contos sol e lua

contos sol e lua

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Estrela.


Como você recebeu o dia de hoje?

Da mesma maneira de sempre?

Ou como o único dia real?

Ele é apenas um reflexo do ontem.

Um intervalo para o amanhã.

Ou você escutou a explosão das novas possibilidades?

Essa é uma escolha sua...

O dia de hoje

pode não significar nada de especial.

Pode ser o retrato de uma rotina decorada
E conter os mesmos cheiros,
Os mesmo aspectos conhecidos,
As mesmas portas nos mesmos corredores.

Essa é uma escolha sua...

Porque todas as manhãs o dia chega novo
E traz em suas vestes a estrela inédita
Ele não vai se impor a essa entrega
Não vai exigir suas mãos abertas para o recebimento
Ele não vai gritar
Não vai lhe assustar
Não fará nenhum estardalhaço aos seus sentidos

Ele é apenas o dia
Simples, quieto e sutil em suas revelações.

Como um fiel guardião do seu caminho
Ele carrega feliz o seu despertar
Mas a decisão precisa ser sua diante da estrela
E ela só pode brilhar com o seu total consentimento
O dia não interfere nessa sua opção
Não é essa a função dele
Ele apenas É
Para que você SEJA

A freqüência do dia é de vibração suave
O coração dele é manso
A docilidade dele é exata
O respeito pelo seu querer é TODO
Por isso esteja atento
É absolutamente sua a estrela desse dia

Decida se é hoje ou não que você vai tocar em sua constelação

E não se entristeça se ainda não está pronta a sua casa
Amanhã o dia retornará !

[A. D]

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

TERRÍVEL SEGREDO.


