contos sol e lua

contos sol e lua

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A Última Batalha por C.S. Lewis.

À luz de uma enorme fogueira crepitante, a última batalha de Nárnia está prestes a acontecer. O rei Tirian, ajudado corajosamente por Jill e Eustáquio, terá de enfrentar os cruéis calormanos, num combate que decidirá, finalmente, a luta entre as forças do bem e do mal. Mas, com tantas dúvidas e confusão ao redor, conseguirá o rei Tirian manter-se firme na hora mais negra de Nárnia? O título do livro já diz tudo; A Última Batalha está marcado como os momentos finais da linda e maravilhosa terra de Nárnia e dessa coleção. O país mágico nunca esteve tão negro e isso torna o início do livro tortuoso e difícil - não por ser ruim, mas pela grande maldade que reina Nárnia por parte dos próprios seres mágicos moradores de lá. Há injustiça e falta de fé - o que só machuca os amantes da terra de Aslam, o Grande Leão. Mas nada disso pode parar o leitor e quem já conheça a escrita de C.S. Lewis sabe que há algo preparado para o final. Anos e anos depois de o fim de A Cadeira de Prata, havia um macaco que não era dos melhores. Esse macaco fez algo imperdoável: com a ajuda de um amigo, ele se fez passar por Aslam, e é bem por aí que os maiores problemas da terra de Nárnia se iniciam. Neste último volume, temos as presenças principais voltadas novamente para os viajantes Eustáquio e Jill, ambos, como sempre, mais crescidos e amadurecidos. Sua volta ao país só os fazem se sentir renovados, fortes e mais esperançosos (pelo menos durante boas partes). Assim como os dois jovens, também nos deparamos com o rei Tirian, um ser de extrema honra e bondade. Estes três, com a ajuda de mais alguns seres, lutam incansadamente para a normalidade de Nárnia. Aqueles já acostumados com Lewis ainda se surpreenderão com A Última Batalha, encontrando queridos personagens do passado que voltam para alegrar este último volume. Lewis soube dar um grande gancho no final da estória e nossa apreensão aos mal tratos dos moradores de Nárnia por sua terra se torna algo estritamente pessoal. No último volume da coleção, há mais luta do que os seis livros anteriores. Tirian é um rei forte e com a ajuda de Eustáquio e Jill seu arsenal fica mais aprimorado. Eustáquio está mais corajoso e também vai a batalha junto á Jill - ambos personagens que se tornam protetores grandes de Nárnia. De todos os livros de séries e sagas, As Crônicas de Nárnia trás o final mais lindo que já li. O autor não deixa de sempre caracterizar em suas crônicas que tudo que há um início também existirá um fim - e assim o acontece. Lewis mistura os personagens do passado para criar um final inimaginável aos leitores. Ao mesmo tempo que é triste esse desfecho, o mesmo também é feliz. O autor termina a estória com vários fatos relacionados com a Bíblia onde só se conhecem a Terra de Aslam apenas aqueles que realmente são bons e apaixonados por ele e por Nárnia - Terra de Alam = Paraíso. Com estes personagens do passado, Lewis se torna mais magnífico por abordar o seu termo principal: "Devemos deixar nossa infância, mas nunca esquecê-lá".

Harry Potter e a Pedra Filosofal J. K. Rowling.

Harry Potter e a Pedra Filosofal J. K. Rowling. Harry Potter é a história de um menino britânico, órfão, que até os 10 anos de idade desconhecia sua identidade verdadeira, a de um bruxo. Após a morte de seus pais, fora deixado à porta da casa de seus tios para ser criado como um menino normal. Porém, eles nunca o trataram como um membro da família. Durante os 10 anos que permaneceu na casa, seu tratamento não foi nada familiar. Seus tios trouxas (assim chamado quem não era bruxo de acordo com a história) o trataram com indiferença e desprezo. Isso acontecia porque tia Petúnia sabia qual era o sangue que corria nas veias de Potter, o mesmo que causou tanto ciúme durante sua infância com sua irmã Lílian mãe de Harry . Para Petúnia, Lílian sempre fora vista como a mais especial. No dia de seu aniversário, 31 de julho, Harry recebeu uma carta, era de Hogwarts. A melhor escola de magia e bruxaria de todas, estava convidando-o para estudar lá! Apesar da dificuldade em lê-la, pois seu tio tentava esconder essa verdade a qualquer custo, com a ajuda de Rúbeo, além de ter o melhor aniversário de todos, ainda descobre que tudo que os Dursley lhe contaram sobre seus pais estava errado e até sobre si mesmo. Quando chega na nova escola faz grandes e novos amigos como Rony Weasley e Hermione Granger. Hogwarts é uma escola muito diferente. Sua construção é um castelo sombrio mas encantador, cercado de muito verde e um belo lago. O seu interior é cheio de escadarias, que adoram mudar de lugar. Durante o ano, os alunos hospedam-se em 4 torres na escola, sendo elas Lufa-Lufa, Convinal, Sonserina e Grifinória, essa última a de Harry e seus amigos. Essas casas dão nome a 4 times de um esporte que movimenta a escola durante o ano letivo, o quadribol. Esse é um esporte perigoso praticado com 4 bolas e estudantes voando em suas vassouras ( Harry logo é chamado para participar do time). Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, a trama se desenvolve quando Harry, Rony e Hermione descobrem uma preciosidade guardada em Hogwarts. Essa pedra foi criada pelo diretor da escola, Alvo Dumbledore e Nicolau Flamel, seu amigo. Ela tem o poder de transformar todo metal em ouro e ainda deixar qualquer pessoa imortal. Flamel e sua esposa já a usam sendo imortais e os meninos suspeitavam de que a Pedra Filosofal seria roubada por um dos professores da escola, Severo Snape. A suspeita se justifica por causa da aparência sempre sisuda e misteriosa desse professor perante os alunos. O oposto de Quirrell, professor simpático e amigável. Os três amigos resolvem impedir que a pedra caia em mãos erradas. Nessa missão, eles vivem grandes aventuras, e na última delas descobrem que, o até então querido Quirrell é o responsável por alguns estranhos acontecimentos e até mesmo pelo quase roubo da Pedra Filosofal impedido por Harry que fica frente a frente com seu arqui-inimigo Voldemort, que estando muito fraco, é derrotado pelo pequeno bruxo com a ajuda de Dumbledore. O desfecho da história se dá com a vitória da Grifinória na competição de casas de Hogwarts. Essa vitória é reforçada pelo mérito de quatro alunos dedicados, Hermione por sua inteligência, Rony por suas habilidades no xadrez, Harry por sua coragem e Neville Longbottom por tentar proteger seus 3 grandes amigos. Após a entrega dos prêmios, os alunos retornam às suas casas onde passam as férias com suas famílias.

