CONTOS SOL LUA.
segunda-feira, 9 de março de 2020
Somos todos mágicos?
O que é a Magia?
Sinceramente não sei lá muito bem, talvez porque seja possível considerá-la segundo diferentes perspectivas, variando correlativamente as respectivas definições… Aliás, não gosto muito de definir coisas, porque já dizia o antigo sábio, definir é limitar, e neste caso (e em minha humilde opinião), a Magia é ilimitada e ilimitável!
Não sei se já repararam que o título desta despretenciosa conversa é uma pergunta. Ora, quem pergunta quer saber! Ou seja — eu não sei, e gostava que me dessem alguma resposta! Será que somos todos mágicos? Todos, mesmo? Ou só alguns? Ou, quem sabe, talvez nenhum? Ou talvez apenas aqueles que tiraram o respectivo curso, como o Harry Potter na Escola de Feitiçaria de Hogwarts?…
Dizia eu há pouco que a Magia é ilimitada e ilimitável… Não acreditam? Ora comecemos por alguns exemplos:
— a Magia dum pôr-de-Sol num mar de Verão;
— a Magia dum sorriso de criança;
— a Magia duma obra de arte que nos encanta…
Que Magia é esta?
Fascinação, graça, enlevo, sedução… ou feitiço!? Feitiço lembra feitiçaria… que é talvez uma forma de baixa magia, mas não percamos agora tempo a discutir isso. Os prosaico-pragmáticos dirão apenas: Oh! Não passa duma metáfora, a magia dum sorriso… Bom, metáfora ou não, um sorriso no momento certo tem um espantoso poder de cura — não será isso Magia, e da melhor?
Mas ainda há mais: vejamos uma outra espécie de Magia, e uma das não menos curiosas:
— a Magia da Ciência.
Que tal? Bom, já estou mesmo a ouvir os comentários: não pode ser! Ou é Magia, ou é Ciência!… Mas a verdade é que parece que por vezes, no espírito do ser humano contemporâneo, a Ciência tem a sua Magia, e uma Magia eficaz, que através da tecnologia produz os efeitos mais surpreendentes: a fissão nuclear, os computadores, os clones, as viagens espaciais, a engenharia genética, a VA [Vida Artificial]…
E não só! Em geral associamos a Magia a um poder que produz efeitos visíveis por meio de forças invisíveis — ora, a verdade é que estamos rodeados, para não dizer constantemente interpenetrados, por forças invisíveis (e nem sequer me refiro ao invisível da religião ou da mística, ou dos pressentimentos e dos sonhos), mas já que falámos em Ciência, e, por arrastamento, em Tecnologia, aí vai:
— basta-nos referir o invisível electromagnético que «governa» as nossas vidas com surpreendentes efeitos visíveis e é tanto ou mais fantástico que os assombros e prodígios das histórias mágicas de bruxas e feiticeiras dos séculos passados: a electricidade, as ondas de rádio, o telemóvel, a TV, os raios-X, o ciberespaço, a ressonância magnética nuclear, a Internet, o comando a distância sob todas as suas formas, a RV [Realidade Virtual], os infravermelhos, as microondas, a electrónica em geral…
Será esta a Nova Magia?
¿Terá a ver com as novas modalidades em que a «velha Magia» se intercruza com as novas tecnologias? Por exemplo, os New Agers usam cristais sólidos (tal como as novas tecnologias usam cristais líquidos) para memorizar, armazenar e processar «espírito»; os praticantes de channelling e os adeptos de OVNIlogia transformam as «mensagens» recebidas em «informação viva». Por outro lado, muitos cristãos evangélicos acreditam que a tecnologia das comunicações, que leva a Palavra (o Verbo!) aos recantos mais remotos do planeta, é o rastilho que contribuirá para fazer acelerar o «fim dos tempos», tal como se lê no Novo Testamento: «E este evangelho do Reino será prègado em toda a orbe, para dar testemunho a todos os povos, e então virá o fim» (Mateus 24, 14). Alguns chegam ao ponto de afirmar que os Anjos do Apocalipse não são mais do que os satélites globais de comunicações.
E quanto à velha Magia, já agora?
A velha é muito velha, vem dos arcanos tempos dos Colégios de Magos — do Egipto, da Caldeia, da Pérsia, donde teriam vindo os famosos Magos que seguiram a Estrela de Belém até ao Presépio onde havia nascido o Salvador do Mundo.
Sem querer entrar em excessiva pormenorização histórica, para o que não tenho nem capacidade nem aqui o tempo, basta-nos adoptar a distinção que os antigos Gregos faziam entre os que se dedicavam às kryptai technai (lat. secretae artes), ou seja, uma distinção tripartida:
De imediato vinha o que os Gregos chamavam o goês (pl. goêtes), o mágico vulgar, que se dedica a fazer «passes mágicos» e adivinhações populares, muitas vezes apenas ilusionistas, de tal modo que essa palavra acabou por ter a conotação de charlatão, bruxo, impostor. A magia praticada por esses, a Goêteia, já no tempo de Sócrates (séc. V a. C.) se identificava com superstição e impostura.
Um bom degrau acima temos o magos (pl. magoi), de que o Evangelho de Mateus nos dá como exemplo os que vieram do Oriente em direcção a Belém da Judeia, seguindo a Estrela que os conduziu ao berço do Salvador. Os verdadeiros magoi eram uma classe iniciática e sacerdotal que proveio da Média e da Pérsia, e entraram em cena na Grécia no século VI a. C.
Pelo testemunho de fontes tão diversificadas como Heródoto, por um lado, ou a Bíblia, por outro — o sonho do Faraó (Gen 41, 8), o sonho de Nebuchadnezzar (Dan 2,2), etc. — sabemos que os Magos invocavam o fogo do céu, propiciavam sacrifícios, interpretavam sonhos, augúrios e obravam prodígios. Mas, com o correr dos tempos, tão-pouco os magoi escaparam ao anátema: nos primeiros séculos da era cristã — talvez por influência das acusações dos apologetas «ortodoxos» cristãos (p. ex. Justino o Mártir, Ireneu de Lião, etc.) — também já eram acusados de pertencer a torpes sociedades secretas, e de praticar incesto, adoração de maus demónios, sacrifícios humanos, canibalismo, barbarismo, etc.
Finalmente, a mais elevada classe de magoi era constituída pelo que os Gregos chamavam theios anêr, o «homem divino» (atenção!, «homem» varão, e não «homem» ser humano em geral!). O theios anêr era um deus ou um daimon disfarçado, percorrendo o mundo em um corpo aparentemente humano. O «homem divino» podia fazer tudo quanto o magos podia fazer, nomeadamente a prática do bem (embora também pudesse amaldiçoar os «maus»), mas era sobretudo capaz de realizar milagres e prodígios graças ao poder divino que tinha em si, sem precisar de rituais nem de incantações exteriores. Um exemplo de «homem divino» é-nos dado por Cristo Jesus: reparai que todos os «prodígios» ou «sinais» que Ele realizava, fazia-o sem precisar de palavras encantatórias, gestos rituais ou traçado mágicos, que eram imprescindíveis ao mágico vulgar como lemos nos manuais de Magia desses tempos.
