contos sol e lua

contos sol e lua

quinta-feira, 21 de junho de 2012

UM SONHO NUM SONHO.



Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.

Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?
edgar allan poe

poema.


Vida,
Tediosa existência,
Incessante movimentação,
Eterna dúvida,
Maior dos mistérios

O que senão o sono,
O inibidor dos sentidos,
Para nos desprender daqui,
Oh, sofrido mundo!
O sono é a morte dos que ainda vivem

Para os que dele retornam,
Resta apenas serem tolos
E procurarem a felicidade
Ou serem sábios
E procurarem evitar a dor
Ciclo vicioso, degradante, tedioso

O que senão o sono eterno,
O finalizador dos sentidos,
Para nos tirar daqui,
Oh, sofrido mundo!
A morte é o sono dos que não vivem

Os que para ela foram,
Aqui não mais retornarão
Resta-lhes o nada,
Fazer nada,
Não serem, pois nada são
Nada é!
Não há ciclo
Apenas a degradação completa

Insistentes,
As artes preencherão o vazio de tuas almas
Pobres almas...
Destroçadas pela vida
O sono,
O analgésico para a dor da vida

As pessoas estao indo embora
sangue pelo chão
gritos pelo ar...

Não sei o que vou fazer
nao sei como encontrar forças para correr
pois quem eu amo
está morto no chao

Maldito aquele que viola a lei divina
matando pessoas por pura diversão!

Por ti, amor! morrerei!
só nao quero viver
num inferno de podridão!

Ilusão minha era achar que eles tivessem alma
que eles tivessem compaixão!

Um bando de jovens destruídos
por uma sociedade de eterna maldição.
Jovens assassinos...
jovens sem alma e sem coração!
jovens, condenados por um mesmo destino que eu...
o destino da solidão!

Perdi quem mais amei
e em cima de seu corpo chorarei
minha alma destruída pela vingança
e meu coração consumido pela tristeza
vão sempre ficar assim...
até que no inferno te encontrarei!

Certas Derrotas nos preparam pra grandes vitorias ?

Na escuridão das trevas,
onde a luz não ousa chegar,
existe um lugar onde a vida apenas sobrevive.
Muitos chamam esse lugar de inferno,
outros de fim do mundo.
Eu, chamo de lar.

O sono é uma morte incompleta,
a morte é o sono perfeito.

A sombra é a luz negativa.

Uma cadeia de ferros é mais facil do que romper uma cadeia de flores.

A pratica é o verbo em ação,
o homem que pratica pertence
a doutrina cujo ritos realiza.

Se eu avançar, segue-me.
Se eu morrer, vinga-me.
Se eu recuar, mata-me.

Se você é capaz de amar,
não faça sofrer quem te ama.

Lutar sempre,
vencer se possível,
desistir nunca.

Antes de magoar um coração,
veja se não esta dentro dele.
[d.a]

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Os Mistérios Egípcios..


Uma das particularidades mais notáveis que acontece com o Antigo Egipto e que continua a intrigar os mais cépticos dos cientistas, para a qual ainda não encontraram uma explicação razoável, é a seguinte: não se conhece uma passagem gradual do estado pré-histórico, da Idade da Pedra, do Ferro, do Bronze, para o estado civilizacional. De repente, aparece uma civilização organizada, com uma escrita, os faraós governando e construindo grandes monumentos. O mesmo fenómeno parece ter acontecido, mais ou menos ao mesmo tempo, na Caldeia e na Babilónia ou, mais precisamente na região da Mesopotâmia. Dá a impressão de que alguém chegou, vindo não se sabe de onde, e instruiu os habitantes locais sobre as diversas artes e ciências. Naturalmente que existem muitas teorias acerca dos primitivos habitantes das margens do rio Nilo, mas não explicam como é que esses habitantes, que viviam da pesca e de uma agricultura rudimentar, se transformaram, da noite para o dia, na civilização organizada que conhecemos.

A importância do Antigo Egipto é tão grande que, dentro da arqueologia constitui uma especialidade à parte – egiptologia. Os arqueólogos que se têm dedicado a escavar as tumbas no Egipto também se chamam egiptólogos. O problema é que estes egiptólogos, para as suas conclusões, partem de premissas conservadoras, ou seja, que a civilização do Antigo Egipto teve que ter uma evolução gradual como qualquer outra civilização antiga e que foram os egípcios os únicos responsáveis por essa civilização e pela construção de toda a monumentalidade que nos deixaram. Não lhes passa pela cabeça que a verdade pode estar algures em outra parte.

