contos sol e lua

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Livro dos Mortos dos egípcios.


Durante o Império Novo (c. de 1550 a 1070 a.C.) a maior parte das fórmulas dos textos dos sarcófagos, acrescidas de diversas estrofes novas, passaram a ser escritas em rolos de papiro, os quais eram colocados nos ataúdes ou em algum local da câmara sepulcral, geralmente em um nicho cavado com essa finalidade. Quando postos no sarcófago costumavam ser encaixados entre as pernas dos corpos, logo acima dos tornozelos ou perto da parte superior das coxas, antes de serem passadas as bandagens. Tais textos, que formam um conjunto com cerca de 200 estrofes referentes ao mundo do além-túmulo, ilustrados com desenhos para ajudar o defunto na sua viagem para a eternidade, foram intitulados pelos modernos arqueólogos de Livro dos Mortos. Entretanto, conforme explica o especialista em história antiga, A. Abu Bakr, esse título é até certo ponto enganoso: na verdade, nunca existiu um "livro" desse gênero; a escolha das estrofes escritas em cada papiro variava segundo o tamanho do rolo, a preferência do adquirente e a opinião do sacerdote-escriba que as transcrevia. Um "Livro dos Mortos" médio continha entre 40 e 50 estrofes.
Para os egípcios esse conjunto de textos era considerado como obra do deus Thoth. As fórmulas contidas nesses escritos podiam garantir ao morto uma viagem tranquila para o paraíso e, como estavam grafadas sobre um material de baixo custo, permitiam que qualquer pessoa tivesse acesso a uma terra bem-aventurada, o que antes só estava ao alcance do rei e da nobreza. Em verdade, essa compilação de textos era intitulada pelos egípcios de Capítulos do Sair à Luz ou Fórmulas para Voltar à Luz (Reu nu pert em hru), o que por si só já indica o espírito que presidia a reunião dos escritos, ainda que desordenados. Era objetivo desse compêndio, nos ensina o historiador Maurice Crouzet, fornecer ao defunto todas as indicações necessárias para triunfar das inúmeras armadilhas materiais ou espirituais que o esperavam na rota do "ocidente".
As cenas do julgamento do falecido fazem parte daquela rota e, portanto, de tais papiros. ANÚBIS & AMMUT A decisão era tomada no Saguão das Duas Verdades, um grande salão no qual ficava uma grande balança destinada a pesar o coração do morto. A solenidade é assim resumida pelo egiptólogo Kurt Lange: Osíris, senhor da eternidade, está sentado como um rei no seu trono. Tem em suas mãos o cetro e o leque. Por trás dele, mantêm-se habitualmente suas irmãs Ísis e Néftis. Na outra extremidade, vê-se a deusa da justiça, Maat, introduzir o morto ou a morta. No meio do quadro está desenhada a grande balança em que o peso do coração é comparado ao duma pluma de avestruz, símbolo da verdade. A pesagem é confiada a Hórus e ao guardião das múmias, de cabeça de chacal, Anúbis. O deus Thoth, de cabeça de íbis, senhor da sabedoria e da escrita, anota o resultado da pesagem sobre um papiro, por meio de um cálamo. Quarenta e dois juízes — correspondendo quarenta e duas províncias do Egito — assistem à operação. Diante desse tribunal é que o candidato à eternidade deve fazer as declarações nas quais afirma nunca se ter tornado culpado de certo número de faltas para com seus semelhantes, para com os deuses, para com sua própria pessoa e o bem alheio. Se a sentença dos juízes fosse favorável ao morto, Hórus tomava-o pela mão e o conduzia ao trono de Osíris, que lhe indicava seu lugar no reino do além. Essa é a cena que vemos na ilustração do alto da página. Ela pertence ao Livro dos Mortos de Hunefer, obra originária de Tebas e datada da XIX dinastia (c. 1307 a 1196 a.C.). Caso contrário, o morto estaria cheio de pecados e, então, seria comido por um terrível monstro, Ammut, o devorador dos mortos, que vemos na ilustração acima ao lado de Anúbis.
A idéia central do Livro dos Mortos é o respeito à verdade e à justiça, mostrando o elevado ideal da sociedade egípcia. Era crença geral que diante de Osíris de nada valeriam as riquezas, nem a posição social do falecido, mas que apenas seus atos seriam levados em conta. Foi justamente no Egito que esse enfoque de que a sorte dos mortos dependia do valor de sua conduta moral enquanto vivo ocorreu pela primeira vez na história da humanidade. Mil anos mais tarde, — diz Kurt Lange — essa idéia altamente moral não se espalhara ainda por nenhum dos povos civilizados que conhecemos. Em Babilônia, como entre os hebreus, os bons e os maus eram vítimas no além, e sem discernimento, das mesmas vicissitudes.
