contos sol e lua

contos sol e lua

domingo, 30 de dezembro de 2018

Há pessoas que acham que o mundo gira ao seu redor.

Há pessoas que parecem não saber que a terra gira em torno do Sol, e não em torno delas. Não entendem que a vida não gira só ao seu redor, que seu umbigo não é o centro do mundo nem das pessoas que o rodeiam. Por isso se autoproclamam importantíssimos, gerando com seus comportamentos uma fortíssima rejeição social. Como consequência, mantêm comportamentos egocêntricos e enchem nossos ouvidos de mensagens e comportamentos que chamam a gritos por atenção. Gritos que são tão ensurdecedores que nos saturam e esgotam com facilidade. Lidar com uma pessoa que tem comportamentos egocêntricos é cansativo por muitas razões. Analisemos algumas delas a seguir… O egocentrismo, o excessivo culto ao “eu” Acreditar que você mesmo é o centro do mundo e sentir-se mais importante que todas as outras pessoas é desastroso para uma boa evolução de nossas relações sociais. Não gostamos que ninguém tente impor suas opiniões, pensamentos e interesses: de fato, é fácil saber com razão e um bom discernimento que uma pessoa que não se acha melhor que ninguém tenta chegar a um equilíbrio e garante o bem comum. A arrogância não se importa com o bem-estar dos demais, não sabe que este é tão importante quanto o bem-estar pessoal. Elas, as pessoas egocêntricas, estão certas de que são especiais, e mais, de que sua personalidade é absolutamente encantadora. No entanto, quando algo não segue o caminho que o egocêntrico deseja, então ele se converte em ogro, déspota que só quer fazer com que as coisas caminhem do seu modo, ainda que para isso tenha que se aproveitar e manipular as pessoas em volta. Pode ser que eles se justifiquem dizendo a famosa frase “é que eu tenho um gênio muito forte”, uma variante do estilo “eu não tenho defeitos, nós dois que não encaixamos”. Com certeza lembramos de muitas pessoas que em algum momento fizeram ou fazem parte de nossas vidas hoje com essas frases. Eles se autopromovem e se consideram especiais e infalíveis, superiores aos outros. Isso, sem dúvida, tem como consequência a criação de problemas na hora de fazer amizades e mantê-las, pois ninguém tem nenhum benefício por estar ao lado de pessoas que só conseguem pensar em si mesmas. A autoestima, no entanto, não tem nada a ver com o egocentrismo: a autoestima é um sentimento saudável e tolerante, o egocentrismo é um modo de ser vazio, irreflexivo, excessivo e intolerante. As pessoas egocêntricas não gostam realmente de si mesmas, na verdade usam como escudo essa proclamação excessiva de seu amor próprio como modo de distorcer o autoconceito negativo que realmente escondem. Esse é o motivo pelo qual precisam se sentir tão adulados e admirados. Caminhava com meu pai quando ele se deteve em uma curva e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou: -Você escuta alguma coisa além do cantar dos pássaros? Agucei meus ouvidos e alguns segundos depois respondi: -Estou ouvindo o barulho de uma carroça. -Esse barulho – disse meu pai – é de uma carroça vazia. -Como você sabe que é uma carroça vazia se ainda não a estamos vendo? – perguntei ao meu pai. -É muito fácil saber quando uma carroça está vazia por causa do ruído. Quanto mais vazia a carroça, maior é o ruído que faz – me respondeu. Virei um adulto e até hoje quando vejo uma pessoa falando muito, interrompendo a conversa de todo mundo, sendo inoportuna ou violenta, presumindo as coisas para favorecer a si mesmo, mostrando-se prepotente e falando mal das outras pessoas, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo: “Quanto mais vazia a carroça, maior o barulho que faz” A humildade consiste em calar nossas virtudes e permitir aos outros que as descubram. E lembre-se de que existem pessoas tão pobres que o único que têm é dinheiro. E ninguém está mais vazio que aquele que está cheio de si mesmo. alfinetes-coração Tipos de egocentrismo ou tipos de carroças vazias Da história da humanidade e da cultura popular podemos extrair vários tipos de pessoas que excessivamente exaltam a si mesmos: Estrelas: são aquelas pessoas que buscam admiração e contemplação de si. Nero: são aquelas pessoas que costumam dominar e submeter os outros, ou seja, afirmar seu poder através da máxima “nunca confie em ninguém”. Cinderela: são os vitimistas que fazem de seu cotidiano um sofrimento eterno, uma arma para conseguir a atenção dos outros. Sozinho: basicamente faz de seu mundo um lugar de reprovação e crítica, acreditando que ninguém, além dele próprio, merece nada. Além desses, há tantos tipos de egocentrismo como pessoas que pecam sendo egocêntricas. Muitos de nós já fomos assim em algum momento de nossas vidas, ou vamos ainda ser um dia. Antes de tudo é essencial termos consciência e frear os comportamentos egoístas, já que causam um enorme dano aos outros e a nós mesmos. O importante é não dar crédito e atenção aos comportamentos que alimentam o ego, pois se o alimentarmos só contribuiremos para que essas pessoas sigam se considerando o centro do mundo e, como já sabemos, o centro do universo não é um lugar que está ocupado por ninguém.

