contos sol e lua
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
A Libertação Suprema.
Um degrau acima da libertação final situa-se a libertação suprema que significa o retorno até o nível Divino.
Tudo quanto existe passível de ser detectado são meras criações mentais, isso é o que está explícito no Primeiro Principio Hermético.
Deus existe como Consciência e se manifesta como Mente. O Mundo Imanente pode ser considerado como uma criação daquilo que usam chamar de Mente Cósmica. Nos temas precedentes tentamos mostrar como o ser pode se libertar dessa condição limitante e voltar à natureza de Ser. Se o universo é uma creação mental, então qualquer coisa, ou componentes dele, pode ser “criado” e vivenciado.
Em temas anteriores usamos uma metáfora para facilitar o entendimento sobre a natureza holográfica do mundo, consistindo de uma sala de cinema. Nela aquilo que está sendo projetado não é a realidade, mas a pessoa só se dá conta disso porque registros de memória são evocados. Sem memória a pessoa não tem como saber se uma cena é uma realidade ou uma ilusão. Para afirmar ser uma ilusão é preciso que ela evoque conhecimentos, que são lembranças – memória – para poder avaliar a realidade das cenas. Sem memória a pessoa nem sequer saberia que existem ilusões, pois em tal condição tudo o que ela percebe não tem como saber se tratar de uma ilusão. Diante de uma percepção a única coisa que permite a pessoa saber se tratar de uma ilusão ou realidade é a analise mental daquilo que é observado. Sem memória não há referencial para se avaliar a natureza da realidade de algo.
A pessoa que tem conhecimento das implicações do Primeiro Princípio sabe que a realidade é algo que pode ser gerado. O mundo é aquilo que se percebe e se entende, por isso mudando o foco de percepção a realidade muda também. Quando o ser entende isso ele está a um passo de poder gerar sua própria realidade, qualquer que seja ela, qualquer uma que bem desejar, bastando ter suficiente capacidade de concentração mental e especialmente de energia. Por exemplo, diante de uma situação desprazerosa ela pode simplesmente desligar aquele mundo, aquela cena, e sintonizar outra que lhe seja prazerosa. Desativar o projetor daquela cena e ativar o de outra. Para isso é bastante que ele tenha suficiente domínio da arte de concentração mental, de visualização e especialmente disponha de um elevado gradiente de energia.
O “volume” de energia requerido para a efetivação de acentuada mudança de realidade é muito grande. Mudar apenas algumas características de um determinado mundo é exeqüível a muitas pessoas, mas mudar a totalidade dele é algo que requer um limiar energético inconcebivelmente elevado, e incomparavelmente maior é preciso para anular e libertar o ser da condição de imanência. Isso é a meta final e suprema de todo ser, é à volta à condição de Ser.
Mesmo que ainda não seja capaz de mudar um mundo em totalidade ainda assim uma pessoa pode afastar de si tudo aquilo que por algum motivo não lhe convier. Quando esse limiar é atingido então se trata de um ser liberto, liberto porque nada mais o pode atingir, não pode mais ser vítima de qualquer ilusão ou vicissitude. A pessoa comum é atingida porque não sabe, e nem pode ainda, fugir de uma vicissitude, ele vive preso por grilhões, vezes tremendamente poderosos, mas muitas outras por elos simples, mas o prende inexoravelmente por não saber como eliminá-lo por falta de conhecimento – cientificação –, ou de energia.
A possibilidade absoluta de mudar realidades só é dada ao Ser, o ser, contudo, pode fazer mudanças o suficiente para se posicionar fora de qualquer problema, ele não sofre, está liberto de reencarnações, pode vivenciar somente condições prazerosas. Na linguagem das religiões pode-se dizer que em tal nível o ser “vive no céu”, embora ainda não haja atingido a União definitiva, ou seja Vicência sua condição de Deus. Pode transformar as condições infernais em celestiais. Por isso se diz que a libertação é um estado celestial e viver no mundo imanente é um estado infernal.
Pensem num ser capaz de mudar as “realidades” a seu bel-prazer. Para ele não existe impossibilidades, não existe dor, sofrimento, coisa alguma a não ser aquilo que ele queira. Nessa condição ele pode ser considerado um verdadeiro Creador, o próprio Deus. “E vós sois Deus” – disse Jesus.
Não é fácil a pessoa acreditar no que afirmamos nos três derradeiros temas, mas a essa conclusão que se chega se examinando o Unismo; não tem outra forma. Se tudo é Um então o caminho é um só. No Unismo não cabe a existência de seres independentemente da do Ser único.
Acima do nível dos seres libertos resta o Absoluto – Inefável – o Nada, o repouso eterno, um nível sem espaço, sem tempo, sem divisibilidade, sem movimento, sem qualquer possibilidade de percepção. É um nível em que não há dependência alguma, nem mesmo de qualquer lei, desde que as leis são criadas por ele.
Trata-e da libertação suprema, daquilo que chamam de volta à unicidade.