Não têm levado em consideração os escritos antigos que contrariam as suas teses. Maneto, um sacerdote de Heliópolis do terceiro século antes da nossa era, compilou uma história do Antigo Egipto mas, os egiptólogos só usam as suas descrições para o período histórico e repudiam tudo quanto se refere a épocas anteriores, considerando-as falsas ou fruto de fantasias. Numa crónica de Eusébio, um autor cristão do terceiro século depois de Cristo, citando directamente Maneto, desenrola uma lista de deuses que mais não é do que a novena, ou o grupo de 9 deuses de Heliópolis. Esses deuses são: Rá, Geb, Nut, Osíris, Ísis, Seth, Shu, Tefnet e Nephtys. Estranhamente Hórus não faz parte desta lista.

Referindo-se a estes deuses, Eusébio diz o seguinte: “Foram os primeiros a ter o poder no Egipto. A realeza passou de um para outro numa sucessão ininterrupta… durante 13.900 anos. Após os deuses, os semideuses reinaram durante 1.255 anos; e, depois, outra linha de reis teve o poder durante 1.817 anos; em seguida vieram mais trinta reis, que reinaram durante 1.790 anos; e depois 10 reis que governaram durante 350 anos. Eles seguiram o governo dos espíritos dos mortos… durante 5.813 anos”. A soma destes períodos todos dá 24.925 anos. Ora o período histórico do Egipto, o início da primeira dinastia, remonta a apenas 3.100 a.C. Isto quer dizer que, muito antes da primeira dinastia, estavam presentes no Egipto seres civilizados, deuses ou homens.

O historiador grego Diodoro Sículo, que viveu no primeiro século a. C., visitou o Egipto. Eis o que ele escreveu: “No começo, deuses e heróis governaram o Egipto durante pouco menos de dezoito mil anos, sendo Hórus, o filho de Ísis, o último dos deuses a governar... Mortais foram os reis do seu país, segundo se diz, durante quase cinco mil anos.”

Antes de Diodoro, outro historiador grego visitou o Egipto, Heródoto, que viveu no quinto século a. C. Ele transmite-nos a seguinte informação que lhe foi facultada pelos sacerdotes de Heliópolis: “Disseram que durante esse tempo houve quatro ocasiões em que o Sol nasceu fora do seu local habitual – duas vezes nascendo onde agora se põe, e duas vezes pondo-se onde agora nasce”.

Isto quer dizer o quê? Que o Sol mudou de local de nascimento, que deixou de nascer a leste? Não. Isto tem a ver com o fenómeno da precessão dos equinócios. No tempo de Heródoto, o Sol, no Equinócio da Primavera, nascia na constelação de Carneiro (Áries), quando a constelação de Balança (Libra) estava no local oposto. Como o Sol muda de constelação zodiacal em cada 2160 anos aproximadamente, para termos o Sol a nascer na constelação de Balança, teremos que recuar aproximadamente 13.000 anos. Seguindo à letra a informação acima, isto leva-nos a qualquer coisa como 39.000 anos antes de Heródoto, pois o fenómeno repetiu-se por duas vezes. Este número de 39.000 anos parece muito exagerado, mesmo para os mais entusiastas acerca destas questões. No entanto, ele está de acordo com dois documentos que foram encontrados no Egipto e que se referem aos tempos pré-dinásticos.

Um desses documentos é chamado “O Papiro de Turim”. Nos fragmentos que se conseguiram recuperar, é possível ler nove dinastias de faraós pré-dinásticos, entre os quais estão os “Veneráveis de Mênfis”, os “Veneráveis do Norte” e os “Shemsu Hor, os seguidores de Hórus, que governaram até ao fim da época de Manes. Nas duas linhas finais do papiro está o resumo em anos da duração dos reinados: “Shemsu Hor – 13.420 anos; reinados antes de Shemsu Hor – 23.200 anos; total – 36.620 anos.

O segundo documento que se refere aos tempos pré-históricos é chamado de “A Pedra de Palermo”, mas este não recua no tempo tanto quanto o “Papiro de Turim”. O registo mais antigo que consta nesta pedra diz respeito ao reinado de 120 faraós que governaram o Egipto antes de 3.100 a. C.

Os monumentos mais famosos do Egipto e mais conhecidos são as três grandes pirâmides cuja construção foi atribuída pelos egiptólogos e arqueólogos a três faraós: Khufu (Quéops), Khafre (Kefren) e Menkaure (Miquerinos). O que levou estes pesquisadores a esta conclusão foi terem-se encontrado referências escritas a estes reis junto daqueles monumentos. Mas isto não prova que tenham sido eles os seus verdadeiros construtores e que as pirâmides tenham sido construídas na época que eles indicam, cerca de 2.500 anos antes de Cristo. Na verdade, ninguém sabe, exactamente, em que época é que elas foram construídas.Manuel O. Pina .

