contos sol e lua

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Bardo.


Todos sabem que a música possui uma magia especial e o bardo prova que isto é verdade. Viajar pelo mundo, acumular conhecimento, contar hístórias, retirar mágica de sua música e sobreviver de gratidão de audiencia - essa é a vida do bardo. Quando a sorte ou a oportunidade os atrai para um conflito, os bardos servem como diplomatas, negociantes, mensageiros, batedores ou espiões.
A magia do bardo provem de seu coração. Quando seu coração é bom o bardo carrega esperança e coragem aos abandonados e usa suas habilidades para frustrar os planos das forças do mal. Entretanto a música também pode florescer em um coração maligno. Bardos malignos preferem a manipulação como substituta da violência, dominando as mentes e corações do povo.
Perícias de Classe.
A perícias de classe do bardo são acrobacia, arte da fuga, atuação, avaliação, blefar, concentração, conhecimento (todos), decifrar escrita, diplomacia, disfarce, equilibrio, escalar, falar idioma, furtividade, identificar magia, natação, obter informação, ofícios, percepção, prestidigitação, profissão, saltar, sentir motivação, e usar instrumento mágico.
Usar armas e armaduras: Um bardo sabe usar todas as armas simples, além de espada longa, sabre, bastão, espada curta, arco curto e chicote. Os bardos sabem usar armaduras leves e escudos (exeto escudos de corpo). As magias de bardo não sofrem falha arcana enuanto ele utilizar armaduras leves.
Conhecimento de Bardo: Um bardo registra diversos conhecimentos enquanto viaja de um lugar para outro. Ele pode realizar um teste com bonus igual a seu nível de classe + modificador de inteligência. O resultado determina se ele conhece algo relevante sobre as pessoas da região, seus itens ou lugares famosos. Totalmente obscuro e esquecido por centenas de anos, praticamente ninguém mais sabe absolutamente nada sobre. Você sabe detalhes sobre todos os fatos e artefatos que passaram pela regiao e, caso ele ainda se encontre perto do local, você conhece sua localização exata.
Histórias Místicas : O bardo gasta uma hora para contar uma história. Ele afeta 3 pessoas + uma para cada nível de bardo. Todos aqueles afetados ganham um bonus de +4 nos testes de resistência contra uma escola de magia (escolhida pelo bardo) durante 24 horas.
Histórias de Coragem : O bardo gasta uma hora para contar uma história. Ele afeta 3 pessoas + uma para cada nível de bardo. Todos aqueles afetados previnem até 4 pontos de penalidade em CA, ataque, testes de resistência, habilidade e perícias que receberiam por efeitos mágicos, sobrenaturais ou extraordinários.
Cântico dos Grandes Feitos : O bardo gasta uma hora para contar uma história. Ele afeta 3 pessoas + uma para cada nível de bardo. Ele escolhe um talento que cumpra os pré-requisitos. Todos aqueles que ouvirem a história e também cumpram os pré-requisitos ganham os benefícios do talento durante 24 horas.
Épicos de Guerra : O bardo gasta uma hora para contar uma história. Ele afeta 3 pessoas + uma para cada nível de bardo. Todos os afetados ganham o benefícios da habilidade mágica anti-criatura em todas as armas que empunharem. O bardo escolhe o tipo de criatura. Os efeitos desta habilidade não se acumulam com a habilidade mágica.
Música de Bardo: Uma vez por dia por nível de classe, o bardo é capaz de tocar uma música ou poesia para produzir algum efeito especial. Cada música necessita de uma certa graduação em atuação.
Rima de Cura : Esta música de bardo afeta todos os aliados que conseguirem ver e ouvir o bardo e permanece ativo enquanto o bardo tocar e 5 rodadas após. Os aliados afetados que conjurem magias de cura ganham um bonus na jogada de +1 para cada graduação que o bardo tiver em atuação.
Se o bardo tocar esse habilidade durante um minuto inteiro antes dele e seus aliados irem durmir, todo o grupo cura-se naturalmente como se tivesse descansado 24 horas de cama. Para usar essa música o bardo precisa ter no mínimo 3 graduações em atuação.
Facinar : O bardo pode fascinar uma criatura que esteja a 27 metros de distância e mais uma criatura a cada 3 níveis de bardo após o primeiro. O bardo faz um teste de atuação e este será a CD de vontade para a pessoa resistir. Aqueles que fracassarem sentarão e escutaram a música tranquilamente e recebem uma penalidade de -4 em ouvir e observar. Aqueles que passarem no teste ficam imunes durante 24 horas. Quando são ameaçãdos o efeito automaticamente acaba. Fascinar é um encantamente e efeito mental. Para usar essa música o bardo precisa ter no mínimo 3 graduações em atuação.
Inspirar Coragem : Esta música de bardo afeta todos os aliados que conseguirem ver e ouvir o bardo e permanece ativo enquanto o bardo tocar e 5 rodadas após. Todos os afetados ganham um bonus de +1 contra efeitos de medo e encantamentos e +1 de bonus de moral em ataque e dano com armas. A cada 5 níveis de bardo os bonus aumentam em 1, até um máximo de +5 no nível 20. Para usar essa música o bardo precisa ter no mínimo 3 graduações em atuação.
Inspirar Competência : O bardo pode ajudar um aliado a realizar certas tarefas, caso ele esteja a menos de 9 metros de distância e possa ver e ouvir o bardo. O aliado afetado recebe um bonus em uma única perícia enquanto o bardo tocar. Esse bonus equivale a metade da graduação que o bardo tiver em atuação. Para usar essa música o bardo precisa ter no mínimo 6 graduações em atuação.
Sugestão : O bardo é capaz de usar Sugestão (como a magia) a qualquer criatura anteriormente fascinada. A CD para resistir é igual a 10 + 1/2 do nível do bardo + modificador de inteligência. Para usar essa música o bardo precisa ter no mínimo 9 graduações em atuação. Essa habilidade não gasta uma música de bardo.
Inspirar Grandeza : Com esta habilidade, o bardo é capaz de inspirar a grandeza sobre si ou sobre um aliado que esteja a menos de 9 metros. Ele concegue afetar uma criatura adicional a cada 3 níveis de bardo após o 9º. As criaturas afetadas ganham 2 dados de vida adicionais (d10) como pontos de vida temporários (aplicam-se os modificadores de constituição a cada dado de vida), +2 de bonus de competencia nas jogadas de ataque e dano e +1 de bonus de competencia em testes de resistência. Para usar essa música o bardo precisa ter no mínimo 12 graduações em atuação. Esse efeito dura enquanto o bardo tocar e mais 5 rodadas após.
Melodia de Libertação : O bardo é capaz de usar Concelar Encantamento gastanto uma música de bardo. O nível de conjurador é igual ao seu nível de bardo. Para usar essa música o bardo precisa ter no mínimo 15 graduações em atuação e tocar durante 1 minuto inteiro.
Inspirar Heroísmo : Com esta habilidade, o bardo é capaz de inspirar o heroísmo sobre si ou sobre um aliado que esteja a menos de 9 metros. Ele concegue afetar uma criatura adicional a cada 3 níveis de bardo após o 15º. As criaturas afetadas ganham +4 de bonus de moral em testes de resistência e +4 de bonus de esquiva na CA. Para usar essa música o bardo precisa ter no mínimo 17 graduações em atuação. Esse efeito dura enquanto o bardo tocar e mais 5 rodadas após.
