contos sol e lua

contos sol e lua

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Inspiração.


Choro... hoje acordei num choro interno,
lágrima que humedece uma secura,
um desejo que não chega como quero,
de verso meu a expor minh´alma nua

Chorei... lágrima aguou boca sedenta
e, como chuva em auxílio à semente,
adocicada ordenou-me... tenta,
dedilha versos que o coração sente.


Indaguei então...o que é inspiração,
é um dom expondo a alma em rima,
ou donzela a espalhar sonhos e quimeras?


A lágrima sorvida responde e ensina:
como eu, pode ser companheira da ilusão,
depende como a tratas enquanto a esperas!
Gui Oliva.

Equilíbrio.


Olha a morte que te assombra
a vida inteira sem cessar...
Olha a sombra que te chama,
Olha a vida se queimar!

Que festa! Que tristeza!
Que dor! Que alegria!
A vida não se quebrou
e nem foi interrompida!

Comemoramos felizes
mais uma morte,
comemoramos tristes
o azar da nossa sorte.
Katia Fernandes dos Anjos.

Anseio.

Abjeta diante de ti me ponho.
Quanto limite mora em mim!
Em cova funda, por vezes, me vejo.
Com ternura tomas tua flor-carmim
Queria tanto ser igual a ti.
Para onipotente te oferecer.
Com onisciência todo bem.
Que tu tens por merecer.
Nesse “desejo” percebes meu limite.
De mim nada careces.
Onipotência e Onisciência sendo.
Só almejas de mim as prece.
Rogo-te, pois detentor de minha história:
Faz-me mansa, humilde e de ti amante.
Que de tua ternura eu seja memória.
A todo aquele que no mundo é errante.
Ana Maria de Oliveira.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O Destino e o Horóscopo.


