contos sol e lua

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Thor, Senhor dos Anéis, Cavaleiros do Zodíaco: RAGNARÖK narra de forma didática e cronológica a história dos deuses nórdicos.


Assinada por Mirella Faur – escritora romena da Transilvânia radicada no Brasil e uma erudita no assunto – obra faz uma introdução à mitologia nórdica presente nos dias de hoje no cinema, desenhos e quadrinhos. Livro conta com uma lista em ordem alfabética dos deuses, além de um guia de pronúncia dos nomes nórdicos e escandinavos

Thor, Odin, Loki, Frigga, Freya, As Valquírias, Midgard, Valhalla, Asgard, Gigantes, Anões, Elfos , o mito do Anel do Poder. Estes nomes estão presentes em inúmeros filmes, desenhos animados, quadrinhos e games de sucesso no mundo inteiro. Cavaleiros do Zodíaco – verdadeira sensação no final dos anos 90 - , a trilogia literária/cinemetográfica O Senhor dos Anéis e, mais recentemente, o filme Thor – que já é a segunda maior bilheteria no Brasil em 2011 - são protagonizados por deuses nórdicos e suas narrativas inspiradas nesta mitologia.

Mas quem são esses deuses? Qual é a origem histórica, teológica e ou filosófica deles? Existem relações entre a mitologia nórdica e a grega? Odin é o pai de Thor? Quem são elfos? Essas e outras centenas de questões são respondidas em RAGNARÖK – O Crepúsculo dos Deuses – Uma Introdução à Mitologia Nórdica, obra que chega às livrarias de todo o Brasil pela Editora Cultrix.

Assinado pela escritora e palestrante romena da Transilvânia radicada no Brasil Mirella Faur – também autora do best-seller e obra de referência Mistérios Nórdicos (Editora Pensamento) – o livro descreve a origem cultural e histórica dos mitos nórdicos de forma abrangente em uma narrativa que transcorre por toda a história. Tudo organizado de forma cronológica, inclusive contemplando um glossário ao fim do livro. A obra parte do período pré-histórico (4000 a.C.), visita o período Romano (150-100 a.C.) e a era dos Vikings (a partir de 793 d.C.), e chega ao Renascimento, não deixando de explicar o uso desses mitos por religiões neopagãs modernas, como o Asatrú, considerado na atualidade uma das relgiões oficiais da Suécia.

Mais adiante, a obra explica à mitologia: todo o contexto da formação e do desenvolvimento da sociedade e cultura nórdicas é trabalhado em uma linha do tempo. Os mitos são alinhados às características e valores locais, o que amplia o alcance do livro: o leitor se depara não só com a estética da mitologia, mas sua essência, raizes e origem sócio-culturais.

A publicação conta ainda com dois guias: um intitulado Correspondências das Divindades, que relaciona cada uma delas, e o outro, um Guia de Pronúncia dos nomes das divindades. Tudo é relatado em detalhes: as origens, poderes, privilégios e ambições dos deuses e os símbolos a eles ligados, assim como suas capacidades e poderes.

RAGNARÖK pode ser considerado uma “bíblia” para os amantes do assunto e um guia para aqueles curiosos que querem dar os primeiros passos no rumo a desvendar todos os mistéiros e fantasias que envolvem os deuses e que, em pleno século XXI, continuam a arrastar milhões de pessoas para salas de cinema de todo o planeta.

Veja alguns dos deuses presentes no livro

Thor


Elemento: fogo, terra, chuva
Animais totêmicos: bode, touro
Cores: vermelho
Plantas: barba-de-bode, carvalho, cardo, espinheiro
Pedras: ágata de fogo, amonite, jaspe sanguíneo hematita, moldavita, tectito
Metais: ferro, estanho
Símbolos: anel de ferro, carruagem , cinto , luvas, martelo , pilar, raio, roda solar, entre outros
Atributos: coragem, proteção e defesa, aumento da força física, da fertilidade e da força física e da virilidade. Preservação da ordem, entre outros
Datas da Celebração: quintas-feiras, 19/01, 20/05, 28/07, 01/08

