contos sol e lua

contos sol e lua

domingo, 10 de janeiro de 2010

MITOLOGIA PERSA (Árabe).


A mitologia persa é a reunião de crenças e práticas do povo que habitava o Planalto do Irã e suas imediações, como áreas da Ásia Central do Mar Negro ao Hotan (a moderna Hetian, China) e tinha origens linguísticas e culturais comuns. Sua essência é a da existência de dois princípios básicos em guerra entre si. Suas fontes estão no Zoroastrismo e no Masdeísmo.
Características.
A principal coletânea da mitologia persa é o Shahnameh de Ferdowsi, escrito mil anos atrás. A obra de Ferdowsi tem por base as histórias e personagens do Zoroastrismo e do Masdeísmo, não apenas o Avesta, mas também o Bundahishn e o Denkard.
A mitologia persa é ao mesmo tempo muito próxima e diferente da mitologia hindu. Elas são próximas, porque os iranianos são um povo indo-europeu cuja língua tem grande semelhança com o sânscrito e foram um povo que estabeleceu constantes relações com os arianos da Índia. E são diferentes, pois a religião dos antigos persas adquiriu um aspecto mais moral que mitológico.
Contexto religioso.
Bandeja de bronze do Pérsia Parta com o desenho de um Pégaso ("Pegaz" em persa). Escavado em Masjed Soleiman.Os personagens da mitologia persa podem, em sua maioria, ser classificados em dois tipos: os bons e os maus.
Isso espelha o antigo conflito baseado no conceito do zoroastrismo da dupla origem em Ahura Mazda (em avéstico, ou Ormuzd em persa tardio) Spenta Mainyu é a fonte da luz, da fertilidade e das energias construtivas, enquanto Angra Mainyu (ou Ahriman em persa) é a fonte da escuridão, da destruição, da esterilidade e da morte.
Ormuzd é o mestre e criador do mundo. Ele é soberano, onisciente, deus da ordem. O Sol é seu olho, o céu suas vestes bordadas de estrelas. Atar, o relâmpago, é seu cílio. Apô, as águas, são suas esposas. Ahura Mazda é o criador de outras sete divindades supremas, os Amesha Spenta, que reinam, cada um, sobre uma parte da criação e que parecem ser desdobramentos de Ahura Mazda.
Sob Ahura Mazda e os seis Amesha Spenta a mitologia persa coloca, como divindades benéficas: "Mitra", o mestre do espaço livre; Tistrya, o deus das trovoadas; Verethraghna, o deus da vitória; ela admitia, além disso, um grande número de deuses do mesmo elemento, os Izeds.
Assim como Ahura Mazda estava cercado por seis Amesha Spenta e de outras divindades, Angra Mainyu (Ahriman) — o deus malfazejo que invade a criação para perturbar a ordem e que é concebido como uma serpente — é acompanhado de seis demônios procedentes das trevas cósmicas e de um grande número de outras divindades malignas.
Além disso, Angra Mainyu, epítome do mal no Zoroastrismo, perdeu sua identidade zoroastrista e masdeísta original na posterior literatura persa sendo finalmente descrito como um Dev. Representações religiosas de Angra Mainyu posteriores a conquista islâmica mostram-no como um gigante com o corpo manchado e dois chifres.
Os Devs (avéstico, persa: div), significando celestial ou radiante são muito comuns na mitologia persa. Estes seres eram adorados no Zoroastrismo anterior à difusão do Masdeísmo na Pérsia e, como nas religiões védicas, os adeptos do zoroastrismo consideravam os devs seres sagrados. Somente após a reforma religiosa de Zaratustra o termo dev foi associado com demônios. Mesmo assim os Persas que habitavam a região ao sul do Mar Cáspio continuaram a adorar os devs e resistiram à pressão para aceitar o Zoroastrismo e as lendas em torno dos devs sobreviveram até os dias atuais. Por exemplo, a lenda do Dev-e Sepid (Dev branco) de Mazandaran.
Mitos:
O mito mais importante da religião persa é o da disputa entre Ahura Mazda e Ahriman que consiste na luta de dois tipos de seres divinos. Esta luta nos aparece sob uma dupla forma: a material e a espiritual. No caso da luta material, Ahriman quer invadir o céu, mas é repelido para o inferno; na luta espiritual ou mística, Ahriman, princípio da obscuridade, da desordem, do mal, é repelido por Ormuzd, deus da luz, da ordem e do bem. No primeiro caso, a arma de Ormuzd é Atar, o relâmpago; no segundo caso, a piedade ou a oração, personificada sob o nome Vohu Mano.
A personagem mais importante nos épicos persas é Rostam. Sua contraparte é Zahhak, um símbolo do despotismo que foi finalmente derrotado por Kaveh que liderou um levante popular contra ele. Zahhak era protegido por duas serpentes que cresciam de seus ombros e não importava quantas vezes elas fossem decapitadas suas cabeças cresciam novamente para protegê-lo. A serpente, como em muitas outras mitologias orientais, representava o mal, mas aparecem muitos outros animais na mitologia persa; os pássaros, em especial, eram sinal de boa sorte. Os mais famosos deles são Simorgh, um grande pássaro bonito e poderoso, Homa, o pássaro real da vitória cujas plumas adornavam as coroas e Samandar, a fênix.
