contos sol e lua

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sábado, 16 de junho de 2012

O Perdão.


O perdão é uma prática que não devemos esquecer. Perdoar é científico. O perdão põe em movimento as forças dos planos invisíveis que nos rodeiam. Dissolve as formas de pensamento de ódio, vingança e má vontade, e impede a sua materialização numa sorte adversa. O rancor, a inveja e a vingança convertem-se frequentemente em algumas das condições mais desditosas da vida, especialmente se se permite manter pensamentos habituais nesse sentido.

O ódio é a força mais destrutiva do Universo e o rancor e a vingança são fases do ódio. A vingança é a mais mortal das paixões; com toda a certeza ela impede o êxito. Aconteça o que acontecer, não se deve manter rancor nem ceder a pensamentos de vingança.

Todos podem ter a certeza de que se alguém vos tratou com injustiça, a lei invisível lhe dará a retribuição que merece. A Bíblia diz: “Meus caros Irmãos, não façam justiça por vossas mãos. Deixem que seja a lei a castigar”. Não tome, pois, a vingança em suas mãos porque a única coisa que poderá conseguir é pôr em acção forças psicológicas que, mais tarde ou mais cedo, reagirão sobre si mesmo com grande desvantagem. A regra diz: “perdoai sempre. Jamais se perderá seja o que for, como erradamente se pode pensar”.

Isto traz à mente um princípio de vital interesse sobre o êxito: “fazer a vontade de outro, é o ácido para provar o amor”. A Bíblia reafirma-o quando diz: “Faz a paz com o teu adversário sem demora”.

A vontade própria é o amor próprio, e o amor próprio é uma fase do ódio para com os demais. A aplicação deste princípio é particularmente valiosa quando desejamos evitar pleitos e terminar os que se começaram. Naturalmente, não devemos fazer a vontade de outra pessoa se ela pratica uma injustiça para connosco ou para com outrem. Mas fazer sempre a nossa vontade pode obstruir o êxito que a cooperação amistosa estabelece.

sábado, 9 de junho de 2012

Literatura Egípcia.


Literatura do antigo Egito, registrada em inscrições ou escrita em papiros.

A antiga literatura egípcia se caracteriza por sua ampla diversidade de tipos e assuntos tratados. Utiliza recursos literários como o símil, a metáfora, a aliteração e o equívoco.

A literatura religiosa do antigo Egito inclui hinos aos deuses, escritos mágicos e mitológicos, e uma extensa coleção de textos funerários. O campo da literatura secular inclui histórias, literatura instrutiva conhecida como "textos de instrução", poemas, escritos biográficos e históricos e tratados científicos. Destacam-se também numerosos textos legais, administrativos e econômicos, assim como documentos privados em forma de cartas.

Império antigo.

A literatura mais antiga que se conserva procede do Império Antigo. As inscrições funerárias das pirâmides são hinos aos deuses e revelam rituais de oferendas. Muitas inscrições autobiográficas de tumbas privadas recordam a participação do defunto em acontecimentos históricos.

Primeiro período intermediário.

Desenvolve-se entre os anos 2255 e 2035 a.C. Deste período datam várias lamentações, entre elas, O diálogo de um homem com sua Ba ("alma"), é um debate sobre o suicídio; e outra, o exemplo mais antigo das canções que cantavam os harpistas nos banquetes funerários, aconselha: "Coma, beba e seja feliz, antes que seja tarde!".

Império médio.

Além dos textos dos sarcófagos, a literatura religiosa do Império Médio compreende numerosos hinos ao rei e a várias divindades — incluindo um longo hino ao Nilo —, e textos rituais. A sátira dos ofícios sublinhando aspectos positivos da vida fácil do escriba. Entre a narrativa destacam-se: Aventuras de Sinuhe,O relato do camponês eloqüente,Relato de um náufrago e A história do rei Khufu e os magos.

Império novo.

Dos textos funerários do Império Novo destaca-se, especialmente, o Livro dos mortos. A escrita dos hinos e inscrições históricas reais incrementaram-se tanto que os textos autobiográficos evoluiram para religiosos. Existem muitas histórias de personagens mitológicos como A disputa de Óros e Seth,A destruição da humanidade,O relato dos dois irmãos e A viagem de Unamon. Neste período, também existem várias coleções de poemas de amor.

Da era greco-romana conhecem-se novas composições religiosas, relatos históricos privados e reais, instruções, histórias e tratados científicos. Além Dos ensinamentos de Anjsesongy e Os ensinamentos do papiro Insinger, sobressai a famosa pedra de Rosetta, cuja inscrição em caracteres hieroglíficos, demóticos e gregos foi a chave para decifrar a escrita egípcia e, portanto, para a fundação da moderna egiptologia.wikepédia.

Nefertiti.


As origens familiares de Nefertiti são pouco claras. O seu nome significa "a mais Bela chegou", o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria uma origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni (império que existiu no que é hoje a região oriental da Turquia), filha do rei Tushratta. Sabe-se que durante o reinado de Amen-hotep III chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitanni para integrar o harém do rei, num gesto de amizade daquele império para com o Egito; Nefertiti pode ter sido uma dessas mulheres, que adotou um nome egípcio e os costumes do país.

Contudo, nos últimos tempos tem vingado a hipótese de Nefertiti ser egípcia, filha de Ay, alto funcionário egípcio responsável pelo corpo de carros de guerra que chegaria a ser faraó após a morte de Tutankhamon. Aye era irmão da rainha Tié, esposa principal do rei Amen-hotep III, o pai de Akhenaton; esta hipótese faria do marido de Nefertiti o seu primo. Sabe-se que a família de Aye era oriunda de Akhmin e que este tinha tido uma esposa que faleceu (provavelmente a mãe de Nefertiti durante o parto), tendo casado com a dama Tié.

De igual forma o nome Nefertiti, embora não fosse comum no Egito, tinha um alusão teológica relacionada com a deusa Hathor, sendo aplicado à esposa real durante a celebração da festa Sed do rei (uma festa celebrada quando este completava trinta anos de reinado).
Akhenaton e Nefertiti.

Não se sabe que idade teria Nefertiti quando casou com Amen-hotep (o futuro Akhenaton). A idade média de casamento para as mulheres no Antigo Egipto eram os treze anos e para os homens os dezoito. É provável que tenha casado com Amen-hotep pouco tempo antes deste se tornar rei.

