contos sol e lua

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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Saudade.


A palavra Saudade traz em si, diversos significados que podem ser interpretados de acordo com o contexto onde é aplicado. Sua origem encontra-se no Latim, Solitate, e se pesquisada, descobriremos que a conotação contemporânea distanciou-se da original. Saudade não mais se refere ao sentimento de solidão preservado em variações de línguas românicas como o espanhol: soledad e soledat.
Sobre a saudade, podemos encontrar definições como “Sentimento mais ou menos melancólico de ausência, ligado pela memória à situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável”; ou “Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa ou coisa distante ou extinta. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido”. Como sinônimos, encontramos Lembrança e Nostalgia.
Em 30 de janeiro celebra-se o “Dia da Saudade”. Na gramática Saudade é substantivo abstrato, tão abstrato que só existe na língua portuguesa. Os outros idiomas têm dificuldade em traduzi-la ou atribuir-lhe um significado preciso: Te extraño (castelhano), J’ai regret (francês) e Ich vermisse dish (alemão). No idioma inglês encontramos várias tentativas: homesickness (equivalente a saudade de casa ou do país), longing e to miss (sentir falta de uma pessoa), e nostalgia (nostalgia do passado, da infância). Mas todas essas expressões estrangeiras não definem o que sentimos. São apenas tentativas de determinar esse sentimento que nós mesmos não sabemos exatamente o que é. Não é só um obstáculo ou uma incompatibilidade da linguagem, mas é principalmente uma característica cultural daqueles que falam a língua portuguesa.
Saudade não tem cor, mas pode ter cheiro. Não podemos ver nem tocar, mas sabemos o quanto é grande. Pode ser o sentimento que alimenta um relacionamento amoroso ou apenas o que sobra dele. Pode ser uma ausência suave ou um tipo de solidão. Pode ser uma recordação daquele momento e daquela pessoa, que um dia, mesmo sabendo ser impossível, ousamos querer reviver e rever. É a dor de quem encontrou e nunca mais encontrará, de quem sentiu e nunca mais voltará a sentir. A saudade se combina com outros sentimentos e procria-se. A soma da saudade com a solidão é igual a Dor. O resultado da saudade com a Esperança é a Motivação.
Saudade é uma só, em diferentes palavras. É comum encontrá-la grafada nas lápides em alusão a dor da ausência provocada pela morte. Mas na Literatura e na Música é um tema crônico. É quem arquiteta a estrofe e conduz o tom. Não importa o gênero literário ou o estilo musical, não importa o autor, a época ou a situação.
Casimiro de Abreu versificou sua saudade da infância: “Oh! que saudades que eu tenho / Da aurora da minha vida / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais!”. Álvares de Azevedo antecipou a saudade mortal: “Se eu morresse amanhã, viria ao menos / Fechar meus olhos minha triste irmã / Minha mãe de saudades morreria / Se eu morresse amanhã!”. A poetisa portuguesa, Florbela Espanca, também registrou sua saudade: “E a esta hora tudo em mim revive / Saudades de saudades que não tenho… / Sonhos que são os sonhos dos que eu tive…”.
O Rock brasileiro transformou a saudade numa de suas bandeiras. Renato Russo cantou: “nessa saudade que eu sinto / De tudo que eu ainda não vi”. Ainda nas canções de Renato: “dos nossos planos é que tenho mais saudade”. Entre o Rock e a MPB, Cazuza, declarou: “Saudade do que nunca vai voltar / E dos amigos que se foram / Eu hoje estou com saudade”. Tom Jobim e Vinícius de Moraes compuseram: “Chega de saudade / A realidade é que sem ela não há paz…”.
Saudade é um registro fiel do passado. É a prova incontestável de tudo que vivemos e ficou impresso na alma. Ao confessarmos uma saudade, na verdade, estamos nos vangloriando de que, ao menos uma vez na vida, conhecemos pessoas e vivemos situações que foram boas, e serão eternas em nossa alma. Nutri-la, é alimentar o espírito e a própria existência.
Se há tantas e, ao mesmo tempo, tão imprecisas definições de saudade, resta-nos apenas cultivá-la e alimentá-la com pensamentos, músicas, perfumes, fotografias, lugares, fins de tarde e madrugadas. Saibamos viver plenamente o presente, pois ele será a saudosa lembrança de amanhã.Wikepédia.

