contos sol e lua

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Cume Espiritual do Homem.

O essencial não está em ser poeta, nem artista, nem filósofo. O essencial é ter cada um de nós a dignidade do seu trabalho, a alegria do seu trabalho, a consciência do seu trabalho.

A determinação de fazer as coisas bem, o entusiasmo de sentir-se satisfeito, de querer somente o que é seu, é a recompensa dos fortes, dos que têm o coração robusto e o espírito límpido.

Dentro dos sagrados números da Natureza, nenhum trabalho bem feito vale menos, nenhum vale mais! Todos somos um tanto necessários e valiosos na marcha do mundo. O que constrói a torre e o que faz a cabana; o que tece os mantos imperiais e o que confecciona as vestes simples do humilde trabalhador; o que manufactura as sandálias de sedas imponderáveis e o que fabrica as rudes solas que defendem os pés do trabalhador rural, todos valem alguma coisa, porque todos estamos nivelados por essa força reguladora que reparte os dons e impulsiona as actividades.

Um grão de areia sustenta uma pirâmide e fá-la derrocar; um bocado de pão duro salva, ou pode destruir uma vida; uma gota de água faz murchar ou reverdecer um loureiro. Todos somos algo, representamos algo, fazemos viver algo, ansiamos por algo.

O que semeia o grão que sustenta o nosso corpo vale tanto como o que planta a semente que nutre o nosso espírito porque, nos dois trabalhos, há o transcendente, o nobre e o humano que faz dilatar a Vida. Talhar uma estátua, polir uma jóia, perceber um ritmo, animar um quadro, são coisas admiráveis. Tornar fecunda a herdade estéril e povoá-la com árvores e mananciais, ter um filho inteligente e belo, e logo poli-lo e amá-lo, ensinar-lhe a desnudar o seu coração e a viver em harmonia com o mundo, essas são coisas eternas!

Ninguém se envergonhe do seu trabalho, nem repudie a sua obra, se nela pôs o afecto diligente e o entusiasmo fecundo. Ninguém inveje seja a quem for, porque ninguém poderá oferecer-lhe o dom alheio nem retirar-lhe o seu próprio.

A inveja é o caruncho das madeiras velhas e apodrecidas e NUNCA DAS ÁRVORES SAUDÁVEIS.

Alargue e eleve cada um o que é seu; defenda-se e escude-se contra toda a má tentação. Deus dá-nos o pão nosso de cada dia, na satisfação do esforço legítimo nos oferece a actividade e o sossego. O triste, o mau, o daninho, é seco de alma; o que nega tudo é incapaz de admirar e de querer. O nocivo é o néscio, o imodesto, o parvo, o que nunca fez coisa alguma de valor, mas que sempre está pronto para conservar tudo e todos. O que nunca foi amado repudia o amor, mas o que trabalha, o que ganha o seu pão de cada dia e sabe nutrir a sua alegria, o justo, o nobre, o BOM, para esses sacudirá o porvir as suas ramagens cobertas de flores e de rocio, quer ele ande a escalar montes ou a cinzelar poemas. Ninguém deve sentir-se menos do que é! Ninguém maldiga seja a quem for! Ninguém desdenhe seja o que for! O cume espiritual do homem alcança-se com o regresso e o abraço das coisas humildes.
Rev. Rosacruz nº 377.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Fugir."


Cresci numa pequena cidade.
E quando a chuva caía.
Eu somente olhei para fora da janela.
Sonhando com o que poderia ser.
E se no fim eu estivesse feliz.
Tentando o máximo alcançar a felicidade.
Mas quando eu tentei falar,
Senti como se ninguém pudesse me ouvir.
Queria ficar aqui.
Mas algo me fazia sentir que eu estava no lugar errado.

Eu abrirei minhas asas e aprenderei a voar.
Eu irei fazer qualquer coisa para tocar o céu
E irei fazer um desejo, ter uma chance, mudar e fugir.
Saindo da escuridão tentando alcançar o sol.
Mas eu não irei esquecer daqueles que eu amei.
Irei me arriscar, ter uma chance, mudar e fugir.

Quero sentir a brisa quente.
Dormir embaixo de uma palmeira.
Sentir o agito do oceano.
Entrar num trem que corra muito.
Viajar numa nave espacial.
e ir pra bem longe e fugir.
Eu abrirei minhas asas e aprenderei a voar.
Eu irei fazer qualquer coisa para tocar o céu.
E irei fazer um desejo, ter uma chance, mudar.

Saindo da escuridão tentando alcançar o sol.
Mas eu não irei esquecer daqueles que eu amei.
Eu tenho que arriscar, ter uma chance, mudar e fugir.
Construções com milhões de andares.
Milhares de portas em todo lugar.
Talvez eu não sei para onde eles irão me levar, mas
Tenho que continuar, e continuar.

Eu abrirei minhas asas e aprenderei a voar.
Apesar de não ser fácil lhe dizer adeus.
Terei que arriscar, ter uma chance, mudar e fugir.
Saindo da escuridão tentando alcançar o sol.
Mas não esquecerei do lugar de onde eu vim.
Irei me arriscar, ter uma chance, e mudar e fugir.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Alma Cigana.


