíduo é o conhecimento de si mesmo – esse conhecimento que pode elevá-lo até as estrelas mais longínquas para lhe presentear com a Consciência divina. Observemos também que não é por acaso que o estado de consciência crística é simbolizado na Árvore cabalística pela sefira Tiphereth, ela própria símbolo da beleza adâmica na Terra. Não é dito que o próprio Mestre Jesus veio para manifestar a Beleza Divina? Esforcemo-nos para imitar a beleza de intenção e de ação que animou o Mestre Jesus ao longo de seu ministério. Isto naturalmente não quer dizer que devemos nos tomar por ele e buscar inflar nosso próprio ego por uma pomposa imitação daquilo que julgamos conhecer acerca dele. Isto significa simplesmente que devemos nos aplicar plenamente para sensibilizar as pessoas de nosso convívio àquilo que é belo, a fim de levar seu senso estético a evoluir na direção dos arquétipos superiores. Creio que é difícil atingir este objetivo por intermédio da arte, pois ela, nesse ponto da evolução humana, ainda é uma expressão muito imperfeita da Perfeição divina. É verdade que muitos são os mestres que, por intermédio da música, da pintura, da escultura ou de outros ramos da arte, encarnaram formas-pensamento de grande pureza e perfeição. Mas para a maioria das pessoas, tais obras estão além do que elas são capazes de sentir e de compreender em matéria de beleza. É sem dúvida por esta razão que uma pintura inspirada será para alguns o cúmulo do horror ou que, inversamente, uma música decadente será para outros o summum da inspiração. Tudo isto naturalmente não quer dizer que não haja beleza universal. Isto simplesmente nos mostra que o homem encarnado, antes de ser capaz de discernir a existência de tal beleza, permanece por muito tempo prisioneiro de uma má concepção daquilo que é belo. Neste livro, um outro capítulo também está consagrado à beleza, mas mais particularmente à beleza através da arte. Não é senão evoluindo na direção dos planos de consciência cada vez mais elevados que cada um pode retirar o véu e se aproximar da magnificência da verdadeira beleza. Enquanto o homem não atinge um certo degrau de evolução, ele não faz mais do que projetar em seu meio o sentido que sua mente dá à beleza. Dito de outra maneira, ele busca aquilo que é belo por meio dos olhos do corpo, e não através dos olhos de sua alma. Segundo esse ponto de vista, podemos dizer que existem tantos critérios de beleza quanto indivíduos, e isto procede se compararmos todas as civilizações e formas de sociedade, mesmo as atuais. Podemos, no entanto, constatar que há coisas sobre as quais existe um consenso no tocante à sua beleza. Sobre elas, é dito que refletem a harmonia, inspiram e apaziguam. Para darmos alguns exemplos, nunca aconteceu de você ouvir dizer que uma aurora ou um crepúsculo, ou ainda um céu estrelado, são feios. As coisas acontecem diferentemente quando perguntamos às pessoas o que elas pensam da beleza deste ou daquele objeto. Aparece então uma divergência entre as diversas concepções de beleza, cada qual sendo resultante da educação, da personalidade e da evolução interior de cada um. Portanto, é fácil compreender que o problema do homem não é que ele seja insensível à beleza universal, mas sobretudo que, na maioria dos casos, ele não toma consciência dela, não sabe onde situá-la ou é incapaz de exprimí-la naquilo que ele pensa, diz e faz. Como venho de salientar, todo indivíduo é sensível à beleza que se manifesta pelo viés da natureza. Devemos então levar nosso meio, e mesmo um público mais amplo, se pudermos, a refletir sobre o porquê e o como desta sensibilidade à beleza. Agindo assim, conduziremos progressivamente essas pessoas a não mais se contentarem com aquilo que constitui a beleza da natureza e do universo, mas a participarem conscientemente nela enquanto atores e espectadores. Que possamos dar a eles o desejo de abrir o “Livro do homem” e o “Livro da natureza” e o desejo de conhecer e compreender as leis que se operam neles e ao redor deles. É a isso que me dediquei através destas reflexões, e espero que você possa encontrar em si e a seu redor a sublime beleza universal.

Tempo perdido. Jeanne Guesdon.

Charles Darwin (1809-1882) foi um dos maiores cientistas do último século. Sua obra fundamental sobre a origem das espécies teve, desde sua publicação, uma repercussão universal e orientou a biologia em caminhos novos e fecundos. Darwin baseou seus trabalhos em milhares de observações. Teve, portanto, um trabalho enorme. No entanto, sua saúde não era boa; ele era fisicamente incapaz de um trabalho de muitas horas seguidas e, em suas memórias, confessa: “Nunca pude trabalhar mais de duas horas por dia.” Duas horas? É bem pouco. Mas quando esse lapso de tempo foi repetido todo dia, realmente todo dia, ele permitiu fazer obra digna de admiração, um verdadeiro monumento de saber humano. Chamamos sua atenção para o bom uso que cada um de nós pode e deve fazer do mais valioso dos tesouros: o tempo. Quantas vezes ouvimos confidências do tipo: “Sim, eu gostaria muito de fazer progressos maiores, mas não tenho tempo”. Ao que podemos quase sempre responder, sem medo de errar; “Bem, esse tempo necessário ao estudo, você o tem, mas não sabe usá-lo. Você o desperdiça, você o joga fora. Sem nem mesmo se dar conta disto…”. Pois, assim como gotas de água, milhares de vezes repetidas e caindo sempre no mesmo lugar, acabam vencendo a resistência do granito, assim também os minutos de estudo ou meditação, repetidos diariamente, nem que seja a razão de dez ou quinze minutos cada vez, farão de você um autêntico buscador da verdade, logo um Rosacruz. Faça um exame sincero de seu uso do tempo diário e veja se não há um só quarto de hora por dia que você desperdice com conversas fúteis, leitura de revistas sem cultura etc. Economizando esses momentos de tempo perdido, encontramos facilmente, mesmo que sejamos “terrivelmente ocupados”, aquele quarto de hora necessário ao estudo. E com a condição expressa de continuarmos todos os dias, sem nenhuma interrupção, de perseverarmos, faça chuva ou faça sol, é certo e seguro que podemos realizar um trabalho considerável e atingir nossos objetivos. Há também um meio mais sutil de perder tempo: é usá-lo pela metade, isto é, não nos dedicarmos completamente à tarefa que executamos, sendo que devemos nos entregar a ela por inteiro, não nos deixarmos distrair por nada, entrarmos inteiros naquilo que fazemos. O importante é uma atenção absoluta, que tenha de certo modo um valor magnético. Naturalmente, tal resultado não se obtém num só dia. Mas a Ordem Rosacruz, AMORC vai, justamente, ensiná-lo a obter esse estado de concentração, no mínimo de tempo e com o máximo de eficiência. Também é importante escolhermos para nossos momentos de estudo um tema relacionado às nossas possibilidades, aos nossos gostos. Se quiséssemos atacar uma tarefa árdua demais, possivelmente os fracassos nos cansariam e nos desestimulariam, ao passo que, se o esforço estiver à altura dos nossos meios, ele ampliará o campo de nossa ação. O crescente interesse vai também nos abrir novos horizontes de busca; o esforço inicial se tornará um prazer e dará o sentimento e a satisfação do dever cumprido, o que em geral proporciona, acima de tudo, paz e muitas vezes felicidade também. Lembremos também que o tempo foge com rapidez. Nós marcamos sua passagem com medidas humanas, mas não podemos detê-lo. O minuto presente nem bem existe e logo outro chega, e é substituído pelo seguinte. Dentre os momentos perdidos, esta mensagem mencionou as conversas fúteis. Uma pessoa rumina várias vezes aquilo que já disse… E para quê? Para se repetir! Outra, quando você lhe conta uma experiência vivida, um acontecimento qualquer, vai imediatamente relatar algo parecido com o que você acabou de falar. Ora, lembre-se de que aquilo que tem interesse pessoal para você muitas vezes não interessa à pessoa que está ouvindo. Na hora de falar, seria bom também lembrar-se de uma das lições rosacruzes que fala do esquecimento de si mesmo e da supressão do pronome “eu”. Também nesse caso, há uma disciplina a ser seguida e um treinamento a ser feito; e, em vez de “colher flores ao longo da estrada da vida”, essa disciplina e esse treinamento o ajudarão a subir a encosta, mais penosa, da senda da montanha que conduz à iluminação.

sábado, 25 de maio de 2024

O Começo de um novo ciclo – H.Spencer Lewis.

Sempre me pareceu estranho que as pessoas do mundo inteiro encarem o primeiro dia de um novo ano, o início de um novo calendário no primeiro dia de janeiro, como o começo de um novo ciclo de realizações, de tomada de resoluções, ou como um período de iniciar coisas novas e de promover mudanças. A verdade sobre isso é que para muito poucos de nós, muito poucos mesmo, o primeiro dia de janeiro é o verdadeiro começo de um novo ciclo. Para a maioria das pessoas, seu aniversário, a data do seu natalício, é verdadeiramente o início de um novo ciclo, que vai de um a outro aniversário. Não posso compreender por que a média dos filósofos ou dos místicos sinceros, e todas as pessoas sensíveis não sintam que o começo de cada dia, desde o nascer do Sol, é o começo de um novo ciclo. Será que pode haver algum ciclo mais propício, maior e mais pleno que o das vinte e quatro horas por que passamos todos os dias? Pense na incoerência de esperarmos de um a outro novo ano, ou de um a outro aniversário, para tomarmos novas resoluções, mudarmos velhos hábitos, ou colocarmos em prática novas ideias, quando o nascer do Sol a cada vinte e quatro horas traz o nascimento de um novo ciclo que é tão pleno de possibilidades quanto qualquer grande ciclo místico! Assim, se já não o fez, faça deste ano um novo ano e um novo ciclo, um novo começo. Não se importe com o fato de que o primeiro dia do ano já se foi, que muitos de nós provavelmente se esqueceram do início de um novo ciclo anual (o começo arbitrário, indefinido, artificial e inconsistente, que não é uniforme no mundo inteiro), e pense apenas no ciclo que começa amanhã, o dia seguinte a este em que você está lendo este artigo. Levante-se amanhã de manhã cheio de disposição e vigor, com a determinação de que, tão certo quanto o Sol surge no horizonte e se eleva ao meio do céu até que comece a se pôr, você elevar-se-á com ele aos píncaros da glória. Esteja determinado a se levantar interiormente, espiritual e poderosamente, decidido a alcançar o zênite de sua vida, a conquistar o mundo e ser mestre das experiências por que passe. Imagine que amanhã será o único dia, último dia de sua vida em que terá a oportunidade, a consciência e a vitalidade de fazer qualquer coisa. Faça de cada minuto do dia de amanhã não apenas um minuto venturoso, mas um momento cósmico, um momento vital para a consecução de algo, quer isso seja um período de relaxamento que melhorará sua saúde, um gesto amável para com algum semelhante, uma ou duas horas de estudo, alguns atos de caridade, ou uma combinação disso tudo. Quando o dia estiver terminado e o Sol tiver se posto no horizonte, possa dizer para si mesmo, ao deitar a cabeça no travesseiro, que esse dia foi o maior ciclo de realizações e conquistas de sua vida. E repita isto todos os dias! Não espere algum outro dia “especial”. Isto é tão tolo quanto o ato de esperar o domingo para ir a algum lugar de adoração, ajoelhar-se e orar, esquecendo-se de Deus o resto da semana. Podemos elevar em oração nossos pensamentos e consciência a Deus a qualquer minuto, a qualquer hora do dia, onde quer que estejamos: num templo, no escritório, em casa, no campo ou num automóvel; e podemos fazer de cada dia o começo de um novo ciclo. Assim, se você puder harmonizar cada dia deste ano com o espírito promissor de um novo ano, faça isso e torne este ano que se inicia o melhor ano, o maior ciclo de sua vida.