Video.Unheilig.


Unheilig.


Unheilig é uma banda alemã de industrial rock / gothic rock fundada em 1999.
E composta principalmente de Der Graf , que é o frontman da banda, de Licky e de Henning Verlage que aprensetam-se com ele ao vivo.
Ocasionalmente toca com outras bandas como o Eisbrecher ou o Staubkind, anunciou para 2010 uma turnê com o Diary of Dreams e o Zeromancer.
No ano de 2000, com o lançamento do single “Sage Ja!”, a banda alcançou certa popularidade nas boates alemãs, o que antecedeu o debut “Phosphor” em 2001, que possuía, além da sonoridade de clube, algumas composições mais obscuras.
A inovação aumenta com “Das Zweite Gebot”, no qual as músicas ganham maior desenvolvimento e mais elementos do rock, de igual forma. Para promover o álbum, o grupo faz uma turnê em 11 cidades européias e, já contando com certa popularidade, introduz um elemento curioso para o lançamento de EPs: propõem a votação no site para que os fãs escolham, do último álbum, as melhores faixas que ganharão versão especial no próximo EP da banda. Para cada álbum, portanto, há um EP com algumas faixas novas e versões especiais de outras. “Schutzengel EP” foi o primeiro do gênero, votado pelos fãs.
Simultaneamente ao lançamento de “Zelluloid” em 2004 a banda faz outra turnê européia durante a qual é ainda mais bem recebida. “Zelluloid” não é apenas um álbum com composições mais agressivas, quando não profundas, mas a “democracia” que a banda outorga aos fãs ao deixa-los escolher o conteúdo do próximo EP parece ter atraído novos ouvintes de igual forma. Tal popularidade é corroborada pelo lançamento do primeiro DVD da banda em 2005, chamado “Kopfkino”, concomitante às primeiras apresentações na Rússia e na Espanha.
Após o fim da turnê já tinha próxima sua conclusão o álbum “Moderne Zeiten”, que é lançado em janeiro de 2006, cuja edição limitada esgotou rapidamente. É com esse mesmo álbum que a banda atinge patamares maiores dentro do cenário alternativo europeu tocando no Wacken Open Air e no Amphi Festival, também apresentando-se no Mera Luna em colaboração com o Project Pitchfork, o que veio a gerar o single “Ich Will Leben”. Isso gerou uma pequena tour com a banda durante a segunda parte de 2006.
Durante o ano de 2007 a banda faz poucas aparições concentrando-se no álbum “Puppenspiel” que viria a ser lançado no início de 2008. Lançado então, com boa aceitação por parte do público [o álbum figurou em 13º lugar na colocação oficial do país], a banda toca em festivais de grande porte da cena alternativa como o M’era Luna, Zita-Rock ou a WGT, sendo lançado, após então, o segundo DVD da banda “Vorhang Auf!” cuja boa parte do conteúdo contém performances do então recém-lançado álbum.
No início de 2009 os álbums anteriores da banda “Phosphor”, “Das Zweite Gebot” e “Frohes Fest” são re-editados, ganhando nova arte nos booklets e a devida remasterização. Em meados de 2009, Der Graf anuncia um novo álbum para o início de 2010 intitulado “Große Freiheit”, tendo já tocado na segunda parte de 2009 as músicas “Für Immer” e “Unter Deiner Flagge” como pré-amostras do que está prometendo para o novo álbum.
O estilo da banda não é algo que possa ser definido num rótulo, talvez em várias. É certo, contudo, que possuem um estilo próprio e fazem o devido uso do mesmo. A banda intercala músicas de certa doçura e atmosfera mais leve, dando maior prioridade ao sintetizador e a uma guitarra mais modesta, passando por um industrial-rock respeitável em outras, chegando até baladas de discoteca dançáveis. As letras são simples, no tocante à compreensão, mas possuem a candidez ou a mensagem necessária. Mister frisar, por último, que cada álbum tem sua própria temática.
***CONHECI ESSA E OUTRAS BANDAS,E UM POUCO DO MUNDO GÓTICO.Através de uma pessoa linda,Gótico.O amigo o irmão.Que admiro e respeito.O identifico como Enigma***[J]***.
