contos sol e lua

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sábado, 24 de outubro de 2009

O Martelo das Feiticeiras.


Malleus Maleficarum.
Escrito em 1484 pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger
Segundo a maioria dos antropólogos, o ser humano habita este planeta há mais de dois milhões de anos. Mais de três quartos deste tempo a nossa espécie passou nas culturas de coleta e caça aos pequenos animais. Nessas sociedades não havia necessidade de força física para a sobrevivência, e nelas as mulheres possuíam um lugar central.
Em nosso tempo ainda existem remanescentes dessas culturas, tais como os grupos mahoris (Indonésia), pigmeus e bosquímanos (África Central). Estes são os grupos mais primitivos que existem e ainda sobrevivem da coleta dos frutos da terra e da pequena caça ou pesca. Nesses grupos, a mulher ainda é considerada um ser sagrado, porque pode dar a vida e, portanto, ajudar a fertilidade da terra e dos animais. Nesses grupos, o princípio masculino e o feminino governam o mundo juntos. Havia divisão de trabalho entre os sexos, mas não havia desigualdade. A vida corria mansa e paradisíaca.
Nas sociedades de caça aos grandes animais, que sucedem a essas mais primitivas, em que a força física é essencial, é que se inicia a supremacia masculina. Mas nem nas sociedades de coleta nem nas de caça se conhecia função masculina na procriação. Também nas sociedades de caça a mulher era considerada um ser sagrado, que possuía o privilégio dado pelos deuses de reproduzir a espécie. Os homens se sentiam marginalizados nesse processo e invejavam as mulheres. Essa primitiva inveja do útero" dos homens é a antepassada da moderna "inveja do pênis" que sentem as mulheres nas culturas patriarcais mais recentes.
A inveja do útero dava origem a dois ritos universalmente encontrados nas sociedades de caça pelos antropólogos e observados em partes opostas do mundo, como Brasil e Oceania. O primeiro é o fenômeno da couvade, em que a mulher começa a trabalhar dois dias depois de parir e o homem fica de resguardo com o recém-nascido, recebendo visitas e presentes... O segundo é a iniciação dos homens. Na adolescência, a mulher tem sinais exteriores que marcam o limiar da sua entrada no mundo adulto. A menstruação a torna apta à maternidade e representa um novo patamar em sua vida. Mas os adolescentes homens não possuem esse sinal tão óbvio. Por isso, na puberdade eles são arrancados pelos homens às suas mães, para serem iniciados na "casa dos homens". Em quase todas essas iniciações, o ritual é semelhante: é a imitação cerimonial do parto com objetos de madeira e instrumentos musicais. E nenhuma mulher ou criança pode se aproximar da casa dos homens, sob pena de morte. Desse dia em diante o homem pode "parir" ritualmente e, portanto, tomar seu lugar na cadeia das gerações...
Ao contrário da mulher, que possuía o "poder biológico", o homem foi desenvolvendo o "poder cultural" à medida que a tecnologia foi avançando. Enquanto as sociedades eram de coleta, as mulheres mantinham uma espécie de poder, mas diferente das culturas patriarcais. Essas culturas primitivas tinham de ser cooperativas, para poder sobreviver em condições hostis, e portanto não havia coerção ou centralização, mas rodízio de lideranças, e as relações entre homens e mulheres eram mais fluidas do que viriam a ser nas futuras sociedades patriarcais.
Nos grupos matricêntricos, as formas de associação entre homens e mulheres não incluíam nem a transmissão do poder nem a da herança, por isso a liberdade em termos sexuais era maior. Por outro lado, quase não existia guerra, pois não havia pressão populacional pela conquista de novos territórios.
E só nas regiões em que a coleta é escassa, ou onde vão se esgotando os recursos naturais vegetais e os pequenos animais, que se inicia a caça sistemática aos grandes animais. E aí começam a se instalar a supremacia masculina e a competitividade entre os grupos na busca de novos territórios. Agora, para sobreviver, as sociedades têm de competir entre si por um alimento escasso. As guerras se tornam constantes e passam a ser mitificadas. Os homens mais valorizados são os heróis guerreiros. Começa a se romper a harmonia que ligava a espécie humana à natureza. Mas ainda não se instala definitivamente a lei do mais forte. O homem ainda não conhece com precisão a sua função reprodutora e crê que a mulher fica grávida dos deuses. Por isso ela ainda conserva poder de decisão. Nas culturas que vivem da caça, já existe estratificação social e sexual, mas não é completa como nas sociedades que se lhes seguem.
E no decorrer do neolítico que, em algum momento, o homem começa a dominar a sua função biológica reprodutora, e, podendo controlá-la, pode também controlar a sexualidade feminina. Aparece então o casamento como o conhecemos hoje, em que a mulher é propriedade do homem e a herança se transmite através da descendência masculina. Já acontece assim, por exemplo, nas sociedades pastoris descritas na Bíblia. Nessa época, o homem já tinha aprendido a fundir metais. Essa descoberta acontece por volta de 10000 ou 8000 a.C. E, à medida que essa tecnologia se aperfeiçoa, começam a ser fabricadas não só armas mais sofisticadas como também instrumentos que permitem cultivar melhor a terra (o arado, por ex.).
Hoje há consenso entre os antropólogos de que os primeiros humanos a descobrir os ciclos da natureza foram as mulheres, porque podiam compará-los com o ciclo do próprio corpo. Mulheres também devem ter sido as primeiras plantadoras e as primeiras ceramistas, mas foram os homens que, a partir da invenção do arado, sistematizaram as atividades agrícolas, iniciando uma nova era, a era agrária, e com ela a história em que vivemos hoje.
Para poder arar a terra, os grupamentos humanos deixam de ser nômades. São obrigados a se tornar sedentários. Dividem a terra e formam as primeiras plantações. Começam a se estabelecer as primeiras aldeias, depois as cidades, as cidades-estado, os primeiros Estados e os impérios, no sentido antigo do termo. As sociedades, então, se tornam patriarcais, isto é, os portadores dos valores e da sua transmissão são os homens. Já não são mais os princípios feminino e masculino que governam juntos o mundo, mas, sim, a lei do mais forte. A comida era primeiro para o dono da terra, sua família, seus escravos e seus soldados. Até ser escravo era privilégio. Só os párias nômades, os sem-terra, é que pereciam no primeiro inverno ou na primeira escassez.
Nesse contexto, quanto mais filhos, mais soldados e mais mão-de-obra barata para arar a terra. As mulheres tinham a sua sexualidade rigidamente controlada pelos homens. O casamento era monogâmico e a mulher era obrigada a sair virgem das mãos do pai para as mãos do marido. Qualquer ruptura desta norma podia significar a morte. Assim também o adultério: um filho de outro homem viria ameaçar a transmissão da herança que se fazia através da descendência da mulher. A mulher fica, então, reduzida ao âmbito doméstico. Perde qualquer capacidade de decisão no domínio público, que fica inteiramente reservado ao homem. A dicotomia entre o privado e o público torna-se, então, a origem da dependência econômica da mulher, e esta dependência, por sua vez, gera, no decorrer das gerações, uma submissão psicológica que dura até hoje.
E nesse contexto que transcorre todo o período histórico até os dias de hoje. De matricêntrica, a cultura humana passa a patriarcal.
E o Verbo Veio Depois.
"No principio era a Mãe, o Verbo veio depois." l~ assim que Marilyn French, uma das maiores pensadoras feministas americanas, começa o seu livro Beyond Power (Summit Books, Nova York, 1985). E não é sem razão, pois podemos retraçar os caminhos da espécie através da sucessão dos seus mitos. Um mitólogo americano, em seu livro The Masks of God: Occidental Mythology (Nova York, 1970), citado por French, divide em quatro grupos todos os mitos conhecidos da criação. E, surpreendentemente, esses grupos correspondem às etapas cronológicas da história humana.
