contos sol e lua

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Face Humana de Jesus.


Quais são os mistérios que ecoam na trajetória do homem que mudou a história da humanidade. Na busca pela humanidade de Jesus, e pelo debate de mistérios que intrigam grande parte da humanidade há séculos,a revista ISTOÉ fez 14 perguntas sobre a vida de Cristo a especialistas, autores consagrados e lideranças religiosas.
Confira abaixo a íntegra da matéria:
A descoberta dos restos da casa de uma família que viveu no tempo e na região de Jesus de Nazaré animou arqueólogos e entusiastas bíblicos no último dia 21. Ainda que ela não tenha vínculos diretos com o Messias, essa descoberta joga luz sobre um Jesus que vai além da figura mítica que morreu na cruz, como contam os evangelhos do Novo Testamento. Ela alimenta quem vive para especular o lado humano do Filho de Deus, que a Igreja nunca deixou se sobrepor ao divino. Mas o interesse por detalhes históricos de alguém como Cristo é compreensível. Afinal, foi esse judeu da Galileia quem plantou a semente da religião mais influente do mundo. E, para quem lê os evangelhos como relatos biográficos, um erro de princípio, segundo os especialistas, as lacunas parecem implorar por especulações. O Novo Testamento não traz, por exemplo, nenhum registro sobre a vida e as andanças de Cristo entre os 15 e 30 anos de idade. “Porque esses anos não são importantes”, explica Pedro Vasconcelos Lima, teólogo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para a igreja, tudo de relevante sobre a missão de Cristo na terra está na “Bíblia”. Mas é o suficiente? A clareira histórica aberta por esses 15 anos perdidos é uma das brechas mais exploradas por estudiosos, uns mais honestos que outros, para especular sobre a vida e Jesus. Mas ela não é a única. Outras foram encontradas nas entrelinhas dos 27 livros, 260 capítulos e 7.957 versículos do Novo Testamento. Mais algumas foram pesquisadas, com base em descobrimentos arqueológicos que variam de objetos do tempo de Jesus a textos de grupos religiosos do cristianismo primitivo, no longínquo século I d.C. E, por mais que a Igreja prefira não tratar de alguns detalhes das faces divina e humana de Cristo, os mais de um bilhão de fiéis não param de fazer perguntas.
É na humanidade de Jesus que melhor podemos compreender a dimensão de sua divindade”, reconhece Frei Betto, religioso dominicano autor do recém-lançado “Um Homem Chamado Jesus”. Na busca pela humanidade de Jesus, e pelo debate de mistérios que intrigam grande parte da humanidade há séculos, ISTOÉ fez 14 perguntas sobre a vida de Cristo a especialistas, autores consagrados e lideranças religiosas. Em que época foram escritos os Evangelhos e quem os escreveu? Jesus teve irmãos? Maria foi virgem durante toda sua vida? Jesus estudou? Qual profissão seguiu? Como era fisicamente? Esteve na Índia? Deixou alguma coisa escrita? Teve um relacionamento amoroso com Maria Madalena? Teve filhos? Por mais simples ou absurdas que algumas dessas questões possam parecer, elas merecem uma discussão. “Algumas realmente atormentam a vida dos fiéis”, reconhece o padre mariólogo Vicente André de Oliveira, membro da Academia Marial de Tietê, no interior de São Paulo. As respostas apontam caminhos, mas não têm a aspiração de ser definitivas. O estudo científico da vida do Messias ajuda na construção do que se convencionou chamar de Jesus histórico. Em esforço que surgiu no final do século XVIII e ganhou ritmo com importantes e raras descobertas arqueológicas no século XX (leia quadro na página 76), um Jesus que vai além dos relatos bíblicos começou a ganhar forma.
Ele surgiu do debate acadêmico do que podia e não podia ser considerado fonte para o entendimento da vida que o Nazareno levou na Terra. E, como a fé cristã, evolui e ganha novos contornos diariamente. Para o fiel bem resolvido, não há disputa entre o Jesus histórico e o bíblico, ou divino. “Cristo trouxe uma mensagem poderosa de amor e perdão que é inatingível”, afirma Fernando Altemeyer, professor de teologia e ciências da religião da PUC-SP. Para quem crê, é esse o legado do homem de Nazaré. Mas toda informação que contribuir para montar o quebra-cabeça dessa que é a mais repetida e famosa história da humanidade será bem-vinda.
Jesus nasceu em Belém ou Nazaré?
Embora os evangelhos de Mateus e Lucas afirmem que Jesus tenha nascido em Belém, é muito provável que isso tenha ocorrido em Nazaré. “Todos os grandes especialistas bíblicos são unânimes em admitir que Jesus nasceu em Nazaré”, afirma Frei Betto, religioso dominicano autor do recém-lançado “Um Homem Chamado Jesus”. Ao que tudo indica, Lucas e Mateus teriam escolhido Belém como cidade natal de Jesus para que suas versões da vida de Cristo se alinhassem a uma profecia do Antigo Testamento, segundo a qual o Messias nasceria na Cidade do Rei Judeu, ou seja, a Cidade de Davi, que é Belém. Quanto à afirmação de que Jesus teria nascido em uma manjedoura rodeado de animais, Sylvia Browne, americana autora do best seller “A Vida Mística de Jesus”, é taxativa: “Tanto José quanto Maria provinham de famílias judias nobres e prósperas, de sorte que Jesus nasceu em uma estalagem e não em um estábulo, rodeado de animais”, diz. “José, de família real, não podia ser pobre – era um artesão especializado.” A afirmação de Sylvia é contestada por Fernando Altemeyer, professor de teologia e ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Afirmar que a ascendência nobre de José garantiria o bem-estar da família não faz sentido”, argumenta. Ele lembra que Davi é do ano 1000 a.C. e em um milênio sua fortuna certamente teria se dispersado. “Fora que a ascendência entre os judeus vem de mãe, não de pai”, explica. Para o teólogo, são muitas as fontes independentes que tratam da pobreza da família de José e é quase certo que Jesus tenha nascido em um curral e morado em um gruta com o pai e a mãe, que não eram miseráveis, mas tinham pouca terra e viviam como boa parte dos judeus pobres das áreas rurais.
Quando Jesus nasceu?
Uma coisa é certa: ele não nasceu no dia 25 de dezembro. E a razão é simples. Esta data coincide com o solstício de inverno do Hemisfério Norte, quando uma série de festas pagãs, muito anteriores ao nascimento de Cristo, já aconteciam em homenagem a divindades ligadas ao Sol e a outros astros. Ao que tudo indica, o dia foi adotado pelos católicos primitivos na esperança de cristianizar uma festa pagã. Faz sentido. Jesus também significa “Sol da Justiça”, o que faz dele um belo candidato a substituto de uma efeméride como o solstício de inverno. Se Jesus não nasceu em 25 de dezembro, a Igreja Católica também não sabe qual o dia nem o ano exatos. Os registros abrem um leque relativamente grande de possibilidades. É certo, porém, que o nascimento aconteceu antes da morte do rei Herodes, em 4 a.C., já que foi ele quem pediu o recenseamento que teria obrigado a viagem de Maria e José a Belém. Quanto ao mês e o dia, só há especulações. Para o padre mariólogo Vicente André de Oliveira, da Academia Marial de Tietê, no interior de São Paulo, Jesus teria nascido entre os meses de setembro e janeiro, quando, segundo ele, eram tradicionalmente feitos os censos em Belém. Já as pesquisas do astrônomo australiano Dave Reneke mostram que a estrela que teria guiado os Reis Magos apareceu em junho – crença compartilhada por parte da comunidade católica. Wagner Figueiredo, colunista do site Mistérios Antigos e autor de “Trilogia dos Guardiões – O Êxodo”, por sua vez, coloca as fichas no oitavo mês do ano, que, segundo ele, seria o período oficial de recenseamento dos romanos.
Quem e quantos foram os Reis Magos?
Se realmente existiram, os Reis Magos não eram reis e provavelmente não seguiram estrela nenhuma. O único registro dessas figuras nos evangelhos canônicos, ou oficiais, está em Mateus, que fala dos magos do Oriente e de uma estrela seguida por eles. Mas a menção não diz quantos eram os visitantes nem se eram, de fato, reis. “Como esses magos trouxeram três presentes, supõe-se que eram três reis”, explica o cônego Celso Pedro da Silva, professor de teologia e reitor do Centro Universitário Assunção (Unifai), em São Paulo. A versão atual da história se formou junto com o forjar de diversas tradições católicas durante o primeiro milênio da Era Cristã. Convencionou-se chamar os visitantes de Melchior, rei da Pérsia, Gaspar, rei da Índia, e Baltazar, rei da Arábia. Também ficou estabelecido que eles teriam trazido incenso, ouro e mirra como presentes ao recém-nascido. Para Wagner Figueiredo, colunista do site Mistérios Antigos e autor de “Trilogia dos Guardiões – O Êxodo”, os três seriam, ainda, astrólogos ou astrônomos, já que usaram uma estrela para guiá-los até Belém. “Mas não sabemos se a estrela de Belém era mesmo uma estrela”, diz Figueiredo.Ela pode ter sido um cometa, uma supernova ou o alinhamento celeste de planetas”, explica. Em consulta ao histórico astronômico de então, Figueiredo descartou a possibilidade de a estrela ser um cometa. Segundo ele, o único fenômeno astronômico desse tipo visível da Terra em anos próximos ao nascimento de Jesus foi a passagem do cometa Halley. Mas o Halley riscou o céu em 12 a.C., no mínimo cinco anos antes do nascimento de Jesus, o que o elimina como candidato a estrela de Belém. Um registro do que hoje chamamos de supernova por astrônomos chineses na constelação de Capricórnio no ano 5 aC. é o candidato mais forte. “A supernova, que é a explosão de uma estrela, cria um forte ponto luminoso no céu”, especula Figueiredo. Ele lembra, ainda, da impressão de movimento que esses fenômenos deixam, o que as alinha com a descrição que se tem da estrela de Belém. A terceira e última possibilidade de explicação astrológica trata do alinhamento de planetas entre os anos 7 a.C. e 6 a.C. Na primeira tese, Júpiter e Saturno se alinharam criando um ponto luminoso que caminhou pelo espaço entre maio e dezembro daquele ano. Já na segunda, Júpiter, Saturno e Marte se aproximaram na constelação de Peixes, formando um único e poderoso ponto luminoso no céu.