Eu nunca fiz segredo
que a minha alma é cigana
perambula pelo mundo
dança, canta, não engana.

Meu coração… esse já é português
tem sotaque e nostalgia lusitanos
das margens do Tejo ficou freguês
e fados vive cantando.

Enquanto ele canta fados
a alma toca castanholas
mas ambos se abraçam contentes
numa moda de viola.

No bolero são renitentes
não desprezam seu encanto
mas sonham noites e dias
com a magia do tango.

Ah! eu jamais trocaria…
minha alma ou coração
são livres como águias no céu
trapaceiam como irmãos.

Já estiveram na Grécia
também em Jerusalém
mas a pátria deles e minha
é a pátria que ninguém tem.

Amamos nosso Brasil
nosso samba, o candomblé
praias de Santos ou Rio
quem é que não gosta e quer?!

Mas falando em governantes
é saga que ninguém merece
por isso deixo minh’alma
fazer o que lhe apetece.

Ela vê a sua sorte
se assim o desejar
mas não lhe fala de morte
pois segue essa linear.

A minha sorte eu não sei
ver, eu nunca consegui
mesmo sendo tão cigana
não sei nem se eu já morri.

Se o meu amor foi na frente
se ainda espera por mim
tudo que eu sei e que eu canto
é só do que aqui vivi.

E da minha liberdade
que a prezo mais que tudo
pois cigana de verdade
não se prende nesse mundo!

Quem me conhece já sabe
gosto de vermelho forte
nas minhas saias rodadas
que dos dois lados tem cortes.

Pra facilitar a dança
nos volteios deslumbrantes
que me tomam nos meus sonhos
nos braços do meu amante.

Tenho uma rosa no peito
bem lá dentro tatuada
esteve nos meus cabelos
em outras vidas passadas.

Assim vou sendo feliz
do meu jeito tão singular
que pouca gente me entende
mas não lhes deixo de amar!
Tere Penhabe.

Astrologia cigana

Quem pensa que a Astrologia é a mesma para todos está enganado. Muitas culturas têm diferentes formas de interpretação e algumas se guiam até pelo ano do nascimento. Mas, a Astrologia cigana não é tão diferente da astrologia que nós conhecemos. A diferença é que eles identificam os signos por meio de objetos da sua cultura.

Descubra o seu signo na Astrologia cigana:

Punhal (21/03 – 20/04)
Para os ciganos, o punhal é símbolo do pioneirismo e da superação. Esse signo significa a luta, a vontade de vencer e a honra. Quem nasce com a influência desse signo é bem resolvido, inquieto e de personalidade forte. Se for subestimado, pode até se tornar agressivo. Quando ama é fiel, exagerado e adora sexo.

Coroa (21/04 – 20/05)
Esse signo é relacionado à nobreza. A Coroa é o símbolo do amor, da elegância e do poder. Para a pessoa desse signo, a estabilidade financeira é fundamental. Quem é do signo de Coroa sabe muito bem lutar para conseguir o que quer. No amor, é fiel, sensível e não permite que brinquem com seus sentimentos.

Candeia (21/05 – 20/06)
Significa a luz, a sabedoria e as idéias. Esse signo também simboliza a esperteza e a vivacidade. A pessoa do signo de Candeia é comunicativa e tem o raciocínio rápido. Gosta de estudar e se relacionar com as pessoas. Quem nasce nesse signo é muito romântico e não desiste fácil de alguém na hora da conquista.

Roda (21/06 - 21/07)
A Roda significa a emoção que move a alegria e a tristeza para os ciganos. Está relacionada à Lua, pois representa o movimento de ir e vir. A pessoa desse signo é dócil e tranqüila, mas também pode ser muito difícil quando se irrita. Ela ama com intensidade e sente muito ciúme.

Estrela (22/07 – 22/08)
Representa sucesso e evolução. A estrela também indica a igualdade. A pessoa desse signo nasceu para brilhar e é otimista. Quem nasce no signo de Estrela vive intensamente e adora estar rodeada de amigos. Outra forte característica é querer sempre que tudo aconteça a seu gosto.

Sino (23/08 – 22/09)
Para os ciganos, o Sino tem relação com a pontualidade e a disciplina. O Sino representa a exatidão e a perfeição. A pessoa desse signo é muito organizada, crítica e ambiciosa. Adora aproveitar a vida, mas sempre com consciência e sem exageros.

Moeda (23/09-22/10)
Relacionada ao equilíbrio e à justiça, a Moeda representa riqueza material e espiritual. Quem nasce nesse signo vive para amar e tem sentimentos fortes. Gosta de ajudar as outras pessoas e de estar sempre apaixonada.

Adaga (23/10 – 21/11)
A Adaga simboliza as mudanças da vida. Ela é entregue ao cigano quando ele passa da adolescência para a vida adulta. A pessoa desse signo tem um temperamento forte e é muito perceptiva. Quando ama, é muito sensual e gosta de paixões arrebatadoras.

Machado (22/11 – 21/12)
Simboliza a liberdade, já que é capaz de acabar com os obstáculos. Quem é do signo de Machado é aventureiro e não gosta de uma vida estática. Esse signo tem como principais características o otimismo e a facilidade para se apaixonar e se libertar. As pessoas desse signo também são muito inteligentes e ligadas ao aprendizado.

