contos sol e lua

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A deusa Virgem-mãe do antigo Egito.


“Sonho, metafísica e poesia - tudo a um tempo”: assim T. Rundle Clark considera a mitologia egípcia. E se o mito era a única via de expressão das idéias sobre o Cosmos e sobre o Humano, nesses mais antigos estágios da humanidade, podemos entender porque as lendas e a religião egípcias surgem-nos, hoje, como simples, absurdas ou tão profundas. É que não há necessidade de coerência, de lógica, para os mitos.
No tocante a essa mitologia citada especificamente, sabe-se que funcionava como uma linguagem. Daí, as ações surgirem alteradas, reaparecerem com outros protagonistas, até, sem incorrer, isso, em trunfo do incoerente.
Verdade, também, que a linguagem sagrada fundamentou-se em certos princípios, ainda não cabalmente entendidos pela modernidade histórica. Um dos conceitos mais comuns do pensamento religioso do Antigo Egito, o da Alma, reconciliava a idéia de que “todo o poder pertence a Deus” com o sentimento que os egípcios tinham da “multiplicidade do mundo”. O que encontra fundamento no parecer de O. E. James, quando diz que “o estudo dos testemunhos arqueológicos revelou que a religião pré-histórica concentrou-se e desenvolveu-se em torno dos três fatos mais desconcertantes com que o homem primitivo teve de se defrontar no decurso de sua vida cotidiana: o nascimento, a morte e a obtenção dos meios de subsistência nas precárias condições em que vivia...”
Equívoco comum, do agora, é crer-se que toda a religião egípcia evidenciava um “culto da morte”. Nos períodos turbulentos do desmoronamento do Antigo Reino, surge um escrito, o Diálogo dos Angustiados, que precisa e exata o apego dos egípcios à vida. Trata-se do colóquio entre o homem e a própria alma. A “atualidade” do mesmo dissolve tempo e espaço: “O homem afirma que em tempos desesperados - em que a honestidade é caçoada, a honra espezinhada, a ânsia desregrada, quando não se pode confiar mais nem no irmão - a morte é a única solução desejada” - Federico A. Arborio Mella. E, nesse diálogo, a resposta da alma é: “A morte é sempre o pior dos males, o corpo jazerá inerte num túmulo luxuoso até que se deteriore, mas também o túmulo está destinado à ruína; nunca mais verá o Sol, não gozará mais da natureza. Escuta-me, esquece a pena e passa um dia feliz”.
Se a religião é um termo complexo, a antiga religião egípcia o é assim, especialmente: pela diversidade da civilização, bem como por penetrar e moldar todo o aspecto da vida. Os deuses estavam em toda parte, não havia dicotomias tais religião e ciência, clérigo e leigo. O rei era o Sumo-Sacerdote. Tudo pertencia à mesma ordem, não havia reinos distintos do ser. E o ritual constituía o “primeiro e mais característico sinal da religião”.
Também de modo original, essa religião surgiu diretamente dos costumes dos agricultores e pastores pré-históricos. É provável que o culto principal do povo pré-histórico fosse o da Deusa-Mãe (no começo, o céu). Essa adoração primitiva parece ter se mantido entre a plebe, até a grande expansão dos Mistérios de Ísis, nos séculos II e III a.C.
Paulo de Tarso dizia: “A letra, o espírito vivifica”. A tradição egípcia repousa, notadamente, em seus hieróglifos, ao contrário de outras culturas sobreviventes atlantes (lacedemônios, etruscos e druidas da Britânia), que se fixaram na tradição oral. Para os antigos egípcios, o criador real era a Palavra - a primitiva fala que proveio de Deus e da qual todas as coisas obtiveram seus nomes. A teologia egípcia padrão resume-se em: “A palavra é tudo o que é bom e justo”.
E a Senhora da Palavra é a deusa Ísis.
No passado nilótico houve, desde os inícios, a consciência de que havia um só Deus, do qual, mesmo Osíris, ao surgir no panteão egípcio, era apenas uma forma parcial - como religião primitiva, não admitia outra realidade que não Deus; portanto, todas as coisas são reflexos, ainda que distorcidos, da divindade. O “deus despedaçado” - Osíris -, portanto, como um deus masculino, constitui-se numa “especialização” da divindade maior, vez que esta transcende valores tais como masculino e feminino. Para Antônio Carlos Fanjani, quando o mito define o sexo de um deus, está “simplesmente ressaltando um dos aspectos da divindade, deixando o outro oculto, latente”.
Ísis, a contra-parte, o complemento de Osíris, encarna o princípio feminino.
Através dos seus tratados médicos, fica evidenciado o conhecimento que os egípcios tinham, de que os vasos sanguíneos nascem do coração, espalhando-se para todos os membros. Daí, para eles, o coração ser o órgão do pensamento, a “sede da mente”. O órgão onde se inscrevem carmicamente as ações dos indivíduos. Para esse povo antigo, era o coração que falava contra as pessoas no Juízo - que é o julgamento de cada um. Portanto, o órgão do Amor, por excelência.
E é como símbolo do Amor que essa deusa egípcia se agiganta: pareceu, sempre, digna, ao povo, pela sua dedicação conjugal, pela face de mãe ou como doadora de afeto genuíno.
Admitindo-se que o oriental, em particular os sumérios e antigos egípcios, experimentavam as variações climáticas das estações de forma mais dramática que os povos do ocidente, chegaremos a um dos elementos construtivos dos famosos Mistérios.
No Antigo reino do Nilo, a iniciação consistia no culto, ou seja, na compreensão da Grande Mãe: “Antes de se conhecer o Grande Negro, deve-se conhecer o Grande Verde” - que é Ísis. Não podemos entender Ísis e Osíris separados um do outro. Esta a causa d’Aquela de Muitos Nomes ter merecido o culto e a celebração de tantas pessoas, por todo o mundo antes; e no atual, sob a aparência da Virgem Maria (ambas são “compassivas libertadoras dos sofrimentos do mundo”).
No Papyrus de Turin, constatamos ser esta deusa a Mediadora entre o Celestial e o terreno. Dela, foi dito: “Aquela que amou os deuses; Aquela que melhor amou o reino dos espíritos”. Ocupava um lugar intermediário, na teogonia egípcia, tal como a própria terra de Khem, à época: ponte entre o passado primordial e o futuro secular e materialista, entre o Sagrado e o profano.
São palavras atribuídas à Deusa: “Revelei à humanidade iniciações místicas. Ensinei a reverência pelos deuses, estabeleci os templos”.
Todas as experiências dos Mistérios, em linhas gerais, convertiam-se em duas vertentes, que formavam a essência das revelações recebidas: naqueles chamados de Menores, ou Mistérios de Ísis, os candidatos conheciam a alma humana e resolviam o mistério da morte. Nos graus mais adiantados, os Maiores, ou Mistérios de Osíris, conheciam a Alma Divina: “Eram levados à comunhão pessoal com o Criador”. Revelava-se-lhes, então, a autêntica história da Atlântida, intimamente ligada à Queda do homem.
Há uma espécie de autobiografia, de Apuleio, escritor do século II, onde esse iniciado revela, desses Mistérios, “o que pode ser revelado”.
Plutarco escreveu: “... devemos ouvir as histórias e fábulas e aceitá-las de quem as interpreta, com espírito reverente e filosófico”.
O grego Platão testemunhou sobre esses Mistérios, assim: “Em consequência dessa divina iniciação, convertemo-nos em espectadores de benditas visões singulares, inerentes à luz pura, e nós mesmos nos purificamos e nos libertamos da roupagem que chamamos corpo, ao qual estamos agora ligados como uma ostra à sua concha”.
Na tradição egípcia, “aquele que conhece o Nome tem o Poder”. Por isso, também, Ela, Ísis, merece o cognome de Poderosa.
Tanto a religião como a magia egípcias tornaram-se inconcebíveis para o homem moderno, quando ele perdeu a capacidade de pensar, em termos simbólicos, de estabelecer verdades em uma linguagem análoga.
Certo é que, dadas manifestações do Uno ajudam mais que outras, num determinado período histórico. Falam a uma época fixa e a uma necessidade específica desse instante. Segundo Artur Versluis, isso foi - e, talvez, ainda o seja - o que se passou com a citada deusa egípcia.
Pausânias conta as histórias de dois homens que desejaram descobrir, por simples curiosidade, os Mistérios da Deusa. Ambos castigados, ao fim das narrativas, o autor conclui: “Não faz bem à humanidade ver os deuses em forma corporal”. E nós corroboramos sua afirmativa, com a frase: “O Sagrado Conhecimento se protege a si mesmo”. Razão especial porque devemos nos aproximarmos desses deuses antigos, com o máximo respeito e devoção. Eles estiveram esquecidos há tanto tempo que, só gradual e humildemente, conseguiremos ganhar-lhes outra vez a confiança.
Se admitirmos o Arquétipo como preexistente a toda experiência humana, pelo fato de pertencer ao plano imaterial, fica estabelecido que “o homem não cria os seus mitos, mas simplesmente os intui”.
Louvor e Serviço, pois, Àquela que de Si disse: “Eu sou tudo o que foi, é ou será, e jamais houve alguém que tenha retirado meu véu”.
Edna Duarte Dantas é advogada, escritora, cantora, artista plática, teosofista, rosa-cruz e maçona ligada à Ordem Maçônica Mista Le Droit Human
Revista ISIS, março de 1996