A ERA DOS DEUSES - O Cavalo de Tróia.


Toda a gente conhece a história do Cavalo de Tróia. É tão conhecida a história e o seu significado que até alguns vírus informáticos que infectam de vez em quando os computadores tomaram esse nome. É também o nome de uma série de livros acerca de uma presumível viagem no tempo, mais precisamente ao tempo de Jesus. Na verdade trata-se de uma armadilha, de uma introdução de algo estranho dentro de um ambiente para daí tirar vantagem. Foi o que aconteceu em Tróia, aparentemente, pois não se sabe se o episódio foi real, uma vez que não consta da Ilíada, a obra-prima de Homero. Verdade ou não, o que é certo é que tem servido de inspiração a muita gente.

Durante muito tempo a Ilíada foi considerada um relato fantasioso acerca de uma presumível guerra entre aqueus (gregos) e troianos motivada pelo rapto da bela Helena. Não se sabe ao certo se terá sido mesmo rapto, ou se Helena, filha de Zeus, o chefe dos deuses, e de Leda, rainha de Esparta, portanto uma semideusa, que acabou por casar com Menelau, rei de Esparta, não terá fugido por vontade própria com o jovem príncipe Páris que a levou para Tróia. No final de toda a trama, terá acabado os seus dias na companhia de Páris, protegidos pelos deuses Apolo e Afrodite.

Verdadeira ou falsa, esta história de Helena pertence ao reino do romantismo, pois Homero não fala dela e uma outra lenda grega refere que a guerra foi provocada por Zeus para diminuir o número de homens sobre a Terra. Para Homero, a guerra de Tróia foi instigada pelos deuses para satisfazer os seus caprichos. Agindo directa ou indirectamente, por vezes de forma visível, outras invisível, os deuses atiçaram os pobres dos humanos nessa luta dramática pela posse de Tróia. Por detrás de tudo estava Zeus, que observava com satisfação o desenrolar das batalhas. Ele autorizara os outros deuses a tomarem o partido que quisessem mas, quando verificou que os deuses tinham começado a ferir-se mutuamente, ordenou-lhes que parassem e se mantivessem fora da luta dos mortais.

Homero descreve-nos que enquanto os guerreiros e os deuses dormiam profundamente na planície após um dia de intensa luta, Zeus mantinha-se acordado pensando em como poderia honrar Aquiles (Ulisses) e, ao mesmo tempo, provocar grandes destruições nos navios dos aqueus. Quando os aqueus e os troianos acertaram uma trégua para que os seus líderes pudessem resolver a contenda numa luta corpo a corpo, os deuses ficaram muito descontentes com a ideia, porque ficavam privados do espectáculo diário de morticínios de parte a parte. Instruíram de imediato a deusa Minerva para se deslocar ao campo de batalha e fazer com que os troianos fossem os primeiros a romper a trégua, atacando os aqueus. Durante a noite, para que os combates pudessem prosseguir, a deusa iluminou o campo de batalha.

A Ilíada descreve em pormenor a guerra de Tróia e o envolvimento dos deuses que tomaram partido por um ou outro lado. Durante muito tempo esta descrição foi considerada uma fantasia de Homero, um poeta sobre cuja existência ainda hoje existem dúvidas. De facto não se sabe se existiu um personagem chamado Homero e pensa-se que a Ilíada, assim como a Odisseia, sejam compilações de vários autores. Tradicionalmente Homero é representado como um velho cego, conforme mostra um busto grego bem conhecido. Supõe-se que terá vivido por volta do século VII antes da nossa era, altura em que começaram a aparecer os primeiros escritos gregos, mas são apenas conjecturas, ninguém tem a certeza de nada.

Como a Ilíada foi considerada uma fantasia de um poeta imaginário, então Tróia nunca existiu de facto, pensava-se. Aliás, toda aquela descrição do envolvimento dos deuses não passava de uma criação do imaginário grego. Para as religiões monoteístas que se vieram a impor mais tarde, as descrições dos deuses faziam parte das crenças pagãs e portanto, não eram para ser levadas a sério. Assim, a guerra de Tróia e a própria Tróia foi considerada apenas parte de um fascinante mas improvável conjunto de lendas gregas que os eruditos, com um sorriso de tolerância, denominaram mitologia. No entanto, grandes surpresas estavam para acontecer.

Em 1822 um certo Charles McLaren sugeriu que determinado monte da Turquia podia ser a localização da antiga cidade de Tróia. Ninguém acreditou nele. Somente em 1870, um rico comerciante alemão que estudara a Ilíada e acreditava que se tratava de uma história verídica, resolveu começar a escavar o local, aplicando no empreendimento toda a sua fortuna.

