contos sol e lua

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os Eteres e as Leis da Natureza.

Falar do Éter como uma avenida de forças, não tem significado para a mente comum, porque a força é invisível. Mas, para um investigador do ocultismo, as forças não são meros nomes como vapor, eletricidade, etc.. Ele considera-os inteligentes em vários graus, tanto sub como super humanos. O que nós chamamos "Leis da Natureza" são inteligências superiores que dirigem seres mais elementares, de acordo com certas regras planejadas para promover a sua evolução.

Na Idade Média, quando muitas pessoas ainda eram dotadas de uns restos de clarividência negativa, elas falavam de duendes, gnomos ou fadas, que vagavam pelas montanhas e florestas. Estes eram os Espíritos da Água que habitavam rios e regatos e falavam também dos silfos que habitavam nas névoas sobre fossos e charnecas como Espíritos do Ar, mas pouco foi dito sobre as salamandras, pois eram Espíritos do Fogo, portanto não tão facilmente detectadas nem tão prontamente acessíveis à maioria das pessoas.

As velhas histórias folclóricas são agora consideradas como superstições, mas, na verdade, alguém dotado de visão etérica pode ainda perceber os pequenos gnomos colocando a clorofila verde nas folhas das plantas e dando às flores a grande variedade de cores delicadas que encantam nossos olhos.

Muitas e muitas vezes os cientistas tentaram dar uma explicação adequada sobre os fenômenos do vento e da tempestade, mas falharam, evidentemente, como também não têm sucesso quando procuram uma solução mecânica para o que é, na realidade, uma manifestação de vida. Se eles pudessem ver a multidão de sílfides esvoaçando para lá e para cá, saberiam, quem, e o que é responsável pela inconstância do vento; se pudessem apreciar uma tempestade no mar, do ponto de vista etérico, poderiam entender que o ditado "a guerra dos elementos" não é uma frase oca, pois o mar encapelado é, realmente, o campo de batalha das sílfides e das ondinas, e o uivo da tempestade é o grito de guerra dos espíritos no ar.

As salamandras são encontradas por toda a parte e nenhum fogo é ateado sem a sua cooperação, mas elas são muito mais ativas no subsolo. São responsáveis pelas explosões e erupções vulcânicas.

As classes de seres que mencionamos são ainda sub-humanas, mas todas, em alguma época, irão atingir um estágio de evolução correspondente ao humano, todavia sob circunstâncias diferentes das em que nós evoluímos. Porém, atualmente, as inteligências maravilhosas de que estamos falando como Leis da Natureza, conduzem os verdadeiros exércitos de entidades menos evoluídas que mencionamos.

Para entendermos melhor o que estes vários seres são e sua relação conosco, podemos dar o seguinte exemplo. Suponhamos que um mecânico está preparando um motor e que um cachorro o esteja observando. Ele vê o homem no se trabalho, como ele usa as diversas ferramentas para moldar seu material, como, também, do ferro bruto, do aço, do bronze e de outros metais, o motor lentamente vai tomando forma. O cão é um ser de uma evolução inferior e não entende o objetivo do mecânico, mas ele vê o trabalhador, seu esforço e o resultado daquilo que se apresenta como um motor.

Suponhamos, além disso, que o cachorro fosse capaz de ver apenas os materiais que lentamente mudam suas formas, que se unem e se transformam em um motor, mas que não pudesse ver o trabalhador e ver o trabalho que ele faz. O cão estaria, então, na mesma relação ao mecânico como nós estamos em relação às grandes inteligências que chamamos Leis da Natureza e aos seus assistentes, os Espíritos da Natureza, pois nós contemplamos as manifestações de seu trabalho como força movimentando a matéria de diversos modos, mas sempre sob condições imutáveis.

No Éter podemos também observar os Anjos, cujo corpo mais denso é feito desse material, como nosso corpo denso é constituído de gases, líquidos e sólidos. Esses seres estão um grau além do estágio da humanidade, como nós estamos um grau na frente da evolução animal. Contudo, nós nunca fomos animais como a nossa fauna atual, mas em um estágio anterior no desenvolvimento de nosso planeta, tínhamos uma constituição como a dos animais. Assim, os Anjos foram humanos, embora nunca tivessem tido um corpo denso como o nosso, e nunca funcionaram em nenhum material mais denso do que o Éter. Em alguma época, em uma condição futura, a Terra tornar-se-á novamente etérica. O homem será semelhante aos Anjos. Portanto, a Bíblia nos diz que o homem foi feito um pouco inferior aos Anjos (Hebreus, 2:7).

Como o Éter é a avenida das forças vitais, criadoras, e como os Anjos são tão hábeis construtores de Éter, podemos facilmente compreender que eles estão altamente preparados para serem os guardiões das forças propagadoras das plantas, dos animais e do homem. Em toda a Bíblia podemos encontrá-los nessa missão: Dois Anjos vieram até Abraão e anunciaram-lhe o nascimento de Isaac. Eles prometeram um filho ao homem que obedecera a Deus. Mais tarde, estes mesmos Anjos destruíram Sodoma por abuso da força criadora. Anjos profetizaram aos pais de Samuel e Sansão, o nascimento destes gigantes de cérebro e músculos. O Anjo Gabriel (não o Arcanjo), anunciou a Isabel o nascimento de João; mais tarde ele apareceu também a Maria com a mensagem que ela havia sido escolhida para dar à luz a Jesus.Max Heindel.