A palavra "Destino", que às vezes se substitui por "fado", ou até mesmo pelo termo oriental "carma", refere-se à lei da retribuição, que é o efeito, moral ou físico, do conjunto das ações das vidas anteriores.
É uma lei universal, isto é, uma lei natural e, ao mesmo tempo, divina. Segundo esta lei, "o que o homem semeou, há-de colher", como diz o Novo Testamento.
Quem semeou trigo, não colherá espinhos; e quem semeou joio, não colherá trigo. Na maioria dos casos, porém, o ente humano semeia uma mistura de trigo e joio, quer dizer, pratica atos bons e maus; e, portanto, há-de colher um destino com o bom e mau entrelaçados.
Cada alma humana, ao reincarnar, traz consigo as sementes produzidas pela sua vida anterior. Se, nessa vida anterior o balanço entre o bem e o mal pende mais para o bem, terá um horóscopo favorável; se, pelo contrário, esse balanço pender mais para o mal, há-de trazer consigo, ao nascer – ou, mais bem dito, ao renascer – um horóscopo desfavorável. Pois o tema astrológico não é outra coisa mais do que a "conta" do "deve" e do "haver" da respectiva alma.
Se alguém, na vida passada, tiver pecado contra a lei do amor, há-de trazer, ao renascer, indícios desse pecado. E, portanto, os aspectos astrológicos indicarão um amor contrariado ou não retribuído, ou sofrimentos devido ao amor; se, na existência anterior, abusou de seus poderes, trará indícios de fraqueza; se, na vida anterior, praticou injustiça e naquela incarnação não cumpriu as penas, cumpri-las-á na incarnação presente, parecendo sofrer injustamente.
Também os seus órgãos físicos são modelados pelo "destino". Se uma pessoa nasceu com algum órgão mal desenvolvido, não se culpem os astros como malfazejos, mas compreenda-se que, por exemplo, essa alma não prestou suficiente atenção, ou não soube usar bem, a função orgânica que lhe está associada. Lembremo-nos das palavras do mestre quando seus discípulos lhe perguntaram a respeito de um homem cego desde o nascimento1: "Mestre, quem pecou: este homem, ou seus pais, para que nascesse cego?" E o mestre respondeu-lhes: "Nem ele pecou, nem os seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras do criador".. Se não aceitasse a reincarnação, teria dito certamente: "É um absurdo! Como poderia um homem pecar antes de nascer?".
Nunca nos esqueçamos da verdade: nós somos apenas aprendizes na grande escola da vida universal e que, por mais que alguém na Terra seja sábio ou erudito, não é mestre de sabedoria. A verdade é infinita; só quem alcançou a verdadeira união com o Espírito Infinito, pode conhecer a verdade em todas as suas manifestações.
Quando O mestre disse que nem o cego pecara, nem seus pais, não se referia às personalidades atuais dessas pessoas, mas ao espírito do próprio cego e aos erros que ele havia cometido noutras vidas.
Nada se perde no universo. Quem, nesta vida terrestre goza de comodidades, riquezas, honras, etc., e manifestamente delas abusa, cometendo atos vergonhosos e, até, talvez, crimes, é comparável a uma criança a quem os pais lhe tivessem comprado roupa bonita e limpa mas que depois a tivesse sujado e rasgado. É natural que os pais não a presenteiem com mais roupas, que não a elogiam mas, pelo contrário, a castiguem.
Os órgãos do corpo humano foram concebidos por certas inteligências celestes. O cérebro e a laringe, por exemplo, formou-se graças à ajuda de uma classe de seres a quem chamamos "anjos", que empregaram, para esse fim, parte da força sexual humana. É por isso que há uma relação íntima entre os órgãos sexuais e a laringe.
No sistema assim construído pelos anjos, regidos por Javé, insinuaram-se os anjos rebeldes, guiados por Lúcifer, o Espírito de Marte, que inculcaram a paixão, o abuso sexual e a rebeldia. Para corrigir esse desvio, outra classe de seres espirituais, os senhores de Mercúrio, foram encarregados de criar e desenvolver a razão, para que o homem se guiasse cada vez mais por si mesmo.
Todas as grandes hierarquias espirituais trabalham constantemente nos nossos corpos; mas as três que acabamos de mencionar têm especial domínio sobre o comportamento mental e sexual. Cada uma delas está associada a um dos três segmentos principais da coluna vertebral.
A hierarquia de Neptuno, que é subtilmente espiritual, opera no canal espinal e nos ventrículos cerebrais para despertar os sentidos espirituais. Os espíritos de Marte dominam o hemisfério esquerdo, e os mercurianos o hemisfério direito do cérebro. Os anjos lunares governam o cerebelo.
Como todos os que estudaram a astrologia sabem, o ascendente, isto é, o ponto do Zodíaco que ocupa o Leste no momento da nascença, é muito importante para a descrição da forma do corpo e das principais qualidades mentais; mas nem todos sabem que o ascendente é o lugar ocupado pela Lua no momento da concepção.
Compreende-se agora, pelo que dissemos, que, no momento em que uma alma renasce, todas as grandes inteligências cósmicas lhe dão seus presentes, cada uma conforme o seu grau e sua natureza espiritual: as de Mercúrio dão a inteligência, Vénus, o amor, Marte a atividade, etc. Estes dons são modificados pelos signos, pelas casas do horóscopo e pelos aspectos dos planetas. E cada um desses aspectos é a justa recompensa das ações praticadas no passado.
O tema astrológico, portanto, é o balanço que o recém-nascido traz consigo. E das suas atividades durante a vida dependerá se, ao deixar novamente a vida terrestre, levará consigo um débito ou um crédito celeste.
Não se pense também que o horóscopo há-de ficar inalterado durante toda a existência física. O destino trazido pode ser modificado, para melhor ou para pior. A vontade é o fator decisivo.
Quem traz, no seu horóscopo, indícios de fraquezas morais, pode e deve anulá-las, esforçando-se por as vencer e substituir por qualidades boas.
Semeemos bons pensamentos, boas palavras e boas ações; e limpemos convenientemente a seara, retirando o joio, para queimá-lo, sempre que se tenha introduzido no meio do trigo.
F. V. L.

As Palavras sem Rosto.


Sinto que há certas coisas que nunca poderão ficar claras; não há palavras adequadas para elas; contudo, essas coisas existem.
Krishnamurti.
Há coisas que pertencem ao reino da alma, lá, onde moram as coisas indizíveis, as que sentimos como verdadeiras e eternas.
As palavras foram inventadas para nomear as coisas concretas; o visível torna-se dizível, portanto. Mas outras há para as quais as palavras ficam sempre aquém. Se os sentidos ao menos pudessem ver-lhes a substância, provavelmente torná-las-iam dizíveis, explicáveis, sossegando a alma inquieta. Também escapam à razão que não consegue capturá-las, esquadrinhá-las, estudá-las, dar-lhes uma identidade.
Depois de tentar infrutiferamente traduzir o indizível, aprendemos que nunca conseguiremos nomeá-lo com precisão. Ele não existe para ser pensado, mas para ser sentido.
Ana M. Martins.