Este comerciante alemão, Heinrich Schliemann, era uma figura enigmática. Desde os 14 anos de idade que se sentira fascinado pelas obras de Homero e acreditava que se tratava de relatos verdadeiros e não imaginários. Arqueólogo amador, foi autodidacta em tudo em que se envolveu na vida, aprendia línguas com uma rapidez assombrosa, chegando a dominar 9 línguas, além do alemão. Tendo começado como aprendiz numa loja, emigrou para a Venezuela, de onde voltou mais tarde para a Europa. Vai para a Rússia e instala-se em São Petersburgo, onde acaba por abrir a sua própria loja, nesta altura já possuidor de uma fortuna considerável. Fascinado pelas obras de Homero, resolveu arriscar toda a sua fortuna na procura da antiga cidade de Tróia.

Para espanto dos eruditos e dos cépticos acerca da validade da história contada na Ilíada, à medida em que escavava foi descobrindo cidade sobre cidade, até chegar à sétima camada, onde encontrou a Tróia cantada por Homero.

O que fazer agora com a história de Homero? A cidade existia, portanto, essa parte era verdadeira. Teria havido mesmo uma guerra para diversão dos deuses, como dizia ele na Ilíada? O que dizer de frases como: “Enquanto os deuses se mantiveram afastados dos guerreiros mortais, os aqueus triunfaram, pois Aquiles (Ulisses), o semideus, agora estava com eles. Porém, devido ao crescente rancor entre os deuses e da ajuda que os gregos recebiam de Aquiles, Zeus mudou de ideia. Quando a mim, disse ele, ficarei aqui no Olimpo, sentado, a observar. Vós podereis tomar o lado que quiserdes, o dos gregos ou dos troianos.”

Esta guerra, se aconteceu, terá ocorrido entre 1300 e 1200 anos antes da nossa era. É interessante notar que até 1200 a. C., há inúmeras referências de deuses em todo o Oriente Médio, incluindo o Egipto. Há inúmeras histórias contando a participação de alguns dos deuses na condução das guerras, dirigindo eles próprios as operações ou instruindo humanos a fazê-lo. Os deuses tomam nomes diferentes em cada região, mas suspeito que sejam sempre os mesmos. É difícil, no entanto, identificar os deuses egípcios com os gregos ou os da Mesopotâmia. A Minerva ou Afrodite gregas podem ser a Ishtar mesopotâmica, ou a Ísis egípcia. Zeus, que odiava os homens, pode ser o Enlil da Mesopotâmia ou o Iahweh bíblico, pois qualquer deles era cruel e odiava os homens. O Ea ou Enki da Mesopotâmia, pode ser o RA egípcio, ou aquele que ajudou Noé a salvar-se da raiva desencadeada por Enlil, tentando destruir os homens através de um dilúvio.wikepédia

sábado, 16 de junho de 2012

A ética e o místico.


"Somos todos iguais, sejam quais forem nossas diferenças na cor da pele, na nossa aparência exterior e na nossa constituição física."

Tenzin Gyatso, o 14° Dalai Lama, é um dos mais respeitados líderes religiosos do mundo. Há muitos anos prega a necessidade de uma revolução espiritual no planeta, que está cheio de sofrimento e dor. Nascido no nordeste do Tibete em 6 de julho de 1935, foi reconhecido aos dois anos como a reencarnação de seu predecessor - o 13° Dalai Lama - e, portanto, a encarnação de Avalokiteshvara ou Chenrezig, o Bodhisattva da Compaixão. Os Bodhisattvas são seres iluminados que postergaram seu próprio nirvana, preferindo renascer para servir a humanidade.

Em 1950, quando tinha 15 anos, o exército chinês invadiu o Tibete, que foi obrigado a aceitar aquele poder político. Durante nove anos, tentou negociar a paz com Mao Tse-tung e outros líderes até que um levante no Tibete resultou na ameaça chinesa de bombardear seu palácio de verão. Para salvar o edifício tradicional e seus habitantes, foi forçado a fugir atravessando o Himalaia e indo para a índia, onde lhe foi garantido asilo político.

Estabelecendo seu quartel-general em Dharamsala, no estado de Himachal Pradesh, ao norte da índia, procurou lá, por meio de ensinamentos e instruções, preservar as tradições e a cultura do Tibete. Membros de seu governo no exílio continuaram a trabalhar de uma forma não violenta pelo futuro de sua terra natal.