Jesus teve irmãos? Maria se manteve virgem?
Muito da discussão em torno dessa pergunta se deve à ambiguidade do termo grego adelphos, que para alguns significa irmão, enquanto para outros significa companheiro, amigo. Nos evangelhos de Mateus e Marcos e na carta de Paulo aos Gálatas, a palavra surge e, para quem é partidário da primeira interpretação, confirma a existência de irmãos e irmãs de Jesus. Segundo Rodrigo Pereira da Silva, professor de teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp-EC), se os irmãos existiram, eles seriam seis – quatro homens e duas mulheres –, identificados no Evangelho de Marcos. Silva lembra também que no evangelho apócrifo de José fala-se que o pai de Jesus era viúvo quando se casou com Maria e que teria filhos do primeiro casamento. O teólogo ressalva, porém, que duas situações narradas pelos evangelhos canônicos, tidos como fonte mais confiável, depõem contra essa interpretação. “Esses supostos irmãos dão ordens a Jesus”, argumenta. “Isso jamais aconteceria se eles fossem, de fato, irmãos, porque Jesus foi o primogênito. E o mais velho, na Galileia de então, tinha autoridade sobre a família”, diz.
Soma-se a isso o fato de Jesus ter confiado sua mãe ao apóstolo João no momento da crucificação, segundo está descrito no Evangelho de João, e não a um de seus supostos irmãos. Sabe-se também, a partir dos textos bíblicos, que, além de Maria, mãe de Jesus, nenhum parente direto do Messias estava ao pé da cruz quando ele foi morto. O rechaço da igreja à possibilidade da existência de irmãos de Jesus se explica. Se a teoria fosse verdadeira, iria contra um dos dogmas marianos segundo o qual a mãe de Jesus teria dado à luz virgem e assim permanecido até a assunção de seu corpo aos céus. Por isso o apego ao problema de tradução da palavra adelphos e aos sinais que estão na “Bíblia” da ausência de irmãos (segundo interpretação oficial). Para o padre mariólogo Ademir Bernardelli, da Academia Marial de Aparecida, no interior de São Paulo, a existência ou não de irmãos é mais simbólica do que prática. “A virgindade de Maria é uma tradição que foi criada com o tempo”, diz Bernardelli. “A pergunta pela virgindade no parto ou depois do parto nunca foi um assunto discutido entre a hierarquia católica primitiva, só surgiu depois”, afirma.
Especulação ou não, a tese de que Jesus teria irmãos ganhou força com um precioso achado arqueológico em 2002. Chamado de ossuário de Tiago, o artefato é uma urna de pedra-sabão com as inscrições “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. Embora a Igreja conteste as inscrições, feitas em aramaico, o objeto atraiu a atenção tanto de sensacionalistas quanto de estudiosos. A urna é, sem dúvida, legítima e data do tempo de Cristo. Já a autenticidade das inscrições, mais especificamente a parte que diz “irmão de Jesus”, ainda está sendo avaliada pela comunidade arqueológica internacional. Se comprovada, esse seria o primeiro e único objeto vinculado diretamente a Jesus já descoberto.
Jesus estudou? Qual profissão seguiu?
Para Wagner Figueiredo, colunista do site Mistérios Antigos e autor de “Trilogia dos Guardiões – O Êxodo”, Jesus teve formação intelectual mais rica do que se supõe a partir dos evangelhos. “Era comum, na Antiguidade, que os mais ricos custeassem os estudos dos prodígios apresentados ao conselho do templo”, diz. Cristo era uma dessas crianças brilhantes e certamente não passou despercebido no templo, onde chegou a protagonizar uma cena curiosa, aos 12 anos, quando colocou os sábios para ouvi-lo. Mas mesmo que tenha tido uma formação, Jesus continuou como um homem de hábitos e mentalidade rurais. “Podemos chamá-lo de um caipira antenado, que tinha sensibilidade suficiente tanto para dialogar com o povo quanto com a elite intelectual de sua época”, resume Paulo Augusto Nogueira, professor de teologia da Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo.
Segundo o americano H. Wayne House, autor do livro “O Jesus que Nunca Existiu”, o Messias provavelmente sabia ler em hebraico e aramaico e escrever em pelo menos um desses idiomas. Suspeita-se, também, que falava um pouco de grego, a língua comercial da época.
Quanto à profissão que seguiu, há controvérsias. E as dúvidas surgem por causa de uma palavra ambígua, usada nos registros mais antigos dos evangelhos. Neles, José é apresentado como “tekton”, uma espécie de artesão que faria as vezes de um mestre de obras. Ele teria, portanto, as habilidades de um carpinteiro, mas não apenas. Jesus e José seriam uma espécie de faz-tudo. Faziam a fundação de uma casa, erguiam paredes como pedreiros e construíam portas como carpinteiros. É sabido também que tinham ovelhas e uma pequena plantação. Portanto, teriam algumas noções de pastoreio e agricultura.
Como era Jesus fisicamente?
A imagem de Cristo que se consagrou foi a de um tipo bem europeu: alto, branco, de olhos azuis, cabelos longos ondulados e barba. Mas são grandes as chances de que essa representação esteja errada. “É praticamente certo que ele não foi um homem alto, a julgar pelos objetos, como camas e portas, deixados por seus contemporâneos”, revela a socióloga e biblista Ana Flora Anderson. O fato é que não há registros fieis da aparência do filho de Maria. Essa ausência de documentos se explica. Para os especialistas, até o ano 30 d.C. pouquíssimas pessoas sabiam quem era Jesus. “Mas ele é Deus encarnado. Então teve um corpo, uma aparência física”, afirma padre Benedito Ferraro, professor de teologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC), no interior de São Paulo. E se por um lado a existência carnal de Jesus impôs limites físicos a um Deus todo-poderoso, ela deu asas à imaginação e à especulação dos fieis já no século II e III d.C. sobre a aparência desse Deus em carne e osso.
A julgar pelos registros históricos que contam um pouco da vida na região em que Jesus nasceu e foi criado, o Messias deve ter sido um homem baixo, de pele morena e cabelos escuros e encaracolados (à esq., uma reconstituição feita pelo médico especialista em reconstrução facial inglês Richard Neave, da Universidade de Manchester). Por ser um trabalhador braçal, tinha uma estrutura física bem desenvolvida. “Como palestino, deveria ter as características daquele povo”, lembra frei Betto, dominicano autor do recém-lançado “Um Homem Chamado Jesus”. Esse é o máximo a que chega a especulação baseada em estudos. “Não saberemos nem precisamos saber da real aparência de Jesus – ela não importa”, afirma o cônego Celso Pedro da Silva, professor de teologia e reitor do Centro Universitário Assunção (Unifai).
Jesus foi à Índia?
Teria Cristo pregado às margens do rio Ganges? Quem garante de pés juntos que ele esteve na Índia, cita duas possibilidades cronológicas. A primeira, durante os chamados anos perdidos, dos 12 ou 14 anos de idade aos 28 ou 30 anos. A segunda, depois da ressurreição. Ambas as afirmações são extremamente controversas e têm tanto apaixonados defensores quanto vigorosos detratores. O teológo americano H. Wayne House, do Dallas Theological Seminary no Texas, Estados Unidos, não acredita na visita de Jesus à Índia, mas reconhece que são muitas as fontes que narram uma suposta passagem do Messias, não só pela Índia, mas também pela região das Cordilheiras do Himalaia. Um texto hindu do século I d.C. menciona a suposta visita de Cristo ao rei Shalivahan, empossado mandatário da cidade de Paithan, no Estado de Maharashtra, em 78 d.C.
Sylvia Browne, americana autora do best seller “A Vida Mística de Jesus”, é fervorosa defensora da visita de Jesus à Índia. “Há dezenas de textos de eruditos orientais que confirmam a estada de Jesus na Índia e em regiões vizinhas na época”, conta ela em seu livro. Segundo Sylvia, Jesus recebeu diferentes nomes nas culturas pelas quais circulou, entre eles “Issa”, “Isa”, “Yuz Asaf”, “Budasaf”, “Yuz Asaph”, “San Issa” e “Yesu”.
Para a maioria dos cristãos, essas afirmações são absurdas. “Esses nomes são muito comuns na Índia, não permitem concluir que se referem ao Jesus que reconhecemos como Cristo”, sentencia Rodrigo Pereira da Silva, professor de teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp-EC). Silva explica que uma série de documentos reunidos em livro do alemão Holger Kersten chamado “Jesus Viveu na Índia”, de 1986, incendiaram uma discussão vazia sobre o assunto. “Isso é uma picaretagem”, afirma o teólogo Pedro Vasconcelos Lima, presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (Abib). Para ele, explorar esse tipo de ideia é caminhar no limite ético da especulação. “Era uma época de efervescência religiosa”, lembra o teólogo Fernando Altemeyer, colega de Lima na PUC-SP. “Um sem-número de sujeitos com o nome Issa ou Yesu pode ter aparecido na Índia e se anunciado profeta ou liderança de Israel”, lembra. Há também o argumento das dificuldades e custos de uma viagem como essa no século I d.C. Jesus, muito provavelmente, não teria como arcar com as despesas de uma empreitada desse tipo.