Harry Potter e a Câmara Secreta de J. K. Rowling.

Harry Potter e a Câmara Secreta J. K. Rowling. No segundo livro da saga de Harry Potter, a história se inicia com o aniversário de Harry na casa dos Dursleys onde ele passava suas férias de verão. A situação lá não podia ser pior, pois, além de o tratarem como um estranho, não recebera carta de nenhum de seus amigos, mesmo no seu aniversário. A saudade de Hogwarts, sua escola, não parava de aumentar, lá era seu lar e não com os trouxas de seus tios. Trouxas são chamados no mundo mágico quem não era bruxo. Certa noite ele recebe uma visita de um elfo doméstico chamado Dobby que recolhu todas as cartas que seus amigos haviam lhe mandado. O elfo insistia para Harry não voltar a Hogwarts de modo algum, pois o perigo o aguardava. Harry não dá ouvidos a Dobby que, na intenção de proteger seu amigo bruxo, apronta uma confusão na casa dos Dusleys para que Harry seja culpado e não obtenha a permissão para voltar a escola. Todavia para a felicidade de Potter, seus amigos os irmãos Rony, Fred e Jorge Weasley aparecem para buscá-lo de carro voador. Na casa dos Weasleys, Harry passa suas melhores férias de verão. Quando Harry e Rony retornam a estação King’s Cross, onde pegariam o Expresso para Hogwarts, percebem que a passagem da plataforma 9 e meia foi fechada, Dobby ainda tentava impedir o menino a voltar para a escola. Sem muita opção, os meninos usam o carro do Sr. Weasley, pai de Rony, e voam para a escola. No retorno das aulas, tradicionalmente, os alunos de primeiro ano são selecionados para suas casas e recebidos pelos alunos mais velhos. Gina Weasley a única menina e a mais nova na família, como todos os Weasleys, é selecionada para a Grifinória, onde estão também Harry e Hermione. No decorrer do ano, os meninos percebem que uma coisa muito estranha estava acontecendo: pessoas foram petrificadas (incluindo a grande amiga de Harry e Rony, Hermione) e até mesmo o desaparecimento de Gina. A trama se dá em torno da descoberta de uma câmara secreta construída muitos anos atrás por Salazar Slytherin ( uma das pessoas que construiu a bela escola). Ele a construiu pois, ao contrario de seus amigos, ele achava que os filhos dos trouxas não poderiam estudar na escola. Nesse lugar, morava uma grande serpente, um basilísco: seu olhar direto poderia matar. Apenas o herdeiro de Slytherin poderia reabrir a Câmara, esse deveria ser um Ofidioglota (alguém que consegue falar na língua das cobras). Ela fora aberta 50 anos antes de Potter por um aluno chamado Tom Riddle, sua lembrança foi guardada em um diário onde Gina Weasley escrevia e conversava com Tom. O menino a usava para ganhar forças. Suas forças se recuperaram tão bem que ele, Riddle, deixou de ser uma lembrança e voltou à vida e esperava solenemente por Potter. Esse era seu objetivo pois não aceitava que um menino de apenas um ano conseguisse derrotar um bruxo tão poderoso, Lord Voldemort, o futuro de Riddle. Percebendo que Harry Potter podia falar na língua das cobras, ele e Rony (Hermione estava petrificada, por isso não podia acompanhá-los) abriram a Câmara Secreta e Harry encontrou Gina quase morta junto a Tom Riddle que o esperava com o basilísco. Mesmo estando em desvantagem, Harry, por nenhum momento, demostra medo e mantém sua fidelidade a Dumbledore, o sábio diretor da escola. Por isso, a fênix do diretor e o antigo Chapéu Seletor, trazendo uma espada, vieram ajudá-lo. Lutando bravamente até o fim, Harry consegue derrotá-los e trazer de volta Gina sã e salva.

As Crônicas de Nárnia, O leão, a feiticeira e o guarda-roupa - Clives Staples Lewis.