Na primeira etapa, o mundo é criado por uma deusa mãe sem auxílio de ninguém. Na segunda, ele é criado por um deus andrógino ou um casal criador. Na terceira, um deus macho ou toma o poder da deusa ou cria o mundo sobre o corpo da deusa primordial. Finalmente, na quarta etapa, um deus macho cria o mundo sozinho.
Essas quatro etapas que se sucedem também cronologicamente são testemunhas eternas da transição da etapa matricêntrica da humanidade para sua fase patriarcal, e é esta sucessão que dá veracidade à frase já citada de Marilyn French.
Alguns exemplos nos farão entender as diversas etapas e a frase de French. O primeiro e mais importante exemplo da primeira etapa em que a Grande Mãe cria o universo sozinha é o próprio mito grego. Nele a criadora primária é Géia, a Mãe Terra. Dela nascem todos as protodeuses: Urano, osTitãs e as protodeusas, entre as quais Réia, que virá a ser a mãe do futuro dominador do Olimpo, Zeus. Há também o caso do mito Nagô, que vem dar origem ao candomblé. Neste mito africano, é Nanã Buruquê que dá à luz todos os orixás, sem auxílio de ninguém.
Exemplos do segundo caso são o deus andrógino que gera todos os deuses, no hinduísmo, e o yin e o yang, o principio feminino e o masculino que governam juntos na mitologia chinesa.
Exemplos do terceiro caso são as mitologias nas quais reinam em primeiro lugar deusas mulheres, que são, depois, destronadas por deuses masculinos. Entre essas mitologias está a sumeriana, em que primitivamente a deusa Siduri reinava num jardim de delícias e cujo poder foi usurpado por um deus solar. Mais tarde, na epopéia de Gilgamesh, ela é descrita como simples serva. Ainda, os mitos primitivos dos astecas falam de um mundo perdido, de um jardim paradisíaco governado por Xoxiquetzl, a Mãe Terra. Dela nasceram os Huitzuhuahua, que são os Titâs e os Quatrocentos Habitantes do Sul (as estrelas). Mais tarde, seus filhos se revoltam contra ela e ela dá à luz o deus que iria governar a todos, Huitzilopochtli.
A partir do segundo milênio a.C., contudo, raramente se registram mitos em que a divindade primária seja mulher. Em muitos deles, estas são substituídas por um deus macho que cria o mundo a partir de si mesmo, tais como os mitos persa, meda e, principalmente e acima de todos, o nosso mito cristão, que é o que será enfocado aqui.
Javé é deus único todo-poderoso, onipresente, e controla todos os seres humanos em todos os momentos da sua vida. Cria sozinho o mundo em sete dias e, no final, cria o homem. E só depois cria a mulher, assim mesmo a partir do homem. E coloca ambos no Jardim das Delícias onde o alimento é abundante e colhido sem trabalho. Mas, graças à sedução da mulher, o homem cede à tentação da serpente e o casal é expulso do paraíso.
Javé representa bem a transformação do matricentrismo em patriarcado.
O Jardim das Delícias é a lembrança arquetípica da antiga harmonia entre o ser humano e a natureza. Nas culturas de coleta não se trabalhava sistematicamente. Por isso os controles eram frouxos e podia se viver mais prazerosamente. Quando o homem começa a dominar a natureza, ele começa a se separar dessa mesma natureza em que até então vivia imerso.
Como o trabalho é penoso, necessita agora de poder central que imponha controles mais rígidos e punição para a transgressão. É preciso usar a coerção e a violência para que os homens sejam obrigados a trabalhar, e essa coerção é localizada no corpo, na repressão da sexualidade e do prazer. Por isso o pecado original, a culpa máxima, na Bíblia, é colocado no ato sexual (é assim que, desde milênios, popularmente se interpreta a transgressão dos primeiros humanos).
E por isso que a árvore do conhecimento é também a árvore do bem e do mal. O progresso do conhecimento gera o trabalho e por isso o corpo tem de ser amaldiçoado, porque o trabalho é bom. Mas é interessante notar que o homem só consegue conhecimento do bem e do mal transgredindo a lei do Pai. O sexo (o prazer) doravante é mau e, portanto, proibido. Praticá-lo é transgredir a lei. Ele é, portanto, limitado apenas às funções procriativas, e mesmo assim é uma culpa.
Daí a divisão entre sexo e afeto, entre corpo e alma, apanágio das civilizações agrárias e fonte de todas as divisões e fragmentações do homem e da mulher, da razão e da emoção, das classes...
Tomam ai sentido as punições de Javé. Uma vez adquirido o conhecimento, o homem tem que sofrer, O trabalho o escraviza. E por isso o homem escraviza a mulher. A relação homem-mulher-natureza não é mais de integração e, sim, de dominação. O desejo dominante agora é o do homem. O desejo da mulher será para sempre carência, e é esta paixão que será o seu castigo. Daí em diante, ela será definida por sua sexualidade, e o homem, pelo seu trabalho.
Os primeiros capítulos do Gênesis podem ser mais bem entendidos à luz das modernas teorias psicológicas, especialmente a psicanálise. Em cada menino nascido no sistema patriarcal repete-se, em nível simbólico, a tragédia primordial. Nos primeiros tempos de sua vida, eles estão imersos no Jardim das Delícias, em que todos os seus desejos são satisfeitos. E isto lhes faz buscar o prazer que lhes dá o contato com a mãe, a única mulher a que têm acesso. Mas a lei do pai proíbe ao menino a posse da mãe. E o menino é expulso do mundo do amor, para assumir a sua autonomia e, com ela, a sua maturidade. Principalmente, a sua nudez, a sua fraqueza, os seus limites. E à medida que o homem se cinde do Jardim das Delícias proporcionadas pela mulher-mãe que ele assume a sua condição masculina.
E para que possa se tornar homem em termos simbólicos, ele precisa passar pela punição maior que é a ameaça de morte pelo pai. Como Adão, o menino quer matar o pai e este o pune, deixando-o só.
Assim, aquilo que se verifica no decorrer dos séculos, isto é, a transição das culturas de coleta para a civilização agrária mais avançada, é relembrado simbolicamente na vida de cada um dos homens do mundo de hoje. Mas duas observações devem ser feitas. A primeira é que o pivô das duas tragédias, a individual e a coletiva, é a mulher; e a segunda, que o conhecimento condenado não é o conhecimento dissociado e abstrato que daí por diante será o conhecimento dominante, mas sim o conhecimento do bem e do mal, que vem da experiência concreta do prazer e da sexualidade, o conhecimento totalizante que integra inteligência e emoção, corpo e alma, enfim, aquele conhecimento que é, especificamente na cultura patriarcal, o conhecimento feminino por excelência.
Freud dizia que a natureza tinha sido madrasta para a mulher porque ela não era capaz de simbolizar tão perfeitamente como o homem. De fato, para podermos entender a misoginia que daí por diante caracterizará a cultura patriarcal, é preciso analisar a maneira como as ciências psicológicas mais atuais apontam para uma estrutura psíquica feminina bem diferente da masculina.
A mesma idade em que o menino conhece a tragédia da castração imaginária, a menina resolve de outra maneira o conflito que a conduzirá á maturidade. Porque já vem castrada, isto é, porque não tem pênis (o símbolo do poder e do prazer, no patriarcado), quando seu desejo a leva para o pai ela não entra em conflito com a mãe de maneira tão trágica e aguda como o menino entra com o pai por causa da mãe. Porque já vem castrada, não tem nada a perder. E a sua identificação com a mãe se resolve sem grandes traumas. Ela não se desliga inteiramente das fontes arcaicas do prazer (o corpo da mãe). Por isso, também, não se divide de si mesma como se divide o homem, nem de suas emoções. Para o resto da sua vida, conhecimento e prazer, emoção e inteligência são mais integrados na mulher do que no homem e, por isso, são perigosos e desestabilizadores de um sistema que repousa inteiramente no controle, no poder e, portanto, no conhecimento dissociado da emoção e, por isso mesmo, abstrato.
