contos sol e lua

contos sol e lua

domingo, 9 de agosto de 2009

RAÇA CIGANA.

OS meteoros dourados refulgem no fundo dos céus,
Rasgando o futuro da alma sempre a caminho de Deus.
A música, mágica, mística, ofusca os mais belos astros.
Sol, amor, liberdade ficam como eternos rastros.

Vem! Caminhar é preciso. O infinito é mesmo ali.
Deixe transbordar o suor. O que conta é somente a vida.
Há mais adiante um campo com água limpa e farta comida.
Foi na carta vinte e nove que tudo isto eu senti.

Nossas crianças (ciganas), são flores , donas do horizonte.
Nossas Mulheres (ciganas), rainhas. Do amor doce fonte.
Os velhos (ciganos), nossa segurança. Minas de imenso saber.
Os homens (ciganos), muralhas serenas a nos proteger.

Cresça, melhore, evolua, você que ainda é humano.
E um dia, quem sabe, poderá até chegar a ser cigano.
Viverá com nossa ciência. Sorrirá com nossa alegria.
Saberá vir antes do sol e fazer o seu próprio dia.

Siga os sentimentos puros e espalhe alegria em seu caminhar.
Siga a estrada da vida. Faça do bem seu eterno altar.
E tudo o que for de bondade, siga. Dance nossos cantos ufanos!
Siga-nos, siga-nos! Seja feliz. Siga os ciganos.

A MAGIA CIGANA.

A integração dos ciganos com a natureza é permanente, obrigatória sob um ponto de vista imprescindível sob outro. Dizemos que é obrigatória, pois com sua vida andarilha, suas caravanas muitas vezes viajando sem rumo absolutamente determinado, sua ânsia constante de viver de modo livre e aventureiro, onde mais montar suas barracas, arranjar seus acampamentos, arrumar suas bagagens pelo menos durante um certo período de tempo, senão a céu aberto, “dentro” da natureza, tudo muito próximo a rios, cachoeiras ou outros remansos de água – doce , de que eles necessitam para cozinhar, lavar as roupas, se banharem? Por esses fatos e pelos conseqüentes de uma maneira de viver nômade, é bastante fácil compreender a obrigatoriedade do convívio entre os ciganos e a natureza.
A natureza é a generosa doadora da própria sobrevivência cigana. Nela o povo cigano busca os mais variados tipos de alimentos e água, líquido precioso de sustentação da vida. É verdade, que quando passam pelas cidades, compram gêneros alimentícios, tecidos, ferramentas e outros bens necessários, mas a natureza que referenciam o principal apoio de vida. Todavia, o povo cigano não entende a natureza somente como a doadora dos elementos fundamentais como alimentos e água, mas como fonte inesgotável de energia. Aí começa o lado mágico da natureza cigana por assim dizer, o fundamento etéreo da vida, o lado abstrato muitas vezes não compreendido racionalmente pelos próprios ciganos.
Eles entendem em vários aspectos, que a natureza é que fornece a vitalidade, o frescor da vida renovada a cada dia do ponto de vista da troca energética. Do céu, dos astros do firmamento, do Sol, da Lua em suas diferentes fases, desce a energia positiva de Deus, a força divina mantém o homem em pé, apto ao trabalho, às caminhadas, a geração de filhos e a todos os tipos de alegrias, sensações, emoções e sentimentos. A terra, o solo onde pisam propositalmente sem sapatos é a Mãe-Terra, que recebe sem recusas e sempre aberta a todas as energias negativas, os temores, as angústias de um povo tantas vezes perseguido, as tristezas e os desconsolos que maltratam a alma e o coração. A terra abençoada, que recebe sem reclamos os despojos daqueles que dormem nos braços da morte, transformando-os em formas de vida.
Os ciganos não são politeístas. Adoram e veneram um só Deus, mas tal como vários povos que viveram e vivem em estreito contato com a natureza, vêem as naturais manifestações desta como divindades. Assimilam dos astros do céu, abençoam e pedem bênçãos à chuva, as águas dos rios, das cascatas, riachos, cachoeiras, às árvores das matas, respeitando os trovões, a força devastadora dos raios e o fogo, que aquece, protege e purifica.
Os ciganos admiram os pássaros, as flores, os animais, toda a forma de vida que brota da natureza, pois entendem que a todos são maneiras de Deus se revelar aos homens, sendo tratados portanto com carinho e respeito. Eles compreendem que o ar é energia vital, o elemento vivificante da vida e oram para que as ventanias, tufões e vendavais não destruam seus acampamentos e seus lares-tenda.
Existe idéia enganosa de que os ciganos temem as águas do mar, o que é uma perfeita bobagem. Eles singraram os mares nos tempos das colonizações, inclusive a brasileira, em caravelas e muitos deles viviam nestas embarcações como prisioneiros condenados colocando a força de seus braços nos remos, que moviam estes barcos (para um cigano a prisão é a pior coisa em sua vida que possa existir, preferem morrer do que ficar sem a liberdade que é o que mais prezam).
A verdade é que as águas salgadas não tinham serventia para beber, cozinhar, lavar as roupas etc., então eles procuravam ficar sempre próximos a locais de água – doce . Segundo seu conceito mágico da natureza os ciganos reverenciam as águas do mar e as deidades que nelas habitam, pois muitos trabalhos de magia são feitos nas areias do mar, para os ciganos as águas salgadas têm a função de fazer a limpeza energética de todos os seres do planeta que nele habitam.
Os ciganos respeitam e reverenciam os quatro elementos, terra, água, ar e fogo, cultuando os elementais ligados a estes elementos. Eles podem não chamar os elementais pelos nomes tão em voga atualmente (gnomos, duendes, fadas, sílfides, salamandras, ondinas, nereidas, sereias), mas admitem sua existência e importância. Sendo místicos do jeito que são, não deixariam de reconhecer nos elementos e nos elementais, uma força extraordinária, real e auxiliadora, tanto que nos seus trabalhos mágicos não deixam de pedir permissão a eles, para a manipulação das energias da natureza.
O povo cigano também acredita em presságios e avisos provenientes da natureza e de seus elementos. Na verdade, eles são muito inteligentes a ponto de identificarem as mensagens oriundas das forças naturais e tomarem seus cuidados e prevenções, Eles são meteorologistas natos não necessitando de instrumentos ou outras sofisticações para saber quando vai chegar uma tempestade, uma nevasca, ou um sol de rachar. Sabem reconhecer quando há água por perto, ou a viagem prosseguirá em terreno árido e seco. Pressentem os perigos das selvas, das matas pelos movimentos dos animais, pela revoada dos pássaros e outros sons peculiares da natureza.
É sábio o povo que sabe ouvir a natureza, convivendo com ela pacífica e respeitosamente, e nisto o povo cigano é mestre. O convívio harmonioso, que de certa forma podemos dizer que um cigano é mais uma das manifestações da Mãe Natureza ou Natureza travestida na forma humana, sinônimos, mãe e filho, ou ainda, uma expressão mais abrangente, uma autêntica família. Por isso a Vida Cigana é mágica