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA -O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA- Era uma vez quatro irmãos, duas meninas e dois meninos: Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia. Durante a guerra que aconteceu, em Londres onde moravam, as crianças foram mandados para morar na casa de um velho professor. Estavam brincando de esconde-esconde pela casa quando Lúcia, a mais nova, encontrou uma sala vazia, com apenas um guarda-roupa, e para se esconder, entrou nele. Sem perceber, foi parar em uma terra chamada Nárnia, que fica em outro mundo! Lá, conheceu um fauno (criatura típica de Nárnia) que lhe ensinou sobre aquele lugar e, lhe falou sobre a feiticeira branca malvada que condenou Nárnia para que sempre fosse inverno. Disse-lhe também sobre Aslan um leão bondoso e fiel que havia criado Nárnia. Quando Lúcia voltou para a Casa do Professor contou aos seus irmãos, que não acreditaram na sua história. Num outro dia, Edmundo (o segundo mais novo), entrou no guarda-roupa, da sala vazia, e quando chegou à Nárnia encontrou a feiticeira branca, e esta, pediu que trouxesse todos os seus irmãos, para que ela os matasse, mas Edmundo não sabia disso. Quando todos foram para Nárnia, Lúcia, Susana e Pedro fizeram muitos amigos, já Edmundo não pois, quando chegou a Nárnia foi aprisionado pela feiticeira. Todos os amigos que as duas meninas e o menino fizeram os ajudaram a salvar Edmundo. Agora, os quatro irmãos foram ao encontro de Aslan porque, para salvar Nárnia da ira da feiticeira teriam que matá-la, e Aslan os esperava com um exército. Com muitas dificuldades e com muita ajuda também conseguiram derrotar a feiticeira! Assim, Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro se tornaram reis e rainhas de Nárnia. Passado um tempo, os irmãos já não eram mais crianças e sim adultos, e passando pelos campos de Nárnia encontraram um lugar que lhes parecera familiar, continuaram andando e abriram uma porta: todos caíram no chão e voltam a ser crianças! Ou seja: voltaram para casa!

As Crônicas de Nánia: O sobrinho do mago" - Clive Staples Lewis.

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA -O SOBRINHO DO MAGO- Polly e Digory eram duas crianças inglesas que eram vizinhos. Há muito tempo atrás, quando Polly conheceu Digory, a menina descobriu também que o tio do menino era louco! Os dois querendo saber mais sobre isso tentaram entrar em sua casa, na sala de pesquisas do tio André, para saber mais sobre isso. Quando chegaram lá, viram uma bandeja com muitos anéis amarelos e verdes. Os dois não estavam sozinhos na sala, pois tio André estava lá também, este ofereceu a Polly um anel amarelo e ela o aceitou, logo que o colocou ela sumiu! Digory querendo salvar a amiga, pegou um anel amarelo, que o fazia sumir, e dois verdes, que os faziam voltar. Após colocar o anel este viu-se em um lugar chamado Nárnia. Em Nárnia encontrou Polly e viram imediatamente um sino com uma frase muito convincente, e resolveram tocá-lo, após isso descobriram que tinham acordado uma antiga feiticeira do mal. Durante a história, a feiticeira percorre nosso mundo e tenta dominá-lo, mas Digory e Polly com a ajuda de Franco, seu cavalo Morango e sua esposa Helena, conseguem impedir a feiticeira de dominar nosso mundo, com isso o desejo da rainha é impedido e ela volta para seu mundo de origem. Quando tudo volta ao normal, Aslam, um leão muito fiel e sábio de Nárnia, vendo que em seu mundo não há ninguém, cria todos os animais, mas não qualquer animal, animais falantes e elege Helena e Franco como rei e rainha de Nárnia e entrega a Digory e Polly um fruto que pode curar qualquer pessoa. Assim, eles voltam para casa e Digory e Polly resolvem enterrar o fruto e os anéis mágicos no quintal do menino para que ninguém os encontre. No final, muito tempo depois, Digory faz um guarda-roupa com a árvore do fruto plantado, e, mesmo que este seja o fim desta história, é o começo de muitas outras.

As Crônicas de Nárnia, O Príncipe Caspian" - Clives Staples Lewis.

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - O PRÍNCIPE CASPIAN - Muitos anos se passaram em Nárnia desde o reinado dos quatro irmãos e os Teomarinos, agora, a tomaram! Não existia quase nenhum narniano em Nárnia. Caspian X, o príncipe de Nárnia dos Teomarinos estava fugindo pois seu tio Miraz queria seu trono. Caspian, para pedir ajuda, soprou a trompa de Susana que seu tutor havia conseguido encontrar. Quando Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia chegaram em Nárnia encontraram Cair Paravél, seu palácio, destruído. Após pegarem suas espadas e artefatos, salvaram Trumpkin, um anão narniano que já ficou amigo deles e durante a história ganha um apelido de Susana e Lúcia: N.C.A( N-nosso C-caro A-amiguinho). Quando os quatro humanos e Caspian se encontram conseguem um grande número de narnianos para formar um grande exército na guerra contra Miraz. Fizeram um ataque surpresa no palácio de Miraz, mas Caspian querendo saber se foi seu tio que matou seu pai, mudou totalmente os planos de ataque de Pedro, fazendo assim perderem muitos soldados e precisando recuar com o peso da derrota. Caspian tem então a ideia de fazer um duelo entre Pedro e Miraz. Como os narnianos sabiam que os Teomarinos não cumpririam com a palavra, mandaram Lúcia, a única que durante a história conseguia ver Aslan, para a floresta com esperança de conseguir ajuda do Leão. Pedro ganhou o duelo, mas os Teomarinos, achando que o menino havia roubado, iniciaram a guerra. Lúcia encontrou Aslan, que acordou as árvores, estas fizeram uma grande diferença na guerra e os Teomarinos recuaram para a ponte que estes construíram para atravessar o rio Beruna, mas Aslan fez com que o rio tivesse vida derrotando muitos soldados Teomarinos e os que restaram, se renderam. Por fim, Caspian se tornou rei de Nárnia, e como amava Susana e ela também o amava se beijaram na despedida. Pedro e Susana não podiam mais voltar a Nárnia pois já estavam grandes, Lúcia e Edmundo podiam. Finalmente todos voltaram para casa. PERSONAGENS. •Lúcia: Rainha de Nárnia; •Edmundo: Rei de Nárnia; •Pedro: Grande Rei de Nárnia, não poderá mais voltar à Nárnia; •Susana: Rainha de Nárnia, não poderá mais voltar a Nárnia; •Caspian X: Rei de Nárnia dos Teomarinos, e agora Rei oficial de Nárnia; •Trumpkin: Anão que não acreditava na antiga Nárnia até ver Aslan, amigo dos quatro irmãos; •Doutor Cornélios: Tutor de Caspian; •Aslan: Leão bondoso e fiel de Nárnia.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Lilith.