Como sugestão apresentada acima, mas o bardo afeta todas as criaturas fascinadas.
Magias: Assim como o feiticeiro, o bardo usa pontos de magia.
Assim como o feiticeiro o bardo ganha spell points adicionais conforme o nível máximo de magias que pode conjurar e seu valor de carisma.Magias de nível zero podem ser conjuradas sem limite diário.F.P.Wikepédia,

Fénix e a Pira.


Ave fabulosa que, segundo a mitologia, vivia durante muitos séculos e que, depois de queimada, renascia das cinzas. Significa, também, única na sua espécie ou gênero e superior às outras.
Na mitologia Antiga, a Fênix habitava os desertos da Arábia e vivia muitos séculos. Era do tamanho de uma águia, tinha na cabeça uma crista brilhante, as penas do pescoço eram douradas e as outras, de cor púrpura, a cauda era branca com plumas encarnadas e os olhos brilhantes como estrelas.
Diz-se que, quando sentia aproximar seu fim, fazia um ninho com ramos untados de gomas odoríferas, expunha-o aos raios do Sol, nele se abrasando. Das suas cinzas nascia um verme, ou um ovo, segundo outros, do qual nascia uma nova Fênix, cujo primeiro cuidado era transportar a Heliópolis e depositar, no altar do Sol, os restos de seu pai. Era um símbolo do Sol e, entre os egípcios, um emblema da alma.
O mito da Fênix foi popular durante a era Cristã, tendo sido interpretado como um símbolo da Ressurreição. A Fênix acha-se representada em um grande número de monumentos antigos e muitas vezes como símbolo de Hermés. Na simbologia Cristã, a Fênix é circundada de raios solares e simboliza Jesus Cristo, morrendo e ressurgindo no terceiro dia.
Na mitologia oriental, dá-se igualmente o nome de Fênix a uma ave maravilhosa que os chineses transformaram em símbolo da felicidade, da virtude e da inteligência. Participam da ave o dragão, a serpente, a tartaruga e o peixe. Na sua plumagem, brilham cinco cores sagradas.
A Fênix é também, símbolo da morte e renascimento perpétuo da natureza.
Esta ave fabulosa é o símbolo do renascimento e da ressurreição. Neste sentido, ela simboliza o Cristo ou o Iniciado, recebendo uma segunda vida, em troca daquela que sacrificou pela humanidade.
No Egito, a Fênix está sempre em relação com a relação com a estrela Sothis ou estrela de cinco pontas, ou estrela flamejante, que é pintada, muitas vezes, ao seu lado.
Para a Rosa-Cruz, a Fênix representa a depuração da alma, a reintegração do homem em sua Essência Divina original. Dentro da simbologia maçônica, a Fênix é usada para representar a inviolabilidade, o Fogo Divino, inesgotável benefício de Deus.
Os Alquimistas, em sua linguagem pitoresca e Hermética, simbolizavam pela Fênix, pelo pelicano, ou por um Jovem Rei Coroado, a Pedra Filosofal; durante as várias fases da operação alquímica, , chamada "A Grande Obra", ela adquiria a cor vermelha, passando pelo estado de rubrificação. Diziam, então, que a Pedra é como a Fênix, que renascia das próprias cinzas.
A antiga lenda mitológica da Fênix é muito familiar. Dizia-se que vivia seiscentos anos no deserto, construindo, para si mesma, uma "pira funerária" com madeiras aromáticas; que acende, abando-a com as asas e emergindo das chamas com uma nova vida.
A Pira representa o receptáculo onde arde o "Fogo Sagrado". Do ponto de vista Hermético, o fogo possui as qualidades quente e seca, que correspondem ao verão, ao meio-dia. A cor vermelha é Tamas, vibrando em seu aspecto mais sutil.
Desde os tempos mais remotos da humanidade, o fogo tem sido adorado por todos os povos, como símbolo da vida ou da força animadora, seja diretamente como fogo aceso, seja como Sol. Por isso, o fogo sempre foi sagrado.
Para estudantes da Sabedoria Iniciática das Idades, o Fogo Sagrado reside no Homem em estado latente e deverá ser transformado em Energia Consciência.F.PWikepédia.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

DEUSA SCÂTHACH.


A Deusa Scâthach era conhecida como "a Mulher que semeia o Medo". Deusa cujo reino era a Ilha de Skye (Sombra), onde treinava os jovens nas artes bélicas e na caça.
No entanto, apenas os aprendizes mais decididos sobreviviam à jornada, pois tinham que atravessar uma ponte instável que atirava os iniciados imprestáveis a água.
A perigosa ponte e outras tarefas difíceis e paradoxais eram típicos ao treinamento de Scâthach. As guerreiras-mestre, enviavam seus iniciados em buscas e depois colocavam barreiras em seu caminho. Na maioria das vezes, essas barreiras eram as próprias guerreiras, transformadas em bestas ou guerreiros maléficos.
O herói irlandês Cuchulainn atravessou a ponte de Scâthach com o "salto do salmão": pulou até o meio da ponte e, com um segundo pulo, chegou até a outra extremidade, demonstrando metaforicamente o pulo de fé para ingressar no reino feminino.
Considerações lógicas e racionais devem ser postas de lado. A investida direta, a maioria das vezes, é o caminho mais curto ao mundo do inconsciente. A ajuda de uma mulher é importante, pois ela já nasce treinada nos mistérios femininos, possuindo um elo nato com a noite, a escuridão, o útero e a Grande Mãe. Isso, se não tiver sido rompido pelo sistema de valores patriarcais que despreza esses segredos femininos.
Scâthach ensinou a Cuchulainn as técnicas de guerreiro e também os mistérios do sexo. De acordo com a lenda, ela ofereceu-lhe "a amizade das coxas". Toda a guerreira celta era conhecida como uma furiosa amante erótica, mesmo podendo ser uma temível inimiga.
Segundo as velhas leis celtas irlandesas, era exigido de todo o proprietário de terras que servissem de guerreiro em seu clã e como as mulheres também tinham o privilégio de serem proprietárias de terras, estavam obrigadas a fazerem parte da casta de guerreiros. Algo que era considerado uma honra.
Para os que não tinham posse de terras, era mais difícil obter essa honra. Havia a possibilidade dos pais darem seus filhos e filhas em adoção a um guerreiro(a), porém nem todas as famílias podiam custear tais despesas, pois o treinamento era cobrado. Geralmente os filhos passavam a servir o guerreiro(a), em troca da iniciação à arte da guerra. Outra possibilidade era por méritos próprios, como a condecoração por um feito heróico, ou algo do gênero.
As mulheres foram desvinculadas desse treinamento no ano 697 d. C, aproximadamente, por uma lei irlandesa conhecida como "Cain Adamnain", editada por um bispo chamado Arculf, que depois acabou sendo chamado de São Adamnain.
Júlio César disse que as mulheres guerreiras irlandesas possuíam muita força e em uma batalha contra os celtas, quando elas eram chamadas, havia muita pouca chance de se obter uma vitória.
Todos os guerreiros celtas, homens e mulheres, estavam submetidos a certos códigos de honra, que na Idade Média, ficou conhecido como "Códigos da Cavalaria".
As mulheres guerreiras não só desfrutavam do status da elite guerreira, como também tinham obrigações. Uma das principais era instruir os novos guerreiros. Era costume celta as mulheres ensinar os homens e os homens ensinarem as mulheres.
