contos sol e lua

contos sol e lua

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pentagrama da cura.


Uma das primeiras e mais sagradas tarefas das bruxas e dos antigos xamãs era a cura. Com o tempo, a ciência foi colocando de lado os tradicionais curandeiros de vilas, porém, muito ainda é usado. Inclusive, a cura para muitos males ainda não foi descoberta pela ciência, mas a velha bruxa do interior ainda sabe como tratar das doenças com ervas e crendices – que dão certo!
Assim, por mais que a medicina hoje tenha avançado muito e seja imprescindível a consulta a médicos quando se tem algum tipo de problema de saúde, também não podemos nos esquecer ou deixar de lado as terapias conhecidas hoje como “alternativas”, que antes porém eram a única forma de se curar alguém (especialmente porque funcionavam). E ainda funcionam.
Curar é um ofício que as bruxas aprendem no decorrer de suas vidas. Ao lidar com a Natureza e buscar o contato mais íntimo com Ela, desenvolvemos a percepção e a sensibilidade necessárias para ajudar outras pessoas e a nós mesmas.
Nós sabemos que o equilíbrio verdadeiro e a saúde completa dependem da condição espiritual tanto quanto dependem do corpo e da mente. Sócrates mesmo disse: “Não há doença do corpo que não seja também da mente”.
A técnica utilizada pelas bruxas para a cura é apenas entender como a energia se conduz. Durante esse processo, a curandeira sabe que se uma parte do corpo-mente-espíritofor negligenciada, os esforços para cura não serao completamente bem-sucedidos. A chave está no equilíbrio entre os três, pois eles constituem a essência do que somos.
Muitas bruxas acreditam que diversas pessoas têm talentos ou capacidades que podem ser afiados e empregados para melhorar a qualidade de vida de outras. Tais aptidões se manifestam distintamente por intermédio de um método holístico ou metafísico, mas se originam no espírito e nas habilidades naturais de cada um. Por exemplo: uma boa massagem, um chá de ervas bem feito, um trabalho com a aura etc. Existem muitos. Porém, o que realmente funciona não é a técnica, mas a sensibilidade e a energia da pessoa que faz a massagem, prepara o chá ou trabalha com a aura. Cada um desses resultados está ligado a uma aptidão natural da curandeira.
Como bruxas, devemos trabalhar pelo ativamento de nosso potencial espiritual como curandeiras. E, para isso, montamos aqui um pentagrama da cura, para ajudá-la a determinar onde está o seu foco.
1. Energia do Ar: Ajudar uma pessoa que está estressada, descontrolada ou ansiosa a descansar ou dormir. O sono é tão importante na cura que, mesmo que pareça ser um dom insignificante, é um dos mais importantes. Saber acalmar as pessoas é muito difícil, mas absolutamente necessário no processo de cura.
2. Energia do Fogo: Saber como aliviar a dor das pesoas. Esse dom é absolutamente importante, pois não podemos estar em perfeito equilíbrio em corpo-mente-espírito se um desses (ou todos) estão tomados pela dor.
3. Energia da Terra: Manifestar resultados físicos quantificáveis através de técnicas medicinais alternativas como a massagem ou a acupressão. Métodos manuais como esses são mais adequados àqueles que buscam resultados mais físicos para a cura.
4. Energia da Água: Saber como cuidar do bem-estar emocional do paciente. Pessoas que possuem essa habilidade sustentam e apóiam seus pacientes até que seus corpos estejam bem o bastante para que as emoções retornem a um estado de equilíbrio.
5. Energia do Espírito: Saber como alimentá-lo. Cura por cristais, trabalho com a aura e a cura pelo toque são alguns dos métodos mais conhecidos do trabalho com a energia espiritual.
É importante lembrar que tais “dons” se manifestam diariamente, mas muitas vezes deixamos passar desapercebidos. Saber quais são e trabalhá-los de maneira correta podem ser o trabalho de uma vida inteira. Para mim, no entanto, isso parece bastante animador; estamos sempre aprendendo.
A ocupação dos curandeiros não é nada fácil. Porém, a capacidade de amar que essas pessoas têm é absolutamente admirável. Nem todos nasceram para curar, mesmo entre as bruxas, e mesmo aquelas que desenvolvem-se como curandeiras podem não seguir todas o mesmo caminho. A exclusividade do espírito de cada bruxa e de seu caminho vai, sem dúvida, distingüir seus métodos de cura e, em troca, permitir-lhe servir melhor toda a comunidade mágica.F.P.Wikepédia

domingo, 18 de julho de 2010

A Necromancia.


