contos sol e lua
terça-feira, 11 de junho de 2019
A Amizade.
Que a Paz seja convosco e a Paz seja entre todos nós!
Sentimos a alegria de podermos estar entre todos vós. Que sempre seja “alegria” a palavra que nos leva mais perto de DEUS e, assim sendo, a essa harmonia infinita que tudo envolve e nos sustenta a todos.
Amigos, há algo maravilhoso que todos nós humanos devemos praticar, para seguir, sempre, justificando a verdade que é luz. Tudo isto tem sentido: é o sentido da amizade. Hoje, nossas palavras serão sobre a amizade.
A amizade é algo profundo em nós e é a maior palavra que nos deu Cristo quando nos diferenciou como “Seus amigos”. Ele disse: “O servo nunca sabe o que o amo faz, mas seus amigos sabem o que ele faz”. Assim, hoje trataremos de compreender o sentido da amizade.
Todos nós, que compreendemos e aceitamos o renascimento como finalidade para que o Espírito em evolução conquiste seu patrimônio verdadeiro e absoluto, encontramos nesta manifestação de amizade um desprendimento de nós mesmos, que deve ser o maior sentimento que podemos ter para com a humanidade.
Cristo nos chamou de “Seus amigos” e, com isso, Ele nos mostrou saber ser Amigo de toda a humanidade. Saber ser amigo não somente daqueles que nos agradam, não somente daqueles que nos fazem o bem, não somente daqueles que algum interesse representam para nós, mas ser amigos em um sentido o mais amplo possível, levando a um desprendimento compatível com a divindade que mora em nosso interior. Ser amigos! Ter amizade! É algo profundo e inesgotável o que existe nesta amizade! E, no cristianismo, por havê-lo compreendido, colocamo-lo em prática e assim ele nos une a todas as criaturas. Se Cristo nos deu este exemplo com um sentimento tão profundo de amizade, é por que este é o grande elo que deve haver entre todos nós.
Nós que compreendemos o renascimento, sejamos estudantes Rosacruzes ou de qualquer outra escola de corrente espiritual, deveríamos ter uma amizade profunda entre todos nós. Deveríamos amar-nos e sentir-nos profundamente uns aos outros no esforço de levar adiante o ensinamento que Cristo, com Sua grande amizade, nos deixou: o renascimento. Não deveria haver jamais entre nós, os que aceitamos a Lei do Renascimento, forças contrárias ou confrontações, porque estas enfraquecem e diminuem as forças do cristianismo.
Como poderíamos dizer que alguém é cristão se nega a sua amizade a outro cristão? Como se pode ser amoroso, se não se sabe ser amigo? O sentido da amizade é algo tão profundo como a luz infinita. Entre aqueles que viveram uma verdadeira amizade, nada houve que os pudesse separar, nem houve mal-entendidos que os pudessem aborrecer. Onde há amizade, Amor. A amizade perdura através dos tempos, a amizade se sobrepõe aos pequenos obstáculos na escola de aprendizagem do espírito. A inimizade vem sempre da incompreensão. A incompreensão é sempre um produto daquele que se sustenta por ela mesma, e que não alcançou o verdadeiro sentido da evolução.
Por isso, havendo em nós juízos, é muito necessário compreender que cada criatura está colocada na situação que lhe corresponde. Cada um executa aquilo que ressoa no instrumento de sua alma no sentido espiritual. Todos podemo-nos unir e trabalhar, trabalhando cada um de acordo a seus instrumentos anímicos. Não seria uma grande orquestra se cada um dos indivíduos se especializasse em determinado instrumento? Assim, somos nós espiritualistas que aceitamos a Lei do Renascimento, espiritualistas que compreendemos que estamos na escola da vida, colocados para aprender, cada um, sua devida lição.
Assim como toda a humanidade não pode freqüentar uma mesma escola, o mesmo ocorre com os Rosacruzes. Que mal entendedor seria este da magna Filosofia Rosacruz se dissesse que não está unido com outros Rosacruzes! Pois assim como em cada cidade há diversas escolas segundo as pessoas que compõem esta cidade, assim também somos os que seguimos as correntes Rosacruzes: são escolas de ensino superior. São escolas onde o espírito compreende e sente a profundeza da vida. Busca, como busca o bom estudante, a união entre todos em um alto sentido de amizade. Como seria possível que uma faculdade depusesse contra a outra? Se uma depõe contra a outra, é porque há falta de verdade, é porque não desenvolveu o primeiro sentido da amizade. Todos os Rosacruzes, sejam de Max Heindel, sejam de qualquer outra fraternidade, sejam estudantes ou adeptos, segundo a situação de cada um, são, no sentido verdadeiro, o que mostram através de sua compreensão e suas obras, por força do estágio evolutivo que ocupam dentro do Conhecimento Rosacruz.
O Conhecimento Rosacruz não é somente uma ideologia a mais para a humanidade. Ele é a própria manifestação da evolução humana e, assim sendo, serve para todos. Todos podem estar nele e ele estar, em diversos graus, entre todos. Por isso, na amizade daqueles que entenderam o princípio do renascimento e a evolução humana, haverá sempre o mais profundo e benéfico sentido dessa amizade. Se há amizade, há um verdadeiro reverberar de Amor. Por isso, Cristo nos ensina que não serão as palavras nem as ideologias que salvarão a humanidade, senão o sentido próprio da unidade com tudo, através da manifestação do Amor. E como poderá haver Amor se não há amizade? Comecemos por sentir esta profunda amizade para com todos e ela se transformará no Amor que vai redimir a humanidade.
Que a Paz seja convosco e a Paz seja entre todos nós!
- Palestra radiofônica feita ao microfone da Rádio Copacabana, no Programa "A Voz Rosacruz", 29/09/1959
Auto-conhecimento e Espiritualidade.
Meu Irmão...
... nunca pensaste na hora em que possas conhecer-te a ti mesmo?
Queres iniciar, hoje, a fazer reais esforços para alcançar essa inefável virtude? Ela é tão preciosa para o espírito, que Goethe, um iluminado ser, dizia:
"Quando o homem se conheça a si mesmo, libertar-se-á das cadeias que o prendem a este mundo".
Bem...se queres começar agora mesmo, acalma, primeiro, o tumulto de tuas vozes internas. Senta-te comodamente. Respira com sossego e naturalidade. Fecha os olhos.