VIDA MAIS ABUNDANTE.


A grande mudança vulgarmente designada como “morte” não faz distinção de pessoas. Pode acontecer na juventude, na meia idade ou na velhice. Mas, em algum momento da vida, todos são chamados a deixar suas vestes físicas de lado e fixar-se novamente em reinos além da nossa esfera de conhecimento.

Sabendo que esta mudança é inevitável, certamente é imperativo que aprendamos, o máximo possível, sobre a grande transição. Para os menos esclarecidos, este fenômeno tem sido sempre uma questão que está além do entendimento e, comumente, quando somos chamados para enfrentá-lo, enchemo-nos de uma série de perplexidade e, no mínimo, de um reprovável terror. Esta apreensão, contudo, nem sempre existiu. No passado longínquo, quando a consciência do homem estava mais focalizada nos reinos espirituais do que no material, a perda de seu corpo físico era quase imperceptível. Ele se conhecia como espírito e sua veste física como algo adquirido, destinado para uma vida mais curta ou mais longa, e que, por fim, tal como uma folha de uma árvore, desprendia-se dele para ser substituída quando de novo fosse necessário.

Não foi senão quando o homem perdeu a visão de seu habitat celeste e de que era um espírito imortal ocupando de tempos em tempos um corpo físico, que ele começou a identificar-se com o veículo material e passou a considerá-lo como seu “Eu real” e, daí, o medo de uma possível existência sem ele. De fato, um grande número de seres tem suas consciências focalizadas no mundo material de tal forma, que chegam a acreditar que são apenas um corpo físico e que sua existência cessa no momento em que a morte aniquila este corpo.

Parece quase impossível, para o homem espiritualmente esclarecido, que tal condição ainda possa existir. Infelizmente, ainda temos evidência disto em torno de nós e por toda a parte. As pessoas, com desespero, vêem partir seus assim chamados mortos, pouco compreendendo que um Espírito liberto está retornando ao seu lar no mundo celeste para continuar uma ininterrupta existência.

Ainda que não houvesse nenhuma outra razão senão o conforto daqueles que conhecem os fatos relacionados à assim chamada morte, examinemos a verdade em relação a este peculiar fenômeno.

O homem, o “Eu real”, é puro Espírito, diferenciado no Corpo de DEUS, o qual é todo o Sistema Solar, ambos com aspectos visível e invisível. Seu destino é tornar-se um Deus como seu Divino Criador, segundo o Iniciado Paulo. A fim de desenvolver seu poder divino em potencial, o homem passa através de várias fases de evolução, desde a mais etérea à mais densa, deparando-se com experiências as quais, lentamente mas seguramente, desenvolvem suas capacidades latentes. Durante uma fase do seu desenvolvimento, ele habita este plano terrestre, de vez em quando, usando um corpo físico. Mas somente uma pequena parte de seu tempo é passada aqui. O resto é vivido nos reinos suprafísicos onde ele recebe outra instrução e lhe são dadas outras tarefas a realizar como exercício, todas com o objetivo de desenvolver suas forças potenciais latentes em energia dinâmica pronta para ser usada a qualquer momento e controlada diretamente por seu próprio Espírito que é o seu Eu real.

Cada vez que um indivíduo desce ao plano terrestre, torna-se prisioneiro de um corpo físico; e a duração desta vida na Terra depende do número de lições que ele tenha para aprender. Há Egos que vêm à Terra para aprender lições em construção pré-natal do corpo e que se descartam de seu veículo físico tão logo essa tarefa particular esteja completa, o tempo variando em cada caso, em dias, semanas, meses ou anos. Outros usam seus corpos físicos do nascimento à adolescência, outros até a idade adulta e ainda há os que alcançam avançada idade. Mas, note-se, a duração de cada vida terrena depende de certas lições necessárias à aprendizagem individual, a fim de que sua evolução possa ser favorecida. De modo algum, somos meros joguetes do destino.

Tendo-se uma determinada quantidade de livre arbítrio, é-nos possível no passamento de um Espírito, através de nossas lamentações e outros tipos de perturbação, frustrar temporariamente os planos da Natureza e causar a este Espírito a perda do panorama post-mortem, tão necessário ao seu progresso no mundo celestial. Nestes casos, o Espírito, comumente, retorna àqueles que foram responsáveis por esta sua perda, renascendo em seu lar e logo deixa a vida terrena, indo diretamente para o Primeiro Céu, onde retoma as lições contidas no panorama destruído. Na hora do passamento, todas as crianças, bem como os adultos, são aguardados por amigos queridos e, às vezes, até por Anjos, para conduzi-los ao Grande Além.