Um outro exemplo documentado de theios anêr é o do pitagórico Apolónio de Tyana, contemporâneo de Jesus, cuja exaustiva biografia, redigida por Filostrato a pedido da imperatriz romana Júlia Domna (sécs. II-III d. C.), contém muito material que os estudiosos consideram em parte verdadeiro, e em parte fantasioso, sendo que este útimo faria parte duma espécie de «encomenda» do Império romano para fazer dele um herói mítico do seu paganismo, por oposição à crescente e preocupante disseminação cristã.
Seja como for, e quer se trate de «velha» Magia com as suas ramificações de Hermetismo, de Astrologia, de Alquimia, de Theo-Sophia (Mestre Eckhart, Paracelso, Giordano Bruno, Jacob Boehme, Eckartshausen, Swedenborg, Schelling, etc.), dos ocultismos do século XVI (Agrippa) ou do século XIX (Eliphas Lévi), do Teosofismo de Helena P. Blavatsky ou ainda da «recuperação» da tradição mágica da Wicca, — ou da «nova» Magia da Ciência e das tecnologias de que falámos, os princípios são sempre os mesmos:
— O universo é uma central global de força e energia;
— Essa energia está em tudo e em todos — é o princípio das correspondências;
— Essa energia, ou essa força, pode ser concentrada e armazenada;
— Essa energia, ou essa força, pode ser «programada» ou modulada com alteração da sua qualidade vibratória;
— Essa energia modulada constitui um «poder» que pode ser dirigido com uma finalidade específica para exercer efeitos sobre determinado alvo ou função.
A diferença entre a «velha», ocultista, e a «nova», tecnológica, está nos intrumentos utilizados: a velha utiliza varinhas, cristais, velas de diversas cores, óleos, palavras misteriosas, símbolos, incenso, cânticos, etc. e, sobretudo, o PODER INTERNO DO MAGO, ao passo que a nova utiliza fios eléctricos, microchips, circuitos integrados e outros utensílios e aparelhagens dependentes de leis da Física, da Química, da Matemática, etc. que podem ser manipulados «por fora», sem o concurso do poder interno do mago — neste caso, entenda-se, do técnico ou do simples utente que saiba carregar nos respectivos botões.
Mas mesmo sem entrar em tecnologias «mágicas» que são um dos grandes feitos da nossa época, penso que podemos dizer que de facto «somos todos mágicos», na linha do que descobriu o erudito padre dominicano André-Jean Festugière (1898-1982), estudioso das religiões antigas, das mitologias greco-romanas, do Hermetismo, do Cristianismo primitivo: ao analisar o Corpus Hermeticum, que ele traduziu na íntegra, Festugière julgou discernir nesse material uma clara diferença entre o que ele chamou um «Hermetismo popular» e um «Hermetismo erudito». No primeiro incluiu a Astrologia, a Alquimia e as Artes Ocultas, ao passo que o segundo seria uma Philo-Sophia gnóstica mais sofisticada que acentua o poder que o ser humano tem para descobrir dentro de si o conhecimento (Gnôsis) de Deus e do Cosmos — ou seja, no fundo o ser humano é um daimon astral em disfarce corpóreo, capaz de recuperar os seus poderes cósmicos através da Gnose, ou da sua natural capacidade de iluminação mística.
O próprio Cristo nos dá uma pista incontestável.
Se Ele disse: «Aquele que crê em mim, as obras que eu faço, também ele as fará, e maiores do que estas fará» (João 14, 12) — logo, somos todos mágicos, ou melhor: Magos!
Mas será realmente assim? Na verdade, Jesus pronunciou esta afirmativa no Sermão da Ceia, não no Sermão da Montanha (ou da Planície!) — o que significa que estava a dirigir-se aos «escolhidos», e não às multidões em geral…
Não tenhamos receio: trata-se apenas de um ou outro degrau temporário! As multidões estão apenas num degrau abaixo na escadaria da Evolução (ou da Iniciação, para quem opte por entrar numa Escola de Mistérios), mas subirão um dia, porque a Evolução é ascendente.
Nem podia ser de outro modo, o simples facto da vinda histórica de Cristo como Salvador e Redentor é a prova de que todos somos «escolhidos», pois Ele mesmo o disse: «Não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo» (João 12, 47). Bastaria que um só de nós se perdesse, e a Sua missão teria sido vã: logo, somos todos escolhidos, somente depende do nosso esforço ascendermos mais depressa ou mais devagar.
Além disso, Ele foi muito explícito quando afirmou aos Seus discípulos em Cafarnaúm: «Em verdade vos digo, o que ligardes na terra será ligado nos céus, e o que desligardes na terra será desligado nos céus» (Mateus 18, 18).
É um ensinamento importante, este de Jesus aos Seus discípulos: tudo quanto se ata ou desata cá em baixo, tudo quanto se tece ou destece, projecta-se para o alto e tem um efeito análogo nos reinos supra-sensíveis e por conseguinte no Banco Cósmico (Central de Energia Acumulada), além de que vai construindo — ou desfazendo — a nossa futura morada «nos céus».
Quereis um exemplo da nossa magia, singelamente humana mas altamente eficaz?
Quando, instintivamente, pousamos a mão sobre o ombro ou sobre a cabeça dum parente ou dum amigo que está a sofrer, para lhe transmitirmos ânimo e lhe darmos «apoio moral», no fundo estamos a repetir um gesto dum ritual mágico muito antigo, que encontramos reproduzido em grutas pré-históricas, em baixos-relevos egípcios ou expresso noutras culturas e civilizações, incluso no Cristianismo: a «imposição das mãos». Este rito é eficaz, de um ponto de vista do «Mago» (e não do goês, entenda-se!), porque primeiro o Mago ergueu a mão, ou ambas as mãos, de palmas para cima para receber o influxo benéfico da divindade (ou da Energia Cósmica), armazenando-o em si e podendo portanto transfundi-lo, através das mesmas mãos, a outrem.
Até em simples jogos infanto-juvenis como «brincar às adivinhas», ou em jogos pré-adultos como queimar uma alcachofra ou atirar as meias por cima dos pés da cama, ao deitar, para «ver» qual o nome do/da namorado/a que as meias formaram ao cair, a tentação mágica subjaz em todos nós — nem que seja com a desculpa da imaturidade.
Mas mesmo depois, já mais velhinhos, quando preenchemos o boletim do Totoloto ou do Totobola, no fundo estamos, sem nos darmos conta, a «convocar» (para não dizer invocar) alguma misteriosa força invisível que nos transmita o dom da precognição e nos faça acertar nos resultados correctos. Até no acto ritual de apagar as velas dum bolo de aniversário, ou ao fazer um brinde tocando nos copos, emitindo votos de bons desejos, estamos a convocar as energias positivas para o bom sucesso dalguma coisa — ou longa e feliz vida para o aniversariante, ou êxito na empresa, ou situação, que justificou o brinde.
