contos sol e lua

contos sol e lua

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Amor.


Pense em alguém que você goste muito.

Do passado, do presente ou do futuro.

Pode ser um bichinho, um brinquedo, uma pessoa, uma criança, uma situação agradável.

Pense e sinta.

Sinta esse amor, agora, aqui, em você.

Conecte-se com o amor que habita você.

Comece a incluir nessa amorosidade todas as pessoas que estão próximas a você.

Vá expandindo sua capacidade de amar.

Inclua todas as pessoas que você conhece.

Agora inclua as que você não conhece.

Inclua próximas e distantes.

Inclua pessoas que você jamais viu.

Os povos africanos, asiáticos, australianos.

Os povos e tribos de toda a Terra.

Inclua em seu amor todo o planeta, com árvores e insetos. Flores e pássaros. Mares, rios, oceanos.

Inclua a vegetação da Amazonia e da Pantagonia.

Inclua o Mar Morto e o Deserto do Saara.

Não deixe o Pequeno Príncipe de fora.

Inclua os Lusíadas, a Odisséia, Kojiki,

Inclua toda a literatura mundial, um pouco de Machado de Assis, Eça de Queiroz, Shakeaspeare, um tanto de Saragosa, uma gota de Jorge Amado, banhado por Herman Hesse e Amon Oz.

Inclua todas as religiões.

Como se não houvesse dentro nem fora.

Imagine, como John Lennon, que o mundo é um só.

O mundo é uno. O mundo, o universo, o pluriverso é um só.

Nós somos unas e unos com o uno.

Perceba.

Isto que digo é a verdade.

E só há esse caminho.

Inúmeras analogias, linguagens étnicas, expressões regionais e temporais para tentar atingir o atemporal, o fluir incessante, incadescente, brilhante, da vida em movimento transformador.

Somos a vida da Terra.

Somos a vida do Universo.

Somos a vida do Multiverso.

E quando nossos pequeninos corações humanos se tornam capazes a ir além deste saquinho de pele que chamamos o eu, nos contatamos com a essência da vida. Que é a anossa própria essência e de tudo que é, assim como é.

Algum nome? Nenhum nome?

Caminhemos.Tornamo-nos o caminho a cada passo.

Que cada passo seja um passo de paz.

Que o novo ano se abra com a abertura dos corações-mentes de todos nós seres humanos.

Abertura para o infinito.

Abertura para a imensidão.

Abertura para a ternura.

Abertura para a sabedoria.

Abertura para a compaixão.

Que todos os seres em todas as esferas e todos os tempos se beneficiem com esse amor imenso que aqui e agora juntas, juntos, nos tornamos. E ao nos tornarmos o amor tudo se torna vida e vida em abundância. Ame e manifeste esse amor agora.

Mãos em prece.
Monja Coen.

OSHO: CIÚMES.


Ciúme é comparação. E fomos ensinados a comparar, fomos condicionados a comparar, comparar sempre. Alguém possui uma casa melhor, alguém tem um corpo mais bonito, alguém tem mais dinheiro, alguém possui uma personalidade mais carismática. Compare, continue comparando a si mesmo com todo mundo que você encontrar, e o resultado será um grande ciúme; esse é o sub produto do condicionamento da comparação.

De outra maneira, se você deixa de comparar, o ciúme desaparece. Assim você simplesmente sabe que você é você e ninguém mais, e que não há nenhuma necessidade de ser outro alguém. É bom que você não se compare com as árvores, senão você começaria a se sentir muito ciumento: porque você não é verde? E porque Deus tem sido tão duro com você - e nenhuma flor? É melhor você não se comparar com os pássaros, com os rios, com as montanhas; do contrário você irá sofrer. Você só se compara com os seres humanos, porque você foi condicionado a só se comparar com os seres humanos; você não se compara com os pavões e com os papagaios. Senão seu ciúme seria bem maior; você estaria tão sobrecarregado de ciúmes que você não seria capaz de viver de maneira nenhuma.

A comparação é uma atitude muito tola, porque cada pessoa é única e incomparável. Uma vez que esse entendimento se estabelece em você, o ciúme desaparece. Cada um é único e incomparável. Você é apenas você mesmo: ninguém nunca foi como você e ninguém nunca será como você. E você também não precisa ser nenhum outro.

Deus cria somente originais; ele não acredita em cópias carbono.

Um grupo de galinhas estava no quintal quando uma bola de futebol passou por sobre a cerca e caiu no meio delas. Um galo chegou gingando, estudou-a, e então disse, "Não estou reclamando garotas, mas vejam o trabalho que eles estão fazendo no vizinho ao lado".