De agora em diante, poder, competitividade, conhecimento, controle, manipulação, abstração e violência vem juntos. O amor, a integração com o meio ambiente e com as próprias emoções são os elementos mais desestabilizadores da ordem vigente. Por isso é preciso precaver-se de todas as maneiras contra a mulher, impedi-la de interferir nos processos decisórios, fazer com que ela introjete uma ideologia que a convença de sua própria inferioridade em relação ao homem.
E não espanta que na própria Bíblia encontremos o primeiro indício desta desigualdade entre homens e mulheres. Quando Deus cria o homem, Ele o cria só e apenas depois tira a companheira da costela deste. Em outras palavras: o primeiro homem dá à luz (pare) a primeira mulher. Esse fenômeno psicológico de deslocamento é um mecanismo de defesa conhecido por todos aqueles que lidam com a psique humana e serve para revelar escondendo. Tirar da costela é menos violento do que tirar do próprio ventre, mas, em outras palavras, aponta para a mesma direção. Agora, parir é ato que não está mais ligado ao sagrado e é, antes, uma vulnerabilidade do que uma força. A mulher se inferioriza pelo próprio fato de parir, que outrora lhe assegurava a grandeza. A grandeza agora pertence ao homem, que trabalha e domina a natureza.
Já não é mais o homem que inveja a mulher. Agora é a mulher que inveja o homem e é dependente dele. Carente, vulnerável, seu desejo é o centro da sua punição. Ela passa a se ver com os olhos do homem, isto é, sua identidade não está mais nela mesma e sim em outro. O homem é autônomo e a mulher é reflexa. Daqui em diante, como o pobre se vê com os olhos do rico, a mulher se vê pelo homem.
Da época em que foi escrito o Gênesis até os nossos dias, isto é, de alguns milênios para cá, essa narrativa básica da nossa cultura patriarcal tem servido ininterruptamente para manter a mulher em seu devido lugar. E, aliás, com muita eficiência. A partir desse texto, a mulher é vista como a tentadora do homem, aquela que perturba a sua relação com a transcendência e também aquela que conflitua as relações entre os homens. Ela é ligada à natureza, à carne, ao sexo e ao prazer, domínios que têm de ser rigorosamente normatizados: a serpente, que nas eras matricêntricas era o símbolo da fertilidade e tida na mais alta estima como símbolo máximo da sabedoria, se transforma no demônio, no tentador, na fonte de todo pecado. E ao demônio é alocado o pecado por excelência, o pecado da carne. Coloca-se no sexo o pecado supremo e, assim, o poder fica imune à crítica. Apenas nos tempos modernos está se tentando deslocar o pecado da sexualidade para o poder. Isto é, até hoje não só o homem como as classes dominantes tiveram seu status sacralizado porque a mulher e a sexualidade foram penalizadas como causa máxima da degradação humana.
O Malleus como Continuação do Gênesis.
Enquanto se escrevia o Gênesis no Oriente Médio, as grandes culturas patriarcais iam se sucedendo. Na Grécia, o status da mulher foi extremamente degradado. O homossexualismo era prática comum entre os homens e as mulheres ficavam exclusivamente reduzidas às suas funções de mãe, prostituta ou cortesã. Em Roma, embora durante certo período tivessem bastante liberdade sexual, jamais chegaram a ter poder de decisão no Império. Quando o Cristianismo se torna a religião oficial dos romanos no século IV, tem início a Idade Média. Algo novo acontece. E aqui nos deteremos porque é o período que mais nos interessa.
Do terceiro ao décimo séculos, alonga-se um período em que o Cristianismo se sedimenta entre as tribos bárbaras da Europa. Nesse período de conflito de valores, é muito confusa a situação da mulher. Contudo, ela tende a ocupar lugar de destaque no mundo das decisões, porque os homens se ausentavam muito e morriam nos períodos de guerra. Em poucas palavras: as mulheres eram jogadas para o domínio público quando havia escassez de homens e voltavam para o domínio privado quando os homens reassumiam o seu lugar na cultura.
Na alta Idade Média, a condição das mulheres floresce. Elas têm acesso às artes, às ciências, à literatura. Uma monja, por exemplo, Hrosvitha de Gandersheim, foi o único poeta da Europa durante cinco séculos. Isso acontece durante as cruzadas, período em que não só a Igreja alcança seu maior poder temporal como, também, o mundo se prepara para as grandes transformações que viriam séculos mais tarde, com a Renascença.
E é logo depois dessa época, no período que vai do fim do século XIV até meados do século XV III que aconteceu o fenômeno generalizado em toda a Europa: a repressão sistemática do feminino. Estamos nos referindo aos quatro séculos de "caça às bruxas".
Deirdre English e Barbara Ehrenreich, em seu livro Witches, Nurses and Midwives (The Feminist Press, 1973), nos dão estatísticas aterradoras do que foi a queima de mulheres feiticeiras em fogueiras durante esses quatro séculos. "A extensão da caça às bruxas é espantosa. No fim do século XV e no começo do século XVI, houve milhares e milhares de execuções - usualmente eram queimadas vivas na fogueira - na Alemanha, na Itália e em outros países. A partir de meados do século XVI, o terror se espalhou por toda a Europa, começando pela França e pela Inglaterra. Um escritor estimou o número de execuções em seiscentas por ano para certas cidades, uma média de duas por dia, 'exceto aos domingos'. Novecentas bruxas foram executadas num único ano na área de Wertzberg, e cerca de mil na diocese de Como. Em Toulouse, quatrocentas foram assassinadas num único dia; no arcebispado de Trier, em 1585, duas aldeias foram deixadas apenas com duas mulheres moradoras cada uma. Muitos escritores estimaram que o número total de mulheres executadas subia à casa dos milhões, e as mulheres constituíam 85~Vo de todos os bruxos e bruxas que foram executados."
Outros cálculos levantados por Marilyn French, em seu já citado livro, mostram que o número mínimo de mulheres queimadas vivas é de cem mil.
Desde a mais remota antiguidade, as mulheres eram as curadoras populares, as parteiras, enfim, detinham saber próprio, que lhes era transmitido de geração em geração. Em muitas tribos primitivas eram elas as xamãs. Na Idade Média, seu saber se intensifica e aprofunda. As mulheres camponesas pobres não tinham como cuidar da saúde, a não ser com outras mulheres tão camponesas e tão pobres quanto elas. Elas (as curadoras) eram as cultivadoras ancestrais das ervas que devolviam a saúde, e eram também as melhores anatomistas do seu tempo. Eram as parteiras que viajavam de casa em casa, de aldeia em aldeia, e as médicas populares para todas as doenças.
Mais tarde elas vieram a representar uma ameaça. Em primeiro lugar, ao poder médico, que vinha tomando corpo através das universidades no interior do sistema feudal. Em segundo, porque formavam organizações pontuais (comunidades) que, ao se juntarem, formavam vastas confrarias, as quais trocavam entre si os segredos da cura do corpo e muitas vezes da alma. Mais tarde, ainda, essas mulheres vieram a participar das revoltas camponesas que precederam a centralização dos feudos, os quais, posteriormente, dariam origem às futuras nações.
O poder disperso e frouxo do sistema feudal para sobreviver é obrigado, a partir do fim do século XIII, a centralizar, a hierarquizar e a se organizar com métodos políticos e ideológicos mais modernos. A noção de pátria aparece, mesmo nessa época (Klausevitz).