Fragmentos do Livro de Nod.


Eu sonho com os primeiros tempos; a memória mais longa; eu falo dos primeiros tempos; o mais velho Pai que eu canto dos primeiras tempos e o amanhecer da Escuridão. Em Nod, onde a luz do paraíso ilumina o céu noturno e as lágrimas de nossos pais molharam o solo, cada de nós, de algum modo, define viver e levar nosso alimento da terra.
E eu, Caim o primeiro-nascido, eu, com coisas afiadas, plantei as sementes, no escuro as molhei nas suas covas de terra, as assisti crescer; e Abel, o segundo-nascido Abel, cuidou os animais ajudado por seus herdeiros de sangue e alimentaram-se deles, os assistiam crescer.
Eu o amo, meu Irmão. Ele era o mais luminoso, o mais doce, o mais forte. Ele foi o primeiro motivo de toda minha alegria. Então um dia que nosso Pai disse a nós: Caim, Abel, sobre Mim vocês tem que fazer um sacrifício - um presente da primeira parte de tudo aquilo que vocês têm.
E eu, Caim o primeiro-nascido, eu juntei os brotos tenros, as frutas mais luminosas, a mais doce grama.
E Abel, o segundo-nascido, Abel sacrificou o mais jovem,
o mais forte, o mais doce dos seus animais.
No altar de nosso Pai nós pusemos nossos sacrifícios e acendemos fogo debaixo deles e assistimos que a fumaça os levasse até o único Acima. O sacrifício de Abel, o segundo-nascido, cheirou docemente ao único Acima e Abel foi santificado.
E, eu, Caim o primeiro-nascido, eu fui golpeado de além por uma palavra severa e uma maldição, por meu sacrifício ser desmerecido. Eu olhei o sacrifício de Abel, ainda fumegando, a carne, o sangue. Eu chorei, eu cerrei meus olhos eu rezei noite e dia; e quando o Pai disse: o tempo por sacrifício veio novamente e Abel conduziu seu mais jovem, seu mais doce, seu mais amado para o fogo sacrificatório, eu não levei o meu mais jovem, meu mais doce, porque eu sabia o único Acima não os quereria.
E meu irmão, amado Abel disse para mim, Caim, você não trouxe um sacrifício, um presente da primeira parte de sua alegria, para queimar no altar do único Acima. Eu chorei lágrimas de amor por mim e então, com ferramentas afiadas, sacrifiquei a que foi a primeira parte de minha alegria, meu irmão. O sangue de Abel cobriu o altar e cheirou docemente quando queimou. Mas meu Pai disse "Amaldiçoado é você, Caim que matou seu irmão". Eu fui expulso assim como deveria ser e Ele me exilou para vagar na Escuridão, na Terra de Nod. Eu voei na Escuridão; não vi fonte de luz e eu tive medo. Eu estava só.
A Magia de Lilith.
Eu estava só na Escuridão e eu tive fome. Eu estava só na Escuridão. E eu tive frio. Eu estava só na Escuridão e eu chorei. Então veio até mim uma doce voz, uma voz de mel. Palavras de auxílio. Palavras de conforto. Uma mulher, sombria e adorável, com olhos que perfuravam a escuridão, veio a mim.
Eu conheço sua história", Caim de Nod. Ela disse, sorrindo. "Você tem fome. Venha! Eu tenho comida. Você tem frio. Venha! Eu tenho roupas. Você está triste. Venha! Eu tenho conforto." Quem confortaria um amaldiçoado como eu? Quem me vestiria? Quem me alimentaria ? "Eu sou a primeira esposa de seu Pai, aquela que discordou com o único Acima e ganhou Liberdade na Escuridão. Eu sou Lilith. Uma vez, eu tive frio, e não havia nenhum calor para mim. Uma vez, eu tive fome, e não havia nenhuma comida para mim. Uma vez eu estava triste, e não havia nenhum conforto para mim.
Ela me alojou, ela me alimentou. Ela me vestiu. Nos braços dela, eu achei conforto. Eu chorei até sangue gotejou de meus olhos e ela os beijou. E eu morei durante um tempo na Casa de Lilith e lhe perguntei: "Fora da Escuridão, como você construiu este lugar? Como você fez roupas? Como você cultivou comida?" E Lilith sorriu e disse, ao contrário de você, eu estou "Acordada". Eu vejo as Linhas que giram ao redor de você. Eu faço o que eu preciso com Poder. "Desperte-me, então, Lilith" - eu disse. "Eu tenho necessidade deste Poder. Então, eu poderei fazer minhas próprias roupas, fazer minha própria comida, fazer minha própria casa." A preocupação dobrou as sobrancelha de Lilith. "Eu não sei o que fazer para você Despertar, porque você verdadeiramente é amaldiçoado por seu Pai. Você poderia morrer. Você poderia mudar para sempre." Caim disse: 'Mesmo assim, uma vida sem Poder não será pago vivendo. Eu morreria sem seus presentes. Eu não viverei como seu Thrallî." Lilith me amou, e eu soube isto. Lilith faria o que eu pedi, entretanto ela não desejou isto. E assim, Lilith, os olhos brilhantes de Lilith, me Despertaram. Ela se cortou com uma faca sangrou para mim em uma tigela. Eu bebi profundamente. Era doce. E então eu entrei no Abismo. eu caí eternamente, caindo na escuridão mais profunda.
A Tentação de Caim.
E para a Escuridão veio uma luz-fogo brilhando luminoso à noite. E o arcanjo o Michael se revelou para mim. Eu era destemido. Eu perguntei o que ele queria. Michael, General do Céu, portador da Chama Santa, disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva, seu crime é grande, e também a clemência de meu Pai é grande. Você não se arrependerá do mal que você fez, e deixará sua clemência lavá-lo para que fique limpo ?"
E eu disse a Michael: "Não por graça do único Acima, mas por minha própria vontade que eu vivo, com orgulho." Michael me amaldiçoou dizendo: "Então, que você caminhe nesta terra; você e suas crianças temerão minha chama viva, que morderá profundamente e saboreará sua carne. " E pela manhã„, Raphael veio de asas de lambent, iluminando o horizonte, o guia do Sol, vigia do Leste. Raphael disse: "Caim de Adão, filho de Eva, seu irmão Abel o perdoou de seu pecado; você se arrepende e aceita a clemência do Todo-Poderoso?" E eu disse a Raphael: "Não pelo perdão de Abel, mas pelo meu próprio perdão."
Raphael me amaldiçoou, dizendo "Então, que você caminhe nesta terra, você e suas crianças temerão o amanhecer, e os raios do sol irão queimá-lo como fogo onde quer que você se esconda. Esconda-se agora para o nascer do Sol levar sua ira até você". Mas eu achei um lugar secreto na terra e me escondi da luz ardente do Sol. Profundamente na terra, eu dormi até a Luz do Mundo ser escondida atrás da montanha da Noite. Quando eu despertei de meu dia de sono, eu ouvi o som de suaves asas avançando e eu vi as asas negras de Uriel estendidas ao redor de mim - Uriel, ceifeiro, anjo de Morte, Uriel Sombrio que mora na escuridão. Uriel falou quietamente a mim, dizendo: "Filho de Adão, Filho de Eva, o Deus Todo-Poderoso o perdoou de seu pecado. Você aceitará sua clemência e me deixará levá-lo de volta, já não amaldiçoado ?"
E eu disse a Uriel escuro alado: "Não pela clemência de Deus, mas minha própria vontade que eu vivo. Eu sou o que eu sou, eu fiz o que eu fiz, e isso nunca mudará." E então, por Uriel o terrível Deus Todo Poderoso me amaldiçoou, dizendo: "Então, para que você caminhe nesta terra, você e suas crianças se agarrarão a Escuridão. Você só beberá sangue. Você só comerá cinzas. Você sempre será como você estava na morte. Nunca morrerá, se mantendo vivo. Você entrará para sempre na Escuridão, tudo que você tocar irá se tornar em nada, até os últimos dias."
Eu dei um grito de angústia a esta maldição terrível e rasguei a minha carne. Eu chorei sangue. Eu peguei as lágrimas em uma xícara e as bebi. Quando eu observei minha bebida pesadamente, o arcanjo Gabriel, Gabriel gentil, Gabriel o senhor da clemência, apareceu a mim. O arcanjo Gabriel disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva – vá! A clemência do Pai é maior que você sempre soube, agora há um caminho aberto, uma estrada de clemência que você chamará de Golconda e fala para suas crianças disto, para que seguindo esta estrada possam morar na Luz uma vez mais." E com isso, a escuridão foi erguida como um véu e a única luz eram os olhos luminosos de Lilith. Olhando ao redor de mim, eu soube que tinha Despertado.
Quando minhas primeiras energias surgiram através de mim eu descobri como me mover como o raio [Celeridade], como obter a força da terra [Potência], como ser como pedra [Resistência]. Lilith então mostrou para mim, como ela se esconde de caçadores [Ofuscação], como ela ordena obediência [Dominação], e como ela exige respeito [Presença]. Então, despertando-me adiante, eu achei o modo para alterar formas [Metamorfose], o modo de ter domínio sobre animais [Animalismo], o modo para fazer olhos ver o passado [Auspícios].
Então Lilith mandou que eu parasse, dizendo que eu tinha alcançado meus limites. Que eu tinha ido muito distante. Que eu ameacei minha essência. Ela usou seus poderes e me comandou que parasse. Por causa do seu poder, eu atendi, mas profundamente dentro de mim uma semente foi plantada, uma semente de rebelião e quando ela virou sua face para mim, eu me abri mais uma vez, para a Noite, e vi as possibilidades infinitas nas estrelas e soube que um caminho de poder, um caminho de Sangue eu tomei, e assim despertado em mim este Caminho Final, do qual todos os outros caminhos cresceriam. Com este mais novo poder, eu quebrei os laços que a Senhora da Noite que me vestiu. Eu deixei a Rainha Maldita naquela noite, me escondendo nas sombras, eu fugi as terras de Nod e vim para um lugar onde os demônios dela não poderiam me achar.
Do Livro de Nod. As Crônicas de Caim.