O ALTAR.

È comum encontrar nos altares ciganos

as imagens de N.Sra.Aparecida,

Sara Kali, Virgem de Guadalupe,

N.Sra.de Lourdes, Virgem de Loretto,

mas não só imagens católicas:

Os Mestres Ciganos considerados

protetores espirituais, estatuetas

hindús, além de alguns símbolos:

punhal, jarros com flores, ímas,

velas, taças, cristais,cartas,

incensários...



Simbologia:


* punhais - utilizados nos rituais de

magia para eliminar as más energias

poder e força, ligado ao elemento ar.

Energias, simbolizam



*cristais - reequilibram as energias dos

ambientes, protegem o lar, iugados ao

elemento terra.



*incensos - purificam, protegem e

ativam energias específicas,

ligados ao elemento ar.



*velas - luz, fogo purificador, as

velas são paraagradecer, louvar,

atrair boas energias.



*taça - água, purifica o ambiente,

condensadorade fluídos.



Onde fazer o altar:


- Em um ponto energético de sua

casa ou templo, escolhido

pela intuição, coloque as imagens

sobre uma toalha ou

lenços coloridos, use leques, sol

estrelas de cinco ou seis pontas,

flores e seu canto estará

completo.



Como cuidar do altar:



- Limpe com água e sal grosso, energize

com ervas maceradas de alecrim,

essência de cedro, alecrim e verbena

diluídos em água, enxugar com

pano limpo e branco. Acender

incenso de rosas, assim os objetos

estarão livres de influências negativas.

E depois: Receba as bençãos! Optchá!

PRECE CIGANA KATSHIMOSHY.