Na porta do vizinho grandes coisas estão acontecendo: a grama é mais verde, as rosas são mais rosadas. Todo mundo parece estar tão feliz – exceto você. Você está continuamente comparando. E a mesma coisa está acontecendo com os outros, eles também estão comparando. Talvez eles também achem que seu gramado é mais verde – sempre parece mais verde à distância – que você tem uma esposa mais bonita... Você está cansado, você não pode acreditar como você permitiu se envolver com essa mulher, você não sabe como se livrar dela – e o vizinho pode estar com ciúmes de você, que você tem uma mulher tão bonita! E você pode estar com ciúmes dele...

Todo mundo tem ciúmes de todo mundo. E com ciúmes criamos um tal inferno, e com ciúmes nos tornamos muito medíocres.

Um velho fazendeiro estava mal-humoradamente avaliando os estragos da inundação.

"Hiram!" Gritou o vizinho, "seus porcos foram todos levados pela correnteza".
"E quanto aos porcos do Thompsom?" Perguntou o fazendeiro.
"Eles também foram levados".
"E os de Larsen?"
"Também".
"Hum!" Exclamou o fazendeiro, comemorando. "Não foi tão ruim como eu pensava".

Se todos estão na miséria, isso parece bom; se todos estão perdendo, isso parece bom. Se todos estão felizes e bem sucedidos, isso tem um sabor muito amargo.

Mas por que antes de tudo a idéia do outro entra na sua cabeça? Deixe-me lembrá-lo novamente: porque você não permitiu sua própria seiva fluir; você não permitiu sua própria felicidade brotar, você não permitiu seu próprio ser florescer. Daí você se sentir vazio no íntimo, então você olha para o exterior de cada um e de todo mundo porque isso é só o que você pode ver.

Você conhece seu íntimo e você conhece o exterior dos outros:

isso gera ciúmes. Eles conhecem seu exterior e eles conhecem o interior deles: isso gera ciúmes. Ninguém mais conhece seu íntimo. Lá você sabe que você não é nada, não vale nada. E os outros parecem tão sorridentes exteriormente. O sorriso deles pode ser falso, mas como você pode saber que são falsos? Talvez seus corações sejam também sorridentes. Você sabe que seu sorriso é falso porque seu coração não está sorrindo de maneira alguma, ele pode estar lamentando e chorando.

Você conhece sua interioridade, e só você a conhece, ninguém mais. E você conhece o exterior de todos, e as pessoas fizeram o exterior delas parecer bonito. Exteriores são vitrines e são muito enganadoras.

Há uma antiga história Sufi:

Um homem estava muito oprimido pelo seu sofrimento. Ele costumava orar diariamente a Deus, "Porque eu? Todos parecem ser tão felizes, porque só eu estou sofrendo tanto?" Um dia, em grande desespero, ele orou a Deus, "Você pode me dar o sofrimento de qualquer um outro e estou pronto para aceitar isso. Mas leve o meu, não posso mais suportá-lo".

Aquela noite ele teve um belo sonho, belo e muito revelador. Ele sonhou naquela noite que Deus aparecia no céu e dizia para todos, "Tragam todos os seus sofrimentos para o templo". Todos estavam cansados de sofrer – na verdade todos tinham orado alguma vez ou outra, "Estou pronto para aceitar o sofrimento de qualquer um outro, porém leve o meu sofrimento, é demais, é insuportável".

Assim todo mundo colocou seu próprio sofrimento em sacolas e levaram para o templo e todos pareciam muito felizes; o dia havia chegado, suas preces foram ouvidas. E esse homem também correu para o templo.

E então Deus falou, "Coloquem suas sacolas na parede". Todos as sacolas foram colocadas na parede e então Deus declarou: "Agora vocês podem escolher. Podem pegar qualquer sacola".

E a coisa mais surpreendente foi: que esse homem que tinha estado sempre orando, correu em direção a sua sacola antes que alguém mais pudesse escolhê-la! Ele contudo, ficou surpreso porque todo mundo correu para sua própria sacola e todos estavam contentes com a escolha. O que aconteceu? Pela primeira vez, todos viram a miséria dos outros, o sofrimento dos outros – as sacolas deles eram tão grandes, ou até mesmo maiores!

E o segundo problema era, as pessoas tinham se acostumado com os seus próprios sofrimentos. E agora escolher o sofrimento de outra pessoa - quem sabe que tipo de sofrimento estará dentro da sacola? Pra que se incomodar? Pelo menos você está familiarizado com o seu próprio sofrimento e você já está acostumado com ele, e ele é suportável. Por tantos anos você o tolerou - porque escolher o desconhecido?

E todos foram para casa felizes. Nada havia mudado, eles estavam trazendo o mesmo sofrimento de volta, mas todos estavam felizes e sorridentes e alegres porque conseguiram suas próprias sacolas de volta.

