contos sol e lua

contos sol e lua

sábado, 23 de junho de 2012

Sombra.


VÓS QUE ME LEDES por certo estais ainda entre os vivos; mas eu que escrevo terei partido há muito para a região das sombras. Por que de fato estranhas coisas acontecerão, e coisas secretas serão conhecidas, e muitos séculos passarão antes que estas memórias caiam sob vistas humanas. E, ao serem lidas, alguém haverá que nelas não acredite, alguém que delas duvide e, contudo, uns poucos encontrarão muito motivo de reflexão nos caracteres aqui gravados com estiletes de ferro. O ano tinha sido um ano de terror e de sentimentos mais intensos que o terror, para os quais não existe nome na Terra. Pois muitos prodígios e sinais haviam se produzido, e por toda a parte, sobre a terra e sobre o mar, as negras asas da Peste se estendiam. Para aqueles, todavia, conhecedores dos astros, não era desconhecido que os céus apresentavam um aspecto de desgraça, e para mim, o grego Oinos, entre outros, era evidente que então sobreviera a alteração daquele ano 794, em que, à entrada do Carneiro, o planeta Júpiter entra em conjunção com o anel vermelho do terrível Saturno. O espírito característico do firmamento, se muito não me engano, manifestava-se não somente no orbe físico da Terra, mas nas almas, imaginações e meditações da Humanidade. Éramos sete, certa noite, em torno de algumas garrafas de rubro vinho de Quios, entre as paredes do nobre salão, na sombria cidade de Ptolemais. Para a sala em que nos achávamos a única entrada que havia era uma alta porta de feitio raro e trabalhada pelo artista Corinos, aferrolhada por dentro. Negras cortinas, adequadas ao sombrio aposento, privavam-nos da visão da lua, das lúgubres estrelas e das ruas despovoadas; mas o pressentimento e a lembrança do flagelo não podiam ser assim excluídos. Havia em torno de nós e dentro de nós coisas das quais não me é possível dar conta, coisas materiais e espirituais: atmosfera pesada, sensação de sufocamento, ansiedade; e, sobretudo, aquele terrível estado de existência que as pessoas nervosas experimentam quando os sentidos estão vivos e despertos, e as faculdades do pensamento jazem adormecidas. Um peso mortal nos acabrunhava. Oprimia nossos ombros, os móveis da sala, os copos em que bebíamos. E todas se sentiam opressas e prostradas, todas as coisas exceto as chamas das sete lâmpadas de ferro que iluminavam nossa orgia. Elevando-se em filetes finos de luz, assim que permaneciam, ardendo, pálidas e imotas. E no espelho que seu fulgor formava sobre a redonda mesa de ébano a que estávamos sentados, cada um de nós, ali reunidos, contemplava o palor de seu próprio rosto e o brilho inquieto nos olhos abatidos de seus companheiros. Não obstante, ríamos e estávamos alegres, a nosso modo - que era histérico - , e cantávamos as canções de Anacreonte - que são doidas -, e bebíamos intensamente, embora o vinho purpurino nos lembrasse a cor do sangue. Pois ali havia ainda outra pessoa em nossa sala, o jovem Zoilo. Morto, estendido a fio comprido, amortalhado, era como o gênio e o demônio da cena. Mas ah! Não tomava ele parte em nossa alegria! Seu rosto, convulsionado pela doença, e seus olhos, em que a Morte havia apenas extinguido metade do fogo da peste, pareciam interessar-se pela nossa alegria,, na medida em que, talvez, possam os mortos interessar-se pela alegria dos que têm de morrer. Mas embora eu, Oinos, sentisse os olhos do morto cravados sobre mim, ainda assim obrigava-me a não perceber a amargura de sua expressão. E mergulhando fundamente a vista nas profundezas do espelho de ébano, cantava em voz alta e sonorosa as canções do filho de Teios. Mas, Pouco a pouco, minhas canções cessaram e seus ecos, ressoando ao longe, entre os reposteiros negros do aposento, tornavam-se fracos e indistintos, esvanecendo-se. E eis que dentre aqueles negros reposteiros, onde ia morrer o rumor das canções, se destacou uma sombra negra e imprecisa, uma sombra tal como a da lua quando baixa no céu, e se assemelha ao vulto dum homem: mas não era a sombra de um homem, nem a de um deus, nem a de qualquer outro ente conhecido. E, tremendo um instante entre os reposteiros do aposento, mostrou-se afinal plenamente sobre a superfície da porta de ébano. Mas a sombra era vaga, informe, imprecisa, e não era sombra nem de homem, nem de deus, de deus da Grécia, de deus da Caldéia, de deus egípcio. E a sombra permanecia sobre a porta de bronze, por baixo da cornija arqueada, e não se movia, nem dizia palavra alguma, mas ali ficava parada e imutável. Os pés do jovem Zoilo, amortalhado, encontravam-se, se bem me lembro, na porta sobre a qual a sombra repousava. Nós, porém, os sete ali reunidos, tendo avistado a sombra no momento em que se destacava dentre os reposteiros, não ousávamos olhá-la fixamente, mas baixávamos os olhos e fixávamos sem desvio as profundezas do espelho de ébano. E afinal, eu, Oinos, pronunciando algumas palavras em voz baixa, indaguei da sombra seu nome e lugar de nascimento. E a sombra respondeu: "Eu sou a SOMBRA e minha morada está perto das catacumbas de Ptolemais, junto daquelas sombrias planícies infernais que orlam o sujo canal de Caronte". E então, todos sete, erguemo-nos, cheios de horror, de nossos assentos, trêmulos, enregelados, espavoridos, porque o tom da voz da sombra não era de um só ser, mas de uma multidão de seres e, variando suas inflexões, de sílaba para sílaba, vibrava aos nossos ouvidos confusamente, como se fossem as entonações familiares e bem relembradas dos muitos milhares de amigos que a morte ceifara.E.Allan Poe.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Só


Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.
Allan Poe.

Edgar Allan Poe


Nasceu em Boston, em 1809, e faleceu em Baltimore, em 1849. Filho de actores, muito cedo viu desaparecer os pais, vitimados pela tuberculose. Edgar e seus irmãos foram recolhidos por pessoas de família, tendo ele sido adoptado por um tio rico, com quem conheceu um verdadeiro lar. No entanto, os anos de miséria e a morte dos pais desenvolveram no jovem um espírito mórbido, que a sua natureza enfermiça mais propiciou.

Em 1827 abandona a casa dos pais adoptivos, vivendo por uns tempos um período de instabilidade emocional. Matricula-se na Academia Militar de West Point, mas depressa se manifesta avesso à disciplina militar e é expulso. Publica ainda em 1827 o seu primeiro livro de poesia, Tamerlane and other poems, by a Bostonian. Em 1833 ganha um prêmio instituído pelo jornal Philadelphia Saturday Visitor com seu conto Manuscript found in a bottle. O diretor do jornal, vendo a situação de miséria e depressão em que Poe vivia, consegue-lhe um lugar de vice-diretor do Southern Literary Messenger, onde ficará por pouco tempo, pois que, devido à sua permanente morbidez, se tornara num alcoólico inveterado.

Casa com sua prima Virgínia, uma noiva-criança, com 13 anos apenas, junto de quem parece readquirir um pouco de confiança em si. Trabalha em vários jornais de Nova Iorque e Filadélfia. Nesta cidade aparece em 1840 a sua primeira colecção de contos: Tales of grotesque and arabesque. O ano de 1840 foi de grande atividade literária: escreveu Os crimes da Rua Morgue, criando a figura do detetive Dupin, predecessor de Sherlock Holmes, e desempenhou funções de chefe de redação do Graham's Magazine. A doença da mulher, atacada de tuberculose, tem sobre ele nefasta influência, fá-lo voltar ao alcoolismo e leva-o a procurar a companhia duma poetisa menor, Frances Osgood, na tentativa de se furtar talvez ao trágico ambiente familiar. Em 1847 morre sua mulher e Poe mergulha num estado de desespero que o leva a procurar novas mulheres e a passar a maior parte do seu tempo embriagado.