EX IPSIS - MORS.
Na luz astral se conservam as imagens de pessoas e coisas. É também nesta luz que se podem evocar as formas daqueles que não estão mais neste mundo, e é por meio dela que se realizam os mistérios tão contestados como reais da necromancia. Os cabalistas que falaram do mundo dos espíritos, contaram simplesmente o que viram nas suas evocações. Eliphas Levi Zahed, que escreve este livro, evocou e viu. Primeiramente, o que os mestres escreveram das suas visões ou intuições no que chamavam a luz de glória .
Lê- se no livro da Revolução das Almas, que há almas de três espécies: as filhas de Adão, as filhas dos anjos e as filhas do pecado. Há, também, conforme o mesmo livro, três sortes de espíritos: os espíritos cativos, os espíritos errantes e os espíritos livres. Há, pois, almas de homens que nascem viúvas, e cujas esposas estão retidas em cativeiro por Lilith e Naemah, as rainhas do estriges: são as almas que têm de expiar a temeridade de um voto de celibato. Assim, quando um homem renuncia desde a infância ao amor das mulheres, faz escrava dos demônios da depravação a esposa que lhe estava destinada. As almas crescem e multiplicam - se no céu, assim como os corpos na terra. As almas imaculadas são filhas dos beijos dos anjos.
Nada pode entrar no céu, a não ser o que saiu do céu. Depois da morte, pois, o espírito divino que animava o homem volta sozinho ao céu e deixa na terra e na atmosfera dois cadáveres: um terrestre e elementar, outro aéreo e sideral; um já inerte, o outro ainda animado pelo movimento universal da alma do mundo, mas destinado a morrer lentamente, absorvido pelas forças astrais que o produziram. O cadáver terrestre é visível; o outro é invisível aos olhos dos corpos terrestres e vivos, e só pode ser percebido pelas aplicações da luz astral ao translúcido, que comunica as suas impressões ao sistema nervoso, e afeta, assim, o órgão da vista até fazer- lhe ver as formas que são conservadas e as palavras que estão escritas no livro da luz vital.
Quando o homem viveu bem, o cadáver astral se evapora como um incenso puro, subindo para as regiões superiores; mas se o homem viveu no crime, o seu cadáver astral, que o retém prisioneiro, procura ainda os objetos das suas paixões e quer retomar a vida. Atormenta os sonhos das moças, banha - se no vapor do derramado, e arrasta - se para os lugares onde se passaram os prazeres da sua vida; vela ainda sobre os tesouros que possuía e escondeu: esgota - se em esforços dolorosos para fazer para si órgãos materiais e reviver. Mas os astros o aspiram e bebem; sente a sua inteligência se enfraquecer, a sua memória perder- se lentamente, todo o seu ser dissolver- se... Os seus antigos vícios lhe aparecem e o perseguem sob figuras monstruosas: eles o atacam e o devoram... O desgraçado perde, assim, sucessivamente, todos os membros que serviram para as suas iniqüidades; depois, morre pela segunda vez e para sempre, porque, então, perde a sua personalidade e a sua memória. As almas que devem viver, mas que ainda não estão inteiramente purificadas, ficam mais ou menos cativas no cadáver astral, em que são queimadas pela luz ódica que procura assimilá - lo a si e dissolvê - lo. É para desembaraçar- se deste cadáver que as almas sofredoras, às vezes, entram nos vivos e ali ficam em estado que os cabalistas chamam embrionato . São esses cadáveres aéreos que evocamos pela necromancia. São larvas, substâncias mortas ou moribundas, com as quais nós nos relacionamos; ordinariamente, só podem falar pelo zumbido dos nossos ouvidos, produzido pela agitação de que falei, e, de ordinário, raciocinam refletindo nossos pensamentos ou nossos sonhos.