Pela manhã ele orou para Deus e disse, "Grato pelo sonho; nunca mais pedirei novamente. Tudo que você me tem dado é bom para mim, tem que ser bom para mim; eis porque você me deu isso".

Devido ao ciúme você está em constante sofrimento; você torna-se medíocre para os outros. E por causa do ciúme você começa a ficar falso, porque você começa a fingir. Você começa a fingir coisas que você não possui, você começa a fingir coisas as quais você não pode ter, que não são naturais a você. Você se torna cada vez mais artificial. Imitando os outros, competindo com os outros, que mais você pode fazer? Se alguém tem alguma coisa e você não tem, e você não tem a possibilidade natural de ter isso, o único jeito é arranjar algum substituto barato para isso.

Eu soube que Jim e Nancy Smith divertiram-se muito na Europa nesse verão. É tão legal quando um casal finalmente tem a oportunidade de realmente viver bem. Eles estiveram por toda parte e fizeram de tudo. Paris, Roma... Você diz o nome, eles estiveram lá e viram tudo.

Porém foi tão embaraçante voltar para casa e passar pela alfândega. Vocês sabem como a os oficiais da alfândega espionam todos os seus pertences. Eles abriram uma sacola e tiraram três perucas, cuecas de seda, perfume, tintura para os cabelos... Realmente embaraçante. E era apenas a sacola de Jim!

Basta olhar para dentro de sua mala e você irá encontrar tantas coisas artificiais, falsas, coisas fictícias – pra que? Porque você não pode ser natural e espontâneo? – devido aos ciúmes.

O homem ciumento vive no inferno. Pare de comparar e os ciúmes desaparecem, a mediocridade desaparece, a falsidade desaparece. Mas você só pode deixá-los se seus tesouros íntimos começarem a crescer; não existe outra maneira.

Cresça, torne-se um individuo mais e mais autêntico. Ame e respeite a si mesmo do jeito que Deus lhe fez e então, imediatamente, as portas do paraíso se abrem para você. Elas sempre estiveram abertas, você simplesmente nunca deu atenção a elas.

terça-feira, 10 de julho de 2012

HINO.


Santa Maria! Volve o teu olhar tão belo,
de lá dos altos céus, do teu trono sagrado,
para a prece fervente e para o amor singelo
que te oferta, da terra, o filho do pecado.

Se é manhã, meio-dia, ou sombrio poente,
meu hino em teu louvor tens ouvido, Maria!
Sê, pois, comigo, ó Mãe de Deus, eternamente,
quer no bem ou no mal, na dor ou na alegria!

No tempo que passou veloz, brilhante, quando
nunca nuvem qualquer meu céu escureceu,
temeste que me fosse a inconstância empolgando
e guiaste minha alma a ti, para o que é teu.

Hoje, que o temporal do Destino ao Passado
e sobre o meu Presente espessas sombras lança,
fulgure ao menos meu Futuro, iluminado
por ti, pelo que é teu, na mais doce esperança.
Edgar Allan Poe.

O JARDINEIRO – Robindronath TAGORE.

És como a nuvem da tarde
flutuando no céu do meu sonho.
Posso criar-te e modelar-te segundo
os caprichos do meu amor.
E és minha, ó habitante dos meus
sonhos infinitos.

Os teus pés estão orvalhados pela gloria
do meu desejo, ó respingadora dos meus cânticos
da tarde.
Os teus lábios tornaram-se amargos e doces
pelo vinho da minha dor.
E és minha, ó habitante dos meus
sonhos solitários.

É a sombra das minhas paixões que torna
sombrios os teus olhos. És a alucinação do
meu olhar.
Eis que te prendi e envolvi nas malhas dos
meus cânticos, ó meu amor.
E és minha, ó habitante dos meus
sonhos imortais.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O ciclo dos sete anos.