Jesus foi tentado pelo demônio no deserto?
Que Jesus foi tentado no deserto, não há dúvida. O episódio é relatado por três evangelistas, Mateus, Marcos e Lucas, e citado pelo quarto, João. O que se questiona é a natureza do demônio que se apresenta a ele. Seria ele o demônio feito homem ou apenas uma síntese simbólica das tentações às quais todos os seres humanos estão sujeitos? Para o padre Vicente André de Oliveira, mariólogo da Academia Marial de Tietê, no interior de São Paulo, a tentação do demônio é simbólica. “O deserto e o demônio são maneiras de ilustrar o encontro de Jesus com suas limitações como homem”, diz Oliveira. Simbólico ou não, o encontro aconteceu. E para o teólogo Pedro Vasconcelos Lima, presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (Abib), segundo os textos oficiais, o demônio se materializa diante de Jesus. Nesse sentido, ele tinha uma aparência física, apesar de ela não estar descrita. Pelos relatos de Mateus e Lucas, sabe-se apenas da conversa entre o Filho de Deus e Satanás. “Eram tentações que tinham como objetivo tirar Jesus de seu caminho”, lembra o mariólogo. A saber: a tentação do poder, da vaidade e do exibicionismo.
Jesus já gozava de fama quando foi levado pelo Espírito Santo para passar 40 dias e 40 noites no deserto. Se quisesse um cargo público na burocracia romana, por exemplo, era praticamente certo que o conseguiria e, com ele, viriam fartos benefícios. Mas isso seria se entregar às tentações. Ele resistiu e saiu recompensado, na visão dos cristãos.
Jesus era um judeu taumaturgo?
Judeus taumaturgos eram figuras muito comuns no tempo de Jesus: homens que circulavam pela Galileia fazendo milagres como uma espécie de mágico. Mas, para a maioria dos especialistas, não há possibilidade de Cristo ter sido um deles, apesar de suas andanças e milagres. A afirmação vem de muitas fontes. “Jesus pedia segredo dos milagres que fazia, não cobrava por eles e evitou fazer curas diante de quem tinha meios de recompensá-lo”, explica Rodrigo Pereira da Silva, professor de teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp-EC). Segundo ele, os taumaturgos jamais agiriam dessa maneira. “Eles eram profissionais da cura. Jesus, não.” Outra diferença importante entre Jesus e os taumaturgos era que o Messias apresentava Deus de maneira acessível aos fiéis. Diferentemente dos taumaturgos, que valorizavam uma espécie de canal exclusivo que teriam com o divino para operar seus milagres, Jesus tentava ensinar as pessoas a cultivar o contato com Deus. E, assim, receber suas graças sem intermediários.
Mas a fama de Jesus como um judeu taumaturgo existiu e, em alguns lugares, ainda existe. Quem afirma é Giordano Cimadon, coordenador da Associação Gnóstica de Curitiba e membro de um dos braços brasileiros do gnosticismo, grupo religioso que condiciona a salvação ao conhecimento. Ele conta que, no início da Idade Média, provavelmente no século VII, alguns escritos chamados “Toledoth Yeshu”, que significa algo como o “Livro da Vida de Jesus”, circularam tentando expor Cristo como mais um entre os muitos judeus taumaturgos da Galileia. “A obra, que mostra Jesus como um falso Messias, circulou também como tradição oral”, conta Cimadon. Depois, ela foi redigida em aramaico e traduzida para ídiche, ladino e latim. A versão mais famosa foi compilada pelo alemão Johann Wagenseil e impressa na segunda metade do século XVII. O texto cria polêmica até hoje por divulgar uma versão deturpada supostamente por grupos de judeus da vida de Jesus. Argumenta-se que ela foi usada para legitimar o antissemitismo entre os séculos XIII e XX.
Qual a relação de Jesus com seus apóstolos?
Há quem argumente que a escolha que Jesus fez dos discípulos tenha sido um desastre. Não houve um sequer, por exemplo, que o acompanhasse durante a crucificação. Mas a Igreja Católica garante que ele confiava nos apóstolos que escolheu, inclusive nos que o traíram. Para o cônego Celso Pedro da Silva, professor de teologia e reitor do Centro Universitário Assunção (Unifai), em São Paulo, Cristo tinha plena consciência de que lidava com homens e que os homens têm suas limitações. “É a beleza da obra de Jesus”, diz. Cristo tratava todos com igualdade, mas com Pedro, João e Tiago tinha mais intimidade. Mesmo sabendo que Pedro, por exemplo, negaria conhecê-lo em três ocasiões no dia de sua morte. Da mesma maneira, Jesus escolheu Judas, que também o traiu. Sobre ele, há farta literatura. Em evangelho atribuído a Judas, o apóstolo não aparece como traidor, mas como engrenagem fundamental do projeto de Deus , pois sem ele Jesus não seria crucificado e não se martirizaria para salvar os homens.
Com que idade Jesus morreu?
Provavelmente não morreu com os consagrados 33 anos. Essa marca foi estabelecida pela tradição durante os primeiros séculos do cristianismo primitivo – ou seja, não há nada que a comprove. Para o espanhol Ramón Teja Cuso, professor de história antiga da Universidade da Cantábria, Jesus não poderia ter morrido com 33 anos. Se ele nasceu entre os anos 6 a.C. e 5 a.C. e Pôncio Pilatos, algoz de Jesus, ocupou o cargo de prefeito da Judeia entre 29 d.C. e 37 d.C., o Messias morreu com, no mínimo, 34 anos e no máximo 43 anos.
Já o professor de filologia grega da Universidade Complutense de Madri, Antonio Piñero, usa a astronomia para fazer suas estimativas. Segundo ele, analisando o calendário de luas cheias no dia da Páscoa judaica, e existem registros desse fenômeno na data da crucificação, há apenas duas possibilidades de morte de Jesus dentro da janela estabelecida pelo professor Teja: 7 de abril de 30 d.C. e 3 de abril de 33 d.C. Nesse sentido, Jesus teria morrido com 36 anos ou 39 anos. Ainda assim, essas são apenas conjecturas. Elas dependem de variáveis que não podem ser verificadas, como, por exemplo, o relato de que havia uma lua cheia na ocasião da morte de Jesus ou que seu ministério teria durado três anos. O ano certo, portanto, dificilmente será conhecido, mas sabe-se, com uma margem mínima de dúvida, que foi entre os anos 29 d.C. e 37 d.C.
O dia da semana é consenso. De acordo com a “Bíblia de Jerusalém”, a tradução mais fiel dos originais das Sagradas Escrituras, Jesus morreu em uma sexta-feira, dia 14 de Nisã, que equivale, no calendário judaico, a 30 dias entre os meses de abril e março. A crença de que essa é a data correta é quase unânime entre os especialistas ouvidos por ISTOÉ.
Jesus manteve um relacionamento amoroso com Maria Madalena?
Como a questão que envolve as possíveis viagens de Jesus ao Vale do Rio Ganges, essa é uma pergunta que gera discussões acaloradas. Um dos grupos que defendem a relação de amor carnal entre Jesus e Maria Madalena com mais fervor é o dos gnósticos. Como Sylvia Browne, americana autora do best seller “A Vida Mística de Jesus”. Para ela, Jesus conheceu Maria Madalena ainda na infância e se casou com ela no que ficou conhecido, nos evangelhos, como o episódio das Bodas de Caná. Nessa ocasião, Jesus transformou água em vinho, que era parte fundamental da cerimônia do matrimônio. “Maria, mãe de Jesus, não ignorava que, pelos costumes judaicos, o noivo era responsável pela distribuição do vinho”, diz Sylvia. “Então quem fabricou o vinho oferecido aos convidados em Caná? Jesus. Era ele o noivo”, afirma em seu livro.
Outro indicador de que Jesus e Maria Madalena teriam uma relação amorosa estaria registrado no evangelho apócrifo de Filipe. Nele estaria escrito que Jesus beijava Maria Madalena na boca – afirmação constestada por uma corrente de tradutores. Ela, por sua vez, o compreendia melhor do que qualquer discípulo. A certa altura, os apóstolos chegam a demonstrar ciúme.
A americana Sylvia vai mais longe. Ela sustenta que Jesus teve filhos com Maria Madalena. As crianças teriam nascido depois da suposta morte de Cristo, que, segundo ela, foi forjada com a ajuda de Pôncio Pilatos e José de Arimateia. Ambos teriam tirado Jesus e Maria Madalena da Galileia num barco que passou pela Turquia e Caxemira, até aportar na França. Durante a estada na Turquia, a primeira filha do casal Jesus e Maria Madalena, chamada Sara, teria nascido. Outra menina e dois meninos teriam sido gerados já na França.Portanto, de filhos entre os dois. “Jesus deixou sim descendentes, espiritualmente, bilhões deles espalhados por todo o planeta”, afirma o padre mariólogo Vicente André de Oliveira, da Academia Marial de Tietê, no interior de São Paulo. A instituição religiosa reconhece, porém, que Maria Madalena era de fato muito próxima de Jesus. “Para os homens daquela época, ver Jesus confiar segredos a uma mulher era uma afronta”, lembra o cônego Celso Pedro da Silva, professor de teologia e reitor do Centro Universitário Assunção (Unifai). “Mas da simples confiança concluir que havia uma relação matrimonial é deduzir demais.”
O professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Rodrigo Pereira da Silva lembra que quando o livro “O Código da Vinci”, de Dan Brown, foi lançado, em 2003, um sem-número de supostos especialistas surgiu para confirmar o que o próprio autor havia classificado de ficção. Uma das afirmações seria de que Leonardo Da Vinci retratou Maria Madalena, e não o apóstolo João, ao lado de Cristo na “Santa Ceia”. “Criei um curso com a Coordenadoria-Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão (Cogeae) da PUC-SP só para esclarecer a confusão criada pela obra”, lembra. Batizada de “O Código da Vinci e o Cristianismo dos Primeiros Séculos: Polêmicas”, a disciplina foi um sucesso. Ainda assim, muitas das afirmações do livro, que vendeu cerca de 80 milhões de cópias e foi traduzido para mais de 40 idiomas, permaneceram como aparentes verdades para muitos. “Mas não são”, sentencia Silva.
Jesus deixou algo escrito?
É mais fácil encontrar os vestígios de um palácio do que de uma choupana”, diz o teólogo Pedro Vasconcelos Lima, presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (Abib). Com essa afirmação, Lima resume o argumento que explica a inexistência não só de qualquer documento escrito por Jesus, mas de objetos que tenham ligação direta com ele. É que, no início do século I d.C., Cristo não tinha nenhuma importância. E, historicamente, os documentos mais antigos só registram os feitos de estadistas e donos de grandes fortunas – como sabemos, ele não foi nenhum dos dois. O único registro que se tem de Jesus escrevendo está nos evangelhos. Eles relatam o episódio da adúltera que seria apedrejada até a morte – supostamente Maria Madalena –, mas que foi salva pelo Messias. Cristo teria escrito algo na areia para afastar quem queria matar a mulher. “Não sabemos o que foi, mas podem ter sido os nomes de quem havia se encontrado com ela, talvez alguém importante ou até alguns dos que queriam apedrejá-la”, explica o cônego Celso Pedro da Silva. Fora isso, porém, não há absolutamente nada escrito por Jesus que tenha sido encontrado – ou para ser achado, suspeita-se. Na melhor das hipóteses, pode haver anotações de um ou outro fiel feitas durante uma das pregações de Cristo. Mas, até hoje, esses registros permanecem perdidos.
Quem escreveu os evangelhos? E quando?
A própria Igreja Católica reconhece que não há como saber se os evangelhos foram, de fato, escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João. Nos textos não há menção aos autores. Sylvia Browne, americana autora do best seller “A Vida Mística de Jesus”, usa essas supostas brechas nas escrituras para tecer suas teorias. Ela lembra que a “Bíblia” como a conhecemos só tomou forma a partir do Concílio de Niceia, em 325 d.C., e que nesses três séculos a Igreja manipulou transcrições e traduções dos evangelhos para que eles divulgassem uma mensagem alinhada ao projeto de expansão da instituição. Sylvia sustenta ainda que os evangelhos de Mateus, Lucas e Marcos foram escritos pela mesma pessoa e que apenas o de João teve um autor exclusivo. Supostas contradições, omissões e coincidências seriam sinais da manipulação.
A teoria da coautoria começou a tomar forma no início do século XVIII, com os trabalhos do teólogo protestante alemão Heinrich Julius Holtzmann e do filólogo Karl Lachmann. Chamada de “Questão Sinótica”, ela tem apoio de importantes estudiosos da atualidade, como o inglês Marc Goodacre, responsável pelo núcleo de estudos do Novo Testamento na Universidade Duke, na Inglaterra, e John Dominic Crossan, teólogo e fundador do controverso Jesus Seminar. Em 1968, um outro pesquisador inglês, A.M. Honoré, chegou a fazer um levantamento mostrando que 89% do que está em Marcos se encontra em Mateus, enquanto 72% de Marcos está em Lucas.
Isso é uma besteira”, argumenta o teólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Fernando Altemeyer. Para ele, não há contradição nos evangelhos e as omissões e coincidências são justificáveis. “Os evangelhos não foram escritos como biografias de Jesus”, reforça o teólogo Pedro Vasconcelos Lima, presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (Abib). “Eles contam as partes da vida do Messias que têm importância”, conclui. Os relatos da vida de Cristo que não entraram para o Novo Testamento circulam com o título de evangelhos apócrifos. Entre os séculos XIX e XX houve uma explosão nas descobertas desse tipo de documento. Hoje já são mais de 15 os relatos extraoficiais. A Igreja não os reconhece, embora utilize parte dos que datam dos séculos I d.C. e II d.C. para reconstruir o dia a dia de Jesus, que viveu como mais um dos milhares de judeus remediados da Galileia.
Os evangelhos também não foram escritos logo depois que os fatos aconteceram. Eles datam dos anos 70 d.C. e 90 d.C. e foram redigidos, provavelmente, em aramaico e hebraico. Chegaram até nós por meio de cópias, pois os originais foram perdidos. Não se tem registro de como isso aconteceu, mas não seria difícil danificar um manuscrito em papiro no tempo de Jesus. As cópias foram descobertas em fragmentos e reconstruídas por pesquisadores alemães no início do século XIX. A mais antiga, em papiro grego, data do século II d.C. e foi reconstruída no século XIX pela equipe Nestle & Alland, de Stuttgart, na Alemanha.
O que diz a arqueologia.
Só a arqueologia é capaz de preencher as imensas lacunas que compõem a trajetória de Jesus na Terra. Ao se debruçar sobre os costumes e a cultura do tempo do Messias, através de buscas por monumentos, documentos e objetos que compunham aquela época, os pesquisadores da área se movimentam para saciar as centenas de indagações acerca do judeu que mudou a história da humanidade. Praticamente não há esperanças de se achar algo diretamente ligado a Jesus Cristo ou à sua família. Mas há expectativa de se encontrar objetos relacionados a contemporâneos, da mesma classe social, que moravam na Galileia. Nesse quesito, o século XX foi recheado de conquistas. Novas técnicas e o renovado interesse por provar, ou desmentir, o que foi escrito pelos evangelistas alimentaram as buscas pelo que sobrou do tempo de Jesus. E as descobertas foram importantes. Entre papiros e pergaminhos, jarros, urnas, pedras e ruínas comprovou-se parte do que disseram Mateus, Marcos Lucas e João.
Por isso, o processo de verificação da autenticidade dos objetos é lento e rigoroso. Que o digam os estudiosos do que ainda vem sendo considerado o último grande achado do tempo de Cristo: uma urna que conteria os ossos de Tiago, irmão do Messias. Revelada em 2002, ela já foi reconhecida como objeto do tempo de Cristo, mas as inscrições em aramaico que a identificam como sendo de Tiago ainda estão sob avaliação da comunidade arqueológica internacional. “Pude ver o ossuário em primeira mão, quando estive em Israel no começo de 2009”, conta Rodrigo Pereira da Silva, teólogo, filósofo e doutor em teologia bíblica com pós-doutorado em arqueologia na Andrews University, nos Estados Unidos. “Mas ainda há muito o que ser feito para validar as inscrições.”
Professor de teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp-EC), Silva também é arqueólogo e já participou de escavações em Israel, na Jordânia, no Sudão e na Espanha. Ele conta que, no caso da urna de Tiago, se comprovada a autenticidade de seus escritos em aramaico, esse será o primeiro artefato arqueológico com vínculos diretos com Jesus. No dia 21 de dezembro, um outro achado empolgou os arqueólogos. Foram encontrados os restos de uma casa humilde de Nazaré que datam do século I d.C. Com dois quartos, um pátio e uma cisterna, ela ajuda a resconstruir a vida de judeus do tempo de Cristo. “As informações vêm sempre fragmentadas”, explica Pedro Vasconcelos Lima, professor de teologia e presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (Abib). “Não podemos esquecer que esses fragmentos não foram criados para responder às nossas perguntas e, por isso, precisam de um cuidadoso trabalho de contextualização.”
Enquanto a contextualização segue a todo vapor, nos departamentos acadêmicos das melhores universidades do planeta, o trabalho de campo tem encontrado mais obstáculos do que de costume. Como se o calor, a areia e as outras tantas dificuldades usuais da arqueologia já não fossem suficientes, questões políticas das regiões escavadas têm influenciado pesadamente as áreas disponíveis para exploração. “Vemos muitas descobertas se esgotarem nelas mesmas”, explica Rafael Rodrigues da Silva, professor do Departamento de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e teólogo do Centro de Estudos Bíblicos (Cebi). “O sujeito faz a descoberta, quer escavar o entorno, buscar outros sinais e não pode”, afirma. É que boa parte da terra onde estão enterrados muitos desses objetos está em áreas de constante disputa, como é o caso de porções territoriais de Israel. “Se o século XX foi bom para a arqueologia, dos anos 90 para cá temos visto uma calmaria nos achados – mesmo com essa história do ossuário de Tiago”, afirma o professor Silva. Sem achados, sem história.
Revista Isto É – Edição 2094 de 23 de dezembro de 2009.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O que è Felicidade.