Peri (avéstico: Pairika), considerada uma mulher bonita, porém má na mitologia mais antiga, tornou-se gradualmente menos má e mais bonita até transformar-se em um símbolo de beleza no período islâmico similar aos houri — espécie de anjos — do Paraíso. Entretanto uma outra mulher má, Patiareh, atualmente simboliza a prostituição.
As Mil e uma Noites
As Mil e Uma Noites (Alf Lailah Oua Lailah) é uma obra clássica da literatura Persa, consistindo numa coleção de contos orientais compilados provavelmente entre os séculos XIII e XVI. São estruturados como histórias em cadeia, em que cada conto termina com uma deixa que o liga ao seguinte. Essa estruturação força o ouvinte curioso a retornar para continuar a história, interrompida com suspense no ar. O uso do número 1001 sugere que podem aparecer mais histórias, ligadas por um fio condutor infinito. Usar 1000 talvez desse a idéia de fechamento, inteiro, que não caracteriza a proposta da obra.
Foi o orientalista francês Antoine Galland o responsável por tornar o livro conhecido no ocidente (1704). Não existe texto fixo para a obra, variando seu conteúdo de manuscrito a manuscrito. Os árabes foram reunindo e adaptando esses contos maravilhosos de várias tradições. Assim, os contos mais antigos são provavelmente do Egito do século XII. A eles foram sendo agregados contos persas, hindus, siríacos e judaicos.
As versões mais populares hoje em dia são as que se baseiam em traduções de Sir Richard Francis Burton (1850) e Andrew Lang (1898), geralmente adaptadas para eliminar as várias cenas de sexo do original.
Schahriar, rei da Pérsia, vitimado pela infidelidade de sua mulher, mandou matá-la e resolveu passar cada noite com uma mulher diferente, que mandava degolar na manhã seguinte. Recebendo como mulher a Sherazade, esta iniciou um conto que despertou o interesse do rei em ouvir-lhe a continuação na noite seguinte. Sherazade, por artificiosa ligação dos seus contos, conseguiu encantar o monarca por mil e uma noites e foi poupada da morte.
A história conta que, durante três anos, moças eram sacrificadas pelo rei, até que já não havia mais virgens no reino, e o vizir não sabia mais o que fazer para atender o desejo do rei.
Foi quando uma de suas filhas, Sherazade, pediu-lhe que a levasse como noiva do rei, pois sabia um estratagema para escapar ao triste fim que a esperava. A princesa, após ser possuída pelo rei, começa a contar a extraordinária "História do Mercador e do Efreet", mas, antes que a manhã rompesse, ela parava seu relato, deixando um clima de suspense, só dando continuidade à narrativa na manhã seguinte. Assim, Sherazade conseguiu sobreviver, graças à sua palavra sábia e à curiosidade do rei. Ao fim desse tempo, ela já havia tido três filhos e, na milésima primeira noite, pede ao rei que a poupe, por amor às crianças. O rei finalmente responde que lhe perdoaria, sobretudo pela dignidade de Sherazade.
Fica então a metáfora traduzida por Sherazade: a liberdade se conquista com o exercício da criatividade.
O original em árabe recebia o título de as 1000 noites, que foi alterado mais tarde por ser o número 1000 um número de mal agouro na cultura árabe. A história de Aladim e a lâmpada maravilhosa foi incluída mais tarde por ser muito apreciada e está entre as histórias mais famosas que Sherazade conta. Merecem destaque também as de Simbad (o marinheiro que fica rico em sete viagens fantásticas) e de Ali Babá (que consegue fortuna enganando os famosos quarenta ladrões).
Alguns estudiosos indicam que o livro na verdade se trata de um manual de iniciação ao budismo, mostrando as diversas fases de aprendizado e as delícias que se podem desfrutar por todos as várias outras histórias.
Xerazard (do persa شهرزاد), grafado também como Xerazade ou Sherazade, é a narradora das Mil e Uma Noites.
Conta-se que, com raiva de ter sido traído por sua primeira esposa, o rei Xeriar (do persa شهريار, “rei”) a cada dia desposava uma virgem, e todo dia mandava matar a esposa com que passara a noite. Ele já matara três mil mulheres quando conhece Scheherazade, que se oferece para casar com ele apesar dos protestos do pai.
Uma vez nos aposentos do rei, Scheherazade pede para se despedir de sua irmã, Duniazade. No meio da conversa, como haviam combinado antes, Duniazade pede que a irmã lhe conte uma história. Scheherazade, que tinha lido livros e escritos de toda a espécie, conta uma história que, como havia planejado, cativa a atenção do rei. Ele pára e escuta a narrativa, escondido. Mas ela interrompe a narrativa para a concluir apenas na noite seguinte. Curioso para saber o final da história, o rei não mata Scheherazade. Nas noites seguintes, excitado com a narrativa, o rei pede novas histórias, e assim ele a mantém viva até que, depois de mil e uma noites e três filhos depois, o rei, entretido e moralmente elevado pelas histórias, desiste de matá-la e faz dela sua rainha.Wikepédia.