"A vida tem círculos de sete anos, ela se move em círculos de sete anos exatamente como a terra faz uma rotação em seu eixo em vinte e quatro horas. Ninguém sabe porque não são nem vinte e cinco nem vinte e três horas. Não há nenhum jeito de se responder isso. É simplesmente um fato. Assim, não me pergunte porque a vida se move em círculos de sete anos. Eu não sei. O máximo que eu sei é que ela se move em círculos de sete anos. E se você compreender esses círculos de sete anos, você compreenderá uma grande coisa sobre o crescimento humano.
Os primeiros sete anos são os mais importantes porque os alicerces da vida estão sendo assentados. É por isso que todas as religiões estão muito preocupadas em agarrar as crianças o mais rápido possível. Os judeus circuncidam as crianças. Que bobagem! Mas eles estão carimbando a criança como uma judia. Essa é uma maneira primitiva de carimbar. Ainda se faz isso com o gado aqui nas redondezas.
Aqueles primeiros sete anos são os anos em que você é condicionado, é preenchido com todos os tipos de idéias que irão atormentá-lo ao longo de toda a sua vida, que irão distraí-lo de sua potencialidade, que irão corrompê-lo, que nunca irão lhe permitir ver claramente. Elas sempre virão como nuvens diante de seus olhos e irão fazer com que tudo fique confuso. As coisas são claras, muito claras. A existência é absolutamente clara. Mas os seus olhos têm camadas e mais camadas de poeira.
E toda essa poeira foi arranjada nos primeiros sete anos de sua vida, quando você era tão inocente, tão confiante, que qualquer coisa que lhe fosse dita você aceitava como sendo verdadeira. E mais tarde, será muito difícil você descobrir tudo aquilo que entrou em seus alicerces. Terá se tornado quase parte de seu sangue, ossos, de sua própria medula. Você perguntará mil outras questões, mas você nunca perguntará a respeito dos alicerces básicos de suas crenças.
A primeira expressão de amor para com a criança é deixá-la absolutamente inocente em seus primeiros sete anos, sem condicionamento, deixá-la por sete anos completamente selvagem, uma pagã. Ela não deveria ser convertida ao hinduismo, ao islamismo, ao cristianismo. Qualquer um que esteja tentando converter a criança, não tem compaixão, é cruel, está contaminando a própria alma de um viçoso recém-chegado. Antes mesmo que a criança tenha formulado perguntas, ela já terá recebido respostas com filosofias , dogmas e ideologias pré-fabricadas. Essa é uma situação muito estranha. A criança não perguntou a respeito de Deus e você já está lhe ensinando. Por que tanta impaciência? Espere!
Se algum dia a criança demonstrar interesse por Deus e começar a perguntar a respeito, então tente dizer a ela não apenas a sua idéia sobre Deus, porque ninguém tem qualquer monopólio. Coloque diante dela todas as idéias de Deus que estiveram presentes em diferentes povos, em épocas diferentes, por religiões, culturas e civilizações diferentes. E lhe diga: 'Você pode escolher dentre essas aquela que mais lhe atrai. Ou você pode inventar a sua própria, se nenhuma estiver adequada. Se todas lhe parecerem defeituosas, e você achar que pode ter uma idéia melhor, então invente a sua própria. Ou se você achar que não há jeito de inventar uma idéia sem falhas, então abandone toda essa história, ela não é necessária. Um homem pode viver sem Deus.'
Não há qualquer necessidade de que o filho tenha que concordar com o pai. Na verdade parece muito melhor que ele não tenha que concordar. É assim que a evolução acontece. Se toda criança concordar com o pai, então não haverá qualquer evolução, porque o pai terá concordado com seu próprio pai, e todo mundo estará no ponto em que Deus deixou Adão e Eva: nus e expulsos do jardim do Éden. Todo mundo estará lá. O homem tem evoluído porque os filhos têm discordado de seus pais, dos pais de seus pais e de todas as tradições. Toda essa evolução é uma tremenda divergência com o passado. Quanto mais inteligente você for, mais você irá discordar. Mas os pais valorizam as crianças que concordam e condenam as que discordam.
Até os sete anos, se a criança puder ser deixada inocente, não corrompida pelas idéias dos outros, assim tornar-se-á impossível distraí-la de seu crescimento potencial.Os primeiros sete anos da criança são os mais vulneráveis. E elas estão nas mãos dos pais, dos professores, dos padres....
Como defender as crianças dos pais, dos padres e dos professores é uma questão de tamanha proporção que parece quase impossível de se fazer. Não é uma questão de ajudar a criança. A questão é proteger a criança. Se você tiver uma criança, proteja-a de si mesmo. Proteja a criança dos outros que possam influenciá-la, pelo menos até os sete anos, proteja-a. A criança é como uma pequena plantinha, fraca e suave. Um simples vento forte pode destruí-la, qualquer animal pode comê-la. Você põe um fio protetor ao redor dela, mas não a aprisiona, você está simplesmente protegendo-a.Quando a planta estiver maior, o fio será removido.
Proteja a criança de todo tipo de influência de modo que ela possa permanecer ela mesma. E isso é só uma questão de sete anos, porque então o primeiro círculo estará completo. Aos sete anos ele estará bem enraizado, centrado, forte o suficiente. Você não sabe o quanto uma criança de sete anos pode ser forte porque você só tem visto crianças corrompidas. Elas carregam os medos e a covardia de seus pais, mães e familiares. Elas não são elas mesmas.
Se uma criança permanecer sem ser corrompida por sete anos... Você ficará surpreso ao encontrar tal criança. Ela será tão afiada como uma espada. Seus olhos serão claros, seus insights serão claros. E você verá nela uma tremenda força que você não poderá encontrar nem mesmo num adulto de setenta anos.
Se você é um pai (ou mãe), você precisará muito dessa coragem para não interferir. Abra portas para direções desconhecidas de modo que a criança possa explorá-las. Ela não conhece o que ela tem dentro dela, ninguém sabe. Ela terá que tatear no escuro. Não faça com que ela tenha medo do escuro, não faça com que ela tenha medo do fracasso, não faça com que ela tenha medo do desconhecido. Dê a ela suporte. Quando ela estiver indo para uma jornada desconhecida, ofereça a ela todo o seu suporte, com todo o seu amor, com todas as suas bênçãos.
Não deixe que ela seja afetada pelos seus medos. Você pode ter medos, mas mantenha-os consigo mesmo. Não descarregue esses medos em cima da criança, porque isso será interferência.