A religião católica e, mais tarde, a protestante contribuem de maneira decisiva para essa centralização do poder. E o fizeram através dos tribunais da Inquisição que varreram a Europa de norte a sul, leste e oeste, torturando e assassinando em massa aqueles que eram julgados heréticos ou bruxos.
Este "expurgo" visava recolocar dentro de regras de comportamento dominante as massas camponesas submetidas muitas vezes aos mais ferozes excessos dos seus senhores, expostas à fome, à peste e à guerra e que se rebelavam. E principalmente as mulheres.
Era essencial para o sistema capitalista que estava sendo forjado no seio mesmo do feudalismo um controle estrito sobre o corpo e a sexualidade, conforme constata a obra de Michel Foucault, História da Sexualidade. Começa a se construir ali o corpo dócil do futuro trabalhador que vai ser alienado do seu trabalho e não se rebelará. A partir do século XVII, os controles atingem profundidade e obsessividade tais que 05 menores, os mínimos detalhes e gestos são normatizados.
Todos, homens e mulheres, passam a ser, então, os próprios controladores de si mesmos a partir do mais íntimo de suas mentes. E assim que se instala o puritanismo, do qual se origina, segundo Tawnwy e Max Weber, o capitalismo avançado anglo-saxão. Mas até chegar a esse ponto foi preciso usar de muita violência. Até meados da Idade Média, as regras morais do Cristianismo ainda não tinham penetrado a fundo nas massas populares. Ainda existiam muitos núcleos de "paganismo" e, mesmo entre os cristãos, os controles eram frouxos.
As regras convencionais só eram válidas para as mulheres e homens das classes dominantes através dos quais se transmitiam o poder e a herança. Assim, os quatro séculos de perseguição às bruxas e aos heréticos nada tinham de histeria coletiva, mas, ao contrário, foram uma perseguição muito bem calculada e planejada pelas classes dominantes, para chegar a maior centralização e poder.
Num mundo teocrático, a transgressão da fé era também transgressão política. Mais ainda, a transgressão sexual que grassava solta entre as massas populares. Assim, os inquisidores tiveram a sabedoria de ligar a transgressão sexual à transgressão da fé. E punir as mulheres por tudo isso. As grandes teses que permitiram esse expurgo do feminino e que são as teses centrais do Malleus Maleficarum são as seguintes:
1] O demônio, com a permissão de Deus, procura fazer o máximo de mal aos homens a fim de apropriar-se do maior número possível de almas.
2] E este mal é feito prioritariamente através do corpo, único "lugar" onde o demônio pode entrar, pois "o espírito [do homem] é governado por Deus, a vontade por um anjo e o corpo pelas estrelas" (Parte 1, Questão 1). E porque as estrelas são inferiores aos espíritos e o demônio é um espírito superior, só lhe resta o corpo para dominar.
3] E este domínio lhe vem através do controle e da manipulação dos atos sexuais. Pela sexualidade o demônio pode apropriar-se do corpo e da alma dos homens. Foi pela sexualidade que o primeiro homem pecou e, portanto, a sexualidade é o ponto mais vulnerável de todos os homens.
4] E como as mulheres estão essencialmente ligadas à sexualidade, elas se tornam as agentes por excelência do demônio (as feiticeiras). E as mulheres têm mais conivência com o demônio "porque Eva nasceu de uma costela torta de Adão, portanto nenhuma mulher pode ser reta" (1,6).
5] A primeira e maior característica, aquela que dá todo o poder às feiticeiras, é copular com o demônio. Satã é, portanto, o senhor do prazer.
6] Uma vez obtida a intimidade com o demônio, as feiticeiras são capazes de desencadear todos os males, especialmente a impotência masculina, a impossibilidade de livrar-se de paixões desordenadas, abortos, oferendas de crianças a Satanás, estrago das colheitas, doenças nos animais etc.
7]E esses pecados eram mais hediondos ao que os próprios pecados de Lúcifer quando da rebelião dos anjos e dos primeiros pais por ocasião da queda, porque agora as bruxas pecam contra Deus e o Redentor (Cristo), e portanto este crime é imperdoável e por isso só pode ser resgatado com a tortura e a morte.
Vemos assim que na mesma época em que o mundo está entrando na Renascença, que virá a dar na Idade das Luzes, processa-se a mais delirante perseguição às mulheres e ao prazer. Tudo aquilo que já estava em embrião no Segundo Capítulo do Gênesis torna-se agora sinistramente concreto. Se nas culturas de coleta as mulheres eram quase sagradas por poderem ser férteis e, portanto, eram as grandes estimuladoras da fecundidade da natureza, agora elas são, por sua capacidade orgástica, as causadoras de todos os flagelos a essa mesma natureza. Sim, porque as feiticeiras se encontram apenas entre as mulheres orgásticas e ambiciosas (1, 6), isto é, aquelas que não tinham a sexualidade ainda normatizada e procuravam impor-se no domínio público, exclusivo dos homens.
Assim, o Malleus Maleficarum, por ser a continuação popular do Segundo Capítulo do Gênesis, torna-se a testemunha mais importante da estrutura do patriarcado e de como esta estrutura funciona concretamente sobre a repressão da mulher e do prazer.
De doadora da vida, símbolo da fertilidade para as colheitas e os animais, agora a situação se inverte: a mulher é a primeira e a maior pecadora, a origem de todas as ações nocivas ao homem, à natureza e aos animais.
Durante três séculos o Malleus foi a bíblia dos Inquisidores e esteve na banca de todos os julgamentos. Quando cessou a caça às bruxas, no século XVIII, houve grande transformação na condição feminina. A sexualidade se normatiza e as mulheres se tornam frígidas, pois orgasmo era coisa do diabo e, portanto, passível de punição. Reduzem se exclusivamente ao âmbito doméstico, pois sua ambição também era passível de castigo. O saber feminino popular cai na clandestinidade, quando não é assimilado como próprio pelo poder médico masculino já solidificado. As mulheres não têm mais acesso ao estudo como na Idade Média e passam a transmitir voluntariamente a seus filhos valores patriarcais já então totalmente introjetados por elas.
É com a caça às bruxas que se normatiza o comportamento de homens e mulheres europeus, tanto na área pública como no domínio do privado.
E assim se passam os séculos.
A sociedade de classes que já está construída nos fins do século XVIII é composta de trabalhadores dóceis que não questionam o sistema.
As Bruxas do Século XX.
Agora, mais de dois séculos após o término da caça às bruxas, é que podemos ter uma noção das suas dimensões. Neste final de século e de milênio, o que se nos apresenta como avaliação da sociedade industrial? Dois terços da humanidade passam fome para o terço restante superalimentar-se; além disto há a possibilidade concreta da destruição instantânea do planeta pelo arsenal nuclear já colocado e, principalmente, a destruição lenta mas contínua do meio ambiente, já chegando ao ponto do não-retorno. A aceleração tecnológica mostra-se, portanto, muito mais louca dos inquisidores.
Ainda neste fim de século outro fenômeno está acontecendo: na mesma jovem rompem-se dois tabus que causaram a morte das feiticeiras: a inserção no mundo público e a procura do prazer sem repressão. A mulher jovem hoje liberta-se porque o controle da sexualidade e a reclusão ao domínio privado formam também os dois pilares da opressão feminina.
Assim, hoje as bruxas são legião no século XX. E são bruxas que não podem ser queimadas vivas, pois são elas que estão trazendo pela primeira vez na história do patriarcado, para o mundo masculino, os valores femininos. Esta reinserção do feminino na história, resgatando o prazer, a solidariedade, a não-competição, a união com a natureza, talvez seja a única chance que a nossa espécie tenha de continuar viva.