O seu marido não estava destinado a ser rei. Devido à morte do herdeiro, o filho mais velho de Amen-hotep III, Tutmés, Amen-hotep ocupou o lugar destinado ao irmão. Alguns autores defendem uma co-regência entre Amen-hotep III e Amen-hotep IV, mas a questão está longe de ser pacífica no meio egiptológico. A prática das co-regência era uma forma do rei preparar uma sucessão sem problemas, associando um filho ao poder alguns anos da sua morte.

Nos primeiros anos do reinado de Amen-hotep começaram a preparar-se as mudanças religiosas que culminariam na doutrina chamada de "atonismo" (dado ao facto do deus Aton ocupar nela uma posição central). Amen-hotep ordenou a construção de quatro templos dedicados a Aton junto ao templo de Amon em Karnak, o que seria talvez uma tentativa por parte do faraó de fundir os cultos dos dois deuses. Num desses templos, de nome Hutbenben (Casa da pedra Benben), Nefertiti aparece representada como a única oficiante do culto, acompanhada de uma filha, Meketaton. Esta cena pode ser datada do quarto ano do reinado, o que é revelador da importância religiosa desempenhada pela rainha desde o início do reinado do seu esposo.

No ano quinto do reinado, Amen-hotep IV decidiu mudar o seu nome para Akhenaton, tendo Nefertiti colocado diante do seu nome de nascimento o nome Nefernefernuaton, "perfeita é a perfeição de Aton". Nefertiti passou a partir de então a ser representada com a coroa azul, em vez do toucado constituído por duas plumas e um disco solar, habitual nas rainhas egípcias.

Durante algum tempo defendeu-se que Akhenaton teria introduzido pela primeira vez na história do mundo o conceito do monoteísmo, impondo às classes sacerdotais e populares o conceito de um só deus, o deus do sol, onde o disco solar representava o deus sol que regia sobre tudo na face da terra. Hoje em dia porém considera-se que seria um henoteísmo exacerbado. Os muitos templos que celebravam os deuses tradicionais do Egito foram todos rededicados pelo rei ao novo deus por ele imposto. Especula-se que esta pequena revolução, entre outros possíveis objetivos, possa ter servido para consolidar e engrandecer ainda mais o poder e importância do faraó. Após o reinado de Akhenaton, o Egito antigo voltaria às suas práticas religiosas politeístas.

Akhenaton decidiu, igualmente a construção de uma nova capital para o Egito dedicada a Aton, que recebeu o nome de Akhetaton ("O Horizonte de Aton"). A cidade situava-se a meio caminho entre Tebas e Mênfis, sendo o lugar onde se encontram hoje as suas ruínas conhecido como Amarna. A cidade foi inaugurada no oitavo reinado de Akhenaton. Demorando apenas 3 anos para ficar pronta!

Um talatat (bloco de pedra) de Hermópolis (perto de Amarna) mostra a rainha Nefertiti a destruir o inimigo do Egito, personificado por mulheres prisioneiras, numa cena que até então tinha sido reservada aos reis desde os tempos da Paleta de Narmer.
Vida familiar
Estela que representa a família real. Museu Egípcio do Cairo.

Nefertiti teve seis filhas com Akhenaton: Meritaton, Meketaton, Ankhesenpaaton, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré. Pensa-se que as três primeiras filhas nasceram em Tebas antes do sexto ano de reinado e as três últimas em Akhetaton entre o sexto e o nono ano de reinado.

A segunda filha do casal, Meketaton, faleceu pouco antes do décimo segundo ano de reinado, como mostra uma cena que representa Akhenaton e Nefertiti a chorar diante do leito de morte da filha, essa filha teria morrido afogada. Durante o reinado de Akhenaton espalhou-se por todo Egypto uma peste, além de um surto de malária, conhecido na época como "doença mágica" que matou 3 filhas do casal, além de quase ceifar a vida de Tuthankamon.

A família real é representada em várias estelas em cena de intimidade familiar, com Nefertiti a amamentar uma filha ou com o casal a brincar com estas enquanto recebe os raios de Aton, que terminam em mãos com o símbolo do ankh. Trata-se de representações até então não presentes na arte egípcia.
Duas filhas de Nefertiti. Fragmento de uma pintura mural de Amarna c. 1360 a.C.Ashmolean Museum.

Um aspecto que gera alguma perplexidade nestas representações são os crânios alongados dos membros da família real. Akhenaton, por exemplo, surge em estátuas e relevos como um homem muito diferente da norma e representado fora dos padrões rígidos da cultura milenar da época, exibindo femininos e andróginos, com uma cintura fina, porém com quadris largos e coxas decididamente femininas. Além disso, em várias obras os seus seios são aparentes. A sua face também aparece alongada e com lábios carnudos, femininos e sensuais. Para alguns estas características indicariam que a família sofreria de síndrome de Marfan, enquanto que outros consideram tratar-se de uma mera tendência estética exagerada, que visava criar novos padrões estéticos à semelhança do que tinha acontecido no campo da religião, segundo historiadores, Akhenaton queria mostrar nessas esculturas que somos muito mais que imagens, e pedia para ser retratado dessas formas para escandalizar os co-cidadãos, e também pelo fato de querer mostrar que ele era o "Grande esposo real" de Nefertiti, que assumiu a direção do Egypto como co-regente, deixando Akhenaton livre para ser o sumo sacerdote de Aton, as únicas imagens reais de Akhenaton e Nefertiti foram esculpidas em suas tumbas mortuárias, onde mostram claramente que Nefertiti era a mulher mais bela da época e Akhenaton não tinha os traços dos egípcios conhecidos.

Com Kia, uma esposa secundária, Akhenaton teve dois filhos, Nebnefer, que morreu durante o surto de peste e Tutankhaton que depois que voltou á Tebas foi obrigado a mudar seu nome para Tuthankamon, pois depois da morte de Akhenaton, o Deus Aton, foi proscrito por alguns anos.Kia teria morrido no parto de Tutankhamon, e a mesma serviu apenas para dar a Akhenaton dois filhos homens para continuar o reinado, visto que Nefertiti não conseguia gerar filhos varões.
O desaparecimento da rainha
Busto inacabado de Nefertiti

Nefertiti acompanhou o seu marido lado a lado em seu reinado porém, a certa altura, no ano 12 do reinado de Amen-hotep ela esvanece e não é mais mencionada em qualquer obra comemorativa ou inscrições e parece ter sumido sem deixar quaisquer pistas.