quinta-feira, 28 de março de 2024

Criando o nosso futuro.Por H. Spencer Lewis,

Este é sem dúvida um período, na vida de muitos milhares de pessoas, em que o passado se torna uma lembrança e o futuro se apresenta como um grave, ponto de interrogação. Essas pessoas parecem sentir que estão à beira de um grande abismo. Atrás delas estão campos, montanhas e vales pelos quais viajaram com maior ou menor segurança e com prazer e felicidade consideráveis, misturados com períodos de tristeza e pesar. Essas coisas agora parecem irrelevantes, no momento em que elas enfrentam o grande abismo em sua frente, cheio do terror do desconhecido e apresentando um sério obstáculo ao seu futuro e progresso. No momento em que essas pessoas se defrontam com esse amplo abismo, parece que só um milagre poderá ajudá-las a cruzar o grande espaço vazio e evitar que elas caiam no recesso escuro lá embaixo, encerrando assim sua jornada. No passado, quando os pioneiros da América do Norte cruzaram o continente na tentativa de alcançar as jazidas de ouro e os vales frutíferos da Califórnia, houve muitas ocasiões em que muitos deles, em carroças e a pé, defrontaram-se com situações desse gênero. Parecia que o fim da jornada estava logo ali e, no entanto, a meta que eles almejavam estava ainda muito longe. Durante dias, eles acampavam à beira de um abismo ou “canyon”, perguntando-se como haveriam de cruzar aquele grande espaço, com sua profundeza de centenas de metros, e prosseguir em sua jornada do outro lado, rumo à meta distante. Viam-se então diante de verdadeiros problemas de engenharia, mas não tinham nem a habilidade nem o material para construir alguma ponte sobre o abismo. A história do progresso desses pioneiros mostra que eles finalmente encontraram um meio de passar para o outro lado do abismo e prosseguir para o oeste, e seu sucesso será sempre um marco memorável da intrepidez da mente humana. Engenhosamente, preces ao Cósmico suplicando inspiração, determinação, força de vontade e uma indômita fé na Providência ajudaram-nos a resolver seus problemas. Eles não podiam voltar, pois tinham viajado durante meses e atravessado regiões desertas onde não havia alimento nem água, e o fim de seu suprimento dessas coisas significava que eles tinham de ir para frente ou ficar onde estavam e morrer de fome. Sem dúvida, aquelas pessoas enfrentaram obstáculos maiores do que no caso dos milhares de pessoas, hoje em dia, que pensam que seu problema não tem solução. Cruzando o Abismo O abismo que as pessoas têm de enfrentar atualmente é mental, e não físico. Os obstáculos que elas têm de superar são mais mentais do que físicos, em todos os sentidos. É indubitavelmente verdadeiro que essas pessoas estão, por assim dizer, sobre uma rocha material, de modo que, no momento, têm de lidar com obrigações e condições materiais, mas o grande hiato entre elas e o progresso futuro em sua vida não é um abismo material que possa ser vencido com uma ponte de coisas materiais. O estímulo que encorajava aqueles antigos pioneiros a enfrentar seus problemas e resolvê-los era o fato de que o futuro era bastante claro, atraente e, sob todos os aspectos, fascinante. Eles não tinham dúvida quanto à alegria, à felicidade e ao sucesso que os aguardava se conseguissem cruzar o grande abismo. Era essa imagem de futura prosperidade e do gozo das maiores bênçãos da vida que fortalecia sua determinação de resolver seus problemas. Os milhares de pessoas que hoje se sentem deprimidas e estão à beira do abismo, cheias de dúvida e hesitação, não contam com uma sedutora imagem do futuro para encorajá-las a enfrentar seus problemas, não conseguem vislumbrar um futuro brilhante e feliz e não conseguem ver a meta que almejam aguardando-as logo além do horizonte. Por isso hesitam e se perguntam se vale a pena o esforço de superar os obstáculos atuais e se alguma coisa no futuro vale o supremo sacrifício que seja feito no presente. E é nisso que elas estão erradas. Este é realmente o seu maior problema, pois elas têm de eliminar de sua mente a dúvida quanto ao futuro: precisam ter uma gloriosa imagem do que terão pela frente, a fim de que possam ser fortalecidas para a luta com seus atuais problemas e superá-los. Visualização Os antigos pioneiros não sabiam nada do futuro, exceto pelas notícias que tinham chegado até eles e pelas imagens que haviam formado em sua mente. Fazia muitos meses que tinham partido de seus lares no Leste e, durante esses muitos meses de sofrimento e privação, enquanto viajavam, haviam recriado, pintado novamente e reconstruído as imagens mentais do que o futuro lhes reservava. Em suas horas de solidão, privação, frio, fome e intenso sofrimento por causa de tempestades e outras circunstâncias, eles aliviavam o corpo e a mente rejeitando o presente e o passado e vivendo mentalmente na bela imagem do futuro que sua mente preservava e mantinha diante deles como uma rica recompensa por todo o sofrimento e esforço. O futuro tornara-se para eles tão verdadeiro, tão próximo e tão tangível em cada um de seus elementos que eles podiam cruzar o hiato do presente e mudar o passado para o futuro num piscar de olhos. Acordados ou adormecidos, seus sonhos se passavam naquelas horas para além do horizonte, onde tudo seria conforme eles tinham construído em suas imagens mentais. Eles criavam lares, novas propriedades aninhadas em vales férteis ou nas encostas de colinas pitorescas. Enchiam cofres de ouro e caixas de frutas. Visualizavam uma nova vida, uma nova força, um clima temperado e uma abundância de paz, felicidade e contentamento do que necessitavam. Desfrutavam dessas coisas todos os dias e todas as horas, antes mesmo de terem alcançado a fronteira do Oeste. Estavam construindo um novo mundo em sua mente e esse novo mundo constituía o seu futuro. Quando o quadro estava completo e todos os seus maravilhosos detalhes estavam concluídos, eles entravam neste quadro e se tornavam deles partes vivas e vibrantes, de modo que nada do presente, nenhum obstáculo, nenhuma barreira e nenhum abismo poderiam impedi-los de passar do presente para o futuro e realizar tudo o que tinham visualizado. Da mesma forma, os milhares de indivíduos que hoje estão hesitando e duvidando devem criar um novo futuro – uma vida nova para além do horizonte atual. Devem encarar todos os sofrimentos e as alegrias do passado como meras experiências que os habilitaram a selecionar os bons elementos para colocar no novo quadro, no novo futuro e na nova vida. Toda experiência traz a sua lição e todas as alegrias e tristezas do passado e do presente são apenas ilustrações que nos ensinam o que devemos e o que não devemos criar para o futuro. Concretização O futuro de cada um de nós poderá ser exatamente o que quisermos. Porém, não devemos esperar até estarmos no futuro ou até estarmos no novo vale ou na nova terra para começar a fazer nossos planos para a propriedade, o lar, os jardins, os pomares e as minas de onde haveremos de extrair nossas riquezas para satisfazer nossas necessidades. Temos de visualizar cada detalhe, pintar cada parte do quadro e continuar acrescentando a ele nossos sonhos e nossas meditações, até que ele se torne uma situação real na nossa vida, não no futuro e sim no presente. Devemos nos considerar como se estivéssemos na borda desse quadro, prestes a entrar nele e começar a desfrutar de tudo o que criamos. Se fizermos isso, os obstáculos que ora parecem insuperáveis e que parecem se agigantar diante de nós serão desprezados e negados em nossa ambição, e prevalecerá a nossa determinação de cruzar a fronteira do presente para o futuro e viver no quadro que criamos. Essa visualização – essa criação – proporciona-nos não somente uma tentadora sedução ou fascinação, mas também o impulso, a determinação, a fé e o poder para ultrapassarmos os obstáculos do presente. Não há limite para as imagens que nossa mente pode criar. Não há castelos altos demais, lares grandes demais, propriedades extensas demais e regiões bonitas demais ou abundantes demais para a mente visualizar. O mundo é seu, quando se trata de pintar quadros mentais do que você quer e do que você deve obter. Além disso, a história da civilização prova que não há limite para o homem criar materialmente as coisas que ele visualizou. Toda a história das consecuções do homem desde o começo do mundo prova que aquilo que ele visualizou ele pode concretizar. Os sonhos de homens do passado que pareceram vagos, indefinidos e impossíveis apresentam-se surpreendentemente a nós, no presente, em realidades concretas. Quando despertamos do nosso estado de dúvida e incredulidade percebemos que, enquanto questionávamos e hesitávamos, alguma outra mente proficiente transformou um sonho em realidade e as coisas impossíveis do sonhador são as coisas materiais que hoje nos são oferecidas. E quando analisamos as criações do homem e suas realizações, percebemos um fato notável: o indivíduo que nunca sonhou ou que nunca pintou um quadro mental, não criou coisa alguma no mundo das realidades. Persiga o Seu Sonho Estamos rodeados de pessoas que conseguiram e fizeram para si mesmas as coisas de que hoje desfrutam. E existem outras que estão sofrendo alguma privação ou mesmo passando necessidade porque não tiveram visão, nunca tentaram criar coisa alguma em sua própria mente e têm dependido das criações alheias e de doações provenientes de caridade. Que é que você quer ser? O criador de sua vida e o construtor das coisas de que quer desfrutar ou uma pessoa que tem de aceitar o que sobrou de outras e que é dado em troca de trabalho árduo ou simplesmente negado? Será que você quer ser o servo? O empregado que aceita das mãos de um senhor as coisas que ele fez e não quer mais ou as coisas que, num impulso de caridade, ele se dispõe a partilhar com você parcial e incompletamente? Ou você quer ser o criador e fazer as coisas que deseja, transformando-as em realidades na sua vida, de modo que não dependa de ninguém nem de coisa alguma, exceto do grande poder criativo que existe em seu próprio interior? Deus lhe deu o mesmo poder criador que ele possui e o fez igual a Ele no poder de tornar este mundo bonito e feliz para todos os seres vivos. Esta dádiva é seu direito de nascença e só você determinará se vai usar esse poder ou ignorá-lo. Vamos! Afaste-se da visão fechada dos obstáculos que parecem cercá-lo. Feche os olhos a esses obstáculos e crie um novo quadro. Ponha de lado o passado e o presente e crie uma nova vida, um novo dia, começando amanhã. Monte esse novo quadro parte por parte em sua mente, bem como em suas conversas e seus contatos com as pessoas, até que tenha um quadro perfeito do futuro que está logo além do horizonte do presente. Então, entre corajosamente nesse quadro e, com determinação, dê início à jornada que o levará à nova propriedade, ao novo lar e aos novos prazeres da vida. Você se sentirá o senhor desse quadro e dessas realidades e nisso encontrará a maior felicidade e recompensa.