"Há verdades que devem ser para sempre misteriosas para os fracos de espíritos e para os tolos. E estas verdades podem ser-lhes ditas sem temor. Pois certamente jamais as compreenderão.
Que é um tolo? Um tolo é uma coisa mais absurda que uma besta. É o homem que quer chegar antes de ter andado. É o homem que se julga senhor de tudo só porque chegou a alguma coisa. É um matemático que despreza a poesia. É um poeta que protesta contra os matemáticos. É um pintor que diz que a teologia e a cabala são inépcias, porque nada entende de cabala e teologia. É o ignorante que nega a ciência sem ter o trabalho de estudá-la. É o homem que fala sem saber e afirma sem certeza. São os tolos que matam os homens de gênio. Galileu foi condenado, não pela Igreja, mas por tolos que, infelizmente, pertenciam à Igreja.
A tolice é um animal feroz que tem a calma da inocência; assassina sem remorso. O tolo é o urso da fábula de La Fontaine; esmaga a cabeça do seu amigo debaixo de uma pedra para caçar uma mosca; porém, diante da catástrofe, não procureis fazer-lhe confessar que errou. A tolice é inexorável e infalível como o inferno e a fatalidade, pois é sempre dirigida pelo magnetismo do mal. O animal nunca é tolo enquanto age franca e naturalmente como animal, porém o homem ensina a tolice aos cães e aos burros sábios. O tolo é o animal que despreza o instinto e que aparenta inteligência.
O progresso existe para o animal; pode-se dominá-lo, prendê-lo, excitá-lo. Porém, não existe para o tolo. Porque o tolo julga que nada tem a aprender. É ele que quer reger e educar aos outros e com ele nunca tereis razão. Ele vos escarnece à vista, dizendo que o que não compreende é radicalmente incompreensível. De fato, por que não o compreenderei eu? Ele vos dirá com admirável aprumo. E nada mais tendes a lhe responder. Dizer-lhe que é um tolo seria apenas fazer-lhe um insulto. Todos vêem, porém ele jamais o saberá.
Eis, pois, um já formidável arcano inacessível à maioria dos homens. Eis aí um segredo que jamais adivinharão e que seria inútil dizer-lhes: o segredo da tolice deles.
Sócrates bebe a cicuta, Aristides é proscrito, Jesus é crucificado, Aristófanes se ri de Sócrates e faz rirem os tolos de Atenas; um camponês se aborrece de ouvir dar a Aristides o nome de Justo e Renan escreve a vida de Jesus para o maior prazer dos tolos. É por causa do numero quase infinito dos tolos que a política é e será sempre a ciência da dissimulação e da mentira. Maquiavel ousou dizê-lo e foi ferido por uma reprovação bem legítima, pois, fingindo dar lições aos príncipes, ele traía a todos e os denunciava à desconfiança das multidões. Aqueles que somos obrigados a enganar não devemos prevenir.
É por causa das vis e tolas multidões que Jesus dizia aos seus discípulos: "Não lanceis pérolas aos porcos, pois eles as calcariam aos pés e se voltariam contra vós, procurando despedaçar-vos".
Vós, portanto, que desejai tornar-vos poderosos em obras, nunca digais a alguém o vosso pensamento mais secreto. Nem mesmo o digais, e quase ousaria dizer-vos, escondei-o sobretudo à mulher a quem amais; lembrai-vos da história de Sansão e Dalila!
Desde que uma mulher julga conhecer a fundo seu marido, ela cessa de amá-lo. Quer governá-lo e dirigi-lo. Se resiste, ela o odeia; se cede, ela o despreza. Procura um outro homem para penetrar. A mulher tem sempre necessidade do desconhecido e do mistério e seu amor geralmente não é mais que uma insaciável curiosidade.
Porque são os confessores poderosos sobre a alma e quase sempre sobre o coração das mulheres? É que sabem todos os seus segredos, ao passo que as mulheres ignoram os dos confessores.
A franco-maçonaria é poderosa no mundo pelo seu terrível segredo tão prodigiosamente guardado, que os iniciados, mesmo os dos mais altos graus, não o sabem.
A religião católica se impõe às multidões por um segredo que o próprio papa não sabe. Este segredo é o dos mistérios. Os antigos gnósticos o sabiam como indica o nome deles, porém não souberam guardar silêncio. Quiseram vulgarizar a gnose; resultaram daí doutrinas ridículas que a Igreja teve razão de condenar. Porém, com eles infelizmente foi condenada a porta do santuário oculto e lançaram suas chaves no abismo.
É aí que os Joanitas e os Templários ousaram ir buscá-las com risco da danação eterna. Mereceriam eles, por isso, serem condenados no outro mundo? Tudo o que sabemos é que, neste mundo, os Templários foram queimados.
A doutrina secreta de Jesus era esta:
Deus tinha sido considerado como um senhor e o príncipe deste mundo era o mal; eu, que sou o filho de Deus, vos digo: não procuremos Deus no espaço; ele está nas nossas consciências e nos nossos corações. Meu pai e eu somos um e quero que vós e eu sejamos um (UNO). Amemo-nos uns aos outros como irmãos. Não tenhamos mais que um coração e uma alma (UNO). A lei religiosa é feita para o homem, e o homem não é feito para a lei. As prescrições legais estão submetidas ao livre arbítrio da nossa razão unida à fé. Crede no bem e o mal nada poderá sobre vós.
Quando vos reunirdes em meu nome, meu espírito estará no meio de vós. Ninguém dentre vós deve julgar-se mestre dos outros, porém todos devem respeitar a decisão da assembléia. Todo homem deve ser julgado conforme as suas obras e medido conforme a medida que fez para si. A consciência de cada homem constitui sua fé e a é do homem é o poder de Deus nele.
Se sois senhor de vós mesmo, a natureza vos obedecerá e governareis os outros. A fé dos justos é mais inabalável que as portas do inferno e sua esperança jamais será confundida.
Eu sou vós e vós sois eu (UNO), no espírito de caridade que é o nosso e que é Deus. Crede isto e vosso verbo será criador. Crede isto e fareis milagres. O mundo vos perseguirá e fareis a conquista do mundo.
As velhas sociedades fundadas sobre a mentira perecerão; um dia, o filho do homem pairará sobre as nuvens do céu, que são as trevas da idolatria, e fará um juízo definitivo sobre os vivos e os mortos. Desejai a luz, pois ela se fará. Aspirai à justiça, pois o assassinato provoca o assassinato. É pela paciência e a brandura que vos tornareis senhor de vós mesmos e do mundo.
Entregai agora esta doutrina admirável aos comentários dos sofistas da decadência e polemistas da Idade Média, e daí vereis sair belas coisas. Se Jesus era filho de Deus, como o engendrou Deus? É ele da mesma substância de Deus ou de outra substância? A substância de Deus! Que eterno assunto de disputa para a ignorância presunçosa! Era ele uma pessoa divina ou uma pessoa humana? Tinha ele duas naturezas e duas vontades? Terríveis questões que merecem que as pessoas se excomunguem e se degolem! Jesus tinha uma só natureza e duas vontades, dizem uns; porém, não os escuteis, são hereges; então, duas naturezas e uma vontade? Não, duas vontades. Então, estava em oposição consigo mesmo? Não, porque estas duas vontades faziam uma só que se chama Teandrica. Oh! Oh, diante desta palavra não digamos mais nada e, outrossim, é preciso obedecer à Igreja que se tornou muito diferente da primitiva assembléia dos fiéis. A lei é feita para o homem, disse Jesus, porém o homem é feito para a Igreja, diz a Igreja, e é ela que impõe a lei. Deus sancionará todos os decretos da Igreja e condenará a todos vós, se ela decidir que sois todos ou quase todos condenados.Jesus diz que é preciso referir-se à assembléia, portanto, ela é infalível, é Deus, e se ela decide que dois e dois são cinco, dois e dois serão cinco.
Se ela diz que a terra é imóvel e que o sol gira, é proibido à Terra de girar. Ela vos dirá que Deus salva seus eleitos dando-lhes a graça eficaz e que os outros serão condenados por terem recebido somente graças suficientes, as quais, por causa do pecado original, bastavam em principio, porém não eram suficientes em fato. Que o papa salva e condena a quem quer, pois tem as chaves do céu e do inferno. Depois vêm os casuístas com seus molhos de chaves que não abrem, mas fecham com duas ou três voltas as portas dos compartimentos feitos na torre de Babel. Ó Rabelais, meu mestre! Só tu podes trazer a panacéia que convém a toda demência. Uma grande gargalhada! Dize-nos, enfim, a ultima palavra de tudo isso, e ensina-nos definitivamente se uma quimera que arrebenta fazendo ruído no vácuo pode se encher de novo e adquirir bandulho absorvendo a substância quiditativa e merífica das nossas segundas intenções?
Utrum chimera in vacuum bombinans possit concidere secundum intentiones.
Outros tolos, outros comentários. Eis que vêm os adversários da Igreja a nos dizer: Deus está no homem, isto quer dizer que não há outro Deus senão a inteligência humana. Se o homem está acima da lei religiosa e esta lei embaraça o homem, porque não suprimiria ele a lei? Se Deus é nós e se nós somos todos irmãos, se ninguém tem o direito de chamar-se nosso senhor, por que obedecemos nós? A fé e a razão dos imbecis. Não acreditemos em nada e não nos submetamos a ninguém.
Pois seja! Isto é altivez. Porém, será necessário baterem-se uns contra os outros. Eis a guerra dos deuses e a exterminação dos homens! Ora! Miséria e tolice!� mais ainda, mais ainda, tolice, tolice e miséria!
"Pai, perdoa-lhes", dizia Jesus, "porque não sabem o que fazem.". Pessoas de bom senso, quem quer que sejais, acrescentarei eu, não os escuteis, porque não sabem o que dizem.
Mas então são inocentes, vai gritar um terrível menino. Silêncio, imprudente. Silêncio, em nome do céu, ou toda moral está perdida! Aliás vós vos enganais. Se fossem inocentes, seria permitido fazer como eles e quereríeis vós imita-los? Crer tudo é uma tolice; a tolice não pode, pois, ser inocente. Se há circunstancias atenuantes, só a Deus pertence apreciá-las.
A nossa espécie é evidentemente defeituosa e, ao ouvir falar e ver agir a maioria dos homens,parece que não têm bastante razão para serem seriamente responsáveis. Ouvi falar na Câmara dos homens que a França (o primeiro país do mundo) honrará com a sua confiança.
Eis aqui o orador da oposição. Eis o campeão do ministério. Cada qual prova vitoriosamente que o outro nada entende dos negócios do Estado. A prova que B é um idiota, B prova que A é um saltimbanco. A quem dar crédito? Se fordes branco, acreditareis em A; se fordes vermelho, acreditareis em B. Porém, a verdade, meu Deus! A verdade! � A verdade é que A e B são charlatões e mentirosos. Desde que existiu uma dúvida entre eles, provaram que um e outro nada valiam. Admiro a prova e admiro a ambos nesta demolição mútua. Encontra-se tudo nos livros, exceto o que ordinariamente o autor quis pôr neles. Riem-se da religião como uma impostura e mandam-se as crianças à igreja. Ostenta-se cinismo e tem-se superstição. O que se teme acima de tudo é o bom senso, é a verdade, é a razão.
A vaidade pueril e o sórdido interesse levam os homens pelo nariz, até a morte, este esquecimento definitivo e motejador supremo. O fundo da maior parte das almas é a vaidade. Ora, que é a vaidade? É o vácuo. Multiplicai os zeros quantas vezes quiserdes, sempre valerão zero; amontoai nadas e a nada chegareis, nada, nada. Nada, eis aí o programa da maioria dos homens!
E estes são os imortais! E estas almas, tão ridiculamente enganadoras e enganadas são imperecíveis! Para todos estes estouvados, a vida é uma armadilha suprema que encobre o inferno! Oh! Há certamente aqui um segredo terrível: é o da responsabilidade. O pai responde por seus filhos, o senhor pelos seus servos e o homem inteligente pela multidão ignorante. A redenção se realiza por todos os homens superiores, a tolice sofre, porém só o espírito expia.
A dor do verme que é esmagado e da ostra que é despedaçada não são expiações.
Sabe, pois, ó tu que queres ser iniciado nos grandes mistérios, que fazes um pacto com a dor e afrontas o inferno! O abutre, o Prometeida, te olha, e as Fúrias dirigidas por Mercúrio preparam cunhas de madeiras e cravos. Vais ser sagrado, isto é, consagrado ao suplício. A humanidade tem necessidade dos teus tormentos.
O Cristo morreu jovem numa cruz e todos aqueles a uem iniciou foram mártires. Apolônio de Tiana morreu pelas torturas que sofreu nas prisões de Roma. Paracelso e Agripa levaram uma vida errante e morreram miseravelmente. Guilherme Postello morreu preso. São Germano e Gagliostro tiveram um fim misterioso e provavelmente trágico. Cedo ou tarde é preciso satisfazer ao pacto quer formal, quer tácito. É preciso libertar-se do imposto que a natureza estabeleceu sobre os milagres. É preciso ter uma luta final com o diabo, desde que se tomou a liberdade de ser Deus.
Eritis sicut dii scientes bonum et malum."
Eliphas Levi.