Depois pergunta-te: "Quem sou eu, em realidade?" Pensa lentamente, mas com determinação. Procura conhecer-te em todas tuas facetas. Esquadrinha profundamente teu mundo mental, definindo-o com leal exatidão.
Pergunta-te honestamente: "Qual é meu objetivo sobre a Terra?" Se chegas a responder-te, de acordo aos conhecimentos que possuis, de um modo consciente e claro, tuas possibilidades de progresso são imensamente melhores
O objetivo do ser humano na Terra caminha paralelamente a seu grau de inteligência. Quando se chega a um grau de consciente responsabilidade, delineando ampla e precisamente os propósitos espirituais que se tem, passa-se a estar na proporção de cinqüenta por cento no caminho verdadeiro.
De nada valem todas as filosofias sobre a vida, se a humanidade não se define a si mesma. Uma pessoa pode passar estudando as coisas do espírito vinte, trinta anos, uma existência enfim, e não obter mais que uma erudição intelectual.
Portanto, amigo, sê teu próprio juiz, com o máximo rigor, com a maior severidade, efetuando a necessária devassa em tua vida interna.
Averigua, em teu íntimo, o que procuras no caminho espiritual: conhecer-te ou ignorar-te? Acaso, será que queres passar a existência filosofando inutilmente, sem tentar a reforma interna, sem divisar com clareza tuas reais ânsias e aspirações?
Ou desejas, pelo contrário, constatar tuas imperfeições, conhecer tuas falhas e debilidades, a fim de transmutar tuas fraquezas, conscientemente, e empreender uma nova etapa em tua vida, para viver o que estudas e compreendes, procurando elevar-te na conquista da evolução celeste, e ser, desde este momento, por primeira vez em tua aprendizagem na Terra, espiritualmente sincero e leal com teu próprio Ser espiritual?
Se te respondes positiva e convictamente, e procedes em teu íntimo em harmonia com as respostas que te deres, então deixarás de representar uma simples folha levada à vontade do vento, para passar a governar sabiamente o timão de tua presente vida, de teu destino, de tua finalidade divina!
- Irene Gómez de Ruggiero
sábado, 9 de março de 2019
NOÉ E SUA ADMIRÁVEL ARCA.
Todas as passagens da Bíblia têm muitas interpretações, pois ela foi escrita como a chave de todas as coisas e não meramente como explanação de um único mistério. Por exemplo, quando estudamos a parte que fala da história de Noé e Sua Arca, estamos lidando com uma alegoria duodécupla. Muitos mistérios da Bíblia não foram ainda compreendidos pelos mais adiantados estudantes, e não o serão totalmente até que a mente humana atinja proporções cósmicas.
A Bíblia é um livro secreto e continuará secreto até que o próprio homem, pela purificação de seus corpos e o equilíbrio de sua mente, tenha fornecido à espada de seu espírito o poder de cortar o Nó Górgio e, para isso, o Irmão Leigo precisa despender anos e talvez vidas tentando desatá-lo.
A verdadeira obra oculta não é secreta; ninguém está proibido de estudar e dominar as leis da Natureza, mas, até termos nos preparado pelo serviço e pelo altruísmo, seremos incapazes de compreender a grandeza, a pureza e a justiça do Plano Universal.
A Bíblia é um livro secreto pela mesma razão que o estudante nada pode ver além do mundo físico ou nos livros sagrados até que tenha desenvolvido olhos internos para ver e apreciar as realidades ocultas.Ingersoll foi perfeitamente correto quando disse: "Um Deus honrado é a mais nobre obra do homem", pois, enquanto Deus for imutável segundo o conceito que d'Ele fazemos, Ele será para nós limitado pelos nossos próprios ideais, e os mistérios em Seus livros sagrados estarão velados aos olhos daquele que só vê com a visão física.
Retornemos ao livro do Gênesis, que contém a história da Arca e o Dilúvio, e leiamos os capítulos sexto, sétimo, oitavo e nono. Alguns pontos ficarão mais claros se o estudante ler esses capítulos antes de continuar a leitura deste artigo.
Primeiro consideremos o Dilúvio. Em todas as religiões do mundo encontramos referência a ele e todas concordam com a época aproximada em que ele ocorreu. O estudante de religiões comparadas certamente irá se lembrar da grande inundação que submetgiu o que restava do continente Atlante cerca de nove mil anos antes de Cristo. Todas as inundações anteriores cobriram apenas uma parte da terra, e o pesquisador é forçado a procurar em outro lugar pela Grande Inundação ou Olvido de que se fala na Bíblia. Encontramos que a antiga palavra usada para inundação não significa necessariamente água, mas sim olvido ou esquecimento.
Uma das grandes leis da Natureza é a da peridiocidade, em outras palavras, a lei de ação e repouso. Sabemos ser necessário ao homem dormir todas as noites para se refazer de seus grandes gastos de energia durante o dia. Sabemos que cada doação tem que ser balanceada por um recebimento. É o mesmo com o universo como é com o homem. Chega a ocasião em que o mundo precisa descansar após cada grande dia de manifestação. A isso se chama a Noite dos Deuses. Nessa oportunidade, todos os planetas e sóis retornam ao todo universal. Podemos observar esse processo acontecendo nas grandes nebulosas no céu. É então que Deus, o Criador, cessa de manifestar-se por um período de tempo antes de tornar a enviar globos nos quais deve se processar o desenvolvimento do homem. É quando Noé, representando o Deus de nosso Sistema Solar, e seus três filhos, representam a tríplice trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, flutuam sobre o Olvido, carregando com eles todos os embriões de todas as coisas criadas que foram recolhidas para o Infinito.
Quando os mundos são manifestos novamente, esses seres são levados para os globos com cujas vibrações estejam afinados. O processo é o mesmo que é usado para o Ego, que contém em si todos os átomos sementes dos corpos inferiores. O Ego e a substância espiritual que o reveste constituem a Arca; os três filhos de Noé são os átomos sementes dos corpos inferiores e as esposas são os pólos negativos desses átomos. Noé é a mente. A Arca com os átomos sementes flutua na matéria mental antes da descida novamente dos átomos na matéria por meio do renascimento. Nas histórias maçônicas, acha-se mencionado um cabo reboque que liga a Arca com a terra. Isto o estudante conhece como sendo o cordão prateado que liga o espírito ao corpo.