sábado, 18 de abril de 2020

Princípios Ocultos de Saúde e Cura..

Introdução... CAPÍTULO I - O CORPO DENSO. Max Heindel. A Ciência Oculta ensina que o homem é um ser complexo que possui: 1 – Um Corpo Denso, que é instrumento visível que emprega neste mundo para atuar e mover-se. É o corpo que normalmente é considerado como o "homem". 2 – Um Corpo Vital, composto de éter, que interpenetra o corpo visível, da mesma forma que o éter interpenetra todas as outras formas, com a exceção de que o ser humano especializa maior quantidade de éter universal do que as outras formas. Este corpo etéreo é nosso instrumento de especialização da energia vital do Sol. 3 – Um Corpo de Desejos pelo qual se expressa a nossa natureza emocional. Este veículo, mais sutil, interpenetra tanto o corpo físico como o corpo vital. O clarividente o vê estendendo-se cerca de 40 cm. além do corpo visível, o qual está situado no centro desta nuvem oval, tal como a gema se encontra no centro do ovo. 4 – A Mente que é um espelho que reflete o mundo exterior e permite ao Ego transmitir suas ordens por pensamentos e palavras, compele também à ação. O Ego é o tríplice Espírito que utiliza estes veículos para acumular experiências na escola da vida. Evolução O corpo denso foi o primeiro veículo construído tendo, por conseguinte, passado por grande período de Evolução. Está atualmente no seu quarto estágio de desenvolvimento e alcançou maravilhoso grau de eficiência e oportunamente atingirá a perfeição. É o mais organizado dos veículos do homem. É um instrumento maravilhosamente construído e deve ser reconhecido como tal por todo aquele que desejar ter qualquer conhecimento da constituição do homem. O germe do corpo denso foi dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno, o primeiro dos Sete Grandes Dias de Manifestação, de acordo com os Ensinos Rosacruzes. Este germe foi algo desenvolvido durante o restante das seis primeiras Revoluções, tendo-se-lhe conferido a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos, particularmente o ouvido. Daí ser o ouvido o órgão mais desenvolvido que possuímos. Na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar, ou seja, o Segundo dos Sete Grandes Dias de Manifestação, os Senhores da Chama se ocuparam em realizar certas melhoras no germe do corpo físico. Tornou-se necessário efetuar determinadas mudanças nele, de modo que pudesse ser interpenetrado por um corpo vital, dando-lhe ao mesmo tempo a capacidade de desenvolver as glândulas e um canal alimentar. Isto foi conseguido pela ação conjunta dos Senhores da Chama e dos Senhores da Sabedoria. Na primeira Revolução do Período Lunar, ou seja, a Revolução de Saturno desse Período que constitui o Terceiro dos Sete Grandes Dias de Manifestações, os Senhores da Sabedoria cooperaram com os Senhores da Individualidade na reconstrução do germe do corpo denso. Este germe já desenvolvera órgãos sensoriais embrionários, órgãos digestivos, glândulas, etc., e estava interpenetrado por um corpo vital em início de desenvolvimento. É evidente que não era visível nem sólido como o é atualmente, porém, embora em forma rudimentar, estava já um tanto organizado. No Período Lunar foi necessário reconstruí-lo e torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejo bem como desenvolver um sistema nervoso, os músculos, as cartilagens e um esqueleto rudimentar. Esta reconstrução foi a obra realizada durante a Revolução de Saturno do Período Lunar. Os seres lunares não eram tão simplesmente germinais como nos Períodos precedentes. Para o clarividente desenvolvido aparecem suspensos por cordões na atmosfera de névoa-ígnea, como o embrião pende da placenta pelo cordão umbilical. Correntes que proviam certa espécie de nutrição, fluíam da atmosfera por esses cordões. Quando a Terra surgiu do caos, no começo do Período Terrestre, estava na etapa vermelho-escuro que conhecemos como a Época Polar. Nessa ocasião a humanidade evoluiu primeiramente um corpo denso, cujo germe havia sido dado pelos Senhores da Chama na Primeira Revolução do Período de Saturno. Não era, evidentemente, como o nosso corpo atual. Quando a Terra passou ao estado ígneo, na Época Hiperbórea, o corpo vital foi agregado e o ser humano converteu-se em algo semelhante às plantas, isto é, tinha os mesmos veículos que tem as plantas atualmente. Possuía também um certo grau de consciência semelhante ao dos atuais vegetais, que melhor qualificaríamos como a inconsciência parecida à que temos durante o sono sem sonhos, quando os corpos denso e vital permanecem no leito. Naquele tempo, na Época Hiperbórea, o corpo do homem era como um grande saco de gás que flutuava fora da Terra ígnea e emitia de si uns esporos vegetais que logo cresciam e eram utilizados pelas entidades que vinham ao mundo. O homem era, então bissexual: um hermafrodita. Na Época Lemúrica, quando a Terra havia esfriado e algumas ilhas ou crostas começavam a formar-se no meio dos mares ferventes, o corpo humano solidificou-se um pouco e foi ficando mais parecido com o que é atualmente. Era de forma similar à dos macacos, com um tronco muito curto e pequeno e braços e pernas enormes, com os calcanhares projetados para trás. Quase não tinha cabeça pois a parte superior da mesma faltava-lhe completamente. O homem vivia em uma atmosfera de vapor que os ocultistas chama névoa-ígnea e não tinha pulmões pois respirava por meio de "tubos". Tinha guelra como ainda se observa no embrião humano enquanto passa pela etapa antenatal que corresponde a essa Época. Não tinha sangue quente e vermelho porque naquela época o Espírito não estava individualizado. Possuía, no interior, um órgão parecido com uma bexiga que inflava com o ar quente, que o ajudava a pular sobre os enormes abismos que se abriam quando as erupções vulcânicas destruíam a terra em que vivia. Da parte posterior da cabeça se projetava um órgão que atualmente se retraiu para o interior. A esse órgão, os anatomistas, chamam glândula pineal ou impropriamente o terceiro olho embora jamais fosse realmente um olho, mas um órgão localizador de sensação. Faltava sensibilidade ao corpo, porém, quando o homem se aproximava demasiado de uma cratera vulcânica, aquele órgão registrava o calor e o impelia a fugir antes que seu corpo fosse destruído. Naquele tempo o corpo já se solidificara tanto que era impossível ao homem continuar a propagar-se por meio de esporos, tornando-se necessário o desenvolvimento de um órgão do pensamento, um cérebro. A força criadora que hoje empregamos para construir trens, navios, etc., no plano físico era empregada então na construção dos órgãos internos. Com todas as forças, era positiva e negativa. Um pólo foi dirigido para cima, para formar o cérebro, e o outro pólo ficou disponível para a criação de outros corpos. Desta maneira o homem deixou de ser uma unidade criadora completa, sendo necessário buscar seu complemento exteriormente. Na última parte da Época Lemúrica a forma do homem era ainda muito plástica. O esqueleto já se havia formado e o homem tinha grande poder para modelar a carne de seu próprio corpo, assim como a dos animais que o circundavam. Naquele tempo, ao nascer, o homem podia ouvir e sentir as coisas. Contudo, sua percepção da luz veio mais tarde. Os Lemurianos não tinham olhos. Tinham dois pontos sensitivos que eram afetados pela luz do Sol quando este brilhava, amortecidamente, através da atmosfera ígnea e nebulosa da Lemúria, porém só no final da Época Atlante, adquiriu a vista como a temos hoje. Sua linguagem consistia em sons como os da Natureza. O sussurro do vento nos bosques imensos que então existiam e cresciam com exuberância naquele clima quente saturado de umidade, o murmúrio do arroio, o rugido da tempestade, o troar das cascatas, os estrondos dos vulcões, todos estes sons eram para o ser humano como vozes dos deuses dos quais sabia ser descendente. Do nascimento do seu corpo, nada sabia. Não podia ver seu corpo nem nenhuma outra coisa, porém podia perceber seus semelhantes. Esta percepção era, todavia, interior, como o é nossa percepção das pessoas e coisas durante o sonho, mas uma diferença importantíssima: suas percepções eram claras racionais. Mas "quando seus olhos se abriram" (como se conta na história da Queda) e sua consciência se dirigiu para os fatos do Mundo Físico, tudo mudou. A propagação passou a ser dirigida, não pelos Anjos, mas pelo próprio ser humano, que não conhecia a ação das forças solares e lunares. Sua consciência focalizou-se no Mundo Físico, embora as coisas não fossem divisadas com a clareza e nitidez que se produziram na última parte da Época Atlante. Aos poucos foi conhecendo a morte, gradualmente, devido à solução de continuidade que se produzia em sua consciência ao passar para os mundos superiores ao morrer, ou ao retornar ao mundo físico ao renascer. Todavia, o que dissemos acerca da iluminação dos Lemurianos aplica-se somente a uma minoria dos que viveram na última etapa daquela Época. Estes foram a semente das sete raças Atlantes. A maior parte dos Lemurianos era semelhante aos animais e os corpos habitados por eles degeneraram nos dos selvagens e antropóides atuais. Na Época Atlante, que se seguiu à Lemúrica, o homem era muito diferente de tudo quanto existe na terra atualmente. Tinha cabeça, porém quase não tinha fronte. Seu cérebro carecia de desenvolvimento frontal e sua testa era inclinada para trás desde o ponto que se encontrava sobre os olhos. Comparada com nossa atual humanidade, a de então era gigantesca, tendo os braços e as pernas desproporcionadamente longos em relação ao resto do seu corpo. Em vez de caminhar, avançava por meio de uma série de pulos semelhantes aos do canguru. Tinha olhos pequenos e pestanejantes e o cabelo era de secção redonda. Esta última peculiaridade, se outras não houver, distingue os descendentes das raças atlantes que estão entre nós atualmente. Seu cabelo era liso, brilhante, preto e de secção redonda. O cabelo dos arianos, embora defira em cor, é sempre de secção ovalada. As orelhas dos atlantes ficavam muito mais para trás, na cabeça, do que as dos Arianos. Os veículos superiores dos primitivos atlantes não estavam em posição concêntrica relativamente ao corpo físico, como acontece conosco. Seu espírito era ainda interno, pois se encontrava parcialmente fora e não podia, portanto, controlar seus veículos com a mesma facilidade que tem agora que se encontra dentro. A cabeça do corpo vital se encontrava fora, bem mais para cima do que a cabeça física. Há um ponto entre as sobrancelhas, cerca de 13 milímetros abaixo da pele, que tem um seu correspondente no corpo vital. Quando esses dois pontos coincidem, como acontece no ser humano hoje, formam a sede do espírito interior no homem. Devido à distância entre esses dois pontos, a percepção ou visão do atlante era muito mais