Os Vivos e Os Mortos.


" Uma vez,passando Jesus por um campo de sepulturas,encontrou um jovem que estava de joelhos e chorava junto a uma delas.Ao vê-lo,Jesus se compadeceu da sua dor e aproximando-se,disse-lhe:
- Jovem,por que choras?
Voltando-se,o jovem estendeu a mão e respondeu:
- Minha mãe está aqui há três dias.
-Não,meu filho - disse-lhe Jesus - tua mãe não está aqui.. Aqui só estão depositados todos os despojos últimos que ela abandonou.Por que choras,pois,sobre esses despojos?Levanta-te,caminha,que tua mãe te espera.
O desesperado jovem moveu tristemente a cabeça e disse:
- Não,esperarei aqui até que venha a morte, e ela virá.Então,eu o sei,irei reunir-me à minha mãe.
Replicou Jesus:
- A morte espera a morte e a vida vai em busca da vida! Não te entristeças com uma dor egoísta e estéril a alma daquela que te precedeu;não retardes a sua marcha para Deus com teu desespero e com a tua inércia.O amor de tua mãe vive ainda em seu coração e tu não o perderás nunca se o fizerdes viver dignamente em ti.Jovem,em vez de chorares a tua mãe,ressuscita-a! Não me olhes com admiração,nem julgues que me divirto com tua dor.Aquela cuja perda lamentas,está sempre perto de ti;um dos véus que separava as vossas almas acaba de cair;ficou ainda um,entretanto. E estais separado hoje unicamente por esse véu;deveis viver um para o outro. Tu trabalharás para ela,e ela rogará por ti.
- Como trabalharei eu para ela?- perguntou o órfão,- agora que ela está debaixo da terra, não tem necessidade de coisa alguma.
-Enganas-te,meu filho - disse o Cristo. Tu confundes a alma com o vestuário.
Por isso digo-te:levanta-te e caminha,porque a alma de tua mãe se levantará e caminhará contigo,e tu a ressuscitarás em ti,frutificando o seu pensamento e o seu amor.Ela tem um corpo na Terra - é o teu. Tu tens uma alma no céu - é a dela.Se este corpo e esta alma caminharem juntos,tua mãe reviverá. Acredita-me,filho,o pensamento e o amor não morrem nunca e aqueles que tu supõe mortos,vivem mais do que pensas e cada vez mais se amam.Filho,os verdadeiros mortos são aqueles que não pensam e não amam,pois trabalham para a corrupção,e a corrupção por sua vez os consumirá.
O jovem,então,levantou-se,suas lágrimas cessaram de correr e ele contemplou a face do Cristo,cujos olhos eram resplandecentes de imortalidade.
Tomando o jovem pela mão,disse Jesus:
- Vem.
Cristo conduziu o jovem ao alto de uma colina,que dominava a cidade e de onde esta podia ser vista.E disse:
- Contempla,filho,a verdadeira cidade das sepulturas. Lá,nesses palácios que entristecem os horizontes é que estão os mortos que necessitam ser chorados. Moço que choravas e cujas lágrimas secaram-se ante as minhas palavras,chora e sofre agora por esses mortos.Sofre por aqueles que se julgam vivos e que não passam de cadáveres atormentados. Jovem,mantém-te disposto e cuida para não morrer da verdadeira morte,que hoje te mostro! Vive para aqueles a quem amas e não chores por aqueles que tenham alcançado mais um grau na escala da vida. Choras,antes,pelos que não pensam em ti e não te amam.Em verdade te digo,que a humanidade não tem mais do que um corpo e uma alma. Um membro que já não é sensível ao bem-estar e à dor dos outros membros,está em verdade morto,e será suprimido em breve."Eliphas Levi.

O Pai-Nosso esstérico.E O Pai-Nosso em Hebraico.