Sabemos que o espírito não pode morrer. Os animais que são guiados para dentro da Arca representam a vida de todos os reinos que foi retirada para dentro de Deus e lá permanece até que planos de consciência sejam desenvolvidos para que a vida neles se manifeste.
Então, a história da Arca é a história do Ego construindo os corpos que, quando completados, vão dar a ele consciência em todos os planos da Natureza. Os três filhos de Noé, como já foi dito, são os três corpos inferiores. Para que o homem funcione em qualquer plano da natureza, ele precisa ter um corpo sintonizado com aquele plano. A perda de consciência significa que o veículo que sintoniza o espírito com aquele plano foi retirado. Desde que os três corpos inferiores tenham sido construídos, o Ego sempre tem um veículo de expressão e nunca perde consciência em nenhum plano da natureza.
Os animais da Arca representam assim os vários poderes do homem que são levados com ele vida após vida, na arca viva do próprio ser. A única janela na Arca representa o olho espiritual através do qual o homem superior contempla os corpos abaixo dele.
Quando o mundo ( os corpos ) novamente entra no ser, a Arca vai repousar no topo do Monte Ararat. Isto é a cabeça do homem ou o lugar alto no corpo. Lá, no seio frontal, o Ego se assenta e as forças dele, descendo outra vez, habitam o corpo.
Quando a pomba, o mensageiro, traz o raminho de acácia de volta para o homem superior, então ele sabe que os corpos inferiores retornariam à vida, e que será possível descer da Arca e com eles trabalhar. Isto mostra que os altos ideais e as forças animais transmutadas podem novamente ir a todos os lugares da Terra e prosseguir com seu trabalho.
A primeira coisa que Noé fez quando saiu da Arca foi construir um altar para o Senhor e, sobre esse altar ele construiu uma fogueira, e sobre esse altar ele fez sacrifícios a Deus. Cada um de nós que seguir seus passos terá de fazer o mesmo. O altar que ele construiu para Deus foi seu próprio corpo purificado e, diante Dele, ele e todos os seus filhos fizeram reverência. O fogo sobre o altar foi o fogo espiritual interno aceso por Noé por meio de seus atos e pensamentos. O sacrifício por ele feito sobre o altar foi o das paixões e emoções inferiores de sua vida.
Então, o arco-íris apareceu no céu e a promessa foi feita pelo Todo poderoso a Noé que, por todo o tempo que o arco lá permanecesse, jamais haveria outra inundação. Essa é uma alegoria admirável, especialmente quando nos lembramos que o arco-íris é feito das três cores primárias: o azul do espírito, o amarelo da mente e o vermelho do corpo. Estas são as cores da tríplice trindade do homem: o pai, o Filho e o Espírito Santo.
Assim que estes três princípios estejam equilibrados no homem, formando em suas combinações todas as demais cores, nunca mais haverá outro Olvido. Enquanto o coração, a mente e o corpo estão unidos, tudo vai bem. Mas, se apenas uma dessas cores desaparecer, a escuridão envolverá o Ego em cujo templo foi cometido o erro. O tríplice caminho que leva a Deus é entretanto apenas um. Se nós amamos com todo nosso sere permitimos que a nossa mente e o nosso corpo sigam sem uso, estamos tirando o nosso arco-íris do céu. Se sabemos todas as coisas e não temos amor, nada conquistamos. Se temos conhecimento e amor, mas nos descuidamos das ações de nossas mãos e corpos no trabalho diário, nada conquistamos.
Nesse arco-íris, vemos o tríplice cordão prateado que, quando se parte, o corpo está morto. A morte é o resultado da cristalização, quando o corpo torna-se por demais pesado para ser carregado pelo espírito . Então ele é descartado e um outro é adquirido. É o mesmo com os pensamentos e emoções. Eles podem ser elevados e etéreos, embora sempre práticos. Se eles não o são, o arco-íris se quebra e o olvido, provocado pela discórdia e as incertezas, envolve o Ego e torna o caminho da vida muito mais difícil do que deveria ser.
A Analogia é a chave que abre muitos segredos. Nos mundos e nos indivíduos, a Natureza age da mesma maneira. Assim como é com os menores, assim é com os maiores. Se desejamos ser aqueles que se elevam acima das inundações do olvido e desejamos flutuar sobre o caos na Arca de nossas próprias almas, será necessário para nós construirmos esta arca como a natureza constrói a grande Arca Cósmica, isto é, pela elevação da consciência e o aperfeiçoamento dos sempre mais elevados veículos de expressão. Isto é feito vivendo-se diariamente a vida de serviço , reflexão e amor, cada um destes na mesma medida e, sempre, com o único ideal de manter aceso o fogo do altar de Deus.
- Manly Palmer Hall..
- Traduzido da revista "Rays from the Rose Cross", edição de maio-junho de 1988,traduzido pela Irmã Probacionista Laís da Gama Rosa Costa.
O MUNDO DO PENSAMENTO.......
INTRODUÇÃO......
O Mundo do Pensamento, à semelhança do Mundo Físico, está dividido em duas partes, a Região do Pensamento Concreto e a Região do Pensamento Abstrato. A Região do Pensamento Concreto está subdividida em quatro outras regiões e a do pensamento Abstrato em três. Dito de forma resumida, a Região do Pensamento Concreto proporciona a matéria mental em que são envolvidas as idéias geradas na Região do Pensamento Abstrato. A Região do Pensamento Abstrato é o mundo das Idéias Abstratas ou Idéias Germinais, de onde procedem todas as formas materiais, não só as físicas, como as que têm vida e emoções. A Região do Pensamento Abstrato ou Terceiro Céu é o que Max Heindel denomina de “Caos”, no CONCEITO, quando trata dos globos obscuros que são nossa morada durante as Noites Cósmicas entre Períodos e Revoluções. O Terceiro Céu é o mais denso desses globos obscuros.