Mas para ver essas formas estranhas é preciso pôr- se num estado excepcional, que participa do sono e da morte, isto é, é necessário magnetizar a si próprio e chegar a uma espécie de sonambulismo lúcido e acordado. A necromancia obtém, pois, resultados reais, e as evocações da magia podem produzir visões verdadeiras. Dissemos que, no grande agente mágico que é a luz astral, se conservam todas as impressões das coisas, todas as imagens formadas, quer pelos raios, quer pelos reflexos; é nesta luz que os nossos sonhos nos aparecem, é esta luz que embebeda os alienados e arrasta o seu juízo adormecido à perseguição dos fantasmas mais bizarros. Para ver sem ilusão nesta luz é preciso saber separar os reflexos por uma vontade poderosa e atrair a si só os raios. Sonhar acordado é ver na luz astral; e as orgias do sabbat , contadas por tantos feiticeiros nos seus juízos criminais, não se apresentavam a eles de outra maneira. Muitas vezes, as preparações e substâncias empregadas para chegar a este resultado eram horríveis, como veremos no Ritual; mas os resultados nunca eram duvidosos. Viam, ouviam e tocavam nas coisas mais abomináveis, mais fantásticas, mais impossíveis. Voltaremos a este assunto no nosso décimo quinto capítulo; aqui só nos ocupamos da evocação dos mortos.
Na primavera do ano 1854, eu tinha ido a Londres para escapar de desgostos íntimos e entregar -me, sem distração, à ciência. Tinha cartas de recomendação para pessoas eminentes e curiosos de revelações do mundo sobrenatural. Vi muitos deles, e achava neles, com muita polidez, um grande fundo de indiferença ou leviandade. Pediam -me primeiramente prodígios como a um charlatão, Estava um pouco desanimado, porque, para dizer a verdade, longe de estar disposto a iniciar os outros nos mistérios da magia cerimonial, sempre temi para mim mesmo as suas ilusões e fadigas; aliás, estas cerimônias exigem um material dispendioso e difícil de adquirir. Encerrava - me, pois, no estudo da alta Cabala, e não pensava mais nos adeptos ingleses, quando um dia, ao entrar no meu hotel, encontrei um sobrescrito com meu endereço. Este sobrescrito continha a metade de um cartão, cortado transversalmente, e no qual reconheci primeiramente o caráter do selo de Salomão e um papel muito pequeno no qual estava escrito a lápis: “Amanhã, às três horas, diante da abadia de Westminster, vos será apresentada a outra metade deste cartão ”. Fui a essa singular entrevista. Uma carruagem estacionava na praça. Tinha, sem afetação, o meu pedaço de cartão na mão; um criado aproximou - se de mim e me fez sinal, abrindo a portinhola da carruagem, na qual vi uma senhora de preto, cujo chapéu estava coberto com um véu muito espesso; ela fez sinal de subir junto a si, mostrando - me a outra metade do cartão que tinha recebido. A portinhola fechou- se, a carruagem rodou e a senhora, tendo levantado o seu véu, pude ver que tratava com uma pessoa idosa, com sobrancelhas cinzentas e olhos pretos, extremamente vivos e de uma fixidez estranha.
- Senhor – disse- me ela, com um acento inglês muito pronunciado – sei que a lei do segredo é rigorosa entre os adeptos; uma amiga de Sir B*** L***, que vos viu, sabe que vos pediram experiências e que recusastes satisfazer esta curiosidade. Talvez não tínheis as coisas necessárias: vou mostrar -vos um gabinete mágico completo; mas vos peço, antes de tudo, o mais inviolável segredo. Se não me fizerdes esta promessa pela vossa honra, vou dar ordem para que vos levem à vossa casa.
Fiz a promessa que exigiam de mim e sou fiel a ela, não dizendo o nome, nem a qualidade, nem a residência desta senhora, que reconheci logo como iniciada, não precisamente de primeira ordem, mas de um grau muito elevado. Tivermos diversas conversações extensas, durante as quais ela sempre insistia sobre a necessidade das práticas para completar a iniciação. Mostrou- me uma coleção de vestimentas e instrumentos mágicos, e até me emprestou alguns livros curiosos que me faltavam; em breve, me determinou a tentar na sua casa a experiência de uma evocação completa, à qual me preparava durante vinte e um dias, observando escrupulosamente as práticas indicadas no trigésimo capítulo do Ritual.
Tudo estava terminado em 24 de julho. Tratava - se de evocar o fantasma do divino Apolônio e interrogá- lo sobre dois segredos: um que se referia a mim, outro que interessava àquela senhora. A princípio ela contava assistir à evocação com uma pessoa de confiança; mas, no último momento, essa pessoa teve medo e, como o ternário ou a unidade é rigorosamente exigido para os ritos mágicos, fiquei só. O gabinete preparado para a evocação era feito numa pequena torre: nele tinham sido dispostos quatro espelhos côncavos, uma espécie de altar, cuja parte de cima era de mármore branco e estava rodeada por uma corrente de ferro imantado. No mármore branco, estava gravado o dourado o signo do pentagrama, tal como