Por isso devemos ter o maior cuidado com o que pensamos, dizemos ou fazemos, pois todos somos receptores e emissores de energia, logo, cuidado! podemos estar a fazer magia negra sem o saber, basta um ressentimento, uma inveja, um dito rancoroso, um acto de vingança, uma projecção de ódio — e as energias invisíveis desencadeadas dirigem-se para o alvo. O que é muito grave, por todas as razões, não só pelo prejuízo que tal atitude causa no nosso avanço espiritual, mas também por razões de mera segurança pessoal: se o alvo está protegido — e muitas vezes basta ser uma pessoa boa sem maus sentimentos, ou correctamente devota, ou bem-fazeja, ou que esteja nesse momento a ter pensamentos amorosos e positivos — dá-se o «choque de retorno», e o emissor de energias malévolas apanha com o ricochete daqulo que emitiu.
O erro dos baixos mágicos é que usam e abusam das energias invisíveis, que buscam controlar para a obtenção de inconfessáveis proveitos pessoais. Cuidado, pois! Longe de nós a veleidade de pretender fazer-nos servir pelo sobrenatural — e muito menos pelo divino. Até no emprego duma simples oração é preciso a maior cautela! A oração é uma poderosa invocação mágica, sem dúvida, e por isso nunca a devemos usar para mudar as coisas, a vontade ou a maneira de ser dos outros e muito menos os desígnios de Deus — mas única e exclusivamente para louvá-Lo, render-Lhe adoração e agradecer-Lhe, ou, quando assuma a forma de súplica, para nos sabermos amoldar à Vontade Divina com aceitação compreensiva do que a razão não alcança — e grato júbilo. Quando estou enfermo e rezo: «Meu Deus, cura-me!», devo logo acrescentar, seguindo o exemplo de Cristo: «Pai, que se não faça porém a minha vontade, e sim a Tua».
E por aqui me fico, porque ficarmo-nos com a Vontade de Deus é compreender luminosamente que a Vontade de Deus é Boa, e que se eu souber amoldar a minha Vontade à Vontade Divina, estou de certeza a contribuir não só para o meu Bem, mas para o Bem de todos nós.
António de Macedo.
sexta-feira, 6 de março de 2020
William Shakespeare.A Bíblia Laica .
SHAKESPEARE - A BÍBLIA LAICA
Os trabalhos de Shakespeare e a Bíblia são tesouros estreitamente
relacionados com a vida cultural e espiritual dos povos ocidentais. Ambos são
proeminentes entre as forças que construíram os melhores e mais duradouros
traços de nossa presente civilização. Incorporando todos os melhores
princípios fundamentais existentes no âmago da vida, eles têm sido tecidos em
nosso pensamento e aspiração. Inúmeras expressões que foram dadas àqueles
princípios em arte e literatura têm sido diretamente inspirados pelas
Escrituras Sagradas, por um lado, e pela Bíblia Laica de Shakespeare, por
outro.
Parece haver ampla justificativa para olhar Shakespeare como a Bíblia Laica
quando se leva em consideração suas muitas correspondências, dentro e fora,
com as da Bíblia Sagrada. Ambas são “bestsellers”. Ambas possuem uma
coleção de Livros, as Sagradas Escrituras tendo sessenta e seis e Shakespeare,
trinta e sete. Ambas têm textos apócrifos. Ambas suscitaram inumeráveis
comentários. Livrarias especiais têm-se dedicado ao seu estudo. Em
dicionários de citações, a Bíblia e Shakespeare lideram todas as outras obras.
No volume de citações do Bartlett, o Novo Testamento e o Velho Testamento
combinados tomam trinta e seis páginas, enquanto que Shakespeare requer
não menos que cento e vinte e duas.
Citações destas obras primas dotaram os autores com incontáveis títulos para
livros e artigos. Uma simples expressão de um solilóquio de Macbeth -
“amanhã – e amanhã” - serviu de título para onze livros.
Muitas expressões bíblicas e citações foram inseridas em textos de
Shakespeare. De acordo com um levantamento sobre este assunto,
Shakespeare citou não menos que quarenta e dois livros da Bíblia e dos Textos
Apócrifos.
Shakespeare e a Bíblia são inesgotáveis fontes de inspiração. Cada época
descobre neles o que mais necessita. Daí, o fluxo de material explicativo desde
sua primeira aparição. A reinterpretação se torna necessária quando as
condições mudam, quando o conhecimento se amplia e a experiência se
aprofunda. Mas, apesar das mudanças, a Bíblia e Shakespeare continuam
vivos. Em todas as épocas, as eternas verdades permanecem e em nenhum
lugar podem ser encontradas em plenitude, beleza e sublimidade com que
encontramos tanto na Bíblia como em Shakespeare. Excluindo as Escrituras,
as peças de Shakespeare constituem o maior estudo do homem. “Depois de
Deus”, escreve Alexandre Pushkin, o maior poeta da Rússia, “Shakespeare é o
maior criador dos seres vivos. Ele criou uma humanidade inteira”.
3Estas peças lidam com a natureza externa e interna do homem; com os
mundos visível e invisível. Os dois lados da vida, o material e o espiritual, são
tratados com igual certeza e consistência. Os elementos sobrenaturais nos
dramas não são invenções incidentais introduzidas com o propósito de efeitos
teatrais. São fundamentais ao tema. Qualquer um que possua as chaves para
a sua significação mais profunda compreende uma riqueza de sabedoria.
Ninguém com conhecimento das doutrinas esotéricas pode ter qualquer
dúvida quanto à familiaridade de Shakespeare com a sabedoria dos
Iluminados.
Estudos ocultos de magia, negra e branca, recebem um tratamento
esclarecedor em “Ricardo III” e na “Tempestade”, respectivamente. Os
significados espirituais dos Solstícios de Inverno e de Verão são desdobrados
em “Conto de Inverno” e “Sonho de uma Noite de Verão”. Sob o véu da
fantasia, o último é a transição virtual do ritual do casamento místico como
encenado nos Mistérios Eleusianos, nos quais o local do drama é uma floresta
perto de Atenas. Os “Sonetos” traduzem as doutrinas Herméticas em poesia,
enquanto as tragédias como “Hamlet” e “MacBeth” trazem os seres e as forças
do mundo espiritual impenetrável para a visibilidade. Cada um dos dramas
trata de alguma lei oculta ou princípio espiritual. Isto constitui seu tema
esotérico. Tudo que encontra expressão no desdobrável roteiro, surge
inevitavelmente de acordo com a natureza desta idéia arquetípica central.