Depois dos sete anos, no próximo círculo de sete anos, dos sete aos quatorze, algo novo é acrescentado à vida: os primeiros alvoroços da energia sexual da criança. Mas elas são apenas uma espécie de ensaio.
Ser pai é uma tarefa difícil. Assim, a não ser que você esteja pronto para assumir tal tarefa difícil, não se torne um pai. As pessoas simplesmente seguem se tornando pais e mães sem saber o que estão fazendo. Você está trazendo uma vida à existência e todo o cuidado do mundo será necessário.
Agora, quando a criança começa a brincar com seus ensaios sexuais, é o tempo em que os pais mais interferem, porque foi assim que fizeram com eles. Tudo o que eles sabem é o que foi feito com eles, assim eles seguem fazendo o mesmo com as suas crianças. As sociedades não permitem ensaio sexual, pelo menos não permitiram até o século XX, exceto nas duas e três últimas décadas em alguns países muito avançados. Agora já existem escolas mistas para as crianças, mas em um país como a Índia, mesmo agora, a educação mista começa a surgir apenas no nível universitário.
O menino de sete anos e a menina de sete anos não podem estar no mesmo internato. E este é o momento para eles, sem qualquer risco, sem perigo de gravidez, sem que quaisquer problemas surjam para suas famílias; este é o momento em que lhes deveriam ser permitidas todas as brincadeiras.
Sim, isso terá uma conotação sexual, mas será só um ensaio, não se trata de um drama teatral verdadeiro. E se você não permitir a eles nem mesmo esse ensaio, de repente então, um dia a cortina se abrirá e o verdadeiro drama começará... E eles não saberão o que está acontecendo e não haverá nem mesmo aquela pessoa escondida no palco para lhes soprar o que devem fazer. Você terá bagunçado a vida deles completamente.
Esses sete anos, o segundo círculo da vida, são significantes como um ensaio. Eles se encontrarão, se misturarão, brincarão e se conhecerão. E isso ajudará à humanidade a se livrar de quase noventa por cento das perversões. Se às crianças dos sete aos quatorze for permitido estarem juntas, nadarem juntas, estarem nuas juntas, noventa por cento das perversões e noventa por cento das pornografias irão simplesmente desaparecer. Quem irá dar atenção a essas coisas?
Quando um garoto conheceu tantas garotas nuas, que interesse uma revista tipo Playboy poderá ter para ele? Quando uma garota tiver visto tantos garotos nus, eu não vejo qualquer possibilidade de existir curiosidade a respeito do outro. Isso simplesmente desaparecerá. Eles irão crescer juntos naturalmente, não como duas espécies diferentes de animais. É assim que eles crescem agora, como duas espécies diferentes de animais. Eles não pertencem à mesma espécie humana, eles são mantidos separados. Mil e uma barreiras são criadas entre eles, e não lhes permitem qualquer ensaio de sua vida sexual que está chegando...
Se você tiver feito o dever de casa direitinho, se você tiver brincado com sua energia sexual exatamente com o espírito de um desportista (e naquela idade este é o único espírito que você poderia ter), você não se tornará um pervertido, um homossexual. Todo tipo de coisas estranhas não virão à sua cabeça, porque você está se movendo naturalmente com o outro sexo e o outro sexo está se movendo com você. Não haverá qualquer bloqueio e você não estará fazendo nada errado com quem quer que seja. Sua consciência estará clara porque ninguém pôs nela idéias do que é certo e do que é errado. Você simplesmente está sendo o que você é.