AS PALAVRAS DE CAIM APÓS O DILÚVIO.


É chegada a hora,
Minhas Crianças,
De me despedir da noite.
Porém saibam que não os abandono.
Aguardem a época em que me juntarei a vocês novamente
Após terem aprendido o preço
De sua vaidade, pecado e orgulho.
E marquem bem os sinais de minha volta
Pois não pretendo deixar os afazeres de minha casa
Para serem maculados pelas Crianças de Seth.

A CONFISSÃO DE CAIM AO COLO DE LILITH.

E eu viajei por séculos antes de encontrar
A primeira esposa de meu pai
De quem o sangue bebi
Apesar dela estar Desperta então.
"Eu preciso falar com Aquele Acima de Nós", eu falei
E ela sorriu.
"Fale com Ele," disse ela,
"Mas saiba que ele te deu as costas
Pelo seu pecado."
Nisso eu chorei treze lágrimas de sangue
E nomeei cada uma enquanto caíam
Quando Lilith falou:
"Por que chama pelos nomes de nossos filhos?
Eles não podem
E não irão
ajudá-lo.
Eles não são nada além de outros pecados
Cometidos para tornar a morte do doce Abel
Menos afiada em seu coração frio."
E para ela eu falei
"Minha mãe, minha amante,
Eu nada posso sentir.
Nós os criamos para me deixar feliz
E então eles me arrastam para o [inferno]."

AS PALAVRAS DE CAIM ANTES DE ENTRAR NA TERRA.

E eu cresci cansado,
Meu coração morto pesa com tudo o que fiz.
Então peço para dormir até que meus erros
Tenham se corrigidos.
Com a faca de Lilith eu me corto e declamo:
"Desses ferimentos abertos
A vida deve vir da morte,
Enquanto a última filha
Que carrega a marca da lua,
Mande o veneno de [Lasombra] para as cinzas,
Mande as crias de [Gangrel] para a pedra fria,
Infeste o ninho de [Nosferatu] com [cobras] e abatam sua mulher,
E fure o resto de meus netos
Com o fogo dos sábios."
Com essas palavras, eu afundo
Abraçado pelos frios braços do
Jardim de Lilith.
Por favor [Deus]
Apague minha loucura
E acabe com isso.
Retirado do Nights of Profecy, White Wolf 2000.
Tradução automática.Via ferramentas de idiomas.

domingo, 7 de novembro de 2010

Os Filhos de Caim.Lendas Maçônicas .


A lenda Maçônica tem pontos de desacordo, como também de acordo, com a história da Bíblia. Relata que Jeová criou Eva, que o Espírito Lucífero Samael uniu-se a ela, mas que foi expulso por Jeová e forçado a deixá-la antes do nascimento do seu filho Caim, que ficou sendo assim o filho de uma viúva.
Então, Jeová criou Adão, para ser marido de Eva, e dessa união nasceu Abel. Por conseguinte, desde o princípio, tem havido dois tipos de pessoas no mundo. Um, gerado pelo espírito de Lúcifer, Samael e possuidor de uma natureza semi-divina, Por outro lado, Abel, o descendente humano de pais humanos.
Lembremo-nos que, de acordo com a Bíblia, o espírito de Lúcifer apareceu a Eva como uma serpente, um filho da Sabedoria. Caim, de acordo com a lenda maçônica, nasceu desta união com Eva. É relatado, também, que o espírito de Lúcifer abandonou Eva, que tornou-se assim uma viúva e Caim era, portanto, o filho do espírito de Lúcifer, a serpente da Sabedoria e de Eva, a viúva. Todo Iniciado tem, até hoje, o símbolo da serpente em sua fronte e é conhecido por seus companheiros por aquele sinal como um filho da viúva e do espírito de Lúcifer.
Adão e Eva se uniram e geraram um filho, humano como eles, cujo nome era Abel. Jeová, por ser o Deus Lunar, está associado à água, daí ter havido inimizade entre Caim, o Filho do Fogo, e Abel, o Filho da Água. Caim, então, matou Abel e Abel foi substituído por Seth.
Os Filhos de Caim tornaram-se os artesãos do mundo, hábeis no uso do fogo e do metal. O ideal deles era masculino.
Os Filhos de Seth, por outro lado, tornaram-se clérigos, que defendiam um ideal feminino, a Virgem Maria, e que regiam seu povo através da água mágica colocada nas portas de seus templos.
Várias tentativas foram feitas para unir as duas correntes da humanidade e emancipá-las de seus progenitores, Jeová e os espíritos Lucíferos.
Christian Rosenkreuz ficou encarregado dos Filhos de Caim, que procuram a luz do conhecimento no fogo sagrado do Santuário Místico. Da mesma forma que a energia criadora implantada por seu divino antepassado Samael fez com que Caim trabalhasse e criasse, assim também, essa mesma necessidade espiritual induz seus descendentes a elaborar sua própria salvação através do fogo , confeccionando o Dourado Manto Nupcial, que é o "Abre-te-Sésamo" para o Mundo Invisível
Este é o grande Ideal proclamado pela Fraternidade Rosacruz, um Ideal que indica o caminho mais curto para o Novo Céu e a Nova Terra, onde os Filhos de Caim e os Filhos de Seth finalmente serão unidos.Wikepédia.