Este desaparecimento foi interpretado inicialmente como uma queda da rainha, que teria deixado de ser a principal amada do faraó, preterida a favor de Kiya. Objectos da rainha encontrados num palácio situado no bairro norte de Amarna sustentam a visão de um afastamento. Hoje em dia considera-se que o mais provável foi o contrário: Kiya foi talvez afastada por uma Nefertiti ciumenta.

Uma hipótese que procura explicar o silêncio das fontes considera que Nefertiti mudou novamente de nome para Ankhetkheperuré Nefernefernuaton. Esta mudança estaria relacionada com a sua ascensão ao estatuto de co-regente. Ainda segundo a mesma hipótese quando Akhenaton faleceu Nefertiti mudou novamente de nome para Ankhetkheperuré Semenkharé e governou como faraó durante cerca de dois anos. Há ainda outra hipótese, como os sacerdotes de Amon não aceitavam o Deus Aton como único do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti pois a consideravam o braço direito de Akhenaton, sua morte teria desestabilizado o faraó que tinha em sua figura o apoio indiscutível para o Projeto do "Deus Único" representado por Aton, cerca de dois anos depois, Akhenaton veio a falecer de forma misteriosa, assim, sua filha primogênita com Nefertiti - Meritaton, foi elevada ao estatuto de "grande esposa real". O seu reinado foi curto, pois segundo historiadores, ela, seu marido e outros habitantes de Amarna na época foram assassinados e proscritos. Restando de sangue real apenas, Tuthankamon então com 9 anos e sua outra irmã Ankhesenamon com 11 anos.

Porém, muitos especialistas acreditam que esta pessoa foi um filho de Akhenaton. Já outros egiptólogos, como o professor David O'Oconnor da Universidade de Nova York (New York University), especulam: Poderia se tratar de amor entre iguais, entre dois homens, dadas as características singulares de Akhenaton?
O busto de Nefertiti


A 6 de Dezembro de 1912 foi encontrado em Amarna o famoso busto da rainha Nefertiti, por vezes também designado como o "busto de Berlim" em função de se encontrar na capital alemã. A descoberta foi da responsabilidade de uma equipe arqueológica da Sociedade Oriental Alemã (Deutsche Orient Gesellchaft) liderada por Ludwig Borchardt (1863-1938). A peça foi encontrada na zona residencial do bairro sul da cidade, na casa e oficina do escultor Tutmés.

O busto de Nefertiti mede 50 cm de altura, tratando-se de uma obra inacabada. A prova encontra-se no olho esquerdo da escultura, que não tem a córnea inscrustrada; Ludwig Borchardt julgou que esta se teria desprendido quando encontrou o busto, mas estudos posteriores revelaram que esta nunca foi colocada para não causar inveja as deusas.

Segundo o costume da época os achados de uma escavação eram partilhados entre o Egito e os detentores da licença de escavação. O busto de Nefertiti acabaria por ser enviado para a Alemanha, onde foi entregue a James Simon, uma dos patrocinadores da expedição. Contudo, a forma como saiu do Egito é pouco clara e alvo de disputas. Atualmente o Egito alega que Borchardt escondeu a peça, versão contraposta à que alega que os responsáveis pelas antiguidades egípcias não deram importantância ao busto, deixando-o partir. Em 1920 a obra foi doada ao Museu Egípcio de Berlim, onde passou a ser exibida a partir de 1923, tornando-se uma das atrações da instituição.

Até então, as representações conhecidas da rainha, mostravam-na com um crânio alongado, sendo a rainha vista como uma mulher que provavelmente sofria de tuberculose. O busto revelou-se determinante na alteração da percepção da rainha, que muitas mulheres dos anos 30 procurariam imitar em bailes de máscaras.

Durante a Segunda Guerra Mundial a Alemanha retirou as peças dos museus de Berlim para colocá-las em abrigos. O busto de Nefertiti foi guardado num abrigo na Turíngia, onde permaneceu até ao fim da guerra até que o exército americano o levou para Wiesbaden. Em 1956 o busto regressou a Berlim Ocidental.
A alegada múmia de Nefertiti

Em Junho de 2003 a egiptóloga Joanne Fletcher da Universidade de York anunciou que ela e a sua equipe teriam identificado uma múmia como sendo a rainha Nefertiti.

Em 1898 o egiptólogo Victor Loret descobriu o túmulo do rei Amen-hotep II no Vale dos Reis. Como foi o trigésimo quinto túmulo a ser encontrado, este recebeu a designação de "KV35" na moderna egiptologia (King Valley´s 35). Para além da múmia deste rei, encontraram-se onze múmias numa câmara selada do túmulo. Três destas múmias foram deixadas no local, devido ao seu elevado estado de deterioração, tendo as restantes sido levadas para o Museu Egípcio. Duas múmias eram de mulheres e a terceira de um rapaz.

Uma peruca encontrada neste túmulo junto a uma das múmias chamou a atenção de Joanne Fletcher que a identificou com as perucas de estilo núbio utilizadas no tempo de Akhenaton. Para Fletcher, especialista em cabelos, esta peruca foi usada por Nefertiti. Para além disso, o lóbulo da orelha estava furado em dois pontos (uma marca da realeza), com impressões de uma tiara no crânio. A múmia não tinha cabelo o que corresponderia à necessidade de Nefertiti manter o cabelo raspado para poder utilizar a coroa azul e também para proteger-se contra piolhos e o calor do Egito na época retratada.

Contudo, a arcada dentária da múmia estava identificada como sendo de uma mulher de vinte e cinco anos, o que torna pouco provável tratar-se de Nefertiti. Mas, logo depois se reparou outro detalhe interessante, os ossos da múmia estavam juntos e sólidos, o que só pode significar que a múmia tinha entre trinta e trinta e cinco anos, o que de novo levanta a possibilidade desta ser a múmia de Nefertiti.

