contos sol e lua

contos sol e lua

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Noite Solitária.


A noite é um véu escuro
que encobre a claridade macia
torna-se quase um muro
impedindo a dádiva do dia

E como tudo encoberto é misterioso
existem coisas que devo ressaltar
na noite tudo pode ser odioso
ou tudo pode se amar

Noite fria, noite dia, notche mia, noite, noite, noite...

Quase sempre é assim
martírios, eterna repetição
noites que provocam dentro de mim
fonte enorme de solidão

Solidão não é estar simplesmente sozinho
porque podemos estar sós no meio de uma multidão
solidão é um estado estranho
que mostra o vazio do próprio coração

Talvez a noite grandiosa dos boêmios
ou a noite alegre dos festivos
sejam apenas ilusões a circundá-los
sem temas ou motivos

Mas, mesmo assim não consigo
ver na noite seu lado alegre
período extenso e dolorido
tortura longa, mesmo sendo breve

Noite, solitária, escura e impiedosa
torturante fim da luz, presente grandioso
que fere até que surja milagrosa
a aurora de um novo dia, maravilhoso.
F. Neves.

O Culto Da Rosa.


Ah! Minha alma da vida
rainha das flores de Safo
que semeia a beleza
sou teu inseto que te leva o grão de pólen teu adepto mais fiel

Ah! Flagrante anímico de Deus
herbácea perene,
deusa dos meus sonhos,
perfume mais fino que possa existir
teor mais metafísico dessa imanência

Quero sentir o teu mais leve olor
alcançar teu gineceu, tua beleza incomparável,
tua variedade trepadora
tua instalação divina nos jardins
o teu etéreo emanar

Quero a de Sharom,
santificada por Salomão no Cântico dos Cânticos;
a realeza da de Hélios

Quero a das sessenta pétalas dos jardins de Midas que figuraram nas armas dos heróis da guerra de Tróia;
quero as que desapareceram dos jardins suspensos da Babilônia;
a das águas que Vênus embalsamou o corpo de Aquiles;
a que coroou o soldado romano depois da queda de Cartago;
a que é Príncipe Negro, o negro que é vermelho bem escuro.

Quero a da santa de Viterbo,
a que fora proibida pelo pai de dar esmolas aos pobres;
quero a Chá, Sinensis, a mais antiga oriunda da China;
a Azimutal Sideral que auxiliou a navegar o Índico sob as estrelas de distâncias polares no rumo do horizonte.

Quero a dos gregos, nos rumos da Torre dos Ventos, chamada Rhodon;
a Rústica de Giulio Cesare Cortese;
a que o lapidário inspirado homenageia a Holanda ou Antuérpia pra encher os olhos do polidor de diamantes;
a Mística,
a santificada de Isabel,
a Santa-Maria,
a da chuva do Vaticano,
a das meninas recém-nascidas.

Quero a que Tagore poetou:
"passando de folhas para flores porque começaram a amar..."

Quero a do Ouro do Papa Gregório II;
a da Rainha Josefina,
a das pedras no quintal;
a que o rodólogo, exímio amante, multiplica com sua dedicação;
a Azul utópica.
a de Hildesheim, de mil anos,
a da guerra de York e Lancaster,
a de Joaquim Fontes que está comigo,
a Gallica, de propriedades medicinais;
a de Malherbe,
a dos tesouros da moura encantada que não desmente o que promete nem retoma o que dá.

Quero a Malvácea Aurora em sua metamorfose durante todo o dia até sabê-la Amor-de-Homem;
a Brinco-de-Rainha,
a Malva,
a Super-Star
a do monte dos Alpes;
a Altéia que me cura com seu amor e ainda me farta a fome, a Geléia Rosela, a Caruru Azedo;
a de Lima, a primeira santa nativa do continente americano, simples de idade peruana;
a de Bokor e a jovem princesa apaixonada pelo oficial japonês no extinto cinema cambojano;
a da cachaça com erva doce, canela em pau, cravo e calda grossa de açúcar: a do Sol;
a dos ventos do lirismo erótico da poetisa uruguaia Juana Hernandez de Ibarbourou, a Juna de América;
quero a de Yeats, o homem que sonhava com o país das fadas e escrevia versos para quando você ficar velho;
a de Engandi, nos versos que viraram estudo psicozoológicos do guatemalteco Arévalo Martinez;
a de Cem Folhas do poeta galego Ramon Cabanillas;
a da Cruz do poeta russo Blok;

quero a de Luxemburg com o sonho abatido a bala;
a do Povo de Drummond,
a de Raoom,
a rosa rosa
todas numa só que é uma só
a rosa.
L. A. Machado Nascente

Meu Tempo.


