contos sol e lua

contos sol e lua

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Rouxinol e a Rosa – Oscar Wilde.

- Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas – exclamou o Estudante – mas estamos no inverno e não há uma única rosa no jardim… Por entre as folhas, do seu ninho, no carvalho, o Rouxinol o ouviu e, vendo-o ficou admirado… - Não há nenhuma rosa vermelha no jardim! – disse o Estudante, com os olhos cheios de lágrimas. – Ah! Como a nossa felicidade depende de pequeninas coisas! Já li tudo quanto os sábios escreveram. A filosofia não tem segredos para mim e, contudo, a falta de uma rosa vermelha é a desgraça da minha vida. - Eis, afinal, um verdadeiro apaixonado! – disse o Rouxinol. Tenho cantado o Amor noite após noite, sem conhecê-lo no entanto; noite após noite falei dele às estrelas, e agora o vejo… O cabelo é negro como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas o amor pôs-lhe na face a palidez do marfim e o sofrimento marcou-lhe a fronte. - Amanhã à noite o Príncipe dá um baile, murmurou o Estudante, e a minha amada se encontrará entre os convidados. Se levar uma rosa vermelha, dançará comigo até a madrugada. Somente se lhe levar uma rosa vermelha… Ah… Como queria tê-la em meus braços, sentir-lhe a cabeça no meu ombro e a sua mão presa a minha. Não há rosa vermelha em meu jardim… e ficarei só; ela apenas passará por mim… Passará por mim… e meu coração se despedaçará. - Eis um verdadeiro apaixonado… – pensou o Rouxinol. – Do que eu canto, ele sofre. O que é dor para ele é alegria para mim. Grande maravilha, na verdade, é o Amar! Mais precioso que esmeraldas e mais caro que opalas finas. Pérolas e granada não podem comprá-lo, nem se oferece nos mercados. Mercadores não o vendem, nem o conferem em balanças a peso de ouro. - Os músicos da galeria – prosseguiu o Estudante – tocarão nos seus instrumentos de corda e, ao som de harpas e violinos, minha amada dançará. Dançará tão leve, tão ágil, que seus pés mal tocarão o assoalho e os cortesãos, com suas roupas de cores vivas, reunir-se-ão em torno dela. Mas comigo não bailará, porque não tenho uma rosa vermelha para dar-lhe… – e atirando-se à relva, ocultou nas mãos o rosto e chorou. - Por que está chorando? – perguntou um pequeno lagarto ao passar por ele, correndo, de rabinho levantado. - É mesmo! Por que será? – Indagou uma borboleta que perseguia um raio de sol. - Por quê? – sussurrou uma linda margarida à sua vizinha. _-Chora por causa de uma rosa vermelha – informou o Rouxinol. - Por causa de uma rosa vermelha? – exclamaram – Que coisa ridícula! E o lagarto, que era um tanto irônico, riu à vontade. Mas o Rouxinol compreendeu a angústia do Estudante e, silencioso, no carvalho, pôs-se a meditar sobre o mistério do Amor. Subitamente, abriu as asas pardas e voou. Cortou, como uma sombra, a alameda, e como uma sombra, atravessou o jardim. Ao centro do relvado, erguia-se uma roseira. Ele a viu. Voou para ela e posou num galho. - Dá-me uma rosa vermelha – pediu – e eu cantarei para ti a minha mais bela canção! - Minhas rosas são brancas; tão brancas quanto a espuma do mar, mais brancas que a neve das montanhas. Procura minha irmã, a que enlaça o velho relógio-de-sol. Talvez te ceda o que desejas. Então o Rouxinol voou para a roseira, que enlaçava o velho relógio-de-sol. - Dá-me uma rosa vermelha – pediu – e eu te cantarei minha canção mais linda. A roseira sacudiu-se levemente. - Minhas rosas são amarelas como as cabelos dourados das donzelas, ainda mais amarelas que o trigo que cobre os campos antes da chegada de quem o vai ceifar. Procura a minha irmã, a que vive sob a janela do Estudante. Talvez ela possa te possa ajudar. O Rouxinol então, dirigiu o vôo para a roseira que crescia sob a janela do Estudante. - Dá-me uma rosa vermelha – pediu – e eu te cantarei a mais linda de minhas canções. A roseira sacudiu-se levemente. - Minhas rosas são vermelhas, tão vermelhas quanto os pés das pombas, mais vermelhas que os grandes leques de coral que oscilam nos abismos profundos do oceano. Contudo, o inverno regelou-me até as veias, a geada queimou-me os botões e a tempestade quebrou-me os galhos. Não darei rosas este ano. - Eu só quero uma rosa vermelha, repetiu o Rouxinol, – uma só rosa vermelha. Não haverá meio de obtê-la? - Há, respondeu a Roseira, mas é meio tão terrível que não ouso revelar-te. - Dize. Não tenho medo. - Se queres uma rosa vermelha, explicou a roseira, hás de fazê-la de música, ao luar, tingi-la com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim com o peito junto a um espinho. Cantarás toda a noite para mim e o espinho deve ferir teu coração e teu sangue de vida deve infiltrar-se em minhas veias e tornar-se meu. - A morte é um preço exagerado para uma rosa vermelha – exclamou o Rouxinol – e a Vida é preciosa… É tão bom voar, através da mata verde e contemplar o sol em seu esplendor dourado e a lua em seu carro de pérola…O aroma do espinheiro é suave, e suaves são as campânulas ocultas no vale, e as urzes tremulantes na colina. Mas o Amor é melhor que a Vida. E que vale o coração de um pássaro comparado ao coração de um homem? Abriu as asas pardas para o vôo e ergueu-se no ar. Passou pelo jardim como uma sombra e, como uma sombra, atravessou a alameda. O Estudante estava deitado na relva, no mesmo ponto em que o deixara, com os lindos