contos sol e lua

contos sol e lua

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A MÚSICA DAS ESFERAS.

A MÚSICA DAS ESFERAS. Por Margarete Hülsendeger ⋅ O frio era intenso. A neve, que não parava de cair desde o dia anterior, acumulava-se pelas ruas. Dentro do quarto, no entanto, em uma pequena lareira, o fogo crepitava de forma reconfortante, diminuindo a sensação de frio. Na mesa velha e desconjuntada, um homem inclinava-se concentrado sobre diversos papéis. A barba por fazer e as profundas e cinzentas olheiras eram as marcas mais evidentes do seu cansaço. Contudo, apesar dos músculos doloridos, ele se negava a descansar. Distraído, pegou, de um prato colocado sobre a mesa, um pedaço de pão já meio duro. Sem interromper o que estava fazendo começou a mordiscá-lo – esse seria o seu café da manhã. O cosmos se mostrara de uma complexidade fantástica. Nem mesmo Copérnico poderia imaginar o quanto o conhecimento evoluiria após a sua morte. Descobertas impressionantes estavam, em sua opinião, conduzindo a humanidade para mais perto de Deus. Sendo um homem de fé, sentia-se na obrigação de buscar as respostas que melhor explicassem essa complexa organização do universo. Entretanto, as tabelas que ele mesmo elaborara, a partir de suas observações dos céus, não estavam, no momento, ajudando-o a compreender essa nova ordem cósmica. Algo não se encaixava. Sabia que alguma coisa estava faltando. Suas medições haviam comprovado que os planetas giravam a volta do Sol, com suas diferentes órbitas e tempos, em absoluta harmonia. Portanto, seus deslocamentos deviam seguir uma lei e ela, por sua vez, podia ser expressa por uma simples equação matemática. Tinha certeza que as respostas às suas dúvidas achavam-se bem diante de seus olhos. Era-lhe impossível acreditar que Deus – o Divino Geômetra –, em sua suprema sabedoria, construíra o Universo à sua imagem e semelhança para que seus mistérios permanecessem ocultos, longe da compreensão do homem. Empurrando para o lado todos aqueles papéis, debruçou-se sobre a mesa. Fechou os olhos. Se pudesse ver além de todos esses números. Se pudesse encontrar o caminho para compreender o que eles tentavam-lhe mostrar, quem sabe, a vontade de Deus não lhe fosse revelada. Suspirou. Em um crucifixo, na parede em frente à sua mesa, um Cristo de expressão triste e sofredora o encarava. Parecia sentir pena dele. O cansaço acabou vencendo-o e, sem querer, adormeceu. Viu-se caminhando por um velho cemitério. Tratava-se do cemitério onde sua mãe fora enterrada. Entretanto, ele sabia que não estava ali por causa dela. Procurava algo. Com ansiedade crescente ia percorrendo os túmulos, examinando as inscrições gravadas em cada lápide. Nomes, datas e epitáfios de todos os tipos sucediam-se um após o outro, aumentando ainda mais a sua angústia. Estava assim, procurando, quando ele o viu. Encontrava-se afastado dos demais túmulos. Mofo e ervas daninhas o cobriam quase que por completo. Seu aspecto era de total abandono. Aproximou-se bem devagar. Não tinha mais pressa. Quando estava diante dele, ajoelhou-se na terra e leu o que na lápide estava inscrito: Os céus medi, e agora meço as sombras. Meu espírito ao céu sempre esteve preso. E agora preso à terra jaz meu corpo*. E mais abaixo as iniciais J.K. Não ficou surpreso. Na verdade, em seu íntimo, sabia que era isso o que buscava, só não havia ainda tido coragem de reconhecer para si mesmo. Por essa razão, também não se surpreendeu quando, ao seu redor e por todo o espaço, passou a ouvir uma música que, por sua beleza, só podia ser de origem divina. Deixando-se embalar por ela, sentiu, talvez pela primeira vez, uma alegria e paz profundas. E, finalmente, estando tomado por essas emoções, foi capaz de ver. Encontravam-se todos lá – e mais outros que ele não reconheceu –, girando em harmonia em torno do Sol e, como sempre fora a sua convicção, obedecendo a leis que ele agora conseguiu compreender. Quando acordou, a neve havia parado de cair. Abrindo a janela viu que entre as nuvens cinzentas o Sol tentava aparecer. Com a música das esferas – assim resolveu chamá-la – ainda soando em seus ouvidos, entendeu que a morte não podia ser evitada. No entanto, agora compreendia que mesmo que o seu corpo viesse a pertencer à terra, os céus e todos os seus mistérios seriam para sempre o seu verdadeiro lar. * Epitáfio escrito por Johannes Kepler. Astrônomo alemão (1571-1630)

sábado, 4 de abril de 2015

Acima da Verdade.