Considerando-se as características internas comuns a Shakespeare e à Bíblia,
observa-se que toda a literatura pode ser dividida em duas classes – sagrada e
secular. Acredita-se que a literatura sagrada provenha de uma fonte de
inspiração mais alta que a secular. Acredita-se que a sabedoria divina tenha
encontrado expressão nas bíblias do mundo numa maneira mais direta e
imediata do que qualquer outra literatura. Em outras palavras, é uma parte
da crença religiosa de todos os povos que, nas sagradas escrituras, Deus
estabelece uma comunicação direta com o homem, revelando-se a Si Mesmo
de um modo especial e comunicando, àqueles desejosos de recebê-los,
mistérios pertinentes à vida espiritual interna e modos e maneiras pelas quais
o homem progressivamente desdobra sua divindade latente. Com este conceito
geral, o esoterista concorda plenamente.
Há, no entanto, quem afirme que a distinção geralmente feita entre literatura
sagrada e secular é puramente arbitrária e que, enquanto a classificação serve
para um propósito útil, existe uma linha firme de demarcação como muitas
pessoas acreditam. Aqueles que mantêm este ponto de vista acreditam que a
única diferença entre as duas classes é sutil, uma fundindo-se
imperceptivelmente dentro da outra. Sustentando esta posição, eles sinalizam
que elementos humanos certamente se introduziram nas escrituras sagradas e
que as verdades sagradas recebem frequentemente expressão superlativa na
literatura secular.
Neste ponto, Swedenborg argumenta dizendo que, enquanto é verdade que a
diferença é tênue, há um grau discreto. Isto quer dizer que há um ponto na
escala ascendente de valores no qual um novo fator entra e um novo princípio
se torna operante, e que resulta em trazer algo novo. Por exemplo, toda vida é
una, mas nem tudo o que vive é humano. Há vida na planta e no animal. Mas,
quando uma planta adquire a faculdade de sentir dor e prazer e se torna
capaz de locomover-se, ela se torna animal; e quando um animal adquire as
faculdades racionais da mente, ele se torna humano. Graus discretos marcam
a distinção entre reinos da vida e da natureza.
Aplicando isto à literatura, Swedenborg observou que um grau discreto divide
a literatura sacra da secular. A literatura sacra é, em princípio, puramente
religiosa. Mas nem todos os trabalhos religiosos são escrituras sacras. Para
serem assim qualificadas, eles têm que lidar com assuntos espirituais e
também possuir um certo conteúdo interno. Isto é, escondido debaixo da
forma externa e envolto em história e biografia, é necessário haver na fábula e
na parábola uma estrutura espiritual, um conteúdo esotérico, claramente
perceptível àqueles que desenvolveram em si o conhecimento espiritual
necessário, mas irreconhecível por aqueles que não vêem “mais do que seus
olhos podem ver”. Escrituras sagradas, além disso, são registros da vida,
trabalho e/ou ensinamentos de grandes Salvadores do mundo.
Consequentemente, elas lidam exclusivamente com os mistérios espirituais
mais profundos que o homem consegue alcançar.
Resumindo, podemos dizer que a literatura que lida com a vida espiritual e é
construída em torno de Mestre e Salvadores do mundo, e, além disso, se
revestem de uma estrutura baseada nos mistérios, torna-se, em virtude destes
vários atributos e elementos, escrituras sagradas. Todas as outras literaturas
têm menor classificação.
Voltando à análise da literatura não sagrada, encontraremos, por sua vez, que
ela se divide em duas. Na primeira, temos a literatura que é possuidora de um
sentido “interno”; na segunda, o “externo” somente. A primeira, como as
escrituras sagradas, está fundamentada nos Mistérios e contém, na sua forma
externa, um véu de Sabedoria Arcana claramente organizada, enquanto que
na outra classe tal esoterismo não está presente. Para o esoterista, portanto,
tal distinção que fizemos não é aceita como sendo válida pela simples razão
que a existência à qual chamamos de Gnose Divina ou Doutrina Secreta é
completamente irreconhecível. Há trabalhos sobre assuntos espirituais,
experiência religiosa e mesmo sobre os Mistérios que não possuem este
sentido interno. Eles podem ser trabalhos altamente inspirados, contudo
somente simplesmente estruturados. Por outro lado, temos trabalhos como os
dramas de Shakespeare que o mundo não reconhece como literatura
“espiritual”, mas que, em virtude de sua dupla estrutura, cultuam um
compêndio de Sabedoria Iniciática só comparável a das sagradas escrituras.
Daí, a Bíblia Laica.
A verdadeira autoria dos trabalhos que levam o nome de Shakespeare pode ser
percebida atrás do véu que esconde os Guardiães dos Mistérios. Lá, podem ser
encontrados os Iluminados da raça, os custódios da Sabedoria Sem Idade,
donos da verdade que liberta o homem. Lá, irreconhecíveis e desconhecidos
para a maioria da humanidade, está aquele grupo de exaltados Seres, a quem
chamamos de Irmãos Maiores, que realizam no mundo, de tempos em tempos,
através de adequados e qualificados instrumentos humanos, revelações muito
necessárias para seu desenvolvimento.
É neles que devemos procurar o altíssimo impulso criativo que se manifestou
na Europa como Renascença e encontrou sua primeira expressão inglesa nas
brilhantes luzes literárias da Era Elizabetana - o maior deles foi
Shakespeare. Então, Shakespeare transforma-se num elo da cadeia de
mediadores inspirados através dos quais a raça humana adquire posse de um
conhecimento sempre crescente dos divinos Mistérios.
As obras de Shakespeare, assim como os dramas musicais de Wagner, o
Fausto de Goethe, a Divina Comédia de Dante e muitos outros livros de igual
valor, são designados esotéricos, embora de leitura exotérica. Eles são
comunicações diretas dos centros planetários da Divina Sabedoria. No caso de
Shakespeare, a fonte foi a Escola Rosa Cruz da Sabedoria Ocidental. Para o
esoterista, nenhuma outra evidência disto é necessária senão os trabalhos
mesmos. Mas, sinais específicos, ocultamente transmitidos, estão também
presentes nos dramas. Em “Love´s Labour´s Lost” (Trabalhos de Amores
Perdidos), uma cena completa é dedicada à revelação da conexão Rosacruz,
mas está tão engenhosamente envolvida na brincadeira das palavras que só
possuindo a chave para o seu significado velado se poderá ler corretamente. A
cena se fecha com um comentário dirigido ao “Goodman Dull”, representante
da multidão que nada percebe e que durante toda a cena não falou uma só
palavra. “Não”, vem sua resposta, “ nem entendi nada”.
Shakespeare foi chamado de “A Máscara Rosacruciana”. Max Heindel é a
autoridade para a citação de que as obras que trazem o nome de Shakespeare
e aquelas que trazem o nome de Bacon foram influenciadas pelo mesmo
Iniciado Rosacruz. Outros escritores ocultistas apontam para uma conclusão
similar.