Não resta dúvida de que o julgamento de seus atos após a morte devia preocupar, e muito, a maioria dos egípcios, religiosos que eram. Mas — pondera Crouzet — a provação era de tal espécie, que podia ser sobrepujada por uma memória eficaz, ajudada pelo papiro colocado junto ao cadáver, que possibilitaria ao defunto enunciar certas sentenças soberanas. Como afastar a palavra "magia", e negar que o emprego destas fórmulas era considerado suficiente para apagar os erros da vida terrena? É claro que o crente era convidado a não cometê-los: seria a melhor maneira de garantir a sua salvação futura. Mas nenhuma reserva, em parte alguma, limitava a eficácia das receitas de que tratava de munir-se, desde que fosse obstinado, embora culpado.
É preciso que se diga que embora o Livro dos Mortos tenha aparecido grafado em papiros apenas a partir do Império Novo, sua origem é muito mais antiga, anterior até mesmo ao período dinástico. Inicialmente, contando apenas com poucas estrofes relativamente simples, adequadas aos costumes de uma época remota, seu conteúdo era transmitido de forma oral. Com o aumento da quantidade e da complexidade dos textos, os sacerdotes se viram obrigados a escrevê-los antes que se perdessem da memória dos fiéis. Num processo de cópias sucessivas foram introduzidas variações e enganos, tanto por equívoco na leitura dos caracteres quanto por desleixo, cansaço do copista e acréscimos feitos pelo próprio escriba interessado em impor sua opinião. A cópia mais antiga encontrada foi escrita para Nu, filho do intendente da casa do intendente do selo, Amen-hetep, e da dona de casa, Senseneb. Esse valioso documento, avaliam os arqueólogos, não pode ser posterior ao início da XVIII dinastia (c. de 1550 a.C.). Ele faz referência a datas dos textos que transcreve e uma delas se refere aos idos de um dos faraós da I dinastia (c. de 2920 a 2770 a.C.).
Foi nos sepulcros de Tebas que os pesquisadores encontraram a maior parte das cópias do Livro dos Mortos. Em tais papiros os comprimentos variam entre 4,57 e 27,43 metros e a largura entre 30,48 e 45,72 centímetros. No início do Império Novo os textos são sempre escritos com tinta preta e os hieróglifos dispostos em colunas verticais, separadas entre si por linhas pretas. Títulos, palavras iniciais dos capítulos, rubricas e chamadas são grafadas com tinta vermelha. Os escribas também enfeitavam os papiros com vinhetas de traços pretos, às vezes copiadas de ataúdes e documentos de dinastias bem anteriores como a XI (c. de 2134 a 1991 a.C), por exemplo. A partir da XIX dinastia (c. de 1307 a 1196 a.C.) as vinhetas passaram a ser pintadas com cores muito brilhantes e cresceram de importância, ao passo que o texto passou a ocupar uma posição secundária. Um dos mais belos papiros ilustrados que existem é o assim chamado Papiro de Ani, cujas vinhetas representam cenas mitológicas, nomes de deuses e cenas do julgamento dos mortos.
No decorrer da XXI e da XXII dinastias (c. de 1070 a 712 a.C.) houve deterioração do trabalho de escribas e desenhistas e a qualidade do mesmo diminuiu sensivelmente, além de ter havido alterações no conteúdo dos textos. Outros temas não relacionados com o mundo dos mortos, como a criação do mundo, por exemplo, foram incluídos nos papiros dessa época. Às vezes o texto nada tem a ver com a vinheta que o acompanha. Nesse período também se estabeleceu o costume de encher com os papiros figuras ocas de madeira do deus Osíris, as quais eram colocadas nos túmulos. Quando os papiros diminuíram de tamanho, passaram a ser armazenados em cavidades menores nas bases de tais figuras. Do final da XXII dinastia em diante, até o início da XXVI dinastia (664 a.C.) ocorreu um período de desordem e tumulto. Os sacerdotes perderam gradualmente o seu poder religoso e temporal e a crise provocou redução das despesas com cerimônias funerárias, tendo caído em desuso o costume de se fazer cópias do Livro dos Mortos.
Quando os faraós da XXVI dinastia assumiram o poder houve uma renovação dos antigos costumes mortuários, templos foram restaurados e textos antigos esquecidos foram relembrados e novamente copiados. No que se refere ao Livro dos Mortos tais cópias passaram a ser feitas de forma sistemática. Os capítulos passaram a ter uma ordem fixa, mantidos na mesma ordem relativa nos diversos papiros, ainda que alguns contivessem mais texto do que os outros, e quatro capítulos novos foram acrescentados, refletindo as novas idéias religiosas da época. Esses escritos continuaram a ser usados durante o período ptolomaico (304 a 30 a.C.). Nessa época, porém, só eram grafados os textos que se acreditava absolutamente necessários à salvação do morto. Textos que refletiam uma mitologia há muito esquecida eram ignorados.Tradução:Via ferramentas de idiomas.