aguda nos Mundos Internos do que no Mundo Físico denso, que estava obscurecido por sua atmosfera espessa e nevoenta. Com o decorrer do tempo, todavia, a atmosfera aos poucos ficou mais clara e ao mesmo tempo o ponto mencionado do corpo vital foi-se aproximando do ponto correspondente do corpo físico, até se unirem no último terço da Época Atlante. Os Rmoahals foram a primeira das Raças Atlantes. Tinham muito pouca memória e esse ponto estava relacionado com as sensações. Lembravam-se das cores e sons, e assim, até certo ponto, foram desenvolvendo as sensações. Com a memória, vieram aos Atlantes os rudimentos da linguagem. Começaram a criar as palavras e foram abandonando o emprego de simples sons, como faziam os Lemurianos ao dar nomes às coisas. Os Tlavatlis foram a segunda Raça Atlante. Estes começaram a sentir seu verdadeiro valor como seres humanos separados. Tornaram-se ambiciosos; queriam que suas obras fossem lembradas. A memória tornou-se um fator na vida da comunidade. Assim começou o culto aos antepassados. Os Toltecas constituíram a terceira Raça Atlante. Inauguraram a Monarquia e a Sucessão Hereditária, originando-se assim o costume de honrar os homens pelos atos dos seus antepassados. A experiência tornou-se de grande valor e a memória desenvolveu-se a um grau muito elevado. No terço médio da Época Atlante encontramos o começo das nações separadas. A seu tempo, os reis sentiram-se ébrios de poder e começaram a usá-lo corrompidamente para fins egoístas e engrandecimento pessoal, em vez de usá-lo para o bem comum. Os Turânios Originais constituíram a quarta Raça Atlante. Eram vis no seu egoísmo e erigiram templos nos quais os reis eram adorados como Deuses. Os Semitas Originais foram a quinta e mais importante das sete Raças Atlantes, porque neles encontramos os primeiros germes das qualidades corretivas do pensamento. Daí a Raça Semita Original ter-se convertido na "raça-semente" das sete raças da Época Ariana. Foram os primeiros a descobrir que o cérebro é superior à força muscular. Durante a existência desta Raça, a atmosfera da Atlântida começou a clarear e o já mencionado ponto do corpo vital entrou em correspondência exata com seu similar no corpo denso. A combinação desses acontecimentos permitiu ao ser humano começar a ver os objetos nitidamente, com seus contornos definidos, porém, foi também a causa da perda da visão dos mundos internos. Os Acádios constituíram a sexta e os Mongóis a sétima das Raças Atlantes. Ambas desenvolveram ainda mais a faculdade do pensamento, embora seguissem uma linha de raciocínio que as desviava da rota seguida pela vida em desenvolvimento. À medida que as espessas neblinas da Atlântida se iam condensando, as águas se avolumavam e inundavam gradualmente o continente, destruindo a maior parte da população bem como as provas materiais de sua civilização. O Cérebro e o Sistema Nervoso Na Revolução de Saturno do Período Terrestre o corpo denso adquiriu a capacidade de desenvolver o cérebro, convertendo-o assim em veículo para o germe da mente que seria agregada posteriormente. Foi-lhe fornecido o impulso para formar a parte frontal do cérebro. O cérebro e o sistema nervoso são a expressão mais elevada do corpo de desejos. São eles que recolhem e transmitem as imagens do mundo exterior, mas neste processo de imagens mentais em formação, o sangue é que leva o material necessário. Por isso, quando o pensamento está em atividade, o sangue flui para a cabeça. Como o cérebro é o elo entre o Espírito e o mundo exterior, o homem nada poderá saber a não ser por seu intermédio. Os órgãos dos sentidos servem apenas para captar-lhe as sensações do mundo exterior, mas é o cérebro que coordena e interpreta esses impactos. O Espírito, ajudado pelos Anjos, formou o cérebro para adquirir conhecimento do Mundo Físico. Quando o Ego entrou na posse dos seus veículos, tornou-se necessário que usasse uma parte da sua força criadora para a construção do cérebro e da laringe. Os Lucíferos são os instigadores de todas as atividades mentais, graças à parte da energia sexual que é levada para cima para agir no cérebro. Desta maneira, a entidade em evolução obteve o conhecimento cerebral do mundo exterior à custa da metade do seu poder criador. Os fisiólogos descobriram que certas regiões cerebrais são destinadas a atividades mentais particulares e a frenologia levou este conhecimento mais longe. Sabe-se agora que o pensamento destrói os tecidos nervosos. Tanto este como os demais desgastes de corpo são reparados pelo sangue. Quando, pelo desenvolvimento, o coração se converter em um músculo voluntário, a circulação do sangue ficará sob o controle absoluto do unificante Espírito de Vida que então terá o poder de impedir que o sangue aflua àquelas áreas da mente que se dediquem a propósitos egoístas. Como resultado, esses centros particulares de pensamento irão se atrofiando gradualmente. O conhecimento cerebral, com seu egoísmo concomitante, foi adquirido pelo ser humano à custa do poder de criar sozinho. Adquiriu seu livre arbítrio à custa da dor e da morte. Mas uma vez que o homem aprenda a utilizar o seu intelecto em benefício da humanidade, adquirirá poder espiritual sobre a vida, e além disso, será guiado por um conhecimento inato de natureza muito mais elevada do que a consciência cerebral tão superior, quanto esta o é da mais inferior consciência animal. No melhor dos casos o cérebro não é mais do que um instrumento para obter conhecimento indireto e será sobrepujado pelo contato direto com a Sabedoria da Natureza que o homem poderá então utilizar para a criação de novos corpos sem nenhuma cooperação. No Período Lunar foi necessário reconstruir o corpo denso para que pudesse ser interpenetrado por um corpo de desejos e também para que pudesse desenvolver um sistema nervoso, os músculos, as cartilagens e um esqueleto rudimentar. Esta reconstrução foi a obra da Revolução de Saturno do Período Lunar. A reconstrução do corpo denso na Revolução de Saturno do Período Terrestre deu o primeiro impulso à divisão incipiente do sistema nervoso que desde então tornou-se aparente em suas subdivisões: o sistema voluntário e o sistema simpático. Este último foi o único que se desenvolveu no Período Lunar. O sistema nervoso voluntário (que transformou o corpo físico de simples autômato acionado por estímulos externos neste instrumento adaptável e extraordinário, capaz de ser guiado e controlado por um Ego, do seu interior) só foi acrescentado no atual Período Terrestre. Quando houve a divisão entre o Sol, a Lua e a Terra nos primeiros tempos da Época Lemúrica, a parte mais desenvolvida da humanidade em formação experimentou uma divisão no corpo de desejos, formando-se uma parte superior e outra inferior. Aconteceu o mesmo com o resto da humanidade, porém só na primeira parte da Época Atlante. Esta parte superior do corpo de desejos converteu-se numa espécie de alma animal. Construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, por cujo intermédio controlava a parte inferior do tríplice corpo, até que foi obtido o elo da mente. Parte do sistema muscular involuntário é controlado pelo sistema nervoso simpático. O assento do Espírito Humano está primariamente na glândula pineal e secundariamente no cérebro e no sistema nervoso cérebro-espinhal que controla os músculos voluntários. O Sangue O estudo do sangue é muito profundo e transcendental, qualquer que seja o ponto de vista em que o analisemos. Lúcifer teve razão quando disse que "o sangue é uma essência muito especial". É essa essência que forma o corpo físico desde o momento em que o átomo-semente é depositado no óvulo, até que se produza a ruptura do cordão prateado, terminando a existência material. Sendo um dos mais elevados produtos do corpo vital, é ele que leva a nutrição a todas as partes do corpo. É o veículo direto do Ego, injetando-se nele todo pensamento, sentimento ou emoção transmitidos aos pulmões. Durante a infância, até os quatorze anos, a medula óssea não forma todos os corpúsculos sangüíneos. A maioria dele é formada pela glândula timo que é muito grande no feto e diminui gradualmente de tamanho conforme a faculdade individual de criar seu próprio sangue vai aumentando na criança. A glândula timo contém por assim dizer, uma reserva de corpúsculos sangüíneos fornecidos pelos pais e, conseqüentemente, a criança que extrai seu sangue desta fonte, não poderá pensar de si mesma como "eu". Quando a glândula timo desaparece aos quatorze anos de idade, o sentimento do "eu" alcança toda a sua expressão porque então o sangue é fabricado e dominado completamente pelo Ego. O seguinte esclarecerá este conceito e demostrará sua lógica: Lembremos que a assimilação e o crescimento dependem das forças que agem sobre o pólo positivo do éter químico do corpo vital. Este éter é liberado aos sete anos, quando nasce o corpo vital. Somente o éter químico está completamente maduro nessa idade pois os outros éteres necessitam um pouco mais de tempo. Aos quatorze anos o éter de vida do corpo vital, que é o que age na propagação, está completamente maduro. No período que transcorre dos sete aos quatorze anos de idade, a assimilação excessiva vai acumulando um excesso de energia que se dirige aos órgãos sexuais e fica disponível quando o corpo de desejos é libertado. Esta força sexual é acumulada no sangue durante o terceiro dos períodos setenários e, nesse tempo, o éter de luz, que é o condutor do calor sangüíneo, desenvolve-se e controla o coração, de modo que o calor do corpo não seja demasiado elevado, nem excessivamente baixo. Na primeira infância o sangue pode atingir uma temperatura anormal. Durante o período de crescimento excessivo pode ocorrer o contrário e na juventude ardente e descontrolada, a paixão e o mau gênio, amiúde, fazem o Ego retirar-se devido ao demasiado aquecimento do sangue. Muito apropriadamente dizemos então que o indivíduo está "fervendo" e que a pessoa em questão "perde a cabeça", ou seja, fica incapaz de raciocinar. É isso exatamente o que acontece quando a paixão, a ira ou o temperamento sobreaquecem o sangue, expulsando o Ego dos seus corpos. O Ego encontra-se fora dos seus veículos e estes agem desordenadamente, livres da influência orientadora do pensamento, cujo trabalho, em parte, consiste em agir como um freio dos impulsos. Somente o homem que se mantém sereno e não permite que o excesso de calor o expulse do corpo, pode pensar adequadamente. Como prova da afirmação de que o Ego não pode agir no corpo quando o sangue está demasiado quente ou demasiado frio, chamamos a atenção para o fato bem conhecido de que o calor excessivo torna a pessoa sonolenta e se passa de certo limite, chega até a expulsar o Ego, ficando o corpo inconsciente. O Ego só pode utilizar o sangue como veículo de consciência quando este está em sua temperatura