O que entendo em ser Gótico É.Pessoa que possui uma capacidade artística e/ou cultural mais ampla que a normal. Conseguem perceber beleza e poesia em coisas que a maioria das pessoas acha sinistra ou soturna. Não tem uma admiração, por assim dizer, pela morte, e sim a Vêem como algo que lhes faz perceber que a vida tem fim, é finita. Que há um algo de beleza e poesia na tristeza e na melancolia.
São em geral pessoas muito cultas, que escrevem inúmeros textos e poesias conhecendo muito sobre literatura, música, religião, ocultismo, história, mitologia entre inúmeras outras áreas do conhecimento.
Possuem um gosto musical normalmente refinado que incluí musica clássica, canto lírico, óperas, musica celta, new age, medieval e muitas outras.
Dentro do gótico há subdivisões razoavelmente aceitas e outras polémicas:
Tradicional Goth/ darkwaver, Deathrocker, Rivethead, Cybergoth, Kinder Goth ou Baby Goth, Victoriam Goth, Uber Goth e Medieval Goth.
Nem todos concordam com essas subdivisões mas foram as com melhor descrição que encontrei para ilustrar que elas existem.
Em nada se assemelham a imagem passada pela mídia, como sempre totalmente desinformada, de pessoas melancólicas,vestidas de preto, com maquiagem pesada e pensando na morte em em suicídio o tempo todo. Descrição que está mais para os Posers.
Que, para quem não sabe, Poser é aquele que quer fazer parte de uma "tribo" ou grupo sem conhecer nada ou quase nada e restringe-se a imitar modelos estúpidos vistos na mídia achando que isso lhes renderá aceitação por parte do grupo. Muitas vezes imitam apenas, e péssimamente, o modo de se vestir e alardeiam pertencer ao grupo.
Há também uma tendência das pessoas de mentalidade não sábias. de considerar gótico qualquer um que seja estranho, vestido de preto e com maquilagem pesada. Muitos góticos muitas vezes nem usam maquilagem e se vestem pouco de preto no dia a dia.
SER GÓTICO NÃO É SIMPLESMENTE SE VESTIR DE PRETO, USAR MAQUILAGEM PESADA E FICAR PENSANDO EM MORTE!Aisha Jalilah.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Vampiros e a Ficçõa Científica.


A Ficção Científica sempre andou de braços dados com os gêneros Horror e Terror, já que, juntamente com o Fantástico, lidam exatamente com as mesmas questões limites da realidade e da fantasia.
Dentro desta mistura, há as histórias de vampiros. Segundo alguns críticos, o que vai dizer se a história é Terror ou Ficção Científica são as explicações. Se o vampiro for fruto de um ataque de vírus, de uma doença hereditária ou se ele for um alienígena ou alguma forma de vida não sobrenatural, a história é FC. Se não houver explicação nenhuma para a causa do vampirismo ou ela for originada por magia ou maldição é Terror ou Horror.
Levando isso em consideração, vamos apresentar algumas histórias de FC que envolvem vampiros em seu enredo. A primeira delas é do pioneiro H. G. Wells, A Floração da Estranha Orquídea escrita em 1896, conto reproduzido na antologia O Vampiro Antes de Drácula, publicado pela editora Aleph. O ser vampiresco aqui é uma planta. Como todas as histórias de Wells, esta também é apenas um pretexto para criticar a sociedade onde vivia, a Inglaterra Vitoriana. No caso, é a vida medíocre da classe média e seus preconceitos gerados por olhar o apenas o próprio umbigo.
Em 1954, Richard Matheson escreveu o excelente Eu sou a Lenda (esqueçam qualquer adaptação cinematográfica – ninguém acertou a mão, muito menos Francis Lawrence e Will Smith), onde num mundo atacado por um vírus, todas as pessoas são transformadas em vampiros, menos uma que se dedica então a matar vampiros. Matheson além de criar uma excelente trama procura inserir e explicar todos o elementos das lendas dos vampiros, por exemplo a estaca, o alho e o crucifixo. As explicações são toscas por que são obtidas pelo personagem principal, sem muitos recursos para fazer uma pesquisa séria. Há até um certo humor: o que aconteceria com o crucifixo, se o vampiro fosse judeu?