Esta sagrada e belíssima oração gnóstica, relatada no Evangelho de Mateus (6:9 a 13), é muito conhecida e dispensa mais apresentações. No relato, Jesus a trouxe à multidão que acompanhara sua pregação no Monte das Oliveiras.
Essa oração sagrada, ensinada por Nosso Senhor Jesus o Cristo, o Logos, é poderosa porque beneficia a alma e o corpo de todos aqueles que o praticam. O Pai-Nosso é dividido em 7 petições, as quais conectam nossa pessoa humana a nosso Real e Verdadeiro Ser.
Sabemos que temos 7 corpos e também 7 chacras principais. Cada uma das petições, bem trabalhada e com profunda devoção, unindo Concentração e Imaginação Positivas, equilibra, cura e “alinha” cada um desses chacras e corpos.
As 7 petições do Pai-Nosso dividem-se em 3 partes:
Invocação, Súplica e Entrega e, finalmente, agradecimento.
O interessante é que podemos fazer analogias entre o Pai-Nosso cristão e a oração da Abertura, do Alcorão islâmico. Esta oração islâmica (Surat al Fátiha, ou Surata da Abertura), compõe-se de 7 partes e é uma invocação das graças do Todo-Poderoso, e também uma total entrega de nossos destinos a Ele. Outra analogia é que essas duas orações, na sua língua original, começam com a letra “B”, a qual corresponde cabalisticamente ao número 2. Ou seja, para o Cabalista, só se pode atrair a atenção de Deus para que Ele opere milagres dentro de nós quando compreendemos o Mistério do Arcano 2, a Sacerdotisa, o Cristo Cósmico. Tanto uma oração quanto a outra nos conectam com o Cristo Íntimo.
Em seguida, entregaremos uma análise esotérica sobre as 7 petições do Pai-Nosso, recordando que sempre devemos orar com a Consciência e com o coração. Assim, devotadamente, nos conectaremos mais e mais com nossa Divina Presença, o “Eu Sou Cristo”, o nosso Cristo Interior, aquela Centelha Divina que é um fragmento glorioso do Exército da Voz, do Cristo Cósmico e Infinito.
PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS.
Introdução à Oração Sagrada. O Pai aqui é nosso Ser Interno, que é, que existe, em nossos Mundos Superiores de Consciência. Esse Céus são nossos estados de supra-consciência. É a primeira parte da Invocação, onde se Conjura o nome sagrado de Deus.
SANTIFICADO SEJA VOSSO NOME.
O nome de Deus aqui está sendo usado de forma pura e devota. Devemos aqui aprofundar nossa entrega a Ele. Nesse momento a Graça de Deus começa a descer sobre nós, depois de invocado o Nome do Pai. Essa Graça, essa Energia Cósmica, começa a iluminar nosso corpo espiritual, Atman, e nosso chacra coronário. A cor é violeta.
VENHA A NÓS O VOSSO REINO.
Aqui devemos pedir que toda a sua Presença e Poderes trabalhem sobre nós, para que sejamos Transformados. Corresponde ao corpo da Consciência (nosso verdadeiro Lar é nossa Consciência), ou corpo búdico, e o chacra é o frontal. As cores são o azul e o rosa. SEJA FEITA A VOSSA VONTADE.
Imploramos que a Vontade dEle se faça, e que conheçamos essa Vontade para que a obedeçamos conscientemente. O Conhecimento (Gnose) nos ajuda a Ter a verdadeira Fé, ou Fé Consciente. Corresponde ao corpo Causal, Manas ou, ainda, corpo da Vontade.
ASSIM NA TERRA COMO NOS CÉUS.
Devemos implorar ao Pai que harmonizemos nossa vida material com a espiritual, “viver no mundo mas não pertencer a ele”, como diziam os Cátaros. Os céus são representados por um triângulo que desce e a terra por um triângulo que sobe. Essa harmonia forma a Estrela de Seis Pontas, a qual representa o chacra cardíaco. Corresponde também ao corpo mental. A mente é o intermediário que une o físico ao espiritual. Ou a mente está a favor do espírito ou a favor da matéria.
O PÃO NOSSO DE CADA DIA DAI-NOS HOJE.
Esse Pão é a energia curativa da Divindade que abastece nossa bateria principal, que se localiza no chacra solar (onde se acumulam nossos átomos solares, ou Prana). Corresponde ao corpo astral.
PERDOAI NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO.
Com essa Graça poderemos Ter energia suficiente para nossos karmas serem perdoados pelos Senhores da Justiça Divina. As ofensas verdadeiras correspondem, no mundo das energias, a nosso chacra prostático/uterino, pois a Fornicação, sendo uma ofensa ao Espírito Santo, deve ser paga de qualquer jeito. (“Todos os pecados serão perdoados, menos aquele cometido contra o Espírito Santo.) Essa energias sexuais mal canalizadas nos desconectam de nosso Ser Interno. Corpo etérico, ou corpo da saúde.
MAS LIVRAI-NOS, SENHOR, DE TODA A ILUSÃO E DE TODO O MAL.
Somente a Presença Divina pode anular toda a energia negativa que tende a nos levar à inconsciência. Esse mal, energeticamente falando, corresponde ao nosso chacra básico, o qual é assento não somente da sagrada Kundalini, mas também, em seu aspecto negativo, ao Átomo do Inimigo Secreto. É a concentração das energia atômicas negativas, as quais invadem todo o corpo quando morremos, quando a consciência abandona o corpo.
AMÉN… AMÉN… AMÉN…
O Amén coresponde ao AOM oriental, e significa Eu Aceito, Faça-se, Cumpra-se, Realize-se. Ou, Que Assim Seja, Desejo que isso faça parte de mim…
Para finalizar, eis o que diz os mestres Samael e Krum-Heller sobre esta sagrada oração:
O PAI-NOSSO.
A mais poderosa de todas as orações ritualísticas é o Pai-Nosso. Esta é uma oração mágica de imenso poder. Imaginação, Inspiração e Intuição são os três caminhos obrigatórios da Iniciação.
O Mestre Huiracocha diz o seguinte: “Primeiro é preciso ver interiormente as coisas espirituais e depois tem-se que escutar o Verbo ou palavra divina para ter nosso organismo espiritual preparado para a Intuição.
Esta trindade encontra-se nas três primeiras súplicas do Pai Nosso, a saber: “Santificado seja o Teu Nome”, isto é, o Verbo Divino, o nome magnífico de Deus, a Palavra Criadora.
"Venha a nós o Teu Reino”, isto é, com a pronunciação do Verbo, dos Mantras, vem a nós o Reino interno dos Santos Mestres. Nisto consiste a união com Deus, ficando tudo resolvido… Com estas três petições, diz Krumm Heller, pedimos integralmente. E, se algum dia o conseguirmos, já seremos Deuses e, portanto, já não necessitaremos pedir.
A Igreja Gnóstica conserva toda a doutrina secreta do Adorável Salvador do mundo. A Igreja Gnóstica é a religião da alegria e da beleza. A Igreja Gnóstica é o tronco virginal de onde saíram o Romanismo e todas as demais seitas que adoram o Cristo.
A Igreja Gnóstica é a única igreja que conserva em segredo a doutrina que o Cristo ensinou de lábios a ouvidos a seus discípulos.
Não somos contra nenhuma religião. Convidamos as pessoas de todas as santas religiões que adoram o Senhor a estudarem nossa Doutrina Secreta.
Não devemos esquecer que existem dois rituais: um de luz e outro de trevas. Nós possuímos os rituais secretos do Adorável Salvador do Mundo.
Não desdenhamos nem subestimamos nenhuma religião. Todas as religiões são pérolas preciosas, engastadas no fio de ouro da Divindade. Afirmamos unicamente que a Gnose é a chama de onde saem todas as religiões do universo. Isso é tudo. (texto retirado do livro Matrimônio Perfeito. Caso você se interesse em obter gratuitamente esta obra, acesse nossa Biblioteca Gnóstica.)
Surata da Abertura (Alcorão Sagrado).
Em nome de Deus.
O Clemente, O Misericordioso.
Louvado seja Deus, o senhor do Universo.
O Clemente, O Misericordioso.
Soberano do Dia do Juízo.
Só a Ti adoramos, e só de Ti imploramos ajuda.
Guia-nos à senda reta, à senda dos quais agraciastes.
Não a dos abominados, nem a dos extraviados.
Amém.
O PAI-NOSSO EM HEBRAICO.
Tradução Direta do Texto Hebraico.
Autor: Prof. Severino Celestino da Silva.
Texto em Hebraico Transliterado.
Avnu shebashamaim itkadash shemehá. Tavô malcutechá iassé retsonchá baárets caasher na’assá bashamaim.
Ten-lanu haiom lechem chuknu. Uslách-lanú et-ashmatenu caasher solchim anachnu laasher ashmu lanu.
Veal-tevienu lidei massá. Ki in-hatsilenu min-hará.
Amen.
TRadução.
Pai nosso dos céus, santo é o teu nome, venha o teu reino, tua vontade se faz na terra como também nos céus.
Dá-nos hoje nossa parte de pão. Perdoa-nos as nossas culpas, quando nós perdoamos as culpas de nossos devedores.
Não nos deixes entregues à provação; porque assim nos resgatas do mal.
Amém (ou, que assim seja, que possa ocorrer assim).