Para um Ser liberto não existe limite, qualquer limite é ditado pelo seu querer, isso acontece em decorrência dele poder mudar qualquer realidade que se lhe apresente. O ser liberto pode mudar todas as possibilidades, e se hipoteticamente ele mudar tudo quanto há então para ele não existe o mundo imanente, pois esse pode ser transformado. Ao nível da Unicidade não existe descontinuidades, tudo é homogêneo.
O Poder de criar as próprias realidades depende do poder pessoal, ou seja, da energia que o ser seja capaz de mobilizar. Para se salvar das injunções ele precisa crear, mas só o faz se tiver energia, portanto temos que admitir que energia seja a única fonte de salvação, de libertação. Como no mundo imanente tudo se manifesta em polaridades, então podemos dizer que a recíproca é verdadeira, a energia também é a fonte de todo o mal.José Laércio do Egito - F.R.C.
domingo, 30 de setembro de 2012
Esta Não É Uma Canção de Amor.Bon Jovi.
Eu deveria ter notado quando as rosas morreram
Deveria ter visto o fim do verão em seus olhos
Eu deveria ter ouvido quando você disse "boa noite"
Você quis dizer "adeus"
Baby, não é engraçado como nunca se aprende a cair
Você está de joelhos quando pensa que está de pé
Mas somente os bobos são os sabe-tudo e eu fui esse bobo para você
Eu chorei e chorei todas as noites
Até que eu morri por você baby
Eu tentei e tentei negar que seu amor me deixou louco baby
Se o amor que eu tinha por você se foi
Se o rio que eu chorei não foi suficiente
Então eu errei, sim eu errei
Esta não é uma canção de amor
Baby, eu pensei que você e eu poderíamos
Passar pelo teste do tempo
Como se tivéssemos escapado com o crime perfeito
Mas nós fomos apenas uma lenda em minha mente
Acho que eu estava cego
Lembra daquelas noites dançando no baile a fantasia
Os palhaços usavam sorrisos que não iam desaparecer
Você e eu eramos renegados algumas coisas nunca mudam
Isso me deixou tão louco pois eu queria tanto isso para nós baby
E agora isso é tão doloroso que o que quer que nós tínhamos
Não vale a pena ser salvo oh oh oh
Se o amor que eu tinha por você se foi
Se o rio que eu chorei não foi suficiente
Então eu errei, sim eu errei
Esta não é uma canção de amor
Se a dor que estou sentindo tão forte
É a razão pela qual estou aguentando
Então eu errei, sim eu errei
Esta não é uma canção de amor
Eu chorei e chorei todas as noites
Lá eu morri por você baby
Eu tentei e tentei negar que
Seu amor me deixou louco, baby
Se o amor que eu tinha por você se foi
Se o rio que eu chorei não foi suficiente
Então eu errei, sim eu errei
Esta não é uma canção de amor
Se a dor que estou sentindo tão forte
É a razão pela qual estou aguentando
Então eu errei, sim eu errei
Esta não é uma canção de amor
Então eu errei, sim eu errei
Esta não é uma canção de amor
oh oh oh no no
com essa música faço uma himenagem,a um grande amigo.Laércio Odair Garcia.
Orinal em Italiano.
Amor, te ne vai,
è tanto triste e tu lo sai.
Che giorni inutili vivrò pensando a te,
darei la vita per averti sempre qui vicino a me.
Come una voce che ormai conosco già,
questo Silenzio di te mi parlerà.
Nulla potrebbe cambiar
anche se devo aspettar.
Amor, te ne vai,
ma tornerai ancor.
Buona notte amore,
ti rivedrò nei miei sogni.
Buona notte,
buona notte a te che sei lontano.
Come una voce che ormai conosco già,
questo silenzio di te mi parlerà.
Amor, te ne vai,
ma tornerai ancor.
Tradução.
Amor, estás indo embora,
é tanto triste e tu o sabes.
Que dias inúteis viverei pensando em ti,
daria a vida por ter-te sempre aqui perto de mim.
Como uma voz que agora conheço já,
este Silencio de ti me falará.
Nada poderia mudar
também se devo esperar.
Amor, estás indo embora,
mas voltarás ainda.
Boa noite amor,
te reverei nos meus sonhos.
Boa noite,
boa noite a ti que estás distante.
Como uma voz que agora conheço já,
este Silencio de ti me falará.
Amor, estás indo embora,
mas voltarás ainda.
Á você Geovane B.Montagna.
Mano, hoje acordei com uma imensa saudade de você...
Sinto demais sua falta, pois nas horas em que mais precisei,
sempre contei contigo, pois você nunca falhou, chorou e sorriu
comigo.
Você é a metade da minha lágrima e um pedaço do meu sorriso.
Com você aprendi a dar valor as coisas mais simples da vida,
aprendi também que as pessoas com quem
você mais se importa são tomadas de você muito depressa e por
isso devemos deixar sempre aqueles que amamos com palavras
amorosas, pois pode ser a última vez que vejamos.
Hoje mais do que nunca, me sinto cercada por anjos, mas você é
especial...
