contos sol e lua

contos sol e lua

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A fantasia é a fuga ou a libertação de si mesmo?


A fantasia tanto pode ser uma fuga, quando a realidade a volta é difícil de ser suportada, daí lança-se mão da fantasia para poder escapar a essa realidade, ou pode ser a libertação do nosso eu aprisionado dentro de nós pela realidade circundante, que impede a sua expressão.
A estória da cinderela gata borralheira, exemplifica essa dualidade, por um lado a fantasia é uma fuga da realidade dela, onde uma abóbora, por magia, transforma-se numa carruagem transportando-a para um mundo completamente diferente da sua realidade. Por outro lado, nessa fantasia, Cinderela liberta o seu eu, uma princesa que pelas circunstâncias da realidade encontra-se aprisionada no interior de uma criada, contudo ao soar as 12 badaladas, Cinderela foge da fantasia para realidade, porém cria um elo entre a fantasia e a realidade, ao perder seu sapatinho de cristal, possibilitando que a fantasia torne-se realidade, quando o príncipe a encontra, por meio dele, sapatinho, mesmo sendo a última das pessoas que imaginaria que fosse a sua bela princesa, com quem se encontrou, dançou e se apaixonou, visto a realidade em que se encontrava, ao mesmo tempo que a realidade transforma-se numa linda fantasia ou sonho de amor que ambos carregavam dentro si.
Contudo nem sempre a fantasia é uma fuga e nem sempre é uma libertação, porque muitas vezes a própria fantasia é uma prisão, onde o nosso eu se mantém alheio á realidade, daí gerando conflitos existenciais e até manifestando um certo desequílibrio mental que pode mesmo conduzir a um distúrbio mental.
Segundo relatos ."O mundo interno é composto de fantasias inconscientes. O que determina o caráter da psicologia do indivíduo é a natureza dessas fantasias inconscientes e o modo como se relacionam com a realidade .Para Klein, a fantasia inconsciente é a expressão mental dos instintos, estes buscam objetos e existe desde o começo da vida .A formação da fantasia é uma função do ego.Existe desde o nascimento um ego capaz de formar relações de objeto primitivas(na fantasia e na realidade) · A experiência do nascimento leva a criança a lidar com uma realidade gratificante e frustrante, provocando uma influência mútua entre fantasia e realidade . Além de expressão mental dos instintos, as fantasias tem uma importante função defensiva .A gratificação derivada da fantasia é uma defesa contra uma realidade externa de privação .O mecanismo de defesa é o processo usado pelo ego, enquanto a fantasia inconsciente é a representação mental pormenorizada.Mecanismos de introjeção e projeção contribuem para a formação do ego e de objetos internos com os quais o próprio ego se relaciona(superego)".Aisha Jalilah.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Bruxas habitantes do ar.


Uma das representações mais comuns das bruxas, é de uma mulher velha, toda enrugada, com verrugas espalhadas pelo rosto, poucos dentes na boca, roupa negra, chapéu imenso na cabeça, e a velha vassoura de piaçaba para nela podeer voar. essa representação que praticamente definiu a imagem de uma bruxa no ocidente foi tirada dos contos de fadas. Porque autores de histórias infantis faziam questão de representarem as bruxas dessa maneira tão apavorante? Jules Michelet no seu livro La Sorciére tem uma explicação bastante aceitavél: " Os contos de fadas libertados dos ridiculos ornatos com que seus ultimos redatores os mascaram, são o próprio coração do povo. Marcam uma época poética, entre o comunismo grosseiro da vila primitiva e a licença do tempo, em que a burguesia nascente escreve as cínicas fabulas. O desejo que o pobre servo tem de respirar, de repousar, de achar um tesouro que acabe com as suas misérias, aparece muitas vezes nesses contos."
Quis falar das bruxas no presente. Me referindo ao passado para descobrir nas curvas do tempo, mistérios que foram encerrados por pesadas portas de aço, construidas pelas mãos que degolaram pescoços, mas que tambem percorreram corpos a procura de prazer.
Penso nas habitantes do ar como mulheres livres, que souberam enxergar a mais ínfima subdivisão das moléculas para conseguirem enxergar o universo. E nele de deleitar com segredos da vida e da morte, do ceu e do inferno, do sonho e da realidade, e sobretudo do prazer e da dor. Quis esse vôo para habitantes do ar, porque a trajetória delas pelo planeta foi trágica, ao mesmo tempo em que permitiu semear com a força do vento a constante transformaçao dos destinos.
Nesse vôo infindável essas bruxas vieram me visitar e encontraram passagem nos reflexos dos espelhos que me projetam para o infinito. O que me seduz nessas mulheres-feiticeiras é a sensibilidade que possuem de caminhar sobre o fio de uma teia de aranha à procura do centro coabitado por deuses e demônios.wikepédia.