A misteriosa múmia foi teoricamente golpeada na boca destruindo boa parte de seu rosto. Os ferimentos mostravam que tal golpe foi realizado depois da mumificação, quando possíveis homens teriam entrado na tumba, mas não há uma pista do porque. A explicação para o golpe foi que, na tentativa de apagar Akhenaton da história egípcia, teriam golpeado a rainha na boca, impedindo que seu ka entrasse no pós-vida, como uma vingança.Todas as jóias que a ligavam com a realeza foram roubadas. Mas ainda assim através do raio-X foi possível identificar os famosos 'pinos de Nefer' usados pela rainha Neferititi e também usados na mumificação de membros da família real. O cérebro da múmia também foi preservado, uma característica da décima oitava dinastia(a dinastia em qual Akhenaton governou).

Baseados nos estudos da Dra. Joanne Fletcher, era bastante provável que a múmia fosse de Nefertiti. Com isso, ela conseguiu permissão do governo egípcio para performar um exame de DNA. Infelizmente, o exame mostrou que a múmia não era de Nefertiti, mas sim da irmã dela. As buscas pela múmia de Nefertiti continuam.
wikepédia.

Grande Hino a Aton.


O Grande Hino a Aton é um texto religioso do Antigo Egipto cuja autoria é atribuída ao faraó do Império Novo Amen-hotep IV, mais conhecido pelo nome de Akhenaton, que governou o Egipto entre 1351 e 1334 a.C. (segundo o egiptólogo alemão Jürgen von Beckerath).

Foi gravado no túmulo de Ai, um alto funcionário do soberano que chegou a ser rei, sucedendo a Tutankhamon. Este túmulo, situado numa montanha a oriente de Amarna, não foi utilizado por Ai que acabou por ser sepultado em Tebas (na necrópole do Vale dos Reis). Foi disposto em treze colunas verticais de hieróglifos, acompanhado por uma representação de Ai e da sua esposa, Tié. As inscrições encontram-se danificadas devido ao vandalismo exercido sobre estas em 1890.

Em cinco outros túmulos de Amarna existem composições dedicadas a Aton ou a Aton e ao rei que devido às suas semelhanças se acredita serem oriundas duma mesma fonte.

É o principal documento para o estudo das concepções religiosas desenvolvidas por Akhenaton, as quais são por vezes designadas sob o termo de "atonismo", dado o deus Aton ocupar nelas o papel principal. É provável que o hino fosse utilizado em celebrações religiosas.

A composição gira em torno de três figuras: Ré-Horakhti na sua manifestação de Aton, Akhenaton e Nefertiti. Aton é apresentado como o criador dos seres e das coisas, que protege, sendo Akhenaton o único ser humano que tem acesso ao deus.

Tem sido apontadas as semelhanças entre o hino e o Salmo 104 da Bíblia, o que para alguns sugere uma relação entre o "monoteísmo" de Akhenaton e o monoteísmo de Moisés, que viveu cerca de um século depois do faraó; Sigmund Freud assim o defendeu na sua obra Moisés e o Monoteísmo. Porém, hoje em dia sugere-se que as semelhanças são oriundas do mesmo substrato cultural do Médio Oriente. Muito mais do que um monoteísmo, as concepções religiosas de Akhenaton seriam um henoteísmo exacerbado.

Para além disso, o hino não é completamente original, dado que alguns elementos presentes já se encontram em composições anteriores, como nos Textos dos Sarcófagos e num hino a Amon que se encontra no Papiro Bulaq 17. No entanto, o hino é considerado como uma bela manifestação literária deste período.
f.p.wikepédia

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Grande Hino a Aton: escrito por Akhenaton:


Grande Hino a Aton:

"Tu surges belo na terra de luz do paraíso
Ó Aton vivo, que dá vida.
Quando nasces ergues no horizonte oriental
Enches todas as terras com a tua beleza
Tu és belo, grande resplandecente,
Sublime sobre todas as terras o país;
Os teus raios abraçam e iluminam as terras
Até o limite de tudo o que criastes.
Sendo Rá alcanças os seus limites e os subjugas para teu filho amado.
Tu estás longe, mas os teus raios encontram-se sobre a terra,
Apesar de vê-lo seu caminho é oculto
Tu estás diante de nós, mas as pessoas não vêem o teu caminho.

Quando tu te pões na terra ocidental,
A terra fica na escuridão como morta.

Os que dormem encontram-se em suas casas,
As cabeças cobertas, um olho não vê o outro.
Se roubassem seus bens que se acham debaixo de suas cabeças,
Eles nem perceberiam.

Todos os leões saem de suas cavernas,
Todas as serpentes mordem.
A escuridão é uma tumba
Para eles claridade.
Jaz a terra em silêncio.
Seu criador repousa na sua terra de luz no horizonte.

Na aurora tu reapareces no horizonte.
E és irradiante como o disco solar do dia (Aton)
Tu eliminas as trevas e lanças teus raios.
As duas terras estão em festa.

As pessoas acordam e ficam de pé.
Tu as fizeste levantar.
Eles banham-se e vestem-se,
Os seus braços estão em adoração à sua feição.
A terra inteira se põe a trabalhar.

Todo animal goza de sua pastagem,
Árvores e relvas brotam e verdejam.
Os pássaros voam de seus ninhos,
Com as asas levantadas para teu ka
Todos os rebanhos ágeis estão sobre os seus pés,
Tudo que se levanta e voa, parte,
Tu nasces para eles.

Os barcos seguem para o norte, seguem para o sul também,
Todos os caminhos se abrem quando tu surges.
Os peixes no rio arrojam-se diante a ti movem-se deslizando em tua direção,
Os teus raios chegam ao meio do mar.

Tu fazes crescer a semente na mulher,
Tu fazes o semem nos homens,
Tu fazes viver o filho no ventre da mãe,
Tu o acalentas para que não chore,
Tu o alimentas no ventre!
Dás a respiração, para alimentar tudo o que ele faz.
Quando sai do ventre para respirar, no dia de seu nascimento, abre-lhe a boca e Provês as suas necessidades.
O pássaro fala dentro da casca do ovo;
Tu ali dentro lhe dás ar para viver.
Determinas um tempo para ele sair do ovo;
Quando ele sai do ovo, para piar, ao seu nascimento, já caminha em suas pernas.