olhos inundados de lágrimas. - Rejubila-te – gritou-lhe o Rouxinol – Rejubila-te; terás a tua rosa vermelha. Vou fazê-la de música, ao luar. O sangue de meu coração a tingirá. Em conseqüência só te peço que sejas sempre verdadeiro amante, porque o Amor é mais sábio do que a Filosofia; mais poderoso que o poder.. Tem as asas da cor da chama e da cor da chama tem o corpo. Há doçura de mel em seus braços e seu hálito lembra o incenso. O Estudante ergueu a cabeça e escutou. Nada pode entender, porém, do que dizia o Rouxinol, pois sabia apenas o que está escrito nos livros. Mas o Carvalho entendeu e ficou melancólico, porque amava muito o pássaro que construíra ninho em seus ramos. - Canta-me um derradeiro canto – segredou-lhe – sentir-me-ei tão só depois da tua partida. Então o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz fazia lembrar a água a borbulhar de uma jarra de prata. Quando o canto finalizou, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderninho de notas e um lápis. - Tem classe, não se pode negar – disse consigo – atravessando a alameda. Mas terá sentimento? Não creio. É igual a maioria dos artistas. Só estilo, sinceridade nenhuma. Incapaz de sacrificar-se por outrem. Só pensa e cantar e bem sabemos quanto a Arte é egoísta. No entanto, é forçoso confessar, possui maravilhosas notas na voz. Que pena não terem significação alguma, nem realizarem nada realmente bom! Foi para o quarto, deitou-se e, pensando na amada, adormeceu. Quando a lua refulgia no céu, o Rouxinol voou para a Roseira e apoiou o peito contra o espinho. Cantou a noite inteira e o espinho mais e mais foi se enterrando em seu peito, e o sangue de sua vida lentamente se escoou… Primeiro descreveu o nascimento do amor no coração de um menino e uma menina; e, no mais alto galho da Roseira, uma flor desabrochou, extraordinária, pétala por pétala, acompanhando um canto e outro canto. Era pálida, a princípio, qual a névoa que esconde o rio, pálida qual os pés da manhã e as asas da alvorada. Como sombra de rosa num espelho de prata, como sombra de rosa em água de lagoa era a rosa que apareceu no mais alto galho da Roseira. Mas a Roseira pediu ao Rouxinol que se unisse mais ao espinho. – Mais ainda, Rouxinol, – exigiu a Roseira, – senão o dia raia antes que eu acabe a rosa. O Rouxinol então apertou ainda mais o espinho junto ao peito, e cada vez mais profundo lhe saía o canto porque ele cantava o nascer da paixão na alma do homem e da mulher. E tênue nuance rosa nacarou as pétalas, igual ao rubor que invade a face do noivo quando beija a noiva nos lábios. Mas o espinho não lhe alcançava ainda o coração e o coração da flor continuava branco – pois somente o coração de um Rouxinol pode avermelhar o coração de rosa. - Mais ainda, Rouxinol, – clamou a Roseira – raiar o dia antes que eu finalize a rosa. E o Rouxinol, desesperado, calcou-se mais forte no espinho, e o espinho lhe feriu o coração, e uma punhalada de dor o traspassou. Amarga, amarga lhe foi a angústia e cada vez mais fremente foi o canto, porque ele cantava o amor que a morte aperfeiçoa, o amor que não morre nem no túmulo. E a rosa maravilhosa tornou-se purpurina como a rosa do céu oriental. Suas pétalas ficaram rubras e, vermelho como um rubi, seu coração. Mas a voz do Rouxinol se foi enfraquecendo, as pequeninas asas começaram a estremecer e uma névoa cobriu-lhe o olhar, o canto tornou-se débil e ele sentiu qualquer coisa apertar-lhe a garganta. Então, arrancou do peito o derradeiro grito musical. Ouviu-o a lua branca, esqueceu-se da Aurora e permaneceu no céu. A rosa vermelha o ouviu, e trêmula de emoção, abriu-se à aragem fria da manhã. Transportou-o o Eco, à sua caverna purpurina, nos montes, despertando os pastores de seus sonhos. E ele levou-os através dos caniços dos rios e eles transmitiram sua mensagem ao mar. - Olha! Olha! Exclamou a Roseira. – A rosa está pronta, agora. Ao meio dia o Estudante abriu a janela e olhou. - Que sorte! – disse – Uma rosa vermelha! Nunca vi rosa igual em toda a minha vida. É tão linda que tem certamente um nome complicado em latim. E curvou-se para colhê-la. Depois, pondo o chapéu, correu à casa do professor. - Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha, – lembrou o Estudante. – Aqui tens a rosa mais linda e vermelha de todo o mundo. Hás de usá-la, hoje a noite, sobre ao coração, e quando dançarmos juntos ela te dirá o quanto te amo. A moça franziu a testa. - Esta rosa não combina com o meu vestido, disse. Ademais, o Capitão da Guarda mandou-me jóias verdadeiras, e jóias, todos sabem, custam muito mais do que flores… - És muito ingrata! – exclamou o Estudante, zangado. E atirou a rosa a sarjeta, onde a roda de um carro a esmagou. - Sou ingrata? E o senhor não passa de um grosseirão. E, afinal de contas, quem és? Um simples estudante… não acredito que tenhas fivelas de prata, nos sapatos, como as tem o Capitão da Guarda… – e a moça levantou-se e entrou em casa. - Que coisa imbecil, o Amor! – Resmungou o estudante, afastando-se. – Nem vale a utilidade da Lógica, porque não prova nada, está sempre prometendo o que não cumpre e fazendo acreditar em mentiras. Nada tem de prático e como neste século o que vale é a prática, volto à Filosofia e vou estudar metafísica. Retornou ao quarto, tirou da estante um livro empoeirado e pôs-se a ler…

macbeth..willian shakespeare.