Lilith é vulgarmente tratada como um demônio da noite. Ela é também referida na Cabalá como a primeira mulher do bíblico Adão. Pensa-se que o Relevo Burney, um relevo sumeriano, a represente. Muitos acreditam que há uma relação entre Lilith e Inanna, deusa sumeriana da guerra e do prazer sexual. Inanna era a deusa (dingir) do amor, do erotismo, da fecundidade e da fertilidade, entre os antigos sumérios, sendo associada ao planeta Vênus. Era especialmente cultuada em Ur, mas era alvo de culto em todas as cidades sumerianas. Surge em praticamente todos os mitos, sobretudo pelo seu caráter de deusa do amor (embora seja sempre referida como a virgem Inanna); por exemplo, como se a deusa tivesse se apaixonado pelo jovem Dumuzi, tendo este morrido, a deusa desceu aos infernos para resgatá-lo dos mortos, para que este pudesse dar vida à humanidade, agora transformado em deus da agricultura e da vegetação. É cognata das deusas semitas da Mesopotâmia (Ishtar) e de Canaã (Asterote e Anat), tanto em termos de mitologia como de significado. O dia 2 de janeiro é tradicionalmente consagrado a Ishtar, a deusa dos acádios, herança dos seus antecessores sumérios, cognata da deusa Asterote dos filisteus, de Ísis dos egípcios. Mais tarde, ela foi assumida também na Mitologia Nórdica como Easter, a deusa da fertilidade e da primavera. Essa deusa era irmã gêmea de Shamash e filha do importante deus lua – Sin. Considerados uma das maravilhas do mundo, os Portões de Ishtar, na Babilônia, foram transportados para um museu na Europa, o Museu de Berlim. Uma réplica se encontra no Iraque. Astarte e Afrodite Astarte (em grego Αστάρτη e em hebraico עשתרת) – personagem do panteão fenício e na tradição bíblico-hebraica conhecida como deusa dos Sidônios (I Reis 11:2). Era a mais importante deusa dos fenícios. Filha de Baal e irmã de Camos. Deusa da lua, da fertilidade, da sexualidade e da guerra, adorada principalmente em Sidom, Tiro e Biblos. A deusa Astarte foi a mais importante das numerosas divindades fenícias e a única que permaneceu inamovível na sua rica mitologia, apesar das profundas e contínuas mudanças no culto que resultaram de diversas influências oriundas de toda a área do Mediterrâneo, recebidas por este povo de navegantes. A deusa era uma representação das forças da fecundidade e, como tal, foi adorada sob diversos aspectos. Todos eles tinham em comum a imagem de uma deusa amorosa, bela, fecunda e maternal. Chamaram-lhe Kubaba-Cibeles na Síria do Norte. Esta e as outras divindades fenícias eram adoradas em santuários, mas o seu culto não carecia de esculturas religiosas, pelo que, muitas vezes, elas faltavam nos templos. A sua sede era uma simples pedra ou pilone no centro do lugar sagrado. A proteção divina na vida doméstica era invocada em estatuetas de material tosco, inacabadas, ou em amuletos de inspiração egípcia, como, por exemplo, o célebre escaravelho solar das pinturas faraônicas. Tem muitos atributos relacionados com Afrodite, a deusa grega do amor, do sexo, da regeneração e da beleza corporal. De acordo com o mito mais aceito, nasceu quando Urano (pai dos Titãs) foi castrado por seu filho Cronos, que atirou os genitais cortados de Urano no oceano, e este começou a ferver e espumar. De aphros (“espuma do mar”), ergueu-se Afrodite e o mar a carregou para Chipre. Por isso, um de seus epítetos é Kypris. Assim, Afrodite é de uma geração mais antiga que a maioria dos outros deuses olímpicos. Afrodite (em grego, Αφροδίτη) era a deusa grega da beleza e da paixão sexual. O seu culto estendeu-se a Esparta, Corinto e Atenas. Foi identificada como Vênus pelos romanos. Suas festas eram chamadas de afrodisíacas e eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. Suas sacerdotisas eram prostitutas sagradas, que representavam a deusa, e o sexo com elas era considerado um meio de adoração e contato com a deusa. Seus símbolos incluem a murta, o golfinho, o pombo, o cisne, a romã e a limeira. Entre seus protegidos, contam-se os marinheiros e artesãos. Com o passar do tempo, e com a substituição da religiosidade matrifocal pela patriarcal, Afrodite passou a ser vista como uma deusa frívola e promíscua, como resultado de sua sexualidade liberal. Parte dessa condenação a seu comportamento veio do medo humano frente à natureza incontrolável dos aspectos regidos pela deusa do amor. Voltando a Lilith…Contam algumas histórias que Lilith é também chamada de “A mulher escarlate”, um demônio que guarda as portas do inferno montada em um enorme cão de três cabeças, Cérbero. Outros aspectos e nomes de Lilith, além dos já citados, são: Aino (finlandesa, Deusa da Beleza); Amaterasu (japonesa, Deusa do Sol, liderança); Axo Mama (peruana, Deusa da Fertilidade); Cibele (asiana menor, Deusa da Fertilidade); Hathor (egípcia, Deusa do Amor); Freya (norueguesa, Deusa do Amor e da Cura); Hécate (grega, Deusa da Magia e da Morte); Itchita (siberiana, A Grande Mãe); Oxum (africana, Deusa da Fertilidade e do Amor); Kaly (hindu, a face escura da Grande Mãe). Na origem de todos os povos do mundo sempre existiu a tradição de um casal fundador da raça humana. A maioria é formada por