Escutando o Rio a Fluir.

Há tempos que são de espera. Nada nos pedem. Nada nos querem dizer. Nada acontece de novo. Desconcertante. Fomos educados para produzir. Fazer muitas coisas. Queremos mudar. Experimentar emoções diferentes.
A casa do silêncio é ampla. Sentimo-nos sós. Perdidos. Forçamos o tempo. Distraímo-nos. Ocupamo-nos. Apressamo-nos a ir para algum lado. O tempo responde-nos com o silêncio. Porque há tempos que são de escuta. De imobilidade. Voltamos, de novo, ao ponto de partida.
A cada um o tempo de espera ensina coisas diversas, mas a todos deixa os mesmos recados: aprender a estar imóvel; nem tudo depende inteiramente de nós.
Se estás nesse tempo, senta-te e escuta o rio que flui. Não para ouvir o que ele tem para te dizer, mas para escutares o que a tua alma tem para lhe contar.
Nesse momento, desenhar-se-á um novo tempo. Conciliador. Entre o que aprendeste sobre ti e o que o mundo te preparou.
No tempo fértil, serás, então, convidado a sair da casa do silêncio e a desenhar novos gestos no dia claro.Maria Coriel.



terça-feira, 30 de março de 2010

Leis do Carma.


Trata-se de um tema desafiante e útil, pois é sempre difícil tentar conhecer e compreender a profundidade de certas Leis Cósmicas, para aceita-las e viver em harmonia com as mesmas. A Lei do Carma é um desafio maior, porque, para tentar melhor compreendê-la precisamos, geralmente, nos voltar para o lado negativo, os erros cometidos ou insucessos de nossa vida, o que, de certo modo, pode ser incômodo para nós. Contudo, se pensarmos em termos de "custo/benefício", os benefícios dessa compreensão serão maiores do que os custos de alguma reação emocional, pois tentarmos conhecer como essa Lei Divina opera, nos dará segurança e confiança para tomar decisões, desde as mais simples ás mais importantes em nossas vidas, com a convicção, serenidade e a confiança daqueles que melhor compreendem a peração das Leis do Criador.
A Lei do Carma é objeto de interesse de várias correntes filosóficas e religiosas, como o hinduísmo, a teosofia e o espiritismo. Do ponto de vista dessas correntes, é encarada como uma lei de causa e efeito, à semelhança da lei da gravidade, por exemplo. É lei aplicada à alma ou parte imaterial do homem, que colhe os resultados de sua própria semeadura ou plantio, ou, em outras palavras, sofre a reação de sua própria ação. É encarada como uma lei justa, impessoal, que opera pelas linhas da experiência, vida e caráter pessoais e se espelha na busca da evolução pelo homem e no equilíbrio cósmico, e está acima da noção humana de bem e mal. Para essas correntes, a Lei do Carma se vincula à doutrina da reencarnação, e o carma de cada ser deve determinar as circunstâncias de seus renascimentos. Há semelhanças entre essas visões da Lei do Carma, e seus aspectos essenciais têm pontos em comum com o pensamento rosacruz.
Caracterização da Lei do Carma.
Todos nós, seres humanos, de maneira geral, ficamos perplexos quando tentamos entender como opera a Lei do Carma. Isto é natural, porque compreende-la é compreender os pensamentos da Mente Divina, infinita, e isto é difícil para uma mente finita como a nossa.
Vamos nos ater ao que dizem os ensinamentos rosacruzes, evidenciando pontos considerados de maior interesse para todos, pela perplexidade que despertam e pela necessidade de sua melhor compreensão para a nossa evolução pessoal.
Carma é uma palavra oriental que significa ação. No dicionário encontra-se a seguinte definição: do sânscrito karman; nas filosofias da Índia, o conjunto das ações dos homens e suas conseqüências.
Segue-se uma caracterização sucinta da Lei do Carma, em sete pontos. Examinemos cada uma dessas sete características:
1ª. É UMA LEI CÓSMICA DE CAUSA E EFEITO, SENDO, PORTANTO, JUSTA, IMPESSOAL E INFALÍVEL