Ferradura (22/12 – 20/01)
Para os ciganos, a Ferradura significa sorte e fortuna. Esse signo representa o esforço e o trabalho, por isso, quem nasce nele tem muito bom senso e é uma pessoa séria. Gosta de amores estáveis e tem imensa dedicação ao trabalho.

Taça (21/01 – 19/02)
A Taça significa a união e o valor. A pessoa desse signo é inteligente, original, humana e inquieta. Quem nasce nesse signo gosta muito de ação e criação. Gosta de inovar e aprecia a sinceridade. Vive sempre em busca da felicidade.

Capela (20/02 – 20/03)
Simboliza o grande Deus para os ciganos e é um sinal de fé. A pessoa desse signo é emotiva, sensível, leal e justa. Tem muita força espiritual e é sonhadora. No amor, é muito romântica e carinhosa.F.P.Wikepédia.


Xamanismo Siberiano.


Como todos devem saber a palavra xamã deriva da língua evenca, que é própria de um pequeno grupo de caçadores e pastores de renas de língua tungu da Sibéria. Embora alguns eruditos argumentem que a palavra deriva do sânscrito, o termo xamanismo usa-se, em sentido restrito, apenas para designar as tradições espirituais da Sibéria e Mongólia. Inicialmente, foi apenas utilizada para designar um líder espiritual desta região, mas no início do século XX, a designação aplicou-se a um leque de curandeiros e curandeiras.

Estas tradições espirituais que tradicionalmente não tem nome, partilham uma cosmologia de níveis, ligados por uma árvore, um pilar ou montanha. Abrangem ainda a crença da separação do espírito do corpo e do vôo xamânico até o céu e ao mundo sob a terra. De um modo típico, a iniciação do xamã realiza-se através da sua tortura e desmembramento por espíritos, que o voltam a reunir. Em grande parte da região, há uma associação entre o xamã e o ferreiro. Todavia ocorrem variações locais muito importantes. Na costa do Pacífico defronte do Alasca, os Tchuktchins e os esquimós siberianos vivem tradicionalmente da caça da baleia e da morsa. São muito diferenciados do povo da floresta do interior que vivem da caça da rena e do alce, por vezes criando-os em grandes rebanhos, e também da pesca, nos numerosos rios e lagos. Mais para o sul, à medida que a floresta vai sendo substituída pela estepe, as sociedades de caçadores voltaram-se para o pastoreio, dispondo de grandes rebanhos de carneiros, de cabras e até de camelos.

Há vários tipos de xamãs, inclusive no seio de uma mesma sociedade, e até do mesmo acampamento. Uns eram curandeiros, outros descobriam a caça, outros ainda afastavam os maus espíritos ou entravam em contatos com os mortos. A idéia do xamã puro ou ideal, tal como apresenta Mircea Eliade, torna-se cada vez mais difícil de sustentar em qualquer pesquisa nesta região social e ecologicamente diversificada. De um modo geral, há duas grandes tendências que constituem o padrão espiritual da região. A que sem dúvida mais tem atraído a atenção apresenta um tipo de xamã que participa de forças imanentes do mundo, que sejam humanas, animais ou elementos como a àgua e o ar. Neste tipo de xamanismo, o xamã se transforma em qualquer coisa, como por exemplo um animal. Estes xamãs são capazes de viajar até o céu, geralmente com a finalidade de de alterar uma situação desfavorável, como uma doença. Outro tipo de xamanismo é o de clã, que se preocupa com a reprodução e a família. Este tipo de xamanismo associa-se com o culto do céu e das montanhas que até ele conduzem. Os locais de culto, constituídos por um amontoado de pedras com um pau vertical no cimo, mantém-se populares e são designados por "oboo" na Mongólia e regiões vizinhas. Os xamãs do segundo tipo raramente entram em transe e, em vez disso, concentram-se na oração e no sacrifício. Estes xamãs não se transformam em animais nem viajam até céu.

Entre os Buriatas e os Icautos, as diferenças correspondem a uma classificação nativa dos xamãs, em brancos e negros. Falando de um modo geral, os xamãs negros entram em transe e contactam com os espíritos dos mundos subterrâneos e da doença, enquanto os xamãs brancos oravam antes de entrarem em transe, invocando bençãos para os homens e para os animais domésticos, concedidas pelos deuses e pelos espíritos auspiciosos do mundo superior. Estes xamãs brancos correspondem ao que noutras partes do mundo se designa por sacerdotes.

Como já expliquei anteriormente, o xamã siberiano consegue abandonar seu corpo e viajar até outras regiões do cosmo, e particularmente até um mundo superior e também um interior. Esta capacidade é tradicional em outras partes do mundo também e permite-nos designar sociedades e culturas xamânicas.