Em outubro de 1849, numa taberna, é encontrado em profundo estado de embriaguez. Levado ao hospital, ali morre três dias depois.

Deixou um espólio literário considerável e a sua figura dramática tem dado origem a inúmeros estudos da gênese da sua obra por meio da psicanálise.

A sua influência na Europa foi flagrante, sobretudo em França, entre simbolistas e decadentes. Além de contos, deixou poesias diversas, das quais a mais conhecida é The Raven.

Personagem patético, cujo valor como criador literário foi justamente celebrado pouco depois da sua morte, viveu apagadamente, como revela uma carta sua de poucas linhas a um editor a quem pedia como única “compensação umas vinte cópias do seu livro para oferecer a amigos”. Por uma daquelas ironias proverbiais da vida de Poe, esta pequena carta valeria três mil dólares um século depois da sua morte.

Os seus contos, recusados durante muito tempo pelos editores por serem demasiado “germânicos” para um público comum, conheceram depois da sua morte um êxito notável. Visto com a perspectiva que o tempo concede à obra literária, sabemos hoje que a criação de Poe tem por base o temor ao dogmatismo da ciência e à influência nefasta do materialismo.

Os seus contos têm sido largamente utilizados pelo cinema, que neles descobriu uma perfeita construção cinemática de incontestável modernidade.

Balada nupcial.


No meu dedo anelar,
nupcial coroa templo minha decoração;
sedas e diamantes olhar para o brilho,
e eu estou feliz agora.

E o meu Senhor me dá amor seguro;
mas diga-me ontem o quanto eu adoro,
meu coração tremeu, como a magia,
de "que caíram na guerra", ao pé do muro,
e está feliz agora.

Mas ele tranquilizóme, e na minha testa
palidez beijou você ama.
E eis que um sonho, eu vi isso,
D'Elormy mortos ', sua, na minha testa,
foi o beijo, e suspiro (como é doce!)
"- Ah, eu estou feliz agora!"

E se eu pudesse dar nova palavra,
e eu jurei a voto e, embora traiçoeiro,
e apesar de um luto para o amor conduz a alma,
eis que esse anel brilhar "me testar"
Estou feliz agora.

Ah! Deus me ilumine esse passado,
sonhos para se sonhos alma não ou ignorado,
eo coração é pressionado e incomodado
pregúntase, ó Senhor, se a "esquecida"
ser feliz agora!e.alan poe.

UM SONHO NUM SONHO.



Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.

Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?
edgar allan poe

poema.


Vida,
Tediosa existência,
Incessante movimentação,
Eterna dúvida,
Maior dos mistérios

O que senão o sono,
O inibidor dos sentidos,
Para nos desprender daqui,
Oh, sofrido mundo!
O sono é a morte dos que ainda vivem

Para os que dele retornam,
Resta apenas serem tolos
E procurarem a felicidade
Ou serem sábios
E procurarem evitar a dor
Ciclo vicioso, degradante, tedioso

O que senão o sono eterno,
O finalizador dos sentidos,
Para nos tirar daqui,
Oh, sofrido mundo!
A morte é o sono dos que não vivem

Os que para ela foram,
Aqui não mais retornarão
Resta-lhes o nada,
Fazer nada,
Não serem, pois nada são
Nada é!
Não há ciclo
Apenas a degradação completa

Insistentes,
As artes preencherão o vazio de tuas almas
Pobres almas...
Destroçadas pela vida
O sono,
O analgésico para a dor da vida

As pessoas estao indo embora
sangue pelo chão
gritos pelo ar...

Não sei o que vou fazer
nao sei como encontrar forças para correr
pois quem eu amo
está morto no chao

Maldito aquele que viola a lei divina
matando pessoas por pura diversão!