Mumificação - Pesagem das Almas.


Deus Osíris - Soberano dos Mortos.
Segundo a lenda, Osíris foi um bom governante do Egito. Seth, seu írmão, movido pela inveja e utilizando as suas artes maléficas, mandou assassiná-lo e cortá-lo em pedaços. A esposa de Osíris, Ísis, procurou os seus restos por todo o Egito e, com a ajuda de Néftis, embalsamou-o.
A maldade de Seth não ficou impune, uma vez que os Deuses, instigados por Hórus, filho de Osíris, o levaram a julgamento e o condenaram. Baseados nisso, os egípcios, inclusive o faraó, deviam submeter-se a este julgamento para poder gozar junto a Osíris de uma eternidade nos campos de Iaru (paraíso).
Embora as origens dessa crença remontem ao Antigo Império, segundo atestam alguns túmulos, as representações da psicostasia foram mais abundantes durante o Novo Império. Diodoro Sículo (século I a.C.) também fala de um tribunal a que se submetia a múmia antes de ser sepultada. Antes de chegar à Sala das Duas Verdades para o julgamento, o morto já se havia purificado mediante alguns rituais e para agradar aos deuses, oferecia-lhe flores de lótus, símbolo da criação e do renascimento, pois essas flores fecham-se à noite e abrem-se de dia.
Antes da Pesagem das Almas (Julgamento) ocorria a mumificação, que para os antigos egípcios era um ritual sagrado, para eles o corpo era constituído de diversas partes: o ba, ou alma, o ka, ou força vital, e o akh, ou força divina inspiradora da vida. Para alcançar a vida depois da morte, o ka necessitava de um suporte material, que habitualmente era o corpo (khet) do morto. Este devia manter-se incorrupto, o que se conseguia com a técnica da mumificação. Os sacerdotes funerários encarregavam-se de extrair e embalsamar as vísceras do corpo. A técnica de embalsamar era muito complicada, e os sacerdotes deviam ter conhecimentos de anatomia para extrair os órgãos sem danificá-los.
Primeiro extraíam o cérebro introduzindo um gancho no nariz, depois de terem partido o osso etmóide. A seguir; marcavam, com um pincel, uma linha no lado esquerdo do corpo, onde faziam um corte para extraír as vísceras. O coração, que devia controlar o corpo no Além, e os rins, aos quais o acesso era difícil ou por motivos ainda não revelados (descobertos), permaneciam dentro do morto. As vísceras eram lavadas com substâncias aromáticas e colocadas em Vasos Canopos (vasos ou urnas de pedra), representando divindades chamadas Filhos de Hórus, que protegiam as vísceras da destruíção. Eram quatro vasos, com tampas em forma de homem, de chacal, de falcão e de macaco. A partir da XXI dinastia, estes órgãos eram enfaixados e colocados dentro do corpo do morto.
O fígado ficava em um vaso com tampa em forma de cabeça humana.
O estômago era guardado em um vaso com tampa em forma de chacal ou cão selvagem.
Um vaso com a cabeça de falcão guardava os intestinos.
Os pulmões eram guardados em um vaso com cabeça de babuíno.
A seguir, o corpo era depositado em natrão (carbonato de sódio natural) durante algum tempo e, depois, lavado e massageado com perfumes, óleos e incenso para a cabeça. Colocavam-se olhos de vidro, para dar sensação de realidade, cobria-se a incisão do lado esquerdo do corpo, da qual eram extraídas as vísceras, com uma placa de madeira, cera ou metal com o símbolo Udyat (Olho de Hórus). Assim, o cadáver estava pronto para ser enfaixado.
O morto devia ser reconhecido no Além. Por isso, depois de enfaixado o corpo mumificado, colocava-se uma máscara com um retrato idealizado do morto. As máscaras dos faraós eram feitas de ouro e lápis-lazúli. Segundo os egípcios, a carne dos deuses era de ouro, seu cabelo de lápis-lazúli e os ossos de prata, material muito raro no Egito. Os faraós eram representados como o Deus Osíris, soberano dos mortos. Na cabeça levavam o nemes, adorno listrado enfeitado na parte da frente com a serpente protetora dos faraós. Os braços ficavam cruzados sobre o peito. Numa das mãos, seguravam o cetro real e na outra, um chicote.
Uma vez preparado o cadáver e depositado no sarcófago, fazia-se uma procissão. Quando a procissão chegava ao túmulo, o sacerdote realizava o ritual de abrir a boca da múmia, para que ela (múmia) voltasse à vida. Todo o material funerário, juntamente com o sarcófago e as oferendas, era depositado no túmulo, que, a seguir, era selado para que nada perturbasse o eterno repouso do defunto. Assim, o morto iniciava um longo percurso pelo mundo Além-Túmulo.
Deus Anupu (Anúbis) representado pela figura de um homem com cabeça de chacal ou de cão.
Anupu (Anúbis), guardião das necrópoles e Deus da mumificação, levava-o perante Osíris, soberano do reino dos mortos, o qual, juntamente com outros deuses, realizava a chamada psicostasia, em que o coração do defunto era pesado. Se as más ações fossem mais pesadas que uma pena, o morto iria para o Inferno Egípcio. Se passasse satisfatoriamente por essa prova, podia percorrer o mundo subterrâneo, cheio de perigos, até o paraíso (Campos de Iaru).