Difícil prá mim falar das coisas simples.
Fácil prá mim sentir as coisas simples.
Algo me deixa aflito. Me deixa no ar.
Vida sôlta. Solta a vida!...deixe-a reinar.
Mergulho em mim, e nada encontro além do que sou
É mar imenso, sem referencial. Não sei onde estou.
Tempo? Espaço? Nada disso é palpável.
O que sou além do que mostro ser?
Onde vou? Se nem sei onde cheguei!
Mar de mim mesmo. Preso estou.
Se me solto, prá onde vou?
Ir e vir. Ondas no meu mar
Sem rumo e em todos os rumos.
Eu flutuo... Eu mergulho...
Continuo não sabendo onde estou.
Como preencher meu coração vazio?
Prá quem tem esperança o tempo é "quando"
Prá quem tem saudade o tempo é "ido"
Prá quem não tem rumo, todo o tempo é sofrido!.
Melhor tempo nenhum,
Melhor nenhum lugar
Melhor partir do que ficar.
Na eternidade dessa dúvida.
Na crueldade da mentira.
Na solidão do não ser.
Prefiro a paz da ascese
Prefiro a mansidão de saber...
Que do outro lado da vida
Há alguma razão escondida
Que justifique o viver!

Lenda.


O gelo cobre a terra
É onde nunca esteve antes
Muitos vivendo petrificados na noite
E toda a luz se foi

Uma mulher - um menino
Um erro que aconteceu - Um Senhor sombrio se alegra
Sua beleza - sua bondade
Os unicórnios - chegaram ao seu peito
Encantados - ambos são
Olhos são fixados de um ao outro
Sombras arrastam para trás
Reivindicar pela magia do chifre do unicórnio
A noite foi renascida pelo unicórnio

A menina foi aos prantos pelos pecados
Sua dor cresce por dentro profundamente
Fugindo em agonia
Ela não poderia ver para descobrir

Alguém espera - para que ela vá
O Senhor mais sombrio - ele a quer também
Ele próprio deve - ela é uma luz especial
Por sua doçura - Nas noites mais escuras
Este menino - consumido pelo amor
Deve encontrar o seu caminho - Os senhores sombrios dominam
Lutando contra - para encontrar o seu amor
E reivindicar a magia chifre do unicórnio

Através da escuridão e desespero leva-lhe o amor
Avançar em rápidas asas através labirintos na frente dele
Guiados por espíritos que permanecerão ao seu lado
Ele deve curar o seu mundo novamente

Salve sua princesa das sombras tire-a de sua prisão
O crescente mal pretende governar o mundo com punhos de ferro
Lutar por um beijo de seus doces lábios ele irá
Ele trouxe de volta à luz, tornando as coisas certas
E assim a lenda diz


Através da escuridão e desespero leva-lhe o amor
Avançar em rápidas asas através labirintos na frente dele
Guiados por espíritos que permanecerão ao seu lado
Ele deve curar o seu mundo novamente

Salve sua princesa das sombras tire-a de sua prisão
O crescente mal pretende governar o mundo com punhos de ferro
Lutar por um beijo de seus doces lábios ele irá
Ele trouxe de volta à luz, tornando as coisas certas
E assim a lenda diz.Wiképedia.

Unicórnio.