Odin

Elemento: ar, fogo
Animais totêmicos: baleia, gaivota, golfinho, peixes
Cores: azul, cinza, índigo, verde, violeta
Plantas: cogumelos sagrados, freixo, mandrágora, sangue-de-dragão, teixo
Pedras: esmeralda, opala-de-fogo, ônix, rubi-estrela, sardônica, turquesa
Metais: ferro, estanho, mercúrio, ouro, prata
Símbolos: anel, bastão, cajado, escudo, espada, lança, manto com capuz, entre outros
Atributos: conhecimento oculto, sabedoria e poder mágico, metamorfose, uso e leitura das runas, deslocamento entre os mundos, entre outros
Datas da Celebração: quartas-feiras, 30/04, 18/08 , 02/11 , 06/12

Loki

Elemento: fogo( descontrolado), água, ar, terra
Animais totêmicos: cavalo, égua, lobo, mosca varejeira, salmão, serpente aquática, pulga, raposa
Cores: furta cor
Plantas: alucinógenas, espinhentas, venenosas
Pedras: vulcânicas, radioativas
Metais: chumbo
Símbolos: erupções vulcânicas, explosões, fogueiras, incêndios, queimadas, terremotos, tempestades magnéticas, curtos-circuitos, panes elétricas
Atributos: metamorfose, armadilhas, espertezas, fraudes, máscaras, magias, mentiras, roubos, trapaças...

terça-feira, 8 de maio de 2012

Criação dos Anjos.


Deus criou as coisas visíveis e invisíveis.
A existência dos anjos é dogma, isto é, verdade de fé da Igreja. Trata-se de verdade contida na Sagrada Escritura, proclamada nos Concílios Ecumênicos, afirmada pela unanimidade dos Santos Padres, e ensinada por todos os Teólogos fiéis ao magistério da Igreja. A definição dogmática, deu-se no IV Concílio de Latrão realizado no ano 1215. Antes desse Concílio, a existência dos Anjos, fora afirmada e formulada no Concílio Ecumênico de Nicéia I (ano 325), sob o pontificado do Papa São Silvestre, cujo decreto D.54 explica claramente:
"Creio em um só Deus, Pai Todo Poderoso,
Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis".
Estas palavras são quase que a repetição daquilo que São Paulo ensinava em sua primeira carta aos Colossenses (Col 1,16s).
Todas as referências aos Anjos são feitas considerando-os como seres reais e não como símbolos, abstrações, puras mensagens de Deus, ou personificações literárias dos atributos divinos. A existência dos Anjos como também dos demônios é uma verdade que faz parte da doutrina católica. Temos que partir da convicção, por fé, de que os Anjos de fato existem.
A Bíblia não nos indica o momento de sua criação nem as circunstâncias em que foram criados, no entanto fala inúmeras vezes de suas intervenções diretas na história da salvação e nos destinos da humanidade.
Os anjos foram criados do nada por Deus, "em Cristo", e a serviço de Deus e da Igreja; prestando este serviço em louvor e adoração constantes a Deus e auxiliando o homem de diversas formas.
Quando por um ato de sua livre vontade o Senhor Deus resolveu iniciar a sua criação, Ele o fez de duas formas, ou seja, dividiu sua criação em duas: a criação visível e a criação invisível.
A criação visível de Deus é composta de tudo quanto os nossos olhos podem alcançar, ou melhor, tudo que os nossos sentidos percebem. Já a criação invisível é retrato do próprio Deus, que se faz visível por suas obras, mas é de natureza invisível.
A criação invisível de Deus é que, na realidade, une e coordena toda a natureza. Esta criação é super povoada por seres espirituais que têm por nome: Anjos. A palavra anjo tem um significado de mensageiro, enviado, emissário de Deus. Eles existem por um ato da vontade de Deus que os tirou do nada e os trouxe a existência.
Os Anjos de Deus são seres brilhantes e resplandecentes, dos quais emana luz, e são um espelho da glória de Deus. São seres poderosos diante do trono, sua luz intensa irradia energia, porque Deus, a fonte da luz, tem pleno domínio sobre Eles.
A Tradição Católica acredita que o número de anjos criados por Deus é muito superior ao número de homens criados, visto que cada homem, desde Adão até o último que aparecer na Terra, tem um Anjo de Guarda diferente.

Mais Um Amanhecer.