A cerimônia da psicostasia (julgamento) realizava-se na Sala das Duas Verdades. Em uma das extremidades dessa sala, encontrava-se Osíris, sentado no trono e acompanhado por outros Deuses e 42 juízes. No centro da sala, colocava-se a balança em que se pesava o coração.
Representado por um chacal ou por um cão deitado, ou ainda pela figura de um homem com cabeça de chacal ou de cão, o deus Anúbis (Anupu em egípcio, "o que conta os corações") era um dos responsáveis pelo julgamento dos mortos no além-túmulo.
Enquanto o morto fazia sua declaração, Anúbis ajoelhava-se junto a uma grande balança colocada no meio do salão e ajustava o fiel com uma das mãos, ao mesmo tempo em que segurava o prato direito com a outra. O coração do finado era colocado num dos pratos e, no outro, uma pena, símbolo de Maat, a deusa da verdade (a verdade era o contrapeso com o qual se pesava o coração do morto durante o julgamento). O coração humano era considerado pelos egípcios a sede da consciência.
Pesagem das almas.
Assim, ao ser pesado contra a verdade, verificava-se a exatidâo dos protestos de inocência do defunto. Como as negativas vinham de seus próprios lábios, ele seria julgado pelo confronto com o seu próprio coração na balança.
Diante dessas divindades e juízes, o morto devia realizar a confissão negativa, a sua declaração de inocência. Antes de fazê-la, o morto dirigia-se ao seu coração e pedindo-lhe que não o contradissesse. Freqüentemente, esta fórmula aparecia escrita no "escaravelho do coração", um amuleto que se colocava entre as ataduras da múmia, perto do coração.
Depois de recitar essa fórmula, o morto colocava-se diante de cada um dos juízes e recitava outra fórmula, na qual se declara inocente de todos os pecados:
"Não pratiquei pecados contra os homens. Não maltratei os meus parentes. Não obriguei ninguém a trabalhar para lá do que era legítimo. Não pratiquei enganos com o peso da minha balança. Não causei a fome de ninguém. Não pratiquei fraudes na medição dos campos. Não subtrai o leite da boca das crianças."
Curiosamente, essa declaração era à respeito de atos cometidos contra os homens e não contra os deuses. Se o morto tivesse pecado, o prato da balança pesava mais, não era absolvido no julgamento e tornava-se demônio, que ameaçava o equilíbrio cósmico, e Amut, um monstro com cabeça de crocodilo e patas de leão e de hipopótamo, devorava-o.
Se não fosse devorado, deuses como Chesmu arrancavam-lhe a cabeça e inflingiam-lhe uma série interminável de castigos (Inferno Egípcio).
Maat, a deusa da verdade.
Só os justos de coração eram admitidos no reino de Osíris, nos Campos de Iaru, o que era o desejo de cada egípcio, identificar-se com Osíris (Deus dos Mortos) e assim poder renascer como ele o fizera (essa identificação com o deus vem expressa no Livro dos Mortos). O morto absolvido no julgamento ia para o paraíso, este era representado como uma planície com canais, à qual se chegava por uma escada. Ali se vivia feliz, porque os uchebtis realizavam todo o trabalho.
Os uchebtis, significa "os que respondem", eram pequenas estatuetas colocadas no túmulo para servir o morto no Além. Os mais valiosos eram feitos de ouro e de lápis-lazúli, mas também havia os fabricados em terracota, pedra, faiança ou madeira. Muitas vezes eram figuras masculinas, com um arado ou uma enxada e um cesto às costas. Na parte da frente, escrevia-se um capítulo do Livro dos Mortos.
Ao recitar esse texto, ganhavam vida e podiam trabalhar no lugar do morto. Em alguns túmulos encontraram-se 365 uchebtis, uma para cada dia do ano. Nos túmulos dos faraós, o número de uchebtis pode ser até superior.
A Psicostasia Românica.
"A idéia de um julgamento após a morte, de um castigo para os ímpios e de uma recompensa para os justos não é patrimônio exclusivo dos egípcios. A balança como instrumento de justiça aparece na Índia, no Japão e no Tibet, tal como no mazdeísmo, no cristianismo e no islamismo. As mitologias grega e romana falam de um julgamento no Além e descrevem o paraíso para os justos e o inferno para os maus."
"O cristianismo reuniu e adaptou algumas dessas crenças. No livro Apocalipse, fala-se de um Juízo Final e de um julgamento particularizado depois da morte, com recompensas e castigos. O tema da pesagem da alma, da balança nas mãos de um arcanjo, como São Miguel, ou de algum santo, foi um tema muito comum durante a Idade Média. Note que os capitéis, as colunas e os tímpanos das portas das igrejas aparecem decorados com cenas assim."F.P.Wikepédia.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ficções do Interlúdio.