Vampiros de Almas surge nas telas do cinema em 1956. Neste filme arrepiante, seres alienígenas vegetais vampirizam a personalidade das pessoas, clonando-as e ocupando seu lugar na sociedade. A metáfora aqui é a paranóia vigente nos anos 50 nos EUA. De um lado, o governo americano alimentando o medo ao comunismo e, do outro, o medo de uma perseguição marcatista promovida por este mesmo governo, fazendo todos desconfiarem de todos, inclusive de parentes muito próximos (irmãos, filhos, cônjuges).
Colin Wilson escreveu, em 1976, Vampiros do Espaço, onde astronautas recolhem de uma antiga nave extraterrestre orbitando a Terra, seres humanóides aparentemente mumificados. Inadvertidamente libertam seres de energia que parasitam humanos, vivendo a custas de sua força vital. A intenção dos seres é preparar uma invasão e usar os terrestres como uma espécie de fonte de alimentos para eles. Só por esta sinopse, percebe-se uma clara influência de H. G. Well (A Guerra dos Mundos). Como Wells, Colin Wilson tinha outras preocupações por trás de seu romance. Psicólogo, usa os alienígenas infiltrados como pretexto para analisar o comportamento humano. Ocultista, usa este romance para introduzir suas crenças. Político, critica o comportamento “duas caras” dos políticos, pois um dos infiltrados é o próprio Primeiro Ministro da Inglaterra, que não percebe a presença do alienígena, por estar habituado a dizer uma coisa e fazer outra.
Indo para a pura diversão, temos a pulp ficction, escrita em 1980, Sabella, uma Vampira nas Galáxias, da escritora inglesa Tanith Lee. Neste livro, a ambientação é num planeta similar a Marte, colonizado pela Terra num futuro longínquo. O livro é contado do ponto de vista do vampiro que desconhece as causas de seu estado. Sabella é uma descendente de terrestres que vive neste planeta e aos poucos vai descobrindo sua natureza vampiresca e sua real origem. Há um caçador que a persegue, que parece saber mais sobre ela do que ela mesma. Aqui a FC está bem caracterizada, com uma boa ambientação extraterrestre, alguns artefatos e uma boa descrição de uma raça alienígena extinta e da causa do comportamento vampírico.
No limite entre o Terror e a FC, temos dois contos onde fica em aberto a origem do vampiro, mas há alguma tendência apontando para seres evoluídos, artificiais ou alienígenas.
O Vampiro Antes de Drácula. Publicado originalmente em 1886, o vampiro é um ser não humano e invisível, que se apodera de seu hospedeiro e o controla e dele se alimenta. Aqui o horla seria um sucessor da raça humana, produto da evolução não necessariamente do homem.
O segundo é um conto de Ray Bradbury, O Hospede do Segundo Andar, publicado pela primeira vez em 1947. Um menino vai para casa da avó ficar hospedado alguns dias, durante suas férias. A avó, por viver sozinha, aluga um dos quartos da casa. Crimes começam a acontecer nas imediações. Suspeita-se que os crimes estão sendo praticados por um vampiro. O menino começa desconfiar do hóspede pelo seu comportamento estranho: dorme de dia, evita a luz e espelhos, etc. Quando o vampiro é morto, seus órgãos internos são formas geométricas gelatinosas (cilindros, esferas, pirâmides, cones etc.), dando a entender ou que é um ser artificial ou não humano. Aqui o tema é “o estranho em casa”. A avó, ao saber dos crimes, se sente segura de estar em casa, mas na realidade abriga o assassino.
O que dificulta a classificação destas duas histórias como sendo FC é a ambigüidade com que são narradas as descrições e ações dos vampiros. No caso de Maupassant, a história é contada em primeira pessoa por uma das vítimas do vampiro, que não tem condições de analisar cientificamente o fato tanto pela sua condição de vítima, como por não conhecer em profundidade alguns conceitos científicos. Isso permite que se paire dúvidas no ar, inclusive da sanidade do personagem-narrador.