Acima da verdade estão os deuses. A nossa ciência é uma falhada cópia Da certeza com que eles Sabem que há o Universo. Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses, Não pertence à ciência conhecê-los, Mas adorar devemos Seus vultos como às flores, Porque visíveis à nossa alta vista, São tão reais como reais as flores E no seu calmo Olimpo São outra Natureza. ricardo reis.

Aprender-a-ser.

A Provação do Peregrino. Todos vivemos várias provações ao longo da nossa existência terrena, períodos mais ou menos longos, em que somos assolados por diversas experiências bastante dolorosas; podemos citar a título de exemplo a perda de um ente querido, a falência de uma empresa, uma separação conjugal, algo intenso que provoca no indivíduo tristeza, instabilidade, insegurança, incerteza, lançando o ser numa crise profunda que atinge todas as áreas do seu ser, incluindo o seu lado espiritual. Os estudantes das várias correntes espirituais sabem que nada funciona por acaso e que tudo o que nos é dado viver tem um sentido oculto. Vários são os caminhos tomados face a estes períodos. Surge na maioria uma desorientação que, progressivamente, origina uma desconexão com o seu lado espiritual, até se perderem no nevoeiro e tempestades da vida. Podem deambular durante uma vida, desperdiçando oportunidades evolutivas, desmotivados, descrentes, longe do Sentido que inicialmente buscavam. Alguns costumam ficar obcecados com o passado longínquo e detêm-se em procurar ligações cármicas, buscando o fio antigo de sentidos; normalmente, tal é a obstinação por este trilho que rapidamente se perdem em mistificações ou deambulam em teias de fértil imaginação; outros refugiam-se numa atitude triste e submissa, aceitando o pesado destino com resignação. Entre o nevoeiro e a luz outros há que, após fases sucessivas de quedas e de recomeços, vão perdendo e reencontrando o caminho que procuravam, num balanço entre o afastamento e o retorno. Poucos são os que nunca perdem de vista o farol interior que os ilumina, ainda que se percam nos caminhos e atalhos da vida. Para todos a provação pode ser vista sob várias faces ou todas numa só: — funciona como uma prova às capacidades do peregrino, no fundo, um teste a aprendizagens anteriores; — necessidade de mudar de rumo, fazer novas escolhas difíceis, porém adequadas ao novo momento evolutivo; — necessidade de redefinir os sonhos, os objectivos de vida; novas aprendizagens estão na forja. Todos sentem que nesses momentos há determinadas aprendizagens – vontade, discernimento, pensamento positivo – que se afinam ou comportamentos que se adoptam, a disciplina, por exemplo; sentem também que há capacidades novas que emergem. Todas estas capacidades e atitudes podem tornar-se as nossas âncoras, mas só uma se afigura na provação como o nosso refúgio e salvação: a oração, esse fio de luz que nos liga à nossa Casa, nos devolve aos braços do Criador num breve alento para novas batalhas. Qualquer situação, por mais distorcida que se afigure, não tem mais força do que o poder de uma oração sincera e a nossa persistência nesse acto ajudará a ultrapassar qualquer provação, visível ou invisível, a seu tempo. Maria Coriel

À procura da felicidade.