A Região do Pensamento Abstrato é o plano onde se encontra o Ego, ou seja, o Espírito Virginal envolvido em sua triplicidade espiritual. Não chega a ser o lar do Ego, porque o Ego tem pouca consciência nessa região e nela permanece por pouco tempo, antes de empreender sua descida para o renascimento. Entretanto, é nessa sutil substância que, como Egos, funcionamos, substância essa que, como nos diz o CONCEITO, “especializamos dentro da periferia de nossa aura individual”. Em vigília, conforme já comentamos em uma palestra anterior, é dessa região que examinamos as impressões produzidas pelo mundo exterior sobre o corpo vital através dos sentidos, bem como as emoções geradas por essas impressões em nosso corpo de desejos e isso tudo refletido pela mente. As conclusões tiradas pelo Ego são as idéias geradas na Região do Pensamento Abstrato. Pelo poder da Vontade, essas idéias são projetadas através da mente e estas, revestindo-se de matéria mental da região do Pensamento Concreto, criam as formas de pensamento. Em palestra anterior, já mostramos como essas formas de pensamento levam à ação, envolvendo o corpo de desejos.
Uma visão esquemática das sete regiões do Mundo do Pensamento pode ser obtida a partir do diagrama 2 do CONCEITO. A região mais densa, a Região Continental, contém os arquétipos das formas físicas de qualquer reino, formadas a partir das idéias germinais concebidas na sétima região do Mundo do Pensamento, que contém as idéias germinais da forma mineral, vegetal, animal e humana. De forma análoga, a segunda região, a Oceânica, contém os arquétipos da vida universal, formadas a partir das idéias germinais concebidas na sexta região, que contém as idéias germinais da vida vegetal, animal e humana. Finalmente, a terceira região, a Região Aérea, contém os arquétipos das emoções e desejos, formados a partir das idéias germinais concebidas na quinta região, que contém as idéias germinais das emoções animais e humanas. A mente, ou o elo mental, pertence especificamente à quarta região do Mundo do Pensamento, a Região das Forças Arquetípicas, sendo o ponto focal do reflexo dos mundos espirituais sobre os mundos materiais. A mente é uma das forças arquetípicas que trabalham nessa quarta região. A Região das Forças Arquetípicas é o plano através do qual funcionam as Hierarquias Criadoras, incluindo a própria humanidade. Essas Hierarquias, em número de doze, estão correlacionadas às doze constelações do Zodíaco, conforme está indicado nos diagramas 9 e 14 do CONCEITO, o que iremos analisar em palestra vindoura. As Forças Arquetípicas criam os arquétipos para as regiões inferiores, porque todas as coisas que existem no universo são formas de pensamento cristalizadas.
É na quinta região do Mundo do Pensamento que se encontra o Ego humano. Como já dissemos, o Ego não está plenamente consciente na região em que habita, mas, na presente Época de desenvolvimento, a Época Ária, o Espírito Humano está em desenvolvimento adicional, por ser a Época Ária a quinta época de desenvolvimento da Quarta Revolução do Período Terrestre. Em todo o quinto estágio de desenvolvimento de nosso processo evolutivo, há atividades relacionadas ao desenvolvimento do Espírito Humano, assim como em cada primeiro estágio há atividades relacionadas ao corpo denso, o segundo ao corpo vital, o terceiro ao corpo de desejos e o quarto á mente. O sexto e o sétimo estágio estão relacionados ao Espírito de Vida e ao Espírito Divino, respectivamente.
O SEGUNDO CÉU.
O Ego Humano no Segundo Céu.
Depois de passar sua existência post-mortem no Primeiro Céu, o Ego Humano penetra no Segundo Céu, ou seja, na Região do Pensamento Concreto. Está envolto apenas no corpo mental da vida anterior e os três átomos semente dos outros veículos abandonados. Ao abandonar o corpo de desejos, o Ego está consciente, mas tudo parece desvanecer-se. Ele passa por uma grande paz, nenhuma de suas faculdades está viva, mas ele tem consciência de sua existência. O CONCEITO nos diz que a ciência oculta chama esse estado de o Grande Silêncio. Está em seu lar, onde irá residir por séculos e, ao despertar, ouve a música das esferas, pois essa região é a região do som, como o Mundo de Desejos é o mundo da cor.
Há um grande trabalho a ser realizado no Segundo Céu. Ali são assimilados os frutos da última vida dos Egos na Terra e preparado o ambiente para uma nova existência. Os frutos do passado devem ser trabalhados e expandidos para o próximo campo de atividades dos Egos que irão compartilhar esse ambiente. Assim, os habitantes do mundo celeste trabalham sobre os modelos da Terra que se encontram na Região do Pensamento Concreto. Alteram a forma física da Terra e promovem as mudanças graduais de seu aspecto. Assim é formado o ambiente em que novas experiências poderão ser obtidas, adequado às necessidades evolutivas de todos os que irão ali renascer. O mundo é, portanto, exatamente aquilo que nós próprios, individual e coletivamente, preparamos.
O trabalho dos seres humanos no Segundo Céu não está restrito apenas à preparação do ambiente futuro. Também estão ativamente ocupados em construir corpos que sejam a melhor forma de expressão para os Egos. São ajudados nesse trabalho por Hierarquias Superiores. Assim, os artistas, os matemáticos, os músicos e outros profissionais são ajudados, por essas Hierarquias, na construção de corpos que permitam a expressão de seus talentos e habilidades.
Assim, resumindo, o ser humano aprende a construir seus veículos no Mundo Celeste e a usá-los no Mundo Físico.
Os Senhores da Mente.
Os Senhores da Mente são a hierarquia dominante na Região do Pensamento Concreto e são correlacionados à constelação de Sagitário. Eles foram a humanidade do obscuro Período de Saturno, quando nosso Sistema Solar existia na Região do Pensamento Concreto como um globo de matéria mental, no qual estávamos incrustados, cada um com sua chispa divina individual. Os Senhores da Mente trabalharam sobre esse globo de matéria mental do mesmo modo que nós agora trabalhamos sobre os minerais atuais, estabelecendo um vinculo que continuará a existir nos Períodos vindouros. Vínculo semelhante foi estabelecido entre os Senhores da Mente e a humanidade atual, ensejando que, no Período Terrestre, essa Hierarquia, tendo alcançado seu estado criador, pudesse dar ao ser humano a mente germinal que irradiaram de seus próprios corpos. Isso ocorreu na última parte da Época Lemúrica, para os precursores e na Época Atlante, para a maioria da humanidade.