normal ou próximo dela. O rubor da vergonha é uma evidência da forma pela qual o sangue flui à cabeça, sobreaquecendo o cérebro e paralisando o pensamento. O medo é um estado em que o Ego quer proteger-se contra algum perigo exterior. Para isso atrai todo o sangue para o centro e o rosto empalidece porque o sangue abandonou a periferia do corpo e perdeu calor, paralisando também o pensamento. Nas febres o excesso de calor causa o delírio. A pessoa sangüínea é ativa, física e mentalmente, quando seu sangue não está demasiado quente, ao passo que as pessoas anêmicas são sonolentas. Em umas, o Ego tem maior controle, em outras, menor. Quando o Ego quer pensar, faz afluir sangue à temperatura adequada ao cérebro. Quando uma refeição copiosa centraliza as atividades do Ego no aparelho digestivo, o homem não pode pensar: fica sonolento. Os antigos noruegueses e os escoceses sabiam que o Ego está no sangue. Nenhum estrangeiro podia estabelecer parentesco com eles a menos que misturasse seu sangue com o deles, convertendo-se, assim em um do grupo. Nos descendentes das famílias patriarcais – Adão, Matusalém, etc. – o sangue que corria por suas veias continha as imagens de tudo o que havia ocorrido aos seus antecessores. Essas imagens estavam constantemente ante a visão interior de cada um deles, já que naquele tempo, não tinham visão exterior. Atualmente o sangue de cada indivíduo contém somente as imagens de suas próprias experiências individuais e a mente subconsciente tem acesso a elas. Até o tempo em que o matrimônio fora da família começou, os indivíduos eram dirigidos por um Espírito Familiar (Anjo) que penetrava em seu sangue por meio do ar inspirado e ajudava cada Ego a controlar seus veículos. Quando teve início a prática do matrimônio fora da família, os Egos haviam chegado a tal ponto de Evolução da consciência própria que podiam depender completamente de si mesmos e deviam deixar de ser autômatos guiados pelos deuses, convertendo-se em indivíduos, capazes de governarem-se a si mesmos. Quanto maior é a mistura de sangue tanto menos influenciável é o Ego individual pelo Espírito de Raça ou de Família. O sangue puro, sem mistura, nos deu o auxílio ancestral quando dele necessitávamos. O sangue misturado criou a independência de qualquer ajuda exterior. Um Deus (criador) tem que ser independente. O calor do sangue é o campo do Ego e os Espíritos Lucíferos de Marte ajudam a manter este calor, dissolvendo em nosso sangue o ferro, metal marciano, para atrair o oxigênio, que é um elemento solar. O calor adequado para a expressão real do Ego não está presente até que a Mente não nasça da Mente Concreta Macrocósmica, quando o indivíduo chega aos vinte e um anos de idade. As leis humanas também reconhecem que esta é a idade em que o homem adquire a maioridade. Nas espécies inferiores dos animais o sangue é fluido e nucleado. Os núcleos, que são centros de vida, são o ponto de apoio de um Espírito Grupo. Por meio dos núcleos sangüíneos o Espírito Grupo dirige os animais e regula seus processos vitais. Durante a primeira parte do período gestatório, o sangue do feto é também nucleado pela vida da mãe, sendo ela que regula os processos de formação do corpo. Mas, logo que o Ego entra no corpo da mãe, começa a impor sua individualidade e a resistir à formação de células sangüíneas nucleadas. As células velhas vão desaparecendo gradualmente, de modo que quando o cordão prateado é ligado ao produzir-se a vivificação e o Ego penetra em seu corpo, todos os núcleos já desapareceram e o Ego passa a ser o autocrata absoluto do seu novo veículo, herança mais preciosa do que qualquer outra posse terrestre. Esta herança, se usada devidamente, é o único meio para gerar poder anímico e amontoar riquezas no céu. Quando abandonamos este veículo ao controle de outros Espíritos, dificultamos seriamente nossa evolução e cometemos grande pecado. Vemos pois que o sangue é o veículo particular do Ego e assim como nos passados Eons de desenvolvimento cristalizamos a matéria a fim de formar nosso corpo denso, assim também está destinado que agora eterializemos nossos veículos a fim de podermos espiritualizar, tanto a nós, como a todo o mundo material. Portanto, naturalmente, o Ego trata em primeiro lugar de fazer o sangue gasoso. A visão espiritual, este sangue vermelho, não nucleado, não é um fluido mas um gás. De nada vale o argumento de que no mesmo instante em que picamos a pele o sangue sai como líquido, porque também quando abrimos o registro de uma caldeira, o vapor que por ele escapa se condensa, liquefazendo-se. Se fizermos uma máquina a vapor, de vidro e observarmos como nela o vapor trabalha, veremos que os êmbolos se movem para diante e para trás, impelidos por um agente invisível, o vapor vivo. E assim como o vapor vivo da caldeira é invisível e gasoso, assim também o sangue vivo do corpo humano é um gás e quanto mais elevado é o estado de desenvolvimento de um Ego, tanto mais etéreo e sutil será o seu sangue. Quando pelos processos vitais o alimento alcança o mais elevado estado alquímico, tem começo o processo de condensação e o gás sangüíneo forma os tecidos dos vários órgãos para substituir os que tenham sido deteriorados ou destruídos pelas atividades corporais. O Baço é a entrada das forças do corpo vital. Por ele entram, em corrente contínua, as forças solares que abundam na atmosfera para nos ajudar nos processos vitais, e é justamente no baço onde se trava com maior energia, a batalha entre o corpo de desejos e o corpo vital. Os pensamentos de temor, de ira e de preocupação, interferem nos processos de evaporação no baço. Forma-se uma partícula de plasma, da qual se apodera um pensamento elemental que forma um núcleo e nele se incorpora. Começa então uma vida de destruição aliando-se a outros produtos ou elementos de desgaste, fazendo do corpo um depósito de resíduos, um ossário, em vez do templo do Espírito Vivo. Por isso podemos dizer que todo corpúsculo branco que tenha sido apropriado por uma entidade exterior é, para o Ego uma oportunidade perdida. E quanto maior for o número dessas oportunidades perdidas, tanto menor é o controle do Ego sobre o corpo. Por isso os encontramos em maior quantidade em um corpo doente do que em um saudável. Pode-se dizer também que a pessoa de natureza jovial e devotadamente religiosa e que tem absoluta fé e confiança na Divina Providência e Amor de Deus, tem um coeficiente de oportunidades perdidas ou corpúsculos brancos muito menor do que as que estão sempre se preocupando ou que vivem inquietas. Assim é, pois, que a única parte do corpo que é realmente nossa, é o sangue. O grau de capacidade do Ego em exprimir-se por meio do corpo, indica o controle que tem sobre o sangue. O Ego só pode agir por intermédio dos corpúsculos vermelhos. Toda vez que nos deixamos dominar negativamente, elaboramos corpúsculos brancos os quais, como já vimos, não são os "policiais do sistema", como acredita a ciência, mas destruidores. Quando o sangue circula pelas artérias profundas do corpo, é um gás, como dissemos, porém, a perda de calor que se produz na superfície do corpo faz com que se condense parcialmente e justamente nessa substância o Ego está aprendendo a formar cristais minerais. A ciência descobriu recentemente que o sangue de diferentes pessoas contém cristais diferentes, de modo que é possível distinguir-se o sangue de um negro de um branco. Chegará, porém, o tempo em que se conhecerão ainda maiores diferenças porque da mesma maneira que há diferenças entre os cristais formados pelas diferentes raças, também as há entre os formados pelos diferentes indivíduos. Encarando o assunto sob outro ponto de vista, observamos que quando o sangue é batido com um bastonete, se separa em três distintas substâncias: o soro, ou seja, uma substância aquosa, subordinada a Câncer e regida pela Lua (Hierarquia Lunar); a substância corante vermelha, que é a substância marciana gerada por Escorpião; e a mais importante de todas, a fibrina, substância filamentosa, que está sob a influência do terceiro signo aquoso, Piscis. Quando o esqueleto estava por fora da carne, a consciência era muito obscura, como nos crustáceos. Estando fora da estrutura óssea tivemos um grau de consciência muito mais elevado e quando espiritualizarmos o esqueleto interno que temos, por meio do sangue, extrairemos a essência de tudo o que aprendemos nas Épocas passadas e a transmutaremos em poder anímico que empregaremos no Período de Júpiter. Interferir nesta obra é cometer um crime contra a alma. Tendo a mulher um corpo vital positivo, amadurece antes que o homem e as partes do corpo que têm certa semelhança com as plantas, como o cabelo, crescem mais luxuriante e abundantemente. Naturalmente, um corpo vital positivo gera mais sangue do um corpo vital negativo, como o que possui o homem, e daí haver na mulher uma pressão sangüínea maior, da qual tem necessidade de livrar-se mediante o fluxo mensal, produzindo-se, ao cessar este na idade crítica, uma espécie de segundo crescimento na mulher, que adquire os caracteres de matrona. Os impulsos do corpo de desejos impelem o sangue através de todo o sistema, com diferentes velocidades, de acordo com a força das emoções. Como a mulher tem excesso de sangue, age sob pressão muito maior do que o homem, e embora esta pressão diminua durante o fluxo mensal, há momentos em que ela necessita de uma válvula extra: são as lágrimas que na realidade constituem uma hemorragia branca que serve para dar saída ao fluído excessivo. O homem, embora seja capaz de sentir emoções tão fortes como a mulher, não é tão propenso às lágrimas porque não tem mais sangue do que o que pode utilizar confortavelmente. O sangue tem agora constituição diferente da que tinha nas primeiras etapas da evolução humana. No Batismo via-se o Espírito de Cristo descer ao corpo de Jesus enquanto o espírito de Jesus abandonava o seu corpo. Ficou Jesus com a missão de guiar as igrejas enquanto seu corpo estava sendo utilizado por Cristo para difundir seus ensinos. O sangue de Jesus estava sendo preparado para servir como um "abre-te Sesámo" para o reino de Deus. Quando se mata alguém, o sangue venoso, com suas impurezas, adere firmemente à carne e, portanto, o sangue arterial que flui é evidentemente mais puro e limpo do que seria de outra forma. Tendo sido eterificado pelo grande Espírito de Cristo, o sangue purificado de Jesus foi derramado sobre o mundo, purificando do egoísmo, em grande extensão, a região etérea, e possibilitando ao ser humano formar e concretizar propósitos e desejos altruístas. As Glândulas de Secreção Interna O astrólogo esotérico sabe muito bem que o corpo humano tem atrás de si um imenso período de evolução e que seu esplêndido organismo é o resultado de um lento processo de desenvolvimento gradual que ainda continua