Quão numerosas são as tuas obras!
Apesar de ocultas à vista, Ó Deus Único ao lado do qual não há outro!
Tu criaste a terra ao teu desejo, Quando tu estavas só,
Com os homens, as manadas, e as revoadas dos pássaros.
Tudo o que há sobre a terra e anda sobre seus pés,
Tudo aquilo que está no céu e que voa sobre suas asas.
Os países estrangeiros, da Síria, e Núbia, a Terra do Egito.
Tu colocaste todo homem em seu lugar,
Proveste as suas necessidades, cada um com o seu alimento,
É contada sua duração de vida .
Suas línguas diferem no falar, suas características também;
Suas peles são distintas, pois tu diferenciaste os povos.

Fizeste um Nilo no subterrâneo,
Tu o trazes quando queres, para dar sustento às pessoas,
Pois tu as criaste para ti.

Senhor de tudo, que trabalhas por eles,
Senhor de todas as terras, que brilha para eles,
Ó Aton do dia, grande em glória!

De todas as terras distantes, tu os mantêm vivos,
Fizeste um Nilo celestial, que desce para eles,
E que faz ondas nas montanhas como um mar,
E banha os seus campos com o que eles necessitam.
Quão perfeitos os teus planos, Ó senhor da eternidade!

Um Nilo do céu para os estrangeiros,
E para todas as criaturas no deserto que caminham sobre pernas,
Mas para o Egito, o Nilo que vem de Duat.

Os teus raios trazem a nutrição para todas as plantas;
Quando tu brilhas, elas vivem e prosperam para ti.
Tu fazes as estações para que se desenvolva tudo o que tu crias:
O inverno para refrescá-las, o ardor para que te degustem.

Tu fizeste o céu distante, para brilhar nele.
Para ver tudo que fazes, enquanto tu és Um,
Nascido em sua forma de Aton vivo,
Brilhante e radiante, próximo e distante.

Tu fazes milhões de formas de ti, sozinho,
Povoados, vila, campos, estrada e rio.
Todos os olhos o contemplam acima deles,
Quando tu estás acima da terra como, Aton.

Quando tu vais e não há olho cuja visão tu criaste,
não para olhar para ti como só mais uma de suas criaturas.

Tu estás ainda em meu coração.
Não há nenhum outro que te conheça
Exceto teu filho, Nefer-kheperu-Rá Ua-en-Rá Akhenaten,
A quem ensinastes.

A terra passa a existir por tua mão como tu a criaste,
Quando tu alvoreces, eles vivem, quando tu te pões eles morrem;
Tu mesmo és vida - se vive de ti.

Os olhos vêem beleza, enquanto tu não te pões.
Deixa-se todo o trabalho quando tu descansas no Ocidente;
O teu alvorecer é um fortalecimento para o Rei,
E todos movem-se desde que fundastes a terra.

Tu os levantas para o teu filho que saiu do teu corpo
O rei que vive pela verdade (Ma’at), o Senhor das duas terras,
O Senhor dos Dois Países Nefer-kheperu-Rá
O único de Rá, o filho de Rá que vive pela verdade (Ma’at),
O Senhor das duas coroas Akhenaton, Sublime em sua vida
E da Grande Rainha a quem ele ama,
A Senhora das Duas Terras Nefer-neferu-Aton Nefertite,
Que vive e rejuvenesce por toda a eternidade"

Akhenaton.


Origens familiares

Amen-hotep era filho de Amen-hotep III, o nono rei da XVIII Dinastia e da rainha Tié. Cresceu no palácio de Malkata, localizado a sul da cidade de Tebas. Durante o reinado do seu pai o Egito viveu uma era de paz, prosperidade e esplendor artístico. Não se sabe muito sobre a sua infância, dado que não era hábito entre os antigos Egípcios documentar a vida das crianças da família real. Teve provavelmente como preceptor Amen-hotep Filho de Hapu e ao que parece enquanto jovem era fisicamente débil, não lhe agradando as actividades relacionadas com a caça e o manejo de armas. Para Roger Bottini Paranhos o preceptor de Amen-hotep foi Meri-Rá, sacerdote do templo de Rá em Heliópolis.

Amen-hotep não estava destinado a ser rei do Antigo Egito. Este lugar seria ocupado pelo seu irmão mais velho, o príncipe Tutmés, que era filho de Amen-hotep III com Gilukhipa, uma esposa secundária filha do rei de Mitanni. Porém, Tutmés morreu antes do ano 30 do reinado do pai (possivelmente no ano 26) e Amen-hotep ascendeu à categoria de "Filho Maior do Rei", ou seja, herdeiro do trono.

As análises de DNA das múmias egípcias por Zahi Hawass confirmam Akhenaton como filho de Amen-hotep III e pai de Tutankamon, resgatando seu importante papel na história do Antigo Egito. No livro Akhenaton - a revolução espiritual do Antigo Egito, de Roger Paranhos, o autor afirma que a mãe de Akhenaton seria mesmo a rainha Tié (ou Tii), e não a segunda esposa do faraó Amen-hotep III (ou Amenófis III), conhecida por Telika, que seria de origem asiática, como defendem alguns livros, no entanto, além das confirmações de Roger, as análises de DNA não parecem corroborar essa hipótese.

Amen-hotep tinha sido criado para ser sacerdote do templo de Heliópolis, cidade do Baixo Egipto que era o centro do culto do deus solar Rá. Quando o seu irmão faleceu é possível que também tenha herdado o cargo de sumo-sacerdote de Ptah, deus associado aos artistas.
O reinado em Tebas.
Akhenaton e Nefertiti.

Akhenaton tornou-se rei aos quinze anos por volta de 1364 a.C. Os investigadores dividem-se em torno de uma possível co-regência de Amen-hotep III e do seu filho, não existindo certeza a este respeito. Associar um filho ao trono ainda em vida de faraó foi um recurso utilizado por vários reis egípcios de modo a garantir uma sucessão sem problemas.