MITOLOGIA SUMERIANA (Babilônia).


Os sumérios eram adeptos de uma religião politeísta caracterizada por deuses e deusas antropomórficos representando forças ou presenças no mundo material, noção esta bastante presente na posterior Mitologia Grega. Os deuses originalmente criaram humanos como servos para si mesmos, mas os libertaram quando se tornaram difíceis demais de se lidar.
Muitas histórias na religião suméria aparecem homólogas a histórias em outras religiões do Oriente Médio. Por exemplo, a idéia bíblica da criação do homem, bem como o dilúvio de Noé, estão intimamente ligados aos contos sumérios. Os deuses e deusas da Suméria têm representações similares nas religiões dos Acádios, Cananitas e outros. Da mesma forma, um número de histórias relacionadas a divindades têm paralelos gregos; por exemplo, a descida de Inanna ao submundo está impressionantemente ligada ao mito de Perséfone.
Cosmologia.
O universo surgiu quando Nammu, um abismo sem forma, enrolou-se em si mesmo num ato de auto-procriação, gerando An, deus do céu, e Antu (Ki), deusa da Terra.
A união de An e Ki produziu Enlil, senhor dos ventos, que eventualmente tornou-se líder do panteão dos deuses. Após o banimento de Enlil de Dilmun (a morada dos deuses) por violentar Ninlil, a deusa teve um filho, Nanna, o deus da lua (mais tarde chamado de Sin (ou Sinnu). Da união posterior entre Sin e Ningal nasceram Inanna (deusa do amor e da guerra) e Utu (deus do sol, depois chamado de Shamash). Também durante o banimento de Enlil, o deus tornou-se pai de três divindades do submundo junto a Ninlil. O mais famoso foi Nergal.
Nammu também teve um filho, chamado Enki, deus do abismo aquático ou Absu. Enki controlava também os Me, decretos sagrados que governavam coisas básicas como a física, e complexas como a ordem social e a lei.Wikepédia.