Na classe de literatura que aqui descrevemos, os dramas de Shakespeare se
mantêm supremos. Não são trabalhos religiosas. Não são cristãos, nem
budistas ou escrituras hindus. Eles são o que chamamos de dramas seculares
ou peças mundiais, se preferir, mas tão transcendentes em sua beleza e tão
luminosos em seu conteúdo interno que têm cativado milhões de espectadores
durante suas apresentações ininterruptas nos palcos do mundo desde sua
primeira aparição há centenas de anos atrás. As pessoas vêem e lêem as peças
por prazer e lazer. Fazendo isso, elas se expõem a uma mágica que, por sua
natureza, trabalha no seu interior despertando modelos básicos do bem, da
verdade e da beleza, impregnando com impulsos que elevam no caminho em
direção a Deus. A influência mágica que esses trabalhos exercem deriva
daquele elemento que fluiu para dentro deles vindo de níveis super-humanos.
Estes elementos são puramente espirituais. É a sua presença nos dramas que
verdadeiramente faz das peças de Shakespeare a Bíblia Laica da humanidade.
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Oração do Pai Nosso no Zodíaco por Corinne Heline.
Oração do Pai Nosso no Zodíaco
por Corinne Heline
A Oração do Pai Nosso pode ser sintonizada com o Zodíaco através das
duodécuplas invocações às doze Hierarquias Criadoras que circundam
o nosso Sistema Solar, invocando suas bênçãos sobre o planeta Terra e
todos os que nela habitam.
O Pai Nosso no Zodíaco
Pai Nosso que estais no Céu [Invocação ao Sol Central]
Santificado seja o Vosso Nome [Áries - Princípio]
Venha a nós o Vosso Reino [Touro - Harmonia]
Seja feita a Vossa Vontade Assim na Terra como no Céu [Gêmeos -
Polaridade]
O pão nosso de cada dia nos dai hoje [Câncer - Fecundidade]
Perdoai as nossas ofensas [Leão - Amor]
Assim como perdoamos os que nos têm ofendido [Virgem -
Discriminação]
Não nos deixeis cair em tentação [Libra - Equilíbrio]
Livrai-nos de todo mal [Escorpião- Transmutação]
Pois Vosso é o Reino [Sagitário - Luz]
O Poder [Capricórnio - Poder de Cristo]
E a Glória [Aquário - Irmandade]
Para todo o sempre. Amém. [Peixes - Culminação Divina, encerrando
um ciclo cósmico].
Editado pela Fraternidade Rosacruz - Centro Autorizado
Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline.Peixes.
Meditação de Mt. Ecclesia para o Mês Solar de Peixes
(Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline)
Os egípcios, com seu fabuloso conhecimento a respeito da ciência das estrelas, criaram uma série de gravuras representando simbolicamente o caminho do Cristo Solar através dos doze signos do Zodíaco.
Há duas importantes representações de Peixes no simbolismo do Tarô. Um representa um indivíduo sem sentidos, ilustrado por um homem enforcado, com um pé sobre o joelho oposto, formando assim uma cruz. A outra representação é uma alma iluminada simbolizada por um casal apaixonado em pé, de mãos dadas, e rodeado por uma grinalda de folhas verdes significando a imortalidade. A grinalda indica a ressurreição do Cristo planetário por ocasião do Equinócio da Primavera.
Saint Germain comparou a influência deste signo a um cometa brilhante que, misteriosamente, corta o céu como um relâmpago e ilumina, momentaneamente, a Terra que flutua sobre um mar de cor escura, sob o qual acham-se duas mãos entrelaçadas.
O símbolo astrológico de Peixes consiste de dois peixes um ao lado do outro, mas com as cabeças em direções contrárias. Um peixe apenas tem sido amplamente usado para simbolizar o Iniciado porque ele vive nas profundezas misteriosas. Na história de Jonas e da baleia, Jonas permaneceu três dias dentro do corpo do animal, uma alegoria da Iniciação. A história é uma descrição velada da introdução aos Mistérios Menores, conforme eram observados nos Templos pré-cristãos. Esse mesmo modelo é repetido na vida de Cristo, que passou três dias nos reinos internos da Terra durante o intervalo entre Sua Crucificação e Sua Ressurreição. Vale relembrar que o símbolo do peixe foi usado como uma senha entre os primeiros cristãos e por eles usado de vários modos como um símbolo místico. O signo de Peixes tem dois regentes, Júpiter e Netuno. Júpiter é o planeta da Lei e da Ordem. Sob sua influência, a Idade de Peixes testemunhou o desenvolvimento da Igreja Esotérica, da qual duas proeminentes características foram a água (Peixes) e o pão (Virgem). Cristo Jesus rasgou o véu diante do Templo da Iniciação no limiar da Idade de Peixes, abrindo a porta para “todo aquele que quisesse” entrar. Os que respondem a esse chamado ficam sob a influência de Netuno, o regente espiritual de Peixes. Sob Netuno, eles aprendem a percorrer o caminho que os conduz à libertação, o tipo de liberdade que pertence aos filhos de Deus, da qual Paulo falou.
Em relação ao desenvolvimento do homem, o trabalho da Idade de Peixes tem sido direcionado para a purificação de sua natureza de desejo. Assim, vemos a batalha para o controle emocional e da alma como sendo a mais importante provação dos Santos medievais e dos personagens que aparecem nas lendas do Santo Graal. O mais elevado objetivo do trabalho de Peixes tem sido a transmutação das emoções básicas em poderes anímicos através da devoção, como ilustrado nas visões extasiadas dos religiosos devotos enclausurados.
Peixes é o último dos doze signos do Zodíaco e contém o sumário final das experiências cármicas pertencentes a um completo ciclo de vida. Por esse motivo, ele tem sido chamado o signo das lágrimas e do sofrimento. Vênus, o planeta do amor pessoal, é exaltado em Peixes. Quando o amor pessoal dos nativos de Peixes é egoísta e possessivo, um Jardim de Getsêmane lhes é muito familiar. A nota chave bíblica de Peixes para esse aspecto é: “Seja feita a vossa Vontade e não a minha.” Só através de completa submissão e renúncia é que os portões do Jardim do Sofrimento serão fechados para sempre.
Os dois peixes ligados que representam Peixes contêm um profundo significado esotérico. No seu mais alto significado, eles indicam um estado perfeito de equilíbrio. Nas duas colunas do corpo, o templo físico (os dois sistemas nervosos) a força da direita e da esquerda interagem em harmonia, estabelecendo o equilíbrio entre a cabeça e o coração. Através do sistema nervoso cérebro-espinhal, o espírito se comunica com o mundo objetivo e, através do sistema nervoso simpático, ele se comunica com o mundo subjetivo.
Somente dois signos têm Júpiter e Netuno como seus planetas regentes: Câncer e Peixes. Júpiter governa as forças da alma e Netuno, os poderes do espírito. A peregrinação zodiacal sob Peixes irá unir a essência divina da alma com os poderes do espírito. Esse supremo ideal foi dado à humanidade pela Hierarquia de Câncer e sua consecução será consumada sob a orientação de Peixes. A humanidade perfeita fará sua morada na Constelação de Peixes, apropriadamente descrita por aquela figura de um homem e uma moça, de mãos dadas, dentro de uma grinalda sempre verde. Esses seres perfeitos fizeram jus à vida imortal e à eterna juventude. A nota chave bíblica de Peixes, primeiramente soada pela Hierarquia de Peixes no grande Fiat Criador, “Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança”, ressoará então triunfalmente por toda a Terra.