Brida.


A Magia sempre atraí e Brida vestida na moda desbotada e com um ar desafiador no lindo rosto, diz que quer aprender Magia.
E assim acontece o primeiro contato com o Mago da Tradição.
Naquele momento ele vê que ela é a sua Outra Parte, mas nada diz a ela.
Começam um caminho juntos.
Segredos e conflitos, desafios e certezas, busca interior, real e irreal.
Os segredos da Tradição, ser feiticeira, a comunhão com o universo.
Encontros e desencontros, O DOM.
Brida conscientemente procura seu caminho, ir além dos pequenos mistérios, mais e mais.
Surge Wicca contato feito pelo Mago, ela é que será realmente o Mestre e vem para ajudar Brida a encontrar seu verdadeiro DOM e florescer com ele.
A ponte que une a realidade com o invisível é a Magia e ela começa a desfazer mistérios, a sentir o peso de descobertas tão especiais.
Muitos acontecimentossem explicação, de um telefonema sobre assunto corriqueiro uma grande experiência, um transporte, o desligamento do real.
Brida e seu Mago descobrem o amor e a certeza que não poderão ficar unidos, não existe a chance de um futuro.
A iniciação dela está muito perto , o SABBAT está chegando, o poder e o controle .
Brida espera por este momento e nada a deterá.
SABBAT,a festa das feiticeiras que ultrapassou o portal dos tempos, sobreviveu.
Hoje não existe mais perseguição, maldades, doré só integração com o natural, com a verdade de dentro de si.
No bosque, uma grande fogueira, muitas pessoas,um lindo vestido, os cálices de vinho erguidos no ar e a Mestra da Tradição começa a cerimônia. Todos ao redor da fogueira, dançam, cada um tem sua dança, seu movimento, que vem do seu interior, palmas em ritmo crescente, o olhar refletindo as belas chamas, cantam o som que une os Dons. A festa aos poucos entra no caminho sagrado e nem todos percebem.
Só as mulheres agora estão ao redor da fogueira, só as iniciadas da Tradição da Lua. Começou a Iniciação.
Tiram as roupas, são livres, tem orgulho do que são, comungam a natureza, o PODER DA TRADIÇÃO DA LUA E A SABEDORIA DO TEMPO , estavam ali.Brida é uma feiticeira, tem seu Dom aflorado e sua vida retorna ao normal , sem o seu Mago, agora será também uma Mestra da Tradição.Paulo Coelho.

As feiticeiras de Salem.


Será que diante do espelho somos a mesma pessoa que a sociedade conhece? Ou será que guardamos preconceitos bem no fundo de nossa existência e nos portamos como pessoas abertas ao novo, ao diferente? Como Machado de Assis apresenta em muitas de suas obras o homem carrega em si a Aparência e a essência, essa é a chave para desvendar o mistério do homem.E nesse universo está a Magia, a ignorância, os tribunais. Um tripé que pode levar a condenação de pessoas inocentes. O mundo transcorre nos caminhos das trevas, não criada pelo demônio, mas pela ignorância dos homens, verdadeiros anjos do mau que usam do poder concedido para escolher o futuro das pessoas, estando acima do bem e do mau, impondo seus dogmas. A realidade está muito além da verdade.Algumas histórias não podem ser esquecidas, servem de lição para o homem diante dos seus abusos e sua ignorância. Percebe-se que o novo, o desconhecido, o sobrenatural, nunca foi explicado por ele. Diante desse mundo do desconhecido o mais fácil era destruí-lo para não ter que conviver com o que não se pode explicar. Salem era uma colônia americana na Nova Inglaterra, foi palco de atrocidades comedidas pela ignorância. Homens e mulheres foram condenados e enforcados em nome de Deus, acusados de serem instrumentos do Satanás. Sabe-se que muitos eram inocentes. A história de Salem foi transformada em filme e citadas em diversos livros entre eles Trilogia da Magia de Nora Roberts e outros. O que vale a pena conhecer mais profundamente essa história. Período marcado pela inquisição, pelo abuso da Igreja em colocar-se acima do bem e do mal. Época em que os homens fecharam os olhos diante da verdade. Condenar homens e mulheres com o rótulo de bruxos não eram nada mais do que esconder a falta de conhecimento, a falta de convivência entre os diferentes. Salem deixa sua marca na história e conhece-la nos trará um conhecimento do que realmente aconteceu na época da inquisição. DEIXAR DE CONHECER O PASSADO É DAR ESPAÇO PARA OS MESMOS ERROS NO PRESENTE E MARCAR NOVAMENTE
O FUTURO COM A IGNORÂNCIA.wikepédia.