Os povos siberianos acreditam tradicionalmente que o mundo se divide em três níveis. Os seres humanos vivem no nível médio, mas o mundo superior, no céu, é atingível por intermédio de um pequeno orifício. Este mundo tem uma superfície sólida (sendo povoada até por animais) e divide-se em vários níveis. Os caçadores do extremo norte acreditavam que havia apenas três, mas mais ao sul, em resultado da influência dos impérios das cortes próximas, muitos mais se consideraram, pensando-se que o governante supremo, Bai Ulgen, vivesse no nono nível. Do mesmo modo, o mundo inferior encontrava-se dividido em diversos níveis, e era freqüentemente considerado o reino dos mortos. Estes outros mundos eram parcialmente como os nossos, com montanhas, rios e criaturas. Os Nganasãs estavam convictos de que o mundo inferior era muito frio, e vestiam os mortos com peles adequadas para o inverno. Os Iacutos, pelo contrário, pensavam que o céu é que era frio, e, por vezes, os xamãs regressavam de uma viagem até o céu totalmente cobertos por cristais de gelo.

Os Iacutos acreditavam que um xamã só curava as doenças cujos espíritos tinham provado a carne do xamã durante sua iniciação. Em muitas regiões da Sibéria, as pessoas podem sofre de uma "doença xamânica" perfeitamente distinta, em que parecem ficar fora de si, lançando-se nuas pelos campos sem qualquer consideração pela própria segurança, ou passando semanas numa árvore, ou jazendo imóveis no chão. Durante este período, recusam-se a encetar a difícil vida e são perseguidos por espíritos que as obrigam a ceder. Quase sempre o iniciado cede, mas a luta pode ser dura e prolongar-se por alguns anos. Os espíritos ameaçam que, se o candidato mantiver a recusa, ele ou ela continuará a ser torturado por eles próprios, e acabará por ser morto, eventualmente. Por conseguinte, o "dom" xamânico e o controle dos espíritos são como uma faca de dois gumes: em vez de serem ativamente procurados, são impostos contra a vontade do xamã, e além de conceder o poder também provocam angústia para toda vida. Muitas outras culturas encaram da mesma maneira o problema. O primeiro contato com os espíritos (em especial na Sibéria e Mongólia) toma a forma de um ataque violento, que conduz ao que parece ser a completa destruição da personalidade do futuro xamã. A isto se segue a reconstrução do xamã, cujo novos poderes não se limitam a um acrescento externo ou ferramenta. Na realidade, são uma espécie de visão íntima das coisas, uma perspectiva da natureza do mundo, e em particular, das formas de sofrimento humanas que ele ou ela acabou de sofre de modo tão intenso. A interiorização de todas estas experiências levará ao aparecimento de uma nova personalidade, e é esta que se exprime através da destruição da anterior natureza do xamã.

A experiência psíquica do candidato fica expressa pelo desmantelamento do corpo. Ele ou ela poderão ver-se como um esqueleto, um tema largamente encontrado na Ásia e nas Américas. Na Sibéria, cada osso e cada músculo é tomado à parte, contado e colocado a ser reunido com os restantes, enquanto o sangue do candidato reassuma pelas articulações do corpo inerte, na sua tenda, rodeado por parentes ansiosos. Há outros processos, segundo os quais o xamã pode tornar-se uma pessoa diferente, e o terror da experiência pode surgir entremeado de êxtase e prazer.

Na iniciação do xamã, o tema morte completa-se com renascimento, e o movimento do xamã no espaço cósmico é por vezes comparado ao regresso ao útero. Para além de ser amamentado ao peito de uma mãe-espírito, o xamã siberiano é ainda ocasionalmente embalado num berço de ferro por espíritos, sobre um dos ramos da árvore do mundo. Entre os esquimós do Alasca, o túnel de passagem para o iglu significa claramente a passagem vaginal para o útero, e a palavra "ani" tanto significa "sair do iglu" como "nascer". Só quando um xamã aguardava entre vidas o seu renascimento é que sentiu que o interior de sua mãe era como um pequeno iglu, mas que a passagem de saída era tão pequena que ele teria dificuldade de sair. Somente quando ouviu uma voz a incitá-lo a sair é que acabou por forçar a saída através de uma passagem estreita.

São esta imagens que permitem a alguns psicanalista e psicólogos interpretar a iniciação e o transe xamânico como uma regressão infantil. É claro, contudo, que nem todo retorno ao útero são regressivos, uma vez que o xamã renasce como um adulto integrado e extremamente poderoso. Neste aspecto, a iniciação xamânica assemelha-se à iniciação vulgarmente efetuada em muitas sociedades por ocasião dos ritos da puberdade, da qual se diz que o adolescente regressou ao útero para renascer, desta vez como completamente adulto ou, por outras palavras, como uma pessoa mais completa do que anteriormente.

O povo Inuíte não vive só na Sibéria, algumas de suas tribos vivem no Alasca e outra no Canadá. Este povo acreditam que os mamíferos e pássaros têm uma lama coletiva. Usam uma única palavra para identificar todos os membros de uma espécie. Por vezes, há duas pessoas com o mesmo nome, e este fato lhe confere uma determinada relação entre suas almas, e simpatia mútua. O nome pode ligar as pessoas, e até toda uma espécie. Além disso, uma pessoa associa-se deste modo a pessoas mortas que tinham o mesmo nome, formando uma rede de almas parcialmente partilhadas que funciona como uma ponte entre os vivos, os mortos e o reino animal. Eles acreditam que proferindo um nome, criavam uma realidade, mesmo que apenas de caráter mental. Os objetos e seus nomes eram igualmente reais. O nome de uma pessoa faz parte de sua alma, no modo simboliza a sua existência social e sua relação com o meio ambiente. Representa ainda a essência da pessoa, passada a outra, após sua morte.