Uma antiga máxima astrológica declara que o nativo de Peixes está tão próximo do monte da pureza e da divindade, por um lado, e do abismo caótico da autodestruição, por outro, que tanto os anjos como os demônios permanecem a seu lado para apressá-lo na escolha do caminho a seguir. O hieróglifo acompanhando esta descrição é o de uma linda mulher. Um gênio acha-se ajoelhado a seus pés oferecendo-lhe as riquezas da Terra, enquanto um anjo paira sobre sua cabeça, oferecendo-lhe tesouros celestiais, retratando, assim, a natureza dual de Peixes. Os nativos desse signo podem planar nas alturas da inspiração e muitas das mais privilegiadas almas do mundo aí se encontram, mas ocorre freqüentemente que seus dons são desperdiçados através de suas indulgências para com as desenfreadas emoções do signo.
Peixes é o décimo-segundo signo. Quem nasce sob essa configuração está completando uma série de vidas terrenas e está, por conseguinte, ocupado em limpar dívidas cármicas engendradas no passado. A vida do pisceano é usualmente rica em várias experiências e sobrecarregada de várias responsabilidades. Vênus, aqui exaltado, proclama que os sofrimentos de Peixes normalmente dão origem a obstinados comprometimentos pessoais. Peixes regenerado significa morte do eu pessoal e vida da alma imortal. A morte mística nesse signo ocorre sob as forças de Netuno, planeta da Iniciação. Os que passam através dessas experiências tornam-se pioneiros da Nova Idade.
Meditação de Mt. Ecclesia para o Mês Solar de Peixes
Fevereiro 20 a Março 20
Regência : Planetas Júpiter e Netuno
As grandes verdades que os Ministros de Deus estão imprimindo nas Almas humanas , durante este mês solar, são as seguintes:
Não existe vida que não seja vida de Deus. Assim sendo, somos unos com Ele e com todo outro Ser.
Ao compreender isto, sentimos igual compaixão para com o amigo ou inimigo, porque sabemos que os dois se esforçam, consciente ou inconscientemente, por expressar a Beleza e o Poder de Deus.
Só obedecendo às Leis gloriosas de Deus - como foram ensinadas pelo Cristo Senhor - poderemos ser liberados da dor, da pobreza e do pesar.
Que nossa meditação durante este mês e nossa reflexão diária sejam, portanto, sobre:
UNIDADE - COMPAIXÃO - OBEDIÊNCIA - LIBERAÇÃO
e assim, progrediremos cada vez mais no caminho que nos conduz ao alto fim que nos espera.
"E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos tornará livres".
-São João, 8:32
Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline.AQUÁRIO.
MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE AQUÁRIO
( Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline )
O símbolo pictórico de Aquário é o Portador de Água, um homem vertendo, de um vaso, a água da vida, despejando-a sobre a terra para seu revigoramento e sua renovação.
Aquário rege a aurora da Nova Era. O Sol, pela precessão, já tocou a aura de sua influência eletrizante e, como resultado, a vida humana, em todos os seus aspectos, está experimentando uma tremenda aceleração.
Através de seu regente planetário, Urano, Aquário governa as forças mais sutis da Natureza. Por conseguinte, sob sua inspiração, o mundo material vem sendo transformado pelas forças extraídas das fontes de luz e de poder tal como os encontrados na eletricidade e nas forças do átomo agora liberadas. Similarmente, processos que aceleram e despertam os poderes latentes da mente e da alma do homem estão sendo ativados na medida em que os ensinamentos da Iniciação vão sendo a ele retornados.
O Portador de Água é uma figura andrógina na qual os princípios masculino e feminino acham-se igualmente combinados. O resultado psicológico deste estado de equilíbrio é uma relação perfeitamente balanceada entre os sistemas nervosos simpático e cérebro-espinhal. Na terminologia da Iniciação, esse desenvolvimento é conhecido como o Casamento Místico. Uma versão bíblica do processo envolvido é o milagre de Canaã, quando Cristo transforma a água em vinho. Uma concepção simbólica dessa fase da Iniciação é dada por Saint Germain e ela retrata um mar tempestuoso sobre o qual brilham oito estrelas reluzentes. Uma figura feminina despida acha-se parada com um pé sobre a terra e o outro sobre o mar. Segura duas conchas em suas mãos; de uma jorra bondade e, da outra, caridade, qualidades que promovem amizade e fraternidade. Sobre sua cabeça, acha-se uma estrela de oito pontas, formando uma pirâmide em seu centro; uma parte dela é branca e a outra, preta, simbolizando os dois aspectos da lei oculta. Perto da mulher, há uma planta com três botões desabrochados e sobre ela paira uma borboleta com as asas abertas. O símbolo, num todo, indica vida mais rica e os poderes ampliados que Aquário irá doar à humanidade. É sob esse signo que o homem se move na direção do estado de super-homem, e, através desse poder, o reino humano fará nascer um quinto reino, o reino das almas.
O símbolo do tarô é similar em alguns aspectos ao de Saint Germain. Ele representa a figura ajoelhada de uma mulher carregando uma urna em cada mão. De uma delas, um líquido está sendo derramado no mar; da outra, sobre a terra. Logo atrás dela, aparece o glorioso reino descrito por São João como o novo céu e a nova terra. Sobre sua cabeça, está a luz brilhante de uma estrela de oito pontas. Em baixo da figura, acha-se a inscrição: “Aquele que quiser entrar aqui terá que morrer para o seu eu inferior.” E assim continua para declarar que, pela contemplação ( um grau mais profundo de meditação), os olhos da alma se dirigirão do reino exterior das aparências para o reino interno da realidade. A interpretação oculta do líquido sendo despejado sobre a terra e o mar é a abundante chuva do éter de Cristo, pois o Cristo está se aproximando mais da Terra, e os éteres espirituais estão se tornando mais densos, com efeitos mais potentes. O derramamento deles está tornando mais fácil para o homem despertar, em seu interior, seus próprios poderes Crísticos, os quais ele poderá usar para ajudar os outros. E também para apressar a volta do Senhor.
São Paulo se referiu ao trabalho natural da lei espiritual quando disse que há leite para os bebês e carne para o homem forte. Toda grande religião universal tem duas fases de ensinamento: profundas verdades esotéricas dadas apenas aos poucos que estejam prontos para recebê-las, e uma versão simplificada dessas verdades para as massas. Como o Equinócio de Março se desloca para trás através de cada signo do Zodíaco, a religião dada ao povo em geral está em harmonia com o signo corrente. As verdades esotéricas mais profundas vêm sob o signo oposto, o do Equinócio de Setembro. Por exemplo, a religião Aquariana para as massas será centrada na Paternidade de Deus e na Irmandade do Homem. Os ensinamentos esotéricos reservados para os poucos serão centrados no signo oposto, Leão, cuja nota-chave está biblicamente descrita nas palavras de São Paulo: “ O Amor é o cumprimento da Lei”.