Não possui asas, mas possui alma com sentimentos...
E nos momentos em que mais preciso de alguém , posso
sentir através do meu coração você aqui do meu lado, segurando
minha mão!
Mano,obrigada pelo carinho,por tudo que fizestes por mim.Descanse em paz....
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A Sombra do Vento.Carlos Ruiz Zafón.
A Sombra do Vento é uma narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo. Ambientado na Barcelona franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, o romance de Zafón é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. Além de ser uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros, é um verdadeiro triunfo da arte de contar histórias.
Tudo começa em Barcelona, em 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: em uma madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar no coração do centro histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento, do também barcelonês Julián Carax.
O livro desperta no jovem e sensível Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e sua obra, que ele descobre ser vasta. Obcecado, Daniel começa então uma busca pelos outros livros de Carax e, para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que o autor já escreveu. Na verdade, o exemplar que Daniel tem em mãos pode ser o último existente. E ele logo irá entender que, se não descobrir a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino terrível.
Em sua busca de início aparentemente inocente, Daniel acaba adentrando os mistérios e segredos mais obscuros de Barcelona, e conhece uma galeria de personagens que vão ajudá-lo a resolver o mistério de Carax. Dom Gustavo Barceló, célebre livreiro barcelonês, seriamente interessado em comprar o exemplar de A Sombra do Vento que Daniel lhe mostra; sua linda sobrinha cega, Clara Barceló, que revela a Daniel os primeiros elementos do mistério que cerca Carax e sua obra e por quem o menino se apaixona perdidamente; Fermín Romero de Torres, mendigo de passado glorioso e aguçado senso de humor que se tornará o maior aliado de Daniel na busca da verdade; Nuria Monfort, mulher triste que guarda em seu apartamento escuro um grande e doloroso segredo; e Javier Fumero, o cruel policial que também parece dedicar a vida a perseguir o fantasma de Julián Carax.
À medida que vai descobrindo mais sobre a vida de Carax, Daniel entende que o mistério de sua obra está de alguma forma relacionado à história de amor entre dois jovens do início do século: o próprio Carax, filho de um modesto chapeleiro, e Penélope Aldaya, filha de uma família da alta sociedade de Barcelona. E enquanto a cidade e seus personagens vão aos poucos lhe revelando os segredos e as conseqüências dessa história de amor do passado, o próprio Daniel também descobre o verdadeiro amor nos braços de Bea, irmã mais velha de seu melhor amigo Tomás Aguilar.
A Sombra do Vento usa o cenário grandioso de Barcelona, com suas largas avenidas, seus casarões abandonados, sua atmosfera gótica e espectral, para ambientar um romance arrebatador que é também uma reflexão sobre o poder da cultura e a tragédia do esquecimento. A busca de Daniel marca sua transformação de menino em homem, e desperta no leitor um fascínio renovado pelos livros e pelo poder que eles podem exercer. Ao ler A Sombra do Vento, o desejo que se tem é de, assim como o menino Daniel, abrir as portas do Cemitério dos Livros Esquecidos e descobrir em seus infindáveis corredores o livro que mudará nossas vidas.
Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona, em 1964. Em 1993, ganhou o prêmio Ebedé de literatura com seu primeiro romance, O Príncipe da Névoa, que vendeu mais de 150.000 exemplares na Espanha e foi traduzido em vários idiomas. Desde então, publicou quatro romances e transformou-se em uma das maiores revelações literárias dos últimos tempos com A Sombra do Vento, finalista dos prêmios literários espanhóis Fernando Lara 2001 e Llibreter 2002. O autor vive há sete anos em Los Angeles, onde escreve roteiros para o cinema e trabalha em um novo romance. Zafón colabora também nos jornais espanhóis La Vanguardia e El País.
Desde muito jovem, Zafón já tinha o dom de inventar histórias e era conhecido por assustar os colegas de colégio com seus relatos tenebrosos. "Sempre fui fascinado pelo mundo dos robôs, das aparições, dos fantasmas, dos palacetes modernistas, dos túneis. Na minha literatura, gosto de explicar histórias a partir de imagens, e misturo relato de intrigas, relato de aventuras, romance gótico e romance histórico não-realista. Acho tedioso dizer: ‘Fulano está triste.’ O que quero é fazer o leitor sentir a tristeza. Tecnicamente é mais complicado, mas dramaticamente tem mais força e é um desafio", diz o autor.
Ao mudar-se para os Estados Unidos, Zafón ficou chocado com "os enormes hangares cheios de livros antigos, verdadeiros tesouros, que estão virando supermercados e McDonald’s". "Noto uma destruição da memória e toda uma indústria da falsificação da história para justificar o presente", afirma ele. Essa preocupação do autor permeia a narrativa de A Sombra do Vento, ambientado em uma Barcelona ainda não atingida pela sociedade de consumo. Zafón justifica a ambientação de seu romance em meados do século "por se tratar de um momento histórico fascinante onde a cultura da banalidade ainda não estava tão desenvolvida, e onde os ideais ainda eram importantes".