MITOLOGIA ESLAVA (Russa).


A mitologia eslava e religião eslávica evolui por mais de 3000 anos. Acredita-se que algumas partes dela são do período neolítico e talvez até do mesolítico. A religião possui vários traços comuns com outras religiões indo-européias
Fontes primárias.
São conhecidos poucos registros escritos que sobriveram aos séculos antes da cristianização. Alguns acreditam que o controverso Livro de Veles é um texto sagrado dessa religião. O Saxo Grammaticus é outra fonte de autenticidade disputada. O Chronicon Slavorum por Helmold é em geral aceito como uma fonte genuína, tratando de cultura e eventos do final do primeiro milênio depois de Cristo. Uma fonte de maneira não aceitável subestimada e bastante enigmática é o Veda Slovena - uma compilação de canções rituais arcaicas bulgáras, que preservou importantes fragmentos do folclore pagão eslavo.
Mundo:
Os três reinos.
De acordo com o Livro de Veles, a religião eslava reconhece três reinos, que possuem ênfase particularmente dos neopaganistas que se baseiam no Livro de Veles. O principal símbolo das idéias cosmogônicas dos eslavos era a Árvore do Mundo, ou Yggdrasil como era também conhecida pelos escandinavos. Os eslavos imaginavam que todos os três reinos eram situados verticalmente numa gigantesca árvore de carvalho, que segura todo o universo. Em sua copa estava o céu/paraíso eslavo, conhecido como Svarga, residência de Svarog ou Iriy. Nas raízes do carvalho estava o inferno, residência de Chernobog, Morena e Zmey. Os três reinos são:
Yav
Seria o mundo material. Está no tronco da Árvore do Mundo, é onde estão as criaturas vivas e etc.
Nav
Seria o mundo imaterial.
Prav
São as leis que governam os outros dois mundos.
O PRINCÍPIO E A MITOLOGIA:
A separação dos eslavos dos povos indo-europeus se processou em data muito distante: o segundo milênio antes da Era Cristã. Sua origem perde-se no tempo. Os eslavos pertencem à raça indo-européia ou ariana, fazendo parte do grupo germano-leto-eslavo. Não é de nosso conhecimento a data em que surgiram na Europa, mas se imagina que tenha sido alguns séculos antes de Cristo. Ocuparam as regiões entre o Dnieper e o Don, as margens orientais do Báltico e ainda avançaram para o norte, oeste e sudoeste.
Dividem-se em três enormes grupos. Os eslavos ocidentais: poloneses ou lekhes; os checos ou tchecos; os vendes ou sorbes, repartidos pela Lusácia, Prússia e o reino da Saxônia. Os eslavos meridionais: os iugoslavos e os eslovenos. Os eslavos orientais: russos, os rutenos, os ucranianos, os bielo-russos e os russos brancos. Os bálticos medievais dividiam-se em três partes: a Prússia, a Lituânia e a Letônia.
PERSONAGENS LENDÁRIOS:
Aitvaras - Pequeno e bravo demônio que os eslavos veneravam; este pequeno ser trazia a felicidade ao chefe da cas; escondia-se atrás da frigideira ou lareira, e deixavam-no comer de tudo, bem como beber leite.
BABA-IAGA
Era o nome que os russos davam ao aspecto sombrio do feminino, uma velha ogra, tida como uma bruxa que personifica as tempestades de inverno e que é um símbolo do aspecto destrutivo do arquétipo da mãe.
Berenguini - Ninfas eslavas.
Dazbog - Filho de Svarog; foi identificado como sendo o deus Hélios (Sol). O nome significa "dispensador de riqueza".
Deivai - Nome coletivo que se dava aos deuses protetores da casa, do campo, dos estábulos, etc.
Deving Cerklicing - Deus dos campos e do trigo, ao qual os eslavos ofereciam em sacrifício um boi negro, uma galinha preta ou um bácoro preto e tonéis de cerveja.
Dola - A Sorte humana encarnada na figura de um ser protetor que, às vezes, se mostrava negligente ou mesmo hostil. Os dola apareciam sob forma de homem, mulher, gato ou rato.
Espíritos das Florestas - Não procediam dos homens; entretanto, sabiam assumir, no momento preciso, a forma humana, ou a de um lobo; habitualmente, faziam parte da fauna do bosque ou floresta e apareciam para os viajantes com o propósito de fazê-los perder o caminho.
Fogo - Os povos bálticos tinham adoração pelo Fogo; havia, inclusive, um templo onde se conservava perpetuamente o fogo sagrado, sob a égide de sacerdotes.
Jumala - O Céu, segundo a crença dos fineses, ou a divindade do Céu.
Jurasmat - Divindade protetora dos letões eslavos; a "Mãe do Mar".
Kaukai - Deuses protetores da Rússia eslava.
Laume - Deusas protetoras dos lares, no Báltico. Em Natangie, a montanha Laumygarbis lhes era consagrada.
Lobo - O maior inimigo dos lapões; criam que esse animal fosse criado pelo Diabo, ao passo que deus dera vida ao cão. Se alguém cometesse crime de morte e não o confessasse, transformaria-se em lobo que, aliás, tinha poderes para adormecer os lapões, à noite, enquando guardavam as renas.
Morte - Para os eslavos, aparecia toda vestida de branco.
Nav - Eram demônios nascidos das almas dos que morriam jovens, em particular das meninas virgens. Dava-se tal nome, também, aos espíritos daqueles que morreram tragicamente.
Nyia - O Hades polonês; divindade infernal.
Peruna - Era a deusa da Tempestade e do Relâmpago.
Sampo - Coluna que suportava o peso de todo o Universo, segundo a crença dos finlandeses.
Stalo - Gigante ou ogre terrível que era o terror dos lapões. Stalo tinha por esposa uma velha bruxa muito feia; tinham ambos apenas um olho com o qual se serviam alternadamente; costumavam comer seus próprios filhos, bem como as crianças dos lapões. Dizia stalo que os bebês lapões eram mais gostosos e que os próprios filhos cheiravam muito a enxofre.
Svarog - Deus do Sol e do Fogo. (figura acima)
Telavel - Nome de um ser lituano, o ferreiro que forjou o Sol e o colocou no espaço.
Uldra - Pequeno povo que vivia embaixo da terra. Os uldra eram afáveis e bondosos, se os deixassem em tranqüilidade; quando um lapão armava sua tenda sobre uma moradia Uldra, estes o avisavam para que se mudasse imediatamente; protegiam os magos e feiticeiros.
Urso - Filho do deus do Céu; veio à Tera com o dever de fazer reinar nela a honestidade e justiça. Era um animal bastante venerado pelos lapões. O urso protegido pelos Uldra só poderia ser morto por uma bala de prata, fundida de noite, perto de um cemitério.
Vela - O reino dos mortos, segundo os lituanos.
Fonte:Wikipedia.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Os Quatro Estados da Mente.