"Seus ensinamentos são de interesse dos rosacruzes,
pois refletem muitos dos princípios que estes incorporam no seu dia-a-dia."

As atitudes positivas e negativas
Treinado como monge budista, seus ensinamentos, baseados no amor, na compaixão e na consideração pelos outros, são do interesse dos rosacruzes, pois refletem muitos dos princípios que estes incorporam no seu dia-a-dia. Inspirando uma revolução espiritual, o Dalai Lama tenta persuadir os povos do mundo a abandonarem os pensamentos negativos que causam infelicidade e dor e tentar treinar suas mentes a pensar positivamente.

Reconhece que muitos dos males presentes no mundo são produzidos pelo homem. Diariamente em nossas tevês ou em nossos jornais podemos ver exemplos deles nas guerras e conflitos. O Dalai Lama defende que problemas deveriam ser solucionados através do diálogo e da discussão e não pela violência e pela destruição. Deplora a existência de fronteiras nacionais e do nacionalismo, pois criam divisões entre "eles" e "nós". Em vez do uso da força, acredita que os problemas devem ser analisados e discutidos de todos os ângulos de tal forma que, através de diálogo e de um comprometimento com a não-violência, alguma forma de acordo possa ser alcançada.

De forma semelhante, assassinatos, violência, estupros e a dissolução de casamentos e a vida familiar também são causa­dos por atitudes negativas. O resultado é medo, desconfiança, sensação de abandono e auto-rejeição. Se dedicássemos nossas vidas a desenvolver pensamentos positivos, conseguiríamos expandir virtudes éticas como o amor, a compaixão, a tolerância e a prática da não-violência. Não deveríamos apenas acabar com os danos produzidos pelas atitudes negativas, mas deveríamos também tentar difundir valores éticos.

Apenas focalizar pensamentos positivos não basta; deveríamos também assumir a responsabilidade por nossas ações. Se redirecionássemos nossos pensamentos e emoções, não só seríamos capazes de lidar mais facilmente com o sofrimento, mas talvez pudéssemos evitar, antes de tudo, que este manifestasse. Já se sabe que, geralmente, aqueles que têm uma conduta eticamente positiva são mais felizes e mais satisfeitos à que aqueles que ignoram a ética.

A ética
Em que consiste a ética? Em sua essência, baseia-se no respeito pelos outros. Nossas vidas estão tão entrelaçadas que nossa própria existência depende dos outros e de sua cooperação, assim como daqueles muitos milhares que provêm tudo o que precisamos em nossa vida diária. De fato, quando nossos pensamentos e atos não prejudicam os outros, eles são éticos; quando prejudicam os outros, são anti-éticos.

Num certo sentido, nossas vidas são sustentadas pela grande busca da felicidade, pela esperança e no aguardo de que certos atos nos vão trazê-la. Não existem limites para o desejo de ser feliz e de evitar o sofrimento. Psicologicamente e emocionalmente, somos todos iguais, sejam quais forem nossas diferenças na cor da pele, na nossa aparência exterior e na nossa constituição física. Podemos todos partilhar essas emoções positivas que nos trazem paz, tranqüilidade, assim como as incômodas emoções negativas.

Para atingirmos esses objetivos unificadores, precisamos estabelecer um código de padrões éticos que seja aceito internacionalmente. Para isso, deveríamos tentar desenvolver um sentimento de empatia com relação aos outros, tentando compreender suas tristezas e partilhar seu sofrimento. Apreciar o bem-estar dos outros nos traz felicidade interior e paz mental e, desde que nossas mentes estejam suficientemente fortes, podemos nos manter calmos e serenos, mesmo quando envolvidos em circunstâncias difíceis.

"Tanto os problemas grandes quanto os pequenos precisam
ser solucionados por meio de diálogo e discussão."

No nosso mundo existem países pobres e países ricos. Mas o que é estranho é que muitas vezes aqueles que vivem em nações materialmente desenvolvidas, apesar da indústria e da ciência avançadas que têm, sofrem mais, pois muitas vezes não estão tão satisfeitos e felizes quanto aqueles que vivem em países menos desenvolvidos, onde as expectativas não são tão elevadas. Uma abundância de bens materiais significa que seus possuidores continuam a exigir cada vez mais, gerando as emoções destrutivas da ganância, da inveja e da maldade.

Quando a satisfação depende de questões materiais em vez da felicidade, há sempre a prevalência da ansiedade, do estresse, da confusão, da incerteza e da depressão, muitas vezes exigindo o uso diário de tranqüilizantes, de medicamentos e de comprimidos para dormir, na tentativa de remediar tudo isso.