A Pirâmide dos Bruxos[as]


O Trabalho mágico de uma Bruxa ou Bruxo exige seriedade e quatro características básicas:

A-) SABER:
1-) Conhecer a si mesmo.
2-) Conhecer sua arte.
a-) Saber o que fazer.
b-) Saber como fazer.
c-) Saber quando fazer.
d-) Saber quando não fazer.
3-) Saber o que você quer realizar.
a-) Especificar bem o que você vai fazer.
b-) Criar um sigilo com as palavras.
4-) Saber trabalhar com moderação.

B-) QUERER:
1-) Acreditar em você mesmo.
2-) Acreditar na divindade.
3-) Acreditar em suas habilidades.
4-) Acreditar na abundância do Universo.
5-) Ter a vontade de praticar de novo e de novo.
6-) Habilidades de meditação
a-) Praticar visualização.
b-) Praticar relaxamento.
c-) Praticar um estado alterado de consciência.
d-) Praticar para ser capaz de fazer rápido e certo.
7-) Ter em mente com muita clareza o porque você quer realizar essa operação mágica.
8-) Observar se sua vontade está corretamente direcionada.
a-) Observar se não vai influenciar negativamente outra pessoa.
b-) Observar os aspectos de não prejudicar ninguém.
c-) Usar uma ferramenta adivinhatória para checar se seus planos são
válidos, se está numa boa hora de pô-los em prática.

C-) OUSAR:
1-) Ter a coragem de mudar as circunstâncias.
2-) Ter a coragem de controlar seu ambiente.
3-) Ser responsável por suas ações.
4-) Escolher o melhor curso de ação para o trabalho a ser feito.

D-) CALAR:
1-) Aprender a manter a boca fechada antes do trabalho.
2-) Aprender a manter a boca fechada enquanto espera pelos resultados.
3-) Aprender a manter a boca fechada depois do trabalho.
a-) Proteger sua confiança.
b-) Proteger sua reputação.
c-) Proteger sua energia.
Silver RavenWolf.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Vivendo e morrendo conscientemente.


Agora que o bardo da morte desponta diante de mim,
Eu vou parar de prender as coisas, de desejar e me apegar,
Vou entrar sem distrações na clara percepção dos ensinamentos,
E ejetar a minha consciência para a dimensão da percepção não nascida.
Quando eu deixar este corpo composto de carne e sangue,
Saberei ser ele apenas uma ilusão passageira.

Padma Sambhava em O LIVRO TIBETANO DOS MORTOS.

Nos ensinamentos tibetanos, a morte é mais um momento no qual devemos praticar a atenção plena. Lembrar-se da inevitabilidade de nossa morte, encarar o fato inescapável da nossa própria mortalidade e da impermanência de todas as coisas, pode ser a mais liberadora das meditações, porque apresentar a realidade das coisas como realmente são, ajuda a desalojar o egoísmo grosseiro, o apego e a miopia - colocando nossas vidas na perspectiva correta.

A morte é um espelho, que reflete e ilumina tanto a vaidade quanto o sentido de nossas vidas. A morte é o momento da verdade, quando nos encontramos com a realidade face a face. Para todos nós, é também um momento de oportunidade, quando podemos atingir nossa natureza original. A morte é mais certa do que o amor, e com certeza aguarda a todos nós na doença ou na velhice. A sabedoria perene nos diz que deveríamos nos preparar para o nosso fim, o que nos tornará melhor preparados para viver - ou morrer - de forma iluminada.