Procustes: o ladrão de almas. Este mito conta a história dos caminhantes que viajavam para Atenas e eram atraídos por Procustes que lhes oferecia abrigo e comida. Uma vez deitados, Procustes amarrava-os e verificava se cabiam na cama, cortando-lhes as partes sobrantes, se fossem demasiado grandes, ou esticando-os dolorosamente, se fossem muito pequenos. Esta narrativa constitui uma metáfora de uma parte da nossa vida. Atenas simboliza o centro dos nossos objectivos, o sucesso a atingir, o êxito que delineámos. Mas nós não somos os únicos autores desta construção mental, do que idealizámos para nós. Os nossos pais começaram desde cedo, estabelecendo patamares que gostariam de ver realizados, depositando em nós muitas expectativas. No entanto, na maior parte das vezes, o seu sonho ainda menino não tem em conta a nossa singularidade, as nossas possibilidades e tendências, traços que a Astrologia ensina a identificar. O bebé que recebem é uma projecção do ser ideal, distante do ser real. Deste modo, Atenas é a metáfora de felicidade que varia consoante a cultura em que nascemos, o grupo social, a educação que recebemos, o sexo e a religião em que nos encontramos integrados. Atenas resulta, assim, de um triângulo nem sempre em equilíbrio: do meio envolvente, do que desejamos e do que os outros esperam de nós, aos níveis familiar, afectivo, profissional e social. Desde que nascemos que nos empurram para Atenas, ensinando-nos, moldando-nos, castigando-nos ou premiando-nos, durante as sucessivas etapas da infância e da juventude. Primeiro a família, depois a escola, o grupo de amigos, vamo-nos moldando, sempre em função de padrões comportamentais, em busca de sucesso, de reconhecimento, de aprovação, de afecto. Este processo de automutilação psíquica e de sacríficio desmedido acontece-nos amiúde e de forma inconsciente, muitas das vezes: quando a família nos crítica por determinadas atitudes ou devido a traços da nossa personalidade, quando o grupo nos rejeita por algum aspecto do nosso carácter, quando somos humilhados pela imagem física, quando sentimos que podemos ser abandonados por uma determinada atitude e tememos actuar, quando as memórias nos magoam e as amachucamos no fundo de nós, quando adoptamos posturas para não perdermos o emprego ou para subirmos na escala social. Desmembrando-nos ou esticando-nos, lá vamos a caminho de Atenas, aquela que projectámos, a terra prometida. O processo de moldagem – através do castigo, do prémio, da humilhação, do medo, da culpa, do julgamento social, da dor - de adaptação à cama de Procustes é dolorosa porque vamos abdicando de partes de nós, esquecendo outras, adormecidas e jogadas para o fundo do nosso íntimo, sacrificando-nos até não podermos mais. Aprendemos, ainda que distorcidamente, que devemos tudo isso para não sermos abandonados, rejeitados, humilhados, para não deixarmos escapar a felicidade, o sucesso profissional, o amor. Com o tempo, vamos perdendo a autenticidade, afastamo-nos da nossa natureza divina, amorosa e livre. Ficamos presos à cama de Procustes. Corremos sérios riscos de nos tornarmos inseguros, medrosos, ansiosos, amargos, intolerantes, perdendo pouco a pouco a autoestima. Vamo-nos isolando em terrenos íntimos, descrentes de que alguma vez atinjamos Atenas, mas, ainda assim, ela permanece como a terra prometida, até se tornar uma imagem distante, embaciada, difusa. Quando somos lançados em ciclos de crise profunda, somos convidados a descer ao mais íntimo de nós. Aí, olhamo-nos e vemo-nos a caminhar coxeando, porque mutilados; perdemos o equilíbrio, a segurança no andar. O sacrifício trouxe-nos um cansaço que secou a alma. Ao que sobrou de nós, juntam-se anos de medos, de culpas, de cansaços, de humilhações, de dor, de ressentimentos, de mágoas. Olhamos pedaços de nós que foram esquecidos, adiados, cortados e jogados fora. As crises podem ser processos de recuperação do nosso ser, de retorno à nossa autenticidade, de (re)decoberta da nossa natureza divina. Só nós podemos iniciar a mudança, só nós podemos resgatar-nos do processo de mutilação e de sacríficio desmesurado a que concordámos em nos submeter. Só nós podemos libertar-nos do que nos oprime e restringe. Só nós podemos sonhar Atenas, de novo, em função do que somos, do que queremos, do que valorizamos, do que é autêntico e verdadeiro para nós, do que amamos. Só nós podemos devolver a nós próprios a inteireza perdida. Maria Coriel

O tempo da Serpente.