casais-deuses, exceto nas religiões patriarcais, como a judaico-cristã-islâmica, em que um único Deus masculino formou todas as coisas e seres. Entretanto, ao estudar a espiritualidade hebraica, por meio da Cabala, aprendemos que o grande deus monoteísta não é do sexo masculino, ele é completo em si mesmo; o que existem são divisões de gênero, inclusive é uma insolência lhe dar aspecto humano, pois sua essência é luz pura. E desde quando luz tem sexo? Ao se estudar Carl Jung, descobriremos que dentro de cada homem há uma mulher (anima) e em cada mulher há o princípio masculino (animus). Esse eterno jogo de yin-yang se ajusta e se completa. Portanto, nenhum indivíduo é inteiramente masculino ou inteiramente feminino. Cada um de nós é composto dos dois elementos e esses dois constituintes estão freqüentemente em conflito. O princípio feminino ou “Eros” é universalmente representado pela Lua e o princípio masculino ou “Logos”, pelo Sol. O mito da criação no Gênesis afirma: Deus criou duas luzes, a luz maior para reger o dia e a luz menor para reger a noite. O Sol como princípio masculino é o soberano do dia, da consciência, do trabalho e da realização, do entendimento e da discriminação conscientes, o Logos. A Lua, o princípio feminino, é a soberana da noite, do inconsciente. É a deusa do amor, controladora das forças misteriosas que fogem à compreensão humana, atraindo os seres humanos irresistivelmente um para o outro, ou separando-os inexplicavelmente. Ela é o Eros, poderoso, fatídico e totalmente incompreensível. Na natureza, o princípio feminino ou a deusa feminina mostra-se como uma força cega, fecunda, cruel, criativa, acariciadora e destruidora. É a fêmea das espécies mais mortal que o macho, feroz em seu amor como também com seu ódio. Esse é o princípio feminino na forma demoníaca. O medo quase universal que os homens têm de cair sob o domínio ou a fascinação de uma mulher. A atração que esta mesma servidão tem para eles são evidências de que o efeito que uma mulher produz num homem é, em geral, realmente de caráter demoníaco. Quando Jehová criou a Adão, criou ao mesmo tempo a uma mulher, Lilith, retirada do barro da terra. Foi entregue a Adão como esposa. Porém, Lilith não estava satisfeita, pois esperava outra coisa de Adão. Ela não se submeteu à dominação masculina. A sua forma de reivindicar igualdade foi a de recusar a forma de relação sexual com o homem por cima. Inimizou-se com ele, pronunciou o nome inefável de Jeová e se foi voando pelos ares. Adão queixou-se a Deus de sua esposa, e este enviou à sua procura três anjos: Senoi, Sansenoi e Samanglof, que a encontraram nas margens do Mar Vermelho, onde mais tarde as tropas egípcias seriam engolidas por ordem de Moisés. Lilith se negou a voltar a ocupar seu lugar junto de Adão. Os três anjos, por ordem de Jeohvá, avisaram-na de que a cada dia perderia cem de seus filhos se não regressasse. Lilith então fez um trato, e os anjos tentaram afogá-la no Mar Vermelho; porém Lilith advogou em causa própria e salvou sua vida com a condição de jamais causar dano a uma criança recém-nascida de onde viera seu nome escrito. A História de Lilith na Tradição Judaica Finalmente, Jehová deu a Lilith, Sammael (Satã – O Senhor das forças do mal; adversário), e ela foi a primeira das quatro esposas do “Diabo” e a perseguidora dos recém-nascidos. (Paul Louis Bernard Drach, De l’harmonie de l’Église et de la Synagogue, II, p.319) De acordo com essa narração, Lilith foi entregue a Adão como uma mulher-objeto. Entretanto, ela se rebela e se nega a obedecer Jehová, que é seu pai. Esse não pode desfazer-se dela; uma vez que a criou para Adão, só poderá deixá-la. E foi feito, pois o nome de Lilith não é citado mais que uma vez na Bíblia, reduzida assim a um estado incerto. Segundo uma velha tradição, Lilith seria uma figura sedutora, de cabelos longos, que voa à noite, como uma coruja, para atacar os homens que dormem sozinhos. As poluções noturnas masculinas podem significar um ato de conúbio com a demônia, capaz de gerar filhos demônios para a mesma. As crianças recém-nascidas são as suas principais vítimas. A crença em Lilith, durante muito tempo, serviu para justificar as mortes inexplicáveis dos recém-nascidos. Uma forma de proteger as crianças contra a fúria da bela demônia é escrever na porta do quarto os nomes dos três anjos enviados pelo Senhor. Outra maneira é a de fixar no berço do recém-nascido, três fitas, cada uma delas com um nome dos três anjos. Segundo Unterman, na véspera do Shabat e da Lua Nova, quando uma criança sorri é porque Lilith está brincando com ela. Para protegê-la, deve-se bater três vezes de leve no nariz da criança, pronunciando uma fórmula de proteção contra Lilith. O mesmo autor afirma que, na Idade Média, era considerado perigoso beber água nos solstícios e equinócios, períodos estes em que o sangue menstrual de Lilith pinga nos líquidos expostos. Finalmente, uma outra tradição judaica afirma que a lendária rainha de Sabá que teria visitado Salomão nada mais era do que Lilith. O sábio rei, contudo, descobriu o ardil, ao levantar a saia da rainha e constatar que as suas pernas eram