Em seu livro, “Os Mistérios Rosacruzes”, Max Heindel menciona que o Apóstolo Paulo considerava os Senhores da Mente como maus e nos exortava a resistir a eles. Max Heindel, por meio de uma metáfora, nos explica o significado dessa exortação. Na metáfora, Max Heindel associa a Hierarquia de Sagitário a construtores de órgãos, capazes de produzir a música mais sublime e a nossa humanidade aos músicos que estão habilitados a tocar esse órgão. Se os construtores dos órgãos decidem interferir no trabalho do intérprete então essa interferência deve ser resistida, por ser indevida.
Essa interferência dos Senhores da Mente chega até nós como sutis influências, que podem levar ao materialismo e ao separatismo, em função das circunstâncias que envolveram nosso processo evolutivo. Na Época Lemúrica, conforme nos diz o CONCEITO, os Senhores da Mente tomaram a seu cargo as partes superiores do corpo de desejos e da mente germinal, impregnando-as do sentimento da personalidade separada, sem a qual não poderíamos existir como seres separados, como hoje somos constituídos e como nos reconhecemos. Como a consciência dos seres humanos desceu prematuramente para o Mundo Físico, por influência dos Anjos Lucíferes, ocorreu uma aliança entre o corpo de desejos e a mente nascente, ainda em seu estágio mineral. A conseqüência foi que a humanidade mergulhou mais que se havia previsto na materialidade. Essa foi a origem da “falsa Luz” e do “falso Ego”, que tanto contribuíram para os problemas da humanidade e que tornaram necessário um processo de regeneração para o qual Cristo, a verdadeira Luz, estabeleceu as bases, com o seu Sacrifício. Os Senhores de Mercúrio foram chamados para ajudar nesse processo antes do que se havia planejado e se encarregaram da mente inferior ou concreta, estabelecendo os nove Mistérios Menores, para que o intelecto pudesse ser liberado do domínio do corpo de desejos e converter-se em instrumento do Espírito.
O processo de liberação da mente é tratado em uma das parábolas de Cristo, descrita no Evangelho de João, Cap. 8. Os escribas e fariseus trouxeram à presença de Cristo uma mulher surpreendida em adultério dizendo que, segundo a lei de Moisés, ela deveria ser apedrejada. Esse incidente é suposto ter ocorrido no Templo, ou seja, em nosso corpo. Os escribas e fariseus representam estágios da mente e a mulher o coração. Os atributos mentais promovem um julgamento severo do fato, pois vêem somente a letra da lei. Mas Cristo vê somente com os olhos do Amor e se recusa a ouvir as coisas ditas pelos escribas e fariseus. Isto significa que a Consciência Crística, quando está vivificada, não quer saber dos pensamentos maus e os trata com indiferença, que é a forma adequada para combatê-los. Cristo percebeu que praticamente todo o mal se origina da mente, simbolizado pelo fato de os escribas e fariseus estarem tão interessados em criticar aquela mulher. Por conseguinte, quando escreveu no chão que “aquele que estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra”, nenhum dos escribas ou fariseus foi capaz de fazê-lo. Nessa passagem simbólica somos ensinados que, se a mente estiver limpa, não condenará o coração. Cristo diz ao final, vá e não peques mais. O coração não pecará mais se estiver sob a influência Crística, mas o Cristo não pode reger o ser humano até que a mente esteja purificada.
O papel da mente como instrumento do Espírito é também enfatizado, se forma simbólica, no Evangelho de Mateus, Cap. 3, quando fala de João Batista pregando no deserto da Judéia, dizendo :”Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus... preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas”. João Batista representa a iluminação mental. Por isso é dito que ele veio primeiro, para que pudéssemos ter algum entendimento sobre o processo de regeneração que permitirá ao Espírito usar a mente como seu instrumento. Precisamos despertar por meio de nossas faculdades mentais, antes de levantarmos a Força Crística em nós. A mente iluminada, João, prega às várias faculdades do corpo não regenerado, o “deserto”, para vivificá-las para o Espírito. João diz que devemos preparar o caminho do Senhor, ou seja, o caminho que a Força Crística deve tomar e endireitar as veredas. Devemos purificar nossos corpos adequadamente e então dirigir a Força da Vida para cima, no caminho da regeneração.
O TERCEIRO CÉU.
O Ego Humano no Terceiro Céu.
Ao entrar no Terceiro Céu, que é Região do Pensamento Abstrato, o Espírito já assimilou os frutos de sua vida passada em seus átomos semente e já trabalhou na modificação do ambiente da Terra onde atuará, em sua vida futura, com os irmãos que o destino coletivo colocou juntos. Nessa região ele se fortalece para a próxima descida nos mundos mais densos.
Com os desejos de novas experiências, ele é levado a contemplar o panorama da vida futura, que contém apenas os acontecimentos principais, aos quais não poderá se furtar, em razão da lei de Causa e Efeito. A exceção desses acontecimentos, o Espírito continua dono de seu livre arbítrio para tomar suas decisões.
A preparação para o renascimento e o nascimento dos veículos que formam nossa personalidade serão objeto de nossa próxima palestra.
O Espírito Santo.
O Espírito Santo ou Jeová é o líder dos Anjos, que foram a humanidade do Período Lunar. Jeová é o terceiro aspecto da Trindade que reside no Sol, mas é considerado o regente da Lua porque do Sol trabalha com os planetas que possuem luas. A reprodução biológica ou a geração é governada pelas forças lunares Como a Lua de nosso planeta foi formada na Época Lemúrica, Jeová começou seu trabalho com a geração humana nessa Época.
O Espírito Santo funciona na Região do Pensamento Abstrato, ou Terceiro Céu, onde habita também o Espírito Humano. Analogamente, o Mundo do Espírito de Vida é o campo de atuação do Cristo Cósmico, o mais alto Iniciado entre os Arcanjos, e o Mundo do Espírito Divino é o campo de atuação do Pai, o líder dos Senhores da Mente. O diagrama 14 do CONCEITO mostra os veículos que esses três Seres sublimes possuíam, nos albores do Período Terrestre, três estágios mais avançados do que as respectivas ondas de vida dos Anjos, Arcanjos e Senhores da Mente.