O renascimento da Wicca.


Mas Murray...logo desvendou o diabo e descobriu em seu lugar um Deus com chifres de um culto à fertilidade, um Deus pagão que na época da inquisição foi considerado herético, transformado em uma incorporação do diabo. Murray estava convencida depois dos seus estudos profundos sobre esses registros de que esse Deus possuía um equivalente feminino, tratava-se de uma divindade, a caçadora medieval das épocas clássicas que os gregos chamavam de Ártemis e os romanos de Diana. Murray então...concluiu que as feiticeiras condenadas tinham Diana como uma líder espiritual e por isso a reverenciavam, os vestígios dessa fé poderiam ser rastreados no passado a até cerca de 25 mil anos, época em que viveu uma raça aborígine composta de anões, cuja existência permaneceu registrada pelos conquistadores que invadiram aquelas terras apenas nas lendas sobre elfos e fadas. De acordo com ela, seria uma “religião alegre”, repleta de festejos, danças e principalmente abandono sexual, o que mais tarde seria incompreensível para os sombrios inquisidores, cujo único propósito foi destruí-la até as mais tenras raízes.
Margaret, pesquisadora ativa até sua morte, aos 100 anos.Finalmente em 1921, Murray publicou o primeiro (O Culto à Feiticeira na Europa Ocidental) dos três livros com as suas conclusões favorecia certa legitimidade à religião Wicca. Apesar dos trabalhos de Murray não terem tanto prestígio nos círculos acadêmicos, recentes estudos arqueológicos induziram alguns historiadores a fazer ao menos uma releitura mais criteriosa de algumas de suas teorias mais polêmicas; Margaret Murray conseguiu através de uma reavaliação favorável da feitiçaria, abrir uma porta para um fluxo de interesse pelo culto a Diana.
Em 1899, Charles Leland, havia publicado “Aradia”, obra que segundo ele, era o evangelho de “La Vecchia Religione” (A Velha Religião), uma expressão que desde então passou a fazer parte do saber “Wicca”. O livro relata a lenda de Diana, Rainha da Feiticeiras, cujo encontro com o deus-sol Lúcifer resultara numa filha chamada “Aradia”, esta seria “la prima strega” (a primeira bruxa), a que revelara os segredos da feitiçaria para a humanidade.
Considerada uma fonte duvidosa, Aradia contudo...terminou servindo de inspiração para inúmeros ritos praticados por feiticeiros. Duramente criticado, o livro Aradia com sua ênfase no culto à Deusa tornou-se muito popular nas assembléias feministas.
O livro de Robert Graves, publicado pela primeira vez em 1948, “A Deusa Branca” que revela a existência de um culto ancestral centrado na figura de uma matriarcal deusa lunar. De acordo com o autor, essa deusa seria a única salvação para civilização ocidental. Robert Graves expressou profundas reservas com relação à bruxaria, mas o autor chama à atenção a longevidade e a força da religião Wicca e também faz críticas ao que ele considera como uma ênfase em jogos e brincadeiras. Na verdade, o ideal para a feitiçaria, escreve Grave, seria que “surgisse um místico de grande força para revestir de seriedade essa prática, recuperando sua busca original de sabedoria”.
A referência de Graves era uma irônica alfinetada em Gerald Brosseau Gardner, um senhor inglês peculiar e carismático, que exerceria profunda, embora frívola, do ponto de vista de Robert Graves, influência no ressurgimento do interesse pela feitiçaria.
Gardner gerou muita polêmica ao afirmar que, após a perseguição medieval, a bruxaria tinha sobrevivido através dos séculos, secretamente, à medida que seu saber canônico e seus rituais eram transmitidos de uma geração para outra de feiticeiros. Segundo Gardner, sua atração pelo ocultismo havia feito com que se encontrasse com uma herdeira da antiga tradição, “a Velha Dorothy Clutterbuck”, que seria alta sacerdotisa de uma seita sobrevivente. Logo após esse encontro, Gardner foi iniciado na prática, embora mais tarde tenha afirmado, no trecho mais improvável de uma história inconsciente, que desconhecia as intenções da velha Dorothy até chegar ao meio da cerimônia iniciática, ouvir a palavra “Wicca” e perceber “que a bruxa que eu pensei que morrera queimada há centenas de anos ainda vivia”.
Gerald Gardner assumia a tarefa de fazer uma revisão da feitiçaria, foi uma espécie de catecismo da Wicca, ressuscitado por Gardner. Assim qucompletou o trabalho, um Livro das Sombras.
Esse volume transformou-se em evangelho e liturgia da tradição gardneriana da Wicca. Era uma “pacífica e feliz religião da natureza”, nas palavras de Margot Adler em “Atraindo a Lua”.
As bruxas reuniam-se em assembléias, conduzidas por sacerdotisas. Adoravam duas divindades, em especial, o Deus das florestas e de tudo que elas encerram, e a Grande Deusa tríplice da fertilidade e do renascimento. Nuas, as feiticeiras formavam um círculo e produziam energia com seus corpos através da dança, do canto e de técnicas de meditação. Concentravam-se basicamente na Deusa; celebravam os oito festivais pagãos da Europa, buscando entrar em sintonia com a natureza.
Ao se desnudarem para adorar a Deusa, as feiticeiras não só se despiam de seus trajes habituais, como também de sua vida cotidiana.
A influência de Gerald Gardner no moderno processo de renascimento da Wicca é indiscutível, assim como seu papel de pai espiritual dessa tradição específica de feitiçaria que hoje carrega seu nome, seus seguidores foram capazes de captar em seu trabalho uma fonte para uma prática espiritual que lhes traz satisfação.Wikepédia.