Entre os Inuítes aquele que pretende tornar-se xamã deverá explicar que "eu venho até ti porque pretendo ver". A idéia é que a sabedoria envolve uma espécie de segunda visão, ou visão interior, e associa-se muitas vezes a perda da visão normal pela pessoa. O poder xamânico exprime-se freqüentemente em termos de visão especial, como quando os olhos dos xamãs siberianos são arrancados (durante sua iniciação) por espíritos ferreiros e substituídos por olhos especialmente adequados à visão de outras realidades.

Nas pequenas tribos de caçadores de renas e de pastores, como os Evencos e os Iucagires no norte e nordeste da Sibéria, o xamã era um chefe de clã e negociava com os espíritos sobre as almas dos animais que iriam ser caçados. Para o lado do noroeste, entre os Nganasás, o xamã estava menos ligado ao clã, visto este se encontrar disperso. Na costa do Pacífico, entre os Tchuktchis e os Coriaques, o clã era fraco e as famílias podiam executar alguns dos seus próprios ritos xamânicos. Onde houvesse xamã profissionais, estes estavam relativamente pouco ligados aos grupos sociais, e executavam truques particularmente espetaculares, a fim de conservar os seus clientes.

Era muito diferente o contexto do xamanismo no sul da Sibéria e na Mongólia. Aqui, as grandes manadas davam origem a comunidades maiores e clãs fortes.

Além disso, a influência do Budismo da Idade Média para cá, surgiu uma cosmologia mais elaborada, e o xamanismo estava mais fortemente institucionalizado. Além de curandeiros, os xamãs serviam muitas vezes de sacerdote que realizavam sacrifícios. Durante os rituais importantes, o papel do xamã era o de escoltar até o outro mundo a alma do cavalo ou de outro animal sacrificado.

No século XIX e no princípio do século XX, por ocasião dos primeiros estudos antropológicos, estes povos xamânicos tinham se tornado a fronteira entre os modernos impérios russo e chinês. Na Mongólia e na Sibéria do Sul, o xamanismo competia com a forma tibetana do budismo, o Lamaísmo. Mas a Mongólia se caracterizava por possuir fontes escritas não européias relativas ao xamanismo. The Secret History of the Mongols, e os trabalhos do viajante Rashid Al-Din demonstram que, enquanto o xamanismo mongólico há mil anos anos era semelhante em muitos aspectos ao que hoje se pratica, apesar pela constantes modificações políticas e sociais ocorridas. A Mongólia foi pacificada duas vezes por missionários budistas, enquanto a corte chinesa partilhava o culto do céu com as tribos do interior. O céu é masculino, e a fonte da boa fortuna e do sucesso militar. É freqüentemente referido como pai, e o chefe mongol Gengis Kan pretendia ser filho do céu. A associação do céu com a linha masculina conduziu ainda a importância do poderio militar. Para um xamã, a pretensão de ser capaz de entrar no céu era uma aventura numa área politicamente sensível, e por isso, este tipo de xamanismo tendia a encontrar-se em locais mais afastados, como nas tribos de caçadores, de preferência em regiões mais centrais dos impérios. No século passado, as tradições foram ainda alvo de severa repressão por parte do comunismo, principalmente com a criação da União Soviética, mas recentemente voltaram a surgir em vários pontos da Sibéria.

O xamanismo nesta região está intimamente relacionada com as tradições espirituais e crenças que se encontram em duas partes muito diferentes do mundo. De início, a América do Norte foi muito provavelmente colonizada a partir da Sibéria, por caçadores que atravessaram o estreito de Bering quando no existia uma língua de terra entre os dois continentes. O xamanismo dos esquimós do norte americano é quase idêntico ao dos Tchuktchis, do lado siberiano do mar. As tradições xamânicas da Mongólia são próximas da filosofia pré-budista "bon-po" e das várias formas de religião que se encontram no Nepal e no sudoeste asiático e Ásia meridional.F.P.Wikepédia

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Horóscopo Xamânico.


O horóscopo Xamânico provém dos nativos norte-americanos, sendo baseado em todo o Universo – desde os minerais ao Homem. Como o nome indica este horóscopo era do domínio dos apelidados Xamãs – curandeiros, sapientes e curandeiros. Eram eles quem comunicavam com os deuses, com a Natureza e eram ligação entre a vida e a morte.

Tem como base a Natureza, que tanto respeitavam, pois acreditavam que a sua sobrevivência dependia da harmonia entre todos. A simbologia de cada animal é usado para a descrição dos arquétipos e os ciclos têm como base os ciclos lunares, as 4 estações – os ciclos da Natureza.
Os signos correspondem ainda a um género de vento e direcção, entre tantos outros elementos naturais, que representam as qualidades, defeitos, futuro, presente, etc.

GANSO - 21-12 a 20-01 - Lua de Renovação da Terra.