O Espírito Santo é o autor de todas as religiões de raça, cuja tutela ficou a cargo de Arcanjos que auxiliam o Espírito Santo nessa tarefa.
O Espírito Santo, mesmo sendo um grande Ser Cósmico, não é Deus mesmo. Mas é comum reverenciá-Lo como o Terceiro Aspecto de Deus, tendo em vista que Ele tem seu veículo superior no Mundo de Deus, como nos mostra o Diagrama 14 do CONCEITO.
O mesmo se aplica a Cristo e ao Pai, também reverenciados como o segundo e o primeiro aspectos da Divindade, por terem dois e três veículos superiores, respectivamente, no Mundo de Deus, o que é mostrado também no diagrama 14 do CONCEITO.
Os Senhores da Forma.
Na Região do Pensamento Abstrato ou Terceiro Céu do Esoterismo Cristão habitam também os Senhores da Forma, a Hierarquia de Escorpião. Essa é uma das doze Hierarquias que formam o Zodíaco natural. As doze Hierarquias são os Seres Criadores a que se refere o Gênese, quando diz “Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança”. Coletivamente, influenciam o ser humano dos pés à cabeça, através da regência de seus respectivos signos sobre o corpo humano. No Período Terrestre, a Hierarquia de Escorpião já havia evoluído o suficiente para se fazer responsável pelo trabalho desenvolvido no Período Terrestre, em que o lado da forma e da matéria é o dominante. Deve ser observado que a sétima região do Mundo do Pensamento, no Terceiro Céu, é a Região que contém a idéia germinal da forma dos quatro reinos que vivem presentemente na Terra. A Sétima Região é a que se reflete na primeira região do Mundo do Pensamento, a Região Continental, onde estão os arquétipos da forma física de todos os reinos.
Os Senhores da Forma são a Hierarquia mais ativa do Período Terrestre e trabalharam no desenvolvimento dos veículos da humanidade na primeira parte desse Período. Quando houve a recapitulação do Período de Saturno na primeira revolução do Período Terrestre, os Senhores da Forma trabalharam sobre o sistema nervoso simpático herdado do Período Lunar com o objetivo de dividir esse sistema em duas partes. Assim o sistema nervoso voluntário com o cérebro frontal pôde ser criado, como uma preparação para receber o gérmen da mente dado pelos Senhores da Mente. Como já foi mencionado, o gérmen do cérebro foi dado pelos Senhores da Forma e construído a partir da divisão das forças criadoras, metade das quais foi dirigida para cima com esse objetivo. Daí a necessidade da divisão em sexos, trabalho realizado sob a regência dos Senhores da Forma, de Escorpião. Os Senhores da Forma trabalharam com todos os veículos germinais da humanidade nas três primeiras revoluções do Período Terrestre, pois estavam também encarregados do desenvolvimento dos três átomos sementes do triplo corpo, de desejos, vital e denso do ser humano, assim como da evolução do Espírito Humano. A influência de Escorpião foi grande na primeira metade do Período Terrestre, junto com a do planeta Marte, daí ser essa primeira metade do período chamada de metade marciana. Na segunda metade do atual período a influência dominante será de Mercúrio e dos Senhores da Sabedoria, a Hierarquia de Virgem. Daí a segunda metade do período ser chamada de metade mercuriana.
Concluindo, podemos dizer que a Hierarquia de Escorpião não só é responsável pela evolução no Período Terrestre, como também corresponde ao signo da regeneração, cujo processo é primordial para que a humanidade retorne do desvio ao qual foi levada pelos Anjos Lucíferes, não obstante as conquistas realizadas pelo homem durante essa fase de sua evolução.
Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel.....
domingo, 30 de dezembro de 2018
Há pessoas que acham que o mundo gira ao seu redor.
Há pessoas que parecem não saber que a terra gira em torno do Sol, e não em torno delas. Não entendem que a vida não gira só ao seu redor, que seu umbigo não é o centro do mundo nem das pessoas que o rodeiam. Por isso se autoproclamam importantíssimos, gerando com seus comportamentos uma fortíssima rejeição social.
Como consequência, mantêm comportamentos egocêntricos e enchem nossos ouvidos de mensagens e comportamentos que chamam a gritos por atenção. Gritos que são tão ensurdecedores que nos saturam e esgotam com facilidade.
Lidar com uma pessoa que tem comportamentos egocêntricos é cansativo por muitas razões. Analisemos algumas delas a seguir…
O egocentrismo, o excessivo culto ao “eu”
Acreditar que você mesmo é o centro do mundo e sentir-se mais importante que todas as outras pessoas é desastroso para uma boa evolução de nossas relações sociais. Não gostamos que ninguém tente impor suas opiniões, pensamentos e interesses: de fato, é fácil saber com razão e um bom discernimento que uma pessoa que não se acha melhor que ninguém tenta chegar a um equilíbrio e garante o bem comum.
A arrogância não se importa com o bem-estar dos demais, não sabe que este é tão importante quanto o bem-estar pessoal. Elas, as pessoas egocêntricas, estão certas de que são especiais, e mais, de que sua personalidade é absolutamente encantadora.
No entanto, quando algo não segue o caminho que o egocêntrico deseja, então ele se converte em ogro, déspota que só quer fazer com que as coisas caminhem do seu modo, ainda que para isso tenha que se aproveitar e manipular as pessoas em volta.
Pode ser que eles se justifiquem dizendo a famosa frase “é que eu tenho um gênio muito forte”, uma variante do estilo “eu não tenho defeitos, nós dois que não encaixamos”. Com certeza lembramos de muitas pessoas que em algum momento fizeram ou fazem parte de nossas vidas hoje com essas frases.
Eles se autopromovem e se consideram especiais e infalíveis, superiores aos outros. Isso, sem dúvida, tem como consequência a criação de problemas na hora de fazer amizades e mantê-las, pois ninguém tem nenhum benefício por estar ao lado de pessoas que só conseguem pensar em si mesmas.
A autoestima, no entanto, não tem nada a ver com o egocentrismo: a autoestima é um sentimento saudável e tolerante, o egocentrismo é um modo de ser vazio, irreflexivo, excessivo e intolerante.