A iniciação dos guerreiros era composta por três partes: armamento, cognominação e iniciação sexual. Depois de vencidas essas três etapas o guerreiro regressava à Irlanda e era considerado invencível.
Segundo algumas fontes, Scâthach era filha do rei Scythia e foi mãe de dois filhos: Cet e Cuar. Já outra fonte diz que foi mãe de três virgens: Lasair, Inghean Bhuidhe e Uathach.
Cuchulainn foi treinado por Scâthach durante um ano e um dia, período em que teve por amante sua filha Uathach. Ele também teve um filho com Aife, irmã de Scâthach, chamado de "o infortunado Conlai", que mais tarde é morto por Cuchulainn, já que quando o jovem vindo da Ilha das Sombras para visitar Ulster, não se reconheceram e o enfrentamento foi inevitável. Desgraçadamente, o anel de ouro que carregava Conlai o identificou, mas já era tarde demais.
Foi também Scâthach que deu a Cuchulainn o "Gae Bolg", sua lança (ou espada em algumas versões).
MULHERES CELTAS.
Um exército inteiro de romanos, era incapaz de deter um punhado de galeses, quando esses pedissem ajuda a suas mulheres. Elas surgiam convertidas em verdadeiras "fúrias": inchando o peito, relinchando como cavalos selvagens e rangendo os dentes, se atiravam sobre os adversários dando patadas, mordidas e praticando ações tão fulminantes, que todos diziam que elas se convertiam em verdadeiras catapultas. Eram umas lobas que, à céu aberto lutavam raivosamente para proteger sua tribo.
O conceito celta da mulher se diferenciava do que tiveram os gregos e romanos. As funções que desempenhava rompiam padrões, causando impacto e assombro entre os escritores, ou historiadores contemporâneos dos celtas, que deixaram suas impressões escritas. A impressão geral que se obteve da mulher celta de antigamente, foi que ocupou um privilegiado lugar, se compararmos com outras mulheres de outras sociedades da época em que viveu. Sua importante função se desenvolveu em "pé de igualdade" com os homens, tanto de direito, quanto de dever.
As mulheres celtas foram tão boas guerreiras quanto os homens, muito temidas por sua valentia e força, pois não eram vencidas fisicamente com facilidade. Elas sempre os precediam nas lutas, muitas vezes, surgiam nos campos de batalha como verdadeiras feras, que nuas, gritavam, uivavam, insultavam o inimigo com palavras, empunhando lanças e imitando a Deusa Guerreira "Morrigan". Se fosse preciso, mostravam suas nádegas como uma ato de desrespeito ao inimigo, ao puro estilo celta.
A mulher da Velha Irlanda, único lugar que nunca foi visitado pelas legiões romanas, manteve sua independência até o século XII e uns três séculos mais, estava ainda, quase em plano de igualdade com o homem. Ela não foi derrotada em luta pelos romanos, mas sim pelo cristianismo. Podemos dizer, que a mulher celta foi a grande precursora do feminismo moderno.
Antigas lendas falam de mulheres sábias, médicas, legisladoras, druidesas, poetisas, indicando que as mulheres ocuparam essas posições dentro da sociedade. Tampouco eram excluídas do privilégio da educação, pois existem numerosos registros a respeito. Também houve mulheres que governaram e esposas de governantes muito populares, assim como também guerreiras. Podiam ainda, ostentar o mando militar, como foi a caso de Boudicca, a Rainha e Capitã da tribo dos Iceni britânicos, cujas ações bélicas foram consideradas as mais sangrentas realizadas pelos celtas.
Uma mulher divorciada retinha suas propriedades, mais o dote, o qual, no sistema legal Brehon, era requerido tanto do marido como da mulher (consistia usualmente em bois, cavalos, escudo, lanças e espadas). A esposa também podia exigir de um terço à metade da riqueza do marido. O sexo não era encarado em rígidos termos moralistas: uma mulher não era "culpada" de adultério se tivesse relações extraconjugais; uma mulher podia escolher seu marido (a maioria dos povos dessa época, permitia unicamente que o homem escolhesse uma esposa); os casamentos tinham duração de um ano, quando podiam ser renovados se houvesse mútuo consentimento; a homossexualidade masculina era comum e aceita, especialmente entre guerreiros.
Quanto as druidesas, embora muitos autores negam a sua existência é por não terem sido mencionadas por alguns historiadores da época como Júlio César, que nunca chegou até as ilhas, de onde provinham todos os relatos acerca das sacerdotisas. Entretanto, Pomponio Mela faz um relato sobre elas quando acompanhou Adriano até as ilhas britânicas: "havia na alta Caledônia mulheres sacerdotisas chamadas Bandruidh que, igual aos druidas varões estão divididas em três categorias..." e segue detalhando sobre o lugar que ocupavam na sociedade e as funções que exerciam.
As lendas nos narram episódios onde mulheres druidas eram relevantes na história, assim: Gáine como uma chefe druida, Aoife ou Aife, irmã de Deusa Scâthach, que com sua varinha converte em cisnes os filhos de Lyr. A Biróg, outra druidesa, que ajudou Cian a conhecer Eithlinn, feito muito relevante na mitologia celta irlandesa, pois dele nasceria posteriormente Lugh.
Muito embora a mulher celta fosse uma guerreira, ela se preocupava com a aparência. Trançava os cabelos, usava muitos adornos e até pequenos sinos em suas roupas para atrair a atenção do sexo oposto. Forte, mas feminina, pois sabia que era a única do gênero humano que podia dar vida. Sem descendência, não haveria família, nem clã, nem tribo. Com escassa descendência, sua tribo se tornaria menos numerosa, possuindo menos recursos, menos mãos para o cultivo e para guerra.
ARQUÉTIPO DA JORNADA.
Todos nós, homens e mulheres, estamos aqui, porque nos escolheram e nos convocaram para essa jornada heróica que chamamos de vida. E, ainda que, nossa vida esteja repleta de aventuras externas, o nosso principal objetivo é a transformação interna.
Todas as histórias de heróis e heroínas até podem nos inspirar, mas cabe a cada um de nós responder ao seu próprio chamado, ou seja, individualizar-se.
A nossa jornada da vida sempre será uma trama de um grande drama, onde sofreremos vitórias e derrotas nas mãos de demônios e todos os dias uma nova convocação é refeita para combatê-los.
O arquétipo da jornada é a formalização da força vital, ou seja, a ativação e a canalização da libido rumo a maior desenvolvimento. O maior risco que uma pessoa irá jamais encontrar é a sutil sedução do inconsciente, o anseio de permanecer no âmbito do que é conhecido e confortável. Jung descreve da seguinte maneira essa pessoa:
Ele sempre imagina o pior à sua frente e, no entanto, o inimigo que carrega está dentro de si mesmo - no anseio letal pelo abismo, na ânsia de afogar-se na própria fonte......A tendência regressiva tem sofrido a consistente oposição, desde o tempos mais primitivos, da parte dos maiores sistemas psico terapêuticos que conhecemos como as religiões. Estas buscam criar uma dimensão consciente autônoma, levando a humanidade a desmamar e afastar-se do sono de sua puerilidade.
O "anseio letal pelo abismo" de que fala Jung, nada mais é do que a Letargia. O outro, chamado Medo, é natural ao humano frágil que trabalha tão arduamente para garantir uma parcela de segurança e no fim só encontra armadilha em que a força vital se torna estultificada.