O sofrimento pode ser um obstáculo ou uma oportunidade .

O sofrimento cria raízes no mais profundo do nosso ser. É como um desconhecido que entra em nosso corpo sem permissão para tomar o controle e causar desgaste em todos os níveis. No entanto, podemos vencê-lo se nos propusermos a isso. Mesmo que muitas pessoas pensem que dor e sofrimento são a mesma coisa, a verdade é que são dois fenômenos muito diferentes. A dor é parte da existência, é natural e surge quando perdemos aquilo que amamos ou quando o nosso corpo nos avisa que sofremos algum machucado, ou seja, é uma reação natural provocada por um evento negativo. Por exemplo, se batermos o joelho, vamos sentir uma dor aguda nele, e se o nosso parceiro terminar conosco, a dor também vai aparecer, só que de forma emocional. Isso acontece de maneira automática, sem que a nossa mente tenha que intervir. Por sua vez, o sofrimento é originado pela não aceitação do que acontece. É uma escolha que nos faz desejar que as coisas fossem diferentes, ou seja, provém dos julgamentos que fazemos e, portanto, é fruto da nossa mente. Assim, para que exista sofrimento, temos que fazer uma interpretação negativa da situação. O jogo duplo do sofrimento O sofrimento se instala em nosso interior quando nos encontramos em situações que causam ansiedade, frustração, tristeza ou impotência. Aparece quando sentimos que não podemos fazer nada, quando não existem opções ou não vemos saídas, o que não quer dizer que seja verdade. Simplesmente, em nossa mente, não conseguimos ver uma saída e escolhemos permanecer assim, sem fazer nada. Assim, apesar de ninguém ser imune ao sofrimento, é essencial saber lidar com ele e enfrentá-lo, pois ele pode se tornar crônico e nos prender em sua “jaula”. De fato, sofrer pode ser viciante para muitas pessoas, já que às vezes isso é mais confortável do que sair, pois sair representa uma mudança e isso é visto como uma ameaça. Mulher enfrentando sofrimento Algumas pessoas pensam que a vida é extremamente dura e que o sofrimento é inerente ao ser vivo. Outros percebem o sofrimento como um sinal de esforço para alcançar as metas pessoais, e outros simplesmente consideram que é questão de sorte sofrer na vida ou não. Independentemente das crenças, o sofrimento é uma sensação que todos nós conhecemos e que não é nem um pouco agradável. Quando sofremos, de algum modo nos encontramos presos a um estado de isolamento com todos os aspectos negativos que nos cercam. É como se não pudéssemos ver além disso. No entanto, sempre podemos agir para melhorar a forma como nos encontramos. O segredo está em redirigir o foco de atenção, em se abrir para o presente, observar todas as possibilidades e, acima de tudo, parar de julgar e renegar o acontecimento que levou ao sofrimento. A autorreflexão sem culpa, mas com responsabilidade, vai facilitar o caminho para sair dessa situação. Dessa forma, daremos mais atenção aos aspectos em que podemos nos responsabilizar. O sofrimento pode ser opcional. Diante de situações de mudança que sejam ameaçadoras, é provável que o sofrimento surja como um obstáculo, que nos impeça de enfrentar o medo e modificar aqueles elementos da nossa vida dos quais não gostamos. Por isso, escolher se manter em sofrimento, frustrados em desacordo com o ocorrido, é o verdadeiro obstáculo. Toda mudança assusta, é normal. Isso acontece porque enfrentamos a incerteza e a sensação de falta de controle. No entanto, não podemos renunciar à mudança simplesmente por medo do desconhecido. Nestes casos, nosso foco deve estar sobre o que temos controle. Por exemplo, nas nossas emoções e nos pensamentos sobre como interpretamos o que acontece e como isso nos afeta. Só nós podemos decidir como vamos enfrentar as circunstâncias e o que podemos fazer em cada uma delas. Ao adotar esse ponto de vista, transformamos o sofrimento em algo opcional. Dessa forma, podemos decidir se ficamos presos a essa sensação ou se tomamos a decisão de enfrentar as situações de outras formas possíveis. O que podemos fazer com o sofrimento? Como vimos antes, quando estamos em situações difíceis, não costumamos nos permitir focar em outros assuntos ou circunstâncias, nem perceber outros aspectos valiosos das nossas vidas. Inclusive, às vezes preferimos nos manter neste estado de sofrimento que nos afeta física e mentalmente e que, além de tudo, repercute negativamente a nossa volta. O fato das coisas não saírem como desejamos ou de acordo com as nossas crenças gera sentimentos de vulnerabilidade e frustração, antecedentes ao sofrimento. O bom é que só nós podemos decidir acabar com o sofrimento causado pelo ato de lutar contra o que queremos mudar. Entretanto, diante desse tipo de situações, podemos decidir aprender e extrair uma lição para crescer soltando o que precisamos soltar e mudando a nossa perspectiva. Reflexão para superar o sofrimento Se assumirmos o sofrimento como uma possível fonte de aprendizado e não como um peso com o qual estamos destinados a viver, poderemos ter uma experiência realmente enriquecedora. Isso pode ser muito difícil no começo, mas vai ajudar a fazer com que a dor não se alongue além do estritamente necessário. O sofrimento surge quando nos sentimos vítimas de uma situação sobre a qual não temos nenhum poder. Se você focar em algo que pode controlar e em suas próprias forças, vai perceber que esta emoção tão negativa vai deixar de estar presente em sua vida. Afinal de contas, todos nós sabemos que não podemos controlar as circunstâncias, mas podemos escolher a atitude com a qual enfrentamos as mesmas. Nem sempre é necessário compreender completamente o sofrimento para poder aceitá-lo ou pelo menos lutar contra ele. Adotando essa forma de pensar, vamos conseguir tornar a nossa vida um pouco mais fácil.