O que é Maçonaria.


Maçonaria é uma instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista.
É filosófica porque em seus atos e cerimônias ela trata da essência, propriedades e efeitos das causas naturais. Investiga as leias da Natureza e relaciona as primeiras bases da moral e da ética pura.
É filantrópica porque não está constituída para obter lucro de nenhuma classe, pelo contrário, suas arrecadações e seus recursos se destinam ao bem estar do gênero humano, sem distinção de nacionalidade, sexo, religião ou raça. Procura conseguir a felicidade dos homens por meio da elevação espiritual e pela tranqüilidade da consciência.
É progressista porque, partindo do princípio da imortalidade do espírito e da crença em um princípio criador regular e infinito, não se aferra a dogmas, prevenções ou superstições e não opõe nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade, nem reconhece outro limite nessa busca senão a da razão com base na ciência.
Princípios.
A liberdade dos indivíduos e dos grupos humanos, sejam eles instituições, raças ou nações; a igualdade de direitos e obrigações dos seres e grupos sem distinguir a religião, raça ou nacionalidade; a fraternidade de todos os homens, já que somos todos filhos do mesmo Criador e, portanto, irmãos.
Lema.
Ciência, Justiça e Trabalho. Ciência para esclarecer os espíritos e elevá-los; Justiça, para equilibrar e enaltecer as relações humanas; e Trabalho por meio do qual os homens se dignificam e se tornam independentes.
Objetivo.
Seu objetivo é a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes.
A moral é, para a Maçonaria, uma ciência baseada no entendimento humano. É a lei natural e universal que rege todos os seres racionais e livres. É a demonstração científica da consciência. E essa maravilhosa ciência nos ensina nossos deveres e a razão do uso dos nossos direitos. Ao penetrar a moral no mais profundo da nossa alma sentimos o triunfo da Verdade e da Justiça.
Virtude.
A Maçonaria entende que a Virtude é a força que nos impele a fazer o bem em seu mais amplo sentido; é a força que nos impele ao cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a nossa família sem interesse pessoal.
Dever.
A Maçonaria resume o Dever do homem assim: "Respeito a Deus, amor ao próximo e dedicação à família". Em verdade, essa é a maior síntese da fraternidade universal.
É religiosa?
Sim, é religiosa porque reconhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual dá o nome de Grande Arquiteto do Universo; é religiosa porque é uma entidade espiritualista em contraposição ao predomínio do materialismo. Estes fatores, indispensáveis para a interpretação lógica do Universo, formam a base de sustentação e são as grandes diretrizes de toda a ideologia e atividade maçônica.
É uma religião?
A Maçonaria não é uma religião. É uma sociedade que tem por objetivo unir os homens, no sentido mais amplo e elevado do termo e, nesse seu esforço de união dos homens, admite em seu seio pessoas de todos os credos religiosos sem nenhuma distinção. É necessário renunciar a religião a qual se segue?
Não, porque a Maçonaria abriga em seu seio homens de qualquer religião, desde que acreditem em um só Criador. A afirmação de que era necessário renunciar a religião para ser recebido Maçom foi feita e acreditada como verdade, pela perseguição da Inquisição, na Idade Média, com alguns resquícios até os dias atuais, principalmente entre os membros da comunidade Católica mas, ilustres prelados tem pertencido à Ordem Maçônica como, por exemplo, o Cura Hidalgo, Paladino da Liberdade Mexicana; o Padre Calvo, fundador da Maçonaria na América Central; o Arcebispo da Venezuela, Don Ramon Ignácio Mendez; o Padre Diogo Antonio Feijó; Cônegos Luiz vieira, José da Silva de Oliveira Rolin, da Inconfidência Mineira, Frei Miguelino, Frei Caneca e muitos outros. Ilustres foram Maçons?
Filósofos como Voltaire, Goethe e Lessing; músicos como Beethoven, Haydn e Mozart; militares como Frederico, o Grande, Napoleão e Garibaldi; poetas como Byron, Lmartine e Hugo; escritores como Castellar, Mazzini e Espling.
Na América houve. Os libertadores da América foram todos Maçons. Washington nos Estados Unidos; Miranda, o Padre da Liberdade sul-americana; San Martin e O'Higgins, na Argentina; Bolivar, no norte da América do Sul, Marti, em Cuba; Benito Juarez, no México e o Imperador D. Pedro I, no Brasil.
Destaque no Brasil que foram Maçons.
D. Pedro I, José Bonifácio, Gonçalves Lêdo, Luis Álves de Lima e Silva (Duque de Caxias), Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Salles, rodrigues Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Washington Luiz, rui Barbosa e muitos outros.
A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus membros a mais ampla tolerância. Respeita as opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis, rechaçando toda pretensão de outorgar situações de privilégio a qualquer uma delas em particular.
A Maçonaria combate.
A ignorância, a superstição, o fanatismo, o orgulho, a intemperança, o vício, a discórdia, a dominação e os privilégios.
É uma sociedade secreta?
Não. Pela simples razão de que sua existência é amplamente conhecida. As autoridades de vários países lhe concedem personalidade jurídica. Seus fins são amplamente difundidos em dicionários, enciclopédias, livros de história etc. O único segredo que existe e não se conhece senão por meio do ingresso na instituição, são os meios usado pelos Maçons para se reconhecerem entre si, em qualquer parte do mundo e o modo de interpretar seus símbolos e os ensinamentos neles contidos.
Principais obras da Maçonaria no Brasil.
A Independência, a Abolição da Escravatura e a República. Isto para citar somente os três maiores feitos da nossa história nos quais os Maçons tomara parte ativa. Condições indispensáveis para poder pertencer à Maçonaria.
Crer na existência de um princípio Criador; ser homem livre e de bons costumes; ser consciente de seus deveres para com a Pátria, seus semelhantes e consigo mesmo; ter uma profissão ou ofício lícito e honrado que permita prover as suas necessidades pessoais, de sua família e a sustentação das obras da instituição; ser convidado por um Maçom e aprovado pelos demais.
Que se exige dos Maçons.
Em princípio, tudo aquilo que se exige para o ingresso em qualquer outra instituição: respeito aos seus estatutos e regulamentos, além de acatamento às resoluções da maioria, tomadas de acordo com os seus princípios que as regem os quais, no caso da Maçonaria, são: "amor à Pátria, respeito aos governos legalmente constituídos e às leis do país". Em particular, se exige: a guarda do sigilo dos rituais maçônicos; conduta correta e digna dentro e fora da Maçonaria; dedicação de parte do seu tempo para assistir às reuniões maçônicas; prática da moral, da igualdade e da solidariedade humana e da justiça em toda sua plenitude. Além disso, proíbe terminantemente dentro da instituição, ou em seu nome, as discussões político partidárias ou religiosas sectárias, porque prefere uma ampla base de entendimento evitando que sejam divididos por pequenas questões da vida civil.
Templo Maçônico.
É um lugar onde se reúnem os Maçons periodicamente para praticar as cerimônias ritualísticas que lhe são permitidas, em um ambiente fraternal e propício pra concentrar suas atenções e esforços para melhorar seus caráter e espírito, desenvolvendo seu sentimento de responsabilidade, fazendo-lhes meditar tranqüilamente sobre a missão dos homens na vida e recordando-lhes constantemente os valores eternos cujo cultivo lhes possibilitará acerar-se da Verdade.
Que se obtém sendo Maçom.
A possibilidade de se aperfeiçoar, de se instruir, de se disciplinar, de conviver com pessoas que por suas palavras e obras podem se constituir de exemplos, de encontrar afetos fraternais em qualquer lugar do mundo, de ter a enorme satisfação de haver contribuído, mesmo em pequena parcela, para a obra moral e grandiosa do desenvolvimento humano. A Maçonaria não considera possível o progresso senão com base do respeito à personalidade, à justiça social e a mais estreita solidariedade entre os homens. Ostenta o seu lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" com a abstenção das bandeiras políticas e religiosas. O segredo maçônico, que de má fé e caluniosamente tem se servido os seus inimigos para fazê-la suspeita entre os espíritos cândidos ou em decadência não é um dogma senão um procedimento, uma garantia, uma defesa necessária e legítima, como inevitavelmente tem sucedido com todo direito e seu dever correlativo, o preceito das reservas maçônicas já tem experimentado sua evolução nos tempo e segundo os países. A Maçonaria não tem preconceito de poderes e nem admite em seu seio pessoa que não tenha um mínimo de cultura que lhes permitam praticar os seus sentimentos e tenham uma profissão ou renda com que possam atender às necessidades dos seus familiares, fazer face às despesas da sociedade e socorros aos necessitados.
É uma organização cristã?
Caso a Maçonaria fosse simplesmente uma instituição cristã, os judeus e os muçulmanos, os hindus e os budistas não poderiam conscientemente fazer parte de sua iluminação. A Maçonaria não é cristã, nem é uma substituta para o cristianismo.
O livro sagrado sobre os altares não precisa ser necessariamente uma bíblia, é apenas uma testemunha silenciosa de uma crença em uma realidade superior. Maçons judeus utilizam o Torah, os muçulmanos o Corão. A Maçonaria não tem nada que ver com a Bíblia; não está baseada na Bíblia, pois, se estivesse, não seria Maçonaria, seria alguma outra coisa. Ocultismo.
A Maçonaria está em busca da Luz. Essa busca leva-nos direto, como você pode ver, à Cabala. Todas as religiões verdadeiramente dogmáticas surgiram da Cabala e retornam a ela; tudo científico e grandioso nos sonhos religiosos dos Iluministas, todas as associações maçônicas devem a ela seus segredos e seus símbolos. Nos ritos modernos encontramos termos e expressões que também são empregados na Maçonaria, na Alvorada Dourada, e outras sociedades ocultistas. Muitos membros possuem uma forte formação ocultista. Existe uma série de ocultistas célebres que foram maçons de boa posição, entre eles: Eliphas Levi, Arthur Edward Waite, Dr. Wynn Westcott, S. L. MacGregor Mathers, Dr. Gerard Encausse, Aleister Crowley, Dr. Theodore Reuss, George Pickingil, Manly P. Hall, Gerald B. Gardner, Alex Sanders, entre outros.
Que a Maçonaria ensina sobre Deus.
O que precisamos dizer para a multidão é: "Adoramos a um deus, mas é um deus adorado sem supertição." A religião maçônica deve ser, por todos os iniciados nos graus mais elevados, mantida na pureza da doutrina luciferiana.
Maçonaria é Satânica?
Absolutamente não. A doutrina do satanismo é apenas uma heresia da igreja cristã; mas a religião pura e verdadeira é a a iluminação de Lúcifer, que é igual a Adonai. LÚCIFER não é um diabo, muito menos “O Diabo”, mas sim o portador da luz. Para os iniciados, não é uma Pessoa, mas uma Força... Ele é a Estrela da Manhã, e desta forma é idêntico por exemplo a figura de Cristo.
mulheres na Maçonaria.
Contrariamente à crença popular, as mulheres também podem ingressar na Maçonaria. No livro de Albert Mackey, Encyclopedia of Masonry, (pg 307), há uma lei da Maçonaria que é conhecida como Lei de Salique. Ela diz que as mulheres não podem se tornar maçons; no entanto, no passado, algumas mulheres foram aceitas. Alguns exemplos são.
A nobre Sra. Aldsworth - por volta de 1735, recebeu o primeiro e o segundo graus na Loja 44, em Doneraile, Irlanda.
Sra. Beaton - morava e recebeu sua iniciação em Norfolk, Inglaterra.
Madame de Xaintrailles - iniciada na Loja Francesa durante o final do século XIX.
Elizabeth St. Leger - iniciada em 1710, aos dezessete anos.
Condessa Barkoczy, da Hungria - foi iniciada na Loja Húngara da Maçonaria.
Existe hoje uma corrente forte para a retomada das mulheres dentro da maçonaria, e na prática isso já acontece em algumas lojas. Em algumas décadas isso deverá ser novamente considerado algo absolutamente normal novamente.
Exemplos de mulheres ocultistas que pertenceram à Maçonaria.
Certamente, podemos citar os casos especiais de Heena Petrovna Blavatsky, Annie Besant, Alice A. Bailey entre outras.F.P.Wikepédia.