peludas. Segundo uma lenda judaica, após a expulsão do paraíso, Adão, para se mortificar, ficou 130 anos afastado de Eva. Uma ocasião que estava dormindo sozinho, Lilith o encontrou, deitou-se ao seu lado e dele concebeu um sem-número de demônios. Os que se defrontavam com eles eram torturados e mortos (Gorion, 54). A rebelião de Lilith contra Adão e o Criador levou à necessidade da criação de Eva, esta formada a partir de uma costela de Adão (Gênesis 2, 21). É possível, portanto, imaginar que um corte foi realizado entre o capítulo 1, versículo 28, e o capítulo 2, versículo 21. É provável que esse corte tenha ocorrido mesmo, em época bastante remota, como no quarto século antes de Cristo, quando se supõe que o texto escrito tomou uma forma aproximada da atual (Leach, 1983:77). O próprio teor do capítulo 1, versículo 28, sustenta esta hipótese: “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra …” Como seria possível abençoar a ambos e recomendar a multiplicação se Eva ainda não estava criada? Roberto Sicuteri (1986: 27) chama a atenção para outro detalhe importante: após a criação de Eva, extraída da costela de Adão, este diz: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gênesis 2, 23). Para Sicuteri, esta agora soa como uma inequívoca referência a uma mulher anterior. (Roque de Barros Laraia). A palavra lilith, que se pode relacionar com o assírio lílitu, de lilaatuv, “noite”, significa propriamente “noturno”. Também Lilu, na mitologia assíria, são espíritos malignos que sempre surgem na escuridão da noite. A Lílít do texto hebraico se traduz na versão grega de Septuaginta e por Lamia na Vulgata latina de São Jerônimo. As lamias são muito conhecidas nas tradições gregas e latinas, como monstros voadores noturnos, que sempre aparecem sob o aspecto de pássaros. A maioria dos autores afirma que as lamias são monstros femininos que devoram homens e crianças. Portanto, as lamias e Lilith têm muitos pontos em comum e foram convertidas em “vampiras”. Mas, o papel de Lilith parece não terminar quando se une a Satã; aliás, muito pelo contrário. Segundo o Zohar (Hhadasch, seção Yitro, p.29), depois participa da perdição de Adão, ao qual Jehová concede como segunda esposa a Eva, nascida da sua própria costela, ou seja, à imagem do homem, o reflexo do homem, ou a imagem castrada de Adão. “Depois de que o Tentador (Sammael) houvera desobedecido ao Santíssimo, bendito seja, o Senhor o condenou a morrer”. A Cabala faz eco desta tradição (livro Emek-Ammelehh, XI), que Sammael será castigado: “Nesse dia, Jehová visitará com sua terrível espada a Leviatã, a serpente insinuante, que é Sammael, e a Leviatã, a serpente sinuosa, que é Lilith. Esse texto nos diz que tão-somente Lilith está incluída no castigo junto com Sammael e não as outras três esposas, e que Lilith também apresenta o aspecto de serpente. O que se conclui é que ela está reprimida no inconsciente e, quando surge, coloca a sociedade paternalista em xeque. Assim, quando Eva convida Adão para comer a maçã, é das mãos de Lilith que a receberá. Eva, porém, à sua maneira, repetiria o gesto de rebelião de sua antecessora. Deus tinha permitido ao homem comer todas as frutas do jardim, com apenas uma exceção: “Mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis, 2,17). É exatamente essa interdição que é rompida por Eva. A versão canônica diz que a mulher assim procedeu tentada pela serpente, sob a alegação de que o consumo da fruta proibida a tornaria tão poderosa como Deus. Acreditando na pérfida serpente, Eva comeu do fruto proibido e convenceu o seu companheiro a fazer o mesmo. A punição por esse ato de desobediência original foi a perda da imortalidade; a partir de então, os homens tornaram-se mortais. Existem outras interpretações para esta história. Os teólogos modernos acreditam que a serpente foi a forma tomada pelo Demônio para tentar Eva. Existe também a crença de que Lilith teria se transformado em serpente para tentar Eva e se vingar de Adão. Uma terceira interpretação é a que faz parte de uma tradição judaica: “A serpente bíblica era um animal astucioso, que caminhava ereto sobre as duas pernas, falava e comia os mesmos alimentos que o homem. Quando viu como os anjos prestigiavam Adão, teve ciúme dele, e a visão do primeiro casal tendo relação sexual despertou na serpente o desejo por Eva. Por instigação de Satã ou Samael, ou, segundo algumas versões, possuída por ele, a serpente persuadiu Eva a comer o fruto proibido e seduziu-a. Como castigo, suas mãos e pernas foram cortadas e ela teve de se arrastar sobre o seu ventre, todo alimento que comia sabia a pó, e tornou-se eterna inimiga do homem.