Macbeth e seu amigo Banquo eram generais do exército da Escócia. Enquanto cavalgavam, ouviram vozes. Tratava-se de três bruxas que profetizaram que Macbeth ganharia o cargo General de Cowdor – o de mais alta confiança do Rei, e posteriormente, seria coroado Rei da Escócia. Somente poderia tornar-se rei os filhos ou, na ausência destes, o general de Cowdor. Tendo isso em vista, Macbeth sabia que para essa profecia tornar-se realidade, seria necessário atravessar a hierarquia de algumas pessoas, mas principalmente do filho do Rei, o jovem Malcom. Além disso, seu amigo Banquo, que já o avisara que essa ambição traria a ele muitas consequências, era a principal testemunha profecia das bruxas e desconfiaria de qualquer atitude de Macbeth. Após vencerem uma batalha contra a Noruega, os generais foram procurados por mensageiros de Duncan, naquele momento, Rei da Escócia, que informam a eles que o Rei quer parabenizar Macbeth pela vitória contra a Noruega e que irá torná-lo general de Cowdor. Com a primeira parte da profecia já realizada, Macbeth acredita mais ainda nas bruxas de que logo seria coroado Rei. Resolve então contar os ocorridos para sua esposa, que exercia forte influência sobre ele e decidem cometer uma série de assassinatos, começando pelo amigo Banquo. A sua esposa então, começa a tramar a morte do Rei Duncan para logo tornar-se rainha. Organiza uma festa em sua casa com o pretexto de que todos assistissem à morte de um traidor do Rei. A festa acontece e o homem é enforcado. Quando todos os hóspedes vão dormir, a esposa de Macbeth dá orientações a seu esposo de como tudo deveria ser feito. Começa então servindo vinho aos camareiros que fazem a guarda do Rei, e isso os faz dormir mais profundamente. A caminho do quarto onde o Rei dormia, Macbeth começa a ter visões de um punhal, o que estranha. Ele então entra no quarto e mata o Rei com o punhal. Logo em seguida, Macbeth começa a ter outras visões, a ouvir vozes, mas logo acha que tudo aquilo era só imaginação. Sua esposa coloca o punhal usado nas mãos de um dos camareiros com o objetivo de incriminá-los. Ao amanhecer, os mensageiros do Rei chegam para acordá-lo e deparam-se com o Rei morto. Aos gritos, todos acordam e Macbeth, encenando desespero, mata os camareiros do Rei na frente de todos, dizendo que aqueles eram os perigosos assassinos. O filho do Rei, Malcom e seu companheiro, o nobre Macduff, fogem para a Inglaterra, com medo de serem incriminados pelo assassinato. Macbeth que já era general de Cowdor, e na ausência de filhos do Rei, é então coroado Rei da Escócia. Porém, já na festa de seu reinado, o fantasma do Rei Duncan e de Banquo aparecem para ele. Sua esposa, agora chamada de Lady Macbeth, que antes poderia ser condiderada uma mulher tímida, recatada e de bem, após revelar sua ganância, egoísmo e poder de persuadir o esposo, também passa a ter delírios e crises de sonambulismo. Em uma dessas crises, Lady Macbeth, inconscientemente revela ao médico e à sua camareira que a observavam, que tem culpa nos assassinatos. Faz repetidamente o gesto de lavar as imaginárias manchas de sangue das mãos e isso também a denuncia. Posteriormente, Lady Macbeth comete suicídio. Macbeth, ignora a morte da esposa, argumentando que ela teria que morrer "em uma melhor hora." Cansado de ter visões, Macbeth vai consultar novamente as bruxas. Numa segunda profecia, as bruxas dizem que ele só seria derrotado se um “bosque chegasse ao castelo”, e que ele não precisaria preocupar-se, pois “nenhum homem nascido de mulher” poderia matá-lo, porém avisa-o para tomar cuidado com Macduff, o nobre que fugiu com Malcom, filho do Rei. Ambas as profecias pareciam impossíveis: que um bosque chegasse ao castelo e que existisse de um homem que não houvesse nascido de mulher, assim, Macbeth sentia-se seguro mas, por precaução , manda matar a esposa e todos os filhos de Macduff. Mensageiros procuram Macduff na Inglaterra, e quando contam a ele a tragédia com sua família, Macduff decide voltar para a Escócia, mas para guerrear contra Macbeth. Com a ajuda de 10.000 homens do exército inglês, aproximam-se então do castelo. Os soldados ingleses, para se camuflarem, seguravam troncos e ramos de árvores e isso, sendo visto de longe, parecia um bosque ou uma montanha em movimento, cumprindo-se então a primeira parte da segunda profecia das bruxas. Começa então a guerra entre os exércitos e o duelo entre Macbeth e Macduff. Durante a luta, Macbeth diz ao oponente que está seguro porque nenhum homem nascido de mulher poderia matá-lo, mas Macduff revela a ele que não nasceu, e sim, foi tirado prematuramente do ventre da mãe por cesariana. Macduff então mata Macbeth e tira-lhe a cabeça. Assim, em grande festa, Malcom, filho do Rei Duncan é então coroado e consagrado Rei da Escócia.