Mente Comum, Contemplação, Concentração e Meditação.
Contemplação significa pensamento dirigido, direcionado. O leigo pode até achar que a mente em estado de contemplação é a mesma em estado de pensamento comum, mas não é verdade. O pensar da mente comum é vago, desgovernado, não começa nem acaba em nenhum lugar. A mente comum funciona por associações. Um pensamento levando a outro, sem qualquer comando de sua parte. A mente comum, deste modo, de associação em associação navega livre e louca sem qualquer direção, como um navio desgovernado num oceano bravio. Por exemplo: de repente, você vê um gato atravessando a rua, lépido como só os felinos sabem ser. No exato momento em que você estabelece contato visual com o gato, sua mente comum, começa automaticamente, a pensar a respeito de gatos. A visão do gato captura e conduz sua mente, por meio de associações relacionadas a lembranças passadas.
Quando você era criança talvez gostasse (ou não) de gatos, a partir do momento em que você estabeleceu contato com o gato, todos o fato relacionado a gatos de sua infância vem a sua mente (como se você acessasse um arquivo específico na sua memória) e, por associação você começa a lembrar-se de coisas acontecidas durante seus contatos ao longo de toda a sua vida com os gatos, nesse meio tempo o gato acaba sendo esquecido, pois sua mente comum já se encontra completamente ligada a outras lembranças que por sua vez lembram outras e assim por diante. Desta maneira o tempo passa, e de associações em associações você vai levando a vida. (acreditando piamente que está vivendo plenamente).
Se qualquer outra pessoa tivesse cruzado a rua com o mesmo gato, a associação mental seria completamente diferente, pois as experiências ao longo da vida foram diversas. Todo mundo possui elos associativos na mente. Não existe nenhuma relação entre dois ou mais pensamentos. Trata-se apenas de associação de um pensamento a outro, e, eles conduzem a si próprios. Ou melhor, você é conduzido, levado de roldão pelos pensamentos associativos, de lá para cá como um peixe fora d’água.
Não há nesta associação nenhuma conexão lógica ou estudada, apenas e tão somente associações desgovernadas. Todo mundo tem. Qualquer acontecimento por mais banal que possa parecer o empurra para outros pensamentos e, um pensamento leva a outro, a outro a outro e assim sucessivamente por toda a sua vida até que você interrompa essa sua existência tão fútil.
O pensamento comum transforma-se em contemplação quando não acontece através da associação, mas sim quando é dirigido. É quando você está trabalhando em um sério problema e isola todas as associações. Você passa a tratar apenas desse problema em particular. A mente, sempre nervosa e agitada, tentará escapar dessa prisão, para algum tipo de associação. Você não deixa, corta todas as amarras, todos os atalhos, permite somente que sua mente ande numa única direção.
Um cientista, trabalhando em um complexo problema, está em contemplação. Um pintor, desenhando um quadro, está em contemplação. Um universitário estudando química está em contemplação. Neste momento, o mundo todo é suprimido e apenas o cientista e seu trabalho, o pintor e a pintura, o estudante e seus livros permanecem. No decorrer do processo contemplativo, muitas coisas paralelas o atrairão. Não permita que sua mente se distraia ou se desvie. Só permita que ela se mova em uma direção, em uma linha única. Isto é contemplação. Qualquer pensamento lógico é contemplativo. O pensamento comum é louco, solto, absurdo. A contemplação é lógica, racional.
Já a concentração é permanecer em um só ponto. Não é contemplar, não é pensar. É estar com a mente direcionada em uma única coisa, sem permitir que a mente se mova. No pensamento comum a mente se move como um peixe fora d’água. Na contemplação, a mente louca é direcionada, dirigida. Na concentração, a mente não tem permissão para se mover. No pensamento comum, a mente se move para onde quer. Na contemplação ela se move para um lugar determinado/direcionado. Na concentração, ela não se move, fica estacionada em um único ponto.
Entretanto, na meditação, nenhuma forma de amarra, direcionamento ou focalização é permitida. A meditação é não-mente. Na concentração, a mente tem licença para existir em um ponto único. Na meditação até mesmo esse ponto e retirado, ela situa-se além do pensar e do não pensar. No pensamento comum, todas as direções estão abertas. Na contemplação, apenas uma. Na concentração apenas um ponto está aberto (sem nenhuma direção). Na meditação nada existe, nem a mente, somente o momentum “aqui e agora”. O pensar comum é o estado da mente normal. A meditação é o outro lado da margem, a maior conquista que um homem pode almejar.
Tentemos compreender: o que está acontecendo neste momento em sua mente? Está acontecendo um processo ininterrupto de pensamentos! Se você conseguir diminuir um pouquinho essa pantomima mental, aos poucos, lentamente chegará a não-mente. Mente significa pensamento; não mente significa, naturalmente, não pensamento. Se através da prática assídua, seu processo de pensar, seus pensamentos estiverem se tornando mais densos, enchendo sua cabeça, dificultando sua vida, deixando você distraído, esquecido, então você estará indo à direção contrária da não-mente. Se o processo de pensar torna-se menos denso, se é diminuído, desacelerado, se você está mais alerta, dormindo melhor, lembrando-se das coisas, você está no caminho certo, está dirigindo no caminho da não-mente. Depende somente de você. A mente pode ser um grande auxílio. A mente é aquilo que você estiver fazendo agora. Se você estiver vivenciando a experiência deste exato momento, então você está na não-mente.
Devagar, gradativamente, através do treinamento, você vai diminuindo a quantidade de pensamentos em sua mente. Se apenas um por cento for retirado, sobram noventa e nove por cento de pensamentos. É, como se você estivesse retirando móveis sujos, velhos, quebrados e sem serventia de sua sala revestida com piso de ouro do mais alto quilate e lustres de pedras preciosas. Quando você inicia (com muito trabalho e determinação) a retirar a sujeira de sua sala, começa a aparecer espaço. Quanto mais lixo você retirar, mais espaço você vai ter. Quando após muito esforço conseguir tirar toda a sujeira, a sala se tornará só espaço (vazio). O espaço não foi criado pela retirada dos móveis (leia-se pensamentos) o espaço sempre esteve aí.
Se você retira alguns pensamentos, ou usando uma linguagem mais atual, Quando você deleta alguns arquivos inúteis, o espaço é criado, descoberto, recuperado. Se continuar removendo os pensamentos, aos poucos irá recuperando seu espaço original e acabará vendo a verdadeira face de Deus (Ou como era seu rosto antes de seus pais nascerem). Esse processo chama-se meditação.
A mente é como um grande disquete lotado de arquivos. O que fazemos, é ficar repetindo os mesmos pensamentos todos os dias. Você é como um disco velho (daqueles antigos, arranhados de rotação 68) que fica repetindo todos os dias a mesma coisa, apenas por hábito, por condicionamento, apenas por que você está costumado. Isso não é de todo mal, os velhos hábitos ajudam. Se uma criança está chorando e não consegue dormir, a mãe lhe dá uma chupeta, ela para de chorar e dorme. Então, depois dela dormir, a mãe pode retirar a chupeta. Mas se ela não lhe der a chupeta, ele não dormirá, ou pelo menos demorará muito mais. É um condicionamento, no momento em que a chupeta lhe é dada, um tipo de mecanismo é acionado em sua mente, e a criança se sente confortável e dorme tranqüila.
O mesmo acontece com você. Não se trata mais de uma simples chupeta, mas basicamente, o princípio é o mesmo. Talvez você sinta dificuldade para dormir em um quarto diferente, em uma cama diferente, sem roupas ou com roupas diferentes das que está costumado, usar um banheiro diferente. Na verdade não existe relação entre a maneira de dormir e o sono propriamente dito, mas para sua mente sim. Existe o condicionamento. E, com velhos hábitos você se sente melhor, você se sente confortável, como se estivesse entre amigos. Os mesmos pensamentos todos os dias, a mesma rotina, você sente e acha que está tudo bem.
Afinal, é tudo tão estranho! (tudo muito novo, e ninguém gosta muito de novidade, ninguém gosta de mudar) Você investiu muito nos seus pensamentos, gastou anos acumulando “coisas” em sua mente e agora não se sente bem em joga-las fora. Esse é o grande problema, você é como um mendigo empurrando um caminhão de coisas inúteis. Mas se você tiver coragem, começará a perceber (com muita satisfação) a quantidade de inutilidades que você anda guardando em sua mente e como isso põe você prisioneiro de você mesmo, começará a perceber a alegria do “espaço” e a sentir a beleza que ele contém, a grande satisfação que ele começa a lhe proporcionar.
Gassho[Getulio Taigen.]