O enigma da Mente Humana.


Uma estrutura perfeita.
Arquitetada minuciosamente.
Em cada pormenor;
Projetada de maneira esplendida.
De forma tal que nenhum homem,
Em sua tamanha pequenez,
Conseguiu desvendar.
É indescritível a sua grandeza e perfeição,
E de inimaginável dimensão.
A inteligência de quem tudo isso projetou,
Uma máquina perfeita, o ser humano.
Tantos bilhões de neurônios que ligam.
Uma complexa rede de diferentes sistemas.
A uma única sede de controle,
O enigmático encéfalo.
Este é o regente da orquestra humana,
Que conduz tudo o que se passa.
Em todas as dimensões desta maravilhosa máquina.
Biologicamente somos todos iguais,
Quimicamente, as reações orgânicas são as mesmas,
De forma estrutural somos idênticos,
Então o que demarca as inúmeras,
Diferenças existentes entre cada pessoa?
Parece engraçado, mas a fonte,
Para essas tantas desigualdades.
É também nosso encéfalo.
Todos o estudam,
Ninguém o conhece de fato.
Cientistas, filósofos, religiosos, ateus.
Não há quem o traduza perfeitamente.
Desde os primórdios históricos
Até os atuais dias vividos,
Homens de todas as raças e etnias,
Procuram a fundo responder,
Às inúmeras enquetes relacionadas,
A essa massa encefálica.
O número de dúvidas é gigantesco.
E a grandeza de cada uma delas inesgotável.
Por esse motivo, foquemos somente uma,
Talvez a mais polêmica:
A raiz da personalidade humana.
Não há razão nem lógica para explicar.
O porquê que cada ser,
Fisiologicamente semelhantes.
Possuem personalidades tão divergentes.
Pessimistas, otimistas, egocêntricos, altruístas.
Tímidos, excêntricos, tristes e felizes.
Quantas altercações, quantos abismos emocionais.
São tantas as características que delimitam.
Cada pessoa, cada mente, cada vida.
O enigma da mente humana.
É foco de estudo de muitos,
Obsessão para outros.
Não importa a intensidade,
De quanto cada um busque.
Definir esse grande mistério.
Na verdade, nunca o saberemos.
Há mistérios que somente podem ser simplificados.
Por uma mente superior, a mesma que engendrou.
O intricado ser humano.Samanth S. Gomes.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Afrodite - a face negra do amor.