Diz-se que na morte apenas duas coisas contam: o que fizemos em nossas vidas e o estado interior que temos na hora de morrer. Estes dois fatores determinam o que vem depois. Buda ensinou que a experiência real do momento de morrer é crucial para o próximo renascimento, e que no momento da morte ocorrem experiências espirituais extraordinárias que oferecem um portal para a grande liberação. Portanto, a atmosfera física e os estados de espírito daqueles que estão ao redor do moribundo são extremamente importantes, e paz, conforto, gentileza, amor, aceitação e harmonia ajudam a guiar o morto, da melhor maneira possível, em sua travessia.

Tradicionalmente no Tibet, o Bardo Thodol, conhecido no ocidente como o livro tibetano dos mortos, é lido na cabeceira da cama de alguém que está morrendo, tanto na hora da morte como por vários dias subseqüentes. Ele é uma meditação guiada, lida em voz alta, normalmente por um lama, para ajudar a direcionar o morto ou o moribundo através dos vários estados de transição no bardo. Este maravilhoso livro antigo é uma escritura de sabedoria que nos conduz à liberdade e à iluminação através do reconhecimento da clara luz da realidade na hora da morte, e depois. Ele também mostra como reconhecer e atingir a clara luz (a qualidade luminosa inata da mente natural) dentro de cada um de nós, nesta vida. Apesar de ter sido ostensivamente escrito para oferecer ao morto ou moribundo conforto, orientação e libertação pela audição, o Bardo Thodol também nos mostra como viver, porque cada momento é tanto um nascimento quanto uma morte.

Bardo1 é uma palavra tibetana que significa "No meio" ou "Em transição". Ensina-se que existem ao todo seis estados de bardo, acabam oferecendo suas oportunidades específicas. Três delas ocorrem quando ainda estamos vivos: o bardo desta vida cobre o período inteiro desde que nascemos até a nossa morte; o bardo da meditação se refere ao estado meditativo quando conseguimos reconhecer nossa natureza búdica; e o bardo do sonho ocorre quando dormimos, e também pode ser usado para treinar a mente.

Os outros três estados de bardo cobrem o período entre a morte e o renascimento, e constituem o foco primário do Livro Tibetano dos Mortos.

O Bardo da Morte.

Este bardo se refere ao processo de morrer em si. No Tibet, a morte é considerado um processo de purificação, porque estamos voltando para clara luz, nosso estado natural intrínseco de luminosidade - estamos nos dissolvendo nele. No momento da morte, esta clara luz da realidade desponta para cada um de nós. É a nossa própria natureza radiante, algumas vezes chamada de Rigpa – o estado desperto e iluminado. Entretanto, para podermos realmente nos beneficiar deste "Momento da Verdade" e atingir a libertação, precisamos estar preparados. Se não, ele vai nos escapar rapidamente. Como a maioria de nós ainda está ligada aos hábitos e padrões de comportamento estabelecidos em vida, não reconhecemos a luminosidade pelo que ela é. Reagimos de forma não apropriada e inconsciente. Em vez de mergulharmos nela, em um ato de fé, nos entregando à luminosidade, nos fundindo nela. E assim o momento passa. As instruções de Kalu Rinpoche para esse momento de grande luminosidade foram: "Solte o corpo e a mente, e dissolva-se na clara luz da luminosidade interior. Reconheça o raiar da clara luz e se liberte neste instante. Enxergue além das ciladas, do dualismo da vida e da morte".

O Bardo do Dharmata (Realidade.

Neste segundo estado de bardo, temos outra oportunidade de atingir a libertação. Kalu Rinpoche dizia que a coisa mais importante para nos lembrarmos aqui é que, como nos sonhos, tudo o que veremos aqui é criação de nossas mentes, e pode ser mudado, da mesma forma que se pode acordar dentro dos sonhos e alterá-los. Neste estado, é como se sonhássemos, e nada mais pode realmente nos fazer mal. A libertação pode ocorrer se conseguirmos apagar a resistência e as dúvidas, soltar tudo e nos entregarmos à luminosidade inata da mente natural. Se não pudermos fazer isso, então o próximo bardo inexoravelmente começará.

O Bardo do Vir-a-Ser.

Neste terceiro estado de bardo pós-morte, nossas percepções estão voltando. Novamente, temos preferências e aversões, e somos atraídos para lugares e pessoas que nos são familiares. À medida que nossos apegos, paixões e propensões cármicas começam a se afirmar, estamos nos aproximando do renascimento. Nesse momento, faríamos bem em voltar nossas mentes para as intenções do bodhisativa, que são beneficiar e servir todos os seres sem exceções. Livres das ciladas da atração e da repulsão, devemos procurar o meio ambiente oportuno para exercer o voto de bodhisativa. Se você achar que está neste estado do bardo, através da coragem destemida e da visão pura, vá além e abandone sua atração e seu desejo pelo homem e mulher que se unem em união sexual. Em vez disso, perceba este casal amoroso, que serão seus novos pais, como um casal búdico - Sr. e Sra. Sabedoria e Compaixão. Graciosamente, entre neste templo humano e encontre sua nova vida.

Vivendo a Morte: Uma Meditação.

Todos nós temos que nos defrontar com as questões da vida e da morte. Quer seja a morte de um familiar idoso ou o nascimento de um filho, o nascimento e a morte são parte da vida. A filosofia, a ciência, a religião, as artes lidam com a vida e a morte, e com a morte ou renascimento. Todos nós nos perguntamos o que acontece quando morremos. Será que a morte é o nosso fim? E o que isso significa para nós? Como podemos dar mais sentido às nossas vidas?

Existem diversas religiões e culturas, mas todas compartilham de pelo menos um princípio comum: todas têm ritos, rituais e especialistas para lidar com a morte e o morrer. Estes ritos nos oferecem conforto e segurança diante da precariedade e da insegurança da existência. Será que continuamos? Será que atingimos um fim abrupto? Não existe mais nada? E o céu? E o inferno? Existe vida depois da morte? Vamos nos defrontar com Deus ou com o carma? Verdade ou conseqüência? Como podemos ter certeza de qualquer coisa? Isso pode ser verificado ou estão nos pedindo para acreditar e confiar em um mito ou na imaginação? Devemos acreditar nas pessoas que dizem ter voltado das experiências de quase morte? Devemos acreditar em Edgar Cayce e nos outros videntes? Devemos acreditar nos lama encarnados, muitos dos quais dizem que se lembram de vidas passadas e parecem ter algum controle consciente sobre o processo - como se estivessem evoluindo, por escolha, através de diferentes níveis da escola espiritual? Como podemos saber? Quem sabe?