A Canção das Metades.


Creio já ter atravessado a metade ou o meio desta vida flutuante onde o vasto vazio é soberano.
Meio, metade, pequenas palavras tão cheias de significados ocultos. Nesta vida em que alternamos sofrimentos e alegrias em doses homogêneas, de que nos adianta tentar provar das alegrias ou tristezas, além das que podemos ter.
A metade da vida é a melhor fase, o período mais interessante que alguém pode querer chegar. Aquele que sabe andar vigilante, devagar, calmo e sem pressa, obterá um vasto mundo entre o céu e a terra.
Moro há meia distância entre a montanhas e o mar. Sou meio intelectual e meio desligado, meio elegante porem desarrumado. Vivo em meio aos que tem posses, mas dirijo meus parcos esforços para o bem do povo simples e carente. Minha sua casa é adornada, porém meio simples. Não é pequena nem grande demais e, apesar de possuir bons móveis, parece meio nua e vazia.
Minhas refeições são triviais, simples, mas bem elaboradas por uma nutricionista. Tenho uma empregada evangélica, que compreende o Zen mais que muitos praticantes que conheço, não é astuta nem muito estúpida. Fala com alguma propriedade e sempre que pode e, finge que entendeu o que não tem a menor idéia do que seja.
Casei com mulher não muito feia nem bela em excesso, que não gasta muito nem é excessivamente econômica, que usa sapatos altos, mas só para sair, nunca em casa.
Seguindo assim minha vida, sinto que sou meio Budha meio homem, não sendo nada completo, nem faltando muita coisa, sou bom pai e esposo razoável. Praticante sincero e meio desapegado.
A metade do que sou entrego ao Budha, a outra metade deixo para quem quiser (*).
Meio pensando no que seria o correto a ser feito, meio preocupado em como pagar as contas que teimam em crescer, meio pensando em prover para a posteridade e, meio tentando responder e corresponder a quem de mim solicita.
Não muito feio, nem belo em demasia, não muito alto nem baixo demais, nem forte nem fraco, nem magro nem gordo, nem pobre nem rico, nem isso nem aquilo.
Pois, é melhor bebedor quem só meio ébrio fica. A flor a se entreabrir mais linda se revela. Mais firme é o navegar do barco à meia vela. Melhor trota o cavalo de rédeas meio presas. Melhor se senta em zazen quem não tenta impressionar com sua postura perfeitamente ereta. Melhor é comer um pavê sem culpa, porém só meio pedaço. Mais bonito que olhar o dia ou a noite e vê-lo nascer e se pôr. Melhor que ver o mestre partindo é saber que já voltou.
Quem tem meios demais sofre de muita ansiedade. Quem não os tem, deles precisa.
Como a vida se faz de doçura e amargor de alegrias e tristezas, de amor e desamor, de sim e de não, quem só a metade experimenta e prova é mais inteligente e sábio.
Getulio Taigen.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

CONTO de SAMHAIN.


Lyla sentou-se no chão e olhou para o céu claro, limpo e estrelado.
O reflexo da Lua cheia na água fez Lyla pensar numa pérola. Redonda e branca. mas logo as crianças chegaram, e sentaram ao seu redor, interrompendo seus pensamentos.
Sorrindo, Lyla olhou para cada uma deles.
Comecemos?
Vou contar para vocês a estória de como o Cornudo se sacrifica todos os anos para garantir força à Grande Mãe, para que esta possa vencer o frio do Inverno.
Estão prontos?'
As crianças acalmaram-se para ouvir Lyla.
"Não foi a muito tempo que aconteceu.
O Sol sumia no Oeste, e as aves noturnas já deixavam seus ninhos, umas ameaçando cantar.
Debaixo das árvores, correndo para suas tocas, os pequenos animais apressavam-se, fugindo do frio cortante que se faria presente em pouco tempo.
Aquela era a época do Cornudo, e só as criaturas mais fortes sobreviveriam a inverno tão rigoroso.
O Sol baixou, baixou, até que só se via uma fina linha de separação entre céu e Terra no horizonte, e tudo ficou avermelhado, com um ar mais mágico.
E então, a luz se foi. A Lua estava crescente no céu, e um vento gelado começou a correr por entre os troncos seculares das árvores.
Ouve-se, agora, o som de uma flauta...som tão límpido e cristalino, que a superfície do lago, antes parada, tremulou ao som da melodia alegre.
Todos os animais da floresta pararam para ouvir o som da flauta, e mesmo as aves noturnas cessaram seu canto orgulhoso. E por entre as árvores, a flauta se fez ouvida em toda a floresta. E mais nada, além do som doce da flauta. Atravessando o lago, um pouco depois do Grande Carvalho, estava a fonte de tal encantamento.