Freqüentemente, entre muitos outros, um erro tem sido cometido entre os
neopagãos, talvez movidos pelo intenso pedantismo reinante ou pela misologia
característica dos "novos-bruxos", muitas divindades tem sido banalizadas e
tidas como seres eternamente à disposição das vontades humanas. Infeliz engodo.
Nessa ânsia de transformar de não reconhecer em certas divindades seus aspectos
negativos, acabamos caindo no velho conto do cego que não deseja a visão.
Afinal, é mais fácil fantasiar e decorar o mundo como um eterno mar de rosas e
viver boiando sobre ele. Uma deusa que, invariavelmente tem sido alvo de tais
praticas é Afrodite, umas das mais antigas divindades da arcaica religiosidade
helênica. Como divindade assaz primitiva, mesmo após sua entrada no Olimpo,
Afrodite permaneceu distante dos demais deuses, como Hécate ela era cultuada em
diversas partes do mundo antigo, chegando até mesmo à costa norte da África onde
há indícios de seu culto e lendas seus amores na região. Como
Hécate, por demais inserida no cotidiano dos povos helênicos, Afrodite não
apenas uma olimpiana, mas uma presença constante na vida de todos os gregos
arcaicos, como é ainda hoje para os reconstrucionistas da religiosidade grega.
Como deusa do amor, Afrodite não possuía em si apenas os aspectos
judaico-cristãos de afetividade tola que temos inserido em nossa sociedade. Era
a deusa do amor, do sexo e dos prazeres da carne, entretanto, possuia faces de
um amor celestial, divino, por demais elevado aos nossos conceitos, o amor
platônico como conhecemos hoje é regido também por essa deusa, sob o nome de
Afrodite Urânia.
Em seu aspecto de sedutora Afrodite incorporava o nome de Afrodite Pandemo,
"comum", e essa sua face, tão pouco desconhecida para os povos contemporâneos,
era a mais respeitada entre os gregos. Em alguns mitos ela aparece como Grande
Mãe, principalmente na Ásia Menor, onde era tida também como Afrodito, recebendo
barbas e transformando-se em uma divindade andrógina. Algumas lendas referem-se
à ela como amante de Zeus, o Pai.
Atualmente há uma pratica comum entre nossos escritores, principalmente os
religiosos e não históricos, em dar destaque somente à face boa e 'cristã' de
Afrodite, talvez por que certos conceitos ainda estejam por demais inseridos em
nossa mentalidade para serem claramente expostos. Nosso objetivo aqui não
agradar aos olhos dos leitores, é tornar claro que Afrodite não era para os
gregos uma divindade piedosa e caridosa, como muitos gostariam que o fosse, ao
contrário, em sua face negra Afrodite se mostra como a mãe destrutiva, a deusa
que dá a vida e a recolhe, sem utilizar critérios de pecado ou piedade, bondade
tola para sermos mais exatos. Ligada às deusas orientais Ishtar e Astarde,
Afrodite regia suas sacerdotisas nas antigas praticas da prostituição sagrada,
como assim o fazia Ishtar. As sacerdotisas de Ishtar eram escolhidas em tenra
idade, iam para os templos demasiado jovens, após receberem o primeiro
sangramento. Lá se deitavam com viajantes e todos aqueles que ali parassem
e pagassem à deusa pelos prazeres da carne. Afrodite, como nos atestam variados
indícios, também era simpática a tal prática. Talvez nossas pseudo-sacerdotisas
dos movimentos neopagãos se interessem por esse lado ao se dizerem filhas dessa
divindade. Astarde, à semelhança de Afrodite possuía também seu consorte divino,
Tamuz. Tamuz e Adônis, amantes das duas deusas, padeceram do mesmo mal, o
excesso de amor que as duas divindades lhes dedicavam. Eis a face negra do amor
divino. Essa história se assemelha muito ao mito da Roda do Ano dos wiccanos de
hoje, mas faremos tal analogia em uma próxima oportunidade.
Afrodite, como deusa negra, recebeu entre os gregos o nome de Afrodite Zeríntia,
sob o qual regia os espíritos e os mortos. Na Trácia recebia sob essa forma
sacrifícios de cães em seus oráculos. Aconselhamos assim certos indivíduos a