A influência das religiões
Religiões como o Budismo, o Cristianismo, o Islamismo, o Hinduísmo, o judaísmo, o Siquismo e o Zoroastrismo estão alicerçadas no amor, na compaixão e no perdão; a maioria das religiões tem essas características. Com tanta variedade de países e comunidades que existem pelo mundo, existe uma diversidade inevitável de confissões religiosas, algumas das quais servem para determinadas pessoas e não para outras, dependendo em grande parte da cultura na qual o indivíduo foi criado. Nessa multiplicidade de confissões, no entanto, todos devem aprender a viver juntos em harmonia e tolerar as crenças dos outros.

À medida que a influência da religião declina há um aumento de confusão com relação a como conduzir nossas vidas de forma mais efetiva. Antigamente, a religião e a ética estavam fortemente entrelaçadas. Atualmente muitos acreditam que a ciência já provou que a religião estava errada. Quando não existe qualquer evidência final apresentada por qualquer autoridade espiritual, a própria moralidade se torna assunto de preferência pessoal. No passado, cientistas e filósofos sentiam uma forte necessidade de alicerces sólidos nos quais pudessem estabelecer leis imutáveis e verdades absolutas. Atualmente, esse tipo de pesquisa é considerado fútil. Quando, enfim, nada mais existe e a própria realidade é questionada, o resultado é o caos.

A revolução espiritual
Dada a ausência de base essencial da fé que tem levado a muita ansiedade, estresse, confusão, incerteza e depressão, o Dalai Lama, por meio de seus ensinamentos, enfatiza a necessidade de uma revolução espiritual. Defende que ela deva se basear em princípios éticos universalmente aceitos, em que pensamentos e atos estejam orientados para o bem dos outros através do desen­volvimento de compreensão e empatia.

Precisamos transformar nossos hábitos para nos tornamos compassivos e criarmos uma ética a partir da virtude. Precisamos praticar a não-violência com tolerância e firmeza. A tolerância paciente inibe o pensamento negativo. O desenvolvimento da paciência é um antídoto para a raiva, que é a maior ameaça para a paz interior e, conseqüentemente, para a felicidade. Com a disciplina ética aprendemos a compaixão, que quer dizer: preocupar-se com os outros e partilhar do sofrimento deles.

E, acima de tudo, devemos trabalhar no sentido de salvaguardar nosso meio ambiente. Até agora a Terra é nosso único lar. Os astronautas, em suas viagens à Lua e à estação espacial internacional, conseguem ver nosso planeta azul e percebê-lo como algo belo e frágil. Somos culpados pela poluição que o está destruindo e a incidência de inundações, terremotos, erupções vulcânicas e outros fenômenos naturais que temos atualmente por todo o mundo; são sinais de que á Terra está protestando contra a forma como a tratamos.

O Dalai Lama tem viajado por muitos lugares, se encontrado com os líderes mundiais: presidentes, papas, líderes políticos e religiosos, assim como pessoas pobres e humildes, com as quais partilha sua vida. Já falou em parlamentos, assembléias e encontros de todos os tipos, promovendo a paz através de sua doutrina de não-violência e enfatizando que tanto os problemas grandes quanto os pequenos precisam ser solucionados por meio de diálogo e discussão. Para ele, a guerra é uma modalidade antiquada de atividade humana.

O anseio pela paz
Nos últimos 40 anos tem havido uma mudança na opinião pública e um aumento no anseio por uma paz genuína. Com o firme entrelaçamento das economias nacionais, tem havido o surgimento de grupos de segurança, de tal forma que nos acostumamos a ver as tropas das Nações Unidas prontas para agirem como mantenedoras da paz em países distantes.

É um objetivo do Dalai Lama que, um dia, o mundo testemunhe o estabelecimento de um Conselho Mundial de Povos que transcenda em muito as atividades das atuais Nações Unidas. Tal instituição consistiria em grupos de indivíduos vindos de uma grande variedade de mundos: acadêmicos, artistas, bancários, ambientalistas, advogados, poetas, pensadores religiosos e escritores, assim como homens e mulheres comuns. Todos terão sua reputação baseada em sua integridade e dedicação a valores éticos e humanos fundamentais. Pelo fato de não ser investido de poder político, os pronunciamentos desse Conselho não teriam força legal, independência, suas deliberações simbolizariam a consciência do mundo. Esse Conselho representaria, portanto, uma autoridade moral suprema.

Muitos podem dizer que isso é impossível. No entanto, enquanto as pessoas mantiverem a tendência de criticarem e de culparem os outros por tudo o que acontece de errado, é claro que vale a pena apresentar idéias construtivas como esta. Dado o respeito que os seres humanos geralmente têm pela verdade, pela justiça, pela paz e pela liberdade, existe uma genuína possibilidade de se criar um mundo melhor e mais compassivo. O potencial existe.