Quando os reis egípcios subiam ao trono adoptavam cinco nomes, que de certa forma indicavam o programa simbólico do novo monarca. Estes cinco nomes são conhecidos como a titulatura e no caso de Amen-hotep IV foram os seguintes:

Nome de Hórus: Touro poderoso com as duas altas plumas
Nome das Duas Damas: Grande é a sua realeza em Karnak
Nome do Hórus de Ouro: O que leva as coroas de Hermontis
Rei do Alto e Baixo Egipto: Maravilhosas são as manifestações de Rá
Filho de Rá: Amen-hotep, divino regente de Tebas

Pensa-se que nesta altura já estaria casado com Nefertiti, a sua famosa esposa. Durante muito tempo defendeu-se que Nefertiti teria uma origem estrangeira, devido ao fato do seu nome significar "a bela chegou", mas actualmente a maioria dos investigadores considera que ela seria egípcia, talvez natural da cidade de Akhmim. A união entre ambos parece ter sido imposta pela mãe, que seria tia de Nefertiti; no entanto, entre os dois desenvolveu-se um grande afecto e Nefertiti alcançou um protagonismo político sem antecedentes entre as esposas reais.

Em Tebas, bem como em Mênfis e em Hermopólis, Amen-hotep iniciou um programa de obras públicas. Em volta do templo de Amon em Karnak (Tebas) mandou construir quatro templos dedicados a Aton, o que para alguns autores seria uma tentativa de realizar uma fusão entre os dois deuses.

Um dos mais interessantes destes templo é o conhecido como o "Hutbenben", o que significa casa de Benben. Benben era o monte inicial a partir do qual surgiu o deus Aton (uma manifestação do deus solar), que iniciou a criação do mundo. Neste templo vê-se como oficiante a rainha Nefertiti, acompanhada de uma filha, Meketaton, o que mostra o papel central desempenhado pela rainha nas concepções religiosas de Akhenaton.

Para se conseguir criar estes templos em pouco espaço de tempo os engenheiros de Amen-hotep recorreram a uma nova técnica. Dado que estes templos foram concebidos sem a necessidade de telhado, as paredes não tinham que ser tão robustas. Os construtores cortaram blocos de pedra com cerca de 50 cm de comprimento e 25 cm de largura e altura, que são conhecidos hoje como "talatat" ("árvore" em árabe). Recorrendo a estes blocos os pedreiros construíram os templos.

No ano 3 do seu reinado Amen-hotep celebrou o festival "sed". Estes festivais eram celebrados quando o faraó fazia trinta anos de reinado. Não se sabe a razão que levaria Amen-hotep a celebrar este festival tão cedo. O que sabe é que no festival apenas mencionou o nome do deus Aton. As cerimónias do "sed" tiveram lugar numas das estruturas referidas anteriormente, conhecida como o Guemetpaaton.
De Amen-hotep a Akhenaton

No ano 5 do seu reinado o jovem rei decide mudar de nome. De Amen-hotep, nome que significa "Amon está satisfeito" muda para Akhenaton o que significa "o espírito actuante de Aton", o que representou o seu repúdio ao deus Amon. O rei declarou-se também filho e profeta de Aton, uma divindade representada como um disco solar. Akhenaton instituiu o deus Aton como a única divindade que deveria ser cultuada, sendo o próprio faraó o único representante dessa divindade.

No entanto, o deus Aton não era um deus novo no panteão egípcio. Aton era considerado pelos egípcios como uma manifestação visível do deus Rá-Harakhti e já era mencionado nos Textos das Pirâmides, que são os textos de carácter religioso mais antigos encontrados no Egito. O que há de novo na religião introduzida por Akhenaton é o lugar central de Aton, remetendo outros deuses ao desaparecimento ou a uma posição secundária. Dessa forma, Akhenaton pode ser considerado o criador da idéia do Monoteísmo.

Não se sabe ao certo qual teriam sido as motivações de Akhenaton para tomar esta atitude. Aponta-se o poderio do clero de Amon, que possuía terras na Ásia e na Núbia, assim como pedreiras, minas e rebanhos. Todos estes bens seriam transferidos por Akhenaton para o templo de Aton que mandou construir numa nova cidade, Akhetaton.
Akhetaton, a nova capital do Egipto

No ano 6, Akhenaton decide abandonar Tebas para fundar uma nova cidade dedicada a Aton. Ao contrário de outros deuses, Aton não tinha ainda um local de culto próprio e Akhenaton decide-se por criar um. O local escolhido situa-se entre Mênfis e Tebas, na margem direita do Nilo e recebeu o nome de Akhetaton ("o horizonte de Aton"); actualmente as ruínas deste local são conhecidas como Amarna, o nome da aldeia egípcia próxima.

Os terrenos em redor da cidade eram favoráveis à prática agrícola e a criação, assegurando o abastecimento dos seus futuros habitantes. A cidade foi construída em quatro anos. Parte da população que se fixou na nova capital seria oriunda de Tebas, sendo composta pelos agricultores, militares, escribas e artífices que acompanharam o rei no seu projecto. Julga-se que Akhetaton teve uma população de cerca de vinte mil habitantes. O urbanismo da cidade caracterizava-se pela simplicidade, com grandes avenidas.

No centro da cidade encontrava-se o grande templo de Aton, que tinha cerca de oitocentos metros de comprimento e trezentos metros de largura. A sua arquitectura era completamente diferente de outros templos da XVIII Dinastia: não tinham salas escuras, onde se realizava o culto, mas vários pátios ao ar livre que levavam ao altar do deus. Sendo dedicado a uma divindade solar, não fazia sentido a escuridão das salas; uma estrutura ao ar livre permitia a presença dos raios de Aton.

O palácio real tinha cerca de oitocentos metros, erguendo-se ao longo do eixo principal da cidade,e anexo a ele o faraó possuía um templo particular para suas meditações e orações,que era chamado 'o castelo de Aton'. Ali eram realizados os rituais privados do rei para fazer levantar o Sol da justiça de todas as manhãs. Era uma cerimônia em que o faraó procurava manter a mente limpa e em paz no novo dia que nascia. Só através da influência benéfica dos planos superiores ele poderia julgar e decidir o rumo do Egito com sabedoria e justiça. À norte deste palácio encontrou-se aquilo que seria uma espécie de jardim zoológico. Os altos funcionários possuíam grandes quintas, com os seus jardins.