se acha representado no quinto capítulo destra obra; e o mesmo signo estava traçado, em diversas cores, numa pele de carneiro, branca e nova, que estava estendida no altar. No centro da mesa de mármore, havia um pequeno fogareiro de cobre com carvão de pau de aulno e loureiro; um outro fogareiro estava colocado, diante de mim, sobre uma trípode. Eu estava vestido com uma roupa branca muito semelhante às vestimentas dos padres católicos, porém mais ampla e mais longa, e trazia na cabeça uma coroa de folhas de verbena, entrelaçadas numa cadeia de ouro. Numa das mãos, tinha uma espada nova e na outra o Ritual. Acendi os dois fogos com as substâncias exigidas e preparadas, e começava, primeiramente em voz baixa, depois elevando a voz gradativamente, as invocações do Ritual. A fumaça estendeu- se, a chama fez vacilar todos os objetos que alumiava, depois se extinguiu. A fumaça se elevava, branca e lenta, sobre o altar de mármore; pareceu -me ouvir um abalo de estremecimento de terra, os meus ouvidos zumbiam e meu coração palpitava com força. Pus alguns ramos e perfumes nos fogareiros, e quando a chama se elevou, vi distintamente, diante do altar, uma figura de homem maior que o natural, que se decompunha e se esvaía. Recomecei as evocações e coloquei -me num círculo que tinha traçado antecedentemente entre o altar e a trípode: vi, então, alumiar- se, pouco a pouco, o fundo do espelho que estava na minha frente, atrás do altar, e uma forma esbranquiçada desenhou - se nele, crescendo e parecendo aproximar - se pouco a pouco. Chamei três vezes Apolônio, fechando os olhos; e, quando os abri, um homem estava diante de mim, envolto inteiramente por uma espécie de lençol, que me pareceu ser mais cinzento do que branco; a sua forma era magra, triste e sem barba, o que não combinava exatamente com a idéia que primeiramente tinha de Apolônio. Experimentei uma sensação extraordinária de frio, e, quando abri a boca para interrogar o fantasma, me foi impossível articular um som. Pus, então, a mão sobre o signo do pentagrama, e dirigi para ele a ponta da espada, ordenando - lhe mentalmente, por este signo, a não me amedrontar e a obedecer- me. Então, a forma ficou mais confusa, e ele desapareceu imediatamente. Ordenei - lhe que voltasse: então senti passar, junto a mim, como que um sopro, e, alguma coisa tendo - me tocado na mão que segurava a espada, tive imediatamente o braço adormecido até os ombros. Julguei entender que esta espada ofendia o espírito, e a plantei, pela ponta, no círculo junto a mim. A figura humana reapareceu logo; mas senti uma tão grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar- se de mim, que dei dois passos para me assentar. Desde que fiquei assentado, caí num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos, de que me restou, quando voltei a mim, somente uma lembrança confusa e vaga. Tive, durante muitos dias, o braço adormecido e dolorido. A forma não me tinha falado, mas pareceu- me que as perguntas que lhe tinha de fazer se tinham resolvido por si mesmas no meu espírito. À da senhora, uma voz interior respondia em mim: Morto! (tratava- se de um homem de quem desejava saber notícias). Quanto a mim, queria saber se a reconciliação e o perdão seriam possíveis entre duas pessoas nas quais pensava, e o esmo eco interior respondia implacavelmente: Mortas!
Aqui, os fatos tais como se passaram, e não os imponho a ninguém. O efeito desta experiência em mim foi alguma coisa inexplicável. Não era mais o mesmo homem, alguma coisa de outro mundo tinha passado em mim; não estava mais nem alegre, nem triste, mas sentia uma singular atração para a morte, sem, todavia, ser, de algum modo,
tentado a recorrer ao suicídio. Analisei cuidadosamente o que tinha experimentado; e, apesar de uma repugnância nervosa muito vivamente sentida, retirei duas vezes, somente com alguns dias de intervalo, a mesma experiência. A narração dos fenômenos que se produziram difere muito pouco para que a deva acrescentar a esta, já um pouco extensa. Mas o resultado destas duas outras evocações foi para mim a revelação de dois segredos cabalísticos, que poderiam, se fossem conhecidos por todo mundo, mudar, em pouco tempo, as bases e leis da sociedade inteira.