É marcado pelas suas ideologias, originado alguma severidade. É curioso com gosto pelo desconhecido e perfeccionista, enfrentando com grande entusiasmo a vida. Ambição e perseverança também o caracterizam e no amor chega a ser bastante egoísta, centrando-se apenas nele mesmo. Não possui grande sentido de humor e peca por não ser afectuoso para com quem o rodeia. Castor, Urso Pardo e o Corvo são os Signos com quem melhor se dá.
Estimule o seu lado social, expresse-se mais emocionalmente.
Evite as dúvidas e o pessimismo.
A sua Planta é a Framboesa e o mineral Peridoto.
A Cor é o Branco com direcção para Noroeste.

LONTRA - 21-01a 20-02- Lua da Tranquilidade e da Purificação.
É marcado pelos seus ideais, querendo sempre mais do que aquilo que é suposto e procurando a verdade acima de tudo. Criatividade, lógica, excentricidade, grande capacidade humanitária e intuição são algumas das melhores qualidades da Lontra. Ao mesmo tempo este signo não vivem bem com normas, tende a um modo mais liberal de viver. Isto leva a uma rebeldia e imprevisibilidade e procuram também viver grandes amizades antes das paixões. Os signos com que se dá melhor são o Corvo, Falcão e Cervo.

Estimule o seu lado criativo e coragem, bem como tolerar mais.
Evite ser tão excêntrico.
A sua planta é o Alísio e o mineral a Turquesa.
A sua cor é Prata com direcção para o Norte.

LOBO - 21-02 a 20-03 - Lua dos Grandes Ventos.
É caracterizado por ter bastante graciosidade, iniciativa e gostar de liberdade. É muito fiável, tendo um grande apreço por aqueles que ama. Tem como objectivo primordial estimular o amor, com grande compaixão, o que demonstra grande sensibilidade, intuição e criatividade. Ajuda sempre que pode e quem precisa e ao mesmo tempo quer o respeito pela sua liberdade. Afecta-se bastante por aquilo que dizem sobre si e é bastante tímido, mas ao mesmo tempo sincero e reflexivo, sendo um romântico e carinhoso, mas também bastante possessivo. Pica-Pau,Urso Pardo e a Serpente são os signos que tem mais compatibilidade.

Estimule o seu lado intuitivo, criativo e compreensivo.
Evite ser possessivo.
A sua planta é a Tanchagem e o mineral Jade.
A sua cor é o azul esverdeado e deve seguir para Nordeste.

FALCÃO VERMELHO - 21-03 a 20-04 - Lua da Árvore em botão.

É marcado por gostar da liderança e da sua impulsividade. Destaca-se também pela sua individualidade, mesmo sendo aceite no grupo que o rodeia. É um signo bastante activo, esforçado mas impetuoso. A sua actividade leva a tomar decisões algo precipitadas, que tende a arrepender-se mais tarde.É também bastante extrovertido e tem grande audácia, ganhando entusiasmo com novas experiências. O seu objectivo passa por conduzir os outros e é um ser bastante apaixonado. Os signos Salmão e Coruja são aqueles com que tem mais compatibilidade.
Estimule o seu lado paciente, persistente e a sua compaixão.
Evite a vaidade, o orgulho e intolerância.
A sua planta é o Dente-de-leão e o mineral Opala.
A sua cor é o Verde amarelado e deve seguir para Nordeste.

CASTOR - 21-04 a 20-05 - Lua de Retorno dos Sapos.

Caracteriza-se por ser bastante carinhoso. A sua natureza é empreendedora, com um lado bastante possessivo. A sua segurança é proveniente de bens materiais, tornando-se bastante inflexível. Trabalha bastante e tem grande persistência, o que o leva a atingir os seus objectivos. Ao mesmo tempo necessita de harmonia de forma a evitar mudanças de humor. O seu objectivo é perceber que na vida os bens materiais não são o mais importante. Pica-pau, o Urso Pardo e o Ganso são os signos com que se dá melhor.

Estimule a sua adaptação e compaixão.
Evite de ser possessivo e inflexível.
A sua planta é o Trevo silvestre e o mineral Jaspe sanguíneo.
A sua cor é o amarelo e deve seguir em direcção de Leste.

CERVO- 21-05 a 20-06 - Lua do Plantio do Milho.

É caracterizado por ser forte, orgulhoso e agressivo. É bastante hábil e a sua segurança é adquirida através daquilo que possuiu. É um ser bastante curioso intelectualmente e por vezes inconsistente e agitado. Está sempre atento ao que o rodeia e no amor tanto é entusiasmado como perde o interesse. O seu objectivo passa por tentar coordenar tudo aquilo que o atrai. Não fica preso à rotina e é atraído por tudo o que lhe é novo, gosta portanto de desafios. Corvo e Lontra são os signos com que melhor se dá.
Estimule a sua concentração e o seu lado persistente e paciente.
Evite de ter variâncias de humor de ser inconsistente e superficial.
A sua planta é o Verbasco e o mineral a Ágata.
A sua cor é o Laranja e deve seguir para Sudeste.

PICA-PAU- 21-06 a 20-07 - Lua do Sol Intenso.