Escolhemos habitar um tempo de transição para o qual julgamos não estar preparados. A mudança traz múltiplas transformações dentro e fora de nós que, pela sua rapidez, nos convocam a responder de forma igualmente rápida e decidida. No entanto, escolher num período caracterizado pela dispersão, pela mudança, pela incerteza, pelas dificuldades torna-se um desafio às nossas capacidades, ensonadas por alguns anos de facilitismo e alguma apatia. De todas as faculdades há uma que, neste tempo, precisamos de desenvolver: o poder de regeneração aos níveis interior e exterior. Somos, assim, semelhantes à serpente que despe a pele velha e cujo o próprio corpo tem a capacidade de se regenerar. Empurrados pelo instinto de sobrevivência, não podemos ser levados pela emoção numa corrente desabrida. É preciso parar, renascer, equilibrando o lado mental e afectivo, seguir uma orientação, ter um objectivo a cumprir de cada vez; saber também visualizar o resultado esperado. Para que aflore em nós o novo, há uma casca velha e pesada que precisamos de abandonar: a lamentação, a autocomiseração, a vitimização que faz de nós presas fáceis da indolência e da insegurança. No entanto, antes de renascer muitas questões necessitam de ser equacionadas: faremos nós aquilo de que realmente gostamos?Gostamos do que fazemos, mas necessitamos de renovar o modo como o fazemos? Deitamo-nos agradavelmente cansados ou frustrados por não termos feito aquilo de que gostaríamos? Gerimos bem o nosso tempo? Somos suficientemente disciplinados para cumprirmos o que estipulámos? Fomos generosos connosco e com os outros? Sentimo-nos conectados conscientemente com o nosso interior e com o divino? Estas e outras perguntas podem ser aclaradas durante o processo de regeneração que acontece muitas vezes durante a vida e se processa por ciclos mais ou menos lentos. Vagarosamente, umas vezes por nossa iniciativa, outras por imposição da vida, vamos abandonando as cascas grossas que pesam, magoam e atrasam o nosso processo evolutivo. Se escolhemos viver na transição entre dois tempos, devemos consciencializarmo-nos de que chegou o tempo de arrumar o quarto interior e de participar também na reorganização exterior em marcha, numa grande parte dos países. Chegámos ao final de uma estação; é tempo de colocar de lado o que nos faz dispender energia desnecessária, abandonar hábitos nocivos, deixar para trás padrões de pensamentos negativos, revitalizar a fé, reencontrar quem somos; observar se quem somos coincide ou não com quem nos tornámos. As fissuras que abundam no exterior quer sejam em forma de guerras, divisões entre famílias, atritos entre países, entre outros, espelham a divisão existente em cada um de nós. Renascer é um exercício semelhante ao arrumar o roupeiro em fim de estação; pomos de lado o que está desadequado ao tempo presente, usamos apenas o necessário e adequado ao novo tempo. É preciso ter coragem e sentido prático para deitar fora o que já não serve o nosso momento evolutivo. Do poder de regenerar não só faz parte aprender a reutilizar, reciclar mas também aprender a lidar com o corte, com as separações, com as fissuras. Regenerar é sinónimo de mudança, delineando com segurança o que já não queremos voltar a viver e a ser. Regenerar é sinónimo de transformação criativa; renascer deverá ser um acto con(sentido). Maria Coriel

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O SIGNIFICADO MÍSTICO DA PÁSCOA.