Unicórnio.


Unicórnio ( Espíritos Da Natureza)
O unicórnio é um ser selvagem, que habita jardins, sem lugar específico.
Em função de suas viagens eles precisam descansar e para isso eles procuram um lugar escondido onde não haja perigo. Tomam água corrente e comem frutas e grãos maduros
ou folhas tenras dessas árvores.
Símbolo da pureza, esperança, amor, majestade, poder, honestidade, liberdade e de tudo de bom
que há no ser humano. É um ser selvagem e indomesticável, muitos acreditam que apenas uma virgem pode domesticar o unicórnio, deixando-o indefeso aos caçadores. É rápido, forte
e que habita jardins sem lugar específico. Em função de suas viagens eles precisam descansar
e para isso eles procuram um lugar escondido onde não haja perigo. Tomam água corrente e
comem frutas e grãos maduros ou folhas tenras dessas árvores. A duração do Unicórnio na Terra
é muito maior que o do Homem.
A Lenda - O primeiro unicórnio chegou embrulhado em uma nuvem, impelida por um vórtice branco.
Desceu com suavidade dos céus aos campos infantis da Terra. Dotado de um chifre de luz em espiral.
Com seu chifre penetrou uma pedra, e uma fonte de vida brotou. A Terra começou a ser fecundada
com coisas frutíferas. Grandes árvores floresceram; e abaixo em suas sombras foram povoadas com
bestas selvagens. Tudo isso era intenção de Deus, e o Unicórnio, o instrumento de seu querer.
Deste modo se forma o Jardim do Unicórnio, é chamado Shamagim que quer dizer Lugar onde há Água.
Deus fala ao Unicórnio então: " Unicórnio! Você será, entre todas minhas criações, a que em memória
permanente da Luz, será seu guia e guardião. Mas você nunca devolverá a Luz até o final do Tempo".
O unicórnio surgiu da mitologia oriental, grega e romana, também é mencionado
na bíblia [Salmo 22:21], [Salmo 29:6] e [Salmo 92:10]. Seu nome vem de duas palavras do latim: "unus"
que significa um e "cornu" que significa chifre.
O Chifre - É um talismã de poder soberano, mas sua força e virtude só serão ativadas através de um
trabalho de um Unicórnio. Sua luz diminuirá até se extinguir quando nas mãos de outro. No Chifre
reside a história total do Unicórnio e também é o recipiente de seus pensamentos. Muitos acreditam
que ele tem poder de cura e que é ser um antídoto para veneno. A forma deles é um espiral: os dois meios,
ou flautas, são unidos um ao outro. Em horas de perigo ou de concentração prolongada o Chifre pode exalar
certo brilho ou um esplendor suave. Para a proteção do unicórnio, não podemos ver o seu chifre, ou seja,
com isso, o unicórnio é confundido com um simples cavalo.
O Unicórnio - Um Símbolo De Excelência.
O Unicórnio é um extraordinário animal mitológico, notável pela sua anatomia e habilidade.
A verdadeira força do Unicórnio reside no seu único chifre, ao qual a crença popular atribuía poderes
mágicos de cura. Na época medieval, o chifre pulverizado era usado para curar picadas ou mordidas
venenosas, ataques de vermes, perda de memória e muitas outras moléstias. Tão arraigada era a
crença no poder mágico do Unicórnio, que o chifre pulverizado continuou a ser utilizado por farmacêuticos
até o Século XVIII.
Dizia-se que o chifre propriamente dito, cobria-se de suor quando colocado junto de alimentos envenenados,
sendo usado como detector de veneno em cerimônias de cortes européias, até 1789.
É um ser selvagem, que habita jardins, sem lugar específico. Em função de suas viagens eles precisam
descansar e para isso eles procuram um lugar escondido onde não haja perigo. Tomam água corrente
e comem frutas e grãos maduros ou folhas tenras dessas árvores.
A duração do Unicórnio na Terra é muito maior que o do Homem.Naida.