Todas as pessoas querem ser felizes, mesmo não sabendo definir com clareza o que vem a ser a felicidade. A felicidade é um estado de consciência em que a criatura se sente bem, em paz consigo mesma e com o mundo em que vive. Esse estado independe de se ter dinheiro, saúde, estabilidade, companhia, amizades, sucesso na autorealização, reconhecimento da sociedade, poder, fama, glória e amor humano. A felicidade é, na verdade, uma condição de harmonização com Deus.
Assim, um homem sozinho, feio, pobre, desconhecido, doente, e que nunca tenha se realizado profissionalmente e que não tenha ninguém que o ame pode ser feliz, enquanto outro homem, que seja rico, bonito, saudável, poderoso, bem sucedido, amado, cercado de amigos, com estabilidade econômica e reconhecido na comunidade pode ser infeliz.
Na busca da felicidade, que é o summum bonum (bem supremo) das criaturas, estas freqüentemente se iludem. Um homem ou uma mulher acha, por exemplo, que é infeliz por não possuir um carro e passa longo tempo economizando e trabalhando em vários empregos ao mesmo tempo para poder comprar um. Quando finalmente consegue realizar esse sonho, sente-se bem e julga que tornou-se feliz. Logo, porém, elege outro objetivo de consumo para perseguir, ou surge algum contratempo uma batida com o carro, uma doença, o desemprego etc e eis que a pessoa está novamente infeliz.
Muitos passam a vida inteira perseguindo objetos de desejo ou metas de realização que tragam reconhecimento e fama, na tentativa de obter felicidade. Mas tão logo tais objetivos são alcançados e os desejos satisfeitos, a infelicidade volta a se instalar.
Outros, quando não conseguem atingir tais metas pelos meios normais apelam para as religiões e para o sobrenatural. Acham que podem fazer algum tipo de negócio com Deus, com alguma entidade e mesmo com o diabo, uma espécie de barganha: se dedicarão a realizar este ou aquele ritual, rezarão por este ou por aquele credo, viverão por tais ou quais princípios, seguirão determinados métodos e, em troca, Deus, a entidade ou o demônio lhes dará a felicidade.
Freqüentemente pessoas se conformam em levar uma vida miserável, repleta de infelicidade, na esperança de irem, após a morte, para o Reino dos Céus ou outra qualquer espécie de Paraíso, onde gozarão, finalmente, da felicidade que, supõem, lhes foi negada na Terra.
Há, ainda, pessoas que buscam a felicidade momentânea nos estados alterados de consciência, como os provocados pela bebida alcoólica e pelas drogas, ou em hobbies e atividades esportivas que dopam, como os esportes de massa, notadamente o futebol.
Outros confundem a felicidade com a satisfação dos prazeres da carne e o exercício da vontade, como comer, gozar sexualmente, dormir, mandar nos outros, ter todo o conforto etc.
Nada disso, porém, é a felicidade, e ela independe do grau de inteligência, da cultura, da sabedoria, do nível de compreensão da mente. Assim, um ser humano pode vir a compreender às vezes até transcendendo as suas limitações o que vem a ser o Universo e, mesmo assim, não ser feliz.
Como fazer, então, para atingir esse estado perpétuo de bem estar, que nada pode ameaçar e que vem a ser a autêntica felicidade? Isto somente é possível através da harmonização com Deus e essa harmonização pode ser tentada isoladamente ou em conjunto, por vários métodos, uns religiosos e outros não.
Tão complexa é essa questão da felicidade, que seria de se perguntar: Ao ser pregado na Cruz Jesus Cristo estava feliz? Uns diriam que, por um lado sim, por estar(*) ali realizando a salvação da Humanidade, mas que, por outro lado não, visto que estava ali sendo atrozmente supliciado. Outros diriam que não, porque o sofrimento físico, naquele momento da crucifixão, se sobrepunha de modo inapelável ao gáudio espiritual, tanto assim que Jesus clamou pelo Pai, aparentemente em desespero. Já outros diriam que sim, que Jesus estava totalmente feliz, apesar da aparente infelicidade momentânea, porque seu Reino não é deste mundo e, assim sendo, os males deste mundo não poderiam afligi-lo a tal ponto que se sentisse infeliz.
Entendendo-se que Jesus seja o próprio Deus e não um Deus Filho subordinado a um Deus Pai, compreende-se que Deus Onipotente tenha experimentado o sofrimento na carne; mas como a felicidade é um estado de harmonização com Deus, Deus é permanentemente feliz, pelo fato de ser O Perfeito, e, assim, o sofrimento não poderia tirarlhe a felicidade, mesmo que momentaneamente. Por conseguinte, a felicidade independe da ausência de sofrimento na carne, e pode ser obtida pelos seres humanos, feitos à imagem de Deus .
Na Cruz, o mistério da felicidade se revela aos olhos do iniciado, que vê e compreende a Paixão não como uma história de dor mas como um hino de transmutação, em que as imperfeições da matéria, expressas na personalidade humana, são sublimadas no cadinho crístico e dão origem ao desabrochar da Rosa Mística. Este, é o significado da Rosa na Cruz.
A Ordem Rosacruz, através de processos graduais de iniciação, que compreendem o desenvolvimento de certos centros psíquicos dos seres humanos, pode propiciar métodos de harmonização que levam à felicidade verdadeira e permanente, que se baseia na paz mental, um estado que é atingido quando a criatura já não se deixa iludir por falsos objetivos, os quais proporcionam apenas momentos de aparente felicidade.
Igualmente outras ordens iniciáticas, seculares ou monásticas, podem levar o ser humano à felicidade verdadeira.
Isso, porém, não é conseguido do dia para a noite. Somente com o tempo muitos e muitos anos , com muita humildade e persistência, com muita obediência e sinceridade de propósitos podese chegar ao estado de felicidade perene, o ideal seráfico, que advém da contemplação da face de Deus.
Nesse estado, já não importa o que um ser humano seja hoje, o que tenha sido no passado ou o que virá a ser no futuro, porque a felicidade verdadeira, por advir de Deus, transcende tempo e espaço. Em tal estado, tornam-se menores todas as outras questões, tais como “Existe ou não existe a reencarnação?”, “Era Jesus proprietário ou não das roupas que usava?”, “Por que o Buda sempre se recusou a falar sobre Deus? Seria o Nirvana um vazio?”, “Qual a verdadeira natureza da Trindade Divina?”, “O que acontece após a morte?”, “Quem sou eu? De onde vim? Para onde estou indo?”.
A isto, à assunção de tal estado, por ascensão (mesmo porque não há outra via), se dá o nome de domínio da vida.
O domínio da vida, como se vê, é um conceito amplo e claro, mas específico: consiste em ficar imune a tudo que cause infelicidade. Dentro do Cósmico, tudo é ligado. Assim, a individualidade é, na realidade, uma espécie de ilusão do plano material. E desta forma, a felicidade, que repousa no domínio da vida, o qual advém da harmonização com o nosso Deus), não pode ser obtida com finalidade egoística e de autosatisfação. De tal maneira que mesmo um eremita, em sua caverna ou cela de eremitério, está ali pela Humanidade, uno com todos, e não para se abstrair das tribulações da luta pela sobrevivência.
Uma vez compreendido este princípio básico, podese fazer um esclarecimento sobre a controversa questão da reencarnação.Vicente Velado.