O dia está amanhecendo;
O sol começa a despontar no horizonte;
Em meu peito a inquietude provocada pela incerteza do que irá me acontecer;
É como se de repente tudo à minha volta tivesse perdido o seu sentido; Ponho-me a chorar, mas não sei exatamente o porquê.
Vejo pássaros que voam um vôo tranqüilo, parece que eles têm certeza do que buscam e de onde o encontrarão;
Começo a questionar-me sobre o que tenho desejado e onde buscar.
Os pássaros se perderam de vista,
E eu me perco em pensamentos.
Que certeza eu posso ter em meio a toda essa confusão?
O que me assegura que eu estou realmente vivo e não morto?
Parece-me que há uma cortina de trás da qual o sol acabou de sair.
Será possível erguê-la e dá uma olhada para ver o que acontece por lá e qual é o filme que passa sobre minha vida?
Não ter resposta para estas perguntas é torturante;
Não saber qual é o enredo do filme que envolve minha vida é muito triste e doloroso.
Mas, então, o que devo fazer?
Sentar-me e esperar tudo acontecer?
Não!
É necessário que eu mesmo crie o enredo do filme que eu quero para minha vida e certamente voarei livremente como os pássaros.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Nascimento.


Na graça da Divina Luz o Ser é concebido, com a seiva da vida e o sopro do amor. Lembro que vim por uma lágrima da árvore, que chorou de emoção ao ver descer a Divina Luz no casamento do Sol com a Lua, entre o céu imenso e a vasta terra.

Dessa lágrima que em gota do orvalho deslizou numa folha gentil, fui carregada suave pelo ar na aurora silenciosa da manhã e recebida ternamente pela rocha majestosa.

À beira do rio, no fluxo corrente da existência, nasci nutrida e banhada pelos raios do sol que por vezes se despediam da noite e da sua amada luz da lua, seu espelho translúcido. Quando o sol se esconde no horizonte, é para recolher-se e meditar na plenitude do Si mesmo.

Cresci com a árvore me oferecendo sombra e acalento; o ar me abençoando na respiração consciente; a rocha me ofertando suporte; o rio de água pura lavando meu corpo, minha mente e alma. O sol me aquecendo durante o dia, a lua me ninando durante a noite. No terno colo gentil do Ilimitado Pai e da Infinita Mãe, ambos me afagando na doçura da presença sublime.

Os amáveis animais que habitavam esta serena mata, vinham a mim com alimentos colhidos dos frutos e flores, das sementes e ervas. Até que me ensinaram a fazer isso por mim mesma.

E assim, este crescer a fluir e evoluindo integrada entre os elementos e os seres elementais, entre a natureza e os seres vivos, entre anjos e guardiões, entre a diversidade tão única, acreditando no ser natural e espontâneo. Saiba que o vento uiva muitos segredos que ainda não podem ser entendidos por aquele que não se abre à pureza do bom coração.

Os pássaros me ensinaram a cantar; as folhas nas copas das árvores e os bambus me ensinaram a dançar; as flores me ensinaram as virtudes nas cores e toda a diversidade encantada fazendo seu papel em me educar nos reais valores, com respeito, amor e compaixão.

Todo o dia o beija-flor me relembra a graça divina e num beijo recebo o carinho de sua brisa. Em seu vôo ágil, brilha radiante e me sussurra feliz: “Filha da Luz! Tu és Luz!”. Acredito que ele diz isso a todos por onde passa como mensageiro divino, porém nem todos páram para receber a mensagem nesse sinal tão belo e singelo.

Na dança das copas das árvores com o vento, algumas folhas caiam se espiralando em torno de mim. E a brincadeira acontecendo no cultivo de um encanto sem par. Aprender a beleza da integração, aprender a riqueza da simplicidade, aprender na força suave da natureza o que está além de palavras - o sentir...

Um dia, num beijo pela picada da serpente, recebi a magnífica iniciação do renascimento, no poder do veneno encontrei a sabedoria da transmutação. E a força vital que brilhava por meus poros e olhos, me fez ver o outro lado da vida que é a morte contínua de si mesmo.

Enquanto a larva e a borboleta me instruíam em como efetivar a real transformação do Ser, vez ou outra, a chuva deliciosa derramando-se sobre a terra fertilizando a beleza da vida renovada. Outras vezes os planetas e astros brincavam de esconde-esconde, enquanto os cometas e asteróides eram como pequenas estrelas rasgando o azul noturno do céu em raios de luz que escorriam pelo espaço, invocando o chamado do DESPERTAR!

Na agilidade serelepe dos esquilos; na alegria incrível dos cachorros e na liberdade inteligente dos gatos aprendo a amizade da pureza bondosa. Fortaleço-me na ordem e disciplina das formigas, me rendo na entrega das cigarras, e com cada bicho um aprendizado magnânimo.
Átma

um poema de rumi.