Medicina dos Animais.Corvo.Jamie Sams.
O corvo sempre foi o portador da magia. Este seu papel foi reconhecido nas mais diversas culturas, ao longo dos tempos, em todo o planeta. É considerado sagrado honrar o Corvo como sendo portador da magia. Se esta magia for ruim, ela inspirará muito mais medo do que respeito. Aqueles que trabalham com a magia de forma errada têm razões para temer o Corvo, pois isto é sinal de que estão se imiscuindo em áreas que não dominam, e os feitiços que estão fazendo certamente acabarão retornando contra eles. Em vez de deplorar o lado negro da magia, conscientize-se de que você só irá temer o Corvo quando necessitar aprender algo sobre os seus temores secretos ou sobre os demônios criados por sua própria imaginação.
A magia do corvo é poderosa e pode lhe infundir a coragem necessária para penetrar nas trevas do vazio no qual residem todos os seres que ainda não tem forma definida. O Vazio é denominado “Grande Mistério”. O Grande Mistério já existia antes que todas as coisas viessem a existir. O Grande Espírito é oriundo do Grande Mistério e vive no Vazio. O Corvo é o mensageiro do Vazio.
O Corvo é prenúncio de mudança de consciência, que pode, inclusive, significar uma viagem pelo Grande Mistério ou por alguma senda situada à margem do tempo. A cor do Corvo é a cor do Vazio - o buraco negro do espaço sideral que congrega todas as energias criadoras. Significa que você conquistou por seus próprios méritos o direito de vislumbrar um pouco mais da magia da vida.
Na cultura dos índios norte-americanos, a cor preta tem diversos significados, mas não simboliza o mal. O preto pode simbolizar, por exemplo, a busca de respostas, o Vazio, ou o caminho para as dimensões suprafísicas.
O Corvo é o mensageiro da magia cerimonial e um curador que opera à distância e que está sempre presente em qualquer Roda de Cura. É ele que conduz o fluxo de energia de uma cerimônia mágica, guiando-a até o seu objetivo final. Seu papel é o de interligar as mentes dos praticantes do ritual com as mentes daqueles que estão necessitando daquele trabalho.
A magia do Corvo não pode ser interpretada de forma racional porque é a magia do desconhecido em ação, preparando a chegada de algum acontecimento muito especial. O Corvo é o protetor dos sinais de fumaça e das mensagens espirituais representadas por ele.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
A vida após a morte e suas distintas interpretações.
Se a vida depois da morte existe ou não ninguém poderá emitir atestado de garantia. Mas o que com certeza se conhece muito bem é o avassalador interesse do público pelo tema.
Em meio a tantas incertezas - de terremotos e tsunamis a doenças de cura desconhecida, mesmo com tanta oferta de tecnologia -, a continuidade da vida em planos superiores soa como o refrigério de que necessitamos para nos mantermos em pé. "Essa certeza é um consolo incrível. Apegados a ela, não precisamos depositar todas as esperanças apenas na vida física", diz Geraldo Campetti, diretor da Federação Espírita Brasileira.
Por outro lado, a imortalidade do espírito nos responsabiliza pelos sentimentos, pensamentos e ações praticados aqui, no plano terrestre. Carregaremos para a vida depois da morte os créditos e os débitos angariados no dia a dia. "Se acredito que a morte é passagem, transformação, eu vivo a vida de forma mais consciente e coerente", afirma Geraldo. Assim, não corremos o risco de ser abatidos pela desmotivação, manifesta em questionamentos como estes: "Para que me esforçar para ser um ser humano melhor, se tudo vai acabar um dia?", "Se existe um Deus justo, por que pessoas inocentes são alvo de tantas calamidades?".
Confira então de que maneira cada religião compreende o que nos espera além desta vida!
Espiritismo.
"De acordo com a doutrina espírita, o espírito - a essência do ser - continua vivo depois da morte, que só atinge o corpo. O que encontramos do outro lado reflete o que realizamos na Terra. É uma consequência justa, baseada no merecimento. Desencarnação é o processo de libertação do espírito. No entanto, este pode ficar apegado a dores, paixões, vícios, materialismo, preocupações. O desligamento do plano material consome dias, meses ou até anos. Há, inclusive, aqueles que não sabem que desencarnaram. Por isso, é importante termos em vida a compreensão de que haverá continuidade e de que não faremos a travessia sozinhos. O espírito é acompanhado por amigos espirituais e familiares. Pela sintonia que estabelece por meio de pensamentos e sentimentos, será atraído para comunidades de luz ou para o umbral, espécie de purgatório temporário, onde terá a chance de aprender e se elevar. Quando estiver preparado, o espírito retornará ao plano físico num novo corpo para quitar dívidas e adquirir créditos. Alguns chegam devendo e voltam ainda mais endividados por causa de orgulho, desequilíbrios e faltas graves. Reencarnamos quantas vezes forem necessárias. Seres de luz podem ascender ao mundo superior e não mais voltar à Terra."