As 4 leis do desapego para a liberação emocional.

É possível que a palavra desapego lhe cause uma sensação de frieza e egoísmo. Nada está mais longe da realidade. A palavra desapego, compreendida dentro do contexto do crescimento pessoal, é um valor interno precioso que todos nós devemos aprender a desenvolver. Praticar o desapego não significa abrir mão de tudo o que é importante para nós, rompendo vínculos afetivos ou relacionamentos pessoais com aqueles que fazem parte do nosso cotidiano. “Desapego significa saber amar, apreciar e se envolver nos relacionamentos com uma visão mais equilibrada e saudável, libertando-se dos excessos que o prendem”. Liberação emocional é viver mais honestamente, de acordo com as suas necessidades. Crescer, progredir com conhecimento de causa, sem prejudicar ninguém e não deixando ninguém o limitar. Conheça abaixo as 4 leis do desapego para a liberação emocional. Vamos praticar? 1 – Lei do desapego: você é responsável por si mesmo Ninguém pode viver por você. Ninguém pode respirar por você, se oferecer como voluntário para carregar suas tristezas ou sentir suas dores. Você é o arquiteto da sua própria vida e de cada passo que dá em seu caminhar. desapego é tomar consciência de que você é totalmente responsável por si mesmo. Portanto, a primeira lei que deve ter em mente para praticar o desapego é tomar consciência de que você é totalmente responsável por si mesmo. Não responsabilize os outros pela sua felicidade. Não imagine que para ser feliz é necessário encontrar o parceiro ideal ou ter o reconhecimento de toda sua família. Se a opinião dos outros é a sua medida de satisfação e felicidade, você não vai conseguir nada além de sofrimento. Raramente os outros suprirão as nossas necessidades. Cultive sua própria felicidade, seja responsável, maduro, conscientize-se das suas escolhas e consequências e nunca deixe que seu bem-estar dependa da opinião alheia. 2 – Lei do desapego: Viva no presente, aceite e assuma a sua realidade Muitas vezes, não conseguimos aceitar que nesta vida nada é eterno, nada permanece sempre igual; tudo flui e retoma seu caminho. Muitas pessoas estão sempre focadas no que aconteceu no passado, e isso se torna um fardo pesado que carregamos no presente. Mesmo que seja doloroso, aceite, assuma o passado e aprenda a perdoar. Isso o fará se sentir mais livre e o ajudará a se concentrar no que realmente importa: “o aqui e agora”. Liberte-se! Lei do desapego viva no presente. 3 – Lei do desapego: Liberte-se e permita que os outros também sejam livres “Assuma que a liberdade é a forma mais plena, íntegra e saudável de aproveitar e compreender a vida em toda a sua imensidão” Ser livre não nos impede de criar vínculos com os outros. Criar vínculos, amar e ser amado, fazem parte do nosso crescimento pessoal. O desapego significa que você nunca deve assumir a responsabilidade pela vida dos outros, que eles não podem lhe impor seus princípios e nem tentar prendê-lo. É assim que surgem os problemas de relacionamento e o sofrimento. Lei do desapego liberte-se. Os apegos exagerados nunca são saudáveis. Temos como exemplo aqueles pais obcecados por proteger os filhos, que os impedem de crescer e avançar com confiança para explorar o mundo. A necessidade de desapegar-se é fundamental nesses casos; cada um um deve sair dos seus limites de segurança para enfrentar o imprevisto e o desconhecido. 4 – Lei do desapego: As perdas irão acontecer mais cedo ou mais tarde Devemos aceitar que, nesta vida, nada dura para sempre. A vida, os relacionamentos e até os bens materiais acabam desaparecendo como fumaça, escapando por uma janela aberta ou deslizando através dos nossos dedos. Lei do desapego as perdas irão acontecer. As pessoas vão embora, as crianças crescem, alguns amigos somem e perdemos alguns amores… Tudo isso faz parte do desapego. Temos que aprender que isso é normal e enfrentar essa situação com tranquilidade e coragem. O que nunca pode mudar é a sua capacidade de amar. Comece sempre por você mesmo.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Pensamento X Sentimento .Osho.