No caso de Bradbury, apesar do narrador ser em terceira pessoa, ele olha do ponto de vista do menino, aterrorizado e ao mesmo tempo, determinado a resolver a questão. Mas também não tem conhecimentos técnicos nem maturidade emocional suficientes para analisar. Mike Mignola, Christopher Golden

Como pensa um morto.

Para começarmos a entender as diferenças entre uma pessoa comum e um vampiro, precisamos compreender algo muito importante: um vampiro está morto. Por mais que ele queira ainda se manter humano, seu estado de morte-em-vida o faz se distanciar das pessoas comuns.
Desprovido de funções biológicas, ele é incapaz de sentir diversas das necessidades de uma pessoa comum. Isso afeta seu comportamento, suas atitudes, suas prioridades e até seus sentimentos.
Em primeiro lugar, estando morto, um Cainita não respira. Embora alguns (aqueles com alta Humanidade) ainda o façam inconscientemente, a maioria dos vampiros precisa se concentrar nessa função para simulá-la, e isso não é fácil: qualquer distração e ele inconscientemente pararão de respirar. A falta de respiração parece algo pequeno para afetar o comportamento de um vampiro, mas não é. Analisemos mais a fundo.
Vejamos. Você não respira. Logo, não suspira, não boceja, não bufa, não fica ofegante. Parece pouco, mas muitas de nossas expressões são acompanhadas por um ritmo específico de nossa respiração. Para as pessoas, o vampiro parece frio, desprovido de emoções em muitos casos. Um vampiro furioso não irá bufar enquanto um apaixonado não suspira... Mesmo que sinta tais emoções, ele as demonstra de forma imperfeita. Essa frieza aparente afeta os relacionamentos de um vampiro com pessoas comuns. A dificuldade em se expressar aos poucos faz com que o vampiro se isole das pessoas, mesmo que inconscientemente. Esse isolamento com o tempo vai mudando o comportamento do vampiro. Conforme ele se afasta dos mortais, se distancia de sua própria humanidade.
Respiração é, porém, um fator pequeno se comparado a outras funções biológicas. Aí, um dos fatores mais importantes do comportamento humano, a sexualidade, precisa ser discutida. Em primeiro lugar, sexo é, para a maioria dos vampiros, algo supérfluo e sem sentido. Eles não sentem atração sexual como os mortais. Uma pessoa bonita é apenas isso: uma pessoa bonita. Não há aquela atração forte, não há excitação involuntária. O vampiro consegue se excitar apenas quando quer, e ainda assim isso gasta a energia de seu precioso sangue. O ato sexual, então, não traz o mesmo prazer. Embora o toque e as carícias sejam semelhantes, não há orgasmo, não há a respiração, o suor, tornando relações sexuais extremamente frustrantes. Os vampiros que praticam relações sexuais costumam usá-las para aquilo que
Realmente lhes dá prazer: beber sangue e adquirir vantagens. Ou então o fazem tentando se sentir humanos novamente, embora as sensações não sejam em nada semelhantes a sexo real entre duas pessoas vivas.
Há outras funções importantes. Até mesmo a falta de vontade de comer ou de ir ao banheiro afeta os vampiros. Conforme se esquecem de como era ter tais necessidades quando vivos, os Cainitas tendem a tratar os vivos como fracos que perdem muito tempo em suas necessidades biológicas. Pode parecer besteira, mas até mesmo isso impede que um vampiro de compreender a humanidade.
Conforme seus anos de vida ficam mais distantes, ele perde aquilo que o fez humano um dia.Wikepédia.

Vampiros Emocionais.


"Para essas pessoas que vampirizam as amizades, os ambientes de trabalho, as relações afetivas, você não passa de um suculento "pescoço" (objeto de desejo) e de "sangue fresquinho" (nova conquista). Acredite, esse tipo de "vampiro" é muito mais comum do que você possa imaginar, assim como é incrivelmente comum o número de pessoas que se deixam "vampirizar" porque em um mundo tão distante e carente"
Nós, que nascemos para viver em sociedade, convivemos hoje com um tipo de sociedade muito diferente daquela em que nossos ancestrais exercitavam a conviviabilidade.
Claro que sempre houve competição no mundo, mas também é evidente que sua proporção, intensidade e insanidade cresceram em função do tempo, razão pela qual o individualismo é hoje muito mais frequente que em épocas não tão remotas da própria sociedade brasileira.