Como tantas outras leis da natureza, a Lei do Carma é uma Lei Cósmica, Divina, que opera da mesma forma que a lei da gravidade, por exemplo. Se, por algum motivo, atiramos uma grande pedra para o ar, levando a lei da gravidade a afeta-la e depois, por ignorância ou indiferença, colocamo-nos na trajetória da queda da pedra, poderemos sofrer um acidente. Nosso ato de atirar a pedra acarretará um efeito, no caso desagradável, sobre nós. A Lei do Carma opera de forma semelhante, e cada um de nossos atos ou pensamentos são causas que podem reverter em efeitos, agradáveis ou não, sobre nós. A lei da gravidade afetaria qualquer pessoa que atirasse a pedra sempre que esta ação fosse praticada. Os efeitos da lei cármica também se manifestam sempre para todas as pessoas, inclusive todas as espécies de coisas vivas, a despeito de sua condição social, poder econômico, raça ou credo, sempre que as pessoas invocarem os efeitos dessa lei. Nisto reside o princípio de justiça, impessoalidade e infalibilidade que a caracterizam. Por ser uma Lei Cósmica, sempre se cumpre, é imutável e nunca falha.
2º. É UMA LEI DE COMPENSAÇÃO, QUE VISA À HARMONIA CÓSMICA E À EVOLUÇÃO DA ALMA DO HOMEM, E SUA FUNÇÃO É ENSINAR E NÃO PUNIR.
A Lei do Carma é também chamada de "Lei de Compensação", porque por seu intermédio devemos compensar o universo, ou a vida, por nossos atos que interfiram com a harmonia cósmica, que prevê a evolução do ser humano e do próprio universo, segundo parâmetros de Luz, Vida e Amor, instituídos por nosso Criador. A cada vez que pensarmos ou agirmos fora desses princípios, estaremos "descompensando" as Leis Cósmicas, por assim dizer, e em algum momento, de alguma forma, deveremos restabelecer o equilíbrio por nós afetado. Para ilustrar essa característica, utilizaremos o simbolismo da balança cármica, uma grande balança de dois pratos. Esta balança pesará tudo, em matéria de pensamento ou conduta humana, que, de alguma forma, direta ou indiretamente, por nossa causa seja nela colocado.
Para melhor compreensão da balança, tenhamos em mente o que se segue. Um dos pratos da balança representará o "bem", os bons atos humanos, as atitudes harmonizadas com as Leis Cósmicas. O outro prato representará o "mal", os atos que contrariam a harmonia prevista para a humanidade ou o universo. Do ponto de vista cósmico, a balança tenderá ao equilíbrio quando o prato do "bem", da harmonização cósmica, tiver mais peso que o prato do "mal", da desarmonia, ou seja, quando o ser humano estiver "harmonizado", e predominantemente positivo em seus pensamentos e atos, agindo de forma cooperativa, solidária, tolerante e amorosa com seus semelhantes e consigo mesmo. Sempre que o "mal" começar a pesar mais, ou seja, quando estivermos predominantemente "desarmonizados", negativos, intolerantes, rancorosos, vingativos, invejoso, vaidosos, pouco cooperativos com nossos semelhantes e conosco, a balança tenderá ao desequilíbrio. Em ambos os casos, estaremos incorrendo em carma, que será favorável quando estivermos harmonizados, e desfavorável quando ferirmos a harmonia.
Nosso carma favorável se reverterá em benesses e felicidade; sentiremos paz interior e desejaremos, cada vez mais, fazer o bem. O carma negativo, ao contrário, tenderá a nos puxar cada vez mais para baixo, trazendo-nos problemas e inquietações. Neste caso, a balança voltará ao equilíbrio quando compensarmos ou repararmos, de alguma forma, os erros praticados, e compreendermos que nossa forma de agir foi incorreta. Neste ponto qualquer sofrimento cármico se aliviará e deverá desaparecer.
Aprender a lição, compensar o erro, e seguir o caminho da evolução é o que a Lei do Carma espera de nós. Entretanto, se persistirmos no erro, aumentaremos o desequilíbrio, e a necessidade de compensação e a lição a ser aprendida serão cada vez maiores. Isto explica porque algumas pessoas vivem carmas negativos mis leves que outras em circunstâncias semelhantes. Há os que percebem e corrigem os seus erros ao primeiro movimento de desequilíbrio da balança, enquanto outros permanecem indiferentes ou desafiam as Leis Divinas, e seu sofrimento é maior.