A lenda da ave Fênix.


A lenda da ave Fênix está relacionada com o antigo Egito e com o culto ao Sol, sendo que sua pátria era a Etiópia. A ave vivia durante um período de tempo que alguns mitólogos cifram em quinhentos anos, outros em 1.461, e outros ainda em 12.994 anos.
Todos coincidem que o aspecto da Fênix era de uma grande beleza, sendo parecida com uma garça, do tamanho de uma águia e com longas penas. Para os egípcios, era como o símbolo da imortalidade e deus protetor dos mortos, devido à sua relação com o renascimento.
Diziam que era de uma cor vermelha intensa e as penas cor de ouro. Em sua honra, lhe dedicaram um templo em Heliópolis, que foi a cidade sagrada da Fênix, para a qual voltava de tempos em tempos para morrer e renascer, já que este é o seu principal papel: renascer e criar a si mesma.
A lenda da Fênix está muito relacionada com a sua morte e ressurreição; é uma ave única, que não pode se reproduzir com os outros animais. No Reino Médio do Egito, diziam que era o guia do Sol e era associada ao planeta Vênus; na sua representação como garça, às vezes levava uma coroa branca e duas plumas, ou a coroa Atef, ou disco solar.
Segundo o historiador grego Heródoto, a cada 500 anos, a ave criava uma fogueira de incenso, que ardia, e da qual nascia uma nova ave que, com o calor, se transformava em uma nova Fênix. Dizem também que ela nasce e morre no fogo, como o Sol que aparece com o brilho dourado da aurora e morre com o vermelho do entardecer. Quando a Fênix sentia que chegava o fim de sua existência, recolhia e acumulava plantas aromáticas, incensos e resinas, e construía um grande ninho exposto aos raios solares. O calor do Sol, incidindo sobre as plantas secas, incendiava o ninho, e a Fênix ardia com ele, convertendo-se em cinzas. Do ninho impregnado com os restos da ave, surgia lentamente uma ave que se convertia na Fênix, e o primeiro cuidado que tinha era depositar os restos de seu pai num tronco oco. Escoltada por uma grande quantidade de aves de várias espécies, levava essas relíquias até Heliópolis, onde as depositava no Altar do Sol em honra ao deus Rá. Depois que acabava essa homenagem a seu progenitor, a jovem Fênix voltava para a Etiópia e ali vivia, alimentando-se de gotas de incenso, até que chegava o final de seus dias.
Entre os pagãos, a Fênix simbolizou a castidade e a temperança e, entre os cristãos, a ressurreição.
Dizem que, no Jardim do Paraíso, o Éden original, debaixo da Árvore da Sabedoria crescia uma roseira. De sua primeira rosa nasceu um pássaro, e seu vôo era como um raio de luz, com magníficas cores e maravilhoso canto.
Quando Eva pegou o fruto proibido da ciência do bem e do mal, a ave foi a única que não quis provar as frutas da árvore proibida, e quando Eva e Adão foram expulsos do Paraíso, da espada de um anjo caiu uma chispa divina no ninho da ave, pegando fogo no mesmo instante.
A ave morreu nessa fogueira, mas das próprias chamas surgiu uma outra, a Fênix, com uma plumagem inigualável, com o corpo dourado.
Posteriormente, a fábula a situa na Arábia, onde habitava próxima de um poço de águas frescas, e no qual se banhava todos os dias, entoando uma melodia bela que faz com que o Deus Sol detenha o seu carro para escutá-la.
A imortalidade foi o prêmio por sua fidelidade ao preceito divino, junto com outras qualidades como o conhecimento, a capacidade curativa de suas lágrimas, ou sua incrível força. Em todas as suas vidas, sua missão foi transmitir a sabedoria que possui desde a sua origem, junto da Árvore do Conhecimento, servindo de inspiração aos que buscam o saber, tanto aos artistas como aos cientistas.
A cada 100, 500 anos – e, em algumas versões, como dissemos, em 540, 1.461 ou 12.994 anos – constrói uma pira funerária em seu próprio ninho, e coloca incensos e plantas aromáticas, cantando belas canções, e coloca fogo em si mesmo, até extinguir-se.
Não existe mais do que uma ave, e sua forma de reprodução é o renascimento de suas cinzas. Esse mito se estendeu amplamente entre os gregos, que lhe deram o nome de Phoenicoperus, que significa "asas vermelhas", e que posteriormente se estendeu por toda a Europa romana. Durante a dominação de Roma, os primeiros cristãos, influenciados pelos cultos helênicos, fizeram dessa singular criatura um símbolo vivente da imortalidade e da ressurreição.
Outro simbolismo da ave Fênix é a esperança; a esperança que nunca deve morrer no homem. Como a nova Fênix acumula todo o conhecimento obtido por suas antecessoras – que, na realidade, são a mesma – um novo ciclo de inspiração e esperança começa.
Helena Gerenstadt.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Lady Of Dreams (Tradução)