Isso explica o sucesso das redes sociais na internet: as pessoas se sentem solitárias, sem tempo, e às vezes sem disposição para o convívio real, mas continuam com a necessidade humana básica de estabelecerem laços e estarem "conectadas". A tecnologia une as pessoas, não da mesma maneira que as relações não virtuais, mas une. Deve ser encarada como complementar, não suplementar. Deve aproximar as pessoas e não apenas "criar" conveniência para um encasulamento. A necessidade de dividir fotos, trechos de livros, filmes e músicas com as outras pessoas da comunidade virtual expressa um desejo de identidade em um "mundo sem rosto".
A segunda questão envolve os aspectos psicológicos (arquétipos) contidos nos vampiros: a sexualidade, a tensão e o risco da paixão extrema e perigosa, onde se expõe o próprio "pescoço" e se entrega o próprio "sangue", uma paixão que evidencia seus aspectos patológicos de vida e morte. Os vampiros são tratados na literatura e no cinema como profundamente sedutores, misteriosos e, à sua maneira, encantadores, pelo menos para quem se identifica.
Na literatura e nos filmes sempre encontramos as pessoas que querem ser mordidas pelos vampiros, querem viver essa intensa emoção de vida e morte, desejam viver a sedução e penetrar no mundo do mistério e, não raro, da fusão com o outro (desejo interior, embora perigoso, de todos os amantes).
O vampiro de Crepúsculo parece-se mais com o doce vampiro de Rita Lee.
No fundo, as pessoas andam muito carentes, e se encontram alguém que se importe e pareça as proteger, se entregam de maneira irracional e inconsequente.
Lembre-se que fora das telas existem vampiros reais, vampiros emocionais que não amam, não se apaixonam, não protegem de verdade e estão apenas interessados no que os favoreça.
Para essas pessoas que vampirizam as amizades, os ambientes de trabalho, as relações afetivas, você não passa de um suculento "pescoço" (objeto de desejo) e de "sangue fresquinho" (nova conquista). Acredite, esse tipo de "vampiro" é muito mais comum do que você possa imaginar, assim como é incrivelmente comum o número de pessoas que se deixam "vampirizar" porque em um mundo tão distante e carente. Ter um vampiro para chamar de seu, parece uma opção válida, mas não é...
Vampiros poéticos como Edward são pouco prováveis na vida real. Vampiros reais são sempre vampiros predadores e, assim como os escorpiões, à primeira oportunidade, manifestam sua essência e seus reais interesses. Como dizia nossa avó: mais vale estar só que mal acompanhado. Não saia por aí expondo sua jugular a qualquer um que se ofereça a cuidar de você!R.Planeta

A VIDA SIMBÓLICA DE PAPAI NOEL.


A arcaica figura do simpático velhinho que habita nossas mentes fala de uma intraduzível época a divagar por nossos sonhos. Entremeados na ilusão de escuras fantasias, a sombra de uma cultivada imagem se inquieta em nosso tempo.
Todos nós conhecemos a referente marca do antropológico homem de longas barbas brancas, a delatada lenda que culturalmente nos implica o reconhecimento natalino.
Mas a mitologia referente a Papai Noel nos leva muito adiante em alguns apontamentos. Se colocarmos nossos olhos na tradição que o envolve, veremos uma poderosa figura e entidade mítica que atravessa os campos e fronteiras culturais, transladando épocas, países e costumes dos povos da terra. Seu estudo, as aparições que o concernem e possibilitam, nos colocam até o fértil oceano mitológico das idéias culturais, propostas individual e especificamente em cada tradição folclórica.
Já no século passado o renomado antropólogo alemão Adolf Bastian (1826-1905), abria o campo da experiência da datação dos mitos para distinguir duas importantes concepções da esfera mitológica. Obsessivo historiador dos costumes de cada povo, experimentado e curioso explorador, Bastian, dentro das longas viagens que fez, desenvolveu a teoria das "idéais elementares" (Elementargedanke), em contrapartida as "idéias étnicas ou culturais" (Volkergedanke).
Dentro das "idéias étnicas", dizia ele, encontravam-se os possibilitadores, as inferências culturais e personalizadas que motivavam o desenvolvimento do mitos criadores, mais profundos e fundamentais a toda experiência humana no passar das eras (as "idéias elementares").