Concluirei disto que, realmente, evoquei, vi e toquei o grande Apolônio de Thyana? Não sou tão alucinado para o crer, nem tampouco sério para o afirmar. O efeito das preparações, dos perfumes, dos espelhos, dos pantáculos é um verdadeiro embebedamento da imaginação, que deve agir vivamente sobre uma pessoa já impressionável e nervosa. Não explico por que leis fisiológicas vi e toquei; afirmo somente que vi e toquei, que vi, clara e distintamente, sem ilusões, e isso é suficiente para crer na eficácia real das cerimônias mágicas. Aliás, creio perigosa e nociva a sua prática; a saúde, quer moral, quer física, não resistiria a semelhantes operações, se tornassem habituais. A senhora idosa de que falei, e de que tive de me queixar depois, era uma prova disso; porque, apesar das suas denegações, não duvido que tivesse o hábito da necromancia e de goecia. Às vezes, ela delirava completamente; outras vezes, se entregava à cóleras insensatas, de que, com dificuldade, explicava a causa. Deixei Londres sem a ter visto de novo, e guardei fielmente a promessa que fiz de nada dizer a quem quer que possa fazê- la conhecer ou até dar alarma sobre as práticas às quais se entrega, sem dúvida, sem conhecimento da sua família, que é como suponho, muito numerosa e de uma posição muito honrosa.
Há evocações de inteligência, evocações de amor e evocações de ódio; nada, porém, prova, ainda uma vez, que os espíritos deixam realmente as esferas superiores para se entreterem conosco, até o contrário é mais provável. Evocamos as lembranças que deixaram na luz astral, que é o receptáculo comum do magnetismo universal. É nesta luz que o imperador Juliano viu, outrora, aparecerem os deuses, porém velhos, doentes e decrépitos; nova prova da influência das opiniões correntes e acreditadas sobre os reflexos deste mesmo agente mágico que faz falar as mesas e responde batendo nas paredes.
Depois da evocação de que falei precedentemente, reli com cuidado a vida de Apolônio, que os historiadores nos representam como um ideal de beleza e elegância antiga. Notei que Apolônio, no fim da sua vida foi barbeado e, por muito tempo, atormentado na prisão. Esta circunstância, que, sem dúvida, retive outrora, sem pensar depois nisso para me lembrar, terá talvez, determinado a forma pouco atrativa da minha visão, que considero unicamente como o sonho voluntário de um homem acordado. Vi outras duas outras personagens, que pouco importa mencionar, e sempre diferentes do que esperava ver, pelo hábito e pelo seu aspecto. Aliás, recomendo a maior reserva às pessoas que queiram entregar- se a semelhantes experiências: resultam delas grandes fadigas e, às vezes, até abalos tão anormais para ocasionar doenças.
Não terminarei este capítulo sem assinalar, aqui, a opinião assaz estranha de certos cabalistas que distinguem a morte aparente da morte real, e crêem que elas raramente vêm ao mesmo tempo. Conforme o seu dizer, a maioria das pessoas que se enterram estariam vivas, e muitas outras, que se julgam vivas, estariam mortas.
A loucura incurável, por exemplo, seria para eles uma morte incompleta, mas real, que deixa o corpo terrestre sob a direção puramente instintiva do corpo sideral. Quando a alma humana sofre uma violência que não pode suportar, ela se separaria, assim, do corpo, e deixaria em seu lugar a alma animal ou o corpo sideral corpo, o que faz destes restos humanos alguma coisa menos viva, de algum modo, que o próprio animal. Reconhecemos, dizem eles, os mortos desta espécie pela extinção completa do senso afetuoso e moral; não são maus, não são bons: são mortos. Estes seres, que são os cogumelos venenosos da espécie humana, absorvem tanto quanto podem a vida dos vivos; é por isso que a sua aproximação entorpece a alma e dá frio ao coração.
Estes entes cadavéricos, se existissem, realizariam tudo o que outrora se afirmava dos brucolacos e vampiros.
Não há entes junto aos quais nós nos sentimos menos inteligentes, piores e até, às vezes, menos honestos?
Não os há cuja aproximação extingue toda crença e todo entusiasmo, que vos ligam a si pelas vossas fraquezas, vos dominam pelas vossas más está inclinações e vos fazem lentamente morrer no moral, num suplício semelhante ao de Mezêncio?
São mortos que tomamos por vivos; são vampiros que tomamos por amigos! Eliphas Levi - Dogma e Ritual da Alta Magia.