(…) Quando teve relação sexual com Eva, injetou sua peçonha nela e em todos os seus descendentes. Essa peçonha só foi removida do povo de Israel quando estavam no Monte Sinai e receberam a Torá.” (Unterman, 1992: 236). E também ao comer o fruto da Árvore, eles passaram a ter o dissernimento, o livre-arbítrio. Segundo o antropólogo Roque de Barros Laraia, o Gênesis é um mito de origem que busca explicar o surgimento do primeiro homem e como tal não difere muito de outros mitos, integrantes das diferentes cosmologias existentes, principalmente em dois pontos fundamentais: 1.O mito não visa à explicação do surgimento de toda a humanidade ¾ como depois foi sugerido pelos exegetas judaicos e cristãos ¾, mas apenas o surgimento de um povo específico, no caso os hebreus. Tal fato está confirmado pelo versículo 16 do capítulo 4: “E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Nod, da banda do oriente do Éden.” O versículo seguinte afirma que “Caim conheceu a sua mulher e ela concebeu, e pariu Enoch…” Há duas interpretações possíveis para esses dois versículos: a primeira é que o conheceu significa apenas ter relações sexuais e, portanto, Caim teria chegado ao leste do Éden já com uma companheira. Mas a interpretação mais plausível é que de fato tenha encontrado um outro povo. Isto é mais condizente com o estilo dos mitos de origens, marcados fortemente pelo etnocentrismo. 2.O mito narra a história do pecado original. É, portanto, semelhante às narrativas que mostram que o homem perdeu a imortalidade em função de sua própria culpa. Uma escolha mal feita, um ato de desobediência (como no Gênesis) ou uma ofensa a um ser sobrenatural. Os Tupi Guarani seriam imortais se a primeira mulher não tivesse duvidado dos poderes de Mahíra. O texto bíblico relata a dupla desobediência da mulher: Lilith não atende a convocação do Senhor para voltar para Adão; Eva come do fruto proibido e convence Adão a fazer o mesmo. A Visão dos Mistérios Órficos Dentro dos Mistérios Órficos, Nyx, um negro espírito alado, levantou-se do Vazio do Caos para deitar o ovo cósmico de prata contendo o dourado espírito alado do amor, Eros, também conhecido como Phanes – o Revelador, cuja beleza radiante iluminou a Terra. Nyx, a Mãe Noite primal, dentro de seu reino estrelado também deu à luz as Fates (Destinos), as Hespérides, as Fúrias e Nêmesis (George 1992: 112-117). Como a mitologia evoluiu, a precedência era classificada como dia e luz; todas as coisas sinônimas à noite escura ficaram exiladas ao chthonic (de khthonios – dentro ou fora da Terra), isto é: fertilidade, parto, abundância, colheitas, destino e morte, reino do submundo, regiões astrais, o mundo dos sonhos e a psique interna. Com efeito, Hecate desenvolveu-se como a guardiã desses lugares sombrios e solitários, e de seus inerentes Mistérios ocultos. Atos obscuros do mistério sexual, Kundalini, profecia, inspiração e adivinhação, todos vieram de dentro de seu dom. Criaturas da noite – corujas, cachorros e cavalos tornaram-se seus totens, assim como o fizeram todas as criaturas do submundo aquático – cobras, serpentes, aranhas, sapos e rãs. (Ibid) Como Dama da Transe-Formação, sua luz divina de gnose é secretada por seus poderes chthonicos de vida e morte; sua sexualidade voraz leva suas vítimas em um abraço profético de regeneração. Suas sacerdotisas legendárias levavam os agonizantes através de uma morte extática pelas suas convulsões orgásticas (George 1992: 111). Ultimamente ligada à lua negra, anteriormente Hecate sempre havia sido a deusa da iluminação da alma. Tempo e destino estão dentro de seu domínio; muitos de seus epítetos revelam seus inúmeros papéis e formas – Sábia, Rainha das Sombras, Senhora da Iniciação, Guardiã do Portal, Condutora de Almas, e A Brilhante (www.hecate.org.uk/history.html). Para os místicos, a Noite Escura é a profundeza do amor (Eros) e luz (Phanes). George (1992: 118) afirma que, dentro filosofia oriental, o preto representa o estado informe da matéria pura e um todo unificado, sem nenhuma separação. Isso é um truísmo refletido dentro da Nyx grega e da Nut egípcia; ambas carregam a mensagem eterna da matrix universal como uma expressão do verdadeiro amor (sabedoria e compreensão/compaixão), da qual a ignorância induz ao medo e vazio. Waterson (1999:190) recebeu muitas críticas dos acadêmicos por promover a idéia de que Hecate é derivada de Hekt, uma deusa egípcia de cabeça de sapo, deusa do nascimento, da morte e da ressurreição, parteira dos deuses, mas sua teoria é merecedora de uma melhor inspeção. Essa deusa primal criativa parece ter ajudado Osíris a se levantar dos mortos, precedendo o papel adotado por Ísis. Além disso, seu símbolo, o sapo, foi mais adiante adotado pelos cristãos para representar a ressurreição de Cristo. Foram encontrados em numerosas luminárias cerâmicas com a inscrição: “Eu sou a ressurreição”. O eminente egiptólogo Wallis Budge (1971: 63) explica que dentre os ritos fúnebres egípcios, o amuleto de sapo (juntamente com o escaravelho) era colocado sobre a múmia, para mostrar o poder de ressurreição de Hekt sobre o mesmo. Mais tarde, a mitologia grega revelou que Hecate, assim como Lúcifer/Lux (luz) nasce de Nyx/Nox (escuridão). Bem antes disso, contudo, ela era originalmente uma deidade da Trácia e foi adotada no panteão grego como uma Titã, uma deidade pré-olímpica. Ela era descrita como uma bonita donzela com cabelos adornados por estrelas que iluminavam as trevas. Sua tocha em chamas revelava seu papel como illuminatrix e Condutora (a que guia os mortos) através de seus três reinos – os Céus, Terra e os Mares/Mundo Subterrâneo. A Tomadora