e fará com que cada geração seja melhor que a anterior, até que num futuro longínquo, alcance um estado de perfeição que hoje não nos é dado sequer imaginar. Os estudantes de ocultismo sabem também que, além do corpo físico, o homem tem outros veículos sutis, não vistos pela maioria. Todos nós possuímos latente um sexto sentido que quando for devidamente desenvolvido nos dará o conhecimento dessas camadas mais finas da alma. Esses veículos sutis são: corpo vital; formado de éteres, o corpo de desejos, constituído por matéria de desejo ou seja o material por meio do qual elaboramos sentimentos e emoções que com a adição da "capa" mental e do corpo Físico completa-se o que podemos denominar a personalidade, a qual é a parte evanescente do Espírito imortal. Esses veículos são empregados pelo Espírito para sua expressão. Os veículos sutis interpenetram o corpo denso, da mesma forma que o ar interpenetra a água, e tem domínio particular sobre certas partes dele, porque o corpo físico, em si, é como uma cristalização dos veículos sutis, de acordo com o mesmo processo pelo qual as substâncias fluídicas do corpo do caracol vão se cristalizando gradualmente ate converterem-se na concha dura que leva sobre as costas. Para os fins a que nos propomos nesta dissertação, podemos dizer, em linhas gerais que as partes moles do corpo, que comumente chamamos "carne", podem dividir-se em duas classes: as glândulas e os músculos. O corpo vital teve sua origem no Período Solar. A cristalização que foi produzindo-se a partir daquele tempo, nesse veículo, é o que atualmente chamamos glândulas. No momento, essas glândulas e o sangue são as manifestações especiais do corpo vital dentro do corpo físico. Portanto, em termos gerais, podemos dizer que as glândulas, em conjunto, são regidas pelo Sol que é o doador de vida, e pelo grande e benéfico Júpiter. As funções do corpo vital são: formar e restaurar o tônus dos músculos, quando em tensão e cansados pelo trabalho que lhes impõe o incansável corpo de desejos. Como o Corpo de Desejos começou a germinar no Período Lunar, os músculos são regidos pela errante Lua – que é o ponto de apoio dos Anjos, ou seja, a humanidade do Período Lunar – e também pelo impulsivo e turbulento Marte, onde habitam os assim chamados "Anjos caídos", os Espíritos Lucíferos. Dizemos isto de modo muito generalizado porque os estudantes devem notar com cuidado que as glândulas, individualmente, e certos grupos de músculos são governados por outros planetas. Seria como dizer que todos os que vivem nos Estados Unidos da América são cidadãos daquele país, porém alguns estão sujeitos particularmente às leis da Califórnia, outros às do Maine, etc. Conhecemos o aforismo hermético que diz "Assim como é em cima, é em baixo" que é a chave mestra de todos os mistérios. E da mesma maneira que existem na Terra – o Macrocosmo – inúmeros lugares por explorar, também existem no microcosmo do corpo muitas coisas desconhecidas que são como um livro selado para os exploradores cientistas. Entre essas coisas, está, principalmente, um pequeno grupo de glândulas chamadas de "secreção interna", sete em número, a saber: O Corpo Pituitário, regido por Urano. A Glândula Pineal, regida por Netuno. A Glândula Tiróide, regida por Mercúrio. A Glândula Timo, regida por Vênus. O Baço, regido pelo Sol. As duas Supra-renais, regidas por Júpiter. Estas glândulas são de grande e particular interesse para os ocultistas, e em certo sentido, podem chamar-se as "Sete Rosas" sobre a Cruz do corpo, porque estão intimamente relacionadas com o desenvolvimento oculto da humanidade. Quatro delas, a Timo, o Baço e as Supra-renais, estão relacionadas com a personalidade. O Corpo Pituitário e a Glândula Pineal estão correlacionadas particularmente com o lado espiritual de nossa natureza e a Glândula Tiróide forma o elo entre elas. Sua regência astrológica é a seguinte: O Baço é a porta de entrada das forças solares que cada ser humano especializa e que passam a circular pelo corpo como o fluido vital, sem o qual ninguém poderia viver. Este órgão, portanto, está governado pelo Sol. As Supra-renais, sob a regência de Júpiter, o grande benefício, exercem um efeito calmante, tranqüilizante e suavizante, quando as atividades emocionais da Lua, Marte ou Saturno destroem o equilíbrio. Quando a mão obstrutora de Saturno provoca melancolia, oprimindo o coração, as secreções das Supra-renais são levadas pelo sangue ao coração e agem como um poderoso estimulante no esforço de manter a circulação, enquanto o otimismo jovial luta contra as preocupações saturninas ou contra o impulso marciano que provoca no corpo de desejos as turbulentas emoções da ira ou da paixão, pondo os músculos tensos e trêmulos, dissipando todas as energias do sistema. Então as secreções das Supra-renais vêm em socorro, pondo em liberdade o glicogênio do fígado em quantidade maior do que a comum para que possa lutar nessa emergência até que o equilíbrio seja recuperado, ocorrendo o mesmo quando se produzem estados de grande tensão e ansiedade. O conhecimento deste fato levou os antigos astrólogos a porem os rins sob o governo de Libra, a Balança, e para evitar toda confusão de idéias diremos que os rins desempenham papel importantíssimo na nutrição do corpo, estando sob a regência de Vênus, planeta regente de Libra. Júpiter, porém, governa as Supra-renais, das quais estamos nos ocupando agora. Tanto Vênus como sua oitava superior Urano, governam as funções da nutrição e do crescimento, mas de diferentes maneiras e com propósitos distintos. Vênus rege a Timo que é o elo entre os Pais e o filho até que este último atinja a puberdade. Esta glândula está situada diretamente atrás do esterno. Seu tamanho é maior durante a vida pré-natal e na infância, quando o crescimento é mais rápido. Durante esse período o corpo vital da criança realiza um trabalho mais interno porque então ela não está sujeita às paixões nem às emoções geradas pelo corpo de desejos que nasce aproximadamente aos quatorze anos. Porém, durante os anos de crescimento a crianças não pode manufaturar corpúsculos sangüíneos vermelhos, como o adulto, porque o corpo de desejos ainda não nascido nem organizado, não pode agir como condutor para as energias marcianas que assimilam o ferro dos alimentos e os transmutam em hemoglobina. Para compensar esta falta há armazenada na glândula Timo, uma essência espiritual dos pais, e com esta essência, proveniente do amor dos pais, o filho pode realizar temporariamente a alquimia do sangue, até que seu corpo de desejos se torne dinamicamente ativo. Então o glândula Timo se atrofia e a criança tira de seu próprio corpo de desejos a força marciana necessária. A partir desse tempo, em condições normais, Urano, que é a oitava de Vênus e regente do Corpo Pituitário, encarrega-se das funções do crescimento e da assimilação, da forma seguinte: Sabe-se que todas as coisas, incluindo nossos alimentos, irradiam continuamente pequenas partículas que indicam de onde emanaram, exprimindo, inclusive, sua qualidade. Desta maneira, quando levamos o alimento à boca, uma quantidade dessas partículas invisíveis penetra no nariz e ao excitar o aparelho olfativo, nos indica se o alimento que vamos tomar é adequado ou não, sendo o olfato que nos induz a repelir os alimentos que têm mau odor. Contudo, além dessas partículas que fazem o alimento atraente ou repulsivo por sua ação sobre o aparelho olfativo, há também outras que penetram no osso esfenóide e agem sobre o Corpo Pituitário, provocando a alquimia de Urano, graças à qual forma-se uma secreção que é injetada no sangue. Isto favorece a assimilação por intermédio do éter químico, afetando assim o crescimento e o bem-estar normais do corpo humano durante a vida. Às vezes Urano tem uma influência excêntrica sobre o Corpo Pituitário responsável por certos crescimentos anormais e estranhos que encontramos na natureza. Além de ser a causa dos impulsos espirituais que geram as já mencionadas manifestações do crescimento físico, Urano, agindo por intermédio do Corpo Pituitário, é também a causa das diferentes fases de crescimento espiritual que ajudam o homem nos seus esforços para penetrar através do véu e alcançar os Mundos Invisíveis. Neste trabalho é, sem dúvida, ajudado por Netuno, o regente da Glândula Pineal. A fim de ficar bem claro este assunto, é preciso estudarmos simultaneamente as funções da Glândula Tiróide, regida por Mercúrio, e as da Glândula Pineal que está sob o domínio de sua oitava superior, Netuno. Compreendemos facilmente que a Glândula Tiróide está sob o domínio de Mercúrio, o planeta da razão, se analisarmos o efeito que a degeneração desta glândula tem sobre a mente, como se observa no cretinismo e no mixedema. As secreções desta glândula são tão necessárias para o funcionamento normal da mente, como o éter o é para a transmissão da eletricidade, isto é, no plano físico da existência, onde o cérebro transmuta o pensamento em ação. O contato com os Mundos Invisíveis e sua expressão neles depende da capacidade funcional da Glândula Pineal – que é inteiramente espiritual e, por conseguinte, é regida pela oitava de Mercúrio, Netuno, o planeta da espiritualidade – que age conjuntamente com o Corpo Pituitário, regido por Urano. Os cientistas perderam muito tempo especulando sobre a natureza e o funcionamento destes dois pequenos corpos – o Corpo Pituitário e a Glândula Pineal – sem nenhum resultado, principalmente porque, como disse Mefistófeles, sarcasticamente, ao jovem que queria estudar ciência com Fausto: "Quem quiser conhecer as cousas vivas e as manuseia, Procura primeiro o espírito vivente que as anima e o expulsa; Fica, então com fragmentos inanimados Porque lhes falta o ESPÍRITO VITAL que as unia." Ninguém pode, realmente, observar as funções fisiológicas de nenhum órgão nas condições existentes nos laboratórios ou nas mesas de operações, nem na sala de vivissecção ou de dissecação. Para chegar à compreensão necessária é imprescindível ver tais órgãos exercendo suas funções fisiológicas no corpo vivo, o que só pode ser feito por meio da visão espiritual. Existe um certo número de órgãos que estão se desenvolvendo ou se atrofiando. Estes últimos assinalam o caminho já percorrido em nossa evolução, enquanto que os primeiros são os indicadores do nosso desenvolvimento futuro. Existe, todavia, outra classe de órgãos que não estão nem se degenerando nem se desenvolvendo. Encontram-se simplesmente adormecidos, latentes (espiritualmente) no tempo presente. Os fisiológos acreditam que o Corpo Pituitário e a Glândula Pineal estão se atrofiando, porque vêem que esses órgãos estão mais desenvolvidos em algumas formas inferiores de vida, como nos vermes, mas de fato, estão completamente equivocados. Alguns deles suspeitam que a Glândula Pineal está, de alguma forma, relacionada