A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas possui um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel do Egito, no Cristianismo a Páscoa é a festa maior que celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Segundo Helena Blavatsky, “cada atitude do Jesus do Novo Testamento, cada palavra atribuída a Ele e cada evento relacionado a Ele estão baseados no Ciclo da Iniciação”. O Ciclo da Iniciação foi mencionado por Jesus como “o caminho estreito e apertado que só uns poucos encontram” (Mateus, 7:13-14).O caminho da Paixão, Morte e Ressurreição acontece no interior de todo Discípulo. Páscoa é a estação espiritual da purificação e da libertação. O Caminho Crístico da Iniciação foram representados no curso de vida do Cristo Jesus. O Caminho Iniciático dos Mistérios de Cristo é delineado durante a Páscoa. A Páscoa é o o único dia santo determinado pelas estrelas. Ela sempre cai no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia da primavera (no hemisfério norte), após o equinócio. A tradição esotérica conta-nos que somente os iniciados mais elevados eram capazes de participar dos Mistérios e das energias que ocorrem neste equinócio. Para a maioria das pessoas, incluindo os aprendizes dos Mistérios e os discípulos, as energias celestiais do equinócio eram festejadas por "reflexo" no dia da Lua Cheia. Vivemos novos tempos onde toda essas energias estão disponíveis para quem quiser recebê-las. A Páscoa é a época ideal para se entrar em contato com energias que transfiguram a nossa vida. É um período supervisionado pelo Arcanjo Raphael, o guardião do Santo Graal. Nesta época do ano, é missão de Raphael ajudar a aguçar nossos sentidos para que a alma possa realmente ver e conhecer o que no seu caminho ainda é preciso ser feito. A Páscoa é uma celebração que pode nos ajudar na nossa espiral sempre ascendente. É um tempo de grande celebração angélica, um tempo em que podemos nos ligar mais plenamente com os mensageiros angélicos para ressuscitar nossa vida. Nessa época há um chamado para que os Mestres encarnados despertem para suas tarefas e propósitos. É um tempo em que a energia da música e das fores pode ser descoberta pelas pessoas que são sensíveis a ela. É uma época para grande celebração e não de lamentações! SEMANA SANTA Quarta-feira Este é o dia da traição e da autodestruição de Judas. As meditações giram em torno da morte dos desejos inferiores e da purificação do caminho para alcançar maior Luz. Quinta-feira Última Ceia Este dia envolve o Mistério da Eucaristia - o mais elevado ensinamento sobre o processo alquímico. É tempo de meditar sobre a transmutação da matéria para expressá-la de forma mais elevada. Jardim do Getsemani "Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentái-vos aqui, enquanto vou além orar... E, indo um pouco mais para adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice"(Mateus 26:36-39) Momento de completa rendição a Vontade de Deus que podemos experimentar se entrarmos profundamente neste Mistério por meio da oração, a vigília e da meditação. Sexta feira - Crucificação O tempo que representa o último estágio da iniciação. Aqui aprendemos a carregar a nossa cruz, pois somos responsáveis pela nossa vida. Renunciamos ao inferior em favor do superior. O exercício recomendado é o silêncio, o jejum e a oração. Sábado Nos sistemas mais tradicionais de mistério, este foi o dia destinado ao Batismo, um ato que liberou e iluminou a estrutura energética das pessoas que levaram a visão consciente plena para os planos espirituais interiores da Natureza. Os véus entre a vida e a morte, entre o plano físico e o espiritual foram rompidos para sempre. Domingo Das trevas para a Luz A cerimônia mais exaltada é um tempo de celebração angélica dedicada aquele que se elevou acima do eu inferior e deu plena expressão à verdadeira energia de Cristo. É tempo de comunhão plena e verdadeira com a Hierarquia Angélica. FELIZ PÁSCOA!!!! Helena Gerenstadt.

sábado, 7 de março de 2015

O Templo do Futuro.