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis*

O AMOR É A DANÇA DA SUA VIDA!


A vida é a sua oportunidade.

É o solo no qual as rosas do amor florescem.

O amor, em si mesmo, é precioso - não tem nenhum objetivo, não tem significado. Ele tem uma imensa importância, tem imensa alegria, tem um êxtase próprio - mas esses não são significados. O amor não é um negócio no qual objetivos, metas, tenham importância.

Existe sempre uma certa loucura no amor.

E o que é essa loucura? A loucura é que você não consegue provar por que você ama. Você não pode dar qualquer resposta sensata para o seu amor.

Você pode dizer que faz um determinado negócio, porque precisa de dinheiro; você precisa de dinheiro porque precisa de uma casa; você precisa de uma casa, porque como você pode viver sem uma casa?

Na sua vida comum, tudo tem algum objetivo, mas para o amor você não pode dar qualquer motivo. Você pode simplesmente dizer: "Eu não sei. Tudo o que eu sei é que amar é experimentar o mais belo espaço dentro de si mesmo". Mas isso não é um objetivo. Este espaço não é cerebral. Este espaço não pode ser transformado numa utilidade. Este espaço é, ao contrário, um botão de rosa com uma gota de orvalho em cima, brilhando como uma pérola.

E na brisa da manhã, o botão de rosa está dançando ao sol.
O amor é a dança da sua vida!Osho.

CERTA MANHÃ...


Certa manhã bem cedo, antes do sol nascer, um pescador foi a um rio. Chegando à margem, sentiu alguma coisa sob seus pés, e descobriu que era um saquinho de pedras. Ele o apanhou e, colocando sua rede de lado, sentou-se na margem do rio para esperar o sol nascer. Esperava pela alvorada para iniciar seu dia de trabalho. Preguiçosamente, pegou uma pedrinha de dentro do saco e atirou-a à água. Depois apanhou outra e mais outra. Na falta do que fazer, continuou jogando as pedras na água, uma após a outra.
Lentamente, o sol foi surgindo e iluminando. A essa altura, ele já havia jogado todas as pedras, menos uma; a última ficou na sua mão. Seu coração quase parou, quando viu, à luz do dia, o que segurava nas mãos. Era uma pedra preciosa! No escuro, ele havia jogado um saco inteiro delas! O que havia perdido sem saber! Cheio de pesar, amaldiçoou a si mesmo. Lamentou-se, chorou e quase enlouqueceu de desgosto.
Acidentalmente, havia encontrado a possibilidade de enriquecer pelo resto da vida, mas na escuridão, por ignorância, havia perdido a chance. Por outro lado, ainda teve sorte: sobrara-lhe uma pedra; a luz havia surgido antes que ele a tivesse jogado também. Geralmente, as pessoas não têm tanta sorte.
Há escuridão por toda parte e o tempo voa. O sol ainda não surgiu e já desperdiçamos todas as pedras preciosas da vida. A vida é um imenso tesouro e o homem não faz nada além de jogá-lo fora. No momento em que compreendemos a importância da vida, o tempo já passou. O mistério, o segredo, a graça, a redenção, o paraíso - tudo é perdido. E a vida é desperdiçada.Bhagwan Shree Rajneesh. Osho.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