O profano iniciante.Maçonaria.


O profano (iniciante) aproxima-se lentamente com os olhos vendados. Ao entrar na loja, o irmão “experto” toca-lhe o peito com a ponta de uma espada. Então, segue o seguinte interrogatório.
O Venerável pergunta: – Vês alguma coisa, senhor?
Resposta do profano é imediata: – Não, senhor.
Venerável prossegue: – Sentes alguma impressão?
Profano: – O contato de um objeto aguçado sobre o peito.
Venerável: – A arma cuja ponta sentes simboliza o remorso que há de perseguir-vos se fordes traidor à associação a que desejais pertencer. O estado de cegueira em que vos achais é o símbolo do mortal que não conhece a estrada da virtude que ides principiar a percorrer. O que quereis de nós, senhor?
Profano: – Ser recebido maçom.
Venerável: – E esse desejo é filho de vosso coração, sem nenhum constrangimento ou sugestão?
Profano: – Sim, senhor.
Venerável: – Previno-vos, senhor, que a nossa ordem exigirá de vós um compromisso solene e terrível... Se vos tornardes maçom, encontrareis em nossos símbolos a terrível realidade do dever.
Depois de submetido a muitas indagações, o profano é conduzido ao altar dos juramentos e ajoelha-se com o joelho esquerdo, pondo a mão direita sobre a constituição e a Bíblia, que devem ter em cima a espada. À mão esquerda, o profano segura o compasso, apoiando-o no lado esquerdo do peito. Daí, todos se levantam e ouvem o seguinte juramento:
Eu, (nome), juro e prometo, de minha livre e espontânea vontade, pela minha honra e pala minha fé, em presença do Supremo Arquiteto do Universo, que é Deus perante esta assembléia de maçons, solene e sinceramente, nunca revelar quaisquer dos mistérios que sempre ocultarei e nunca revelarei qualquer uma das artes secretas, partes ou pontos dos mistérios ocultos da maçonaria que me vão ser confiados, senão a um bom e legítimo irmão ou em loja regularmente constituída, nunca os escrever, gravar, traçar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Juro também ajudar e defender meus irmãos em tudo o que puder e for necessário, e reconhecer como Potência Maçônica regular e legal no Brasil o Grande Oriente do Brasil, ao qual prestarei obediência. Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado, e meu corpo enterrado nas areias do mar, onde o fluxo e o refluxo das ondas me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrílego para com Deus, e desonrado para com todos os homens. Amém”.
Em seguida, o neófito é conduzido para uma sala contígua ao templo, onde já se encontram colocadas duas urnas com espírito de vinho aceso. Deitado no chão, sobre um pano preto, deve estar um irmão (maçon), como se estivesse morto, amortalhado com a capa do 1º Experto. Todos os irmãos estarão de pé, sem insígnias, e armados de espada que apontam o neófito. Este é então desvendado pelo Venerável e encontra-se subitamente num ambiente lúgubre, com inúmeras espadas voltadas para ele. E ouve as graves admoestações do Venerável:
Este clarão pálido e lúgubre é o emblema do fogo sombrio que há de alumiar a vingança que preparamos aos covardes que perjuram. Essas espadas, contra vós dirigidas, estão nas mãos de inimigos irrecon-ciliáveis, prontos a embainhá-las no vosso peito se fordes tão infeliz que violeis vosso juramento.
Como bem se expressa o Dr. Boaventura Kloppenburg, temos de ponderar que não estamos lendo alguma peça teatral, nem um documento antigo de sombrias épocas de sangue e vingança, mas o ritual prescrito para iniciação no primeiro grau da maçonaria.
A pergunta que não quer calar: “Pode o cristão submeter-se a um ritual e juramento imbuídos de aspectos explicitamente condenáveis pela Palavra de Deus? Como imaginar até mesmo um pastor diante desse sacramento de iniciação maçônico? Como congregar, sob o mesmo teto, evangélicos, espíritas, muçulmanos, umbandistas, católicos, budistas, entre outros grupos religiosos, em nome de uma entidade divina conhecida pelo título de ‘Grande Arquiteto do Universo’? Será que tais pessoas estão de fato adorando o Deus de Abraão, Isaque e Jacó? Ou seja, o Deus da Bíblia?.
Por exemplo, um cristão indo a um templo hindu para participar de uma cerimônia? Tal cristão poderia presumir que, seguindo os rituais hindus, estaria adorando a Jesus, ainda que participando de uma oração grupal a Vishnu?
Ainda, que os hindus concordem em mudar o nome Vishnu para Grande Arquiteto do Universo. Ainda que façam isso, certos elementos dos rituais da adoração pagã, como, por exemplo, andar ou dançar em círculos, hão de permanecer. Com a substituição do nome “divino”, seria então aceitável ao cristão participar de uma cerimônia de adoração hindu? E se porventura os hindus permitissem ao cristão participar da liturgia, dos rituais e fazer as orações hindus em nome de Jesus, tal adoração tornar-se-ia cristã?
Escrevendo aos irmãos de Corinto, o apóstolo Paulo disse o seguinte:
Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou irritaremos o Senhor? Somos nós mais fortes do que ele?” (1Co 10.20-22).
Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis. Pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que consenso há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Pois vós sois o santuário do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor. Não toqueis nada imundo, e eu vos receberei” (2Co 6.14-17).
Para abonar essa contestação, devemos antes conhecer alguns segredos dessa entidade tão secreta. Primeiramente, analisaremos vários trechos de livros e manuais da maçonaria, embora muitas obras de sua autoria ainda permaneçam na obscuridade para os de fora. Como referência, tomaremos os livros atuais (nacionais e internacionais), escritos por maçons do mais alto grau, que descrevem o que ocorre dentro das lojas. Ainda que algum maçom negue a autoridade absoluta desse ou daquele autor maçônico, não poderá, no entanto, negar que tais escritos representam a prática e o ensino da maçonaria brasileira e mundial. A análise que faremos será à luz da Bíblia, a única regra de fé e prática dos cristãos evangélicos (2Tm 3.16,17).
P.feita na Wikepédia.