Assim, dentro de sua teoria, enfocava ele a maneira como um mito fundamental (um princípio criador/mobilizador ou um sistema de símbolos geral a experiência humana através dos tempos) ganhava corpo e instituía-se na possibilidade de transmutação e transmigração através dos tempos, mudando de forma, adquirindo novas carapaças/vestimentas e tonalidades para sobreviver ao longo de eras (na medida em que os povos davam novas e diferenciadas interpretações/afirmações).
Esta teoria, afirmava ele, fazia crer na maneira peculiar como os mitos iam gradual e progressivamente se modificando em novos povos e em novas épocas, quando assumiam e repercutiam novas e emergentes tendências de uma dada necessidade étnica.
Um mito genuíno, segundo ele, não ficava livre das novas e fortalecedoras vestimentas, os realces das máscaras culturais de um determinado povo sob determinada necessidade simbólica.
A mercê da síntese e decodificação, os mitos e as referidas mitologias eram "explorados" pelo sistema cultural emergente, quando uma "idéia elementar" comum ao psiquismo humano adquiria uma nova roupagem em abandono da estrutura antiga menos favorecida.
Tendo como base uma teoria difusionista (aceita por renomados mitólogos como Joseph Campbell), na qual os povos dominadores e tecnologicamente mais desenvolvidos sobrepujavam os menos favorecidos, mas sofrendo e incorporando influências das tradições e costumes locais (existindo grande intercâmbio entre culturas), podemos ver então como um mito particular e restrito inicialmente a um determinado povo, o Papai Noel da antiga Lapônia, vai sendo "adotado" e levado adiante pelas inumeráveis conquistas dos vencedores, na medida em que é sistemática e culturalmente absorvido pelos padrões mitológicos de cada povo diferente.
Visto dessa forma, podemos "revisitar" o mito de Papai Noel e explicá-lo em sua contraparte mitológica, resgatando seu valor pagão (os elementos que o compunham existiam muito antes da cristalizada imagem, do celebrado ícone da nossa era moderna).
Assim, tendo o mito de Papai Noel incorporado grandes significações, sendo adquirido e desenvolvido simbolicamente por muitas eras até "receber" a forma mítica padronizada dos tempos modernos.
Vendo-o sob a ótica dos primeiros tempos da alma, aos estágios e as camadas mais antigas da psique, e não apenas como a invenção-convenção institucionalizada pelo capitalismo, Papai Noel surge como o velho ser de natureza indômita e ancestral que resgata o arquétipo do velho homem de natureza pura e espirituosa, do brincalhão espírito da floresta que, adentrando pelas chaminés das casas em jornadas noturnas traz a possibilidade do desconhecido que existe em nós. E as imagens evocadas pelo símbolo do Papai Noel perdura insistentemente em nossos sonhos, indo muito além da mera marca, a distorcida e falsificada impressão proposta/imposta pelo mundo moderno.
Mas Papai Noel não teria sobrevivido, não teria sido "ocidentalizado", se não fosse necessário como símbolo e arquétipo de cada povo ao qual penetra, sensibilizando a imagem do sorridente e benévolo velhinho que, vivendo em terras distantes e desconhecidas, preenche o nosso sonho de paz, harmonia, reverência e compaixão que o natal nos trás. Por entre uma melodiosa atmosfera de conto de fadas que Papai Noel concede, podemos vislumbrar a realidade do natal em nossas vidas, nas distantes passagens das nossas mentes e no mais fundo de nós mesmos para recebermos a completude da mensagem que o pitoresco ancião, com suas aventuras fabulescas e inusitadas, insistentemente nos remete.
Trazendo de volta o campo perdido da onírica infância e da mitologia que esquecemos de olhar, que deixamos de "saber" procurar e talvez assim nos encontrar.
Por entre as chamas de uma estranha fogueira, cativando os numinosos sonhos esquecidos de nossa mente ancestral, Papai Noel sobrevive no coração de cada um de nós; como uma crença, um distorcido princípio ou uma esquecida possibilidade de imagem a ser miticamente reconhecida.Joseph Campbell ("As Transformações do mito através do tempo").