VAMPIRA.


ELA VEM Usando roupas pretas,
O batom negro realsa seu rosto pálido
os SEUS olhos VERMELHOS brilham Na escuridão

Somente em noites sem luar
ELA Caminha, Sozinha...
Apreciando a melancolia DA NOITE
Não olha para os lados
Não da atenção a chamados.
APENAS Segue seu caminho...

Ela Destrói esse deus cristão
Que manipula OS pensamento
Subjulgando-se ser o senhor
Por algumas palavras talvez nunca ditas
Apenas escritas, em um novo testamento.

Antes do NASCER DO SOL
Ela volta aO seu santuário ESCURO
Apreciando a luz dAS VELAS
E o frio polar
Do seu coração negro a sangrar...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O LOBISOMEM.


Dentre todos os mitos que misturam aspectos anatômicos humanos e animais no mesmo personagem , certamente os “lobisomens” são os que mais “povoam” as profundezas da imaginação humana - são relatados em diversos países ao longo da história humana, principalmente à partir do fim da idade média. Um mito onde uma pessoa que no período de lua cheia, transforma-se numa forma de vida peluda com garras e presas semelhante à um lobo que ganhou grande impulso com produções cinematográficas nas últimas décadas, mas será que à biologia atual não está concebendo “lobisomens” com os organismos transgênicos? O que realmente pode acontecer no futuro com o uso indevido na combinação de DNA de diferentes espécies? Desde o século 10 a.C. há referência sobre esse mito por um filósofo grego chamado Heródoto ao citar o “povo dos neuros”, onde as pessoas assumiam à aparência de um lobo todos os anos por durante alguns dias. Porém, foi Petronious, autor romano da peça teatral “Satyricon” no ano 5 a.C., que combinou o fenômeno astronômico da lua cheia com à transformação de um homem em lobo, mas foi um outro autor romano – Ovídio, onde no ano 1 d.C. escreveu sobre o mito do rei Likaon, que teria desrespeitado o deus Júpiter ao lhe oferecer carne humana escondida num banquete e, então, Júpiter ao perceber à trama ficou extremamente furioso jogando uma maldição sobre Likaon transformando-o em um lobo, aí surgiu o termo “lykantropos”- aquele que vira lobo, onde esse termo também é usado posteriormente para designar uma doença, a licantropia. Em termos históricos, foi na idade média é que os lobisomens ficaram mais conhecidos e ganharam um “status” maligno na sociedade, só na França onde era chamado de “loup-garou”- entre os anos de 1520 e 1630, relataram-se 30.000 casos, talvez o mais famoso seja o caso de Pierre Bourgot, um pastor que foi julgado em 1521 por uma série de assassinatos brutais de mulheres jovens , onde o mesmo declarou que se auto-transformava em lobo. Isso só para evidenciar que no século XVI milhares de pessoas foram acusadas de bruxaria e de serem lobisomens com práticas de canibalismo foram condenadas pela à inquisição e mortas na fogueira, sendo que a grande maioria eram camponeses – isso provavelmente associado com os graves problemas sócio-econômicos e desigualdades sociais, além da pobreza e miséria as inúmeras doenças e fome salientavam ainda mais à paranóia de lobisomens. Naquela época na França, qualquer pessoa que tivesse muito pelo no corpo todo, com sombrancelhas grossas que se fundem, com as palmas das mãos muito ásperas e calejadas e com grandes olhos arregalados podia ser acusado de ser um lobisomem pela inquisição e, posteriormente condenado à morte ou à severos castigos, onde os crimes com extrema crueldade eram julgados equivocadamente como práticas de lobisomem, com foi em 1573, uma aldeia francesa nas proximidades de Dôle foi “palco de terror” das atrocidades de um grande lobo que matou e devorou parcialmente dezenas de crianças, constatou-se que o mesmo animal tinha uma enorme semelhança facial com uma pessoa chamada Gilles Garnier, sendo preso o mesmo confessou sob tortura que fizera pacto com um espírito maligno da floresta onde lhe dera um líquido que, aplicado ao corpo, transformava-o em um lobo - após o julgamento foi queimado vivo. Na região norte e nordeste brasileiro há muitas lendas envolvendo esse personagem em noites de luas cheia, marcante no folclore, inclusive com ataques à seres humanos; mas uma pequena cidade do interior do estado de São Paulo, Joanópolis , possui tradição nos relatos de lobisomens. Como curiosidade, no sertão nordestino há à lenda do Labatut, um ser de andar bípede da altura de um homem, extremamente peludo, cabelos longos, pés arredondados, mãos compridas com garras, com apenas um olho na região da testa ( ciclópico), audição apurada e presa enormes é considerado um “tipo” pior que o próprio lobisomem, de ação noturna e extremamente esfomeado atacando qualquer possível presa, inclusive o ser humano.
Doente com Hipertricose.
Além dos aspectos históricos citados, temos algumas manifestações de certas doenças que também podem ter originado o mito dos lobisomens, como a doença genética conhecida como Hipertricose, que causa um crescimento anormal e exagerado de pêlos por todo corpo de uma pessoa conferindo-lhe um aspecto animalesco e assustador. Porém, há uma outra doença chamada de Licantropia, ou seja, uma manifestação psicológica de comportamento “tipo lobisomem” , mas na realidade é uma doença mental e sob ação de drogas alucinógenas fazia seu usuário acreditar que podia mudar de forma, isso associado à vontade sádica de ingerir carne e de beber sangue , transformava essa pessoa em um monstro assassino. Provavelmente na idade média, o comportamento licantrópico atingiu grandes proporções, pois naquela época era muito comum o uso de ervas para fabricar porções relacionados com bruxaria, onde inclusive se utilizava sementes de papoula e de beladona, esta feita na forma pastosa, onde o mesmo através da pele ou da ingestão atinge à corrente sanguínea e afeta o SNC (Sistema Nervoso Central), causando sintomas como delírio, alucinações e agitação intensa; certamente muitas alucinações foram causadas pela ergotina, ou seja, uma substância originada de um fungo da mesma família do LSD que contaminava o centeio do pão. Juntando tudo isso uma pessoa normal podia ter comportamento alterado de maneira agressiva repentinamente, ou seja, uma manifestação de licantropia. Não podemos esquecer que os lobos sempre estiveram presentes na cultura humana, inclusive com uma constelação no firmamento celeste; até a origem da cidade de Roma é mitologicamente atribuída à dois irmãos que foram amamentados e criados por uma loba, mas isso na realidade seria possível? Sim, pois em 1920 na Índia, duas meninas – Camala e Amata, que foram criadas por lobos foram retiradas de uma gruta, onde comprovou-se que as mesmas sobreviveram se alimentando por carne fresca e andavam de quatro sob total influência de lobas. Será que os aspectos históricos e as doenças aqui citadas seriam realmente à explicação para à origem do mito do lobisomem? Ou será que muitas pessoas não focalizam nesse mito os mais profundos desejos comportamentais e sexuais reprimidos? Ou através do mito simplesmente não estamos mascarando nossos instintos animais? Será que à ciência, através da criação de seres transgênicos, não pode criar os atuais “lobisomens”? Seja como for aos lobos tem sobrado a fama de mal na atualidade, mas apenas são mamíferos da mesma ''família'' biológica dos cachorros, onde alguns dos quais já foram extintos pelo o homem recentemente, como o “Lobo da Tasmânia” nestes século.
Mas no Mundo das Trevas, o mito do Lobisomem, pouco tem a ver com as lendas que todos conhecemos, na verdade eles são realmente criaturas que podem assumir forma tanto de homens quanto de lobos e também formas intermediárias entre ambos, são pessoas que podem se tornar monstros grandes, peludos, com grandes garras e presas, mas isso não é tudo, ser um Garou significa muito mais. Lobisomem é basicamente um jogo de heróis, de desespero, de esperança e de uma luta perdida, contra um inimigo terrível que se torna ainda mais poderoso a cada noite que passa. Ser um Garou é ser um guerreiro que luta pela mãe Terra, ou Gaia como eles costumam dizer. Ser um Garou é viver entre dois mundos, ser parte de duas sociedades distintas e não pertencer a nenhuma delas ao mesmo tempo. Ser um Garou e confrontar diariamente a besta que vive dentro de você, a linha entre o homem e o lobo pode ser tênue, e muitas vezes a fúria incontrolada da besta pode assumir o controle, e então, os resultados podem ser catastróficos.
Este é o universo de Lobisomem: o Apocalipse, um universo onde o fim dos tempos não é apenas um futuro próximo, ele já é uma realidade. A Mãe Gaia esta morrendo a cada dia nas mãos da terrível fera enlouquecida conhecida como Wyrm, e os Garou, mesmo sabendo que é uma guerra praticamente perdida, devem protege-la.
É neste mundo que você entrará agora, assumindo a identidade de dos últimos Garou restantes no planeta. Mas nem só de coisas ruins é feita a vida dos Garou, eles possuem muitas habilidades concedidas por Gaia, que os torna seres únicos e predadores inigualáveis. São elas:
1- Múltiplas formas: como metamorfos os Garou podem assumir uma variedade de formas intermediárias entre o homem e o lobo, incluindo a temida forma de guerra conhecida como Crinos ou homem-lobo, que é a encarnação da Fúria dos Garou.
2- Regeneração: os Garou possuem uma capacidade de regenerar ferimentos fora do comum, eles podem , em poucos segundos, curar ferimentos que matariam qualquer ser humano normal. Esta capacidade de regeneração também os torna praticamente imunes a qualquer tipo de doença.
3- Fúria: a fúria é a característica da besta, e medida de quanto o garou esta próximo dela. Porém a fúria concede muitas habilidades especiais aos Garou, é ela que permite que eles mudem de forma, e que façam ações extras por turno, além de ser usada para acionar alguns dons.
4- Gnose: é a ligação do Garou com Gaia e com o mundo espiritual. É uma parte de Gaia concedida aos seus filhos que permite que eles compreendam o equilíbrio da natureza, e é através da Gnose que os Garou são capazes de percorrer atalhos.
5- Capacidade de Percorrer Atalhos: no começo dos tempos os mundos físico e espiritual eram um só, depois quando a Wyrm enlouqueceu, os mundos foram separados e entre eles foi criada uma barreira chamada Película. Os Garou por serem seres tanto físicos quanto espirituais (em função da sua Gnose) são capazes de atravessar a Película, mas pra isso eles precisam da do auxílio de uma superfície refletora (desde espelhos até um corpo de água límpida), ao vislumbrarem seu reflexo nessa superfície, eles evocam o poder de sua Gnose e são capazes de atravessar a Película e alcançar o mundo espiritual (também conhecido como Umbra).
6- Dons: a muito tempo atrás uma grande assembléia entre os Garou e os espíritos selou uma grande aliança entre ambos. Por essa aliança os Garou se comprometeram a não mais caçar os espíritos, e em troca eles concederiam aos mesmos o seu poder. Esse poder ensinado pelos espíritos aos Garou é conhecido como Dons. Existem vários tipos de dons que possibilitam aos Garou fazer muitas coisas desde reconhecer a verdade quando ela é dita até transformar-se totalmente em prata.
7- Prata: a prata não é exatamente uma dádiva mais sim uma maldição dos Garou. A prata é o único material capaz de causar feridas realmente perigosas aos Garou. Sendo assim, o simples contado com a prata já causa danos ao garou, esse dano não pode ser absorvido e leva muito tempo pra ser regenerado, e mesmo assim as cicatrizes não somem completamente da sua pele.P. A. G. Mesquita