sábado, 6 de novembro de 2010

A cabala de Eliphas Levi.


PRIMEIRA LIÇÃO.
Senhor e irmão: Posso conferir-vos este título posto que buscais a verdade na sinceridade de vosso coração e que estais disposto a fazer os sacrifícios que se façam necessários para alcançar o fim colimado. Sendo a verdade a própria essência daquilo que não é difícil encontrar, está em nós e nós estamos nela; é como a luz que os cegos não vêem. O Ser é. Isto é incontestável e absoluto. A idéia exata do Ser é a verdade, seu conhecimento é a ciência; sua expressão ideal é a razão; sua atividade é a criação e a justiça. Dizeis que desejais crer. Para tanto basta conhecer e amar a verdade. Porque a verdadeira fé é a adesão inquebrantável às deduções necessárias da ciência no infinito conjetural. As ciências ocultas são as únicas que dão a certeza, porque tomam por base as realidades e não as ilusões.
Estas cartas foram facilitadas por um discípulo de Eliphas Levi: M. Montaut. Permitem discemir em cada símbolo religioso a verdade e a mentira. A verdade é a mesma em qualquer lugar e a mentira varia, segundo os lugares, os tempos e as pessoas. Estas ciências são em número de três: a Cabala, a Magia e o Hermetismo. A Cabala, ou ciência tradicional dos Hebreus, poderia ser chamada de matemática do pensamento humano. É a álgebra da fé. Resolve, com suas equações todos os problemas da alma, isolando as incógnitas. Dá às idéias a sensatez e a rigorosa exatidão dos números; seus resultados são a infalibilidade da mente (sempre relativa na esfera dos conhecimentos humanos) e a paz profunda do coração.
A Magia, ou ciência dos magos, teve como representantes na antiguidade os discípulos e talvez os mestres de Zoroastro. É o conhecimento das leis secretas da natureza que produzem as forças ocultas dos ímãs naturais ou artificiais, e dos que podem existir ainda fora do mundo dos metais. Numa palavra e para empregar uma expressão moderna, é a ciência do magnetismo universal.
O Hermetismo é a ciência da natureza oculta dos hieróglifos e dos símbolos do mundo antigo. É a investigação do princípio de vida pelo sonho (para os que ainda não chegaram a ele), a realização da grande obra, a reprodução pelo homem do fogo natural e divino que cria e regenera os seres. Eis aí, senhor, as coisas que desejais estudar: seu círculo é imenso, porém seus princípios são muito simples e estão contidos nos números e nas letras do alfabeto. "É um trabalho de Hércules semelhante a um jogo de crianças", dizem os mestres da santa ciência.
Os requisitos para se sair airosamente deste estudo são uma grande retidão de juízo e amplo ecletismo. Não se pode ter preconceitos e razão por que Cristo dizia: "Se não tiverdes a simplicidade da criança, não entrareis em Maikubt", isto é, no reino da ciência. Começaremos pela Cabala, cuja divisão é: Berechit, Mercava, Gematria e Temura.Vosso na sagrada ciência.
SEGUNDA LIÇÃO.
A CABALA. OBJETO E MÉTODO.
A proposição que deveis fazer-vos ao estudar a Cabala é chegar à paz profunda, através da tranqüilidade do espírito e paz do coração. A tranqüilidade do espírito é um efeito da certeza; o sossego do coração deve-se à paciência e à fé. Sem a fé, a ciência conduz à dúvida; sem a ciência, a fé conduz à superstição. As duas unidas produzem a certeza e, para juntá-las, não é preciso confundi-las.
O objeto da fé é a hipótese e chega a converter-se em certeza quando a hipótese exige a evidência ou as demonstrações da ciência. A ciência é comprovada com fatos. As leis são inferidas da repetição dos fatos. A generalidade dos fatos em presença de tal ou qual força demonstra a existência das leis. As leis inteligentes são necessariamente desejadas e dirigidas pela inteligência. A unidade das leis faz supor a unidade da inteligência legisladora. A esta inteligência, que estamos obrigados a supor segundo as obras manifestas, mas que não é possível definir, é que chamamos Deus.
A minha carta chegou a vossas mãos; eis aqui um fato evidente; a minha escrita foi reconhecida, bem como meu pensamento, e deduzistes disso que fui eu quem vos escreveu. É uma hipótese razoável, porém a hipótese necessária é a de que alguém escreveu a carta. Poderia ser apócrifa, porém não tendes razão para supô-lo. Se pretendêsseis que a carta tivesse caído do céu, estaríeis beirando o absurdo, estabelecendo uma hipótese absurda. Segundo o método cabalístico, como se organiza a certeza:
Evidência. Demonstração científica. certeza Hipótese
necessária. Hipótese razoável. Probabilidade
Hipótese duvidosa. Dúvida Hipótese absurda. Erro.
Não saindo deste método, o espírito adquire uma verdadeira infalibilidade, posto que afirma o que sabe, crê no que deve necessariamente supor, admite as suposições razoáveis, examina as suposições duvidosas e afasta as absurdas.
Toda a Cabala está contida no que os mestres chamaram as trinta e duas vias e as
cinqüenta portas. As trinta e duas vias são trinta e duas idéias absolutas e reais unidas aos dez
Números da aritmética e as vinte e duas letras do alfabeto hebraico.
Eis aqui estas idéias:
Números
1 . Supremo poder.
2 . Sabedoria absoluta.
3 . Inteligência infinita.
4 . Bondade.
5 . Justiça ou rigor.
6 . Beleza
7 . Vitória.
8 . Eternidade.
9 . Fecundidade.
l0. - Realidade.
Letras.
Aleph – Pai
Beth – Mãe
Ghimel – Natureza
Daleth – Autoridade
Hé – Religião
Vau – Propriedade
Zain – Liberdade
Cheth – Repartição
Theth – Prudência
Iod – Ordem
Caph – Força
Lamed – Sacrifício
Mem – Morte
Nun – Reversibilidade
Samech - Ser universal
Snain – Equillbrio
Phé – Imortalidade
Tsade - Sombra e reflexo
Koph – Luz
Shin – Providência
Tau – Síntese
Vosso na sagrada ciência.
TERCEIRA LIÇÃO.
USO DO MÉTODO.
Na lição anterior falei tão-somente das trinta e duas vias; falarei depois das cinqüenta portas. As idéias expressas pelos números e pelas letras são realidades incontestáveis.Tais idéias encadeiam-se e se combinam como os números. Procede-se logicamente de um ao outro. O homem é o filho da mulher, porém a mulher procede do homem como o número da unidade. A mulher explica a natureza; a natureza revela a autoridade, cria a religião que serve de base à liberdade e que faz o homem dono de si mesmo e do universo, etc. (Procurai um Tarô; creio, porém que tendes um.) Disponde em duas séries de dez cartas alegóricas, numeradas de um a vinte e um. Vereis então todas as figuras que explicam as letras. Quanto aos números, do um ao dez, encontrareis neles a explicação repetida quatro vezes, com os símbolos de paus ou cetro do pai; copas ou delícias da mãe, espadas ou combate do amor e ouros ou fecundidade. O Tarô se encontra no livro hieroglífico das trinta e duas vias e a explicação sumária dele encontra-se no livro atribuído ao