SENHOR! EU TE AGRADEÇO PELA VIDA E POR ESTA NOVA MANHÃ!... AJUDA-ME A ENCONTRAR AS PESSOAS QUE DEVO, A OUVIR AQUELAS COM QUEM QUERES QUE ME COMUNIQUE... MOSTRA-ME COMO AJUDÁ-LAS OU COMO RECEBER ALGUMA COISA QUE TENHAM A DAR... AJUDA-ME A SER UM AUXÍLIO, UMA BÊNÇÃO AOS MEUS! A ORDEM DIVINA TOME CONTA DE MINHA VIDA HOJE E TODOS OS DIAS! HOJE É UM NOVO E MARAVILHOSO DIA, E NUNCA HAVERÁ UM DIA COMO ESTE... A MINHA VIDA É COMANDADA DE FORMA DIVINA E TUDO QUE EU FIZER IRÁ PROSPERAR... O AMOR DIVINO ME CERCA, ME ENVOLVE E ME PROTEGE - E EU CAMINHO EM PAZ! SEMPRE QUE MINHA ATENÇÃO FOR DESVIADA DO QUE É BOM E PRODUTIVO, EU A TRAREI DE VOLTA PARA A CONTEMPLAÇÃO DO QUE É ADMIRÁVEL E DE BOA FAMA! SOU UM IMÃ MENTAL E ESPIRITUAL, ATRAINDO TODAS AS COISAS QUE ME FAZEM PROSPERAR... HOJE EU VOU ALCANÇAR UM ENORME SUCESSO EM TODAS AS MINHAS TAREFAS... HOJE EU VOU SER FELIZ O DIA TODO! SALVE DEUS!

SANTA SARA KALI.

Cointa a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões.
Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio. Segundo Míriam Stanescon - Rorarni (princesa do clã Kalderash), deve ter nascido deste gesto de Sara Kali a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: Dalto chucar diklô (Te darei um bonito lenço).
Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um diklô, o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.
Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos. Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo. A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco). Talvez seja este o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte de simpatias e garrafadas milagrosas para fertilidade.

OS REPRESENTANTES DA SABEDORIA.


Talvez em todo o clã cigano, sejam os idosos os merecedores da mais alta estima e respeito. Eles são vistos e tratados como os detentores da sabedoria, da experiência de vida acumulada e seus conselhos são ouvidos pelos jovens e pelos adultos como sendo a voz do conhecimento aprendido na prática da vida do dia-a-dia.

Responsáveis pela transmissão oral dos ensinamentos e tradições, eles são considerados como sábios, o passado vivo e manda a tradição que os mais jovens lhes beijem as mãos em sinal de respeito. Possuem lugar de destaque nas festividades e cerimônias, atuando também como conselheiros e consultores nos tribunais de justiça.

Eles são cuidados com desvelo e tratados com toda a dignidade pelos demais. Esta forma de tratamento faz com que se mantenham lúcidos até o final de suas vidas, pois nada é mais doentio para uma pessoa idosa de qualquer sociedade do que ser tratada como resto, uma pessoa inútil e sem valor, um fardo ser carregado pelos mais jovens.
CIGANOS - OS FILHOS MÁGICOS DA NATUREZA
R. M. Schepis

A FAMILIA

O comando da família é exercido de maneira completa e responsável pelo homem. Ele é o líder e à ele competem a proteção, a segurança e o sustento da família. A mulher e os filhos o respeitam como máxima autoridade e lhe são inteiramente subordinados.

São os homens que resolvem as pendências, acertam o casamento dos filhos, decidem o destino da viagem e se reúnem em conselhos sobre assuntos abrangentes e comuns ao Clã.

As mulheres ciganas não trabalham fora do lar e quando vão às ruas para ler a sorte, esta tarefa é entendida como um cumprimento de tradições e não como parte do sustento da família, apesar de elas entregarem aos maridos todo o dinheiro conseguido.

Os ciganos formam casais legítimos unidos pelos laços do matrimônio, não fazendo pare de seus costumes viverem amasiados ou aceitarem o concubinato. Vivem juntos geralmente até a morte e raramente ocorrem entre eles separações ou divórcios, que somente acontecem se existir uma razão muitíssimo grave e com decisão do Tribunal reunido para julgar a questão.

Os pares ciganos, marido e mulher, são muito reservados e discretos em público, não trocando nenhum tipo de carinho que possa ser entendido como intimidade, que é vivida somente em absoluta privacidade.

Enquanto o homem representa o esteio e o braço forte da família, a mulher significa o lado terno e de proteção espiritual dos lares ciganos.

Cabe às mulheres cuidarem das tarefas do lar e as meninas ficam sempre ao redor da mãe, auxiliando nos trabalhos da casa, ajudando a cuidar dos irmãos menores e aprendendo as tradições e costumes como a execução da dança, a leitura das cartas e das mãos, a realização dos rituais e cerimônias, os preceitos religiosos.

Se uma criança ou jovem cigano sai dos eixos, tem um comportamento inadequado ou procede mal, geralmente mulher é responsabilizada por tais feitos.