° Otelo°

O seu personagem principal, que empresta o nome a obra, é um general mouro que serve o reino de Veneza.Toda história gira em torno da traição e da inveja. Inicia-se com Iago,alferes de Otelo, tramando com Rodrigo uma forma de contar a Brabâncio,rico senador de Veneza, que sua filha, a gentil Desdêmona, tinha se casado com Otelo. Iago queria vingar-se do general Otelo porque ele promoveu Cássio, jovem soldado florentino e grande intermediário nas relações entre Otelo e Desdêmona, ao posto de tenente. Esse ato deixou Iago muito ofendido, uma vez que acreditava que as promoções deveriam ser obtidas "pelos velhos meios em que herdava sempre o segundo o posto doprimeiro"e não por amizades. Brabâncio, que deixara a filha livre para escolher o marido que mais a agradasse, acreditava que ela escolheria, para seu cônjuge, um homem da classe senatorial ou de semelhante. Ao tomar ciência que sua filha havia fugido para se casar com o Mouro, foi à procura de Otelo mata-lo. No momento em que se encontraram, chegou um comunicado do Doge de Veneza, convocando-os para uma reunião de caráter urgente no senado. Durante a reunião, Brabâncio, sem provas, acusou o Mouro de ter induzido Desdêmona a casar-se com ele por meio de bruxarias. Otelo, que era general do reino de Veneza e gozava da estima e da confiança do Estado por ser leal, muito corajoso e ter atitudes nobres, fez, em sua defesa, um simples relato da sua história de amor que foi confirmado pela própria Desdêmona. Por isso, e por ser o único capaz de conduzir um exercito no contra-ataque a uma esquadra turca que dirigia-se à ilha de Chipre, Otelo foi inocentado e o casal seguiu para Chipre, em barcos separados, na manhã seguinte. Durante a viagem uma tempestade separou as embarcações e, devido a isso, Desdêmona chegou primeiro à ilha. Algum tempo depois, Otelo desembarca com a novidade que a guerra tinha acabado porque a esquadra turca fora destruída pela fúria das águas. No entanto, o que o Mouro não sabia é que na ilha ele enfrentaria um inimigo mais fatal do que os turcos. Em Chipre, Iago que odiava a Otelo e a Cássio, começou a semear a sementes do mal, ou seja, concebeu um terrível plano de vingança que tinha como objetivo arruinar seus inimigos. Hábil e profundo conhecedor da natureza humana, Iago sabia que, de todos os tormentos que afligem a alma, o ciúme é o mais intolerável. Ele sabia que Cássio, entre os amigos de Otelo, era o que mais possuía a sua confiança. Sabia também que devido a sua beleza e eloqüência, qualidades que agradam às mulheres, ele era exatamente o tipo de homem capaz de despertar o ciúme de um homem de idade avançada, como era Otelo, casado com uma jovem e bela mulher. Por isso, começou a realizar seu plano. Sob pretexto de lealdade e estima ao general, Iago induziu Cássio,responsável por manter a ordem e a paz, a se embriagar e envolver-se em uma briga com Rodrigo, durante uma festa em que os habitantes da ilha ofereceram a Otelo. Quando o mouro soube do acontecido, destituiu Cássio de seu posto. Nessa mesma noite, Iago começou a jogar Cássio contra Otelo. Ele falava, dissimulando um certo repudio a atitude do general, que a sua decisão tinha sido muito dura e que Cássio deveria pedir a Desdêmona que convencesse Otelo a devolver-lhe o posto de tenente. Cássio, abalado emocionalmente, não se deu conta do plano traçado por Iago e aceitou a sugestão.Dando continuidade a seu plano, Iago insinuou a Otelo que Cássio e sua esposa poderiam estar tendo um caso. Esse plano foi tão bem traçado que Otelo começou a desconfiar de Desdêmona. Iago sabia que o mouro havia presenteado sua mulher com um velho lenço de linho, o qual tinha herdado de sua mãe. Otelo acreditava que o lenço era encantado e, enquanto Desdêmona o possuísse, a felicidade do casal estaria garantida. Sabendo disso e após ter encontrado o lenço que Desdêmona perdera, Iago disse a Otelo que sua mulher havia presenteado o seu amante com ele. Otelo, já enciumado, pergunta a sua esposa sobre o lenço e ela, ignorando que o lenço estava com Iago, não soube explicar o que aconteceu com ele. Nesse meio tempo, Iago colocou o lenço dentro do quarto de Cássio para que ele o encontrasse. Depois, Iago fez com que Otelo se escondesse e ouvisse uma conversa sua com Cássio. Eles falaram sobre Bianca, amante de Cássio, mas como Otelo que só ouviu partes da conversa, ficou com a impressão de que eles estavam falando a respeito de Desdêmona. Um pouco depois Bianca chegou e Cássio deu a ela o lenço que encontrara em seu quarto para que ela providenciasse uma cópia. As conseqüências disso foram terríveis: primeiro Iago, jurando lealdade a seu general, disse que, para vinga-lo, mataria Cássio, mas sua real intenção era matar Rodrigo e Cássio simultaneamente porque eles poderiam estragar seus planos. No entanto, isso não ocorreu conforme suas intenções, Rodrigo morreu e Cássio ficou apenas ferido. Depois Otelo, totalmente descontrolado, foi a procura de sua esposa acreditando que ela o havia traído e matou-a em seu quarto. Após isso, Emília, esposa de Iago, sabendo que sua senhora fora assassinada revelou a Otelo, Ludovico (parente de Brabâncio) e Montano (governador de Chipre antes de Otelo) que tudo isso foi tramado por seu marido e que Desdêmona jamais fora infiel. Iago matou Emília e fugiu, mas logo foi capturada. Otelo, desesperado por saber que matara sua amada esposa injustamente, apunhalou-se, caindo sobre o corpo de sua mulher e morreu beijando a quem tanto amara. Ao finalizar a tragédia Cássio passou a ocupar o lugar de Otelo, Iago foi entregue as autoridades para ser julgado e Graciano, uma vez que seu irmão Brabâncio morrera, ficou com os bens do mouro. willian shakespeare.

sábado, 6 de julho de 2013

Solidariedade e Cooperação.