Por ti, amor! morrerei!
só nao quero viver
num inferno de podridão!

Ilusão minha era achar que eles tivessem alma
que eles tivessem compaixão!

Um bando de jovens destruídos
por uma sociedade de eterna maldição.
Jovens assassinos...
jovens sem alma e sem coração!
jovens, condenados por um mesmo destino que eu...
o destino da solidão!

Perdi quem mais amei
e em cima de seu corpo chorarei
minha alma destruída pela vingança
e meu coração consumido pela tristeza
vão sempre ficar assim...
até que no inferno te encontrarei!

Certas Derrotas nos preparam pra grandes vitorias ?

Na escuridão das trevas,
onde a luz não ousa chegar,
existe um lugar onde a vida apenas sobrevive.
Muitos chamam esse lugar de inferno,
outros de fim do mundo.
Eu, chamo de lar.

O sono é uma morte incompleta,
a morte é o sono perfeito.

A sombra é a luz negativa.

Uma cadeia de ferros é mais facil do que romper uma cadeia de flores.

A pratica é o verbo em ação,
o homem que pratica pertence
a doutrina cujo ritos realiza.

Se eu avançar, segue-me.
Se eu morrer, vinga-me.
Se eu recuar, mata-me.

Se você é capaz de amar,
não faça sofrer quem te ama.

Lutar sempre,
vencer se possível,
desistir nunca.

Antes de magoar um coração,
veja se não esta dentro dele.
[d.a]

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Os Mistérios Egípcios..


Uma das particularidades mais notáveis que acontece com o Antigo Egipto e que continua a intrigar os mais cépticos dos cientistas, para a qual ainda não encontraram uma explicação razoável, é a seguinte: não se conhece uma passagem gradual do estado pré-histórico, da Idade da Pedra, do Ferro, do Bronze, para o estado civilizacional. De repente, aparece uma civilização organizada, com uma escrita, os faraós governando e construindo grandes monumentos. O mesmo fenómeno parece ter acontecido, mais ou menos ao mesmo tempo, na Caldeia e na Babilónia ou, mais precisamente na região da Mesopotâmia. Dá a impressão de que alguém chegou, vindo não se sabe de onde, e instruiu os habitantes locais sobre as diversas artes e ciências. Naturalmente que existem muitas teorias acerca dos primitivos habitantes das margens do rio Nilo, mas não explicam como é que esses habitantes, que viviam da pesca e de uma agricultura rudimentar, se transformaram, da noite para o dia, na civilização organizada que conhecemos.

A importância do Antigo Egipto é tão grande que, dentro da arqueologia constitui uma especialidade à parte – egiptologia. Os arqueólogos que se têm dedicado a escavar as tumbas no Egipto também se chamam egiptólogos. O problema é que estes egiptólogos, para as suas conclusões, partem de premissas conservadoras, ou seja, que a civilização do Antigo Egipto teve que ter uma evolução gradual como qualquer outra civilização antiga e que foram os egípcios os únicos responsáveis por essa civilização e pela construção de toda a monumentalidade que nos deixaram. Não lhes passa pela cabeça que a verdade pode estar algures em outra parte.

Não têm levado em consideração os escritos antigos que contrariam as suas teses. Maneto, um sacerdote de Heliópolis do terceiro século antes da nossa era, compilou uma história do Antigo Egipto mas, os egiptólogos só usam as suas descrições para o período histórico e repudiam tudo quanto se refere a épocas anteriores, considerando-as falsas ou fruto de fantasias. Numa crónica de Eusébio, um autor cristão do terceiro século depois de Cristo, citando directamente Maneto, desenrola uma lista de deuses que mais não é do que a novena, ou o grupo de 9 deuses de Heliópolis. Esses deuses são: Rá, Geb, Nut, Osíris, Ísis, Seth, Shu, Tefnet e Nephtys. Estranhamente Hórus não faz parte desta lista.