As Serpentes do Inferno.


OS EGÍPCIOS ACREDITAVAM QUE DURANTE A NOITE, apesar do deus-Sol se tornar invisível, a divindade continuava a sua jornada. Ao pôr-do-sol o deus passava da barca do dia para a barca da noite e, junto com outras divindades, navegava nas águas subterrâneas através das regiões das horas noturnas, iluminando o mundo das sombras e vencendo criaturas hostis. Uma das obras que narra essa viagem é chamada modernamente de Livro de Him no Inferno e, entre outras coisas, ela descreve as serpentes que habitavam o além-túmulo. As paredes da tumba de Tutmósis III (c. 1479 a 1425 a.C.) imitam um enorme papiro com cenas desse livro, como essa que vemos acima na qual uma serpente e mais doze deidades arrastam a barca de Rá. Nessa jornada, enquanto visitava o reino dos mortos, a divindade lutava contra vários demônios que tentavam impedir sua passagem. As serpentes estavam entre os adversários mais perigosos e o demônio líder de todos eles era a grande serpente Apófis. Ela era a serpente que habitava o Nilo celeste e algumas vezes surgia do fundo das águas para atacar o deus-Sol e fazer sua barca soçobrar. Gigantesca, ela acaba sendo derrotada pelo deus Seth, que, na proa do barco solar, a trespassa com o arpão.
DE ACORDO COM A LITERATURA EGÍPCIA, o inferno dividia-se em 12 regiões que correspondiam às 12 horas da noite e o deus-Sol levava uma hora para atravessar cada uma delas. Nesse trajeto os demônios procuravam obstruir sua passagem e impedir que ele ressurgisse na Terra no dia seguinte. O egiptólogo Alan Shorter nos diz que nos relatos dessa jornada deparamo-nos com uma hoste de misteriosos seres, enquanto lagos de fogo, vítimas sacrificadas e um sem número de serpentes compõem, juntos, um verdadeiro pesadelo. Ao iniciar a viagem a divindade já sai acompanhada por serpentes, mas estas são suas companheiras: 12 deusas com forma de ofídios cujo trabalho consiste em iluminar a escuridão.
NA QUARTA REGIÃO O DEUS-SOL ENFRENTA inúmeras serpentes fantásticas com cabeças humanas e muitas pernas curtinhas ou com asas e múltiplas cabeças de cobra. Uma dentre essas serpentes é dotada de pernas e braços humanos e três cabeças, duas numa das extremidades do corpo e uma na outra. Essa última é segurada por um deus que mantém o monstro sob controle. Tal serpente é a divindade conhecida pelo nome de Nehebkau, a qual tem uma trajetória de vida interessante: inicialmente ela era apenas um réptil monstruoso que ameaçava os mortos mas, posteriormente, foi domesticada e passou a ser ministro do próprio deus-Sol. Em sua nova função era provedora de alimentos para os falecidos, inclusive para o faraó, a quem protegia e recebia no mundo subterrâneo servindo-lhe comida. Regenerado, esse deus invisível passou a ser conhecido como aquele que protege os espíritos e exercia seu poder protetor não apenas no além-túmulo, mas também durante a vida das pessoas. O Texto das Pirâmides refere-se a ele como esposo da deusa Selkis e, por consequência, associado aos encantamentos contra picadas venenosas. Dizia-se que esse deus havia engolido sete najas, do que advinha o seu poder mágico. Outra tradição afirmava que o deus era filho de Geb e Renenutet, o que o associava à terra e à fecundidade, o que, por sua vez, podia ser o fator responsável pelos seus poderes. Em um dos encantamentos do Livro dos Mortos o defunto pede para outras deidades que lhe recomendem a Nehebkau, de maneira que seu coração possa ser aceito na vida após a morte. Nehebkau também foi chamado de aquele que mantém as energias reunidas, pelo que se desejava significar que nele estavam reunidas as energias do universo em sua totalidade. Ele era um ser primevo e, como tal, um réptil indestrutível e invulnerável. Como um ser primevo, Nehebkau pertencia ao mito da criação e nunca teve, tanto quanto se sabe, um centro de culto próprio ou um culto significativo nos grandes templos.
NEM TODAS AS SERPENTES AFRONTAVAM O DEUS. No portal da terceira região, por exemplo, ficava postada a serpente Qaby. O espaço defronte ao portão é guardado por serpentes que cospem fogo. Entretanto, quando o deus-Sol chega ao local, nove deuses que ali se encontram defendendo os muros louvam-no dizendo:
Aberto está o portão para o Morador do Horizonte, escancarada a porta ao Morador dos Céus! Salve e seja bem-vindo, viajante que percorreste o ocidente inteiro!
NA SEXTA REGIÃO HABITAVA OUTRA SERPENTE IMENSA chamada Am-akhu e conhecida como Devoradora dos espíritos. É representada rastejando, mas com a cabeça erguida. Por sobre o ponto mais proeminente de cada uma das quatro ondulações de seu corpo surge uma cabeça humana barbada: são as cabeças dos quatro filhos de Hórus, as divindades guardiãs dos vasos canopos. Sua função era a de devorar as sombras e de engolir os espíritos dos inimigos de Rá, de onde advém o seu epíteto de devoradora dos espíritos, e destruir aqueles que fossem hostis ao deus-Sol no mundo subterrâneo.
NA OITAVA REGIÃO HÁ SERES MISTERIOSOS que habitam as águas. Aí também se encontram os inimigos de Osíris, retratados na ilustração acima em número de doze, em posturas de agonia, em grande confusão, de braços atados, enquanto uma imensa serpente de nome Khéti, vomita fogo sobre eles. Ao lado, Hórus, o filho de Osíris, a primeira silhueta à esquerda na figura acima, profere uma sentença terrível para os prisioneiros:
Sereis cortados em pedaços e passareis a não mais existir! Vossas almas serão destruídas, não mais vivereis, pelo que fizestes ao meu pai Osíris! Ó Khéti, minha serpente, tu, Fogo Poderoso, de cuja boca sai esta chama que está em meu Olho, cujas ondulações são guardadas por meus filhos, abre a tua boca, move tuas mandíbulas, vomita o teu fogo contra os inimigos de meu pai, queima seus corpos, devora as almas com o hálito quente de tua boca e com o fogo que está em teu ventre!
NA NONA REGIÃO HABITAM 12 NAJAS, ou seja, uma dúzia de serpentes uraei, que cospem fogo pela boca e, dessa maneira, iluminam a escuridão do mundo subterrâneo para Osíris. São elas, também, que provocam a destruição daqueles que são derrotados no além-túmulo. São elas, ainda, que rechaçam as serpentes de todo tipo que rastejam pelo chão e que não tenham formas reconhecidas pelas divindades do submundo. Elas vivem do sangue daqueles que elas fazem em pedaços diariamente; mas só são destruídos, na verdade, aqueles que não conhecem as fórmulas mágicas. Quem as conhece, consegue passar incólume por essas cobras sem ser queimado.
NA DÉCIMA REGIÃO OCORREM OS ATAQUES DO PIOR inimigo de Rá, a serpente Apófis, que representava as tempestades e as trevas. Enfrentada por deuses munidos de facas e atada pelo pescoço com uma longa corrente, firmemente mantida por mais de 20 divindades, o monstro não obtém sucesso. O deus-Sol atravessa os domínios da serpente enquanto ela permanece presa em seus grilhões. Na décima primeira região, ou seja, já quando o Sol se prepara para renascer em um novo dia, novamente a serpente Apófis ameaça o barco de Rá. Mais uma vez diversas divindades, armadas de enormes facas, enfrentam o monstro, que aqui também surge preso ao solo por cinco correntes.
FINALMENTE, APÓS superar os obstáculos e vencer todos os inimigos, inclusive o líder de todos eles, a imensa serpente Apófis, o deus-Sol chegava à décima segunda região que é o fim do mundo subterrâneo. Tendo o barco solar chegado até aqui, o deus Rá preparava-se para emergir das águas de Nun, a divindade que personifica as águas primordiais, novamente sob a forma de um disco que iluminaria os céus deste mundo. Estando na água, o barco é mantido pelos braços do próprio deus Nun. Rá aparece na embarcação sob a forma de um escaravelho que empurra um disco solar. À sua esquerda está Ísis e à sua direita Néftis. Outros oito deuses fazem parte da tripulação. Acima do barco há uma espécie de ilha formada pelo corpo de um deus curvado, de maneira que a ponta de seus pés lhe atingem a cabeça. Nesta se apoia Nut, a deusa céu, com os braços e mãos esticadas para receber o disco do Sol que o escaravelho move em sua direção. Assim, o deus-Sol vence finalmente a última etapa de sua viagem noturna e ressurge para brilhar mais um dia sobre a Terra.F.Wikepédia.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Conto dos Três Irmãos.