Solidariedade e Cooperação A vida do homem é um contínuo anseio: ou procura bens materiais ou busca ilusões. Se levado a certos limites, estimula o estudo e o trabalho fecundo. Para além de determinada meta, leva à prática da violência, à selecção brutal dos indivíduos ou dos grupos e à desumanização da vida social e internacional. Nos círculos cultos e esclarecidos, este espírito de conquista evolui pacificamente. Desenvolve-se no sentido de obtenção da virtude, do saber, do carácter, da perfeição. O sábio, o erudito e o investigador, que se consagram ao estudo dos problemas que os preocupam, levam a cabo um esforço benéfico voltado para a conquista positiva, procurando adquirir conhecimentos, alcançar ideias, verdades, certezas ou conceber técnicas. Porém, uma educação orientada no sentido da competição do egoísmo e da violência, associada ao refinamento dos mecanismos de embrutecimento, levam a que a espécie humana organizada em “sociedades” se comporte no planeta Terra como espécie predadora, aniquilando recursos, alterando equilíbrios e até invertendo evoluções. Apoiadas em valores quantitativistas, estas sociedades modificam a qualidade de vida e a própria mentalidade social. Passam a ser dominadas por uma febre incontrolável de conquista desaustinada de bens materiais ou de riquezas. E é assim que, apesar de se falar muito em solidariedade e cooperação, todos se lançam, consoante os temperamentos, à conquista de certos objectivos tidos como valiosos e sinais de êxito pela mentalidade social contemporânea: a celebridade, a glória, a luxúria, o luxo, a ociosidade. O mais vulgar e mediático é a celebridade. Geralmente, nem se toma sequer a consciência de que a celebridade desprovida de conteúdo é um êxito vazio. O dinheiro e as propriedades, encarados com um fim em si mesmo, é outra expressão do referido êxito. Mas a expressão mais elevada do dito êxito é o Poder, considerado este como a capacidade, real ou virtual, de tomar e fazer cumprir decisões que afectam a vida própria e as alheias. É aqui que se identifica muitas vezes a distância desproporcionada que separa o demérito de algumas pessoas do estatuto social em que vivem. Uma inevitável preocupação surge à luz quanto se pensa em tudo o que ficou dito e perguntamos a nós próprios: que pecados originais contaminam o homem e as variadíssimas formas sociais, atraindo-os para esses falsos êxitos, o orgulho e a malevolência? Aqui, as opiniões dividem-se. Todas as grandes religiões preconizam o domínio da “carne”. E aconselham a vencer, pelo espírito, a exteriorização dos seus apetites. A condição animal do homem seria então o obstáculo impeditivo da integração na harmonia cósmica, a conseguir através do espírito universal, dos valores da renúncia, da purificação e da ascese. Mas admitem outros que, pelo contrário, a adulteração da humanidade se fica a dever aos elementos corruptos da vida social. É a explicação dos mitos bíblicos. Adão e Eva foram corrompidos pela serpente – o símbolo do conhecimento. E até alguns filósofos – como Rousseau – defendem a existência do “bom selvagem”. É certo que a vida social pressupõe a realização de esforços próprios por parte de cada um. São legítimos e enobrecedores. Mas tais esforços devem ser convergentes e não antagónicos. O que se passa é que o mundo, embora nos pareça grande, é suficientemente pequeno para inter-relacionar todos os nossos interesses. Convém, pois, harmonizá-los, em vez de pô-los em conflito. Os produtores precisam dos consumidores; os trabalhadores manuais precisam dos trabalhadores intelectuais. Os homens grosseiros beneficiam com a delicadeza das almas sensíveis. Os ociosos lucram com o esforço e o exemplo dos homens activos, e por aí adiante. Sendo hoje altamente gregária, a humanidade vê a sua equação de sobrevivência posta também em termos da compreensão de que a vida social só pode existir com base na cooperação e na solidariedade. A partir de certos limites, a luta tem como consequência a impossibilidade de se desenvolver um trabalho fecundo e contínuo, atiçando ódios e suprimindo garantias necessárias a qualquer actividade eficaz e produtiva. A fraqueza e insuficiência de cada indivíduo devem ser fortalecidas pela fraqueza e insuficiência dos seus semelhantes. Todos precisamos uns dos outros. E com as nações dá-se o mesmo que com os indivíduos membros da sociedade. Alguma coisa deve ser cedida para garantir o todo. Neste ponto de vista, ganhamos pelo que damos. Procurar justificar logicamente toda a ordem de desgraças que os homens têm derramado sobre si próprios na ânsia de atingir os falsos êxitos tem sido uma constante no processo que antecede o acender dos conflitos e o posterior varrer das cinzas resultantes do fogo da violência. Poderá ir-se iludindo o assunto com a procura das causas em factos importantes e espectaculares, em vez de os identificar naqueles actos individuais “infinitamente pequenos”, que o simples exame retrospectivo, ou “exame de consciência”, ajuda a dominar e a disciplinar. Uma sociedade onde esta reflexão não esteja enraizada nos hábitos pessoais não pode ter condições de desenvolvimento. E, portanto, não elabora mundivisões originais e adequadas à experiência do dia-a-dia e do progresso sofrendo assim uma carência que nada pode colmatar. Essa sociedade fica entregue à confusão, correndo o risco de não identificar o essencial e de sacrificá-lo ao acidental. E quando o essencial e o acidental se encontrem confundidos, a anarquia de valores e ideias torna-se inevitável, depressa surgindo equívocos e fracassos que parasitariamente minam o edifício social. É no seio dos mecanismos de intervenção destas sociedades em que vivemos que a filosofia rosacruz desempenha o seu papel. A sua missão decisiva, neste campo, é a de ajudar a compreender que o ser humano é um universo em miniatura e que tem dentro de si as mais estranhas forças, às vezes difíceis de interpretar. E, também, ajudar a conhecê-las dentro do possível, e também dentro do possível dominá-las, para que o ser humano não se torne num motivo de crítica e numa fonte viva de desordem. F. M. C.