Dos quatorze aos vinte e um o seu sexo amadurece. E isso é significante para se entender: se o ensaio tiver sido bom no período dos sete aos quatorze quando o sexo amadurece, acontece uma coisa muito estranha que você nem mesmo deve ter pensado a respeito, porque não lhe foi dada a oportunidade. Eu disse a você que o segundo círculo de sete anos, dos sete aos quatorze, deu a você um vislumbre de antes da peça teatral. O terceiro círculo de sete anos da a você um vislumbre do que vem depois.Você está ainda com garotas ou garotos, mas agora uma nova fase começa em seu ser: você começa a se apaixonar.
Não é ainda um interesse biológico. Você não está interessado em procriar, você não está interessado em se tornar marido ou esposa. Esses são os anos dos jogos românticos. Você está mais interessado na beleza, no amor, na poesia, na escultura, que são fases diferentes de romantismo.

Dos vinte e um aos vinte e oito é um tempo em que eles podem se acertar. Eles podem escolher um companheiro. E eles são capazes de escolher agora, através de toda a experiência dos dois círculos passados eles podem escolher o companheiro certo. Não há mais ninguém que possa fazer isso por você. Isso é algo como um pressentimento. Nenhuma aritmética, nenhuma astrologia, nenhuma quiromancia, nenhum I-Ching poderão fazer isso.
Isso é um pressentimento: entrando em contato com muitas, muitas pessoas, de repente alguma coisa dá um clique que nunca deu com qualquer outra pessoa. E isso clica com tanta certeza e tão absolutamente, que você não pode nem mesmo duvidar. Mesmo se você tentar duvidar, você não conseguirá. A certeza é tão tremenda. Com esse clique vocês se acertam.
Entre os vinte e um e os vinte e oito, em algum lugar, se tudo correr bem do jeito que eu estou dizendo, sem interferência de outros, então vocês se acertam. E o período mais agradável da vida vem dos vinte e oito aos trinta e cinco: o mais alegre, o mais pacífico e harmonioso, porque duas pessoas começam a se derreter e a se fundir uma com a outra.

Dos trinta e cinco aos quarenta e dois, um novo passo, uma nova porta se abre. Se até os trinta e cinco você sentiu profunda harmonia, uma sensação orgástica e tiver descoberto a meditação através disso, então, dos trinta e cinco aos quarenta e dois vocês ajudarão um ao outro a ir mais e mais fundo na meditação sem sexo, porque o sexo neste ponto começa a parecer infantil, juvenil. Quarenta e dois anos é o tempo certo quando a pessoa deveria ser capaz de saber exatamente quem ela é.

Dos quarenta e dois aos quarenta e nove ela vai mais fundo e mais fundo na meditação, mais e mais para dentro de si mesmo, e ajuda o companheiro no mesmo caminho. Eles se tornam amigos. Não mais existe marido e não mais existe esposa. Esse tempo já passou. Isso já deu a sua riqueza para a sua vida. Agora existe alguma coisa mais alta, mais alta que o amor. Isso é amizade, um relacionamento de compaixão para ajudar o outro a ir mais fundo dentro de si mesmo, a se tornar mais independente, a se tornar mais só, como duas árvores altas, separadas mas ainda próximas uma da outra, ou dois pilares num templo suportando o mesmo teto, estando tão próximos e tão separados, tão independentes e tão sós.

Dos quarenta e nove aos cinqüenta e seis essa solitude se torna o foco de seu ser. Tudo no mundo perde o significado. A única coisa significante que permanece é essa solitude.

Dos cinqüenta e seis aos sessenta e três você se torna totalmente o que você está para ser: o florescimento potencial.

Dos sessenta e três aos setenta você começa a ficar pronto para deixar o corpo. Agora você sabe que não é o corpo, você sabe que também não é a mente. O corpo era conhecido como separado de você em algum lugar quando você tinha trinta e cinco anos. Que a mente está separada de você foi conhecido em algum lugar quando você tinha quarenta e nove anos. Agora, tudo mais foi deixado de lado exceto a auto observação. Só a pura consciência, a chama da consciência permanece com você, e isso é a preparação para a morte.

Setenta é a duração de vida natural para o homem. E se as coisas se moverem em seu curso natural, então ele morre com tremenda alegria, em grande êxtase, sentindo-se imensamente abençoado porque a sua vida não foi sem significado e que, pelo menos, ele encontrou o seu lar. E por causa dessa riqueza, dessa realização, ele é capaz de abençoar toda a existência.
Só por estar perto de tal pessoa, quando ela está morrendo, é uma grande oportunidade. Você sentirá, na medida em que ele deixa o corpo, algumas flores invisíveis caindo sobre você. Embora você não possa vê-las, você poderá senti-las."
OSHO Darkness to Light.

castelo chamado orgulho.