“Era uma vez três irmãos que viajavam numa estrada deserta e tortuosa ao anoitecer. Depois de algum tempo, os irmãos chegaram a um rio fundo demais para passar a pé e perigoso demais para atravessar a nado. Os irmãos eram, porém, exímios em magia, e então simplesmente agitaram as suas varinhas e fizeram aparecer uma ponte sobre as águas traiçoeiras. Iam a meio da ponte quando viram o caminho bloqueado por um vulto encapuzado. E a Morte falou-lhes. Estava zangada por ter sido roubada em três novas vítimas, porque o normal era os viajantes se afogarem no rio. Mas a Morte era astuta. Fingiu felicitar os três irmãos pela sua magia, e disse que cada um ganharia um prêmio por ter sido inteligente o bastante para lhe escapar. Então, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu uma varinha mais poderosa que todas as que existissem: uma varinha que vencesse sempre todos os duelos, uma varinha digna de um feiticeiro que derrotara a Morte! Então, a Morte atravessou a ponte, dirigiu-se a um velho sabugueiro na margem do rio, moldou uma varinha de um galho da árvore e entregou-a ao irmão mais velho. Depois, o segundo irmão, que era um homem arrogante, resolveu humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de restituir a vida aos que ela levara. Então a Morte apanhou uma pedra da margem do rio e entregou-a ao segundo irmão, dizendo-lhe que a pedra tinha o poder de ressuscitar os mortos. Depois, a Morte perguntou ao terceiro e mais jovem dos irmãos, o que queria. O irmão mais novo era o mais humilde e também o mais sensato dos irmãos, e não confiava na Morte. Pediu, então, algo que permitisse ele sair daquele lugar sem ser seguido pela Morte. E a Morte, de má vontade, entregou-lhe o seu próprio Manto da Invisibilidade. Depois a Morte afastou-se para um lado e deixou os três irmãos continuarem o seu caminho e foi o que eles fizeram, comentando, com espanto, a aventura que tinham vivido e admirando os presentes da Morte. No devido tempo, os irmãos se separaram, seguindo cada um o seu destino. O primeiro irmão viajou uma semana ou mais e, ao chegar a uma vila distante, procurou outro feiticeiro com quem tinha desavenças. Armado com a Varinha de Sabugueiro como arma, ele não poderia deixar de vencer o duelo que se seguiu. Deixando o inimigo morto estendido no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estalagem, onde se gabou, em alto e bom som, a poderosa varinha que arrancara à própria Morte, e que o tornava invencível. Na mesma noite, outro feiticeiro aproximou-se silenciosamente do irmão mais velho enquanto dormia na sua cama, embriagado pelo vinho. O ladrão levou a varinha e, para a cautela, cortou o pescoço ao irmão mais velho. Assim a Morte levou o irmão mais velho. Entretanto, o segundo irmão viajou para a sua casa, onde vivia sozinho. Aí, tomou a pedra que tinha o poder de ressuscitar os mortos e girou-a três vezes na mão. Para seu espanto e satisfação, a figura da rapariga em que tivera esperança de desposar, antes da sua morte precoce, surgiu instantaneamente diante dele. Contudo, ela estava triste e fria, separada dele como que por um véu. Embora tivesse retornado ao mundo dos mortais, o seu lugar não era ali, e ela sofria. Por fim, o segundo irmão, enlouquecido pela saudade, matou-se para poder verdadeiramente se unir a ela. E assim a Morte levou o segundo irmão. Embora a Morte procurasse o terceiro irmão durante muitos anos, jamais conseguiu encontrá-lo. Somente quando atingiu uma idade avançada é que o irmão mais novo tirou, finalmente, o Manto da Invisibilidade e o deu ao seu filho. “E então acolheu a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e como iguais, partiram desta vida.”J.K. Rowling.