Guarde-me um lugar
Dentro do seu coração
Quando você pensa no amor
Nunca me abandone
Desejando e sonhando com você
A toda hora eu penso em você
Fico desprotegido perto de você
Somente uma Dama dos Sonhos
Só ela me traz magia
Para cantar para seu coração
Somente uma Dama dos Sonhos
Surge com alegria - você é tudo
O que eu desejo!!

Algo me diz
Esse é o amor que envolve
Somente um louco
Sem juízo pode ver
Cego como eu sou
Em seus olhos
Minha Dama dos Sonhos

Guarde para mim, guarde para mim
Um lugar em seu coração
Lágrimas escapam de mim
Quando nós estamos separados
Por favor sonhe comigo agora

Minha Dama dos Sonhos
Meus pensamentos e desejos
É tudo que me envolve
Mistérios envolvem você
Levam você para longe
Você sabe que você é minha vida
Minha Dama dos Sonhos

Guarde-me um lugar
Dentro do seu coração.
Quando você pensa no amor
Nunca me abandone
Desejando e sonhando com você
A toda hora eu penso em você
Fico desprotegido perto de você
Somente uma Dama dos Sonhos
Consegue que lá seja mágico
Para cantar para seu coração
Somente uma Dama dos Sonhos
Surge com alegria - você é tudo
O que eu desejo!!Kitaro.
Tradução automática,via ferramentas de idiomas.

domingo, 17 de outubro de 2010

Reflexão.


A vida na Terra é somente uma passagem... No entanto,
alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente e
esquecem de ser felizes. O valor das coisas não está no
tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.

“Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”.