Geraldo Campetti, diretor da Federação Espírita Brasileira (FEB)
Budismo.
"Vida e morte são uma unidade, não se separam. Tudo, a cada instante, está nascendo e morrendo e logo não há nascimento a ser desejado nem morte a ser rejeitada. Dentro do quadro imenso do universo, os seres estão em movimento e cada um carrega uma personalidade perecível. O budismo nega o eu eterno. Os seres morrem e renascem abandonando a ideia do que foram. Buda dizia que o corpo morto é uma carroça quebrada e não se deve arrastar uma carroça quebrada, ou seja, devemos nos desapegar dessa forma. O budismo japonês não nega nem afirma categoricamente esse processo. A vertente tibetana aceita a volta do espírito em outras vidas. Para os discípulos dessa corrente, depois da morte do corpo físico a consciência cumpre 49 etapas em 49 dias, a fim de se reorganizar. Depois, há o renascimento em algum nível de realidade, seja humano, animal ou inanimado, determinado pelo carma vivido. Se fatos e circunstâncias influenciaram a vida da pessoa, depois da morte continuam a produzir efeitos e consequências na trajetória dela. Os budistas criam alegorias para entender o que acontece depois desse plano - cada um terá sua própria experiência. Portanto, cabe aqui uma única recomendação: faça o bem a todos os seres. Afinal, não há criaturas piores ou melhores. Todos somos interligados, cada espécie com sua função e necessidade no mundo."
Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen Budista, em São Paulo.
Hinduísmo.
"Na Índia, quando uma pessoa morre, seu corpo é levado pelos parentes para o Rio Ganges. Lá ocorre a cremação, num ritual repleto de detalhes. Para os indianos, a pessoa não é o corpo, mas a alma, que parte para outra dimensão. Por isso, cantam e festejam. Dependendo do mérito conquistado em vida, o espírito passará um período no loka - uma espécie de céu. Esgotadas as credenciais, tem de retornar à instância física. No trajeto, assimila o que necessita vivenciar na próxima estada - o espírito percorre as dimensões mentais e emocionais e vai conhecendo os desafios que terá de enfrentar na vida nova. Nasce, portanto, imbuído da missão que vem cumprir na encarnação atual, resgatando uma parcela dos erros cometidos no decorrer das vidas anteriores. E regressa para as famílias alinhadas a seu mérito (ou demérito) espiritual, mental e emocional. Almas evoluídas nascem na mais alta casta, a dos brâmanes, representada por sacerdotes e filósofos. O grupo logo abaixo cai na casta dos xátrias, composta de guerreiros e políticos. As almas menos nobres vão para a casta dos comerciantes, os vaishas, e, por último, para a casta dos trabalhadores, os shudras. Quando a alma atinge um patamar espiritual elevado e consegue finalmente se desapegar do mundo material, mental e emocional, passa a ter um entendimento perfeito das coisas, sem ilusões. Aí não precisa mais encarnar. A grande maioria dos indianos aceita essa sina plenamente. Entende que está onde está por mérito e, se ascender, passando por todas as instâncias no decorrer de sucessivas encarnações, haverá uma grande ordem social. Do contrário, imperará a desordem."
Luís Malta Louceiro, filósofo e especialista em cultura indiana.
Judaísmo.
"O judaísmo prega que todos os mortos serão ressuscitados na Era Messiânica (quando o Messias chegar à Terra). Mas a ideia da reencarnação também está presente nos livros judaicos, embora os rabinos falem muito pouco sobre ela. Para a cabala - conjunto de princípios espirituais anterior às grandes religiões monoteístas -, a alma é imortal. Antes de nascer, assinamos uma espécie de contrato por meio do qual nos comprometemos a enfrentar determinadas situações desafiadoras que podem trazer tristezas e dificuldades, provações que contribuem para nosso aperfeiçoamento. Quando morremos, revisamos o que fizemos ou não na Terra antes de estar aptos a retornar. Há três níveis de alma que vão pouco a pouco se alojando no corpo. O mais "baixo", chamado nefesh, entra primeiro; o intermediário, ruach, aos 12 ou 13 anos; e o mais elevado, neshama, aos 20 anos. Quando a pessoa morre, a neshama leva uma semana para partir - por isso, nesse período, os espelhos da casa são cobertos. Assim, a alma, ainda confusa em relação a seu estado, não corre o risco de levar um choque ao visitar o local. O segundo nível demora até 30 dias para desabitar o corpo. E o mais baixo até um ano. Enquanto a alma ou partes dela estiverem ligadas ao corpo, não estará pronta para reencarnar, o que pode lhe causar sofrimento. A consciência da pessoa em vida determina seu entendimento na hora da morte. De toda forma, para proteger o ente querido e ajudar a alma a se elevar, demonstrando amor por quem partiu, os familiares entoam uma prece em sua memória, chamada kadish."
Yonatan Shani, diretor do Kabbalah Centre do Brasil
Candomblé.