O sofrimento cármico pode ser abreviado, a não ser quando as pessoas relutam em aprender a lição que elas mesmas invocaram para si. Há pessoas que suportam passivamente seu sofrimento cármico, por acreditarem que nada podem fazer para diminuí-lo, e com isto o sofrimento persiste. Ao tomarmos conhecimento de um erro, procuremos repara-lo o quanto antes, fazendo equilibrar os pratos da balança com atitudes amorosas, utilizando, com sabedoria, a Luz que temos o privilégio de receber da Ordem Rosacruz, AMORC.
3º. NOSSO CARMA, É FUNÇÃO DE NOSSO LIVRE-ARBÍTRIO, E PODE INFLUENCIAR NOSSA MISSÃO DE VIDA.
Se O CRIADOR escolheu o homem para expressar plenamente o poder de Sua Luz, Vida e Amor, o homem também deve escolher a Senda que lhe permitirá uma expressão consciente desse triplo poder. Para levar a bom termo a escolha dessa Senda, a Divindade lhe outorgou o dom do livre-arbítrio.
A cada dia estamos movimentando nossa "balança cármica" com nosso livre-arbítrio. Quando no uso do mesmo cedemos às pressões negativas do mundo que nos cerca, é como se, deliberadamente, passássemos da luz para as trevas. Para retornar à luz restabelecer nossa relação harmoniosa com as Leis Cósmicas, temos que fazer alguma coisa por nosso próprio esforço, e esta ação é o ato cármico ou de compensação.
Tendo esta consciência, passaremos a ser mais cautelosos com o uso do nosso livre-arbítrio, especialmente em ocasiões mais significativas para a nossa vida e a de pessoas de nosso convívio.
O curso de nosso carma exercerá grande efeito em nossa missão de vida, nossas experiências e aprendizado. Seguem-se alguns exemplos. Uma pessoa com poucas posses materiais, mas que de suas posses fez o melhor uso, empregando todos os meios para se revelar um espírito humanitário, tendo usado seus bens pessoais para beneficiar outras pessoas, que não apenas a si mesma, criou uma condição cármica favorável à realização de mais obras altruísticas e caridosas, podendo usufruir de muita riqueza, nesta ou em outra vida, para cumprir essa nobre missão. Por outro lado, uma pessoa muito rica, mas egoísta ao extremo, sem o menor interesse em auxiliar uma única alma vivente, poderá ter sua vida presente alterada, tornando-se pobre, passando a sofrer as necessidades da miséria, ou vir a renascer em família pobre e ter que experimentar as vicissitudes de uma vida humilíssima, sentindo a amargura da falta de solidariedade de seus semelhantes, de modo a aprender o valor da solidariedade humana.
Nosso comportamento afeta o nosso amanhã. Se hoje somos imorais, amorais, injustos para com os outros e para com nós mesmos, produziremos condições cármicas coerentes que afetarão negativamente nossa vida. Se formos progressistas em nosso modo de pensar, se evoluirmos adequadamente e nos elevarmos diariamente a um plano superior, tornaremos nossa futura missão de vida mais fácil, mais agradável e mais benéfica para todos.
4º. AS CONDIÇÕES CÁRMICAS QUE CRIAMOS PODEM SE MANIFESTAR NESTA VIDA OU EM FUTURAS ENCARNAÇÕES.
Não é correto pensarmos que o nosso carma diz respeito somente à nossa próxima encarnação. Ao criarmos condições cármicas, elas podem se manifestar no minuto, hora, dia, semana, mês ou ano seguintes, nesta vida, como também podem ser relegadas a outras encarnações. Se o carma não se manifesta nesta vida é porque nem sempre temos contato com situações, lugares e coisas que propiciem essa manifestação. Vejamos um exemplo. Se constantemente adotarmos uma atitude de crueldade para com crianças de modo geral, maltratando-as sempre que as encontramos, recusando-nos deliberadamente a ajudar as que estejam verdadeiramente