Portanto, todos nós, que aqui nos encontramos, estamos obrigados a sofrer, meditar e encarnar nossa experiência do ciclo do eterno retorno da Grande Mãe e, igualmente, a desembaraçar-nos da letargia e do medo, para assim nos tornarmos aquilo que a natureza tão misteriosamente nos oferece.
NEUTRALIZAÇÃO DE DANOS.
Muitos ainda são os fanáticos que parecem obcecados com a injunção bíblica de que não se deve "tolerar que uma Bruxa viva". Eu mesma, já enfrentei e enfrento preconceitos dentro de meu ciclo de amizades, mas nós Bruxas temos o poder de neutralizar nossos inimigos de maneira de que eles não possam nos infligir danos. Se as outras religiões aprendessem, como nós, a combater o mal sem fazer o mal, o nosso mundo já estaria livre guerras, homens-bomba, armas nucleares e tanto derramamento de sangue.
Entrar em alfa visualizando um sete vermelho. Retenha-o por um momento e depois solte-o. Visualize em seguida um seis laranja, depois: um cinco amarelo, um quatro verde, um três azul, um dois índigo e um um lilás.
A seguir, diga mentalmente, com toda a convicção: "Estou em alfa, e tudo o que fizer será correto e para o bem de todos. Assim é!"
Agora com o Terceiro Olho veja a pessoa ou situação que a está ameaçando e comece pintando um enorme "X" branco sobre ela. Diga então:
"Eu neutralizo isso", quando a pessoa e situação estiver totalmente coberta com o X.
Pedir sempre que essa projeção seja feita corretamente e para o bem de todos
ROSANE VOLPATTO.
Bibliografia:
O Poder da Bruxa - Laurie Cabot.
O Medo do Feminino - Erich Neumann.
Consciência Solar, Consciência Lunar - Murray Stein.
O Amor Mágico - Laurie Cabot.
Rastreando os Deuses - James Hollis.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

NEITH, A SENHORA DO OESTE.


Neith era a Abridora de Caminhos, a Caçadora, Senhora do Oeste, deusa guerreira e protetora. Seu nome significa "Eu venho de mim mesma", ou autoconcebida. De acordo com a lenda Neith emergiu das águas primevas. Seguiu o curso do rio Nilo em direção ao mar, até alcançar o Delta, dando forma à cidade de Sais. Ela se autogerou e como a "Mãe Original", uma divindade andrógina, englobava tanto o feminino como o masculino. Criar matéria para existir e viver é uma das naturezas primárias desta Deusa no processo da Criação.
Sua função mais antiga parece haver sido uma Deusa guerreira e da caça, embora também foi Deusa da Sabedoria. No período pré-dinástico tinha a forma de escaravelho e posteriormente, seus atributos foram o arco e flecha cruzadas sobre o escudo, que constituíam seu emblema. Também levava uma coruja na mão direita e uma lança na esquerda. Foi por isso, que Heródoto a associou a Atenas.
De acordo com registros egípcios, seu culto era muito antigo, sendo que duas rainhas da Primeira Dinastia receberam seu nome. Ela usava a coroa vermelha do Baixo Egito e em suas mãos segurava um arco e duas flechas. O abutre era o animal sagrado de Neith e de outras deusas. O símbolo hieroglífico para "mãe" era um abutre. Ele come os cadáveres e lhes dá novamente a vida, simbolizando o ciclo da perpétua transmutação morte-vida. Nos textos das pirâmides, foi identificado com a deusa Ísis. As misteriosas palavras de Ísis, as que conferem vida devem ser conhecidas pelos defuntos:"A posse da oração do abutre te será benfazeja na região dos mil campos".
A partir do Reino Antigo, Neith, protegia Osíris, Rá e o faraó e era identificada com a abelha. Símbolo real e solar, a abelha era asssociada ao raio e nascera das lágrimas de Rá caídas na terra. No plano social ela representa o Mestre da Ordem e da prosperidade e também o ardor guerreiro ou a coragem. Seu simbolismo estabelece a ordem e a harmonia, tanto pela sabedoria como pela lança.
No Reino Novo era chamada de "Deusa-Mãe" e teria dado à luz a Rá, enquanto se lavava nas águas de Nun, por isso assumiu a posição de Deusa Primordial e é a "iniciadora do nascer, depois de não haver nascido", adquirindo deste modo os atributos da deusa Nut.
Todas as Deusas partenogenéticas criadas por si mesmas sem a ajuda da inseminação do varão, gradualmente se transformaram em noivas, esposas e filhas, como resposta ao sistema patriarcal e patrilinear e com a Deusa Neith, não foi diferente.
Em Sais, de onde procedia, era esposa de Sobek, enquanto em textos de Reino Antigo, tinha a Seth como marido e era mãe de Sobek, com o Título de "Amamentadora de Crocodilos". Outro centro do culto era Esna, onde era conhecida como "Aterradora", aqui era esposa de Jnum e mãe de Apofis.
Como "Dama do Ocidente" era a protetora dos mortos e velava o defunto junto com Ísis, Neftis e Selket. No famoso túmulo de Tutankamon foi encontrado quatro estatuetas douradas pequenas de quatro deusas são elas: Aset (Isis), Nebt-Het (Nephtys), Serqet (Selket) e Nit (Neith). Neste contexto, podemos identificar Neith, como protetora dos mortos, é mencionada no "Livro dos Mortos", como aquela que assegura a passagem do defunto para a outra vida. Também, o linho que envolvia a múmia eram tecidos por Neith. Desta forma, as múmias ficavam sob sua proteção. Sendo assim, Neith é uma das Deusas tutelares da morte e exerce função no renascimento da alma.
Em alguns textos aparece como uma "Vaca Celestial" (igual a Hathor), que surge do caos primordial e ajuda o nascer do Sol. Nessa forma, associada ao tempo primário e a recriação diária, abria os caminhos do Sol. Muitas referências feitas ao renascimento do Sol nos vários pontos do céu durante as mudanças sazonais demonstram os diferentes aspectos de Neith, que reina em forma de Deusa celeste.
Em um mito, Neith é convidada por outros deuses para julgar no conflito entre Seth e Hórus sobre quem deveria herdar o trono do Egito, em função de sua grande sabedoria. É reconhecida aqui como a "Mãe Anciã". Ela sugeriu que Hórus fosse feito rei e que Seth deveria receber duas Deusas semíticas como prêmio de consolação. E, assim foi feito.
Plutarco visitou o grande templo de Neith em Sais, chamado Sapi-meht, e lá leu a inscrição:"Sou tudo o que já existiu, existe e que virá a existir. Nenhum mortal até hoje foi capaz de erguer o véu que me cobre". Parte desse santuário era uma escola de medicina chamada "A Casa da Vida" Essa escola era cuidada pelos sacerdotes de Neith, que eram médicos, especialistas em obstetrícia.
Neith era a divindade das ervas, magia, cura, conhecimentos místicos, rituais e meditação. Era a patrona das artes domésticas, tecelagem, caça, medicina, guerra e armas. Era também considerada a protetora das mulheres e do casamento.
As egípcias conheceram um mundo em que a mulher não era nem adversária, nem serva do homem. O segredo de viverem a plenitude como esposas, mães, trabalhadoras, ou como iniciadas nos mistérios do templo, sem renunciar a sua identidade em favor do homem, reside na forte presença das Deusas, que lhes davam um modelo claro de comportamento para todas as mulheres.