sacrificarem seus cãezinhos à deusa do amor, ora ela é apenas regente do amor, e
o amor não mata. Na península Ática seu nome Zerintia muda para Genítilis,
onde também recebia sacrifícios de diversos animais, entre eles os cães, que
também eram sacrificados à Hécate. Tais sacrifícios eram realizados
principalmente em oráculos, os cães como seres andantes eram tidos pelos gregos
como eternos conhecedores das estradas, eram sacrificados para auxiliar em
decisões de novos rumos e caminhos a serem tomados. Vale lembrar que Hécate
regia os caminhos, e freqüentemente era representada tendo um cão ao seu lado,
algumas vezes Cérbero, o cão de três cabeças que guardava, como se sabe, o
caminho para o Tártaro, o reino dos mortos. A deusa apareceu também sob os
nomes de Melena e Melênis, "a negra" e "a escura", respectivamente. Sob o nome
de Zerintia, Afrodite surge novamente como deusa negra, sob essa forma os gregos
à consideravam "a mais velha das Moiras". As Erínias, deusas da vingança e que
levam a morte lenta aos infratores das leis divinas eram filhas de Urano, como
Afrodite. Nessa versão de Hesíodo, enquanto Afrodite nascera do sêmen de Urano
fertilizando o mar, as Erínias e outras deusas negras surgiram do sangue de
Urano, quando este tocou o mar. Essas irmãs as Erínias, possuíam como Afrodite
duas faces, eram também as Eumênides, "as benevolentes". Já falamos da ligação
de Afrodite com Hécate pelo cão, o que falta ainda sobre esse tópico é que a
chegada das Erínias, era sempre ouvida por um forte ladrado de cães, assim
Ésquilo nos afirmou. O nome Erínia em seu significado original é "espírito de
cólera e vingança" e em alguns autores são citadas como Erini, forma única
dessas divindades. Karl Kerényi nos afirma que Afrodite não
era apenas uma das Erínias, e sim Erini, a mais poderosa delas. Em um trecho da
tragédia 'Hipólito', do autor grego Eurípides, encontramos a seguinte narração:
"AFRODITE Tão grande e famoso é o meu nome entre os mortais como no céu: sou a
deusa Cípris. Mas hoje ainda, devido às faltas contra mim cometidas,
punirei Hipólito . De acordo com os meus desejos, Fedra, nobre esposa de seu
pai, ao vê-lo, no coração foi ferida por violento amor."
As Erínias eram os espíritos da vingança, e nessa obra antiga Afrodite surge
exatamente como vingadora. Hipólito, por despreza-la e adorar Ártemis, sofrerá
as conseqüências de não reconhecer em Afrodite as qualidades por ela possuídas.
Eis sem mascara a deusa do amor dos jovens apaixonados, quanta ternura!
Afrodite era conhecida por outros nomes, em sua maioria ligando-a à morte, e a
destruição. Devido à imensa maioria dos nomes e das faces negras de Afrodite,
vemos que era cultuada mais como uma deusa negra do que como deusa do tolo amor
cristianizado. Foi chamada de Afrodite Andrófono, "a matadora de homens (o mito
mais conhecida de uma vingança das Erínias fala sobre sua perseguição à Orestes)
Afrodite igualmente pune Hipólito. Afrodite Anósia, como "a pecadora", nome sob
o qual eram erigidos os raros templos de prostituição sagrada existente na
Grécia. Como Senhora da Morte era Timborico, "a cavadora de túmulos". Aspecto
sob o qual se fazem presentes suas qualidades pouco atraentes. Algumas histórias
contam sobre uma certa Afrodite Persefessa, o sobrenome deveras semelhante à
Perséfone, esposa de Hades e rainha do Tártaro, sela assim sua presença como
face negra do divino feminino grego. Como cavadora de túmulos Afrodite não é a
deusa celestial que tanto aspiramos adorar. É, ao
contrário a senhora negra, o útero que devassa a vida dos homens, ao mesmo
tempo que lhes levava prazeres, Afrodite destruía e matava. Fez Hipólito infeliz
por ousar desacredita-la e certamente não coroará de rosas certos atos e
praticas que tanto a banalizam, especialmente nos tempos atuais. Afrodite
mostra-nos claramente as diversas faces de uma divindade, como deusa mãe, é não
apenas o doce útero que dá à luz, mas as garras que a tiram.
Asgard.