"O candomblé compreende diversas vertentes. Respondo pelo candomblé contemporâneo, que agrega conceitos de filosofia, psicologia e tradições orientais. Sob tal perspectiva, se o indivíduo leva uma vida imbuída de verdade, o pós-morte será uma extensão de suas ações, portanto, uma passagem confortável, sem julgamentos. Tal passagem pode ser facilitada também pela influência dos orixás - entidades que representam o vento, o mar, a mata e assim por diante - e que lhe servem de guias espirituais. Acreditamos no processo evolutivo da reencarnação e na existência de reinos espirituais, para onde se encaminham os mortos, dedicados a cada tradição religiosa. Essas comunidades interagem, não há fronteiras entre elas. Depois da morte, o tempo é relativo e o espírito pode ser resgatado ou não - tudo dependerá de como usou o livre-arbítrio. Quem realiza esse resgate nas comunidades espirituais são os espíritos de luz, como os velhos, os caboclos, os índios, as pombagiras, que recebem quem chega e também transmitem ensinamentos com vistas à evolução. Depois de sucessivas reencarnações, o espírito pode optar por servir aos homens encarnados como um ser de luz e não mais retornar à Terra. Ainda assim segue trabalhando pelo próprio aprimoramento."
Babalorixá Kabila Aruanda, de São Paulo.
Islamismo
"Os muçulmanos acreditam que todos nascem puros e inocentes, com uma beleza inata e a capacidade de progredir e adquirir conhecimento. No entanto, possuímos o livre-arbítrio. Ao mesmo tempo em que temos uma tendência natural para o bem, somos livres e capazes de crueldade e injustiça. Sendo assim, quem professa a fé islâmica será responsabilizado por todos os seus pensamentos e ações no Dia do Juízo, quando o mundo será enrolado como um pergaminho e todos serão julgados por Deus. Aqueles que apresentarem bons atos serão recompensados com o paraíso, os outros irão para o inferno - conceitos puramente metafóricos. A verdadeira natureza do céu e do inferno só é conhecida por Deus. A crença no Dia do Juízo significa que a morte não é o fim da vida, mas um portal para a vida eterna. Portanto, os muçulmanos percebem o tempo como sendo contínuo, desse mundo para o próximo; e o tempo passado aqui moldará a natureza do tempo eterno. Em suma, a salvação - neste mundo e na vida depois da morte - está em praticar boas obras e promover tudo o que seja nobre, justo e digno de louvor."
Ziauddin Sardar, autor de Em que Acreditam os Muçulmanos (Civilização Brasileira)
Catolicismo.
"O fundamento da fé na ressurreição se encontra no fato de Deus ter ressuscitado seu filho, Jesus. Morrer e ser ressuscitado significa chegar a uma ampliação plena da cognição, de tal maneira que, só na morte, a pessoa tenha a possibilidade de conhecer, com clareza total e absoluta, o significado e as consequências de sua vida vivida, no nível individual, socioestrutural, histórico e cósmico. Ela própria, junto com Deus e com base nos parâmetros dele, julga sua trajetória, percebendo, em que medida, correspondeu ou não às diretrizes divinas. Tal processo é conhecido por "juízo final". Na morte, Deus oferece a cada pessoa uma última oportunidade de conversão, momento chamado de "purgatório". No entanto, ela pode se negar a aceitar os critérios superiores por Ele estabelecido. Ao agir assim, criaria para si uma situação degradante, o "inferno". Deus quer que todas as pessoas alcancem a plenitude, o "céu", que significa a comunhão plena e íntima com Ele. Dessa forma, o ser humano fica para sempre amparado no amor divino, numa felicidade total, além de viver em comunhão com seus irmãos e irmãs."
Renold Blank, doutor em teologia e filosofia e professor emérito da Pontifícia Faculdade de Teologia de São Paulo.
sábado, 22 de setembro de 2012

Luz do Ocidente
O Caminho de Compostela não é o único caminho que levava os peregrinos da Europa de Oriente para Ocidente, terminando invariavelmente na costa atlântica, não em mar aberto, mas em rias profundas, que permitiam abrigo e ancoragem segura de barcos. Mas é o único caminho que foi “recuperado” pelo cristianismo, passando a constituir uma das suas três peregrinações principais, juntamente com Roma e Jerusalém.
Além do Caminho de Compostela havia mais três, dois dos quais bastante conhecidos e um que terá caído no esquecimento. Estranhamente, esses caminhos estavam escalonados por latitudes separadas de três em três graus, todas passavam por lugares sagrados e por regiões onde abundam megalitos e dólmenes, vestígios naturais atribuídos à antiga civilização celta ou lígure.
Já vimos que o Caminho de Compostela corria ao longo do paralelo 42. Logo acima, no paralelo 45, havia desde tempos imemoriais um caminho que talvez fosse o menos importante e por isso esquecido, mas que passava por Le Puy, pelas célebres grutas de Lascaux e terminava em Lugon. Não existe ponto de referência para o início deste caminho.