As informações sobre os seus poderes remontam de 398 a. C, quando alguns viajantes relatavam terem visto unicórnios em países distantes. A descrição era de um animal com corpo de cavalo, patas traseiras de gazela, rabo de leão, barbas de bode e, da testa saía-lhe um chifre comprido e retorcido. Este chifre teria a virtude mágica de descobrir a presença de venenos, motivo pelo qual era procurado com afinco.
Ele figura em diversos desenhos contidos nos livros de tratados alquímicos para representar num único ser a reunião dos opostos. Os herméticos, quando estavam prestes a realizar uma grande descoberta, desenhavam um unicórnio como uma espécie de guardião desta informação. Também simboliza com seu chifre no meio de sua fronte, a flecha espiritual, o raio solar, a espada de Deus e a revelação divina. Os alquimistas viam no unicórnio a imagem do hermafrodita (homem e mulher); um ser que transcende a própria sexualidade.
Durante a Idade Média, na iconografia cristã, transformou-se no símbolo da encarnação do verbo de Deus no seio da Virgem Maria, ou seja, a virgem fecundada pelo Espírito Santo.
Na China, o nome do unicórnio é Ki lin, símbolo da mansidão e da boa sorte. Esta designação representa o masculino-feminino, o yin e yang, uma caracterização também aceita no Ocidente. Embora seja um animal contido apenas nas histórias e lendas, ele aparece em quase todas as culturas, simbolizando as qualidades que o ser humano ainda precisa ter: retidão e paz de espírito para conquistar seu caminho evolutivo.
Na Idade Média, os poderes medicinais do chifre do unicórnio constavam na lista dos remédios aprovados pela Sociedade Inglesa de Medicina. Seu preço era exorbitante; os comerciantes justificavam que "esse animal vivia na Índia e era muito difícil a sua captura". A dança do unicórnio é um divertimento que acontece ainda no Extremo Oriente na festa do meio do outono. O unicórnio seria uma variante do dragão - outro símbolo régio - representado como o senhor da chuva que luta contra o sol e o responsável por secas e calamidades. Assim como o dragão, ele teria nascido das nuvens (inconsciente), sempre anunciando chuvas fertilizantes e abundância de água (limpeza). Este animal mitológico representa a pureza da alma, o inconsciente do homem, a força, a retidão e a palavra de Deus.Wiképedia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CREDO DE UM GUERREIRO .(Samurai Anônimo séc. XV)


Superação e Força.
Espirito de um Tigre.
Não tenho país: fiz do céu e da terra meu país.
Não tenho lar: fiz da percepção o meu lar.
Não tenho vida ou morte: fiz do fluir e do refluir da respiração a minha vida e minha morte.
Não tenho poder divino: fiz da honestidade o meu poder divino.
Não tenho recursos: fiz da compreensão os meus recursos.
Não tenho segredos mágicos: fiz do meu caráter o meu segredo mágico.
Não tenho corpo: fiz da resistência o meu corpo.
Não tenho olhos: fiz do relâmpago os meus olhos.
Não tenho ouvidos: fiz da sensibilidade os meus ouvidos.
Não tenho membros: fiz da diligência os meus membros.
Não tenho estratégia: fiz da mente aberta a minha estratégia.
Não tenho perspectivas: fiz de "agarrar a oportunidade por um fio" as minhas perspectivas.
Não tenho milagres: fiz da ação correta os meus milagres.
Não tenho princípios: fiz da adaptabilidade das circunstâncias os meus princípios.
Não tenho táticas: fiz do pouco e do muito as minhas táticas.
Não tenho talentos: fiz da agilidade mental os meus talentos.
Não tenho amigos: fiz da minha mente o meu amigo.
Não tenho inimigos: fiz do descuido o meu inimigo.
Não tenho armadura: fiz da benevolência e da imparcialidade a minha armadura.
Não tenho castelo: fiz da mente imutável o meu castelo.
Não tenho espada: fiz da ausência do ego a minha espada.

O poço dos desejos.