Referindo-se a estes deuses, Eusébio diz o seguinte: “Foram os primeiros a ter o poder no Egipto. A realeza passou de um para outro numa sucessão ininterrupta… durante 13.900 anos. Após os deuses, os semideuses reinaram durante 1.255 anos; e, depois, outra linha de reis teve o poder durante 1.817 anos; em seguida vieram mais trinta reis, que reinaram durante 1.790 anos; e depois 10 reis que governaram durante 350 anos. Eles seguiram o governo dos espíritos dos mortos… durante 5.813 anos”. A soma destes períodos todos dá 24.925 anos. Ora o período histórico do Egipto, o início da primeira dinastia, remonta a apenas 3.100 a.C. Isto quer dizer que, muito antes da primeira dinastia, estavam presentes no Egipto seres civilizados, deuses ou homens.

O historiador grego Diodoro Sículo, que viveu no primeiro século a. C., visitou o Egipto. Eis o que ele escreveu: “No começo, deuses e heróis governaram o Egipto durante pouco menos de dezoito mil anos, sendo Hórus, o filho de Ísis, o último dos deuses a governar... Mortais foram os reis do seu país, segundo se diz, durante quase cinco mil anos.”

Antes de Diodoro, outro historiador grego visitou o Egipto, Heródoto, que viveu no quinto século a. C. Ele transmite-nos a seguinte informação que lhe foi facultada pelos sacerdotes de Heliópolis: “Disseram que durante esse tempo houve quatro ocasiões em que o Sol nasceu fora do seu local habitual – duas vezes nascendo onde agora se põe, e duas vezes pondo-se onde agora nasce”.

Isto quer dizer o quê? Que o Sol mudou de local de nascimento, que deixou de nascer a leste? Não. Isto tem a ver com o fenómeno da precessão dos equinócios. No tempo de Heródoto, o Sol, no Equinócio da Primavera, nascia na constelação de Carneiro (Áries), quando a constelação de Balança (Libra) estava no local oposto. Como o Sol muda de constelação zodiacal em cada 2160 anos aproximadamente, para termos o Sol a nascer na constelação de Balança, teremos que recuar aproximadamente 13.000 anos. Seguindo à letra a informação acima, isto leva-nos a qualquer coisa como 39.000 anos antes de Heródoto, pois o fenómeno repetiu-se por duas vezes. Este número de 39.000 anos parece muito exagerado, mesmo para os mais entusiastas acerca destas questões. No entanto, ele está de acordo com dois documentos que foram encontrados no Egipto e que se referem aos tempos pré-dinásticos.

Um desses documentos é chamado “O Papiro de Turim”. Nos fragmentos que se conseguiram recuperar, é possível ler nove dinastias de faraós pré-dinásticos, entre os quais estão os “Veneráveis de Mênfis”, os “Veneráveis do Norte” e os “Shemsu Hor, os seguidores de Hórus, que governaram até ao fim da época de Manes. Nas duas linhas finais do papiro está o resumo em anos da duração dos reinados: “Shemsu Hor – 13.420 anos; reinados antes de Shemsu Hor – 23.200 anos; total – 36.620 anos.

O segundo documento que se refere aos tempos pré-históricos é chamado de “A Pedra de Palermo”, mas este não recua no tempo tanto quanto o “Papiro de Turim”. O registo mais antigo que consta nesta pedra diz respeito ao reinado de 120 faraós que governaram o Egipto antes de 3.100 a. C.

Os monumentos mais famosos do Egipto e mais conhecidos são as três grandes pirâmides cuja construção foi atribuída pelos egiptólogos e arqueólogos a três faraós: Khufu (Quéops), Khafre (Kefren) e Menkaure (Miquerinos). O que levou estes pesquisadores a esta conclusão foi terem-se encontrado referências escritas a estes reis junto daqueles monumentos. Mas isto não prova que tenham sido eles os seus verdadeiros construtores e que as pirâmides tenham sido construídas na época que eles indicam, cerca de 2.500 anos antes de Cristo. Na verdade, ninguém sabe, exactamente, em que época é que elas foram construídas.Manuel O. Pina .