Sentado numa pedra coberta de limo, balançando ao som da flauta de bambu, um ser robusto, com tronco e cabeça de homem, pernas cobertas de pêlo, cascos de cavalo e grandes chifres pontiagudos. Observava a donzela que dançava ao som de sua música, logo à sua frente. Tinha longos cabelos claros, lisos, que escorriam até a altura da cintura.Os fios sedosos acompanhavam os movimentos da dança, pés habilidosos moviam-se descalços sobre a grama.
A Deusa nunca havia estado tão bela quanto naquela noite. Os dois brincavam nus, na noite fria da floresta, e alguns animais se juntavam ao redor da clareira.
Cansada, a Donzela sentou-se, e olhando para o Cornudo, esperou que a música acabasse. Quando o Deus afastou a flauta de seus lábios, as figuras dos animais e da Donzela desapareçam... meras lembranças.
A Deusa agora recolhia-se grávida no Mundo Subterrâneo, guardada por seus familiares, pronta para dar à luz dentro de tão pouco tempo.
Era necessário que o Sol Novo nascesse.
O Cornudo levantou-se com tristeza e caminhou até o lago, para observar seu reflexo. Já estava velho e fraco, mas ainda continha grande energia. energia necessária para que a Deusa agüentasse o parto que se seguiria em menos de dois meses.
Já não podia continuar a viver... a Terra precisava de seu sangue, e o Sol Novo de sua energia.
Um grito ecoou em sua mente: a Deusa sofria. Aquele era o momento certo.
O Cornudo olhou para os céus, e olhando para a mata, despediu-se de sua casa.
Tambores rufaram quando Ele ergueu suas mãos e pronunciou as palavras secretas. Houve uma explosão, e Ele desapareceu.
Aqui, numa clareira nas montanhas, já distante da floresta, ouviam-se os tambores de guerra. Uma música rápida e repetitiva tornava o ar agressivo.
Também com uma explosão, o cornudo surge no centro do círculo, um olhar decidido em seu rosto. O Velho Cornudo tinha agora em suas mãos uma adaga ritual, e quando Ele a levantou apontada para seu peito os tambores cessaram.
Cernunnos fechou os olhos, e o momento se fez silencioso... aqueles segundos duraram milênios .
O Cornudo levou a adaga a seu peito, e os tambores voltaram a tocar. Quando a lâmina fria rasgou a carne do Deus, não houve um grito, sequer um sussurro de dor... apenas o som do sangue derramando-se sobre a terra. O Cornudo ajoelhou-se, com calma em seu olhar. Com as próprias mãos, abriu a ferida para que os espíritos recolhessem o sangue.
Quando o círculo tornou-se silencioso novamente, e todos os espíritos partiram, o Deus deitou e virou-se para as estrelas, e esperou que a paz voltasse a reinar sobre a floresta. Ainda sentia o sangue escorrendo para fora de seu corpo, e regando o círculo sagrado em que repousaria para sempre. E do solo, ou talvez de lugares além das estrelas mais distantes, elevou-se um cântico, murmurado e pausado ... talvez fossem as pequenas criaturas do subsolo, ou ainda as estrelas, despedindo-se de seu Deus.
"Hoof and Horn, Hoof and Horn All that Dies Shall be Reborn. Corn and Grain, Corn and Grain All that Falls Shall Rise Again."
O Cornudo morreu sorrindo, sabendo ser a semente de seu próprio renascimento. E Ele pode sentir sua energia retornando ao útero da Grande Mãe, que agora deixava de sofrer.
Os espíritos, então, romperam a barreira entre os dois mundos, e caminharam por sobre a Terra, espalhando o sangue e a força do Deus, para que pudéssemos sobreviver através dos tempos difíceis que se aproximavam."
Lyla limpou uma lágrima que escorria de seu rosto.
As crianças ainda ouviam atentas.
"É por isso que os espíritos vêm ao nosso mundo nessa noite tão escura... Eles trazem consigo um pouco do sangue do Deus Cornudo, que só renascerá no Solstício de Inverno. Trazem conselhos, proteção e promessas de que nos irão guiar durante todo o período escuro do ano. Devemos, portanto, saudar os espíritos, porque, sem eles, a semente do renascimento não seria espalhada. Agora vão para a Casa Grande, vamos começar o ritual."
Lyla deixou que as crianças corressem na frente em direção à Casa Grande. Parou no meio do caminho, e deixou que seus ouvidos escutassem os sons do além. E de algum lugar chegou aos ouvidos de Lyla um cântico.
'Hoof and Horn, Hoof and Horn.
E Lyla caminhou para a Casa Grande.[D.A]