com a mente porque contém, depois da morte, certos cristais cuja quantidade é muito menor nas pessoas mentalmente pouco desenvolvidas do que nas pessoas mais adiantadas. Esta conclusão é exata pois o vidente sabe que o canal espinhal do ser vivo não está cheio de fluido: que o sangue não é líquido e que aquele órgão não contém nenhum cristal enquanto o corpo está vivo. Fazemos estas afirmações com pleno conhecimento do fato de que o sangue e a essência espinhal são líquidos ao saírem do corpo, vivo ou morto, e que o conteúdo do Corpo Pituitário e da Glândula Pineal parece cristalizado quando se disseca o cérebro. Todavia, a causa é a mesma que faz o vapor de uma caldeira condensar-se imediatamente depois de pôr-se em contato com a atmosfera ou que o metal derretido que sai do crisol se cristalize e solidifique imediatamente ao sair dele. Essas substâncias são essências puramente espirituais quando se encontram dentro do corpo. São etéricas e a substância que se encontra na Glândula Pineal, vista por meio da visão espiritual, parece luz. Além disso quando um clarividente contempla a Glândula Pineal de outra pessoa que esteja exercendo suas faculdades espirituais, esta luz se apresenta cheia do mais intenso brilho e de uma iridescência que transcende em beleza a maravilhosa combinação de cores da Aurora Boreal. Pode-se dizer também que as funções deste órgão parecem ter mudado no curso da evolução humana. Durante as épocas anteriores à nossa estadia atual na Terra, quando o corpo humano era muito grande e com forma de saco - no qual o Espírito ainda não havia penetrado, mantendo-se apenas como uma presença protetora - existia uma abertura na parte superior do corpo onde estava situada a Glândula Pineal. Era um órgão de orientação que dava o sentido de direção. À medida em que o corpo humano foi se condensando, tornou-se cada vez menos capaz de suportar o intenso calor que havia naquela época. Então, a Glândula Pineal advertia quando o corpo se aproximava demasiado de uma das muitas crateras dos vulcões que existiam na fina crosta terrestre, fazendo com que o Espírito se afastasse dos lugares perigosos. Era um órgão de direção que agia como órgão sensorial e que depois se estendeu por toda a pele do corpo. Isto é uma indicação para o ocultista de que também os outros sentidos, a visão e a audição, serão um dia expandidos de modo idêntico, de forma que poderemos ver e ouvir com todo o corpo, tornando-nos muito mais sensitivos do que agora. Desde então a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário ficaram temporariamente adormecidos (espiritualmente), fazendo com que os homens esquecessem o Mundo Invisível, enquanto aprendem as lições proporcionadas pelo mundo material. O Corpo Pituitário, por vezes, manifesta à influencia uraniana nos crescimentos físicos anormais, criando monstruosidades de diversas espécies. Netuno agindo anormalmente pela Glândula Pineal, é o responsável pelo crescimento anormal do poder espiritual dos curandeiros, feiticeiros e médiuns quando controlados por espíritos maléficos. Quando são normalmente postas em atividade essas duas glândulas facultam com segurança a percepção dos mundos invisíveis enquanto a Tiróide, regida por Mercúrio, o planeta da razão, produz as secreções necessárias para dar equilíbrio ao cérebro. No futuro as glândulas de secreção interna desempenharão um papel importante e seu desenvolvimento acelerará extraordinariamente a evolução, porque seus efeitos serão principalmente mentais e espirituais. Estamos chegando à Idade de Aquário e o Sol começa a nos transmitir as elevadas vibrações intelectuais desse signo, o que explica as intuições, premonições e transmissões telepáticas tão comuns hoje em dia. Em última análise, tais fenômenos são devidos ao despertar do Corpo Pituitário, regido por Urano, o Senhor de Aquário, e isso se tornará mais manifesto com o decorrer dos anos. O Sistema Linfático O sistema Linfático é tubular e está um tanto associado aos capilares que unem as circulações venosa e arterial, terminando nas grandes veias próximas do coração. A linfa que flui por seus canais vai numa direção: o centro da circulação - o coração. Podemos considerar este sistema como uma espécie de pequenos desaguadouros do corpo, porque na realidade, recolhe a água suja dos tecidos, depois de banhá-los na linfa que transporta. Se compararmos os canais a tubulações de drenagem que recolhem a água suja, podemos considerar os gânglios linfáticos, que se encontram ao longo desses canais, como comportas, nas quais a linfa tem que se deter e ser filtrada antes de passar à corrente sanguínea venosa. Estes gânglios estão situados nos cotovelos, nas axilas, nos espaços popliteos, nas virilhas e especialmente na parte anterior do pescoço (a parte que fica fronteira à vértebra cervical) no abdomem entre as pregas do mesentério que fixa o intestino delgado a coluna vertebral e no peito entre os pulmões, espaço este conhecido como mediastino. Cada um dos vasos linfáticos passa por um ou mais destes gânglios no seu caminho para as veias. As células linfáticas, como as demais existentes no corpo, não possuem paredes celulares, movendo-se como a medusa na água. Quando a inflamação, em qualquer de suas formas, ataca o corpo humano, todos os líquidos venenosos passam aos canais linfáticos. Os gânglios podem adoecer devido à natureza venenosa da linfa que se filtra por eles. O sistema linfático é de ação tríplice: recolhe a linfa dos tecidos, o "quilo" do intestinos (depois de elaborado pelo processo da digestão) e, por meio dos gânglios linfáticos, cria as células linfáticas que são semelhantes aos corpúsculos brancos do sangue.

O PODER DO PENSAMENTO..Norman Vincent Peale.

O pensamento pode ser um dos mais significantes fatores da evolução, e ainda assim, o menos compreendido. As pessoas geralmente consideram o processo do pensamento como uma matéria puramente privada de influência pessoal momentânea. Elas não têm nenhuma consciência das ramificações complicadas e das consequências dos pensamentos aparentemente mais insignificantes que se formam nas suas mentes. Para ilustrar a importância do pensamento, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental dizem-nos que tudo o que existe no universo foi primeiramente um pensamento. O Novo Testamento, originalmente escrito em Grego, usa a palavra “logos” para significar ambos, a “palavra” e o pensamento que precede a palavra. A palavra pode ser considerada como a forma manifestada do pensamento – um som que constrói todas as formas e, de acordo com o conhecimento oculto, é a sua alma. O homem, evoluindo como um Deus potencial tem em si as faculdades latentes da criação. Ele está atualmente a aprender a criar; ele tem a capacidade de pensar e de dar voz aos seus pensamentos. Quando não consegue por si próprio realizar as suas ideias, pode procurar a ajuda de outros através da fala. À medida que a evolução continua, chegará provavelmente a altura em que ele será capaz de criar diretamente através da palavra emitida da sua laringe espiritualizada. É necessária a aprendizagem através de uma série de encarnações, para que ele não cometa erros. O homem ainda não está espiritualmente desenvolvido e, se atualmente fosse capaz de criar diretamente pela palavra, as suas criações seriam imperfeitas e prejudiciais. A grande maioria das pessoas adquiriu o hábito de pensar superficialmente, o que as torna incapazes de tratarem de um assunto até que esteja completamente dominado. Apesar dos pensamentos que vêm à mente poderem ser bons, maus ou indiferentes – principalmente os últimos – a mente não os retém o tempo suficiente para aprender a sua natureza. O controlo do pensamento é muitas vezes, muito difícil de 2conseguir. Uma vez conseguido, no entanto, o possuidor tem em suas mãos a chave para o sucesso seja qual for a linha que prossiga. A força do pensamento é o meio mais poderoso para obter o conhecimento. Se ela for concentrada sobre um objeto, ela queimará o seu caminho através de qualquer obstáculo e resolve o problema. Se a quantidade necessária de força de pensamento é exercida, não há nada que fique para além do poder da compreensão humana. Enquanto a dispersarmos, a força do pensamento é de pouca utilidade para nós, mas assim que estivermos preparados para nos darmos ao trabalho de aproveitá-la, todo o conhecimento será nosso. Como o pensamento é o nosso principal poder, temos de aprender a ter o controlo absoluto sobre ele, de modo a que o que produzirmos não seja ilusão induzida pelas condições exteriores, mas verdadeira imaginação gerada no interior, pelo Espírito. Esta é uma das razões pela qual os estudantes dos Ensinamentos Rosacrucianos são aconselhados a realizar o exercício matinal da concentração, regularmente e com persistência. Eles são ensinados a fixar profundamente as suas mentes num único objeto, ficando tão absorvidos nele que tudo o resto é eliminado com êxito, da consciência. Uma vez que o estudante aprenda a fazer isto, ele é capaz de ver o lado espiritual de um objeto ou uma ideia iluminada pela luz espiritual, e assim, obtém um conhecimento da natureza interior das coisas nem sequer sonhado pelo homem mundano. Falamos dos pensamentos como tendo sido concebidos pela mente, mas tal como ambos, pai e mãe são necessários na geração de um filho, também ambos, a ideia e a mente são necessárias antes que o pensamento seja concebido. As ideias são geradas por um Ego humano na substância do espírito dos mundos internos. Esta ideia é projetada sobre a mente receptiva, dando origem a um pensamento. Assim, quando cada ideia se encerra a si própria numa forma feita de matéria do pensamento, é então um pensamento, tão visível para a visão interna de um clarividente suficientemente desenvolvido, como a criança é visível para os seus pais. Vemos, pois, que as ideias são pensamentos embrionários, núcleos de substância do espírito dos mundos internos. Concebidos inadequadamente numa mente doente tornam-se caprichos e delírios, mas quando são gerados numa mente sã e formados em pensamentos racionais são as bases de todo o progresso material, moral e mental. Atualmente, no entanto, a mente não está focada de modo a ser capaz de dar uma imagem clara e verdadeira daquilo que o Espírito imagina. Não está direcionada. Dá imagens vagas e enevoadas. Daí a necessidade da experiência para mostrar a inadequação da primeira concepção, e de trazer novas imaginações e ideias até que a imagem produzida pelo Espírito em substância mental seja reproduzida na matéria física. Na melhor das hipóteses estamos aptos a modelar através da mente, apenas as imagens que têm a ver com a forma, porque a mente humana só foi criada no atual Período Terrestre da nossa evolução, por isso, está agora na sua forma, ou estágio, “mineral”. (Ver o Conceito Rosacruz