As pessoas egocêntricas não gostam realmente de si mesmas, na verdade usam como escudo essa proclamação excessiva de seu amor próprio como modo de distorcer o autoconceito negativo que realmente escondem. Esse é o motivo pelo qual precisam se sentir tão adulados e admirados.
Caminhava com meu pai quando ele se deteve em uma curva e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:
-Você escuta alguma coisa além do cantar dos pássaros?
Agucei meus ouvidos e alguns segundos depois respondi:
-Estou ouvindo o barulho de uma carroça.
-Esse barulho – disse meu pai – é de uma carroça vazia.
-Como você sabe que é uma carroça vazia se ainda não a estamos vendo? – perguntei ao meu pai.
-É muito fácil saber quando uma carroça está vazia por causa do ruído. Quanto mais vazia a carroça, maior é o ruído que faz – me respondeu.
Virei um adulto e até hoje quando vejo uma pessoa falando muito, interrompendo a conversa de todo mundo, sendo inoportuna ou violenta, presumindo as coisas para favorecer a si mesmo, mostrando-se prepotente e falando mal das outras pessoas, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:
“Quanto mais vazia a carroça, maior o barulho que faz”
A humildade consiste em calar nossas virtudes e permitir aos outros que as descubram. E lembre-se de que existem pessoas tão pobres que o único que têm é dinheiro. E ninguém está mais vazio que aquele que está cheio de si mesmo.
alfinetes-coração
Tipos de egocentrismo ou tipos de carroças vazias
Da história da humanidade e da cultura popular podemos extrair vários tipos de pessoas que excessivamente exaltam a si mesmos:
Estrelas: são aquelas pessoas que buscam admiração e contemplação de si.
Nero: são aquelas pessoas que costumam dominar e submeter os outros, ou seja, afirmar seu poder através da máxima “nunca confie em ninguém”.
Cinderela: são os vitimistas que fazem de seu cotidiano um sofrimento eterno, uma arma para conseguir a atenção dos outros.
Sozinho: basicamente faz de seu mundo um lugar de reprovação e crítica, acreditando que ninguém, além dele próprio, merece nada.
Além desses, há tantos tipos de egocentrismo como pessoas que pecam sendo egocêntricas. Muitos de nós já fomos assim em algum momento de nossas vidas, ou vamos ainda ser um dia. Antes de tudo é essencial termos consciência e frear os comportamentos egoístas, já que causam um enorme dano aos outros e a nós mesmos.
O importante é não dar crédito e atenção aos comportamentos que alimentam o ego, pois se o alimentarmos só contribuiremos para que essas pessoas sigam se considerando o centro do mundo e, como já sabemos, o centro do universo não é um lugar que está ocupado por ninguém.
O sofrimento pode ser um obstáculo ou uma oportunidade .
O sofrimento cria raízes no mais profundo do nosso ser. É como um desconhecido que entra em nosso corpo sem permissão para tomar o controle e causar desgaste em todos os níveis. No entanto, podemos vencê-lo se nos propusermos a isso.
Mesmo que muitas pessoas pensem que dor e sofrimento são a mesma coisa, a verdade é que são dois fenômenos muito diferentes. A dor é parte da existência, é natural e surge quando perdemos aquilo que amamos ou quando o nosso corpo nos avisa que sofremos algum machucado, ou seja, é uma reação natural provocada por um evento negativo.
Por exemplo, se batermos o joelho, vamos sentir uma dor aguda nele, e se o nosso parceiro terminar conosco, a dor também vai aparecer, só que de forma emocional. Isso acontece de maneira automática, sem que a nossa mente tenha que intervir.
Por sua vez, o sofrimento é originado pela não aceitação do que acontece. É uma escolha que nos faz desejar que as coisas fossem diferentes, ou seja, provém dos julgamentos que fazemos e, portanto, é fruto da nossa mente. Assim, para que exista sofrimento, temos que fazer uma interpretação negativa da situação.
O jogo duplo do sofrimento
O sofrimento se instala em nosso interior quando nos encontramos em situações que causam ansiedade, frustração, tristeza ou impotência. Aparece quando sentimos que não podemos fazer nada, quando não existem opções ou não vemos saídas, o que não quer dizer que seja verdade. Simplesmente, em nossa mente, não conseguimos ver uma saída e escolhemos permanecer assim, sem fazer nada.
Assim, apesar de ninguém ser imune ao sofrimento, é essencial saber lidar com ele e enfrentá-lo, pois ele pode se tornar crônico e nos prender em sua “jaula”. De fato, sofrer pode ser viciante para muitas pessoas, já que às vezes isso é mais confortável do que sair, pois sair representa uma mudança e isso é visto como uma ameaça.
Mulher enfrentando sofrimento
Algumas pessoas pensam que a vida é extremamente dura e que o sofrimento é inerente ao ser vivo. Outros percebem o sofrimento como um sinal de esforço para alcançar as metas pessoais, e outros simplesmente consideram que é questão de sorte sofrer na vida ou não. Independentemente das crenças, o sofrimento é uma sensação que todos nós conhecemos e que não é nem um pouco agradável.
Quando sofremos, de algum modo nos encontramos presos a um estado de isolamento com todos os aspectos negativos que nos cercam. É como se não pudéssemos ver além disso. No entanto, sempre podemos agir para melhorar a forma como nos encontramos.
O segredo está em redirigir o foco de atenção, em se abrir para o presente, observar todas as possibilidades e, acima de tudo, parar de julgar e renegar o acontecimento que levou ao sofrimento. A autorreflexão sem culpa, mas com responsabilidade, vai facilitar o caminho para sair dessa situação. Dessa forma, daremos mais atenção aos aspectos em que podemos nos responsabilizar.
O sofrimento pode ser opcional.
Diante de situações de mudança que sejam ameaçadoras, é provável que o sofrimento surja como um obstáculo, que nos impeça de enfrentar o medo e modificar aqueles elementos da nossa vida dos quais não gostamos. Por isso, escolher se manter em sofrimento, frustrados em desacordo com o ocorrido, é o verdadeiro obstáculo.
Toda mudança assusta, é normal. Isso acontece porque enfrentamos a incerteza e a sensação de falta de controle. No entanto, não podemos renunciar à mudança simplesmente por medo do desconhecido. Nestes casos, nosso foco deve estar sobre o que temos controle. Por exemplo, nas nossas emoções e nos pensamentos sobre como interpretamos o que acontece e como isso nos afeta.