TOTEMISMO.


É a religião dos povos selvagens: negros da África, silvícolas americanos, esquimós, populações aborígenes de continentes e ilhas orientais que somam milhões de adeptos. Consiste no culto de animais e vegetais, de antepassados e de forças divinizadas da Natureza.
Nesta religião essencialmente primitiva, os adeptos se julgam associados a seres animais e vegetais ou, mesmo, a fenômenos e elementos naturais como o sol, a água, o trovão, o raio, etc. Todos se crêem ligados entre si, na pessoa de um antepassado heróico, que tanto pode ser um homem, como um animal, como uma planta. Formam-se assim agrupamentos, clãs, mais ou menos numerosos denominados, por exemplo: clã do corvo, clã da serpente, clã do pinheiro, etc.
O antepassado totem é venerado pelo clã e torna-se um tabu (coisa sagrada, inviolável), que não pode ser morto, nem comido, nem tocado, ou destruído de maneira alguma. É o instrutor, o protetor do clã, o intermediário entre os homens e a força ou coisa que está além dos homens. Consultam-no nas dificuldades, fazem-lhe oferendas, criam-lhe ritos e cerimônias como sucede em qualquer outra religião. Como esses ritos e cerimônias são sempre presididos por feiticeiros, e fácil compreender que estes são os médiuns por via dos quais os espíritos desencarnados atuam entre esses povos.
Esta é a religião da idolatria do homem nos albores da inteligência, quando ainda impera o instinto, quando apenas desponta a Razão. É a religião dos povos espiritualmente primários. Numa forma um pouco mais avançada, isto é, de homens um pouco mais civilizados, entretanto, o totemismo manifesta a existência de espíritos protetores que, evocados por feiticeiros e sacerdotes, produzem a chuva, conjuram encantos, curam doenças, atam e desatam laços amorosos; neste ponto já não existe mais a crença do parentesco, já se desfizeram os laços da intimidade pessoal e o homem reconhece nesses espíritos entidades hierarquicamente superiores.
Por causa da ignorância crêem, então, em práticas de plena feitiçaria e magia negra. Avançando um pouco mais, essas entidades são postas em rigorosa hierarquia: deuses, gênios, semideuses, representando ou simbolizando, ora elementos naturais como chuva, sol, ventos; ora movimentos sociais como produção, destruição, guerra; ora sentimentos afetivos, passionais ou artísticos, tudo já do campo extremamente interessante da mitologia. Estude-se a mitologia grega, a romana, a bramânica, a escandinava e outras e se poderá conhecer detalhes dessa interessante fase evolutiva da religiosidade humana primitiva.
O clã do urso ou do lobo pensa que descende desses animais, tendo sempre havido um urso ou um lobo excepcionais que criaram a família. Pensam que no princípio andavam de quatro mas que, aos poucos, com o correr do tempo, vieram vindo para o reino é? homem, perdendo a cauda (coisa aliás que lamentam muito) e que essa perda foi por causa do hábito que adquiriram de sentar-se como os homens.
Mo Peru, os indígenas pensam que descendem de águias e condores; na África, de rinocerontes, elefantes, hipopótamos etc... e em muitas tribos há a crença totêmica de que muitos deles descendem de mulheres que se uniram aos totens animais, protetores do clã ou da tribo. Outros dizem que descendem de aves e peixes, ou ainda de pinheiros, carvalhos e palmeiras. O totem é sempre um tabu, salvo no caso de fome quando, então, preenchidas certas regras, pode ser tocado e comido.
É também crença entre eles que quando um homem infringe as leis totêmicas e fere um totem, pode adoecer e até mesmo morrer, mesmo quando não o haja feito propositadamente. Alguns chefes, mais inteligentes e práticos, declaram totens somente partes do corpo como, por exemplo, a cabeça, rara que assim possam, sem castigo, comer o resto. Outros pensam que, com a morte, certos homens se ransformam no totem do clã ou da tribo; por exemplo, no animal, no vegetal ou na coisa ou objeto que é o totem venerado.
Na parte social há leis que proíbem casamentos no mesmo clã ou tribo e também contratos entre tribos, no sentido de poderem uns matar e comer os totens dos outros, medida esta que evita muitas guerras e violências. O totem dá força mágica ao homem que protege e assim, os feiticeiros, que interpretam os casos e fazem as cerimônia: do culto, adquirem grande prestígio.
Os totens são desenhados ou esculpidos por toda parte mormente em postes, que se colocam à entrada de aldeias ou residências. Os totens, em muitos casos, quando animais, são alimentados pelos clãs e muitas vezes convivem com o homens. Assim o clã do cachorro vermelho possui cachorro: vermelhos em grande quantidade; cada casa possui um; os cãezinhos recém-nascidos são, muitas vezes, amamentado; por mulheres que pensam, assim, permanecer nas boas graça; do totem.
Quando morre o totem, ele é chorado por todos e enterrado com todas as honras concedidas aos homens da tribo. Como pensam que o totem compreende a linguagen deles, quando falam mal do totem, os homens o fazem escondidos e em voz baixa. Quando um homem fica de cabelos brancos dizem que ofendeu, feriu ou matou o totem do clã; mesmo em defesa própria não pode o homem matar o totem, a não ser com o consentimento deste, o que os indígenas, aliás, sabem como obter. Caso não ocorra o acontecimento desta forma, o homem inevitavelmente será expulso da tribo.
Quando nasce uma criança, de certas tribos da África ela é posta junto do totem, para se ver como este a recebe Por exemplo: se o totem é a serpente, colocam a criança junto dela; se a serpente não a toca nem a morde, compreendem que o filho é legítimo, e ilegítimo, em caso contrário. Os totens dão aviso, entrando nas casas, nos terreiro: das tribos, ou voando sobre eles, quando há ameaças de desgraças iminentes, guerras, epidemias, etc.
Quando o totem fica impertinente e começa, por exemplo, a comer a plantação da tribo, há muitos processos engenhosos para chamá-lo à razão: deixam-no amarrado, com cuidado, e não lhe dão comida enquanto ele não promete interromper a devastação. A conversa é sempre feita por intermédio do feiticeiro da tribo. Nos nascimentos, a criança é tatuada com o desenho do totem, o mesmo acontecendo com todos os homens e mulheres. No casamento a noiva é presenteada com um animal totem, consagrado pelo feiticeiro, mas se o totem é vegetal a cerimônia se realiza junto dele ou à sua sombra.
As danças que se celebram nessa ocasião são compartilhadas pelos totens, representados por homens fantasiados. Quando morrem são envoltos na pele do totem ou em uma pele símbolo, que o representa. O estudo do totemismo é importante porque grande parte da humanidade já passou por essa fase, daí tomando rumos inumeráveis no terreno das crenças, até a mais alta compreensão espiritual, como o espiritismo.
O totem nunca é um ser isolado: é sempre um conjunto ou uma família de animais ou plantas. Pode ser de tribo (clã-totem), de indivíduo (gens-totem) e de sexo (sex-totem). O primeiro é cultuado por toda a tribo e normalmente contém os totens secundários de indivíduos e de sexo.
O segundo é cultuado pelo indivíduo e tem suas regras e limites e o último, o de sexo, é cultuado pelos moços e moças da tribo; regula e protege as coisas referentes ao amor entre eles. O totemismo é um sistema de caráter religioso e social. Religioso quando o totem protege o homem e este lhe rende culto; social quando o totem serve para estabelecer e manter relações amistosas entre diferentes clãs e tribos, possibilitando intercâmbio entre eles.
O totem social visa ampliar a área social do clã no espaço, propagando a sociedade deles e o totem religioso visa orientar num mesmo sentido os impulsos sempre primitivos e violentos do homem. O totemismo é, pois, uma ponta do arco e o espiritismo é outra; o totemismo é o primeiro degrau da subida e o espiritismo é o último, neste mundo e nesta fase evolutiva, bem entendido, desde que se o considere como nós o consideramos, uma cúpula de todas as doutrinas e cultos e não uma seita em si mesmo.Edgard Armond.