Sob Leão, o coração iluminado ou sagrado se tornará a luz central do corpo, e o poder do amor será o principal fator motivador da vida. Compartilhamento em vez de avareza será o objetivo principal do mundo de negócios, e então a cooperação tomará o lugar da atual competição. A tolerância irá superar o fanatismo e a reabilitação substituirá a pena capital. Cada indivíduo vai colocar o bem do próximo adiante do seu próprio, e o ideal supremo da vida será servir uns aos outros com amor. A nota-chave bíblica para a nova civilização Aquariana pode ser encontrada nas palavras do próprio Cristo: “ Sois meus amigos ”.
Aquário é a décima primeira casa, signo da amizade, camaradagem e fraternidade. A Era Aquariana que está para vir substituirá a ênfase do desenvolvimento espiritual do indivíduo para o grupo. Isso já se faz notar na crescente atenção dada pelas instituições educacionais ao treinamento de estudantes para o serviço social. Nas escolas ocultas, está evidente uma tendência similar. A conhecida declaração de Cristo, “onde duas ou três pessoas estejam reunidas em meu nome, eu lá me encontro entre elas”, adquire um significado mais profundo à luz do desdobramento Aquariano.
Aquário tem dois governantes: Saturno e Urano. O primeiro governa o que é antigo e pertence ao passado. Urano governa tudo o que é novo e pertence ao futuro. Os antigos retratavam Aquário como uma árvore da vida com dois galhos: um galho terminando numa figura indicativa da velhice e representando o produto de Saturno e o outro galho terminando na figura de belo jovem carregando em suas mãos o Cálice Sagrado, símbolo da realização sob a influência transformadora de Urano.
As forças dos dois éteres superiores estão se tornando muito mais potentes em sua influência sobre a humanidade. O Éter de Vida ajuda no desenvolvimento da percepção extra-sensorial enquanto o Éter Refletor desperta uma força latente no discípulo na preparação para a Iniciação.
Não está tão distante a época em que a palavra Iniciação será bem conhecida e o trabalho de Iniciação recuperará o seu lugar de suprema conquista na vida espiritual. Uma evidência dessa tendência pode ser notada no fato de que, em inúmeras igrejas ortodoxas, grupos de pessoas têm sido formados para estudarem e desenvolverem suas faculdades espirituais latentes no homem que até agora tinham sido vistas como pertencentes exclusivamente ao reino da metafísica e, portanto, bastante distante da esfera da religião como é hoje compreendida.
Meditação de Mt. Ecclesia para o Mês Solar de Aquário
Janeiro 20 a Fevereiro 19
Regência: Planetas Saturno e Urano
O Sol, em seu trânsito pelo Zodíaco, nos traz cada mês as radiações de uma das Hierarquias Criadoras que nos ajudam a desenvolver as forças da Chispa Divina de nossa Alma.
Se nos esforçamos conscientemente a responder às notas-clave que emitem estas Hierarquias - que são os Grandes Ministros de Deus - chegaremos com maior rapidez à obtenção da saúde , alegria, poder e entendimento.
As lições que nos dão neste mês são:
ALTRUÍSMO - Espírito de servir ao próximo.
COOPERAÇÃO - Trabalhar em harmonia com os demais.
AMIZADE - Sentir no coração carinho por todo ser vivo, mantendo firmes na mente nossas responsabilidades individuais.
"Se andamos em Luz , como Ele está em Luz, teremos comunhão uns com os outros".
I Epíst. São João, 1:07
Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline.CAPRICÓRNIO.
MEDITAÇÃO ESPIRITUAL DE CAPRICÓRNIO
(Do livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline)
O corpo físico da Terra alcança suas mais elevadas vibrações quando o Sol entra em Capricórnio. O símbolo pictórico para esse signo é uma cabra. A cabra foi o animal oferecido em sacrifício durante a Idade de Áries, quando o Solstício de Inverno estava na constelação de Capricórnio. Esses sacrifícios antigos têm sido sublimados em seus equivalentes espirituais, mas seu significado esotérico, o significado conhecido pelos candidatos às Iniciações, tem sempre sido o mesmo. Mesmo para os Antigos, uma cabra simbolizava sabedoria devido ao reconhecimento geral de que a conquista no caminho se faz apenas através de sacrifício.
Nos antigos cerimoniais israelitas, duas cabras eram sacrificadas pelos pecados do povo. Uma era sacrificada diante do altar, enquanto a outra era carregada com seus pecados e levada para o deserto depois das imprecações sacerdotais terem sido colocadas sobre ela. A cabra que era sacrificada representava o estreito e reto Caminho da Iniciação, seguido por poucos, ao passo que a outra era uma referência ao lento progresso do homem através do impulso evolucionário feito sem ajuda.
O ritual das Duas Cabras também mostra uma verdade quando destaca a expiação vicária tal como foi promulgada posteriormente por Cristo Jesus, quando Ele tomou para si mesmo os pecados da humanidade. Esses pecados haviam se tornado por demais pesados para os humanos carregarem sozinhos e não poderiam ser liquidados sem assistência divina.
Saint Germain representou Capricórnio em um quadro exibindo uma brilhante aurora boreal em ambos os lados de um fundo negro, sobre o qual brilhava uma estrela solitária.
Em sua bela canção de amor, Salomão compara os dentes de sua amada a um rebanho de cabras e também ao agrupamento de fogueiras ao lado dos vinhedos de Engedi, um nome com o significado de fonte das cabras que, por sua vez, refere-se às águas da vida eterna. Isso dá um significado mais profundo a muitas referências bíblicas sobre as águas da vida. Davi queria beber as águas de Belém. Os israelitas deixaram, por certo tempo, suas águas próprias naturais por estranhas águas frias. Cristo disse à mulher no poço de Samaria que se ela bebesse da água que Ele lhe deu, ela jamais voltaria a ter sede.
Todas essas referências acham-se correlacionadas com o simbolismo espiritual de Capricórnio. Falando de modo místico, há dois “portões” através dos quais os egos passam ao entrar e sair do corpo físico. Cosmicamente, esses são os portões de Câncer e Capricórnio. Os egos adquirem para si trajes de carne através dos poderes de Câncer e da Lua porque Câncer é o signo da Madona cósmica e a Lua é seu regente. Através dos poderes do signo oposto do Zodíaco, Capricórnio, que é regido por Saturno, o ceifador, ocorre a dissolução do corpo mortal do Ego, liberando-o desse modo para que possa retornar aos planos superiores. O fluxo de almas descendo e ascendendo através desses dois portões celestiais é a realidade cósmica do que Jacó viu em sua visão. A história bíblica diz que Jacó viu Anjos subindo e descendo a escada; mas escritores da Bíblia usaram o termo anjo no mesmo significado como agora é geralmente usado para indicar muitas classes de seres não materiais, incluindo egos desencarnados.