A vida das crianças no mundo celeste é de uma beleza indescritível. Quando os pais compreenderem a vida agradável que tais crianças levam e os grandes benefícios usufruídos por elas durante sua breve estada naquele mundo, sua dor será certamente bastante suavizada e as feridas de seu coração curar-se-ão muito mais rapidamente.

Aqueles que deixam seu Corpo Físico em condições normais estão liberados inteiramente assim que o panorama da vida é gravado no Corpo de Desejos, o qual eles levam ao mundo celeste. Três dias e meio de perfeita quietude devem ser permitidos ao Espírito no momento da transferência da gravação do panorama da vida recém finda do éter refletor do Corpo Vital para o Corpo de Desejos, veículo em que o Espírito funciona quando entra nos mundos superiores. As imagens assim transferidas para o Corpo de Desejos, o veículo da emoção e do sentimento, são a base do subsequente sofrimento durante a estada do Espírito no Purgatório, devido aos maus atos cometidos, e, no Primeiro Céu, a alegria sentida é por conta das boas ações realizadas em sua última vida terrena.

O tempo de permanência do Espírito no Purgatório pode ser grandemente abreviado se ele estiver perfeita e prontamente desejoso de reconhecer e desfazer-se de seus erros e faltas, quando estas imagens aparecerem no panorama da vida, ao invés de tentar desculpar-se ou deixar-se inflamar de novo pela cólera e pelo ódio do passado. Este desejo de cooperação do Espírito reduz grandemente o sofrimento relativo à purgação do post-mortem.

Tão logo o corpo físico se separa dos corpos sutis, os portais do reino elemental se abrem e as forças que impregnam a terra, a água, o fogo e o ar retiram-se da forma inanimada pertencente ao seu particular domínio, e a reintegram em seu próprio reino.

O peculiar ambiente que envolve uma câmara mortuária e o medo que a maioria das pessoas tem de um corpo morto são ambos causados pelo estreito contato, então existente, entre os ocupados seres elementais e as pessoas que se encontram em volta do corpo inanimado. Estas forças elementais estão sempre presentes e excessivamente ativas quando qualquer tipo de matéria orgânica tem de ser desintegrada, e suas partículas devem retornar às respectivas esferas.

Tristezas, lamentações, pensamentos de desespero e ânsias de que volte o ser que partiu tendem a tornar o Espírito preso à Terra, impedindo-o de participar das atividades pertencentes ao seu novo ambiente de vida. Por outro lado, pensamentos de amor, coragem, esperança, alegria e boa vontade são mais benéficos e de valor inestimável. Se, ao invés de entregar-se às nocivas práticas das lamentações que impedem o progresso do Espírito que partiu, alguém fizesse, à noite, precisamente antes de adormecer, uma oração fervorosa para lhe ser permitido ir ao encontro do seu ente querido, tão logo tivesse adormecido, tal desejo o transportaria quase imediatamente para onde estivesse o ser querido e poderiam passar horas juntos, o que seria proveitoso para ambas as partes. Na ocasião em que este alguém fosse capaz de voltar às Regiões Suprafísicas em plena consciência, muitas experiências seriam conseguidas nos planos invisíveis e, desta forma, poderia auxiliar os amigos que partiram e, com o método já mencionado, eles poderiam encurtar muito sua permanência na região purgatorial.

O tempo de permanência no purgatório é comparativamente curto, cerca de um terço do período vivido no Mundo Físico, mas a vida no Primeiro Céu dura, aproximadamente, centenas de anos. Esta região é um lugar de alegria, sem a menor dose de amargura. Doenças, tristezas e pesares são desconhecidos então, e todas as nobres atividades almejadas pelo Espírito são totalmente realizadas. Belas casas, flores, árvores, etc. lhe pertencem, tudo composto pela sutil substância do Mundo do Desejo. Apesar disso, todas as coisas são tão palpáveis para os habitantes do mundo celeste como nossas propriedades materiais o são para nós.

Esta gloriosa região é lugar de progresso e contém tudo o que é bom e desejável nas humanas aspirações. Aqui, o estudioso e o filósofo têm acesso instantâneo a todas as bibliotecas do mundo. O artista, pelo poder da imaginação, cria seus modelos perfeitamente em cores luminosas e vívidas, de cintilante beleza. O escultor modela com facilidade a matéria plástica deste mundo, produzindo obras cuja delicada beleza ele nunca imaginou durante sua vida na Terra. O musicista também é grandemente beneficiado, pois, nesta região, ele ouve os ecos de celestiais melodias, muito mais doces e mais duradouras que quaisquer que tenha ouvido na Terra, e seu Espírito se inebria em sua especial harmonia. O poeta encontra uma inspiração maravilhosa em imagens, música e cores as quais será capaz de usar em seu próximo renascimento. Os filantropos elaboram planos altruístas que serão empregados em vidas futuras. Nesta região, ele vê também a causa das falhas do passado, aprende a transpor os obstáculos e a evitar os erros que tornaram os planos que usou no passado impraticáveis. Assim, após uma curta estada de purificação na região purgatorial, este é o lugar onde os nossos entre queridos são encontrados, preparando-se para uma nova, melhor, mais eficiente, mais compreensível vida terrena em tempos vindouros.
F.P.Biblioteca Rosa Cruz.