de Almas Como já foi demonstrado, somente mais tarde, quando foi consignada ao Inferno, Lilith assumiu o papel mais sinistro de tomadora de almas. Curiosamente, seu dia de festa é 13 de agosto, como uma deusa de fertilidade, e é um dia em que ela é propícia a evitar desastres que acontecem às colheitas. É notavelmente perto de 15 de agosto, quando acontece a festa da Santa Virgem Maria, a qual mais tarde assumiu essa função! Em cada uma de suas quatro mãos (às vezes seis), Hecate maneja um objeto: uma chave que destranca os mistérios ocultos e a sabedoria da vida após a morte; uma corda/flagelo que representa tanto o cordão umbilical (permitindo nascimento) e o laço (morte); e a adaga, o símbolo da verdadeira vontade, que corta a ilusão e divide a corda (permitindo o nascimento) e o laço (facilitando a libertação da alma). Em sua quarta mão (nesta ou ainda nas três restantes), ela eleva a tocha (ou tochas) de iluminação e iniciação. Assim pode-se ver que ela preenche todos os papéis de Creatrix, Illuminatrix e Initiatrix – a (verdadeira) Deusa Tripla (de tripla face) (George 1992: 142-45). Tanto Hecate quanto Hermes compartilham o papel de “Condutor de Almas” e “Protetor das Encruzilhadas” e caminhos secretos dos planos mentais e físicos. Hermes freqüentemente se posta de pé ao lado de Hectarea, uma forma tríplice de Hecate, completa com suas três cabeças e seis braços. Acredita-se que sejam amantes ou companheiros, e eles são curandeiros, protetores da energia lunar e arautos da morte. Fazendo a ponte entre os mundos, eles revelam o passado, o presente e o futuro simultaneamente, conferindo visões proféticas e comunicação ancestral. De seu mundo crepuscular de ilusões, seus dons de encantamento asseguram o arrebatamento e ventura de seus devotos. Outro epíteto bem menos conhecido é Hekatos, que significa “A Distante” (a Magia transportada pelo ar que atinge seu objetivo), o qual Hecate, como uma forma de Ártemis, divide com Apolo. As lendas também falam dela como um anjo fosforescente, brilhando nas trevas do submundo, onde sua luz hipnótica de transe-formação é revelada dentro dos montes de terra dos sepulcros decadentes dos mortos. Aqui se encontram suas fusões de papel com os de Perséfone e de Deméter, com a qual ela ficou associada dentro de mitos alternativos gregos. Vale relembrar que os gregos sempre viram Hecate como uma jovem donzela. Ela se tornou uma velha somente para os romanos (que julgaram seus papéis conectados aos assuntos de sangue feminino – nascimento e menstruação – como impuros) quando Ártemis e Se1ene a suplantaram nesta forma (Ibid). Martha Ann e Dorothy Myers-Imel (1993: 157) também nos fazem lembrar, dentro dos Mistérios de Elêusis, o papel de Brimo (a destruidora terrível da vida), que dá à luz a Brimos (o Salvador). Ela é associada com Cybele, Deméter, Perséfone e Hecate e é também a guia de Perséfone quando ela volta para o mundo da superfície, ao chegar do Inferno de Hades. Ainda assim é Phosphorous – aurora e crepúsculo, mãe e guardiã, a que traz a aurora da vida, nascimento e morte. Ela é a Estrela Matutina, a portadora da Gnose, a propylia – aquela que fica diante do portal, e propolos – a guardiã do limite e condutora, a líder do caminho (Robert von Rudolf, Horned Owl Library). Shani – Revista Online The Cauldron Brasil. Lilith nos lembra eternamente que as forças do “mal” respondem às forças da vida, e que tudo se equilibra – dia e noite, trevas e luz, masculino e feminino. Isso faz com que visualizemos o piso mosaico no centro dos nossos Templos Maçônicos. As leituras modernas do mito de Lilith, entretanto, destacam o seu aspecto revolucionário e mesmo feminista. Ela representa a revolta contra um sistema hierárquico injusto, que quer impor um domínio inquestionável e repressor do masculino sobre o feminino. Lilith é a representação da mulher indômita, selvagem, livre, vibrante de energia, pronta para viver a sua sexualidade de forma plena e prazerosa, sem medos nem vergonha, é a celebração do princípio feminino. Nota: Lilith é citada na Epopéia de Gilgamesh (aprox.2000 a.C.), no Antigo Testamento (Isaías 34:14) e em relatos da Torá assírio-babilônica e hebraica, dentre outras fontes históricas. Ela aparece no Zohar, ou Livro do Esplendor, uma obra cabalística do século XIII que constitui o mais influente texto hassídico, e no Talmude, o livro dos hebreus. Seus filhos demônios, os Lilins, são citados inclusive na versão sacerdotal da Bíblia. Outras fontes são o Alfabeto de Ben Sira (séculoVII), em que se inscreve a versão mais ingênua do mito, o Zohar (século XIII), que dá do mesmo a versão mais oculta, e a Cabala. Ir.’. Wagner Veneziani Costa •CAMPBELL, Joseph, MOYERS, Bill. O Poder do Mito. Palas Atena. •SINGER, Marian. O Livro Completo de Wicca e Bruxaria. Madras Editora – 2004 •As Deusas e a Mulher – Jean Shinoda Bolen. •Jardim do Éden Revisitado – Roque de Barros Laraia. •Lilith, a Lua Negra – Roberto Sicuteri. •O Livro de Lilith – Barbara Koltuv. •Os Mistérios da Mulher – M. Esther Harding. •Revista de Antropologia – Roque de Barros Laraia. •Rosane Volpatto – http://www.rosanevolpatto.trd.br/lilith.html