Se todos nós humanos, fomos criados à imagem e semelhança de um criador e só há um deus masculino, baseada em que imagem foram criadas as mulheres? Sabemos que os meninos, fazem de seus pais modelos de comportamento. Se vives em uma cultura onde só há um deus masculino e nenhuma Deusa, aonde está o modelo feminino? Como podem as meninas aprender a ser mulheres sem a Deusa?
Neith chega até nós para nos dizer que é hora de levantarmos nossos véus e nos conhecermos verdadeiramente. Quando você se olhar no espelho, poderá ver-se com a cabeça de uma górgona coberta de serpentes. Entretanto se olhar novamente com os olhos do discernimento poderá visualizar sua própria beleza imortal.
Hoje, nós mulheres, somos obrigadas a desenvolver os aspectos masculinos e patriarcais, para sermos aceitas no mundo dos homens. Entretanto, isso não implica em desistir do seu "ser" feminino. A própria Mãe Natureza se encarrega de nos lembrar quem somos quando damos à luz a uma nova vida, experiência tão profunda ancorada em nossa existência biofísica, que somente em casos muito raros passa desapercebida. É neste mágico momento, que a mulher pode experimentar a si mesma como criadora e como fonte de vida, irrefutavelmente e em uma profundidade que torna superficiais todas as atitudes equivocadas da sua consciência. Mas, até nesta hora, a mulher moderna, pode permanecer oculta entre véus, por medo profundo do Feminino, com medo dela própria, com medo da sua incompreensível natureza feminina.
Experienciar a si mesma, com a ajuda da Deusa, nos fará ver com clareza a totalidade da humanidade como uma unidade dos aspectos masculinos e femininos.
SIMBOLISMO
Os símbolos e imagens sagradas das Deusas, seus animais e pássaros, eram mais verdadeiros que os sucessos reais do cotidiano. São símbolos que nos dão acesso a esta vigorosa cosmovisão centrada na Terra e na adoração da Vida, através dos quais nós podemos deduzir o tipo de sociedade que criou estas imagens. Jung dizia que estes símbolos são"os frutos da vida anterior que fluem para fora do inconsciente".
A Deusa em todas as suas manifestações é símbolo da Unidade de toda a vida na Natureza. Seu poder é encontrado nas águas, nas pedras, nas tumbas e covas, nos animais e pássaros, nas serpentes e nos peixes, nas colinas, nas árvores e nas flores. Eis aqui a percepção holística da santidade e do mistério de tudo que há na Terra.
Devemos ter em mente também, que o símbolo natural, sem que estejamos suficientemente conscientes do fato, é idêntico à realidade do mundo natural que aparece para nós, pois cada objeto da natureza é ao mesmo tempo uma realidade simbólica. A psique com certeza não usa um objeto da natureza como símbolo, mas a experiência de um objeto já é sempre uma experiência simbólica. A montanha ou a árvore dentro de nós não é menos simbólica nem menos real que a experiência corpórea. Pois cada possibilidade de experiência ou pressupõe uma atividade espiritualmente formadora, isto, é simbólica, ou idêntica a ela. Explicando melhor, tudo aquilo que é espiritual aparece para nós primeiramente não apenas na natureza, mas como natureza. Por esta razão, a imagem como um símbolo natural sempre se refere a um objeto da natureza que era venerado como o numinoso, fosse ele mineral, vegetal ou animal, água ou raio, sol ou lua, ou algo mais abrangente, como o céu e a terra. O espiritual e simbólico é idêntico a tudo aquilo que é dado na natureza.
A cultura do Egito Antigo, tomou como deleite os portões naturais desse mundo e construiu magníficos santuários, templos, tumbas, pirâmides, criações soberbas, tão conhecidas por todos nós. Esta época, foi portanto, um período de estabilidade e criatividade notáveis, um tempo livre de contendas.
A cultura deste povo era a cultura da Arte.
A existência humana hoje, repousa em um equilíbrio precário. Nosso dever é preservar o que já existe, mas devemos velar para que os momentos de "passagem" se desenrolem corretamente. Nestas horas, quem virá em nosso auxílio será nossa querida Deusa-Mãe. Só Ela conhece todos os segredos da Criação. Só Ela "refaz tal como foi feito no começo", coloca no presente "a primeira vez", restitui o mundo "àquele tempo".
RITUAL.
Deve ser realizado na Lua Crescente
Objetos necessários:
- Uma vela branca ou azul bem claro
- Incenso de lavanda
Após lançar o círculo e invocar os quadrantes, erga seus braços e diga:
Caçadora obscura, abridora de caminhos
Eu chamo seu nome.
Você que é tudo o que já foi, é e virá a ser
Ensina-me os mistérios obscuros e sagrados
Pois sem compreender os sonhos que me conduzem a estradas internas
Não sou completo
Os sonhos ensinaram aos antigos, e me ensinam hoje
Ensine-me, grande Neith!
Cruze suas mãos sobre seu peito e espere pelas bênçãos de Neith. Erga seus braços em movimento mais uma vez e diga:
Caçadora prateada que cavalga pelas pálidas nuvens da meia-noite
Eu saúdo sua luz celeste com alegria.
Bela dama da noite, eu aguardo os sonhos que me enviará,
Visões e magia fazem parte de seu poder.
Ensina-me os mistérios da Deusa Tríplice,
Mãe da cura e da sabedoria antiga, me abençoe!
Fite a luz da vela. Observe atentamente o trepidar da chama e associe ao trabalho de seu cérebro, que neste momento busca trajetos, pontes que se conectem com sua memória ancestral. São memórias muito antigas que esperam ser descobertas por você. Nós somos nossos antepassados, pois suas experiências e memórias ainda vivem dentro de nós. Nós somos as filhas da Deusa e cada uma de nós veio para este mundo com uma missão especial.
Rosane Volpatto.

DEUSA HATOR.

A reliogiosidade estava presente em todos os atos da vida cotidiana dos egípcios antigos. Divinizavam as forças da natureza, igual a todos os povos da Antiguidade. A cultura egípcia concebia, entretanto, o mundo físico como uma simples passagem e evolução do homem imortal, sujeito à lei da reencarnação. Era uma cultura essencialmente baseada nos mistérios da morte e toda referida ao futuro. Por isso sua influência no mundo Ocidental foi escassíssima: um povo que tinha posto seus ideais num mundo ultratumba nada podia ensinar à cultura grega, destinada a afirmar a mais alegre e luminosa glorificação da vida ativa, colorida e presente, completamente alheia à história e despreocupada com o futuro. Na cultura egípcia tudo é simbólico, desde as pirâmides e a esfinge até as pinturas e arquiteturas do império médio e novo, todas as manifestações do espírito egípcio são portadoras de significado místico e religioso.
A consciência do poder regenerativo da Natureza se refletia no culto que os egípcios rendiam as suas forças e a toda uma série de deuses e deusas zoomórficos.
A deusa Hator, por exemplo, é adorada na forma de uma mulher com chifres de vaca e um disco solar na cabeça, como uma mulher com cabeça de vaca ou simplesmente uma vaca, cujo ventre salpicado de estrelas formava o céu. A serpente e o corvo entram na composição dos emblemas que acompanham a sua imagem. Hator é uma das deusas mais veneradas, conhecida como “dama da embriaguez”. Na mitologia Egípcia é a deusa do céu, filha do deus Sol, Ra, deusa da fertilidade, protetora das mulheres, da astrologia, do casamento, dos vivos e dos mortos, também era deusa do Amor e da Beleza, muito semelhante a deusa grega Afrodite ou à Vênus dos romanos. Muitos elementos na maquiagem da deusa Afrodite é modelado no estilo do Egito de Hator.