O Cume Espiritual do Homem.

O essencial não está em ser poeta, nem artista, nem filósofo. O essencial é ter cada um de nós a dignidade do seu trabalho, a alegria do seu trabalho, a consciência do seu trabalho.

A determinação de fazer as coisas bem, o entusiasmo de sentir-se satisfeito, de querer somente o que é seu, é a recompensa dos fortes, dos que têm o coração robusto e o espírito límpido.

Dentro dos sagrados números da Natureza, nenhum trabalho bem feito vale menos, nenhum vale mais! Todos somos um tanto necessários e valiosos na marcha do mundo. O que constrói a torre e o que faz a cabana; o que tece os mantos imperiais e o que confecciona as vestes simples do humilde trabalhador; o que manufactura as sandálias de sedas imponderáveis e o que fabrica as rudes solas que defendem os pés do trabalhador rural, todos valem alguma coisa, porque todos estamos nivelados por essa força reguladora que reparte os dons e impulsiona as actividades.

Um grão de areia sustenta uma pirâmide e fá-la derrocar; um bocado de pão duro salva, ou pode destruir uma vida; uma gota de água faz murchar ou reverdecer um loureiro. Todos somos algo, representamos algo, fazemos viver algo, ansiamos por algo.

O que semeia o grão que sustenta o nosso corpo vale tanto como o que planta a semente que nutre o nosso espírito porque, nos dois trabalhos, há o transcendente, o nobre e o humano que faz dilatar a Vida. Talhar uma estátua, polir uma jóia, perceber um ritmo, animar um quadro, são coisas admiráveis. Tornar fecunda a herdade estéril e povoá-la com árvores e mananciais, ter um filho inteligente e belo, e logo poli-lo e amá-lo, ensinar-lhe a desnudar o seu coração e a viver em harmonia com o mundo, essas são coisas eternas!

Ninguém se envergonhe do seu trabalho, nem repudie a sua obra, se nela pôs o afecto diligente e o entusiasmo fecundo. Ninguém inveje seja a quem for, porque ninguém poderá oferecer-lhe o dom alheio nem retirar-lhe o seu próprio.

A inveja é o caruncho das madeiras velhas e apodrecidas e NUNCA DAS ÁRVORES SAUDÁVEIS.

Alargue e eleve cada um o que é seu; defenda-se e escude-se contra toda a má tentação. Deus dá-nos o pão nosso de cada dia, na satisfação do esforço legítimo nos oferece a actividade e o sossego. O triste, o mau, o daninho, é seco de alma; o que nega tudo é incapaz de admirar e de querer. O nocivo é o néscio, o imodesto, o parvo, o que nunca fez coisa alguma de valor, mas que sempre está pronto para conservar tudo e todos. O que nunca foi amado repudia o amor, mas o que trabalha, o que ganha o seu pão de cada dia e sabe nutrir a sua alegria, o justo, o nobre, o BOM, para esses sacudirá o porvir as suas ramagens cobertas de flores e de rocio, quer ele ande a escalar montes ou a cinzelar poemas. Ninguém deve sentir-se menos do que é! Ninguém maldiga seja a quem for! Ninguém desdenhe seja o que for! O cume espiritual do homem alcança-se com o regresso e o abraço das coisas humildes.
Rev. Rosacruz nº 377.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Fugir."


Cresci numa pequena cidade.
E quando a chuva caía.
Eu somente olhei para fora da janela.
Sonhando com o que poderia ser.
E se no fim eu estivesse feliz.
Tentando o máximo alcançar a felicidade.
Mas quando eu tentei falar,
Senti como se ninguém pudesse me ouvir.
Queria ficar aqui.
Mas algo me fazia sentir que eu estava no lugar errado.

Eu abrirei minhas asas e aprenderei a voar.
Eu irei fazer qualquer coisa para tocar o céu
E irei fazer um desejo, ter uma chance, mudar e fugir.
Saindo da escuridão tentando alcançar o sol.
Mas eu não irei esquecer daqueles que eu amei.
Irei me arriscar, ter uma chance, mudar e fugir.

Quero sentir a brisa quente.
Dormir embaixo de uma palmeira.
Sentir o agito do oceano.
Entrar num trem que corra muito.
Viajar numa nave espacial.
e ir pra bem longe e fugir.
Eu abrirei minhas asas e aprenderei a voar.
Eu irei fazer qualquer coisa para tocar o céu.
E irei fazer um desejo, ter uma chance, mudar.

Saindo da escuridão tentando alcançar o sol.
Mas eu não irei esquecer daqueles que eu amei.
Eu tenho que arriscar, ter uma chance, mudar e fugir.
Construções com milhões de andares.
Milhares de portas em todo lugar.
Talvez eu não sei para onde eles irão me levar, mas
Tenho que continuar, e continuar.