Uma avenida cortava a cidade de norte a sul. Essa grande avenida tinha mais de trinta e oito metros de largura; talvez tenha sido a maior rua do mundo antigo. O objetivo daquela extensa largura era promover desfiles de carruagens da família real e ser um grande largo para as festividades populares ao deus Aton. A cidade completa, incluindo suas demais ruas internas, dispersava-se para todos os lados em vinte e sete quilômetros, abrangendo os subúrbios de ambas as extremidades. Ali foram construídos templos e moradias para a classe média, composta de arquitetos artesãos e escribas. Além do bairro norte, construiu-se uma aldeia para obrigar os trabalhadores mais modestos, que trabalhavam as pedras e fabricavam os tijolos de barro para as construções.

Akhenaton teve seis filhas com Nefertiti. Com uma rainha secundária, chamada Kia, Akhenaton teve um menino chamado Tutankhaton (a imagem viva de Aton) que se tornou príncipe herdeiro do trono do Egito.
Governo de Akhenaton.

Akhenaton deixou-se absorver pelo sua devoção a Aton, ou talvez pela sua personalidade artista e pacifista, descuidando os aspectos práticos da administração do Egipto. Perante este desinteresse, Aye e o general Horemheb, duas personalidades que mais tarde se tornariam faraós, desempenharam um importante papel no governo.

Entre o ano 8 e o ano 12 sabe-se que Akhenaton desencadeou uma perseguição aos antigos deuses, e em particular, aos deuses que estavam associados à cidade de Tebas, Amon, Mut e Khonsu. O faraó ordenou que os nomes destes deuses fossem retirados de todas as inscrições em que se encontravam em todo o Egipto. Esta situação atingiu directamente não só os sacerdotes, mas a própria população. As descobertas da arqueologia mostram que os donos de pequenos objectos retiraram os hieróglifos do deus Amon deles, numa atitude de autocensura, temendo represálias. Entretanto, em registros arqueológicos de funcionários do faraó, por exemplo, pode-se encontrar, por vezes, utensílios relacionados a antigas divindades politeístas e até mesmo nomes de pessoas que faziam menção ao antigos deuses. Isso pode ser um indício de que, mesmo sob a reforma monoteísta Akhenaton, havia certa tolerância religiosa.

No ano 12 ocorreu um grande festival em Akhetaton, cujo motivo exacto não se conhece. Seria talvez uma espécie de refundação da cidade de Aton. No palácio real foram recebidas delegações da Ásia, Líbia, Núbia e das ilhas do Egeu. No livro Akhenaton - a revolução espiritual do Antigo Egito, este evento teve por razão a co-regência com sua esposa Nefertiti, que passou a adotar o título de Smenkhkare.

O império que o Egipto tinha construído ao longo das últimas décadas desintegrava-se aos poucos, possivelmente porque Akhenaton seria um pacifista, não desejando, portanto, manter reinos vassalos nem uma política militar imperialista. No Médio Oriente o Egipto tinha os seus aliados e parece que o faraó não atendeu aos seus pedidos de ajuda, face à ameaça hitita. Este povo acabará por conquistar o Médio Oriente, tomando os portos da Fenícia; os Mitânios, aliados do Egipto, são varridos do mapa. Povos beduínos invadem a Palestina e conquistam Jerusalém e Megido. Ao sul, o Egipto perde o controle sobre as minas de ouro da Núbia fundamentais para o comércio egípcio.
A arte de Amarna.

O reinado de Akhenaton assistiu à emergência da chamada "arte amarniana", que se caracteriza por um lado pelo naturalismo (abundância de plantas, flores e passáros) e pela convivência familiar do faraó e por outro lado, por uma representação mais realista das personagens que por vezes atinge o ponto da caricatura. A arte oficial apresenta o rei com uma fisionomia andrógina, com um crânio alongado, lábios grossos, ancas largas e ventre proeminente.

Acreditava-se que Akhenton era portador de algum tipo de deficiência ou portador de alguma doença genética rara que transmitiu aos seus descendentes, como a Síndrome de Marfan ou a síndrome de Fröhlich. Se este fosse o caso, Nefertiti e os altos dignitários também sofreriam de alguma destas doenças visto que surgem representados da mesma forma, o que em parte parece descartar esta hipótese. Contudo, essa hipótese foi posta ao chão com estudos detalhados desenvolvidos por análise de DNA pelo egiptólogo Zahi Hawass, que excluiu a possibilidade dos rostos alongados e aparência feminilizada serem devidos a uma enfermidade congênita na arte do período de Amarna e entende que a sua aparência andrógina é uma característica estilística. Para alguns autores, esta iconografia seria uma manifestação artística que visava romper com os canônes do passado (tal como Akhenaton fizera no domínio religioso) e afirmar a singularidade da família real.

Atribui-se a Akhenaton igualmente talentos na poesia. O faraó teria sido autor do famoso "Hino a Aton" que apresenta semelhanças com o Salmo 104 da Bíblia.
Últimos anos.

Akhenaton reinou por cerca de 17 anos. Aproximadamente no ano 15 do seu reinado surge um misterioso co-regente chamado Smenkhkare. Alguns egiptólogos acreditam que Smenkhkare era a rainha Nefertiti que assumiu atributos de faraó para tornar suave a transição de governo para o herdeiro do trono que, nessa época, deveria ter por volta de quatro anos de idade. Outros acreditam que ele era, na verdade, o filho mais velho de Akhenaton e irmão de Tutankhamon, que lhe sucedeu.

Seja como for, nada se sabe sobre Nefertiti após o ano 15. Na opinião de Cyril Aldred, Nefertiti morreu no ano 13 ou 14 do reinado de Akhenaton. Kia também teria desaparecido mais ou menos na mesma altura que Nefertiti e Meritaton, filha de Akhenaton e Nefertiti, tornou-se a primeira dama do reino.

Não se sabe ao certo sobre a morte de Akhenaton, a não ser que faleceu no 17.º ano de seu reinado. A sua múmia poderia talvez ter sido queimada ou colocada no Vale dos Reis. Suspeita-se que tenha sido assassinado a mando dos sacerdotes, prejudicados por sua administração austera. Uma múmia encontrada na Tumba KV55 também pode ser considerada de Akhenaton.