Os budistas perceberam há muito tempo que contemplar a própria mortalidade é uma prática que ajuda a ter foco e estabelecer prioridades. A vida espiritual, a jornada de despertar e dar sentido às nossas vidas enquanto aprendemos a amar, é na verdade uma questão tanto de vida quanto de morte. A precariedade da vida nos ajuda a permanecer totalmente dispersos no aqui agora.

O que o budismo tibetano nos oferece, juntamente com seus ensinamentos pragmáticos e éticos, é uma forma de lidar com a própria experiência da morte - uma forma de encarar a morte no momento presente. Este treinamento pode nos ajudar muito a lidar com o momento da morte. Passamos a apreciar mais, estar mais atentos e mais abertos a cada momento da vida, que se torna mais pungente devido à sua absoluta impermanência.

Ao aprender a deixar esta vida ir embora, aprendemos também a viver cada momento sem arrependimentos. Aprendemos a tomar decisões sem arrependimentos. Cada decisão se torna a decisão certa. Quando aprendemos a largar as coisas em vida, abandonamos nossos rancores, obtemos o perdão e nos aliviamos do fardo do ressentimento, da amargura e da hostilidade. Assim, encontramos uma conclusão e podemos soltar velhas tristezas e antigas queixas, deixando estes padrões congelados morrerem. É assim que morremos sem arrependimentos, enquanto aprendemos a viver de novo. Aqui, neste momento. Respiração por respiração. Eis aqui uma meditação que nos ajuda a fazer isso:

Respire profundamente relaxe. Deixe tudo se acomodar. Esteja totalmente presente, naturalmente presente, sem esforço. Você está se sentando por um instante, um instante eterno. Não perca o momento. Só existe este.

Sinta tudo, como é. Esteja presente, alerta, desperto e relaxado. Abra-se para a presença sem esforço, para a consciência pura. A presença total. Tenha consciência de estar consciente, uma percepção luminosa, sem centro, aqui e agora. Deixe que tudo aconteça sem esforço, de forma transparente. Abandone o controle, a manipulação e o julgamento.

A cada respiração, solte um pouco mais. A cada respiração, solte, relaxe, abra e centre-se cada vez mais profundamente. Cada expiração é uma pequena morte. Simplesmente esteja com a expiração, e a cada expiração solte um pouco mais. Um pouco mais ... solte os nós do seu psiquismo. Relaxe. Largue tudo. Solte a tensão dos ombros, expire-a. Expire aquele pensamento, aquela lembrança, solte, solte, solte.
Solte a expiração. Morra um pouco a cada expiração. Morra no momento presente. Qualquer sensação sinta, deixe-a partir. Largue o corpo, largue a mente, largue os pensamentos e a personalidade. Largue tudo. Solte. Largue sua auto-imagem, sua casa, suas posses, seus planos, sua carreira. Solte. Tudo está perfeitamente resolvido na mente natural que não nasce nem morre.

Abandone as tentativas de controlar a mente. A cada expiração, solte. Aperte a embreagem do desapego espiritual e desengrene a marcha. A cada expiração, solte mais alguma coisa - o que vier à cabeça, uma sensação, uma emoção, um sentimento, um relacionamento uma pessoa, um medo, uma posse. Respiração à respiração, momento a momento - simplesmente solte tudo. Habitue-se a evoluir, a se transformar, a passar sem resistência, sem se agarrar, sem apegos. Respiração a respiração, vá soltando. Deixe todos fenômenos ilusórios irem embora.

A cada respiração, perdoe aos outros. Perdoe às pessoas de seu passado - aquelas com quem não tem mais contato, e também as que ainda estão ao seu redor. Perdoe a sí. Aceite os outros como são. Aceite totalmente a si mesmo. Deixe tudo ser como é. Isto é a sabedoria em ação. A cada respiração, abandone o medo, a expectativa, a raiva, o arrependimento, o desejo, a frustração, a fadiga. Abandone a necessidade de aprovação. Abandone os velhos julgamentos e as opiniões. Morra para tudo isto, e voe livremente. Eleve-se na liberdade da ausência de desejos.

Solte. Deixe. Veja através de tudo seja livre, completo, luminoso e volte para casa.

Com este tipo de meditação, as camadas sutis que formam quem nós somos começam a se arrumar, e nós penetramos mais profundamente no nosso estado natural - o estado despojado do ser autêntico. Isto é uma transformação ocorrida aqui e agora. Um renascimento espiritual.Do livro "O despertar do buda interior"Lama Surya Das.

A Esfinge e a Cruz.