A Relíquia.

Eça de Queiroz viveu em Coimbra de 1861 a 1866, em tempos de "grande tumulto mental", com a chegada por caminho de ferro, trazendo da França e da Alemanha "torrentes de coisas novas, ideias, sistemas, estéticas, formas, sentimentos, interesse humanitários..." Lia-se de tudo, de Hegel a Hugo, tornado profeta e justiceiro de reis, a outros autores que abalavam mais fortemente a arca das crenças tradicionais: Feuerbach, Renan, etc. E descobre, com assombro, a Bíblia. Em 1869 Eça visita ao Egipto, na companhia do futuro cunhado, o conde de Resende. Aí lhe é dado assistir à inauguração do canal do Suez, que mais tarde descreverá com mestria. Esta viagem permite-lhe visitar ainda a Palestina, visita esta que veio a dar como frutos O Egipto (só publicado depois da sua morte) e A Relíquia. Para compreensão integral da obra e do pensamento do autor, convém lembrar que Eça fazia parte do grupo do Cénaculo, ao qual pertenciam Antero do Quental, Guerra Junqueiro e Oliveira Martins entre outros. O Cenáculo não discutia só literatura. Propunha-se também organizar um plano de acção formação ideológica, de que resultariam as conferências do Casino. Foi Antero do Quental quem pronunciou, em 22 de Maio de 1871, o discurso de abertura das Conferências do Casino. Falou sobre O Espírito das Conferências – O Realismo como Nova Expressão de Arte. As reacções não se fizeram esperar. Os conferencistas foram logo acusados de espalhar ideias causadoras de desgraças. A sexta conferência, de Salomão Sáraga, Historiadores Críticos de Jesus, já não pode realizar-se. No Casino de Lisboa, onde se realizavam as conferências, a polícia afixou uma portaria, assinada pelo Marquês de Ávila e de Bolama, com data de 26 de Junho de 1871, proibindo a sua realização. Porém, a sensibilidade de Eça não podia deixá-lo indiferente a todas estas limitações da sua época. E depois de uma fase inicial, em que mistura o romantismo com o realismo, descoberta a Bíblia da forma singular como descreve, a evolução do espírito de Eça levou-o a escrever A Relíquia, uma crítica certos comportamentos religiosos. Em Maio de 1887 A Relíquia estava pronta para venda. Causou logo uma estranha emoção no público conhecedor do autor. Lidas só algumas páginas percebe-se de imediato que Eça irá fazer uma análise do binómio realidade/aparência, vida/morte, "a nudez forte da verdade, oculta pelo manto diáfano da fantasia", que terá como fulcro a visão onírica de Teodorico, cuja existência foi marcada por factos relevantes e também opostos: nasce quando Cristo morre "...numa tarde de sexta-feira de Paixão", e a mãe morre quando Cristo ressuscita "...ao estalarem, na manhã alegre, os foguetes da Aleluia". O centro deste romance de peregrinação e descoberta é a visão de Teodorico Raposo, o Raposão nos meios académicos. No sonho, Teodorico, recua na História, entra no Pretório onde Pilatos julga o profeta da Galileia, acompanhado pelo sábio Dr. Topsius. Vai de Jericó ao Gólgota, entra em casa de Herodes e de Gamaliel. É uma viagem à descoberta da realidade de uma Jerusalém oculta ao Teodorico mundano e venal, a incarnação da religiosidade farisaica, adulterada, simplesmente observante, que só lhe permite trazer do trajecto palestiniano a sua relíquia sensual, a verdade dos sentidos, a "camisa imunda" da luveira. A jornada de Teodorico assume o aspecto simbólico de uma viagem iniciática, que se resume na busca da verdade, da paz, na procura e descoberta de um centro espiritual, ainda motivado por hábitos familiares onde o autor vê espelhada a superficialidade religiosa da sociedade lisboeta. Jerusalém, o centro espiritual da cristandade, revela-se uma desilusão – pior que Braga! – porque, na realidade, as iniciáticas capazes de promover o enriquecimento autêntico e o genuíno crescimento espiritual, são as que se realizam no interior do próprio ser. A viagem que é uma fuga de si mesmo nunca terá êxito. Mas as viagens são também formas de preparação para a iniciação, pela reflexão que proporcionam. Esta marcha para o centro de si mesmo, que se exprime na procura da terra prometida e pela peregrinação, é a que vemos, por exemplo, nas viagens de Eneias, de Ulisses, de Dante, etc. A literatura universal dá-nos outros exemplos diversos de viagens que, sem terem o alcance dos símbolos universais e tradicionais, são significativos em diferentes graus, mesmo que sejam apenas satíricos e moralizantes, como o Pantagruel, de Rabelais, ou As Viagens de Guliver, de Swift. N’A Relíquia, Eça faz a distinção entre verdades de razão e verdades de facto, sejam elas do ponto de vista da ciência ou da religião. Nela está implícita a pergunta "Que significa ser verdade"? É que é próprio das religiões tomarem como verdadeiro o objecto ou conteúdo das suas crenças, com base em juízos evidentes. E se há uma razão para acreditarmos nos juízos que apresentam as suas verdades, não haverá razão suficiente para aceitarmos a sua validade, nem um fundamento suficiente para a sua validade objectiva. A leveza da obra tem, pois, o condão de nos fazer reflectir sobre a ilusão e a realidade, lembrando que o "mundo real" é independente dos sentidos. A "aparência da realidade" é que depende deles. A leitura de A Relíquia permite desmistificar não só a Religião mas também a Ciência, ao abalar, por assim dizer, a estabilidade das convicções determinadas por decreto. Os romances de Eça foram instrumentos de actuação num vasto movimento de reforma da sociedade portuguesa da época, começando por renovar as consciências. Animado pelos desígnios anterianos de reforma e revolução, Eça de Queiroz encontra-se, na última fase da sua vida literária, com Tolstoi e Francisco de Assis, como se vê na Vida de S. Onofre, onde descreve as diversas fases de uma experiência mística, mostrando como aspira a uma revolução religiosa da humanidade, como solução para a totalidade dos problemas humanos. Eça de Queiroz foi um exemplo de probidade intelectual e honestidade de processos e de esforço de análise, na linha de criação de Geral Messadié, o conhecido autor de quem Eça foi, pode-se dizer, o precursor em Portugal. Possuidor de raros dotes de observação e ironia, de estilo original e colorido, conquistou um lugar na galeria dos grandes escritores da sua época (1845-1900). Casimiro Ferreira de Brito