O jovem Samurai Yuzo completava naquele dia dezesseis anos. Olhou pela janela do Castelo Daimyo e avistou a imensa paisagem verde e as montanhas de Kobe que contornavam a paisagem da manhã. O menino guerreiro habitava a torre central e mais alta da residência aonde se instalavam os cavaleiros cujo ofício e meta de vida era a defesa do Clã. A luz em forma de espada atravessava o corredor do quarto, o que denunciava que há muitas horas o dia amanhecera. O Silêncio nos alojamentos que ladeavam o quarto era grito aos ouvidos: Um Samurai só se entrega ao sono da morte.
Enquanto todos os jovens soldados espalhavam-se entre os jardins, templos e ruelas, Yuzo detinha-se diante do reflexo de seu rosto no prato de água sobre a mesa de pedra. Afundou as mãos na água e as trouxe ao rosto. As gotas desciam dos dedos em movimento rápido e sentiu a umidade fria o despertando para o dia. Há semanas uma voz interior o incomodava. Há dias os rituais do templo se apresentavam sem as cores habituais do arco-íris. Não havia mais sabor no arroz cozido, não havia nenhum sentido na disciplina dos exercícios de guerra. Para ele todas as chamas da casa iluminavam unicamente a porta do calabouço aonde eram guardadas as provisões de inverno.
O rapaz desceu as escadas estreitas aonde a luz ia findando-se à medida que avançava. O menino Samurai não soube quanto tempo esteve sentado nos degraus gelados do subsolo do castelo. As pupilas se misturavam ao escuro e acostumadas à pouca luz lhe davam a nítida impressão que este era seu real habitat. Olhou sobre os ombros a pequena abertura na parede perto do teto e lá fora estava o caminho das nuvens. A estreita porção do céu oferecia uma nesga de luz ao quarto escuro. O jovem continuava sentado na base alta dos degraus e as pernas balançando frente à parede de pedra. Com o arrastar das horas já não via a luz da manhã. Ergueu os olhos sobre os ombros e descobriu na pequena abertura a pouca luminosidade da lua. A voz que lhe vinha do peito era um uivo de lobo em noite de lua. Sentia o sangue descendo em abundância sob a armadura, mas o Jovem Yuzo não sabia o tamanho da espada que o cortara. As lembranças estavam se tornando branquinhas como areia entre os dedos e distante como um canto de infância. Um novelo embaraçado de pensamentos e sentimentos lhe contornava a alma e o arrastavam para o fundo. O rapaz sentia-se preso entre os degraus de pedras e o brilho da lua.
Deitado sobre o braço direito, tendo o esquerdo sobre a testa, viu na pequena luminosidade o inseto rodopiando a estreita janela. A pequena borboleta dava voltas em torno de si como um beija-flor em movimento. O menino olhou demoradamente o bailado da borboleta. Seria uma borboleta ou um grande inseto de luz perdido do grupo? O bichinho alado entrou no calabouço e percorreu os sacos de mantimentos. Passou sobre a cabeça do jovem, rodopiou-lhe os ombros. Yuzo levantou-se rápido tentando alcançar o que era realmente uma borboleta luminosa. O animal inquieto avançou sobre os degraus estreitos que conduziam à saída do Depósito de alimentos. O rapaz corria agora atrás da borboleta pelos corredores do palácio. O inseto corria entre as árvores do Jardim e o jovem guerreiro esqueceu-se da ferida e do sangue que lhe encharcara as roupas durante todo o dia. A branda luminosidade da lua mesclava com a neblina da madrugada. O menino caminhava devagar, pois que já não via a borboleta e nem mesmo as árvores. A luz do sol chegava entre a vegetação da planície, vinda lá das altas montanhas que contornavam o lugar. A luz em forma de espada terminava para Yuzo em um poço de pedra. O menino lembrou-se da estória do poço que seu avô sempre contava à Hora do Chá. Ali estava O Poço dos Desejos dos primeiros Samurais. Há muitos anos o Imperador mandara cobrir o poço sem água, pois que com o passar dos anos servira apenas de berço às aves mortas e meninos desatentos. O jovem aproximou-se do Poço e sentiu a serenidade úmida da água em sua imagem refletida. A palidez do rosto denunciava a falta de alimentação e a tristeza. Deteve-se por alguns instantes diante do reflexo que balançava lentamente entre o contorno das pedras. O avô contara que os primeiros Guerreiros Samurais quando dirigiam-se para uma grande batalha olhavam, antes nas águas do poço, sua imagem refletida. Se não conseguissem visualizar o reflexo seria o caminho inevitável da morte o que era tão honrado quanto a volta vitoriosa. O Soldado Samurai lançava então sobre as águas um desejo de que qualquer que fosse o seu destino haveria de ser coberto pelo manto da Honra. Buscava pela segunda vez a imagem. Na verdade, explicava o velho avô, o poço refletia o destino da alma de um guerreiro, pois que a Morte não é eterna, a Honra sim. O menino olhou mais uma vez seu rosto na água. O brilho da luz do sol em forma de espada estendia-se verticalmente sobre os ombros e a armadura ganhara uma cor dourada. Seu rosto roubara do arco-íris o tom róseo e seus cabelos desciam negros e brilhantes sobre a armadura de guerra. O menino avançou a ponta dos dedos em direção ao poço de pedra na tentativa de alcançar a imagem do valente guerreiro.
É você Yuzo!Wikepédia.