do Cosmos), por isso, nas nossas atividades, estamos confinados a formas e minerais. Podemos imaginar meios de trabalhar com as formas minerais dos três reinos inferiores, mas não podemos fazer nada ou quase nada com corpos vivos. Podemos de fato enxertar um ramo numa árvore viva, ou uma parte de um animal ou de um homem, noutro animal ou homem vivos, mas não estamos a trabalhar com a vida; é apenas a forma. Estamos a criar condições diferentes, mas a vida que já habitava a forma continua a ser a mesma. Criar vida está para além do poder do homem até que a sua mente se torne viva. Muitas pessoas acreditam que tudo resulta de outra coisa, e não consideram a possibilidade de qualquer nova construção original. Aqueles que estudam a vida, normalmente falam apenas de involução e evolução; aqueles que estudam a forma, nomeadamente, os modernos cientistas, só estão preocupados com a evolução. Os mais avançados de entre eles, no entanto, estão a começar a encontrar outro fator, ao qual chamaram epigénese, o impulso criativo. No início de 1787, Caspar Wolff formulou a sua Theorea Generationis, na qual mostrou que no desenvolvimento do óvulo, há uma série de novas transformações nunca antes mostradas pelos seus antecessores. Nas formas de vida inferiores, nas quais as mudanças são rápidas, a epigénese pode ser demonstrada no microscópio. Desde que a mente foi dada ao homem, este impulso criativo original, a epigénese, tem sido a causa de todo o nosso desenvolvimento. É verdade que construímos sobre aquilo que já foi criado. No entanto, também há sempre qualquer coisa nova, devida à criatividade do Espírito. Assim, é que nos tornamos criadores. Se só imitássemos aquilo que já nos foi dado por Deus, nunca seria possível tornarmo-nos inteligências criativas – seríamos simplesmente imitadores. E, novamente, o pensamento está por trás de tudo o que é criado através da epigénese. Fomos colocados neste mundo físico para que possamos aprender a pensar bem e desenvolver a epigénese de forma construtiva. Por exemplo, vejamos o caso de um inventor que tem uma ideia. A ideia não é ainda um pensamento; é um instantâneo que ainda não tomou forma. Gradualmente, no entanto, o inventor visualiza-a na sua mente. Ele forma uma máquina no seu pensamento, e perante a sua visão mental essa máquina aparece com as rodas a girar desta e daquela maneira, conforme é necessário para realizar o trabalho pretendido. Então ele começa a desenhar os planos para a máquina, e mesmo neste estágio ele certamente verá as modificações que são necessárias. Vemos assim, que já as condições físicas mostram ao inventor onde o seu pensamento não estava correto. Quando ele constrói a máquina no material apropriado para a realização do trabalho, normalmente são necessárias mais modificações. Provavelmente, ele tem que rejeitar a primeira máquina e construir outra completamente diferente. Assim, as condições físicas concretas possibilitaram-lhe detectar os erros no seu raciocínio; elas forçam-no a fazer as modificações necessárias no seu pensamento original para construir uma máquina que faça o trabalho. Em empreendimentos mercantis ou filantrópicos aplica-se o mesmo princípio. Se as nossas ideias relacionadas com os vários assuntos da vida estão erradas, são corrigidas quando são trazidas à vida prática. Por isso, é absolutamente necessário que habitemos neste mundo físico e aprendamos a exercer o poder do pensamento – um poder que atualmente está a ser testado em grande medida pelas nossas condições materiais. Para ilustrar a importância do pensamento, diremos que tudo o que existe neste mundo que foi feito pela mão do homem é pensamento cristalizado: as cadeiras onde nos sentamos, as casas onde vivemos, os vários objetos que usamos – todos eles foram um pensamento na mente do homem. Se não fosse por esse pensamento, o objeto nunca teria aparecido. De maneira semelhante, as árvores, as flores, as montanhas, e os mares são formas pensamento cristalizadas das Forças da Natureza. Neste mundo somos compelidos a investigar e a estudar uma coisa antes de sabermos sobre ela. No entanto, os investigadores do oculto que têm sido capazes de funcionar nos mundos espirituais, chamado Mundo do Pensamento, descobrem que lá é diferente. Ali, quando desejamos saber sobre qualquer objeto em particular, dirigimos a nossa atenção para ele e o objeto, fala-nos, por assim dizer. O som que ele emite dá imediatamente uma luminosa compreensão de cada fase da sua natureza. Podemos atingir a compreensão do seu passado histórico; toda a história da sua manifestação é revelada e nós parecemos ter vivido todas essas experiências juntamente com o objeto que estamos a investigar. No entanto, toda esta informação, flui para, e em nós com enorme rapidez, num momento, para que não tenha princípio nem fim. No Mundo do Pensamento, tudo é um grande AGORA, e o tempo não existe. Quando queremos usar esta informação arquetípica no nosso Mundo Físico, devemos, portanto, separá-la e organizá-la em ordem cronológica com princípio e fim antes que se torne inteligível aos seres que vivem num reino onde o tempo é o principal fator. Esta reorganização é uma tarefa muito difícil, pois as palavras são cunhadas em relação às três dimensões do espaço e a evanescente unidade de tempo; por isso, muita dessa informação continua inacessível. Muitas pessoas argumentam que temos o direito de pensar o que queremos, e que os maus pensamentos, se não se traduzirem em más ações, são inofensivos. Isto está longe da verdade, e o poder dos maus pensamentos, tal como o poder dos pensamentos bons e beneficentes, é de fato grande. Através dos séculos, por exemplo, os maus pensamentos de medo e de ódio dos homens têm cristalizado como bacilos. Os bacilos de doenças infecciosas são particularmente as encarnações do medo e do ódio, e por isso, são também vencidos pela força oposta – a coragem. Se encararmos uma pessoa infectada com uma doença contagiosa a tremer e com medo, seguramente desenvolveremos nós próprios os micróbios venenosos. Se, por outro lado, nos aproximarmos dessa pessoa com uma atitude sem medo, escaparemos à infecção, sobretudo se somos movidos pelo amor. No Sermão da Montanha, Cristo Jesus diz-nos que “O homem que olhou para uma mulher com desejo, já cometeu, de fato, o adultério”. Quando tomamos consciência de que “Como o homem pensa no seu coração, assim ele é”, teremos uma concepção muito mais clara da vida do que temos se só tivermos em consideração as ações dos homens. Cada ação é o resultado de um pensamento prévio, mas não necessariamente o pensamento da pessoa que cometeu a ação. Se um diapasão vibrar num determinado tom e estiver outro diapasão na proximidade, o segundo vibrará em sintonia com o primeiro. Do mesmo modo, quando temos um pensamento e outra pessoa no nosso ambiente estiver na mesma linha de pensamento, os nossos pensamentos unem-se com os dela e fortalecem-no para o bem ou para o mal, conforme a natureza do pensamento. Quando vamos a um tribunal e vemos um criminoso, só consideramos o ato; não temos nenhum conhecimento do pensamento que lhe deu origem. Se tivermos o hábito de pensar mal, de ter pensamentos maliciosos em relação a alguém, esses pensamentos podem ter sido atraídos pelo criminoso. Segundo o princípio de que uma solução saturada de sal necessita apenas de um cristal desse sal para solidificar, assim também, se um homem saturou o seu cérebro com pensamentos assassinos, o pensamento assassino que outra pessoa envia pode ser a última gota e destruir a última barreira que teria afastado o assassino de cometer a sua má ação. Por isso, os nossos pensamentos são de maior importância do que as nossas ações. Se pensarmos sempre bem, agiremos sempre bem. Nenhum homem pode pensar no amor ao seu companheiro, ou pode planear como ajudar espiritual, mental ou fisicamente os outros, sem também agir conforme esses pensamentos. Se cultivarmos tais pensamentos, depressa encontraremos a luz do Sol espalhando-se à nossa volta; descobriremos que encontramos pessoas imbuídas do mesmo espírito que nós enviamos. Então, se virmos mesquinhez e pequenez nas pessoas que encontramos, será bom verificar se nós próprios não estamos a causar essas qualidades que emanam de nós próprios. O homem que é mesquinho e pequenino irradia ele próprio essas qualidades e aqueles que encontrar parecer-lhe-ão mesquinhos porque os seus pensamentos causaram algo de natureza idêntica a vibrar na outra pessoa. Por outro lado, se cultivarmos uma atitude serena e pensamentos livres de inveja, e formos francamente honestos e prontos a ajudar, faremos sobressair o melhor das outras pessoas. Por isso tomemos consciência que enquanto não tivermos cultivado as melhores qualidades em nós próprios não podemos esperar encontrá-las nos outros. Somos, pois, seguramente, responsáveis pelos nossos pensamentos. Somos na realidade, os protetores dos nossos irmãos, pois assim como pensarmos quando os encontramos, assim lhes aparecemos, e eles refletem a nossa atitude. Se quisermos obter ajuda para cultivar melhores qualidades, então procuremos a companhia de pessoas que já são boas, pois a sua atitude mental será de imensa ajuda para trazer ao de cima as nossas melhores qualidades. Se nem sempre é fácil afastar os maus pensamentos, e a maioria de nós não pode deixar de encontrar pessoas ou situações que evocam pensamentos negativos, tentem combatêlos como nós fazemos. Mas há uma maneira simples de descartar esses pensamentos indesejados que não envolve, de modo nenhum, “combatê-los”. Ambos, gostar e não gostar tendem a atrair um pensamento ou ideia para nós, e a acrescida força que enviamos para combater os maus pensamentos mantê-los-á vivos e trazê-los-á para a nossa mente muitas vezes, do mesmo modo que uma discussão com uma pessoa que nos desagrada pode causar-nos rancor. Por isso, em vez de lutar, adotemos uma táctica de indiferença. Se virarmos a cara para o outro lado quando encontramos uma pessoa de quem não gostamos, ela certamente ficará cansada de nos seguir. Segundo o mesmo princípio, se nós nos afastarmos com indiferença quando os maus pensamentos entram nas nossas mentes, e as aplicarmos a algo que é bom e ideal, descobriremos que ao fim de pouco tempo estaremos livres dos maus pensamentos e só teremos os bons pensamentos que desejamos para nos entretermos. Vemos assim, até que ponto é realmente grande e poderoso o alcance do pensamento. Todas as coisas quer sejam para o bem ou para o mal, podem ser realizadas com ele. De fato, o poder do pensamento é uma das mais poderosas forças que o homem conhece. Só quando a humanidade tiver uma compreensão da verdadeira natureza e do uso apropriado desta força divina a humanidade se libertará dos grilhões do materialismo e continuará a subir o caminho para se tornar um Ser Criativo autoconsciente.