Endless Dark (tradução).


Escuro Interminável.
Suavemente a luz brilha através
Dos portões de graça para mim e você
Enganando nossos corações incansáveis
Uma chama vacilante tão serena
Devora a noite para que nós pudéssemos ver
O medo em que nos apoiamos com tanta força

Sozinha a luz que brilha sobre você
Através dos portões de fogo sepultados
Alimentando-se de seu amor
Fraca é a chama que me afastou
Da crueldade e ternura misturados
Não mais salvando minha alma


Mas eu sei onde é o meu lugar
Longe dos seus deuses
Que curam todas as feridas e iluminam
Este escuro interminável

Que curam todas as feridas
Curam todas as feridas
Curam todas as feridas e iluminam
Este escuro interminável
Que brilham sobre você e amansa seu coração ardente
Que enterram minha verdade bem dentro dos seus braços
Que veneram a tumba do nosso amor miserável
Que curam todas as feridas e iluminam
Este escuro interminável

Que curam todas as feridas e iluminam
Este escuro interminável.Him.

Vampire Heart (tradução).



Coração de Vampiro.
Você não pode escapar da ira do meu coração
Vibrando com a sua música fúnebre
Toda a fé é perdida e o inferno é resgatado
Na poeira da ira da vergonha
Apenas seja forte

Deixe-me acordar no sol do meu coração
Guiar você através deste caminho escuro
Onde é o meu lugar até eu sentir seu calor

Abrace-me como você se agarrou à vida quando
todos os medos se concretizaram e sepultaram-me
E ame-me como você amou ao sol,
queimando o sangue no meu coração de vampiro

Eu sou o espinho de todas as rosas
Você pode enviar minha esperança
Eu sou o pesadelo que te acorda do sonho,
o sonho de amor

Deixe-me ficar indisposto enquanto os portões do Paraíso aguardam
Dei-lhe minha alma, comecei a amar
Estou esperando pelos seus beijos levarem-me de volta para casa

Ame-me como você amou ao sol
Meu coração de vampiro.Him.

sábado, 17 de julho de 2010

ANUKET, DEUSA DAS CATARATAS DO NILO.