O grande enigma dos séculos antigos, a esfinge, depois de ter feito a volta ao mundo sem achar repouso, parou ao pé da cruz, este outro grande enigma; e há dezoito séculos e meio a contempla e medita.
Que é o homem? - pergunta a esfinge à cruz, - e a cruz responde à esfinge, perguntando-lhe: - Que é Deus?
Já dezoito vezes, o velho Ahasverus fez também a volta do globo; e, no fim de todos os séculos, e no começo de todas as gerações, passa perto da cruz muda e diante da esfinge imóvel e silenciosa.
Quando estiver cansado de caminhar sempre, sem nunca chegar, é aí que ele repousará, e então a esfinge e a cruz falarão por sua vez para o consolar.
Eu sou o resumo da sabedoria antiga - dirá a esfinge. - Sou a síntese do homem. Tenho uma fronte que pensa e peitos que se inflamam de amor; tenho garras de leão para a luta, flancos de touro para o trabalho e asas de águia para subir à luz. Só fui entendida nos tempos antigos pelo cego voluntário de Tebas, este grande símbolo da misteriosa explanação que devia iniciar a humanidade à eterna justiça; mas agora o homem não é mais o filho maldito que um crime original faz expor à morte do Cytheron; o pai veio, por sua vez, expiar o suplício do filho; a sombra de Laios gemeu com os tormentos de édipo; o céu explicou ao mundo o meu enigma nesta cruz. é por isso que eu me calo, esperando que ela mesma se explique ao mundo: repousa, Ahasverus, porque é aqui o termo da tua dolorosa viagem.
Eu sou a chave da sabedoria futura - dirá a cruz. - Sou o signo glorioso do stauros que Deus fixou nos quatro pontos cardiais do céu, para servir de duplo eixo ao universo. Expliquei na Terra o enigma da esfinge, dando aos homens a razão da dor: consumei o simbolismo religioso, realizando o sacrifício. Eu sou a escada sangrenta pela qual a humanidade sobe a Deus e pela qual Deus desce aos homens. Eu sou a árvore do sangue, e as minhas raízes o bebem em toda a terra, para que não seja perdido, e forme nos meus braços frutos de devotamento e de amor. Sou o sinal da glória, porque revelei a honra; e os príncipes da terra me penduraram ao peito dos bravos. Um dentre eles me deu um quinto braço para fazer de mim uma estrela; mas sempre me chamo a cruz. Talvez aquele que foi o mártir da glória previa o sacrifício, e queria, acrescentando um braço à cruz, preparar um encosto para a sua própria cabeça ao lado da do Cristo. Estendo os meus braços tanto à direita como à esquerda, e espalhei igualmente as bênçãos de Deus sobre Madalena e sobre Maria; ofereço a salvação aos pecadores, e aos justos a graça nova; espero Caim e Abel para os reconciliar e unir. Devo servir de ponto de ligação entre os povos, e devo presidir ao último julgamento dos reis; sou o resumo da lei, porque trago escrito nos meus braços: Fé, Esperança e Caridade. Sou o resumo da ciência, porque explico a vida humana e o pensamento de Deus. Não temas, Ahasverus, não mais temas minha sombra; o crime do teu povo tornou-se o do universo, porque também os cristãos crucificaram o seu Salvador; eles o crucificaram, lançando aos pés a sua doutrina de comunhão; eles o crucificaram na pessoa dos pobres; eles o crucificaram, maldizendo a ti próprio e prescrevendo o teu exílio; mas o crime de todos os homens os envolve no mesmo perdão; e tu, o Caim humanitário, tu, o mais velho dos que a cruz deve resgatar, vem repousar embaixo de um dos seus braços ainda tinto do sangue redentor! Depois de ti, virá o filho da segunda sinagoga, o pontífice da lei nova, o sucessor de Pedro; quando as nações o tiverem proscrito como tudo, quando não houver senão a coroa do martírio, e quando a perseguição o tiver feito submisso e dócil como justo Abel, então virá Maria, a mulher regenerada, a mãe de Deus e dos homens; e ela reconciliará o judeu errante com o último papa, depois começará de novo a conquista do mundo para dá-lo aos seus dois filhos. O amor regenerará as ciências, e razão e a fé. Então serei a árvore do paraíso terrestre, a árvore da ciência do bem e do mal, a árvore da liberdade humana. Os meus imensos ramos cobrirão o mundo inteiro, e as populações afadigadas descansarão debaixo da minha sombra; os meus frutos serão o alimento dos fortes e o leite das criancinhas; e as aves do céu, isto é, os que passam cantando, levados nas asas da inspiração sagrada, estes repousarão nos meus ramos, sempre verdes e carregados de frutos. Repousa, pois, Ahasverus, na esperança deste belo porvir; porque é aqui o termo da tua dolorosa viagem.
Então o judeu errante, sacudindo o pó de seus pés doloridos, dirá à esfinge:
Eu te conheço desde há muito! Ezequiel te via outrora, atrelada a esta carruagem misteriosa que representa o universo e cujas rodas estreladas giram umas nas outras; realizei uma segunda vez os destinos errantes do órfão do Cytheron; como ele, matei meu pai, sem o conhecer; quando o deicídio se realizou e quando chamei sobre mim a vingança do seu sangue, me condenei a mim mesmo à cegueira e ao exílio. Eu fugia de ti e te procurava sempre, porque era a primeira causa das minhas dores. Mas tu viajavas penosamente como eu, e, por caminhos diferentes, devíamos chegar juntos; bendito sejas tu, ó gênio das antigas idades, por me haveres levado ao pé da cruz!
Depois, dirigindo-se à própria cruz, Ahasverus dirá, enxugando a sua última lágrima:
Desde há dezoito séculos te conheço, porque eu te vi levada pelo Cristo que sucumbiu sob este fardo. Abanei a cabeça e te blasfemei então, porque ainda não tinha sido iniciado à maldição; era preciso à minha religião o anátema do mundo para lhe fazer compreender a divindade do maldito; é por isso que sofri com coragem meus dezoito séculos de expiação, vivendo e sofrendo sempre no meio das gerações que morriam ao redor de mim, assistindo à agonia dos impérios e atravessando todas as ruínas e olhava sempre com ansiedade para ver se não estavas caída; e depois de todas as convulsões do mundo, sempre te via de pé! Mas não me aproximava de ti, porque os grandes do mundo ainda te haviam profanado, e feito de ti o patíbulo da Liberdade santa! Não me aproximava de ti, porque a Inquisição tinha entregue meus irmãos à fogueira em presença da tua imagem; não me aproximava de ti, porque não falavas, ao passo que os falsos ministros do céu falavam, em teu nome, de danação e vinganças; e eu só podia ouvir as palavras de misericórdia e união! Por isso, desde que a tua voz chegou ao meu ouvido, senti meu coração mudado e a minha consciência se acalmou! Bendita seja a hora salutar que me levou ao pé da cruz!
Então uma porta se abrirá no céu e a montanha do Gólgota será o seu sólio e, diante desta porta, a humanidade verá, com admiração, a cruz irradiante guardada pelo judeu errante, que terá deposto a seus pés o seu bastão de viagem, e pela esfinge, que estenderá as suas asas e terá os olhos brilhantes de esperança, como se fosse tomar um novo vôo e se transfigurar!
E a esfinge responderá à pergunta da cruz, dizendo: - Deus é aquele que triunfa do mal pela prova de seus filhos, aquele que permite a dor, porque possui em si o remédio eterno; Deus é aquele que é, e diante de quem o mal não existe.
E a cruz responderá ao enigma da esfinge: - O homem é o filho de Deus que se imortaliza ao morrer, e que se liberta, por um amor inteligente e vitorioso, do tempo e da morte; o homem é aquele que deve amar para viver, e que não pode amar sem ser livre; o homem é o filho de Deus e da Liberdade!
Dogma e Ritual da Alta Magia', de Eliphas Levi.