sábado, 8 de junho de 2013

O Tempo das Provas.

As sombras que pairam no mundo visível ou invisível são desconhecidas da maioria das pessoas que habitam o plano físico, mas podem desencadear crises individuais e colectivas. Dito de uma outra forma, entidades doutros planos que não o físico podem estar no epicentro das nossas crises. Essas forças exercidas sobre nós, muitas vezes, atribuímo-las aos outros, desde a elementos da nossa família, a colegas de trabalho, ao contexto social, ao local onde habitamos, entre outros. Estes seres provêm, essencialmente, do Mundo do Desejo e dos seus respectivos planos. Tendo em conta que o ser não é composto apenas por matéria física, mas também é formado por substâncias de outros mundos, nomeadamente, do Mundo Mental e do Mundo do Desejo, estamos sempre em contacto com esses planos invisíveis e movemo-nos inconscientemente neles. Actuando neles, atraímos, desta forma, entidades que neles habitam e que estão em consonância com o nosso nível evolutivo e em sintonia com a nossa vibração base. Esta influência estabelece-se, normalmente, pelas vias mental e emocional embora relativamente a esta última tal influência seja mais fácil e eficaz, através do estímulo do corpo de desejos. Os nossos diversos estados de espírito atraem, por afinidade energética, vibratória e consequente nível evolutivo, em momentos igualmente diversos, diferentes tipos de entidades, por isso, devemos controlar e trabalhar sobre as nossas flutuações de humor e tentar mantermo-nos calmos e estáveis. Também estamos mais sujeitos a essas influências nefastas em alguns momentos do que noutros, pois essas forças manifestam-se tendencialmente nos nossos tempos mais frágeis, quando estamos mais debilitados fisicamente e psiquicamente, doentes ou em fase de provação das nossas aprendizagens. É importante notar, ainda, que essas forças incidem sobre as fraquezas e debilidades que trazemos para evoluir. Verificámos, deste modo, que as entidades que atraímos são sempre em função do nosso nível vibratório. Deste modo, quando temos pensamentos negativos, adaptamos práticas prejudiciais aos diversos corpos ou escolhemos circular em determinados meios de vibração baixa, estamos a enfraquecer a nossa vibração e, consequentemente, atraímos entidades que estão em sintonia com ela. Por vezes, a libertação desses estados não pode ser realizado individualmente, mas requer ajuda especializada. Dificilmente, no nosso estado actual evolutivo, estamos completamente imunes a essas influências sombrias, mas podemos libertar-nos e construir uma “armadura espiritual”, através da purificação e fortalecimento dos nossos corpos. Isso poderá ser feito através de uma alimentação correcta, exercício físico, persistência em hábitos saudáveis (corpo físico e vital), escolha de pensamentos positivos (corpo mental), praticando boas acções, orando e meditando (corpo emocional). A reformulação de práticas e processos deve ter um carácter construtivo e não punitivo. É requerido um trabalho de introspecção constante, de atenção e de silêncio interior. Também notamos a “olho nu” essa influência quando nos sentimos fatigados ao pé de alguém, com dor de cabeça ou entristecidos. Há seres mais sensíveis às influências alheias do que outros. O mesmo pode ser estendido aos ambientes que nos circundam. Apesar deste breve artigo ter incidido sobre as influências nefastas nas nossas vidas de entidades do mundo supra-físico, também somos influenciados por via mental, positivamente, por entidades bondosas. Tanto num caso como noutro, notamos que nós atraímos seres em função do nosso nível evolutivo e não acima dele; isto de um modo geral e corrente, porém, nem sempre é assim. Note-se que o auxílio espiritual implica a aproximação de entidades de nível superior, ainda que não invocado por nós conscientemente. Também a oração tende, regra geral, a atrair seres de estatura, pelo menos moral, superior à do orante. Sabendo isto, estaremos libertos da ignorância, não tomando estas entidades por aquilo que elas não são. Também existe uma ideia inexacta, por vezes, fantasiosa, acerca dos nossos guias pessoais (não nos referimos aqui aos “guias” da Humanidade, mencionados por Max Heindel). São seres que habitam no plano invisível, mas estes pertencem ao nosso nível evolutivo e não acima dele, pelo que também eles podem induzir-nos em erro, uma vez que o seu conhecimento é tão limitado quanto o nosso. Também é necessário ainda referir que nem todos os seres que se encontram no plano invisível, mesmo ao nosso nível, são prejudiciais. Afinal de contas, Max Heindel afirma “que também os mortos nos ajudam a viver”, como diz o Conceito. Este assunto é igualmente abordado na carta ao estudante número 63, intitulada Mestres Espirituais, os Autênticos e os Falsos. Por vezes, por desconhecimento, no dia-a-dia, ao acender velas, incensos e outros procedimentos semelhantes atraímos entidades que nos prejudicam. Estes produtos, devido à sua composição e características, atraem entidades que carecem de luz; pertencem normalmente ao plano inferior do Mundo do Desejo. Também a recitação repetitiva de determinados textos ou frases mais curtas pode afectar-nos, caso sejam diferentes do nosso nível vibratório. Persistindo em certas práticas nefastas, atraem-se entidades dos planos suprafísicos que se fazem passar por guias, santos e afins, afectando negativamente os corpos, a própria saúde e a evolução dos implicados. Vive-se actualmente num contexto de desespero e de descrença propício à divulgação de conhecimentos distorcidos e à proliferação de falsos mestres, de rituais folclóricos, entre outros. Cegos uns, no plano físico, interagindo com outros cegos, no suprafísico, acabarão por voltar sempre mais enfraquecidos aos mesmos caminhos, por vezes, com danos irreversíveis na saúde, no caso do plano físico, com as expectativas goradas, representando um atraso evolutivo para todas as entidades envolvidas. Não pensemos que as próprias instituições religiosas ou filosóficas estão imunes a estas influências. Se os seus membros adoptarem práticas contrárias ao nível vibratório em que essas instituições vibram, darão espaço a crises sérias pela falta de sintonia que geram. Não foi em vão que Max Heindel nos alertou para a importância e necessidade de disciplina nas instituições. De tempos a tempos, também elas sofrem provações, circulando no seu seio ou querendo entrar nele seres ignorantes, ávidos de protagonismo, que põem à prova as capacidades e conhecimentos dos seus membros. Embora sabendo que a ignorância tem o seu tempo determinado, o facto é que podem prejudicar a evolução dos seus membros e o trabalho social das instituições2. Os menos fortalecidos no plano espiritual e mais carentes de conhecimento deixar-se-ão iludir. Esta atitude fortalecerá, a longo prazo, a instituição porque afastará dela aqueles que não vibram na mesma sintonia ou ainda que vibrem, falta-lhes aperfeiçoar o discernimento e fortalecer a vontade, por isso, são elementos que, isoladamente, não prejudicam mas também não ajudam a fortalecer a égregora da instituição. Tal como os indivíduos, também as instituições necessitam de se limpar e purificar, a fim de se fortalecerem e continuarem a passar às gerações vindouras sabedoria espiritual sólida.Maria Coriel.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A Provação do Peregrino