O segredo dos segredos se abriria para você.
A face do desconhecido
Oculto além do universo
Apareceria no espelho de sua percepção.
Na verdade, sua alma e a minha são a mesma
Este é o real significado de nossa relação
Entre nós não existe mais eu e você.
Acredite em mim. Tudo o que aparece
são as sombras e imagens.
A mão que as desenha é a mão do senhor
A pessoa não ama
A menos que ilumine sua alma
Ele não é um amante
A menos que gire como estrelas ao redor da lua
Se você olhar cuidadosamente, verá
que cada partícula no ar
Feliz ou triste está mergulhada
Dentro do sol do Universo Absoluto
Cada partícula está tão bêbada
e louca quanto nós.
União... é o jardim do Paraíso
Separação... é o sofrimento do Inferno
O amor permanente no universo
Sempre permanece coberto
E torna nu aquele que está coberto
Este é o ponto sutil.
Oh alma, quem é o seu amor? Você sabe?
Oh coração quem está dentro de você? Você sabe?
Oh carne, você busca um caminho para escapar
de forma desonesta.
Quem está puxando você para Ele?
Olhe. Quem está buscando por você?
O universo estava repleto de milagres.
O orvalho do amor estava misturado com a argila humana
Centenas de sacrifícios por amor
Entraram nas veias da alma e produziram uma única gota
Que é chamada de coração
Oh Amado, estamos mais próximos de você que o Amor.
Somos o solo no qual você anda
É razoável, na crença do amor,
Ver todos os universos através de você
Mas não ver você?
É necessário maturidade para o caminho do amor.
É necessário estar fora dos problemas da terra.
Curar a própria cegueira.
A verdade preenche o universo
Você tem olhos para vê-la?
.
Trecho do Poema - Tão louco quanto Nós
Por Rumi.

domingo, 29 de abril de 2012

Anjos Cabalísticos.


A palavra hebraica para anjo é Malakl, que significa "Mensageiro". As primeiras descrições sobre anjos apareceram no Antigo Testamento. A menção mais antiga de um anjo aparece em Ur, cidade do Oriente Médio, há mais de 4.000 a.C.. Na arte cristã eles apareceram em 312 d.C., introduzidos pelo imperador romano Constantino, que sendo pagão, converteu-se ao cristianismo quando viu uma cruz no céu, antes de uma batalha importante. Em 325 d.C., no Concílio de Nicéia, a crença nos anjos foi considerada dogma da Igreja. Em 343 d.C. foi determinado que reverenciá-los era idolatria e que os anjos hebreus eram demoníacos. Em 787 d.C. no Sétimo Sínodo Ecumênico definiu-se dogma somente em relação aos arcanjos: Miguel, Uriel, Gabriel e Rafael. Os escritos essênios, fraternidade da qual Jesus fazia parte, estão repletos de referências angelicais.

No Novo Testamento, anjos apareceram nos momentos marcantes da vida de Jesus: nascimento, pregações, martírio e "ressurreição". Depois da ascensão, Jesus foi colocado junto ao Anjo Metatron.

São Tomás de Aquino foi um estudioso do assunto. Ele dizia que os anjos são seres cujos corpos e essências, são formados de um tecido da chamada luz astral. Eles se comunicam com os homens através da egrégora, podendo assim assumir formas físicas.

Cabala - Kabbalah - deriva de Kabbel, que significa "recebimento", "aceitação", acervo de normas, heranças espirituais, religiosas, filosóficas e sociais, recebidas pelos iniciados. Tratado filosófico-religioso hebraico, cujo conteúdo visa decifrar um sentido secreto da Bíblia, através de uma teoria e um simbolismo dos números e das letras. A cabala é a ciência do nome de Deus, a tradição oculta ou esotérica dos hebreus.

Existem dois tipos de cabala: a teórica, que estuda o mistério da Divindade, a criação espiritual e a renovação do mundo em sete dias; e a prática, que estuda as Clavículas de Salomão, o Tarot, os Talismãs etc.

A cabala prática, por sua própria natureza, só pode ser transmitida oralmente, de coração a coração, só podendo ser assimilada através de envolvimento individual, seguro e profundo.

Para a cabala, a letra é uma potência. O agrupamento das letras forma um nome, dando origem a um centro poderoso de energia.

Deus é representado pela letra Yod que é a décima letra do alfabeto hebraico (Yod=10). Se juntarmos ao 10, as grandezas 15, 21, 26, que são pela numerologia os valores dos grupos de letras da palavra Jehovah, teremos como resultado 72 (10 + 15 + 21 + 26=72).