Cada constelação tem seu lado sombrio que pertence, não às estrelas, mas à terra sobre a qual a sombra cai. A espiritualidade capricorniana não despertada manifesta um forte desejo para adquirir poder pessoal. Os desse signo freqüentemente buscam poder para eles mesmos, seja esse poder material ou espiritual. Os capricornianos são, por isso, inclinados a ser ambiciosos, embora não tanto pelas coisas materiais em si, mas pelo poder inerente a essas posses.
As notas-chaves bíblicas para Capricórnio são “Abençoado é o pobre de espírito, pois dele é o Reino do Céu” e “Abençoados são os mansos, pois herdarão a Terra”.
Tem sido dito que Capricórnio cobre três estágios distintos da evolução humana, isto é, o dos escravos, o dos capatazes de escravos e o dos donos.
MEDITAÇÃO DE MT. ECCLESIA PARA O MÊS SOLAR DE CAPRICÓRNIO
Dezembro 22 e Janeiro 20
Regência : Planeta Saturno
O ano passado fica para trás e diante de nós estende-se o Novo Ano, como uma folha em branco em que poderemos escrever nossas resoluções para o futuro.
E é preciso que examinemos o coração , do ponto de vista das experiências do ano que passou, para extrair o que nos espera: dias cheios de novas e ilimitadas possibilidades de saúde espiritual e física.
Assim como a criança tem que aprender a andar, também o homem deve aprender a utilizar as coisas da natureza que lhe propiciem crescimento e progresso no Plano da Evolução - para começar corretamente, pois tomamos como claves para este mês as palavras:
REFLEXÃO - FIDELIDADE - CONSTÂNCIA NAS BOAS OBRAS
a fim de estabelecer estas virtudes em nossas Almas.
Este será outro passos no viver segundo as Leis Divinas da Natureza. E se vivermos integralmente segundo elas, nos elevaremos ao Plano em que não se encontra a enfermidade, nem a dor, nem a ignorância.
"Velai e estejas firmes na Fé; portai-vos varonilmente e esforçai-vos"
-São Paulo, I Cor., 16:13
Do Livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline.SAGITÁRIO.
EDITAÇÃO ESPIRITUAL DE SAGITÁRIO
(Do Livro “Interpretação da Bíblia para a Nova Era” de Corinne Heline)
Sagitário, assim como Escorpião, é de natureza dual. Seu símbolo pictórico é um centauro, metade cavalo, metade homem. O primeiro simboliza a natureza inferior do homem; o último, sua natureza superior. O espírito imortal sempre aspira os planos superiores a despeito de parecer o contrário. Por ora, a humanidade elegeu seguir o caminho da materialidade (Escorpião) em vez do caminho da espiritualidade (Virgem). Sagitário tem sido o signo da promessa, da esperança e da aspiração.
Basil Valentine, um antigo Iniciado Rosa Cruz, ilustrou a história da Iniciação com uma série de quadros. Neles, Sagitário é representado por um número de lâmpadas sempre queimando, um hieróglifo que chama a humanidade a elevar-se além da materialidade e obter união com a Divindade para que possa compartilhar do verdadeiro êxtase espiritual.
É interessante notar que quando o fogo espinhal espiritual eleva-se do nível da geração ao plano de regeneração, o ponto onde ele deixa o nível de geração é o plexo sagital localizado na base da espinha dorsal regida por Sagitário.
O signo de Sagitário é governado por Júpiter, planeta da benevolência e expansão. Ele aponta o caminho para o nascimento do Cristo Cósmico que ocorre anualmente na Noite Santa, quando o Sol deixa Sagitário para entrar no primeiro decanato de Capricórnio.
O símbolo pictórico de Sagitário mostra que a metade humana do Centauro mira uma seta para as estrelas. Esse pictograma acha-se modificado numa representação do Cupido, deus do amor, mostrado originalmente com sua seta apontada para a glândula pineal em vez de para o coração. Mais tarde, como o homem perdeu consciência de seu objetivo espiritual elevado, e as afeições centravam-se no pessoal mais do que no princípio, o dardo de cupido foi redirecionado para o coração em vez do centro espiritual localizado na cabeça.
Sagitário correlaciona com o Vau Hebreu, significando Sol ou olho. Essa letra representa brancura e brilho, a luz espiritual de Gênesis e Revelação. É a luz que brilha nas trevas, mas as trevas não prevaleceram contra ela. O símbolo do Tarô para Vau é um homem de pé entre duas mulheres. Uma delas está coroada com ouro do espírito e a outra com a vinha, símbolo do falso espírito. O fruto da vinha estimula o corpo do homem a um êxtase, mas seu impulso por uma tal experiência é sua resposta equivocada da personalidade ao chamamento de seu ego. Thomas De Quincy tornou isso claro em seu “Confessions of an Opium Eater”, a separação da mente da personalidade e sua ligação com a espiritualidade é o estímulo de Sagitário; e esse é o propósito e o fim da Grande Obra. A Maçonaria Moderna adotou esse símbolo para reproduzir a mesma idéia.
Daí poder-se ver que a mensagem das estrelas revela o caminho da evolução para toda a humanidade. Para a massa semi-adormecida, o Caminho dá voltas e mais voltas em torno da montanha do objetivo; mas para as almas despertas há um caminho curto, estreito e direto que leva ao cume.
Sagitário rege a mente superior do homem, a mente capaz de raciocínio abstrato. A nota-chave bíblica é encontrada na admoestação de Paulo: “Deixe sua mente estar com você, a qual está também em Cristo Jesus”.
Na mitologia grega, a virgem Ariadne leva Teseu para fora do labirinto por meio de um fio. Tanto a virgem quanto o seu fio perderam-se para o homem moderno, mas a intuição superior de Sagitário os substitui, pois a intuição espiritual (o fio) é, de fato, a essência da razão. Quando, havendo percorrido o circuito do Zodíaco, um espírito libertado retorna ao ponto de partida, onde encontra a Virgem dos Céus esperando-o como Ariadne esperou Teseu segundo o antigo mito.
Meditação de Mt. Ecclesia para o Mês Solar de Sagitário
Novembro 23 a Dezembro 22
Regência : Planeta Júpiter
Todos nós, no fundo da alma, sabemos que somos uma parte de Deus e que é nosso destino desenvolver-nos à semelhança de Sua Perfeição; e no recôndito de nosso ser subsiste o desejo de conhecer Deus e unir-nos à Sua Luz.
As palavras-clave para este mês representam as qualidades que aumentam essa aspiração. São elas:
IDEALISMO - REVERÊNCIA - BENEVOLÊNCIA - BONDADE - GENEROSIDADE .
A meditação sobre essas palavras-clave ajuda-nos a preparar-nos e a apressar o dia da consecução do que desejamos, porque "o obreiro é digno de seu salário".
"Assim, resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus".
São Mateus, 5:16
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