O acesso é dificultado por acidentes abruptos e pelos galhos
espinhosos de plantas ressequidas que formam uma "floresta" cerrada
em que a passagem é fechada a quem não se anima a romper a horda
ameaçadora de espinhos. As muralhas do castelo são muito sólidas e os
blocos de pedra utilizados na sua formação são altamente maciços e
fortemente ligados, o que dificulta o arremetimento por qualquer
arma. O senhor do castelo mantém em regime severo de prisão um
valente exército sempre na espreita de disputar em confronto com os
tenazes e bem armados carcereiros suas forças intima e
extraordinariamente contidas, fazendo com que se mantenha na
obscuridade da relativa impotência.

O castelo de imponente silhueta ao abrigo de densa névoa tem um nome
tão aparatoso quanto sua própria figura: ORGULHO. Sua localização:
bem no coração de uma mata densa, muito pouco explorada. Nunca se viu
no mundo objetivo uma defesa tão impenetrável, as abordagens do mundo
exterior, na maior parte das vezes, param no forte espinheiro que
protege o castelo. As que logram passar pela defesa batem no maciço
inespugnável, não encontrando meio de invadir fortaleza tão hermética.

Como acessar as dependências desta fortificação e resgatar o valoroso
exército mantido sob inclemente e forçada subjugação? O castelo é
absolutamente impenetrável, o que nos leva a concluir que se
possibilidade houver, somente uma revolução interna pode realizar a
façanha. Isto é, um motim! Ou o exército prisioneiro descobrir um
ponto fraco na guarda inimiga ou aproveitar-se de uma distração -
causada por algum afrouxamento do castelão - e dominar uns, ganhar a
adesão de outros, e assim, estar em condições de estabelecer uma
guerra no interior do castelo. Esta terá a duração comparável com a
resistência de um e de outro exército, que acabará - sabe-se lá
depois de quanto tempo! - com a libertação dos prisioneiros e a queda
do castelo, se não com a derrota destes e uma nova oportunidade de
luta terá que ser aguardada, após restabelecimento das forças
trancafiadas concomitante com novo ensejo oferecido pela guarda do
castelo. E o ciclo continua, mas até que a resistência do exército do
castelão seja minada pela persistência irresistível do intrépido
colosso que procura manter sob seu poder tirânico. Essa resistência
do comando e do povo do castelo exige uma concentração de esforços
insustentável ao longo do tempo - podem ser anos, séculos... - mas um
dia o castelo, por esgotamento das forças reinantes, cai. E do
coração dessa floresta, agora bela e exuberantemente transformada,
partem em decidida disparada, os tropéis libertos que vão reinar
soberanos por toda a vastidão que a imaginação alcança.

domingo, 8 de julho de 2012

"Êxtase - A linguagem esquecida" - Osho.