Como os judeus ortodoxos não pronunciam o nome de Deus, os cabalistas desdobraram a palavra Jehovah através dos três versículos misteriosos do capítulo 14 do Êxodos e acrescentaram os nomes divinos IAH, EL, AEL, IEL; com esses desdobramentos e terminações deram nome aos 72 anjos. Cada anjo tem influência em cinco datas do nosso calendário, porque por ordem divina, cinco letras hebraicas se juntaram a cada anjo, portanto 72x5=360. Faltaram cinco dias (31/maio, 12/agosto, 24/outubro, 5/janeiro e 19/março) para completar os 365 que formam o ano; os cabalistas designaram então estas datas, aos anjos da humanidade. Os anjos estão reunidos em nove categorias cada uma liderada por um príncipe que governa oito anjos.
Monica Buonfiglio.

Um sonho apenas.


Em geral não é difícil fazer um espírito recém-desencarnado desistir de passar o tempo a observar o cotidiano dos vivos. Basta lembrá-lo de quantas outras coisas mais interessantes e emocionantes ele poderia estar fazendo. Mas nem sempre é tão simples assim.
O dia já havia amanhecido e seria esplendoroso, nenhuma nuvem manchava o céu. O casal dormia profundamente na grande cama, os corpos astrais a flutuar sobre os corpos físicos como balões, ligados apenas pelo fino cordão. Uma diferença era marcante: o corpo astral da mulher estava sereno, tão quieto quanto seu corpo físico. Já o corpo astral do homem parecia em constante ebulição, refletia o seu desconforto. Sentado numa poltrona em frente à cama estava o motivo: um espírito raivoso, que alguns vivos chamam de encosto. Ele parecia em transe, mas olhou para mim quando me aproximei.
- Você de novo? Não desistiu? Espíritos bonzinhos não têm mais o que fazer? - ironizou.
Podemos também chamar estes espíritos de perdidos, um bom nome, mas não era esta a impressão que ele passava. Era determinado, seguro, certo de seus objetivos e também de como levá-los a curso. Queria vingança. No dia anterior eu já havia tentado mostrar que ele estava perdendo tempo, mas a raiva o deixava surdo aos meus argumentos. Por isto eu voltara com outro plano.
- Não, não desisti. E se você pode ficar por aqui, por que eu também não posso?
- Porque você não tem motivo, eu tenho. Morei na casa de campo desde criança e ele nunca me ajudou, só queria que eu cuidasse das plantas. Impediu até que eu estudasse, me condenando a ser jardineiro para sempre.
Como se eu fosse um escravo, uma outra propriedade! Em vida eu nada podia fazer, precisávamos do emprego, mas agora posso atingi-lo. E não tente me desmentir, basta olhar para ele. Depois que cheguei ficou nervoso, irritadiço, desanimado. Parece até que está envelhecendo mais rápido.
Era este o problema. Enquanto o espírito sentisse que ainda podia influenciar o mundo dos vivos, não conseguiria pensar em mais nada. Mas eu sabia como resolver a questão.
- Se o que você quer é atingi-lo, por que não fala tudo de uma vez?
- Como assim, falar? Eu estou morto! - replicou, como se eu fora um asno.
- Fale quando ele estiver sonhando. Ele vai ouvir.
- Você na certa pensa que sou algum tipo de idiota, não é? Se fosse tão fácil, todos os mortos falariam com seus parentes nos sonhos...
- Não estou falando que é fácil. Estou falando que sei como fazer para que ele te ouça.
- E como você aprendeu? - desconfiou, mas sem conseguir esconder o interesse.
Eu o havia fisgado.
- Estou no astral há séculos, tive tempo para aprender alguma coisa.
Ele ainda hesitou um momento, mas depois acenou com a cabeça, pedindo para que eu fosse em frente. Solene, flutuei até o corpo astral do homem e com alguns leves e precisos movimentos consegui atrair sua atenção. Depois não foi difícil induzi-lo a me acompanhar. O espírito raivoso parecia admirado com minha destreza, o plano estava funcionando. Sem perda de tempo, comecei a falar:
- Você está sonhando, mas pode nos ouvir. Preste atenção, pois agora você terá um encontro importante. Vai descobrir quem anda te amedrontando e atrapalhando a vida.