Eu abrirei minhas asas e aprenderei a voar.
Apesar de não ser fácil lhe dizer adeus.
Terei que arriscar, ter uma chance, mudar e fugir.
Saindo da escuridão tentando alcançar o sol.
Mas não esquecerei do lugar de onde eu vim.
Irei me arriscar, ter uma chance, e mudar e fugir.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Alma Cigana.


Eu nunca fiz segredo
que a minha alma é cigana
perambula pelo mundo
dança, canta, não engana.

Meu coração… esse já é português
tem sotaque e nostalgia lusitanos
das margens do Tejo ficou freguês
e fados vive cantando.

Enquanto ele canta fados
a alma toca castanholas
mas ambos se abraçam contentes
numa moda de viola.

No bolero são renitentes
não desprezam seu encanto
mas sonham noites e dias
com a magia do tango.

Ah! eu jamais trocaria…
minha alma ou coração
são livres como águias no céu
trapaceiam como irmãos.

Já estiveram na Grécia
também em Jerusalém
mas a pátria deles e minha
é a pátria que ninguém tem.

Amamos nosso Brasil
nosso samba, o candomblé
praias de Santos ou Rio
quem é que não gosta e quer?!

Mas falando em governantes
é saga que ninguém merece
por isso deixo minh’alma
fazer o que lhe apetece.

Ela vê a sua sorte
se assim o desejar
mas não lhe fala de morte
pois segue essa linear.

A minha sorte eu não sei
ver, eu nunca consegui
mesmo sendo tão cigana
não sei nem se eu já morri.

Se o meu amor foi na frente
se ainda espera por mim
tudo que eu sei e que eu canto
é só do que aqui vivi.

E da minha liberdade
que a prezo mais que tudo
pois cigana de verdade
não se prende nesse mundo!

Quem me conhece já sabe
gosto de vermelho forte
nas minhas saias rodadas
que dos dois lados tem cortes.

Pra facilitar a dança
nos volteios deslumbrantes
que me tomam nos meus sonhos
nos braços do meu amante.

Tenho uma rosa no peito
bem lá dentro tatuada
esteve nos meus cabelos
em outras vidas passadas.

Assim vou sendo feliz
do meu jeito tão singular
que pouca gente me entende
mas não lhes deixo de amar!
Tere Penhabe.

Astrologia cigana

Quem pensa que a Astrologia é a mesma para todos está enganado. Muitas culturas têm diferentes formas de interpretação e algumas se guiam até pelo ano do nascimento. Mas, a Astrologia cigana não é tão diferente da astrologia que nós conhecemos. A diferença é que eles identificam os signos por meio de objetos da sua cultura.

Descubra o seu signo na Astrologia cigana:

Punhal (21/03 – 20/04)
Para os ciganos, o punhal é símbolo do pioneirismo e da superação. Esse signo significa a luta, a vontade de vencer e a honra. Quem nasce com a influência desse signo é bem resolvido, inquieto e de personalidade forte. Se for subestimado, pode até se tornar agressivo. Quando ama é fiel, exagerado e adora sexo.

Coroa (21/04 – 20/05)
Esse signo é relacionado à nobreza. A Coroa é o símbolo do amor, da elegância e do poder. Para a pessoa desse signo, a estabilidade financeira é fundamental. Quem é do signo de Coroa sabe muito bem lutar para conseguir o que quer. No amor, é fiel, sensível e não permite que brinquem com seus sentimentos.

Candeia (21/05 – 20/06)
Significa a luz, a sabedoria e as idéias. Esse signo também simboliza a esperteza e a vivacidade. A pessoa do signo de Candeia é comunicativa e tem o raciocínio rápido. Gosta de estudar e se relacionar com as pessoas. Quem nasce nesse signo é muito romântico e não desiste fácil de alguém na hora da conquista.

Roda (21/06 - 21/07)
A Roda significa a emoção que move a alegria e a tristeza para os ciganos. Está relacionada à Lua, pois representa o movimento de ir e vir. A pessoa desse signo é dócil e tranqüila, mas também pode ser muito difícil quando se irrita. Ela ama com intensidade e sente muito ciúme.

Estrela (22/07 – 22/08)
Representa sucesso e evolução. A estrela também indica a igualdade. A pessoa desse signo nasceu para brilhar e é otimista. Quem nasce no signo de Estrela vive intensamente e adora estar rodeada de amigos. Outra forte característica é querer sempre que tudo aconteça a seu gosto.

Sino (23/08 – 22/09)
Para os ciganos, o Sino tem relação com a pontualidade e a disciplina. O Sino representa a exatidão e a perfeição. A pessoa desse signo é muito organizada, crítica e ambiciosa. Adora aproveitar a vida, mas sempre com consciência e sem exageros.

Moeda (23/09-22/10)
Relacionada ao equilíbrio e à justiça, a Moeda representa riqueza material e espiritual. Quem nasce nesse signo vive para amar e tem sentimentos fortes. Gosta de ajudar as outras pessoas e de estar sempre apaixonada.