Só nós podemos decidir como vamos enfrentar as circunstâncias e o que podemos fazer em cada uma delas. Ao adotar esse ponto de vista, transformamos o sofrimento em algo opcional. Dessa forma, podemos decidir se ficamos presos a essa sensação ou se tomamos a decisão de enfrentar as situações de outras formas possíveis.
O que podemos fazer com o sofrimento?
Como vimos antes, quando estamos em situações difíceis, não costumamos nos permitir focar em outros assuntos ou circunstâncias, nem perceber outros aspectos valiosos das nossas vidas. Inclusive, às vezes preferimos nos manter neste estado de sofrimento que nos afeta física e mentalmente e que, além de tudo, repercute negativamente a nossa volta.
O fato das coisas não saírem como desejamos ou de acordo com as nossas crenças gera sentimentos de vulnerabilidade e frustração, antecedentes ao sofrimento. O bom é que só nós podemos decidir acabar com o sofrimento causado pelo ato de lutar contra o que queremos mudar.
Entretanto, diante desse tipo de situações, podemos decidir aprender e extrair uma lição para crescer soltando o que precisamos soltar e mudando a nossa perspectiva.
Reflexão para superar o sofrimento
Se assumirmos o sofrimento como uma possível fonte de aprendizado e não como um peso com o qual estamos destinados a viver, poderemos ter uma experiência realmente enriquecedora. Isso pode ser muito difícil no começo, mas vai ajudar a fazer com que a dor não se alongue além do estritamente necessário.
O sofrimento surge quando nos sentimos vítimas de uma situação sobre a qual não temos nenhum poder. Se você focar em algo que pode controlar e em suas próprias forças, vai perceber que esta emoção tão negativa vai deixar de estar presente em sua vida.
Afinal de contas, todos nós sabemos que não podemos controlar as circunstâncias, mas podemos escolher a atitude com a qual enfrentamos as mesmas. Nem sempre é necessário compreender completamente o sofrimento para poder aceitá-lo ou pelo menos lutar contra ele. Adotando essa forma de pensar, vamos conseguir tornar a nossa vida um pouco mais fácil.
As 4 leis do desapego para a liberação emocional.
É possível que a palavra desapego lhe cause uma sensação de frieza e egoísmo. Nada está mais longe da realidade. A palavra desapego, compreendida dentro do contexto do crescimento pessoal, é um valor interno precioso que todos nós devemos aprender a desenvolver.
Praticar o desapego não significa abrir mão de tudo o que é importante para nós, rompendo vínculos afetivos ou relacionamentos pessoais com aqueles que fazem parte do nosso cotidiano.
“Desapego significa saber amar, apreciar e se envolver nos relacionamentos com uma visão mais equilibrada e saudável, libertando-se dos excessos que o prendem”.
Liberação emocional é viver mais honestamente, de acordo com as suas necessidades. Crescer, progredir com conhecimento de causa, sem prejudicar ninguém e não deixando ninguém o limitar.
Conheça abaixo as 4 leis do desapego para a liberação emocional. Vamos praticar?
1 – Lei do desapego: você é responsável por si mesmo
Ninguém pode viver por você. Ninguém pode respirar por você, se oferecer como voluntário para carregar suas tristezas ou sentir suas dores. Você é o arquiteto da sua própria vida e de cada passo que dá em seu caminhar.
desapego é tomar consciência de que você é totalmente responsável por si mesmo.
Portanto, a primeira lei que deve ter em mente para praticar o desapego é tomar consciência de que você é totalmente responsável por si mesmo.
Não responsabilize os outros pela sua felicidade. Não imagine que para ser feliz é necessário encontrar o parceiro ideal ou ter o reconhecimento de toda sua família.
Se a opinião dos outros é a sua medida de satisfação e felicidade, você não vai conseguir nada além de sofrimento. Raramente os outros suprirão as nossas necessidades.
Cultive sua própria felicidade, seja responsável, maduro, conscientize-se das suas escolhas e consequências e nunca deixe que seu bem-estar dependa da opinião alheia.
2 – Lei do desapego: Viva no presente, aceite e assuma a sua realidade
Muitas vezes, não conseguimos aceitar que nesta vida nada é eterno, nada permanece sempre igual; tudo flui e retoma seu caminho. Muitas pessoas estão sempre focadas no que aconteceu no passado, e isso se torna um fardo pesado que carregamos no presente.
Mesmo que seja doloroso, aceite, assuma o passado e aprenda a perdoar. Isso o fará se sentir mais livre e o ajudará a se concentrar no que realmente importa: “o aqui e agora”. Liberte-se!
Lei do desapego viva no presente.
3 – Lei do desapego: Liberte-se e permita que os outros também sejam livres
“Assuma que a liberdade é a forma mais plena, íntegra e saudável de aproveitar e compreender a vida em toda a sua imensidão”
Ser livre não nos impede de criar vínculos com os outros. Criar vínculos, amar e ser amado, fazem parte do nosso crescimento pessoal.
O desapego significa que você nunca deve assumir a responsabilidade pela vida dos outros, que eles não podem lhe impor seus princípios e nem tentar prendê-lo. É assim que surgem os problemas de relacionamento e o sofrimento.
Lei do desapego liberte-se.
Os apegos exagerados nunca são saudáveis. Temos como exemplo aqueles pais obcecados por proteger os filhos, que os impedem de crescer e avançar com confiança para explorar o mundo.
A necessidade de desapegar-se é fundamental nesses casos; cada um um deve sair dos seus limites de segurança para enfrentar o imprevisto e o desconhecido.
4 – Lei do desapego: As perdas irão acontecer mais cedo ou mais tarde
Devemos aceitar que, nesta vida, nada dura para sempre. A vida, os relacionamentos e até os bens materiais acabam desaparecendo como fumaça, escapando por uma janela aberta ou deslizando através dos nossos dedos.
Lei do desapego as perdas irão acontecer.
As pessoas vão embora, as crianças crescem, alguns amigos somem e perdemos alguns amores… Tudo isso faz parte do desapego. Temos que aprender que isso é normal e enfrentar essa situação com tranquilidade e coragem.
O que nunca pode mudar é a sua capacidade de amar. Comece sempre por você mesmo.
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