em dificuldades, sendo sistematicamente intolerantes para com elas, estaremos incorrendo em carma negativo para com os pequeninos. A Lei do Carma pode decretar que devemos aprender a tratar melhor as crianças. Poderemos aprender a lição tornando-nos crianças e sofrendo o impacto de maus tratos alheios ou tendo filhos e vendo-os passar por tais dissabores. Se não temos filhos, ou já não somos mais crianças, nosso carma pode ser adiado até que tenhamos filhos ou até sermos crianças em outra encarnação. Há muitas condições cármicas que se manifestam imediatamente, outras que tardam um pouco a se concretizar, porém todas têm sempre a mesma finalidade: nos ensinar uma lição de vida. Pode acontecer que nossa experiência seja adiada para a ocasião mais adequada ao nosso aprendizado.
5º. TODOS OS NOSSOS ATOS PODEM GERAR CARMA, MAS NEM TODAS AS NOSSAS TRIBULAÇÕES SÃO, NECESSARIAMENTE, O RESULTADO DE UM CARMA NEGATIVO.
Se toda má ação acaba se traduzindo em uma prova cármica, nem todas as provas que o ser humano conhece são, necessariamente, o resultado de um carma negativo. Algumas provações fazem parte da vida no plano terreno, e é impossível viver neste mundo sem estar sujeito a enfrentar problemas e dificuldades. E há, também, os sofrimentos decorrentes de escolhas que fizemos antes de nos encarnar, com o objetivo de acelerar nossa própria evolução ou de contribuir para a evolução de outras pessoas.
A propósito, é incorreto pensar que todos os nossos infortúnios (um nascimento com deficiência física ou mental, uma doença incurável, um acidente grave e incapacitante, a perda de bens materiais, por exemplo) sempre constituem débitos cármicos. Por outro lado, não se deve duvidar de que essas provas, não necessariamente cármicas, possam gerar um carma muito positivo a quem as enfrenta com confiança, esperança e dignidade. Neste campo, mais do que em qualquer outro relacionado ao carma, convém sermos cautelosos em nossos julgamentos, quer digam respeito à nossa própria vida ou a de outrem.
6º. TODOS OS NOSSOS ATOS, DE MAIOR OU MENOR PESO, PODEM CRIAR CARMA, NÃO DEVENDO SER JULGADO POR SUA APARÊNCIA.
Muitas pessoas acreditam que só as coisas de maior impacto podem desequilibrar a balança cármica. E, por pensarem assim, continuam a manter atitudes incorretas, aumentando seu carma negativo. Não podemos avaliar nossos atos unicamente por sua dimensão objetiva. Na verdade, podemos criar um carma negativo na "calada da noite", num momento de selente recolhimento, sem sermos notados. Por exemplo, ao abrigar sentimentos de ódio ou inimizade, ainda que não os manifestemos, é nocivo; ter ciúmes de alguma coisa ou alguém e deixar que esse ciúme macule nosso pensamento é igualmente nocivo. Ouçamos os ditames de nossa consciência e teremos a noção exata da dimensão de nossos atos, antes de passarmos à ação.
7º. NÃO PODEMOS BURLAR O CARMA, MAS PODEMOS AMENIZÁ-LO, FAZÊ-LO CESSAR OU BUSCAR DIRECIONAR OS SEUS EFEITOS PARA OCASIÃO FUTURA.
A compensação do ato cármico, a conscientização e a reparação do erro cometido, fazem cessar ou amenizar o débito por nós adquirido. Além disso, se percebermos que alguma lição nos está sendo ou nos será imposta pela Lei do Carma, poderemos buscar, com toda a humildade, de acordo com nosso merecimento e em consonância com as Leis Cósmicas de amor e perdão, dirigir os efeitos e o curso dessa ação para ocasião que julgarmos mais oportuna, em que a lição a ser aprendida possa ser mais suportável para nós. A direção poderá ser feita mediante preces de intercessão ao Deus de nossos corações e exercícios místicos de visualização e criação mental.
Estes fatos são mais uma comprovação do Amor e misericórdia do Criador para com o ser humano e de que a Lei do Carma visa conscientizar, ensinar e iluminar, e não punir as pessoas.
Revista O Rosacruz – 4º Trimestre 2007