Adaga (23/10 – 21/11)
A Adaga simboliza as mudanças da vida. Ela é entregue ao cigano quando ele passa da adolescência para a vida adulta. A pessoa desse signo tem um temperamento forte e é muito perceptiva. Quando ama, é muito sensual e gosta de paixões arrebatadoras.

Machado (22/11 – 21/12)
Simboliza a liberdade, já que é capaz de acabar com os obstáculos. Quem é do signo de Machado é aventureiro e não gosta de uma vida estática. Esse signo tem como principais características o otimismo e a facilidade para se apaixonar e se libertar. As pessoas desse signo também são muito inteligentes e ligadas ao aprendizado.

Ferradura (22/12 – 20/01)
Para os ciganos, a Ferradura significa sorte e fortuna. Esse signo representa o esforço e o trabalho, por isso, quem nasce nele tem muito bom senso e é uma pessoa séria. Gosta de amores estáveis e tem imensa dedicação ao trabalho.

Taça (21/01 – 19/02)
A Taça significa a união e o valor. A pessoa desse signo é inteligente, original, humana e inquieta. Quem nasce nesse signo gosta muito de ação e criação. Gosta de inovar e aprecia a sinceridade. Vive sempre em busca da felicidade.

Capela (20/02 – 20/03)
Simboliza o grande Deus para os ciganos e é um sinal de fé. A pessoa desse signo é emotiva, sensível, leal e justa. Tem muita força espiritual e é sonhadora. No amor, é muito romântica e carinhosa.F.P.Wikepédia.


Xamanismo Siberiano.


Como todos devem saber a palavra xamã deriva da língua evenca, que é própria de um pequeno grupo de caçadores e pastores de renas de língua tungu da Sibéria. Embora alguns eruditos argumentem que a palavra deriva do sânscrito, o termo xamanismo usa-se, em sentido restrito, apenas para designar as tradições espirituais da Sibéria e Mongólia. Inicialmente, foi apenas utilizada para designar um líder espiritual desta região, mas no início do século XX, a designação aplicou-se a um leque de curandeiros e curandeiras.

Estas tradições espirituais que tradicionalmente não tem nome, partilham uma cosmologia de níveis, ligados por uma árvore, um pilar ou montanha. Abrangem ainda a crença da separação do espírito do corpo e do vôo xamânico até o céu e ao mundo sob a terra. De um modo típico, a iniciação do xamã realiza-se através da sua tortura e desmembramento por espíritos, que o voltam a reunir. Em grande parte da região, há uma associação entre o xamã e o ferreiro. Todavia ocorrem variações locais muito importantes. Na costa do Pacífico defronte do Alasca, os Tchuktchins e os esquimós siberianos vivem tradicionalmente da caça da baleia e da morsa. São muito diferenciados do povo da floresta do interior que vivem da caça da rena e do alce, por vezes criando-os em grandes rebanhos, e também da pesca, nos numerosos rios e lagos. Mais para o sul, à medida que a floresta vai sendo substituída pela estepe, as sociedades de caçadores voltaram-se para o pastoreio, dispondo de grandes rebanhos de carneiros, de cabras e até de camelos.

Há vários tipos de xamãs, inclusive no seio de uma mesma sociedade, e até do mesmo acampamento. Uns eram curandeiros, outros descobriam a caça, outros ainda afastavam os maus espíritos ou entravam em contatos com os mortos. A idéia do xamã puro ou ideal, tal como apresenta Mircea Eliade, torna-se cada vez mais difícil de sustentar em qualquer pesquisa nesta região social e ecologicamente diversificada. De um modo geral, há duas grandes tendências que constituem o padrão espiritual da região. A que sem dúvida mais tem atraído a atenção apresenta um tipo de xamã que participa de forças imanentes do mundo, que sejam humanas, animais ou elementos como a àgua e o ar. Neste tipo de xamanismo, o xamã se transforma em qualquer coisa, como por exemplo um animal. Estes xamãs são capazes de viajar até o céu, geralmente com a finalidade de de alterar uma situação desfavorável, como uma doença. Outro tipo de xamanismo é o de clã, que se preocupa com a reprodução e a família. Este tipo de xamanismo associa-se com o culto do céu e das montanhas que até ele conduzem. Os locais de culto, constituídos por um amontoado de pedras com um pau vertical no cimo, mantém-se populares e são designados por "oboo" na Mongólia e regiões vizinhas. Os xamãs do segundo tipo raramente entram em transe e, em vez disso, concentram-se na oração e no sacrifício. Estes xamãs não se transformam em animais nem viajam até céu.

Entre os Buriatas e os Icautos, as diferenças correspondem a uma classificação nativa dos xamãs, em brancos e negros. Falando de um modo geral, os xamãs negros entram em transe e contactam com os espíritos dos mundos subterrâneos e da doença, enquanto os xamãs brancos oravam antes de entrarem em transe, invocando bençãos para os homens e para os animais domésticos, concedidas pelos deuses e pelos espíritos auspiciosos do mundo superior. Estes xamãs brancos correspondem ao que noutras partes do mundo se designa por sacerdotes.