Caracteriza-se por ter um lado bastante emotivo e carinho, bem como uma grande sensibilidade. Sacrifica-se por aqueles que mais gosta e tem como objectivo aplicar o seu equilíbrio emocional na parte material. É um ser bastante romântico com um grande afecto materno e tanto é protector como vulnerável. Serpente, Lobo e Castor são os signos com que se dá melhor.
Estimule a sua capacidade de perdão e o seu lado intuitivo.
Evite o seu lado possessivo e a auto-compaixão.
A sua planta é a Rosa silvestre e o mineral Quartzo rosa.
A sua cor é o Rosa e deve seguir para Sul-Sudeste.

SALMÃO - 21-07 a 20-08 - Lua dos Frutos Maduros.

Como o próprio Salmão, retorna sempre a casa. Caracteriza-se por gostar tanto do seu espaço vital, tendo grande generosidade e sensibilidade. Tem grande imaginação, levando também a grandes mudanças de humor. O seu objectivo consiste em ter uma vida em harmonia com a natureza. Tem grande segurança e entusiasmo, com grande capacidade de liderança. Tem ainda grande energia e intransigência. O seu lado amoroso é passional e insaciável. Coruja e Falcão são os signos com que se dá melhor.

- Estimule o seu lado tolerante e a sua estabilidade emocional.
- Evite a sua faceta arrogante, egoísta e intolerante
- A sua planta é a amora silvestre e o mineral Cornalina.
- A sua cor é o Roxo e deve seguir para Sul.

URSO PARDO - 21-08 a 20-09 - Lua da Colheita

- Conta com uma grande preseverança e uma grande independência. É bastante perfecionista e deseja alcançar a perfeição, daí criticar-se tanto. É bastante trabalhador e alcança sempre ao que se propõe. Gosta da rotina e é de confiança, tem grande lealdade e soluciona todos os problemas que lhe ocorrem no quotidiano. É moralista e reprimido no que toca ao amor. Ganso e Lontra são os signos com que se dá melhor.

- Estimule o seu lado Optimista e tolerante.
- Evite o Cepticismo e as críticas destrutivas.
- A sua planta é a Violeta e o mineral Topázio.
- A sua cor é o Violeta e deve seguir para Sudoeste

CORVO- 21-09 a 20-10 - Lua do Voo dos Patos.
É um ser inteligente e esperto. É um idealista por natureza e cultiva a paz, desejando uma convivência em harmonia. Não suporta a solidão e é muito bondoso e influenciado por aquilo que o rodeia. Para além de idealista é um diplomata, apoiando sempre a justiça. O seu objectivo é a harmonia e tem tanto de forte como de sensível no que diz respeito ao amor. Cervo e Lontra são os signos com que se dá melhor.

Estimule a sua imparcialidade e inspiração.
Evite o seu lado Indeciso, incerto e inconsistente
A sua planta é a Hera e o mineral Azurita.
A sua cor é o Azul e deve seguir para Sudoeste.

SERPENTE - 21-10 a 20-11 – Lua do tempo frio.

É bastante misterioso e reservado, omite os sentimentos e atitudes bastante frias. A juntar a isto demonstra ser bastante sensível, sofrendo bastante sem que ninguém note, aguardando o momento certo para retribuir o mal que lhe foi feito. Do lado positivo, é bastante imaginativa e carinhosa e bastante intensa no amor, levando ao limite a sua sexualidade. Lobo e Pica-Pau são os signos com que se dá melhor.

Estimule o seu lado mais determinado e criativo.
Evite o egoísmo, arrogância e ciúmes.
A sua planta é a Espinheira santa e o mineral Ametista.
A sua cor é o Violeta e deve seguir para Oeste.

CORUJA - 21-11 a 20-12 – Lua da neve.

Observa bastante, com grande inteligência e secretismo. É também bastante perfeccionista e tem a necessidade de liberdade. Adapta-se muito bem a todas as situações, tem grande curiosidade e determinação. É da sua natureza ser discreta, sincera e inteligente, sendo mesmo bastante compreensiva. No plano amoroso gosta de aventuras e atraí-se muito pelo exótico. Falcão e Salmão são os signos com que se dá melhor.

Estimule a sua concentração.
Evite exagerar.
A sua planta é Visco e o mineral Obsidiana.
A sua cor é o dourado e deve seguir para Noroeste.

O I Ching ou Livro das Mutações.


O I Ching ou Livro das Mutações, é um texto clássico chinês composto por várias camadas, sobrepostas ao longo do tempo. É um dos mais antigos e um dos únicos textos chineses que chegaram até nossos dias. Ching, significando clássico, foi o nome dado por Confúcio à sua edição dos antigos livros de conhecimento. Antes era chamado apenas I: o ideograma I é traduzido de muitas formas, e no século XX ficou conhecido no ocidente como "mudança" ou "mutação".

O "I Ching" pode ser compreendido e estudado tanto como um oráculo quanto como um livro de sabedoria. Na própria China, é alvo do estudo diferenciado realizado por religiosos, eruditos e praticantes da filosofia de vida taoísta.
Filosofia e cosmologia no I Ching

As oito figuras que formam o I Ching estão na base da cultura que se desenvolveu na China durante milênios. Para os chineses a ordem do mundo depende de se dar o nome correcto às coisas, portanto o significado de "I" sempre foi objecto de discussão. Alguns vêem o ideograma I como semelhante ao desenho de um camaleão, representando o movimento (como o lagarto) e a mutação (como o mimetismo do camaleão). Outros afirmam que o ideograma é formado pelo do Sol em cima e o da Lua embaixo, a mutação sendo simbolizada pelo movimento incessante destes astros no céu.