Eliphas Levi. 1. O Futuro. Os animais continuarão a se devorar mutuamente até o final. Só o homem é imortal. E quando houver na humanidade mais seres humanos que animais, começará a associação dos homens livres. E Deus bendirá o seu povo e lhe dirá: Cresça e se multiplique. Mas antes desta época, os formigueiros do norte devem renovar a terra uma segunda vez; porque a forma da nossa sociedade já está ultrapassada, e sua alma deve passar a povos novos. Então tudo se constituirá segundo a lei da unidade. Foi dito aos pobres: “Destruam os ricos”. E aos escravos: “Degolem os tiranos, porque os ricos e os tiranos devem perecer”. Mas os que roubam os ricos se tornam ricos por sua vez. Os escravos se tornam tiranos, e encontram a sua punição na sua vitória. O espírito da liberdade salva os homens que têm inteligência e amor ao sacrificá-los, e prepara uma armadilha para os homens egoístas, dedicados à rapina. Ladrões contra ladrões, assassinos contra assassinos; que eles ataquem uns aos outros, que batam, que degolem-se e se destrocem uns aos outros. Os seres humanos do futuro estão no campo de batalha como os soldados de Gideão [3]; eles destroem suas vidas como cântaros de barro, e erguem em suas mãos tochas acesas, e fazem soar as trombetas. Eles não usarão a espada. A sua palavra será suficiente, e os [inimigos] midianitas matarão uns aos outros. Anjos da guerra e da morte, voem sobre os terrenos tomados pelo fogo e anunciem à terra a queda da grande Babilônia! Aqui está a solução do problema dos nomes, e a demonstração eterna da unidade. Um povo, um Deus, uma Lei, um rei. E Deus será o povo, e a Lei será Deus, e o rei será a lei. A justiça e a paz reinarão entre todos; e ambas terão por intérprete, ajudado por um conselho de sábios, um servidor do povo, guardião dos tesouros do Estado. Os tesouros do Estado serão a sabedoria e o amor. O ouro será usado apenas para fazer estátuas em homenagem aos grandes homens. O rei será um homem condenado a sofrer, que se sacrificará por todos. Ele desejará ser libertado deste peso, e não terá outra ambição além do amor dos seres humanos. A palavra do rei será a palavra da lei; e ela será justa como a balança, e cortante como a espada. Porque o rei será o representante do povo, e só povo será o monarca e o supremo pontífice. O homem viverá e reinará imortal; e este será o homem-deus, o povo-Cristo, o Verbo encarnado. E o Cristo, transformado em povo, colocará o mundo nas mãos do seu pai, e sentará à direita de Deus. E o seu reino não terá fim. Amém. 2. O Templo. Quando o espírito for revelado, toda a trindade se revelará em sua glória. A humanidade terá a graça da infância, o vigor da juventude e a sabedoria da idade madura. Todas as formas que revestiram sucessivamente o pensamento divino renascerão perfeitas e imortais. Todos os esboços produzidos pela arte das nações ao longo do tempo se reunirão e formarão a imagem completa de Deus. Jerusalém reconstruirá o templo de Jeová seguindo o modelo profetizado por Ezequiel; e o Cristo, novo e eterno Salomão, nele cantará - entre paredes de cedro e cipreste - as suas núpcias com a esposa do cântico. Mas Jeová terá deixado a um lado o seu raio, para bendizer com as duas mãos o noivo e a noiva; ele aparecerá sorridente entre os dois esposos, e estará feliz por ser chamado de pai. No entanto a poesia do Oriente, com suas lembranças mágicas, o chamará ainda de Brahma e de Júpiter. A Índia ensinará em nossos climas encantados as fábulas maravilhosas de Vishnu, e nos mostrará, diante do rosto ainda ensangüentado de nosso amado Cristo, a tríplice coroa de pérolas da Trimurti [4] mística. Vênus, purificada, sob o véu de Maria, já não chorará por Adônis; o Esposo ressuscitou para não mais morrer, e o javali infernal [5] encontrou a morte em sua vitória passageira. Reergam-se, templos de Delfos e de Éfeso; o Deus da luz e das artes tornou-se o Deus do mundo, e o Verbo de Deus bem pode ser chamado pelo nome de Apolo! Diana [a lua ] já não reinará como viúva nos campos solitários da noite. A sua crescente prateada está agora aos pés do seu esposo. Mas Diana não é vencida por Vênus. Seu Endimião acaba de se despertar, e a virgindade se orgulha porque em breve será mãe. Sai da tua tumba, ó Fídias, e reconcilia-te com a destruição de teu Júpiter [6]; é agora que tu terás, como filho, um Deus. Ó Roma! Que os teus templos se ergam ao lado de tuas basílicas; que sejas ainda a rainha do mundo e o panteão das nações; que Virgílio seja coroado no Capitólio pela mão de São Pedro, e que o Olimpo e o Carmelo unam as suas divindades sob o pincel da Rafael. Transfigurem-se, antigas catedrais de nossos pais; lancem, até as nuvens, suas flechas buriladas e vivas, que a pedra revela em figuras animadas; as sombrias lendas do Norte tornaram-se alegres graças aos apólogos dourados e maravilhosos do Alcorão. Que o Oriente adore Jesus Cristo em suas mesquitas, e que, sob os minaretes de uma nova Santa Sofia, a cruz se eleve em meio à crescente! [7] Que Maomé liberte a mulher, para dar ao verdadeiro crente a mulher ideal com que ele tanto sonha; e que Cristo se liberte de sua longa solidão entre os anjos de Maomé. Toda a terra, revestida dos ornamentos que as diversas artes produziram, será um templo magnífico, do qual o ser humano será o eterno sacerdote. Tudo aquilo que foi verdadeiro, tudo aquilo que foi belo, tudo aquilo que foi agradável, nos séculos anteriores, reviverá gloriosamente nesta transfiguração do mundo. E a forma será inseparável da ideia, assim como o corpo será, um dia, inseparável da alma. Quando a alma tiver desenvolvido todo o seu poder, ela fará um corpo à sua imagem. [8] Este será o reino do céu sobre a terra; e os corpos serão os templos das almas, assim como o universo, regenerado, será o templo de Deus. E os corpos e as almas, e a forma e o pensamento, e o universo inteiro, serão Deus. Amém, amém, amém.