Todos vivemos várias provações ao longo da nossa existência terrena, períodos mais ou menos longos, em que somos assolados por diversas experiências bastante dolorosas; podemos citar a título de exemplo a perda de um ente querido, a falência de uma empresa, uma separação conjugal, algo intenso que provoca no indivíduo tristeza, instabilidade, insegurança, incerteza, lançando o ser numa crise profunda que atinge todas as áreas do seu ser, incluindo o seu lado espiritual. Os estudantes das várias correntes espirituais sabem que nada funciona por acaso e que tudo o que nos é dado viver tem um sentido oculto. Vários são os caminhos tomados face a estes períodos. Surge na maioria uma desorientação que, progressivamente, origina uma desconexão com o seu lado espiritual, até se perderem no nevoeiro e tempestades da vida. Podem deambular durante uma vida, desperdiçando oportunidades evolutivas, desmotivados, descrentes, longe do Sentido que inicialmente buscavam. Alguns costumam ficar obcecados com o passado longínquo e detêm-se em procurar ligações cármicas, buscando o fio antigo de sentidos; normalmente, tal é a obstinação por este trilho que rapidamente se perdem em mistificações ou deambulam em teias de fértil imaginação; outros refugiam-se numa atitude triste e submissa, aceitando o pesado destino com resignação. Entre o nevoeiro e a luz outros há que, após fases sucessivas de quedas e de recomeços, vão perdendo e reencontrando o caminho que procuravam, num balanço entre o afastamento e o retorno. Poucos são os que nunca perdem de vista o farol interior que os ilumina, ainda que se percam nos caminhos e atalhos da vida. Para todos a provação pode ser vista sob várias faces ou todas numa só: — funciona como uma prova às capacidades do peregrino, no fundo, um teste a aprendizagens anteriores; — necessidade de mudar de rumo, fazer novas escolhas difíceis, porém adequadas ao novo momento evolutivo; — necessidade de redefinir os sonhos, os objectivos de vida; novas aprendizagens estão na forja. Todos sentem que nesses momentos há determinadas aprendizagens – vontade, discernimento, pensamento positivo – que se afinam ou comportamentos que se adoptam, a disciplina, por exemplo; sentem também que há capacidades novas que emergem. Todas estas capacidades e atitudes podem tornar-se as nossas âncoras, mas só uma se afigura na provação como o nosso refúgio e salvação: a oração, esse fio de luz que nos liga à nossa Casa, nos devolve aos braços do Criador num breve alento para novas batalhas. Qualquer situação, por mais distorcida que se afigure, não tem mais força do que o poder de uma oração sincera e a nossa persistência nesse acto ajudará a ultrapassar qualquer provação, visível ou invisível, a seu tempo. Maria Coriel.