Para o pensamento chinês, não há o que mude, há apenas o mudar. A mutação seria o carácter do mundo. Mas a mutação é, em si mesma, invariável, ela existe sempre. Portanto, "I" significa mutação e não-mutação. Subjaz, à complexidade do universo, uma 'simplicidade' que consiste nos princípios que estão por detrás de todos os ciclos. Ao fluir com as circunstâncias evita-se o atrito e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio.

Tanto o taoísmo como o confucionismo, as duas linhas da filosofia chinesa, beberam da fonte do I.

Tudo que ocorre no céu e na terra tem sua imagem nos oito trigramas, que estão continuamente a transformar-se um no outro. Têm várias camadas de significados, e representam processos da natureza. São, portanto, o mundo arquetípico, ou o mundo das ideias de Platão. É usada para ilustrá-los a analogia com a família:

* o pai é forte
* a mãe é maleável
* os três filhos são as três fases do movimento: início, perigo e repouso
* as três filhas são as três etapas da devoção: suave penetração, clareza e tranquilidade


História.

O mais antigo método chinês de adivinhação do qual se tem notícia é a leitura de sinais em ossos de boi. Em geral, a omoplata do animal era colocada sobre o fogo e, depois de algum tempo, apareciam rachaduras no osso, provocadas pelo calor, que eram então lidas como a mensagem do destino. Desse método primordial derivou-se o de queimar a carapaça da tartaruga, animal sagrado para os chineses, símbolo da estabilidade e da longevidade. Exposta também ao calor, a carapaça rachava-se e o adivinho interpretava as linha que se tinham formado. Embora não exista nenhuma prova concreta, alguns estudiosos especulam que esse tipo de leitura de linhas originou a primeira forma de I Ching, constituída pelos oito Trigramas básicos, que alternam linhas inteiras ( Yang ) e cortadas ( Yin ).

Segundo a tradição, durante a dinastia Shang (c. 1766-1122 a.C.) e durante o primeiro período da dinastia Chou, o oráculo era consultado através de varetas de caule de milefólio. O adivinho jogava as varetas e obtinha um número par ou impar, que determinava se a linha era inteira ou cortada. depois de ter jogado seis vezes, o hexagrama estava formado.

O I Ching surgiu antes da dinastia Chou (1150-249 a.C.) e era um conjunto de oito Kua, figuras formadas por três e seis linhas sobrepostas. James Legge, na sua tradução para o inglês (1882), chamou trigrama o conjunto de três linhas e hexagrama o de seis, para distingui-los entre si.

A origem dos 64 hexagramas é atribuída a Fu Hsi, o criador mítico chinês, e até a dinastia Chou eles formavam o I. Os oito trigramas têm nomes não encontrados em chinês e a sua origem é pré-literária.

O tempo obscureceu a compreensão das linhas, e no começo da dinastia Chou surgiram dois anexos: o Julgamento, atribuído pela tradição ao rei Wên, e as Linhas, atribuídas a seu filho, o duque de Chou, ambos fundadores desta dinastia. Mais tarde, mesmo o significado destes textos começou a ficar obscuro, e no século VI a.C. foram acrescentadas as Dez Asas, que a tradição atribui a Confúcio, embora seja claro que a maioria delas não pode ser da sua autoria. O nome "I Ching" é dado ao conjunto dos Kua e todos os textos posteriores.

O I Ching escapou à grande queima de livros feita pelo tirano Ch'in Shih Huang Ti, no tempo em era considerado um livro de magia e adivinhação, o que levou a escola de magos das dinastias Ch'in e Han a interpretá-lo segundo outras visões A doutrina do yin-yang foi sobreposta ao texto. O sábio Wang Pi veio a resgatá-lo como livro de sabedoria mais tarde.

Houveram várias traduções do "I Ching" para línguas ocidentais, algumas claramente desrespeitosas, tratando a cultura chinesa como primitiva. A tradução de James Legge fez parte da série Sacred books of the East (Livros sagrados do Oriente), e foi traduzida também para o português.

Richard Wilhelm traduziu o I Ching para o alemão ao longo dos anos em que viveu na China, inclusive durante a invasão japonesa, quando a cidade em que estava foi cercada. Teve o apoio de um velho e sábio mestre, Lao Nai Suan, que morreu ao ser concluída a tradução. A edição alemã é do ano de 1923.
O uso oracular do I Ching

O ênfase no aspecto oracular do "I" variou com o tempo. No século VI a.C. era visto mais como livro de filosofia, ao passo que na dinastia Han, quando a magia teve grande papel, era visto como oráculo.

Como todo oráculo, exige a aproximação correcta: a meditação prévia, o ritual, e a formulação precisa da pergunta. O oráculo nunca falha, quem falha é o consulente: se a pergunta não foi clara e precisa, isto indica que a pessoa não tem clareza sobre o que deseja saber. O ritual tem a função psicológica de focar a atenção da pessoa na consulta.