Smenkhkare reinou por cerca de dois anos até que, aos oito anos de idade, o jovem Tutankhaton foi elevado ao trono do Egito. Seu breve reinado (ele morreu quando tinha aproximadamente 18 anos de idade) foi marcado pela reaproximação da família real com o clero tebano do deus Amon. Tanto que o faraó recém entronizado trocou o seu nome para Tutankhamon (a imagem viva de Amon), selando uma certa paz com os sacerdotes de Tebas e com as antigas tradições egípcias. As radiografias feitas na múmia de Tutankhamon mostram um golpe no crânio, o que levanta a hipótese de ter sido assassinado. Tutankhamon foi sucedido por Aye, que reinou três anos, e este por sua vez foi sucedido por Horemheb.wikepédia.

O Livro Dos Mortos Do Antigo Egipto.


A múmia de Ani é transportada numa barca funerária, seguida por carpideiras e acompanhada pela viúva chorosa, enquanto um sacerdote faz libações. Atrás das carpideira um vaso de vísceras, que tem no topo uma cabeça de chacal, e alguns servos que transportam os bens funerários?Há obras que são símbolos de uma determinada civilização, O LIVRO DOS MORTOS do ANTIGO EGIPTO (PRT M HRU), inscreve-se nessa categoria de obras de excepção; sendo o mais antigo livro ilustrado do mundo.Aparece pela primeira vez na XVIII dinastia (c 1550 a.C.), embora a sua origem remonte ao reinado de Unas, último rei da V dinastia (c. 2345 a.C.).Estes primeiros textos funerários do antigo Egipto, foram gravados nas paredes da pirâmide real. Sendo constituídos por hinos, rituais e recitações mágicas a fim de assegurar a ressurreição real, bem como a protecção contra influências malignas.No 1º Período Intermédio e no Império Médio surgem duas novas colectâneas de textos funerários, os TEXTOS DOS SARCÓFAGOS e o LIVRO DOS DOIS CAMINHOS (entre 2300 e 1700 a.C.). Neles se constata a ?democratização? da imortalidade e a projecção conferida a Osíris, que agora se confronta com Rá no topo da hierarquia divina.No princípio da XVIII dinastia com a designada ?Recessão Tebana?, assiste-se à compilação e escolha de todos os textos escritos até então, mas sem qualquer preocupação de natureza sequencial na organização dos mesmos.Posteriormente na XXVI dinastia (c. 650 a.C.) irá surgir uma nova recessão, a ?Saíta?, que se caracterizará por procurar uma ordem sequencial nas fórmulas.Estas fórmulas, vulgarmente designadas capítulos, tem um conteúdo heterogéneo, o que se prende com a diversidade temporal da origem dos textos: Hinos, Prescrições, Orações, exposições da criação, Indicações sobre as diversas divindades que o morto devia conhecer, Textos mágicos de protecção contra determinados animais, etc.Todas as fórmulas (capítulos) tem um título e, a maioria apresenta ilustrações (vinhetas).Os textos são escritos em hieróglifos cursivos em todas as épocas, sendo que a partir da XXI (c.1080 a.C.) dinastia surgem igualmente em hierático. Ao conjunto destas fórmulas foi dado o nome de LIVRO DOS MORTOS, pelo alemão Richard Lepsius em 1842 na cidade de Leipzig.Em 1881 o egiptólogo holandês Willem Pleyte publica os Capítulos Suplementares, alterando a numeração de Lepsius e acrescentando-lhe mais algumas fórmulas (163-174). È no entanto o suíço Edouard Naville que produzirá a edição mais completa do LIVRO DOS MORTOS. Segundo a numeração de Lepsius e não de Pleyte, vem completá-la com novas fórmulas (166-186).Alguns anos mais tarde o egiptólogo inglês, Sir E. A. Wallis Budge publica os CAPÍTULOS DA SAÍDA À LUZ DO DIA. Neles são agrupados indiferentemente textos que vão desde a XVIII dinastia até à época ptolomaica. A partir deste momento o LIVRO DOS MORTOS surge com 190 fórmulas.Todos os egípcios ambicionavam fazer-se acompanhar de um LIVRO DOS MORTOS na sua viagem para o Além. O seu tamanho e a sua temática podiam variar de livro para livro, uma vez que dependiam de factores, tais como o poder económico, a qualidade dos escribas, a quantidade de escribas disponíveis, o tempo de que dispunham, etc.No LIVRO DOS MORTOS encontram-se dois caminhos possíveis para a vida, duas via de salvação: uma osiríaca e a outra solar. Como Osíris eram mumificados, purificados e embalsamados para que o seu corpo não sofresse corrupção e pudesse voar, livre, em direcção ao céu, fundir-se com Rá, transformando assim o Osíris de ontem, no Rá, de hoje e de amanhã.Osíris e Rá, símbolos de imortalidade e de eternidade, projectos de vida e de morte, senhores de Maet, justiça, verdade, ordem e equilíbrio cósmico e universal.Pelo poder mágico das fórmulas, o morto pode aspirar e conquistar a identificação perfeita comOsíris e, depois, com Rá. Pelo poder mágico da palavra, escrita e falada, lida. Porque a palavra, no antigo Egipto, era verbo criador. Palavra realizadora, uma das formas da criação.A magia das fórmulas era de dois tipos: operativa (produzindo determinados efeitos), ou defensiva (contra perigos vários). Por isso o ?morto? no seu lento e progressivo percurso para a Vida e para o Céu, para a Liberdade não temia as diferentes provas que teria de ultrapassar. Ia-se purificando e assim ao chegar junto de Osíris, para ser julgado, de novo pela força operativa das palavras, ele provava a sua inocência. A Osíris e aos quarenta e dois deuses que o acompnhavam, a Maet, a Tot e a Anúbis.Homem-Morto-Osíris-Rá, falcão, fénix ou carneiro, mas sempre egípcio, filho dos deuses, criado pelos deuses, que retorna à divindade depois de um percurso peculiar. Primeiro, sobre a terra do Egipto, sobre a areia do deserto ou aàgua do Nilo. Depois, sob a terra, na necrópole, como Osíris, no ventre de sua mãe. E, finalmente, voando em direcção ao céu, batendo as asas, como Hórus, ao encontro do abraço do seu pai, Rá.Tudo isto aconteceu há muitos anos. Mas perdura, ainda, hoje e? amanhã.Pela eternidade. Pela força da palavra e da magia, do pensamento e do homem, que é divino, quando quer.
Danuia.