É freqüentemente descrita como a mãe de todos os Faraós do Egito.
A deusa Hator representava o amor e sexualidade e é associada com os aspectos eróticos do vinho e da dança. O Faraó era o filho de Hator e portanto, todas as sacerdotisas do Faraó eram automaticamente sacerdotisas de Hator. É considerada também como sendo uma divindade da Batalha além de ser identificada com a Estrela Sírius. Os Egipcios acreditavam que Sirius detinha o destino de nosso planeta. É para lá que iam as almas dos Faraós e sacerdotes após a morte para "receberem instruções" e ganhar conhecimento. Alguns historiadores pensam que à partir desta estrela chegaram ao Egito os Deuses que ensinaram toda a sua sabedoria a este povo, cuja a forma é de uma novilha, doce e maternal. A novilha celeste, a deusa Hator e o fiel cão de guarda Anúbis, lembram sem dúvida as crenças duma população camponesa cujas idéias e cujos trabalhos se associavam intimamente aos animais da fazenda e da casa.
A imagem de Hator está presente em muitos dos antigos templos egípcios, como na cidade de Dendera. Seu templo, neste local, foi erguido no período de dominação grega e romana, embora também conservem tumbas das primeiras dinastias faraônicas. As paredes de seu templo estão cobertas de gravações dos Imperadores romanos Tibério, Calígula, Cláudio e Nero.No templo da cidade de Dendera, dedicado a Hátor, as colunas das duas salas hipóstilas têm capitéis em forma de sistro, que era o instrumento musical sagrado da divindade. No centro de uma das paredes exteriores, que era dourada, havia também um relevo representando um sistro, demonstrando a importância deste instrumento no culto da deusa, enquanto o dourado evocava outro epíteto de Hátor: o ouro dos deuses.
Hator, a Dourada, é uma das mais antigas deusas do Egito e uma espécie de deusa-mãe. Conhecida como a face do céu, a profundeza, a dama que vive num bosque no fim do mundo, era uma divindade de muitas funções e atributos. A maternidade e o dom do aleitamento eram suas propriedades principais desde os primórdios e assim permaneceram ao longo dos tempos. Entretanto, em Mênfis ela é conhecida pela designação de senhora do sicômoro, e em outras localidades ela é também a senhora das turquesas e a padroeira dos mineiros, e ainda senhora dos países longínquos e protetora dos viajantes.
Os símbolos da deusa Hator são são a cana de papiro, leões e a cobra.
Rosane Volpatto.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A deusa Virgem-mãe do antigo Egito.


“Sonho, metafísica e poesia - tudo a um tempo”: assim T. Rundle Clark considera a mitologia egípcia. E se o mito era a única via de expressão das idéias sobre o Cosmos e sobre o Humano, nesses mais antigos estágios da humanidade, podemos entender porque as lendas e a religião egípcias surgem-nos, hoje, como simples, absurdas ou tão profundas. É que não há necessidade de coerência, de lógica, para os mitos.
No tocante a essa mitologia citada especificamente, sabe-se que funcionava como uma linguagem. Daí, as ações surgirem alteradas, reaparecerem com outros protagonistas, até, sem incorrer, isso, em trunfo do incoerente.
Verdade, também, que a linguagem sagrada fundamentou-se em certos princípios, ainda não cabalmente entendidos pela modernidade histórica. Um dos conceitos mais comuns do pensamento religioso do Antigo Egito, o da Alma, reconciliava a idéia de que “todo o poder pertence a Deus” com o sentimento que os egípcios tinham da “multiplicidade do mundo”. O que encontra fundamento no parecer de O. E. James, quando diz que “o estudo dos testemunhos arqueológicos revelou que a religião pré-histórica concentrou-se e desenvolveu-se em torno dos três fatos mais desconcertantes com que o homem primitivo teve de se defrontar no decurso de sua vida cotidiana: o nascimento, a morte e a obtenção dos meios de subsistência nas precárias condições em que vivia...”
Equívoco comum, do agora, é crer-se que toda a religião egípcia evidenciava um “culto da morte”. Nos períodos turbulentos do desmoronamento do Antigo Reino, surge um escrito, o Diálogo dos Angustiados, que precisa e exata o apego dos egípcios à vida. Trata-se do colóquio entre o homem e a própria alma. A “atualidade” do mesmo dissolve tempo e espaço: “O homem afirma que em tempos desesperados - em que a honestidade é caçoada, a honra espezinhada, a ânsia desregrada, quando não se pode confiar mais nem no irmão - a morte é a única solução desejada” - Federico A. Arborio Mella. E, nesse diálogo, a resposta da alma é: “A morte é sempre o pior dos males, o corpo jazerá inerte num túmulo luxuoso até que se deteriore, mas também o túmulo está destinado à ruína; nunca mais verá o Sol, não gozará mais da natureza. Escuta-me, esquece a pena e passa um dia feliz”.
Se a religião é um termo complexo, a antiga religião egípcia o é assim, especialmente: pela diversidade da civilização, bem como por penetrar e moldar todo o aspecto da vida. Os deuses estavam em toda parte, não havia dicotomias tais religião e ciência, clérigo e leigo. O rei era o Sumo-Sacerdote. Tudo pertencia à mesma ordem, não havia reinos distintos do ser. E o ritual constituía o “primeiro e mais característico sinal da religião”.
Também de modo original, essa religião surgiu diretamente dos costumes dos agricultores e pastores pré-históricos. É provável que o culto principal do povo pré-histórico fosse o da Deusa-Mãe (no começo, o céu). Essa adoração primitiva parece ter se mantido entre a plebe, até a grande expansão dos Mistérios de Ísis, nos séculos II e III a.C.
Paulo de Tarso dizia: “A letra, o espírito vivifica”. A tradição egípcia repousa, notadamente, em seus hieróglifos, ao contrário de outras culturas sobreviventes atlantes (lacedemônios, etruscos e druidas da Britânia), que se fixaram na tradição oral. Para os antigos egípcios, o criador real era a Palavra - a primitiva fala que proveio de Deus e da qual todas as coisas obtiveram seus nomes. A teologia egípcia padrão resume-se em: “A palavra é tudo o que é bom e justo”.
E a Senhora da Palavra é a deusa Ísis.
No passado nilótico houve, desde os inícios, a consciência de que havia um só Deus, do qual, mesmo Osíris, ao surgir no panteão egípcio, era apenas uma forma parcial - como religião primitiva, não admitia outra realidade que não Deus; portanto, todas as coisas são reflexos, ainda que distorcidos, da divindade. O “deus despedaçado” - Osíris -, portanto, como um deus masculino, constitui-se numa “especialização” da divindade maior, vez que esta transcende valores tais como masculino e feminino. Para Antônio Carlos Fanjani, quando o mito define o sexo de um deus, está “simplesmente ressaltando um dos aspectos da divindade, deixando o outro oculto, latente”.
Ísis, a contra-parte, o complemento de Osíris, encarna o princípio feminino.
Através dos seus tratados médicos, fica evidenciado o conhecimento que os egípcios tinham, de que os vasos sanguíneos nascem do coração, espalhando-se para todos os membros. Daí, para eles, o coração ser o órgão do pensamento, a “sede da mente”. O órgão onde se inscrevem carmicamente as ações dos indivíduos. Para esse povo antigo, era o coração que falava contra as pessoas no Juízo - que é o julgamento de cada um. Portanto, o órgão do Amor, por excelência.