Se, através do uso adequado da educação e da mídia, fosse possível implementar algumas sugestões apresentadas pelo Dalai Lama, poder-se-iam estabelecer condições para ajudar a promover seu sonho de paz duradoura no mundo.

"Com a disciplina ética, aprendemos a compaixão, que quer dizer.­
preocupar-se com os outros e partilhar do sofrimento deles ".

Dalai Lama citações

"Precisamos manter a nossa mente sob controle para mais tarde não nos
arrependermos de nossos erros, mesmo que os outros nada saibam a respeito".

"Quando morremos nada pode ser levado conosco, com exceção das sementes
lançadas por nosso trabalho e nosso conhecimento espiritual".

"As lições ensinadas por um professor com uma motivação positiva, cujas palavras
correspondem ao seu modo de agir, penetram mais fundo na alma do aluno".

"Quanto mais nos importamos com a felicidade de nossos semelhantes,
maior será o nosso próprio bem-estar".

"Eu tento tratar qualquer pessoa que conheço como um velho amigo.
Isto me traz uma experiência genuína de felicidade. É a pratica da compaixão".

"Uma conduta verdadeiramente misericordiosa para com os outros não se altera nem mesmo quando os outros se comportam mal. É praticando a compaixão sem limites que uma pessoa desenvolve o sentimento de responsabilidade pelos semelhantes, o desejo de ajudá-los a superar de forma eficaz seus sofrimentos".

"Se o seu coração é aberto e sincero, você naturalmente se sente satisfeito e confiante,
e não tem nenhuma razão para sentir medo dos outros".

"Quando somos capazes de reconhecer e perdoar atitudes impensadas que tivemos em nosso passado, nós nos fortalecemos e ficamos mais preparados para dar soluções construtivas aos problemas do presente".
"A preguiça interrompe o progresso de nossa prática espiritual. Podemos ser ludibriados por três formas de preguiça: a indolência, o desejo de adiar e a que se manifesta como sentimento de inferioridade, que é duvidar de nossa própria capacidade...".

"Fale de sua verdade, seja ela qual for, clara e objetivamente,
usando um tom de voz tranqüilo e agradável, liberto de qualquer preconceito ou hostilidade".

"Quer estejamos vivenciando um grande sofrimento, ou já o tenhamos experimentado,
não há razão para alimentarmos o sentimento de infelicidade".

"É quando padecemos os piores infortúnios que surgem as grandes oportunidades
de se fazer o bem a si e aos outros".
Autor: Dalai Lama.
Revista – Rosacruz, 4º trimestre 2007.

Procustes: o Ladrão de Almas.


Este mito conta a história dos caminhantes que viajavam para Atenas e eram atraídos por Procustes que lhes oferecia abrigo e comida. Uma vez deitados, Procustes amarrava-os e verificava se cabiam na cama, cortando-lhes as partes sobrantes, se fossem demasiado grandes, ou esticando-os dolorosamente, se fossem muito pequenos.

Esta narrativa constitui uma metáfora de uma parte da nossa vida. Atenas simboliza o centro dos nossos objectivos, o sucesso a atingir, o êxito que delineámos. Mas nós não somos os únicos autores desta construção mental, do que idealizámos para nós. Os nossos pais começaram desde cedo, estabelecendo patamares que gostariam de ver realizados, depositando em nós muitas expectativas. No entanto, na maior parte das vezes, o seu sonho ainda menino não tem em conta a nossa singularidade, as nossas possibilidades e tendências, traços que a Astrologia ensina a identificar. O bebé que recebem é uma projecção do ser ideal, distante do ser real.

Deste modo, Atenas é a metáfora de felicidade que varia consoante a cultura em que nascemos, o grupo social, a educação que recebemos, o sexo e a religião em que nos encontramos integrados. Atenas resulta, assim, de um triângulo nem sempre em equilíbrio: do meio envolvente, do que desejamos e do que os outros esperam de nós, aos níveis familiar, afectivo, profissional e social.

Desde que nascemos que nos empurram para Atenas, ensinando-nos, moldando-nos, castigando-nos ou premiando-nos, durante as sucessivas etapas da infância e da juventude. Primeiro a família, depois a escola, o grupo de amigos, vamo-nos moldando, sempre em função de padrões comportamentais, em busca de sucesso, de reconhecimento, de aprovação, de afecto.