ESOTERISMO.


O Esoterismo é a junção das verdades contidas nas ciências ocultas e nas religiões, que visa em diversos aspectos, trazer para os seres humanos que buscam, o auto-conhecimento.
As artes do tarô, da numerologia, da quiromancia e da astrologia que fazem parte do esoterismo, desvendam o futuro. Quando alguém visando conhecer seu futuro, faz uso dessas artes, está conhecendo a si mesmo, pois está conhecendo seu próprio futuro.
A metafísica ensina ao ser humano de onde veio, para onde vai, onde está e sua relação com o cosmos, ensinando o homem sobre si mesmo.
A evolução espiritual ensina o ser humano a conhecer seus defeitos, qualidades, pensamentos e sentimentos, fazendo-o na mais intima busca, conhecer a si mesmo. A evolução espiritual é, entre as outras formas de auto-conhecimento, a mais importante, pois conhecendo nossos defeitos, podemos corrigi-los, conhecendo nossas qualidades, podemos ter uma auto-estima verdadeira, conhecendo nossos pensamentos e sentimentos, podemos lidar de uma forma melhor e mais satisfatória com o mundo e conosco, e assim podemos ser mais felizes.
De acordo com o mestre Sanat Kumara, O Ancião dos Dias, integrante da Grande Fraternidade Branca, as melhores formas de evoluir espiritualmente são: o Budismo, a Yôga, a psicoterapia com psicólogo, a meditação e a Logosofia. Existem ainda outras formas de evoluir espiritualmente, como por exemplo a Alquimia e o Tai Chi Chuan, porém são mais lentas e menos efetivas.
O conhecimento esotérico foi sendo trazido aos poucos para os seres humanos através da descoberta de sábios e alquimistas, entidades superiores espiritualmente que entram em contato com o homem e passam esses conhecimentos, extraterrestres que fazem a mesma coisa e por pessoas que evoluíram tanto suas almas que chegaram a ascensão (ou nirvana) e se identificam com a sabedoria divina.
Isso não significa que o conhecimento esotérico está completo, pois ele ainda está sendo desenvolvido.
O conhecimento esotérico transcende a ciência, por isso não existem normas de ética para profissionais que trabalham nessa área seguirem. Existem muitos charlatões usando de embustes psíquicos no tarô, na astrologia, na quiromancia, na viagem astral (metafísica esotérica) e em outras áreas, enganando e sugestionando as pessoas. Graças a Deus as melhores técnicas de evolução espiritual podem ser entendidas pela ciência e não existe essa falta de conduta ética.

"A TRADIÇÃO ESOTÉRICA OCIDENTAL".


Nashar:
No ocidente, desde os primórdios da Civilização Cristã, existem atuando independentes de quaisquer ligações com a religião exotérica, três correntes de ensinamento esotérico.
Tais correntes abordam aspectos específicos da Tradição Primordial, sendo que sua ação se focaliza nos planos físico, psíquico(ou astral) e mental.
Sem entrarmos em controvérsias improdutívas, existem tres escolas de sabedoria no ocidente que representam sem interrupção cada uma destas correntes, e que são: A ROSA+CRUZ, A FRANCO-MAÇONARIA e O MARTINISMO.

As correntes que nos referimos são:

1.

A CORRENTE HERMÉTICA ou ALQUÍMICA ou EGÍPCIA, representada pela ROSA+CRUZ, busca o Conhecimento pelo desenvolvimento da Mente;
2.

A CORRENTE PITAGÓRICA ou TEÚRGICA ou GREGA, representada pela FRANCO-MAÇONARIA, busca o Conhecimento pelo desenvolvimento da Ação Teúrgica no Plano Físico;
3.

A CORRENTE CABALÍSTICA ou JUDAICO-CRISTÃ que busca o Conhecimento através do Domínio sobre as Emoções ou sobre o Astral.

Tais escolas exercem influências recíprocas umas sobre as outras, mas como dissemos a tônica de cada uma delas se concentra em planos de ação distintos.

Uma pergunta que se faz comumente é se cada uma destas escolas de sabedoria sózinha pode outorgar a Iniciação? Podemos afirmar que sim porque a abordagem de cada uma delas, embora se focalize em apenas um plano de ação, acaba por equilibrar os demais.

Não podemos deixar de mencionar neste ponto, as chamadas Escolas Integrativas de Sabedoria que focalizam sua ação nos tres planos físico, psíquico e mental, SIMULTÂNEAMENTE.

A escola integrativa mais conhecida no Ocidente é a Escola do Quarto Caminho introduzida pôr G.I. GURDJIEFF.

As escolas integrativas também outorgam a Iniciação mas exigem qualidades específicas de seus aderentes uma vez que a ação simultânea sobre os tres planos exige equilíbrio relativo sobre cada um dos planos.

Não se trata neste caso de que estes indivíduos sejam necessariamente superiores aos demais e sim que o seu percurso evolutivo interior os trouxe a uma situação de relativo equilíbrio dos centros físico, psíquico e espiritual. Como existem uma gama imensa de indivíduos cada um traz uma peculiar situação evolutiva interna que exige por isso uma ação especifica. Assim poderemos ver indivíduos com um forte desenvolvimento mental e físico mas com uma deficiência no plano emocional. Outro pode ter um excelente desenvolvimento do centro emocional e físico e uma carência grande no centro mental. Daí a existência das diferentes escolas de sabedoria.