patriarca Abraão, que se chama Sepher-Jezirah. O sábio Court de Gebelin foi o primeiro que adivinhou a importância do Tarô, a grande chave dos hieróglifos hieráticos. Encontraram-se os símbolos e os números nas profecias de Ezequiel e de São João. A Bíblia é um livro inspirado, porém o Tarô é o livro inspirador, Também foi chamado de roda, rota, de onde se deduziram as formas taro e tora. Os antigos rosa-cruz conheciam-no e o marquês de Suchet fala dele em seu livro acerca dos iluminados. Deste livro é que surgiram nossos jogos de cartas. As cartas espanholas ainda possuem os principais signos do Tarô primitivo e são utilizados para jogar o voltarete ou jogo do hombre, reminiscência vaga do uso primitivo de um livro misterioso que contém as sentenças reguladoras de todas as divindades humanas. Os três Tarôs antigos eram feitos de medalhas que depois seriam de talismãs. As chavetas ou pequenas chaves de Salomão eram compostas por trinta e seis talismãs, tendo setenta e duas estampas semelhantes às figuras hieroglíficas do Tarô. Estas figuras, alteradas pelos copistas, encontram-se ainda nas várias chavetas manuscritas que se encontram nas bibliotecas. Existe um desses manuscritos na Biblioteca Nacional e outro na Biblioteca do Arsenal. Os únicos manuscritos autênticos delas são os que mostram a série dos trinta e seis talismãs com os setenta e dois nomes misteriosos; os demais, ainda que antigos, pertencem às quimeras da magia negra e não são mais que mistificações. Vede, para a explicação do Tarô, o meu Dogma e Ritual da Alta Magia .
Vosso na sagrada ciência.
QUARTA LIÇÃO.
A CABALA.
Senhor e irmão: Bereschith quer dizer génese; Mercavah significa "carrinho" em alusão às rodas e aos animais misteriosos de Ezequiel. Bereschith e Mercavah resumem a ciência de Deus e do mundo. Digo "ciência de Deus" e, portanto, Deus não é infinitamente desconhecido. Sua natureza escapa completamente a nossas investigações. Princípio absoluto do ser e dos seres, não pode ser confundido com os efeitos que produz e pode-se dizer, afirmando completamente sua existência, que não é nem o não-ser, nem o ser. Fato que confunde a razão sem extraviá-la e nos afasta definitivamente da idolatria. Deus é o único postalatam absoluto de toda ciência, a hipótese necessária que serve de base à certeza. Eis aqui como nossos antigos mestres estabeleceram cientificamente esta hipótese correta da fé: o Ser é. No Ser está a vida. A vida manifesta-se pelo movimento. O movimento perpetua-se pelo equilíbrio das forças. A harmonia resulta da analogia dos contrários. Existe, na natureza, lei imutável e progresso indefinido, mudança perpétua nas formas, indestrutibilidade da substância; e isto é o que se encontra estudando o mundo físico. A metafísica apresenta leis e fatos análogos, na ordem intelectual ou na moral, o verdadeiro, imutável, de um lado; do outro, a fantasia e a ficção. De um lado, o bem que é o verdadeiro; doutro, o mal que é falso, e destes conflitos aparentes surgem o juízo e a virtude. A virtude compõe-se de bondade e justiça. Boa, exatidão todas as deduções possíveis, de obter os conhecimentos novos e de desenvolver o espírito, sem deixar nada ao capricho da imaginação. Isto é o que se obtém pela Gematria e a Temura que são as matemáticas das idéias.A Cabala tem sua geometria ideal, sua álgebra filosófica e sua trigonometria analógica. É desta forma que obriga a natureza, de certo modo, a revelar seus segredos. Adquiridos estes altos conhecimentos, passa-se às últimas revelações da Cabala transcendental e estuda-se shemanphorash, a fonte e a razão de todos os dogmas. Eis aí, senhor e amigo, o que se deve aprender. Vede se não vos assusta; minhas cartas são curtas, porém são resumos muito concretos e que expressam muito em poucas palavras. Dei espaço, amplo o bastante, entre as minhas cinco primeiras lições, para vos dar tempo de refletir; posso, portanto, escrever-vos mais amiúde se o desejardes. Acreditai-me desejoso de vos ser útil.
Vosso, de todo coração, na sagrada ciência.
QUINTA LIÇÃO
A CABALA II.
Senhor e Irmão:
Este conhecimento racional da divindade, escalonado nas dez cifras que compõem os números vos oferece o método completo da filosofia cabalística. O método compõe-se de trinta e dois meios ou instrumentos de conhecimento que se denominam as trinta e duas vias, e de cinqüenta objetos, aos quais pode-se aplicar a ciência, e que se chamam as cinqüenta portas.
A ciência sintética universal considera-se como um templo com trinta e duas vias de
acesso e cinqüenta portas.
Este sistema numérico, que também poderia ser chamado decimal, porque sua base é dez, estabelece, pelas analogias, uma classificação exata de todos os conhecimentos humanos. Nada é mais engenhoso, lógico e exato.
O número dez aplicado às noções absolutas do ser na ordem divina, metafísica e natural, repete-se três vezes, o que dá trinta para os meios de análise; acrescentai a silepse e a síntese, a unidade postulada pelo espírito. e a do resumo universal, e tereis as trinta e duas vias.
As cinqüenta portas constituem uma classificação dos seres em cinco séries de dez, que abraça todos os conhecimentos possíveis.
Porém não basta ter encontrado um método matemático exato, é preciso, para ser perfeito, isto é, que nos dê o meio de obter com exatidão, todas as deduções possíveis, de obter os conhecimentos novos e de desenvolver o espírito, sem deixar nada ao capricho da imaginação.
Isto é o que se obtém pela Gematria e a Temura que são as matemáticas das idéias. A Cabala tem sua geometria ideal, sua álgebra filosófica e sua trigonometria analógica. É dessa forma que obriga a natureza, de certo modo, a revelar seus segredos.
Adquiridos estes altos conhecimentos, passa-se às últimas revelações da Cabala
transcendental e estuda-se shemahphorach, a fonte da razão e de todo os dogmas.
Eis aí, senhor e amigo, o que se deve aprender. Vede se não vos assusta; minhas cartas são curtas, porém resumos muito concretos e que expressam muito em poucas palavras. Dei espaço amplo o bastante, entre as minhas cinco primeiras lições, para vos dar tempo de refletir; posso, portanto, escrever-vos, mais amiúde se desejardes.
Acreditai-me desejoso de vos ser útil.
Vosso, de todo coração, na sagrada ciência.
SEXTA LIÇÃO.
A CABALA III.
Senhor e irmão: A Bíblia deu ao homem dois nomes. O primeiro é Adão, que significa saído da terra ou homem de terra; o segundo é Enos ou Enoch, que significa homem divino ou elevado até Deus. Segundo o Gênese, Enos foi o primeiro que dedicou homenagens públicas ao princípio dos seres, o qual, segundo se diz, foi elevado aos céus, depois de ter gravado nas duas pedras que se denominam as colunas de Henoch os elementos primitivos da religião e da ciência universal.