E é como símbolo do Amor que essa deusa egípcia se agiganta: pareceu, sempre, digna, ao povo, pela sua dedicação conjugal, pela face de mãe ou como doadora de afeto genuíno.
Admitindo-se que o oriental, em particular os sumérios e antigos egípcios, experimentavam as variações climáticas das estações de forma mais dramática que os povos do ocidente, chegaremos a um dos elementos construtivos dos famosos Mistérios.
No Antigo reino do Nilo, a iniciação consistia no culto, ou seja, na compreensão da Grande Mãe: “Antes de se conhecer o Grande Negro, deve-se conhecer o Grande Verde” - que é Ísis. Não podemos entender Ísis e Osíris separados um do outro. Esta a causa d’Aquela de Muitos Nomes ter merecido o culto e a celebração de tantas pessoas, por todo o mundo antes; e no atual, sob a aparência da Virgem Maria (ambas são “compassivas libertadoras dos sofrimentos do mundo”).
No Papyrus de Turin, constatamos ser esta deusa a Mediadora entre o Celestial e o terreno. Dela, foi dito: “Aquela que amou os deuses; Aquela que melhor amou o reino dos espíritos”. Ocupava um lugar intermediário, na teogonia egípcia, tal como a própria terra de Khem, à época: ponte entre o passado primordial e o futuro secular e materialista, entre o Sagrado e o profano.
São palavras atribuídas à Deusa: “Revelei à humanidade iniciações místicas. Ensinei a reverência pelos deuses, estabeleci os templos”.
Todas as experiências dos Mistérios, em linhas gerais, convertiam-se em duas vertentes, que formavam a essência das revelações recebidas: naqueles chamados de Menores, ou Mistérios de Ísis, os candidatos conheciam a alma humana e resolviam o mistério da morte. Nos graus mais adiantados, os Maiores, ou Mistérios de Osíris, conheciam a Alma Divina: “Eram levados à comunhão pessoal com o Criador”. Revelava-se-lhes, então, a autêntica história da Atlântida, intimamente ligada à Queda do homem.
Há uma espécie de autobiografia, de Apuleio, escritor do século II, onde esse iniciado revela, desses Mistérios, “o que pode ser revelado”.
Plutarco escreveu: “... devemos ouvir as histórias e fábulas e aceitá-las de quem as interpreta, com espírito reverente e filosófico”.
O grego Platão testemunhou sobre esses Mistérios, assim: “Em consequência dessa divina iniciação, convertemo-nos em espectadores de benditas visões singulares, inerentes à luz pura, e nós mesmos nos purificamos e nos libertamos da roupagem que chamamos corpo, ao qual estamos agora ligados como uma ostra à sua concha”.
Na tradição egípcia, “aquele que conhece o Nome tem o Poder”. Por isso, também, Ela, Ísis, merece o cognome de Poderosa.
Tanto a religião como a magia egípcias tornaram-se inconcebíveis para o homem moderno, quando ele perdeu a capacidade de pensar, em termos simbólicos, de estabelecer verdades em uma linguagem análoga.
Certo é que, dadas manifestações do Uno ajudam mais que outras, num determinado período histórico. Falam a uma época fixa e a uma necessidade específica desse instante. Segundo Artur Versluis, isso foi - e, talvez, ainda o seja - o que se passou com a citada deusa egípcia.
Pausânias conta as histórias de dois homens que desejaram descobrir, por simples curiosidade, os Mistérios da Deusa. Ambos castigados, ao fim das narrativas, o autor conclui: “Não faz bem à humanidade ver os deuses em forma corporal”. E nós corroboramos sua afirmativa, com a frase: “O Sagrado Conhecimento se protege a si mesmo”. Razão especial porque devemos nos aproximarmos desses deuses antigos, com o máximo respeito e devoção. Eles estiveram esquecidos há tanto tempo que, só gradual e humildemente, conseguiremos ganhar-lhes outra vez a confiança.
Se admitirmos o Arquétipo como preexistente a toda experiência humana, pelo fato de pertencer ao plano imaterial, fica estabelecido que “o homem não cria os seus mitos, mas simplesmente os intui”.
Louvor e Serviço, pois, Àquela que de Si disse: “Eu sou tudo o que foi, é ou será, e jamais houve alguém que tenha retirado meu véu”.
Edna Duarte Dantas é advogada, escritora, cantora, artista plática, teosofista, rosa-cruz e maçona ligada à Ordem Maçônica Mista Le Droit Human
Revista ISIS, março de 1996

Fragmentos do Livro de Nod.


Eu sonho com os primeiros tempos; a memória mais longa; eu falo dos primeiros tempos; o mais velho Pai que eu canto dos primeiras tempos e o amanhecer da Escuridão. Em Nod, onde a luz do paraíso ilumina o céu noturno e as lágrimas de nossos pais molharam o solo, cada de nós, de algum modo, define viver e levar nosso alimento da terra.
E eu, Caim o primeiro-nascido, eu, com coisas afiadas, plantei as sementes, no escuro as molhei nas suas covas de terra, as assisti crescer; e Abel, o segundo-nascido Abel, cuidou os animais ajudado por seus herdeiros de sangue e alimentaram-se deles, os assistiam crescer.
Eu o amo, meu Irmão. Ele era o mais luminoso, o mais doce, o mais forte. Ele foi o primeiro motivo de toda minha alegria. Então um dia que nosso Pai disse a nós: Caim, Abel, sobre Mim vocês tem que fazer um sacrifício - um presente da primeira parte de tudo aquilo que vocês têm.
E eu, Caim o primeiro-nascido, eu juntei os brotos tenros, as frutas mais luminosas, a mais doce grama.
E Abel, o segundo-nascido, Abel sacrificou o mais jovem,
o mais forte, o mais doce dos seus animais.
No altar de nosso Pai nós pusemos nossos sacrifícios e acendemos fogo debaixo deles e assistimos que a fumaça os levasse até o único Acima. O sacrifício de Abel, o segundo-nascido, cheirou docemente ao único Acima e Abel foi santificado.
E, eu, Caim o primeiro-nascido, eu fui golpeado de além por uma palavra severa e uma maldição, por meu sacrifício ser desmerecido. Eu olhei o sacrifício de Abel, ainda fumegando, a carne, o sangue. Eu chorei, eu cerrei meus olhos eu rezei noite e dia; e quando o Pai disse: o tempo por sacrifício veio novamente e Abel conduziu seu mais jovem, seu mais doce, seu mais amado para o fogo sacrificatório, eu não levei o meu mais jovem, meu mais doce, porque eu sabia o único Acima não os quereria.
E meu irmão, amado Abel disse para mim, Caim, você não trouxe um sacrifício, um presente da primeira parte de sua alegria, para queimar no altar do único Acima. Eu chorei lágrimas de amor por mim e então, com ferramentas afiadas, sacrifiquei a que foi a primeira parte de minha alegria, meu irmão. O sangue de Abel cobriu o altar e cheirou docemente quando queimou. Mas meu Pai disse "Amaldiçoado é você, Caim que matou seu irmão". Eu fui expulso assim como deveria ser e Ele me exilou para vagar na Escuridão, na Terra de Nod. Eu voei na Escuridão; não vi fonte de luz e eu tive medo. Eu estava só.