Este processo de automutilação psíquica e de sacrifício desmedido acontece-nos amiúde e de forma inconsciente, muitas das vezes: quando a família nos crítica por determinadas atitudes ou devido a traços da nossa personalidade, quando o grupo nos rejeita por algum aspecto do nosso carácter, quando somos humilhados pela imagem física, quando sentimos que podemos ser abandonados por uma determinada atitude e tememos actuar, quando as memórias nos magoam e as amachucamos no fundo de nós, quando adoptamos posturas para não perdermos o emprego ou para subirmos na escala social. Desmembrando-nos ou esticando-nos, lá vamos a caminho de Atenas, aquela que projectámos, a terra prometida.

O processo de moldagem – através do castigo, do prémio, da humilhação, do medo, da culpa, do julgamento social, da dor – de adaptação à cama de Procustes é dolorosa porque vamos abdicando de partes de nós, esquecendo outras, adormecidas e jogadas para o fundo do nosso íntimo, sacrificando-nos até não podermos mais. Aprendemos, ainda que distorcidamente, que devemos tudo isso para não sermos abandonados, rejeitados, humilhados, para não deixarmos escapar a felicidade, o sucesso profissional, o amor.

Com o tempo, vamos perdendo a autenticidade, afastamo-nos da nossa natureza divina, amorosa e livre. Ficamos presos à cama de Procustes. Corremos sérios riscos de nos tornarmos inseguros, medrosos, ansiosos, amargos, intolerantes, perdendo pouco a pouco a autoestima. Vamo-nos isolando em terrenos íntimos, descrentes de que alguma vez atinjamos Atenas, mas, ainda assim, ela permanece como a terra prometida, até se tornar uma imagem distante, embaciada, difusa. Quando somos lançados em ciclos de crise profunda, somos convidados a descer ao mais íntimo de nós. Aí, olhamo-nos e vemo-nos a caminhar coxeando, porque mutilados; perdemos o equilíbrio, a segurança no andar. O sacrifício trouxe-nos um cansaço que secou a alma. Ao que sobrou de nós, juntam-se anos de medos, de culpas, de cansaços, de humilhações, de dor, de ressentimentos, de mágoas. Olhamos pedaços de nós que foram esquecidos, adiados, cortados e jogados fora.

As crises podem ser processos de recuperação do nosso ser, de retorno à nossa autenticidade, de (re)descoberta da nossa natureza divina. Só nós podemos iniciar a mudança, só nós podemos resgatar-nos do processo de mutilação e de sacrifício desmesurado a que concordámos em nos submeter. Só nós podemos libertar-nos do que nos oprime e restringe. Só nós podemos sonhar Atenas, de novo, em função do que somos, do que queremos, do que valorizamos, do que é autêntico e verdadeiro para nós, do que amamos. Só nós podemos devolver a nós próprios a inteireza perdida.
Maria Coriel.

O Perdão.


O perdão é uma prática que não devemos esquecer. Perdoar é científico. O perdão põe em movimento as forças dos planos invisíveis que nos rodeiam. Dissolve as formas de pensamento de ódio, vingança e má vontade, e impede a sua materialização numa sorte adversa. O rancor, a inveja e a vingança convertem-se frequentemente em algumas das condições mais desditosas da vida, especialmente se se permite manter pensamentos habituais nesse sentido.

O ódio é a força mais destrutiva do Universo e o rancor e a vingança são fases do ódio. A vingança é a mais mortal das paixões; com toda a certeza ela impede o êxito. Aconteça o que acontecer, não se deve manter rancor nem ceder a pensamentos de vingança.

Todos podem ter a certeza de que se alguém vos tratou com injustiça, a lei invisível lhe dará a retribuição que merece. A Bíblia diz: “Meus caros Irmãos, não façam justiça por vossas mãos. Deixem que seja a lei a castigar”. Não tome, pois, a vingança em suas mãos porque a única coisa que poderá conseguir é pôr em acção forças psicológicas que, mais tarde ou mais cedo, reagirão sobre si mesmo com grande desvantagem. A regra diz: “perdoai sempre. Jamais se perderá seja o que for, como erradamente se pode pensar”.

Isto traz à mente um princípio de vital interesse sobre o êxito: “fazer a vontade de outro, é o ácido para provar o amor”. A Bíblia reafirma-o quando diz: “Faz a paz com o teu adversário sem demora”.

A vontade própria é o amor próprio, e o amor próprio é uma fase do ódio para com os demais. A aplicação deste princípio é particularmente valiosa quando desejamos evitar pleitos e terminar os que se começaram. Naturalmente, não devemos fazer a vontade de outra pessoa se ela pratica uma injustiça para connosco ou para com outrem. Mas fazer sempre a nossa vontade pode obstruir o êxito que a cooperação amistosa estabelece.