DEUSA ISIS - A DANÇA DOS SETE VÉUS.


Eu concebi carreguei e dei à luz a toda vida
Depois de dar-lhe todo meu amor
Dei-lhe também meu amado Osíris
Senhor da vegetação
Deus dos cereais
para ser ceifado
e nascer outra vez
Cuidei de você na doença
fiz suas roupas
observei seus primeiros passos
Estive com você até mesmo no final
segurando sua mão
para guiá-lo para a imortalidade .
Você para mim é TUDO
E eu lhe dei TUDO
E para você eu fui TUDO
Eu sou sua Grande-Mãe, ÍSIS.
Nossa amada Deusa Ísis foi cultuada e adorada em inúmeros lugares, no Egito, no Império Romano, na Grécia e na Alemanha. Quando seu amado Osíris foi assassinado e desmembrado pelo seu irmão Set, que espalhou seus pedaços Ísis procurou-os e os juntou novamente. Ela achou todos eles, menos seus órgãos sexual, que substitui por um membro de ouro. Através de magia e das artes de cura, Osíris volta à vida. Em seguida, ela concebe seu filho solar Hórus.
ARQUÉTIPO DA MÃE-NATUREZA.
Ísis, deusa da lua, também é Mãe da Natureza. Ela nos diz que para este mundo continuar a existir tudo que é criado um dia precisa ser destruído.
Ísis determina que não deve haver harmonia perpétua, com o bem sempre no ascendente. Ao contrário, deseja que sempre exista o conflito entre os poderes do crescimento e da destruição. O processa da vida, caminha sobre estes opostos. O que chamamos de "processo da vida", não é idêntico ao bem-estar da forma na qual a vida está neste momento manifesta, mas pertence ao reino espiritual no qual se baseia a manifestação material.
Com certeza, se a morte e a decadência não tivessem dotados de poderes tão grandes quanto as forças da criação, nosso mundo inteiro já teria alcançado o estado de estagnação. Se tudo permanecesse para sempre como foi primeiramente feito, todas as capacidades de "fazer" teriam sido esgotadas há séculos. A vida hoje estaria totalmente paralisada. E, assim, inesperadamente, o excesso de bem, acabaria em seu oposto e tornar-se-ia excesso de mal.
Ísis, tanto na forma da natureza, como na forma de Lua, tinha dois aspectos.
Era criadora, mãe, enfermeira de todos e também destruidora.
O nome Ísis, significa "Antiga" e era também chamada de "Maat", a sabedoria antiga. Isto corresponde a sabedoria das coisas como são e como foram, a capacidade inata inerente, de seguir a natureza das coisas, tanto na forma presente como em seu desenvolvimento inevitável, uma relação à outra.
ARQUÉTIPO DA PROVEDORA DA VIDA.
É pelo poder de Ísis, através de seu amor, que o homem afogado na luxúria e na paixão, eleva-se a uma vida espiritual. Ísis, antes de tudo, é provedora da vida. Comumente é representada amamentando seu filho Hórus, pois ela é a mãe que nutri e alimenta tudo que gera. Ísis com seu bebê no colo, acabou transformada na Virgem Maria com o menino Jesus.
Esta deusa é também freqüentemente representada como uma deusa negra.
Este fato está diretamente associado ao período de luto de Ísis (morte de Osíris), quando ela vestia-se de preto ou ela própria era preta.
As estátuas pretas de Ísis tinham também um outro sentido. Plutarco declara que "suas estátuas com chifres são representações da Lua Crescente, enquanto que as estátuas com roupa preta significavam as ocultações e as obscuridades nas quais ela segue o Sol (Osíris), almejando por ele.
Conseqüentemente, invocam a Lua para casos de amor e Eudoxo diz que Ísis é quem os decide".
No Solstício de Inverno, a deusa, na forma de vaca dourada, coberta por um traje negro, era carregada sete vezes em torno do Santuário de Osíris morto, representando as perambulações de Ísis, que viajou através do mundo pranteando sua morte e procurando pelas partes espalhadas de seu corpo.
Este ritual era um procedimento mágico, que tencionava prevenir que a seca invadisse as regiões férteis do Nilo, pois a ressurreição de Osíris era, naquela época, um símbolo da enchente anual do Nilo, da qual a fertilidade da terra dependia.
Ísis aparece também, na nossa vida para dizer que é hora de meditar:
Você tem desperdiçado sua energia maternal sem guardar um pouco para si mesma?
Sua mãe lhe deu todo o amor que você precisou? Pois agora é tempo de você se dar "um colo" para curar as mágoas do passado. Todos nós precisamos de cuidados maternos, independente de sermos donzela, mãe ou mulher madura.
O VÉU DE ÍSIS.
O véu multicolorido de Ísis é o mesmo véu de Maias, que nos é familiar no pensamento hindu. Ele representa a forma sempre mutante da natureza, cuja beleza e tragédia ocultam o espírito aos nosso olhos.
O véu de Ísis, tem também significados derivados. Diz-se que o ser vivo é pego na teia ou véu de Ísis, significando que no nascimento o espírito, a
centelha divina, que está em todos nós, é preso ou incorporado na carne.
Significa dizer, que todos nós ficamos emaranhados ou presos na teia da natureza. Essa teia é a trama do destino ou circunstâncias. É inevitável que devamos ser presos pelo destino, mas freqüentemente consideramos este enredamento como infortúnio e queremos nos libertar dele. Se aceitarmos esta situação de o ser vivo estar preso a teia de Ísis, acabaremos encarando a trama de nossa vida de maneira diferente, pois é somente deste modo que o espírito divino pode ser resgatado. Se não fosse aprisionado desta forma, vagaria livremente e nunca teria oportunidade de transformar-se.
Portanto, o espírito do homem precisa estar preso à rede de Ísis, caso contrário, não poderá ser levado em seu barco para a próxima fase de experiência.
DANÇA SAGRADA DOS SETE VÉUS.
"Vê-la dançar é participar da força criadora que vibra no Cosmos; massa
negra e pulsante explícita nos olhos e cabelos de Jhade. (...) Mãos se elevam em serpente e cortantes transformam em som o poder telúrico de seu ventre. Que os sons, manifestos em seu corpo, subam de encontro com o Eterno e sejam ouvidos além do tempo." (por W. Hassan)
A Dança dos Sete Véus tem sua origem em tempos remotos, onde as sacerdotisas dançavam no templo de Isis. É uma dança forte, bela e enigmática. Ela também reverencia à vida, os elementos da natureza, imita os passos dos animais e das divindades numa total integração com o universo. O coração da bailarina é tão leve quanto a pluma da Deusa Maat e é exatamente por isso que os véus são necessários, pois é deles que os deuses se servem para sutilizar o corpo da mulher. Os véus de Ísis, ao serem retirados, nos transmitem ensinamentos.
Quando a bailarina usa dois véus, ao retirá-los nos diz que o corpo e espírito devem estar harmonizados. A Dança do Templo, que é usado três véus, homenageia a Trindade dos deuses do Antigo Egito: Ísis, Osíris e Hórus.
A Dança do Palácio, com quatro véus, representa a busca da segurança e estabilidade e ao retirá-los a bailarina nos demonstra o quanto nos é benéfico o desapego das coisas materiais. Na Dança dos Sete Véus, cada véu corresponde a um grau de iniciação.
Os sete véus representam os sete chakras em equilíbrio e harmonia, sete cores e sete planetas.Cada planeta possui qualidades e defeitos que influenciam no temperamento das pessoas e a retirada de cada véu representa a dissolução dos aspectos mais nefastos e a exaltação de suas qualidades.
Significado das cores:
Vermelho: libertação das paixões e vitória do amor.
Laranja: libertação da raiva e dos sentimentos de ira.
Amarelo: libertação da ambição e do materialismo.
Verde: saúde e equilíbrio do corpo físico.
Azul : encontro da serenidade.
Lilás: transmutação da alma, libertação da negatividade.
Branco: pureza, encontro da Luz.
Toda mulher deixa transbordar seu essência através da dança. Todas aquelas emoções reprimidas, sentimentos esquecidos, afloram. Toda e qualquer mulher que consegue penetrar nos mistérios e ensinamentos dessa prática, se revelará de forma pura e sublime e alcançará o êxtase ao dançar.
Dançar é minha prece mais pura
Momento em que meu corpo vislumbra o divino,
Em que meus pés tocam o real
Religiosidade despida de exageros,
Desejo lascivo, bordado de plenitude
Através de meus movimentos posso chegar ao inatingível
Posso sentir por todos os corpos,
abraçar com todo o coração,
E amar com os olhos
Cada gesto significativo desenha no espaço o infinito,
Pairando no ar, compreensão e admiração
Iniciar uma prece é como abrir uma porta
Um convite a você, para entrar em meu universo
O mágico contorna minha silhueta, ao mesmo tempo
Que lhe toco sem tocar
Nada a observar, só a participar
Esta prece ausente de palavras
É codificada pela alma
E faz-nos interagir, de maneira sublime e hipnótica
Quando eu terminar esta dança,
Estarei certa de que não seremos os mesmos.
R.Valpato.