Anuket é uma Deusa muito antiga, que acredita-se ter sido importada da Núbia, considerada como sendo a personificação da fonte do rio Nilo, que nascia do seu ventre. O Egito é "a dádiva do rio Nilo", sem ele, a terra teria sido infecunda. Foi o rio, que fez desde o início do Egito uma nação agrícola.Os egípcios não tinham necessidade de olhar ansiosamente para o céu à procura de chuva, pois todos anos no verão, o Nilo proporcionava a irrigação necessária. A cheia anual, que renovava a vida, nunca deixava de chegar quando o calor se aproximava, irrigando a terra dos faraós e fazendo do Egito uma das mais prósperas nações do mundo antigo e alimentando uma civilização que atravessou milênios de história.
O rio Nilo nasce no coração da África, no lago Vitória, e deságua no Mediterrâneo formando um grande delta. Em seu trajeto, corta todo o território egípcio no sentido sul-norte. Foi ao longo de seu percurso que floresceram as culturas agrícola-urbanas. Os egípcios reverenciavam o grande rio como uma divindade protetora e fertilizadora e, embora suas cheias destruíssem moradias e afogassem homens e animais, eram tidas como uma grande benção.
Anuket era conhecida também, pelos nomes: Anukis, Anqet, Anket, "Senhora da Núbia", "Senhora de Sehel" e "Senhora da Núbia". A Núbia tornou-se uma província do Egito no Novo Império. A Baixa Núbia situava-se entre Assuã e a segunda catarata. A Alta Núbia, estendia-se da segunda catarata às proximidades da quinta.
Como Deusa da água era Anuket (Aquela que Aperta), portanto, com seu abraço que durante a inundação fertilizava os campos. Assim como outras Deusas hermafroditas, acreditava-se que Anuket havia-se originado por si própria, por isso era representada, algumas vezes, com quatro braços, que representavam a união dos princípios masculinos e femininos.
Anuket era uma Deusa nutridora não só da terra, mas também do faraó. Foi retratada amamentando o jovem Ramsés II, transmitindo-lhe poder, saúde e muita alegria. Os egípcios antigos, a julgar pelas pinturas dos túmulos, era um povo muito alegre e o gosto pela vida não era limitado somente aos ricos. Até os humildes, foram mostrados pelos artistas, aparentando despreocupação e muito bom humor.
A Deusa Anuket, segundo alguns registros, foi a segunda esposa do deus Khnemu (deus lunar), possuindo morada especial na ilha de Seheil. Deu forma a uma tríade com Khenmu e Satis ( filha-mãe) e em épocas muito antigas foi identificada com Neftis. A tríade egípcia sempre era formada por um elemento feminino, um elemento masculino e um elemento formado pela união de ambos. Visualizamos na tríade a grande importância da família para o antigo egípcio. Na ilha de Elefantina, Anuket forma outra tríade com Jnun (deus cabeça-carneiro), um deus local de Hípselis e Esna, cuja lenda conta que foi quem modelou o homem em sua olaria às margens do rio. Acompanhando-s encontramos a Deusa Satis(levava a coroa do Alto Egito), uma divindade da primeira catarata do Nilo que é representada adornada com chifre de antílope. Neste caso, Anuket cumpre a função de filha do casal formado por Jnun e Satis.
Só para esclarecer, a primeira catarata do Nilo é um dos seis afloramentos de granito que obstruíam o Nilo na Antiguidade e era também a tradicional fronteira meridional do Egito. O Egito estendia-se desde a quinta catarata do Nilo até o rio Eufrates, na Ásia Ocidental.
Anuket era ainda, uma Deusa da caça, cujo animal sagrado era a gazela e estava também associada a água. A ligação das Deusas da água com a gazela era provavelmente porque os egípcios sempre viam estes animais em torno da água.
Provavelmente, pelo status de Deusa da Fertilidade, Anuket, transformou-se em Deusa da Luxúria e foi relacionada com a natureza sexual. Seu símbolo, com estes atributos era vulva, usado em vários países como amuleto para a fertilidade, renascimento, cura, poder mágico ou boa sorte. Sempre Anuket que era chamada para dar as boas-vindas aos recém-nascidos ou filhotes de animais. Ela era chamada de Doadora de Vida, tanto de humanos como dos animais. Suas bençãos se tornam eficazes nas primeiras formas da Lua Crescente.
Adorada no Reino Novo em Elefantina, onde se encontrava o seu santuário mais importante. Em Filé havia outro templo, onde era identificada com Ísis. Era representada como uma mulher vestindo uma grande coroa com plumas de avestruz, que conduzia um cetro de papiro. Como é de origem africana, suas vestes são muito ornamentadas. Sua imagem pode ser vista no templo de Ramsés II em Abu Simbel. Em 1963 e 1968, o templo foi transferido para longe do lago Nasser, criado pela barragem de Assuã.
Segundo algumas fontes compulsadas, Anuket, também conhecida por Anka, deu origem à palavra ankh, "A Chave da Vida", antigo símbolo feminino da Grande Deusa e da imortalidade dos deuses. Mais tarde, a ankh ficou conhecida como "A Chave do Nilo", reproduzindo a união mística de Ísis e Osíris, que provocava a inundação anual do rio.
Anuket é uma Deusa Mãe Protetora que deu vida ao faraó, à terra e ao próprio Egito.
ARQUÉTIPO DA DEUSA VIRGEM.
A Deusa Anuket está associada à Lua Crescente e a característica da Deusa desta fase é ser virgem. Mas virgem, no sentido de ser essencialmente uma-em-si-mesma. Isto explica o porquê de ser considerada uma Deusa andrógina. Ela não é, portanto, a contraparte feminina de um deus masculino. Ao contrário, ela tem um papel próprio. Ela é a mais Antiga e Eterna, a Mãe do deus Ra e Mãe de todas as coisas.
Da mesma forma, a mulher contemporânea que incorpora o arquétipo de Anuket é "virgem" em sua conotação psicológica. Uma mulher que é dependente do que outras pessoas pensam, que a faz dizer e fazer coisas que realmente não aprova, não é virgem no sentido do termo. A mulher virgem é livre para ser como deseja. Ela é o que é. Mas romper leis convencionais, não pode levá-la ao egocentrismo, pois deste modo a cura se tornaria pior que a doença.
Mas, como pode então a mulher libertar-se de sua orientação egocêntrica? Quando buscar objetivos não-pessoais e relacionar-se corretamente com sua Deusa Interior, terá como resultado a liberação do egotismo e do egoísmo. Ela deixará então de ser vista como uma egoísta, para consolidar uma personalidade de significação mais profunda. Para tanto, deve ser conhecedora dos ensinamentos antigos da Deusa. É entendendo a concepção primitiva das deidades lunares, que eram tanto provedoras da fertilidade, como destruidoras da vida, que poderemos incorporar os princípios femininos das Deusas, nos tornando então, "virgens", uma-em-si-mesmas.
Rosane Volpatto.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