Um brinde a nós, amigos!
Um brinde à vida, à alegria, ao êxtase que escondemos em nossas próprias cabeças! Um
brinde que nos arranque de nosso sono cheio de sonhos, de ambição e desses truques do mundo que
substituíram a vida real. Bebamos da taça de um louco que nos permite abandonar todo o nosso
controle, as nossas tensões, as nossas restrições, que durante tanto tempo nos impediram de abraçar
Deus, a alegria e o êxtase!
Um brinde ao calor daquilo que derreterá nossos corações congelados, e pela primeira vez
nos permitirá fluir e sentir com todo o nosso ser.
Encontrem Bhagwan Shree Rajneesh, um bêbado, um louco que está aqui, vivo,
oferecendo-lhes o sabor de um outro louco de uma outra época — Kabir — um louco que através de
sua inocência, através de sua ignorância, através de sua admiração, canta uma canção onde a poesia
floresce", uma poesia que pode ser entendida por qualquer um que seja suficientemente inocente!
Bhagwan facilita-nos um desaprendizado, uma mudança de foco, um relaxamento — um mover-se
da cabeça para o coração e sua inocência, um tornar-se extraordinário sendo comum exactamente
como aconteceu a Kabir. ..e cada momento torna-se tão absolutamente precioso, traz tanta alegria e
recompensa em si mesmo, que nada mais resta a não ser desfrutá-lo, perder-se nele, embriagar-se de
vida!
Através desses novos olhos tem-se a sensação de que a vida é Deus e que Deus é a vida;
não importa o quanto possamos correr ou quão esperta possa ser a mente nas suas tentativas de
adiar,' não há possibilidade de escapar — não há outra maneira de existir. Como diz Bhagwan:
"Vivemos no oceano de Deus. .. Ele o circunda, Ele circunda tudo."
As velhas escrituras da Índia dizem que a existência vem quando Deus expira — você
nasce e a não-existência, quando Ele inspira — você desaparece na morte... mas você nunca deixa
Deus! Pode-se dizer: «Procurado — vivo ou morto. ..por Deus... pela vida... pela existência!»
Temos apenas que nos sacudir e nos despertar para esta grande bênção da vida. ..despertar a
memória desta linguagem esquecida do êxtase que repousa como que hibernada em nossos corações
adormecidos.
No Ocidente, a nossa memória tem sido entorpecida pela nossa ambição, pela nossa
entrega aos prazeres, pela nossa pressa em .satisfazer certas condições que, uma vez satisfeitas, nos
recompensarão com a felicidade que nos espera no final de algum arco-íris mítico. No Oriente, o
mundo, os negócios, são coisas para serem renunciadas, algo contra o qual se deve criar um
antagonismo.
Kabir, entretanto, não pertence a nenhum dos dois. É um homem de real compreensão —
sabe que não se trata de entrega aos prazeres ou de renúncia, mas sim, de consciência. Ou como diz
Bhagwan: "Esteja no mundo, mas conscientemente. Não vá a nenhum lugar, não crie qualquer
atitude antagónica em relação à vida. Deus nada mais é do que um profundo 'sim' à existência". No
caso de Kabir, conta-se que ele nasceu como muçulmano e foi educado por um hindu, ficando então
aberto para as riquezas das duas tradições — não ficou limitado pela escolha de uma e rejeição da
outra. ..disse SIM a ambas.
Desta maneira Bhagwan também reivindica toda a herança da humanidade, dizendo um
'sim' eternamente amoroso a todos: aos cristãos, aos hindus, aos parses, aos sikhs, aos muçulmanos,
aos judeus, aos ateus, aos teístas, ad infinitum.
Este 'sim' é a chave do reaprendizado desta linguagem esquecida. Este 'sim' é o que nos dá
coragem para continuar. Este 'sim' é o ingrediente que está faltando, é o elo perdido para a
recuperação, a reivindicação desse êxtase. Não é da cabeça — é do coração... não é do pensamento,
mas do sentimento.
6
E o coração é a nossa totalidade. Sempre que dizemos 'sim' a alguma coisa, sempre que
respondemos com nossos corações, estamos respondendo com nossa totalidade. Sempre que somos
totais em qualquer coisa, ficamos extasiados. Bhagwan diz: "Sim, alegria é loucura. E só os loucos
podem suportá-la. Abandone-se e seja um bêbado!. ..Deus é selvagem e a alegria é o primeiro passo
em direcção a Ele. O êxtase é selvagem. Você tem que se perder nele, no seu próprio abismo".
E como a alegria é loucura e abandono, então é preciso estar pronto para saltar, para
mover-se livre e perigosamente, sem os condicionamentos e limites da sociedade, da religião, do
país, da tradição ou dos rituais que acumulamos — esses limites do nosso passado que nos
impedem de viver Deus, de viver a vida, de viver. ..agora mesmo. ..de viver esta linguagem do
êxtase. .. neste exacto momento!
Bhagwan e Kabir concordam que se Deus não puder ser encontrado nesta vida, não será
encontrado em lugar algum... que sempre que você for total, Ele estará presente. ..ser total é a porta!
Então, será que você está pronto para beber comigo, para beber da taça destes loucos —
Bhagwan Shree Rajneesh e o poeta-místico Kabir — e abandonar os seus controles e misérias?... e
mais uma vez, através da sua natureza, através da felicidade... falar a linguagem do êxtase?
Se você não puder controlar a sua alegria, não poderá controlar o seu êxtase... você tem
que se embeber dele na vida: ". ..e a vida jamais grita, apenas sussurra. A menos que você esteja
muito atento, sintonizado e ligado a ela, não será capaz de entender a vozinha silenciosa de Deus".
Tenha, através dos olhos deste Mestre iluminado, Bhagwan Shree Rajneesh, uma nova
visão do divino, a jornada infinita para dentro do amor, e aceite o seu brinde à nossa divindade, ao
gosto pela vida e à coragem para explorar:
"Convido-o a vir comigo aos domínios mais profundos deste louco, Kabir. Sim, ele era
um louco — todas as pessoas religiosas o são. Loucas, porque não confiam na razão. Loucas,
porque amam a vida. Loucas, porque podem dançar e cantar. Loucas, porque para elas a vida não é
uma questão, um problema para ser resolvido, mas um mistério no qual temos que nos dissolver".
Tudo o que você precisa é alegrar-se, meu amigo, e divertir-se! Leia este livro como se
entrasse pela porta que leva à terra da linguagem esquecida... abra seus braços e permita que a
confiança na vida e no amor afaste a sua cabeça, e com um grande oooouuhhh encha-se da
excitação, do êxtase desta aventura, da exploração desta linguagem esquecida. ..do êxtase: a
linguagem esquecida.