Como já expliquei anteriormente, o xamã siberiano consegue abandonar seu corpo e viajar até outras regiões do cosmo, e particularmente até um mundo superior e também um interior. Esta capacidade é tradicional em outras partes do mundo também e permite-nos designar sociedades e culturas xamânicas.

Os povos siberianos acreditam tradicionalmente que o mundo se divide em três níveis. Os seres humanos vivem no nível médio, mas o mundo superior, no céu, é atingível por intermédio de um pequeno orifício. Este mundo tem uma superfície sólida (sendo povoada até por animais) e divide-se em vários níveis. Os caçadores do extremo norte acreditavam que havia apenas três, mas mais ao sul, em resultado da influência dos impérios das cortes próximas, muitos mais se consideraram, pensando-se que o governante supremo, Bai Ulgen, vivesse no nono nível. Do mesmo modo, o mundo inferior encontrava-se dividido em diversos níveis, e era freqüentemente considerado o reino dos mortos. Estes outros mundos eram parcialmente como os nossos, com montanhas, rios e criaturas. Os Nganasãs estavam convictos de que o mundo inferior era muito frio, e vestiam os mortos com peles adequadas para o inverno. Os Iacutos, pelo contrário, pensavam que o céu é que era frio, e, por vezes, os xamãs regressavam de uma viagem até o céu totalmente cobertos por cristais de gelo.

Os Iacutos acreditavam que um xamã só curava as doenças cujos espíritos tinham provado a carne do xamã durante sua iniciação. Em muitas regiões da Sibéria, as pessoas podem sofre de uma "doença xamânica" perfeitamente distinta, em que parecem ficar fora de si, lançando-se nuas pelos campos sem qualquer consideração pela própria segurança, ou passando semanas numa árvore, ou jazendo imóveis no chão. Durante este período, recusam-se a encetar a difícil vida e são perseguidos por espíritos que as obrigam a ceder. Quase sempre o iniciado cede, mas a luta pode ser dura e prolongar-se por alguns anos. Os espíritos ameaçam que, se o candidato mantiver a recusa, ele ou ela continuará a ser torturado por eles próprios, e acabará por ser morto, eventualmente. Por conseguinte, o "dom" xamânico e o controle dos espíritos são como uma faca de dois gumes: em vez de serem ativamente procurados, são impostos contra a vontade do xamã, e além de conceder o poder também provocam angústia para toda vida. Muitas outras culturas encaram da mesma maneira o problema. O primeiro contato com os espíritos (em especial na Sibéria e Mongólia) toma a forma de um ataque violento, que conduz ao que parece ser a completa destruição da personalidade do futuro xamã. A isto se segue a reconstrução do xamã, cujo novos poderes não se limitam a um acrescento externo ou ferramenta. Na realidade, são uma espécie de visão íntima das coisas, uma perspectiva da natureza do mundo, e em particular, das formas de sofrimento humanas que ele ou ela acabou de sofre de modo tão intenso. A interiorização de todas estas experiências levará ao aparecimento de uma nova personalidade, e é esta que se exprime através da destruição da anterior natureza do xamã.

A experiência psíquica do candidato fica expressa pelo desmantelamento do corpo. Ele ou ela poderão ver-se como um esqueleto, um tema largamente encontrado na Ásia e nas Américas. Na Sibéria, cada osso e cada músculo é tomado à parte, contado e colocado a ser reunido com os restantes, enquanto o sangue do candidato reassuma pelas articulações do corpo inerte, na sua tenda, rodeado por parentes ansiosos. Há outros processos, segundo os quais o xamã pode tornar-se uma pessoa diferente, e o terror da experiência pode surgir entremeado de êxtase e prazer.

Na iniciação do xamã, o tema morte completa-se com renascimento, e o movimento do xamã no espaço cósmico é por vezes comparado ao regresso ao útero. Para além de ser amamentado ao peito de uma mãe-espírito, o xamã siberiano é ainda ocasionalmente embalado num berço de ferro por espíritos, sobre um dos ramos da árvore do mundo. Entre os esquimós do Alasca, o túnel de passagem para o iglu significa claramente a passagem vaginal para o útero, e a palavra "ani" tanto significa "sair do iglu" como "nascer". Só quando um xamã aguardava entre vidas o seu renascimento é que sentiu que o interior de sua mãe era como um pequeno iglu, mas que a passagem de saída era tão pequena que ele teria dificuldade de sair. Somente quando ouviu uma voz a incitá-lo a sair é que acabou por forçar a saída através de uma passagem estreita.

São esta imagens que permitem a alguns psicanalista e psicólogos interpretar a iniciação e o transe xamânico como uma regressão infantil. É claro, contudo, que nem todo retorno ao útero são regressivos, uma vez que o xamã renasce como um adulto integrado e extremamente poderoso. Neste aspecto, a iniciação xamânica assemelha-se à iniciação vulgarmente efetuada em muitas sociedades por ocasião dos ritos da puberdade, da qual se diz que o adolescente regressou ao útero para renascer, desta vez como completamente adulto ou, por outras palavras, como uma pessoa mais completa do que anteriormente.