Então fiz um sinal para que o espírito se aproximasse. Ansioso, ele colocou-se frente a frente com o corpo astral do vivo, que o reconheceu e reagiu de pronto. Sorrindo com desdém, desviou o olhar e passou a flutuar a esmo pelo quarto, como um balão de criança, como uma pluma solta ao vento. O espírito não se conteve, explodindo de raiva:
- Chame-o de volta! Ainda nem comecei a falar!
- Não adianta, você acaba de perder a influência sobre ele. Não há dúvida que ele recebia uma vibração negativa, mas ela tornou-se inofensiva agora que ele sabe de quem partia. Afinal, você está morto e ele não acredita em vida após a morte. Mau-olhado não pega em quem não acredita, nunca ouviu falar? Agora ouça o meu conselho, siga o seu caminho.
- Vou continuar aqui e ninguém pode me impedir! - insistiu, irado.
- Você prefere mesmo assistir às vidas dos outros ao invés de se interessar pelas suas? Não tem nem curiosidade em saber quem foi e o que fez nas encarnações anteriores?
Antes que o espírito respondesse, um despertador disparou. No mesmo instante os corpos astrais do casal voltaram para seus corpos físicos, sugados violentamente. Logo o homem sentou-se bocejando e desligou a campainha. Depois esfregou os olhos e percebeu que sua mulher também despertara. Então começou a falar.
- Você não imagina o sonho maluco que tive esta noite. Estava preso numa espécie de areia movediça úmida, escura e espessa, mas, conformado, nem tentava fugir. Foi quando surgiu alguém que conseguiu me tirar de lá facilmente, avisando que faria uma grande revelação. Mas não pôde fazê-la. Fomos interrompidos, sabe por quem? Pelo filho da caseira de Teresópolis, aquele que morreu atropelado no mês passado. Pode? Como era mesmo o nome dele? O engraçado é que logo depois passei a me sentir melhor, como se uma âncora tivesse sido arrancada dos meus pés. Que loucura, né? Sonhos são mesmo uma grande bobagem, nada faz sentido! O bom é que acordei sem dor na cabeça e nas costas. Acho até que vou ao clube jogar tênis.
O espírito ficou a pensar, amargurado, até que virou-se para mim.
- Vou embora - afirmou, vencido.
- Sabe para onde ir? - perguntei.
- Não, mas encontro o caminho sozinho.
- Boa sorte, então.
Sem sequer me responder, o espírito atravessou a parede e partiu em busca de passado e futuro. Deixei-me ficar ali a meditar sobre como é forte e instável o impulso de vingança, até que a voz da mulher me interrompeu.
- Falando em Teresópolis, precisamos despedir a Dona Rita. Depois que o filho morreu, ela não trabalha como antes, vive a choramingar pela casa. Vou ligar para umas amigas e ver se elas conhecem alguém mais jovem, sem filhos, de confiança e que aceite morar na serra.
- Cuidado para não se cansar com tanto afazeres - ironizou ele, alfinetando a mulher.
Ainda bem que o espírito não estava mais ali, senão eu teria trabalho dobrado para convencê-lo a partir! Mas o casal não precisava de influência externa para viver sob tensão, o clima era de guerra. Colhiam o que plantaram.
Antes que ela reagisse, bateram na porta. Era a empregada, carregando uma bandeja.
- Elza, não precisa mais trazer os remédios junto com o café. Seu patrão acordou melhor.
- Foi porque pedi por ele no centro, patroa. Vivo no meio desde pequena, a senhora sabe, sinto as coisas. Tinha um espírito ruim encostado no patrão, mas com certeza enviaram um bom para buscá-lo.
- Ah tá, Elza, você e seus espíritos! Ele melhorou e pronto, foi só isso! - desdenhou a patroa, caminhando até o espelho.
- Meu Deus, como estou envelhecida! Plásticas, ginástica e ainda uma fortuna com médicos, cremes e massagens! Não sei mais o que fazer para parecer jovem!
Em vez de aproveitar a dádiva de estar vivendo numa escola rica como a Terra, ela preferia apenas sonhar com o dia em que pareceria outra vez jovem. E, mesmo que este dia chegasse, ela em nada melhoraria. Continuaria apenas se preocupando em não envelhecer, em burlar a natureza.
Ora, para ficar mais jovem basta nascer de novo, pensei, amargurado, saindo pela janela.
Lá fora o dia continuava magnífico e eu tinha mais o que fazer.
Carlos Luz.