O mais importante da vida não é a situação em que
estamos, mas a direção para a qual nos movemos.
(Oliver Wendell Holmes).
Se as pessoas admiram o seu comportamento,
será preciso determinação para não trair os seus princípios.
Seja Fiel a seu Caminho, o futuro poderá cobrar Caro por um Desvio.

O Amor se concretiza na alegria de fazer algo de útil a alguém.
Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.
Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar
o que quer que seja na nossa vida.

Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.Pare de esperar a
felicidade sem esforços. Pare de exigir das
pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.
Critique menos, trabalhe mais. E, não se esqueça nunca de agradecer.

Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.
Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar
o que quer que seja na nossa vida.

Quando uma atitude drástica é necessária ela deve ser tomada
com coragem, determinação e a um só tempo. Adiar ou
agir aos poucos trará agonia e sofrimento.

Para florescer, uma relação precisa de diretrizes mutuamente aceitas.
Além de colocar estas diretrizes sobre a mesa, será necessário ter
noção do peso que elas terão na sua vida.

Não semeie o conflito e nem varra os problema para baixo do tapete.
A solução será tratar a outra pessoa da mesma forma que gostaria de ser tratada.
Não brinque com os sentimentos e as emoções e seja puro nas intenções,
caso contrário a desordem se instalará.

Felicidade...


Meu nome é Felicidade.
Faço parte da vida daqueles que tem amigos,
Pois ter amigos é ser Feliz.
Faço parte da vida daqueles que vivem
cercados por pessoas como você,
Pois viver assim é ser Feliz!
Faço parte da vida daqueles que acreditam
que ontem é passado, amanhã é futuro e hoje
é uma dádiva, por isso chamado presente.
Faço parte da vida daqueles que acreditam
na força do Amor, que acreditam que para
uma história bonita não há ponto final.
Eu sou casada sabiam?
Sou casada com o Tempo.
Ah! O meu marido é lindo!
Ele é responsável pela resolução de
todos os problemas.
Ele reconstrói corações, ele cura machucado,
ele vence a Tristeza...
Juntos, eu e o Tempo tivemos três filhos:
A Amizade, a Sabedoria, e o Amor.
A Amizade é a filha mais velha.
Uma menina linda, sincera, alegre.
A Amizade brilha como o sol.
A Amizade une pessoas, pretende nunca ferir,
sempre consolar.
A do meio é a Sabedoria, culta, íntegra,
sempre foi mais apegada ao Pai, o Tempo.
A Sabedoria e o Tempo andam sempre juntos!
O caçula é o Amor.
Ah! Como esse me dá trabalho!
É teimoso, às vezes só quer morar em um lugar...
Eu vivo dizendo:
Amor, você foi feito para morar em dois corações,
não em apenas um.
O Amor é complexo, mas é lindo, muito lindo!
Quando ele começa a fazer estragos
eu chamo logo o pai dele,
o Tempo, e aí o Tempo sai fechando todas
as feridas que o Amor abriu!
Uma pessoa muito importante me ensinou uma coisa:
Tudo no final sempre dá certo, se ainda,
não deu, é porque não chegou o final.
Por isso, acredite sempre na minha família.
Acredite no Tempo, na Amizade, na Sabedoria e,
principalmente no Amor.
Aí, com certeza um dia, eu, a Felicidade,
baterei à sua porta!
Tenha Tempo para os Sonhos
Eles conduzem sua carruagem para as Estrelas.

Livro Negro de Satã - I


Ordens Satânicas.
Por muito tempo, o Satanismo tradicional foi ensinado em uma base individual de Mestre para pupilo, este seguindo o Iniciado no caminho de um adepto. Quando foram empreendidos os rituais cerimoniais, estava em segredo e alguns sócios só podiam assistir por muitas vezes antes de participar. Os poucos Iniciados aceitos tinham de passar por um período probatório de vários anos antes de ser permitido participar.
Era um dos deveres do Mestre guiar os seus alunos no longo e difícil caminho do domínio magicko, e para este fim que a ' magicka interna' é usada, este sistema de magicka interna está gradualmente se aprimorando e se refinando durante os séculos. Em suas fases iniciais, o Satanismo genuíno tinha de passar por provações para experimentar os vários aspectos de sua sombra.
Às vezes, os Mestres os conduziriam em situações específicas (algumas das quais podem ser perigosas) para o Iniciado aprender. Algumas destas experiências eram não convencionais e franziram as sobrancelhas das ' sociedade' da época - alguns eram até ' ilegais'. Claro que, tais métodos eram difíceis, mas para o Iniciante que sobreviveu e permaneceu em liberdade eles proveram experiências genuínas e perspicácia em ego. Porém, gradualmente, (pelo menos no Satanismo tradicional) alguns acharam estas experiências muito fora de mão: considerando que a maioria destas prático eram baseadas na sensação de quebra de seus limites, conceituais novas técnicas surgiram. Elas se tornaram ' internalizadas'. Quer dizer, eles tenderam a ser magickamente práticos. A essência dos novos métodos era e ainda é os ' Rituais de Grau '.
Os Rituais de Grau (o primeiro é a Iniciação) é uma série de tarefas que o indivíduo segue (os Rituais de Grau Principais são detalhados em NAOS - A Practical Guide to Sinister Hermetic Magick') para alcançar magickamente o nível de perspicácia e um tipo apropriado ao Ritual de Grau que esta sendo executado. Há sete Rituais de Grau, e estes levam o indivíduo do Iniciante ao Perito Externo ao Perito Interno e dai para Mestre/Senhora e além.
Associados com os Rituais de Grau existem outras tarefas, estas formam a base do treinamento do Satânista! Estas praticas produzem um tipo específico de indivíduo: quer dizer, um espírito satânico pleno em si.
O Ritual de Grau de Perito Interno envolve o indivíduo vivendo em isolamento completo durante pelo menos três meses, e se isto é feito de acordo com os princípios do próprio rito, o indivíduo emergirá como um Perito genuíno. Naturalmente, este ritual não é fácil.
A próxima fase envolve o indivíduo entrar no Abismo: De parte vistosa do acausal, e isto é feito para permitir a entrada de energia caótica em sua consciência sem qualquer meios de controle Consciente, Este Ritual de Grau é Precedido por uma parte física (para homens: caminhando uma distância de 80 milhas começando ao amanhecer do primeiro dia e terminando no pôr-do-sol do segundo dia só e desamparadamente; para mulheres: a distância é de 56 milhas). Esta parte física é essencial (e o prazo e condições devem ser rigidamente observados) desde que escoe o candidato fisicamente e mentalmente. Este ritual também não é fácil empreender.
Assim podemos ver que o treinamento nas Ordens Satânicas genuínas é inclusivo e difícil, pois Ordens Satânicas não são instituições religiosas cometidas ao doutrinamento de cordeiros, da mesma maneira que eles não são a favor de grupos da discussão e do estudo de magicko e tópicos Ocultos. Eles são lugares onde a real magicka sinistra é aplicada - esta realidade é difícil e pode ser às vezes perigosa. Satanistas genuíno não falam - eles fazem; eles não buscam estudar lendas obscuras e mitos que pertencem ao lado escuro - eles se tornam, por magicka sinistra, o próprio lado escuro; eles não pulam de um ' grupo' para outro, de um sistema para outro - eles seguem as técnicas do modo dos sete - ângulos, em direção ao chão por isso mesmo ele se recusa ceder quando coisas ficam difíceis e perigosas. Em resumo, eles exemplificam o espírito do Satanista: isto é a celebração da vida êxtase que conquistam e desafiam.F.Wikepédia.