O povo Inuíte não vive só na Sibéria, algumas de suas tribos vivem no Alasca e outra no Canadá. Este povo acreditam que os mamíferos e pássaros têm uma lama coletiva. Usam uma única palavra para identificar todos os membros de uma espécie. Por vezes, há duas pessoas com o mesmo nome, e este fato lhe confere uma determinada relação entre suas almas, e simpatia mútua. O nome pode ligar as pessoas, e até toda uma espécie. Além disso, uma pessoa associa-se deste modo a pessoas mortas que tinham o mesmo nome, formando uma rede de almas parcialmente partilhadas que funciona como uma ponte entre os vivos, os mortos e o reino animal. Eles acreditam que proferindo um nome, criavam uma realidade, mesmo que apenas de caráter mental. Os objetos e seus nomes eram igualmente reais. O nome de uma pessoa faz parte de sua alma, no modo simboliza a sua existência social e sua relação com o meio ambiente. Representa ainda a essência da pessoa, passada a outra, após sua morte.

Entre os Inuítes aquele que pretende tornar-se xamã deverá explicar que "eu venho até ti porque pretendo ver". A idéia é que a sabedoria envolve uma espécie de segunda visão, ou visão interior, e associa-se muitas vezes a perda da visão normal pela pessoa. O poder xamânico exprime-se freqüentemente em termos de visão especial, como quando os olhos dos xamãs siberianos são arrancados (durante sua iniciação) por espíritos ferreiros e substituídos por olhos especialmente adequados à visão de outras realidades.

Nas pequenas tribos de caçadores de renas e de pastores, como os Evencos e os Iucagires no norte e nordeste da Sibéria, o xamã era um chefe de clã e negociava com os espíritos sobre as almas dos animais que iriam ser caçados. Para o lado do noroeste, entre os Nganasás, o xamã estava menos ligado ao clã, visto este se encontrar disperso. Na costa do Pacífico, entre os Tchuktchis e os Coriaques, o clã era fraco e as famílias podiam executar alguns dos seus próprios ritos xamânicos. Onde houvesse xamã profissionais, estes estavam relativamente pouco ligados aos grupos sociais, e executavam truques particularmente espetaculares, a fim de conservar os seus clientes.

Era muito diferente o contexto do xamanismo no sul da Sibéria e na Mongólia. Aqui, as grandes manadas davam origem a comunidades maiores e clãs fortes.

Além disso, a influência do Budismo da Idade Média para cá, surgiu uma cosmologia mais elaborada, e o xamanismo estava mais fortemente institucionalizado. Além de curandeiros, os xamãs serviam muitas vezes de sacerdote que realizavam sacrifícios. Durante os rituais importantes, o papel do xamã era o de escoltar até o outro mundo a alma do cavalo ou de outro animal sacrificado.

No século XIX e no princípio do século XX, por ocasião dos primeiros estudos antropológicos, estes povos xamânicos tinham se tornado a fronteira entre os modernos impérios russo e chinês. Na Mongólia e na Sibéria do Sul, o xamanismo competia com a forma tibetana do budismo, o Lamaísmo. Mas a Mongólia se caracterizava por possuir fontes escritas não européias relativas ao xamanismo. The Secret History of the Mongols, e os trabalhos do viajante Rashid Al-Din demonstram que, enquanto o xamanismo mongólico há mil anos anos era semelhante em muitos aspectos ao que hoje se pratica, apesar pela constantes modificações políticas e sociais ocorridas. A Mongólia foi pacificada duas vezes por missionários budistas, enquanto a corte chinesa partilhava o culto do céu com as tribos do interior. O céu é masculino, e a fonte da boa fortuna e do sucesso militar. É freqüentemente referido como pai, e o chefe mongol Gengis Kan pretendia ser filho do céu. A associação do céu com a linha masculina conduziu ainda a importância do poderio militar. Para um xamã, a pretensão de ser capaz de entrar no céu era uma aventura numa área politicamente sensível, e por isso, este tipo de xamanismo tendia a encontrar-se em locais mais afastados, como nas tribos de caçadores, de preferência em regiões mais centrais dos impérios. No século passado, as tradições foram ainda alvo de severa repressão por parte do comunismo, principalmente com a criação da União Soviética, mas recentemente voltaram a surgir em vários pontos da Sibéria.

O xamanismo nesta região está intimamente relacionada com as tradições espirituais e crenças que se encontram em duas partes muito diferentes do mundo. De início, a América do Norte foi muito provavelmente colonizada a partir da Sibéria, por caçadores que atravessaram o estreito de Bering quando no existia uma língua de terra entre os dois continentes. O xamanismo dos esquimós do norte americano é quase idêntico ao dos Tchuktchis, do lado siberiano do mar. As tradições xamânicas da Mongólia são próximas da filosofia pré-budista "bon-po" e das várias formas de religião que se encontram no Nepal e no sudoeste asiático e Ásia meridional.F.P.Wikepédia