Perceba que vc não pode amar no passado. Muita gente faz isso - vivem simplesmente na memória – elas amaram no passado. E há outras pessoas que amam no futuro O passado e o futuro são meios de evitar o amor. Se vc pensar muito – e o pensamento está sempre no passado ou no futuro – suas energias serão desviadas do centro do sentir e o amor não será possível. E uma pessoa muito obcecada com o pensamento em pouco tempo se esquece completamente de que também tem um coração. Um homem que vive muito nos pensamentos pouco a pouco começa a viver de tal maneira que o sentimento não tem mais voz. E há milhões de pessoas neste estado, sem saber o que significa o coração. Toda a concentração delas está na cabeça. A cabeça é um bom instrumento, mas tem de ser usada como um servo - ela não deve ser o mestre. Uma vez que a cabeça se torne o mestre e o coração seja deixado para trás, vc viverá, vc morrerá, mas vc não saberá o que é Deus, porque não saberá o que é amor. Então, aprenda a transformar seus venenos em mel... Uma minoria ainda vive um pouco no coração, mas seu amor é muito contaminado por venenos como o ódio, o ciúme, a raiva, a possessividade... Mil e um venenos envolvem o seu amor. E o amor é uma coisa muito delicada. Nesse momento, apenas pense na raiva, no ódio, na posse, no ciúme – como o amor pode sobreviver contaminado por essas coisas? Dessa forma, toda a jornada será amarga. Então, quando a raiva vier, não faça nada, apenas sente-se silenciosamente e observe. Não seja contra ela, não a reprima, apenas veja o que acontece. Um dia vc compreenderá que, se vc puder esperar o bastante, a mesma raiva se torna compaixão. Essa é uma das leis básicas da vida: tudo, continuamente, se transforma no seu oposto. O santo tem momentos de pecador e o pecador tem momentos de santo. É só esperar. Então, silencie e observe.

Mente e possessividade.Osho

Observe os movimentos da sua mente... Perceba que a cabeça se tornou tão dominante que não permite nenhuma espontaneidade. Ela não permite ao coração pronunciar uma única palavra. Ela forçou o coração a ficar completamente quieto. Procure ouvir novamente o coração. Comece a abandonar um pouco a lógica. Você terá que correr alguns riscos, terá que viver perigosamente, terá que se mover em direção ao desconhecido. Procure amar mais as pessoas e não coisas. Esteja pronto para não possuir ninguém, porque no momento em que você possui, a pessoa deixa de existir. Tente compreender isto tão profundamente quanto possível: no momento em que você se apaixona por alguém, imediatamente, todo o seu condicionamento começa a tentar possuir o outro. Resista à tentação. Sempre que você começa a possuir, está matando o amor. Assim, ou você possui a pessoa, ou você ama a pessoa. As duas coisas juntas não são possíveis. Então fique alerta! Um amante tem que abandonar toda a possessividade. Resista toda a tentação de ser possessivo, porque essa tentação vem do ego. O ego surge de um distúrbio, mas o ego tem sua própria lógica. Ele diz que vc é importante, que você é o homem mais importante do mundo, e você tem de provar isso. E todos nós estamos tentando fazer isso de uma maneira ou de outra – alguém possuindo mais dinheiro, alguém possuindo uma bela mulher, alguém possuindo prestígio, poder, alguém se tornando um artista, um poeta, alguém se tornando um grande santo. Nós estamos tentando, de uma maneira ou de outra, provar nossa fantasia mais íntima, que nós somos a pessoa mais importante do mundo. Ego simplesmente não existe junto com amor. Entre no templo do amor, e você sempre entrará ali como um soberano. Entre no mundo, no mundo das coisas, e você sempre entrará como um mendigo. O mundo reduz todo mundo a mendigo. O amor eleva todo mundo a imperador. O amor é um fenômeno alquímico. Mesmo que um único coração flua em direção a você, Deus chegará através desse coração. Postado por Eventos de Yoga