Enoch não é um personagem, mas uma personificação da humanidade, elevada ao sentimento da imortalidade peh religião e ciência. Na época designada com o nome de Enos ou Enoch, apareceu o culto de Deus representado no sacerdote. Na mesma época começa a civilização com a escritura e os monumentos hieráticos.
O génio civilizador que os hebreus personificavam em Enoch foi chamado Trismegistos pelos Egípcios, Kadmos ou Cadmus pelos Gregos. Foi Kadmos que viu, aos acordes da lira de Anfion, elevarem-se as pedras vivas de Tebas.
O primitivo livro sagrado, o livro que Postel chamou Gênese de Enoch, é a primeira fonte da Cabala, ou tradição divina, humana e religiosa. Nele, a tradição aparece em sua nobre simplicidade, cativando o coração do homem, bem como a lei eterna regulando a expensão infinita, os números na imensidade e a imensidade nos números, a poesia nas matemáticas e as matemáticas na poesia.
Quem acreditaria que o livro inspirador de todas as teorias e símbolos religiosos foi conservado até nossos dias sob a forma de um jogo de cartas? Não obstante, nada é mais evidente; e Court de Gebelin foi o primeiro a descobri-lo.
O alfabeto e os dez números - isto é, certamente, o mais elementar da ciência. Reuni a isso os signos dos quatro pontos cardeais ou das quatro estações e tereis completado o livro de Enoch.
Cada signo representa uma idéia absoluta ou, se preferis, essencial. A forma de cada cifra e de cada letra tem sua razão matemática e significação hieroglífica. As idéias, inseparáveis dos números, seguem, adicionando-se, dividindo-se ou multiplicando-se, etc., o movimento dos números, e adquirem a exatidão.
O livro de Henoch é, enfim, a aritmética do pensamento.
Vosso na santa ciência.
Vosso na sagrada ciência.
SÉTIMA LIÇÃO.
A CABALA IV.
Senhor e irmão: Court de Gebelin vislumbrou, nas vinte e duas chaves do Tarô, a representação dos mistérios egípcios, atribuindo sua invenção a Hermes ou Mercúrio Trismegistos, que foi chamado também Thaut ou Thoth.
É certo que os hieróglifos do Tarô se encontram nos antigos monumentos do Egito; é certo que os signos deste livro, traçados em quadros sinóticos ou em tabelas ou lâminas metálicas, assemelham-se às inscrições isíacas de Bembo (N. dos T. - Estas inscrições eram feitas em lâminas de cobre e representavam os mistérios de Ísis e da maior parte das divindades egípcias ), reproduzidas separadamente em pedras gravadas ou em medalhas, convertidas posteriormente em amuletos e talismãs.
Assim se separavam as páginas do livro, infinito em suas combinações diversas para reuni-las, transportá-las e dispô-las de modo sempre original, obtendo múltiplos oráculos da verdade. Possuo um destes antigos talismãs, trazido do Egito por um viajante amigo.
Representa o binário dos Ciclos ou, vulgarmente, o "dois de ouros". É a expressão figurada da grande lei da polarização e do equilíbrio, produzindo a harmonia pela analogia dos contrários. A medalha um pouco apagada é do tamanho de uma moeda de prata de cinco francos, porém mais grossa. Os dois ciclos polares estão representados exatamente como no nosso Tarô italiano, por uma flor de Loto, com uma auréola ou nimbo.
A corrente astral que separa e atrai ao mesmo tempo os dois focos polares está representada em nosso talismã egípcio pelo bode de Mendés, colocado entre duas víboras, análogas às serpentes do caduceu. No reverso da medalha, vê-se um adepto ou um sacerdote egípcio que, substituindo Mendés entre os dois ciclos do equilíbrio universal, conduz por uma avenida ladeada por árvores o bode transformado num animal dócil pela ação da vara mágica.
Os dez primeiros números, as vinte e duas letras do alfabeto e os quatro signos astronômicos das estações resumem toda a Cabala. Vinte e duas letras e dez números somam as trinta e duas vias do Sepher Jetzirah, quatro representam a mercavah e o shemanphorah.
É simples como um jogo de crianças e complicado como os mais árduos problemas das
matemáticas superiores.
É ingênuo e profundo como a verdade e a natureza.
Esses quatro signos elementares e astronômicos são as quatro formas da esfinge e os
quatro animais de Ezequiel e São João.
Vosso na sagrada ciência.
OITAVA LIÇÃO.
A CABALA V.
Senhor e irmão: A ciência da Cabala impossibilita toda dúvida relativa à religião, por ser ela a única que concilia a razão com a fé, mostrando que o dogma universal formulado de maneiras diversas, porém no fundo sempre o mesmo, é a expressão mais pura das aspirações do espírito humano iluminado pela fé necessária.
Clarifica a utilidade das práticas religiosas que concentram a atenção e fortificam a
vontade.
Prova que o mais eficaz dos cultos é aquele que aproxima, de certo modo, a divindade do homem, permitindo-lhe vê-lo, tocá-lo e, de certa forma, incorporá-lo.
É suficiente dizer que se trata da religião católica. Esta religião, tal como se apresenta ao vulgo, é a mais absurda de todas, por ser a mais bem revelada de todas; emprego esta palavra em sua verdadeira acepção: revelar e; velar de novo.
Sabeis que no Evangelho se diz que na morte de Cristo o véu do Templo se rasgou por completo; bem, todo trabalho dogmático da Igreja, através das idades, foi o de tecer e bordar um novo véu. É verdade que os próprios chefes do santuário, por haverem desejado ser príncipes, perderam há muito tempo às chaves da elevada iniciação. Isto não impede que a letra do dogma seja sagrada e os sacramentos eficazes.
Em meus livros que o culto cristão católico é a alta magia regulada e organizada pelo simbolismo e a hierarquia. É uma combinação de auxílios oferecidos à debilidade humana para afirmar sua vontade no bem.
Nada foi esquecido, nem o templo misterioso e sombrio nem o incenso que tranqüiliza e exalta ao mesmo tempo, nem os cantos prolongados e monótonos que colocam o cérebro em um semi-sonambulismo.
O dogma, cujas formas obscuras parecem o desespero da razão, serve de barreira às petulâncias de um crítico inexperiente e indiscreto. Parecem insondáveis, a fim de melhor representarem o infinito.
Os próprios ofícios, celebrados numa língua que a massa popular não entende, preenchem o pensamento daquele que ora e o deixam encontrar na oração tudo o que está em relação com as necessidades do espírito e do coração.
Eis aí por que a religião católica se assemelha à ave fênix da fábula que renasce continuamente de suas cinzas. E esse grande mistério da fé é simplesmente um mistério da natureza. Pode parecer um paradoxo dizer-se que a religião católica é a única que podei-ia chamar-se natural e, portanto, verdadeira; todavia é a única que satisfaz plenamente essa necessidade natural dos homens.
Vosso na santa ciência.
ELIPHAS LEVI.