Mais a norte, ao longo do paralelo 48 havia o caminho que tinha início em Sainte-Odile, na Alsácia, povoação situada em recinto de antigas construções ciclópicas impossíveis de datar, e terminava perto de Quessant, na costa atlântica. Ao longo deste caminho encontramos inúmeros megalitos, provavelmente pontos de referência e orientação para os peregrinos. Passa por diversos locais sagrados, especialmente por Chartres, o lugar mais sagrado dos franceses.
Subindo mais três graus na latitude, encontramos o caminho britânico ao longo do paralelo 51. É provável que este caminho tivesse origem mais a leste, no continente europeu, numa altura em que talvez ainda não existisse o Canal da Mancha e a Ilhas Britânicas não existissem como ilhas, mas fazendo parte do continente.
Considerando apenas o território britânico, este caminho começa em Canterbury e passa por Maidstone (a pedra da Virgem), Godstone (a pedra de Deus), por um cromeleque chamado Amesbury, que alguns entendem significar o “túmulo de Adão”, depois por outro cromeleque, Avesbury, que talvez signifique o “túmulo de Eva”. Passa também por Stonehenge, com o seu “grande templo do Sol” e o Cathoir Ghall, a “sala de dança dos gigantes”. Segue-se Glastonbury, onde se conta que José de Arimateia teria depositado o Graal, perto da colina de Avalon, que antes dos depósitos fluviais era a ilha mítica de Avalon, bem conhecida através da lenda de Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda. Este caminho termina num local próximo de Tintagel, onde foi descoberto, gravado na pedra, um labirinto semelhante a um outro encontrado na Galiza, não distante de Santiago de Compostela.
Tudo isto, as rotas traçadas de Oriente para Ocidente, a balizagem ao longo de um paralelo preciso com pequenas variações de minutos, a existência de lugares considerados desde sempre sagrados ao longo desses caminhos, não pode ser obra do acaso.
É de presumir que estes caminhos foram traçados com fins religiosos, em que os peregrinos seguiam a rota do Sol, ou a rota indicada pela Via Láctea, de leste para oeste e terminando sempre no mar atlântico. Mas a precisão com que foram marcados sugere-nos que poderia haver outro motivo que ainda desconhecemos, mas que podemos pressentir. Para uma peregrinação religiosa não é necessária a existência de uma rota elaborada com tal precisão, qualquer caminho serve, desde que sirva para atingir o objectivo final. Por exemplo, para a peregrinação a Roma ou Jerusalém não existe um caminho pré-determinado. No caso de Compostela, outros caminhos foram sendo criados ao longo do tempo, como o chamado caminho português, mas prevaleceu sobre todos o caminho tradicional, aquele que segue ao longo do paralelo 42. O que procuravam os peregrinos a Ocidente?
Uma das profecias de João XXIII diz: “ (…) Luz do Neiva no Oriente, mas a luz vem sempre do Ocidente”. Seria para esta luz que os peregrinos caminhavam através de mil dificuldades impostas pelas condições do terreno e dos perigos que punham em risco a própria vida? Que luz seria esta? Será que os portos atlânticos que os peregrinos demandavam eram pontos de encontro com seres que vinham do mar e traziam consigo todo um conjunto de conhecimentos que depois legavam a esses peregrinos?
Temos que reconhecer que estamos perante um enigma, pois na verdade não sabemos para que é que esses caminhos serviam. Alguns autores afirmam que se tratava de caminhos iniciáticos, ao longo dos quais o peregrino era submetido a provas duras que lhe poderiam proporcionar o acesso a um conhecimento maior. Outros afirmam que durante o percurso o peregrino poderia aprender certos conhecimentos ocultos, como por exemplo o tratamento da pedra. Já vimos que os talhadores de pedra na região, no tempo dos lígures, se chamavam tiagos. O que é que acontecia quando chegavam ao seu destino, à beira do Atlântico? Entravam em contacto com seres que consideravam superiores, que depois chamaram deuses, vindos de algures do meio do oceano? Para tentarmos encontrar alguma resposta temos que recorrer à tradição.
Parece não haver já dúvidas para ninguém de que existiu, há uns milhares de anos, uma grande ilha a meio do Atlântico, de que os arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias serão os remanescentes. Parece também não haver dúvidas para ninguém de que, há uns milhares de anos, se deu um imenso cataclismo, que na Bíblia se chama Dilúvio Universal. Este dilúvio é conhecido sob a forma de lendas em todas as latitudes e longitudes da Terra. Portanto, havendo assim tantas descrições, umas mais fantasiosas que outras, é prova de que aconteceu na realidade. Esse cataclismo terá afundado essa ilha e levado para o fundo das águas os atributos de uma civilização evoluída, a que Platão chamou de Atlântida.