The Bard's Song - In The Forest (tradução)


[A Canção dos Bardos - Na Floresta]
Agora vocês todos vão conhecer
Os bardos e suas canções
Quando as horas se passarem
Eu fecharei meus olhos
Em um mundo distante
Nós poderemos nos encontrar novamente
Mas agora ouça minha canção
Sobre o surgimento da noite
Vamos cantar a canção dos bardos

O amanhã nos levará para longe
Distante de casa
Ninguém nunca sequer saberá nossos nomes
Mas as canções dos bardos vão permanecer
O amanhã levará para longe
O medo do hoje
Terá ido embora
Devido às nossas canções mágicas

Tem apenas uma canção
Restando em minha mente
Contos de homens corajosos
Que viveram longe daqui
Agora as canções dos bardos terminaram
E é tempo de partir
Ninguém te perguntará pelo nome
Daquele
Que conta a história

O amanhã nos levará para longe
Distante de casa
Ninguém nunca sequer saberá nossos nomes
Mas as canções dos Bardos vão permanecer
Amanhã tudo será conhecido
E você não está sozinho
Então não tenha medo
No escuro e frio
Porque as canções dos Bardos irão permanecer
Elas todas irão permanecer

Em meus pensamentos e em meus sonhos
Estão sempre em minha mente
Aquelas canções de hobbits, anões e homens
e elfos
Venha, feche seus olhos
Você pode vê-las também.
Blind Guardian.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A CANÇÃO DO BARDO - O HOBBIT.Tradução.


Lá, bem distante, há tanto ouro
O tesouro que encontrei é mais do que o suficiente
Para a colina temos que ir
Sobre a montanha e os mares
Até a velha colina onde o velho dragão dorme
Cego na escura noite da caverna
Portanto Deus me tire daqui
E Gollum mostra o caminho da saída
Estou vivo
Trolls no escuro
O amanhecer levou-os todos
Capturados na floresta
Pelos homens do rei-da-floresta
Mas agora estou sozinho
Porque me decidi
Pelo feitiço do ouro
O rei sob a montanha arriscará a grande guerra
Oh, mas que tolo, ele está perdendo o controle
Então eu estou tentando encontrar uma maneira
Cego na escura noite da caverna
Então a escuridão surge pelo lado norte
E Thorin clareia sua mente.
Blind Guardian.