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

EGO, O FALSO CENTRO.

"O primeiro ponto a ser compreendido é o ego. Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso. Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro significa o tu. Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o 'outro', também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança cresce. Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma. Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz 'você é bonita', se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego começa a nascer. Através da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito. E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo. Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas. O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não. O verdadeiro só pode ser conhecido através do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só pode ser conhecido através da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Através desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você. O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne um problema para a sociedade. Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão. Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro... Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda. Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes. A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento. A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu - não é possível. E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o ego dado pela sociedade. Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa a dançar e diz 'que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.' Você está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, foi um fiasco na sala - ela não passou de ano ou tirou o último lugar, então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado. O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção. Você obtém dos outros a idéia de quem você é. Não é uma experiência direta. É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. O centro verdadeiro não é da conta de ninguém. Ninguém o modela. Você vem com ele. Você nasce com ele. Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Esse é o eu. E o outro centro, que é criado pela sociedade - o ego. Esse é algo falso - é um grande truque. Através do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo. Você tem que caminhar de uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, você já não sabe quem você é. Os outros deram-lhe a idéia. E essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos. Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas... Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de "eu sou". Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos - porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser... É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca - a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo. Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa. E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo. Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca - e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto. Precisamos ser ousados, corajosos. Precisamos dar um passo para o desconhecido. Por um certo tempo, todos os limite ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto. Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é a sua alma, o eu. Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade - essa é a própria ordem da existência. É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas... O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo? O ego não é individual. O ego é um fenômeno social - ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa? E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer... E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo. Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém. Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão. As causas não estão fora de você. A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?' Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego. E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido. Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'... Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece. E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade... É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar. Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe. Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca. Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo... e então o verdadeiro centro surge. E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir." OSHO, Além das Fronteiras da Mente.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

ESPÍRITOS DOENTES.

Quase todos somos espíritos doentes. Guardamos paixões. Mantemos opinião arraigada. Dominamos corações. Espezinhamos sentimentos. Conservamos animosidades. Iluminados pela claridade Divina escondemos o sol da crença por detrás da nuvem da dúvida. Tocados pelo amor universal em mensagem vigorosa, dilatamos a força da ociosidade, intrigando, invalidando esperanças, lutando pelo egoísmo em construções vulgares do prazer pessoal. Fascinados pelos altos cimos ainda sonhamos com a Terra, lutando nos seus poderosos comandos. Fraternistas dirigimos consciências sob o relho de palavras, atos ou pensamentos hostis. Somos quase todos espíritos doentes… Mas a semente que se recusa a morrer não enseja à árvore oportunidade de viver. A água que se não submete, não movimenta dínamos que beneficiam a vida. O trigo que se obstina ante o esmagamento, não favorece oportunidade ao pão. Da tua enfermidade surgirá a morte da forma, para crescimento da fagulha de luz de que és constituído. Ninguém te pode acusar por trazeres a lama de ontem e o lodo de hoje nos pés, transformados em feridas. Sem o sulco que a dor rasgou em teus tecidos, o avanço teria sido impossível. Sem a enfermidade, a esperança não teria razão de ser. Sim, somos espíritos doentes, quase todos, caminhando para Jesus que, em se fazendo embaixador da vida verdadeira, trocou as excelências do seu Reino para buscar-nos e doando-se a todos, espíritos em jornada, fez-se “o pão da vida” para alimentar-nos na difícil trajetória da evolução. Joanna de Ângelis Do Livro: Messe de Amor Psicografia: Divaldo Pereira Franco Editora: LEAL