A Magia de Lilith.
Eu estava só na Escuridão e eu tive fome. Eu estava só na Escuridão. E eu tive frio. Eu estava só na Escuridão e eu chorei. Então veio até mim uma doce voz, uma voz de mel. Palavras de auxílio. Palavras de conforto. Uma mulher, sombria e adorável, com olhos que perfuravam a escuridão, veio a mim.
Eu conheço sua história", Caim de Nod. Ela disse, sorrindo. "Você tem fome. Venha! Eu tenho comida. Você tem frio. Venha! Eu tenho roupas. Você está triste. Venha! Eu tenho conforto." Quem confortaria um amaldiçoado como eu? Quem me vestiria? Quem me alimentaria ? "Eu sou a primeira esposa de seu Pai, aquela que discordou com o único Acima e ganhou Liberdade na Escuridão. Eu sou Lilith. Uma vez, eu tive frio, e não havia nenhum calor para mim. Uma vez, eu tive fome, e não havia nenhuma comida para mim. Uma vez eu estava triste, e não havia nenhum conforto para mim.
Ela me alojou, ela me alimentou. Ela me vestiu. Nos braços dela, eu achei conforto. Eu chorei até sangue gotejou de meus olhos e ela os beijou. E eu morei durante um tempo na Casa de Lilith e lhe perguntei: "Fora da Escuridão, como você construiu este lugar? Como você fez roupas? Como você cultivou comida?" E Lilith sorriu e disse, ao contrário de você, eu estou "Acordada". Eu vejo as Linhas que giram ao redor de você. Eu faço o que eu preciso com Poder. "Desperte-me, então, Lilith" - eu disse. "Eu tenho necessidade deste Poder. Então, eu poderei fazer minhas próprias roupas, fazer minha própria comida, fazer minha própria casa." A preocupação dobrou as sobrancelha de Lilith. "Eu não sei o que fazer para você Despertar, porque você verdadeiramente é amaldiçoado por seu Pai. Você poderia morrer. Você poderia mudar para sempre." Caim disse: 'Mesmo assim, uma vida sem Poder não será pago vivendo. Eu morreria sem seus presentes. Eu não viverei como seu Thrallî." Lilith me amou, e eu soube isto. Lilith faria o que eu pedi, entretanto ela não desejou isto. E assim, Lilith, os olhos brilhantes de Lilith, me Despertaram. Ela se cortou com uma faca sangrou para mim em uma tigela. Eu bebi profundamente. Era doce. E então eu entrei no Abismo. eu caí eternamente, caindo na escuridão mais profunda.
A Tentação de Caim.
E para a Escuridão veio uma luz-fogo brilhando luminoso à noite. E o arcanjo o Michael se revelou para mim. Eu era destemido. Eu perguntei o que ele queria. Michael, General do Céu, portador da Chama Santa, disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva, seu crime é grande, e também a clemência de meu Pai é grande. Você não se arrependerá do mal que você fez, e deixará sua clemência lavá-lo para que fique limpo ?"
E eu disse a Michael: "Não por graça do único Acima, mas por minha própria vontade que eu vivo, com orgulho." Michael me amaldiçoou dizendo: "Então, que você caminhe nesta terra; você e suas crianças temerão minha chama viva, que morderá profundamente e saboreará sua carne. " E pela manhã„, Raphael veio de asas de lambent, iluminando o horizonte, o guia do Sol, vigia do Leste. Raphael disse: "Caim de Adão, filho de Eva, seu irmão Abel o perdoou de seu pecado; você se arrepende e aceita a clemência do Todo-Poderoso?" E eu disse a Raphael: "Não pelo perdão de Abel, mas pelo meu próprio perdão."
Raphael me amaldiçoou, dizendo "Então, que você caminhe nesta terra, você e suas crianças temerão o amanhecer, e os raios do sol irão queimá-lo como fogo onde quer que você se esconda. Esconda-se agora para o nascer do Sol levar sua ira até você". Mas eu achei um lugar secreto na terra e me escondi da luz ardente do Sol. Profundamente na terra, eu dormi até a Luz do Mundo ser escondida atrás da montanha da Noite. Quando eu despertei de meu dia de sono, eu ouvi o som de suaves asas avançando e eu vi as asas negras de Uriel estendidas ao redor de mim - Uriel, ceifeiro, anjo de Morte, Uriel Sombrio que mora na escuridão. Uriel falou quietamente a mim, dizendo: "Filho de Adão, Filho de Eva, o Deus Todo-Poderoso o perdoou de seu pecado. Você aceitará sua clemência e me deixará levá-lo de volta, já não amaldiçoado ?"
E eu disse a Uriel escuro alado: "Não pela clemência de Deus, mas minha própria vontade que eu vivo. Eu sou o que eu sou, eu fiz o que eu fiz, e isso nunca mudará." E então, por Uriel o terrível Deus Todo Poderoso me amaldiçoou, dizendo: "Então, para que você caminhe nesta terra, você e suas crianças se agarrarão a Escuridão. Você só beberá sangue. Você só comerá cinzas. Você sempre será como você estava na morte. Nunca morrerá, se mantendo vivo. Você entrará para sempre na Escuridão, tudo que você tocar irá se tornar em nada, até os últimos dias."
Eu dei um grito de angústia a esta maldição terrível e rasguei a minha carne. Eu chorei sangue. Eu peguei as lágrimas em uma xícara e as bebi. Quando eu observei minha bebida pesadamente, o arcanjo Gabriel, Gabriel gentil, Gabriel o senhor da clemência, apareceu a mim. O arcanjo Gabriel disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva – vá! A clemência do Pai é maior que você sempre soube, agora há um caminho aberto, uma estrada de clemência que você chamará de Golconda e fala para suas crianças disto, para que seguindo esta estrada possam morar na Luz uma vez mais." E com isso, a escuridão foi erguida como um véu e a única luz eram os olhos luminosos de Lilith. Olhando ao redor de mim, eu soube que tinha Despertado.
Quando minhas primeiras energias surgiram através de mim eu descobri como me mover como o raio [Celeridade], como obter a força da terra [Potência], como ser como pedra [Resistência]. Lilith então mostrou para mim, como ela se esconde de caçadores [Ofuscação], como ela ordena obediência [Dominação], e como ela exige respeito [Presença]. Então, despertando-me adiante, eu achei o modo para alterar formas [Metamorfose], o modo de ter domínio sobre animais [Animalismo], o modo para fazer olhos ver o passado [Auspícios].
Então Lilith mandou que eu parasse, dizendo que eu tinha alcançado meus limites. Que eu tinha ido muito distante. Que eu ameacei minha essência. Ela usou seus poderes e me comandou que parasse. Por causa do seu poder, eu atendi, mas profundamente dentro de mim uma semente foi plantada, uma semente de rebelião e quando ela virou sua face para mim, eu me abri mais uma vez, para a Noite, e vi as possibilidades infinitas nas estrelas e soube que um caminho de poder, um caminho de Sangue eu tomei, e assim despertado em mim este Caminho Final, do qual todos os outros caminhos cresceriam. Com este mais novo poder, eu quebrei os laços que a Senhora da Noite que me vestiu. Eu deixei a Rainha Maldita naquela noite, me escondendo nas sombras, eu fugi as terras de Nod e vim para um lugar onde os demônios dela não poderiam me achar.
Do Livro de Nod. As Crônicas de Caim.