Aparentemente não havia uma única ilha, mas várias ilhas, uma grande ilha rodeada de outras menores. Estas ilhas seriam habitadas por duas raças, uma de pele escura avermelhada e outra de pele clara. A de pele escura era de pequena estatura, mas a de pele clara era constituída por indivíduos altos. Não é credível que esses habitantes não tivessem entrado em contacto com os habitantes das regiões limítrofes, como a Europa ocidental, a costa ocidental da África e a costa oriental da América. Também não é credível que não tivesse havido migrações, tanto para ocidente como para oriente, e que esses povos migrados não se tivessem misturado com as populações locais. Acreditamos que essas migrações terão fundado colónias que mantiveram ligações com a pátria de origem, cujos conhecimentos procuraram transportar para as novas terras que ocupavam.
A determinada altura aconteceu o cataclismo que, além de afundar a pátria de origem, causou devastações por toda a Terra, salvando-se apenas uns poucos sobreviventes. Estes, a pouco e pouco, órfãos da terra-mãe, foram esquecendo os prodígios que a sua civilização tinha alcançado, mas mantiveram os conhecimentos básicos que lhes permitiram depois dar início a outras civilizações. Por isso a civilização do antigo Egipto despontou de repente, como o desabrochar de uma rosa.
Assim, os caminhos traçados de forma quase geométrica poderão ter sido os marcos de referência para os sobreviventes do cataclismo, que após aportarem em locais abrigados da costa, se encaminhavam para o interior ao encontro das populações aí residentes e também sobreviventes. Temos consciência de que esta é uma teoria sem bases de prova, mas é uma teoria tão boa como muitas outras. Com o tempo, esses caminhos serviram para levar os peregrinos em busca desses seres que um dia vieram do ocidente, movidos por uma vaga lembrança da portentosa civilização que aí teria existido.
Isto leva-nos a outro ponto, que é o de saber onde ficaria situado o Paraíso Terrestre. Segundo a Bíblia, estava situado na região de quatro rios, dentre os quais, o Tigre e o Eufrates. Embora na Mesopotâmia actual (Iraque) não existam esses quatro rios, apenas aqueles dois referidos, pesquisas por satélite revelaram a existência em tempos idos de mais dois rios. Portanto, assunto resolvido, o Paraíso ficava localizado na Mesopotâmia. Mas, como grande parte dos livros da Bíblia terão sido escritos por sábios judeus após a sua libertação do cativeiro na Babilónia, é muito provável que a descrição do Paraíso tenha sido originada em alguma lenda daquela região e assim, a indicação daqueles rios.
Por outro lado, Caim, depois de ter assassinado Abel, foi enviado para a Terra de Nod, a leste do Éden. Aparentemente, apesar de expulsos, Adão e Eva ainda estariam no Paraíso (Éden), porque foi dali que Caim foi enviado para leste. Mas “Nod”, segundo alguns autores, significa “peregrinação”, quer dizer, a partir do Éden, Caim peregrinou pelas terras do leste. Mas a leste de quê? Da Mesopotâmia? Foi Caim peregrinar para os antigos Irão, Afeganistão, Paquistão, Índia? Para sabermos que leste era esse precisamos de situar o Éden em algum lugar.
Por estudos feitos através de satélites, está provado que o deserto do Sara foi, em tempos recuados, uma região luxuriante, com várias cidades hoje soterradas debaixo das areias, com lagos e quatro rios, entre os quais o próprio Nilo, que terá sido desviado do seu primitivo curso para o actual que conhecemos. A civilização que ali prosperou terá vindo, muito provavelmente, da Atlântida. Os tuaregues, os “aristocratas” do deserto, serão originários da civilização que ali se implantou pois, segundo a lenda, a filha da Poseidon, Atena, ter-se-á retirado para a terra de Hoggar para ali cumprir uma missão civilizadora. A terra de Hoggar é o Sara e Atena, como rainha dessa região, chamava-se Tin-Hinan.
Esta rainha, considerada deusa pelos tuaregues, terá estabelecido um governo matriarcal e por isso, entre os tuaregues a mulher continua a ter um papel muito especial, é a guardiã da tradição. Mas uma lenda acaba quando começa a História e assim, Tin-Hinan deixou de ser uma lenda quando o seu túmulo foi descoberto em Abalessa, ao sul da actual Argélia. Pelo estudo dos seus restos mortais, tratava-se de uma mulher branca, de elevada estatura, parecida com as mulheres egípcias do tempo dos faraós, as ancas estreitas e as espáduas largas.
Por motivos que desconhecemos, o Nilo foi desviado do seu curso, privando o Hoggar da sua água, e parte da população ali existente terá partido para oriente, criando a esplendorosa civilização egípcia. Seria o Hoggar, o local em que se situava o Éden, pois também era uma região de quatro rios?
Segundo a tradição, a grande ilha da Atlântida também tinha quatro rios, os quais corriam no sentido dos pontos cardeais. Seria, afinal, a Atlântida, o local do Paraíso terrestre? Tanto do Hoggar como da Atlântida, as migrações foram feitas maioritariamente para leste, exceptuando as eventuais migrações que terão povoado as Américas.
Assim, talvez aqueles caminhos tão bem demarcados no terreno levassem os peregrinos em busca, não só dos seres que em tempos recuados teriam vindo do mar a ocidente, mas em busca do Paraíso perdido.
Manuel O. Pina
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